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Populismo, keynesianismo e a Argentina no buraco

Perante
o agora evidente fracasso da política econômica kirchnerista, um modelo populista
que vigora na Argentina desde 2003, começam a surgir nos jornais argentinos
várias colunas escritas por “especialistas” e por ex-integrantes do atual
governo que tentam limpar sua imagem e apontar os responsáveis diretos pelos acontecimentos
atuais, que envolvem saques
a comércios e residências
, disparada
do dólar
, queda
acentuada das reservas internacionais
, restrições
à compra de dólares
, inflação
de preços
em
disparada
e apagões.

O
ex-presidente Eduardo
Duhalde
, por exemplo, que ficou no cargo de janeiro de 2002 a maio de 2003,
vem fazendo elogios ao seu então ministro da economia, Roberto Lavagna,
tentando resgatar sua imagem e chegando ao ponto de candidatá-lo como a pessoa
com a experiência necessária para resolver a situação atual.  Já o ex-presidente do Banco Central Martin Redrado
(setembro de 2004 a janeiro de 2010), e o ex-ministro da economia Martín Lousteau (dezembro
de 2007 a abril de 2008), vêm escrevendo dezenas de artigos nos jornais
tentando se desvencilhar de suas ligações com o atual governo, sendo que
participaram dele até há poucos anos.

É
correto dizer que, desde 2007, Cristina Fernandez de Kirchner pessoalmente se
ocupou de aprofundar o atual populismo que nasceu após o fim do regime de conversibilidade
em 2002.  No entanto, cada um destes três
economistas citados acima tem sua parcela de culpa pela atual situação que nós
argentinos estamos vivenciando.

Em
primeiro lugar, a saída do regime de conversibilidade foi feita da pior maneira
que se poderia conceber.  Eduardo Duhalde
acusa o atual governo de improvisação, mas foi ele próprio quem, logo após ter
prometido devolver os dólares que os argentinos haviam depositado nos bancos durante
a década de 1990, tratou de pesificar
todas as contas bancárias, convertendo dólares em peso a uma taxa de câmbio
extremamente desvalorizada, sendo assim o responsável pelo maior confisco da
renda do povo argentino nas últimas décadas. 
(Leia os detalhes completos neste artigo).

Em
segundo lugar, é preciso deixar claro que o abandono do regime de
conversibilidade e a subsequente desvalorização cambial feita por Duhalde em
2002, algo que hoje ele diz ter sido a medida que gerou a “década do
crescimento” da economia argentina, foi na realidade o começo de outra “década
perdida”.  É verdade que, entre 1998 e
2001, ainda sob o regime de conversibilidade, a economia argentina estava em
recessão e com alto desemprego; mas a súbita e acentuada desvalorização cambial
ocorrida em 2002 transformou essa pequena recessão em uma profunda depressão, a
qual fez o PIB despencar mais de 10% em 2002, além de destruir completamente o
estado de direito do país. (Ver relato completo e em detalhes neste artigo.)

A
partir de 2003 a economia começou a se recuperar, mas foi só em 2008 que o PIB
real da Argentina voltou ao mesmo nível que já havia
alcançado em 1998
.  Enquanto Chile e
Brasil aproveitaram a década de 2000 — que foi a década mais afortunada para a
América Latina em mais de um século, no que se refere ao contexto internacional
— para vivenciar um processo de acelerado crescimento, a Argentina teve
primeiro de retroceder para só então se aproveitar desta bonança e recuperar o
que havia perdido.  Em outras palavras, entre 1998 e 2008, a Argentina não cresceu;
apenas recuperou o que havia perdido após a desastrosa desvalorização de sua
moeda
.

Vale
ressaltar que, em 1999, havia outra opção, que era dolarização, a qual foi
completamente ignorada.  Caso houvesse
implantando essa medida, a Argentina poderia ser hoje a primeira economia
latino-americana a apresentar um PIB per capita de nível europeu.

Voltando
aos três personagens atuais, Roberto Lavagna assumiu o cargo de ministro da economia
durante a presidência interina de Eduardo Duhalde em abril de 2002, foi
ratificado no posto pelo presidente eleito Néstor Kirchner em 2003, e acabou
sendo destituído do cargo em 2005 por causa de divergências internas.  Ele se destaca por ter liderado o processo de
recuperação da economia argentina, mas vale ressaltar que foi durante sua
gestão que também se iniciou o modelo econômico atual, caracterizado por um
aumento acelerado dos gastos
públicos
e dos impostos.  Com Lavagna
no ministério da economia, a carga tributária subiu de 24% do PIB para 30%.

Ter
sido substituído por Felisa
Miceli
, uma intervencionista radical, em novembro de 2005 claramente não
melhorou em nada a situação.  É válido
dizer que, desde essa data até sua morte em outubro de 2010, Néstor Kirchner
foi o verdadeiro ministro da economia, inclusive após a chegada de Cristina
Kirchner ao poder, em dezembro de 2007. 

A
nomeação do jovem Martín Lousteau para o ministério da economia, também em
dezembro de 2007, estava em linha com o desejo de Néstor.  A margem de decisão de Lousteau era muito
restrita, e ainda assim ele cometeu o incompreensível erro de tentar aumentar
ainda mais a carga tributária, que nesta época já era de 36% do PIB.  Os argentinos bem se lembram de sua proposta
de aumentar as retenções
das exportações de soja
para um valor acima dos já excessivos 35%, algo que
só não ocorreu por causa de um veto do vice-presidente.  Após várias desavenças internas, Lousteau
saiu do governo em abril de 2008 e, desde então, se tornou um crítico do
modelo.


o caso de Martín Redrado é um pouco mais complexo já que ele foi presidente do
Banco Central entre setembro de 2004 e janeiro de 2010.  Durante sua gestão, ele jamais reconheceu a
inflação de preços real, uma vez que esta era frequentemente o dobro — e, às
vezes, o triplo — da inflação de preços oficial declarada pela instituição que
ele presidia.  De 2007 até sua renúncia,
a inflação real só ficou abaixo de 20% ao ano em 2009, ano da recessão global,
da qual a Argentina também não escapou. 
Redrado jamais exigiu a independência do Banco Central e jamais se negou
a imprimir dinheiro para financiar os descontrolados gastos do Executivo.  Até
que o oficialismo decidiu afastá-lo do governo.

Nesta
seleção arbitrária de personagens responsáveis pela débâcle que nós argentinos
estamos vivenciando, chegou a hora de analisarmos o atual e pitoresco ministro
da economia, Axel Kicillof.

kicillof_6.jpgO estilo Kicillof

Doutor
em economia pela Universidad Nacional de Buenos Aires, Kicillof (que
foi meu professor
) e sua equipe econômica tomaram posse em novembro de 2013
em um espetáculo
constrangedor
.  Profundo estudioso de
Karl Marx, Kicillof se doutorou em economia tendo como tese um estudo dos fundamentos da
Teoria Geral de John Maynard Keynes.

O
pensamento de Kicillof, portanto, se encontra entre Marx e Keynes, um conflito interno que não deve ser fácil de ser resolvido.  Seu pensamento é apresentado utilizando
termos marxistas — algo que se nota claramente quando ele fala –, mas ele
também sabe moderar seu discurso recorrendo a Keynes, cuja obra parece conhecer
de cor.  Para Kicillof, o socialismo
seria o arranjo desejável, embora entenda que uma transição para esse sistema é
inviável no mundo moderno.  O advento do
socialismo será, quem sabe, uma etapa mais avançada do capitalismo, mas não é
algo que caberá a ele acelerar em seu novo cargo.  Suas
propostas políticas são mais keynesianas do que marxistas.

Kicillof
rejeita a ideia generalizada de que a Argentina se beneficiou, ao longo dos últimos
dez anos, de um contexto internacional favorável.  Para Kicillof, não houve e nem haverá ventos
favoráveis, e sim apenas ventos contrários, os quais teriam destruído a
economia argentina não fossem as “exitosas” políticas protecionistas que o país
implementou ao longo destes últimos dez anos. 
Ele parece ignorar que foram justamente as políticas de expansão do
crédito orquestradas pelo Federal Reserve e pelo Banco Central Europeu que
injetaram liquidez no mercado e, consequentemente, elevaram substancialmente os
preços das commodities — como trigo, soja e petróleo –, algo que claramente
beneficiou tanto a América do Sul quanto a Argentina.

Kicillof
compartilha da ideia de Robert
Skidelsky
— o principal biógrafo de John Maynard Keynes — de que este é o
momento ideal para o “retorno do maestro”. 
Kicillof recorre a Keynes para justificar uma série de medidas que devem
ser implementadas para corrigir o capitalismo e regulá-lo, uma vez que, sem
estas medidas, o mercado irá inevitavelmente nos levar a sucessivas crises.

Em
sua tese de doutoramento, ele explica em detalhes como uma política anticíclica
keynesiana deve ser usada para enfrentar uma situação de recessão: a demanda
agregada deve ser impulsionada com políticas monetárias e fiscais
expansionistas.  Ou seja, deve haver mais
gasto público — sem se importar que ele seja deficitário — e mais expansão do
crédito por meio de taxas de juros baixas e até mesmo negativas (em termos
reais), o que impulsionaria ao mesmo tempo o consumo e o investimento.  Até o momento, no entanto, esta receita de Kicillof logrou
apenas desvalorizar ainda mais a moeda e piorar o já acentuado desequilíbrio fiscal, justamente a fonte de todos
os problemas da Argentina nas últimas décadas, e fonte do atual e real problema
da inflação de preços que atormenta o país.

É
de se imaginar que, além das já implantadas medidas que aumentaram o controle
estatal sobre a economia (como as restrições
à compra de dólares
e o confisco
da Repsol
), novas expropriações e estatizações também estejam em seus
planos, principalmente quando levamos em conta seu expresso desejo de “reverter
os anos 1990”.

Algo
que Marx e Keynes tinham em comum, além da desconfiança em relação ao mercado,
era seu desapreço pela função empresarial. 
Tanto em suas aulas quanto em seus discursos atuais, Kicillof deixa
transparecer de forma cristalina seu ódio aos donos do capital.  Ele enxerga os lucros das empresas como sendo
uma indevida apropriação da mais-valia por parte do capitalista, sendo a
“mais-valia” o valor monetário que o trabalhador assalariado cria acima do
salário que recebe.  Essa injustiça
social justifica — em sua visão — qualquer ação do governo que vise a
expropriar ou tomar medidas para limitar aquilo que para ele é basicamente um
roubo.

Kicillof
entende o comércio como sendo um jogo de soma zero, no
qual uns ganham (os empresários) e outros perdem (assalariados e
consumidores).  Tal raciocínio faz com
que ele tenha uma enorme satisfação em tomar medidas que reduzam os lucros
empresariais, que imponham estratégias de investimento ou que proíbam a remessa
de lucros para o exterior.  Seu discurso
na ocasião da expropriação
da Repsol-YPF
foi justamente neste sentido. 
Ele parecia ignorar o fato de que o maior problema vivenciado pela
Repsol-YPF foram as pesadas regulamentações sobre a empresa, as quais reduziram
sua margem de lucro e, consequentemente, impediram novos investimentos na
Argentina e estimularam mais investimentos no exterior.

Kicillof,
assim como a maioria dos burocratas governamentais, sofre da arrogância fatal
de acreditar que sabe melhor do que todos os empresários argentinos como e onde
devem ser feitos os investimentos, e quais são os reais interesses coletivos do
país.  Em suma, para Kicillof, os
interesses de um coletivo imaginário estão acima dos interesses individuais, de
modo que, se for necessário sacrificar várias empresas para dar sustentação ao
seu modelo econômico, ele não hesitará em fazê-lo.

O
mesmo, aliás, pode ser dito sobre seu programa de controle cambial.  Se for necessário encarecer ainda mais o turismo de
argentinos no exterior, ele não terá nenhum problema em fazer isso.  No que mais, confiscar dólares e proibir seu
uso no exterior é uma função social que está muito acima das liberdades
individuais.

Ironicamente,
este atual modelo populista e inflacionário é chamado por Kicillof de “inclusão
social”.

As quatro etapas do populismo

O
roteiro deste tango argentino é convencional: na primeira etapa de um programa
populista, sempre se observa um suposto êxito do modelo, principalmente quando
a economia parte de uma situação deteriorada em termos de PIB e emprego.  Por isso, entre 2003 e 2007, o modelo
populista mostrou uma recuperação da atividade econômica, do emprego e dos
salários reais.  Consequentemente, a
continuidade do kirchnerismo era óbvia. 

No
entanto, já naquela época, não eram poucos os economistas liberais alertando que
tal etapa aparentemente exitosa era insustentável, que o gasto público estava
saindo de controle, e que as tendências mostravam que nem os preços crescentes
da soja e nem suas crescentes retenções poderiam sustentar a bonança.

Com
o tempo, os dados começaram a mostrar que não apenas a carga tributária não
parava de crescer, como também já estava se tornando corriqueira a monetização
dos déficits orçamentários do governo.  O
surgimento de desequilíbrios fiscais, monetários e cambiais, bem como de uma resiliente
inflação de preços, caracteriza exatamente a segunda etapa do populismo.  Preocupados com este arranjo, estes
economistas intensificaram seus alertas, mas foram sumariamente ignorados. 

A
terceira etapa do populismo é justamente a atual, em que estes desequilíbrios
básicos se ampliam e se tornam evidentes para toda a população na forma de uma acentuada
inflação de preços, o que leva o governo a maquiar estatísticas e a impor o congelamento
de vários preços
, o que por sua vez gera desabastecimento e escassez de
vários produtos.  Quanto mais a economia
se desarruma, mais intensas e desesperadas se tornam as medidas do governo para
tentar ocultar esta realidade.

A
quarta e última etapa, que ainda está por vir, é a etapa do “ajuste”, uma etapa
da qual ninguém quer falar, mas que dificilmente poderá ser evitada.  O ajuste normalmente é composto por liberação
de preços e sua subsequente disparada, ajuste monetário e fiscal, recessão,
desemprego, queda do salário real e aumento da pobreza.  Aqueles que negam a necessidade deste ajuste
devem explicar como é possível sustentar este atual arranjo por um longo período
de tempo.

Conclusão

Uma
medida relativamente simples e que ajudaria a corrigir estes três
desequilíbrios (fiscal, monetário e cambial), além de minimizar os efeitos do
ajuste, seria a dolarização da economia, cujo plano está explicado em
detalhes aqui
.  Porém,
lamentavelmente, nem a oposição e nem mesmo aqueles economistas que
identificaram corretamente os problemas parecem saber o que defender. 

Artigo originalmente publicado em janeiro de 2014

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76 comentários em “Populismo, keynesianismo e a Argentina no buraco”

  1. Excelente artigo, além de elucidativo quanto aos aspectos políticos o professor Ravier ensaia uma magistral “teoria do ciclo economico populista”.

  2. Notícia fresquinha:

    Argentina multa por aumento de preços

    Governo de Cristina Kirchner multou 31 empresas por remarcações de preços; ministro chama empresários de ‘anti-patrióticos’

    O governo argentino começou ontem a multar comerciantes que remarcaram preços de produtos por causa da disparada do dólar. Segundo o chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, já foram autuados 31 estabelecimentos. “Recebemos diversas denúncias sobre manobras (de remarcações) de empresários de supermercados que não estão cumprindo os acordos de preços e, por isso, já fizemos 31 atas sobre infrações”, disse Capitanich.

    O ministro acusou os empresários argentinos de “comportamento antipatriótico” por causa dessas altas. A acusação de Capitanich constituiu a primeira vez na qual o governo admitiu a existência de remarcações à revelia do congelamento aplicado pela Casa Rosada. O governo de Cristina Kirchner impôs um congelamento de preços em fevereiro do ano passado que englobava 12,5 mil produtos de supermercados e eletrodomésticos.

    No entanto, essa política fracassou em meados do ano, quando a Casa Rosada decidiu reduzir o congelamento a 500 produtos. Ao longo do segundo semestre, essa nova paralisação de preços também foi a pique. Dessa forma, o governo optou por um congelamento de apenas 195 produtos desde a primeira semana de janeiro. Mas, com a desvalorização do peso e a escalada da inflação nas últimas semanas, diversos empresários começaram a remarcar os preços.

    Empurrados pela alta do dólar e pelas incertezas sobre a política econômica, os preços dos eletrônicos e produtos para o lar, por exemplo, aumentaram, em média, 15% nos últimos dez dias, segundo um relatório da consultoria econômica Elypsis.

  3. Isso ai parece uma noticia do Revolta de Atlas. Any Rand realmente não escreveu um livro de ficção, ela descreveu nossos tempos.
    É caricato( e triste) demais ler esse tipo de noticia.

  4. O Brasil tá saindo da primeira etapa e entrando na segunda. E tudo tende a ficar ainda pior com a recuperação da economia americana. Perdemos o lugar no bonde da economia mundial. Aproveitamos a ultima década de prosperidade para inflar e criar um crescimento artificial. Sem investimentos na infra-estrutura, prevejo dificuldades nos anos vindouros.

  5. Rodrigo Garcia Wettstein

    Muito grato pelo artigo. Porém, no meu ponto de vista de leigo, uma dolarização com um câmbio em 8:1 trará um enxugamento significativo da moeda circulante e consequentemente uma inflação enorme por um bom tempo, apesar de lavar a maior parte da dívida interna, que não está em dólar. Obrigatoriamente deverá ter uma conversão justa, o que o governo não pode e não quer. Kicillof tem duas alternativas: aumentar a “inclusão social” e o controle estatal, fazendo todos os cidadãos, empresários, etc ganharem 1 peso por mês de salário, ou basear todas as suas ações em algo que ele nunca fez: o Laissez faire, que provoca pruridos em todos os nossos líderes da América Latina. Soube há alguns dias que Kicillof culpou o presidente da Shell na Argentina pelo “ataque especulativo” do câmbio. Não vejo um pingo de dúvidas da parte dele quanto a primeira opção ser sua escolha.

  6. Desculpe pela trollagem, mas vendo o governo argentino todo esses anos só posso postar uma coisa:

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  7. Não era a Argentina um país culto, cheio de livrarias e tals?

    Bullshit!

    A vigarice intelectual campeia também o país de Los Hermanos. Um país que cai na lábia de comunistas só pode ser pleno de mentecaptos à lá república das bananas.

    Brasil esse ano já está na posição 114 de liberdade econômica…vamos lá …força que logo chegaremos na Koreia do Norte, Cuba, Venezuela e Argentina.

    R.I.P.

  8. Esse artigo foi muito bem até chegar no fim.Dolarização? Então esse autor não sabe que o mundo está prestes a ser inundado pelos dólares dos Q1, Q2, Q10 do Obama?
    Ou entendi algo errado?

  9. A retirada do dinheiro CRIADO DO NADA pelo FED pode causar um problema muito sério nessa situação. Isso ainda não aconteceu porque os bancos que venderam os títulos da dívida pública americana para o FED estão se segurando. Os países que estão investindo em dólares (Brasil, por exemplo) podem ver suas reservas valerem nada em médio a longo prazo.

  10. Sobre este assunto, eu tenho de dizer três coisas:
    1- O Brasil está cada vez mais parecido com a Argentina.
    2- A Argentina está cada vez mais parecida com a Venezuela.
    3- A Venezuela está cada vez mais parecida com Cuba.

  11. Leandro,

    Como você vê a economia mundial (e também brasileira) no curto prazo, considerando o atual tapering do Fed, incrementos na taxa de juros no Brasil e diversos outros países emergentes, e a taxa de crescimento de crédito desacelerando?
    Você acredita que poderá ocorrer um “baque”, uma recessão aqui pelo Brasil, ou a coisa parece tender mais a uma estagflacao?

    Abraços

  12. Leandro,

    Tem que se levar em consideração, que os USD$ printados pelo FED compram treasury bonds. E exportam inflação.

    Peter Schiff
    “The Federal Reserve keeps buying bonds to keep interest rates from rising. We have no choice but to default if creditors want their money back. If interest rates go up, we can't afford that. That is why the Fed feels that it has to keep interest rates down at all costs. So the Federal Reserve prints more money to buy up bonds. That puts pressure on the dollar. Foreign central banks than buy those dollars to prevent their currencies form rising, which imposes costs on their own population, as they are forced to absorb our inflation.
    The Fed prints money, which is inflation. Then Americans spend that money on imports. So goods flow in, and the new money flows out. Then foreign central banks print their own currency to buy up those dollars. This creates inflation in those countries, as foreigners spent that cash on goods and services. The dollars are then? used to buy treasuries. So we get higher bond prices (and lower interest rates) and foreigners get higher consumer prices. So our inflation is exported.”

    Se esse dinheiro ficasse “trancado” nos bancos americanos, os emergentes que importaram a inflação do FED não estariam com suas moedas derretendo agora.

  13. Leandro,

    Sim, eu não quis dizer que o FED opera direta com o governo, só falei que o FED compra os bonds.

    A concessão de crédito ao setor privado americano está bem baixo nos ultimos anos, mas enquanto ao setor publico ? quantos que eles estão pegando do sistema bancário ?
    Ademais, vc disse que o governo americano se financia com dinheiro já pré-existente, mas se por exemplo, eu pego 1 milhão emprestado de um banco americano (dolares do QE), compro produtos chinenes, a China pega esses dolares e compra os titulos americanos, assim, financiando o governo, qual é a diferença de o governo pegar esse dinheiro diretamente dos bancos ou mesmo do FED ? pois em ambos os casos o dinheiro teve a mesma origem o FED.
    Por isso que os adeptos ao colapso do dólar, dizem que ele colapsará quando todo esse dinheiro retornar para economia americana, gerando uma hiperinflação.
    Outro ponto, pq o Bernanke não imprimiu menos dinheiro já que não era intenção emprestar todos os trilhões impressos ? Até vi esses dias, que parece que a Yellen que que os bancos liberem mais créditos para melhorar o indice de taxa de participação no mercado trabalho.

    Qual a a análise nessa queda de juros nos titulos de 10 anos nesses paises ? Nos USA e no Brasil elas estão com tendência de elevação ?

  14. Leandro,

    Obrigado pelas respostas. Sobre o colapso do dolar, Peter Schiff é um, “curiosamente” ele faz propaganda para comprar ouro. hehe

    Quando me referi a tendencia de elevação, foi baseado nos ultimos anos, não nas ultimas decadas. hehe

    http://www.tradingeconomics.com/charts/united-states-government-bond-yield.png?s=usgg10yr&d1=20120101&d2=20141231

    Outra coisa, tem como aumentar os agregados monetarios sem haver um grande expansão de crédito ? Seria dessa forma que o FED fez, injetando dinheiro nos bancos ? Na Suiça eles aumentaram bastante o M2 desde a crise, mas não houve nenhuma expansão de crédito relevante no periodo.

    http://www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m2.png?s=switzerlanmonsupm2&d1=20000101&d2=20141231

  15. Leandro, concordo com alguns dos seus pontos de vista, mas ainda acho que o colapso do dólar parece ser inevitável.

    Os bancos americanos estão entupidos de dinheiro que, mais cedo ou mais tarde, vai entrar na economia (contando com o esquema das reservas fracionadas). O FED (que é privado e possui acionistas visando lucro) está cheio de títulos da dívida americana, que pagam o valor do título mais taxa de juros. O governo americano está sempre aumentando o teto da dívida pública e criando mais títulos para levantar recursos. Sem a “demanda artificial” gerada pelo FED, muito provavelmente os bancos comprariam esses títulos e, com os bancos comprando, o dinheiro entra na economia através dos gastos governamentais.

    Esse fluxograma não é sustentável e pode se romper a qualquer momento.

    Vale lembrar que desde a criação da moeda fiduciária, todas elas falharam e perderam seu poder de compra.

  16. Leandro sugiro a você ou a equipe IMB criar uma apostila resumindo a teoria austríaca de forma didática e definitiva mostrando como seria um mundo sem estado e banco central de maneira a tirar qualquer dúvida quanto a causa e consequências de políticas econômicas tendenciosas e falaciosas,pois os artigos do IMB são excelentes e esclarecedores,mas a seção de comentários é divertida e confusa ao mesmo tempo, haja vista os críticos procurarem o tempo todo nas entrelinhas encontrar falhas nas análises feitas a luz da teoria austríaca e confesso que apesar de ser formado em economia as vezes me pego desorientado e sem saber opinar determinados assuntos abordados na seção de comentários,exemplo, ao ler sobre o acúmulo de reservas em excesso por parte dos bancos privados norte-americanos sabemos que eles estão varrendo a sujeira para debaixo do tapete e Paul Krugman está equivocado ao elogiar tal postura,mas ao mesmo tempo você concorda com ele(Krugman) ao dizer que os burocratas do FED se preocupam com suas aposentadorias,enfim a impressão que você esta passando é que Krugman tem razão em o FED ter salvo os bancos sem criar hiperinflação e que a política do FED é um sucesso,Leandro não estou entendendo mais nada a impressão que tenho é que os apologistas do governo estão vencendo o debate na seção de comentários e você não está percebendo isto,o que para mim é uma pena pois repito os artigos são excelentes mas a seção de comentários está cada vez mais confusa,enfim este é o meu desabafo procurando ajuda-lo e mim ajudar ao mesmo tempo…

  17. Leandro,

    Uma pancada nos juros não afetaria a monstruosa divida do governo ?
    Por isso que muitos dizem que o FED quando subir (se subir) não consiguirá subir muito.
    Ademais, um pancada dessa não iria desvalorizar muito as moedas do emergentes ?

    Outra coisa, se hipoteticamente o BCB decidisse zerar a SELIC, basicamente o que ele deveria fazer ? entupir os bancos de dinheiro ?

  18. A "festa" continua:

    – Regulação do mercado do petróleo:

    http://www.lanacion.com.ar/1661405-el-gobierno-intervendra-el-sector-petrolero

    – Não conseguem manter o preço da carne:

    http://www.lanacion.com.ar/1661380-confirman-que-ya-llega-a-los-mostradores-el-alza-de-la-carne

    – A culpa é dos outros:

    http://www.lanacion.com.ar/1661411-dura-critica-de-la-presidenta-a-empresarios-y-gremialistas

    http://www.lanacion.com.ar/1661412-un-discurso-beligerante-que-volvio-sobre-la-idea-de-la-conspiracion

    – E ainda são filósofos, "quando se vai muito para esquerda, terminas no outro lado, porque a Terra é redonda":

    http://www.lanacion.com.ar/1661312-las-frases-mas-fuertes-del-discurso-de-cristina-kirchner

  19. Argentina está em 'leve recessão', afirma consultoria

    Sete em cada dez argentinos desaprovam política econômica do governo argentino

    A consultoria Abeceb afirmou que a economia da Argentina está “mergulhada em uma leve recessão, sem perspectivas de dar uma guinada neste rumo a curto prazo”. A Abeceb, comandada pelo ex-secretário de indústria Dante Sica, informou que detectou no primeiro trimestre de 2014 uma queda de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o mesmo período do ano passado. No último trimestre de 2013, a queda teria sido de 0,3%.

    “O ajuste nas empresas privadas está apenas começando”, afirmou a economista Belén Olaiz, da Abeceb, em alusão às demissões e suspensões que iniciaram ao longo dos últimos dois meses em diversos setores da economia argentina.

    Segundo a consultoria, o PIB terá uma queda de 1,5% neste ano. “O ajuste monetário e cambial, além de elevados níveis de incerteza complicaram um quadro que apresenta crescentes dificuldades para crescer desde 2012”, sustentaram os economistas da Abeceb.

    Sem poupança. Uma pesquisa da consultoria de opinião pública OPSM indicou que 67% dos argentinos não possuem “capacidade alguma” de poupança ou investimento. Outros 21,8% possuem pouca capacidade.

    A pesquisa também indica que 70% dos entrevistados desaprova a política econômica do governo da presidente Cristina Kirchner, administrada pelo ministro da Economia, Axel Kicillof.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,argentina-esta-em-leve-recessao-afirma-consultoria,185418,0.htm

  20. Leandro,

    2) É verdade que o Fed está criando um volume maciço de dólares, mas estes dólares são entregues apenas e exclusivamente ao setor bancário. Se os bancos não emprestarem, estes dólares simplesmente não entram na economia.
    Qual seria o interesse em manter esse novo dinheiro parado no banco? Vejo como inevitável que, mais dia menos dia, o governo dê um jeito de fazer com que os bancos emprestem esse dinheiro para incentivar o consumo, fazer a economia crescer e etc.

    4) Mesmo na eventualidade de que isto ocorresse, duvido muito que o Fed deixasse ocorrer uma hiperinflação. Simplesmente não é do interesse deles. Pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?
    O argumento é tentador, mesmo assim não consigo apostar no bom-senso do FED, graças ao seu histórico. Claro que há incentivo entre seus burocratas para não deixarem que exploda uma hiperinflação, mas há de se notar que eles podem mesmo acreditar que estão fazendo a coisa certa, ignorando seus efeitos óbvios. Eles podem nem mesmo compreender o que é inflação. O mais provável, dado à natureza do FED, é que de fato não compreendam. Eles podem entrar em negociatas com empresários, ou podem se vender pelo ego, pela sensação de heroísmo de fazer a coisa certa (expansão monetária, ou inflacionar, é a coisa certa na cabeça dessa gente).

    Note o quanto é impopular para o establishment americano os conselhos de Peter Schiff, de que os EUA deveriam abraçar a recessão ao invés de evita-la.

  21. O Fed está pagando juros (0,25%) sobre essas reservas em excesso.
    Qual o interesse do governo?

    Independe de governo. Para os bancos emprestarem, pessoas e empresas têm de estar dispostas a se endividar.
    Basta que para isso o juro esteja barato, como está agora.

    Portanto, para haver hiperinflação neste cenário, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim),
    Já não abriram as torneiras para qualquer um que quisesse financiar um imóvel até pouco tempo atrás?

  22. Gabriel da Silva Merlin

    Infelizmente hoje o próprio povo estimula os governos a tomarem medidas populistas, caso contrário não se elegerão. Ninguem quer saber quem vai pagar a conta dos benefícios, eles simplesmente querem ter direitos, mas se esquecem que o dinheiro precisa sair de algum lugar, não existe mágica.

    Isso aliado a políticos medrosos que se preocupam apenas em se manter no poder acaba gerando o que nós vemos em acontecer em vários países do mundo.

  23. Leandro, sinto falta dos artigos sobre a economia americana por aqui. Como está sendo visto esse crescimento da economia americana em 4% ano ano? Isso pode provocar um freio na política monetária frouxa? Obrigado, abraço!

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