Todos
nós temos objetivos a alcançar em nossas vidas, desde os mais simples, como
comprar um sorvete na esquina, até os mais importantes, como a escolha de nossa
profissão. Para alcançar esses objetivos ou fins,
todos nós dispomos de meios e
passamos boa parte de nosso tempo tentando descobrir a melhor maneira de
utilizarmos esses meios para atingir nossos fins. A economia, então, procura
lidar com esses fins e meios da melhor forma possível.
Vamos
a um exemplo: suponha que você disponha de certa quantidade de dinheiro e que
esse seja o seu único meio. Suponha também que você, em determinado dia, tenha
dois objetivos ou fins, por exemplo, comprar um novo aparelho celular e passar
o próximo fim de semana em outra cidade. Para completar, admita que o montante
de dinheiro que você dispõe seja suficiente apenas para realizar um desses
fins: comprar o celular ou viajar no final da semana. Nesse caso, você terá que
fazer uma escolha: ou um ou outro!
Geralmente, fazemos as nossas escolhas verificando qual das alternativas nos dará
maior satisfação em determinado momento do tempo, que é aquele momento em que a
escolha é feita. A essa satisfação proporcionada pela posse ou uso de um bem os
economistas chamam de utilidade.
Ao
fazermos a escolha, estaremos fazendo uma valoração, ou seja, atribuindo um
determinado valor a cada uma das
opções e escolhendo aquela que tiver o maior valor. Essa valoração é subjetiva,
depende de nossos gostos e preferências, embora seja também influenciada pelos
preços das alternativas e pelo próprio momento da escolha. Suponha que o seu
time acaba de ganhar o campeonato brasileiro de futebol e que você está saindo
do estádio; nesse momento, o valor que você atribui a uma bandeira do seu time
é muito maior do que o será, por exemplo, três semanas depois. Entendeu?
Exemplificando
novamente: para um pianista, o valor subjetivo de um bom piano é maior do que o
valor que uma pessoa que não gosta de música atribui a esse piano, embora o
preço desse piano seja o mesmo para ambos. Agora, se o pianista vai comprar ou
não o piano isso vai depender dos meios de que dispõe (dinheiro, espaço em casa
para colocar o instrumento), das alternativas ou escolhas que precisar fazer
(por exemplo, já que os meios são escassos, ele poderá ter que escolher entre
comprar o piano ou reformar a cozinha de sua casa). Ficou claro?
Este
exemplo é uma boa pista para você compreender a diferença entre preço e valor. Suponha que sua escolha tenha sido, no primeiro exemplo,
comprar o novo celular. Ao fazer a compra na loja, você pagou um preço pelo
aparelho, mas levou para a sua casa um valor! Deu para entender? O preço é
aquilo que você paga por algum produto que você deseja comprar e o valor é a
satisfação que você acha que aquele produto vai proporcionar a você, caso o
compre. Essa satisfação ou valor, então, é diferente do preço e varia de pessoa
para pessoa, como vimos no exemplo do piano; no do celular, há pessoas que não
vivem sem um celular, mas há também pessoas que o utilizam muito pouco ou,
mesmo, nem o utilizam. O preço de um determinado aparelho é o mesmo para ambas,
mas é claro que seu valor será muito maior para a primeira pessoa do que para a
segunda, o que significa que a primeira estará disposta a pagar um preço maior
para ter o celular do que a segunda. No caso extremo desta última achar que não
precisa de um aparelho celular, ela não estará disposta a pagar nem um centavo
por um.
Ao
nos decidirmos por uma das alternativas, estaremos agindo, realizando uma ação. Toda escolha, portanto, envolve
uma ação correspondente. A economia nada mais é do que o estudo da ação humana,
ou seja, ela estuda as escolhas que os indivíduos fazem, considerando que os meios ou recursos de que dispõem nunca são suficientes para satisfazerem
todos os fins. Esse último fato é
conhecido como escassez, ou seja, os
meios sempre vão ser escassos quando comparados aos fins, o que significa, em
outras palavras, dizer que não poderemos jamais realizar todos os nossos
desejos, porque somos limitados pelos meios de que dispomos. A economia nos
ensina as melhores formas de lidarmos com a escassez.
Observe
que quanto mais as economias se desenvolvem, mais meios ou recursos surgem; mas
acontece que os fins também aumentam, de maneira que o problema da escassez
permanece. Não podemos escapar dele. Pense no seguinte: hoje, temos muito mais
meios do que nossos avós tinham, mas temos também muito mais fins, muito mais
necessidades, do que eles tinham há 80 ou 100 anos atrás. Assim, mesmo que
ganhemos muito mais do que nossos avós ganhavam, temos fins ou necessidades que
eles não tinham, como, por exemplo, TV a cabo, internet banda larga, geladeira
elétrica, carro etc. Da mesma forma, embora nossos avós ganhassem muito mais do
que os avós deles, suas necessidades eram também maiores do que as de seus
avós, que não precisavam ter despesas com luz elétrica, telefone, rádio etc.
O
que estamos querendo enfatizar é que o problema da escassez sempre existiu —
desde a mais remota antiguidade –, existe e vai continuar existindo, mesmo com a
multiplicação extraordinária dos meios e recursos que o capitalismo provocou.
Aqui cabe um pequeno parêntesis: você deve ter ouvido de alguns professores de
História cobras e lagartos a respeito do capitalismo, mas a verdade histórica
(que eles omitem sempre) é que foi exatamente o capitalismo, por meio da
promoção da capacidade empreendedora de algumas pessoas, que arrancou da
pobreza extrema milhões de pessoas, desde a Revolução Industrial, e que deu
oportunidade a que essas pessoas progredissem na vida, de acordo com sua
vontade de trabalhar, sua capacidade, sua inteligência e também de sua sorte.
O
socialismo, sistema que eles tentam enfiar nas cabeças de vocês como sendo o
paraíso na terra, onde quer que tenha sido implantado, só gerou pobreza, uma
pobreza distribuída por toda a população. Nesse sistema, que atenta contra a
dignidade da pessoa humana porque trata as pessoas como simples objetos
(semelhantes aos cupins, formigas e abelhas a que nos referimos na aula
anterior), as escolhas dos indivíduos ficam bastante limitadas, porque é o
estado que impõe a si mesmo o poder para fazer a maioria das escolhas, desde a
escolha de que produtos devem ser produzidos, em que quantidades devem ser
produzidas, como serão produzidas e para quem serão produzidas.
Nesses
arremedos de organização econômica, os meios são apropriados pelo estado e
resta aos indivíduos apenas escolher, quando muito, entre as alternativas que o
quadro lhes coloca à disposição. Nesses sistemas, a rigor, não podemos falar em
preços, mas em pseudopreços, porque preços verdadeiros requerem mercados onde
sejam determinados; os mercados, por sua vez, requerem propriedade privada dos
meios de produção.
Ora,
como esses sistemas não adotam a propriedade privada, neles não pode haver
mercados propriamente ditos e, sendo assim, não podem existir preços
verdadeiros, ou seja, preços determinados por vendedores e compradores por
livre e espontânea vontade. Como não há preços, esses sistemas se guiam às
cegas, porque neles é impossível para o governo fazer cálculos econômicos
corretamente. Esse é o conhecido problema do cálculo
econômico no socialismo, que levou Mises, um grande economista
austríaco, por volta de 1920, a afirmar categoricamente que a União Soviética
possuía uma economia que se guiava às cegas e que poderia durar seis ou sete
décadas, ao fim das quais iria desaparecer, ruir como um castelo de cartas,
como de fato aconteceu. O que valeu para a União Soviética vale para qualquer
economia que adotar o sistema socialista. Duram algum tempo, mas seu destino é
a destruição. Você deseja isso para o Brasil?
Como
vemos, as liberdades individuais ficam bastante restringidas nos sistemas
socialistas e mais ainda quando os mandachuvas desses sistemas decidem acabar
com a propriedade privada dos meios de produção, como fizeram na União
Soviética, Cuba, Coreia do Norte, Vietnã do Norte, durante muitos anos na China
(que vem gradualmente restabelecendo os direitos de propriedade) e outros infelizes
países.
No
exemplo dado, os meios são monetários (dinheiro), mas nem todos os meios ou recursos
são monetários. Suponha que o seu fim seja o de se inscrever em um concurso que
exija uma taxa de inscrição de 70 reais e diploma do segundo grau completo.
Nesse caso, supondo que você possua os 70 reais e que tenha o diploma exigido,
estes serão os dois meios exigidos para que você realize o seu fim, que é o de
se inscrever no concurso.
Temos,
portanto, alguns conceitos fundamentais com que lida a economia: meios ou
recursos, fins, escassez, utilidade, escolhas e valor. Se você entendeu cada um
deles, está pronto para entender também os assuntos de que a economia trata.
A
definição de economia mais conhecida é a que diz que ela é a ciência que estuda
como utilizar recursos — que são sempre escassos — para alcançar fins
alternativos. Note que em economia temos os fins e os meios para que alcancemos
os fins, mas que a economia como ciência deve se preocupar essencialmente com
os meios. É uma ciência de meios, em que os fins não são determinados por
autoridades ou por burocratas, mas pelos consumidores: dado que estes
sinalizaram que a economia deve, por exemplo, produzir 80 milhões de pares de
sapatos por ano, os economistas se preocupam em como os meios ou recursos devem
ser utilizados para que esse fim seja alcançado.
Os
principais problemas que a economia procura solucionar são o quê produzir, quanto
produzir e como produzir e as
respostas mais adequadas a essas questões, como veremos nas aulas seguintes, só
podem ser encontradas nos mercados,
que é onde as ações(escolhas) livres
de compradores e vendedores se encontram de forma voluntária.
Por
enquanto, o que vimos até aqui é suficiente.
Sugestões de leitura:
Rockwell,
L., Por que a economia
austríaca importa
Mises,
L, O que realmente é o mercado
Reisman,
G, A teoria marxista da
exploração e a realidade
Garcia,
A., A Escola Austríaca e a
refutação cabal do socialismo
Soto,
Jesus H, Empreendedorismo,
eficiência dinâmica e ética
Sugestões para reflexão
e debate:
1.
O que são fins e meios?
2.
Em que consiste o problema da escassez e qual a sua importância para a economia?
3.
Comente: “preço é uma coisa; valor é outra”.
4.
Por que as economias socialistas apresentam um grave problema de cálculo
econômico?
5.
Por que os mercados respondem melhor às questões básicas da economia (o que
produzir, quanto produzir e como produzir) do que os planejadores do governo?
REFLEXÃO E DEBATE
1) fins são coisas como acabar com o Estado
meios são coisas como esse site aqui
2) O problema da escassez consiste em falta de munição pra acabar com políticos
3) Preço: o quanto vc paga em uma espingarda de matar político
Valor: o quão bem vc se sente depois de matar um político
4) Porque se eles são socialistas eles são burros e burro não sabe fazer conta
5) Porque planejadores do governo não entendem nada sobre produção, uma vez que não produzem nada
Prof Ubiratan,
Parabéns pelo texto! Tratou assuntos tão abstratos com uma didática fantástica.
Sobre as reflexões:
1 – O texto discute muito bem, para mim não restam dúvidas. Esta deixo para os filósofos de plantão.
2 – O problema da escassez tem a importância de direcionar cada agente econômico a um sistema de custo benefício, escolhendo qual o bem que tem a maior utilidade no momento, ou utilidade em relação a outro bem. Somente assim, com a decisão na mão do indivíduo, teríamos um sistema mais justo, pois um planejador central, não pode ser onisciente. O primeiro erro fatal do socialismo, desconsiderar a escassez e querer resolver um problema de planejamento central que ‘a priori’ necessita de onisciência.
3 – Outro erro fatal “teoria da mais valia” considerar esta igualdade e associar o valor apenas ao trabalho. Sério mesmo, acho que, ou teoria do valor subjetivo e da utilidade marginal são muito abstratas para aos “professores de história” ou eles fingem não entender, por pura ideologia ou fanatismo. Uma pequena observação do comportamento humano em situações de decisão já mostra a diferença gritante entre preço e valor, quem nunca discutiu com um amigo sobre qual carro vale a pena comprar? Não é possível que o raciocínio era – Um operário do ABC, filiado ao PT, trabalhou X horas neste carro, então o “valor” deve ser X, e ponto final. Uma pessoa pagaria sem reclamar R$ 1000,00 para assistir um concerto no teatro municipal enquanto outra não assistiria nem se fosse gratuito.
4 – O problema é assumir que tem todas as informações sem um sistema de propriedade privada que determina o preço e pior, parte de uma “teoria do valor-trabalho” totalmente desconectada com a realidade, que ainda desconsidera os fatores temporais no cálculo.
5 – Por que os mercados estão baseados nas trocas feitas por indivíduos, somente eles saberiam como “racionar” os seus meios para obter os seus objetivos. O processo de interação é motivados por inúmeros fatores, objetivos e subjetivos, que o governo não tem a capacidade de calcular quais são estes fatores a cada instante de tempo. Mesmo assumindo que burocratas seriam pessoas infinitamente boas e bem intencionadas, o que não pode-se assumir como verdade pois o poder tende a corromper, um planejamento central fracassaria, pois ” intenções = Resultados ” não é uma equação do mundo real.
Grato pela aula.
Eu gosto de ler os artigos daqui porque eles explicam tudo direitinho. Por que vocês não constroem uma faculdade aqui no Brasil?
Legal o texto! Concordo com a “premissa” de que o socialismo sai mais caro, mas que de qualquer forma vamos precisar de um BOM capitalista para conseguir todo esse dinheiro! (Risos!)
Maravilhoso artigo, Iorio! Com certeza os professores da UERJ de economia estão muito melhor amparados que os professores da Unicamp. Enquanto lá eles recebem aulas de economia do Plínio de Arruda Sampaio Jr, aqui em nossa humilde terra tupinambá o mestre é o grande Ubiratan.
Agora a respeito das reflexões:
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1. O que são fins e meios?
Meios apenas existem em função do fim pois se não houver objetivo, não há meio, há apenas o recurso. Se eu não gastar 2 horas do meu dia para estudar para a prova do dia seguinte, eu tenho apenas um recurso(Fator tempo), mas se eu decidir estudar, meu recurso tornar-se-á um meio para atingir meu fim(Estar preparado para a prova).
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2. Em que consiste o problema da escassez e qual a sua importância para a economia?
A escassez surge do fato de os fins sempre serem superiores aos meios. Outro raciocínio com o fator tempo: Um dia dura 24 horas. Neste período, posso fazer milhões de coisas. Irei optar por fazer aquelas que valorizo mais(Dormir, consultar o Mises Brasil, estudar, tocar piano, trabalhar, etc.).
A definição de escassez no jogo econômico é fascinante. Posso ter em meu domínio 1 milhão de unidades de fator tempo, entretanto, ainda terei escassez pois todo este tempo ainda é ínfimo comparado às infinitas formas de gastá-lo.
“Ou seja, a escassez é criada em função do fins.
Os fins são criados em função do valor subjetivo.(Irei escolher as que são mais importantes para mim).
Logo, a escassez é criada pelo valor subjetivo.”
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3. Comente: “preço é uma coisa; valor é outra”.
Internet para acessar o Mises Brasil. 70 reais.
Mouse. 25 reais. (Maldito protecionismo)
Monitor. 300 reais.
Ler um excelente artigo sobre a ausência de racionalidade no cientificismo socialista. Não tem preço.
Para quase tudo existe preço. Para estas e todas as outras existe valor subjetivo.
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4. Por que as economias socialistas apresentam um grave problema de cálculo econômico?
Nas palavras de Yuri Maltsev, “porém, a efetiva implementação do socialismo mostrou a total validade da análise de Mises. O socialismo tentou substituir bilhões de decisões individuais feitas por consumidores soberanos no mercado por um “planejamento econômico racional” feito por uma comissão de iluminados investida do poder de determinar tudo o que seria produzido e consumido, e quando, como e por quem se daria a produção e o consumo. Isso gerou escassez generalizada, fome e frustração em massa. Quando o governo soviético decidiu determinar 22 milhões de preços, 460.000 salários e mais de 90 milhões de funções para os 110 milhões de funcionários do governo, o caos e a escassez foram o inevitável resultado. O estado socialista destruiu a ética inerente ao trabalho, privou as pessoas da oportunidade e da iniciativa de empreender, e difundiu amplamente uma mentalidade assistencialista.”
Em outras palavras: Porque elas são socialistas.
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5. Por que os mercados respondem melhor às questões básicas da economia (o que produzir, quanto produzir e como produzir) do que os planejadores do governo?
Pois são indivíduos os verdadeiros produtores. Eles oferecem seus serviços e bens partindo da premissa de que os bens obtidos serão de valor subjetivo superior ao que foi gasto.
Esta relação permite que o produtor de bananas especialize-se em produzir bananas já que este pode trocar sua produção com o produtor de maçãs(Que por sua vez valoriza bananas mais que maçãs), processo que cria prosperidade e eleva o padrão de vida de ambos.
Apenas indivíduos são capazes de determinar racionalmente a própria vida baseados naquilo que valorizam mais. Nenhum planejador jamais será capaz de decidir por milhões de pessoas.
Ou seja, se os planejadores decidissem o que comemos, comeríamos lixo.
Excelente artigo, embora eu ache que a Escola Austriaca, tem tudo a ver com a filosofia de Osho, exceto quanto a propiedade e competicao.Vejam a definicao de Preco e valor, que ele explica em um programa de televisao nos EUA, onde um reporter de televisao,tenta ridicularizar Osho, perguntando a ele porque ele vendia felicidade, e porque vender em vez de dar gratis. Ainda penso que se unir Osho com o IMB estaremos completo. Logo depois foi preso, supostamente envenenado ,expulso e perseguido pelos EUA no mundo inteiro, sem poder aterrisar em nenhum pais, exceto no propio. Assange que se cuide.
Siga o link para ver a reportagem.
http://www.youtube.com/watch?v=igY11uFMqhk
Abracos e parabens pelo artigo.
Duvida: Se o capitalista deseja explorar e o livre mercado o impede. por que o capitalista ama tanto o livre mercado?
Leandro,, completando sua corretíssima resposta: os capitalistas adoram o capitalismo de estado, porque só nesse sistema podem ganhar sem atender bem aos consumidores! Capitalistas não são necessariamente empreendedores, detestam correr riscos e adoram o BNDES, cujos corredores conhecem como ninguém, às nossas custas…
Caros Patrick e Pedro, essa experiência de Honduras mostra que nem tido está perdido. Resistências sempre vão existir, mas estou otimista. Vamos esperar pra ver.
Quero agradecer ao Professor Ubiratan por sua iniciativa e pela paixão que emprega a favor da disseminação da Escola Austríaca.
Aqui vão minhas considerações sobre as questões sugeridas (desculpem a extensão excessiva, não sei se justificada pelo conteúdo – caso esteja falando besteira, por favor podem corrigir):
1) Dado que estamos vivos, temos necessidades – desde as mais básicas que garantem a nossa sobrevivência até aquelas suscitadas pela natureza racional de nosso ser – com a Arte no extremo, no limite de nossa capacidade de imaginar. Tais necessidades são os fins, que são sempre infinitos. Para atender aos nossos fins dispomos de recursos, que são os meios.
2) Todos temos necessidades, os fins, e essas necessidades são infinitas. Porém, os meios que dispomos para atender a esses fins são finitos, escassos. Isso gera um problema – precisamos fazer escolhas sobre quais os fins mais importantes e quais as melhores maneiras de utilizarmos os meios que dispomos. É precisamente sobre esse problema central que gira a ciência econômica: como melhor utilizar os meios para determinados fins.
3) No mundo de escassez que vivemos, toda ação demanda escolhas e essas escolhas são determinadas pela satisfação que esperamos alcançar ao agirmos de determinada maneira em vez de outra. A essa satisfação que atribuímos a determinado bem chamamos de utilidade. Quanto maior a utilidade de um bem, maior seu valor. Entretanto, o valor depende de cada indivíduo, é subjetivo e pode variar grandemente de acordo com a cultura, sociedade, classe social – o valor varia inclusive para o mesmo indivíduo ao longo do tempo (um bem no presente tem mais valor que o mesmo bem no futuro). Ao contrário, o preço é um dado objetivo e é o mesmo para todos os indivíduos. Quanto maior o valor atribuído a um produto, maior será o preço que o indivíduo estará disposto a pagar. Para ocorrer a troca, em um mercado livre, o valor que o indivíduo dá a determindado produto deverá ser maior que seu preço – na outra mão, o vendedor acredita que o preço cobrado pelo produto é maior que seu valor. Por isso, no livre mercado, ambos saem ganhando.
4) Nas economias socialistas, um agente central (o partido, um comitê, o estado..) monopoliza e concentra a decisão sobre quais os fins que devem ser buscados e como devem ser utilizados os meios para alcançar tais fins. Além disso, num sistema socialista puro, a propriedade privada é abolida e todos os meios de produção pertencem ao estado. Como consequencia, não há mais preços e torna-se impossível qualquer cálculo econômico o que leva a decisões equivocadas sobre a melhore maneira de alocar os recusros. Os palnejadores centrais agem às cegas e o colapso do sistema é questão de tempo.
5) A ação humana é particular a cada um e intransferível. Toda vez que um indivíduo age e escolhe está o fazendo em acordo àquilo que acredita ser o melhor, de acordo com as informações e conhecimentos que tem à sua disposição. Essas informações são exclusivas de cada indivíduo e isso é verdade para todos os outros indivíduos que agem no mercado. Portanto, o conhecimento é disperso e variável – muda constantemente, pois cada ação influencia as outras ações. Somente no livre mercado essa miríade de informações pode ser expressa – através dos preços, que são a melhor fonte de informação para a atividade econômica.
Abraço!
Ok, alguém me corrija se eu estiver falando alguma coisa errada DE ACORDO COM ESSE ARTIGO
Quando uma coisa tem valor subjetivo significa que esse valor é importante como MEIO pra se chegar a um FIM, certo?
Por ex, o valor de um livro de biologia pra um estudante de medicina é maior do que um de cálculo porque existe um problema no mundo real que esse livro ajuda a resolver e o outro não resolve, ou seja, o valor é subjetivo mas NÃO é uma convenção, correto?
Outro ex, o do pianista.Um piano pra esse cara vale mais do que sei lá, uma guitarra, isso porque ele gosta do som do piano, ou seja existe um FIM no mundo real que é a geração daquelas ondas sonoras reais que ele gosta, o valor vem dessa função real, certo?O valor subjetivo vem da COMPARAÇÃO entre a capacidade da guitarra e a do piano de fazer o som que ele gosta, e de concluir que o do piano é melhor!
Não faria o menor sentido se ele chegasse pra uma pedra e pensasse: ‘-ah, eu vou dar a essa pedra o mesmo valor que eu dou a um piano.’. A pedra não faz nada! Foi uma escolha, uma convenção, um dia ele nota que a pedra não faz som nenhum e ele ficou esperando de besta!
(A exceção é quando um objeto tem valor sentimental, certo, mas pro ponto que eu quero chegar isso não tem muita importância, já que nesse caso todo mundo sabe que aquele valor só existe pra aquela pessoa, ou no máximo pra aquela família, e ninguém vai querer se livrar daquele objeto.)
Então, NESSE CONTEXTO, é uma grande besteira quando os bitcoinzistas ficam repetindo feito um papagaio ‘todo valor é subjetivo todo valor é subjetivo’ porque o que eles fazem, é uma convenção! O valor é subjetivo em relação a um FIM do mundo real mas o bitcoin deles não chega em fim nenhum! É só uma pedra que o cara quer vender pro outro falando ‘isso aqui vale o mesmo que um violino’
obs: gostaria de saber a opinião de outros que estudam a escola austríaca, a dos religiosos bitcoinzistas eu já estou careca de saber e não me interessa.
O Campeão Brasileiro de Futebol de 2014 será a Sociedade Esportiva Palmeiras. Verdão!
“Você deve ter ouvido de alguns professores de História cobras e lagartos a respeito do capitalismo, mas a verdade histórica (que eles omitem sempre) é que foi exatamente o capitalismo, por meio da promoção da capacidade empreendedora de algumas pessoas, que arrancou da pobreza extrema milhões de pessoas, desde a Revolução Industrial, e que deu oportunidade a que essas pessoas progredissem na vida, de acordo com sua vontade de trabalhar, sua capacidade, sua inteligência e também de sua sorte.”
“O socialismo, sistema que professores socialistas tentam enfiar nas cabeças de vocês como sendo o paraíso na terra, onde quer que tenha sido implantado, só gerou pobreza, uma pobreza distribuída por toda a população. Nesse sistema, que atenta contra a dignidade da pessoa humana porque trata as pessoas como simples objetos (semelhantes aos cupins, formigas e abelhas), as escolhas dos indivíduos ficam bastante limitadas, porque é o estado que impõe a si mesmo o poder para fazer a maioria das escolhas, desde a escolha de que produtos devem ser produzidos, em que quantidades devem ser produzidas, como serão produzidas e para quem serão produzidas.”