Saio de casa e me
dirijo ao supermercado. A decisão de ir
ao supermercado “A” em vez de ir a qualquer outro supermercado, quitanda ou
mercearia está relacionada à comodidade oferecida pelo estabelecimento, aos preços
ali praticados, à qualidade dos produtos e à variedade que consigo encontrar.
No caminho, dois indivíduos
me assaltam. Agarram meus braços à força
e me mandam ficar quieto e não reagir. Garantem-me
que nada de ruim irá me acontecer caso faça exatamente o que ordenarem. Entre empurrões e ameaças, sou forçosamente
conduzido a outro lugar, o qual se parece bastante com o supermercado a que me
dirigia; porém, percebo imediatamente que não é o mesmo.
Ali também há alimentos
e bebidas, produtos de limpeza e decoração, e até mesmo a área de comida pronta
para levar. No entanto, não vejo a mesma
qualidade, a mesma variedade, e nem os mesmos preços baixos.
Os assaltantes que me
arrastaram até ali me explicam que aquela é a melhor qualidade que se pode
conseguir com os insumos e mão-de-obra disponíveis localmente, que os preços estão
os mais baixos possíveis, e que, ademais, ao comprar neste supermercado, estou
prestando um grande serviço a todos que ali trabalham e a todo o bairro ao
redor.
Pergunta inevitável: se
este supermercado é tão fabuloso quanto garantem os assaltantes, por que tiveram de me obrigar a entrar nele?
Por mais exagerado que
o exemplo acima possa parecer, é exatamente isso o que ocorre sob o
protecionismo. Mediante vários
empecilhos às importações — os quais podem ocorrer na forma de tarifas de importação,
taxas de câmbio artificialmente elevadas, ou variadas formas de restrições burocráticas
–, o governo tenta frear a entrada de produtos estrangeiros, desta maneira
favorecendo deliberadamente os produtos nacionais, à custa dos consumidores.
Agindo desta maneira, o
governo cria uma reserva de mercado para o poderoso empresariado local, o qual
agora, sem a concorrência externa, se sente mais livre para cobrar preços altos
e oferecer produtos de pior qualidade. Não
sobra alternativa para os consumidores senão consumir os produtos deste
baronato nacional.
Desnecessário enfatizar
que, neste arranjo, os mais prejudicados são exatamente os mais pobres, que vêem
sua renda ser consumida por produtos mais caros e de pior qualidade. Houvesse um livre comércio, estes poderiam
ter acesso a bens mais baratos e de maior qualidade, desta maneira gastando
menos a cada mês, poupando mais a cada mês, ficando com uma maior renda disponível
para o futuro, e tendo uma aposentadoria mais tranquila.
[N. do E.: este excelente site tem uma calculadora
que permite você calcular, por estado, quanto irá pagar de tributos ao importar
um bem.
Por exemplo, se você mora
no estado de São Paulo e decidir importar um produto que custa US$ 100 (R$ 326),
você pagará R$ 418,63 só de tributos, o que dá 128% do preço do
produto.
Acrescente o frete a
este preço de R$ 326 e a estes R$ 418,63 de impostos, e o preço final total
será de R$ 858,73. A FIESP está protegidíssima.
Clique no site, faça pesquisas por
estados, e teste a resistência do seu estômago.
E veja também este
site, que dá mais detalhes sobre a tributação].
Na Argentina, que é um
dos países mais fechados do mundo, uma recente amostra dos custos do
protecionismo foi apresentada pela Cámara Argentina de la Mediana Empresa. Em um comunicado à imprensa, a instituição divulgou
um quadro comparativo dos preços de alguns produtos quando são importados da
China e quando são fabricados pela sagrada “indústria nacional”.
Como se pode ver, o
quadro extremamente eloquente sobre o custo de se restringir o comércio
internacional.
Como se pode observar, mesmo pagando taxas de 50%
sobre os preços dos produtos importados [vale observar que essa taxa de 50% é menor que a de 60% praticada no Brasil],
ainda é mais barato importar da China do que comprar das ineficientes empresas
argentinas. Assim, restringir a entrada
desses produtos no mercado local faz com que nós argentinos paguemos 3 vezes
mais por um “vestido casual” apenas para beneficiar os empresários do setor têxtil.
Também com tarifas, o mesmo ocorre com a indústria
de brinquedos, de produtos de decoração e de eletrônicos. Nestes, os preços são duas a três vezes
maiores que os dos estrangeiros.
Agora, caso não houvesse as tarifas de importação,
os produtos importados seriam, obviamente, muito mais baratos. No caso da indumentária, os consumidores
argentinos poderiam pagar até 78,2% menos do que pagam por um produto “Made in
Argentina”. Ou seja, nós argentinos
pagamos 5 vezes mais apenas para proteger a boa vida do empresariado local.
Por isso, o protecionismo gera pobreza (como reconhece ninguém menos que
o esquerdista Paul Krugman).
Se pudéssemos comercializar livremente com o resto
do mundo, a renda real dos consumidores nacionais aumentaria sobremaneira, pois
agora eles gastariam bem menos em cada produto consumido. Ao gastar menos no consumo de produtos
nacionais caros e ruis, haveria mais renda disponível para gastar em outros
bens ou serviços que a economia nacional de fato seja eficiente em produzir.
Essa é a lei das vantagens
comparativas de David Ricardo: se cada um se concentrar em produzir aquilo
que realmente faz bem, e comercializar livremente esses produtos, a riqueza
real de todos será maior.
Em tempos em que muito se debate sobre a queda
da renda real das pessoas, que melhor política para aumentá-la do que
reduzir as tarifas de importação e realmente baratear todos os produtos à disposição
dos trabalhadores?
Os custos do protecionismo, como já dito, recaem
especialmente sobre os mais pobres. Quem
está mais acima na pirâmide de renda pode fazer o esforço para pagar mais ou
até mesmo ir para Miami fazer suas compras por lá. Já com uma renda baixa, este é um luxo ao
qual não podem se dar os mais pobres.
Frente a essa contundente evidência de como o
protecionismo empobrece a todos e prejudica especialmente os mais pobres, a
resposta recorrente dos adeptos dessa prática é a de que, se o comércio for
liberado, haveria uma maciça onda de demissões.
Mas esse argumento não só não se sustenta na teoria (veja a explicação teórica aqui),
como também não se observa na prática.
O quadro abaixo mostra os países que têm a maior
abertura comercial de acordo com a pontuação (de 0 a 100) — estabelecida pelo
Índice de Liberdade Econômica da Heritage
Foundation — e a taxa de desemprego de cada um deles para o ano de 2015.
À exceção da Bulgária — que, aliás, nunca foi um
exemplo de país historicamente estável –, a conclusão a partir dos dados é
clara: o desemprego não tem absolutamente nada a ver com a abertura econômica. É possível ser muito aberto e usufruir uma
taxa de desemprego muito baixa ao mesmo tempo.
Aliás, como mostram os 4 primeiros países, quanto mais aberto ao comércio, menor
a taxa de desemprego. (Veja a explicação para este fenômeno aqui).
Na América Latina, Chile e Peru há anos vêm adotando
políticas de abertura comercial, e suas taxas de desemprego estão entre as mais
baixas do continente.
Adicionalmente, uma
análise mais extensa indica que os países mais abertos ao comércio
internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em
média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor todos os tipos de
travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.
Por fim, se há problemas de fundo que afetam a
competitividade de alguns setores nacionais em relação aos estrangeiros — como
a voraz carga tributária, a enorme burocracia, a alta inflação de preços, as indecifráveis
regulações e os poderosos sindicatos –, isso tem de ser atacado por meio de
reformas estruturais. Se os custos de produção são altos e estão inviabilizando
até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da
Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do
Trabalho. São eles que impõem tributos,
regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.
Recorrer ao protecionismo para proteger essas
indústrias em detrimento do resto da população é simplesmente criar mais
problemas sobre os problemas já existentes. Tolher os consumidores ou impor
tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e
de regulamentações sobre as indústrias é jogar gasolina no fogo.
No final, isso irá empobrecer a todos para favorecer
a apenas alguns poucos. E é exatamente
isso que os governos de países pobres fazem.
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Leituras complementares:
O livre comércio nos
enriquece e o protecionismo nos empobrece – como reconhece Paul Krugman
Países pobres tributam
pesadamente importados; países ricos têm suas fronteiras abertas
Não há argumentos
econômicos contra o livre comércio – o protecionismo é a defesa de privilégios
Por que economistas são
histéricos em relação à balança comercial?
Nove perguntas frequentes
sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas


Olhem o desespero das ciretes nos comentários kkkkkkkkkkkkkkkkk
spotniks.com/as-7-maiores-bobagens-que-voce-ja-ouviu-de-ciro-gomes-nos-ultimos-anos/
Se o Brasil abrir sua econômia toda nossa famigerada industria quebra em semanas. Antes que alguém venha dizer que paises ricos tem econômias abertas lhes respondo, querem mesmo comparar as condições de produzir dos paises ricos com dos paises pobres? Eles podem se dar o luxo de competir em escala global o Brasil não.
O Unico pais sub-desenvolvido que adotou esse conto de fadas de vocÊs é a Somalia.
Notícia fresquinha de hoje:
http://www.financista.com.br/noticias/mdic-quer-tributar-todas-as-remessas-vindas-do-exterior-inclusive-presentes
Ministro Marcos Pereira sugeriu que as importações inferiores a U$ 50 passem a ser taxadas, mesmo que não envolvam pessoa jurídica
Sabemos tudo que precisa ser feito. Sabemos os benefícios da liberdade. Mas também sabemos que nada irá mudar nesse sentido. O jeito é ir embora desse país.
É por isso que não consumo nada além do mínimo necessário, não dou à toa meu dinheiro nos produtos toscos da FIESP, moro em 2 cômodos, uso uma moto velha, quase tudo que tenho é usado, vivo que nem porco no chiqueiro.
Me lembrei de uma cena do filme tropa de elite. Um homem compra um gás e está subindo o morro, quando é interrompido pelo policial (que faz parte da milicia), ele aborda o homem e diz: Você não vai comprar este gás, você vai comprar aquele gás que tem a nossa permissão.
Ou seja o comerciante do gás permitido, tem um acordo com a milicia e paga uma taxa, em quanto o outro não tem.
Boa tarde. Só tenho a agradece a instituição pelos excelentes artigos, objetivos e Esclarecedores.
Se um industrial puder comprar as melhores materias primas a um preco barato e usar as melhores maquinas, competir com os produtos prontos importados fica mais facil (ou menos dificil).
Sendo que os importados tem o custo de transporte.
O capital explora o trabalhador, é óbvio isso. Existe um restaurante na minha cidade que paga R$15.000,00 de aluguel. A questão é: e se o lugar fosse do mesmo proprietário do restaurante? O dono do restaurante não precisaria pagar aluguel e teria R$15.000,00 a mais por mês. O que eu quero dizer mas não to conseguindo me explicar muito bem é que os preços praticados pelo capitalismo são muito maiores do que poderiam ser se tudo fosse de todos(socialismo). É claro que o dono do restaurante, se o lugar fosse dele, poderia reduzir os preços para receber R$15.000,00 a menos e ficar na mesma, mas ele gosta de explorar, ele explora os funcionários e clientes para lucrar. O capitalismo arranca a alma das pessoas, escraviza elas, cria necessidades desnecessárias. Aquela porcaria de Kinder Ovo custa 5 reais, o mundo poderia existir sem isso, mas essa porcaria existe e serve só pra deixar as pessoas com vontade de consumir e trabalhar. A vida poderia ser mais simples.
Vou tentar explicar de uma outra forma pra ver se eu consigo ser mais claro: existem lojas que pagam aluguel e outras que não pagam, ambas funcionam, mas se as que pagam aluguel não precisassem mais pagar, os preços delas continuaria o mesmo por uma mera questão de ganância. O negócio funciona com uma conta de R$15.000,00 pra pagar e no caso dessa conta não existir mais, o capitalista embolsaria esse lucro que antes era conta.
Gente, desculpa, é minha primeira vez aqui e minha área não é de exatas, sou de humanas. Espero que meu raciocínio tenha ficado claro, no caso de dúvidas estou à disposição.
“Aquela porcaria de Kinder Ovo custa 5 reais, o mundo poderia existir sem isso, mas essa porcaria existe e serve só pra deixar as pessoas com vontade de consumir e trabalhar. A vida poderia ser mais simples.”
Cabe lembrar que as pessoas podem escolher não consumir o Kinder Ovo se acharem que os 5 reais são mais importantes. Há uma variedade de opções que inclui…não comprar o ovo. E as pessoas ficarem com vontade de trabalhar não é algo ruim, haja vista que a riqueza não cai do céu.
“Vou tentar explicar de uma outra forma pra ver se eu consigo ser mais claro: existem lojas que pagam aluguel e outras que não pagam, ambas funcionam, mas se as que pagam aluguel não precisassem mais pagar, os preços delas continuaria o mesmo por uma mera questão de ganância. O negócio funciona com uma conta de R$15.000,00 pra pagar e no caso dessa conta não existir mais, o capitalista embolsaria esse lucro que antes era conta”
Pensando de outra forma: se o dono da propriedade mantiver o preço mas os clientes continuarem a ir, é ganância? As pessoas preferem o restaurante citado, o restaurante continua a lucrar e todo mundo sai feliz da história. Qual o problema?
Neste caso, a ganância seria punida por uma queda no número de pratos servidos. Nada passaria em branco.
Mesmo diante de argumentos expostos de forma tão clara pelo IMB, adiante assim pululam esquerdopatas nos comentários vociferando contra o livre mercado. Seria “doença”, tal qual a pedofilia? Sim, acreditem, chegamos a esse ponto:
https://bordinburke.wordpress.com/2016/08/02/a-esquerda-e-sua-mania-de-massagear-bandido-ou-agora-e-a-vez-dos-pobres-pedofilos/
Aproveitando a oportunidade e a relação com o assunto,o IMB poderia fazer um artigo sobre as cidades banindo automóveis.
Aqui está um artigo com os dados necessários e inclusive o autor deste artigo tem tendencias liberais(me corrijam se eu estiver errado).Portanto,vamos lutar contra esta ideia antes que a mesma chegue no Brasil e tome espaço.É algo que os liberais Brasileiros estão ignorando,o discurso de banir automoveis esta cada vez maior.Vamos lugar contra esta coerção!
http://www.flatout.com.br/por-que-o-banimento-dos-carros-das-cidades-pode-ser-uma-ameaca-a-sua-liberdade/
A minha dúvida é: como competir com um país como a China por exemplo, onde o ganho salarial, a rotina de trabalho e as leis trabalhistas são desfavoráveis aos trabalhadores? E a população economicamente ativa é mais de dez vezes maior a que a do Brasil!!! Sabemos que o Brasil é exportador em sua maioria de produtos de baixo valor agregado e que não possui uma cadeia produtiva competitiva, então o que se deve fazer? Flexibilizar a CLT, como o governo Micher Temer quer? Os trabalhadores vão aceitar trabalhar 60 horas semanais? Continuaremos vendendo commodities a preço de banana? Como estimular a indústria nacional, sem depender do capital estrangeiro e das multinacionais? Parece papo de esquerdista contra o sistema capitalista opressor, mas não é não. Gostaria de ver o Brasil com uma economia livre, com menos impostos, crescendo, com empresas surgindo e oferendo empregos a toda hora. Mas as dúvidas são maiores que as respostas! Será que os políticos conseguem responder?
“William Smart was the outstanding Austrian in England during his generation, a leading advocate of the marginalist school. But he was more than that: he was a dedicated champion of laissez-faire trade policy in the tradition of Cobden and Bright. He knew that the principles of free trade had to be explained in every generation. He did so in this series of passionate lectures first published in 1904. What’s extraordinary is how they all hold up today. He addresses every common fallacy of protectionism, including dumping, revenue claims, infant industry, war sanctions, and a dozen other topics. This book should be included among the great trade classics, but it has been unfairly overlooked. This new edition brings his work into the public consciousness so that Smart’s wisdom on trade can be part of the current-day understanding“:
mises.org/library/return-protection
O protecionismo é nefasto.
O problema não é só o preço alto das compras coercitivas. Enquanto os trabalhadores poderiam estar produzindo coisas importantes, como casas, saneamento, hospitais, escolas, estradas, aeroportos, etc, eles estão produzindo bugigangas e todo tipo de tranqueiras. É um desvio total da mão de obra que prejudica a produção de coisas mais importantes.
Um bom exemplo foi a lei das armas da polícia. O estado proibiu a importação de armas pela polícia brasileira, causando enormes prejuízos com armas nacionais.
Outro grande problema é que ele reduz o poder de compra. Como as coisas são mais caras, as pessoas compram menos produtos.
Sem contar os prejuízos com produção de energia, lixo, poluição, etc.
Protecionismo é coisa de gente mal intencionada.
Estudei num colégio onde havia apenas uma cantina.
Todos os alunos, do primário ao ensino médio, tinham duas opções: levavam seus lanches de casa, ou compravam na tal cantina. Desnecessário dizer, mas nenhum aluno podia sair do colégio durante o período de aula, ficando lá durante toda a manhã.
A cantina, sabendo disso, fazia o óbvio: vendia qualquer porcaria a preços altos. Uma lata de suco, que na época custaria dois reais na venda em frente ao colégio, custava facilmente cinco reais lá dentro. A mesma lógica era aplicada para todos os itens: salgados, lanches, refrigerantes, doces… todos com qualidade duvidosa e preços exagerados.
Um colega começou a fazer travessas de bolo de chocolate em casa. Passava a tarde fazendo a receita e assando, cortava em pedaços iguais e os vendia para os outros alunos na manhã seguinte. Começou pequeno, levava algumas unidades na mochila e as vendia para os amigos mais próximos a preços razoáveis. Logo, e inevitavelmente, outros alunos experimentaram e quiseram comprar também. Ele aumentou a produção e manteve os preços, vendendo cada vez mais. Começou a dividir o trabalho de produção com a namorada e as vendas com o irmão, para escoar todo o estoque (e, claro, dividindo os ganhos com eles).
Virou uma pequena febre no colégio. Quase todos os alunos conheciam o bolo, e os cercavam no intervalo para comprar. Durou por algum tempo, até que, um belo dia, ele parou de produzir. Quando questionado, falou que não ia mais vender lá dentro.
O que aconteceu? Os donos da cantina, quando souberam do caso, foram reclamar junto à diretoria do colégio: a cantina pagava aluguel, tinha que passar por inspeções sanitárias, tinha funcionários e, principalmente, tinha um acordo com o colégio para ela, a cantina, ser a única provedora de alimentos do local. Assim, o aluno estava infringindo as regras com a sua venda de bolo.
A diretoria acatou a reclamação, chamou meu colega e o proibiu de vender os bolos, sob ameaças de suspensão e expulsão. Ele parou, e os alunos se viram obrigados a voltar ao estágio inicial, apenas com a cantina (cara e ruim) como opção.
Meu colega continuou vendendo os bolos “clandestinamente” por algum tempo, mas logo parou, pois o volume e o ganho não compensavam o risco.
No final, o sistema venceu e os alunos saíram perdendo.
Como na conclusão do artigo, “no final, isso irá empobrecer a todos para favorecer a apenas alguns poucos.”
Prezados amigos,
Por gentileza, ajudem-me para argumentar para um amigo meu, defensor de um estado interventor ou empreendedor (? hehehe).
Comentário 1:
“Discordo da forma como o artigo coloca a questao do protecionismo. A proteção do mercado nacional é um instrumento importante de política econômica para ajudar a formar a industria nacional. Impedir a entrada de produtos estrangeiros no país quando a industria nacional esta se formando eh fundamental, caso contrario a industria nacional nascente não teria condições de se estruturar por ser impossível competir com produtos estrangeiros, e o país ficaria sempre dependente de produtos externos, o que é pessimo pra autonomia politica e econômica nacionais. Depois de formada a industria nacional, aí sim é importante abrir as fronteiras, para que a competição faça os preços caírem e os produtos melhorarem a qualidade. Todos os países praticam o protecionismo, inclusive em produtos agrícolas, Estados Unidos por exemplo. A coreia do sul usou muito o protecionismo quando estava formando sua base industrial. Esse discurso de liberalização plena só interessa países com industrias formadas e mais avançados tecnologicamente, porque largam na frente na competição do mercado global.”
Eu respondi ao comentário 1. Basicamente, eu disse que o liberalismo econômico favorece ao consumidor, enriquecendo o país; enquanto, o intervencionismo/protecionismo favorece ao empresário, empobrecendo o país. Então, ele respondeu com os comentários 2 e 3.
Comentário 2:
“É evidente que como consumidor eu compraria produtos mais baratos e de melhor qualidade, sejam eles nacionais ou importador. Não preciso comprar só produtos nacionais para poder defender o protecionismo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O protecionismo não é uma opção de consumo individual, e sim um instrumento de política de Estado para ajudar na formação do mercado nacional. Isso não é apenas retórica, é constatação fatica do que fizeram e fazem todos os países. Ninguém abre sua economia para outros, prejudicando os produtores locais, seria ingenuidade. Ninguem faz isso. Os países mais abertos hoje, como coreia, fizeram protecionismo no passado em maior escala. Se o fazem em menor escale hoje é porque estão mais maduros economicamente para enfrentar a concorrência externa. Esse discurso de abertura plena porque favorece o consumidor só existe nas teorias liberais, na prática a conduta é outra, o que mostra que se trata de demagogia em favor dos grandes empresarios internacionais. Ademais, o protecionismo não eh como uma equação matemática que é isso ou aquilo, tudo ou nada, mas um instrumento ajustável, pode ser usado para uns setores e outros nao, conforme for conveniente para fortalecer um setor ou outro no país. O protecionismo nao parece benefico para o consumidor porque pode barrar produtos inicialmente mais baratos, mas por outra lado é benefico na medida em que, ao ajudar a formação da industria nacional, desenvolve o país como um todo, e confere autonomia nacional. Pensar apenas sob a perspectiva individual é reduzir a realidade. Há outros elementos importantes envolvidos para o desenvolvimento nacional. O discusso da liberalização plena é demagógico e abstrato porque só interesse a quem já largou na frente. Penso num protecionismo em regra nas fases iniciais, com abertura à medida que a industria nacional se desenvolve. Claro que 100% de protecionismo é ruim, e até impossivel no mundo globalizado atual.”
Comentário 3:
“É importante favorecer o empresariado local para gerar e desenvolver a industria nacional caso contrario o país será sempre exportador de bens agrícolas e minerais e importador de bens tecnologicos, o que dá desequilibrio na balança comercial, enfraquece a moeda e emprobece o pais. O protecionismo é um dos instrumentos que o Estado pode lançar mão para desenvolver a industria nacional.”
Desde já agradeço.
Att.,
Alguém aqui já assistiu a série Gigantes do Brasil do canal History? Protecionismo puro.
Dado que no mundo todo os bancos operam sob o sistema bancário de reservas fracionárias, e que esse arranjo é inerentemente inflacionário, pode-se dizer que nos países europeus e nos EUA a inflação é menor por que suas economias são mais abertas ao comércio exterior?
Ótimo artigo!
Observação:
“Ali também há alimentos e bebidas, produtos de limpeza e decoração, e até mesmo a área de comida pronta para levar. No entanto, não vejo a mesma qualidade, a mesma variedade, e nem os mesmos preços baixos.”
Mesmo que este outro supermercado oferecesse produtos com preços menores e qualidade maior, ainda assim seria errado coagir qualquer pessoa a comprar lá. Liberdade genuína inclui a liberdade de [supostamente] errar, ninguém pode ser “coagido para o seu próprio bem”, se estiver arcando com os custos e consequências de suas escolhas e não estiver prejudicando terceiros.
* * *
-Crise internacional VS brasileira,relação clara?:
economia.estadao.com.br/noticias/geral,comercio-mundial-tem-maior-contracao-desde-2009,1750826
www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1743476-comercio-mundial-tem-o-pior-ano-desde-a-crise-financeira-de-2008.shtml
A culpa é do PT ou da crise externa?