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Defender a liberdade: porque ela funciona ou porque é moralmente correto?

Libertários
podem ser divididos em duas classes bastante amplas: aqueles que defendem uma
sociedade livre porque sabem que ela gera resultados melhores do que uma sociedade
tirana, e aqueles que defendem uma sociedade livre porque acreditam que é
errado negar ou suprimir o direito de um indivíduo de ser livre (a menos, é
claro, que tal indivíduo esteja suprimindo o mesmo direito de outros de serem
livres).

Consequencialistas
versus deontologistas” é
a rotulagem mais comum dada a essa diferença. 
É de se lamentar que tanta energia tenha sido desperdiçada em brigas
entre esses dois grupos.

Quando
me tornei um libertário, comecei abraçando posturas consequencialistas ou
utilitaristas, talvez por causa de minha formação como economista.  Estava convencido de que uma sociedade livre
seria mais rica, mais saudável e mais feliz — certamente no longo prazo, se
não imediatamente — do que uma sociedade controlada.  Com base na teoria econômica e na história da
economia, pude compreender os apavorantes fracassos das economias centralmente
planejadas da URSS, da China, do Camboja e de outros países.  Essa compreensão me impressionou e me pareceu
ser um fundamento perfeitamente adequado para que qualquer um se tornasse
adepto do libertarianismo.

Por
não possuir uma sólida formação em filosofia, não passei muito tempo pensando a
respeito do argumento moral em defesa do libertarianismo — ao menos não nos
primeiros estágios da minha jornada.  No
entanto, ninguém realmente teve de me persuadir de que as pessoas, por sua
própria natureza humana, merecem ser livres; de que cada pessoa possui o
direito natural de controlar sua própria vida, desde que o exercício desse
direito não entre em conflito com o exercício deste mesmo direito pelas outras
pessoas.  Logo, na primeira vez em que
fui perguntado — mais de vinte anos atrás, quando fui membro participante de
uma conferência libertária — se eu era um consequencialista ou um
deontologista em meu libertarianismo, respondi que era ambos: acreditava que as
pessoas deveriam respeitar o direito de outras pessoas de não serem agredidas
(de não sofrerem iniciação de violência ou ameaça de violência) e que, se todos
se comportassem dessa forma, as pessoas alcançariam os melhores resultados
sociais e econômicos possíveis para toda a sociedade.

No
decorrer do tempo, flagrei-me fazendo com cada vez mais frequência argumentos
morais em prol do libertarianismo.  De
certa forma, estava apenas expressando minha ira contra algum tipo de maldade
coerciva que havia acabado de vivenciar. 
Ainda assim, jamais abandonei minha crença de que uma sociedade livre
funciona melhor do que uma sociedade dirigida em termos sociais e
econômicos.  Também havia sido persuadido
pelo grande utilitarista Leland
Yeager
de que, no sentido mais profundo possível, todos nós temos de ser
consequencialistas.  Nenhum indivíduo de
boa vontade pode aderir inflexivelmente à regra “fiat justitia ruat caelum” (faça-se
a justiça, mesmo que desabem os céus). 
Se o mais empenhado e inflexível libertário deontologista soubesse com
toda a certeza que sua adesão a todos os elementos cruciais do libertarianismo
fosse gerar, digamos, a total destruição da raça humana, então até mesmo ele,
este obstinado e implacável libertário, teria de ceder e recuar, e basear sua
decisão nas consequências geradas por uma aderência sem exceções a uma regra
moral obrigatória.

Felizmente,
esse é um dilema que não enfrentamos na realidade.  Com efeito, quase sempre, se não praticamente
sempre, podemos seguir a regra da liberdade perfeita e ainda termos a certeza
de que tal postura não apenas não gerará resultados destrutivos, como na
realidade irá contribuir para a concretização dos mais positivos e beneficentes
resultados possíveis.

Em
todo caso, após as mais recentes décadas de minha jornada libertária, vejo-me
hoje às voltas com um aspecto distinto deste longevo debate, aspecto este que
tem a ver com nossa estratégia de
como trazer pessoas para o libertarianismo. 
A Estratégia 1 é persuadir estas pessoas de que a liberdade funciona, de
que uma sociedade livre será mais rica e melhor do que uma sociedade dirigida;
que um livre mercado fará, por assim dizer, com que os trens cheguem e partam no
horário, e sejam mais bem geridos do que por uma burocracia estatal.  A Estratégia 2 é persuadir as pessoas de que
ninguém, nem mesmo um funcionário do governo, possui o direito de tolher a
liberdade de empreendimento de pessoas inocentes; que nenhum de nós nasceu com
uma sela em suas costas para carregar alguém montado nela.

Em
nosso mundo, tantas pessoas foram enganadas ou confundidas por alegações
errôneas sobre moralidade e justiça, que a maioria dos libertários,
especialmente de institutos liberais e de outras organizações que carregam o
fardo de educar as pessoas sobre libertarianismo, concentram seus esforços em
alcançar a Estratégia 1 da maneira mais efetiva possível.  A consequência é que eles produzem e publicam
uma abundância de estudos políticos, cada um deles mostrando como o governo
afetou o mercado por meio de suas leis e regulamentações ostensivamente bem
intencionadas.  É claro que os 98% ou
mais da sociedade (principalmente no aspecto político) que de uma forma ou de
outra se opõem à liberdade perfeita respondem com argumentos e publicações que
seguem sua própria ideologia, cada um deles mostrando por que uma suposta
“falha de mercado”, uma “injustiça social” ou algum outro problema justificam a
interferência do governo sobre a liberdade de ação das pessoas, sempre
prometendo corrigir os malefícios percebidos. 

Qualquer
um que já tenha prestado atenção aos debates políticos está familiarizado com
esta interminável guerra entre intelectuais e apologistas do regime.  Dado que eu mesmo já dediquei muito tempo e
esforço a tal atividade, não a estou condenando.  À medida que um indivíduo se dedica a expor
impiedosamente as falhas dos argumentos anti-liberdade e os fracassos dos
esforços governamentais em tentar “solucionar” uma gama de problemas, é de se esperar
que pelo menos alguém será persuadido e se tornará mais propenso a dar uma
chance à liberdade.

Não
obstante, exatamente pelo fato de essa batalha entre intelectuais e apologistas
— que envolve professores universitários, colunistas de jornal, todos os tipos
de palpiteiros da mídia, políticos populistas, e pistoleiros “assassinos de
reputação” a serviço do regime — ser interminável, jamais se pode descansar na
certeza de que, tão logo um indivíduo tenha sido persuadido de que a liberdade
é melhor do que o dirigismo, ao menos no que tange à situação X, esse indivíduo
já aderiu por completo e de maneira permanente ao libertarianismo. 

Se
um indivíduo chegou ao libertarianismo somente por causa de algum argumento ou
evidência apresentado ontem por um intelectual pró-liberdade, ele pode, tão
facilmente quanto veio, ir embora amanhã e voltar a defender a intervenção
estatal com base em evidências e argumentos feitos por um intelectual
anti-liberdade.  Como certa vez disse
John Maynard Keynes em uma resposta
sagaz
a alguém que lhe havia perguntado sobre seus instáveis e flutuantes
pontos de vista, “Quando os fatos mudam, eu mudo minhas ideias.  E o senhor, como age?”. 

Se
os libertários decidirem defender a liberdade em termos unicamente
consequencialistas, eles estarão nesta guerra para sempre.  Embora seja possível aceitar esse panorama
tendo por base o fato de que “o preço da liberdade é a eterna vigilância”, esse
tipo de batalha é profundamente desestimulante, uma vez que as forças
contrárias à liberdade, as quais os libertários têm de enfrentar, possuem
centenas de vezes mais tropas e milhares de vezes mais dinheiro para adquirir
suas munições.  Há vários e poderosos
interesses corporativos e sindicais por trás de ideias intervencionistas e
dirigistas, interesses estes que jamais abrirão mão de seus privilégios
facilmente.

Por
outro lado, tão logo o libertário tenha persuadido alguém de que a
interferência governamental é moralmente errada — se não uniformemente, pelo
menos em um determinado âmbito –, há uma probabilidade muito menor de esse
convertido algum dia voltar a defender medidas estatais coercivas contra
pessoas inocentes.  O libertarianismo
solidificado em pilares morais é muito mais forte e duradouro do que o
libertarianismo construído sobre a areia movediça dos argumentos
consequencialistas, os quais, por definição, são convincentes apenas enquanto
os argumentos e as evidências visíveis do momento atual assim o fazem.  Consequentemente, se realmente desejamos
alargar as fileiras libertárias, seria muito aconselhável fazer com que argumentos
morais se tornem pelo menos uma parte
de nossos esforços.  Não atrapalhará em
nada, é claro, mostrar às pessoas por meio de argumentos utilitaristas que a
liberdade realmente funciona melhor do que o controle estatal; mas confinar
nossos esforços a argumentos puramente intelectuais e utilitaristas irá
condená-los a ter, na melhor das hipóteses, um sucesso apenas temporário.

Se
nossa intenção é realmente algum dia alcançarmos uma sociedade livre, temos de
persuadir uma grande quantidade de nossos conterrâneos de que é simplesmente
errado que qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos, por meio da violência ou
da ameaça de violência, imponha suas demandas sobre todos os outros cidadãos
que não cometeram crime nenhum e que não violaram os direitos de ninguém.  Temos também de persuadi-los de que tal
postura é tão errada se feita por pessoas que compõem o estado quanto o é para
você e para mim. 

No
passado, as grandes vitórias de liberdade advieram exatamente de tal abordagem
— a campanha anti-escravidão, a luta contra restrições ao livre comércio, e a
batalha para se abolir restrições legais sobre o direito feminino de trabalhar,
de ter propriedade e de serem tão livres quanto os homens.  No mínimo, os libertários jamais deveriam conceder
qualquer superioridade moral àqueles que insistem em interferir coercivamente
na liberdade alheia: o ônus da prova tem de estar sempre sobre aqueles que
querem agredir pessoas inocentes, que querem confiscar sua renda e regular seus
empreendimentos, e não sobre aqueles que querem simplesmente ser deixados em
paz para viver suas vidas da forma que acharem melhor, sempre respeitando esse
mesmo direito para os outros.

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44 comentários em “Defender a liberdade: porque ela funciona ou porque é moralmente correto?”

  1. Que texto fantástico!

    Identifiquei-me de imediato com o dilema do título e acredito que, cedo ou tarde, todos os libertários se fazem esta pergunta.

    A verdade nas palavras do professor Higgs é inegável: aquilo que mexe com o bolso não é tão duradouro quanto o que cativa a nossa alma.

  2. Essa estratégia funciona melhor nas culturas mais moralistas (Estados Unidos mais moralista que Brasil). E funciona melhor no “varejo”, ou seja, no convencimento um a um. Mas no “atacado” – academia, mídia – que em tese tem um poder muito maior de influência, o argumento moral é rejeitado na raiz pela lógica consequencialista destes meios. Não é por falta de visão, portanto, que a maioria dos institutos libertários se baseia no consequencialismo prioritariamente. Libertários não ganharão a guerra ganhando no varejo e perdendo no atacado.

  3. O ônus da prova sobre a validade da coerção cabe a mim e irei defendê-la.

    Argumentos deontologistas:

    – Todos nós somos seres humanos e dependemos um do outro para sobreviver. Logo, a justiça social e o estatismo são válidos. Citando Paulo Freire: Sou uma pessoa amorosa, amo o mundo e amo as gentes. E é exatamente por isso que desejo ver a justiça social implantada antes da caridade.
    Ou seja, somos seres humanos. E é por isso que temos a obrigariedade de auxiliarmos as necessidades dos outros sempre que precisam. Dizer o contrário é egoísmo e uma brutalidade. Se você é rico hoje, foi graças ao trabalho da humanidade e deve isso à ela.

    Argumento utilitarista:

    – Escolher é estressante. Seres humanos são biologicamente incapazes de eleger quando vão a um super-mercado, por exemplo. Nesse caso, é preferível que outros escolham por ele pois o mesmo é incapaz de determinar o que é melhor para si.

    – Qual é melhor: Eliminar a pobreza tirando 50 milhões de um bilionário ou deixar 50 milhões morrerem permitindo que o milionário fique com seus impostos?

    – Quanto menos educada for a população, mais suscetível ela estará à exploração. A educação faz enormes milagres, opor-se à ela por futilidades é incabível.

    – A luta contra a dengue. Se não fosse a coerção estatal, a dengue ainda estaria por aí. Por que insistir em míseros direitos individuais quando eles são o preço de obter um bem maior à toda população? Precisamos ser menos capitalistas e mais humanos.

    – Você pode acabar com todo o preconceito através do sistema de cotas. Implantá-lo e resolver problemas históricos ou deixar como está e ter inúmeras pessoas sendo espancadas todos os meses por ignorantes?

    – O objetivo da instituição estatal é promover a igualdade e essa apenas pode ser atingida com o sacrifício de pequenas liberdades de uns. Aqui estão micro-perguntas:
    *Deixar um irresponsável dirigir em uma cidade à 180km/h ou fazer o trânsito mais pacífico?
    *Deixar um irresponsável beber e dirigir ou ver todo o sistema trânsito ir ao colapso?

    =====================================================================================
    É muito simples: Em um mundo em que há ordem e essa ordem é estruturada em prol do bem comum, não há como existirem resultados negativos além de uma sociedade mais feliz e segura.

  4. Uma coisa não exclui a outra, porque ambas funcionam melhor em cada contexto.

    Sempre tive inclinação para o libertarianismo, mesmo sem nunca ter ouvido falar sobre isso. Mas na época, antes de descobrir que essa filosofia também trazia maiores riquezas não só pessoais, mas também materiais, era difícil defende-lá, já que como poderia garantir que aquilo seria melhor para todos na prática.

    Penso que, ao contrário das demais filosofias, nós ganhamos dos dois lados. Tanto utilitarista como moral, temos o melhor material nas mãos, basta usa-lo com inteligência.

  5. Nenhum principio importa por si mesmo, mas apenas e enquanto meio útil para os seres humanos viverem melhor. Então é preciso tomar cuidado para não cair num idealismo vazio, para não defender princípios em si. Por isso a defesa radical do principio da liberdade não faz sentido para mim, porque nesse caso está se defendendo um principio, algo puramente abstrato, por seu valor intrínseco.

  6. Leandro,

    Antes de mas nada sou grato pela tradução e publicação deste artigo de Higgs.

    Há tempos venho dedicando minhas infantis elucubrações neste, que julgo ser, o cerne de uma série infindável de contra-argumentações a lógica fina propalada pela EA, mais particularmente ao que chamo carinhosamente de Teoria Prática do bom senso econômico.

    Há bem da verdade, essa dúvida cruel não é uma prerrogativa apenas da EA, mas sim como tenho verificado, de toda e qualquer argumentação que procure equilibrar forças antagônicas com base em direitos pré-existentes do indivíduo.

    Ou seja; onde começa a ética e onde ela termina?
    Que conceitos de moralidade devo ou não aplicar, e em que situações?
    E com quais limites? E por aí vai…

    Intimamente, penso que como cada indivíduo é detentor de uma “parcela” deste grande “néctar” chamado bom-senso, busca aplicar no seu cotidiano seus pessoais níveis desta dita moral e ética assimilada, seguindo feliz (ou infeliz) com suas escolhas.

    Penso inclusive que tanto faz se falamos de ética, de moral, libertarismo ou qualquer outro teorema que procure estabelecer os fundamentos dos direitos de atuação sobre terceiros, direitos esses que propõe estabelecer os limites de atuação “do outro”, numa contenda sobre propriedade ou poder. Cito apenas esses, pois no meu entendimento todas as contendas referentes ao assunto giram nesse dueto: propriedade e poder.

    Existe a máxima popular (que de popular, não tem nada) de que “quem pode mais chora menos”. Dentro desse raciocínio ilustrativo, chora menos, quem tem mais propriedade ou poder. E nesse sentido tanto faz a propriedade ou o poder: financeiro, intelectual, econômico, armistício, pátrio-poder… tanto faz.

    Dessa forma, indivíduos numa sociedade procurarão perpetuamente “deter” a maior quantidade possível desses “ativos” justamente porque intuem que agindo dessa forma diminuirão sensivelmente a margem de “choro” em suas existências.
    Dependerá de quanto “educados” nesse sentido foram.

    Não vou me alongar muito na fundamentação desse raciocínio por acreditar que esse cenário de coisas é o cotidiano de todos, sendo inoportuno afrontar a inteligência dos leitores com o óbvio. Mais a frente dedicarei comentários nesse sentido.

    Por agora, gostaria apenas de “subir um nível” na discussão e argumentar se é necessário (inclusive ético) defender a liberdade…

    Sim, a prepotente e inconseqüente questão que proponho é justamente essa:
    A liberdade precisa de defensores?

    E com seus desdobramentos do raciocínio:

    (a) Faz sentido defender a liberdade?
    (b) Seja porque é moralmente válida, ou seja porque funciona, ela legitimamente necessitaria de “defesa”?
    (c) Todas as tentativas de defender a liberdade não acabam, na linha do tempo, por destrui-la?

    Existe algum histórico de defesa da liberdade que tenha efetivamente alcançado seus fins sem corromper seus próprios princípios? O único caso que conheço foi a cicuta de Sócrates…

    Sim, sei que posso parecer estar entrando na seara utópica, mas defender a própria EA com seus pressupostos neste cenário de profunda ilusão econômica, também poderia me parece ser uma ideia utópica e não é. Assim julgo este espaço ser propenso para tatearmos eventualmente a utopia, apesar de acreditar que não seja o que estou propondo.

    A Liberdade portanto, por definição de minha proposição, seria assim indefensável.
    Não porque não haja formas de defende-la, mas por que simplesmente não é necessário…

    Liberdade em minha avaliação seria graduada (apenas e somente) pela manifestação dos níveis de Consciência do indivíduo.

    Assim, pouca consciência por parte do indivíduo demandará pouca liberdade de ser, de existir e de permiti-la ao outro.
    Já consciência em níveis mais elevados, denota ato contínuo, melhores noções de liberdade própria e do outro.

    Aquele que detém maiores e melhores níveis de consciência (sim, consciência tem seus graus) simplesmente a pratica. Ponto.
    Ele É consciente e portanto permite a todos também a exercerem, não interrompendo seu fluxo e sua expressão máxima: a Liberdade.

    Por outro lado, aqueles que por algum motivo não detém níveis mínimos de consciência, simplesmente não sabem do que isso se trata… Logo, não a praticam. E não porque discutam sua forma e essência, mas sim porque não detém sequer os fundamentos do que seja a tal e propalada “consciência”.

    Os desdobramentos no cotidiano das ações dos indivíduos que carecem de melhores graus desta dita “consciência”, claramente poderiam ser esses, como aponta Mises: (1) desapego de princípios morais, (2) desalinho com o pensamento coletivista, e (3) corrupção pessoal com seus vários sabores e sintomas.

    O paradoxo reside justamente em que nem todos os indivíduos são moralmente desajustados.
    Muitos detêm níveis acima da média nos quesitos Ética, Moralidade, Solidariedade e afins. Porque?

    – Porque alguns são naturalmente mais propensos ao pensamento social do que outros?
    – Porque alguns não advogam como um “princípio de existência” a liberdade de decisões?
    – Porque apesar das evidências, alguns são tão reativos ao pensamento libertário?
    – Seriam em sua natureza “maus”?

    Pra começar não somos aparentemente iguais. Somos no máximo semelhantes!
    Entender isso fará toda a diferença em continuar ou não nessa seara de pensamento.

    Concluo, que o paradoxo da natureza humana derivaria dessa situação o seguinte “axioma”:

    ” Aquele que não detém (ainda) níveis minimamente elevados de consciência não terá em sí elementos para sequer atinar com o que seja a tal real liberdade. Seu tirocínio, moralmente ainda limitado, acomodará como níveis satisfatórios de verdade alguns arremedos de discernimento, a saber:

    “…quem pode mais chora menos”.
    “… o importante é ser feliz, seja a que preço for”.
    “… quanto menos labor, menor será o suor”.

    Aparentemente, incongruentes e desconectados de qualquer lógica coletivista, tais argumentos podem ser (e de fato são) legítimos! Naqueles que ainda não alcançaram o que chamo de níveis mínimos de consciência, esse comportamento mental é até bastante natural. Bem normal mesmo.

    Repito, em meu entendimento, a tendência humana de advogar (ou negar) pressupostos excelsos de liberdade não tem nada a ver com DISCERNIMENTO COGNITIVO. Tem sim a ver com o despertar de valores coletivos, que amadurece o sentimento moral. Algo que alguns acreditam estar associado (equivocadamente) a melhores níveis da Educação. Não o é.

    Em minha análise a Educação por excelência não oferta ao indivíduo possibilidades de escolha, ela os impõe.

    Por princípio, educadores que advogam os valores de “liberdade” NÃO poderiam nem deveriam fazer “juízo de valor” do conhecimento professado. Deveriam estes, simplesmente ORIENTAR sobre as “possibilidades auferidas pelo conhecimento” que detém, e no máximo, expressar sua “opinião” quando solicitada, sobre o caminho a seguir.

    EDUCAR já é um ato de cercear a liberdade.
    ORIENTAR seria então um ato mais genuíno de “educação”, pois oferta opções e não impõe pressupostos.

    Todo aquele que “educa”, educa com base em seus valores, que sempre julgará como válidos. Assim, aquele que “educa”, procurará sempre conduzir o indivíduo para aquilo que acredita e julga seja “bom”. O problema é que o “educador” por definição não é o repositório de verdades absolutas. Assim quando “educa” nada mais faz que compartilhar tendências pessoais de valores que podem não ser o melhor, pelo menos não o melhor para a “natureza” do “educando”.

    Defendo tão fortemente esta questão “semântica”, pois penso que ela está no cerne do tema LIBERDADE e sua eventual “defesa”.

    Se quem “educa” julga este ato como uma ação que visa melhorar os níveis coletivos da dita liberdade, deveria reformular seus conceitos e arvorar-se no máximo a ser um ORIENTADOR. Termo que prefiro infinitamente a “professor” ou “educador”.
    Professores, professam. Educadores educam. Já orientadores apenas “transferem” alternativas e deixam o “juízo” do orientado tecer seu caminho. Julgo inclusive essa opção ser a mais segura até mesmo para o dito “orientador”, pois não há níveis seguros (principalmente para o educador) de “educar” alguém.

    Não é porque a sociedade não o condena que o Educador está eximido de culpa.
    Isto ocorre apenas porque ela – a sociedade – ainda não detém coletivamente níveis superiores da própria “consciência” do que seja “educar”, julgando que o educador fez o máximo que pode e o “educado”, este sim, traz o ônus de suas próprias escolhas erradas. Seria isso se os indivíduos fossem ORIENTADOS, mas como são EDUCADOS, o professor (lembre-se, aquele que professa), carrega o ônus das escolhas do “educado”.

    Quando o “transmissor” do dito conhecimento opta pela postura de orientação, ofertando o máximo das possibilidades conhecidas (conhecimento), cenários (vivências) e alternativas (cultura) ao “orientado”, não só exime-se do ônus futuro de ter que ser solidário com os desatinos do “orientado”, como oferta a REAL possibilidade de escolhas para este.

    Atrevo-me a usar como exemplo a própria EA e seu alter-ego, o Keynesianismo.

    Os fundamentos da EA são a imponderabilidade, a imprevisibilidade e a incerteza da natureza humana.
    Já o Keynesianismo advoga a ponderabilidade, a previsibilidade e a assertividade da natureza humana.

    Sejamos honestos: qual é a melhor? Não importa…

    Não é o “educador” que deveria por princípio libertário conduzir a esta resposta, mas sim o educando por deter o conjunto das possibilidades e daí depreender o melhor caminho para si.

    Se a EA aponta para a falácia da artificialização econômica com sua inexorável bancarrota, os Keynesianos sustentam que tudo bem… que seja eterno enquanto dure! Acho que Vinícius de Morais era Keynesiano 🙂

    Notem que tudo é (ou deveria ser) uma questão de escolha. No caso do exemplo, as alternativas resumidamente são: ser “feliz” agora com a farra do crédito farto e irresponsável, ou ter que sufocar no presente o desejo humano com sua satisfação apenas quando, e somente, houver poupança que lastreie tal desejo.

    Em meu entendimento, esta é a síntese dos raciocínios, e para ser genuinamente libertário, tenho que forçosamente apresentar estas duas possibilidades como “modelos de viver” para meus hipotéticos “educandos”. Só que se fizer isso não serei mais um educador e sim um orientador. Toda educação portanto é tendenciosa. Já o regime de orientação é por definição libertário e libertarista.

    Sintetizei portanto desafortunadamente o pensamento econômico em dois extremos: ter a artificial satisfação dos desejos agora, ou a sustentável concretização dos mesmos no futuro. Para mim, novamente, simples assim… Claro, tem os 50 tons de cinza do monetarismo entre esses extremos.

    Agora quem sou eu para “doutrinar” meu semelhante neste ou naquele cenário de alternativas? Quem sou eu, para advogar-me como repositório das escolhas certas ou erradas de meus semelhantes? Se estiver fazendo isso, por definição, estarei afrontando a “liberdade” de meu “educando”, aviltando justamente a pseudo liberdade que na origem defendia.

    Sendo assim, penso, que a questão não está (se é que algum dia esteve) em defender ou não um Princípio.

    Princípios por definição não devem (porque não precisam) de qualquer defesa. “Educação” baseada na defesa de princípios também é equivocada seja quais forem os princípios. Princípios, sejam econômicos, filosóficos, éticos, morais, etc., não são para serem advogados, mas sim apresentados como alternativas para que o “orientado” deva avaliar, aplicar seu conjunto de consciência pré-adquirida e fazer, ele sim, seu JUÍZO DE VALOR.

    É fácil entender essa situação até mesmo aqui neste fórum do Mises:

    Como a EA tem uma participação pífia dentro dos sistemas econômicos ditados pelo “mainstream” ilusionista, sobra para esta Escola, por absoluta falta de alternativas, resignar-se a “educar” os indivíduos na esperança de que após educadas, acordem para este estado de coisas e retomem o juízo econômico. Seja no Brasil, seja no mundo.

    Isto não está errado e nem é utópico. Diria que a EA está atirando no que vê e vai acertar o que não vê.
    Apesar de acreditar que está “educando” indivíduos com seus pressupostos, nada mais está fazendo que ofertando alternativas para uma visão econômica. Não está (novamente) educando, está sim orientando o que é bem diferente.

    Ocorre que apenas poucos tem a solidez de consciência necessária para navegar por seus fundamentos.
    Difícil é e sempre será, a troca da “Satisfação do Hoje” pelo amanhã…

    O adágio da mais valia do pássaro na mão, do que dois voando, foi sem sombra de dúvidas catalpultado para a estratosfera da filosofia humana… Keynes compreendeu essa limitação de muitos e implacavelmente teceu todo seu raciocínio ilusionista.
    Gostemos ou não, é o que ocorre…

    Já no caso da EA, o problema reside no momento em que a paciência acaba, e seus orientadores (?!) transformam-se em “educadores”. Esse momento ocorre naturalmente quando é incitada a “defender-se” pelos constantes ataques de “educados” no monetarismo, keynesianismo, ou marxismo (se é que há diferença entre eles)…

    “Defender uma idéia”, pressupõe assim como ato contínuo apenas duas situações: educar ou iludir.

    Alguns acham que a educação seria portanto infinitamente melhor do que a ilusão dos sentidos, dado que por comungar com princípios excelsos, por definição já seja boa. Não concordo.

    Educação é um ato que sempre foi e será individual. É (ou não) auto-infringido. Com base na prática e permanência numa determinada linha de comportamento e conduta, o indivíduo “se” educa, dentro de um determinado conjunto de valores. Portanto, ninguém deveria sequer cair na “tentação” de arvorar-se a educar alguém. O valor sempre esteve e sempre estará na Orientação. Nunca na Educação.

    Ilusão também é Educação.

    Tanto o é, que TODAS as Escolas de Economia (umas poucas lá fora são exceção) professam ou o Keynesianismo ou o monetarismo, ou ainda o Marxismo. O que elas estão fazendo não é Educação? É sim! Estão “educando” indivíduos numa determinada linha de pensamento que julgam ser verdadeira. Não há em sua origem desonestidade de princípios nisso…

    Devemos entender portanto que a “ilusão” promovida por estas Escolas é tão boa (se não mais eficiente), do que a própria fundamentação da EA. Porque? Ora porque… Porque não há fuga: os ciclos econômicos inexoravelmente virão e serão o condão da real experiência vivida por seus praticantes.

    “… ora, da mesma forma que eu procuro meu bem estar (estado de não-choro), meus concidadãos também irão procurá-lo. Dado que os recursos ou são finitos ou onerosos para esse bem estar, e também dado que minha procura pelo bem estar é perpétua e infinita assim como de meus confrades; faz todo o sentido do mundo que “eu” procure maneiras de burlar o direito pré-existente de terceiros em prol de alcançar e garantir o mais rápido possível o “poder” e a “propriedade” nos limites que minhas forças consigam alcançar, pois o tempo também é curto da existência e as variáveis para se alcançar esse desejo infinitas”.

    Igualzinho os pressupostos de Mises da Ação Humana…
    Mises está errado? Nunca! É isso mesmo: a natureza humana não tem limites de desejos e satisfação. E nada é capaz de ser barreira a sua orgia de desejos satisfeitos, a não ser… sua Consciência!

    Trocando em miúdos: apenas níveis elevados de auto-consciência do que seja coletivo por parte do indivíduo poderá vir a ser o “freio” de sua própria gana. Ou seja, com passar do tempo o indivíduo (poderá) perceber a ineficiência para si mesmo de ações sem ética, moral e sentimento coletivo.

    Talvez no enunciado acima esteja o mais chocante resumo da real natureza humana.

    Mas aparentemente parece que as coisas são assim mesmo… No “Ação Humana” de Mises é abordado profundamente essa questão e inclusive aponta para a infinitude de desejos multiplicada pela infinidade de possibilidades. Essa seria a equação que melhor representa a tendência da natureza humana: não há limites para os desejos e possibilidades na natureza humana.

    Assim, o bom senso apesar de alguns acharem que é raro, muito pelo contrário é o bem mais democraticamente distribuído.
    Todos julgam tê-lo em excesso e querem inclusive compartilhá-lo.

    Concluindo:

    O que fazer portanto enquanto meus confrades não “despertam” (hipoteticamente) seus níveis de consciência?
    Como viver a revelia de uma turba iludida e governada por iludidos?

    A saída para tal paradoxo sinceramente não creio deva ser debatida no escopo deste fórum.
    Aliás, é de forum íntimo, bem íntimo mesmo.

    Para pensar.

    Saudações magísticas,

    Ari

  7. Elogio muito a tradução do texto, coisa que nem de longe eu teria capacidade de fazer, mas, com intenção meramente construtiva: há um probleminha com os porquês do titulo, não? Caso não haja e seja ignorância minha, eu agradeceria uma explicação que viesse preencher minha ignorância.

  8. Agora entendi o sentido da frase, na verdade eu não percebi que ela poderia ter dois sentidos possíveis (um com o porquê junto e outro com o porquê separado), e preso ao sentido da segunda possibilidade pensei haver erro.

    O período pode ser entendido como tendo duas respostas possíveis para se “defender a liberdade”, colocando essas respostas como as causas da defesa, e a interrogação é para indicar a dúvida de ser uma ou outra causa, e nesse caso o “porquê” deveria, mesmo, vir junto, como veio, afinal introduz duas respostas.

    O sentido que eu criei, possível apenas com os porquês estando separados, foi de serem perguntas (que seriam respondidas no texto), ao estilo chamada do Globo Repórter: “Defender a liberdade: por que [razão] ela funciona ou por que [razão] é moralmente correto [fazer isso]?”.

    Agradeço ao Leandro a atenção, e reconheço que foi um problema de leitura meu, embora minha construção frasal seja possível, mas não com o mesmo sentido.

  9. Acho que foi o Stefan Molyneux que primeiro abriu minha mente sobre essa questão estratégica. O público comum nunca vai querer perder tempo estudando banco central, juros, capital e coisas do tipo. Um argumento moral é muito mais eficaz. Claro que ambos são importantes e possuem seu lugar e momento.

  10. Quando penso sobre essa questão estratégica, sempre lembro do caso do fim da escravidão. O que terminou a escravidão não foram argumentos economicos baseados na eficiência superior de um trabalhador livre, mas em argumentos morais.

  11. Mais que defender a moralidade do libertarianismo, é necessário atacar impiedosamente a imoralidade do intervencionismo.

    Promover um lado através do ataque ao outro lado parece injusto, não? Não! E por que não? Em primeiro lugar, porque denunciar imoralidades é, em si, um dever moral. Em segundo lugar, para lutarmos em igualdade de condições, pois eles fazem isso o tempo todo, e como diz Robert Higgs: com “centenas de vezes mais tropas e milhares de vezes mais dinheiro para adquirir suas munições”.

    É preciso deixar de ser ingênuo e aprender a jogar o jogo, pois eles sabem jogá-lo muito bem. Um site que considero um ótimo destruidor de ingênuos é esse aqui: lucianoayan.com.br

  12. Isto é uma verdade incontestável, muito bem exposta pelo autor:

    – “O libertarianismo solidificado em pilares morais é muito mais forte e duradouro do que o libertarianismo construído sobre a areia movediça dos argumentos consequencialistas, os quais, por definição, são convincentes apenas enquanto os argumentos e as evidências visíveis do momento atual assim o fazem.”

    O argumento moral (sentido ético, como um absoluto) esta ao alcance de todos através de argumentos simples compreensiveis por qualquer individuo. A idéia ética é obscurecida exatamente pelos relativistas morais que desprezam principios axiomáticos em nome de fins redentores exibidos como mais convenientes ou compensadores no usofruto até eterno.
    Ora, entender os beneficios economicos no medio e longo prazo é já algo que não esta ao alcance de todos, seja por limites no conhecimento ou intelectual ou seja mesmo pela indisposição para se dar ao exercicio de longas reflexões. Ao contrário, o falatório arbitrário dos intervencionistas oferecem a resposta imediata sem a necessidade de qualquer raciocinio: “tirar do João e dar ao José” é apreendido imediatamente como benéfico ao José. Como mesmo os libero-achistas que justificam os meios pelos fins, os utilitaristas ou consequencialistas, não atacam a moral intervencionista, a aparência é que partindo do Estado (como fonte da justiça, do certo e errado, como um arbitro acima dos reles humanos) tudo é justificável e por tal que “se tire do João e se dê ao José” …essa é a vantagem dos falsários ideológicos, a simplicidade com apoio moral de alguns adversários, pelo menos.

  13. Defender a liberdade: porque ela funciona ou porque é moralmente correto?

    Por ambos. E pode ser bem barato: http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=191466

    O projeto Índice de Liberdade Humana tem como objetivo criar um site interativo em português para exibir o índice de liberdade humana criado pelo Fraser Institute, podendo comparar a liberdade do Brasil com todos os outros países do mundo em diversas categorias, além de sugerir mudanças para aumentar a nota do Brasil nesse ranking.
    Qualquer doador terá o nome no site do projeto para reconhecer o auxílio na criação, exceto nos casos que o doador solicite o anonimato.
    Doações acima de 500 reais permitem a colocação da marca de uma empresa ou organização no site por 12 meses.

  14. “Se o mais empenhado e inflexível libertário deontologista soubesse com toda a certeza que sua adesão a todos os elementos cruciais do libertarianismo fosse gerar, digamos, a total destruição da raça humana, então até mesmo ele, este obstinado e implacável libertário, teria de ceder e recuar, e basear sua decisão nas consequências geradas por uma aderência sem exceções a uma regra moral obrigatória.”

    Essa é uma argumentação falaciosa, sem cabimento.

    – Se o mais empenhado e inflexível “social-liberalista” consequencialista soubesse com toda a certeza que sua adesão a todos os elementos cruciais do consequencialismo fosse gerar, digamos, o sofrimento terrível de milhares de indivíduos inocentes para que todo o restante vivesse em pleno progresso e riqueza, será que então até mesmo ele, este obstinado e implacável social-liberalista, cederia baseando sua decisão na ética e no direito individual diante de uma adesão a uma regra consequencialista obrigatória.

    O que temos é que a primeira, digamos, hipótese é uma fantasia, uma premissa forçada pelo reino do absurdo. Afinal, não há nenhuma evidência de que tal possa acontecer. Seria como, lembrando Bastiat, alguém defendesse que se devesse estuprar criancinhas menores de 4 anos e ante a oposição de alguém perguntasse “e se caso tal não fosse feito, as crianças tivessem uma doença supliciante e mortal” …Ora, trata-se de uma idiotice concebida apenas para clamar pela aceitação de algo inaceitável.
    Quem responde essa pergunta?
    Ou esta …”e se os remédios só pudessem existir se fosse preciso fazer de humanos as cobaias sofredoras” …enfim, coisa idiotas que de nada servem se não para tornar palatavel até mesmo o intragavel através de falsos dilemas possiveis apenas no reino da fantasia absurda.

    Por conta deste tipo de suposto defensor da liberdade, ou pretenso libertário, é que os totalitários intervencionistas (socialistas, já que comunista é uma impossibilidade não só prática mas também teórica) conseguem conquistar adeptos. Afinal, até mesmo os “libertários” anuem em certo grau com as pretensões socialistas, sem se curvar a restrições éticas ou ao direito individual. Pois que defendem apenas menos socialismo, anuindo com seus postulados e justificativas morais (não éticas) relativistas. Ou seja, desprezam a idéia de justiça, de direito, em favor de um objetivo redentor. …Só que tal objetivo sempre será num futuro incerto. Ora, se concordam com o socialismo em pequena escala não se opõem a ele apenas alegam que não dá certo e os socialistas afirmam que dará se for feito pelo líder certo baseado na ideologia correta. Pronto! …claro que a massa entende o socialismo e não o economicismo.

    Com “amigos” com uma qualidade moral que lhes permite fantasias absurdas em defesa de seu ponto de vista economicista e relativista, a liberdade nem precisa de adversários.

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