A seguinte entrevista com Hans-Hermann Hoppe foi publicada no semanário
alemão Junge Freiheit
no dia 2 de novembro de 2012, e foi conduzida por Moritz Schwarz.
Professor Hoppe, em sua coleção de
ensaios ‘Der
Wettbewerb der Gauner’(“A Competição dos Escroques”), o
senhor escreve que ‘99% dos cidadãos, caso perguntados se o estado seria necessário,
responderiam que sim’. Confesso que eu
também! Por que estou errado?
Todos nós, desde a infância, fomos moldados pelo estado ou por instituições
licenciadas pelo estado — pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e
universidade, todas elas com currículos estipulados pelo estado. Fomos condicionados desde crianças a ver o
estado como uma instituição necessária e salvadora. Sendo assim, esse resultado por você citado
não deveria ser nada surpreendente.
No entanto, se eu lhe perguntasse se você julga ser indispensável haver uma
instituição que possua o poder supremo de decisão sobre todo e qualquer
conflito, inclusive aqueles em que ela também está envolvida, você certamente
diria que não — a menos, é claro, que você esperasse estar no comando dessa
instituição.
Hum … correto.
É claro. Porque tão logo você entende
que tal instituição não irá se limitar a apenas mediar conflitos, uma vez que
ela também pode criá-los, então você será também capaz de perceber que ela
logicamente sempre irá resolver esses conflitos em benefício próprio. Tendo entendido isso, eu, de minha parte,
garanto passaria a viver receoso pela segurança de minha vida e de minha
propriedade.
No entanto, é exatamente isso, este poder supremo sobre decisões judiciais,
que é a característica específica
dessa instituição chamada estado. O
estado detém o monopólio supremo da aplicação da lei e da justiça, e é
inevitável que ele utilize esse monopólio para proveito próprio.
Correto, mas, por outro lado, o
estado se baseia em um contrato social, o qual fornece ao indivíduo proteção e
espaço para suas realizações pessoais — coisas que, sem o estado, ele não
teria. Sem o estado, tudo seria uma
batalha contínua e violenta de todos contra todos.
Não, o estado é qualquer coisa, menos o resultado de um contrato! Nenhum indivíduo dotado de uma mínima
quantidade de bom senso iria concordar com tal contrato. (Ver aqui e aqui). Tenho vários contratos em minha pasta de
arquivos, mas não há nenhum igual a esse.
O estado é resultado da força agressiva e da subjugação. Ele surgiu, cresceu e se expandiu sem nenhuma
fundação contratual, exatamente como uma quadrilha mafiosa que prática extorsão
em troca de “proteção”.
E, no que diz respeito à “batalha contínua e violenta de todos contra todos”,
isso é um mito. É claro que, em “seu”
território, um escroque extorsionário protege suas vítimas da agressão de outros
escroques; mas ele faz isso apenas para que ele próprio possa conduzir sua
extorsão mais lucrativamente. Outra
coisa: são os estados que são os responsáveis pelas mortes de centenas de
milhões de pessoas, além de toda a incomensurável destruição ocorrida apenas no
século XX. Comparadas a isso, as vítimas
de crimes privados são praticamente irrisórias.
E você realmente acredita que os conflitos entre os habitantes da região da
tríplice fronteira [França, Alemanha e Suíça] perto da Basileia, que estão convivendo
em uma condição de anarquia (não há um supraestado governando a interação
diária dos cidadãos destes três países), são mais numerosos do que os conflitos
entre os habitantes de Dortmund ou Düsseldorf, que são cidadãos de um mesmo
estado [Alemanha]? Não que eu saiba.
Por que, na sua visão, a democracia é
apenas uma “competição de escroques”?
Todas as formas mais desenvolvidas de religião proíbem cobiçar a propriedade
alheia. Esta proibição é a base de todo
e qualquer processo de cooperação social.
Em uma democracia, por outro lado, qualquer pessoa pode cobiçar a (e de
fato se apropriar da) propriedade de terceiros, agindo de acordo com este seu
desejo — a única precondição é que ela consiga acesso aos corredores do
poder.
Assim, sob condições democráticas, todas as pessoas se tornam uma ameaça em potencial. Qualquer um pode expressar
abertamente seu desejo pela propriedade alheia. O que antes era
considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado
um sentimento legítimo. Todos agora podem cobiçar abertamente a
propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com
esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar
no governo. Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se
tornar uma ameaça.
O que tende a acontecer é que aqueles membros da sociedade que tentarão o acesso
aos corredores do poder e ascender às mais altas posições na hierarquia
política são justamente aqueles que não possuem inibições morais para se
apropriar indevidamente da propriedade de terceiros. Consequentemente, sob condições democráticas,
o popular — embora imoral e anti-social — desejo pela propriedade de outro
homem é sistematicamente fortalecido. Toda e qualquer exigência passa a
ser legítima, desde que seja proclamada publicamente. Em nome da
“liberdade de expressão”, todos são livres para exigir a tomada e a
consequente redistribuição da propriedade alheia. Tudo pode ser dito e
reivindicado, e tudo passa a ser de todos. Nem mesmo o mais aparentemente
seguro direito de propriedade está isento das demandas redistributivas.
Pior: em decorrência da existência de eleições em massa, aqueles membros da
sociedade com pouca ou nenhuma inibição em relação ao confisco da propriedade
de terceiros — ou seja, amorais vulgares que possuem enorme talento em agregar
uma turba de seguidores adeptos de demandas populares moralmente desinibidas e
mutuamente incompatíveis (demagogos eficientes) — terão as maiores chances de
entrar no aparato governamental e ascender até o topo da linha de
comando. Daí, uma situação naturalmente ruim se torna ainda pior.
Ao dizer que políticos são parasitas
preguiçosos o senhor não teme ser repreendido por estar reclamando em um nível
semelhante ao utilizado pelo tablóide Bild?
E daí? Até o início do século XX, era
difícil apontar um importante pensador político que não se referisse
desdenhosamente à democracia. A
palavra-chave utilizada para descrever a democracia era “multidão
desorganizada”, ou “oclocracia“,
ou mesmo “governo da turba”.
As críticas mais populistas que fazem hoje à democracia, desde aquelas
contidas na Bild até as do motorista
de táxi, são boas, mas não são fundamentadas o bastante. Tampouco vão tão longe quanto deveriam. É claro que políticos são parasitas: eles
vivem do dinheiro que extraem das outras pessoas sob a ameaça de violência — o
que é chamado de “tributação”. Mas,
infelizmente, os políticos não são
preguiçosos. Seria ótimo se tudo o que
eles fizessem fosse farrear e esbanjar o dinheiro que pilharam das pessoas
produtivas. Mas o que ocorre é
justamente o contrário: eles são megalomaníacos obsessivos e obcecados em fazer tudo aquilo
que consideram ser o certo — o que se resume a impor inúmeras dificuldades
para suas vítimas (nós, os genuínos trabalhadores) por meio da criação de
milhares de leis e regulamentações.
A democracia é apenas uma das
possíveis variedades de organização do estado.
Há alguma outra forma de existência do estado que seria mais aceitável
para o senhor?
Em um estado monarquista, todos os indivíduos sabem quem é o soberano e quem
são os súditos, de modo que tenderá a haver resistência contra qualquer
tentativa de aumento do poder estatal.
Em um estado democrático, essa distinção se torna indistinta, o que
facilita em muito a expansão do poder do estado — quem está fora do aparato
estatal hoje poderá entrar nele amanhã.
Um momento: é exatamente para isso
que existem tribunais, leis e constituições: para limitar e controlar o estado
— tanto o executivo quando o legislativo.
A máfia também possui sua divisão de poderes. A máfia possui seu “executivo”, seu
“legislativo” e seu “judiciário”. É só
você assistir novamente a “O Poderoso Chefão” para ver como estes três poderes
funcionavam sempre em prol da própria expansão organizada do “empreendimento”.
O que o senhor acha dos novos
movimentos de ataque ao estado que têm surgido na internet, como os do
movimento “Occupy” ou os “Piratas”, que demandam transparência e participação
mas tudo sem condenar diretamente o estado e a democracia em sua totalidade?
O movimento ‘Occupy’ é formado por ignorantes econômicos incapazes de
entender que todos os truques sujos feitos pelos bancos, os quais eles
corretamente deploram, só são possíveis porque existe um Banco Central capaz de
imprimir dinheiro para socorrê-los e que, por isso, atua como um “emprestador
de última instância”; e que a atual crise financeira não é, portanto, uma crise
do capitalismo, mas sim uma crise do intervencionismo e do estatismo. O Banco Central é uma agência reguladora que
existe para proteger o sistema bancário, blindá-lo de qualquer tipo de
concorrência ou imprevisto, e socorrê-lo sempre que fizer operações
insensatas. O movimento ‘Occupy’ em
momento algum atacou isso, que é a raiz de toda a crise.
Já os ‘Piratas’, com sua demanda por uma renda básica incondicional, já
estão bem avançados no inexorável destino de se tornar mais um partido que
defende “cerveja de graça para todos”.
Eles possuem apenas um ponto que pode torná-los muito populares, bem
como garantir-lhes a inimizade de inimigos poderosos, como as indústrias
cinematográfica, musical e farmacêutica: a crítica aos ‘direitos de propriedade
intelectual’. Porém, mesmo neste
quesito, eles são medrosos e ignorantes.
A única coisa que eles têm de fazer é ir ao Google e digitar Stephan Kinsella. E então eles entenderiam que a Propriedade
Intelectual não tem nada a ver com propriedade, mas sim com privilégios
concedidos pelo estado.
A PI permite que o inventor (I) ou o ‘primeiro criador’ de um produto — um
texto, uma figura, uma musica ou qualquer outra coisa — proíba todas as outras
pessoas de fazerem uma réplica deste produto; ou, no mínimo, que ele cobre uma
licença de uso, mesmo que o replicador (R) esteja utilizando exclusivamente a
sua propria propriedade (e não se aposse de nenhuma propriedade de I). Desta forma, I é elevado à condição de
co-proprietário da propriedade de R.
Ou seja, direitos de Propriedade Intelectual não são propriedade, mas sim um
ataque à propriedade alheia — e, logo, completamente ilegítimos. Ideias — receitas, fórmulas, declarações,
argumentações, algoritmos, teoremas, melodias, padrões, ritmos, imagens etc. —
certamente são bens (na medida em que são bons e úteis), mas não são bens
escassos. Tão logo as ideias são formuladas e enunciadas, elas se tornam
bens não escassos, inexauríveis. Suponha que eu assobie uma melodia ou
escreva um poema, e você ouça a melodia ou leia o poema e, ato contínuo, os
reproduza ou copie. Ao fazer isso, você não expropriou absolutamente nada
de mim. Eu posso assobiar e escrever como antes. Com efeito, o mundo
todo pode copiar de mim e, ainda assim, nada me foi tomado. (Se eu não
quiser que ninguém copie minhas ideias, tudo que eu tenho de fazer é mantê-las
para mim mesmo, sem jamais expressá-las.)
Agora, imagine que eu realmente possua um direito de propriedade sobre minha
melodia de tal modo que eu possa proibir você de copiá-la ou até mesmo exigir
um royalty de você caso o faça. Primeiro: isso não implica, por sua vez,
que eu também tenha de pagar royalties para a pessoa (ou para seus herdeiros)
que inventou o assobio e a escrita? Mais ainda: para a pessoa (ou seus
herdeiros) que inventou a linguagem e a criação de sons? Quão absurdo é
isso?
Segundo: ao impedir que você assobie minha melodia ou recite meu poema, ou
ao obrigá-lo a pagar caso faça isso, estou na realidade me transformando em seu
proprietário (parcial): proprietário parcial de seu corpo, de suas cordas
vocais, de seu papel, de seu lápis etc. porque você não utilizou nada exceto a
sua própria propriedade quando me copiou. Se você não mais pode me copiar,
então isso significa que eu, o dono da propriedade intelectual, expropriei de
você a sua “real” propriedade. Donde se conclui: direitos de
propriedade intelectual e direitos de propriedade real são incompatíveis, e a
defesa da propriedade intelectual deve ser vista como um dos mais perigosos
ataques à ideia de propriedade “real” (sobre bens escassos).
Em “A Competição dos Escroques”, o
senhor esquematiza um modelo alternativo baseado em uma “sociedade de leis
privadas”. Como ela funciona?
O conceito básico é simples. A ideia
de haver uma agência que seja protetora da propriedade e mantenedora da lei, e,
ao mesmo tempo, seja monopolista dessas atividades, é uma contradição. Este monopolista, seja ele um rei ou um
presidente eleito, será sempre um ‘expropriador protetor da propriedade’ e um
‘infrator mantenedor da lei’ — e sempre irá caracterizar todas as suas ações
como visando ao “interesse público”.
Para garantir a proteção da propriedade e salvaguardar a lei, é necessário
que haja livre concorrência também na área da lei. Outras instituições de fora do estado devem
poder ofertar serviços de proteção à propriedade e serviços judiciais. O estado, desta forma, passaria a estar também
sujeito às leis privadas, em pé de igualdade com todos os outros cidadãos. Ele não mais poderia sair unilateralmente
elevando impostos ou promulgando leis.
Seus funcionários teriam de ganhar sua renda da mesma maneira que os
cidadãos comuns o fazem: produzindo e ofertando algo que seja voluntariamente
demandado por consumidores; bens e serviços que sejam atraentes o suficiente
para fazer com que alguns cidadãos estejam dispostos a pagar por eles.
Isso não levaria rapidamente a uma
guerra entre essas instituições ‘ofertantes’?
Guerras e agressões são atividades extremamente custosas. Estados fazem guerras porque podem, por meio
de impostos e da criação de dinheiro, repassar os custos para todos os cidadãos
que não estão diretamente envolvidos no esforço de guerra. Em contrapartida, para empresas cujo
financiamento é voluntariamente obtido no mercado, fazer uma guerra seria
suicídio econômico.
Estando também sujeito às leis privadas, o estado terá, assim como todos os
outros fornecedores de serviços de segurança, de oferecer aos seus clientes
contratos que somente poderão ser alterados por meio de um acordo mútuo, e os
quais determinarão especificamente o que deverá ser feito em caso de um
conflito entre ele próprio e seus clientes, ou entre ele próprio e os clientes
de outros fornecedores de serviços de segurança concorrentes.
E para isso haverá apenas uma solução aceitável por todos: que nestes tipos
de conflitos, não o estado mas sim uma entidade externa e independente dê o
veredito — arbitradores e juízes que, por sua vez, estarão concorrendo entre
si, e cujo ativo mais importante é sua reputação como mantenedores da lei, e
cujas ações e julgamentos podem ser contestados e, se necessário, revisados,
assim como ocorre com qualquer outra pessoa.
Quem deveria ser esta entidade
externa e independente? E com quais
instrumentos de poder ela asseguraria os interesses de um cidadão comum contra
seu sócio contratual — a agência privada, a qual, obviamente, é muito mais
poderosa?
Nos conflitos locais, em uma pequena cidade ou mesmo em um bairro, estas
entidades muito provavelmente serão aquelas pessoas universalmente respeitadas,
conhecidas como os “aristocratas naturais” ou mesmo as “elites naturais“. Ou então organizações arbitradoras e cortes
de apelação, cujos serviços seguradoras e segurados concordaram contratualmente
em utilizar desde o início. Aquele,
portanto, que não aceitar o veredito do julgamento não apenas estará
inadimplente perante a lei, como também irá se tornar um pária no mundo dos
negócios. Ninguém irá querer se envolver
com ele, e ele imediatamente perderá todos os seus clientes e parceiros
comerciais. Isso não é nada
utópico. Ao contrário: essa já é a
prática usual nas transações internacionais — anárquicas — que ocorrem
atualmente.
Logo, eu devolvo a pergunta: como irá o cidadão comum assegurar seus
interesses perante um estado monopolista e tributador? Este, sim, é muito mais poderoso que o
indivíduo — e é sempre o dono da palavra final!
O senhor compreende o contínuo
ceticismo com relação à sua proposição?
É claro que sim, uma vez que a maioria das pessoas nunca ouviu falar destas
ideias. Muito menos já se deram ao
trabalho de pensar seriamente sobre elas.
Apenas não tenho simpatias por aquelas que já saem gritando
histericamente quando ouvem essas ideias e imediatamente exigem a condenação de
seus proponentes sem que tenham o mais mínimo conhecimento de economia e de
filosofia política.
É muito improvável que uma maioria
dos cidadãos irá algum dia apoiar um modelo tão estranho e desconhecido. Mas quais partes deles podem ser adotadas a
fim de alcançarmos pelo menos alguns aperfeiçoamentos parciais em nosso atual
sistema, sem que seja necessário um abandono completo do estado e da
democracia?
Há uma solução interina. Ela se chama
secessão e
descentralização. Estados pequenos
têm inevitavelmente de ser libertários — caso contrário as pessoas
trabalhadoras e produtivas irão desertar.
O desejável, portanto, é termos um mundo formado por milhares de Liechtensteins,
Cingapuras e Hong Kongs. Por outro lado,
um governo central europeu — e, pior ainda, um governo mundial — com uma
política “harmonizada” de impostos e regulamentações representa a mais séria e
grave ameaça à liberdade.
Para isso também o senhor
provavelmente não terá uma maioria.
Sendo assim, como o estado e a democracia irão evoluir no futuro? Onde finalmente iremos terminar?
O modelo assistencialista ocidental, também chamado de ‘socialismo light’,
irá entrar em colapso assim como aconteceu com o socialismo ‘clássico’ — é
claro que não sou capaz de dizer quando exatamente isso acontecerá, se daqui a
cinco, dez ou quinze anos. As
palavras-chave são: falência do estado, hiperinflação, reforma monetária e
violentos conflitos distributivos. E
disso surgirá ou um apelo por um ‘homem forte’, um ditador, ou — torçamos —
enormes e intensos movimentos secessionistas.
Inspirador, como sempre.
O maior intelectual vivo.
É sempre ótimo ler o Hoppe, inclusive em entrevistas. Ele não foge de perguntas difíceis e não se acovarda nunca. Sempre defende a liberdade, mesmo que o interlocutor ache “estranho” ou “desconhecido” esse conjunto de idéias libertárias. Muito bom!
Absurdo.
Pasmo fico, data máxima venia, como o senhor Hoppe pode ao menos considerar uma sociedade não voltada à promoção da igualdade? Além disso, sua proposta política é falha, pergunto-me se ele ao menos consultou grandes pensadores e psicanalistas como Rousseau, Eric From, Karl Marx, Horkheimer ou Freud para compreender como a humanidade funciona e deve ser operada em função do bem comum. Refutá-lo-ei.
“Qualquer um pode expressar abertamente seu desejo pela propriedade alheia. O que antes era considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado um sentimento legítimo. Todos agora podem cobiçar abertamente a propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar no governo. Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se tornar uma ameaça.”
Corrigindo: O ato nomeado vergonhosamente como “cobiçar a propriedade alheia” é chamado de promoção da justiça social em prol do bem comum. Se o senhor Hoppe não deseja que alguns euros de sua conta bilionária na Suíça sejam tirados para oferecer serviços públicos de qualidade aos mais pobres, apenas lamento que ele se oponha à construção de uma sociedade de justiça social antes da caridade. Qualquer leitor de Paulo Freire desarmaria facilmente a retórica burguesa no discurso sem compaixão do senhor Hoppe.
————————————————————————————-
“Um momento: é exatamente para isso que existem tribunais, leis e constituições: para limitar e controlar o estado — tanto o executivo quando o legislativo.
A máfia também possui sua divisão de poderes. A máfia possui seu “executivo”, seu “legislativo” e seu “judiciário”. É só você assistir novamente a “O Poderoso Chefão” para ver como estes três poderes funcionavam sempre em prol da própria expansão organizada do “empreendimento”.”
Corrigindo tanto o senhor Hoppe assim como o homem que o entrevista, os poderes legislativo e judiciário, na prática, não operam para limitar o poder estatal; mas sim para guiá-lo ao bem comum.
————————————————————————————-
“Guerras e agressões são atividades extremamente custosas. Estados fazem guerras porque podem, por meio de impostos e da criação de dinheiro, repassar os custos para todos os cidadãos que não estão diretamente envolvidos no esforço de guerra. Em contrapartida, para empresas cujo financiamento é voluntariamente obtido no mercado, fazer uma guerra seria suicídio econômico.”
Observação falha do senhor Hoppe. As grandes guerras mundiais receberam grande apoio pelo povo(Graças à alienação promovida pela indústria cultural burguesa) e foram causadas pela burguesia à procura de matérias primas e mercados consumidores. Ele não leva em consideração algo crucial: E se, durante o conflito entre essas empresas, os sócios burgueses ou sócios alienados desejarem a guerra e se mostrarem dispostos a financiá-la?
————————————————————————————-
“Estando também sujeito às leis privadas, o estado terá, assim como todos os outros fornecedores de serviços de segurança, de oferecer aos seus clientes contratos que somente poderão ser alterados por meio de um acordo mútuo, e os quais determinarão especificamente o que deverá ser feito em caso de um conflito entre ele próprio e seus clientes, ou entre ele próprio e os clientes de outros fornecedores de serviços de segurança concorrentes.
E para isso haverá apenas uma solução aceitável por todos: que nestes tipos de conflitos, não o estado mas sim uma entidade externa e independente dê o veredito — arbitradores e juízes que, por sua vez, estarão concorrendo entre si, e cujo ativo mais importante é sua reputação como mantenedores da lei, e cujas ações e julgamentos podem ser contestados e, se necessário, revisados, assim como ocorre com qualquer outra pessoa.”
E se a agência de um determinado burguês não reconhecer os direitos de propriedade concedidos pela agência de um proletário? E se, nos “conflitos superiores mediados por alguma autoridade de segunda instância”, o burguês ainda não mostrar-se disposto a aceitar algum acordo e até oferecer financiamento para uma expropriação?
E se, em um conflito local com meu vizinho, eu recusar qualquer acordo sobre fazer menos som em minha casa? Que autoridade aparecerá e deterá meu egoísmo para que eu não incomode quem mora próximo de mim? Ou seja, quem terá o poder para guiar a sociedade ao bem comum?
É insano apoiar tais medidas. E nem mesmo adentrei o campo da tragédia que seria uma sociedade operando em função do lucro e não do bem comum?
————————————————————————————-
“O modelo assistencialista ocidental, também chamado de ‘socialismo light’, irá entrar em colapso assim como aconteceu com o socialismo ‘clássico’ — é claro que não sou capaz de dizer quando exatamente isso acontecerá, se daqui a cinco, dez ou quinze anos. As palavras-chave são: falência do estado, hiperinflação, reforma monetária e violentos conflitos distributivos. E disso surgirá ou um apelo por um ‘homem forte’, um ditador, ou — torçamos — enormes e intensos movimentos secessionistas.”
O Welfare State europeu, até hoje, foi a maior conquista da humanidade em termos humanitários e sociais. Pela primeira vez, serviços públicos de qualidade foram emitidos a todos(Até à burguesia) e o povo viu sua ascensão artística e intelectual.
Se está ocorrendo uma crise, é porque a burguesia européia, gananciosa, não deseja mais colaborar com os benefícios do proletariado. Para mais, recomendo o brilhantíssimo manifesto da Unicamp contra o fim do estado de bem-estar social. Garanto que tal homem forte não será um criminoso, mas sim um filósofo capaz de guiar as sociedades ao seu apogeu.
É preciso reconhecer que, em uma sociedade perfeita de socialismo, não há ricos ou pobres. Em uma sociedade capitalista, há muitos ricos. Porém, precisam existir pobres. Todo lucro que é obtido é espoliado de quem trabalha nas camadas inferiores do ciclo produtivo através da mais-valia. Desejar uma sociedade assim é uma brutalidade.
“E disso surgirá ou um apelo por um ‘homem forte’, um ditador, ou — torçamos — enormes e intensos movimentos secessionistas.”
Mesmo não sendo cristão, ao ler esta parte me veio à mente o Anticristo, LOL.
… E ainda querem que a filosofia seja ensinada como matéria obrigatória nas escolas neste brazíííuuuu varonil!!
Essa é a filosofia que se aprende nas escolas e faculdades??
A lavagem cerebral esquerdista ainda não foi suficientemente avassaladora?
Ao analisar textos megalomaníacos e pseudo-messiânicos como esses do Sr. Filósofo, com sua verbosidade pomposa, seus “data vênias” e floreios sarneyanos, me dou conta de que em certos casos não adianta instalar novos softwares, tem é que formatar o HD mesmo!!! Todo o texto é uma caricatura involuntária, um estereótipo perfeito do pseudo-pensador incubado na estufa socialista.
O problema não é ignorar (=não saber), é não querer aprender!!!
Se o Sr. Filósofo utilizasse o seu precioso tempo para ler o material do site e se informar sobre a base das idéias libertárias e anti-intervencionistas, e como a partir das premissas básicas se consegue construir todo o edifício do pensamento austríaco, seria muito mais proveitoso do que dissipar as energias escrevendo esses panfletos marxistas recheados de clichês – “igualitarismo, mais-valia, burguesia gananciosa, bem-estar social” e todos esses termos ultrapassados e vazios!!
O resumo do pensamento do Sr. Filósofo e seus mestres e discípulos seria mais ou menos o seguinte: “como é que alguém ousa pensar diferente de mim?!?!? as minhas palavras são a Verdade absoluta, e tudo o que for baseado em premissas conflitantes ao meu pensamento é tão herético e inadmissível que não vale a pena ser nem analisado”!!
Abaixo o blablabla!! e viva a objetividade!!
Respeitosamente, “data não vênia”,
RH.
Aqueles que já viram meus comentários sabem que sou miniarquista e não anarcocapitalista. Não creio que um sistema sem governo seja estável. Mas como miniarquista, apoio a efetiva diminuição do escopo de atuação dos governos. Penso que para que isso é necessário levar as pessoas a conhecerem a história.
Filosofo fanfarrão.
Vocês acham que os pontos levantados em relação à Propriedade Intelectual também são válidos para a proibição de registro de fotos em Museus (excetuando o fato de uso de flash em decorrência de manutenção de afrescos, pinturas, etc)? Afinal, o Museu é uma propriedade privada, mas teria esse direito de nos coagir a não registrar esses momentos?
Abraço!
Desculpem por perguntar isto aqui, mas não encontrei referências no site para o assunto.
Conhecem um senhor chamado Zizek? O que ele defende? A mim já me falaram dele, mas não sei o que ele defende. Eu já vi um vídeo dentro do plano ‘libertarianismo’.
Gente… é verdade que o “Filósofo” produz textos meramente irônicos?
Eu caí nessa esparrela??? O cara é danado de bom mesmo!!
É que são tão perfeitamente representativos da filosofia esquerdopática predominante… que não pude perfurar a camada de cara-de-pau que reveste majestosamente seus escritos!!
“Data máxima vênia”, peço perdão ao nobre Filósofo por ter atacado suas crenças de modo tão mesquinho…
Mas, por outro lado… e se os escritos do Sr. Filósofo forem sinceros??? O que farei agora??? Oh dúvida!!!
Gostaria de chamar a atenção para uma coisa. O direito internacional tem sido usado há muito tempo em questões civis, particularmente quanto ao direito comercial. Mas questões criminais resolvem-se normalmente através da existência de tratados. Aparentemente é mais tranqüilo resolver questões de direito comercial por meio de arbitragem do que questões criminais ou de direito de família. Se essa situação é visível no direito internacional (anarquico por natureza) é previsivel que se mostre também numa suposta futura situação de inexistência de estado. É fácil crer que se encontre soluções razoáveis para as questões comerciais, independentemente da existência de estado. Mas o direito criminal é muito mais conflitivo, por natureza. É do interesse daqueles que são ligados à vítima (e, em certa medida, da sociedade em geral) que o criminoso seja aprisionado e castigado. É do interesse daquele que cometeu um crime, dar um jeito de escapar das conseqüencias, tanto quanto possível. Raramente um criminoso se apresentará e dirá: matei, ou violentei, ou envenenei. Estou pronto para sofrer a pena que meus atos merecem. O direito criminal é normalmente uma questão de coerção. No caso de crimes menores, é provavel que a pena considerada justa seja simplesmente uma multa, e neste caso é muito provável que o criminoso prefira aceitar a pena. Mas e as violações, os latrocínios, o homicídio, a tortura seguida de morte, o atentado a bomba, o sequestro, os homicidios em seqüencia, o terrorismo? Terão os parentes da vítima que aceitar a simples compensação monetária por um mal que lhe consome a alma?
Talvez por isso, tenha sido freqüente, desde muitos milênios, que simples querelas comerciais fossem resolvidas por árbitros, aceitos pelas partes, mas graves condutas criminais, em todas as sociedades, eram resolvidas por juizes predeterminados e, em quase todas as sociedades (com uma ou duas exceções), monopolistas. Isto desde os chefes tribais, que eram monopolistas por natureza, e também os conselhos de anciãos, os principes, ou chefes, ou reis, eleitos ou herdeiros, das cidades, associações de cidades, etc. Dizendo de outra forma, desde muito tempo o ser humano não teve dificuldade em conseguir resolver suas pendências comerciais por meior de árbitros, até mesmo escolhidos depois do fato consumado. Mas sempre teve muita dificuldade (eu diria quase absoluta) em resolver graves pendências criminais, senão por meio da vendeta ou de juizes prédeterminados, e em virtualmente todos os casos, monopolistas.
Mas essa tendência quase universal da humanidade, não pode de forma alguma ser atribuida a qualquer condicionante cultural. Tem de ser então, por motivos inerentes à condição humana.
Bom artigo. No entanto há um equivoco quanto ao movimento Occupy. Este se põe contra o sistema capitalista de forma a considerar o fato da alocação de recursos ,efetuada pelo aparato governamental, se encontrar engessado pelos possuidor do poder (dinheiro)/banqueiros. Estes evidentemente tem como sua mais importante ferramenta o FED. Até agora tudo, parece apenas uma falha reversível no sistema. Infelizmente não é bem assim. O fato de um grupo seleto de pessoas(corporações) controlarem a moeda americana não é mero acaso. Governantes não são escolhidos aleatoriamente de acordo com sua competência. Governantes são escolhidos e financiados por aquelas que podem arcar com custos. Quem não segue o que é mandado (marionetes), cai fora. Há uma máfia que detém o governo e os meios de comunicação através do qual o povo se mantém “informado”, mantendo o alienado do que realmente acontece. Podemos associar este entrave com diversos fatos históricos. Para mim, os que mais evidenciam esta trama entre detentoresdopoder/governo/midia e especialmente o caso FED (JFK; para os interessados, pesquisar sobre as semelhanças entre os casos), foram os assassinatos de Abraham Lincon e J.F.Kennedy. Suas mortes não aconteceram por acaso. Justamente ao tentaram devolver ao povo de fato o que a democracia diz lhes fornecer, apesar de passar longe da realidade, tiveram sua vida levada pelo sistema.
E depois de tudo isso me questiono: “O que seria da sociedade sem o burguês, que deve abrir mão dos seus bens para o bem-estar social, se ele não existisse. Quem pagaria a conta, o proletário ?”
Off:
Como seria a mídia num livre mercado para vocês ? Eu vejo que sabem e criticam muito essa questão da manipulação, mas e no livre mercado? A mídia não continuaria possuindo esse poder, já que mesmo sem limitações por orgãos estatais ( sabemos que hoje há um oligopólio no setor e a maioria de seus dirigentes têm relações com o governo) muitas pessoas continuariam sendo literalmente tangidas como ovelhas por grandes empresas de comunicação (e.g. Globo)? Imaginem o seguinte: se conseguíssemos eliminar o Estado, mas depois de certo tempo muitos canais de TV e estações de rádio começassem a fazer muita propaganda sobre criação de um governo.Logo muitas pessoas seriam favoráveis a isso,pois não acompanhariam outros canais,e portanto, não conheceriam opiniões e argumentos contrários à essa criação de um novo Estado, já que, como acontece hoje, rejeitam ou sequer conhecem fatos e opiniões diferentes dos mostrados em seus canais preferidos. Assim teríamos um novo Estado?
Grato desde já.
A questão da PI vista apenas pelo ângulo exposto, leva o leitor a concluir que ela atua frontalmente contra a liberdade, e que seria bom para todos se fosse abolida. Será que é mesmo assim?
Quando a PI é vista dentro da realidade que vivemos hoje (Estados fortes e em franco crescimento), cabe questionar se a abolição da PI não serviria primeiro ao próprio crescimento do Estado. O poder e suas franjas estariam muito mais aptos a integrar um eventual intelectual crítico ao sistema, simplesmente porque lhe terão subtraído um meio até então legítimo de sobrevivência, que é a PI.
Cumpre dizer que este projeto não é novo. Os comunistas eram entusiastas deste modelo. Uma das bases de seu projeto de poder era inibir a atividade intelectual fora do sistema.
Uma pergunta: Qual a influência da PI na vida de um intelectual crítico ao sistema, como Mises por exemplo?
Gostaria que vcs respondessem a uma proposição de um colega de faculdade:
“Quando falo da burrice, estou falando daquele Zé da Silva, que não tem nem o 1º grau completo, e trabalha carregando peixe no mercado público. Existem decisões que ele não pode tomar sozinho, pois não tem a mínima consciência para isso, e é aí que entra o Estado.(…) Mas, voltando ao Zé da Silva, a questão não precisa nem ser de grandes problemas estruturais, vamos ver as coisas simples:
Por exemplo, coisas que ele não consegue entender sozinho:
– Que ele tem que juntar dinheiro para, quando não conseguir mais trabalhar, ter como arcar com suas despesas;
– Que colocar os filhos na escola, em geral, trás mais benefícios á família no longo prazo do que colocar eles junto para trabalhar carregando peixe.
Agora, considere o peso de vários Zés na sociedade e verá que é importante a atuação do Estado no sentido de impedir que problemas advenham dessa falta de planejamento dos Zés da Silva.”
Obrigado.
idiota, como sempre.
Enquanto esses libertarians ficam com suas filosofias abstratas e utópicas de sociedades anárquicas, o governo do PT tiram suas liberdades reais em troca de uma ou outra concessão no campo da moral, e todos aceitam de bom grado. Isso sem falar no governo mundial que se levanta, cujo crescimento é alavancado por vários libertarians que trabalham pela demolição das soberanias nacionais de seus Estados.
Uma coisa é preciso ser entendida: Estado é uma coisa inata ao homem, nem que em sua forma mais primitiva, que é a família, passando pelo clã, pela tribo, até chegar à nação. Isso está no nosso DNA. Destruam um Estado e outro surgirá em seu lugar.
O que muda é o quanto o Estado procura governar os seus súditos com justiça. E acontece que os Estados justos são os mais fáceis de demolir, pois são os únicos que se preocupam em proteger a liberdade de expressão de seus próprios inimigos, incluindo-se aí os libertarians anti-Estado e que serão um dos primeiros a serem enfileirados num paredão quando uma nova ordem tirana surgir do seu próprio trabalho de demolição da antiga ordem mais justa.
Pessoal, gostaria de deixar o link de uma reportagem da Folha de São Paulo a respeito de o governo venezuelano ameaçar prender empresários devido à escassez de produtos que está ocorrendo no país.
www1.folha.uol.com.br/mundo/1210740-chavistas-fazem-demonstracao-de-unidade-maduro-promete-prender-especuladores.shtml
Vergonha!
Boa Noite Pessoal.
Há muito tempo leio colunas, textos e partes de livros de escritores que seguem a escola austríaca (e também a escola de Chicago), bem como os comentários que seguem a essas matérias. Utilizo para isso, principalmente, o site do Mises aqui do Brasil, mas também visito o Mises americano, vídeos no youtube e demais fontes que existem na net. Porém, hoje, na calada da noite, depois de terminar um trabalho que deverei apresentar amanhã resolvi fazer um comentário, e espero que peguem leve comigo (na verdade não peguem não, quero saber onde estão as falhas do meu pensamento).
Primeiramente, gostaria de deixar claro que em 90% das vezes concordo com o que é dito, mas não consigo ver como esse pensamento poderia ser expandido e se enraizar na população. Lembre-se que a maior parte das pessoas enxerga o Estado como o provedor máximo de produtos e serviços – eu mesmo me pego pensando coisas do tipo: porque essa prefeitura não vem cobrir esses buracos aqui na minha rua, quando na verdade daria para fazer isso fazendo uma “vaquinha” entre os moradores de forma que não custaria mais de 10 reais para cada um.
As pessoas já foram viciadas nessa mentalidade e isso só vai aumentar. Não sejamos inocentes: o estado controla 50% dos recursos produzidos pela sociedade, e utiliza toda essa riqueza expropriada a seu favor, através de suborno à população (bolsas e etc) e propagada, além de utilizar-se da força para obter o monopólio (seja ele de fato ou de direito) sob o fornecimento de uma série de serviços essenciais, como é o caso da educação (onde as pessoas são educadas desde cedo a idolatrar o estado). Eu sou formado em Direito (embora me interesse mais por economia como acabei descobrindo já no fim de minha graduação) na Universidade de São Paulo (São Francisco), e me sentia praticamente um ET naquele ambiente (devido ao meu pensamento liberal que infelizmente deve ser o único naquela instituição).
Além do mais, o estado adota toda e qualquer forma de política monopolista (regulações, reservas de mercado, monopólios estatais, tributação excessiva, burocratização desnecessária) de forma a impedir que novos “players” ingressem no mercado, garantido assim um mercado fechado e reservado aos “escolhidos”. Assim a população não se vê como empreendedora, não consegue enxergar a chance de se tornar próspera. Assim não os culpo do ressentimento que sentem dos mais ricos, embora esse ódio fosse melhor canalizado ao Estado, o real causador deste problema. Mas como eu já disse, o Estado usa de seu poder econômico e de fato para canalizar esse sentimento contra uma classe, podendo sempre que quiser jogar a massa de manobra votante contra eles em uma democracia ou então utilizar-se diretamente da força em uma ditadura.
Eu enxergava os EUA como uma exceção única no mundo (ainda mais levando em conta que Hong Kong já é da China e logo Taiwan vai acabar sendo também) porque, embora a muito tempo o Estado já viesse fazendo o mesmo que o daqui faz (apenas em escala diferente), entendo que hoje já se passou da linha que os diferenciava. Os Democratas já são uma maioria significativa e eles são em sua esmagadora maioria completamente contrários á filosofia liberal (embora sei lá porque eles se chamem de liberais hahahaha). Acabaram de aumentar os impostos e eles querem mais (apoiados pela maioria da população).
Infelizmente acho que já perdemos essa luta filosófica. E é fácil saber porque. A Escola Austríaca demanda responsabilidade, sobriedade, poupança, planejamento próprio; o keynesianismo excessos, gastança e que os poupadores sejam expropriados para que os demais sejam recompensados por seu comportamento pernicioso. Acredito que isso, no longo prazo (e não creio que estaremos todos mortos rs), vai levar a uma quebradeira geral (e aqui não me refiro apenas à economia, mas a moral, o direito, a sociedade como um todo). Mas até lá não vejo como podemos reverter o sombrio momento em que nós estamos.
Desculpem minha ignorância, que já assumi em outras perguntas e continuo assumindo.
Mas não consigo entender como certos serviços, como segurança nacional, policiamento, brigadas de incêndio, construção de ruas e viadutos dentro de cidades seriam feitos numa sociedade sem um Estado coersivo.
Na verdade eu até consigo imaginar a formação de empresas para prestação de serviço de bombeiro, com uma central telefônica composta por sociedade civil entre as empresas para facilitar o acionamento das empresas corretas em casos de necessidade. Mas e a polícia? Quem impediria uma concorrência armada entre um grande conglomerado e alguns pequenos concorrentes?
E quem construiria navios de guerra pra patrulhar fronteiras?
Adicionando ainda ao questionamento, quem seria o órgão regulador de externalidades negativas? Por exemplo, a empresa A monta uma fábrica altamente poluente, prejudicando a qualidade do ar respirado por uma cidade próxima. Quem vai impedir a fábrica?
Eu entendo que burocracia cria abertura para corrupção, mas não consigo imaginar uma sociedade completamente sem Estado. Eu entendo melhor uma estrutura de “Estado mínimo”.
Parabéns Leandro. Parabéns IMB. Aqui reside a liberdade de pensamento, liberdade de imprensa. Se assim não fosse o UM FILOSOFO teria sido deletado. Às vezes, ler asneiras é bom, as pessoas apreendem com isto.
Minas Gerais inaugura penitenciária privada. Mais três estão em construção. MUITO BOM. Governador Beto Richa doa terreno em Curitiba para ser construido o Hospital Sirio Libanês. MUITO BOM. Será que o PSDB aderiu à Escola Austríaca?
Como funcionaria essa justiça privada? Por exemplo se eu contratei o provedor de justiça privado A e o Joãozinho contratou o serviço B, no caso de e Joãozinho me acusar de alguma coisa, não posso simplesmente dizer que não reconheço a autoridade do serviço B? Baseado em que o serviço B poderia me coagir a pagar a restituir Joãozinho. Força pura e simples? E se eu contratar uma agência de segurança privada melhor e mais equipada que a de Joãozinho?
Faz tempo que leio sobre justiça privada, mas nunca entendi como poderia de fato funcionar.
E justamente lendo isto hoje me deparo com este tipo de psicopata:
http://www.sul21.com.br/jornal/quem-nao-exerce-a-funcao-social-da-propriedade-nao-tem-direito-de-buscar-garantia-para-seu-imovel-diz-advogado-do-forum-das-ocupacoes-urbanas/