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O Pai Fundador americano que já alertava contra o capitalismo de compadrio

Muitos dos pais fundadores dos EUA são nomes conhecidos, mas as contribuições de alguns outros passam em grande parte despercebidas e subestimadas. John Taylor of Caroline é um desses homens.

Críticos modernos frequentemente descartam as contribuições dos fundadores porque eles também eram donos de escravos, o que era verdade no caso de Taylor, embora ele escrevesse sobre isso de forma negativa. Seus objetivos de libertar e “reexportar” escravos para a África, a fim de evitar uma revolta violenta, podem parecer questionáveis aos leitores modernos, mas eram bastante progressistas para a época. Compreendido esse contexto, é mais preciso ver Taylor como alguém que produziu uma defesa da democracia agrária.

Joseph Stromberg chamou Taylor de “o filósofo e estadista do agrarianismo” e “o pensador mais sistemático” entre os intelectuais fazendeiros da Virgínia. Jefferson igualmente admirava seu trabalho. No entanto, Taylor era mais do que um porta-voz agrário. Taylor desenvolveu uma crítica sofisticada aos arranjos institucionais e privilégios políticos que estimulavam o capitalismo de compadrio — uma crítica que permanece surpreendentemente moderna.

Muito antes de Buchanan e Tullock articularem plenamente a escola de pensamento da Escolha Pública e de a captura do estado ganhar esse nome, Taylor alertou que o poder político atrairia interesses organizados em busca de privilégios especiais. Além disso, em An Inquiry into the Principles and Policy of the Government of the United States, ele argumentou que a “facção” não era causada principalmente por diferenças entre as pessoas. Em vez disso, vinha das oportunidades criadas pelo governo para que grupos favorecidos lucrassem por meio da legislação. Ele também explicou como os conflitos são fomentados por privilégios econômicos concedidos pelo governo. Esses eram o resultado de “interferência econômica mercantilista”.

Taylor distinguia entre a riqueza obtida por meio da produção e a riqueza obtida por meio do favoritismo político. Uma de suas ideias mais poderosas é sua distinção entre riqueza produtiva e riqueza política. Isso antecipa a observação de Franz Oppenheimer de que há apenas duas maneiras de produzir riqueza: a política e a econômica. A primeira depende da coerção, a segunda da criação de valor. Tanto Oppenheimer quanto Taylor se oporiam ao capital subsidiado, aos bancos privilegiados e aos interesses financeiros respaldados pelo governo por motivos morais. Mas Taylor estava, em última análise, preocupado com o destino que recairia sobre a cultura rural e agrária que ele tanto amava.

A solução de Taylor para essas formas de ganho político não eram governantes melhores, mas poder menos concentrado. Uma das partes mais marcantes do ensaio é sua afirmação de que a liberdade depende da fragmentação da autoridade. Suas opiniões sobre o federalismo eram claras: o poder deveria ser dividido de forma tão completa que nenhuma instituição pudesse dominar a sociedade. E muito menos um banco central e um tesouro afundado em dívidas.

Taylor acreditava que a dívida pública não era apenas uma questão fiscal, mas um mecanismo para criar uma classe politicamente dependente. Ele expressou graves preocupações com exércitos permanentes financiados por dívidas, que estimulariam sentimentos imperiais, elevariam a carga tributária e levariam a uma “aristocracia de papel” que enriquecia por meio desses processos, e que representavam uma facção ou classe distinta, separada dos cidadãos agrícolas produtivos. Uma vez estabelecida, ele escreveu, “ela pode privar as nações do direito ao autogoverno com a mesma facilidade com que pode roubar a propriedade dos indivíduos”.

Muitos acreditam que o conflito de classes é estritamente uma construção marxista. Mas uma longa tradição de liberais clássicos soou o alarme sobre as rachaduras sociais que emergem por meio dos processos contra os quais Taylor e Oppenheimer alertaram. Taylor acreditava que o conflito de classes era gerado menos pelos mercados do que pelo privilégio político. Mas, ao contrário de Karl Marx, ele culpava o privilégio estatal, ao passo que Marx culpava a propriedade privada dos meios de produção.

Embora as preocupações agrárias de Taylor possam pertencer a uma era passada, sua distinção e seu alerta sobre a riqueza gerada politicamente versus a gerada produtivamente ainda soam verdadeiros. O estado administrativo moderno cresceu tremendamente desde a era Progressista e deu origem a inúmeros privilégios respaldados politicamente dentro do cenário econômico americano. Das regulamentações de certificado de necessidade na área da saúde às tarifas protecionistas, os alertas de Taylor foram em grande parte ignorados.

O 250º aniversário dos Estados Unidos é uma oportunidade de recuperar fundadores esquecidos e as histórias de suas vidas. A maior oportunidade, no entanto, é redescobrir as ideias que os tornaram revolucionários: a de que o comércio e a agricultura deveriam estar livres de privilégios concedidos pelo governo.

Se os Fundadores estavam dispostos a empenhar uns aos outros suas vidas, suas fortunas e sua honra sagrada, então nós, como seus herdeiros, deveríamos reunir a vontade política de desmantelar as instituições e políticas que fomentaram exatamente o tipo de compadrio contra o qual John Taylor alertou.

Mesmo aos 250 anos de idade, não é tarde demais para fazê-lo.

Este artigo foi originalmente publicado no The Daily Economy.

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