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A elite vermelha contra o Brasil

Este governo já acabou. 
E acabou quando esmagou e negligenciou as principais elites naturais
brasileiras: as elites militar, empresarial, religiosa, intelectual, rural e burocrática/política. [1]

Estas historicamente serviam como interlocutores e
contrapartes em pactos mutuamente benéficos. Em troca de prestígio, exposição,
e recompensas materiais, as elites naturais apoiavam o governo e ajudavam a
conter eventuais animosidades do povo.

Como disse em outra ocasião, um status de ingovernabilidade se caracteriza pelo afastamento contínuo e crescente das elites — políticas, militares, empresariais, intelectuais e religiosas — em relação ao governo em questão.  E isso já ocorreu.

A sede por poder do partido se mostrou incompatível com o modus operandi tradicional. Era necessário
— pensaram seus integrantes — consolidar o máximo do poder para controlar
verbas, cargos, projetos e promover o dirigismo socialista.

As elites ocultaram seu descontentamento até que surgisse a
oportunidade de 2015: crise extrema e corrupção generalizada revelada por um
solitário herói e sua equipe. Os ressentimentos das elites acumulados nos
últimos 10 anos agora estão assombrando, com juros e correção monetária, os sonhos
de poder eterno do partido.

Foi um erro primário. Afinal, nenhum governo se sustenta sem
o apoio das elites naturais. Mesmo dentro do núcleo-duro de governabilidade — artificialmente
costurado para atender nosso presidencialismo de coalizão –, o partido sistematicamente
esmagou seus sócios.

Neste momento, há um grande consenso tanto no povo quanto
nas elites sobre ‘o que não queremos mais’. 
Mas ainda há grandes incertezas sobre ‘o que queremos’.

Apenas um vibrante grupo tem consistentemente apresentado
uma promessa, com contornos utópicos, de um futuro melhor, com uma identidade
única e princípios que detalham emotivamente as terríveis injustiças e chagas
do sistema e governo atuais: este é o grupo de liberais, libertários, e
conservadores unidos em torno da visão da liberdade (e consequentemente de um
estado muito menos intrusivo na sociedade).

A fase da resistência gradualmente está cedendo lugar à fase
da liderança, por um Brasil em que teremos orgulho em viver. É um privilégio
fazer parte desta inevitável mudança.


[1] Utilizo
o termo ‘elite’ no sentido de representar aquele grupo de pessoas (geralmente uns
10%) em cada uma dessas categorias que (naturalmente) exerce a maior parte da
liderança, autoridade ou influência na categoria.  O termo, neste caso, tem uma conotação
negativa, pois o acerto tradicional destas com os membros da elite governante é
baseado em receber prestígio e recompensas financeiras.

Já o termo ‘natural’ apenas se refere ao fato de que,
em cada categoria, sempre haverá um grupo (os 10% a que me refiro) que exerce a
maior parte da liderança, autoridade e influência.

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33 comentários em “A elite vermelha contra o Brasil”

  1. Amauri Cavalcante

    Ainda bem que são incompetentes. Ainda bem que erraram tão primariamente…

    Mas ainda não acabou e não têm moral. Sem moral podem usar qualquer arma, principalmente as que quem tem moral não usaria.

  2. O empresariado brasileiro não possui espírito competitivo por conta própria, acostumou-se a viver de mãos dadas com o governo e os políticos. Estou apenas relatando um fato. O que veio a ocasionar isso é motivo para intensos debates historiográficos, antropológicos, sociológicos e psicológicos.

  3. Delcidio estava certo, eles têm o stf na mão, ontem foi um golpe! O stf rasgou a constituição! Deu foro privilegiado para um cidadão que não tem esse direito! Só falta agora o congresso!

  4. Este é um momento único para os liberais, libertários e conservadores do Brasil. Por mais que tudo pareça muito difícil, que o futuro não pareça tão animador, que o PT talvez não caia e que o socialismo ainda seja forte, muitas pessoas estão tomando consciência de que a solução não está no governo. Quando o governo e a situação estão envolvidos em escândalos, as pessoas se perguntam: “Em quem votar?”. Antes, surgiam salvadores da pátria. Mas hoje, muitos já se deram conta que o melhor é menos governo. Pelo menos no meu meio, já espalhei o liberalismo na cabeça de todo mundo. A grande maioria comprou a ideia. Os petistas ficaram em uma situação bem ridícula.
    Ninguém falou que ia ser fácil. Ninguém falou que não ia doer. Ainda vamos sofrer muitas derrotas. Mas agora, a alternativa da liberdade está chegando, pelo menos como mensagem, aos brasileiros. Cabe a nós continuar lutando pela nossa liberdade.

  5. Concordo com a conclusão de que o governo acabou. Apear os agentes é a questão não resolvida, pois continuam com a máquina governamental e a caneta nas mãos. Alem disso grupos organizados com tentáculos no legislativo continuam fortes e vão lutar com unhas e dentes para manter a teta estatal drenando. Não vai ser fácil.

  6. A arrogância distorce a percepção e o raciocínio, levando a erros estratégicos. Por isso sempre que a esquerda radical assume o poder ela provoca seu próprio colapso.

    * * *

  7. Como pode um senador falar tranquilamente que comprou 100 hectares de terra do Incra ?

    O Incra pode ser um expropriador de terras, para depois vender essas terras ?

    O Incra é um antro de corrupção e de propina.

    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/04/08/lider-do-pdt-no-senado-aparece-em-relacao-de-beneficiarios-de-terras-do-incra.htm

    O PDT está pagando movimentos sociais Por todo Brasil. É um partido tão ruim quanto o PT.

    Essa turma vermelha vai de bandido à guerrilheiro.

  8. Falando teoricamente sobre o Liberalismo, sabemos que não existe vácuo de poder, sempre que um poder estabelecido se enfraquece ele é desafiado por outro poder mais forte, e quando ele cai, o mais forte entre os poderes concorrentes assume a liderança da sociedade e cria um governo.
    Então, se na vida real não existe vácuo de poder, como pode a falta de governo ser um objetivo?
    A falta de poder legal sempre levará à tomada do poder por governos de criminosos e outros tipos usando a violência.

  9. As favelas dominadas pelo narcotráfico e depois pelas milícias que vencem e destroem os traficantes para explorar os cidadãos com taxas ilegais mostram que não existe a possibilidade de unidades populacionais menores ficarem a salvo de tomadas violentas de poder.
    As Repúblicas de Bananas do Caribe e a política de canhoneiras praticadas pelos EUA no início do século XX mostram que países pequenos são dominados pelos maiores.
    O bulling praticado nas escolas também mostra que não há limites para o domínio da violência se impor sobre comunidades. Vizinhos abusadores que colocam som alto e criam cachorros em apartamentos, jovens impondo som extremamente alto com seus carros nas praias.
    Enfim, o mundo teórico é uma coisa, o mundo real é outra e a lógica da violência e do uso do poder por quem tem coragem e meios de exerce-lo não pode ser ignorada, não há alternativas para governos eleitos e leis de convivência. Não existe vácuo de poder mesmo nas menores unidades sociais.

  10. Eu estava tentando exatamente entender qual a lógica em não ter governo nenhum, se isso é tão impossível quanto fazer a Terra parar de girar. Governo é quem manda e tem o monopólio da violência, não importa o tamanho da comunidade. Na falta de um governo estabelecido de forma consensual e o mais democraticamente possível, os extremos de poder/governo podem ocorrer desde que haja vontade para tanto, a Máfia exerce seu poder/governo e está cagando para o fato de ter ou não um governo legal. Ou seja você vai ser governado por alguém sempre, quem tem e quer exercer o poder violento, vai governar.
    Os países que vc cita, Lichtenstein, Luxenburgo,Andorra, Monaco e Hong Kong são protetorados semi-independentes politicamente, mas dependentes militarmente da França, Alemanha e China. A Suiça assim como Israel e Cingapura, são fortalezas militares extremamente fortes onde cada cidadão é soldado. Cingapura quase foi anexada pela Malasia quando o UK concedeu sua independência. O Timor Leste foi invadido e escravizado pela Indonésia quando Portugal saiu de lá. Países como Holanda, Belgica, Dinamarca, Islândia, Libano, Kuweit, Letonia, Estonia, Lituânia, Palestina, o Curdistão, a Bosnia, Eslovênia, Kosovo, Laos, Camboja, Vietnam, a Coreia, o Panamá, a antiga Tchecoslováquia, foram todos invadidos em algum momento de sua história e a própria Austria de Mises foi anexada pelos nazistas. E até mesmo Paraguai (ocupado por mais de 10 anos) e Uruguai foram invadidos e passaram anos sob tutela ou anexados ao Brasil, lembra da Província Cisplatina (Uruguai)? O poder americano retalhou o México, a Bolívia perdeu o mar e o Acre, a Espanha dominou e depois perdeu metade do mundo, assim como Portugal, França, Belgica, Holanda e a Inglaterra.
    A grade questão que eu formulei você não consegue responder a nível teórico: Não existe vácuo de poder, na falta de um poder consensualmente estabelecido, ocupa o espaço um poder autoritariamente estabeleceido, portando eliminar o estado é uma utopia que jamais vai ocorrer. A prática demonstra isso e o seu próprio argumento sobre os bares de sua vizinhança, demonstra o que eu falei, o poder dos donos dos bares está se impondo a você e seus vizinhos, porque o poder governamental não está agindo. Entende? Você sempre vai ser governado por alguém mais forte ou mais abusado e ousado, NÃO EXISTE VÁCUO DE PODER.

  11. Concordo que o modelo de Cingapura e Suiça são bons…mas é porque eles tem um Estado extremamente forte, bem estruturado e com baixo nível de impostos ou seja não tem vácuo de poder.

  12. Não faço a menor idéia de quem seja o chefe de governo da Suiça, e nem o primeiro ministro da Suécia, de Cingapura ou mesmo da Itália hoje em dia. Isso ocorre porque eles não estão na mídia, principalmente a Suiça…ninguém lembra de uma crise qualquer com esse pais. Os governos se alternam democraticamente e são politicamente neutros e militarmente fortes. A Suiça é um exemplo de governo que funciona razoavelmente…mas ele existe.
    Ninguém que vem a este site quer o Brasil com governos hipertrofiados e sugadores de renda, mas assim como a Lei da Gravidade não foi revogada, a lei básica da política é que:
    Não existe vácuo de poder, quando um poder cai ou enfraquece, outro assume imediatamente ou abre luta para assumir.
    Demonstrando teoricamente, ninguém até agora foi capaz de desmentir essa dinâmica.

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