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Por que austríacos lecionam em universidades públicas

[Nota: Os três autores são Doutores em Economia: o Prof. Mueller pela Universidade de Erlangen-Nürnberg, na Alemanha, o Prof. Barbieri pela Universidade do Estado de São Paulo, em São Paulo e o Prof. Iorio pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. São sem dúvida os três acadêmicos austríacos mais conhecidos no Brasil e lecionam, respectivamente, na Universidade Federal de Sergipe (Aracaju), na USP (Ribeirão Preto) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro — UERJ (Rio de Janeiro).]

Com crescente frequência ouvimos jovens estudantes, a maioria dos quais aparentemente entusiastas da filosofia política do libertarianismo, expressarem a opinião de que os autores deste artigo não seriam intelectualmente honestos, pois ao mesmo tempo em que defendem a causa da liberdade, estão na folha de pagamentos do estado. Sendo assim, teriam eles base moral para a sua pregação?

O que nos levou a escrever este texto não foi tanto a “acusação” dirigida às nossas pessoas — um argumento ad hominem não merece muita atenção — mas sim a preocupação que temos com um perigo associado aos rumos tomados na batalha pela liberdade. Observamos cada vez mais pessoas que se dizem liberais manifestando opiniões convictas sobre assuntos políticos e econômicos sem que essas opiniões sejam acompanhadas pelo estudo dos debates relevantes. Essa tendência, em nossa opinião, é a antítese do liberalismo e merece ser discutida.

Nutrimos a convicção de que o liberalismo depende de sólida compreensão das teorias econômicas, políticas e filosóficas que o embasam. Como disse Mises, “O liberalismo não tem flor ou cor como símbolo partidário, nem canções ou ídolos, nem símbolos ou slogans. Tem a substância e os argumentos.” O poder desses argumentos também depende, de forma crucial, do estudo das teorias contrárias, na medida em que estas trazem à tona aspectos da realidade que não consideramos no nosso modelo original.

Pois bem, achar que os ensinamentos da Escola Austríaca de Economia se submetem às doutrinas políticas do libertarianismo revela preocupante falta de familiaridade com os autores dessa escola. Em primeiro lugar, os economistas austríacos sempre enfatizaram que as teorias econômicas constituem conhecimento científico, independente dos julgamentos de valor de seus proponentes. Um economista austríaco examinaria o mérito dos argumentos empregados e não a motivação de quem o formulou. É melhor que essa última prática seja deixada com os socialistas e os marxistas, especialistas no assunto.

Em segundo lugar, se para sermos considerados economistas austríacos “legítimos” não devemos ser funcionários públicos, então o exame da história dessa escola revelará que provavelmente nenhum economista se qualifica! Carl Menger, seu fundador, era professor da Universidade de Viena, recebendo na prestigiosa instituição pública um salário bem elevado. Além de funcionário público, era tutor do príncipe herdeiro do Império austro-húngaro. Eugen von Böhm-Bawerk, por sua vez, foi ministro das finanças por duas vezes, assim como seu cunhado, Friedrich von Wieser, foi ministro do comércio do mesmo império. Ambos trabalharam em universidades públicas: todos foram funcionários públicos. Mises, professor não assalariado da mesma universidade, seguramente aceitaria o cargo, caso este fosse obtido. Todos eles trabalharam em comissões governamentais que influenciaram as políticas públicas. Se considerarmos as gerações seguintes, dificilmente encontraremos economistas que trabalharam exclusivamente em instituições isentas de qualquer verba pública, de forma que dificilmente teríamos um economista austríaco “legítimo”.

Em terceiro lugar, a leitura dos austríacos revela que não existe na escola uma doutrina econômica, filosófica ou política unânime, mas sim grande riqueza de opiniões. A maioria dos economistas austríacos era de liberais clássicos, postura política que não implica em absoluto a rejeição de toda atividade que envolva ação estatal. E mesmo se tomarmos a doutrina política do libertarianismo, tal como defendida por Rothbard e seus seguidores, não necessariamente deveríamos ter, em um mundo intervencionista, a defesa da tese de que todo contato profissional com o estado devesse ser recusado.

Vamos supor agora que todos os austríacos sejam anarquistas (o que não corresponde à verdade). Como eles deveriam se portar em uma sociedade altamente intervencionista? Deveriam eles necessariamente abandonar suas missões como professores e pesquisadores, a menos que tenham fontes alternativas de sustento? Essa seria uma escolha pessoal possível. Seria a alternativa uma hipocrisia? O caso de dizer uma coisa e fazer outra? Vejamos.

O leitor deve se perguntar se o fato de que os três únicos economistas acadêmicos austríacos atuando no país trabalham em universidades públicas seria ou não uma coincidência. Poder-se-ia argumentar que, em um mundo liberal ideal, com separação entre educação e estado, o volume de riqueza seria tal que existiriam indivíduos ricos o bastante para que tivéssemos especialistas em cada campo do conhecimento humano, incluindo aquelas áreas menos demandadas, como literatura húngara, história da Mesopotâmia, musicologia do shakuhachi (a flauta japonesa de bambu) e…economistas especializados em  preservar o conhecimento sobre a importância da propriedade privada e liberdade para o futuro da humanidade!

Em uma sociedade intervencionista, porém, algo como “economista austríaco” não é demandado: as poucas faculdades privadas que contratam pesquisadores se interessam por macroeconomistas tradicionais e especialistas em finanças. Nas públicas, apesar da predominância das teorias econômicas intervencionistas, ainda existe liberdade acadêmica: podemos dominar o conhecimento de teorias rivais, passar em concursos públicos, participar dos debates e propor nossas ideias. No sistema atual, poderíamos apenas dar (muitas) aulas em faculdades privadas, sem fazer pesquisa.

Embora existam concursos específicos para Macroeconomia, Microeconomia, Economia Industrial etc., não existem concursos para disciplinas austríacas. Isto não acontece apenas no Brasil: em todo o mundo, a Escola Austríaca é minoritária, embora seja a mais antiga, mas também é a que mais vem crescendo, tudo levando a crer que tal crescimento deverá não apenas se manter, mas também se acentuar nos próximos anos. Nosso papel nesse ambiente de crescimento é muito importante! Será que devemos nos abster de participar do debate em que quase toda a pesquisa acadêmica é realizada?  Infelizmente, somos apenas três mosqueteiros dentro da estrutura do estado, mas se amanhã formos quatro, cinco, dez, cem, mil, será muito melhor para a sociedade!

Adicionalmente, ao optar por defender uma teoria econômica liberal, fizemos consideráveis sacrifícios pessoais. Como nosso trabalho é julgado pelos pares (geralmente economistas keynesianos ou marxistas), o reconhecimento na academia é muito mais difícil se defendemos ideais liberais. Além disso, o custo de oportunidade salarial do economista não é pequeno, mas, em vez de ganhar dinheiro no mercado financeiro, ou em outros campos, optamos pela sala de aula, em nome da perseguição de um ideal, da busca de um horizonte melhor para todos — ensinar os valores econômicos, o extraordinário cabedal de conhecimentos dos quais a civilização depende. Como observou Mises no último parágrafo de sua monumental obra Ação Humana, “cabe aos homens decidirem se preferem usar adequadamente esse rico acervo de conhecimento que lhes foi legado ou se preferem deixá-lo de lado. Mas, se não conseguirem usá-lo da melhor maneira possível ou se menosprezarem os seus ensinamentos e as suas advertências, não estarão invalidando a ciência econômica; estarão aniquilando a sociedade e a raça humana”.

Cabe perfeitamente, então, a seguinte pergunta: dado que a escolha por carreira universitária implica significativos custos de oportunidade, que sacrifícios ou renúncias pela causa liberal os que nos criticam por lecionarmos em universidades públicas fizeram ou estão dispostos a fazer?

Há vários outros argumentos em nosso favor. Um deles é que em nosso país, infelizmente, as universidades privadas também estão sob o controle do estado, de modo que, sob esse ponto de vista, não faz diferença, na prática, se você é empregado de uma empresa privada ou de universidade pública. Talvez a única diferença seja a de que, na segunda hipótese, como você ingressou na universidade pública por concurso, não poderão demití-lo. Além disso, as atividades de um professor de uma universidade pública não se limitam à universidade, já que muitos podem trabalhar em outras instituições (de ensino ou não), podem manter sites e blogs e podem dedicar-se, por exemplo, ao Instituto Mises.

Um artigo bastante interessante sobre a ingerência do estado na educação e, em especial, no ensino superior é A quem as universidade públicas estão servindo? Nele, o Professor José Maria Alves da Silva, economista (não austríaco) da Universidade de Viçosa, mostra as distorções que tal interferência tem gerado na qualidade do ensino e na produção acadêmica. Que tal pinçarmos dois parágrafos desse interessante artigo?

Em contraste com as atividades produtivas agrícolas e industriais, ou nas áreas de segurança, saúde, transporte e energia, os “inputs” e “outputs” mais essenciais da “função de produção acadêmica” envolvem coisas intangíveis como pensamentos e ideias científicas, políticas ou artística.

Podem-se somar quantidades de diplomas concedidos ou de artigos publicados em revistas indexadas, mas não os conteúdos dos diplomados e das publicações. Além disso, atividades como as filosóficas e científicas são caracterizadas por períodos de gestação longos e variáveis, incompatíveis com os objetivos imediatistas subjacentes à ação dos órgãos avaliadores.

O estado tem o controle sobre o sistema, porque as pessoas precisam de diplomas para conseguir um emprego. Mesmo se você se formar em uma universidade privada, a conferição de seu diploma terá que passar obrigatoriamente pelo crivo dos burocratas do Ministério da Educação. No mundo atual, para sermos bem diretos, alguém pode aprender muito mais no Google e no Youtube do que se frequentar algumas universidades (públicas e privadas).

Em nova autobiografia de Arnold Schwarzenegger, Total Recall, ele faz um relato fascinante de uma reunião com Milton e Rose Friedman. É verdade que Friedman nunca foi um austríaco, mas também é verdade que foi um grande defensor da economia de mercado.  Vejamos o que relata Schwarzenegger: “Uma das coisas fascinantes que Friedman me disse foi que ele trabalhou para o governo durante o New Deal, programa do presidente Franklin D. Rossevelt na década de 1930 para a recuperação econômica e reforma social. Não houve outros trabalhos, disse ele. Foi um salva-vidas.” Nesse caso então, segundo nossos críticos, Milton Friedman também não teria sido intelectualmente honesto…

A teoria econômica austríaca é uma ciência, não uma ideologia. Este fato inquestionável nos autoriza a trabalhar em qualquer instituição, privada ou pública, onde haja lugar para a investigação econômica. E, como qualquer empreendimento científico que não é ideológico deve também ter em conta as teorias opostas, os economistas austríacos, como economistas em um sentido científico, devem ser capazes de coabitar intelectualmente com quaisquer outros, inclusive marxistas e keynesianos, que devem realmente receber a sua oposição em termos de conhecimentos científicos, pela sede de conhecimento. De fato, parte significativa de tudo que escreveram os economistas austríacos consistiu em críticas das teorias rivais, criticas essas baseadas na atenta leitura dessas teorias. O isolamento autoimposto até que se chegasse a um puro mundo liberal seria inadequado para todos os envolvidos na discussão acadêmica. 

Como economistas austríacos somos a favor de uma metodologia e teoria específica, que está em concorrência com paradigmas alternativos. Podemos ter convicção de que temos as melhores ferramentas, mas a nossa tarefa é principalmente a de tentar convencer os de um paradigma diferente.  Assim funciona o processo acadêmico no que tem de melhor, o livre intercâmbio de ideias, o mercado competitivo de ideias onde os produtos às vezes ruins vendem mais do que os melhores, porque as pessoas não têm os recursos intelectuais para convencer as demais. Por exemplo, a McDonald tem um maior volume de negócios do que um restaurante três estrelas em Paris. Bons vinhos são apenas para alguns. Refeições requintadas são apenas para aqueles que podem pagar. Na área de ideias é a capacidade intelectual e também o tempo que contam. Seguindo com a nossa analogia, vemos que, para a maioria dos estudantes, a economia austríaca é “muito cara”. Temos que trabalhar para torná-la mais acessível, sem diluir sua substância. Esse é o nosso desafio e é melhor enfrentá-lo entre os nossos colegas (que não são inimigos), que têm pontos de vista diferentes.

mises_Hay2.jpgComo observações finais, lembramos que, quando atuamos em uma universidade, seja pública ou privada, abrimos oportunidade para publicar e atuar em outros caminhos acadêmicos — assim, uma “posição” em uma universidade pública serve como “launching pad” ou rampa de lançamento. E sabemos que é muito difícil algum professor, especialmente em países como o Brasil, em que jamais se cultivou essa tradição, ser “reconhecido” como “Privatgelehrter” (estudioso independente).

Vale também mencionarmos uma ironia: Marx queria ser professor de uma universidade pública, mas, como não o conseguiu, acabou sendo mantido por Engels, um capitalista. Isso decerto levaria nossos críticos a afirmarem que o autor de O capital era também intelectualmente desonesto, já que criticava o capitalismo ao mesmo tempo em que era sustentado pelo que tanto atacava…

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138 comentários em “Por que austríacos lecionam em universidades públicas”

  1. ‘E mesmo se tomarmos a doutrina política do libertarianismo, tal como defendida por Rothbard e seus seguidores, não necessariamente deveríamos ter, em um mundo intervencionista, a defesa da tese de que todo contato profissional com o estado devesse ser recusado.’

    Isso me deixa com paz na consciência.Afinal o contato com o governo é uma questão de sobrevivência, ainda mais pro aluno!

  2. Quando o sujeito decide ingressar no serviço público é suscitado o direito individual cujo direito de escolha é imanente à liberdade individual,consequentemente ele é remunerado.neste caso há uma prestação de serviço onde o servidor abarca seu labor no primado da educação onde é algo que pode ser açambarcado por todos,a demérito de outros bens de consumo que por sua escassez não seja possível.
    em linhas gerais,o fato de existir instituicões públicas não significa ter de extingui-la,do ponto de vista liberal.a coisa privada deve ser plena quando não existir necessidade duma intervenção pública,no que tange educação pode haver pública ou privada,desde quando este não implique naquele e,vice e versa.

  3. Parabéns aos professores Antony Mueller, Fabio Barbieri e Ubiratan Jorge Iorio pela defesa de ideias liberais em ambiente tão hostil a elas! Já era profundo admirador dos três pelos seus trabalhos aqui no Mises e no OrdemLivre, e agora ler um artigo assinado pelos três foi realmente um prazer. Não sou economista de formação, mas cada vez mais me interesso por essa nobre e importante ciência.

  4. Klauber Cristofen Pires

    Imaginemos o absurdo a que chegaríamos se levássemos o argumento da coerência aos últimos limites: um cidadão cubano jamais estaria legitimado a assumir uma posição austríaca!

    Como Analista Tributário da Receita Federal, compreendo muito bem a situação dos professores Iorio, Mueller e Barbieri.

    Ressalto que, também além de mim, diversos outros servidores públicos são austríacos ou pelo menos, defensores do livre mercado e mínimo intervencionismo, como os embaixadores Meira Penna e Paulo Roberto de Almeida; O auditor-fiscal Mario Fortes, e tantos outros mais.

    De minha parte, declaro que já fiz imensos sacrifícios pessoais em prol da defesa da doutrina do liberalismo austríaco. Por exemplo, investi muito tempo e dinheiro que poderiam ter sido usados para alavancar meu cargo na estrutura do serviço público.

    Portanto, a aqueles que nos criticam, além de perguntar o que têm eles mesmos feito, eu ainda responderia: vocês prefeririam um marxista em nosso lugar?

  5. Patrick de Lima Lopes

    Excelente artigo, Iorio! Queria que você fosse meu professor. Moro no RJ, se um dia o senhor for dar uma palestra ou iniciar algum curso que seja aberto àqueles que não cursam economia, seria muito bom anunciar aqui no IMB.

    Ubiratan, naquele trecho:

    “Um economista austríaco examinaria o mérito dos argumentos empregados e não a motivação de quem o formulou. É melhor que essa última prática seja deixada com os socialistas e os marxistas, especialistas no assunto.”

    Nós não teríamos agido como os marxistas naquele artigo do Rothbard em que ele falava sobre a vida pessoal de Marx, incluindo o fato de ele ser sustentado e de escrever poemas um tanto… Polêmicos?

  6. Também trabalho o Estado como estagiário, tanto federal quanto estadual e não vejo empecilho algum, muito menos hipocresia.

    Aqui de dentro do dragão tenho a oportunidade de aprender como funciona toda essa engrenagem arcaica, mas necessária por hora para sobrevivência minha e de muitos.

    Enquanto aqui trabalho, o faço de forma libertária, eliminando o máximo de burocracia possível, problematizando com meus companheiros de seção alguns pontos de vista.

    Tenho certeza que estou espalhando muitas sementes libertárias e com o tempo a maioria irá germinar, ou permitir que outras germinem.

  7. Seja em universidades públicas ou privadas, entendo que os economistas austríacos têm a missão essencial de disseminar seus ensinamentos. E nada melhor do que abarcar também alunos matriculados em instituições de ensino do Estado.

  8. Na verdade a crítica que sofrem não é por serem austriacos, e sim por que algumas pessoas confundem “ser austriaco” com “ser libertário”, ser austriaco é apenas seguir um método, é possivel ser austriaco se ser um nazista, interventor, socialista democratico ou microssocialista, depende dos fins pretendidos, por isso mesmo seria completamente sem sentido existir um think tank somente austriaco.
    A critica deve vir por eles serem além de austriacos, libertários (i.e. contra a iniciação de agressão) e mesmo assim não se importarem em receber o dinheiro produto do roubo, mas esta questão Rothbard já respondeu brilhantemente aqui. Ressalto um trecho que resume bem:
    “…é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.

    Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se.”

  9. A integridade não consiste em ignorar a realidade de modo que te leve a um comportamento autodestrutivo. O verdadeiro teste de integridade (da qual a honestidade é somente parte) será aplicado no momento em que for possível passar o trator em instituições que pela ciência econômica austríaca, são prejudiciais a resolução dos problemas econômicos que ela desnuda.
    Eu, como advogado, conheci a escola austríaca e a doutrina liberal clássica, por seus próprios fundamentos e não sob lentes esquerdistas, apenas no final da Graduação. Não vou jogar 05 anos da minha fora para não interagir com as estruturas estatais. Pelo contrário, utilizei o novo conhecimento para direcionar minha carreira a uma atuação pela defesa do patrimônio, dos investimentos e da livre iniciativa das pessoas físicas e jurídicas em relação ao Poder.

  10. André Luiz S. C. Ramos

    Eu falei sobre isso na Conferência Nacional do EPL: http://www.youtube.com/watch?v=LZxbMov5tBo\r
    \r
    Mas eu falei como um libertário, e não como um economista austríaco, já que nem economista sou. Não vejo problema em um economista austríaco trabalhar numa universidade pública ou numa entidade pública qualquer. Mas se esse economista austríaco for também um libertário…\r
    \r
    Antes eu até discutia e tentava argumentar em meu favor, mas hoje quando alguém me critica por ser funcionário público e libertário ao mesmo tempo, eu faço uma coisa bem simples: fico calado.

  11. Roberto Chiocca disse:

    “Mesmo não sendo obrigatório um austriaco ser libertário, eu acho que não sê-lo sendo austriaco denota uma psicopatia grave, um desejo pela destruição, morte, miséria não é coisa de gente normal.”

    Ou seja,

    Ou os professores são anarquistas, ou ele acabou de chamar os três professores deste artigo de psicopatas anormais!

  12. Creio que exista uma explicação muito mais simples.

    Independentemente da sua intenção, ideologia, religião e o que mais… a melhor estratégia de vitória é a gramsciniana “Ocupação de espaços”…
    Se você não estiver alí, seu inimigo estará e você irá perder.
    Isso por sí só justifica quem quer que seja em qualquer lugar… desde a universidade até a Receita federal (Um herói !)

  13. Eu diria inclusive que os libertários deveriam entrar na política. Concorrer a cargos públicos. Fazer propaganda política para instruir a população e desmontar a burocracia de dentro do sistema.

    Repito que não adianta querer bater de frente nem ser radical. É bom lembrar que não foi a Guerrilha do Araguaia que chegou ao poder, mas o Lulinha Paz e Amor. Os libertários deveriam adotar as mesmas estratégias.

    Nem entro na questão do anarco-capitalismo e sua aversão ao estado. Mas mesmo esta posição teria a ganhar, não só por poder retirar do estado aquelas atividades que são executadas melhor por entes privados em outros países, mas também na possibilidade de defender a criação de zonas econômicas especiais anárquicas que poderiam servir de experimentos para apontar o caminho (ou mesmo revelar o anarco-capitalismo como uma impossibilidade prática).

    Tudo bem que uns e outros se percam pelo caminho, mas pelo menos as ideias seriam difundidas com muito mais eficiência. E aposto que a população brasileira as receberia com considerável entusiasmo.

  14. Esta coreto um austriaco ser professor ou trabalhar no estado?

    Sim, esta correto.

    Especialmente se for uma estratégia de mudança cultural em nossa sociedade.
    E este o “furo” da escola austriaca falta uma estratégia de conquista, nisto os marxistas estão anos luz a frente.

    A estratégia marxista é deixar os liberais falando em economia e redução de impostos,e ficar focado nisso enquanto eles dominam as mentes dos jovens do nosso país, dominando imprensa, estado e cultura.

    Libertarianismo não é somente economia e também cultura,politica, moral, ética.

    Quem vai fazer a revolução cultural libertária?

    Quem é o nosso Antonio Gramsci?

  15. “um argumento ad hominem não merece muita atenção”.

    Pronto. Isso já seria suficiente para encerra esse debate, mas infelizmente há os que não conseguem amadurecer intelectualmente; há os que continuam a ser marxistas (com toda a bobagem sobre ideologia, classes sociais e etc), mesmo repudiando Marx; há os que precisam recorrer à intolerância para esconder sua fragilidade intelectual.

    Se devemos agradecer ao IMB pela divulgação da EA, muito mais o deveríamos fazer àqueles que a cultivam na academia brasileira.

    Parabéns aos professores Iorio, Barbiere e Müller. Sou grande admirador de vosso trabalho!

  16. Tinha escrito um comentário mais elaborado mais cedo, mas infelizmente ao clicar no botão ‘enviar comentário’ o site passava por um período de “queda”, então perdi a resposta. Agora vou fazer um comentário mais sucinto, por tópicos:

    -É verdade que vivemos num mundo intervencionista, mas é diferente ser obrigado a pagar por um serviço estatal e eventualmente utilizá-lo, e.g, ruas, e receber um salário do estado, a não ser que me proponham que funcionários públicos pagam o próprio salário. Trabalhadores do estado pagam impostos como todos os outros, mas retiram mais do que dão. Desnecessário dizer que esse dinheiro é roubado.

    -É verdade que um adepto à economia austríaca não necessariamente é libertário (o que me parece estranho, mas entendo o ponto). A questão é, vocês não são libertários? Pessoalmente não respeito a posição dos senhores, meu princípio nuclear é o da não-agressão, e não achei seus argumentos muito convincentes.

    -Concordo que pode-se aprender muito mais no YouTube ou em outros lugares na internet do que em uma universidade, pública ou privada. E isso está acontecendo cada vez mais hoje em dia, a internet é um veículo poderoso. Uma humilde sugestão à vocês seria manter um canal no YouTube, por exemplo, dando vídeo-aulas e outras palestras. Quem sabe mudar para um emprego na iniciativa privada?

    -Acho que podem entender meu ceticismo: se o que vocês pregam se concretizar, vocês não receberam mais salários. Eu não acho impossível seus princípios serem mais fortes que os incentivos monetários, mas acho que podem entender quando as pessoas, imediatamente, acham isso estranho. Me arrisco a dizer que essa inconsistência não faz muito pelo avanço da escola austríaca e da liberdade.

    -Sobre o argumento final falando de Marx: então, Marx era inconsistente. Isso não é uma grande novidade para nós, não é? Ele ainda era gastão! (fonte: mises.org/daily/6179/Marxs-Path-to-Communism). Isso não justifica inconsistência por parte de vocês, mesmo que alguns de seus críticos sejam marxistas.

  17. Roberto Chiocca disse:

    “Os três são libertários, jamais cometeria tamanha gafe”

    Gostaria de saber dos professores se a afirmação procede: os senhores são anarquistas?

  18. O foco do IMB é a Escola Austríaca de Economia. Como o IMB é formado por indivíduos, é claro que entre nós há desde quem defende o anarco-capitalismo até os austríacos da tradicionais, entre os quais me incluo. Quem ler meus artigos aqui, verá que menciono Mises e Hayek frequentemente e também Roger Garrison, que é detestado pelos mais puristas. Citei também, embora menos vezes, Rothbard. E que, se não me falha a memória, não citei Hoppe nenhuma vez, embora haja pessoas do IMB que o colocam em primeiro plano. Como Diretor Acadêmico do IMB, posso afirmar que não somos anarco-capitalistas nem “tradicionalistas”, somos simplesmente austríacos. E isso significa por si só uma grande diversidade. Diversidade que temos que respeitar, já que, aginal, a principal bandeira que defendemos é a da liberdade.

  19. Continuando, eis os objetivos do IMB:

    I – promover os ensinamentos da escola econômica conhecida como Escola Austríaca;

    II – restaurar o crucial papel da teoria, tanto nas ciências econômicas quanto nas ciências sociais, em contraposição ao empirismo;

    III – defender a economia de mercado, a propriedade privada, e a paz nas relações interpessoais, e opor-se às intervenções estatais nos mercados e na sociedade.

  20. É como o Adolfo Sachsida que é pesquisador no IPEA falou no podcast do Bruno: o bom é ter pessoas como ele no governo, ao contrário de ter socialistas e coletivistas. O mesmo se aplica para libertários em cargos públicos.

    Eu mesmo fui criticado por indicar candidatos libertários nas eleições, mas é muito melhor termos libertários em cargos públicos do que os demais que causariam um grande estrago. No mínimo, é uma política de redução de danos e uma das formas de se infiltrar no estado para a partir dele reduzí-lo ou mudá-lo.

  21. Parabéns aos três mosqueteiros. Vcs estão fazendo um ótimo trabalho e espero que no futuro tenhamos trezentos mosqueteiros. Sou funça também e busco contribui com a liberdade em meu ambiente de trabalho, familia e comunidade. Agradeço de coração todo o esforço que vcs estão fazendo.
    Sobre as criticas, bem como defensores da liberdade cabe a nós “aceitar” a existência de opiniões contrárias, mas não concordar. Neste ponto, penso como o Sachsida, melhor um liberal lá que eu keynesiano ou marxista (apesar de achar que estariamos melhor se não existisse lá).
    Por fim, como o Prof. Barbieri disse em um podcast, estudar escola austríaca tem um grande bônus e um grande ônus, o bônus é estudar o que há de mais interessante em economia, o ônus é sofrer com preconceito no meio acadêmico (os funças têm um ônus a mais, ser considero hipócrita dentro da sua própria escola). Mas não se pode estressar muito, já que carregar fardos pesados é da tradição da escola.

  22. Sem comparação ser um professor universitário “espalhando a mensagem” austríaca e um funcionário da Receita Federal. O que vale pros primeiros não vale para o último. Klauber, o senhor é um fanfarrão tentando se colocar no mesmo grupo dos professores.

  23. Deixa eu ver se entendi a questão que o Rotubard falou. Então é moral eu ser funcionário publico em profissões como professor ou medico, mas é imoral eu ser um funcionário da Receita ou da Anatel, é isso?

  24. “E o outro foco do Mises Brasil é defender a liberdade e a propriedade, por isso autores como Hayek, que quando saem da economia atacam esses valores, defendendo a democracia socialista, ficam de fora. Nem poderia deixar de ser diferente.”

    Sou ignorante em Hayek. Alguém, por favor, poderia me dizer onde ele defende isso? Ou, num ato de caridade intelectual, resumir a visão do Hayek aqui? 🙂

    E só uma observação sobre a discussão: aceitando-se a existência do estado (como o próprio Mises aceita), por que seria imoral ser funcionário da Receita? Ora, se existe Estado, ele precisa de dinheiro e alguém tem que recolher os impostos. Se a existência do Estado não é imoral, imposto não é um roubo em si; embora possar tornar-se, eventualmente, se excessivo.

  25. Basicamente: é errado tirar de uns pra dar pros outros a força, mas não receber o que é tirado de uns a força. Nonsense.

    Ou então: é errado receber o que é tirado de alguém a força, a não ser que seja conveniente pra mim (???).

    O argumento de que é necessário pra “espalhar a teoria austriaca por aí, pro bem de todos” é igual ao argumento de qualquer estatista pra qualquer coisa (“é necessário educar as pessoas a serem altruístas, por isso temos que pegar o dinheiro de geral pra fazer isso”, “é necessário acabar com as diferenças entre homens e mulheres, por isso é necessário pegar o dinheiro de geral pra isso”, “é necessário (insira aqui sua causa favorita), por isso temos que tirar o dinheiro de geral e gastar”).

  26. Artigo perfeito. Enquanto os radicais espumam de raiva por qualquer afronta a seu purismo, os esquerdistas dominam cada vez mais as universidades, a mídia, a administração pública, etc… Aconselho quem não concordou com o artigo a estudar com afinco a estratégia da esquerda brasileira nos últimos 40 anos. Procurem sobre autores comunistas, em especial Gramsci. Então talvez vocês entendam porque abdicar da ocupação de espaços não é uma questão de honra pessoal e sim um suicídio.

    A esquerda amargou uma grande derrota e mesmo sob uma ditadura soube crescer e ocupar espaços a ponto de até alguns anos atrás ser considerada praticamente unanimidade nos meios acadêmicos e culturais. Como resultado temos cada vez menos liberdade. E a situação continuará piorando, a não ser que algo seja feito.

    Então a pergunta é: vamos fazer algo ou esperar sentados até que medidas como aquelas constantes no PNDH sejam implementadas? Que ninguém seja ingênuo de achar que apenas com um blog ou com um debate de internet vai conseguir mudar alguma coisa.

    Acredito que aquela analogia entre arrecadação do estado e o roubo é extremamente infeliz. Nada me parece ter criado maior radicalismo do que ela. Seria bom se fosse entendida apenas como uma provocação, e não levada ao pé da letra.

  27. ‘Only an adherence to non-compromising intellectual radicalism will help us achieve our goal. An adherence to pragmatism and gradualism will not. ‘
    Lew Rockwell
    lewrockwell.com/orig13/fagerstrom1.1.1.html

  28. Amigos

    Dizer que um defensor da escola Austríaca não pode trabalhar em uma Estatal ou diretamente para o Estado, seria o mesmo que afirmar que um defensor do Comunismo, em um país capitalista, não possa trabalha em uma empresa privada.

    Imagine um professor em Cuba, onde não existe escolas privadas, e que seja simpatizante de Mises e de outros Austríacos, não teria outra alternativa a não ser trabalhar para o Estado, embora seja contra o regime Autoritário cubano.

    Eu particularmente trabalho em uma estatal do Setor Elétrico, entrei via concurso público e defendo a privatização de todas as empresas do setor elétrico. ESTOU DEFENDENDO ALGO QUE CONTRARIA O MEU PRÓPRIO INTERESSE PESSOAL em favor de um ponto de vista que acredito que será melhor para a nação. Ser libertário trabalhando no setor privado é fÁcil pois não atinge nenhum interesse pessoal seu.

    Não podemos esquecer que nos dividimos entre ANARCO-CAPITALISTAS e MINARQUISTAS, este último prega a existência mínima do estado. Estado este que será mantido através da arrecadação Mínima de Impostos (algo entre 3% – 6%). Por esse motivo um Auditor fiscal da Receita, pode ser um libertário do ponto de vista Minarquista.

    Nós libertários somos poucos e se ficarmos guerreando internamente (Anarco-capitalistas x Minarquistas) estamos condenados ao fracasso.

  29. Halison Junior Lunardi

    Caros, lembrem-se de Hayek: “entre o idealista dedicado e o fanático, muitas vezes há um pequeno passo.” – Grande artigo professores…

    abs

  30. André. Cavalcante

    Sinceramente acho uma perda de tempo uma discussão como essa. Se ao menos tivéssemos um governo mínimo, ainda teria algum sentido, o que está longe da realidade.

  31. Considero um desserviço à genial obra miseana, imprescindível à civilização, esse estardalhaço em torno do anarco-capitalismo, algo que por si só enuncia uma base contraditória tão gritante como socialismo e liberdade, uma vez que que capitalismo é organização, harmonia. Quanto as tentativas de agressões contra o Klauber Pires por ser funcionário público é próprio da confusa mentalidade expressada pelos discípulos do anarquismo, que ainda que se diga capitalista, nada mais é do que a evocação e apologia da barbárie ainda que revestida de charme dourado de algo que se pretende filosófico. O estado está inchado pelas doutrinas coletivistas e desvirtuado da sua verdadeira e primordial função que é garantir a segurança dos indivíduos para o livre funcionamento do mercado, do capitalismo. Demonizar quem é funcionário público para mim passa da conta. Amigo Klauber, grande abraço.

  32. Trocaram o Lexotan por esse artigo…pra se sentirem melhor…valeu pela tentativa; mas não colou.

    Um pergunta: O que vem (veio) primeiro? Ser professor universitário ou ser austríaco? Poderia incluir “libertário” tb, já que comentaram acima…Por simpatia ao pensamento liberal,estudaram mais, excelente!…e eis que se deram conta, no que estavam metidos…hihihi

    Boas ideias sem a ação é mera pregação…e pregar é fácil, facílimo…fazer é o “x”.

    Observar a incoerência entre fala e atuação não é se valer de recursos falaciosos, mas reconhecer que não servem como exemplo sobre aquilo que se quer fazer acreditar.

    Apesar não serem responsáveis diretamente pelo espólio que estupra a sociedade, recebem grana derivada deste método, mesmo que exista boa intenção do “pagador”, os meios para que este possa dispor do salários, não é legítimo. E aquele que recebe tendo consciência disso, está feita a situação para se refletir hehehe

  33. Da forma como eu imagino um governo mínimo, na prática uma justiça privada seria um governo mínimo.
    E não teria monopólio de nada pq qualquer um quando terminasse o contrato com ela poderia contratar outra ou criar seu próprio ‘governo’

    Hoje os funças ganham muito, mas imaginem se aparecesse um milhão de novos governos na terra e quem não gosta desse país de m**** tivesse pra onde ir; a vida do governo brasileiro ia ficar muito ruim por causa dessa #competição#

    Pra mim essa discussão minarco x anarco é sem sentido.A diferença entre minarco e anarco é uma questão semântica.
    Quando Mises fala em governo, um minarco entenderia governo mínimo e um anarco entenderia justiça privada com poder de criar leis e resolver conflitos

    Mas ainda prefiro me chamar minarquista, esse rótulo ‘A narquista’ dá a entender ausência total de poder

    Estamos todos no mesmo barco.

  34. Aliais, pensando bem até o sistema do Mises na prática seria uma ‘anarquia’ capitalista
    Se todo mundo tem o direito à secessão, é óbvio que quem sair ou vai virar súdito de outro reino OU vai criar seu próprio reino
    Nego fala que Mises ‘não foi às últimas consequências no seu próprio sistema’.
    Ora, foi sim, só não quis chamar de anarquia.
    E ele ta certo, se vc pega a raiz da palavra anarquia, a=sem, arquia=poder, controle,
    então esse é um rótulo muito ruim pra descrever como o sistema seria

  35. Ótimo artigo dos professores. Atesto, como discente em um programa de mestrado em economia em uma universidade PÚBLICA, a absoluta convergência entre os princípios morais e científicos concernentes ao arcabouço teórico libertário e a atividade laboral na burocracia estatal.
    Lendo alguns comentários sobre esta publicação, me preocupa a forma como alguns libertários entendem esta doutrina. Não trata-se de uma RELIGIÃO!!! Neste ponto diferenciamo-nos fortemente dos conservadores, que atribuem uma moral religiosa na substância de sua teoria moral cotidiana. analogamente, os marxistas, ateístas em sua “natureza”, cambiam entre o Deus imaterial, que roga o paraíso no pós-vida, e o “Deus” material, que constrói seu paraíso na terra. Ora, nos cabe, enquanto defensores da liberdade individual e de mercado, entender tal distinção fundamental: NÃO TEMOS BANDEIRAS, TEMOS CONSTRUÇÕES TEÓRICAS!
    O fato de ocupar uma função na burocracia estatal não significa incongruência com os valores libertários. Um professor, estudante ou burocrata, vende sua força de trabalho, a ser paga POR PARTE da espoliação estatal sobre os indivíduos, gerando um output a sociedade, seja este, conhecimento ou um ativo físico. Se este indivíduo PRODUZ, ele participa na nobre atividade de melhorar as relações produtivas e sociais da sociedade.
    Ademais, cada vez me convenço da necessidade de ocuparmos o coração do estado: apenas a racionalização das ações estatais podem, de fato, promover uma reordenação de suas atribuições. Se alguém nega-se a ser funcionário da Receita Federal, esta não deixará de ser instrumento do estupro fiscal que promove. O MERCADO PROVERÁ MÃO-DE-OBRA, PORVENTURA MENOS CAPAZ A BEM INTENCIONANDA, A OCUPAR A OCUPAR TAL FUNÇÃO. Destarte, assumir a responsabilidade em reduzir a letargia estatal é uma atividade nobre a ser operada por um libertário.
    Por fim, a respeito do comentário, embora antigo, de Roberto Chiacco, sinto falta de Hayek no IMB. Embora concorde, parcialmente, com o argumento deferido, no que tange a suas idiossincrasias no campo da filosofia política, acredito que seu pensamento pode “apimentar” consideravelmente o debate aqui promovido.

  36. Artigo bem escrito, entretanto com meias verdades:

    “Marx queria ser professor de uma universidade pública, mas, como não o conseguiu…”

    A ironia, destacada pelo autor, revela apenas parte da história para réplica aos Marxistas que criticam os Austríacos por trabalharem em instituições estatais. O destacado não revela que Marx teria sido não nomeado por razões políticas devido suas ideias hegelianas. O que pede-se é que sejam coerentes.

  37. Emerson Luis, um Psicologo

    Um liberal pode ser funcionário público?

    Depende (A) do cargo e condições e (B) de quais são suas convicções especificamente.

    * * *

  38. Achei as colocações dos professores muito boas!

    Não sou libertário mas considero Rothbard um grande economista. Nesse artigo ele diz:

    “[…] Nos últimos anos foram desenvolvidas novas disciplinas matemáticas e estatísticas cujas pretensões eram ajudar os empreendedores a tomar decisões concretas. Não é o objetivo aqui estipular se tais pretensões são válidas ou não; o objetivo é dizer que tais disciplinas não podem jamais fazer parte da ciência econômica, mas sim de um tipo de tecnologia de gerenciamento. O economista, nunca é demais repetir, não é um tecnólogo comercial.

    Portanto, o papel do economista em uma sociedade livre é puramente educacional.[…]”

    Claro e objetivo não acham? Um economista austríaco numa universidade pública é algo justificável pois estaria cumprindo o verdadeiro papel dele. Incoerência pessoal (se é que isso existe) seria um austríaco trabalhando como “tecnólogo comercial”, nas palavras do Rothbard.
    O amigo Klauber Pires propôs o seguinte dilema: é preferível que uma vaga para professor seja preenchida por um marxista ou um austríaco? Bem, dependendo da resposta, considero tal questão discutível.

    Obrigado.

  39. Vejo que essa discussão tem vários aspectos que deixam de ser considerados quando o pessoal anarcocapitalista mais radical faz a analogia do serviço público com o assalto à mão armada.
    Enquanto é válido apontar as semelhanças entre as duas situações para provar um ponto, não ver as diferenças leva a aberrações como o Stefan Molyneux dizendo que você deve cortar relações com amigos e familiares que continuam defendendo a existência de um estado porque é o mesmo que defender que alguém aponte uma arma para sua cabeça.

    Imagine que eu seja um assaltante. Saio pela rua, acho minha vítima e a abordo apontando uma arma para sua cabeça e ordenando que me entregue seus pertences. Se eu, durante o assalto, mudar de ideia, dizendo que percebi que o que eu estava fazendo era errado, a vítima achará isso bom. Devido à mudança na minhas ações a vítima não mais perderá seus bens e não mais teme que eu realize alguma violência contra ela.

    Agora, digamos que eu seja um auditor da receita. Durante meu expediente, percebo que impostos ferem o PNA, vou até o setor de RH e peço demissão. Nenhuma das minhas “vítimas” (pagadores de impostos) reconhecerá essa ação como positiva.
    Explique para uma pessoa qualquer que você deixou um emprego que paga muito bem para ficar desempregado porque todo estado é uma agressão, imposto é roubo, fere o PNA… vão achar que você é um otário ou um maluco.

    A grande diferença é que em um assalto há alguém que quer assaltar e alguém que não quer ser assaltado, já no serviço público há pessoas querendo receber para prestar um serviço e pessoas querendo que este serviço seja prestado.
    Pergunte a qualquer pessoa “normal” sobre os problemas do país o que você vai ouvir é que o estado tem que investir mais em educação, em saúde, em esporte, em cultura… que tem que ter uma lei para regular isso ou aquilo, que tem fiscalizar mais alguma coisa, que o estado tem que gerar mais empregos e redistribuir mais renda e que não se pode privatizar “o que é nosso”.
    Não é o funcionário público espoliando uma população que resiste, mas sim a própria população gerando o fundamento para essa espoliação ao esperar que tudo seja feito pelo estado.

    Então, você tem um país onde mesmo quem é “de direita” é socialista e há uma grande discrepância entre a remuneração e as vantagens nos empregos oferecidos no setor público e no setor privado. Acho difícil esperar que as pessoas optem por uma remuneração bem mais baixa, ou mesmo por ficar desempregadas, para receber tapinhas nas costas em algum forum de internet libertário. É exigir um sacrifício individual que não vai beneficiar ninguém (além do próximo concursado que estava na fila para ser chamado) e que não será nem ao menos reconhecido como algo bom nos valores vigentes em nossa sociedade.

  40. João Victor Marques

    Conheci o libertarianismo com 12 anos, e sempre tive um peso na consciência ao estudar para concursos públicos, não me orgulho disso, mas sentiria muito prazer em passar e espalhar as ideias libertárias principalmente em ambientes “socialistas”. Estou mais tranquilo agora, inclusive mais motivado, se houver privatizações da escola eu serei um dos primeiros a aceitar abertamente… é o que eu mais quero.

  41. Adorei o artigo e confesso que me trouxe grande alivio e conforto nos meus pensamentos. Para quem vem se identificando muito com a Escola Austríaca (apesar de ainda ter pouco conhecimento sobre ela), porém sonha com profissões que atualmente praticamente só são possíveis trabalhando para o estado é reconfortante ler esse tipo de artigo e poder continuar seguindo o caminho que tanto sonhou, apesar dos problemas decorrentes.

  42. Desmascarar a sua hipocrisia, não é ad hominem.

    Alguém que diz: Faça o que eu digo, não faça o que eu faço, é hipócrita.

    A critica à sua hipocrisia, implica no fato de que se você próprio não faz o que diz,

    então você não tem moral para me dizer o que fazer….

    E se fazer o que você diz não dá certo nem pra você porquê devo confiar que dará certo pra mim?

  43. Também tinha dúvidas quanto a trabalhar em para o estado e mesmo assim ser libertário, mas é como descreveram e ninguém prestou atenção no texto: esta tudo controlado pelo estado, esse computador pelo qual escrevo, minha internet, meus sapatos, é verdade que existam profissões onde a mão do estado é maior, mas e dai? a solução para eles é mudarem para as controladas escolas privadas? Isso faz alguma diferença? Deixar o mecanismo marxista influênciar pessoas?É assim que se ganha essa disputa? deixar os marxistas assumirem as melhores cadeiras e doutrinar a rodo?

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