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A invasão das mãos vermelhas

São Paulo foi tomada de assalto por mãos vermelhas.  Em qualquer restaurante, lanchonete, padaria,
bar, supermercado, boate, loja de conveniência, vendinha etc. que se vá,
cartazes com uma mão vermelha desenhada estarão por lá — por toda parte para que
se olhe.  Mas, obviamente, não se trata
de nenhuma peça de decoração da moda que os donos desses estabelecimentos
resolveram colocar, e sim de uma nova imposição coercitiva sobre a propriedade
alheia — uma nova “lei” do estado de São Paulo obriga todos os comerciantes de
bebidas alcoólicas a afixarem estas mãozinhas em seus estabelecimentos e os
ameaça com multas pesadas e interdições caso não cumpram todas as determinações
exigidas por esta nova “lei”.

A mão vermelha tem o número -18 dentro dela e abaixo está
escrito “Álcool para menores é proibido”.  A proibição de venda de bebidas alcoólicas
para menores de 18 anos já existia, mas felizmente nunca foi imposta com rigor
e fiscalização, como promete fazer esta nova “lei”. Porém, uma imposição
efetiva deste parâmetro arbitrário não é a única novidade; o texto abaixo diz:
“É proibida a venda, oferta, fornecimento, entrega e permissão do consumo de
bebida alcoólica, ainda que gratuitamente, aos menores de 18 anos de idade.”  Isso significa que o comerciante será punido
se fiscais encontrarem menores consumindo álcool no estabelecimento dele,
mesmo se ele não tiver vendido a bebida ao menor, e mesmo se os pais do
menor tiverem dado a bebida a ele!  É o
estado assumindo a guarda do filho dos outros.

Deparei-me pela primeira vez com essa placa no restaurante
do meu clube, que foi fundado no ano de 1900 e espantosamente conseguiu
comercializar álcool sem nenhum problema por 111 anos, antes de ser atacado
pela mão vermelha.  De fato, São Paulo
começou a ser povoada pelos europeus há 420 anos, e antes deles os povos
indígenas já produziam mais de 80 tipos de bebidas alcoólicas — e, por
incrível que pareça, a civilização não entrou em colapso sem as mãos vermelhas
e as coerções contra comerciantes.

A nova “lei” já está sendo imposta no território paulista
por 500 funcionários públicos, parasitas contratados especificamente para isso,
e já está trazendo problemas para os comerciantes — em fevereiro, 79
foram multados
. Na lanchonete aqui em
frente ao Instituto Mises, as mãos estão em todo canto; contei 7 avisos em um
espaço muito pequeno.  Perguntei ao dono
por que eles colocaram tantos avisos.  Ele
me disse que o fiscal mandou deixar “visível”, senão ia levar multa.  No risco da arbitrariedade, ele espalhou por
todos os cantos da lanchonete. A “lei”
também exige que o vendedor peça o documento de todo e qualquer cliente, e não
apenas dos que “pareçam” menores de idade — “cabe ao próprio estabelecimento
comprovar aos fiscais a idade do consumidor de bebida alcoólica em suas
dependências”.  Um ridículo anúncio de TV
estrelado pela Hebe Camargo, de 83 anos, indica que todos devem mostrar o
documento estatal para comprar bebida alcoólica, não importando a aparência. E, na realidade, é isso que podemos esperar
daqui pra frente, conforme tal lei “vá pegando”.

Em países onde essa lei já é imposta eficientemente, cenas
bizarras que desafiam qualquer bom senso, são comuns.  Ano passado, na Inglaterra, uma
senhora de 92 anos
ficou chocada quando um vendedor se recusou a lhe vender
uma garrafa de uísque, pois ela não tinha como provar que era maior de 18 anos,
já que não portava seu documento estatal!  Podemos googlar milhares de histórias
como essa, mas vou contar algumas histórias pessoais para ilustrar o que nos
aguarda.

Em 2008, então com 32 anos, morei nos EUA, no estado de Massachusetts.
 Uma noite, dirigi-me a um mercadinho
para fazer compras com duas amigas cariocas, de 19 anos.  Comprei alguns alimentos e um pacote de
cerveja.  Exibi meu documento para a
caixa, mostrando que eu era maior de 21 anos, que é a estapafúrdia idade local
legal para se permitir a compra e consumo de álcool.  Só que nem assim eu pude comprar, pois ela
exigiu também o documento de minhas amigas.  Eu disse que elas eram menores de 21 anos, e
que quem estava comprando a cerveja era eu, maior.  Não teve jeito.  Larguei tudo lá e fui sozinho fazer minhas
compras em outro local.

No estado de New Hampshire, onde essa lei é imposta com ainda
mais rigor, ao ponto de o comércio de bebida alcoólica ser estatizado e
realizado por funcionários públicos, fui acompanhar um amigo que ia comprar
garrafas de bebidas para uma festa em sua casa.  Ele mostrou o documento para a caixa, só que
ela exigiu o meu documento também.  A
funcionária pública disse que apenas pelo fato de eu o estar acompanhando, eu
teria que comprovar minha idade também.  Apesar
de já ter passado por isso no caso relatado acima, eu não imaginava que
exigiriam o documento de um homem de 32 anos na cara.  Iniciou-se uma discussão.  Eu disse que quem estava comprando a bebida
era meu amigo, que eu tinha 32 anos e que não estava com nenhum documento ali.  Ela simplesmente não quis saber.  O homem de trás da fila, residente local, já
acostumado com tamanha obtusidade, sugeriu que nós largássemos tudo ali,
fossemos para a próxima loja e que eu simplesmente esperasse no carro enquanto
meu amigo comprasse a bebida.  Foi o que
fizemos.

Ainda não está assim no Brasil, mas estamos a caminho.  Nos EUA, para se entrar em qualquer casa
noturna e bar, é preciso mostrar um documento estatal que comprove a
maioridade.  No Brasil. isso nunca foi
preciso, mas algumas casas já começam a exigir.  Semana passada estive em uma balada sertaneja
e o segurança na porta estava exigindo o documento de todo mundo, não
importando a idade aparente.  Eu não
tinha nenhum documento comigo e ele disse que eu não poderia entrar.  Felizmente, aqui, por enquanto, ainda existe o
“jeitinho brasileiro” e eu entrei assinando um atestado em que eu afirmava ser
maior de 18 anos — e eu tenho 36 anos!

Neste último feriado de Corpus Christi, fui para Campos do
Jordão, cidade famosa por ser a balada de adolescentes.  As mãos vermelhas estavam por toda parte, mas
por toda parte também estavam jovens de 14, 15, 16, 17 anos consumindo bebida
alcoólica.  E sempre foi assim em Campos
do Jordão.  Era assim quando meus pais
eram menores, era assim quando eu era menor, e ainda está assim.[1]
 Todos os pais, ou ao menos a vasta
maioria deles, sabem disso. Cada um “libera” seu filho para sair, sob as
condições que acha prudente, dando ou não dinheiro a eles.  E o fato é que sendo proibido ou não, menores
de idade que quiserem, irão consumir álcool.  E quem deve lidar com isso é a família, não
o estado.

Em seu mais recente
artigo
, o economista Mark Thornton, especialista nos efeitos econômicos de
proibições, conta como menores de 21 anos nos EUA estão achando meios para
consumir álcool, recorrendo até a desinfetantes. Ele nota que:

Não é normal que adolescentes
sejam proibidos pelo governo de comprarem e consumirem álcool.  O normal é que crianças comecem a consumir bebidas
com fraca dosagem alcoólica no ambiente familiar, para que possam aprender os
limites e os perigos do álcool e os padrões aceitáveis de comportamento para
aquele ambiente. Produtos alcoólicos como a cerveja são bebidas que os humanos
consomem há milhares de anos.

É importante, principalmente para
os adolescentes, que estes produtos sejam consumidos com moderação. … A
proibição governamental rompe esta conexão familiar e diz aos adolescentes que
eles estão sozinhos nessa, e devem agir por conta própria.

Não obstante esses problemas de ordem moral e familiar, os
comerciantes agora estão nas mãos de burocratas, que possuem o poder de lhes
roubar mais de R$ 90 mil caso encontrem uma pessoa de 17 anos, 11 meses e 30
dias de idade bebendo uma cerveja no estabelecimento deles.  No extremo, podem até mesmo fechar o
negócio deles — um prato cheio para extorsões, propinas, corrupção e o uso da
força para punir empreendedores de sucesso.  Tudo isso imposto violentamente por técnicos
da Vigilância Sanitária e do Procon, com o auxílio da Polícia Militar.

Neste meio tempo, os donos de bares e restaurantes estão
sendo atacados por outros grupos armados.  São assaltantes que praticam arrastões
nestes estabelecimentos
, roubando tudo deles e de seus clientes.  Diferente do grupo da mão vermelha, esses
assaltantes não podem fechar definitivamente o negócio de suas vítimas, mas
estão causando também sérios problemas (veja aqui
e aqui
alguns exemplos).  E o pior de tudo é que
o grupo que financia e orquestra a invasão das mãos vermelhas é o mesmo que se
outorga o monopólio de proteger suas vítimas dos ataques desses outros grupos.  Ou seja, os recursos que poderiam ir para
intensificar o combate aos assaltantes estão indo para atacar ainda mais os
produtores de riquezas.  O
chefe da gangue que foi pessoalmente hostilizar e ameaçar os comerciantes no
início da lei das mãos vermelhas
, e contratou os 500 funcionários públicos
para institucionalizar essas hostilidades, além de desviar efetivos da polícia
militar para tal feito, hoje promete apenas 400 policiais a mais para combater os outros bandidos dos
arrastões.

Os avisos das mãos vermelhas dividem espaço com outros
avisos[2]
que foram impostos pouco tempo atrás, os da lei antifumo, os quais contêm o
desenho vermelho da linha imaginária que forma o território dominado pelo grupo
autointitulado Governo do Estado de São Paulo.  E, infelizmente, como foi no caso da lei
antifumo, creio que os súditos dos outros estados brasileiros já podem ir se
preparando para mais essa invasão estatal em suas vidas e propriedades.  Por aqui em São Paulo resta a dúvida:
qual será o próximo aviso que os políticos, sempre preocupados com nosso bem-estar
e com o bem-estar de nossas crianças, irão nos impor? 


[1]
No entanto, outro acontecimento mostra a direção que estamos. Um amigo de 60
anos de idade contou que o caixa de um supermercado de Campos do Jordão exigiu
o documento dele para lhe vender uma garrafa de vinho! Ele contou a história
como se fosse algo engraçado, e parece que é assim que todo totalitarismo
começa. Talvez ele só perceba que não é nada engraçado isso quando ele estiver
sem um documento e for impedido de comprar seu vinho, como ocorreu com a
senhora inglesa de 92 anos.

[2]
Já denunciei em outro texto esta farra de placas aceita submissamente pela
população, mostrando o absurdo caso das placas dos elevadores.  Veja O elevador que sobe para
baixo
.

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107 comentários em “A invasão das mãos vermelhas”

  1. Quando estive no Brasil (SP) em Março, dois bares me pediram documento na entrada. Tenho 28 anos. E o que mais me incomodou foi o fato de que eles salvaram meus dados no sistema deles, e associam ao meu RG tudo o que eu consumir ali. “Privacidade? Hein? Quiéisso?”

  2. Obviamente sou totalmente contra essa intervenção estatal nas opções dos indivíduos, mas… tem umas coisinhas estranhas no texto.

    “A proibição de venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos já existia, mas FELIZMENTE nunca foi imposta com rigor e fiscalização”
    FELIZMENTE?
    UÉ… Mas não se reclama de leis que existem, mas não são cumpridas por falta de fiscalização?

    ” Iniciou-se uma discussão.”
    Ao IMIGRANTE cabe discutir as leis do país que está visitando?

    “Nos EUA, para se entrar em qualquer casa noturna e bar, é preciso mostrar um documento estatal que comprove a maioridade. “
    E TÁ ERRADO?
    Vc acha normal moleque ir em puteiro?

    “Eu não tinha nenhum documento comigo e ele disse que eu não poderia entrar.”
    E VC QUERIA ENTRAR NA BOA SEM DOCUMENTO?

    “Felizmente, aqui, por enquanto, ainda existe o “jeitinho brasileiro”
    QUE MORAL, hein

    “território dominado pelo grupo autointitulado Governo do Estado de São Paulo.”????
    Que bobagem é essa?

    O caso da senhora inglesa, é que a sociedade inglesa é conceitual. É outra realidade isso lá.

    Concordo que é absurdo pedir docto de pessoas claramente acima de 18 anos.

    Infelizmente a população é mesmo submissa aceitando tudo que vem do governo.

  3. Luiz Otavio Fontana

    Excelente texto, Fernando.

    OBS: as pessoas não podem confundir o que a lei coercitiva pede para os estabelecimentos fazerem( como o Fernando citou claramente no texto) e o que os estabelecimentos impoem voluntariamente aos seus clientes. Ex: Em Porto Alegre existe bares que só entram maiores de 21 anos e outros que solicitam cadastros aos seus clientes, mas sem que haja coerção estatal.

  4. Andre Cavalcante

    Parabéns pelo texto, Fernando.

    Faço coro. Em Porto Alegre, praticamente todas as casas estão pedindo documento de identidade (em especial, Opinião, Av. Lima e Silva, Cidade Baixa, R$10,00 a entrada – com esse preço o moleque dá mais R$10,00 pro cara da entrada e entra do mesmo jeito).

    Apesar de proibido, depois das 9:00h da noite, menino novo entra em puteiro no centro (durante o dia tem mais fiscalização, talvez…), tranquilo.

    Abraços

  5. Olha eu acho que crianca deve ser “protegida” de si própria. Sei que parece ser um contradição libertária, mas nao consegui construir uma liberdade plena para criança. Entretanto falo de criança, moleque de quatro anos, não um marmanjo de 16 anos, por exemplo.

    Um moleque de 16 anos ja sabe fazer escolhas e arcar com as consequencias.

    Concordo, que o pirralho aborrecente deva ser iniciado, se assim quiser, nos “vicios” da vida adulta para que compreenda os beneficios e os perigos, de preferencia em um ambiente controlado. Nao consegui achar uma forma de criticar um conhecido que permitia o filho tomar uma cerveja na festa de familia.

  6. Camarada Friedman

    A lei do cigarro detonou muitos comércios na minha cidade. Agora só faltava essa… pq não colocam uma swastika no poster ?

    Artigo perfeito, Fernando!

    obs: vc foi bem jacobino com a fabiana, coitada…

  7. O Estado incompetente não fiscaliza e astutamente transfere o ônus da fiscalização para o comerciante, enquanto os fiscais aumentam suas posses com as propinas.
    Governo, mostre a sua cara: vocês não resistiram a uma fiscalização de si mesmos.

  8. O PSDB segue a agenda socialista mais ainda que o PT, que pareçe ser mais revolucionário. São paulo tá ficando impossivel de se viver, rodizio,lei da sacolinha,anti fumo, lei seca, lei pra menor, proibição de caminhão etc etc .
    Não tem 1 na grande midia pra falar contra, ao contrário sempre defendendo .

  9. Quanto às críticas a esse texto, eu sei como é. Basta falar a verdade, expôr as armas do estado, a violência legitimizada e atentar pra máfia de pretensos homens controlando a vida dos outros pela violência, que as pessoas acham ruim.
    Elas procuram negar tudo isso, e atacar quem expõe o estado dessa forma. Eu também procuro ser bastante direto quando me refiro a essa gangue, e as reações que recebo são parecidas.
    Acostumadas com a idéia de que “o governo somos nós”, ou de que pessoas atrás de um distintivo não estão cometendo crimes porque estão em uma posição intocável, e que tudo isso é feito pelo nosso próprio bem. Junta-se a livestockholm syndrome de acharem que é o mestre estado que lhes provê o necessário pra viver com a sensação de que os outros devem ser também tratados como livestock. Uma ameaça contra o mestre é entendida como uma ameaça a sua própria vida, e o indivíduo estatizado não suporta a idéia de que outras pessoas queiram viver sem as ordens que ela pede pra si e quer dar aos outros.

    O que o texto faz é usar uma linguagem muito clara sobre a realidade, sem misticismos de “sociedade”, “estado”, “polícia”, “impostos” ou qualquer outra palavra que procure ter um significado mágico que tire toda a carga moral do que essas coisas realmente são. No entanto, o texto está impecável em toda sua argumentação, e sem recorrer a misticismo estadista pra mudar as regras do jogo e o significado das palavras não é possível refutá-lo.

    Libertários mais acostumados com a realidade estão mais que acostumados com essa abordagem, mas é perfeitamente compreensível que a maioria da população ainda tenha problemas pra entender a verdade e jogar fora toda a lavagem cerebral governamental que lhes foi feita a vida inteira.

  10. Vocês estão atrasados ai em Sampa. No RS essas leis ja vigoram a muitos anos. A mais de 10 anos pedem documentos em qualquer festa que você vá aqui, o mesmo para bebidas em alguns mercados. Digo alguns porque os fiscais são malandros, eles fiscalizam os pequenos mercados 24 horas, mas não dão bola para supermercados.

    A alguns anos vi uma senhora ter que fechar seu mercado. O único 24 horas de uma cidadezinha do interior. Ela havia vendido bebida para um jovem e foi multada. Passou a pedir documentação, então os jovens pediam para alguém de maior comprar para eles. Os fiscais viram jovens bebendo próximo ao mercado e multaram ela de novo, com agravante de reincidência. Ela teve que vender o ponto para pagar as multas. É triste.

  11. Essa é mais uma daquelas medidas do estado cujo objetivo é “criar dificuldades para vender facilidades”, em outras palavras, a arbitrariedade dessa lei fará com que qualquer estabelecimente, mesmo aquele que siga a lei de forma mais rigorosa possível, esteja sujeito a multas, de tal forma que a única forma real de se livrar da multa é através da proprina.

    Não interessa se está regular ou não, o que interessa é a propina. È o que tende a acontecer nessas fiscalizações, por mais regular que esteja o estabelecimento, sempre haverá um meio de achar “pêlo em casca de ovo” e aplicar uma multinha.

    E nesse momento escrevo isso aqui no Mises com muita preocupação, pois do jeito que a coisa está indo, não irá demorar para o estado censurar o site, alegando que ele está incentivando práticas ilegais, já que nossa liberdade de expressão também está indo para o brejo.

  12. Na França e na Italia as crianças desde pequeno aprendem a beber vinho. Em geral começam comendo um paozinho embebedado em vinho com 1 ou 2 anos. Na Inglaterra, EUA E Alemanha as crianças praticamente só começam a beber depois dos 18 anos. E advinha onde temos mais problemas com alcolismo…

    Assino embaixo de Mark Thoronton. Se alguém tiver interesse sobre esse ponto de vista, Clotaire Rapaille tem um ótimo livro – Culture Code – que comenta os “imprintings” que temos até os 7 anos de idade. Entre esses imprintings obviamnete estará a forma como veremos o álcool ao resto da vida. Uma forma de apreciar o sabor da vida, ou uma forma de nos escondermos dos problemas da vida.

  13. Até que enfim uma atitude honrada dos nossos políticos. Ou restabelecemos os valores morais, ou não teremos futuro. Tinha de punir também o pai que permite o filho ir nestes bacanais.

  14. A maior contradição de alguns auto-intitulados “conservadores” é defender a família ao mesmo tempo em que querem tirar a autoridade da mesma sobre os filhos e entregá-la ao Estado. Estes “conservadores” podem espernear o quanto quiserem sobre moralidade e sobre como as coisas deveriam ser, mas eles deveriam se abster de falar da importância da família quando defendem que o Estado arrogue para si a tarefa de criar os filhos.

  15. Eu estou com uma pergunta a 2 meses e este texto, apesar de abordar a intrusão do estado nas escolhas individuais, proporiria outro tipo de questão, a saber: como se definir, sob o ponto de vista da EA, a idade (ou outra característica) de uma criança que deve ser considerada incapaz? Essa incapacidade deve ser relativa a cada assunto ou não? Por exemplo, qual a idade máxima que se consideraria o ato sexual envolvendo um adolescente como pedofilia? Ou qual a idade máxima que é reprovável o uso de drogas lícitas?

  16. Mto bom libertários. Entao o Estado deve permitir a entrada de crianças em bares. São a favor que crianças de 5 anos bebam. Devem achar mto normal a imagem abaixo:

    laamebita.com/wp-content/uploads/2012/03/pais-bebendo-garoto-dormindo-no-bar.jpg

    E aí? Não devemos fazer nada, devemos deixar as pessoas fazer o q quer???

  17. Aqui no Brasil, algumas tribos amazônicas enterram bebês vivos. Inclusive, tentaram fazer um projeto lei para criminalizar esta prática, mas o projeto foi arquivado. Então, como uma sociedade libertária resolveria este problema? Se bem que uma tribo indígena não deixa de ser uma sociedade anárquica, pois não há um Estado.

  18. Leandro, em uma resposta ao leitor Antonio me surgiu uma dúvida quando tu afirmaste isso:

    “Prezado Antônio, a Escola Austríaca lida exclusivamente com economia, e sempre do ponto de vista positivo, nunca normativo.

    Por exemplo, descrever o funcionamento do sistema bancário de reservas fracionárias é uma tarefa positiva (de caráter prático), e não uma normativa. Agora, discutir se tal sistema é desejável já é uma tarefa normativa, e qualitativamente separada da explicação da mecânica desse sistema.”

    Quando tu afirmas isso, tu estás querendo dizer que o método de construção teórico da EA é positivista? Se sim, pensava que era justamente ao contrário. Não sei se me fiz entender mas ao meu ver posso ter confundindo ou ter entendido de forma dúbia o que você quis dizer com “ponto de vista positivo”

    Grande Abraço!!!

  19. Ufa que susto Leandro, em algum momento comecei a pensar que existia um problema na irrepreensível construção teórica da EA. Esclarecida a dúvida, grande abraço!!!

  20. Estou com uma raiva danada da intervenção estatal em minha vida,e ainda os comunistas não tomaram conta de SP, são os falsos moralistas e os socialmentes corretos” que estão tomando e apoiando estas atitudes.
    Veja o absurdo que aconteceu e colabora com este artigo do Fernando.
    No sabado fui comprar uma lata de cerveja importada no Pão de Açucar e a caixa me pediu o documento de identidade,o mesmo que havia feito a um senhor de 65 anos na minha frente, acontece que só percebi na minha vez, que não é só para ver minha idade, e sim para registrar o numero do meu documento como comprador da referida bebida alcoolica.Ou seja, estão criando um cadastro de quanto eu bebo de bebidas alcoolicas.Resultado deixei lá a compra da cerveja, o Pão de Açucar que engula todo o estoque e continue apoiando o governo.

  21. Quando o sujeito é teimoso e reacionário, não tem jeito. Ao longo do artigo, as palavras “não tinha nenhum documento comigo” se repetem e se repentem. Já deveria ter aprendido a lição e passado a portar identificação, em vez de sair por aí cheio de birra desafioando a legislação.

  22. Klauber Cristofen Pires

    Aprendi a beber, se consigo me lembrar, com 12 anos de idade. Sou pai de família, trabalhador, nunca bati meu carro nem briguei com ninguém.

    Onde nasci e cresci, todas as crianças bebem desde aproximadamente esta idade, os descendentes de alemães com cerveja e os italianos, com vinho. Fomos crianças que aprenderam a beber na frente dos pais, bem como aprendemos a trabalhar e a estudar arduamente.

    Aprender a beber no sei da família e das relações sociais é muito mais eficiente do que inventar estas leis babacas.

    Este cadastro não servirá para os menores, mas para os maiores mesmo, que vão começar a ser monitorados pelos serviços públicos de saúde, de segurança e de previdência e assistência social.

    Daqui a alguns meses ou anos, decisões judiciais sobre separação e guarda de menores, ou até mesmo concursos públicos poderão fazer uso desses cadastros.

  23. Going Their Own Way

    “Uma noite, dirigi-me a um mercadinho para fazer compras com duas amigas cariocas, de 19 anos. Comprei alguns alimentos e um pacote de cerveja. Exibi meu documento para a caixa, mostrando que eu era maior de 21 anos, que é a estapafúrdia idade local legal para se permitir a compra e consumo de álcool. Só que nem assim eu pude comprar, pois ela exigiu também o documento de minhas amigas. Eu disse que elas eram menores de 21 anos, e que quem estava comprando a cerveja era eu, maior. Não teve jeito. Larguei tudo lá e fui sozinho fazer minhas compras em outro local.”
    – Mas foi bom, pelo menos te libertaram de gastar com desonestas. Agora, deixe de aproveitadores e siga seu próprio caminho…

  24. Esse instituto Mises é composto por um bando de palhaços querendo regular a vida das pessoas e depois dizem que é o Estado que quer mandar na vida dos cidadãos. Erros cometidos pelos órgãos públicos sempre existiu no Brasil e sempre passam do absurdo. Mas toda iniciativa privada é santa? Se ninguém regula nada eu teria todo o direito de na madrugada ligar o som a toda altura na porta dos outros e promover baladas no meio da rua a qualquer hora do dia.\r
    O problema aqui é que se botam a mão no fogo pelos empresários como se eles fossem os bons e que sempre se preocupam com os outros. Mostra-me então qual foi a vez que desde do surgimento da escrita houve em algum período a atuação exclusiva dos “santos empresários” e nenhuma atuação do Estado?\r
    Então posso alcoolizar crianças só por que são meu filhos? e se eu alcoolizasse os teus filhos, você aceitaria na boa? Se não, quem te ensinou que é errado?\r

  25. Até que enfim uma opinião contrária a essa lei idiota e perversa que obriga os proprietários de bares e afins a serem babás dos seus clientes, sob o risco de terem seus estabelecimentos fechados pelos burocratas!

  26. Parecemos porcos selvagens. A cada dia que passa fincam mais uma estaca da cerca e logo perderemos toda a liberdade.
    O pior é que ninguém vê isso ou se importa.
    O Estado de SP tem liderado a cópia vagabunda de medidas idiotas adotadas nos EUA, UK e UE. São macaquitos imitadores esses parasitas da sociedade que fazem e impõe essas leis.
    Serra foi um desses idiotas com a lei anti-fumo que muitos aplaudem por não terem capacidade de ver aonde essas medidas estão nos levando.

    Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim e não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
    Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

  27. 17 de abril de 2013 | 14h 05

    DÉBORA ÁLVARES – Agência Estado

    A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira, 17, projeto que torna crime a venda ou fornecimento gratuito de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. A proposta, que já passou por outras comissões do Senado e agora segue para a Câmara dos Deputados, prevê punição com reclusão de dois a quatro anos em casos de flagrante. Estabelecimentos comerciais ficam sujeitos a multa que pode chegar a até R$ 10 mil.

    Ao justificar o projeto, o autor, o senador Humberto Costa (PT-PE), afirmou que a iniciativa irá resolver “controvérsia jurídica acerca de qual procedimento aplicar nos casos de venda de bebida alcoólica a criança ou adolescente: se o ato deve ser tratado como contravenção ou como crime”. De acordo com o projeto, as punições serão acrescidas em dois artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

    O projeto inicial previa pena de três a seis anos de prisão para quem fosse flagrado vendendo ou fornecendo bebida a menores. A multa da proposta original fixava um valor de R$ 30 mil a até R$ 100 mil. Quando passou pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), porém, as punições foram abrandadas.

    Segundo destacou o relator, senador Benedito de Lira (PP-AL), as medidas inicialmente propostas eram muito rigorosas comparadas às estabelecidas pelo ECA para condutas mais graves como, “a título de exemplo, a venda de bebida alcoólica seria punida mais severamente do que a venda de produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica.”

    http://www.estadao.com.br/noticias/geral,senado-torna-crime-venda-de-bebida-alcoolica-a-menor,1022157,0.htm

    Eu pelo menos sou a favor disso. Finalmente uma atitude honrada dos nossos políticos.

  28. Anti realista conservador

    Antes de mais nada,em primeiro lugar quero parabenizar o autor do texto,material de excelente qualidade,muito bom mesmo.
    Na minha adolecencia,a propaganda de cigarro na TV era liberada e não existia fortes controles estatais sobre o cigarro e a bebida. Mesmo com tudo “liberado”,o numero de fumantes ja na epoca diminuiu,pois os pais,naquela epoca tinham competencia para educar seus filhos,e os poucos que começaram a fumar,foi por falta de educação ou teimosia escondido dos pais.O que levou a uma redução de fumantes não foi o estado,e sim,a informação sobre os malefícios do cigarro e da bebida em casa e na escola,coisa que muito antigamente não existia.
    Hoje,as leis para o fumante esta 20x pior e para a bebida esta a cada dia pior,e nem por isso,os numeros do alcolismo despencaram,muito pelo contrario,aumentaram,como vemos aqui: http://www.personare.com.br/jovens-estao-consumindo-mais-alcool-m962 com graves tendencia de pioras.
    Quanto as baladas,teve uns sujeitos aqui reclamando que o estado permite a entrada de mnores.
    Ora bolas,sempre foi assim,e mesmo assim,o numero de menores que frequentavam esses ambientes eram bem menores que hoje.Porem hoje,a nova febre de menores não é mais baladas e sim a internet,o sujeitinho vai la,poe suas fotos e alegam ter 18 anos,ai,muito pedofilo aproveita a deixa e convida o menor para sair,e os pais,que seriam os responsaveis pelo menor permite o mesmo se encontrar com pedofilos de 20 anos para cima. Resumindo. De quem é a culpa,do estado que não cria regulamentações da internet ou dos pais que não educam seus filhos? Ai vem uns dizer,haaaaaa mimimimi trabalho muito e não tenho tempo de cuidar de meu filho. Se você trabalha muito,sua mulher também trabalha muito,por que colocar filho no mundo se não tem condições de criar e cuidar? Por que não pensam nisso antes de fazer filho? Agora é culpa do estado e o mesmo tem que intervir porque você é um incopetente e não sabe que uma criança é responsabilidade?
    Outra coisa antes de encerrar e detonar com esses “conservadores”.
    Se você vê que não tem condições de ter filhos,assumir casamento e a mulher não é a ideal,isso é,com valores morais e conservadores,por que as pessoas se envolvem com elas? Por que se casam se não tem condições de se manter direito,ainda mais colocar uma vida a mais no mundo?
    As pessoas tem que parar de procurar o estado para resolver as coisas e criar leis e começar a se responsabilizar e assumir seus erros.

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