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O filme “A Grande Aposta” e os mercados – os reais culpados tiveram um passe livre

Já estreou no Netflix “A
Grande Aposta
” (The Big Short), baseado
no livro
homônimo
de Michael Lewis sobre a crise financeira de 2008.  O filme é ao mesmo
tempo excelente e terrível.

Em termos de narrativa sobre uma bolha financeira, e
de todas as manias que ela gera, o filme é espetacular.  Mas em termos de analisar as reais causas
dessa bolha ou mesmo de apresentar um caminho para soluções futuras, o filme é
um desastre.

Não há dúvidas de que o filme está tendo um grande
impacto e está sendo propagandeado como “o filme” a ser visto sobre o evento
econômico desta geração.  Os críticos do The New York Times afirmaram que o filme merece ser o ganhador do
Oscar de melhor filme.  Paul Krugman
concorda, dizendo
que
: “Creio que o filme faz um excelente trabalho em mostrar de maneira
divertida as trapaças de Wall Street… o filme mostra corretamente as partes
essenciais da crise financeira.”

Por
que os odiadores do mercado adoraram

Krugman e companhia gostaram do que viram porque o
filme deixa de fora — sim, ignora por completo — qualquer discussão sobre o
principal culpado pela crise financeira. 
Sim, os bancos forneceram crédito fácil para todos, mas quem
possibilitou esse crédito fácil? 

O culpado da crise financeira não foi a “ganância”
de Wall Street, mas sim as
políticas monetárias e de crédito fácil do Federal Reserve (o Banco Central
americano) e do próprio governo americano

Wall Street ficou bêbada, mas quem serviu as bebidas foi o Fed e quem
obrigou as pessoas a se embebedaram foi o governo americano por meio de políticas voltadas para a
facilitação da aquisição de imóveis

É estranho que esses dois tenham ganhado um passe livre no filme.  O filme, aliás, mal alude a qualquer fator
exógeno.

Por isso a turma defensora de mais regulação está
vibrando.  Aos espectadores do filme não
é fornecida nenhuma informação explicativa sobre os verdadeiros fatores
causadores da crise financeira. 
Consequentemente, esse vácuo é preenchido pela mera afirmação de que os
bancos simplesmente adoram espoliar as pessoas. 
[N. do E.: o que é verdade, como detalhado neste artigo;
mas culpar apenas os bancos é desonestidade intelectual e pura manifestação
ideológica].

Para ser franco, se você for assistir a esse filme
já possuindo algum conhecimento sobre economia e sobre política monetária, todo
o resto da narrativa fará sentido.  É
óbvio que Wall Street fez besteira e nem poderia ser diferente, considerando todas as políticas criadas
pelo governo americano para facilitar e incentivar empréstimos para a aquisição
de imóveis
.  Não há intervenção que
não gere consequências não-premeditadas.

No entanto, se este filme fosse a sua primeira e
única exposição à história da crise financeira, e você nada soubesse sobre ela,
é fácil entender por que uma pessoa sairia da sala do cinema pensando: “Nossa,
Wall Street e todo o sistema capitalista não passam de um grande esquema
fraudulento!  Precisamos
desesperadoramente de um governo poderoso para controlar tudo isso!”  Sendo que foi o governo quem incentivou tudo isso…

Mas há também pontos positivos e temos de ser
justos: o filme também mostra, e de maneira competente, como os grandes bancos
comerciais, os bancos de investimento, as agências de classificação de risco e
os reguladores trabalharam
em conluio
para aproveitarem ao máximo o período do inchaço da bolha e, ao
mesmo tempo, postergarem até o ultimo minuto possível o estouro da bolha e a
subsequente correção.

Como novas regulações iriam corrigir isso é algo que
ninguém explica — afinal, quem irá regular os reguladores?

O
mérito do filme

A maior virtude de A Grande Aposta está em explicar os bizarros produtos financeiros
que haviam se tornado moda antes da crise. 
E o filme faz um trabalho magistral em explicar como funciona um “título
lastreado em hipotecas” (mortgage-backed
security — MBS
), e como este
título se transformou em uma “obrigação lastreada em dívida” (collateralized
debt obligation — CDO
), e em seguida em um “CDO sintético”, sendo então
despejado no mercado como um “investimento de qualidade” (por obra e graça das
agências de classificação de risco, que usufruem um monopólio
concedido pelo governo
).

Analisando-se puramente como uma peça de jornalismo
descritivo, o filme faz um grande serviço ao desnudar os disparates financeiros
— que haviam se tornado moda à época — e revelar toda a insustentabilidade da
bolha imobiliária e do boom financeiro da primeira metade da década de 2000.

Adicionalmente, qualquer filme que consiga descrever
de maneira interessante o mercado financeiro e os ciclos econômicos é digno de,
no mínimo, uma menção honrosa.  Tais
filmes nos lembram do quão importante é a economia em nossas vidas.  A economia é o instrumento teórico que nos
permite entender como os seres humanos estão evoluindo em sua permanente
batalha contra a pobreza, contra a insegurança, contra as doenças e contra a
morte prematura, e é por isso que o assunto merece ser estudado por qualquer
pessoa.

Há outro aspecto excelente em A Grande Aposta.  O filme
sutilmente transforma especuladores — mais especificamente aqueles que fazem “vendas a descoberto
(os short-sellers), apostando que os
valores financeiros das ações e dos títulos irão cair — em heróis.  Já era hora. 
Especuladores sempre foram demonizados como inimigos do povo.  Já o filme, corretamente, mostra que especuladores são
pessoas dispostas a correr altos riscos baseando-se em uma opinião majoritariamente
contrária à opinião dominante, desta forma efetuando o valioso feito de moderar
a exuberância quando esta se torna injustificada.  Sendo assim, é interessante constatar que a
esquerda, ao vibrar com o filme, está explicitamente concedendo aos
especuladores status de heróis.  Que bom.

Estranhamente, o filme critica a ganância e a
riqueza de Wall Street, mas acaba celebrando um punhado de especuladores espertos
que ganharam bilhões de dólares apostando contra milhões de infelizes compradores
de imóveis.  Talvez de maneira não
intencional, A Grande Aposta despreza
décadas de retórica esquerdista contra os especuladores — especialmente contra
os especuladores que fazem “vendas a descoberto”, as quais derrubam os valores
dos ativos –, e os transforma em gênios quem merecem cada centavo de seus
ganhos.

Krugman pergunta se o filme mostra a história de
maneira correta, e ele próprio responde que sim, embora alerte que os elos
causais nem sempre são explicitados.  Ele
está correto quanto a isso.  A Grande Aposta é uma grande história
sem uma teoria coerente.  Qualquer que
seja a teoria que você traga para o filme, esse será a teoria que você verá
sendo reforçada pela narrativa.

Assim como uma perspectiva keynesiana pode ser lida
no filme, uma perspectiva pró-mercado sobre como o colapso de um setor
imobiliário — que foi artificialmente inflado pelo governo e pelo Banco
Central — deixou de joelhos alguns dos mais poderosos agentes de Wall Street
também pode ser encontrada.

A
narrativa ausente

Sem uma teoria robusta, A Grande Aposta trata as atividades no mercado financeiro antes do
colapso como se fossem apenas um esquema malicioso.  Os corretores imaginavam que haviam
descoberto um caminho mágico para a riqueza infinita e se tornaram
horrivelmente céticos em relação à artificialidade de tudo aquilo, empurrando
papeis sem nenhum valor para compradores que nada suspeitavam.  É essa percepção que sustenta os reiterados
pedidos de processos criminais contra os presidentes dos bancos e das
corretoras.

Para um olhar mais realista, e mais humano, da
maneira como os mercados financeiros funcionam, o filme Margin Call – O Dia Antes
do Fim
(N. do E.: em exibição no
Netflix
) fornece uma excelente “visão dos bastidores” durante um dia
dramático em um fundo de investimentos.

Essas empresas não eram, como um todo, conduzidas
por criminosos.  Ao contrário, elas
estavam simplesmente obedecendo aos sinais de mercado que chegavam até elas,
exatamente como deveriam fazer (ao menos em teoria).  Elas criaram um modelo que presumia que o
comportamento passado persistiria no futuro. 
O modelo funcionou — até o momento em que parou de funcionar.

Quando chega este momento, tudo se torna uma questão
de vida ou morte nos negócios.  A pressa
para sair do mercado antes do colapso leva a uma liquidação de títulos — que
brevemente não valerão mais nada — a preços vigentes de mercado.  E quando o valor dos títulos cai a zero, as
cabeças rolam.  Até aí, o mercado estava
funcionando exatamente como deveria, ou seja, corrigindo os excessos e punindo
os culpados.  Mas então os mais poderosos
jogadores da indústria foram socorridos por políticos que utilizaram caminhões
de dinheiro de impostos.

O filme Margin Call – O Dia Antes do Fim
mostrou que o mercado financeiro estava funcionando como deveria, seguindo os
sinais de lucros e prejuízos que estavam sendo emitidos.  Este filme é tão interessante quanto — ou
talvez ainda mais interessante que — A
Grande Aposta
.  O drama é intenso e o
filme é eletrizante para quem possui o mínimo interesse em mercados
financeiros.

No entanto, a pergunta que nem A Grande Aposta e nem Margin Call – O Dia Antes do Fim
abordam é exatamente aquela que todos deveriam estar fazendo: como foi que
tantas pessoas espertas erraram de maneira tão fragorosa e
simultaneamente? 

É aí que temos de lidar com o delicado sistema das
taxas de juros e com a maneira como os juros foram distorcidas por meio 1) das
políticas monetárias do Fed, 2) de empréstimos subsidiados pelo governo
americano, e 3) de atitudes temerárias de corretores que sabiam que, caso algo
desse errado, seus bancos certamente seriam socorridos pelo governo, pois eram
considerados “grandes demais para quebrar”.

A
máquina de criar dinheiro

Para entender o que houve, o melhor documentário disponível
é Money for
Nothing: Inside the Federal Reserve
 [N. do E.: e o mais completo
artigo em língua portuguesa é este].  Esse documentário entrevista pessoas do alto escalão
do Fed.  Ele acompanha a carreira de Alan
Greenspan e de Ben Bernanke, e como suas visões sobre a política monetária mais
adequada foram se alterando.

Neste documentário encontramos as evidências da real
causa do problema.  Após os ataques
terroristas de 11 de setembro de 2001, e em decorrência das guerras no
Afeganistão e no Iraque, o Fed embarcou em uma política monetária extremamente
expansionista.  O Banco Central americano
derrubou as taxas de juros continuamente e o governo americano, se aproveitando
dos juros baixos, criou programas que subsidiavam empréstimos para a compra de imóveis,
gerando uma atmosfera de vale-tudo.  Agências
para-estatais — Fannie Mae e Freddie Mac — foram estimuladas pelo governo a
financiar toda e qualquer hipoteca.  A ideia
de se tornar proprietário de imóveis se tornou praticamente uma doutrina
religiosa, e todo o aparato regulatório, monetário e burocrático assumiu a função
de fazer tudo acontecer.

O resultado foi a formação de volumoso e amplo conjunto
de erros.  E é exatamente isso que tem de
ser explicado.  Sim, é claro que os
participantes do mercado cometem erros.  Mas
como é que repentinamente todo mundo começa
a errar
?  Por que os erros dessas
pessoas se concentraram exclusivamente no mercado imobiliário e em nenhum outro
setor?  E por que eles cometeram erros no
setor imobiliário neste período e não em períodos anteriores?

Qualquer explicação que não aborde diretamente essas
perguntas não está indo ao âmago do problema, e não pode ser considerada como
uma retratação realista do que ocorreu.

Dependendo do seu conhecimento prévio, o filme A Grande Aposta — por mais divertido
que seja — pode ser extremamente enganoso. 
Não é que ele esteja totalmente errado; ele é apenas incompleto.  Uma pessoa que tente vender uma explicação
para a crise financeira de 2008, e que não mencione as políticas monetárias do
Fed e nem as políticas do governo americano voltadas para o subsídio da compra
de imóveis, é tão confiável quanto um corretor que ofereceu um título podre como
sendo um ótimo investimento em 2007.

Por que devemos nos importar com como a crise de
2008 é interpretada?  Porque, assim como
a crise de 1929, a história que contamos está diretamente relacionada com as políticas
que são posteriormente implantadas.  Se a
crise de 2008 representou o fracasso do capitalismo, então novas e maciças regulamentações,
mais poderes dados a políticos e mais impostos talvez façam sentido.  Agora, se a crise de 2008 decorreu de políticas
monetárias e governamentais ruins, então as políticas futuras a serem adotadas serão
bem distintas.

_________________________________

Leituras
obrigatórias:

Como ocorreu a crise
financeira americana
 

Uma crítica chicaguista à
Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos


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104 comentários em “O filme “A Grande Aposta” e os mercados – os reais culpados tiveram um passe livre”

  1. O Inside Job é outro documentário, eu diria Mockumentário, feito por um cara de esquerda, com opiniões exclusivas de um lado, entrevistas embaraçosas, que tenta apontar o mercado financeiro como culpado de tudo, mas que, sem se dar conta, tal qual o filme A Aposta em questão, demonstra que o Estado é o maior culpado pelas crises, ao mimar o sistema financeiro com seus planos de socorro $$$$(bailouts).

  2. Excelente! Esse tipo de artigo (ou mesmo os mais curtos publicados no Blog) com comentários sobre fatos atuais são sempre bem-vindos.
    Ainda não vi o filme, mas já vi muitos esquerdistas fazendo basicamente os comentários citados no texto – como o capitalismo é malvado, como o governo tem que regular tudo isso antes de uma catástrofe ainda maior, e por aí vai

  3. Eis o que diz o juiz Richard Posner, no livro intitulado “A Failure of Capitalism”:

    “Posner analyzes the two basic remedial approaches to the crisis, which correspond to the two theories of the cause of the Great Depression: the monetarist—that the Federal Reserve Board allowed the money supply to shrink, thus failing to prevent a disastrous deflation—and the Keynesian—that the depression was the product of a credit binge in the 1920s, a stock-market crash, and the ensuing downward spiral in economic activity. Posner concludes that the pendulum swung too far and that our financial markets need to be more heavily regulated.”

    http://www.hup.harvard.edu/catalog.php?isbn=9780674060395

    Além desse “diagnóstico”, vale notar que a EAE sequer se encontra no raio de compreensão do autor.

    Ainda bem que existem obras que tratam da crise sob o viés austríaco-livre-mercadista:

    http://www.amazon.com/Free-Our-Markets-Essential-Economics-ebook/dp/B00EK3NVL8/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&qid=&sr=

    A parte III desse livro do Howard Baetjer Jr. mostra as consequências nefastas que cada intervenção estatal foi gerando na economia.

    E há também essa obra austríaca sobre ciclos (para além, claro, das mais conhecidas, como a do Huerta de Soto):

    https://mises.org/library/it-didnt-have-be-way

  4. Filme que critique o governo? Sem chance.
    É até bom que a esquerdalha argumente usando o filme, vai ser divertido tripudiar em cima das fontes de seus estudos econômicos.

  5. Boa leitura do filme. Realmente os “especuladores” a descoberto, representados pelas figuras emblemáticas do Christian Bale tocando bateria, e do Brad Pitt “ecológico”, acabam sendo idolatrados como os bons heróis contra o “maldito sistema”. E a narrativa onipresente, de que toda a crise foi culpa da manipulação inescrupulosa dos bancos de Wall Street, é mais uma vez reforçada no filme.
    Mas escrevo para ressaltar o que considero o principal argumento da análise liberal desta crise: na raiz do problema estavam duas empresas para-estatais (como rotuladas no artigo), Fannie Mae e Freddie Mac, que atuavam com garantia direta do governo americano, e que detinham na época metade de todo o mercado de hipotecas dos EUA. Ou seja, mais uma vez temos a presença do Estado como gerador ou multiplicador das bolhas financeiras.

  6. "…Estranhamente, o filme critica a ganância e a riqueza de Wall Street, mas acaba celebrando um punhado de especuladores espertos que ganharam bilhões de dólares apostando contra milhões de infelizes compradores de imóveis. Talvez de maneira não intencional, A Grande Aposta despreza décadas de retórica esquerdista contra os especuladores — especialmente contra os especuladores que fazem “vendas a descoberto”, as quais derrubam os valores dos ativos —, e os transforma em gênios quem merecem cada centavo de seus ganhos."

    "…Krugman pergunta se o filme mostra a história de maneira correta, e ele próprio responde que sim, embora alerte que os elos causais nem sempre são explicitados. Ele está correto quanto a isso. A Grande Aposta é uma grande história sem uma teoria coerente. Qualquer que seja a teoria que você traga para o filme, esse será a teoria que você verá sendo reforçada pela narrativa."

    Realmente nessas passagens fica explicito que sem uma teoria sólida e coerente qual a da escola austríaca,qualquer professor socialista de escola pública,particular ou cursinho destruiria essa parte do filme em que o livre-mercado é compreendido e os especuladores são bem vistos,pois eles viriam com aqueles argumentos esdrúxulos que mais confundem do que explica e esclarece,mistificando o assunto (Com teorias conspiratórias da ganância de Wall Street e tal)colocando o mercado como o vilão de sempre e o estado como a vítima perfeita de sempre dos lobos capitalistas e outros adjetivos que fundem a cabeça de qualquer neófito que ao ficar perdido acaba engolindo essas baboseiras anti-capitalistas e principalmente anti-liberdade e digo isto pois também já fui vítima destas teorias furadas e "ficava mais perdido do que cego em tiroteio",precisamos mudar esse jogo antes que seja tarde,e o IMB é peça importante nessa mudança ou não?

  7. Boa tarde!

    Quando fizerem algum artigo sobre filme sugiro observar no título se contem spoiler…
    Parei de ler no começo qdo percebi que contem e me parece que o correto na frase abaixo do 4º parágrafo seria “fora” ao invés de “forma”, confere?

    “…Krugman e companhia gostaram do que viram porque o filme deixa de forma…”

    De qqer maneira tenho certeza que qdo ler, novamente irei concordar com 99,9% das ideias do artigo.
    Abç,
    André

  8. Alguém por favor pode explicar (sob o ponto de vista austríaco é claro) o que é uma venda à descoberto e por quê ela derruba o preço dos ativos?

  9. Wellington Kaiser

    Aproveitando o gancho sobre o setor imobiliário. Estou pensando em comprar uma apzinho (me caso esse ano), não como investimento, mas para uso próprio. Consigo financiamento de 7% ao ano, dando sinal de 10%. Acham um bom momento para comprar?

  10. Os banqueiros são sim os grandes culpados pelas crises econômicas. São eles que controlam as ações dos governos. São eles quem mais têm margem para subornar políticos. Muitos deles fazem parte do governo. Eles decidem quem ganha as eleições. E são eles mesmos que influenciam o valor da taxa básica de juros. Banco Central é um ente privado travestido de público. Isso em qualquer país do mundo. Presidente é fantoche de banqueiros. Se cuspir no prato que come, eles o derrubam. São eles que controlam a mídia. São eles quem definem os rumos da maioria das nações. E o objetivo é sempre o mesmo: poder para obtenção de altíssimos lucros através do menor esforço possível. E todo esse meu comentário é totalmente austríaco, e garanto que a maioria dos comunistas concordariam.

  11. Uma crise no capitalismo é absolutamente natural. Como não existe forma de ter certeza de saber do que as pessoas necessitam, o erro sempre terá grandes chances de ocorrer. Tentar achar culpados entre governantes e banqueiros é perda de tempo, pois não existe oposição entre esses dois grupos, o sistema é um só e funcionará apenas enquanto estiver as duas partes trabalhando em conjunto. Todo esse esforço não passa de uma necessidade de encontrar e punir o culpado pela crise e pela “injustiça” que o sistema parece nos levar.

    ….

    Sobre o artigo, gostei da análise do filme.

  12. Eu vi o filme e também fiquei com o mesmo pensamento, no final até falei para outros dois amigos (que fazem economia) que o principal culpado por toda a crise não apareceu, e obviamente eles nem tinham essa visão pois seguem o mainstream.

    Mas vamos continuar tentando mostrar a realidade para as pessoas que quem sabe um dia caia a ficha, mas enquanto isso aguardemos a nova bolha ser inflada quando as reservas em excesso dos bancos forem despejadas na economia pelo FED, e por enquanto segue o baile…

  13. Outro detalhe para tu refletir Eduardo,os banqueiros privados são conservadores em suas políticas de crédito(No caso brasileiro especificamente crédito livre)ou seja eles não entram de qualquer jeito na farra creditícia igual os bancos públicos(No caso brasileiro especificamente credito direcionado)tem entrado de sola e que eu saiba eles só entram nessa farra quando tem o suporte estatal e é isto que o artigo quer mostrar no caso norte-americano e o faz com competência ao citar “Agências para-estatais — Fannie Mae e Freddie Mac — que foram estimuladas pelo governo a financiar toda e qualquer hipoteca”,portanto com este aval qual é o banco que vai perder tempo peitando e condenando o governo por suas políticas insanas,vai mais é lucrar e esperar o socorro do Fed se precisar e voltando ao caso brasileiro,a bolha de crédito(Crédito direcionado)do bndes está sendo compartilhada pelos bancos particulares(São parceiros do bndes)por saberem que em último caso(Inadimplência generalizada)serão resgatados em conjunto pelo banco central e tesouro nacional,ai até eu que sou mais bobo entraria de sola nessa farra,mas,não sou privilegiado e estou farto de sustentar estes esquemas fraudulentos onde o ônus da prova não é nosso,mas sim do meliante do estado…

  14. Alguém por favor saberia me indicar artigos ou livros em português e inglês explicando a crise subprime de acordo com o modelo econômico libertário (e único verdadeiro por sinal) ?

    *OBS: Todos daqui do site eu já li.

  15. Os banqueiros são o próprio sustentáculo do estado, não há distinção entre banqueiros e estado. Caso os banqueiros atuais fossem hipoteticamente extintos, e sobrassem somente os políticos, e estes passassem a controlar todo o sistema financeiro como em um regime comunista, eles mesmos seriam os banqueiros e a desgraça continuaria, só que agora mais poderosa e concentrada. Do jeito que é hoje, os banqueiros ficam só por trás dos bastidores, controlando os políticos e a sociedade em geral com o seu “joystick” virtual (a taxa básica de juros que o governo divulga como se fosse ele mesmo quem a definisse, hahahaha…). Não existe isenção para banqueiros no sistema atual, ilusão achar qualquer resquício de inocência por parte deles.

  16. O que esse site acha dos especuladores de imóveis? algumas pessoas comprando na planta para vender mais caros no futuro enquanto milhões de brasileiros ficam impossibilitados de conseguir uma casa própria.

  17. “o preço da casa sempre sobe”…”quem compra terra não erra”…e outras babozeiras do tipo, sempre repetidas ás nauseas por ai levam a manada a comprar no topo e vender no poço…ou mesmo a dar o calote….rssss….os shorts sellers que ganharam nessa crise aí, somente se afastaram da manada ….hehehee

  18. Na minha vida eu só vi muitas pessoas comprando imóveis quando o governo, junto com banqueiros, deram crédito para o financiamento habitacional. Fora isso, foi raro o caso de alguém que fez poupança para comprar a vista um imóvel e mais raro ainda o caso de alguém que fez um financiamento em um banco privado.

    O governo, junto com alguns bancos e empresas são privilegiados, eu concordo. Mas se não fossem eles, quem é que iria oferecer um empréstimo com juros baixos para uma quantidade tão grande de pessoas para pagar em um prazo de trinta anos, por exemplo? Com tantas incertezas no mercado, acho difícil…

    O governo, que também se envolve incentivando a especulação, corre o risco de não se eleger nas próximas eleições por ter exagerado na dose. E se tem alguém que tem condições de sair ileso de tudo isso, são os investidores estrangeiros, que na pior das hipóteses, irão investir em outro país.

  19. Pois é.
    Vi o filme e fiquei impressionado em como tiveram a capacidade de ignorar completamente o papel do governo na gênese da crise.
    O filme da a entender que, do dia para a noite, os banqueiros de Wall Street acordaram e resolveram sair dando dinheiro aleatoriamente para qualquer um.

  20. 1-) O que é taxado de “erro” não existe. O fato é que, muito daquilo que é chamado de “erro” é atitude voltada para algum ganho. Então o “erro” é meticulosamente planejado por uns poucos “tubarões” para ter lucro fácil.

    2-) e o papel do cidadão que entra no barco furado por conta e risco próprio ? é uma mania de tratar “bandidos” de uma lado e “vítimas” de outro. Os qualificados no texto de “infelizes compradores de imóveis” perdem-se em seus próprio sonhos de consumo (aquela casa americana linda, com jardim na frente, e todo seus anexos encantadores – compre com uma pequena entrada e parcelinhas pequenas que cabem em seu orçamento…).Aí quando entram no barco furado são vítimas ? “Entrem no barco que te levarei aquela ilha paradisíaca…lá teremos sexo, comida e bebida farta…capitão : existe um furo no barco. Não se preocupe…o furo é pequeno e o barco não afundará…”

  21. leandro, boa noite

    esses dais a assiti a um documentario chamdo ”inside job”, eles falaram sobre uma intensa desregulamentação do setor financeiro nos anos 90, e que isso seria uma das maiores causas da crise de de 2008, vc sabe explicar alguma coisa sobre isso?

    obrigado

  22. Bom dia galera,

    Desculpem a ignorância, mas vi o filme ontem e fiquei meio perdido no final, os personagens de Brad, bale e etc no final ganharam bilhoes?

  23. há algns erros de análise e de citação de fontes no seu esmerado artigo: 1 – o FED é independente do governo americano (nos EUA, ele é parte do marcado financeiro, não do governo); 2 – as fraudes foram cometidas por operadores de wall street, não pelas políticas de crédito; 3 – havia um problema claro de medidas de proteção de crédito; 4 – as fontes citadas no texto remetem ao próprio site do mises, algo que, no mínimo, não pode ser considerado como fonte e sim, auto referência.

  24. Alguém pode me apontar algum artigo que comente a serie do History “Gigantes da industria”?
    Ou mesmo uma boa discussão à respeito nos comentários do site?

    Porque eu achei muito tendencioso em varios pontos, por exemplo:
    – Ao mostrar o Rockefeller como vilao e o Roosevelt como o salvador dos pobres.
    – Achei estranho eles exaltarem o Ford (que estava sendo impedido de entrar no mercado na marra) e difamarem os monopolistas que desbancaram a concorrencia por competencia e eficiencia.

    Assisti varios episodios com um amigo esquerdista e no final ele saiu falando “tá vendo que suas ideias são furada? O governo precisa regular!”.

  25. A mania regulatória tem que acabar já. O Brasil é um exemplo deprimente da burocracia governamental livre: mais de 181.000 leis, sendo que são criadas mais a cada mês e quase todas inúteis e prejudiciais à acumulação de capital. Lembrem-se que sem capital nada funciona.

  26. Esses debentures que o BNDES está exigindo parece ter o mesmo risco. Quando chegar um político e mandar emitir debentures a sem limites, a coisa vai ficar feia. Imagine ter 500 bilhões em debentures na Bovespa ? Quando todo mundo resolver vender os debentures, quem vai pagar a conta no BNDES ?

  27. EQUIVALÊNCIA PETRALHA-“MINHA MANSÃO MINHA VIDA”

    …………….Mas é evidente que politicos petralhas de lá,COM GRANDE INFLUENCIA NAS DUAS AGENCIAS DO GOVERNO,assistencialistas,liberaram e incentivaram a festança,a distribuição de créditos, via hipotecas imobiliarias,habilitando quem não tinha condições.Uma espécie de MINHA MANSÃO MINHA VIDA,que retornava via votos aos “bonzinnhos”,ou MINHA HIPOTECA MINHA VIDA,retribuindo votos para a ala dos OBAMAS da vida,os milagreiros.

    ……………..Está aí a GÊNESE,A GÊNESE , corretores de bolsa são comerciantes de papéis e titulos, viabilizadores de compra e venda,eles não fizeram CADASTROS FRAUDULENTOS “CRIATIVOS”, nem habilitaram tomadores de hipotecas; se as instituições responsaveis habilitaram tomadores (sem condições) PARA USUFRUIREM DIVIDENDOS POLITICOS,,os negociantes , corretores fizeram a sua parte,NEGOCIAR!

    ————–As instituições que liberaram capital de modo inadequado ,por interesse de politicos petralhas de lá,fizeram uma espécie de CADASTRAMENTO CRIATIVO, e continuaram fazendo “CONTA DE CHEGAR” com o equivalente a uma especie de “PEDALADAS”.

    CRÉDITOS QUE NÃO DEVERIAM EXISTIR, “nem terem nascido”EM FORMA INICIALMENTE DE HIPOTECAS e depois derivando, ENTRARAM EM MASSA NO MERCADO,DESEQUILIBRANDO EQUAÇÕES COM DADOS FALSOS, DAÍ A RESULTADOS DESASTROSOS.

    Mas os aleijados mentais de esquerda botaram a culpa de tudo no mercado pois são lobotomizados para assim agirem.

    MAIS UM FILME QUE FOI FEITO PARA CULPAR E DENEGRIR O MERCADO E O CAPITALISMO PRIVADO.

    PESQUISA DE IDADE MENTAL DO POVO AMERICANO: 13 ANOS

    PESQUISA DE IDADE MENTAL DO POVO BRASILEIRO: 8 ANOS

    FICA FÁCIL NÉ?

  28. Achei o artigo bacana e tal, vou ficar meia hora digitando no celular, mas…

    Bom, como é comum no campo político-econômico (não importa se é de esquerda, direita, centro, de cima ou de baixo, liberal, neo-liberal), o artigo se prende em uma tentativa de defesa dos parâmetros/dogmas/ideologias que o site representa, e faz isso bem, assim como os representantes das mais diversas vertentes ideológicas o fazem, porém, não tentam levar a análise além de seu próprio campo de experiência.

    Ultimamente dizem que todas as crises são causadas pela interferência do homem no fluxo natural do mercado como se o mercado por si só fosse algo natural, mas tudo bem, digamos que de fato seja culpa da interferência, aí eu pergunto, quem coloca os políticos nas posições em que estão, com poder para “regulamentar” o que quer que seja? Todos os anos eleitorais lemos notícias de doações para campanhas com números exorbitantes, e claro, essas doações são totalmente livres de interesses individuais (ironia) , mas garanto que se o sistema fosse menos regulamentado isso não seria problema (ironia novamente). Quantos empresários são políticos ou pagam lobistas para ter acesso aos bastidores da política?

    Acho até graça pois assim me parece que os capitalistas liberais são tão utópicos quanto os comunistas.

    Será que não enxergam que o problema é cíclico? Se não regulamentamos, eles (detentores do poder econômico, político ou qualquer que seja, da na mesma) todos estão livres para ganhar como bem entende, se regulamentamos, dão um jeito de moldar as regras em seu benefício para continuar ganhando.

    Pra mim, discussões como estas são extremamente prazerosas, de fato eu as adoro, mas atualmente eu passei a acha-las um tanto quanto infrutíferas, pois não importa se somos Keynesianos, Austríacos, “Greenspanianos”, se há prosperidade através do capitalismo, comunismo ou outra vertente, pois a questão maior por trás de tudo isso é mais simples, trata-se de poder, refiro-me ao sentido de empoderamento, de domínio, como o Sauron no Senhor dos Aneis, os Siths em Star Wars, Crhistian Grey em 50 Tons de Cinza(outro tipo de domínio, mas basicamente o mesmo), Voldemort em Harry Potter, Apocalipse em X-Men , enfim, acho que atingi todas as faixas etárias.

    Portanto não se trata da demonização do mercado, do capitalismo, ou de quem quer que seja, mas sim das relações de poder, de direcionar tudo e todos pro destino que mais agrada ao motorista do bonde, e se derrepente esta linha é tirada de circulação, nós os donos da frota, criamos outra pra contrabalançar esse mecanismo, e quem não tem carteira pra guiar o seus próprio bonde, tem que ir de carona.

    Dinheiro, hoje em dia é poder e vice-versa, mas ambos são neutros, maniqueísmo é um fruto da humanidade.

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