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O capitalismo pode destruir a si próprio?

Joseph Schumpeter memoravelmente previu que as sociedades
capitalistas seriam destruídas pelo seu próprio sucesso
.  Para Schumpeter, o capitalismo “inevitavelmente”
se transforma em socialismo.

Seu argumento, de maneira resumida, é o seguinte:
uma economia de mercado, com indivíduos fortemente empreendedores, gera um
grande crescimento econômico e aumenta acentuadamente o padrão de vida das
pessoas.  Ironicamente, no entanto, a
sociedade se torna tão próspera e tão inovadora, que passa a ignorar a fonte de
toda a sua riqueza, dando-a como natural, corriqueira e automática.  Pior ainda: torna-se abertamente hostil a
ela.

O empreendedorismo e o mercado enriquecem tanto a
sociedade, que as pessoas se esquecem do quão necessária e do quão frágil a
economia de mercado realmente é.  Elas até
mesmo começam a acreditar que os mercados — e a ordem social e cultural que
mantém os mercados funcionando — são inferiores à burocracia estatal e ao
planejamento centralizado. 

Com o tempo, a sociedade acaba abraçando o
socialismo.

Nas palavras de
Schumpeter:

Os
padrões crescentes de vida e, sobretudo, o lazer que o capitalismo moderno põe
à disposição das pessoas que têm emprego e renda. . . bem, não há necessidade
de terminar esta sentença e nem de elaborar aquele que é um dos argumentos mais
verdadeiros, antigos e enfadonhos. O progresso secular, o qual é visto como
algo natural e automático, em conjunto com a insegurança individual, que
alimenta a inveja, é naturalmente a melhor receita para alimentar a inquietação
social.

Entretanto, todo esse processo de transformação requer
mais do que apenas a acumulação de riqueza: alguém tem de ativamente insuflar
hostilidade às instituições da economia de mercado.  Esse papel é desempenhado pelas classes intelectuais,
que frequentemente abrigam um profundo ressentimento em relação às instituições
empreendedoriais.

Os intelectuais incitam descontentamento entre um
crescente número de pessoas cuja riqueza, em última instância, depende da
produtividade do empreendedorismo, mas que, na prática, vivem majoritariamente fora
da concorrência do mercado.  Pessoas mais
jovens são particularmente mais vulneráveis a esse preconceito anti-mercado, o
qual é normalmente instilado por meio de escolas e faculdades.  Entretanto, embora seja verdade que há uma
ideologia explicitamente anti-mercado na educação superior, há também outras e
mais sutis maneiras de fazer com que as mentes mais jovens, ao longo de todo o período
escolar, se voltem contra os ideais de uma sociedade livre.

Quando o ensino superior se mostra incapaz de transmitir
o conhecimento e as habilidades necessários para que uma pessoa seja
bem-sucedida no mercado, isso acaba fazendo com que os estudantes adquiram uma
forte desconfiança em relação a todo o sistema econômico, o qual eles acreditam
estar subestimando seus talentos e no qual eles não conseguem se inserir.

[N. do E.: Eis como funciona: o
estado determina que você tem de ter um diploma caso queira seguir uma
determinada carreira.  Você, então, passa a ser obrigado a perseguir um
curso superior.  Uma vez na faculdade, sua esperança é que, dali pra
frente, o futuro será promissor, uma vez que sua reserva de mercado estará
garantida. 

E então o futuro chega e, decepção, a coisa não é
nada auspiciosa. 

As regulamentações e burocracias governamentais
criaram um mercado de trabalho fechado e rígido.  A alta carga tributária e
todos os encargos
sociais e trabalhistas
não permitem que os salários sejam altos. Você, no
máximo, encontra um emprego que paga um pouco melhor que um estágio, porém que
exige muito mais; e, na maioria das vezes, você descobre que não é bem aquilo
que queria.  Você se sente enganado. 

Começa então a gritar por
“direitos”.  Começa a pensar que, só porque cursou faculdade e
tem um diploma, tem “direito” a emprego e salário bons.  Porém,
assim como você, há vários outros na mesma situação.  E o mercado de
trabalho é regulado demais para conseguir absorver toda essa mão-de-obra.]

Schumpeter explica de maneira
sucinta e brilhante
:

O
indivíduo que passou por uma faculdade ou universidade torna-se, com muita
facilidade, intelectualmente inempregável em ocupações manuais.  Para conseguir emprego em ocupações manuais,
ele tem antes de adquirir experiência prática nesse setor.  Sua incapacidade de obter esse emprego pode
ser devida à falta de habilidade natural — perfeitamente compatível com a
aprovação nas universidades — ou a um ensino deficiente.

E
ambos os casos ocorrerão, de maneira absoluta ou relativa, com mais frequência
à medida que um número cada vez maior de pessoas tiver acesso à educação
superior e à medida que volume de coisas a serem ensinadas aumentar sem levar
em conta o número de verdadeiros eruditos que a natureza pode produzir.

Se a educação superior não levar em conta a oferta
de e a demanda por habilidades práticas e úteis, ela irá produzir formandos que
naturalmente irão engrossar o coro da classe intelectual, trazendo consigo
sentimentos de alienação e insatisfação:

Todos
aqueles que estiverem desempregados, ou que estiverem insatisfatoriamente
empregados, ou que forem inempregáveis tenderão a buscar emprego naqueles ofícios
em que os padrões são menos definidos ou em que aptidões e conhecimentos de
outro tipo têm mais valor.  

Estes
frustrados irão engrossar as fileiras de intelectuais, no exato sentido do
termo, cujos números crescem desproporcionalmente. Eles entram nessas fileiras
com um estado de espírito absolutamente antagonístico. O descontentamento dá
origem ao ressentimento, o qual, muitas vezes, racionaliza-se e transforma-se
em crítica social. Essa crítica, como vimos acima, é uma demonstração da
atitude típica do intelectual (que se transforma em um mero expectador) em
relação a pessoas, classes e instituições, especialmente em uma civilização
racionalista e utilitarista.

Com efeito, o argumento de Schumpeter faz ainda mais
sentido em um contexto de intervencionismo do que em uma sociedade genuinamente
livre.  Quando o setor público se
expande, empreendedores são, ao mesmo tempo, expulsos do mercado e culpados
pelos problemas econômicos criados pelo estado.

[N. do E.: quanto maior for o governo, maiores serão
seus gastos.  Quanto maiores forem seus gastos, maiores terão de ser os
impostos e o endividamento do governo.  Quanto maiores forem os impostos,
menores serão os incentivos ao investimento e à produção.  Quanto maior
for o endividamento do governo, maiores serão as oportunidades perdidas em investimentos
que não puderam ser feitos (porque o governo se apropriou desse dinheiro que
poderia ter sido emprestado para o setor privado), maiores serão os gastos com
juros, e maior terá de ser a carga tributária para arcar com esses gastos com
juros.  Veja detalhes neste artigo].

Ainda mais importante, à medida que o
intervencionismo e o escopo do estado se expandem, as “virtudes burguesas” que
sustentam uma sociedade livre desaparecem.  Por que você vai abrir uma
padaria, um restaurante, um comércio ou uma atividade de serviços se você pode
se tornar um burocrata bem pago trabalhando em uma repartição pública? 
Por que uma pessoa qualificada vai querer fazer algum estágio em uma firma de
engenharia se o governo abriu vários concursos públicos que prometem salários
nababescos e estabilidade no emprego?  Enfim, por que se arriscar no setor
privado, sofrendo cobranças e tendo de apresentar eficiência, se você pode
simplesmente ganhar muito no setor público, tendo estabilidade no emprego e sem
ter de apresentar resultados?

Com um estado inchado, a acumulação de riqueza passa
a ocorrer por meio de
privilégios legais (rent-seeking, na
linguagem da Escola da Escolha Pública), de parasitismo e de redistribuição
,
e não por meio da genuína
satisfação dos consumidores
.  Empreendedores,
agora protegidos pelo estado das vicissitudes do mercado, blindados contra o sistema de lucros e prejuízos
imposto pelo mercado
, perdem contato com a divisão do trabalho e sua
filosofia de inovação e criação de riqueza.

Esse caminho leva ao desastre.

No entanto, ao contrário do que diz Schumpeter, o
socialismo não é inevitável.  Como Mises
nunca se cansou de argumentar, a liberdade pode triunfar, mas, para isso, é necessário
vencermos a batalha das idéias.  Porém,
essa batalha só pode ser vencida por meio da lógica cuidadosa, da exposição clara
do pensamento e de um firme compromisso para com a difusão pacífica da verdade,
mesmo que outros sejam hostis a ela.  Isso
significa conceder aos opositores da liberdade a mesma tolerância que eles
frequentemente negam aos defensores da liberdade. 

Nas palavras de Mises:

Contra
tudo o que é estúpido, absurdo, errôneo e mau, o liberalismo luta com as armas
do pensamento, não com a força bruta e a repressão.


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86 comentários em “O capitalismo pode destruir a si próprio?”

  1. É a doença que abrange o mundo desenvolvido e emergente. Uma nova Guerra Fria, só que não temos mais EUA versus URSS, por que essa guerra começa de dentro do país com a população dividida entre o bem e o mau disfarçado de bem. assim como Estado hoje em dia se torna um enter formado pelos maiores bandidos, terroristas, assassinos, mentirosos… de nossa sociedade que vivem de privilégios que dar assistencialismo ao pobre.

  2. Sebastião Fabiano

    É importante frisar que os problemas relatados por Schumpeter são criados pelo próprio ESTADO. Basta deixar as escolas livres, enfim: sem regulamentação; exterminar os sindicatos estatais e eliminar a necessidade de “diplomas” para exercer profissões. Pronto: estarão fechadas as fábricas de “estudantes de fábulas”, os quais inevitavelmente ficam ressentidos quando descobrem que a vida não tem nada a ver com o que ele viu durante décadas nas frias cadeiras escolares.

  3. É sempre assim: o capitalismo é responsabilizado pelas consequências do intervencionismo e isso é usado como pretexto para ainda mais intervenções.

    A liberdade e a isonomia podem vencer, mas sua vitória nunca é definitiva e requer constante vigilância.

    * * *

  4. O que estamos vivenciando é a derrocada da sociedade atual. Muita ideologia, muito estatismo. O que é ensinado nas escolas é como o mundo enfrenta uma crise ambiental, uma crise social (guerras, fome), mas de maneira alguma quer falar como aquele lápis que está não mão do estudante foi parar ali. Tem produtos que as pessoas transparecem um sentimento de ilusão, magia, por não pensar como aquele produto foi parar em sua mão.

    O tanto de pessoas envolvidas para que um simples lápis chegue aos estudantes é algo maravilhoso de se pensar, todavia (nos impõe) esquecemos que estamos vivendo um sistema de cooperação – parece, sinceramente, que ensinam que cooperação só existe com o sentimento de afeição entre os indivíduos envolvidos.

  5. Observemos o trecho abaixo:

    “[…] Ironicamente, no entanto, a sociedade se torna tão próspera e tão inovadora, que passa a ignorar a fonte de toda a sua riqueza, dando-a como natural, corriqueira e automática. Pior ainda: torna-se abertamente hostil a ela.[…]”

    E comparemos a esse trecho do livro de Maquiavel, O Príncipe, capítulo VIII:

    “[…]As injúrias devem, pois, fazer-se todas de uma só vez, para que, durando menos, ofendam menos e os benefícios aos poucos, para durarem mais. (46) Cumpre, outrossim, a um príncipe manter com os seus súditos relações tais, que nenhum acontecimento bom ou mau faça variá-las. Se assim não for, quando os tempos adversos trouxerem a necessidade imprevista, ele não terá mais tempo para praticar o mal, e o bem que fizer de nada servirá, (49) porque será considerado como uma imposição das circunstâncias e ninguém lho agradecerá. (50)[…]”

    (46) Engana-se. É mister fazer-se temer e amar. Toda a questão reside aí. (Cristina da Suécia)
    — Quando os distribuímos a mãos cheias, recebe-os muita gente que é indigna deles, e os outros não os agradecem. (Napoleão em Elba)

    (49) E então, por mais que se dê e prometa, de nada valerá, porque o povo permanece naturalmente insensível diante de quem cai por motivo de falta de previsão e longanimidade. (Napoleão em Elba)

    (50) Os homens dificilmente esquecem as ofensas, mas facilmente esquecem os benefícios. (Cristina da Suécia)

  6. Um intelectual falando contra o capitalismo é como um alpinista cortando a corda que o prende a um paredão de pedra, e faz isto justamente porque não foi ele quem teve que subir no paredão usando somente as mãos e perfurar a rocha para fixar um parafuso forte o suficiente para segurar a corda. Por isso que esta classe sempre foi a primeira a ser exterminada quando regimes totalitários como o Khmer Vermelho subiram ao poder.

  7. Sebastiao Mendonça Ferreira

    Marx, meio século antes de Schumpeter, fez esse mesmo raciocinio, com conclusões parecidas. Porem, essa lógica linear nao considera a complexidade dos fenómenos nem inclui as mudanças qualitativas.
    O mercado como mecanismo de inteligencia coletiva, o direito a iniciativa empresarial, o respeito à propriedade privada, o livre acesso à informação, os mecanismos democráticos, e varios outros avanços dos últimos séculos nao estão retrocedendo, mas reafirmando-se.
    A disputa de riqueza como forma principal de enriquecimento dominou a vida da humanidade por milhares de anos, até a revolução industrial inglesa. Esta forma de enriquecimento, sem geração de riqueza, é o paradigma natural dos socialistas, dos burocratas, e de grandes setores da população, em todas as classes sociais. A desqualificação ética da atividade empresarial é o recurso principal de todas as correntes parasitárias. Nao deveria surpreender-nos que a influencia deles ainda seja tão extendida.
    A globalização dos mercados e a expansão da clase media e alta na escala global estão criando incentivos extraordinarios à inovação e à iniciativa empresarial. Os motores do capitalismo estão hoje mais forte que nunca.
    É com a continuidade da revolução digital e da inteligencia artificial que podem vir perturbações maiores a essas perspectivas.
    Nao é na primeira parte do século 20 que vamos encontrar os códigos do futuro, mas nas tendencias emergentes do século 21.

  8. Todo estudante universitário deveria tomar conhecimento do raciocínio exposto, e, quem sabe, deixar de ser manipulado por seus professores universitários

  9. Oi Dissidente,na minha opinião pelo que eu pude ler na reportagem da folha,o cara tem um discurso parecido com o profeta barbudo,a condenação moral do lucro,e tal como o artigo de hoje descreve,ainda enche a boca para criticar o capitalismo,enfim mais um babaca metido a intelectual.

  10. Típico Universitário

    Meus professores passaram mais de 35 anos na universidade estudando e lecionando em luta pelo fim do capitalismo e por um arranjo mais sensato e prudente, liderado por políticos ao invés de indivíduos falhos e corruptíveis. Só por experiência, eles entendem muito mais de emprego, produção e preços do que qualquer “produtor”. Graças a eles, o Brasil conheceu a carne, a demanda agregada e o povo parou de entesouras riquezas e descobriu em massa durante o plano Sarney, por exemplo. Mas aqui só falam de prateleiras vazias.

    Depois de tanta militância, comícios, socializações, greves, chapas e outros intensos estudos eu ainda preciso ficar aguentando neanlibertais comentando sobre. Não é segredo para ninguém, quem já passou por qualquer DCE sabe: Schumpeter estava certo no prognóstico.

    Só que ele foi bonzinho demais em assumir a tolice dos sistemas de produção que só sabem consumir. Para um nugget é só ignorância dos intelectuais. Para nós é revolução.

  11. É muito comum vermos a frase: “a educação é o principal fator que leva ao desenvolvimento”.
    Pura falácia.

    Quem leva ao desenvolvimento é a riqueza, e quem gera riqueza é a producao de excedente e o livre-comércio.
    A producao de excedente ocorre quando a produtividade é alta, e a produtividade depende da divisao do trabalho.
    O livre comércio se favorece muito de uma moeda estável.

    A atividade produtiva alcança mais lucro quando a análise do mercado é acertada, e quando a administracao da producao é competente.

    A insegurança é o maior freio do enriquecimento: se produzo e sou roubado, produzirei menos; se tenho o simples medo de ser roubado, por indivíduos pu pelo estado, produzo menos.

    Onde entra educacao? Como um mero subfator da especializacao do trabalho…

    Essa estória de o governo dizer que vai te prover e vai te guiar é embromação, ele quer que você aceita dar-lhe mais poder, e portando mais oportunidade de roubar e controlar.

    Esse mimimi inconformado dos intelectuais não passa de uma recusa em aceitar a realidade; ou ao menos em admitir que é um incompetente, malsucedido.

  12. Vou fingir que acredito que o capitalismo e toda essa ideologia pregada por vocês fazem os patrões se tornarem bonzinhos, que fará com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra. Vou fingir, ok?

  13. Schumpeter visualiza corretamente que a riqueza é fonte de "corrupção", lembremos o ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo: "É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus".

    Estudando a vida dos Santos Padres vemos como eles sempre exortaram a todos, ricos e pobres, a terem uma vida baseada no jejum, na oração e na caridade, seguindo os ensinamentos de Cristo.

    Mas a Igreja sempre ensinou que é possível o rico entrar no reino dos céus, e como consequência lógica também é possível o livre-mercado não se tornar socialismo. Mas para isso a sociedade deve se esforçar para se manter numa vida de virtudes e não hedonista na busca desequilibrada do prazer. Eis a lição de Schumpeter, o livre-mercado por si só não resolve, ele necessita de um substrato para se manter vivo, a vida virtuosa.

  14. Oi Paulo,desculpe-me mas isso está parecendo um pouca da “teologia”da libertação.

    O buraco é bem mais em baixo,a maior fonte de corrupção,é o governo,seja a nível económico,quer seja no plano moral,essa instituição criminosa já matou mais 200 milhões de pessoas,assim como quem toma um gole de água,essa sim é a maior fonte de corrupção.

  15. Paulo Roberto Bezerra

    Tenho procurado ler bastante sobre o liberalismo, mas tenho um ponto onde minha dúvida não cessa: ele se refere à automação. Supondo que a automação e a tecnologia avancem continuamente, o que é provável, poderíamos vislumbrar um mundo de desemprego crescente. Por exemplo: a substituição de operários por robôs levaria a uma queda da demanda por mão de obra. Por sua vez, os donos dessas fábricas teriam lucros crescentes, concentrando renda de forma progressiva.

    O ponto que me surge é: à medida que as pessoas perdem empregos, quem compraria os produtos produzidos por aquela fábrica automatizada? Vocês acham que isto levaria a uma situação de equilíbrio? Ou a tendência seria uma concentração de renda infinita, com colapso do sistema e uma revolução social posterior? Alguém já escreveu sobre isto?

    Sei que empregos novos surgem à medida que outros desaparecem, mas não haveria um limite em que a automação engoliria a maior parte dos empregos?

    Se puderem me responder, agradeço. Sei que a pergunta é bastante utópica, mas não impossível no longo prazo. E também, não deixa de ter relação com este texto.

  16. É estranho o que Schumpeter afirma, pois o capitalismo não tem um fim último; em si ele já é um fim, pois significa livre-mercado, prosperidade, igualdade, IDH lá em cima…logo, o que J.A.S. previu só poderia acontecer em uma classe de ignorantes ou de corruptos

  17. Mesmo num mudo de alta automação,robôs precisam ser construídos,reparados,desenhados aprimorados,sem contar com a revolução tecnológica permitida pelas impressoras 3 d que vão baixar imenso os custos de produção contando que governos não interfiram,a despeito das estúpidas leis de copyright,os pobres estarão numa situação bem melhor.

    Além disso é possível que os ordenados caiam em termos relativos,mas o rendimento real aumentará,visto que há uma quantidade de bens maiores,o único empecilho é o governo,que gasta demais,e que vive desvalorizando a moeda.

  18. Marcelo Simoes Nunes

    Schumpeter, em sua explicação, é simplesmente brilhante.
    Discordo, no entanto, do autor ao final do texto:”No entanto, ao contrário do que diz Schumpeter, o socialismo não é inevitável. Como Mises nunca se cansou de argumentar, a liberdade pode triunfar, mas, para isso, é necessário vencermos a batalha das idéias. Porém, essa batalha só pode ser vencida por meio da lógica cuidadosa, da exposição clara do pensamento e de um firme compromisso para com a difusão pacífica da verdade, mesmo que outros sejam hostis a ela. Isso significa conceder aos opositores da liberdade a mesma tolerância que eles frequentemente negam aos defensores da liberdade.”
    Um único comentário: todo isso faz sentido no que se refere a fazer a cabeça de que é vítima do estado. Não se ensina lobos a comer alface. E essa batalha pelas mentes, uma vez vencida, terá de confrontar-se, inevitavelmente com o inimigo, não no plano das idéias, já conquistado, mas no plano físico da força bruta. Esquecer isso é ser ingênuo, no mínimo. Quem discordar que apresente melhor argumento.

  19. A Presidente que Roubava Eleições

    Não, sô. Que isso. Para o estado burrar tudo não é passo em falso, é caminho mesmo. Gosto muito do Mises (e até do Schumpeter, apesar de ele não ser um dos austríacos), mas não acho que vai ter batalha de ideias. Porque não é com ideias que se ganha, é com mentiras e comprando as pessoas com generosidades (de exportadores, de sindicatos, de intelectuais, dos funças e por aí vai), criando gado (“sou do Levante, tô com maduro” / jornalistas) e se prostituindo ao menor denominador comum (classe política), que em nenhum estado do mundo é um libertário. Tudo isso enquanto você xinga até a morte e expulsa os “coxinhas” pouco a pouco enquanto chama isso de justiça.

    Ideias importam mais em uma lanchonete do que no estado. A lanchonete perde dinheiro se fizer mau feitos, o estado ganha uma desculpa para pegar mais, especialmente se culpar as pessoas certas para comprar os interessados. Se ideias realmente fossem importantes, acho que o IMB nem precisaria existir. Metade “dos grandes” que justificam as intervenções dos autores daqui estaria embaixo de uma pedra xingando o mundo e a outra metade só ficaria dando razão.

    É só o que eu penso, só isso… É que tem um cachorro sempre atrás das crianças.

  20. Professor Comunismo & Doutor Geografia

    Vou fingir que acredito que o capitalismo e toda essa ideologia pregada por vocês fazem os patrões se tornarem bonzinhos,

    A legislação governamental e os impostos protegem os vigaristas que usam o estado para fugir de competição e aumentar as barreiras para a criação de negócios, o que gera competição e dá motivos aos empresários para oferecer serviços melhores. Só olha para as campeãs de reclamações do consumidor no Procon: quase sempre são oligopólios protegidos pelo estado. O melhor exemplo é o setor de telecomunicações, que é um lixo.

    gizmodo.uol.com.br/unicel-acusa-anatel-e-operadoras/ e www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/02/1234847-empresa-acusa-anatel-de-negociar-decisoes.shtml

    Ser libertário ou o que for não é ser pró-empresário. É justamente no livre mercado em que os mais eficientes prosperam e incompetência vira chance de investimento, quando há plena liberdade para competir.

    que fará com que as pessoas não se tornem avarentas, mesquinhas, exploradoras de mão de obra. Vou fingir, ok?

    O estado vai. Olha como funciona atualmente. Os políticos em especial são excelentes exemplos de seres divinos que até esquecemos que nós podemos odiá-los, mas na verdade o estado é feito deles.

    A ganância dos outros só me fere se eles querem colocar a mão no meu bolso. Felizmente, sem o estado, eu tenho o direito de meter bala em quem fizer. O positivo do mercado é que se você quer dinheiro, você vai ter que produzir algo que as pessoas querem mais do que tudo que o próprio dinheiro delas pode comprar; tem que fazer algo que elas querem.

    E sobre os salários, a vida é curta demais para falar sobre isso pela milésima vez. Só digo uma coisa: não é a bondade do patrão nem a necessidade do empregado que dizem quem ganha quanto. Se você quer melhorar a vida dos outros, não é chorando no IMB. É produzindo alguma coisa que torne a vida delas mais fácil e mais barata

  21. E se o capitalismo na verdade estiver passando por uma transformação?
    Estou lendo “sociedade com custo marginal zero” de Jeremy Rifkin, tem me parecido bem lógico e em certos momentos me parece ser alguém que consegue pegar o que há de melhor do liberalismo e do socialismo (relação bizarra?) dando exemplos práticos da transformação de nossa economia com a redução dos custos de se produzir coisas (alimentação, energia, transporte, etc.). Gostaria muito de encontrar por aqui visões a respeito das ideias de Jeremy Rifikin.

  22. Tenho identificado que o argumento principal das forças de esquerda hoje em dia não é mais contra o capitalismo como gerador de riquezas, pois neste campo o socialismo foi fragorosamente derrotado. As forças de esquerda hoje atacam o capitalismo pela geração de desigualdade. A todo momento aparecem estatísticas (muitas inconsistentes e manipuladas) mostrando a desigualdade no mundo, em que poucos detém e maior parte da riqueza. A partir disto evocam-se os “bons sentimentos” das pessoas na luta por uma sociedade “mais justa”, em que todos possam viver com dignidade. Este argumento contra a desigualdade, por basear-se na inveja e no ressentimento contra o sucesso alheio, é muito mais forte e mobilizador, e qualquer defensor do livre mercado é facilmente tachado de insensível e ganancioso, quando não de "fascista".
    Esta luta contra a "desigualdade" fornece a justificativa para a ampla intervenção do Estado para corrigir estas "injustiças" e, se necessário, desapropriar os bens e o patrimônio que não "cumprem a função social". Além disto, inserem-se neste arcabouço a mobilização das "minorias" excluídas, sempre caracterizadas como "exploradas pelos detentores do capital", e a luta contra as "nações imperialistas" (que coincidentemente são as nações baluartes da Civilização Ocidental).
    Esta "luta contra a desigualdade" tem ampla repercussão na mídia, nos meios artísticos e intelectuais, que sempre buscam o discurso politicamente correto que agrade à maioria inerte do público consumidor. Os discursos pela "justiça social" e o voto "nas esquerdas" funcionam como um bálsamo para as consciências culpadas.
    Esta minha argumentação já foi bastante desenvolvida em artigos aqui no Mises. Apenas ressalto que este me parece ser o maior catalisador do apoio às forças intervencionistas e anti-capitalistas: o discurso pela "justiça social".

  23. E o Capitalismo segue sendo taxado de culpado, conforme pode ser lido nessa matéria:

    Es verdad que Maduro y su equipo vienen en un curso cada vez más a la derecha y capitulador. Entre 2014 y 2015 pagaron 27.000 millones de dólares a los usureros internacionales, a costa de las privaciones que sufre el pueblo de Venezuela.”

  24. Tendo a concordar com Schumpeter mas não me arrisco a dizer que um livre mercado “inevitavelmente” se torna o socialismo. Acho sim que o livre mercado inevitavelmente sustenta os socialistas (não que isso seja um argumento contra o livre mercado, é apenas uma constatação) e tenho um dado a mais que ele não tinha: os dias atuais.
    A mera existência do pensamento de esquerda/coletivista/socialista por 150 anos e a radicalização de partidos como o partido Democrata nos EUA por exemplo (antigo berço do liberalismo clássico e hoje um país já bem mais coletivista e interventor) é um sinal claro de que o mercado não acaba com o socialismo, pelo contrário, o alimenta.
    O mercado é tão bom, mas tão bom em produzir riqueza que fatalmente ele chega a um ponto no qual os indivíduos menos atentos se esquecem de um fato básico da natureza: a escassez.
    E para quem não acredita em escassez (caso dos socialistas), tudo passa a ser uma questão de “como dividimos melhor as riquezas”.

  25. A igualdade social é impossível.

    É possível igualdade de salário de 30 mil reais por mês, com salários iguais aos dos parlamentares ?

    Como alguém pode ter a cara de pau de falar em igualdade ganhando 30 mil por mês ?

    Um senador pode ganhar 2,4 milhões em 8 anos de mandato.

    Esses socialistas só querem igualdade para os outros.

  26. Ele só esqueceu de mencionar os que, tendo ficado muito ricos em um ambiente capitalista, procuram criar reservas de mercado, monopólios ou, pelo menos, oligopólios em seu favor, buscando pressionar os governos para que criem regulações e legislação capazes de reduzir a concorrência e manter fora do mercado possíveis entrantes que poderiam ameaçar sua hegemonia.

  27. Educação é fundamental! Portanto, discordo de você.

    É verdade que muitos abusam deste termo. Alguns tomam o termo educação por “educação formal” e muitos esquerdistas o tomam por “doutrinação esquerdista”. Na primeira acepção, a educação pode ser ineficaz, na segunda é francamente prejudicial. Logo, não surpreende que com este tipo de “educação” o resultado seja tosco.

    Mas educação transmite a idéia de formação, e ela é essencial para a vida em sociedade e para os seus resultados profissionais. Dependendo da sua formação você será mais apto a conviver em sociedade ou menos, você será mais culto ou menos culto, mais competente ou menos competente.

    Essa educação pode ser formal ou autodidata, mas é necessária. Se vc se acomodasse e não se preocupasse com sua educação/formação, vc ficaria preso às suas limitações iniciais, sem nunca se aprimorar. Com isso sua produtividade ficaria estagnada.

    De fato, uma das acepções da palavra educação é: “aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano; pedagogia, didática, ensino”, o que confirma o que eu disse.

    Vc falou em excedente, divisão de trabalho, etc. mas tudo isso pressupõe algo: o próprio trabalho. E para realizar algum tipo de trabalho vc precisa de algum tipo de aprendizado, algum tipo de formação. Se vc não aprender a fazer algo, vc será incapaz de produzir. Sem aprimorar suas habilidades, você não poderá se tornar mais eficiente, e sem maior eficiência sua produtividade não poderá aumentar, logo você não poderá gerar excedente. E sem um esforço intencional no sentido de educar-se/formar-se, nada disto seria possível.

    Achei curioso você começar falando de riqueza e da produção de excedente, sem antes falar claramente do trabalho. E sem ter notado que para realizá-lo é fundamental a educação. Certamente isso é verdadeiro para o ser humano, pois o desenvolvimento humano pressupõe a transmissão intencional de informações e o desenvolvimento da sociedade pressupõe um ser humano minimamente desenvolvido.

    Além disso, a educação também promove um tipo de riqueza de difícil apreciação econômica: a riqueza espiritual. Ou seja, aquela que é imaterial. O conhecimento, o caráter, a habilidade possuem um valor óbvio para quem os têm. Há vezes em que se consegue traduzir isso economicamente: um sujeito habilidoso pode cobrar mais caro por um serviço, um sujeito confiável também. Mas mesmo que você não as esteja aplicando num contexto de troca econômica, estas qualidades têm um valor inegável para que as possui.

  28. É exatamente o que está acontecendo nos EUA. Estão abraçando o socialismo após décadas e mais décadas de prosperidade e riquezas, por estarem acostumados e não compreenderem de onde veio isso tudo.
    Triste.

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