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Inflação não é um aumento generalizado nos preços


quase que uma completa unanimidade entre economistas e comentaristas econômicos
sobre a inflação ser um aumento generalizado nos preços de bens e
serviços.  Deste raciocínio, estabelece-se
que qualquer coisa que contribua para um aumento nos preços irá desencadear
inflação.  Uma queda no desemprego ou um
aumento na atividade econômica é visto como um potencial gatilho inflacionário.  Alguns outros gatilhos, como aumentos nos
preços das commodities ou nos salários, também são considerados potenciais
ameaças.

Se
a inflação é apenas um aumento generalizado nos preços, como acredita o senso
comum, então por que ela é considerada algo ruim?  Que tipo de estragos ela faz?

Economistas
convencionais afirmam que a inflação gera especulações, o que por sua vez gera
desperdícios.  A inflação, dizem eles,
também corrói a renda real de pensionistas e de assalariados de baixa renda,
além de gerar uma alocação errônea de recursos. 
A inflação, argumentam, também solapa o crescimento econômico real.

Por
que deveria um aumento generalizado nos preços afetar apenas alguns grupos de
pessoas, deixando outros incólumes?  Ou,
como a inflação leva a uma má alocação de recursos?  Por que um aumento generalizado nos preços
debilitaria o crescimento econômico real? 
Adicionalmente, se a inflação é desencadeada por fatores como desemprego
ou atividade econômica, então certamente ela é apenas um sintoma e, sendo assim,
não pode causar nada do que foi dito acima.

Para
especificar o que realmente é inflação, temos de estabelecer sua
definição.  Porém, para estabelecer a
definição de inflação, temos de estabelecer como este fenômeno surgiu.  Temos de rastreá-lo até suas origens
históricas.

A essência da inflação

A
inflação surgiu quando o regente de um país — por exemplo, um monarca —
obrigava seus cidadãos a lhe entregar todas as moedas de ouro que possuíam sob
o pretexto de que uma nova moeda iria substituir a atual.  Neste processo, o monarca falsificava o
conteúdo das moedas de ouro misturando a elas algum outro metal e devolvia aos
cidadãos moedas contendo ouro diluído. 
Sobre isto, Rothbard escreveu,

Mais especificamente, a Casa da Moeda derretia e voltava a
cunhar todas as moedas do reinado, devolvendo aos súditos o mesmo valor nominal
de “libras” ou “marcos”, mas a um peso menor. 
As sobras de ouro (ou prata) que ficavam na Casa da Moeda eram
embolsadas pelo monarca e utilizadas para financiar seus gastos.

Por
causa desta diluição das moedas de ouro, o monarca podia agora cunhar uma
quantidade maior de moedas e utilizar estas moedas extras para cobrir seus
próprios gastos.  Aquilo que continuava
sendo visto como uma moeda de ouro puro era na verdade uma moeda de ouro
diluído.

Este
aumento no número de moedas gerado pela diluição das moedas de ouro é
exatamente a definição de inflação.  Como
resultado deste aumento da quantidade de moedas que se faziam passar por moedas
de ouro puro, os preços em termos de moedas subiam (mais moedas estavam sendo
trocadas pela mesma quantidade de bens).

Observe
que o temos até agora é uma inflação de moedas, isto é, uma expansão da
quantidade de moedas.  Como resultado
desta inflação, o monarca podia agora incorrer em uma troca de nada por alguma
coisa: utilizando moedas adulteradas, ele podia obter para si próprio recursos
da economia.  Ao fazer isso, ele está
retirando recursos dos cidadãos e os desviando para si próprio, sem ter
produzido nada em
troca.  Observe também
que o aumento nos preços em termos de moeda se dá por causa da inflação das
moedas.  Por fim, note que o que permite
o desvio de recursos da economia para o monarca é o aumento na quantidade de
moedas gerado pela diluição das moedas de ouro, e não um aumento nos preços.

Sob
o padrão-ouro, o processo de adulteração do meio de troca se tornou muito mais
avançado com o advento da emissão de moeda de papel sem um lastro equivalente em ouro.  Inflação, portanto, em seu
contexto histórico, significa um aumento na quantidade de certificados de ouro
não lastreados em ouro; significa um aumento no número de certificados que se
fazem passar por genuínos representantes do dinheiro padrão, o ouro, mas que na
realidade não possuem uma idêntica quantia de ouro os resguardando.

O
portador destes certificados não lastreados poderá incorrer em uma troca de
nada por alguma coisa.  Como resultado deste
aumento no número de certificados de ouro (inflação de certificados de ouro),
haverá um aumento generalizado nos preços. 
Observe que o aumento nos preços ocorre por causa do aumento nos
certificados de ouro (meros papeis) que não são lastreados por ouro.  Da mesma forma, o que temos é uma situação em
que os emissores dos certificados não lastreados desviam bens reais da economia
para si próprios sem no entanto terem dado nenhuma contribuição à produção de
bens.

No
mundo moderno, o dinheiro real não é mais o ouro, mas sim cédulas de papel e
dígitos eletrônicos em contas-correntes.  Inflação,
neste caso, é um aumento neste estoque de dinheiro.

Observe
que não dizemos, como fazem s monetaristas, que um aumento na oferta monetária causa inflação.  O que estamos dizendo é que inflação é um aumento na oferta monetária.

Note
que aumentos na oferta monetária desencadeiam uma troca de nada por alguma
coisa.  Tais aumentos retiram recursos
dos reais geradores de riqueza e os desviam para os portadores do dinheiro
recém-criado.  É este processo que gera
as alocações errôneas e insustentáveis dos recursos, e não aumentos de preço
por si sós.

A
renda real dos indivíduos geradores de riqueza irá cair não por causa do
aumento generalizado dos preços, mas sim por causa do aumento na oferta
monetária.  Quando a quantidade de
dinheiro é expandida — isto é, o dinheiro é criado “do nada” –, os portadores
deste dinheiro recém-criado adquirem a capacidade de desviar para si próprios
bens e serviços sem no entanto terem feito qualquer contribuição para a
produção de bens.

Como
resultado, aqueles geradores de riqueza — indivíduos que contribuíram para a
produção de bens e serviços — descobrem que o poder de compra do seu dinheiro
caiu, pois restaram agora menos bens disponíveis na economia — eles não mais
podem demandar a mesma quantidade de bens de antes, pois estes bens não mais
estão lá; já foram adquiridos pelos portadores do dinheiro recém-criado.

E
uma vez que os geradores de riqueza possuem menos recursos reais à sua
disposição, isto obviamente irá afetar a formação de mais riqueza real.  Consequentemente, o crescimento real da
economia ficará obstruído.

Aumentos
generalizados nos preços, resultantes de aumentos na oferta monetária, apenas
assinalam uma erosão da riqueza real. 
Aumentos de preços, por si sós, não causam esta erosão.

Da
mesma forma, é a inflação monetária, e não aumentos nos preços, o que corrói a
renda real de pensionistas e de assalariados de baixa renda.  Em geral, estas pessoas são as últimas a
receber o dinheiro recém-criado.

De
acordo com Rothbard,

Os que mais tendem a sofrer com a inflação monetária são
aqueles que estão em contratos de renda fixa — contratos feitos dias antes do
aumento inflacionário dos preços. 
Beneficiários de seguros de vida e pensionistas anuais, aposentados
vivendo da Previdência, senhorios com alugueis fixados a longo prazo,
portadores de títulos e outros credores, portadores de dinheiro — todos irão
absorver o fardo mais pesado da inflação. 
Eles são aqueles que são “tributados” pela inflação.

Pode haver inflação se os preços não se alteram?

Tudo
o mais constante, se, para um dado estoque de bens, ocorrer um aumento na
oferta monetária, isto significa que mais dinheiro estará sendo trocado por uma
quantidade fixa de bens.  Obviamente,
portanto, o poder de compra do dinheiro irá diminuir, isto é, os preços dos
bens irão aumentar (será necessário mais dinheiro por unidade de bem).  Neste caso, o aumento generalizado nos preços
está associado à inflação, ou seja, a aumentos na quantidade de dinheiro na
economia.

No
entanto, considere o seguinte caso: a taxa de crescimento da quantidade de
dinheiro está em sincronia com a taxa de crescimento da quantidade de
bens.  Consequentemente, os preços dos
bens, na média, não se alteram.  Então,
está havendo inflação ou não?  Para a
maioria dos economistas, se um aumento na oferta monetária é contrabalançado
por um idêntico aumento na produção de bens, então está tudo ótimo, pois não
ocorre nenhum aumento generalizado de preços; portanto, não houve
inflação.  Mas este raciocínio é errado: houve sim inflação, isto é, houve sim um
aumento na quantidade de dinheiro.  E
este aumento não pode ser desfeito por um correspondente aumento na produção de
bens e serviços.

Por
exemplo, tão logo um monarca tenha criado mais moedas de ouro diluído que se
fazem passar por moedas de ouro puro, ele estará apto a trocar nada por alguma
coisa, não importa qual seja a taxa de crescimento da produção de bens.  Independentemente de como esteja a produção
de bens, o monarca pode agora incorrer na troca de nada por alguma coisa, ou
seja, ele pode desviar recursos para si e não contribuir com absolutamente nada
em troca.  Tal desvio é possível por
causa do aumento no número de moedas possibilitado pela diluição das moedas de
ouro — isto é, pela inflação das moedas.

A
mesma lógica pode ser aplicada à inflação do papel-moeda atual.  A criação de dinheiro do nada — seja o
dinheiro cédulas de papel ou dígitos eletrônicos — gera um processo de troca
de nada por alguma coisa que não pode ser desfeito por um aumento na produção
de bens.  Um aumento na quantidade de
dinheiro — isto é, um aumento na inflação — irá desencadear todos os efeitos
colaterais negativos que a impressão de dinheiro gera, inclusive o problema dos
ciclos econômicos, independentemente de qual seja o aumento na produção de
bens.

Segundo Rothbard,

O
fato de que, nos EUA, os preços em geral se mantiveram relativamente estáveis
durante a década de 1920 foi interpretado pela maioria dos economistas da época
como uma evidência de que não havia nenhuma ameaça inflacionária.  Consequentemente, os eventos da Grande
Depressão os pegaram completamente alheios à realidade.

Um aumento no dinheiro-commodity causa inflação?

Agora,
imagine uma economia sob um padrão-ouro. 
Imagine também que haja um aumento na mineração e na produção de
ouro.  Logo, a quantidade de dinheiro —
ou seja, ouro — irá aumentar.  Em
consequência disso, imagine que houve um aumento generalizado nos preços dos
bens e serviços.  É correto rotular este
aumento de inflação?  De acordo com
alguns economistas, um aumento na oferta de ouro irá gerar distorções similares
àquelas geradas pela criação de dinheiro do nada.

Comecemos
com uma economia de escambo, em que não há dinheiro.  João, o minerador, produz dez onças de
ouro.  Ele minera ouro porque acredita
que há um mercado para o ouro.  O ouro,
afinal, contribui para o bem-estar dos indivíduos e pode ser usado na produção
de vários bens.  Ele troca suas dez onças
de ouro por vários outros bens, como batatas e tomates.

Com
o tempo, as pessoas descobrem que o ouro, além de ser útil para a fabricação de
jóias, é também útil para algumas outras aplicabilidades.  Com isso, elas agora atribuem ao ouro um
valor de troca maior do que aquele que ele já possuía.  Consequentemente, João, o minerador, pode
agora trocar suas dez onças de ouro por uma quantidade maior de batatas e
tomates.

Deveríamos
crer que isto é ruim, uma vez que João adquiriu a capacidade de desviar para si
mais recursos?  Não.  O que está acontecendo com João, o minerador,
é apenas aquilo que acontece a todo o momento no mercado.  À medida que o tempo passa, as pessoas
atribuem mais importância a alguns bens e diminuem a importância atribuída a
outros bens.  Alguns bens passam a ser
considerados mais importantes do que outros para manter a vida e o bem-estar
das pessoas.

Agora,
suponha que as pessoas do nosso exemplo descobriram que o ouro é também útil
para mais uma função: servir como meio de troca.  Consequentemente, elas irão elevar ainda mais
o preço do ouro em termos de tomates e batatas. 
O ouro passa a ser predominantemente demandado como meio de troca — a
demanda por ouro para a realização de outros serviços, como por exemplo
ornamentação, passa a ser bem menor do que já foi.

Observe,
no entanto, que o ouro faz parte do conjunto da riqueza real da economia; ele é
uma mercadoria que gera melhorias na vida e no bem-estar das pessoas.  Logo, vejamos o que acontece se João aumentar
a produção de ouro.

Um
dos atributos da escolha do ouro como meio de troca é que ele é relativamente
escasso.  Isto significa que um produtor
de um bem qualquer que tenha trocado seu bem por ouro terá seu poder de compra
preservado ao longo do tempo caso mantenha a posse deste ouro.  Mas se, por algum motivo, houver um grande
aumento na produção de ouro, e esta tendência persistir, o valor de troca do
ouro em relação a outros bens estará sujeito a um contínuo declínio, tudo o
mais constante.  Sob tais condições, as
pessoas tenderão a abandonar o ouro como meio de troca e sair em busca de outra
mercadoria que cumpra esta função.

À
medida que a oferta de ouro produzido por João aumenta, sua função como de
troca irá perder importância, ao passo que sua demanda para outras
aplicabilidades tende a se manter constante ou até mesmo aumentar.  Portanto, neste sentido, um aumento na
produção de ouro aumenta o conjunto da riqueza real da sociedade.

Quando
João troca ouro por bens, ele está incorrendo na troca de alguma coisa por
alguma coisa.  Ele está trocando riqueza
por riqueza.  Observe também que o aumento
na oferta de ouro não se deu porque houve um ato de diluição do ouro nas
moedas, mas sim porque houve um aumento na produção de ouro.

Compare
tudo isto à mera criação de certificados de papel — isto é, substitutos de
ouro — que não são 100% lastreados em ouro.  Tal
arranjo irá possibilitar o consumo de um bem sem que tenha havido a produção de
nenhum outro bem ou serviço; sem que tenha havido nenhuma contribuição para o
conjunto da riqueza real.  Estes papeis
vazios desencadeiam um processo de troca de nada por alguma coisa, o que, por
sua vez, leva a uma má alocação de recursos, gerando os ciclos econômicos.

É
válido lembrar que um aumento na mineração de ouro não leva a uma má alocação
de recursos, isto é, a um emprego de recursos de uma maneira insustentável, de
uma maneira que não foi demandada pelo livre mercado (o qual reflete as
genuínas e mais urgentes preferências dos consumidores).  Observe também que o número de moedas de ouro
aumentou não porque houve uma diluição do ouro nas moedas, mas sim como
resultado de um aumento na produção de ouro, ou seja, na riqueza real.  Contrariamente àquele que cria dinheiro de
papel do nada, o gerador de riqueza — o produtor de ouro — é capaz de
sustentar suas próprias atividades.  Ele
não retira recursos reais dos outros geradores de riqueza, pois ele produziu
algo em troca; ele não desviou recursos reais para si próprio utilizando
dinheiro vazio.  Consequentemente,
qualquer declínio na quantidade de dinheiro criado do nada não irá
afetá-lo.  (Vale enfatizar que um
declínio na quantidade de dinheiro criado do nada irá reduzir este processo de
desvio de recursos para atividades que surgiram no rastro desta criação
artificial de dinheiro.)

Conclusão

Contrariamente
à definição popular, inflação não é um aumento generalizado nos preços, mas sim
aumentos na quantidade de dinheiro criado “do nada”.  Inflação é um ato de fraude, de
peculato.  Sob um padrão-ouro, inflação é
um aumento na oferta de certificados de ouro não lastreados por ouro.  Sob um padrão-papel, inflação é um aumento na
oferta de cédulas de papel e dígitos eletrônicos nas contas-correntes.  Em regra, um aumento generalizado e contínuo
nos preços decorre de um aumento contínuo na quantidade de dinheiro.  Os malefícios que a maioria das pessoas
atribui a aumentos nos preços são, na realidade, gerados por aumentos na
quantidade de dinheiro criado do nada. 
Por conseguinte, políticas de combate à inflação que não identifiquem
corretamente o que é inflação irão apenas piorar as coisas.  Quando a inflação é vista como um aumento
generalizado nos preços, então qualquer coisa que contribua para um aumento nos
preços é chamada de inflacionária.  Não
mais são o banco central e o sistema bancário de reservas fracionárias as fontes
da inflação, mas sim várias outras causas. 
Nesta abordagem, não apenas o banco central nada tem a ver com a
inflação, como na verdade ele passa a ser visto como o grande guerreiro que
combate a inflação.

Sobre
esta questão, Mises
escreveu
,

Para evitar levar a culpa pelas conseqüências nefastas da
inflação, o governo e seus seguidores recorrem a um truque semântico.  Eles tentam mudar o significado dos
termos.  Eles chamam de
“inflação” aquilo que é justamente a consequência inevitável da
inflação: o aumento dos preços.  Eles se
esforçam ao máximo para relegar ao esquecimento o fato de que esse aumento de
preços é produzido justamente pelo aumento da quantidade de dinheiro e de
substitutos monetários na economia.  E
eles nunca mencionam este aumento.

Eles culpam as empresas e os empresários por esse aumento
do custo de vida.  Este é o clássico
exemplo do ladrão que grita “pega ladrão!”.  O governo, que é quem produziu a inflação ao
multiplicar a oferta monetária, incrimina os produtores e os mercadores, e se
jacta de ser o grande paladino dos preços baixos.

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69 comentários em “Inflação não é um aumento generalizado nos preços”

  1. Leandro, em uma discussão sobre inflação e deflação foi levantado o seguinte ponto:
    Com a inflação os poupadores são prejudicados porque o dinheiro se desvaloriza com o tempo, já com a deflação os emprestadores acabam prejudicados com a valorização do dinheiro. Qual seria a melhor solução para esse problema?

  2. Artigo muito bom, gostaria de saber qual a visão do IMB sobre a inflação sobre o ponto de vista keynesiano, que diz ser o aumento salarial o implicador do aumento de custos e por consequência o gerador da inflação – no caso o aumento dos preços. Isso é possível? Tendo pouca mão de obra no mercado, isso não provocará um aumento dos salários?

    Bem pelo que vi aqui a definição de inflação por parte dos keynesianos está errada, mas independente da definição, o que eles alegam não é verdade?ou só é um sofisma?

    Grato pela atenção, Abraços!

  3. Gostaria de fazer uma pergunta aos responsaveis pelo site.

    Na esgotosfera progressita, existe um consenso de que o Brasil se tornou um país imune a crises. Tal opnião, claramente influenciada pela simples comparação de crescimento e retração do PIB entre os países durante os anos de 2008-2010.

    Eu pergunto: de qual forma e como uma grande crise poderia colocar o país literalmente de joelhos, a um cenário só comparável ao que vimos nos anos 80?

    E outra mais pessoal: vocês acreditam que essa crise está para vir no futuro? ela é inevitável? tem como fazer uma projeção? a partir de que ano as coisas vão começar a ruir de verdade?

    E porque a percepção geral da população é que as coisas só melhoram, mesmo recebendo dinheiro do governo, de que de fato tal economia brasileira, é atualmente infalível como PHA e seus ratos de esgoto dizem ser?

  4. Não gostei. Se um emissor de moeda (seja lá o q é essa moeda) emite ou “produz” mais moeda p/ saciar a demanda dos seus clientes por mais moeda ele produziu um “bem/serviço” sim, ele produziu serviçõs de liquidez, ajudou a pessoa a manter o encaixe que ela considera ideal etc.. Isso é um “bem” do ponto de vista do demandante daquela moeda.\r
    \r
    Em termos estritamente economicos, não existe diferença alguma entre se a moeda é ouro, banana, cigarro ou simplesmente papeizinhos. Dado q as novas emissões sirvam p/ saciar demandas por moeda dos agentes economicos (seja lá o q é essa moeda), ela será produtiva, ela fornecerá um serviço (enfim, fornecerá utilidade, um bem etc..) pro consumidor. A situação é diferente se vc começa a ter inflação de preços (nesse caso, o emissor da moeda está cobrando mais e piorando (do pto de vista do consumidor) o serviço “moeda” fornecido)\r

  5. Leandro qual é o problema com o IPCA? Como você apontou no artigo “Observações sobre a economia brasileira” o M1 diminuiu até dez/11 e voltou a aumentar em 2012, enquanto o IPCA subiu a partir de de jul/11 se manteve relativamente estável até fev/12, quando caiu novamente e agora voltou a acelerar?

    g1.globo.com/economia/noticia/2012/05/inflacao-oficial-acelera-para-064-em-abril-aponta-ibge.html

  6. Logo no inicio do debate entre Ron Paul e Paul Krugman há uma discussão sobre política monetária que toca em alguns assuntos relacionados ao artigo em questão (infelizmente, sem legendas):

    Ouvir o Krugman defendendo a existência do banco central é patético. Uma contradição após a outra. Um trecho logo no início:

    “You can’t leave the government out of the monetary policy […] the government is actually always… the FED, the central bank, is always going to be in the business of managing monetary policy. If you think that you can avoid that, you are living in some… you living in a world as it was a 150 years ago. We have an economy in which money is not just green pieces of paper with faces of dead presidents on them […] Look, history tells us that, in fact, a complete unmanaged economy is subject to extreme volatility, subject to extreme downturns. I know that there is this legend that people, like, probably you congressman, have, that the great depression was somehow caused by government, caused by the FED, but is not true. The reality is that was a market economy running amok. Which happens. Happened repeatedly over the past couple of centuries. […] I’m actually a believer in the market economy. I’m a believer in capitalism. I want the market economy to be left as free as it can be, but there are limits. We do need the government to step in to stabilize. Depressions are a bad thing for capitalism and is the role of the government to make sure that they don’t happen, or if they do happen, they don’t last too long”

    Ou seja, segundo Krugman, devemos aceitar o FED porque ele existe. Querer questionar a sua existência é querer voltar no tempo, querer viver num mundo da fantasia. Eu acho engraçado essa mentalidade. É uma visão progressivista que acredita que tudo que acontece no presente é uma evolução em relação ao passado. Como se o tempo por si só fosse conduzir a humanidade para um progresso invevitável.

    O próprio Krugman consegue atirar no próprio pé tantas vezes nesse debate. Ron Paul poderia apenas ter demonstrado como tudo que o Krugman falou era mentira e contraditório.

    Eu espero que o debate do Krugman com o Bob Murphy realmente aconteça. Se Krugman usar esses argumentos, vai ser humilhado em rede internacional.

  7. Olá Leandro,

    Quais os principais indicadores que você costuma observar para tentar identificar os momentos de alta e de baixa do mercado financeiro? onde posso encontra-los?

    Amplexos!

  8. Carlos Costa Cruz

    Quero lembrar que o que foi dito sobre a diluição das moedas, num Brasil bem recente
    tivemos algo parecido, até uma certa data em que não se falava de inflação as nossas notas tinham impressos logo abaixo da figura de face ¨VALOR RECEBIDO¨OU SEJA O VALOR CORRESPONDIA EM OURO O QUE VALIA A NOTA, TEMPOS DEPOIS AS NOTAS TINHAM ¨VALOR LEGAL¨FOI QUANDO COMEÇAMOS A OUVIR FALAR DE INFLAÇÃO.
    ABRAÇO

  9. Economistas comentam pacote de austeridade:
    exame.abril.com.br/economia/noticias/6-economistas-e-um-diagnostico-austeridade-nao-salvara-a-grecia?p=1#link

    Destaque para o Maílson:
    "O ideal é gastar mais agora, sinalizando que lá na frente a dívida cai como proporção do PIB e o déficit público também. Como fazer isso, tem que ter muita arte. Eu, sinceramente, não sei como faz".
    O cara me dá uma sugestão que nem ele sabe como implementar.

    Até quando será que a Alemanha consegue segurar o rojão?

  10. UHAHUAUHA Porra que coincidência, estava voltando agora do trabalho e pensando comigo mesmo que inflação não é aumento de preços, e sim aumento ta oferta monetária. O artigo veio bem a calhar.

  11. Parabéns pela publicação deste artigo. Ele é muito esclarecedor. A tradução e os comentários de Leandro Roque são igualmente excelentes. Descobri o Mises há pouco mais de 3 meses e desde então tenho frequentado o site pelo menos 3 vezes por semana. Um abraço.

  12. E a onda de alavancagem continua:

    www1.folha.uol.com.br/mercado/1088333-caixa-reduz-juros-para-carro-novo-material-de-construcao-e-empresas.shtml

  13. José Ricardo das Chagas Monteiro

    Saudações,o citado truque-semântico acontece quando se define inflação curtamente,ou seja, faltando completar a difinição com:provenientes do excesso de poder de compra da massa dos consumidores em relação à quantidade de bens e serviços postos à sua disposição.Acontece que o estado(sic)- maior perdulário,monopolista do meio-fiduciário – é um ditador benfeitor, preferiria um outro tipo de ditador.

  14. Um erro comum é o de dar uma importância excessiva ao preço em uma analise econômica. Na minha opinião, o motivo disso é a mentalidade dominante de que o dinheiro é a medida para todas as coisas e que por isso o preço em dinheiro dos bens em geral é o fator que determina o quão boa está uma economia. Em uma economia onde a moeda usada é um bem de valor, isso seria visto mais claramente, pois seria bem mais fácil entender que o dinheiro é apenas mais um bem que foi escolhido para ser usado como dinheiro.
    Se imaginarmos uma economia A onde exista 10 vezes mais comida e também 10 vezes mais ouro que em outra economia B e similar em todos os outros aspectos, observaremos que os preços da comida em ouro serão o mesmo em ambas as situações, e dos outros bens em ouro será maior na economia A, porém é obvio que a economia A é muito mais rica que a B.
    Toda essa confusão surge ao superestimar a importância do dinheiro, como se toneladas de papeis nas mãos das pessoas fosse por mágica fazer com que surgisse riqueza em abundancia para elas.

  15. Leandro, deixe-me ver se eu entendi bem. Sou leiga…

    Inflação, então, seria o aumento da oferta monetária através de fraudes(diluição do ouro nos tempos antigos ou impressão de papel moeda nos tempos atuais), uma vez que esse ‘dinheiro’ surgiu do ‘nada'(falcatruas dos reis, bancos centrais etc), mas será usado para consumir bens escassos e privar outras pessoas que realmente produzem de consumí-los? Ou seja, esses caras consomem, mas não produzem nada em troca, em outras palavras, são parasitas da sociedade…

    Sendo assim, um aumento da produtividade do ouro no caso do João não pode ser considerado inflação, pois o ouro tem alguma serventia afinal(hj em dia, então…), além de ser moeda de troca. Ou seja, o ouro tem alguma outra finalidade e seu aumento agrega algo a sociedade, mas a moeda papel não, por isso um aumento desta é considerado inflação.

    Mas então qualquer aumento na oferta de dinheiro no sistema atual é algo maléfico? Pq eu não consigo ver qualquer utilidade nessas cédulas coloridas além de utilizá-las como moeda de troca. Se amanhã todos acordarem decidindo usar pedrinhas de aquário como moeda, eu não tenho a menor idéia do que pode ser feito com essas notas. Por outro lado, manter uma quantia fixa de dinheiro na economia não seria prejudicial também? Pois veja, o tempo todo novos bens e serviços são criados, nascem mais pessoas, mais pessoas entram na econômia, outras se aposentam, mas continuam recebendo dinheiro etc… não iria ‘faltar’ dinheiro?

    E esse outro parágrafo me deixou em dúvida. Vc disse:

    ‘A renda real dos indivíduos geradores de riqueza irá cair não por causa do aumento generalizado dos preços, mas sim por causa do aumento na oferta monetária. Quando a quantidade de dinheiro é expandida — isto é, o dinheiro é criado “do nada” —, os portadores deste dinheiro recém-criado adquirem a capacidade de desviar para si próprios bens e serviços sem no entanto terem feito qualquer contribuição para a produção de bens.

    Como resultado, aqueles geradores de riqueza — indivíduos que contribuíram para a produção de bens e serviços — descobrem que o poder de compra do seu dinheiro caiu, pois restaram agora menos bens disponíveis na economia — eles não mais podem demandar a mesma quantidade de bens de antes, pois estes bens não mais estão lá; já foram adquiridos pelos portadores do dinheiro recém-criado.’

    Mas o fato de haver mais moeda em circulação também não diminui seu ‘valor’, afinal se há aumento da oferta o ‘valor’ tende a cair, certo?

    Se puder responder essas questões, fico agradecida!

    Até!

  16. Pq q os políticos ñ querem uma hiperinflação? E qual é a forma q os políticos aumentam os gastos señ pela inflação simples?

  17. Lendo o artigo fiquei com uma dúvida. Você menciona que a inflação, é apenas causada por um aumento de moeda não lastreada a ouro, e o aumento insustentável da moeda, aumenta a oferta a um produto, fazendo com que o seu preço aumente. Agora, se o valor lastreado a ouro se preservar, porém, aumentar a quantidade de ouro no mercado, gerando um aumento de preços, isso não é inflação também?

    Em ambos os casos, há aumento de preço final ao consumidor, porém, no primeiro, aumentou-se apenas a moeda, e no segundo, o valor em ouro. Porém, em ambos os casos, não geram uma oferta maior de compra, ocasionando assim, um aumento do preço do produto?

  18. Nao sei se respondem artios mais antigos mas vale a pena tentar. Esses dias meu pofessor disse que inflaçao pode ser sim um aumento nos preços, ele deu um exemplo de um aumeo no petroleo, falando que quase todos os produtos sao derivados do petroleo e com isso um aumento no petroleo ira gerar um aumeno em quase todos os produtos e assim uma queda na renda real das pessoas. E deu outro exemplo de desastres naturais em plantaçoes e mostrou como isso afeta diversos setores. Fiquei pensando cmg e isso, mesmo no caso do petroleo, afeta apenas alguns setores espeificos, os preços desses produtos irao subir provavelmente a venda desses produtos ira cair mas havera muitos setores em que o preço se mantera estavel, aumentando a demanda por esses produtos mais baratos. No fim ninguem sai perdendo em relaçao à quantidade de produtos comprados, só havera a troca de um produto mais caro por outro mais barato. Alem disso mesmo que tenha um aumento em TODOS os setores todos irao ser prejuicados e nao apenas oa ultimos a terem esse dinheiro criado do nada nas maos. É mais ou menos por ai que funciona?

  19. Caros, para ilustrar trago o trecho do clássico De Monetae Mutatione de Juan de Mariana:

    Se um rei entrar num celeiro e apreender metade dos grãos do verdadeiro proprietário e para compensá-lo, autoriza-o a vender esta outra metade pelo valor referente a totalidade dos grãos antes da sua apreensão, ninguém perdoaria tal ato, mas esse era exatamente o caso da velha moeda de cobre. […] Seria correto o rei triplicar, através de lei, o valor das roupas de lã e de seda do montante atual, e enquanto o proprietário fica com um terço para si, dá o restante para o rei? Quem aprovaria isso? Bom, isso é exatamente a mesma coisa que está ocorrendo com o cobre agora. As últimas moedas cunhadas recentemente têm menos de 1 terço do valor. A população usa 1 terço e o rei usa o resto. Estas ações, claro, não tem espaço em outros bens comercializados. Elas acontecem de fato quanto ao dinheiro, porque o rei tem mais poder sobre o dinheiro do que sobre todas as outras coisas.

    Abraço.

  20. david ferreira diniz

    Li no livro do Blanchard que apesar da “neutralidade da moeda”, ” uma política monetária expansionista pode,por exemplo, ajudar a economia a sair da recessão e retornar mais rápido a seu nível natural.” Confesso que esse assunto é um tanto complexo!

  21. Inflação é desequilíbrio de preços. Impressão de moedas, para fins de desenvolvimento, geraria apenas um período curto de preços altos devido ao aumento do dólar já que o FED suspeitaria da movimentação, mas geraria emprego, consumo interno, a moeda circularia e com o desenvolvimento industrial se adquiriria mais dólares para reserva do que com o neoextrativismo e o agronegócio, sem contar que não excluiria estas duas fontes de receita. Estabilizado, a moeda voltaria a ter poder de compra e o seu imposto seria sentido não apenas na geração de emprego, como também num amplo complexo industrial da saúde pública, militar e na capacitação de trabalhos bem remunerados e valorização da moeda. Quem tem medo de inflação é acionista. Eu tenho medo é de estagflação e doença holandesa, que é o que de fato o tripé macroeconômico (que fundamenta epistemologicamente tbm o nosso direito financeiro) gerou.

    Mesma coisa com endividamento público. Desde que seja na própria moeda, não tem problema algum. O Reino Unido tem uma dívida interna de mais de 100%, o Japão, mais de 200%. O Brasil? Somente 78% em relação ao PIB. Em que isso atrapalha as contas públicas? Absolutamente nada, visto que se endevida na própria moeda valuta. O que se deve evitar é o endividamento em dólar.

    A criação de dinheiro é uma unidade de conta de valor soberano criada artificialmente para financiamento de guerras. Os registros mais antigos de uma representação de unidade de conta datam de 4 mil anos que eram traços em pedras que registravam dívidas e creditos, mas as moedas cunhadas são mais recentes, e tudo indica que foram usadas para financiar guerras. Exemplo clássico são as moedas do imperador Dario, que nas inscrições diziam que com os denares tomariam a Grécia e, no verso, o desenho de um guerreiro com uma lança. Logo então iniciaram as batalhas de Maratona no ano de 490 a.C.

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