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Karl Marx e seu caminho escatológico para o comunismo

Karl Marx, como o mundo sabe, nasceu em 1818 em Tréveris, uma venerável cidade na região da Renânia, quando o local ainda pertencia à Prússia.  Marx era filho de um ilustre jurista e neto de um rabino.  Efetivamente, o pai e a mãe de Marx eram descendentes de rabinos. O pai de Marx, Heinrich, era um racionalista liberal que não teve problema algum com sua conversão forçada ao luteranismo, a religião oficial, em 1816.  O que é pouco conhecido é que, ainda criança, Karl Marx, já batizado, era um dedicado cristão. 

Em seus ensaios escritos 1835, época de sua formatura no Gymnasium, o jovem Marx já apresentava indícios de como seria seu desenvolvimento futuro.  Seu ensaio acerca do tópico “Sobre a União dos Fieis a Cristo” apresentava um conteúdo evangélico ortodoxo, mas também continha alusões ao fundamental tema da “alienação” que mais tarde ele encontraria em Hegel.  A discussão de Marx sobre a “necessidade da união” a Cristo enfatizava que esta união colocaria um fim à tragédia da suposta rejeição de Deus aos homens não predestinados, como pregam os protestantes. Em outro ensaio, “Reflexões de um Jovem Sobre a Escolha de uma Profissão”, Marx expressava preocupação quanto ao seu próprio “demônio da ambição”, a grande tentação que ele sentia em “atacar Deus com veemência e amaldiçoar a humanidade”.

Tendo primeiro frequentado a Universidade de Bonn e depois a prestigiosa nova Universidade de Berlim para estudar Direito, Marx rapidamente se converteu ao ateísmo militante, mudou de curso para filosofia e se juntou a um Doktorklub formado por jovens hegelianos (de esquerda), dos quais ele rapidamente se tornou líder e secretário geral.

A guinada ao ateísmo rapidamente deu ao “demônio da ambição” de Marx o total controle sobre sua mente. Particularmente reveladores sobre o caráter tanto do Marx jovem quanto do Marx adulto são os vários poemas que ele escreveu, a maioria deles perdidos até serem recuperados em anos recentes.[1]  Quando os historiadores discutem estes poemas, eles tendem a desprezá-los como sendo rudimentares anseios românticos; mas o problema é que estes poemas são coerentes demais com as doutrinas sociais
e revolucionárias de Marx para serem negligentemente descartados.  Seguramente temos aqui uma situação em que um Marx unificado (o jovem e o velho) é revelado de maneira vívida e incisiva.  Assim, em seu poema “Sentimentos“, dedicado à sua namorada de infância e futura esposa Jenny von Westphalen, Marx expressava sua megalomania e sua enorme sede de destruição:

O paraíso eu abrangeria,

Traria o mundo para mim;

Vivendo, odiando, planejaria

Que minha estrela brilhasse forte até o fim.

E

… Mundos para sempre eu destruiria,

Já que não posso criar nenhum outro mundo;

Já que meu clamor ninguém perceberia.

Esta é uma clássica expressão do suposto motivo do ódio e da rebeldia de Satanás contra Deus.

Em outro poema, Marx escreve sobre seu triunfo após ele ter destruído o mundo criado por Deus:

Com desdém lançarei meu desafio

Bem na face do mundo,

E verei o colapso desse pigmeu gigante

Cuja queda não extinguirá meu ardor.

Então vagarei semelhante a um deus,

Vitorioso, pelas ruínas do mundo

E, dando às minhas palavras uma força dinâmica,

Sentir-me-ei igual ao Criador

E em seu poema “Invocação de Alguém em Desespero“, Marx escreve:

Estabelecerei
o meu trono muito acima de todos

Frio e monstruoso será o seu topo

O pavor supersticioso será a sua base

E a negra agonia será o seu condutor.[2]

O tema satânico é explicitamente apresentado em seu poema “O Violinista“, dedicado a seu pai:

Os vapores infernais elevam-se

E preenchem o meu cérebro

Até eu enlouquecer e meu coração

Se transformar dramaticamente.

Vê esta espada?

O príncipe das trevas

Vendeu-a para mim.

E

Com Satanás fiz meu acordo,

Ele escreve as partituras e marca o compasso;

Eu toco e canto a marcha da morte

Com rapidez e desembaraço.

Particularmente instrutivo é o inacabado e longo drama poético escrito por Marx em sua juventude, chamado Eulanem, uma Tragédia.  No decorrer deste drama, o herói, Eulanem, realiza um notável monólogo, verbalizando prolongadas invectivas e exsudando ódio pelo mundo e pela humanidade, um ódio à criação e uma apologia à total destruição do mundo.

Eis como o protagonista Eulanem verbaliza sua fúria:

Arruinado, arruinado. Meu tempo esgotou-se.

O relógio parou, a casa do pigmeu desmoronou.

Breve apertarei a eternidade ao peito,

E breve bradarei gigantescas maldições sobre a humanidade.

Ah! Eternidade! Ela é a nossa eterna mágoa ?

Nós próprios automatizados, cegamente mecânicos,

Feitos para sermos o calendário louco do Tempo e do Espaço,

Não tendo propósito, a não ser o de acontecer, o de sermos
arruinados,

Para que haja algo para ser arruinado ?

Se existe algo que nos devora,

Entregar-me-ei para ser engolido por ele, embora deixando o
mundo em ruínas —

Este mundo que se avoluma entre mim e o Abismo,

Eu o reduzirei a pedaços com as minhas contínuas maldições.

Lançarei meus braços ao redor da sua rude realidade:

Abraçando-me, o mundo morrerá silenciosamente.

E então mergulhará no nada absoluto,

Extinto, sem qualquer vida — isso sim seria realmente
viver!

E

… o mundo plúmbeo nos aprisiona,

E nós estamos acorrentados, despedaçados, vazios,
apavorados,

Eternamente acorrentados a este bloco de mármore do Ser …

e nós —

Nós somos os macacos de um Deus frio.[3]

Tudo isso revela aquele espírito que frequentemente parece animar o ateísmo militante.  Ao contrário do ateísmo não-militante, o qual expressa uma simples descrença na existência de Deus, o ateísmo militante parece crer implicitamente na existência de Deus, tendo como objetivo supremo odiá-Lo e iniciar uma guerra para destruí-Lo.  Tal espírito foi claramente revelado na resposta do ateu militante Bakunin ao famoso comentário teísta do deísta Voltaire: “Se Deus não existisse, seria necessário criá-Lo.”  Ao qual o lunático Bakunin respondeu: “Se Deus existisse, seria necessário destruí-Lo”. Foi este ódio a Deus como sendo criador maior do que ele próprio o que aparentemente inspirou Karl Marx.

Outra característica desenvolvida por Marx logo cedo em sua juventude e por ele jamais abandonada — e que apresentava indícios do que ele viria a se tornar — era sua desavergonhada parasitagem sobre amigos e parentes.  Já em 1837, Heinrich Marx, repreendendo o estilo desmesuradamente gastador do jovem Karl, escreveu-lhe dizendo que “a partir de um certo momento … você espertamente descobriu ser conveniente manter um silêncio aristocrático; estou me referindo à torpe questão do dinheiro.”  Com efeito, Marx pegava dinheiro de qualquer fonte disponível: seu pai, sua mãe e, durante toda a sua vida adulta, de seu resignado amigo e abjeto discípulo Friedrich Engels.  Todos eles aditivavam a capacidade de Marx de gastar dinheiro como água.[4]

Um insaciável gastador do dinheiro alheio, Marx seguidamente reclamava de sua escassez de meios financeiros.  Ao mesmo tempo em que parasitava Engels, Marx continuamente se queixava com seus amigos de que a generosidade de Engels nunca era o suficiente.  Assim, em 1868, Marx reclamou que não
conseguiria sobreviver com uma renda anual menor do que £400-£500, uma soma fenomenal quando se considera que os 10% mais ricos da população da Inglaterra naquele período ganhavam uma renda média de apenas £72 por ano.  Com efeito, Marx era tão esbanjador que, em 1864, ele rapidamente exauriu uma herança de £824 legada por um discípulo alemão, bem como uma contribuição de £350 dada por Engels naquele mesmo ano.

Ou seja, Marx conseguiu dilapidar a magnânima quantia de quase £1.200 em dois anos, e, dois anos depois, aceitou outra doação de £210 de Engels para pagar suas recém-acumuladas dívidas.  Finalmente, em 1868, Engels vendeu todas as suas ações da fábrica de algodão da família e combinou com Marx uma “pensão” anual de £350 a partir dali.  Ainda assim, as seguidas queixas de Marx sobre sua “falta de dinheiro” não diminuíram.[5]

Assim como ocorreu com vários outros parasitas e pedintes ao longo da história, Karl Marx afetava ódio e desprezo pelo exato recurso material que ele estava tão ávido para mendigar e usar tão impulsivamente. 
A diferença é que Marx criou toda uma filosofia acerca de sua atitude depravada em relação ao dinheiro.  O homem, bradava Marx, estava dominado pelo “fetichismo” do dinheiro.  O problema era a existência dessa coisa maléfica, e não as atitudes voluntariamente adotadas por algumas pessoas em relação a ela.  O dinheiro era vilipendiando por Marx como sendo “a proxeneta entre … a vida humana e os meios de sustentação”, “a prostituta universal”.  A utopia do comunismo era uma sociedade em que este flagelo, o dinheiro, seria abolido.

Karl Marx, o autoproclamado inimigo da exploração do homem por outro homem, explorou seu devoto amigo Friedrich Engels não apenas financeiramente, como também psicologicamente.  Apenas três meses
depois da esposa de Marx, Jenny von Westphalen, ter dado à luz sua filha Franziska em março de 1851, sua empregada Helene (“Lenchen”) Demuth, que morava com eles e a qual Marx havia “herdado” da família aristocrática de Jenny, também deu à luz o filho ilegítimo de Marx, Henry Frederick. Desesperadamente preocupado em manter o alto nível das aparências burguesas e em salvar seu casamento, Marx jamais reconheceu seu filho.  Em vez disso, ele persuadiu Engels, um notório mulherengo, a assumir a paternidade do menino. 

Tanto Marx quanto Engels tratavam o infeliz Henry com total desprezo, sendo que o ressentimento de Engels por estar sendo utilizado desta maneira torpe presumivelmente fornecia a ele uma boa desculpa para o mau trato.  Marx frequentemente colocava o menino Henry para fora de casa, e jamais permitiu que ele visitasse sua mãe.  Como declarou Fritz Raddatz, biógrafo de Marx, “se Henry Frederick Demuth era filho da Karl Marx, o exortador da nova humanidade viveu uma mentira que durou quase uma vida, além de ter desprezado, humilhado e repudiado seu único filho.”[6]

Engels, é claro, ficou com a tarefa de arcar com as despesas da educação de Henry.  Mas o menino, no entanto, foi treinado para assumir seu lugar na classe operária, longe do estilo de vida de seu pai verdadeiro, o quase-aristocrático líder do oprimido proletariado mundial.[7]

O gosto pessoal de Marx pela aristocracia durou toda a sua vida.  Quando jovem, ele se afeiçoou ao seu vizinho, o Barão Ludwig von Westphalen, pai de Jenny, e dedicou sua tese de doutorado ao barão.  Naturalmente, o esnobe proletário comunista sempre insistiu que Jenny estampasse “nascida von Westphalen” em seu cartão de visita.

Quanto a Engels, este se recusou a se casar com sua amante, Mary, porque ela era de origens “humildes”.  Após a morte de Mary, sua irmã Lizzie se tornou a amante de Engels.  Engels generosamente se casou com Lizzie no leito de morte dela “para conceder a ela seu ‘último prazer’.”

 

Este artigo foi extraído de trechos do livro Economic Thought Before Adam Smith — An Austrian Perspective on the History of Economic Thought.

 


[1] Os poemas foram majoritariamente escritos em 1836 e 1837, em seus primeiros meses em Berlim.  Dois destes poemas constituíam a primeira obra publicada de Marx, o Berlin Atheneum, de 1841.
Quase todos os outros foram perdidos.

[2] Richard Wurmbrand, Era Karl Marx um Satanista? (Westchester, 111: Crossway Books, 1986), pp. 12-13.

[3] Para a tradução completa do texto de Eulanem, ver Robert Payne, The Unknown Karl Marx (New York: New York University Press, 1971), pp. 81-3.  Também excelente na análise tanto dos poemas quanto do fato de Marx ser fundamentalmente um messiânico é Bruce Mazlish, The Meaning of Karl Marx (New York: Oxford University Press, 1984).

O pastor Wurmbrand (ver nota 2) chama atenção para o fato de que Eulanem é um anagrama de Emanuel, o nome bíblico de Jesus, e que tais inversões de nomes santos são práticas comuns em cultos satânicos.  No entanto, não há nenhuma evidência de que Marx tenha sido membro de cultos desse tipo. 
Wurmbrand, op. cit., note 45, pp. 13-14 e passim.

[4] Friedrich Engels (1820–95) era filho de um proeminente industrial fabricante de algodão, que também era um convicto pietista, da área de Barmen, na Renânia.  Barmen era um dos principais centros do pietismo na Alemanha, e Engels teve uma criação estritamente pietista.  Ateu e hegeliano já em 1839, Engels foi parar na Universidade de Berlim e na Juventude Hegeliana em 1841, em seguida passando a frequentar os mesmos círculos de Marx, de quem ele rapidamente se tornou amigo em 1844.

[5] Ver os esclarecedores cálculos em Gary North, Marx’s Religion of Revolution: The Doctrine of Creative Destruction (Nutley, NJ: Craig Press, 1968), pp. 26-8. Ver também ibid. (2nd ed., Tyler, Texas: Institute for Christian Economics, 1989), pp. 232?56.

[6] Fritz J. Raddatz, Karl Marx: A Political Biography (Boston: Little Brown & Co., 1978), p. 134.

[7] O zelo de Marx em esconder sua imprudência foi comparável apenas ao zelo dos historiadores do establishment marxista em suprimir a verdade sobre Henry Frederick Demuth até bem recentemente.
Embora a verdade já fosse conhecida por marxistas proeminentes, como Bernstein e Bebel, a notícia sobre a paternidade ilegítima de Marx só foi divulgada em 1962 no livro Marx, de Werner Blumenberg.  Ver em particular W.O. Henderson, The Life of Friedrich Engels (London:Frank Cass, 1976), II, pp. 833-4.
Alguns marxistas leais ainda se recusam a aceitar os fatos inquietantes.  Veja o amoroso e dedicado trabalho do falecido líder da ala “draperita” do movimento trotskista, Hal Draper Marx-Engels
Cyclopedia
(3 vols, New York: Schocken Books, 1985).

 

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63 comentários em “Karl Marx e seu caminho escatológico para o comunismo”

  1. Comecei a ler o site a pouco tempo e observei que o mesmo possui argumentações interessantes sobre a economia e temas financeiros.\r
    \r
    Entretanto, creio que o conteúdo deste artigo, independentemente de ser verídico ou nao, não é a melhor forma de se discutir as atitudes de Marx ou do Marxismo. O(s) comportamento(s) e a(s) atitude(s) pessoais de Marx não se discute(m), e o Marxismo tem que ser interpretado dentro dos limites do contexto histórico do Século XIX.\r
    \r
    Interessante observar que o capitalismo e o liberalismo econômico já passou por diversas transformações históricas na Europa, nos Estados Unidos e no mundo como um todo. Isso não inviabilizou a sua teoria… teoria essa que nunca foi posta em prática de maneira pura. Isso porque tratamos de teoria, mas lidamos com pessoas, com interesses pessoais, interesses de países, com política etc.\r
    \r
    A própria Escola Austríaca se apresenta como crítica a esse modelo de “liberalismo econômico” cada vez mais intervencionista… como estamos presenciando com as injeções financeiras em bancos e em países, que de nada tem a ver com o capitalismo, em teoria.\r
    \r
    A Escola Austríaca, por se comportar de maneira “desobediente”, aos olhos do “capitalismo real”, sofre críticas outrora impostas ao próprio Marxismo, que despreza, por exemplo, o seu rigor científico.\r
    \r
    O Socialismo é bonito, mas muito pouco provável. \r
    \r
    O Comunismo nunca existiu, o Capitalismo teórico também não.\r
    \r
    A Escola Austríaca não tem como prosperar sem considerar a característica egoísta do ser humano… e para isso tem que evoluir e não ficar presa a picuinhas.

  2. Emídio Carlos Cabral

    Fenomenal esta reportagem histórica sobre este “ídolo” de muitos , contudo sempre tive uma opinião formada sobre ele, e não destoa das realidades escritas neste local virtual. Parabéns a equipe pesquisadora, este ídolo sempre foi um “pirata ” de perna de pau, olho de vidro e cara do mal, que assustou a muitos, mas aos verdadeiros cidadãos nunca. A Estrela Verdadeira foi e será sempre a de Belém da Judéia, O Verdadeiro Socialista sem ódios e demagogias sanguinárias: Jesus Cristo , o Nazareno, Cidadão do Mundo e Deus em forma Humana. Marx é o máximo da Aberração.

  3. É como eu sempre digo. A esquerda está moldando o Brasil a décadas, atribuindo várias bizarrices aqui mesmo, não aconteceu a ‘lei da palmada’, ‘lei da homofobia’, ‘leis de divórcio’? Esse é o gramcismo, moldando a sociedade através das décadas. O que se deve fazer é um contra-gramcismo para combater isso tudo. Antes de mudar as leis, devemos mudar as pessoas.

  4. O paraíso eu abrangeria,

    Traria o mundo para mim;

    Vivendo, odiando, planejaria

    Que minha estrela brilhasse forte até o fim?

    E

    … Mundos para sempre eu destruiria,

    Já que não posso criar nenhum outro mundo;

    Já que meu clamor ninguém perceberia.

    ======================================

    este poema foi escrito assim mesmo? com estas mesma palavras? não estou duvidando da veracidade do texto, mas é estranho que depois de traduzido o poema continue rimando.

    ===============

    gostei muito do texto, ele traz uma luz sobre como se formou a mente de Marx e possivelmente de muitos marxistas hoje em dia.

  5. Achei o artigo exagerado, provavelmente foi feito na época mais paleolibertária do Rothbard. Claro que tem elementos interessantes, mas se lermos os poemas de Marx por inteiro sem a interpreção de Rothbard, percebemos que dá para interpretar várias coisas diferentes do que foi dito no artigo. Chamar Bakunin de lunático por sua expressão “Se Deus existisse, seria necessário destruí-lo” não faz sentido, já que ele se referia ao caráter autoritário que tal ser teria caso fosse real, o que para mim faz todo sentido.

  6. Ótimo, faz tempo que eu esperava por um artigo parecido.

    Eu ja sabia que Marx era um rico vagabundo e aprendi isso com uma ótima palestra do senhor Gary North: http://www.youtube.com/watch?v=p8ySFP8CveI… Mas Gary North vai muito mais longe que Rothbard, ele detona a vida do “rei dos proletários” e gasta uns 10 minutos da palestra na procura por UM comunista de raízes proletárias, impossível, ele não acha nenhum.

    Eu gostaria muito de ter uma transcrição dessa palestra do North, coisa que eu não posso fazer pq meu inglês não é la grandes coisas. Recomendo que a galera do Mises de uma olhada, pois é uma palestra destruidora.

    Muitos esquerdistas devem estar lendo o artigo e pensando no tal “argumento ad hominem”. Mas não percam tempo, o fato de Karl Marx ter vivido como um milionário é contrário a sua própria doutrina. Aprendam outra argumentum e contrario”…
    Segundo a doutrina marxista, apenas proletários teriam a tal consciência de classe, coisa que nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Pra vc ter essa tal consciência de classe vc não pode ser pobre, vc tem que ser assim ó:

    Classe Média e Universitário

    Esse problema não é novo, foi por causa DISSO que Lenin criou a teoria da Vanguarda do Proletariado. O problema foi “resolvido” e nunca mais ninguém falou nisso.

    Cambada de muleques mimados, isso sim! HAHAHAHAHA

  7. Pouco me importa a índole ou a formação intelectual de Marx.Eu não preciso disso para saber que sua obra é um fracasso tanto na pratica quanto na teoria…

  8. O artigo veio em uma hora interessante. Acabei de voltar de um tour pela Europa e acabei passando por Trier, a cidade natal de Marx. Lá passei por um museu que existe na casa onde ele nasceu, devidamente equipado com bilheteria e venda de suvenires. Nada mais apropriado :).\r
    Apesar de todos os problemas que a gente está cansado de comentar sobre sua teoria, não dá pra descartá-lo como talvez a figura mais importante da história econômica. Ele conseguiu montar as bases teóricas para uma transformação gigantesca na forma como o mundo foi estruturado. Você pode não conhecer nenhuma referência de economia ou política, mas muito provavelmente vai ter uma noção de quem foi Marx. Nem coloco tanto mérito na sua imagem histórica, mas no mito que criaram em cima dela.\r
    \r
    Apesar de ele ter tido uma vida tumultuada, o número de pessoas que ele conseguiu movimentar em vida foi bem modesto. Teve de se mudar várias vezes, enfrentou problemas financeiros e morreu sem grandes cerimônias (perto de 10 pessoas acompanharam o enterro). Sua imagem só ganhou peso posteriormente, quando virou um ícone bem adequado para movimentos políticos. Valeu mais morto que vivo.\r
    \r
    O marxismo, mesmo que de uma forma muito grosseira, para a imensa maioria das pessoas virou sinônimo de solidariedade. Representa uma sociedade preocupada com os mais pobres, que luta contra os poderosos. Apesar do fato de que isso não tem absolutamente nada a ver com a implementação do marxismo em si, é essa a imagem que está associada ao movimento. Vejam que não estou de forma alguma defendendo qualquer tipo de movimento marxista, digo que é essa a embalagem em que ele é vendido e é como as pessoas o identificam. Na consciência comum, se não deu certo foi pelas pessoas, não pelo seu princípio.\r
    \r
    Até tentei colocar um pouco de lógica nas teorias do Marx, mas admito que não é simples. Marx enxergava na burguesia, que acredito ser o que considerava como as elites econômicas da época, a origem de todos os males, da exploração. Muito provavelmente a gente também enxergaria isso. Essa burguesia sempre esteve muito próxima do poder político e não devia ser exceção na Alemanha do século XIX. Não é difícil enxergá-los como inimigos a uma primeira vista. Consigo até fazer um paralelo com o que o Rothbard propõe quando ele trata do que fazer com as propriedades não legitimamente adquiridas (propriedades Estatais e privadas que foram adquiridas por vias políticas). Rothbard propunha como possível solução que elas fossem assumidas por seus trabalhadores, algo similar à coletivização proposta por Marx. \r
    \r
    Mas o seu mundo era muito preto e branco, separado em classes, burgueses e trabalhadores. Daí a teoria fica muito mais complexa. Acredito que ele não se visse como burguês, mas chegou a ter duas pessoas trabalhando em tempo integral para a família. Não era exatamente na relação de trabalho que parecia estar a raíz de seus males, mas na propriedade dos meios de produção que exigiam mais capital (fábricas, por exemplo) e que ele não os via como legítimos, e muito provavelmente não eram na maioria das vezes. \r
    \r
    Na parte de teoria econômica, sempre achei uma viagem. Até comecei a ler O Capital, mas a realidade dele é muito torta. É até interessante confrontar com os textos do Bastiat que eram bem anteriores, mas soam muito mais razoáveis mesmo depois de tanto tempo. Você tem que ter muito boa vontade pra engolir a teoria de valor e mais valia. Marx chega a citar Ricardo e Bastiat, mas sem fazer nenhuma crítica consistente.\r
    \r
    O que mais ficou foram suas teorias políticas, que deram as bases das teorias de redistribuição, e fundamentaram a continuidade das elites. Uso aqui o termo elite como um grupo que exerce o monopólio político de algum tipo de serviço, nada a ver com livre mercado. Se antes as elites se mantinham por meio de força mais explícita e auxílio da Igreja (os reis eram enviados por Deus), o Estado passou a ser visto como um instrumento de "justiça social", um Robin Hood. As elites passaram a ser vistas como as administradoras dessa estrutura e o fato de que elas sobrevivem à custa do resto da sociedade passou para um segundo plano, muitas vezes vistas como benéficas para o conjunto da nação. Ficou a ideia de que o Estado está lá para nos ajudar, para ajudar os mais pobres, para definir as regras. Professores não lutam pelos seus interesses, lutam pela Educação. Policiais pedindo aumento também são altruístas, estão pensando na segurança pública. Os burocratas viraram servidores.\r
    \r
    A identificação dos problemas do "roubar dos ricos para das aos pobres" ou o autoritarismo do socialismo não ficam claros à primeira vista. É necessário estudo, entendimento, dedicação. A gente tem que parar de pensar de forma coletivista, parar de desenhar planos para a nossa sociedade perfeita que todo mundo já tem pronto na cabeça. É necessário entender que mesmo que a gente acredite em alguma coisa, não temos o direito de impor isso a ninguém. Que democracia não tem nada de sagrado. Que países e nações não são nada mais que linhas imaginárias desenhadas por alguém, que um país não necessariamente perde pra que outro ganhe. As teorias libertárias são bem mais trabalhosas de se compreender do que os jargões fáceis coletivistas.\r
    \r
    Hoje eu até desisto de discutir esse tipo de coisa em ambientes informais. Pra meia duzia de palavras coletivistas que todo mundo entende a gente precisa de meia hora de argumentação. Por incrível que pareça, a liberdade não é uma coisa fácil de ser vendida.

  9. Parabéns pelo artigo! Não há como dissociar o teórico da teoria, ainda que este não a refute ou comprove.
    Será que os comentários reprovando o artigo têm a ver com o medo da inevitável associação de Marx com o ateísmo militante (moda atualmente)?

  10. É incrível como todo comunista além de mau-caráter costuma ter uma vida diferente do que prega.

    A vida de Marx era uma podridão do começo ao fim, e Rousseau e Bakunin não ficam muito atrás.

    Agora olha a bibliografia de Mises, um cara com princípios do começo ao fim da vida.

  11. comunismo=fascismo=nazismo=racismo
    o marxismo(comunismo,fascismo e nazismo)é uma porcaria e foi responsável por mais de 200.000.000 de pessoas assassinadas nesse século 20

  12. Independentemente de crença ou descrença religiosa, do ponto de vista psicológico é interessante observar como alguns ateus e agnósticos fazem referências diretas e indiretas ao Diabo em sua linguagem figurada ou não, enquanto outros ateus e agnósticos costumam fazer referências a Deus, Jesus, Bíblia, etc. A Dilma disse que faria o Diabo para se reeleger, Keynes escreveu sobre transformar pedras em pães. Por outro lado, Constantino e Pondé são o caso oposto.

    Não, a vida pessoal de Marx por si só não prova que o Marxismo está errado. Mas é revelador notar como esquerdistas vivem de forma divergente do que defendem para os outros, enquanto liberais e conservadores tendem a viver coerentes com o que ensinam.

    * * *

  13. Sou defensor ferrenho do livre mercado. Não compactuo nem com comunismo tampouco socialismo, mas uma coisa tenho que admiti: achei os poemas de Marx muito bacanas. Seria muito melhor para a sociedade se ele tivesse se limitado a escrever poesias.

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