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Estilo de vida minimalista, frugal e com extremo conforto? Foi o capitalismo quem permitiu isso

A
grande notícia sobre o iPhone 7 é a eliminação
dos fios do fone de ouvido
.  O conforto
trazido por essa inovação é sem precedentes: você agora não tem aquela tranqueira
convoluta e emaranhada, que se enrosca nas coisas ao redor, e que você tem de
dobrar pacientemente toda vez que vai guardá-lo.  Mais uma inconveniência da vida é abolida.  Mais um pequeno progresso ocorre no
mundo
.

Analisando
tudo o que ocorreu ao longo dos últimos 15 anos, é impressionante contemplarmos
o quanto se tornou possível levar uma vida que parece ser minimalista e, ainda
assim, com extremo conforto.  Digo “parece
ser” porque, na realidade, o “minimalista” é uma ilusão.  Temos muito mais coisas do que jamais tivemos
e, ainda assim, tudo está bem mais condensado. 

Quase
tudo está em nossos smartphones e computadores, em não em formato físico,
atravancando um espaço precioso em nossas residências.

O que torna o minimalismo possível

Nas
últimas semanas, assisti a vários vídeos sobre o estilo
de vida minimalista
e devo dizer que, no geral, concordo com seus
proponentes.  Há algo de calmo, de
esclarecedor, de tranquilizante em viver sem muitas coisas ao seu redor.  Traz uma certa serenidade à vida.

Um
grande amigo meu é adepto desse estilo de vida, tendo escrito um artigo — “Por
que prefiro viver de aluguel em um pequeno apartamento em vez de comprar uma
enorme casa
” — que se tornou altamente popular entre os adeptos do
minimalismo.  Eu mesmo também tenho ido
nessa direção.

A
cada ano dos últimos dez anos tenho me desfeito de uma enormidade de coisas,
jogando nas caçambas enormes sacos contendo itens que não uso mais.  É algo enormemente gratificante poder se
livrar de entulhos.  Sim, em alguns casos
pode ser uma decisão dolorosa — a pior foi a que tive de tomar em 1987, quando
joguei 500 discos de vinil na lixeira.  Eles
ocupavam praticamente dois metros e meio em minhas prateleiras e pesavam uma
tonelada.  Repentinamente, joguei tudo
fora e os substituí por alguns CDs.  E então
comecei a acumular CDs. Vários CDs.  Até chegar
ao ponto em que várias gavetas lotadas de CDs também foram para o lixo.

Hoje,
todas essas músicas físicas foram substituídas por… um notebook.  E o mesmo ocorreu com várias outras coisas.  As prateleiras de livros que costumavam
dominar a casa em que passei minha juventude, ocupando espaço precioso, hoje estão
dentro do meu tablet, do meu smartphone e do meu Kindle. 

Com
um detalhe: tenho hoje muito mais livros do que jamais tive.  Só que agora eles não ocupam espaço nenhum e não
pesam absolutamente nada.  Mais ainda:
posso levá-los (todos eles!) para qualquer lugar e posso lê-los a qualquer momento.

Lembra-se do catálogo? 
Quem
é jovem, provavelmente não.  Era comum as
pessoas terem pelo menos uns três daqueles tijolos, que ocupavam um enorme espaço
nos armários (eles raramente cabiam em gavetas).  Hoje, eles nem existem mais.  Pelo
seu smartphone, você descobre o telefone de qualquer empresa.  Mais: pelas redes sociais, você entra em
contato com qualquer pessoa do seu passado. 
Você não mais precisa de saber onde ela mora para procurar seu telefone
em um catálogo.

Lembra-se
de quando você recebia jornais físicos?  Todos
os dias, você tinha de se livrar daquele trambolho, que ocupava um grande espaço
na lixeira.  Hoje, você pode lê-los em
seus aplicativos, em sua cama.  Revistas?  Mesma
coisa.

E
o que dizer então daqueles enormes
armários de arquivos
, para armazenar todos os tipos de documentos
burocráticos importantes?  Você tinha de tê-los. 
Eles
eram desumanamente pesados.  Se caíssem
em cima de alguém, poderia matar.  Hoje, ninguém
mais os tem, exceto aqueles monumentos ao atraso que são as repartições públicas.

Lembra-se
da sua escrivaninha? Ela tinha de ter
compartimento para tudo. Tinha grampeadores,
rolodex,
pilhas de papeis, impressoras, corretivos, durex, fita crepe, cola, clips, e
vários calhamaços de manuais de instrução para softwares. Havia materiais acumulados para pesquisa.  Havia arquivos de
contas pagas. Havia envelopes e selos
para enviarmos correspondências. Tínhamos
tesouras, relógios, rádios, um globo terrestre, dicionários e variados tipos de
enciclopédias.

Havia
também álbuns de fotos e caixotes e mais caixotes de fotos que um dia colocaríamos
em um álbum, mas que nunca o fizemos.  E havia
também cartões de natal do ano passado e de vários anos anteriores.

E
os livros de receita?  Em termos de espaço,
eram piores que catálogos.  Havia um
livro para cada estilo de comida, para cada canto do planeta, para cada propósito.  Hoje, com dois toques no seu smartphone, você
tem acesso a qualquer receita que você queira.

Pense
no interior de uma casa ou apartamento do passado.  Era repleto de coisas para guardar
coisas.  E de coisas para guardar essas coisas
que guardavam outras coisas.  Não é que éramos
mais materialistas.  Todas essas coisas eram
necessárias.  E essa era a única maneira
de tê-las e mantê-las.  Hoje, tudo o que
temos de ter é um lugar para dormir, algo para esquentar comida fria, um forno
e um fogão, alguns pratos e talheres, e algumas roupas.  Pronto. 
Todo o resto cabe em seu smartphone, tablet e notebook.

Lembra-se
dos mapas?  Você tinha uma pilha deles em
sua casa e no porta luvas do seu carro.  Caso
quisesse um mapa rodoviário mais detalhado, você tinha de ter um enorme mapa dobrável.  À medida que você ia dirigindo, você tinha de
ir desdobrando as páginas e virando o mapa na direção correta.  Com o tempo, ele inevitavelmente ia ficando
amarfanhando, se desintegrando e rasgando, até finalmente ficar completamente inútil.  Aí você tinha de comprar outro. 

Provavelmente,
você tinha uma bússola também.

E,
certamente, uma pilha de fitas cassetes, com oito músicas de cada lado, a qual
tinha de ser manualmente trocada em seu toca-rádio.  Ou CDs. 
Lembro-me de gente que comprava máquinas gigantes para colocar no
porta-malas do carro, as quais comportavam 250 CDs, e que eram controladas de
dentro do carro.

Uma
insanidade. Hoje, tudo isso já é museu.

Você
pode ter tudo isso em pequenos dispositivos. 
Toda a poupança que isso lhe possibilitou é incalculável.  Hoje, ao toque dos seus dedos, você tem
acesso a músicas, filmes, fotos, livros, enciclopédias, notícias, e ainda pode
guardar todos os seus arquivos nas nuvens.

Toda
essa transformação é indescritivelmente impressionante, além de ser charmosa e
bela.  Hoje, temos aposentos limpos,
abertos, arrumados, sem tralhas e tranqueiras ocupando espaço.  E dizemos a nós mesmos: aprendi a viver sem
acumular.  Aprendi a viver sem ter
muito.  Descobri a maneira certa de viver!

Sim,
mas quem permitiu esse estilo de vida minimalista foi o capitalismo.

Sobre esses encantamentos com o
pouco

Isso deve
ser ressaltado: esse estilo de vida minimalista, o qual eu também sigo, não é simplesmente
uma escolha pessoal.  Não precisamos nos
congratular excessivamente por termos esse estilo.  Foi a tecnologia o que possibilitou essa vida.  E o que possibilitou a tecnologia?  O capitalismo, a economia de mercado e a
criatividade de vários empreendedores.

Somos apenas
os beneficiados das idéias
e do trabalho de terceiros
.

E eis o
grande paradoxo: o suposto materialismo do capitalismo possibilitou vivermos
com cada vez menos dependência do mundo físico. 

Este
excelente vídeo, de apenas 54 segundos, mostra toda essa impressionante evolução
ocorrida.

Agora,
seria bom se pudéssemos eliminar aquele irritante fio que liga nossos aparelhos
eletrônicos às tomadas nas paredes.  Por que
ainda temos essa coisa horrorosa e incômoda?

Ah, sim,
porque a eletricidade é fornecida por um monopólio concedido pelo estado.  Não conte com seu completo desaparecimento em
um futuro próximo.  Nessa área, a inovação
não é ditada pelo livre mercado.  Consequentemente,
continuaremos atados e plugados por um bom tempo.

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63 comentários em “Estilo de vida minimalista, frugal e com extremo conforto? Foi o capitalismo quem permitiu isso”

  1. Sobre Alma de Branco e Alma de Negro

    Já diziam Tim Maia “O Brasil é o único pais em que além de puta gozar, cafetão sentir ciúmes e traficantes ser viciado, o pobre é de direita”.

    São paulo foi uma vergonha sem tamanho, simplesmente elegeram um mauricinho branco, que tem mulher branca, para prefeito. E o vereador que se diz representar os negros e gays, tem alma de Branco, E provavelmente vai namorar mulher Branca, simplesmente estamos ferrados.

    O que é alma de Branco? Veja que ser Branco ou Negro, não é um conceito autoritário, do tipo que define algo em sentido aristotélico, mas sim as ações de luta da pessoa, que define se ela é Branca ou Negra.

    Eu sou Negro, embora de pele clara, porem eu tenho alma de negro. Eu luto pela comunidade da favela, Eu visito a favela, Eu faço parte do Psol, eu vou no churrasco da favela, Eu ouço samba, Eu ouço Rap, Eu modifico a foto no facebook, eu já participei dos movimentos e manifestações de minorias, eu posso dizer com orgulho que tenho alma Negra.

    Quem é o Branco? O branco de alma é o que vai na paulista de verde e amarelo, Gosta de ouvir música de burgues do tipo um jazz, blues (sim o burgues branco roubou dos negros), uma música clássica, entre outras. O Branco de alma, dificilmente sai de casa, sua manifestação é pela internet, quando sai, tem que sair com o carro blindado que o papai deu de presente (não é mesmo Helio beltrião?).

    Alias, acho fascinante o Branco de alma, pois a vida dele é facilmente perceptível, aqui diz um pouco sobre o branco de alma:

    Conclusão

    As pessoas se deixam enganar pela estética, O cara se diz negro, pobre e gay, porem suas ações não condizem com a realidade. Por que ele não está lutando com seus irmãos de classe, cor, sexualidade? O rapaz se vendeu para a burguesia, essa é minha conclusão.

  2. Sobre os fios de eletricidade, discordo do autor, basta uma bateria que dure mais tempo, como nos celulares e laptops. Não depende de monopólio. Bem, pensando melhor, depende um pouco, pois já poderíamos estar utilizando minúsculas baterias nucleares… Também existe o carregamento de baterias sem fio.

    Peça ao seu amigo minimalista viver 1 ano desse jeito aqui:

    https://www.youtube.com/channel/UCAL3JXZSzSm8AlZyD3nQdBA

  3. Os austriacos tem alguns pontos interessante mas veneram o espontaneismo do mercado a ponto de ignorar um ponto.

    Qual é o maior expoente do capitalismo mundial? ESTADOS UNIDOS DA AMERICA. Pois bem a pretesto da industria belica e aeroespacial boa parte das pesquisas que surgiram varias tecnologias produzidas pelo mercado atualmente como por exemplo INTERNET, MICRO-ONDAS, MAQUINAS DE RAIO X, GPS, COMPUTADOR, CAMERAS DIGITAIS e varios outros inventos.

    Eu acho que intervenção do estado em algumas areas realmente atrapalha mas achar que empresas iriam investir milhões em pesquisa sem retorno garantido de curto prazo e ingenuidade. Vou dar outro exemplo.

    Por acaso Henry Ford é sul-coreano? Em 1980 o Brasil produzia cerca de 200 mil automoveis e o Brasil nenhum. Hoje a Coreia do Sul tem 4 montadoras globais. Será que isso e mero espontaneismo do mercado?

  4. ‘Olá,pessoal.

    Perfeito artigo concordo em numero,gênero e grau.Só me incomodei com essa afirmação:

    ”Agora, seria bom se pudéssemos eliminar aquele irritante fio que liga nossos aparelhos eletrônicos às tomadas nas paredes. Por que ainda temos essa coisa horrorosa e incômoda?

    Ah, sim, porque a eletricidade é fornecida por um monopólio concedido pelo estado. Não conte com seu completo desaparecimento em um futuro próximo. Nessa área, a inovação não é ditada pelo livre mercado. Consequentemente, continuaremos atados e plugados por um bom tempo.”

    Acho que não é bem assim.Muitos lugares a energia é privada certo?E mesmo assim ainda não conseguiram extinguir os fios.Enfim,tem uma certa razão nisso pra min mas acredito que a culpa pela ”demora” dessa tecnologia não é exclusiva da energia estatal.

    Abraços.

  5. Eliminar as conexões elétricas será um passo muito adiante que não depende do monopólio estatal, mas das leis da física, pois envolve a transmissão de grandes blocos de energia, muitas milhares de vezes mais do que uma conexão Wi-Fi.

    Excelente artigo! Rebate muito bem o argumento da esquerda holística que enaltece a “vida simples”( pobre mesmo).

  6. Sobre a última parte do artigo, talvez algumas inovações que venham a surgir na área de energia possam tornar-se uma alternativa ao monopólio estatal, pelo menos por enquanto para os pequenos consumidores domésticos. Não custa sonhar:

    Em alguns lugares do mundo já surgem, ainda que timidamente ou de maneira experimental, sistemas elétricos em “grid”, conectando casas equipadas com painéis solares/energia eólica onde o excedente produzido poderia ser vendido à rede local.

    Quando estive visitando a Alemanha, durante uma viagem de trem ao sul do país observei, nos campos, várias fazendas com suas próprias torres de geração eólica e algumas casas e galpões forradas de painéis solares nos telhados. Inclusive vi uma “fazenda” de painéis solares. Quase enlouqueci vendo aquilo, hehe. Não sei se lá há algum programa governamental de incentivo pra isso, ou o que seria infinitamente melhor e mais desejável: se o governo de lá simplesmente não enche o saco, permitindo o surgimento mais robusto desse tipo de mercado. De todo modo, com ou sem governo envolvido (e espero que não!), foi algo fantástico de se observar. Impossível não ver ali alguma coisa próxima do que o futuro pode reservar.

    Enquanto isso, a área de baterias mais duráveis e “eletricidade wireless” segue evoluindo. Existem algumas coisas impressionantes sendo pesquisadas no campo de materiais e nanotecnologia.

    Imaginem que maravilha no futuro essas coisas todas combinadas: casas/condomínios/bairros autossuficientes (com mini geradores, energia eólica/solar mais barata, baterias melhores e mais acessíveis) produzindo e armazenando energia, com aparelhos sendo recarregados constantemente via tecnologia witricity e a produção excedente de eletricidade sendo gerenciada e negociada através de bolsas locais de energia via aplicativos de celular.

    Todos conhecemos alguém que produz ou negocia parte da própria comida a partir do quintal da própria casa: sem autorização do governo e burlando todos os impostos e regulações idiotas. Isso ainda não resolve todo o problema mas é muito melhor que nada.

    Acho que na área da energia a coisa pode ir pra esse caminho, aos poucos.

    Uber, Bitcoin, Airbnb… quem sabe algum dia não tenhamos também um “Power4U” instalado no smarthphone, para o desespero dos estatistas.

  7. Desculpem a falta de relação com o assunto, mas não achei lugar melhor no site pra fazer uma pergunta aos anarcocapitalistas que frequentam esse site:

    Acabo de ler uma notícia do furacão Matthew, onde algumas pessoas tiveram que abandonar suas casas por causa do risco. A grande maioria foi para a casa de parentes, mas alguns tiveram que ir para um abrigo do Estado por não terem como se abrigar por conta própria.

    Pergunta de um ignorante (no sentido estrito do termo): num anarcocapitalismo, onde o Estado não provê esse tipo de assistência (corrijam-me se eu estiver errado), como ficaria a situação dessas famílias?

    Obrigado!

  8. Não entendo textos como esse. Como é possível pensar em capitalismo contra o estado? Não há capitalismo sem estado. Não há tecnologia sem estado. Não há divisão de trabalho sem estado. O capitalismo nasce da organização opressiva do estado. Os direitos de propriedade se apoiam em violência estatal. Não há e nunca houve capitalismo fora do estado, sem estado, dentro de uma lógica de acúmulo e reprodução de bens para capitalizar. Sem opressão estatal, não há especialização. A tecnologia nasceu de investimento militar estatal, se apoia em infraestrutura estatal, que não é barata, e é replicada por causa de leis estatais, que garantem que as pessoas não tenham liberdade e autonomia para produzir e viver livremente, e tenham que se submeter a funções operacionais a salários baixos o suficiente para que as produções e serviços possam ser replicados em massa. Sem as intervenções e subsídios estatais não haveria "capitalismo industrial-tecnológico". Porque simplesmente não compensa trabalhar mais do que o suficiente para ter uma boa vida, pois é muito caro. Sem a cobrança de tributos, que espolia trabalhadores e subsidia proprietários de capital, não haveria necessidade de emprego e nem produção em massa. O capitalismo é uma face da opressão estatal, não seu contrário.

  9. Denis Gomes Franco

    “Agora, seria bom se pudéssemos eliminar aquele irritante fio que liga nossos aparelhos eletrônicos às tomadas nas paredes.  Por que ainda temos essa coisa horrorosa e incômoda?”

    Bom, existem carregadores sem fio para celulares – tecnologia QI. Ela ainda não virou mainstream, mas parece viável. Não a ponto de você poder simplesmente circular pela sua casa e ter seu celular carregado automaticamente, mas pelo menos dá pra colocar ele em cima do carregador na mesa e ele carregar sem precisar ficar achando o cabo do carregador.

    Eu vou experimentar no meu qualquer dia desses, pois existem adaptadores sem fio que ligam direto na USB e você pode colocar entre a tampa traseira e a bateria. Pra quem quiser conhecer, no MercadoLivre tem um monte disso: lista.mercadolivre.com.br/adaptador-carregador-wireless

  10. Concordo em gênero numero e grau, com exceção dos “LIVROS”, não existe prazer maior que folhear um livro, sentir o seu cheiro, colecionar e também estar a disposição quando precisa-se, afinal ler um livro físico é muito mais confortante que ler em uma tela qualquer.

  11. O capitalismo destruiu as antigas corporações de ofício. No antigo sistema de corporações de ofícios da Idade Média, os artesãos eram donos dos seus instrumentos e objetos de trabalho, produziam com habilidade pessoal cada artigo em sua casa-oficina, do começo ao fim, para um mercado pequeno e estável e colhiam os resultados financeiros de sua atividade.

    No sistema manufatureiro, que havia se desenvolvido na Europa durante a fase inicial do capitalismo (mercantilismo, mais ou menos entre os séculos XVI e XVII), essa independência do trabalhador foi desaparecendo pouco a pouco: os artesãos quase sempre ainda eram proprietários de seus instrumentos, mas o crescimento e a instabilidade do mercado forçaram-os a trabalharem por encomendas de capitalistas-mercadores, de quem passaram, inclusive, a depender para o adiantamento das matérias-primas. Havia casos em que a antiga oficina já tendia a se expandir, agregando mais empregados e começando a introduzir uma divisão de trabalho com especialização de funções entre eles. Os artesãos, embora já estivessem se tornando tarefeiros-assalariados, ainda executavam pessoalmente quase todas as tarefas necessárias à produção de um artigo, mantendo o conhecimento do conjunto de seu processo produtivo.

    Com a Revolução Industrial, tudo se transformou: o empresário capitalista, dono dos novos meios de produção (fábricas) passou a agrupar no seu estabelecimento grande número de assalariados sob seu comando e a habilidade individual perdeu importância, pois a fábrica mecanizada generalizou e radicalizou a divisão do trabalho, fragmentando a produção de cada artigo em etapas sucessivas e estanques, cada uma delas exigindo quase só movimentos repetitivos do trabalhador. Completava-se, assim, a separação do trabalhador em relação a seu produto: não possuía mais os meios de produção, perdeu o domínio técnico do conjunto do processo produtivo, e deixou de ser senhor dos resultados de seu trabalho. Como a produtividade das fábricas mecanizadas era muito maior do que a das manufaturas, elas não tinham necessidade de absorver toda a imensa força de trabalho “liberada”, seja pela expulsão dos camponeses das áreas rurais, seja pela ruína dos remanescentes urbanos do antigo artesanato individual. Em consequência, milhões de trabalhadores vieram a compor o que viria a ser chamado de “exército industrial de reserva”: multidões de desempregados que, nos momentos de expansão da economia, eram convocados dessa “reserva” e retornavam ao assalariato enquanto o “capitão” da indústria deles necessitasse. Como essa “reserva” humana nunca se esgotasse, ela logo passou a desempenhar a função econômica de manter baixos os salários dos que estivessem empregados.

    Recomendo ler Chesterton sobre as consequências do capitalismo….

  12. Dados referentes a Inglaterra demonstram que o proletariado estava cada vez mais pobre e a burguesia cada vez mais rica, durante os primeiros anos da revolução industrial. Por exemplo, o historiador da economia, Jacques Brasseul, em “História Econômica do Mundo – Das origens aos subprimes” traz na página 129 dados bastante evidentes desse empobrecimento do proletariado entre os anos de 1750 e 1810. Em 1750, os trabalhadores ingleses ganhavam apenas 42% do que viriam a ganhar em 1900, em 1770 ganhavam apenas 38% em 1810 ganhava ainda menos, míseros 33%! Em contraposição, a burguesia estava cada vez mais rica!

  13. Isto é ridículo.

    Sempre houve progresso tecnológico, muito antes de haver capitalismo.

    Começou nos bifaces e no fogo e nunca mais parou de acelerar até agora – nunca foi uma exclusividade do capitalismo.

    Até os regimes comunistas tiveram progresso técnico. Nos anos 50 o programa espacial russo ultrapassou largamente o americano, o T34 e a Kalash são considerados a armas mais avançadas da sua época. O maior avião, o maior submarino e o maior helicóptero são russos etc.

    E a maior parte da pesquisa de fundo que permite o avanço tecnológico dos países capitalistas é produto de instituições ou encomendas estatais, socializadas, como a NASA ou as encomendas de tecnologia a empresas privadas – a quem é partilhada informação técnica dos institutos estatais.

    É completamente infantil pretender que só o capitalismo desenvolve tecnologia.

  14. Só temos que tomar cuidado para não ficarmos super dependentes da tecnologia…

    “Provavelmente, você tinha uma bússola também.” – ok, nem é tão necessário ter uma bússola hoje em dia, mas é interessante saber usar uma bússola, saber consultar um mapa, etc. Confiar 100% no GPS e passar a depender dele para encontrar caminhos é de certa forma um atraso (até porque o GPS é controlado por uma autoridade central, que pode simplesmente desligá-lo quando for conveniente, e pode até mesmo selecionar áreas em que o sistema ficará fora do ar).

    Haverá também um perigo semelhante no dia em que os carros autônomos forem mainstream… Eles serão controlados por um software, provavelmente em um computador central. O tempo todo alguém poderá saber para onde você está indo ou onde você (ou seu carro) está.

    A apple já vendeu informações de seus clientes à NSA. O facebook também.

  15. Esse texto é no mínimo tendencioso se não equivocado.

    Dizer que o capitalismo permitiu um estilo de vida minimalista baseado unicamente na inovação tecnológica é apenas parte da realidade. O mesmo empreendedorismo que condensou o acesso a músicas, filmes, livros em um único dispositivo, é responsável pelas toneladas de lixo dispensados no meio ambiente. A indústria cria necessidades, sempre descartáveis, sempre provisórias. O escalonamento das características dos aparelhos eletrônicos é feito para que seja necessário sempre um upgrade para isso ou aquilo funcionar melhor. Nenhuma empresa produz um smartphone para que dure muito, pelo contrário, quer fidelizar um cliente que sempre renova, sempre volta a loja na caça de uma novidade.

    Outra questão importante, uma vida minimalista desaceleraria a economia, faria decair o consumo, o que é claramente indesejável para uma economia de mercado. Para o mercado, o modelo ideal de vida é o do consumo. Um indivíduo que não consome ou consome o mínimo torna-se um estorvo.

    Em resumo, uma vida minimalista é anticapitalista, basta se informar melhor sobre as questões de reaproveitamento, mercado cinza, e toda uma gama de práticas alternativas que visam menos circulação de dinheiro e mais trocas.

  16. Eu sou minimalista.

    Tenho dinheiro para ter um monte de tralhas mas não tenho.

    Tudo o que tenho cabe dentro de uma mala grande padrão, dessas cujas dimensões não causam problemas nos aeroportos.

    Toda vez que mudo de lugar, é muito comum eu abandonar muita coisa, tipo roupas e até equipamentos eletrônicos.

    Já abandonei até um computador com monitor, impressora e tudo, só tirei o HD e deixei lá para o dono, avisando: “é só comprar um HD e instalar o que você quiser”.

    (O computador era um Pentium 4 2.8GHz com 4GB de RAM, vídeo GE Force 512MB, isso em 2016.

    Ou seja, era um computador totalmente funcional ainda, mesmo que já bem ultrapassado.

    A impressora era uma Epson multifuncional de 4 cartuchos.)

    Esse estilo minimalista que me permitiu e me permite não ter o Brasil e minha cidade como prisão.

    Se eu fosse acumulador, estaria preso à minha casa na minha cidade e atolado em tralhas inúteis.

    Digo isso porque tenho parentes nessa situação.

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