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O exemplo irlandês – como a redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia

N. do E.: A ideia de limitar o
crescimento anual das despesas do governo à inflação de preços (IPCA) do ano
anterior
, embora longe do ideal, já representaria um grande avanço em relação
à verdadeira esbórnia que impera hoje, em que os gastos do governo aumentam sem
qualquer critério.

De 2006 a 2015, o gasto não-financeiro do governo (com
pessoal, custeio, programas sociais e investimentos) cresceu 93% acima da
inflação e chegou a R$ 1,16 trilhão — com a regra defendida pela atual equipe
econômica, o
atual volume dos gastos do governo estaria em “apenas” R$ 600 bilhões
.

Mais ainda: em 15 anos, os gastos do governo só não cresceram
acima da inflação uma
única vez
.

A atual medida é boa, porém, ainda é insuficiente.  Pode-se fazer muito mais.  E há exemplos práticos nos quais podemos nos
espelhar.  Em vez de limitar o
crescimento dos gastos, por que não cortar diretamente os gastos?  Foi o que fez a Irlanda.  E os resultantes foram surpreendentes.

___________________________________

Há uma ideia que, sem distinções, une todos os políticos em aversão a ela: uma redução
dos gastos públicos.

O exemplo prático da Irlanda, no entanto, deveria ao menos fazer essas pessoas
refletirem um pouco mais.

O problema
com os gastos do governo

Em
qualquer debate sobre economia, quando alguém propõe reduzir o déficit orçamentário
do governo por meio do corte de gastos, a reação dos interlocutores sempre é de
espanto, alarme e até mesmo de raiva.

A
adoração pelos gastos do governo não é patrimônio exclusivo da esquerda.  Todos os governos, independentemente de suas
ideologias, raramente fazem um ajuste do setor público; eles preferem impor
todo o ajuste ao setor privado, elevando impostos. 

Os
infindáveis debates sobre “austeridade”, aliás, parecem ignorar esse conceito básico:
quando um governo tenta combater seu déficit fiscal por meio do aumento de
impostos — e não por meio de um corte de gastos –, isso não é austeridade
para o governo.  Desde quando você elevar
suas receitas é “austeridade”? 

Quando
se fala em “austeridade”, o que se está dizendo, na prática, é que toda a
austeridade ficará por conta do setor privado, o qual, este sim, terá de
reduzir seus investimentos e fazer demissões, apenas para continuar sustentando
o déficit do setor público, o qual é sagrado.

Uma
real austeridade para o governo ocorre tão-somente quando este corta gastos sem
elevar impostos.

Mas
por que a adoração pelos gastos do governo?

Pela
perspectiva keynesiana — que é a ideologia dominante –, os gastos do governo
estimulam a “demanda agregada”.  E,
sempre de acordo com este modelo, quando se estimula a “demanda agregada”
está-se impulsionando a prosperidade do país. 
Sendo assim, mais gastos do governo geram maior demanda, e maior demanda
gera mais produção, mais emprego e mais riqueza.

No
entanto, não é necessário um grande domínio da ciência econômica para perceber
que essa ideia é totalmente ilógica.  Em qualquer
situação, viver dentro de seus meios e de suas possibilidades, gastando menos
que ou igual ao que se recebe, é um imperativo econômico.  Gastar mais do que se recebe implica se
endividar continuamente.  E endividar-se
continuamente gera inevitavelmente a falência do endividado, uma vez que a
dívida, ao se tornar cada vez maior, faz com que seus juros sejam impagáveis.

A
esse respeito, Adam Smith escreveu que “aquilo que é sensato dentro de uma família
não pode ser uma estultícia quando aplicado a um grande reino”.

A
diferença dos governos para as famílias é que suas receitas são auferidas de
maneira coercitiva, sendo confiscada de todos aqueles trabalhadores
assalariados e empreendedores que atuam no setor produtivo da economia. 

Neste
sentido, um aumento dos gastos do governo significa, de maneira muito simples,
que o governo ou aumentará os impostos para fazer frente a esses novos gastos
ou irá se endividar ainda mais — o que significa que, dado que o governo está
tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar
empreendimentos produtivos. 


uma terceira hipótese, que seria a simples criação de dinheiro pelo Banco
Central para financiar diretamente o governo. 
Sempre que essa medida foi utilizada — como no Brasil da década de
1980
–, o resultado foi
a hiperinflação
.

Portanto,
tendo em mente que o governo só pode gastar aquilo que ele antes confiscou de alguém,
a ideia de que gastos do governo estimulam a “demanda agregada” e geram
crescimento econômico equivale a dizer que tomar dinheiro de uns para gastar
com outros pode enriquecer a todos.  Para se utilizar uma metáfora, tal
ideia significa dizer que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na
parte rasa fará o nível geral de água na piscina aumentar.

Consequentemente,
os gastos do governo não apenas não podem “estimular a demanda”, como também geram
uma maior carga tributária, um maior endividamento do governo e uma maior inflação.  No mínimo, irão gerar mais incertezas: se o
governo está gastando mais do que recebe e está se endividando continuamente, então
essa dívida terá de ser futuramente quitada com mais impostos.  Essa mera possibilidade de aumentos de
impostos futuros já serve para inibir investimentos produtivos.  Como investir quando não se sabe como serão os
impostos no futuro?

No
mais, há outros efeitos importantes: uma redução dos gastos do governo tem o
efeito de reduzir o peso da burocracia estatal.  E isso, por
sua vez, leva a um aumento da participação do setor privado na economia. 
Com menos burocracia e com menos regulamentações onerosas, há uma maior facilidade para o
empreendedorismo
 e, consequentemente, para a geração de riqueza.

Por
outro lado, um aumento de impostos consolida a hipertrofia da burocracia
estatal, das regulamentações, e das atividades não-produtivas e sugadoras de
recursos escassos.  Tudo isso à custa do achaque daquela fatia da
sociedade civil que trabalha e produz.

Não
há, portanto, como ver um aumento dos gastos do governo, e seus subseqüentes déficits
orçamentários, como algo benéfico.

O exemplo irlandês

A
prática mostra que o mundo real não apenas não respeita as teorias keynesianas,
como ainda confirma a sólida teoria econômica: a austeridade estatal — atenção:
a austeridade imposta ao estado, e não ao setor privado — gera crescimento econômico.

Nos
últimos dois anos, a economia da Irlanda — que foi gravemente afetada pela
crise financeira de 2008, com forte
queda na produção industrial
e acentuado aumento
no desemprego
— cresceu nada menos que 13,4%
(5,2% em 2014 e 7,8% em 2015)

Neste
mesmo período, a economia espanhola, outro país igualmente afetado pela crise
financeira, cresceu apenas 4,5% (três vezes menos).

A
economia irlandesa é hoje a que mais
cresce em toda a Europa
.

Entre
os fatores que mais contribuíram para este forte crescimento está, obviamente,
os investimentos, que avançaram
28,2%.
  Também digno de nota foi o
crescimento das exportações, que saltaram
13,8%
— e sem qualquer manipulação da taxa de câmbio, pois, como se
sabe, a Irlanda faz parte da zona do Euro, e seu governo não tem qualquer
controle sobre a taxa de câmbio da moeda.

O
caso irlandês é extremamente interessante. 
No ano de 2010, o país vinha de dois anos de recessão profunda.  O desemprego chegou
a 15%
e o déficit fiscal do governo alcançou a astronômica cifra de 32,3%
do PIB
, causado majoritariamente pelo resgate do seu sistema
bancário.
 

O
governo, então, começou a cortar gastos. 
E os cortes foram em termos nominais, o que significa que a cada ano o
governo literalmente gastava menos do que havia gastado no ano anterior.

ireland-government-spending.png

Gráfico 1: evolução dos gastos nominais do governo
da Irlanda

No
ano seguinte, em 2011, trocaram o primeiro-ministro, assumindo o cargo o líder
do partido Fine Gael,
um partido identificado com a contenção fiscal, com uma menor intervenção do
estado na economia e com políticas mais pró-mercado.  Imerso em um programa de resgate com fundos emprestados
pelo FMI e pela União Europeia, o novo governo colocou como objetivo principal
equilibrar seu orçamento. 

Em
2011, o gasto público já havia sido reduzido em nada menos que 20 pontos
percentuais em relação ao PIB, o que reduziu o desequilíbrio orçamentário na
mesma proporção.  A partir daí, a trajetória
se manteve.  Os gastos do governo em relação
ao PIB voltaram a cair mais 11,6 pontos percentuais entre 2011 e 2015, chegando
a 33,9% do PIB ao final de 2015, um nível muito inferior à média européia.

img-12.png

Gráfico 2: evolução dos gastos do governo em relação
ao PIB (linha preta, coluna da esquerda); crescimento econômico (barras azuis,
coluna da direita)

A evolução do déficit
nominal do governo explica essa queda: após ter alcançado os já citados 32,4%
do PIB em 2010, a cifra voltou para 1,8% do PIB em 2015.

ireland-government-budget.png

Gráfico 3: evolução do déficit nominal do governo irlandês
em relação ao PIB

Em paralelo a toda esta
contundente política de austeridade do governo — de novo: a austeridade foi
aplicada no governo, e não jogada sobre o setor privado –, a economia não apenas
não entrou em colapso, como ainda se tornou uma das mais vibrantes e de mais
rápida recuperação de toda a zona do euro. 
O desemprego, que chegou a 15% em 2011 e 2012, caiu de maneira considerável
nos anos seguintes, estando
hoje em 8,8%
, e com tendência de queda.

Adicionalmente, o PIB per
capita — que é a métrica
que realmente importa
— está hoje em níveis superiores aos de antes da
crise financeira, superando os 43 mil euros anuais.  Obviamente, a inflação de preços no país é
inexistente
.

Finalmente, o fato de o
imposto de renda de pessoa jurídica ser um dos menores do mundo — alíquota
máxima de 12,5%
, contra 34%
no Brasil
–, e o fato de o governo, contra todas as exigências dos órgãos internacionais,
ter se recusado a elevá-lo, apenas ajudaram a solidificar o clima
pró-empreendedorismo do país.

Embora estes resultados
possam surpreender a muitos, não há mistério nenhum.  A redução dos gastos e, consequentemente, dos
déficits orçamentários do governo, em conjunto com a manutenção de uma baixa
carga tributária sobre os empreendimentos, permitiram à Irlanda criar um clima
atrativo aos investimentos.  Ainda mais
importante: ajudaram a garantir que tudo continuará assim — sem surpresas —
no futuro.  Ao reduzir seus gastos, seus déficits
e seu endividamento, e ao não aumentar os impostos, o governo, pelos motivos
explicados no início do artigo, reduziu o nível de incertezas em toda a
economia, estimulando os investimentos.

Conclusão

Aqueles que se posicionam
contra todo e qualquer corte de gastos do governo deveriam, ao menos, estudar o
caso da Irlanda.  O crescimento econômico,
a redução do desemprego e o aumento da riqueza não apenas são totalmente compatíveis
com a redução do gasto público, como também são mais facilmente possibilitados
por este.

Por tudo isso, todo e
qualquer déficit orçamentário do governo tem de ser combatido com cortes de
gastos, e não com aumentos de impostos.

Se o objetivo é viver em
um país dinâmico, não fagocitado pela burocracia e pelos impostos, com níveis
toleráveis de endividamento e onde os cidadãos não padeçam dos excessos e
esbanjamentos de sua classe política, então é necessário fazer intensa pressão
pelo corte de gastos, e jamais tolerar idéias
de aumento — ou de criação — de impostos
.

No Brasil, por exemplo, a
extinção dos super-salários
dos sultões do setor público
 já seria um bom começo.  A abolição do BNDES e a devolução do dinheiro a ele emprestado pelo Tesouro também fariam muito pela causa. Os 39 ministérios deixados por Dilma, que custavam mais de R$ 400 bilhões por ano e empregavam 113 mil apadrinhados, e cujos salários consomem R$ 214 bilhões, também são um alvo apetitoso. Não basta apenas fundir um ao outro, e transformar alguns em secretárias. Tem de fechar.

________________________________

Juan
Ramón Rallo
 é diretor do Instituto
Juan de Mariana
 e professor associado de economia aplicada na
Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja
Economía
.

Iván
Carrino
 é analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na
Argentina e possui mestrado em Economia Austriaca pela Universidad Rey Juan
Carlos, de Madri.

Leandro
Roque
 é o editor e tradutor do site do Instituto
Ludwig von Mises Brasil.

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154 comentários em “O exemplo irlandês – como a redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia”

  1. Tudo como antes no quartel de Abrantes.

    estamos cansados de bater na mesma tecla, mas os governantes brazucas nunca entendem nada.

    que um dia tenhamos um austríaco no governo desse país.

  2. Preparem-se para as típicas:

    “Ah, a Irlanda é um país pequeno, não dá pra comparar com o Brasil”

    “Mas a Irlanda está na zona do euro, aí fica fácil”

    “Tenho um primo de 19 anos que morou na Irlanda e não era essa maravilha toda, ele teve que trabalhar de garçom”

    “Mas e a Suécia? Lá o socialismo funciona e é um país bem melhor que a Irlanda”

    “Aqui no Brasil só iriam aumentar impostos sobre os mais ricos, e também sobre heranças”

    “Olha a Argentina, o presidente cortou gastos e tem um monte de ex-funcionário público desempregado

    “Vai deixar na mão do mercado, um quilo de arroz vai custar 100 reais e os pobres vão morrer de fome

  3. Fico imaginando aqui no Brasil a demissão em massa de funcionários públicos para que tivéssemos uma economia mais dinâmica o mimimi que iria ser!

  4. Pois bem…eu que não sou economista e estou aqui por pura curiosidade, lendo alguns artigos aqui,tudo parece fazer muito mais sentido do fazia antes. Começo a perceber que a ficção do 1984 george orwell, não tem nada de ficção.
    Obrigado Mises.org.br, continue abrindo os nossos olhos.

  5. Aqui no Brasil, resolver a crise não é a meta do governo, muito menos reduzir o tamanho do estado, pois precisam das estatais para acomodar os apadrinhados, desviar recursos, etc… Enfim, nós vamos continuar a pagando os impostos mais caros do mundo sem retorno algum

  6. Fantástico, esclarecedor, todo dia,parabéns mises! Virei um eufórico entusiasta e divulgador do ideal libertário! Em busca pela liberdade e o fim da servidão estatal!

  7. Quase tudo certo. A única ressalva é que os austríacos em geral tendem a tratar o dinheiro como se fosse riqueza real.

    Para se utilizar uma metáfora, tal ideia significa dizer que tirar água da parte funda da piscina e jogá-la na parte rasa fará o nível geral de água na piscina aumentar.

    Na verdade, se vc gastar um dinheiro (em oposição a deixar o dinheiro parado), e dentro do potencial da economia (sem subida de preços), você pode evitar desemprego e perda de renda dos trabalhadores. Os autríacos preferem ver os preços caírem (deflação), o que gera uma certa instabilidade (risco maior) aos investimentos e, consequentemente, menor riqueza geral, em favor do benefício aos rentistas.

  8. Keynes não pensou integralmente que gastos governamentais poderiam impulsionar a economia, é um grande equívoco afirmar isso, e por como teoria. Esses impulsos se devem á crise de 29, onde os Eua adotou o livre mercado, e os empregos chegavam a 20 %, a famosa era new deaw.

    Em caminho da servidão, Mises se opõe ao livre mercado, quando ele é proposto de forma
    Oca, mercado por mercado, parece que se arrependeu de sustentar
    a ideia.

  9. Olá,
    ótimo artigo, gostaria de aproveitar a oportunidade para verificar qual a opinião dos frenquentadores do site sobre a nova movimentação do governo utilizando o BC gerenciar a liquidez do mercado através de depósitos voluntários e remunerados das instituições financeiras.
    Esta não é uma das características de um banco comercial?
    Qual a vantagem para as instituições financeiras? Rendimento considerável?

    Obrigado

  10. Precisamos estudar a polícia neoliberal. Tem bandidos demais no governo.

    Essas dívidas vão matar pessoas indiretamente. Isso é caso de polícia neoliberal.

  11. Bom dia,
    No trecho a seguir o correto não seria “despesas”?

    “…Desde quando você elevar suas receitas é “austeridade”?…”

    Abç

  12. A redução dos gastos do governo impulsionou o crescimento da economia???

    Céus! Como isso é possível? O governo é o motor da economia!

    * * *

  13. Não concordo que o governo seja o motor da economia. Quando isto acontece, teremos países em crise econômica como o Brasil.
    Sugiro que o estado seja mínimo, cuidando estritamente de saúde, educação e segurança. Em todos os países, governos tendem a ser ineficientes.
    O estado não deve entrar em setores que são função de empresas privadas.
    O estado deve ser mínimo e apenas regular os diversos setores.

  14. Leandro, claro que o banco tem como deixar o dinheiro parado. O banco decide se quer emprestar ou não. Pode inclusive abarrotar seus cofres. O BCE só quer que eles emprestem mais, estão segurando a grana. Inflação tá 0% com risco de deflação. Falta mesmo é desmontar o tal “estado de bem estar social”.

  15. Duas dúvidas de um principiante:

    1) O conteúdo do artigo tem algo a ver com a Teoria da “Economia do Lado da Oferta”?

    2) Até que ponto as ferramentas “Oferta e Demanda” que aprendi na faculdade são importantes? Elas servem para explicar por que uma expansão artificial de crédito leva a um ciclo econômico, por exemplo?

  16. Os economistas do governo não aprenderam nada com a estagnação de vários países.

    É só analisar Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Japão, etc. Esse alto endividamento travou tudo, mesmo sendo países muito desenvolvidos.

    O povo precisa ser extremamente educado e inteligente para conseguir pagar as contas do governo.

  17. Uma dúvida: Quando o governo gasta mais do que arrecada e faz o que faz atualmente quando disse qua não vai pagar os juros da dívida, isso explica porque os juros são tão altos no Brasil? No caso o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo. O pessoal da esquerda reclama disso e curiosamente se recusam a enxergar que o problema é justamente o nababesco governo. Mas somente isso explica essa taxa pornográfica de juros, ou tem algum esquema de propina entre o BACEN e os bancos? Porque na época que o real estava ancorado ao dolar a taxa chegou a incríveis 40% para manter a moeda valorizada. Isso procede?

  18. Alexandre Aniceto

    Vale a pena afirmar que na Irlanda os gastos com as forças armadas equivalem a 0,5% do PIB, já as forças armadas brasileiras, com seu sistema indecente de aposentadoria, gastam 2,5% do PIB.

  19. Um estado gastador em que o Pib não cabe dentro do estado terá muitos problemas para se refinanciar. Veja o cado do Brasil: hoje gastamos anualmente mais de R$ 500 Bi em pagamento de juros. Para compararmos, o programa bolsa família investe por ano R$ 25 Bi. É uma grande distorção. O Brasil nos próximos anos terá tarefas árduas e doloridas para sanar suas despesas.

  20. Alexandra Moraes

    Pagamos anualmente mais de R$ 500 bilhões em pagamentos de juros. Isto é indecente. E por que isto acontece? Porque temos um estado que gasta mais do que arrecada. Simples. Se nada for feito, estaremos quebrados nos próximos anos.

  21. Tenho participado mais ativamente da politica aqui na minha cidade, interior de SP, e o orçamento da cidade para o ano de 2016 é de aproximadamente 900 milhões de reais, 30 milhões foram destinados a câmara dos vereadores que tem 114 funcionários. O ano passado foi gasto 30 milhões com salários para cargos de confiança e comissionados.

    Enquanto isso a cidade patina e não se desenvolve.

    Meu ponto, o sistema politico no Brasil é podre e NUNCA veremos uma consciência e austeridade com gastos públicos. O sistema canaliza todas suas forças para deixar o país, o estado e municípios estáticos. Não tem como combater isso.

    tenho dialogado com os vereadores da cidade para fiscalizarem com mais afinco os gastos da prefeitura, mas toda sessão só debatem nomes de ruas, moções de apoio e, pasmem senhores, o prefeito está dando uma parte do horto florestal aos sem terras e nenhuma vereador se movimenta.

    EU DESISTI desse país faz muito tempo. Sonho com o dia em que nosso executivo irá cortar gastos do governo e nos deixar prosperar como nação.

    Alguém tem alguma proposta ou projeto para lutar e mudar esse nosso contexto local?

  22. Corretissímo: “A adoração pelos gastos do governo não é patrimônio exclusivo da esquerda. Todos os governos, independentemente de suas ideologias, raramente fazem um ajuste do setor público; eles preferem impor todo o ajuste ao setor privado, elevando impostos.”

  23. Alexandra Moraes

    Independente de esquerda e direita, todos os governos, não importa a ideologia, realmente farão uma reforma no setor público. O Estado é um gastador. Gasta muito mais do que pode. A despesa fica muito além da arrecadação. Com certeza a fatura dos tempos da NOVA MATRIZ ECONÔMICA será repassada à sociedade.

  24. O governo não pode gastar mais do que arrecada. O governo tem caber dentro do Pib. Temos uma das maiores taxas de juros do mundo em função da farra em gastança. Não conseguimos economizar e ano após ano nossa economia apresenta déficit. Estamos bastante longe de apresentar superávit primário. Dessa forma, seremos extorquidos pagando juros. Por ano são mais de R$ 500 bilhões. É muito dinheiro. Para uma referência: o bolsa-familía dispende R$ 25 bi anuais.

  25. O Meirelles só está mantendo os gastos e defendendo que não haja aumento real. Serão apenas correções baseadas na inflação.

    Isso já é uma evolução, porque o governo estava gastando mais do que arrecadava e acima da inflação. Ou seja, o crescimento do PIB não estava aliviando as despezas.

    Se isso for aprovado, pelo menos vai começar a sobrar um pouco de dinheiro, se o PIB/arrecadação crescer.

    O problema pode ser resolvido em algumas décadas, se não aparecer outro maluco pra torrar tudo.

    A situação é muito pior do que a divulgada na mídia. Os juros já deveriam estar consumindo 335 bilhões de superávit primário e esse calote está sendo pedalado. Ou seja, um ajuste fiscal que deve ser realizado de 171 anos.

    O país precisa reduzir a dívida líquida para abaixo de 20% do PIB. Isso iria reduzir o superávit primário e sobrar mais dinheiro para o governo, sem precisar aumentar impostos. Enfim, eles criaram as dívidas e agora reclamam que existem juros altos.

  26. Se possível, gostaria que o Leandro (ou outro entendido do assunto) colocasse aqui o tamanho do buraco:

    1. Dívida Bruta Tesouro:
    2. Dívida Petrobrás:
    3. Dívida BNDES:
    4. Outros:

    5. TOTAL:

    Além disso, informar também a despesa com juros em 2015 e a receita de juros/dividendos em 2015 para compararmos, já que “você sabe quem” gosta de dizer que o que vale é a dívida líquida.

    Outra notícia importante, Leandro, poderia mencionar em algum artigo ou comentar aqui mesmo sobre o “Fundo Soberano”, que foi queimado em ações da Petrobrás.

  27. Espero o dia que nós liberais seremos maioria suficiente para abolir o governo e fazer a transição para uma sociedade livre. Por enquanto ainda há muito medo da população, pois ficam com aquela velha desconfiança de que se trata de uma conspiração dos ricos contra os pobres.

    Ser liberal e anarcocapitalista é ser contra o estado, que é a fonte dos privilégios, da desigualdade e da opressão, que só serve para atrapalhar a prosperidade de um país.

  28. Eu só vejo gente dizendo “cortar gastos! cortar gastos” E a manutenção com a divida publica? (277,3 bilhões)?
    Não daria para utilizar as “reservas internacionais” para quitar parte da divida, e vender ativos e quitar o restante?
    Tecnicamente, “sobrariam” 277,3 Bi para investimento….

  29. Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política…e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos “fantasmas”. O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é [email protected]

  30. mauricio barbosa

    Esse dinheiro do Bndes será devolvido a longo prazo,mas com baixo retorno exemplo de cada 100,00 emprestados,se for devolvido 90,00 será muito,é lógico que não foi doado,mas nas condições em que foram negociados esses financiamentos até eu que sou mais tolo gostaria de captar esse dinheiro não tenham dúvidas e realmente o “dinheiro´publico”é dinheiro da viúva(Nosso,não importando com o quantum somos assaltados)nas mãos destes trambiqueiros e cínicos…

    OBS:Só acabando com este banco para moralizar.Os empresários são seduzidos pelo canto da sereia deste banco de fomento e assim financiam os demagogos que depois abrem os cofres fartos desta instituição financeira desnecessária.

    Até quando vamos aguentar isso impotentemente,só Deus sabe.

  31. Discordo.
    Acho muito mais importante limitar que cortar.
    Se voce limita, muito provavelmente tera que cortar.
    Cortar este ano, o proximo, o proximo … porque tem um limite.
    O limite trava de uma vez por todas.
    E depois basta ir baixando o limite ate chegar no estado minimo.

    Se voce apenas corta e não coloca um limite, este ano voce corta, mas no proximo aumenta.

  32. Felicitações pelo artigo reeditado nesta data, que alias é oportuno para este 25 de março, dia dedicado à indústria, que impiedosamente foi solapada na última década. Destarte, ciente que não há gap para elevação da carga tributária, ontem o ministro Meirelles disse que por ora deixará o aumento da carga tributária em standby, porém se o tema for retomado e aprovado pelo congresso, seguramente os minguados segmentos produtivos remanescentes serão exterminados. É inconcebível para um país emergente tamanha irracionalidade que o deixa a margem da competitividade internacional.

  33. O brasil precisa simplificar seu governo, zerando os impostos, preservando os Direitos Trabalhistas, a Saúde, a Propriedade, as Estradas, a Segurança e a Previdência Social. O resto: LIXO.

  34. Michel Temer, mais por necessidade do que por ideologia, está tentando seguir o caminho trilhado pela Irlanda – ainda meio capengueando, mas vai na direção da responsabilidade fiscal. Como bem referido neste post do IMB, qualquer referência a corte de gastos públicos já causa arrepios na espinha da mídia “especializada” brasileira. Sobre isso, redigi um artigo, tratando da guinada Liberal (ou quase) pretendida pelo PMDB. Abraços.

    https://bordinburke.wordpress.com/2016/05/18/quando-o-minimo-e-maximo/

  35. Agora mesmo, um dos maiores, se não o maior laboratório americano, está querendu mudar a sede para a Irlanda, onde o imposto de renda corporativo é de 16%. A imprensa conservadora tem comentado bastante o caso e criticado a resistência governamental em tentar embaraçar o deslocamento da sede da empresa.

  36. Se governo fosse o motor da economia, como quer o Émerson Luís, todos os países do planeta estariam bem, principalmente os socialistas e assemelhados.

  37. Se o Brasil reduzisse o IRPJ E CSLL para 10%, nós seríamos a nova China.

    A mão de obra no Brasil custa menos de 500 dólares. A mão de obra pode ter problemas, mas não é cara.

    O brasileiro quer empreender. Em 2014, foram abertas mais de 1,8 milhão de empresas.

    O governo está destruindo o crescimento da economia.

    O governo quer explorar as pessoas de todas as formas, sejam empregados, empresários, autônomos, camelôs, etc. Por exemplo, até os médicos estão pagando 6% de imposto. Temos que pagar para salvar vidas.

  38. O caso brasileiro ilustra bem o que acontece. Por ser um Estado que gasta mais do que arrecada, hoje pagamos um juros anual de R$ 600 bilhões, o que representa mais de 26 programas anuais de Bolsa-família. A idéia de Keynes é que os gastos do governo estimulam a “demanda agregada” e desta forma está-se impulsionando a prosperidade do país. Keynes entende que gastos do governo geram maior demanda, e maior demanda gera mais produção, mais emprego e mais riqueza. No entanto, esta idéia é totalmente fora de propósito pois gastar mais do que se recebe implica se endividar continuamente gerando inevitavelmente a falência do endividado, uma vez que a dívida, ao se tornar cada vez maior, faz com que seus juros sejam impagáveis.

  39. Alguém já viu esse novo filme Money Monster com Julia Roberts e George Clooney? Pelo trailer me parece mais um chororo socialista que tenta mostrar os capitalistas como sugadores insensíveis e ao mesmo tempo isentando o estado de qualquer culpa em relação as crises econômicas.

  40. Assaltado pelo PT

    A esquerda odeia a liberdade.

    O IRPJ e CSLL são 10% da arrecadação federal do Brasil. Taxar quem produz só destrói a economia, causa mais sonegação, mais burocracia para fatiar empresas, menos investimentos, menos estabilidade.

    O resultado é um povo cada vez mais escravizado, mais pobre, mais desempregado, mais miserável.

  41. caso brasileiro ilustra bem o que acontece. Por ser um Estado que gasta mais do que arrecada, hoje pagamos um juros anual de R$ 600 bilhões, o que representa mais de 26 programas anuais de Bolsa-família. A idéia de Keynes é que os gastos do governo estimulam a “demanda agregada” e desta forma está-se impulsionando a prosperidade do país. Keynes entende que gastos do governo geram maior demanda, e maior demanda gera mais produção, mais emprego e mais riqueza. No entanto, esta idéia é totalmente fora de propósito pois gastar mais do que se recebe implica se endividar continuamente gerando inevitavelmente a falência do endividado, uma vez que a dívida, ao se tornar cada vez maior, faz com que seus juros sejam impagáveis.

  42. A matemática explica as crises econômicas.

    O IRPJ e CSLL são mais altos do que em outros países. O dólar encareceu o petróleo. O dólar aumentou o preço do transporte de conteiners. A burocracia aumenta custos de produção. Os preços controlados geram escassez e aumento em médio prazo. Os gastos públicos em copa, olimpíada e obras desnecessárias retiram o dinheiro das empresas. Os gastos do governo aumentam os juros e impostos. As escolas públicas não conseguem ensinar matemática. As bolsas, meia entrada e meia passagem aumentam os preços para quem paga tarifa cheia. Os funcionários públicos ganham salários acima do mercado.

    Enfim, chega a ser uma competição ridícula entre produtos nacionais e importados. O protecionismo não vai ajudar a arrumar uma situação destrutiva do governo. É uma questão básica de matemática.

  43. O caso brasileiro ilustra bem o que acontece. Por ser um Estado que gasta mais do que arrecada, hoje pagamos um juros anual de R$ 600 bilhões, o que representa mais de 26 programas anuais de Bolsa-família. A idéia de Keynes é que os gastos do governo estimulam a “demanda agregada” e desta forma está-se impulsionando a prosperidade do país. Keynes entende que gastos do governo geram maior demanda, e maior demanda gera mais produção, mais emprego e mais riqueza. No entanto, esta idéia é totalmente fora de propósito pois gastar mais do que se recebe implica se endividar continuamente gerando inevitavelmente a falência do endividado, uma vez que a dívida, ao se tornar cada vez maior, faz com que seus juros sejam impagáveis.

  44. Viram essa?

    PIB da Irlanda cresce 26,3% em 2015, deixa economistas “sem palavras” e causa mal-estar no país

    Parece mentira, mas não é. Um país da zona do euro, que sofreu para reerguer a sua economia e já fez parte do famigerado grupo PIGS, registrou uma alta inexplicável do PIB (Produto Interno Bruto) no ano de 2015: a Irlanda viu sua economia explodir 26% no ano, anunciou o departamento de estatísticas do país no início desta semana. Anteriormente, eles haviam apontado estimativas de crescimento de 7,8% no ano. Esse anúncio deixou muitos economistas sem palavras para explicar esse crescimento sem paralelos no mundo inteiro, conforme destacou a Bloomberg. […]

    A economia irlandesa registrou essa “explosão” por conta de fatores extraordinários e em meio às especificidades da atividade do país.

    http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/5315754/pib-irlanda-cresce-2015-deixa-economistas-sem-palavras-causa-mal

  45. Sob risco de ser linchado nas respostas, eu pergunto (pois é melhor admitir uma ignorância do que morrer sem esclarecê-la): por que motivo os cortes no orçamento não tiveram o mesmo efeito na Grécia, ao contrário, aprofundaram sua crise?

  46. Por aqui os impostos tem que ser altos pra sustentar essa classe política corrupta, pra eles pouco importa se o economia vai bem ou mal. Por lá os deputados ganham em torno de 22 mil por mês, por aqui é quase o mesmo, mas tem mais de cem mil por mês em penduricalhos!

  47. Bom

    A principal crítica ao artigo e que a métrica que importa é o pib percapita, visto que, o mesmo pode ser mascarado pela demografia.

    Uma métrica que eu acho mais válida e o pib por trabalhador .

    Abraço

  48. Alexandre Schmitt

    Diferente do que se diz no artigo…o aumento das exportacoes se deu por conta da desvalorizacao realizada pelo BC EUROPEU, isso esta em uma das fontes hiperlinkadas por vcs

  49. Não entendi esse dado que a Irlanda tinha 60% dos gastos sobre o PIB, nem os Nórdicos que gastam muito possuem esse gasto desse tamanho. Banco Mundial diz outra coisa pelo menos:

    data.worldbank.org/indicator/NE.CON.GOVT.ZS

  50. Mas de 29% sobre o PIB ainda continuam bem elevados ne? No Brasil que são “apenas” 20% são imensos…ao meu ver, Irlanda ta bem longe de ser um exemplo se ainda mantém esses gastos de quase 30% sobre o PIB

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