Um momento significativo da atual
corrida presidencial norte-americana ocorreu recentemente quando Barack Obama
disse: “Se você tem um empreendimento, não foi você quem o construiu. Foi outra pessoa quem o possibilitou.” Ele justificou este seu ato de elevar
burocratas acima de empreendedores referindo-se também a pontes e estradas,
dizendo que todas existem unicamente graças ao estado. E, no final, arrematou: “A internet não foi inventada
do nada. A pesquisa governamental criou
a internet, de modo que, só então, todas as empresas puderam ganhar dinheiro com ela.”
O governo ter criado a internet é
uma daquelas lendas urbanas que perduram até hoje. O mito é que o Pentágono criou a internet com
o intuito de poder manter operantes suas linhas de comunicação mesmo sob ataque
nuclear. A verdade, no entanto, é bem
mais interessante, e mostra como as inovações ocorrem no mercado — e mostra também
o quão difícil é criar empresas tecnológicas bem sucedidas mesmo quando o
governo sai da frente.
Para
muitos tecnólogos, a ideia da internet remonta a Vannevar Bush, conselheiro
da presidência dos EUA para assuntos tecnológicos durante a Segunda Guerra
Mundial. Foi ele quem supervisionou o
desenvolvimento do radar e do Projeto Manhattan. Em 1946, em um artigo escrito para a revista The Atlantic chamado “As We May Think”,
Bush definiu um ambicioso objetivo tecnológico para aquele vindouro período de
paz: construir o que ele chamou de “memex“, por meio do qual “formas
totalmente novas de enciclopédias surgirão, trazendo com elas uma malha de trilhas
associativas prontas para ser adicionadas ao memex e então ampliadas.”
Isso excitou imaginações e, na
década de 1960, tecnólogos já estavam tentando fazer com que redes de comunicações
fisicamente separadas fossem conectadas em uma só rede global — a “world-wide web” [rede de alcance mundial]. O governo americano estava envolvido no
projeto, modestamente, por meio da ARPA (Advanced
Research Projects Agency — Agência de Projetos de Pesquisa Avançados, agência
do Departamento de Defesa americano). A ARPA criou a ARPANET, que tinha o objetivo de interligar as bases militares e os departamentos de pesquisa do governo americano
Mas o objetivo do governo americano não era o
de manter suas comunicações durante um ataque nuclear, e tampouco a ARPA criou a
internet. O próprio Robert Taylor, que
comandou o programa ARPA na década de 1960, enviou um email para os colegas
tecnólogos em 2004 esclarecendo a questão: “A criação da ARPANET não foi
motivada por considerações sobre a guerra. A ARPANET não era uma internet. A internet é uma conexão entre duas ou mais
redes de computadores.”
Se o governo não inventou a
internet, então quem a inventou? Vinton Cerf foi o sujeito que
desenvolveu os protocolos TCP/IP, que são espinha dorsal (ou, no contexto
adequado, a rede de transporte) da internet.
E Tim Berners-Lee
merece os créditos pelos hyperlinks.
Mas o crédito completo vai para a
empresa na qual Robert Taylor trabalhou após ter saído da ARPA: a Xerox. Foi nos laboratórios da Xerox PARC, no Vale do
Silício, na década de 1970, que a Ethernet foi desenvolvida para
conectar diferentes redes de computadores. Os pesquisadores de lá, além de terem desenvolvido o
primeiro computador pessoal (o Xerox
Alto), também desenvolveram a interface gráfica do usuário, a mesma que ainda conduz a utilização
dos computadores atuais.
De
acordo com um livro sobre a Xerox PARC, “Dealers
of Lightning“, de Michael Hiltzik, os pesquisadores perceberam que não
poderiam ficar eternamente esperando o dia em que o governo finalmente decidiria
conectar as diferentes redes. Logo, eles
resolveram fazer tudo por conta própria. “Nós temos um problema mais imediato do que
eles”, disse Robert Metcalfe ao seu colega John Shoch em 1973. “Nós temos mais redes do que eles.” Mais tarde, o Sr. Shoch contaria que os
funcionários da ARPA “estavam trabalhando com financiamento do governo e com
contratos com universidades. Eles tinham
de lidar com burocratas que estavam supervisionando o contrato… e com todo
aquele comportamento lento e lúgubre típico dessa gente.”
Mas então, tendo criado a
internet, por que a Xerox não se tornou a maior empresa do mundo? A resposta explica a discrepância que há entre
uma visão empreendedorial pautada pelo estado e como as inovações realmente
ocorrem.
Os executivos da matriz da Xerox na
cidade de Rochester, estado de Nova York, estavam concentrados em vender
copiadoras. Do ponto de vista deles, a
Ethernet era importante apenas para que pessoas em um escritório pudessem
conectar seus computadores para compartilhar uma copiadora. Foi então que, em 1979, Steve Jobs negociou um
acordo pelo qual o departamento de capital de risco da Xerox investiu US$1
milhão na Apple, com o requisito de que Jobs fosse completamente informado
sobre todas as inovações da Xerox PARC. “Eles não faziam a menor ideia do que possuíam”,
Jobs diria mais tarde, após lançar seus extremamente lucrativos computadores
Apple, nos quais ele utilizou os conceitos desenvolvidos pela Xerox.
O ramo de copiadoras da Xerox se
manteve lucrativo por décadas, mas a empresa, no final, vivenciou anos de prejuízos
gerados pela revolução digital. Os administradores
da Xerox podem se consolar com o fato de que é raro uma empresa conseguir fazer
a transição de uma era tecnológica para outra.
Quanto
ao papel do governo no processo, a internet foi completamente privatizada em
1995, quando uma fatia da rede que ainda estava sob o controle pela National Science
Foundation (Fundação
Nacional da Ciência) foi abolida — imediatamente quando a internet
comercial começou a crescer. O blogueiro
Brian Carnell escreveu em 1999: “A internet, de fato, reafirma aquela crítica
básica feita pelos defensores do livre mercado ao governo. Por 30 anos, o governo deteve um protocolo
imensamente poderoso de transferência de informações, o TCP/IP, mas ele ficou
mofando sem ser utilizado. . . . Em
menos de uma década, empresas privadas assumiram o controle deste protocolo e
criaram umas das mais importantes revoluções tecnológicas do milênio.”
É importante entender a história
da internet porque ela é, com muita frequência, citada enganosamente como
exemplo e como justificativa para se ter um governo grande. É importante também reconhecer que construir
grandes empresas de tecnologia é algo que requer, além de inovações, a habilidade para
saber levar estas inovações ao mercado. Como
nos mostrou o contraste entre a Xerox e a Apple, são poucos os empreendedores
que obtêm sucesso nesse desafio. Aquele
que conseguem merecem o crédito por fazer isso acontecer — e não o governo.

Gostei de ler esse artigo. De fato, socialistas adoram dizer que a internet é criação total do estado, quando eu a vejo como um dos melhores exemplos da organização espontânea do livre mercado.
Só uma nota: não confundam Ethernet com Internet. O que define internet é o IP – Internet Protocol. O Ethernet, via de regra, nem precisaria existir para existir internet. Tampouco é ele que “conecta diferentes redes de computadores”, como diz o artigo. É o IP que faz isso. O Ethernet conecta computadores de maneira direta, numa rede local (LAN).
Não estou com isso querendo dizer que sem o financiamento estatal a internet não teria sido criada, pelo contrário. A própria necessidade da Xerox seria suficiente para criar algo equivalente ao IP se esse não estivesse lá, disponível e “abandonado” pelos seus criadores estatais. Óbvio que, já existindo o protocolo, eles seriam idiotas de reinventar a roda.
“Se você tem um empreendimento, não foi você quem o construiu. Foi outra pessoa quem o possibilitou.”
Leandro, qual a refutação desta asneira de uma perspectiva de individualismo metodológico? Como revogar esta mentira?
Olá a todos, só umas observações:
Ethernet é um padrão para camada física e de ligação entre computadores. Não pode interligar duas redes, mas é utilizada para interligar vários computadores em uma única rede interna. Não serve para interligação entre redes distintas e muito menos em áreas amplas.
A coisa boa que a Xerox efetivamente fez para as redes foi deixar o seu protocolo Ethernet (nome comercial do seu protocolo para Local Area Networks – LANs – Redes de Área Local) aberto e permitir que o IEEE o padronizasse sob número 802.3, o que permitiu que diversos fabricantes pudessem criar equipamentos capazes de suportar tal protocolo. De fato, isso fez com que a mágica do livre mercado se desenvolvesse e, em pouco mais de 10 anos, os diversos protocolos para LAN (em especial Token Ring) fossem sendo esquecidos em prol do “melhor” (melhor custo/benefício, no caso, não melhor tecnicamente) e hoje praticamente domina todas as LANs. Aliás isso forçou a abertura de praticamente todos os outros padrões para LAN e mostra, mais uma vez, que as leis de patente, na verdade, estimulam a ignorância e não o desenvolvimento tecnológico!
O que fez a internet um sucesso é o protocolo IP que por sinal significa Internet Protocol (protocolo de interligação de redes). É ele um padrão de camada de rede que permite a interligação de várias redes distintas, através de um endereçamento e efetivamente de superredes, as chamdas WANs (Wide Area Network – Rede de Área Ampla).
Os protocolos TCP e UDP, por outro lado, são protocolos da camada de transporte, os quais direcionam, dentro do computador, qual programa recebe qual pacote que vem da rede, o que permite que um mesmo computador possa fazer várias coisas na rede, como ver um vídeo, mandar um e-mail, ou receber um arquivo.
HTTP, é um protocolo da camada de aplicação (para páginas na Web e hyperlinks), assim como FTP (arquivos) e EMAIL (mensagens). Este último foi uma invenção dos cientistas do CERN para poderem se comunicar mais facilmente. Só para não dizer que não falei das flores, o conjunto de protocolos que formam a infraestrutura de SOA (Web Services) foi originalmente proposto pela Microsoft, baseado em um padrão aberto, XML, e, por incrível que parece, o deixou igualmente aberto, o que permite o atual desenvolvimento do comércio eletrônico na net.
O “backbone” da Internet, nos EUA, foi baseado no backbone da ARPANET, isto é fato (no Brasil, “pra variar”, era o backbone da Embratel, ainda na época do monopólio, que interligava as universidades e órgãos do governo, chamado de RNP – Rede Nacional de Pacotes). Contudo, foi justamente a saída do governo americano e a liberação para a iniciativa privada do uso deste backbone que permitiu o desenvolvimento daquela rede no que seria futuramente a internet por lá (Por aqui também, somente com as privatizações e a quebra do monopólio da Embratel, foi possível o desenvolvimento da Internet tupiniquim).
Tudo isso, então, foi feito por diferentes pessoas, em diferentes lugares do mundo, em épocas bem diferentes e por motivos bem distintos (ninguém teve a intenção de criar a internet como ela é hoje). Essa coisa de cada um puxar a brasa para sua sardinha, como o governo britânico fez na abertura das Olimpíadas de Londres 2012, é antiga, mas completamente fora dos fatos.
Então, a Internet não tem efetivamente um criador. Poderíamos dizer que é uma invenção conjunta, nascida e desenvolvida pela inteligência e empreendedorismo de vários, porque cada qual contribuiu de um jeito ou de outro. Inclusive governos ajudaram (ou atrapalharam menos, por exemplo, deixando a internet nascente não sujeita às leis de patente) na empreitada.
Na minha visão, sem a saída do governo americano do campo da internet (na sua base de financiamento e desenvolvimento) seria muito improvável termos essa superrede tão dinâmica que temos hoje.
Para mim a Internet é uma espécie de sistema telefônico global, com custos cada vez mais baixos, mais serviços e cada vez melhores, principalmente graças a dinâmica empreendedora que existe intrinsecamente nela.
E, para a alegria dos anarcocapitalistas, a Internet é uma prova viva que as sociedades humanas podem ser criadas e desenvolvidas sem absolutamente nenhum “controle central”, sem contudo significar a ausência de regras. Em seu uso por todas as pessoas de bem deste planeta, vemos o nascimento de uma supranação, baseada na liberdade individual e na ação do homem sobre aquela sociedade, termo este tomado aqui como agrupamento humano, sem nenhuma outra conotação mais ideológica. Resta-nos a esperança de que isso saia do virtual e seja colocado em prática no mundo “real”.
Abraços.
Até onde sei…Microsoft,Apple e Facebook começaram em uma garagem e sem ajudada nenhuma de burocratas do governo…
alias, quem mantém o governo mesmo??rsrs
Prezados Tiago e Andre, quando o texto diz que a rede de cabos Ethernet foi desenvolvida para conectar diferentes redes de computadores, o termo em inglês é “link different computer networks”, que é exatamente o mesmo sentido físico do qual vocês estão falando. Portanto, não creio proceder a afirmação suas de que houve erro neste trecho.
De resto, sobre a rede de infraestrutura criado pelo governo americano, é válido especular, mas não sem levar em conta a realidade da época: dado que era apenas o governo quem mexia com a interligação entre computadores, é um tanto óbvio que seria ele quem iria majoritariamente criar a infraestrutura para tal — da mesma maneira que, dado que é o governo quem exclusivamente mexe com máquinas de guerra, é ele quem manda fabricar porta-aviões e outras bases, e não o mercado.
Abraços!
Vale lembrar que Tim Berners-Lee criou a Web no CERN com o objetivo de facilitar o compartilhamento de informações entre os pesquisadores. Inovações também ocorrem em empreendimentos científicos (nesse caso, de ciência básica) cujo objetivo final não é o lucro.
Leandro, é possível saber (aproximado) quanto seria a renda de um trabalhador caso não houvesse governo?
Descobrir ser esse um argumento muito forte pra pescar algumas pessoas (é pelo bolso que se pesca gente).
Uso o exemplo de 1.000,00 R$ registrado e chuto umas 3 vezes mais, sem impostos e as ineficiências do mercado geradas pelo governo.
Acho que o foco do artigo deveria ser outro, pois realmente não há como negar que foi a ARPANET do Departamento de Defesa americano a precursora da Internet e de seus protocolos que a torna possivel.
O foco deveria ser em quem tornou isso disponivel para o publico, como o progresso da internet foi evidente justamente após a iniciativa privada entrar com tudo e também em como a internet é a prova de que um planejamento centralizado não é necessário para nada. Afinal, pelo menos até hoje, nada tão descentralizado e “caótico” como a internet, onde qualquer um pode faz inumeras coisas sem dar satisfação para ninguém (por enquanto) e mesmo assim, vemos o surgimento de uma ordem nesse caos aparente.
Além disso, se o objetivo principal era o de refutar aquela merda que o Obama disse, não precisava ir muito longe. Bastava perguntar a ele de onde vieram os recursos que o governo dispunha para investir na ARPANET (e nas estradas e pontes que ele tanto se orgulha). Afinal, não sei se o Sr. Presidente sabe, mas tudo que o governo possui é graças a impostos, ou seja, a riqueza espoliada da iniciativa privada. Não fosse a livre iniciativa para criar riqueza, não haveria o que tributar, logo não haveria projeto estatal para nada.
Daqui a pouco Obama vai falar que foi o governo que possibilitou a invenção e utilização da roda…
O artigo é muito bom. E de forma genérica nos faz pensar em toda e quaisquer inovações que surgem dia-após-dia, sejam tecnológicas ou de outra natureza. Alguns países converte o trabalho de suas instituições em proveito próprio e assim prosperam e geram felicidade para os seu cidadãos.
A distribuição de renda ocorre de forma clara no reconhecimento do mérito de cada trabalho. Em alguns lugares isso simplesmente não ocorre. Por que? As inovações não tem seu valor? Quando Thomas Edison inventou o telégrafo deu um passo adiante para o mundo que construímos hoje de dentro de nossas casas, lares e trabalho. Ninguém pensaria isso naquele tempo. De qualquer forma, indo para o que interessa, Thomas Edson recebeu uma remuneração por isso, o telégrafo foi vendido a dois empresários e teve sua aplicação direta no mundo dos negócios da bolsa de Chicago e Nova York. A internet hoje é o telégrafo de amanhá. No entanto, fico imaginando se Thomas ou Jobs não recebessem a remuneração ou reconhecimento por aqueles que compraram suas idéias. Muito dos inventos e facilidades que temos hoje, não existiriam – eles não teriam o que comer!.
Isso mostra que a remuneração desses trabalhadores, do seu intelecto e capital humano investido ao longo de suas vidas e formação foram remunerados. Isso me leva a pensar que economias podem ser ditas eficientes não só porque distrubem melhor a renda, mas porque remuneram adequadamente seus fatores de produção, seja qual for sua forma de emprego.
O interessante é que futuramente com o advento dos satélites domésticos teremos uma rede totalmente descentralizada, caso o governo tente controlar uma ou outra rede, sempre haverá uma “confiavél”.
http://www.open-mesh.org/projects/open-mesh/wiki/BATMANConcept
http://www.open-mesh.org/projects/open-mesh/wiki/Routing_scenarios
Esse Obama é muito cara de pau…
E parabéns ao IMB por desmistificar mais essa!
O que falta dizer de tudo isto é que todo o dinheiro que o governo tem, não foi produzido pelo governo, mas é produto de impostos. O governo não faz nada sem que antes tirar dinheiro em forma de impostos dos cidadãos. O Presidente obama e sua mulher só entende de marxismo. Nada entende de mercadoria de mercado é um verdadeiro picareta na presidencia. Leiam o que ele disse sobre o mercado:An Audacious Promise: The Moral Case for Capitalism: se puderem leiam:
James R. Otteson
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PODCAST
James Otteson and Howard Husock, vice president for policy research at the Manhattan Institute, discuss the moral case for capitalism.
"The market will take care of everything," they tell us…. But here's the problem: it doesn't work. It has never worked. It didn't work when it was tried in the decade before the Great Depression. It's not what led to the incredible postwar booms of the '50s and '60s. And it didn't work when we tried it during the last decade. I mean, understand, it's not as if we haven't tried this theory.
—President Barack Obama, Osawatomie, Kansas, December 6, 2011
Milton Friedman once said that every time capitalism has been tried, it has succeeded; whereas every time socialism has been tried, it has failed. Yet President Obama has oddly claimed that we've tried free-market capitalism, and it "has never worked." This is rather remarkable. Since 1800, the world's population has increased sixfold; yet despite this enormous increase, real income per person has increased approximately 16-fold. That is a truly amazing achievement. In America, the increase is even more dramatic: in 1800, the total population in America was 5.3 million, life expectancy was 39, and the real gross domestic product per capita was $1,343 (in 2010 dollars); in 2011, our population was 308 million, our life expectancy was 78, and our GDP per capita was $48,800. Thus even while the population increased 58-fold, our life expectancy doubled, and our GDP per capita increased almost 36-fold. Such growth is unprecedented in the history of humankind. Considering that worldwide per-capita real income for the previous 99.9 percent of human existence averaged consistently around $1 per day, that is extraordinary.
What explains it? It would seem that it is due principally to the complex of institutions usually included under the term "capitalism," since the main thing that changed between 200 years ago and the previous 100,000 years of human history was the introduction and embrace of so-called capitalist institutions—particularly, private property and markets. One central promise of capitalism has been that it will lead to increasing material prosperity. It seems fair to say that this promise, at least, has been fulfilled beyond anyone's wildest imagination. Yet people remain suspicious of capitalism—and more than just suspicious: as the Occupy Wall Street movement is only the latest to have shown, we seem ready to indict capitalism for many of our social problems. Why?
A widespread consensus is that capitalism might be necessary to deliver the goods but fails to meet moral muster. By contrast, socialism, while perhaps not practical, is morally superior—if only we could live up to its ideals. Two main charges are typically marshaled against capitalism: it generates inequality by allowing some to become wealthier than others; and it threatens social solidarity by allowing individuals some priority over their communities. Other objections include: it encourages selfishness or greed; it "atomizes" individuals or "alienates" (Marx's term) people from one another; it exploits natural resources or despoils nature; it impoverishes third-world countries; and it dehumanizes people because the continual search for profit reduces everything, including human beings, to odious dollar-and-cent calculations.
The list of charges against capitalism is long. But some of the charges are not as strong as might be supposed. Take community. Capitalism gives us incentives to trade and associate with people outside our local community, even complete strangers, not on the basis of our love or care for them but out of our own—and their—self-interest. So capitalism enables people to escape the strictures of their local communities. But is that bad? Capitalism creates opportunities for people to trade, exchange, partner, associate, collaborate, cooperate, and share with—as well as learn from—people not only from next door but from around the world—even people who speak different languages, wear different clothing, eat different foods, and worship different gods. The social characteristics that in other times and under different institutions would lead to conflict—even violent, bloody conflict—become, under capitalism, irrelevant—and thus no longer cause for discord. Capitalism encourages people to see those outside their communities not as threats but as opportunities. It gives us an incentive to look beyond our narrow parochialisms and form associations that would otherwise not be possible.
Capitalism therefore does not lead to no community but rather to differently configured ones. Consider this remarkable passage from Adam Smith's 1776 The Wealth of Nations:
The woollen coat, for example, which covers the day labourer, as coarse and rough as it may appear, is the produce of the joint labour of a great multitude of workmen. The shepherd, the sorter of the wool, the wool-comber or carder, the dyer, the scribbler, the spinner, the weaver, the fuller, the dresser, with many others, must all join their different arts in order to complete even this homely production. How many merchants and carriers, besides, must have been employed in transporting the materials from some of those workmen to others who often live in a very distant part of the country! How much commerce and navigation in particular, how many ship-builders, sailors, sail-makers, rope-makers, must have been employed in order to bring together the different drugs made use of by the dyer, which often come from the remotest corners of the world! What a variety of labour too is necessary in order to produce the tools of the meanest of those workmen!… [I]f we examine, I say, all these things, and consider what a variety of labour is employed about each of them, we shall be sensible that without the assistance and cooperation of many thousands, the very meanest person in a civilized country could not be provided, even according to, what we very falsely imagine, the easy and simple manner in which he is commonly accommodated.
This is a celebration for Smith. It represents not the total independence demanded by the eighteenth-century French philosopher Jean-Jacques Rousseau, who envisioned a kind of solitary orangutan-like existence as the ideal for humans; but neither is it the atomism that some critics of capitalism claim. It contemplates a set of social institutions that allows us to transcend the confines of our small-group instincts by engaging in far-flung cooperation. If we were instead to restrict cooperation only to those exchanges that could be based on personal caring and bonds, the loss of gains from forsaken trade would sharply reduce our standard of living—causing us to regress steadily to the status quo ante of human existence—namely, $1 per day. By contrast, markets allow us to "serve" one another even when we do not love one another—even when we do not know of one another's existence. That implies an extensive, deep, and pervasive interdependence—which is a real, if different kind of, community.
What about inequality? Capitalism does allow—and perhaps even requires—inequality. Because people's talents, skills, values, desires, and preferences vary and because of sheer luck, some people will be able to generate more wealth in a free-enterprise system than others will; inequality will result. But it is not clear that we should worry about that.
Consider first that the voluntary exchanges that take place in the free-enterprise system are positive-sum, not zero-sum—meaning not that one person benefits only at another's expense but rather that all parties to the transaction benefit. If you and I agree that I will complete a task for you for $100, that means that I value the $100 more than the labor and other forsaken opportunities that it costs me, and you value the completed task more than the $100 that it costs you. That we voluntarily strike this deal means that we both benefit, each according to his respective schedule of values. What capitalism proposes is to expand the frontiers of possibility for such mutually beneficial transactions so that more and more people can work together in more and more ways. This increasing cooperation means increasing benefit in new, unpredictable, and yes, unequal but nevertheless substantial, ways.
Even if we do not all get rich at the same rate, we all still get richer. To see the importance of this point, ask yourself: If you could solve only one social ill—either inequality or poverty—which would it be? Or suppose that the only way to address poverty would be to allow inequality: Would you allow it? This seems a no-brainer: poverty is a far larger factor in human misery than is inequality. If we could have steadily fewer people suffering from grinding poverty, is that not something to wish for, even if it comes with inequality? This appears to be the position in which we find ourselves. The only way we have discovered to raise people out of poverty is the institutions of capitalism, and those institutions allow inequality. Keeping people in poverty seems too high a price to pay in the service of equality. One is tempted to say that only a person who has never experienced poverty could think differently.
Consider that allowing these inequalities actually reflects a respect for individual dignity. In a famous passage in The Wealth of Nations, Smith writes: "It is not from the benevolence of the butcher, the brewer, or the baker, that we expect our dinner, but from their regard to their own interest. We address ourselves, not to their humanity but to their self-love, and never talk to them of our own necessities but of their own advantages." Some read that and hear selfishness. But Smith saw in the dynamics of such exchanges not selfishness but respect. Perhaps that sounds counterintuitive, but consider the assumptions in such negotiations. Each person is saying to the other: "I understand that your life is yours to lead, and rather than trying to trump your schedule of values with mine, I will respect and recognize your schedule. Thus I do not second-guess or question you; instead, I propose that we meet each other as peers and cooperate." That is a surprisingly profound way to respect others. Consider, by contrast, the assumptions when we want to prevent others from mutually voluntary cooperation: "We do not believe that you are competent to lead your own life, so we shall do it for you." That may be a proper way to treat children or the mentally infirm, but it is a demeaning and disgraceful way to treat adults—and unacceptable for a free people.
Smith wrote: "Little else is requisite to carry a state to the highest degree of opulence from the lowest barbarism but peace, easy taxes, and a tolerable administration of justice: all the rest being brought about by the natural course of things. All governments which thwart this natural course, which force things into another channel, or which endeavour to arrest the progress of society at a particular point, are unnatural, and to support themselves are obliged to be oppressive and tyrannical."
There is a profound naturalness to, as Smith called it, the "obvious and simple system of natural liberty" that he contemplated. Once we get a "tolerable administration of justice" and are protected from international and domestic aggression, and once a scant few public services (roads, canals, elementary education) are put into place, stand back: the "invisible hand"—motivated by people's desire to better their own condition and guided by the freedom to exploit their local knowledge as well as the responsibility of facing the consequences of their decisions—will generate prosperity, leading, according to Smith, to "general plenty" and "universal opulence." That was an audacious promise, and the fact that it seems to have been fulfilled in those places in the world that have enjoyed Smithian institutions over the last two centuries is a remarkable vindication of Smith's model—not to mention a tremendous benefit for those fortunate enough to live in those places.
Capitalism's success at its stated goals has been so enormous and unprecedented that we might easily think that that is all that can be said on its behalf. Rescuing hundreds of millions of people from grinding poverty is, however, nothing to sneeze at—and nothing to take for granted. The rest of human history has shown us just how nasty, poor, and brutish the default for human life is; even the twentieth century—that age of democratic enlightenment—has vividly demonstrated how quickly civilization can turn to barbarism. Peace, the rule of law, and steadily rising standards of living are the exception, not the rule, and the institutions that uphold them are fragile and require constant maintenance and nurturing.
But capitalism is part of a larger set of social institutions that has another justification for itself than increasing material prosperity, as important as that is. And that is its presumption of the dignity and preciousness of each individual and the respect that that demands. Capitalism assumes that each of us is a free moral agent, capable of leading his own life, of holding his head up, not begging leave or permission before he acts, not subject to correction from his superiors: a citizen, not a subject. Capitalism does not suppose that we are infallible; on the contrary, it is because no one is infallible that capitalism denies any of us absolute authority over others' lives. It assumes only that as free moral agents, each of us has authority over himself and that each of us is sovereign over his own life.
Capitalism, moreover, does not suppose that we are atoms, isolated from and unconnected to others. As Adam Smith wrote: "In civilized society [man] stands at all times in need of the cooperation and assistance of great multitudes"; and "man has almost constant occasion for the help of his brethren." Yet Smith also wrote that man's "whole life is scarce sufficient to gain the friendship of a few persons." We cannot depend, therefore, on personal bonds of love, care, or friendship and still expect to live above subsistence levels.
What the free-enterprise system—Smith's "obvious and simple system of natural liberty"—proposes, then, is the adoption of those political and economic institutions that manage to combine not one but two great moral imperatives: allowing people the opportunity to rise from the impoverished existence that seems to be humanity's miserable, if equal, status quo; and respecting people as the irreplaceable and precious individuals that they are. That is a sublime conjunction of material prosperity and moral agency, the likes of which no other system of political economy has ever contemplated, let alone achieved.
Capitalism is not perfect. But no system created by human beings is, or ever will be, perfect. The most we can hope for is continuing gradual improvement. To this end, we must honestly examine the prospects of the available systems of political economy. The benefits of the free-enterprise society are enormous and unprecedented; they have meant the difference between life and death for hundreds of millions of people and have afforded a dignity to populations that are otherwise forgotten. We should wish to extend these benefits rather than to curtail them.
It would be all too easy for us, among the wealthiest people who have ever lived, in one of the richest places on earth, to disdain the institutions that have enabled us to escape the strictures of poverty and disrespect that have plagued humanity for the vast majority of its existence. Our crime today, however, would lie not in our inequalities but rather in our refusal to uphold the institutions that give humanity the only hope it has ever known of rising out of its natural state of destitution. The great and precious blessings of freedom and prosperity that we Americans have enjoyed, and that some, but not enough, others around the world have also experienced, deserve nothing less.
James R. Otteson is joint professor of philosophy and economics, and chair of the Philosophy Department, at Yeshiva University in New York. dam Herzog
Começo
A ARPANET funcionava através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes, que é um sistema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as informações são divididas em pequenos pacotes, que por sua vez contém trecho dos dados, o endereço do destinatário e informações que permitiam a remontagem da mensagem original. O ataque inimigo nunca aconteceu, mas o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabia era que dava início ao maior fenômeno midiático do século 20′, único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.
Em 29 de Outubro de 1969 ocorreu a transmissão do que pode ser considerado o primeiro E-mail da história.1 O texto desse primeiro e-mail seria “LOGIN”, conforme desejava o Professor Leonard Kleinrock da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), mas o computador no Stanford Research Institute, que recebia a mensagem, parou de funcionar após receber a letra “O”.
Já na década de 1970, a tensão entre URSS e EUA diminui. As duas potências entram definitivamente naquilo em que a história se encarregou de chamar de Coexistência Pacífica. Não havendo mais a iminência de um ataque imediato, o governo dos EUA permitiu que pesquisadores que desenvolvessem, nas suas respectivas universidades, estudos na área de defesa pudessem também entrar na ARPANET. Com isso, a ARPANET começou a ter dificuldades em administrar todo este sistema, devido ao grande e crescente número de localidades universitárias contidas nela.
Dividiu-se então este sistema em dois grupos, a MILNET, que possuía as localidades militares e a nova ARPANET, que possuía as localidades não militares. O desenvolvimento da rede, nesse ambiente mais livre, pôde então acontecer. Não só os pesquisadores como também os alunos e os amigos dos alunos, tiveram acesso aos estudos já empreendidos e somaram esforços para aperfeiçoá-los. Houve uma época nos Estados Unidos em que sequer se cogitava a possibilidade de comprar computadores prontos, já que a diversão estava em montá-los.
A mesma lógica se deu com a Internet. Jovens da contracultura, ideologicamente engajados em uma utopia de difusão da informação, contribuíram decisivamente para a formação da Internet como hoje é conhecida. A tal ponto que o sociólogo espanhol e estudioso da rede Manuel Castells afirmou no livro A Galáxia da Internet (2003) que A Internet é, acima de tudo, uma criação cultural.
Um sistema técnico denominado Protocolo de Internet (Internet Protocol) permitia que o tráfego de informações fosse encaminhado de uma rede para outra. Todas as redes conectadas pelo endereço IP na Internet comunicam-se para que todas possam trocar mensagens. Através da National Science Foundation, o governo norte-americano investiu na criação de backbones (que significa espinha dorsal, em português), que são poderosos computadores conectados por linhas que tem a capacidade de dar vazão a grandes fluxos de dados, como canais de fibra óptica, elos de satélite e elos de transmissão por rádio. Além desses backbones, existem os criados por empresas particulares. A elas são conectadas redes menores, de forma mais ou menos anárquica. É basicamente isto que consiste a Internet, que não tem um dono específico.
O cientista Tim Berners-Lee, do CERN, criou a World Wide Web em 1992.
A empresa norte-americana Netscape criou o protocolo HTTPS (HyperText Transfer Protocol Secure), possibilitando o envio de dados criptografados para transações comercias pela internet.
Por fim, vale destacar que já em 1992, o então senador Al Gore, já falava na Superhighway of Information. Essa “super-estrada da informação” tinha como unidade básica de funcionamento a troca, compartilhamento e fluxo contínuo de informações pelos quatro cantos do mundo através de uma rede mundial, a Internet. O que se pode notar é que o interesse mundial aliado ao interesse comercial, que evidentemente observava o potencial financeiro e rentável daquela “novidade”, proporcionou o boom (explosão) e a popularização da Internet na década de 1990. Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam conectadas à rede. Segundo a Internet World Estatistics, em junho de 2007 este número se aproxima de 1 bilhão e 234 milhões de usuários.
diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=417591
articles.latimes.com/2012/jul/23/news/la-mo-who-invented-internet-20120723
O próprio Michael Hiltzik desmentindo o Gordon.
Não sou de esquerda, minha tendencia é liberal, mas sejam mais críticos.