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Ouro não é mais dinheiro e não voltará a ser

Ron Paul, o
famoso congressista e libertário americano, certa vez perguntou ao então
presidente do Federal Reserve (Fed) Ben Bernanke se “ouro era dinheiro”. O
breve debate ocorreu em uma audiência do Financial Services Subcommittee sobre
Política Monetária, em julho de 2011.

“Quando você
acorda de manhã, você se importa com o preço do ouro?”, perguntou ele a
Bernanke.

 “Bem”, disse o ex-chairman do Fed, “eu presto atenção ao preço do ouro. Mas acho que
ele reflete um monte de coisas. Ele reflete as incertezas globais. Creio que a
razão pela qual as pessoas entesouram ouro é como forma de proteção ao que
chamamos de riscos de cauda (tail risk),
resultados realmente catastróficos. E na medida em que os últimos anos deixaram
as pessoas mais preocupadas com o potencial de uma crise maior, elas então têm
ouro como uma proteção”.

Não satisfeito,
Dr. Paul retrucou: “Você acha que o ouro é dinheiro?”. Bernanke pausou,
estranhando a pergunta, mas deu sua resposta: “Não, não é dinheiro. É um metal
precioso”.

“Mesmo que tenha
sido dinheiro pelos últimos 6.000 anos, alguém reverteu isso, eliminou essa lei
econômica?”, replicou Dr. Paul.

“Bem, é um
ativo”, afirmou o ex-chairman do Fed. “Você diria que Treasury Bills (títulos
do Tesouro) são dinheiro? Tampouco acho que são dinheiro, são um ativo.”

“Por que bancos
centrais possuem ouro?”

“Bem, é uma
forma de reserva.”

“Por que não
possuem diamantes, em vez de ouro?”

“Bem, é uma
tradição, uma tradição de longo prazo”, concluiu Ben Bernanke.

Quem tem razão
nesse debate? Por incrível que possa parecer — e jamais achei que fosse
escrever isso –, Bernanke está repleto de razão. Ouro não é dinheiro. Mas os
bancos centrais mantêm ouro em reserva não apenas por tradição — nesse ponto,
o ex-chairman do Fed é um pouco simplista. A tradição advém dos tempos em que o
papel-moeda era de fato lastreado no metal precioso. Há muito mais do que
apenas tradição nisso.

Mas Bernanke tem
razão, e Ron Paul está errado. Ouro já foi dinheiro, mas não é mais. E não é
dinheiro há muitos anos, décadas. Talvez há quase um século. Desde o momento em
que os cidadãos foram proibidos de resgatar as cédulas de papel em espécie —
moedas e barras de ouro –, para todos os fins práticos dos intercâmbios
monetários, ouro não circula na economia há bastante tempo.

Se definirmos
moeda como o “meio de troca universalmente aceito”, é claro que o ouro, hoje,
não é dinheiro. Se definirmos moeda como “qualquer bem econômico empregado indefinidamente
como meio de troca
“, ouro
também não pode ser considerado moeda — quase não se tem notícias de empresas
que aceitam ouro como forma de pagamento ou de trocas comerciais liquidadas com
o metal.

Adquirir ouro hoje em dia é uma tarefa ingrata em muitos
países. No Brasil, a forma mais simples para valores expressivos — ainda assim
extremamente laboriosa — é por meio de corretoras. Mas faço uma aposta: ligue
agora para seu corretor e peça para executar uma ordem de compra de ouro. É
bastante provável que ele tenha que desligar para poder se informar no
backoffice como diabos se compra ouro no mercado financeiro.

Ultrapassadas as
barreiras iniciais e lograda a aquisição, você será dono de um papel chamado
OZ1D, um contrato cujo lastro são 250 gramas do metal precioso garantido pela
BM&F Bovespa. Mas não tente jamais resgatá-lo em espécie, pois essa seria
uma aventura digna de outro artigo.

Porém, esse
contrato não pode ser transferido a outra pessoa. Para vender o seu OZ1D, você
precisa usar novamente a corretora. Se estivéssemos falando de quantidades
menores — 10 gramas, por exemplo, que podem ser adquiridas mais facilmente na
internet –, as dificuldades de negociação seriam as mesmas que para o
papel-moeda em espécie: você não consegue transferi-lo a um comerciante
distante; a troca deve ser em pessoa.

Em outros
países, os problemas para aquisição do ativo são similares. O ponto aqui é
simples: ouro não é mais dinheiro, é um ativo líquido e, mesmo assim,
provavelmente nem tão líquido quanto outros ativos do mercado financeiro
(ações, títulos de dívida etc.). Para você comprar algo com ouro, há uma
elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda
corrente local, a fim de concretizar a transação. Isso, por si só, seria
suficiente para concluir que ouro, definitivamente, não é mais dinheiro.

Não nego o fato
de que a evolução do nosso dinheiro não foi nada natural. O papel-moeda que
hoje usamos é fruto direto das intervenções dos estados no âmbito monetário. O
ouro não deixou de circular na economia meramente por livre decisão da
sociedade; não foi o processo espontâneo de mercado o único responsável pelo
desaparecimento do metal no cotidiano da economia.

A grande
responsabilidade pela eliminação do ouro como dinheiro ou padrão monetário
recai nas decisões arbitrárias dos bancos centrais. A âncora no ouro sempre foi
um empecilho às políticas monetárias expansionistas; livrar os bancos centrais
dessa amarra foi uma decisão política. Não havia ciência nem progresso
tecnológico que pudessem justificar o fim do papel desempenhado pelo ouro no
sistema monetário.

Mas se ouro não
é dinheiro, então o que é? Voltemos a Bernanke: ouro é simplesmente um metal
precioso. É uma commodity. E tem sido usado como ativo no portfólio de muitos
investidores como proteção contra cenários bastante catastróficos. Um porto
seguro para preservação de valor.

Durante
milênios, ouro foi ou o meio circulante propriamente dito ou o lastro ao meio
circulante. Naturalmente, a memória coletiva da humanidade não permite
interromper esse processo de forma abrupta. E justamente devido à tradição
milenar de commodity empregada como dinheiro é que o ouro segue sendo um
refúgio, um ativo de proteção para muitas pessoas. Nesse sentido, o risco de um
cataclismo financeiro global reforça, ou sustenta, a demanda pelo metal
precioso — em um cenário de colapso do papel-moeda e de crise sistêmica, o
ouro poderá voltar a ser demandado como moeda corrente ou como lastro para as
moedas nacionais — esse é o racional.

Por que precificar pelo ouro é errado

Se ouro não é
mais moeda e está longe de ser o bem mais líquido em uma economia, precificar
outros bens com o metal não tem sentido algum. Analisar a evolução do Dow
Jones, da Bovespa ou de qualquer outro ativo do mercado financeiro pelo ouro
carece de fundamento.

A característica
principal de uma moeda extremamente líquida é a de servir como unidade de
conta, seja em uma jurisdição, seja internacionalmente. Para muitos
economistas, servir como unidade de conta é a própria definição de moeda —
embora divirja dessa opinião, pois moeda é mais um adjetivo que descreve uma
propriedade que diferentes objetos podem possuir, em graus distintos, mas
deixemos essa discussão para depois.

Voltando ao ponto que interessa, pergunto: qual é a moeda mais demandada
no mundo atualmente? O dólar, é óbvio. Não é o euro. Nem o iene. E muito menos
o ouro — que não é moeda, é uma commodity.

Mas o fato de o
dólar não ter nenhuma base ou lastro para seu valor — depende unicamente das
decisões arbitrárias dos PhDs do Fed — não prejudica qualquer análise temporal
dos preços de outros bens e ativos? Em outras palavras, o fato de o dólar ser
constantemente inflacionado pelo Fed não pode distorcer a análise de valor dos
outros bens e ativos?

É claro que
pode. E, sim, distorce. Mas por ser o bem mais líquido em uma economia, por ser
a moeda mais demandada internacionalmente e ter uma oferta relativamente estável — atentem para o “relativamente”, o que não
significa desejável ou correto –, o dólar é inevitavelmente a unidade de conta
internacional. É a moeda global. É o bem pelo qual todos os outros bens no mundo são precificados atualmente. E não há nada que os 6.000
anos de história do ouro possam fazer para mudar essa realidade.

Se a inflação
monetária do dólar engendrada pelo Fed deturpa uma análise precisa de valor ao
longo do tempo, que meios temos para mitigar essa falha? A melhor opção
existente é ajustar o dólar pela depreciação da moeda conforme medida por
índices de preço, apesar dos milhares de
defeitos
inerentes aos índices de preços. Talvez utilizar alguma mescla de
índices de preços minimize as imperfeições de um índice apenas.

Mas ajustar pelo
ouro não seria uma alternativa melhor? Se estivéssemos em 1900, talvez. Mas não
hoje em dia, em que o ouro foi largamente desmonetizado, não é um bem com alta
liquidez no mercado, não é usado como meio de troca; é apenas uma commodity, um
ativo de proteção com baixíssima proporção nos portfólios de investimentos globais.

O metal precioso
já foi um excelente termômetro da depreciação das moedas fiduciárias. A alta no
valor do ouro refletia, em larga medida, a inflação gerada pelos bancos
centrais. Contudo, dado o status atual de apenas commodity ou ativo de
proteção, essa relação já não é mais tão estreita. Por isso, analisar outros
bens e ativos ao longo do tempo, ajustados pelo preço do ouro, é mais do que um
equívoco, pois insere uma distorção adicional à já complicada análise pela
moeda global, o dólar, que sofre manipulações diárias pelos PhDs do Fed.

Não basta uma
oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço
ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E
isso, hoje, o ouro infelizmente não tem. Que estejamos sob um padrão monetário
sem lastro algum, em que a provisão de moeda obedece às vontades de economistas
com alto grau de discricionariedade, não nego. Aliás, lamento. Mas a realidade
é inegável: ouro não é mais moeda. A moeda global é o dólar. O denominador
comum mundial é o greenback. Pedaços
de papel e dígitos eletrônicos, nos quais as pessoas confiam e pelos quais bens
e serviços são intercambiados no mundo todo e a riqueza do planeta é
precificada. E esse estado de coisas não retrocederá no tempo.

Ouro não voltará a ser dinheiro

Durante a década
de 1960, economistas do calibre de Milton Friedman e Paul Samuelson prognosticaram que, caso o dólar fosse
libertado das correntes do ouro, o preço do metal cairia bem abaixo do valor
oficial de US$ 35/onça. Segundo eles, o ouro acabaria tendo seu valor restrito
ao seu uso não monetário, estimado então em US$ 6/onça. A commodity seria
finalmente desmonetizada, previam.

Contudo, uma
minoria de economistas da Escola Austríaca de Economia (por exemplo, Ludwig von
Mises e Jacques Rueff, assessor econômico do general Charles DeGaulle) antevia
precisamente o oposto: com o fim da conversibilidade do dólar em ouro, a moeda
americana ficaria desprovida de lastro, perdendo na prática o câmbio fixo com o
metal precioso e possibilitando a inflação descontrolada de papel-moeda. A alta
no preço do ouro seria uma consequência inevitável, um reflexo da depreciação
do dólar.

Friedman e
Samuelson erraram. Mises e Rueff estavam certos nas suas previsões. Quando
Richard Nixon cortou
o último vínculo formal com o ouro — em 1971, jogando pela janela o sistema de
Bretton Woods –, a cotação da commodity disparou, chegando a mais de US$ 70 em
poucos meses. Os anos seguintes foram marcados pela inflação galopante do dólar
e a implacável alta no preço do ouro. Naturalmente, o metal seguiria servindo
como refúgio e proteção em um mundo de papel-moeda e câmbios flutuantes.

O passo político
para o início da desmonetização total do ouro foi dado em 1971. Mas as
circunstâncias tecnológicas estão se desenrolando há muito mais tempo. Na
prática, o ouro já havia sumido do dia a dia da economia décadas antes do fim
de Bretton Woods. O metal precioso desapareceu do cotidiano dos agentes
econômicos não apenas por decisões políticas, como também por questões de
simples conveniência, por questões de uso prático. Recorrendo ao economês, usar
ouro em espécie eleva os chamados custos de transação.

Custodiar e
transferir o ouro sempre foram empreitadas complicadas, especialmente em longas
distâncias. Todo o sistema bancário se desenvolveu para resolver, dentre outras
coisas, essa grande desvantagem do metal. Os substitutos de dinheiro
(certificados de depósito, cédulas bancárias e depósitos bancários) foram
concebidos para melhor prover os serviços que o metal físico jamais
conseguiria. Ironicamente, a materialidade do ouro é uma força — pois por meio
dela a escassez é assegurada –, mas é também uma grande fraqueza, porque
dificulta a custódia e a simples transmissão de propriedade.

Ouro, como
padrão monetário, é insuficiente sem um sistema de pagamentos. Ouro, como
moeda, jamais prescindiria de inúmeros terceiros responsáveis pela custódia,
liquidação e transferência. Esse emaranhado de intermediários inevitavelmente
introduz uma vulnerabildiade no sistema: o risco da contraparte.

Sejamos
honestos, transacionar com ouro em espécie é inconveniente. A característica
fundamental do ouro como dinheiro reside na sua oferta inelástica, na
incapacidade de governos ou bancos inflacionarem a quantidade do metal em circulação. Mas
seria a materialidade a única forma de garantir uma moeda inviolável? Mais
adiante remotarei esse ponto.

Friedman e
Samuelson erraram porque acreditavam que não haveria mais demanda por ouro como
ativo. Não entenderam que a estabilidade de valor — a previsibilidade do poder
de compra — era protegida pela âncora na commodity. Mises e Rueff entendiam
muito bem essa relação. À época, simplesmente não havia alternativa à moeda
puramente fiduciária senão o ouro, a despeito de todos os inconvenientes de uso
prático.

Mas hoje os
tempos são outros.

O invento do
Bitcoin mudou radicalmente os fundamentos do ouro. O passo político para
desmonetização do metal foi dado há 40 anos; mas será o Bitcoin o responsável
pela sua desmonetização absoluta. Uma criptomoeda como o Bitcoin tem o
potencial de restringir o valor do ouro ao seu uso não monetário. No futuro, o
preço do metal refletirá majoritariamente a sua demanda em aplicações
industriais, joias ou qualquer outra utilidade possível. A previsão de Friedman
e Samuelson será concretizada, não pelos motivos expostos por eles, mas sim
porque hoje há uma alternativa à altura da commodity milenar.

A superioridade
tecnológica do Bitcoin

Se os gold bugs continuam lendo até aqui,
peço-lhes um pouco mais de atenção aos argumentos que seguem.

Por que afirmo
que o Bitcoin é superior ao ouro?

Qualificar o
Bitcoin como o ouro digital é subestimar toda a potencialidade dessa invenção
revolucionária. Ambas são commodities escassas, uma pelas leis da natureza, a
outra pelas leis da matemática. Mas as semelhanças acabam por aí.

Um bitcoin é
perfeitamente divisível. Bitcoins podem ser custodiados pelo próprio detentor e
em diversos formatos — físico ou digital –, sem precisar de nenhum terceiro.
Na verdade, bitcoins não são “manuseados”, não há posse física. O que temos é a
titularidade dos bitcoins gravada no blockchain, e o que se guarda são apenas
as senhas (chave privada) que dão acesso e controle aos fundos. E não importa o
saldo custodiado. O mecanismo de controle é indiferente à quantia em questão.

Podemos
transferir bitcoins diretamente entre dois usuários, independentemente de localização
geográfica ou montante. Não há fronteiras.

Bitcoin é
dinheiro programável. Você pode configurar condicionantes para liberação de
fundos. É possível definir múltiplas senhas, em que são necessárias ao menos
duas assinaturas para a transferência ser efetuada, em uma espécie de
conta-caução (escrow account).

Bitcoins não
podem ser confiscados, apreendidos ou bloqueados. Simplesmente não há o que
bloquear. Não há a quem cercear ou coagir. A rede não pode ser obstruída por
decreto. A não ser que derrubem toda a internet, o blockchain seguirá pulsando
nos computadores distribuídos ao redor do mundo.

O Bitcoin é a
evolução do dinheiro. É a forma mais abstrata de moeda já inventada pelo homem.

Não muito tempo
atrás, uma das críticas contra a moeda digital era: o que você pode fazer com
um Bitcoin? Não tem valor intrínseco, não tem utilidade, alegavam os céticos.
Hoje a situação é inversa. A quantidade e diversidade de aplicações possíveis
ou potenciais da tecnologia são assombrosas. Inclusive, manter-se atualizado
acerca de todas as iniciativas e novos projetos sendo desenvolvidos com a
inovação do Bitcoin tornou-se um feito quase inalcançável.

Desde registro
de ações e transferências de ativos, até plataformas de apostas e previsões,
registro de terras, comprovação de documentos, serviços notariais, processos de
auditoria, etc. Certamente me esqueci de uma dúzia de outras iniciativas. A
utilidade potencial da tecnologia está recém sendo percebida, entendida e
desenvolvida.

O ritmo de
inovação desencadeado pela invenção do Bitcoin é simplesmente extraordinário.

Mas já que este
artigo é essencialmente sobre o ouro — e o início do seu fim como ativo de
proteção –, devolvo a pergunta aos gold
bugs
: o que podemos fazer com o metal precioso? Qual a sua utilidade além
de ativo ou moeda? De todas essas aplicações possíveis, quais são realmente
essenciais ou relevantes ao seu uso como moeda ou ativo de proteção?

A questão
fundamental, porém, e sobre a qual os gold
bugs
devem refletir, é esta: qual de suas propriedades intrínsecas é
realmente essencial à função monetária? Qual característica de fato distinguiu
o ouro dentre outros meios de troca? A escassez. A impossibilidade de
reproduzi-lo em
laboratório. A sua oferta rígida e limitada pela própria
natureza. O que nos remete à pergunta feita acima: seria a materialidade a
única forma de garantir uma moeda inviolável?

Historicamente,
a escassez e a tangibilidade sempre foram inseparáveis. Mas o Bitcoin conseguiu
a façanha de dissociar a escassez da tangibilidade. A invenção de Satoshi
Nakamoto permitiu recriar a escassez do mundo físico na forma digital. E as
implicações disso não podem ser menosprezadas.

Assim, quando um
gold bug pergunta “por que não lastrear o Bitcoin em ouro?”, das duas, uma: ou
ele não entende o propósito do lastro em ouro ou ele não entende como funciona
o Bitcoin. Implicitamente, o que eles buscam é uma forma de assegurar a
restrição de oferta, é impedir a inflação, é garantir a escassez. Mas não há
com o que se preocupar, pois a criptomoeda já contém esse atributo no seu
código-fonte.

O futuro da moeda

Em sua obra “The Case for 100 Percent Gold Dollar“, Murray Rothbard escreveu:

É
particularmente estranho que aqueles que professam ser campeões da economia de
livre mercado sugiram padrões monetários complexos para evitar lidar com o
simples fato: que o ouro, aquele escasso e valioso metal produzido pelo
mercado, sempre foi, e continuará sendo, de longe a melhor moeda para a
sociedade humana.

Estivesse vivo
hoje, creio que Murray Rothbard repensaria essa afirmação.

Não sei se o
Bitcoin será a moeda corrente no futuro. Não sei que forma ou nome terá a moeda
no futuro. Mas tenho cada vez mais convicção de que o ouro não terá nenhum
papel a desempenhar no sistema monetário das gerações vindouras. Suas vantagens
históricas são potenciais fraquezas hoje em dia.

Naturalmente, o
principal ingrediente, em qualquer sistema monetário, é a liberdade. A
liberdade de produzir e de escolher moeda. Nesse ambiente, tenho certeza de que
a melhor alternativa será descoberta pelos indivíduos. Hoje não temos esse
ambiente. Mas mesmo se o tivéssemos, ouro dificilmente seria superior ao
Bitcoin.

Considerando o
estado de socialismo absoluto no âmbito monetário, a única alternativa viável
de uma moeda de livre mercado é o próprio Bitcoin ou o que vier a superá-lo. O
que quero dizer com isso? Permitam-me citar um trecho de um artigo de 1966 do
ex-chairman do Fed Alan Greenspan, intitulado “Ouro e liberdade econômica“,
para contribuir com minha resposta:

Na ausência do padrão-ouro, não há como o indivíduo
proteger sua poupança do confisco que ocorre por meio da inflação.  Não
existe mais uma reserva de valor confiável.  Se existisse, o governo
torná-la-ia ilegal, assim como fez com o ouro.  Se todos os cidadãos
decidissem, por exemplo, converter seus depósitos bancários em prata ou cobre
ou em qualquer outro bem, e em seguida se recusassem a aceitar cheques como
forma de pagamento por seus bens, os depósitos bancários (formados por dinheiro
de papel) perderiam todo o seu poder de compra, e a expansão do crédito
bancário fomentada pelo governo passaria a ter valor zero.  A política
financeira do estado assistencialista requer que não haja maneiras com que os
proprietários de riqueza possam se proteger
. (grifo nosso)

O Bitcoin
sobressai-se ao ouro precisamente no ponto em que o último fracassou: uma forma
de reserva de valor segura. À prova
de confiscos. Imune a bloqueios. Livre do risco de terceiros fiduciários.
Especialmente quando levamos em conta a tendência atual de cada vez mais
impotência perante o sistema financeiro tradicional — guerra contra o dinheiro e juros negativos –, o Bitcoin surge como uma grata
e necessária inovação no mundo financeiro.

Por todos esses
motivos, o ouro pouco a pouco perde seu apelo como ativo financeiro, como ativo
de proteção, como porto seguro. No longuíssimo prazo, o valor do ouro estará
predominantemente ligado a sua utilidade industrial. Acabará sendo nada mais
que uma relíquia bárbara, um metal precioso, mais um símbolo na tabela
periódica.  

Antes de
concluir, um breve adendo com relação ao preço do ouro atual (cerca de US$
1.100/onça). A queda dos últimos meses pode estar refletindo a expectativa de
aumento dos juros e um dólar relativamente mais forte, é verdade. Mas também
pode estar refletindo justamente o que expus neste texto. É impossível saber
com certeza. A reflexão aqui contida, porém, não está embasada pela queda ou
alta recentes de um ou outro ativo. O diagnóstico é bem mais profundo que isso.

Vale destacar
que boa dose do racional de valorização potencial do ouro — na ótica dos gold bugs — advém principalmente da
expectativa de que investidores, cedo ou tarde, se darão conta da insanidade
perpetrada pelos bancos centrais mundiais e buscarão refúgio no metal. Alguns
anteveem um cenário ainda mais otimista: uma possível remonetização da
commodity elevaria sobremaneira sua cotação. Mas essa conjuntura não se
materializará.

O Bitcoin já vem
sendo demandado como um porto seguro e, na margem, está abocanhando uma fatia
do ouro na alocação de investimentos destinados a ativos dessa natureza. Não
encarem, contudo, este artigo como um sinal de compra ou venda imediata da
criptomoeda ou do metal — não estou fazendo timing de investimento. Meus
argumentos e previsões aqui expostos têm mais a ver com uma tendência secular,
com uma transformação fundamental no âmbito monetário do que com uma simples
oportunidade de investimento.

A seu favor, os gold bugs têm a história. Não se apagam
milênios de experiência humana da noite para o dia. Mas isso não será suficiente
para manter o status de ativo de proteção nos próximos séculos. O Bitcoin, a
seu favor, tem a superioridade tecnológica, a redução nos custos de transação e
a blindagem natural contra a coerção estatal. Nada disso é garantia de que será
demandado, mas é um bom indício de que pode vir a ser. E um indício melhor
ainda de que a liberdade vencerá.

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151 comentários em “Ouro não é mais dinheiro e não voltará a ser”

  1. Interessante o artigo. Acho que o elemento chave de diferença entre o ouro e bitcoin é que o ouro TEM um uso industrial. Sim, a um valor mais baixo. Mas nao depende 100% da confiança dos consumidores. Amanhã, se por algum motivo, as pessoas perderem a confiança no Bitcoin, o valor pode ir rapidamente para zero, pois o bitcoin não tem função alguma além de “reserva de valor” – e até isso acabaria sendo perdido numa perda de confiança forte. No final das contas, o seu valor é bits que foram minados. Esses bits têm valor pequeno, especialmente se você considera que com as inovações que existem diariamente, o bit amanhã vale menos que o bit hoje.

    O ouro, se algum dia ocorrer uma perda de confiança, pelo menos pode ser vendido para seu uso industrial, ou como jóia, ou até guardado para o dia de amanhã, quando passar a crise de confiança.

    Claro, é muito importante a transmissibilidade da moeda. E o ouro não é transmissível, ou muito difícil de transmitir. Especialmente se o dia de amanhã os Governos decidissem confiscar todo o ouro, daí que realmente seria impossível mover o metal pelas fronteiras – além do mais que é fácil de detectar.

    Acho que haverá alguma solução. Precisa ser anônima (o Bitcoin não é perfeitamente anônimo ainda), precisa ser transmissível, e precisa ter um lastro de algum commodity. Pode ser que esse lastro seja o ouro, e aparecerão os “traficantes de ouro” no futuro, para burlar os limites impostos pelos governos. Pode ser que o commodity seja algo mais fácil de transportar, e mais imperceptível. Também há o “catch 22”, de como montar um banco que guarda grandes quantidades de algum lastro, ao mesmo tempo que é um serviço anônimo E confiável.

    Mas a criatividade humana é infinita.

    Apenas acredito que o dia de amanhã trará essa solução. E concordo que ela não é ouro. Mas também não é bitcoin.

    Talvez um dos passos de transição será alguma moeda de algum dos países que estão comprando muito ouro no momento, e vêem os benefícios de passar o ocupar a posição do dólar, com uma política austera de dinheiro.

  2. “…..: uma forma de reserva de valor segura. À prova de confiscos. Imune a bloqueios.”

    Fernando, me surgiu uma dúvida: quem aceitaria bitcoins como forma de garantia, se elas são justamente à prova de confiscos? Em caso de inadimplência do devedor, como o credor reaveria seu crédito?

    Seria o bitcoin, na prática, apenas um meio de pagamento à vista? Qual o valor de um ativo que não pode ser dado em garantia pra nada (poder até pode, mas quem iria aceitar?)

    É isso, ou entendi errado?
    Obrigado.

  3. Prezado Fernando,

    Parabéns pelo artigo. Achei interessante sobre a parte da programação do bitcoin.

    Lembro a você que está devendo um artigo sobre o Ripple.

    Concordo que o ouro não é moeda. Não sei se voltará a ser. Se algum país grande resolver lastrear a moeda com ouro, pode ser que volte.

    O Bitcoin também não é moeda (na maioria dos países). Aliás, aqui no Brasil nem o dólar é moeda, já que não posso fazer minhas compras em dólar.

    A questão é: como o Bitcoin (ou qualquer outra Cryptomoeda) irá vencer a barreira Estatal sobre a moeda de curso forçado de um país específico?

    Querendo ou não, a transação deixa rastro, que poderá ser usada posteriormente para multa ou prisão do infrator. Se nem o dólar consegue furar a barreira, por que o bitcoin iria conseguir? Como uma empresa declararia sua receita em Bitcoins sem levar uma multa?

    Acredito que o Bitcoin, assim como o ouro, funcionará mais como reserva de valor, não como moeda: se ele mantém seu valor ao longo do tempo e não é a moeda de curso forçado, as pessoas preferirão transacionar com a moeda do país e guardar o Bitcoin para preservar o patrimônio.

  4. Um dos melhores artigos que já li por aqui. Foi o que tentei dizer tempo atrás quando comentei em um artigo que não entendia o fetiche com ouro de alguns economistas austríacos. Também achei muito oportuna a afirmação de que só em um ambiente realmente livre teríamos conhecimento da melhor solução de mercado para a moeda.

  5. Sei que o foco do artigo é o ouro mas como Bitcoin foi trazido(e ovacionado pelo autor) aproveito para avisar aos interessados em mais detalhes sobre o funcionamento do Bitcoin que a Universidade de Princeton vai oferecer um curso online(em inglês e de graça) sobre Bitcoin, inicio previsto para primeiro de setembro desse ano: https://www.coursera.org/course/bitcointech.

  6. Não basta uma oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E isso, hoje, o ouro infelizmente não tem. Que estejamos sob um padrão monetário sem lastro algum, em que a provisão de moeda obedece às vontades de economistas com alto grau de discricionariedade, não nego. Aliás, lamento. Mas a realidade é inegável: ouro não é mais moeda. A moeda global é o dólar. O denominador comum mundial é o greenback. Pedaços de papel e dígitos eletrônicos, nos quais as pessoas confiam e pelos quais bens e serviços são intercambiados no mundo todo e a riqueza do planeta é precificada. E esse estado de coisas não retrocederá no tempo.

    Este artigo não vai contra a análise que foi feita sobre o plano real neste artigo?

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    O artigo inclusive termina assim:

    Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo? Estabilize a moeda em relação ao ouro. As consequências são incríveis. Não é teoria. É empiria.

  7. Lúcio,

    Não sei se entendi direito a sua pergunta, mas me parece que você confundiu duas coisas distintas.

    Dar um bem como garantia contra eventual inadimplência é algo que a humanidade faz há milênios. Não há confisco nessa transação, se definirmos confisco como a aquisição violenta de propriedade (como no caso dos tributos, por exemplo).

    Alienação fiduciária em garantia, hipotecas, e similares são contratos voluntários (pleonasmo, eu sei, mas hoje em dia nunca se sabe…). Adotando a definição de confisco acima, ele não existe aqui. As partes contratantes se comprometes, uma a providenciar o crédito, a outra a oferecer uma garantia de natureza diversa da obrigação principal, via de regra um bem imóvel, mas pode, por exemplo, ser obrigado a comprar uma apólice contra esse risco em benefício de quem empresta, caso venha a inadimplir.

    Se isso ainda não é possível dentro da arquitetura bitcoin, pode estar certo que alguém vai inventar.

  8. Na realidade quem substituiu o ouro no papel de refugio contra desvalorização dos papeis moeda nas ultimas décadas foram os imoveis.

    As pessoas sabem que o dinheiro vale cada vez menos (inflação) então é comum que elas imobilizem suas riquezas em imoveis, por exemplo.

    Só que imoveis no geral tem uma liquidez muito ruim, tão pior quanto do ouro. Nesse ponto que o Bitcoin pode contrapor.

    Mas o Bitcoin tb não é muito bom (ainda) em liquidez. Mas basta que cada vez mais gente use para que ganhe mais liquidez.

  9. “À prova de confiscos. Imune a bloqueios.”

    Quando falam que o Bitcoin é a prova de intervenção governamental, acho uma afirmação bastante inocente (pra não dizer desonesta). Nenhuma forma de criptografia está imune à “rubber-hose cryptanalysis”, ou seja, coerção e tortura. A natureza virtual e descentralizada torna as coisas difíceis, mas “derrubar a Internet” não é a única ação que os agentes coercivos podem tomar. É importante não cometer o erro de propagar essa falsa segurança.

  10. hehehe

    O ouro está para os minarquistas assim como o bitcoin está os anarcocapitalistas.

    Artigo fantástico, agradeço ao Fernando por escrevê-lo.

  11. Marcelo Armani Lopes

    Fernando Ulrich,

    Considerando-se que o Bitcoin pode sofrer concorrência de outras criptomoedas, te pergunto: não estaria aí um argumento em favor dos gold bugs – já que o ouro é irreplicável, mas a Blockchain não?

    No futuro, é possível que as pessoas optem – seja por que motivo – por uma outra Blockchain; ou, até mesmo, por várias outras.

    Mas não é possível que optem por outro ouro.

    Não estaria aí a chave da diferença entre o ouro e o bitcoin?

  12. “A não ser que derrubem toda a internet”…
    Eu acredito que quando a coisa pegar de verdade para os governos, eles vão tentar derrubar a internet, E digo mais, se eles não encontrarem uma maneira de cobrar os impostos, eles vão provavelmente de casa em casa recolher dinheiro, como antigamente. Do estado, eu só espero o pior.

  13. Rodrigo Pereira Herrmann

    Ouro é um puta investimento de longo prazo, e ainda será assim por muitos e muitos anos.

    Boa sorte pra quem emigrar da commodity pra cryptomoeda. Vai precisar.

  14. “Vale destacar que boa dose do racional de valorização potencial do ouro — na ótica dos gold bugs — advém principalmente da expectativa de que investidores, cedo ou tarde, se darão conta da insanidade perpetrada pelos bancos centrais mundiais e buscarão refúgio no metal. Alguns anteveem um cenário ainda mais otimista: uma possível remonetização da commodity elevaria sobremaneira sua cotação. Mas essa conjuntura não se materializará.”

    Caro Fernando,

    Concordo com a sua visão de longuíssimo prazo – de que há uma tendência de fortalecimento das cripto moedas, em particular da Bitcoin. Só acho que o caminho até lá não será tão suave e direto como você coloca. Acredito ser muito cedo para colocar o ouro como um ativo relativamente irrelevante em eventuais momentos de pânicos e crises. Creio que os governos farão de tudo para manter seus poderes de emissão monetária, nem que seja o retorno ao lastro metálico, antes de um domínio das cripto moedas. Acho o “timing” fundamental nessa discussão. De uma certa forma você discutiu o “timing”, ao afirmar que “essa conjuntura não se materializará”. Gostaria de saber por quê não?

    abçs

  15. “Não basta uma oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E isso, hoje, o ouro infelizmente não tem.”

    E o Bitcoin por acaso tem uma demanda estável? Eu ainda não posso comprar um pão na esquina com ele. Nesse caso na minha opinião ele tem uma demanda baixissima.

    O Bitcoin também pode ser “trocado” por outra criptomoeda. Caso houver algum sinal de hackeamento (por favor não me venha com blockchains etc.) hacker que é hacker sempre acha uma maneira de driblar tudo. Em caso de “ataque hacker maciço e frequente” os usuários poderiam optar abandoná-lo e optar por outra criptomoeda substitutiva levando sua cotação a zero ou próximo a isso)

  16. O autor esqueceu de escrever no artigo que acredita em Papai Noel e Fada do Dente. Sinceramente … que cegueira ! Comprem todos os bitscoins que o computador fabricar … que Eu compro todo o OURO que puder …

  17. Paulo Henrique Martinello

    O bitcoin tem um preço muito instável para permitir que seja usado como moeda comercial
    Isso é normal em inicio de moedas? Algum dia ele pode ter um preço mais estável? Pois creio que isso seja o maior impedimento para usar comercialmente essa moeda.
    Um comerciante precisa de um dinheiro que não sofra tamanha instabilidade para que seus cálculos de lucros e prejuízos possam ser feitos. Se eu vendo algo por ‘x’ bitcoins, e amanha ele desvaloriza 20%, eu perdi poder aquisitivo e meu lucro da venda anterior reduziu. Teria que esperar ele se valorizar novamente para não tomar prejuízo com venda, e isso pode demorar muito como pode acontecer de um dia para o outro.

    Com essa falta de previsibilidade é difícil alguém usa-lo para transações de produtos, mas ele não sofre problema com especuladores, da para ganhar um bom dinheiro com esse sobe e desce

  18. Assim como as moedas “normais”, o Bitcoin é uma pirâmide. O ouro ao menos tem uma utilidade se ninguém mais entrar na roda.

    Reserva de valor não é apenas proteger da inflação. É ter alguma utilidade caso ninguém mais aceite como dinheiro.

    Nem sou fã do ouro, prefiro outro bem ou serviço( ou conjunto deles).

  19. Mike Maloney, Ron Paul, Jim Rickards, Gerald Celente, Peter Schiff, Bill Holter, Robert Kiyosaky, entre tantos outros, iriam “adorar” este artigo…

  20. Dissidente Brasileiro

    A fé cega de algumas pessoas em certas coisas as impede de enxergar aquilo que é óbvio: como é que algo criado pelo governo pode trazer liberdade econômica? Ou vocês acham que eles criariam algo que mais à frente pudesse prejudicá-los? Fica a pergunta para quem tem o mínimo de coerência responder.

  21. Realmente é um artigo excelente. Parabéns.

    Mas algo me ocorreu ao ler o artigo: se criptomoedas vierem a ser de fato amplamente aceitas como meio de troca e as moedas fiduciárias entrarem em descrédito; é possível que os governos retornem ao padrão ouro justamente por ser possível bloquear e confiscar o ativo físico. Seria a ironia das ironias, mas não seria surpresa – governo só faz algo certo quando não tem outra opção.

  22. Dólar a R$ 3,36 !!

    Logo vi que a fantástica recuperação que nossa indústria vem apresentando desde o início do ano (produtividade cada vez maior e contratações em alta) não era à toa.

  23. Bem, faltou citar um fator fundamental, que todas as moedas emitidas pelo governo tem um “lastro”. Toda a propriedade privada que depende de impostos para não serem tomadas a força. Inclusive a primeira moeda fiduciária (Inglaterra) circulava paralelamente ao ouro sem qualquer lastro, e seu valor não era nulo. Bitcoin, por outro lado, é puramente confiança, e é por isso que não acredito que ele irá substituir moedas fiduciárias, fora em casos extremos de socialismo e caos civil e economico.

    O fim do padrão ouro é um experimento monetário recente e acho que é cedo demais para afirmar que ele é estável, por isso dou toda razão a quem guarda um pouco de metais preciosos. Pessoas afobadas podem achar que 40 anos é pouca coisa, mas acho que em termos históricos ainda há muito tempo para descobrir-mos as verdadeiras consequências desse sistema. Em uma situação assim teremos:

    Ouro: com valor intrínseco
    Moeda fiduciária: com valor intrínsico que diminui de forma constante e previsivelmente menos preciosas a cada momento; e
    Bitcoins: Sem valor intrínseco nenhum, não consigo nem imaginar direito em que realidade bizarra isso de fato seria usado como uma alternativa ao dólar.

  24. Fernando,

    As Criptomoedas não configuram bem escassos. Ao passo que uma delas em particular pode ser limitada à quantidade de hashes computáveis, a quantidade de algoritmos possíveis (e suas correspondentes criptomoedas) é infinito, ou seja, trata-se de um bem não escasso. Podem existir infinitos algoritmos de hash e portanto infinitas criptomoedas.

    O que tornaria uma criptomoeda em particular aceita no mercado – como exemplo o bitcoin – é justamente o efeito de rede. Mas oras, porquê o ouro não poderia ter o mesmo efeito de rede? Não há absolutamente nada no bitcoin – ou em qualquer outra coisa – que o faça superior ao ouro neste quesito.

    Entendo que o ponto central aqui é separar o conceito do meio de troca da sua reserva de valor – sim, o ouro perdeu seu status de meio de troca, mas nem de longe perdeu seu status de reserva de valor. E a causa disso é simples, o ouro ficou forte demais para ser usado em transações cotidianas, deixando essas trocas à cargo de meios de troca mais fracos (como por exemplo, cédulas de papel e moedinhas). O bitcoin está ganhando lentamente este território, muito mais pela agilidade da transação do que pelo seu valor intrínseco (Note que o Litecoin é muito melhor para isso mas ainda assim não “pegou”). Mas lembre-se que o governo pode acabar com a festa em uma única canetada…

    Longa vida ao ouro. Longa vida às criptomoedas. Mas cada um com sua função.

  25. Artigo impactante… Antes de tudo pragmático, como se dissesse: “as ações dos governos no intuito de eliminar o irritante ouro como moeda surtiram efeito; eu me rendo”
    A discussão aqui na parte de comentários corre em altíssimo nível. Parabéns.
    Bem, solto meus pitacos:
    1) a imprevisibilidade da ação humana lança nossos esforcos em fazer previsoes como um mero exercicio de futurologia (desculpem ser óbvio). A questao das preferencias pessoais, as manipulacoes a que sao sujeitas tomam proporcoes consideraveis na questao monetaria.
    2) a vantagem do bitcoin que mais admiro é a de operar à margem do sistema monetário/ financeiro “oficial”, o que retira seu monopólio e incomoda, pelo menos um pouquinho
    3) entre me garantir com ouro guardado em casa e confiar numa criptomoeda dependente da internet, acreditaria no bitcoin como penúltima linha de defesa, e no ouro como último recurso. Se eu tivesse ouro, e o governo confiscasse barras custodiadas pela BM&F, seria uma violacao muito clara à minha propriedade; agentes estatais adentrarem minha casa para subtrair tais barras, então, seria um absurdo inclassificável. Já a bitcoin pode sofrer ataques especulativos do mercado financeiro quando ela meramente ganhar um porte muito grande; alem de os governos poderem bloqueá-las com poucas medidas.

  26. Só digo uma coisa aos Bitlovers, como engenheiro de computação: Vai confiando em Software…

    Bitcoin é muito INFERIOR ao ouro. Bitcoin parte da premissa de que não se pode quebrar sua criptografia. Realmente atualmente não se pode, mas com o advento da computação quantica, todos os coins estariam expostos….

    Teríamos que ter algoritmos quanticos de criptografia (ainda não inventados).

    Aí eu pergunto: e quem vai fazer a conversão? quem garante que o padrão bitcoin vai valer algo quando surgir o quantumcoin? Enfim… nenhuma moeda tem valor. Acaba que todo meio de troca é fiduciário! mesmo o ouro.

    Se você me diz: quem vai decidir o valor é o mercado. Certo, concordo. Só que há o risco de o mercado simplesmente dizer que os coins de hj não valem nada e você perder tudo.

    O ouro, pelo menos, ainda tem aplicação industrial e estética, coisa que os coins não têm. O ouro dá para ser comprado como ouro físico, embora não seja fácil. Os coins não.

    O ouro não está sujeito a bugs e outros problemas. Percebam que o bug só aparece quando menos se espera… enquanto não dá pau, todo mundo segue cantando dizendo que é perfeito… kkkk ta certo!

    O ouro não pode ser ignorado como se nunca tivesse existido. No pior caso, pelo menos, ele existe. Já os coins nunca existiram, é tão fiduciário quanto os demais papeis-moeda….

    Me espanta um site libertário defender uma moeda fiduciária. Talvez não inflacionária (POR ENQUANTO), mas com certeza fiduciária.

  27. O bitcoin tem dois problemas óbvios.

    Pode não funcionar no futuro (amanhã?) e é altamente deflacionário.

    É o ouro melhorado no custo de transação e piorado na oferta.

    O dinheiro perfeito é o dinheiro eletrônico por conta do custo de transação, mas teria que ter uma oferta aumentada constantemente, para estimular os negócios e não o entesouramento.

    Além disso, seria interessante já ter embutido nele uma taxa para manutenção da atividade estatal. O dinheiro perderia valor de face e a conta do governo ganharia o correspondente. Assim, o custo de coleta de impostos tb cairia para zero.

    O ideal, portanto, é algo semelhante ao freicoin desde que com taxas pequenas. De toda forma, pode falhar no futuro tb.

  28. INICIADA A GUERRA CONTRA O IRAQUE, UMA DAS PRIMEIRAS PROVIDENCIAS DOS ESTADOS UNIDOS FOI DESLIGAR AQUELE PA’IS DA INTERNET. NA ‘EPOCA, ISSO FOI AMPLAMENTE DIVULGADO PELA IMPRENSA. A SEDE DA INTERNET EST’A NA CALIFORNIA. LULA QUERIA, EM SUA SANTA IGNORANCIA E PRETENCIOSIDADE, QUE OS ESTADOS UNIDOS TRANSFERISSEM O CONTROLE DA INTERNET PARA A ONU. COMO NAO EXISTE BITCOIN SEM INTERNET, VAI DA’I…

  29. E “PARA SE FAZER EXISTIR”?

    UMA MOEDA QUE SERVE PARA “SÓ DE VEZ EM QUANDO”?

    UM PENDRIVE,UM CARTÃO DE MEMÓRIA,COMO SERIA OPERACIONALIZADO?

    Só serve ,hoje,a moeda digital,em alguns ambientes,nichos sociais;experimente andar e tentar usar,(comprar e vender coisas,pagar serviços) pelo mundo,vilarejos,zonas rurais,lugares conflagrados ,hoje impossível e amanhã como seria, qual ferramenta se usaria para transacionar bitcoint?

    A moeda digital precisa de uma ferramenta auxiliar,celular,tablet,computador,para que se faça existir,então ,sem sinal de cel e internet,sem banco de memória portatil,SEM UM USUARIO COM CONHECIMENTO DO ASSUNTO,já “não tem negócio;”.

    Um milionario de bitcoint é um “pelado”,nem um cachorro quente consegue em ambiente onde é desconhecido, e não dispuser de ferramentas,infraestruturas de telecomunicação,mas com cédulas da moeda mais vagabunda do mundo ,se compra e vende uma vaca,uma galinha,qualquer coisa é transacionada em qualquer lugar,a qualquer hora.

    Alguem ilumine esta questão,pois fica a idéia de que não é operacional,no dia a dia.Não vi ninguém dar exemplos de funcionabilidade na vida pratica.Em alguns lugares cartões funcionam espetacularmente bem em outras sem chance de conseguir nem um cafezinho ou um pastel.Uma cédula da moeda daquele país,pode ser de moeda podre inflacionada, compra um pastel.

  30. Não sei se eu é que não sou versado em moedas digitais ou se elas não fazem o menor sentido mesmo… Afinal, em que são lastreadas as moedas digitais? É conversível exatamente no quê? Estar em posse de um bitcoin é equivalente a estar em posse do quê? Qual a utilidade real de um conjunto de megabytes que juntos não passam de dados num computador?

    É verdade que nem mesmo o dólar é lastreado num ativo real, como o ouro, mas ao menos é lastreado em outro metal, que é o chumbo… das munições do Estado americano. Ninguém recusa o dólar. Se nós, estrangeiros, não aceitarmos o dólar, o povo americano não irá; afinal, o dólar possui curso forçado. É obrigatório seu uso como pagamento em todo o território americano. Apesar de poder ser factível apenas no longuíssimo prazo, caso o Estado americano (assim como outros Estados importantes no mundo) deixasse de existir, o dólar viraria pó. E o que ocorreria com uma moeda digital não lastreada em ativo real? Creio que teria o mesmo destino do dólar.

    Se o padrão ouro não é viável num futuro próximo, a ideia de Hayek, através da desestatização de moedas me parece muito mais factível. Afinal, caso os bancos emitam moedas, elas podem ser lastreadas em ativos reais, como ouro, ações de empresas, propriedades, letras bancárias, etc. São coisas que existem, que tem utilidade, que podem ser aceito por todos (você se recusaria a aceitar um ativo que representa um metro quadrado de uma propriedade urbana? Eu não recusaria) e que são, ou representam, de fato, a riqueza real.

  31. O único problema dos Bitcoins é que dependem de algo bem frágil e inseguro: eletricidade. Se uma tempestade solar ‘derrubar’ a malha elétrica da terra, queimar os servidores, adeus dinheiro.
    Acho incrível a confiança que os indivíduos colocam em algo tão frágil como a web.
    Desculpem se pareço antiquado e turrão, mas entre bitcoins e ouro, prefiro o último. Qualquer indígena de qualquer continente aceita ouro em troca de comida, cavalo ou qualquer outro bem.
    Duvido muito que aceite Bitcoins.

  32. “Qualquer indígena de qualquer continente aceita ouro em troca de comida, cavalo ou qualquer outro bem.”

    Sim, mas o nome disso é escambo.

    Mas concordo com você, o ouro é ouro, cavalo é cavalo, etc… mesmo não sendo moedas.
    O que não significa que sou contra bitcoins ou qualquer outra idéia mirabolante que tenha alguma utilidade, apenas nunca aposto nem apostarei todas as minhas fichas em idéias mirabolantes.

  33. Esperto é o Silvio Santos que paga os prêmios da tele-sena com barras de ouro, que, nas palavras dele, “valem mais do que dinheiro”.

  34. Empiricus = corretora que propala o que muitos já sabiam sobre a economia brasileira ( crise ) ….e faz disso um baita terrorismo para fins de venderem seus serviços no mercado….tipo : o mundo vai acabar e eu ofereço o abrigo antinuclear, faça a adesão logo…..rsss…eles insistiram muito na alta do dolar, muita gente alarmada foi na deles, mas o dolar ainda neste ano chegou a cair a menos de R$ 3,00……os mesmos que compraram acima de 3 voltaram a vender no pânico…..rssss….para eles interessa é induzir o giro….quanto mais giro , mais ganham !

  35. Perdoem a minha ignorância, mas essa ideia de que não se pode usar o ouro para precificar as coisas não vai contra o artigo do Leandro Roque sobre a destruição do real em que ele usa gráficos mostrando o quanto de ouro podia-se comprar com o real ao longo dos anos??

    De acordo com o raciocínio do Fernando, portanto, avaliar o poder de compra do real pela evolução do preço do ouro estaria errado??

  36. Toda expectativa sobre o futuro da história humana, entendo eu, é baseada na pressuposição. Quanto mais lógica a pressuposição – como esta, feita no impecável artigo supra -, menos presunçosa é a pressuposição.

    Por outro lado, afirmar, como que uma sentença se fosse, que “o ouro não voltará a ser dinheiro” é presunção pura. Se o desenvolvimento tecnológico e a aplicação das Exatas têm coerência histórica – como que um desenvolvimento ascendente e gradual aplicado às utilidades da humanidade -, as relações humanas, que se desaguam na ciência política, para conciliar valores humanos conflitivos, assim não o são: Do mesmo modo que, a saber, finalizada a 1ª Guerra Mundial, ninguém supunha, à época, que praticamente os mesmos países iniciariam uma 2ª, que foi muito mais sangrenta, porque com recursos tecnológicos aperfeiçoados.

    A história da humanidade, no que toca às relações humanas e políticas, não tem, necessariamente, uma lógica. À medida que o tempo passa e que novas tecnologias e ideias políticas ressuscitam parcialmente modificadas, no seio do povo, a própria humanidade responderá a elas não de modo racional e confiada, mas cada vez mais instintivo.

    No mesmo passo em que a tecnologia informática é certo que foi e é uma evolução da humanidade, por meio da qual, supostamente, ri-se dos “bárbaros antepassados nossos”, pode ser também que esse mesmo passo seja a direção para mostrar-nos o quanto dessa pressuposição havia presunção para um futuro dito mais auspicioso.

  37. Muito se fala do ouro como melhor forma de ancorar uma moeda ou até mesmo substituí-la, porém me questiono se a prata não seria melhor que o ouro para cumprir essa função. Sob o meu ponto de vista a prata seria mais uma moeda mais popular, pois seria mais acessível para a classe média e até os pobres a usarem como meio de pagamento.

  38. Falei a serio. Peguem as noticias da epoca da invasao do Iraque,entrem no Google etc. que acharao o que registrei na memoria. A internet nao esta solta no espaco. Tem sede e esta na California. Lula, Fidel et magna cocomitante caterva queriam coloca-la sob os auspicious da ONU. E’ o frenesi esquerdista de querer cortar tudo o que os USA criam ou tem sob controle.

  39. Esse foi um dos piores artigos que já li no site. Não sou entusiasta do Ouro, mas dizer que o Ouro não é moeda e nunca mais voltará a ser, é no minimo irracional. Na minha opinião, não vejo fundamento para a valorização do dólar. “Controlem os meios fiduciarios e finalmente controlaram o mundo.” O futuro é quem dirá se 6000 anos serão jogados na privada. Ouro sempre será Ouro e sempre manterá seu valor intrínseco. Ouro não rende juros, a ganancia e a ilusão da sociedade moderna. Não vou entrar no mérito do Bitcoin ou moedas digitais, mas concordo que os norte-americanos não irão querer abrir mão de sua supremacia de controlar o mundo com sua moeda fiduciária, que o diga Saddam e Kadaf, ousaram criar outros meios de troca em relação ao petróleo e foram aniquilados. A Rússia, a China e a Índia estão erradas em adquirir grandes reservas de Ouro? A escravidão na Terra nunca deixou de existir. Ouro sempre será Ouro! Um metal precioso, uma commodity, um porto seguro para precificar o valor intrínseco de um bem. As pessoas foram enganadas com o fim do padrão ouro. O Ouro foi confiscado pelo governo norte americano e que depois se tornou a nação mais poderosa do planeta, justamente por ter a maior reserva de Ouro do mundo e criar a “moeda” de troca global.
    Não há interesse em devolver ao Ouro o seu “status” de moeda na sociedade atual.
    O Tempo irá dizer quem terá razão. Ouro sempre será Ouro!

  40. Anderson Nascimento Nunes

    Alguém pode me recomendar uma fonte (livro/página web – preferencialmente em en_US ou pt_BR) que indique a razão de o Japão ter abandonado o uso de arroz como dinheiro para adotar metais/papel? Agradeço-lhes.

  41. Meu medo sobre o bitcoin é o governo “grande” proibir o seu uso ou uma nova criptomoeda melhor surgir provocando uma desvalorização brutal do bitcoin, se ao menos tivesse como fazer um tipo de proteção hedge seria muito mais interessante pra que é tipo eu bem cauteloso kkkkk.

  42. Como já foi mencionado em posts anteriores, os hackers e crackers podem se tornar um grande problema nesse jogo de transacionar dinheiro, já que o sistema que possibilita a utilização do bitcoin (os computadores e a internet) é o próprio sistema no qual eles, por definição, possuem amplo conhecimento e experiência.

  43. Analista de Bage

    Gurizada! O negócio é o seguinte… Toda essa parada que vocês discutiram aí acima é muito interessante, muitos argumentos coerentes… Mas o gauchão aqui entende da seguinte forma: tudo é uma questão de oferta e demanda e isso não é muito fácil de explicar. Por isso, tanto ouro quanto bitcoin podem trazer surpresas desagradáveis para investidores no futuro (considerando ouro e bitcoin APENAS como ativos). Eu me protejo das ações insanas do Banco Central do Brasil diversificando em vários ativos (dólar, ações, fundos imobiliários, imóveis, ouro, etc). Agora, de fato para usar o bitcoin como moeda ainda vai levar muitos anos, senão décadas…

  44. Independente de ser moeda ou não, prefiro ouro.
    Ouro nunca perde seu real valor, você que pode compra-lo mais caro por conta da oferta-procura.

    Gostaria de saber então qual é o fetiche de toda nação ter reservas em ouro.

    Gosto de assistir ao canal History chanel, e já tem um tempo, onde vi um programa sobre o ouro. De como os EUA recolheram todo o ouro da população, e depois emitiu títulos desse ouro pela metade do seu preço de mercado aos seus donos.

    O ouro deixou de ser moeda, porque o governo AINDA dificulta o seu comércio.

    Se tirassem toda a burocracia, não demoraria muito para as pessoas voltassem a criar reservas.
    Acredito, que todos procuram por algo ‘tangível’ de fácil liquidez, e o ouro cumpre bem isso.

    Não estou dizendo de ‘grandes quantidades’. mas se o cara tiver 500 mil ou 1 milhão,
    em ouro, não é lá grande quantidade.

    Para quem tem muito, o ideal é diversificar seus investimentos.
    mas para quem tem pouco, e quer segurança que independe de terceiros, o ouro é uma opção que eu com certeza utilizaria.

  45. Fico me perguntando por que será que os antigos escolheram o ouro como moeda de troca? E por quê a escolha do ouro e não outro metal, ou outra coisa qualquer, sei lá, terras, ou diamantes?! (Claro, terras em si seriam dificeis de “trocar”, mas talvez um “certificado de propriedade” fosse mais fácil)

    Podem argumentar sobre a aplicação prática que tem o ouro: na indústria (beleza, mas há 6 mil anos nem existia indústria) ou como jóias, ou outra coisa qualquer. Mas essa avaliação de valor (como qualquer outra avaliação de valor) do ouro como uma jóia é subjetiva: afinal, pra mim não tem nenhum valor um brinco de ouro de 500 mil dólares (preço hipotético), ao passo que valorizo muito mais uma Ferrari. Mas sei que outras pessoas valorizariam muito esse mesmo brinco de 500 mil dólares, portanto, se eu o possuísse não seria por eu não valorizá-lo que ele não teria valor, mas sim pq uma grande maioria valora essa jóia. Confuso meu raciocínio?

    O ouro funcionou pq todos (ou a maciça maioria) acreditaram no valor dele. E isso vale até hoje. Mesmo que não se utilize mais como moeda de troca (por diversos motivos), ainda sim quem dispensaria uma jóia em ouro? Acho que o mesmo vale para o bitcoin: pode dar certo se todos acreditarem na idéia, porém tenho dificuldade para entender a sua utilidade no mundo real, tangível. O que alguém pode fazer com um bitcoin no mundo real? Até uma nota de dinheiro na Venezuela tem serventia…. e vocês sabem qual é… uma vez que o papel higiênico está escasso.

    Me ajudem, por favor.

  46. Dei uma passadinha no site da infomoney sobre o ouro, é de chorar…
    Concordo com o Giovani, o Bitcoin terá valor como moeda quando (e se) muitas pessoas acreditarem que ele tem esse valor.
    Bem, fico confuso sobre o papel da China na cotação do ouro. As suas volumosas compras de ouro deveria estar puxando a cotação para cima.
    Aliás, há a possibilidade da a China converter o renmibi para o padrão-ouro clássico?
    Que países hoje conseguiriam fazer isso? Holanda?
    .
    Leandro?

  47. Dissidente Brasileiro

    Para você comprar algo com ouro, há uma elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação. Isso, por si só, seria suficiente para concluir que ouro, definitivamente, não é mais dinheiro. (ênfase adicionada)

    Esse parágrafo me passou despercebido na primeira leitura. Se for assim, então Bitcoin também não pode ser considerado dinheiro porque você precisa “antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação” para adquirir Bitcoins, ou não é verdade? A menos que você consiga minerar por sua conta, algo inviável para a grande maioria das pessoas atualmente.

  48. “Se for assim, então Bitcoin também não pode ser considerado dinheiro porque você precisa “antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação” para adquirir Bitcoins, ou não é verdade”

    Esta frase sem o primeiro trecho fica sem sentido, o raciocínio valeria para qualquer tipo de moeda de troca (dólar, euro, real, iene, etc.).

    Releia a primeira frase:

    Para você comprar algo com ouro, há uma elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação.”

    Basicamente, o que o autor disse é que a probabilidade das pessoas aceitarem ouro como troca é muito baixa, o que implicaria na troca do ouro por uma moeda local. O padeiro da esquina dificilmente aceitaria ouro na venda de pães.

    Já no caso do bitcoin:

    Bitcoin: moeda digital conquista adeptos em SE

  49. Não se pode afirmar isso, não se sabe o que se passa na cabeça das bilhões de pessoas, o que elas iriam usar como moeda, só chegando o momento para saber.

  50. ahahahah… bitcoin!! Só nos ultimos 30 dias desvalorizou 20%. Só tem utilidade para fazer transações ilegais na deep web (ainda assim com risco de ser pego pela policia ou ser enganado). Bitcoin só é famoso por seus golpes, como Mt. Gox, que valorizou fraudulentamente essa “coisinha de nerd” até 1200 dolares, e desde então o valor só cai, está em “bear-market” desde a fraude do Mt.Gox. Suporta apenas 4 transações por segundo, é caríssimo de se manter (torram em energia o equivalente a 80kg de carvão mineral por transação). Já se sabe que 99% das “moedas” estão com 1% dos usuários, que manipulam seu valor a seu bel prazer. Em resumo, essa porcaria nunca será aceita em massa e ninguém a leva a sério. Se os bancos centrais e governos do mundo vissem o bitcoin como uma ameaça, bastaria gastar uns 5000 dolares por dia (o que não é nada para eles) para inundar a rede de trasações. Bitcoin não é moeda, é uma piada.

    Enquanto isso, a India, China, e Russia estão comprando ouro sem parar. A Alemanha está exigindo suas 300 toneladas de ouro supostamente guardadas no Federal Reserve, que devolveu apenas 5t, prometendo devolver o resto até 2020. As reservas de ouro da Ucrania, Libia, Iraque, Egito e Afeganistão desapareceram, foram roubadas pelos paises ocidentais nas revoluções que houve nesses países. Tudo isso por causa de uma relíquia sem valor, né?

  51. Os governos estatizaram o dinheiro e mudaram seu lastro do ouro para a confiança na palavra deles.

    No curto prazo não parece haver reversão, mas devemos ser cautelosos quanto a dizer que algo nunca ocorrerá, melhor falar de probabilidades.

    * * *

  52. “A questão fundamental, porém, e sobre a qual os gold bugs devem refletir, é esta: qual de suas propriedades intrínsecas é realmente essencial à função monetária?”

    Esta: o ouro não é dependente de energia para ser dinheiro ou lastrear uma moeda.

    “O Bitcoin sobressai-se ao ouro precisamente no ponto em que o último fracassou: uma forma de reserva de valor segura. À prova de confiscos. Imune a bloqueios.”

    Imune exceto a um bloqueio energético. (A propósito: sou usuário e adepto do bitcoin)

    “Por todos esses motivos, o ouro pouco a pouco perde seu apelo como ativo financeiro.”

    Não vejo isso acontecendo. Veja: http://www.zerohedge.com/news/2016-04-16/china-embraces-gold-advance-post-dollar-era e http://www.pravdareport.com/business/finance/17-05-2016/134444-russia_china_gold-0/

    http://www.descentraliza.com.br

  53. eu não acho que o ouro seria uma boa troca, o melhor ainda é o real, apesar da desvalorização da Inflação…

    Eu vejo muita alteração nos saldos

  54. Denis Gomes Samia

    Acho que temos que considerar também que vivemos ainda numa sociedade aonde manda quem pode e obedece quem tem juízo. Não pode ser desconsiderado o poderio militar e de persuasão dos países desenvolvidos na economia. Por que será que alguns países possuem armas nucleares e buscam proibir outros que tenham a não ser pela questão hegemônica. Observo que o bitcoin basicamente necessita de energia como insumo (sem energia, sem mineração) e eu pergunto somos livres em energia?

  55. Alexandre Nascentes Schmitt

    “O metal precioso já foi um excelente termômetro da depreciação das moedas fiduciárias…Contudo, dado o status atual de apenas commodity ou ativo de proteção, essa relação já não é mais tão estreita”

    Este trecho não estaria equivocado? Pois o ouro ainda serve para fazer uma analise da depreciação cambial do dólar, por exemplo, a quantidade de ouro que o dólar podia comprar antes e depois da Guerra do Iraque mostra como a commodities ainda possui importância monetária.

  56. O bitcoin é uma piramide de dolar.Com hora certa para desmilinguir.É preciso criar um novo padrão que tenha equilibrio ,essa bolha pelo papel pintado não pode prosseguir.Há uma necessidade de fazer o avião da alvancagem descer para a economia real,isto implica em contrariar interesses e abrir mão de regalias.E dar um basta na fantasia dos mercados de capitais voláteis a luz da internet e dos supercomputadores.

  57. Tô lendo isso em 2019

    Desde 2015 (quando o artigo foi escrito), o ouro 40% pt.bullion-rates.com/gold/BRL/Year-5-chart.htm

    O autor do texto errou feio…

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