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Por que ser um anarcocapitalista

É
cada vez maior o número de indivíduos (provavelmente nunca foi tão grande) que se
declaram defensores do livre mercado, apesar da incansável e implacável propaganda
contra esse sistema.  E isso é sensacional.

No
entanto, essas declarações sempre são complementadas pelo inevitável mas:
mas precisamos de um governo que ao menos garanta a segurança e resolva contendas
judiciais, que são os serviços mais críticos de todos.

Quase
sem pensar, pessoas que em outras circunstâncias defendem o mercado querem
atribuir ao governo a responsabilidade pela produção dos mais importantes bens
e serviços existentes em uma economia.  Muitas
dessas pessoas são a favor de que o governo seja o monopolista da produção
de dinheiro
, e todas elas defendem um monopólio estatal da produção de leis,
direitos e de serviços de proteção.

Não
estou aqui dizendo que essas pessoas são tolas ou parvas.  É fato que quase todos nós também já
vivenciamos essa fase do “governo limitado” — rotulando-nos de
“minarquistas” –, e, quando éramos assim, simplesmente nunca nos
ocorreu de examinar mais detidamente as nossas premissas.


para começar, alguns poucos princípios econômicos básicos já seriam o bastante
para, no mínimo, nos fazer refletir um pouco antes de já sairmos pressupondo que
o monopólio estatal é a melhor opção:

  • Os monopólios (dos quais o
    próprio governo é o principal exemplo) levam, com o tempo, a preços mais
    altos e pior qualidade.
  • O livre mercado e seu sistema
    de preços estão continuamente direcionando recursos escassos de maneira a
    atender os desejos dos consumidores de uma forma menos custosa possível em
    termos de oportunidades renunciadas. 
  • Os preços formados no livre
    mercado refletem as preferências dos consumidores e faz com que o capital
    privado seja direcionado para as aplicações que melhor irão satisfazer os
    desejos dos consumidores. 
    Simultaneamente, os empreendedores têm de lidar constantemente com
    as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores.  Isso garante um mercado dinâmico e
    sempre voltado para o desejo dos consumidores.
  • Já o governo, mesmo que
    fosse formado exclusivamente por anjos, não seria capaz de gerenciar uma empresa
    eficientemente
    , e nem poderia ser “gerenciado como uma empresas
    eficiente,” como já explicou
    Ludwig von Mises
    . Por não ter de operar segundo a lógica do sistema de
    lucros e prejuízos, uma agência estatal não tem ideia do que produzir, em
    qual quantidade, em qual localização, e utilizando qual método. Todas as
    suas decisões são arbitrárias.

Em
outras palavras, no que diz respeito à oferta estatal de qualquer bem ou
serviço, há bons motivos para esperar qualidade baixa, preços altos e uma
alocação arbitrária e irracional de recursos.

São
várias as razões por que o mercado — que é a arena na qual ocorrem interações
voluntárias entre indivíduos — merece o benefício da dúvida em relação ao estado,
e por que não deveríamos pressupor a
priori
que o estado é indispensável sem antes analisarmos seriamente o que
a engenhosidade humana e a harmonia econômica do mercado já fizeram sem o
estado.

Por
exemplo:

  • O estado adquire a sua
    renda coagindo indivíduos pacíficos e produtivos, e ameaçando de violência
    em caso de resistência.
  • O estado estimula as
    pessoas a acreditarem que existem dois conjuntos distintos de regras
    morais: um é aquele que aprendemos quando crianças, o qual inclui a
    abstenção de violência e roubo; e o outro é aquele que se aplica somente
    ao governo, que é o único ente que pode atacar indivíduos pacíficos e
    produtivos de todas as maneiras possíveis.
  • O sistema educacional, o
    qual os governos sempre acabam dominando (nem que seja por meio de
    ministérios que impõem os currículos escolares), doutrina as crianças e os
    adolescentes a verem, desde cedo, todos os ataques e depredações do estado
    como atitudes moralmente legítimas, e o mundo das trocas voluntárias como
    algo moralmente inferior e até mesmo duvidoso.
  • O setor público é dominado
    por grupos de interesses empresariais e por movimentos sociais formados
    por poderosas “minorias” que fazem lobby para conseguir benefícios
    especiais à custa dos impostos de toda a população.  Por outro lado, para ser bem-sucedido no
    livre mercado — naqueles setores cujos empreendedores não recorrem ao
    governo — é necessário agradar e satisfazer as necessidades e desejos do
    público consumidor.
  • O desejo de agradar a esses
    grupos de interesse quase sempre supera o desejo de agradar as pessoas que
    gostariam de ver os gastos públicos reduzidos (e olha que a maioria dessas
    pessoas quer apenas que os gastos sejam reduzidos marginalmente).
  • O judiciário estatal tende
    a promulgar leis absurdas que visam a agradar exclusivamente esses grupos
    de interesse e esses movimentos minoritários.
  • Os governos doutrinam seus
    súditos, por meio de intelectuais
    defensores do regime
    e da mídia governista, a acreditar que qualquer ideia
    de resistência às expropriações do governo é traição e preconceito — o
    que significa que, para ser honesto e puro, você tem necessariamente de
    ser pró-governo.

E
a lista continua.

É
perfeitamente compreensível que as pessoas possam não entender como o judiciário
— algo que supõem ter de ser ofertado de cima pra baixo — poderia surgir e
funcionar na ausência de estado, muito embora existam várias obras demonstrando
precisamente como isso já ocorreu (ver aqui, aqui, aqui e aqui).  Porém, se o governo houvesse historicamente
monopolizado a oferta de qualquer bem
ou serviço, escutaríamos objeções aterrorizadas a respeito da eventual
privatização desse bem ou serviço.

Por
exemplo, se o governo detivesse o monopólio da produção de lâmpadas, os
intelectuais a serviço do regime nos alertariam que seria impossível o setor
privado assumir a produção de lâmpadas.  O setor privado não produziria lâmpadas no
tamanho ou na voltagem que as pessoas desejariam, diriam eles.  O setor privado não produziria lâmpadas
especiais voltadas exclusivamente para um determinado mercado, já que será
pouco lucrativo fazer isso.  O setor
privado fabricaria apenas lâmpadas perigosas e explosivas.  

O
mesmo raciocínio ocorreria caso o governo sempre houvesse sido o único
fabricante de sapatos: a maioria das pessoas seria incapaz de imaginar como o
mercado poderia ser capaz de produzir sapatos.  Como o mercado poderia acomodar todos os
tamanhos?  Não seria um desperdício
produzir estilos para todos os gostos?  Quantas
marcas existiriam?  Quantas lojas de
sapato haveria em cada cidade?  Em cada
município? Como isso seria definido?  Qual
seria o arranjo de preços?  E quanto aos
sapatos ruins?  Não seria necessário
haver regulamentação da indústria de calçados para garantir que o produto seja
confiável?  E quem iria fornecer sapatos
aos pobres? E se a pessoa não tiver o dinheiro necessário para comprar um par?  Sapatos são, indiscutivelmente, bens muito
importantes para ser entregues às vicissitudes da anarquia do mercado.

Uma
vez que vivemos em um mundo em que as lâmpadas e os sapatos sempre foram de
produção privada, essas objeções parecem risíveis.  

Mas
o fato é que a provisão concorrencial de justiça está longe de ser um fenômeno
atípico na história da civilização ocidental.  Quando o rei começou a monopolizar a função jurídica,
ele o fez não por um desejo abstrato de estabelecer uma ordem — a qual já
existia –, mas sim porque ele agora poderia coletar taxas sempre que os
tribunais reais fossem utilizados.  A
ingênua teoria do “interesse público”, na qual nenhuma pessoa sensata acredita
em qualquer outro contexto, não se torna repentinamente convincente nesse
contexto em específico.

Murray
N. Rothbard gostava de citar Franz Oppenheimer, que identificava duas maneiras
pelas quais é possível adquirir riquezas.  O meio econômico de se adquirir riqueza
implica o enriquecimento por meio de trocas voluntárias: você tem de cria algum
bem ou serviço pelo qual as pessoas voluntariamente queiram pagar. Já o meio
político, dizia Oppenheimer, seria “a apropriação não recompensada do
trabalho de terceiros”.

Logo,
como é que nós, que estamos nesse campo rothbardiano, vemos o estado? Não como
o indispensável provedor de justiça, ordem, segurança e outros chamados
“bens públicos”. (Aliás, a própria teoria dos bens públicos é repleta
de falácias). O estado é, ao contrário, uma instituição parasitária que vive
das riquezas de seus súditos, ocultando sua natureza anti-social e depredadora
sob uma bem trabalhada aparência de interesse público.  É, como dizia Oppenheimer, a organização dos
meios políticos para o confisco da riqueza alheia.

“O
estado”, escreveu
Rothbard
,

é
a organização social que visa a manter o monopólio do uso da força e da violência em
uma determinada área territorial; especificamente, é a única organização
da sociedade que obtém a sua receita não pela contribuição voluntária ou pelo
pagamento de serviços fornecidos, mas sim por meio da coerção.  

Enquanto os outros indivíduos ou
instituições obtêm o seu rendimento por meio da produção de bens e serviços e
da venda voluntária e pacífica desses bens e serviços ao próximo, o estado
obtém o seu rendimento por meio do uso da coerção; isto é, pelo uso de armas e
pela ameaça de prisão.  Depois de usar a força e a violência para obter a
sua receita, o estado geralmente passa a regular e a ditar as outras ações dos
seus súditos.

O estado fornece um meio legal, ordeiro e
sistemático para a depredação da propriedade privada; ele torna certa, segura e
relativamente “pacífica” a vida da casta parasita na sociedade. Dado
que a produção sempre deve preceder qualquer depredação, conclui-se que o livre
mercado é anterior ao estado.  O estado nunca foi criado por um “contrato social“;
ele sempre nasceu da conquista e da exploração.  

Se
é verdadeira essa descrição do estado, e creio que temos boas razões para crer
que é, seria possível ou mesmo desejável apenas limitá-lo?  

Antes
de rechaçar de imediato a possibilidade, teríamos de considerar ao menos se
podemos viver completamente sem ele.  Poderia o livre mercado, a grande arena da
cooperação voluntária, ser realmente o grande motor da civilização (e já
sabemos na prática que ele é)?

“Vamos
apenas nos concentrar em manter o estado limitado”, dizem os minarquistas. Um
estado limitado seria sem dúvida uma grande melhora em relação ao atual arranjo,
mas a experiência já nos
ensinou que um “governo limitado” é um equilíbrio instável
. Governos
não têm nenhum interesse em se manter limitados, quando sabem que podem utilizar
seu monopólio da violência para expandir a sua riqueza e, assim, aumentar seu
poder.

Da
próxima vez que você se flagrar insistindo que precisamos de um governo
limitado, pergunte a si próprio por que nenhum governo jamais se mantém
reduzido. Será que você não estaria à procura de um unicórnio?

E
quanto ao “povo”?  Não poderíamos
confiar na sua capacidade de manter um governo limitado? A resposta a essa
pergunta está totalmente ao seu redor.

Ao
contrário do minarquismo, o anarcocapitalismo não fornece expectativas
insensatas e absurdas às pessoas.  O
minarquista tem de imaginar como irá convencer o público de que, embora o estado
tenha o poder de redistribuir a riqueza e de financiar projetos que agradem a
todos, ele na realidade não deve e nem irá fazer isso.  O minarquista tem de explicar, um por um, os
problemas com toda e qualquer intervenção estatal concebível, ao passo que,
nesse meio tempo, a classe intelectual, as universidades, os meios de comunicação
e a classe política já se coligaram contra ele para transmitir a mensagem
oposta.

Em
vez de exigir as infrutíferas tarefas de ensinar a todas as pessoas o que há de
errado com os subsídios, com o protecionismo, com as agências reguladoras, com
o Banco Central e com o controle de preços — em outras palavras, em vez de ter
de ensinar a todos os indivíduos o equivalente a três cursos universitários de
economia, história e filosofia política –, a sociedade anarcocapitalista exige
das pessoas que elas reconheçam as ideias básicas e morais que são comuns para
quase todos: não agrida inocentes e não roube.

Tudo
em que cremos derivam desses simples princípios.

Não
é o escopo desse artigo explicar em detalhes como funcionaria uma sociedade sem
estado.  Já há vários artigos
voltados exclusivamente para isso.  Há
também uma vasta literatura voltada para abordar as objeções mais frequentes e
evidentes — por exemplo, a sociedade não se degeneraria em uma batalha
violenta e sanguinária comandada por grupos armados e senhores da
guerra
?  Como seriam resolvidas as pendengas judiciais se o
meu vizinho escolher um juiz e eu escolher outro?  Para tudo isso, sugiro a bibliografia comentada do anarcocapitalismo reunida por
Hans-Hermann Hoppe.


uma piada que se tornou corriqueira nos últimos anos no meio libertário: qual a
diferença entre um minarquista e um anarquista? Resposta: seis meses.  Se você valoriza princípios, coerência e
justiça, e se você se opõe à violência, ao parasitismo e ao monopólio, pode ser
que nem sejam necessários seis meses.  Comece a ler e veja até onde essas ideias
levarão você.

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73 comentários em “Por que ser um anarcocapitalista”

  1. Prezados,

    A massa falida da Varig está leiloando uma ilha.
    oglobo.globo.com/economia/ilha-no-amazonas-integra-leilao-da-varig-marcado-para-dezembro-14585190

    Por que não se juntam e tentam um acordo? vocês compram a ilha e combinam com o governo pra que ele não se meta na vida de vocês. De repente conseguem o acordo e assim poderão testar a ideia esdrúxula de existência de um grupo de indivíduos sem um governo constituído.

    Mas sugiro que formem uma milícia, senão logo logo alguém invade a ilha e se declara governante de vocês. Talvez até mesmo o próprio governo com o qual vocês combinaram o acordo.

    Esse site é muito bom quando fala de economia, mas uma piada quando levanta estas teorias piadísticas.

  2. Eu era minarquista … em 2006.

    Daí li um livrinho chamado Da Produção de Segurança, do Gustave de Molinari, e meus “argumentos” de minarquista foram para o beleléu.

  3. Acredito que a maioria dos minarquistas defende a existência de um governo provendo segurança e justiça não por achar que o governo executa tais serviços decentemente, mas por uma simples questão de viabilidade. Vivemos em país onde existe monopólio estatal de ENTREGA DE CARTAS. Não acho plausível cogitarmos a instalação do anarcocapitalismo para amnhã de manhã em cenário de tamanho atraso como o nosso. Além do mais, me incomoda um pouco essa ”briga” entre anarcocapitalistas e minarquistas em um cenário onde já somos poucos. Eu defendo fim de protecionismo em todos os setores, fim do monopólio estatal sobre a moeda, privatização de estatais, fim de agencias reguladoras, nenhuma barreira a entrada de concorrência, etc. Ainda assim, sou considerado um empecilho ao livre mercado e defensor de idéias atrasadas?

  4. O homem é o lobo do homem. Logo precisa-se de um homem central com poderes supremos para fazer com que os lobos sejam pandas. Minarco-socialismo refutado.

  5. Tenho uma dúvida: tanto uma sociedade anarcocapitalista, como uma minarquista, não enfrentam o mesmo problema de surgir um Estado que atropele os direitos de propriedade e liberdade se grande parte da população voltar a aceitar tais ideais estatistas? Alguém ae me tira essa dúvida?

  6. Eu não era porra nenhuma, era somente um humano sem literatura da Escola Austríaca. Ao responder o Diagrama de Nolan fui taxado como Libertário COMPLETO.. Para não dizer que eu nunca tinha estudado (algo) eu acompanhava muitos artigos do Olavo de Carvalho e me achava um grande “conservador”. (Não conhecia as definições)

    Curso Direito e portanto qualquer um pensaria que ao responder o diagrama de Nolan eu estaria apto a responder as perguntas que autorizaria o intervencionismo através do “meio legal”. Isso poderia até acontecer com 90% da turma de Direito, porém uma grande diferença aconteceu comigo. Eu estudei Filosofia, antes de começar o curso de Direito me dediquei a ler “Uma breve história da Filosofia” Nigel Warburton, “A origem da desigualdade entre os homens” Jean Jacques Rousseau. Logo também cursei um curso online da USP sobre ciência política, onde tudo era voltado a filosofia de Platão e Aristóteles. Todo esse aporte me deu uma visão totalmente contrária a este Estado bizarro que existe no momento, pois é muito claro a crítica que Platão fez em seu livro a República e todos os outros filósofos me despertaram a dúvida e a incerteza de uma teoria, algo próximo ao tripé austríaco.

    No curso de Direito mais especificamente no curso de Filosofia do Direito e em Teoria do Direito me identifiquei MUITO com um autor chamado Hans Kelsen, o qual tem o título de maior jurista do século XX. Este só por conhecimento foi amigo de infância de Ludwig Von Mises, se dizia liberal e estudou na Escola de Viena.(Escola Austríaca)

    Onde quero chegar? Por cursar direito sempre me ative a tipicidade das normas e da lei, entendo que uma sociedade deve seguir regras que sejam EFICAZ como o próprio Hans Kelsen cita em seus livros, porém o que eu não entendia a algum tempo era o porque de um Estado todo pautado em normas legais, ainda não cheguei a esse ponto de pesquisar o porque (Hans Kelsen ao contrário o fez e criou sua obra magna “Teoria Pura do Direito” onde ele tenta demonstrar o porque das leis não serem pautadas por princípios políticos ou sociais, e demonstrando então a necessidade do Direito ser uma norma pura uma ciência unicamente pautada na lógica e razão e não na justiça política ou social “RESUMO MEU qualquer erro é culpa minha e não do autor”).

    Sobre as constituições me resta a dúvida se o motivo foi limita-lo (O Estado) ou simplesmente uma artimanha de enganar a população que não tem conhecimento do processo para então quem assumir este poder legal comandar o Leviatã (Pois é o que acontece). Isso é uma discussão para outro artigo, mas falando sobre Kelsen este em sua obra magna falava que as leis não poderiam conter teor “político ou social”, pois estas costumavam a gerar elas próprias demonstrando que se você tem um Estado que constitui para si o poder de legislar e julgar ele será o conteúdo de novas leis tornando assim as leis imutáveis, ou para mim mutáveis dentro de suas perspectivas políticas de “maioria democrática” que já sabemos que nada mais é do que uma ditadura da maioria que nem sempre está certa.

    Perceba que tudo no Brasil é pautado pela Constituição Federal e nada deve sair do que ela diz ser o “certo” isso para mim me soava muito estranho, pois em teoria do Direito todos aprendem que a única característica da lei é a HISTORICIDADE, pois o tempo MUDA TUDO. O próprio tripé Austríaco nos conta isso. Portanto como eu dentro de todo um conteúdo desse era libertário mesmo sem saber me definir ?

    Muito fácil, eu sou pautado simplesmente por conceitos civis, sempre entendi a lei como normas ou condutas para civis. Apesar de ter todo o aparato estatal concebido por leis eu nunca tinha parado para pensar o porque daquilo e por isto eu nunca tinha negado o Estado, mas o único aspecto que me convencia daquilo era o meu pensamento “pequeno” de que tudo era pautado em pró da normatividade civil.

    E porque a normatividade Civil? Qual o nosso princípio básico para o Anarquismo dar certo? O PNA correto ( Princípio da não agressão) não há algo mais eficaz que isto mesmo que através dele possamos gerar outras inúmeras normas estas meramente para que se haja previsão e uma segurança jurídica do ocorrido, para que possamos entender o que este descumprimento irá gerar. No mais sempre fui adepto da ideia da não agressão e isso quem me ensinou foi a moral da minha família e não que minha família seja um Estado, aprendi também dentro da Igreja e não que a Igreja seja um Estado, mas perceba o tanto que estas instituições conseguiram em meio a seus “programas” criar um modo superior de convivência independente do teor de cada família ou igreja.

    O importante é só lembrar que assim como os animais que tem modos de se preservarem biologicamente (como viver em bando) os humanos da mesma forma conseguiram criar os mesmos tipos de sistema, o que mudou em mim só foi entender isto de maneira mais teórica, porém nunca abdiquei de minha liberdade de escolhas só nunca consegui trespassar a do meu irmão. Ou em outras palavras nunca consegui agredir ninguém, nem sua propriedade. ( Acho que só roubando fruta na casa do vizinho, mas eu era criança HAHAHAHA)

  7. Se leu Platão, Rousseau e Hans Kelsen e, ainda assim, virou libertário por causa deles, tenho a forte impressão de que você leu e não entendeu nada. E, convenhamos, graças a Deus que não entendeu.

  8. Não sou um especialista nesta área mas tenho a plena convicção que não há nenhuma possibilidade de tirar o poder do estado, ou até mesmo limita-lo. O estado tem que existir. Cada um com suas funções/atribuições e com seus devidos afazeres. Imaginemos a total privatização da saúde, da segurança, da educação, da justiça e etc. como fariam as pessoas que não tem renda, por exemplo, para paga-los? Como fariam para custear um hospital? Como fariam as pessoas mais desfavorecidas para “contratar” sua segurança? Ou para pagar um escola? Para ter saneamento em sua casa ou bairro? Por mais que as instituições públicas são ineficientes na execução e em suas administrações, temos que dar crédito ao serviço que não visa lucros financeiros e sim a prestação de serviços voltados para o bem da sociedade. Não sejamos hipócritas, por favor. Essa ideia de que o estado é o mau de todas as coisas não passa de uma visão retrógrada e sem muitos fundamentos práticos. Quer um exemplo de ausência do estado e privatização do serviço público? Os bairros mais afastados e as favelas, são ótimos exemplos de omissão do poder do estado. Na sua grande maioria encontram-se milícias e quadrilhas que comandam essas comunidades na base da opressão e do terror. Enfim, o que existe é a má alocação dos recursos oriundos da população e do meio privado, o que ocorre na verdade é o interesse de políticos/partidários que são financiados pelo próprio capital privado. Portanto tudo isso se torna uma grande contradição.

  9. Tenho uma dúvida quanto a hierarquia: Segundo os anarquistas em geral, deve-se abolir a hierarquia(por ela ser a essência de todo Estado) para só depois abolir o Estado, alguém poderia me responder a isso?

  10. Pessoal,
    sugiro escrever um artigo sobre este escândalo na Petrobras e em outras estatais. É impressionante como consigo perceber todos os conceitos bem explicados por aqui como: a ojeriza dos grandes grupos à livre concorrência e como estes se associam a burocratas para criar barreiras (normas/legislação)e tomar a coisa pública para proveito próprio. O mais interessante é que se pegar um Paulo Roberto, Yossef e Renato Duque e perguntar se eles conhecem Mises eles provavelmente irão ficar com cara de paisagem de Windows.

  11. Lula contra a midia golpista

    Esse anarcocapitalismo não passa de um sistema disfarçado dos proprietários do capital para recuperarem o poder que pederam ao longo dos séculos.

    Querem retornar a era da revolução industrial, em que crianças eram obrigadas atrabalhar 16 horas por dia.

    A conquista do estado democratico, é nada menos do que uma conquista do povo.

    E parece que a velha elite ainda não entendeu isso, estão com medo por que agora o povo está comendo mais, não podem pagar salários miséraveis ao povo, o seus lucros diminuiram.

    Não adianta, o que o povo conquistou ninguém tira!

  12. Muito edificante esse artigo. Apesar de praticamente ser dedicado a um público específico (os minarquistas) tem utilidade para todos, pois chama ao conhecimento. Infelizmente – diferente das usuais tecnologias que já são apresentadas prontas pra comprar e usar – as ideias estão em total dependência da adesão das pessoas para só depois se constituir e ter condições de funcionar.

    E mais do que qualquer outro arranjo, o anarco-capitalismo depende imensamente de que seus adeptos sejam também “vendedores”, e que tenham o máximo da engenhosidade de seu funcionamento na ponta da língua, porque só assim é possível se conquistar novos integrantes. E é de se esperar que este seja um pensamento comum a todos. Porque não tem utilidade nenhuma ser anarco-capitalista e dizer que anarco-capitalismo é para o futuro, para daqui a muitas gerações, etc. O que vai valer mesmo é fazê-lo funcionar; nem que seja em apenas um rincão deste país.

    Grande abraço

  13. Respondendo a um estatista que me chamou de anarquista dando à palavra um tom pejorativo, eu pedi que ele fizesse uma lista das dez atitudes mais importantes da sua vida (como escolher parceiro sexual, comer, dormir, escolher a roupa, etc.) e ao final constatamos que em nenhuma delas ele admitia a interferência do estado. Eis aí um bom teste.

  14. Senti que esse artigo foi escrito especialmente para mim, na verdade, a piada no final foi um tapa na minha cara hahahaha

    Desde que encontrei o Mises, me tornei minarquista, mas meus argumentos para defender um estado, mesmo minimo, estão sendo desconstruídos um a um conforme eu leio artigos e livros á respeito, seja defendendo o estado ou estando contra ele.

    Vamos ver se até o fim desse ano eu mudo de opinião.

  15. Emerson Luis, um Psicologo

    Podemos imaginar como se sentiam os abolicionistas décadas ou séculos antes do fim da escravidão no ocidente, enxergando o mal e vendo poucas melhoras.

    * * *

  16. “Há uma piada que se tornou corriqueira nos últimos anos no meio libertário: qual a diferença entre um minarquista e um anarquista? Resposta: seis meses. Se você valoriza princípios, coerência e justiça, e se você se opõe à violência, ao parasitismo e ao monopólio, pode ser que nem sejam necessários seis meses. Comece a ler e veja até onde essas ideias levarão você.”

    hahahahahahaha! Comigo foi assim mesmo: uns 6 meses

  17. Esta questão do Mini-Estado para promover a segurança e a justiça é uma que eu tento me livrar e não consigo totalmente (e infelizmente já se passaram 6 meses).

    Concordo que um estado não deveria ter monopólio da justiça e da segurança.
    Concordo ser um crime o processo de apropriação via imposto.

    Mas temo que na inexistência de uma força não privada, surgisse um estado corporativo,
    que uma empresa de milicia pudesse se associar a outras, e monopolizar este mercado via força.
    Se o Mini – estado tem o potencial para crescer, uma empresa de segurança tem o potencial para criar e impor as próprias regras, e desta forma impedir a concorrência.

    As vezes penso que a solução seria (e tenho dúvidas quanto a isso – aceito as criticas):

    Um “estado” responsável pela segurança e justiça, mas sem monopólio delas.
    Cuja fonte de renda sejam alugueis sobre propriedades e não impostos.
    Quase como uma empresa, mas cujas ações não podem ser monopolizadas, pois cada cidadão possui uma delas pelo simples fato de ser um cidadão.

    Seria uma empresa ineficiente, sabemos disso, a eleição nunca fornecerá a melhor administração, porém a fonte de renda fixa impediria a falência ou o agigantamento.
    Precisaremos de empresas de segurança, tanto para termos melhor qualidade, quanto para serem contraponto ao risco desta “empresa pública”. Mas esta “empresa pública” seria uma garantia das agências de segurança se não tornarem monopolistas.

    aonde está a falha deste raciocínio

  18. Queiroz, a sua solução é criar um monopólio para combater a possibilidade de existir um outro monopólio? A partir do momento que essa tal ‘empresa’ monopolizar pela força e não mais pela eficiência/preços baixos, já teremos um novo Estado, afinal esses tais ‘aluguéis’ não seriam nada mais do que mais uma forma de subversão terminológica para justificar o roubo/escravidão institucionalizada.

    Seguindo a sua linha de raciocínio e sem defender ideias totalitárias, seria melhor propor a existência de governos voluntários (seguradoras com financiamento voluntário, sem fins lucrativos, ou que fossem financiados 100% por filantropia/trabalho voluntário dos próprios moradores, mútua-ajuda, cooperativas de bairro, etc..) que oferecessem tais serviços através de contratos com os proprietários das ruas/casas/condomínios e que existissem simultaneamente com as empresas mais competitivas no mercado livre de fornecimento de segurança, sendo que assim como as empresas, tais cooperativas obtivessem sua renda 100% de forma voluntária.
    Muito provavelmente, o fluxo de inovação e melhores preços viriam primeiramente das empresas privadas, entretanto, as cooperativas tenderiam a acompanhar tais inovações e manter uma disciplina muito próxima do mercado livre apesar de não possuir um sistema de preços estruturado (caso queiram sobreviver e que consigam ser eficientes), talvez a única vantagem desse modelo seria que a agência de segurança estaria mais integrada as comunidades locais (por ser composto por moradores locais e conhecidos de bairro).
    O mais importante de se frisar é que cada região/bairro/rua possa contratar/deixar de utilizar os serviços nas diversas opções existentes (sejam por cooperativas ou as disponível no mercado competitivo), ou seja, que nenhum direcionamento seja compulsório e que qualquer contrato possa ser quebrado por parte do consumidor se o serviço oferecido não for o prometido em contrato, e que se algo que possa ser caracterizado como ‘monopólio’ surgir, que seja pela eficiência, preços baixos e respeito ao consumidor.(E isso só pode acontecer em um cenário a onde não exista interferência estatal, esse argumento de que é necessário uma empresa estatal para garantir que não se formem monopólios privados os estatistas usam em todos os setores e é geralmente a partir daí que os monopólios e oligopólios se formam).

  19. Perfeito! Nunca tinha pensado nisso antes:

    “Dado que a produção sempre deve preceder qualquer depredação, conclui-se que o livre mercado é anterior ao estado. O estado nunca foi criado por um “contrato social”; ele sempre nasceu da conquista e da exploração.”

    Uma aula em meio parágrafo.

  20. E o que os libertários tem a dizer sobre esses ataques na frança,

    apostos que estão todos constrangidos agora e pensando “Ixi a realidade é um pouco diferente do que imaginamos”.

  21. Ótimo artigo! Muito didático e me ajudou a reforçar ainda mais minhas convicções anarcocapitalistas. Para aqueles que se consideram “minarquistas” ou até mesmo “estadistas fiéis”, é um ótimo pontapé inicial ou final para refletir sobre seus próprios pensamentos e ideias. Este é o caminho e a verdade, o anarcocapitalismo é a solução!

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