| Proteja seu bolso: governo em conluio com grandes empresários |
A
palavra “capitalismo” é utilizada de duas maneiras contraditórias. Em algumas ocasiões, ela é utilizada com o
intuito de denotar um mercado livre e desimpedido, ou laissez-faire. Em outras
ocasiões, ela é utilizada para denotar exatamente o arranjo atual em que vive o
mundo, uma economia mista em que o governo intervém para privilegiar grandes
empresas, criando monopólios e oligopólios.
Logicamente,
“capitalismo” não pode ser ambas as coisas.
Ou os mercados são totalmente livres, ou o governo os controla. Não é possível ter os dois arranjos ao mesmo
tempo.
Mas
a verdade é que não há um mercado genuinamente livre em nenhum país do
mundo. As regulamentações
governamentais, as tarifas, os subsídios, os decretos e as intromissões são
generalizados, variando apenas o grau de intensidade com que ocorrem em cada
país. Sendo assim, o termo “capitalismo”
denotando mercados livres não pode ser aplicado nos dias de hoje.
O
que existe é um capitalismo mercantilista, um capitalismo de compadrio, um
capitalismo regulado em prol dos regulados e dos reguladores, e contra os
consumidores.
O
que seria esse capitalismo mercantilista?
Trata-se de um sistema econômico no qual o mercado é artificialmente
moldado por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas e os
grandes sindicatos. Neste arranjo, o
governo concede a seus empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios
que seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado, como
restrições de importação, subsídios diretos, tarifas protecionistas,
empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, e agências reguladoras
criadas com o intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de
concorrentes estrangeiros. Em troca, as
empresas beneficiadas lotam os cofres de políticos e reguladores com amplas
doações de campanha e propinas.
O
capitalismo mercantilista é tão antigo, que Adam Smith já o criticava — e
combatia — no século XVIII. Atualmente,
não é necessário procurar muito para se encontrar exemplos deste tipo de
capitalismo. Basta olhar para o seu
próprio país. Todos os cartéis,
oligopólios e monopólios que você conhece estão em setores altamente regulados
pelo governo, como o setor bancário, o setor aéreo, o setor de transportes
terrestres, o setor de transportes aquaviários, o setor de telecomunicações, o
setor elétrico, o setor energético (petróleo, postos de gasolina), o setor minerador, o setor
farmacêutico etc.
Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e
sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem
barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por
meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam, seja
por meio da burocracia que desestimula todo o processo de formalização de empresas, seja por meio da imposição de altas tarifas de importação que
encarecem artificialmente a aquisição de produtos importados (pense nas
fabricantes de automóveis).
Um
capitalismo de livre mercado é um sistema em que os lucros e os prejuízos são
privados. Já um capitalismo
mercantilista é um arranjo em que os lucros são privados, mas os prejuízos são
socializados. Quando são bem-sucedidas,
as empresas mantêm seus lucros; quando sofrem prejuízos, recorrem ao governo em
busca ou de pacotes de ajuda ou de novas medidas que restrinjam a
concorrência. No extremo, pedem ao
governo para jogar a fatura do prejuízo sobre os pagadores de impostos.
O
papel das regulamentações em um capitalismo mercantilista não é corretamente
entendido pelos intervencionistas. Eles
genuinamente acreditam que as regulamentações são uma forma de o governo
subjugar e domar as grandes corporações.
Só que, historicamente, as regulamentações sempre foram uma maneira tida
como lícita de determinadas empresas (geralmente as grandes e bem-conectadas
politicamente) ganharem vantagens à custa de outras, geralmente menos
influentes.
Por
exemplo, em teoria, agências reguladoras existem para proteger o
consumidor. Na prática, elas protegem as empresas dos consumidores.
Por um lado, as agências reguladoras estipulam preços e especificam os serviços
que as empresas reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as
empresas reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste mercado.
No final, agências reguladoras nada mais são do que um aparato burocrático que
tem a missão de cartelizar os setores regulados — formados pelas empresas
favoritas do governo –, determinando quem pode e quem não pode entrar no
mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não
ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer “perigo” de livre
concorrência.
Em
seu cerne, a regulação é anti-livre iniciativa, anti-livre mercado e
anti-concorrência. A regulação não se baseia nas preferências dos
consumidores e nem nos valores subjetivos dos consumidores em relação aos bens
e serviços ofertados. Ao contrário, ela faz com que as empresas ajam como
se fossem ofertantes monopolistas, de modo que os preços passam a ser
determinados pelos custos de produção das empresas e não pela preferência dos
consumidores.
Mas
isso é apenas o primeiro passo: uma empresa regulada pode encontrar várias
maneiras de fazer as regulações funcionarem em proveito próprio e contra os
interesses dos consumidores.
Por
exemplo, não é incomum que grandes empresas façam lobby para criar regulamentações
complicadas e onerosas sobre seu próprio setor. Por que elas fazem
isso? Para dificultar uma potencial concorrência de empresas novas,
pequenas e com pouco capital. Empresas grandes e já estabelecidas têm
mais capacidade e mais recursos para atender regulações minuciosas e
onerosas. Empresas pequenas, que querem entrar naquele mercado mas que
ainda não possuem muitos recursos financeiros, não têm essa capacidade. Empresas
grandes podem contratar lobistas (ou podem simplesmente subornar políticos)
para elaborar padrões de regulação que elas já atendem ou que podem facilmente
atender, mas que são impossíveis de serem atendidos por empresas pequenas e
recém-criadas.
O
livro “The Big
Ripoff: How Big Business and Big Government Steal Your Money“,
de Timothy Carney, explica em detalhes como a própria Phillip Morris estimulou
a “guerra contra o tabaco” para se beneficiar, como a própria General Motors
agitou pela aprovação de rígidas legislações ambientalistas nos EUA (cujas
restrições mais rígidas afetariam a concorrência), e como a poderosa
megacorporação Archer
Daniels Midland se beneficia dos subsídios para o etanol (algo adorado
pelos ambientalistas).
O
apoio das grandes empresas às regulamentações criadas pelos governos não apenas
não é algo raro, como, na realidade, sempre foi a norma.
Caso
ainda não esteja convencido, apenas faça a si mesmo a seguinte pergunta: Qual
destas tem uma maior probabilidade de ser afetada por vigorosas
regulamentações: grandes corporações com boas conexões políticas e com enormes
departamentos jurídicos e contábeis, ou micro e pequenas empresas ainda
incipientes e em processo de formalização?
Regulamentações
aniquilam a concorrência — e as empresas já estabelecidas adoram que seja
assim.
Este
arranjo de economia mista é também, como já explicado, ótimo para os
governos. Políticos e burocratas
adquirem poderes sobre as empresas e, com tais poderes, garantem que seus
cofres estejam sempre cheios. Políticos
ganham generosas doações de campanha e reguladores ganham fartas propinas. Ambas essas contribuições são feitas pelas
grandes empresas e pelos grandes sindicatos em troca da promessa de novas regulamentações
que irão lhes favorecer e afetar a concorrência.
Trata-se
de uma mistura de socialismo em um arranjo basicamente capitalista, uma mistura
suficiente para manter fluidas as receitas do governo e garantir a
continuidade dos assistencialismos sociais e corporativos. A porção capitalista dessa economia mista
possibilita um confortável estilo de vida para políticos e para milhões de
funcionários públicos.
Defensores
das regulações não percebem que elas são essencialmente uma forma de controle
estatal. É por isso que todos os partidos políticos atuais endossam
agências reguladoras e todo o seu aparato burocrático. Afinal, qual
político não gostaria de comandar amplos setores da economia?
Em
vez de proteger os inocentes e incautos, regulações estimulam os escroques e
incentivam as grandes empresas a manipular o sistema com o intuito de aumentar
sua própria fatia de mercado e seus lucros. Como sempre ocorre com todas
as interferências governamentais nas questões econômicas e sociais, a regulação
gera o efeito exatamente oposto do seu proclamado objetivo. E o pior: em um esforço para se tentar
corrigir as inevitáveis consequências desastrosas das regulações, mais e mais
regulações vão sendo criadas, levando a um controle estatal da economia cada
vez mais paralisante.
Já
passou da hora de a população entender a diferença entre livre mercado, que se
baseia na liberdade e na concorrência, e capitalismo mercantilista, que se
baseia em privilégios concedidos pelo estado.
A
conclusão é que os socialistas se reinventaram, trocaram seu rótulo para
social-democratas, deixaram de lado sua ânsia de estatizar diretamente os meios
de produção e optaram por um mais suave modelo fascista, no qual estado e
grandes empresas atuam em conluio para se beneficiar mutuamente e prejudicar o
cidadão, que tem de aceitar serviços ruins e caros, pois não há mais livre
mercado. Exatamente o intuito original dos socialistas.
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Participaram
deste artigo:
Hans
F. Sennholz (1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises
nos Estados Unidos. Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956
a 1992, tendo sido contratado assim que chegou. Após ter se aposentado, tornou-se
presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997. Foi um
scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G.
Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.
Mark
Borkowski é o presidente da
corretora Mercantile Mergers & Acquisitions Corp., sediada em Toronto.
Leandro
Roque é o editor e tradutor do
site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.
Basta dizer, magnífico e imprescindível.
O artigo dispensa comentários adicionais.
Prezados,
No último artigo que estava comentando o livro capital no Século XXI, levantei as seguintes questões:
O autor do Livro Capital no Século XXI, o francês Thomas Piketty, por acaso procurou saber a origem da riqueza da maioria das pessoas mais ricas de todos os países por ele estudados? No caso de resposta positiva, qual seria a participação, direta e indiretamente, do Estado da geração de tais riquezas? No caso de ser grande a participação do Estado na origem de tais riquezas, as desigualdades por ele apregoadas não poderiam ter sido geradas também ou quase exclusivamente, direta e indiretamente, pelo próprio Estado?
No caso de o autor de tal livro não ter procurado realizar tais pesquisas, as argumentações reproduzidas no seu livro não estariam totalmente inconsistentes?
Este artigo reforça ainda mais o minha desconfiança de que o autor de tal livro não se preocupou em saber se a origem de tais riquezas estava intimamente ligada ao Estado o que, como podemos perceber claramente ao ler o texto supra, poderia facilmente gerar conclusões totalmente equivocadas.
Barroso
Normal, essa é justamente a evolução natural do capitalismo.
Ótima análise, simples e de fácil entendimento aos leigos da economia.
O que fazer diante de um sistema nefasto desse, que controla até o entendimento das pessoas através da doutrinação do sistema educacional, da mídia, e das diversas instituições. Quanto mais estudo mais nojo tenho de tudo isso. Estou fechando uma empresa e quanta burocracia, taxas, problemas, regulamentações inventadas e impostas sem nexo, as vezes penso em diversos cenários contra a coerção e violência do estado contra nós, mas no final a impressão que fica é: Se nao pode com eles junte-se a eles, senão nao teras futuro.
Em vez de pensarmos apenas em termos de “preto” e “branco”, em geral é mais esclarecedor pensar em graduações de “cinza”. No caso, em vez de debater se uma economia é capitalista ou não, analisar o grau de liberdade econômica e de respeito à propriedade privada. O Brasil tem capitalismo, mas não é capitalista no pleno sentido, estando literalmente mais próximo da Coreia do Norte do que da Coreia do Sul.
Coreia do Sul: 31ª posição
Brasil: 114ª posição
Coreia do Norte: 178ª posição
Diferenças: 83 e 64 posições, respectivamente.
http://www.heritage.org/index/ranking
* * *
Molecada do IMB, vcs TEM que fazer um artigo sobre greves!!
Esse arranjo perverso não tem mais conserto…
A população está toda amordaçada e lobotomizada desde o berço.
Essa gangue de parasitas está no poder e tem todo o aparato legal em favor deles,decidindo ,pensando e agindo para continuar perpetuando este sistema.
Nada novo,nada diferente,apenas um desabafo!
Agora há pouco, no horário de almoço, passei em frente a uma banca de jornal e vi a capa da revista Exame. Vocês já leram a matéria de capa? Fiquei puto da vida com a capa, mas como ainda não li a matéria, não posso comentar o conteúdo. O livreco do francês marxista parece que penetrou de vez na mídia.
Esses anônimos só podem ser petistas ou então um bando de adolescentes concurseiros medrosos,covardes e tentando tapar o sol com a peneira,uma coisa que aprendi é que sempre ”contra os fatos não há argumentos”, portanto não sou moleque e nem sou o dono da verdade e sei argumentar ao invés de xingar por xingar seus anônimos medrosos …
Excelente artigo,
Revela sem rodeios como a economia mundial encontra-se amplamente infiltrada por agentes governamentais.
A nível de Brasil, incluiria no rol de agentes intervenientes DIRETOS no setor produtivo praticamente toda a Esplanada dos Ministérios e seus órgãos correlatos como CADE, CVM, CONAB, FUNAI, IBAMA, INCRA, etc e autarquias das agências reguladoras, além da famigerada Justiça do Trabalho.
Creio que posteriormente seja oportuno um novo artigo e/ou compilação de artigos anteriores com uma maior exposição de exemplos práticos dos efeitos nocivos da regulações, de modo a tornar o argumento cada vez mais convincente para aqueles que ainda estão no caminho da conversão ao capitalismo laissez-faire (não é o meu caso, sou um pleno convertido kkkk).
Saudações.
Texto impecável e de ótimo entendimento para leigos, como disse o Luís Felipe…. Estão de parabéns…
Amigo pescador.
Eu vi também a capa dessa revista. Cada vez mais tenho a sensação de que no Brasil e no mundo estamos lutando uma causa já perdida. Embora meu pessimismo não deva nortear nossa defesa da liberdade, é inegável que a associação das palavras “capitalismo”, “injustiça” e “regulação necessária” está cada vez mais forte.
As pessoas esqueceram dos males causados pelo socialismo e não percebem que estão trilhando o mesmo caminho de sofrimento. Aliás, acho que mais do que “esqueceram”, no fundo nunca admitiram os males do socialismo. O socialismo é um desejo, uma ideia tão forte, tão encantadora, que parece com o canto da sereia chamando os marinheiros para a morte certa.
Não adianta falarmos que o livro do francês é mais do mesmo. Para o mundo de hoje, a cultura que se apresenta hoje na Europa, nos EUA e no Brasil, o “Capitalismo XXI” caiu como uma luva. Deu um arcabouço teórico para as reivindicações. O arcabouço é falso, diga-se, mas e daí? As pessoas estão caindo no viés da confirmação: Elas acreditam que o capitalismo é mal e o Estado social-democrata, a regulação e o socialismo são as soluções. Então um livro que diga que o capitalismo é mal, que precisa ser regulado e isso é dever do Estado só pode estar certo.
Já disse antes e repito. Estamos condenados. Não vejo esperança em países exceto por alguns bastiões.
Como engenheiro e empresario, vejo dias escuros pela frente.
O sistema constituido ira se implodir a menos que os governos mercantilistas e controladores sejam barrados logo. Que se crie mecanismos fomentando as médias e pequenas empresas a COOPARTICIPAREM em parcerias salutares com grandes empresas, gerando inumeros postos de trabalho e aproveitando verdadeiras “cabeças”, dentro deste meio. Temos mentes brilhantes no pequeno e medio empresariado.
Eu posso discordar um pouquinho do texto no artigo? Por favor não me interpretem mal, achando que estou aqui à defender alguma bandeira estatal, longe de mim. ‘Amo de paixão’ a liberdade econômica e o capitalismo puro, sem intervenções.
Entretanto, o que eu gostaria de discordar do artigo é o seguinte: é possível sim haver cartéis sem a interferência do Estado.
Eu próprio vivi isso: em uma empresa de engenharia em que eu trabalhei, presenciei muitos encontros de empresários ‘concorrentes’ da minha empresa no salão de festas da companhia. O que eram estas ‘festas’? Eram encontros para traçarem planos e detalhes de um cartel, para maximizarem preços e definirem comissões sobre receitas. Ou seja, o bom e velho esquema de combinação de preços, onde ‘eu e você’ ganhamos 10% do que ‘ele’ vende.
Enfim, só quero dizer que no mundo humano nem tudo são flores. Sei que nunca existiu um capitalismo puro, mas querer dizer que as coisas vão funcionar tudo à 100% em um cenário de livre-mercado é subestimar a capacidade humana para o mal. É triste, mas em um cenário de livre-mercado, não podemos barrar a entrada de indivíduos que tem idéias contrárias ao próprio livre-mercado.
Haveria como acabar com o capitalismo mercantilista ? de qual forma ?
O que garantiria a não captura de empresas e governos seja em um modelo estado minimo ou estado obeso ?
Unica forma de acabar seria em um modelo anarco capitalista ?
Socialismo é o regime da nobreza moderna ou seja enquanto nós trabalhamos duro,a elite do partidão se diverte as nossas custas,vermelhos insensiveís …
Excelente artigo, explica claramente os problemas da economia mundial.
Perfeito! Estava esperando um texto assim para ilustrar bem a amigos que não entendiam essas diferenças, embora eu explicasse. Não sou professor…rs…melhor maneira de explicar, impossível!
Por favor, alguém poderia falar sobre esse vídeo? Eu não entendo nada de inglês, mas pelo título do vídeo percebi que Jason Unruhe diz refutar Mises.
Alguém pode dizer as contradições desse tal Jason Unruhe?
https://www.youtube.com/watch?v=mTizI4OMZIg
Mas, o que podemos fazer diante de tanta desgraça?
Olá,
não sou acadêmico, sou só um curioso e estou estudando o liberalismo por conta própria.
EU tenho uma dúvida e gostaria que vocês me esclarecessem, por favor.
Após a primeira guerra os EUA experimentaram um período de profundo liberalismo. O mercado esteve bem “laissez-faire”, solto, com cada um, caso necessário, arcando com seus próprios prejuízos. porém, o que tivemos foi uma crise em escala global. Por quê?
Pessoal, parabéns pelo artigo – realmente muito bom!
Por gentileza, vocês chegaram a saber sobre uma tal pesquisa feita pela Universidade de Washington, no qual mostra que 80% da população americana está bem próximo da pobreza?
Pois os esquerdistas estão divulgando isso ‘a torto e a direita’. Um deles aqui: umhistoriador.wordpress.com/2013/11/20/pobreza-nos-estados-unidos-atinge-80-da-populacao/
Sou iniciante no estudo de Economia, principalmente da escola Austríaca. Por isso, talvez minhas dúvidas sejam bem básicas. Agradeço desde já quem puder me auxiliar.
Faço faculdade de Nutrição e na minha área que trata diretamente com o consumo de alimentos e respectivamente com a saúde humana é muito importante o teste em alimentos. Gostaria de saber como funcionaria esses testes em alimentos ofertados pelo mercado em uma economia livre.
Vou começar com dois problemas com alimentos testados (escolhi esses porque foram bem divulgados pela mídia e nas redes sociais):
No ano passado ocorreu um teste realizado pela Proteste no Azeite de Oliva extra-virgem comercializados aqui no Brasil. De 19 marcas apenas 8 apresentam a qualidade de extra-virgem, e 4 dessas marcas nem mesmo são azeites, mas sim óleo vegetais – que apresentam grande efeito nocivo a saúde humana (provado por diversos estudos acadêmicos). Notícia do azeite aqui: oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/azeites-de-oliva-so-no-rotulo-10710633
Da mesma forma, outro teste feito em suplementos de Whey Protein demonstrou que a grande maioria das marcas comercializadas foram reprovadas, alguns não podem nem mesmo serem considerados suplementos proteicos devido a baixíssima quantidade de proteínas.
Neste caso, os testes mostraram para o público algo que eles não poderiam saber por si mesmos. Ou seja, sem testes e talvez uma certa regulamentação muitas empresas ‘sacanas’ ainda continuariam a lograr os seus consumidores.
Por outro lado, as principais agências reguladoras: Anvisa (brasileira) e FDA (americana) fazem mal e porcamente o seu trabalho. Como já li nos artigos de vocês o estado presta péssimos serviços e isso é fato também na área de alimentação. Porém, não testar e informar a população sobre o que eles estão consumindo é errado, principalmente em uma área tão importante.
Continuando a falar mal das agências reguladoras. A FDA, por exemplo, causou o caos de obesidade nos EUA e no ocidente por recomendar produtos ricos em farináceos, glúten e açucares (a típica dieta ocidental com muito pães, massas e afins) como principal fonte energética da dieta (tudo isso já provado cientificamente). Provavelmente isso ocorreu com um lobby político com as grandes empresas norte-americanas de alimentação – bem de encontro com o assunto deste artigo.
Então, fica a dúvida. Testes são necessários mas como realizá-los sem a intromissão do governo e de modo a informar o consumidor do que ele realmente está consumindo?
Muito Obrigado!
Alguém poderia me indicar algum artigo aqui do Mises ou de outro site que refute a argumentação de um amigo meu que diz que o livre mercado foi um dos causadores da primeira guerra. Com esse argumento ele diz que o estado teve que intervir porque a liberdade de mercado fez com que o aumento de poder de determinados grupos abriu as portas para a guerra.
Se alguém puder me indicar alguma coisa nesse sentido, ficarei agradecido.
Obrigado!
Thomaz, não conheço a época a qual o seu amigo se refere, mas de cara sei que foi a fase do colonialismo (sic!) dos estados européos (e o assunto colônias foi um dos motivo da guerra). Então, como diz o testo acima:
-” já passou da hora de a população entender a diferença entre livre mercado, que se baseia na liberdade e na concorrência, e capitalismo mercantilista, que se baseia no privilégios concedidos pelo estado.”- com certeza não foi livre mercado de mais que causou a guerra.
Velho só da lucro para plano de saúde quanto paga valores superiores a R$5000,00 por mês. Vcs realmente acham que vai ter alguma empresa oferecendo plano de saúde para uma pessoa de 80 anos por um valor razoável sem a intervenção do governo?
Sinceramente duvido que num sistema completamente aberto existiria interesse por esta parte do mercado “que só da prejuízo”. Desta forma eu acho que as agências protegem os velhinhos neste caso.
Um pequeno alento:
Linhas de ônibus interestaduais vão deixar de ser leiloadas
O governo vai mudar totalmente a forma de escolha das empresas que operarão as linhas de ônibus interestaduais e internacionais. Em vez de leiloar as linhas, como vem tentando fazer sem sucesso desde 2008, o governo vai agora simplesmente autorizar todas as empresas interessadas numa determinada rota a operá-la. Desde, é claro, que atendam a requisitos de segurança e qualidade.
“Se tiver 30 ou 40 empresas querendo fazer Rio-São Paulo, e elas se habilitarem, vamos autorizá-las”, disse ao Estado a diretora da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Ana Patrizia Gonçalves Lira. “Depois, o mercado se ajusta.”
É uma mudança radical em relação ao cenário de até um mês atrás. Até então, o governo vinha tentando escolher empresas para operar um conjunto de rotas por meio de licitação. A tentativa mais recente, iniciada em agosto de 2013 para ser concluída em janeiro de 2014, estava paralisada por liminares judiciais. O edital dessa concorrência foi revogado ontem.
economia.estadao.com.br/noticias/geral,linhas-de-onibus-interestaduais-vao-deixar-de-ser-leiloadas-imp-,1527496
Ao que tudo indica, o governo quis arrecadar mais dinheiro tentando leiloar mais linhas de ônibus, mas não conseguiu arrecadar dos integrantes do cartel o dinheiro pretendido. Ato contínuo, resolveu punir os integrantes do cartel por não terem dado dinheiro ao chefe do cartel, e está ameaçando abrir o setor à livre concorrência.
Simplesmente fascinante. Foi um dos melhores artigos que li no IMB. Os defensores de regulação sempre conseguem mostrar apenas o lado em que o consumidor seria protegido, assim, se mantém no poder e fazem exatamente o contrário. Engraçado, não existe um legislador que fale nisso. Por isso não vamos pra frente. Liberdade!
Bom dia Leandro!
O link abaixo mostra uma parte da operação lava a jato. Não se lê em outros lugares. A instituição citada no final faria parte deste conluio ou foi normal.
diplomatizzando.blogspot.com.br/2014/12/petrobras-quanto-mais-se-busca-mais.html
A única coisa que me preocupa sobre o liberalismo é o fato dele estar completamente embasado na “hipótese dos mercados eficientes”, existe algo que comprove esta hipótese? Algum artigo? Caso essa hipótese não for verdadeira, a intervenção estatal nos mercados torna-se justificável.
Olha isso info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/2014/12/bitcoins-agora-sao-aceitos-em-pagamentos-da-microsoft.shtml
Muito bom ter esclarecida essa distinção entre esses dois tipos de capitalismo. Porque o que temos hoje não é um livre mercado genuíno e está longe de ser um laissez-faire; é apenas um híbrido intervencionista. E por isso, é preciso tomar muito cuidado na hora de fazer a propaganda, e salientar bem a diferença entre esses dois tipos de capitalismo. Porque fica parecendo que é anunciado por aí o "nosso" produto, o consumidor leva o do concorrente, e depois vem reclamar. E com toda a razão.
Recentemente eu estava até me policiando sobre isso, porque me referi ao capitalismo mais genuíno e não soube e nem tive a oportunidade de fazer essa distinção; fiquei com a impressão de que ia ser mal interpretada. Por isso o artigo além de excelente, é muito pertinente.
Grande abraço!
Bom dia a todos, sou um leitor novo do site comecei a frequentar há cerca de 2 meses, sempre leio os artigos novos e, quando possível, leio os artigos mais antigos/biblioteca. Tenho algumas dúvidas e gostaria de ajuda de vocês se possível.
Primeiramente há algum artigo relacionado a explicação de termos como “Direita” e “Esquerda”? Sempre que estou debatendo algum assunto falando a favor de liberdade econômica e afins acabo sendo “jogado” aos termos Direita e Esquerda, e quando comento por atrocidades cometidas por governantes “socialistas” (que são associados a “extrema esquerda”) recebo de volta o Nazismo e Fascismo como exemplos de “extrema direita”… Porém, na minha visão, direita esta associado a liberdade individual, que engloba liberdade econômica, diminuição do estado e outros e esquerda seria o inverso com aumento de intervenção estatal, diminuição da liberdade individual e etc, sendo assim, todos os regimes citados seriam todos de extrema esquerda (Stalinismo, Nazismo, Chavismo, Fascismo e diversos “ismos”), enquanto um exemplo de extrema direita, acredito que não possuímos nenhum país que alcançou tal feito, mas o mais próximo seriam Cingapura, Suíça ou Finlândia.
Em tempo gostaria de elogiar o Site, gostei muito, aprendi muita coisa nova, melhorei algumas ideias que possuía mas não tinha nenhum lugar confiável para ver pontos de vista e obter informação de qualidade. Muito obrigado e parabéns a todos que trabalham para o funcionamento deste espaço, espero em um futuro próximo poder contribuir.
Por favor, Leandro, não acho um artigo aqui do IMB que fala sobre a economia de um lugar imaginário que tem apenas 2 ou 3 produtos e o que acontece quando se aumenta da oferta monetária, você sabe qual é?
Quero reler esse artigo porque acho que ele vai resolver minha dúvida.
Obrigado!
“O Leviatã cambaleante“, por Demétrio Magnoli.
Excelente ponto de vista. Tenho uma dúvida: quanto às externalidades, como lidar sem o papel de uma regulação? A indústria que tem preço, porém polui, o transporte coletivo comandado por empresários amigos do governo surfam na proteção, porém o transporte complementar desregulado se torna um negócio miliciano altamente nocivo, grandes empresas de telecomunicações tem alto interesse em entrar no mercado metropolitano, porém alto desinteresse em entrar no mercado rural. Como lidar com a falta de regulação? Não estaríamos no caminho da anarquia? Livre economia é paralela à Anarquia econômica-social?
O estado deve ser extinto.
O Estado é o melhor negócio do mundo. Para o “partido” e para o “livre mercado”.
Um presidente se quisesse poderia abolir todos os subsídios aos empresários?
Olá, Concordo com todo o objetivo do texto.
Porém por que os LIBERAIS criam guerra somente com o Estado e não TAMBÉM com as Grandes empresas???
Não seria mais notório levar essa discussão além do “liberal vs Estado”??
Afinal temos a maioria absoluta dos Cartéis, das regulamentações como criações do Estado.
Mas tirarmos toda a responsabilidade dessas grandes empresas com a presunção de que o homem visando o lucro é normal fazer lobby e Pressão para haver regulamentações para benefício de poucas empresas e contra a livre concorrência e livre mercado!!
Mas não é destacado que nesse lobby há ameaças aos que sugerem algo contra além das grandes quantias $
Uma dúvida minha: o liberalismo não é a favor de Banco Central nos estados. Mas jogam a responsabilidade da criação dos bancos centrais para o Estado. Sendo que um exemplo é o FED, como seria possível políticos contrários vencerem a batalha contra os homens mais ricos e poderosos dos EUA na época, sabendo (não sendo ingênuos) de todas as ameaças e todo os benefícios oferecidos a esses, sendo muito mais definitivo as ameaças tendo em vista tamanho poder que esses homens tinham.
Não seria do interesse do estado a criação do FED sim dos grandes empresários que o queriam.
Pq colocamos toda a culpa no Estado por ele ser propício a corrupção e tiramos toda a culpa dos grandes empresários por justamente achar normal o homem buscar sempre o lucro, sendo assim normal o lobby ???
Digo isso pois, é sabido que grandes empresas não são a favor do livre mercado, no entanto as grandes empresas não sofrem nenhuma pressão dos liberais, tendo como inimigos somente os esquerdistas.