Cem pessoas sentam-se em
um círculo, cada uma com seu bolso cheio de centavos. Um político caminha por
fora do círculo, pegando um centavo de cada pessoa. Ninguém se importa; quem se
importa com um centavo?
Quando o político completa toda
a volta em torno do círculo, joga 50 centavos para uma pessoa, que se sente
cheia de alegria com a sorte inesperada.
O processo é
repetido. Um centavo é novamente
recolhido de cada uma das 100 pessoas e, ao final, 50 centavos são entregues
para outra pessoa.
E assim vai, até que cada
uma das cem pessoas tenha recebido 50 centavos.
Após cem voltas, cada indivíduo
está 100 centavos mais pobre e 50 centavos mais rico. E todos estão felizes.
Essa história acima foi criada por David
Friedman, e explica não apenas por que os brasileiros gostam de programas
governamentais, como também por que eles torcem o nariz para privatizações.
Se alguém perguntasse aos participantes do jogo se
eles defenderiam o fim do sorteio dos 50 centavos, muitos diriam que não, claro
que não.
Seria injusto acabar com o jogo que deixa tanta
gente feliz e que “enriquece” cada uma em 50 centavos (os 100 centavos perdidos
paulatinamente não são notados; os 50 centavos ganhos de uma só vez são perfeitamente
percebidos).
As universidades públicas, por exemplo, representam
os ganhos de 50 centavos. Quem entra em uma
universidade pública ganhou os 50 centavos do exemplo acima. O curso de um
aluno na Unicamp pode custar 79
anos de impostos de um trabalhador que ganha salário mínimo. Mas ninguém vê
esse custo — ele é disperso entre todos, enquanto a universidade gratuita é
concreta, grandiosa e sem mensalidade.
É claro que, se um jornal sugerir a venda das
universidades, como fez O Globo há algum tempo, as
pessoas reagirão com histeria.
Uma enquete do Instituto Paraná Pesquisas mostrou que 61% dos brasileiros não querem que
o governo privatize os Correios, os bancos públicos ou a Petrobras.
Estatais (e o serviço público em geral) têm
benefícios concentrados e aparentes, enquanto os custos são ocultos e dispersos
entre os cidadãos. Você não sente pagar, mas sabe muito bem quando está recebendo
alguma coisa que parece de graça. Por que ser a favor de empresas privadas se
elas raramente dão coisas gratuitamente?
Trens e aviões
Uma recente reportagem do Jornal do Commercio afirmou que
a malha de trens de passageiros no Nordeste sofreu desmonte depois que as
ferrovias foram privatizadas.
Eu tive uma impressão parecida quando a RFFSA foi
privatizada no Paraná. Na época da “rede” estatal, pagávamos uma ninharia para
descer a Serra de trem até Paranaguá; depois da venda, o preço explodiu.
Maldita privatização!
A mesma reação tiveram os espanhóis diante da
privatização da Iberia, a empresa de aviação. “Quando era estatal, era uma
delícia”, me contou uma amiga espanhola tempos atrás. “Custava pouco e tinha
espumante liberado pra todo mundo.” Depois da privatização, fim da mordomia.
O que eu, os universitários, minha amiga espanhola e
os passageiros de trens do Nordeste não percebíamos é o custo do serviço
público. Todos pagávamos para manter linhas de trem deficitárias, obras
superfaturadas, universidades em greve e trens e aviões sucateados. Mas esse
custo chegava em forma de impostos, dívida pública e inflação, que afetavam majoritariamente
os mais pobres, enquanto os mais ricos ainda auferiam alguns benefícios.
E, ironicamente, é exatamente em nome dos mais
pobres que muitos defendem a existência de estatais.
Os serviços “grátis” criaram a hiperinflação dos
anos 1980 e tornaram nossos pais incapazes de pagar a faculdade dos filhos, mas
era difícil relacionar a ferrovia estatal ou a universidade pública à crise do
país.
A privatização ajudou a diminuir o rombo das contas
públicas e, com isso, ajudou
no fim da hiperinflação. Mas tornou aparentes custos que antes eram
invisíveis, enquanto a carga tributária só aumentou.
Não é à toa que tantos brasileiros ainda hoje
rejeitam vender as estatais.
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Leia também:
Por que é preciso privatizar as estatais – e por que é preciso desestatizar as empresas privadas
Esse é exatamente o ponto! Estatal é redistribuição de renda dos pobres para os ricos.
Estatais servem para enriquecer a burocracia que faz parte dos quadros da empresa e para fornecer serviços subsidiados para alguns ricos. E quem banca toda a conta — mas de maneira indireta, via dívida pública e inflação — é o povão.
Vide os Correios e a Petrobras. Enriquecem sindicalistas e magnatas do alto escalão, e o povão é que banca a farra.
Muito bom o texto por deixar isso claro.
”O curso de um aluno na Unicamp, segundo os cálculos de Felippe Hermes, pode custar 79 anos de impostos de um trabalhador que ganha salário mínimo.”
Mas esquecem o ganho social que esse aluno da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) no lugar certo(em um BACEN, ou na fazenda) pode propiciar. O aluno da UNICAMP lutará todos os dias no meio acadêmico para incitar políticas macroeconômicas que façam a renda desse trabalhador aumentar.
Até defendo a privatização de algumas estatais ineficientes, mas bancos públicos jamais! E digo mais: temos pouquíssimos bancos de fomento.
Excelente artigo. Infelizmente a maioria da população, incluído aí os ditos instruídos, não percebem que tudo tem um custo, mesmo que não aparente. Por este e outros motivos a ciência econômica séria sempre vai perder para o populismo que promete o inviável, o impossível e impraticável.
Como destacou Bastiat: “o que se vê e o que não se vê”.
O que o governo fornece de “graça” custa muiiitooo caro, amiguinho.
Concordo! O problema é que, devido à maneira com a qual a política se estrutura no Brasil, acabamos pagando duas vezes! O governo, infelizmente, muitas vezes não para de nos cobrar as moedinhas que temos no bolso, mesmo que pare de sortear os 50 centavos no final.
É simples, na Estatal todos pagam independente de disporem ou usarem os serviços dela, fora os cabides de empregos, os corruptos e etc. No serviço privado só paga quem usa e pelo o que usa, ou melhor, deveria ser assim. E além disso a RFFSA e seu Bebê de Rosemary chamado CBTU entregaram boa parte do sistema em petição de sucata para as concessionárias que as sucederam.
Não podemos nos esquecer que a forma como a pergunta é feita pode alterar profundamente os resultados
Quem é contra as privatizações ignora o princípio básico da economia que diz que não existe almoço grátis.
Essa história dos custos diluídos dos serviços públicos é similar à situação da conta de água na maioria dos condomínios verticais do Brasil: como não existe hidrômetros individuais por apartamentos, a conta total de água é dividida pelo número de apartamentos do condomínio gerando distorções imensas (família com 1 pessoa acaba pagando a mesma coisa que uma família c/ 5 pessoas) e falta/perda de controle no uso racional da água.
Fica impossível o controle, pois o gasto em água da família c/ 5 pessoas é subvencionado pela família de 1 pessoa então não há nenhum incentivo para economizar o recurso.
Estatais são cabides de empregos, ambientes propícios para corrupção, desvio de verbas, má administração e altos custos operacionais que são repassados para os usuários dos serviços.
Exemplos clássicos: Correios, Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e CEF.
Por isso o ditado: nada é mais caro do que o governo dar de graça.
A privatização é o resultado final da ingerência pública – a empresa estatal sempre é vista como "sem fins lucrativos", mas nenhuma organização existe sem custos. Não há como criar uma estatal "sem fins lucrativos" e "custo zero".
Quem mamou nas tetas públicas também fez sua parte no sucateamento das estatais, e não tem do que reclamar quando a coisa muda de dono. Privatiza, Brasil. Mas privatiza direito – adianta vender a estatal e obrigar os novos donos a agir como se ainda fosse uma estatal?
Há um detalhe a se observar sobre a reportagem a respeito das “privatizações” das ferrovias do Nordeste: foram concessões, não privatizações reais. Isso também influência no uso da estrutura, como ocorre com toda mineração no Brasil (o subsolo é propriedade do governo, o que incentiva a exploração predatória dessas reservas, gerando casos como a tragédia de Mariana-MG).
Excelente.
O mesmíssimo raciocínio se aplica aos empréstimos baratos feitos pelos bancos estatais, que são subsidiados pelos nossos impostos.
Todo mundo vê apenas as empresas conseguindo crédito farto e barato. Mas ninguém correlaciona isso com a inflação, o aumento dos juros, o aumento dos custo de vida, o aumento da dívida pública, os investimentos ruins e o subsequente desemprego.
E aí, se você defender o fim do BNDES, você é tachado de reacionário anti-pobre. Vá entender.
Dois artigos sobre isso:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2407
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
Por que os brasileiros defendem empresas estatais? Simples: porque o brasileiro quer viver às custas dos outros. O sonho do brasileiro é trabalhar pouco, ter aposentadoria garantida e ganhar muito. É exatamente o status de funcionário público. O brasileiro têm uma mentalidade predatória, ele quer explorar os outros. Os empresários brasileiros são cartelistas, corruptos, incompetentes e querem explorar o consumidor com leis protecionistas para proibir de comprar produtos que não sejam os deles. Poucos fogem dessa regra. Os estudantes brasileiros querem que a população pague a conta dos seus estudos e despesas sem dar nada em contrapartida. Os funcionários públicos querem viver às custas da sociedade fazendo o mínimo de esforço possível. O trabalhador brasileiro quer trabalhar com o mínimo de esforço possível e ganhar muito por isso, mesmo que seu serviço seja de má qualidade. Os políticos querem roubar a população e não dar nada em contrapartida. É uma sociedade predatória, um povo de baixo nível.
É exatamente o que ocorre na Unesp de Rosana, há uma estrutura de uma universidade com prédios, laboratórios, corpo docente, corpo de funcionários para um curso de turismo, onde a grande parte dos alunos só sabem fazer festas beber cachaça e fumar maconha, no final do ano se não me engano apenas dois ou três alunos conseguiram concluir um curso de quatro anos dentro de um grupo de quarenta alunos, e depois que se formam a grande maioria vai trabalhar de garçom, camareira ou animador de festas de criança, há alguns que já moram na cidade e depois que se formam, trabalham de atendentes de lojas, funções essas que não necessitariam de um curso de quatro anos, eu me pergunto qual é o retorno desses alunos para a sociedade devido ao custo?
se vc calcular o gasto da universidade entre salários de funcionários (R$2000,00-R$8000,00-mensal), professores(R$10000,00-média mensal), terceirizada de segurança, terceirizada de limpeza, custo com energia elétrica (onde todas as salas possuem ar condicionado), custo com água, construção de um novo prédio para laboratórios, gasto com viagem dos funcionários e professores, compra de equipamentos para auxilio de aula, gasto com estrutura de rede servidores e equipamentos, tudo isso em uma universidade pequena, durante quatro anos e somente para formar 3 alunos, pq esse é o produto final de todo o investimento, agora divida tudo esse custo por 3 e verá qual é o gasto que um desses alunos tem, é mais barato pagar para 5 alunos estudarem em uma universidade privada.
É justamente por essa razão que se vive sobre uma bandeira, tal bandeira cobra para manter seus serviços.
A historinha realmente é muito boa como ilustração mas pode ser melhorada.
Não é que ninguém se importe em perder um centavo, na verdade o político PROMETE que vai dar 50 centavos para todos e pagar um centavo para ganhar 50 até que parece barato.
Outro ponto é que ele escolhe quem vai levar os 50 centavos a cada rodada, então há também a PROMESSA implícita de que na próxima você será o beneficiado, e se não for, bom.. só resta mantê-lo na posição de redistribuidor pois em algum momento você será o próximo!
É a promessa de prêmios grandes com apostas baratas que garante esse esquema ilusório de estado redistribuidor que na verdade é uma grande loteria viciada onde a banca distribui prêmios para a casa e para jogadores influentes.
Perfeita escolha! Lembro-me agora da conversa que tive na hora do café da manhã, sobre como o estado é ineficiente para organizar qualquer coisa. Só existe mesmo para tornar a vida dos pagadores de impostos muito mais difícil e jurar para todos, por meio de propaganda, que tudo seria pior sem eles.
O estado é um péssimo gestor.
As estatais de energia causavam diversos apagões. As empresas de saneamento estatais jogam esgoto nos rios e no mar. As teles não conseguiam fornecer telefonia com preços baixos. Os hospitais públicos são lotados de bactérias e são recordistas em mortes. As escolas públicas são recordistas em analfabetismo. As ruas públicas são lotadas de buracos. A polícia não consegue evitar a corrupção, assaltos e mortes. Mais da metade dos cursos das universidades públicas são inúteis.
Em relação ao preço alto dos serviços privatizados, não podemos esquecer que as estatais foram alugadas ou vendidas. Essa forma de privatização não permite preços baixos. Ninguém vai cobrar pouco se precisa reestruturar um empresa. Seria melhor entregar tudo para quem tiver mais dinheiro para investir na estrutura da empresa. Essa venda das estatais sempre foram feitas com protecionismo e ineficiência.
Lendo comentários à respeito do mesmo tema em outro site, alguém citou o batido argumento “mas na Alemanha, Dinamarca e Noruega tá cheio de estatal…”
Bem, deixando de lado o fato, sempre ignorado, da maior liberdade econômica desses países ser o motivo do seu desenvolvimento APESAR das estatais, na Alemanha, um grande programa de PRIVATIZAÇÂO (inspirado no Britânico) foi o que resgatou sua liderança no cenário econômico mundial.
O estado Alemão deixou de ter participação ou privatizou em torno de 400 empresas desde 1982. No final de 2008 ainda eram 108 as estatais alemãs.
Pra ficar no tema do artigo, a Deutsche Bahn, que hoje é uma sociedade anônima, é uma fusão das antigas ferroviárias nacionais alemãs – Deutsche Bundesbahn e Deutsche Reichsbahn, e só não foi completamente privatizada por conta da crise de 2008.
Enfim, munição de argumentos é o que não falta, basta procurar…
Muito bom o texto! Parabéns! Para complementar a informação sobre a Rffsa, a Serra Verde Express, que possui a concessão de passageiros, além de todas as melhoras e investimentos, paga mensalmente R $112mil ao governo federal e 39,67% a Rumo sobre a tarifa de cada passageiro. Estes custos, obviamente vão para o preço da passagem!
Que artigo matador, muito elucidativo.
Eu sou um total defensor de Mises e da escola austríaca, mas preciso trazer alguns pontos para reflexão sobre as privatizações no Brasil (minha pesquisa de mestrado é nessa área):
1. Após as privatizações que estão acontecendo no Brasil, em algum momento houve redução dos impostos que eram voltados à manutenção das vias?
2. As concessionárias no país tomam empréstimos em bancos privados ou bancos públicos? Qual a taxa de juros desses empréstimos e, se for menor que a do mercado, quem tá bancando a diferença?
3. Se vivemos em um livre comércio, por que as concessionárias precisam de “reajuste nas tarifas para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato” quando eventualmente a sua demanda (e arrecadação) diminuem?
4. Pq quando se enfrenta uma crise hídrica, as tarifas de água e luz são aumentadas para a população, mas quando se tem produção recorde nós não temos nenhum desconto?
5. Dentro da competitividade de um livre mercado, por que rodovias paralelas (vide Bandeirantes e Anhanguera) são concedidas para uma mesma empresa, e não para empresas diferentes incentivando dessa forma a regulação pelo próprio mercado (o usuário escolhe a rodovia que estiver melhor pra ele, e essa arrecada mais)?
Eu não sou contra a privatização, mas do jeito que ela está sendo implantada no nosso país, nada que se imagina em uma economia capitalista está sendo seguido. Na verdade, o protecionismo do estado a essas empresas me parece muito mais coisa do socialismo do que algo pregado pelo livre mercado. Posso até estar errado, e se for assim peço que complementem tudo o que eu escrevi, mas diante de tudo o que eu escrevi, eu sou contra o #privatizatudo, ao menos da forma como isso está acontecendo no nosso país…
Há mais artigos no site que seguem a mesma linha que esse?
Também não sou totalmente contra as privatizações, mas também não sou completamente a favor. Acredito que elas devem ser feitas com bastante planejamento. O que vemos por aí são processos de privatizações que mais beneficiaram as empresas privadas do que o próprio governo. Ainda não tenho certeza se a privatização da Petrobras, por exemplo, seria a melhor saída. Mas é óbvio que a empresa precisa se reestruturar para ontem!
Como explicar o caso da VASP que era uma empresa modelo nos anos 60 e 70, mesmo gerida pelo Estado?
O que aconteceu ali?
Por outro lado, como seria um país com estudantes formados inteiramente nas Uni-esquinas?
Entanto as faculdades estiverem entre as melhores do mundo não me incomodo em pagar para mante-las. Afinal de contas se os alunos forem bem sucedidos querendo ou não os mesmo pagarão a mensalidade na forma de imposto de renda.
Por outro lado quando privatiza não abaixam o imposto e ainda pago o triplo pelo serviço prestado. Em um trajeto de 300 km paguei quase R$ 50,00 em pedágio, quase R$ 300,00 de convenio, seguro de carro R$ 1.200,00.
Nesse país se privatiza e ainda aumentam os impostos.
um dos melhores artigos que li aqui, simples, curto, mas cheio de conteúdo.
Perfeito. Conheço uma pessoa funcionário de uma grande estatal, onde de fato, quem ganha dinheiro mesmo são as empresas contratadas (superfaturadas, claro, para garantir a propina dos gerentes) para fazer o serviço. Enquanto os funcionários públicos amargam baixos salários, falta de valorização e meritocracia zero.
A maioria desse gerentes, são sócios dessas empresas terceirizadas e muitas vezes são até criadas para realizar determinado serviço cuja informação privilegiada passa por eles.
Resumindo: na mesma perspectiva exposta no texto, todos os funcionários são contra a privatização acreditando que perderão seu emprego, sendo que historicamente, toda estatal privatizada aproveita os funcionários antigos e os valoriza conforme nível de conhecimento e formação.
Com estado mínimo, as pessoas empreenderão mais. E com um mercado aberto e competitivo, termos mais opções e bem mais baratas. Exemplo das empresas de telefonia.
Ha gato nesta tuba. Os combustíveis no Brasil são caros, não pelos custos de produção e sim pelos custos de impostos, taxas, custos de distribuição e margem alta de lucros. Privatizaram as telefônicas, e que temos hoje : serviço deficiente e caro. Privatizaram as estradas e cadê a qualidade do serviço – muitas estradas são ruins. Privatizaram as empresas de eletricidade – cadê os baixos preços ?
Boa analogia!
Contudo esta teoria funcionaria bem se, no nosso caso, a redução de impostos acontecesse.
Quem é o verdadeiro bobo?
Todos os dias, ao final da tarde, um grupo de indivíduos se reunia num bar para beber e jogar conversa fora.
Ocorre que, nas redondezas do bar havia um “bobo”. Um ser meio lerdo, que aparentemente era portador de alguma doença mental.
Os homens, então, logo trataram de mexer com o “bobo”. Dispuseram sobre a mesa duas moedas: uma grande, que valia “X”, e outra moeda pequena, que valia “5X”. Ato contínuo, eles disseram ao “bobo” que escolhesse uma das moedas. E o “bobo” pegou a moeda grande, que valia cinco vezes menos. Com efeito, os homens riram até chorar. “Como esse sujeito é bobo”, eles disseram. E passaram a repetir a brincadeira em todos os dias subsequentes. Às vezes, eram duas ou três “rodadas” na mesma tarde.
Um belo dia, um cidadão que transitava pelo local se deparou com toda aquela algazarra. Indignado, ele chamou o “bobo” no canto e disse-lhe: “Olha, esses caras te enganaram. Você não tem que pegar a moeda grande, mas sim a pequena, que vale cinco vezes mais”.
Imediatamente, o “bobo” respondeu: “Sim, eu sei que a moeda pequena vale cinco vezes mais. Só que se eu pegar a moeda certa, eles vão parar com a palhaçada e aí eu vou perder o meu dinheirinho fácil de todos os dias”.
E o que essa estória tem a ver com o artigo? O fato de que o sujeito paga barato por um serviço, porém se esquece de que o valor baixo daquele serviço é subsidiado na forma de tributos sobre outros bens e serviços. E tais tributos deixam de ser aplicados na saúde, na educação e na segurança.
Mas no trem servem “champagne”, então está ótimo.
Sim, tudo que é privado é eficiente, como podemos ver nessa matéria
Marca de luxo Burberry queima roupas, perfumes e acessórios no valor de R$ 141 milhões
g1.globo.com/economia/noticia/2018/07/20/marca-de-luxo-burberry-queima-roupas-perfumes-e-acessorios-no-valor-de-r-141-milhoes.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1&utm_content=post
Decisão de incinerar mercadorias pela empresa de moda visa a reduzir estoques e impedir que produtos sejam vendidos em promoções, segundo especialistas.
A lógica é a seguinte, é melhor fazer uma suporprodução para não correr o risco de ficar sem estoque, e se sobrar, ainda é barato queimar, já que a margem de lucro em relação aos custos de produzir é baixa
”Alocação eficiente de recursos”
“A mesma reação tiveram os espanhóis diante da privatização da Iberia, a empresa de aviação. “Quando era estatal, era uma delícia”, me contou uma amiga espanhola tempos atrás. “Custava pouco e tinha espumante liberado pra todo mundo.””
Por que quando era estatal tinha esses luxos? Depois de privatizada não poderia ter tais luxos também? Seria por causa de uma quantidade colossal de recursos gasta para manter isso?
Eu lembro que li um artigo aqui falando como seria impossível prever as coisas no anarcocapitalismo. Precisava dele agora para mostrar que seria impossível prever como seria o mercado de segurança numa sociedade sem estado, porque já tenho os argumentos de que seria melhor – mas não os argumentos de como funcionaria. Enfim, se alguém puder me indicar o artigo ficaria muito agradecido.
Paulo Francis já dizia que abandonar um slogan antigo é como abandonar a mulher amada.
Petrobrás é uma empresa de Petróleo, dificílima de falir. Comparo-a a uma casa de rico esbanjador com governanta displicente. Ninguém será capaz de medir a eficiência da governanta por conta da abundância de recursose da falta de fiscalização. E enquanto lucra, ninguém reclama. Mas não é por isso que quando há escândalo e prejuízo, não se possa reclamar.
Brasil, cada dia mais perto da anarquia.
Liberdade não é poder fazer qualquer coisa.
Liberdade é poder sair de casa para trabalhar, comprar, competir, etc.
A “liberdade” na forma que muitas pessoas entendem, não adiantaria nada no meio de uma guerra.
A liberdade depende de muitas coisas, como respeito a propriedade, segurança, etc.
Como o anarquismo ainda não conseguiu provar que vai trazer segurança e respeito a propriedade, acho impossível extinguir o estado nesse momento.
Os governos foram tomados por malandros, justamente porque iniciativas individuais de defender um estado muito pequeno fracassaram.
O Brasil sempre teve quadrilhas. A mudança que acabou piorando é que as quadrilhas que tinham 20 pessoas, agora tem centenas ou até milhares.
Temos o PCC, CV e FDN com mais de 20 mil integrantes, além de partidos políticos com mais de 1 milhão de bandidos filiados.
Antes da privatização havia até pessoas que alugavam linhas telefônicas, para algumas era a principal ou única fonte de renda. Hoje um chip custa $10,00.
* * *
Esse texto me lembrou algo que acontece comigo. Quando assisto alguns vídeos no Youtube sobre educação,como cursos EaD internacionais e sobre a situação das dívidas estudantis nos EUA, quase sempre aparece um nórdico ou alemão escrevendo que a educação deles é de graça ou muito barata. As pessoas realmente acham que existe algo grátis, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Sou radicalmente contra estrangeiros virem ao Brasil para estudarem em nossas universidades públicas. Estudam aqui gratuitamente. Depois de formados, vão embora para seus países de origem aplicarem lá os conhecimentos aqui adquiridos, deixando o custo das suas formações para nós, brasileiros. Pergunto: Quem ganha com estas aberrações ?. Respondo: Os formados e seus respectivos países. Se querem vir estudar no Brasil, que venham. Mas que suportem todos os ônus das suas formações.
Estudei engenharia numa federal e posso garantir que, pelo menos nos cursos de ponta, a maioria dos alunos são pessoas abonadas mas que fizeram excelentes cursinhos e conseguiram passar no vestibular. Paga-se muito bem pelo ensino privado básico para pode estudar de graça nas melhores universidades.
Aos pobres sobram os cursos baratos de Humanas. E vê lá!
O Bolsonaro disse que seu governo vai investir na malha ferroviária. Qual seria a forma correta possível dele fazer isso?
Leandro Narloch é um excelente articulista. Acertou em cheio! ??
Conteúdos como esse deveriam ser tema de discussões, seminários, redações etc., em escolas e universidades, Brasil a fora!
Imperdível para as novas gerações.
Artigo perfeito. Parabéns.