Não
existe crença mais persistente e mais influente do que a crença no fato de que
gastos governamentais são benéficos para todos. Em todos os cantos do
globo eles são apresentados como a solução para todas as mazelas econômicas.
A indústria está parcialmente estagnada? Podemos estimulá-la por meio de
gastos governamentais. O desemprego está alto? Culpa do “insuficiente
poder aquisitivo das pessoas”. O remédio, claro, é óbvio: aumentar os
gastos do governo.
Todo
o necessário para corrigir a situação é o governo despender o suficiente para
compensar estas “deficiências”.
Uma
vasta literatura se baseia nesta falácia, e, como muitas vezes acontece com
doutrinas dessa espécie, tornou-se parte de uma complexa rede de falácias que
se sustentam mutuamente. Não podemos, a esta altura, investigar toda essa
rede; mas podemos, aqui, examinar a falácia-mãe que deu nascimento a essa
progênie.
Tudo
o que não é oriundo das dádivas livres da natureza tem, de certo modo, que ser
pago. O mundo, no entanto, está repleto de pseudo-economistas que estão
cheios de planos para obter alguma coisa em troca de nada. Dizem-nos que
o governo pode gastar livremente sem ter de tributar; que pode continuar a
acumular dívidas sem jamais ter de liquidá-las, pois “nós devemos a nós mesmos”.
Ao longo da história, todos os belos sonhos deste tipo foram sempre destruídos
pela insolvência nacional ou por uma inflação galopante. Devemos aqui
dizer, simplesmente, que todos os gastos
governamentais terão, na prática, de ser pagos pela tributação.
Sim,
pode-se recorrer à inflação monetária para se financiar estes gastos. Porém, a própria inflação monetária não passa
de uma forma — particularmente anormal — de tributação. A inflação monetária gerará dois fenômenos: redistribuição de renda dos
mais pobres para os mais ricos e aumento de preços, fenômeno este que também
penalizará com mais severidade os mais pobres. A inflação é um imposto.
Em
prol da argumentação, vamos admitir aqui que cada unidade monetária gasta pelo
governo deverá ser arrecadada imediata ou posteriormente por meio de imposto. Uma vez considerada a questão nesse sentido,
os supostos milagres dos gastos governamentais aparecerão sob outro prisma.
O
governo continuamente gasta um determinado montante para cumprir suas despesas
correntes: pagar seus funcionários, sua burocracia, redistribuir renda e fazer
suas corriqueiras obras públicas. Tais
gastos não serão o escopo deste artigo. Quero aqui tratar daquelas obras
públicas consideradas como meios de se “criar empregos” ou de se aumentar a
riqueza da sociedade, sem as quais — afirmam alguns economistas — tal
enriquecimento não seria possível.
Constrói-se
uma ponte. Se ela é construída para atender a uma demanda pública
insistente; se ela soluciona um problema de tráfego ou de transporte,
insolúveis sob outra forma; se, em suma, ela é mais necessária aos
contribuintes coletivamente do que coisas com as quais eles individualmente
gastariam seu dinheiro — se este não lhes houvesse sido tirado por meio dos
tributos –, então sua construção pode ser aproveitável (embora seja
praticamente impossível determinar que absolutamente todos os pagadores de
impostos realmente queiram esta ponte).
Por
outro lado, uma ponte construída com o intuito de “gerar empregos” é um outro
tipo de ponte.
Quando
“gerar empregos” se torna o objetivo, a real necessidade de algo passa a ser
uma consideração secundária. O que importa é inventar “projetos”.
Em vez de pensarem apenas naqueles locais específicos onde há uma suposta
demanda popular por uma ponte, os responsáveis pelo dinheiro público começam a se
perguntar onde mais podem sair construindo outras pontes. Mesmo que a
construção de pontes não esteja sendo demandada, o empreendimento será
feito. Aqueles que duvidarem desta necessidade serão tachados de
obstrucionistas, atrasados, insensíveis e reacionários.
Normalmente,
são apresentados dois argumentos para a construção de uma ponte: um, aquele que
se ouve principalmente antes de ele ser construída; o outro, aquele que
frequentemente se ouve depois de ele estar concluída. O primeiro
argumento é que a construção proporcionará empregos. Proporcionará,
digamos, 500 empregos durante um ano. A implicação disso é que esses
empregos, de outra forma, não existiriam.
Isso
é o que se vê de imediato. Se estamos, porém, treinados na ciência
econômica; se sabemos enxergar as consequências secundárias de determinadas
medidas econômicas, então somos capazes de ver mais além. Podemos, neste caso, saber que, além daqueles
que são diretamente beneficiados por um projeto governamental, haverá outros
que serão indiretamente afetados.
Neste
ponto, o cenário passa a ser diferente. É verdade que determinado grupo
de operários terá agora empregos, o que não ocorreria não fosse a construção da
ponte. A ponte, porém, tem de ser paga com impostos, pois todo dinheiro
gasto pelo governo tem de ser tirado dos contribuintes. Se a ponte custa $10
milhões, os contribuintes perderão $10 milhões. Os cidadãos deixarão de
ter uma quantia que, não fosse a construção da ponte, seria despendida em
coisas que voluntariamente considerassem mais necessárias. Os empreendimentos que agora não mais
receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte —
começarão a demitir.
Portanto,
para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum
lugar, um emprego particular. Podemos ver os operários empregados na
construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando. Esta imagem real
faz com que o argumento do governo — gerar empregos — se torne vívido,
tangível e, muito provavelmente, convincente para a maioria das pessoas.
Há,
no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu
que surgissem. São os empregos destruídos pelos $10 milhões tirados dos
contribuintes. Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi
uma transferência de empregos por causa de um projeto.
Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria
automobilística, menos técnicos de rádio, menos empregados para fábricas de
artigos de vestuário e para a agropecuária.
Chegamos,
então, ao segundo argumento. A ponte existe. É, suponhamos, uma
ponte realmente bonita. Surgiu graças à magia dos gastos
governamentais. O que teria acontecido se os obstrucionistas e os
reacionários tivessem imposto sua vontade? Não haveria a ponte. O
país estaria mais pobre, afirmam eles.
Nisso,
os responsáveis pelo dinheiro público, mais uma vez, levam a melhor ao
debaterem com todos aqueles que não têm a capacidade de enxergar além do
alcance imediato de seus olhos. Todos podem ver a ponte. Mas apenas
aqueles mais versados em economia são capazes de perceber as consequências
indiretas e não perceptíveis deste arranjo; apenas estes podem, mais uma vez,
enxergar todas aquelas riquezas que nunca chegarão a existir. Podem enxergar
casas que não foram construídas, automóveis, rádios, imóveis e roupas não
fabricados, e talvez até mesmo alimentos que não foram cultivados e nem
vendidos. Ver esses elementos que não foram criados requer certa
imaginação e certo treino econômico, algo que nem todo mundo possui.
Podemos
imaginar imediatamente esses objetos, mas não podemos ver sua existência. Por outro lado, podemos ver a ponte e
utilizá-la todos os dias ao irmos para o trabalho. Simplesmente o que
aconteceu foi que uma coisa foi construída em vez de várias outras.
O
mesmo raciocínio aplica-se, naturalmente, a quaisquer outros tipos de obras públicas.
Aplica-se também, por exemplo, à construção, com fundos públicos, de habitações
para pessoas de baixa renda. O que acontece é que o dinheiro é arrancado,
por meio de impostos, de famílias de renda mais elevada (e, talvez, até de famílias
de renda menor) para forçá-las a financiar famílias selecionadas, de renda
inferior, capacitando-as a viverem em melhores moradias.
Não
é meu intuito aqui discorrer sobre questões morais no que tange à construção de
moradias com dinheiro público. Interessa-me apenas apontar o erro em dois
dos argumentos mais frequentemente apresentados a favor desse tipo de
construção. Um, é o de que ela “gera empregos”; o outro, o de que ela
cria riquezas que, sem estas obras, não teriam sido produzidas. Ambos os
argumentos são falsos, uma vez que não levam em consideração o que se perde
pela tributação. A tributação para a construção de moradias, com fundos
públicos, destrói tantos empregos em outras atividades quanto cria na de
construção. O resultado é a não construção de imóveis, a não fabricação
de máquinas de lavar roupa e geladeiras e a falta de inumeráveis outros bens e
serviços.
E
nada disso é refutado pela contra-argumentação que diz, por exemplo, que a
construção de moradias com dinheiro público pode ser financiada por várias
parcelas anuais, em vez de por uma quantia a ser paga de uma só vez. Isso
significa simplesmente que o custo passa a ser distribuído por muitos anos, em
vez de concentrar-se em um só. Significa, também, que o que se tira dos
contribuintes é distribuído por muitos anos, em vez de concentrar-se num
só. Tais detalhes técnicos são irrelevantes para o ponto principal.
A
grande vantagem psicológica a favor da construção de moradias com dinheiro
público está no fato de que é possível ver homens trabalhando enquanto estão
sendo construídas as casas, e que estas são vistas depois de finalizadas.
Passam a ser habitadas e os moradores, orgulhosamente, mostram as dependências
aos amigos. Não se veem os empregos destruídos pelos impostos destinados
às moradias, nem os bens e serviços que deixaram de ser ofertados. Isso exige
um esforço de pensamento. E, a cada vez
que se veem as casas e seus felizes moradores, um novo esforço é necessário
para se imaginar toda a riqueza que por causa disso não foi criada.
É
de se surpreender que os defensores da construção de moradias com dinheiro
público não tenham considerado esse ponto.
Se alertados sobre isso, tacham-no de pura imaginação, de simples objeção
teórica, ao mesmo tempo em que realçam a beleza das moradias públicas
existentes. Isso faz lembrar um personagem de Saint Joan, de
Bernard Shaw, que, ao lhe falarem sobre a teoria de Pitágoras, segundo a qual a
terra é redonda e gira em torno do sol, respondeu: “Que consumado idiota!
Não podia ver isso com os próprios olhos?”
O
mesmo raciocínio deve ser aplicado a todos os grandes projetos empreendidos
pelo governo. Quanto mais faraônica a
obra, maior o perigo da ilusão de ótica. Ali está uma gigantesca represa,
um formidável arco de aço e concreto “maior que qualquer outro empreendimento
que o capital privado pudesse ter construído”, o fetiche dos fotógrafos, o
símbolo mais frequentemente utilizado dos milagres da construção e da operação estatal.
Ali estão gigantescos geradores e usinas de força. Ali está toda uma
região, diz-se, elevada para o mais alto nível econômico, atraindo fábricas e
indústrias que, de outro modo, não teriam existido. E tudo é apresentado,
nos louvores de seus proponentes, como sendo ganho econômico líquido para o
país, sem contrapartidas.
De
novo, não vamos aqui entrar novamente no mérito das obras públicas. Vamos
apenas nos concentrar no esforço da imaginação, algo de que poucas pessoas são
capazes, para ver o lado devedor da equação. Se os impostos, arrecadados
de pessoas e empresas, são aplicados em determinada região de um país, por que
motivo causaria surpresa, por que deveria ser considerado um milagre que esta
região se tenha tornado relativamente mais rica? Outras regiões do país, sempre
é válido lembrar, se encontram, em decorrência disso, relativamente mais
pobres.
Aquele
empreendimento tão grande que “o capital privado não teria podido realizar”,
foi, na verdade, realizado pelo capital privado — pelo capital expropriado
mediante imposto (ou, se o dinheiro foi tomado como empréstimo, acabará sendo
expropriado também com impostos, só que mais no futuro).
É
necessário, novamente, fazer um esforço de imaginação para vermos os edifícios
comerciais e as habitações particulares, os automóveis e os aparelhos de
televisão cuja existência não foi permitida, pois o dinheiro que foi extraído
do povo, em todo o país, foi empregado na construção de uma fotogênica obra
pública.
Escolhi
aqui propositadamente os mais favoráveis exemplos de projetos de dispêndios
públicos — isto é, aqueles que são mais frequente e ardentemente aconselhados
pelos agentes governamentais e mais altamente considerados pelo público.
Não falei das centenas de projetos frívolos que, invariavelmente, surgem sempre
que o objetivo principal é “gerar empregos” e “colocar gente para trabalhar”.
Isso porque, conforme vimos, a utilidade do próprio projeto torna-se,
inevitavelmente, uma consideração secundária. Além disso, quanto mais
extravagante a obra, quanto mais dispendioso o trabalho, quanto maior o custo
da mão-de-obra, tanto melhor para o objetivo de gerar mais empregos.
Sob
tais circunstâncias, é altamente improvável que os projetos inventados pelos
burocratas proporcionem o mesmo aumento líquido à riqueza e ao bem-estar, por unidade
monetária gasta, como teria sido proporcionado pelos próprios pagadores de
impostos se, individualmente, o governo lhes tivesse permitido comprar ou fazer
o que eles mesmos desejassem em vez de serem forçados a entregar parte de suas
poupanças ao estado.
Leia
também:
Gastos governamentais
sempre são ruins para a economia
Por que é impossível o
governo fazer a economia crescer
O problema com os gastos do
governo
Por que o governo não é
capaz de ofertar serviços eficientemente
Para quem já leu Bastiat o artigo é extremamente claro, o autor só não previu nos números que para se fazer uma ponte de 10 milhões, não precisa-se do referido valor, mas sim de duas, três ou até muitas vezes mais o valor do projeto, o custo da corrupção chega a ser maior que o da obra…
Pela exposição acima, me parece que o Brasil foi aposentado em 1950 e recentemente agora em 2012 – risos! Duas aposentadorias, nesse mundo com menos de 65 anos….
Se isso já é um mal em obras que, de uma forma ou de outra, ainda beneficiam a população (ou ao menos parte dela), como na ponte citada como exemplo, o que dizer então sobre obras como os estádios para a Copa do Mundo, ou complexos esportivos para as Olimpiadas, visto que estes têm grande risco de serem abandonados após os mencionados eventos?
É o tão famoso “Mito do Almoço Grátis”… A idéia de que o governo pode simplesmente tirar dinheiro do nada e gastar esse dinheiro sem custo algum para a economia, seja taxando as pessoas (e tirando delas uma parcela crucial de sua renda, que poderia ter sido utilizada para fins pessoais mais concretos, uma consequência grave e raramente reconhecida, como disse Hazlitt no artigo) ou simplesmente imprimindo papel-moeda. Como se os impostos ou a inflação fossem formas mágicas de se ganhar dinheiro de graça, ou fontes mágicas e milagrosas de dinheiro. Acredito que os economistas austríacos já fizeram um excelente trabalho em demolir essa tese do dinheiro fácil em suas obras, pena que muita gente não conhece essas obras. Mas é pra isso que serve o IMB hehehe. Abraços!
Ótimo texto! Isso me fez lembrar dos estádios que serão construídos para a copa do mundo, e em especial, a Arena Amazônia que custará, por baixo, R$ 600.000.000,00 aos cofres públicos, ou melhor, aos nossos bolsos. Depois do evento, o elefante branco vai ficar para quem ? Nem sei se tem time de futebol em Manaus – não que isso justificaria a contruão do estádio -, não tem demanda para tal intento. Coitado dos que não gostam de futebol, não torcem para a seleção, não moram no Amazonas, muito menos em Manaus. Coitado, principalmente, dos trabalhadores que vão perder seus empregos em outras regiões do pais em função do sequestro do nosso dinheiro para a realização desse evento. Abraços!
Acho que o raciocínio nem é tanto o do almoço grátis. Acho que a maioria pensa: “Já que o governo tem X em dinheiro, quero que ele gaste assim (de uma forma que eu acredito ser a correta, normalmente me beneficiando)”.\r
\r
É muito mais fácil acreditar que dá pra direcionar os gastos do governo do que tentar imaginar o governo cobrando menos. As denúncias de corrupção e mal uso do dinheiro só aumentam a percepção de que o governo poderia gastar mais se gastasse melhor.
A ponte Rio-Niteroi foi inaugurada em 1974, pelo então presidente Médici. E só na poupança de combustíveis, ela se paga todos os anos.
Construção de Brasília: 50 anos em 5 anos.
Depois: 50 anos em 50 anos.
Finalmente: 5 anos em 50 anos!
Esse texto é muito teórico, não condiz com a realidade…
.
Se fossemos aplicar isso no Brasil ainda viveríamos na idade da pedra.
.
Vamos imaginar:
– Itaipu
– Dutra
– Porto de Santos
– Angra
– Embraer
– Pro Álcool
– Inúmeros Estádios Municipais
– Petrobras
– Vale
– CNA
… Qual o político em sã consciencia vai recusar em fazer uma obra ?????
Acho que um dia vou traduzir esse texto para o japonês e enviar ao Primeiro-Ministro do Japão.
Mas será mesmo que obras púlicas é mesmo ruim? Se os governadores do Nordeste (Governadores dos Estados do Ceará, Sergipe, Piauí, etc.) decidirem investir em obras de irrigação, isso não beneficiaria a população nordestina? O pequeno produtor rural que não tem condições de plantar por causa dos efeitos da seca, e sobrevive com o bolsa família ou cestas básicas, nao teria condições de plantar? Neste caso, as obras públicas não estariam dando condição para a população nordestina trabalhar e produzir e sobreviver sem depender de bolsas do governo?
Ótimo artigo, acabei de ver isso sobre Detroit:exame.abril.com.br/mundo/noticias/o-que-detroit-poderia-vender-para-sair-da-falencia#1 “o que Detroit pode vender para pagar a dívida”
mais uma prova que o estado é um péssimo empresário, Detroit pode ter que vender parques, museos, zoológicos e até privatizar o sitema de esgoto. Que maravilha se acontecer. Que venham mais falências de cidades!
Sem querer desviar o foco do brilhante artigo, mas já desviando, surgiu uma duvida enquanto eu o lia. Como um maior déficit público afeta a inflação? Teria somente uma relação indireta com o fato do banco central poder comprar os titulos dos bancos privados, podem estes expandir suas bases monetárias?
Alguém poderia me responder ou indicar um artigo? Muito obrigado e parabéns a todos do Instituto Ludwig Von Mises Brasil.
Os gastos estatais estão presentes em um patamar moral acima dos privados. Dado que são legitimados pelo estado democrático de direito e que por tal motivo são feitos em nome do bem maior, não há qualquer motivo(Sejam eles inflação, endividamento governamental ou “excesso” de impostos sobre a população) válido para que sejam reduzidos. São a injeção do bem necessária na economia e o no social.
O texto entra como uma luva no pensamento de classe burguês. A crença de que as contas privadas são mais importantes que aquelas feitas por uma instituição que detém o monopólio do bem coletivo não poderia ser mais fantasiosa.
Sinto muito se vós, senhores da classe média, não poderão comprar mais comprar um iate, um jatinho e empregar seus cativos negros este ano novamente; é que a gente está tentando melhorar o Brasil.
Me ajudem por favor: Leio varias noticias de que o dinheiro investido na copa, mobilidade etc. tem um retorno, fala-se mais ou menos assim: X dolar investido retorna 3x, 4x… Tudo dito por economistas que tem PhD etc, nao sou economista, mas respeito( por enquanto) o que eles dizem, o que ha de errado? Por que ha esse desencontro tao grande entre diferentes conclusoes para uma disciplina que se considera uma ciencia, se a E.A explica tambem os fenomenos economicos por que ela nao eh adota por nossos “lideres” para uma melhor organizacao da sociedade?
Gostaria muito de ver o debate entre dois economistas de escolas diferentes tratando do mesmo assunto, economistas capitalistas, por exemplo sobre essa assunto de obras publicas!
Sobre os investimentos públicos que tenham por objetivo o bem comum, benefício para todos, etc etc, gostaria de saber o que pensam sobre a industria farmaceutica.
Há um interessante entrevista com Richard J. Roberts que trabalhou muitos anos para esta industria sobre o desinteresse em fazer medicamentos eficientes que curem definitivamente as doenças, já que isso afetaria a lucratividade das empresas a longo prazo. O argumento tem força, gostaria de obter contra-argumentos.
Segue o link da entrevista: http://www.esquerda.net/artigo/farmac%C3%AAuticas-bloqueiam-medicamentos-que-curam-porque-n%C3%A3o-s%C3%A3o-rent%C3%A1veis
Excelente artigo. Caiu bem nesse contexto do propinoduto tucano.
Excelente texto e livro mais excelente ainda! É perfeito pra indicar a quem é leigo em Economia.
Outro dia conversando com meu velho pai sobre essa falácia dos gastos públicos e como eles são pejudiciais, ele responde:
“Sim filho, vc tem razão. Mas sabendo que o governo daqui já rouba essa montanha de dinheiro de nós, o menor mal que fazem é usá-lo em algo que melhora a vida do povo, caso contrário eles (os politicos) embolsariam todo o dinheiro. É como dizia o Maluf, roubei mas fiz.”
Tá certo que é imoral o governo sugar tanto recurso de nós (os produtores). Mas DADO que isso já existe, não seria uma “contenção de danos” ele retornar pelo menos a maior parte possível ao povo?
O texto pode ser melhorado respondendo a seguinte questão:
Mas e se os recursos retirados via imposto da sociedade, digamos de um setor capital-intensivo, e foi aplicado em um setor trabalho-intensivo? Certamente haverá mais empregos no instante da execução da obra política. Essa questão não foi respondida pelo texto é é importante.
Mostrada logo no começo a Ponte Rio-Niterói, se paga e com folga, todos os anos, apenas na economia de combustível que proporciona.
Enquanto isto, mais de 60% do gasto público no Brasil é feito para manter a ciranda financeira.
Queria perguntar ao Leandro quando se trata de grandes obras,mega-engenharia a China é campeã em muitas coisas. veja os exemplos:gigantesdomundo.blogspot.com.br/2013/05/os-10-maiores-aeroportos-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/05/as-10-maiores-pontes-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2012/11/as-10-maiores-redes-de-metro-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/10/as-10-maiores-pontes-suspensas-do-mundo.html
gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/12/o-maior-porto-do-mundo.html
Será que com todo estes gastos nestas imensas obras ao invés de ir para frente, a China pode mesmo é estar caminhando para trás ? Pode o pais parar de crescer economicamente por causa dos imensos gastos em mega-obras ?
Leandro ! Todo mundo pensa que a China cresce muito por estar fazendo estas super obras.
Qual sua opinião.
Não poderia deixar de indicar a palestra do Gabriel Calzada Alvares no Fórum da Liberdade que tem tudo a ver com o texto do Hazlitt. (inicia aos 45 minutos.)
O governo atendendo a demanda de determinado lugar faz um projeto, avalia riscos e orça o quanto vai gastar(tudo isso se o governo der valor ao dinheiro público). Assim, se dá o início da obra, com os operários chamarizes, essa obra vai demandar a compra de materiais, que serão comprados, isso irá garantir o emprego não só dos funcionários da ponte como também das fábricas fornecedoras de materiais. O dinheiro “gasto” nessa ponte vai beneficiar, por exemplo, uma determinada região, claro, em detrimento de outra, no entanto, o usuário dessa ponte, contribuinte também, vai poder se locomover com mais rapidez pela cidade, chegará mais cedo no trabalho, ainda vai estar mais descansado, pois, com o tempo a menos gasto no transito o usuário da ponte, contribuinte e funcionário de uma empresa, vai ter a oportunidade de dormir um pouco mais, tudo isso graças a uma ponte construída com seus impostos, além dele muitos outros usuários vão ter uma melhora na sua qualidade de vida, resultando em maior eficiência no trabalho, isso significa lucro, dinheiro para a empresa pode investir.
O dinheiro gasto pelo governo em determinado lugar, poderia muito bem ser em outro, que também beneficiária muitas outras pessoas e provavelmente muitas outras empresas, essas veriam os impostos pagos sendo revertidos em lucros. Por tanto, uma obra pública tem uma importância que vai além do que vemos, é generalização acreditar que não trás resultados para o longo prazo; não isento o governo de ter compromisso com o dinheiro público e de gastar esse recurso com eficiência e comprometimento(isso não vem ocorrendo no momento), ao em vez de gastar grandes somas em lugares melhor estruturados onde a concentração de pessoas é maior – consequentemente com mais eleitores vendo a execução da obra -, redirecionar também para outros mais pobres de menor concentração populacional, não vai trazer os impostos pagos que poderiam ser revertidos em outras coisas mas pode trazer a sensação que o nosso imposto está sendo usado de forma “correta”.
Alguém aqui que defende as obras públicas terminou de ler o Economia numa Única Lição?
Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego particular. Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando. Esta imagem real faz com que o argumento do governo — gerar empregos — se torne vívido, tangível e, muito provavelmente, convincente para a maioria das pessoas.
Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $10 milhões tirados dos contribuintes. Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos técnicos de rádio, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.
Não interessam os “benefícios” trazidos pela obra. O governo não produz nada. Ele, em algum momento, precisou retirar de quem produz para ele mesmo “produzir”. Como o Hazlitt disse, na melhor hipótese ocorreu uma transferência de empregos.
Vejamos:
O governo atendendo a demanda de determinado lugar faz um projeto, avalia riscos e orça o quanto vai gastar
Se esse lugar tem uma demanda, porque o setor privado não pode atender?
O dinheiro gasto pelo governo em determinado lugar, poderia muito bem ser em outro, que também beneficiária muitas outras pessoas e provavelmente muitas outras empresas, essas veriam os impostos pagos sendo revertidos em lucros. Por tanto, uma obra pública tem uma importância que vai além do que vemos, é generalização acreditar que não trás resultados para o longo prazo;
Lucros? Ou seja, o gasto público pode ser revertido em lucros. Essa teoria é constantemente combatida aqui no IMB e no livro a que me referi acima. O livro em especial diz que a maior falácia da Economia é prestar atenção nos efeitos de uma medida sobre um determinado grupo e no curto prazo. Como todos já disseram, é claro que a região que recebeu a obra (assim como qualquer grupo que recebe dinheiro) é beneficiada, mas temo que avaliar não apenas os efeitos sobre essa região/grupo. Será que esse tipo de gasto beneficiou a todos? Será que ele, no final, aumentou a produção líquida da nação (aumentando a riqueza nacional)?
Voltemos ao autor do artigo:
Interessa-me apenas apontar o erro em dois dos argumentos mais frequentemente apresentados a favor desse tipo de construção. Um, é o de que ela “gera empregos”; o outro, o de que ela cria riquezas que, sem estas obras, não teriam sido produzidas. Ambos os argumentos são falsos, uma vez que não levam em consideração o que se perde pela tributação. A tributação para a construção de moradias, com fundos públicos, destrói tantos empregos em outras atividades quanto cria na de construção.
A obra pública não “criou” NENHUMA riqueza, nenhum emprego. Ela, no máximo, transferiu empregos e riquezas de uma região (ou grupo) para outra(o). Nada foi criado.
Agora você pode se perguntar, assim como eu me perguntei: mas se no final fica tudo no 0x0 e só houve uma transferência, pelo menos a obra pública não empobreceu ninguém, não resultou em mal nenhum. Será?
Se realmente houvesse demanda daquela obra pública, o setor privado a atenderia. Por que ele não faria isso? Ele iria lucrar atendendo àquela demanda. Isso ALÉM de prover a região com a infra-estrutura. A vantagem do setor privado atender a essa demanda é que, em primeiro lugar, ele não precisou tomar (eu prefiro dizer roubar) dinheiro de alguma região/grupo para construir o empreendimento. Em segundo, ele tem todos os INCENTIVOS para ser cuidadoso, eficiente: o mecanismo de lucros e perdas. Ele sabe que se errar em sua estimativa de demanda, será penalizado e pode até quebrar. Agora quais são os incentivos do governo? Mesmo que acreditassemos na difícil possibilidade do Estado querer ser eficiente e atender às demandas, isso não tem como ocorrer na realidade pois não há um sistema de recompensa/punição sobre ele. Não tem como.
Veja o caso das hidrelétricas. Itaipu parece uma obra dos deuses, indispensável. Mas não cansamos de saber que centenas de hidrelétricas menores seriam mais eficientes que construir um dinossauro daqueles. E ainda faria bem ao meio ambiente. O mercado, de maneira “invisível” já havia pensado nisso, mas os governantes, mesmo contando com os melhores cérebros (?) não.
Então, além de no melhor caso ser apenas uma transferência de renda/empregos, na realidade as obras públicas acabam sendo um show de desperdício de recursos escassos, atendendo demandas inexistentes/insuficientes, consumindo recursos que seriam usados de maneira mais produtiva pelo setor privado. Ao impedir o setor privado desses recursos, riquezas deixaram de ser criadas do modo mais eficiente, e “riquezas” foram criadas de maneira ineficiente (se é que isso é possível). No final, no longo prazo, todos acabaram mais pobres porque menos bens foram produzidos, graças aos recursos confiscados para as obras públicas.
Não se preoculpem. Nada pode ficar tão ruim que não possa piorar.
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1497758
No caso, posso concluir que os gastos públicos são um jogo de soma zero, vez que sempre para um lado ganhar (moradia subsidiada, empréstimo do BNDES, reforma agrária, etc.) outro lado deve perder (os demais cidadãos de cujos bolsos foram expropriados o dinheiro gasto nas benesses estatais. Correto?