
Em uma economia fortemente estatizada (como a brasileira), libertários sempre se vêem confrontados por todos os tipos de questões morais e práticas à medida que mais e mais empregos vão sendo criados no setor governamental — sejam eles no Congresso ou em agências reguladoras, ou simplesmente como professores e intelectuais de universidades públicas. É certo ou errado aceitar tais empregos? E independente de qual partido esteja no poder, muitos economistas pró-livre mercado enfrentam o contínuo dilema de trabalhar em instituições financiadas pelo estado. Da mesma forma, cidadãos que prezam a liberdade também se vêem às voltas com a questão da legitimidade de se trabalhar no setor público e, se sim, em qual âmbito.
Portanto, como é que nós, devotos da liberdade e da moralidade, podemos agir — e agir moralmente — em um mundo controlado e dominado pelo estado?
Parece-me que a atitude mais importante é evitar as armadilhas gêmeas e igualmente destrutivas: o sectarismo ultra-puritano — no qual nem iríamos nos permitir andar nas ruas das cidades, pois todas são geridas pelo estado –, e o oportunismo conveniente — no qual nos tornamos supervisores de campos de concentração ao mesmo tempo em que nos declaramos “libertários”.
Oportunistas são pessoas que separam completamente a teoria da prática; pessoas cujos ideais ficam muito bem escondidos em algum armário e não têm qualquer peso em suas vidas diárias. Sectários, por outro lado, sofrem daquilo que os católicos chamam de erro da “escrupulosidade”, e sempre perigam virar eremitas e/ou verdadeiros mártires, de tanto se isolarem do mundo real. Para evitar ambas essas armadilhas, precisamos de alguns critérios para nos guiar.
A moralidade como religião
Para alguns “libertários”, esse problema é de simples resolução: ao invés de tentar evitar essas armadilhas, o certo é fazer de tudo para abraçá-las. Para eles, a atitude certa é descartar todos os princípios morais — o que significa jogar fora a paixão e o comprometimento na defesa da liberdade, e ainda por cima não ter qualquer hostilidade para com os traidores da causa. Para isso, dizem eles, devemos ser cientistas ponderados e desapegados, que defendem a liberdade através de critérios utilitaristas e não-passionais. Assim, não iríamos nos preocupar com traições ou com quaisquer outras ações — não importa o quão odiosas elas sejam — que alguns libertários possam realizar. Portanto, tragam o supervisor do campo de concentração, e conversemos docemente com ele sobre os benefícios pragmáticos do sistema de preços livres e da divisão do trabalho!
Alguns “libertários” utilizam o velho truque de dizer que seguir rígidos princípios morais é coisa típica de “religiosos”, classificando dessa forma qualquer hostilidade a ações imorais com o temível rótulo de “religião”. Em primeiro lugar, o fato de pessoas religiosas serem hostis a traidores e apóstatas não faz com que as idéias delas sejam incorretas. Você não precisa ser religioso para detestar a imoralidade ou a hipocrisia, ou ficar furioso e indignado com traições de amigos ou namorados.
Por exemplo, não há nada de errado com o fato de um libertário morar em um apartamento que tenha o preço do aluguel controlado pelo governo — e que, portanto, pague um aluguel abaixo do valor de mercado. Esse libertário não é responsável pela lei de controle de aluguéis; ele simplesmente tem de viver dentro da matriz dessas leis. Portanto, não há nada de errado com um libertário morando em tal apartamento, assim como não há nada de errado nele andar em ruas estatais, utilizar aeroportos estatais, comer pão feito com trigo que tenha o preço controlado, etc. Nada disso é culpa dele. Seria, portanto, insensato e martírico que renunciássemos a tais apartamentos quando disponíveis, que parássemos de comer qualquer alimento cultivado sob regulamentação governamental, que recusássemos a usar os Correios, etc. Nossa responsabilidade é agitar e trabalhar para alterar essa situação estatista; isso é tudo o que podemos racionalmente fazer. Eu moro em um apartamento cujo aluguel é controlado pelo governo, mas eu também já escrevi e debati por vários anos contrariamente ao sistema de controle de aluguéis, e insisti em sua revogação. Isso não é hipocrisia nem traição, mas simplesmente racionalidade e bom senso.
Algo completamente distinto — um erro moral que vai muito além de simplesmente viver em apartamentos de aluguel controlado — seria, por exemplo, utilizar o estado para fazer com que o seu aluguel fosse ainda mais baixo. Há um mundo de diferença entre essas duas ações. Uma coisa é viver sua vida dentro da matriz criada pelo estado, ao mesmo tempo em que você tenta trabalhar contra o sistema; outra coisa é ativamente utilizar o estado para se beneficiar a si próprio e, simultaneamente, sacanear seus concidadãos — o que significa simplesmente praticar e incentivar a agressão e o roubo.
Trabalhando para o governo
O critério de distinção utilizado acima foi fácil. Mas existem outras situações muito mais difíceis. Por exemplo, trabalhar como um empregado do governo. É verdade que, tudo o mais constante, é bem melhor — tanto do ponto de vista libertário quanto do pragmático — trabalhar para um empregador privado do que para o governo. Mas suponhamos que o governo tenha monopolizado, ou praticamente monopolizado, a sua profissão, de forma que não haja outra alternativa que não a de trabalhar para o governo.
Peguemos, por exemplo, a União Soviética, onde o governo de fato nacionalizou todas as ocupações e onde não havia praticamente nenhum empregador privado. Deveríamos condenar todos os russos como “criminosos” pelo fato de serem empregados do governo? Será que a única atitude moral de cada russo seria o suicídio? É claro que não. Isso seria algo totalmente néscio. Certamente não existem sistemas morais que requeiram que as pessoas sejam mártires.
Mas vários outros países em que a economia apenas nominalmente pode ser considerada de mercado, conquanto ainda não tenham ido tão longe quanto a URSS, apresentam várias ocupações praticamente monopolizadas pelo estado. É impossível em vários deles (inclusive Brasil), por exemplo, exercer a medicina sem se tornar parte de uma profissão vastamente regulamentada e cartelizada (ver mais aqui). Se a sua vocação for a de professor universitário, é quase impossível achar uma universidade que não seja gerida — quando não legalmente, economicamente — pelo governo (no Brasil, por exemplo, mesmo os currículos das universidades particulares seguem critérios do MEC; tem também o ProUni, que exemplifica ainda mais diretamente a ingerência do governo sobre as faculdades privadas). Se o critério para a definição de quão estatal é uma universidade for o fato de mais de 50% de sua renda advir do governo, então praticamente não há universidades — somente algumas pequenas faculdades — que podem ser consideradas “particulares”. Durante os tumultos ocorridos no final da década de 1960, estudantes da Universidade Columbia,
Portanto, não há nada de errado em se aceitar essa matriz na nossa rotina. O que é errado é trabalhar para agravá-la, trabalhar para aumentá-la. Dou um exemplo da minha própria carreira: por muitos anos lecionei em uma universidade “particular” (não obstante não me surpreenderia se descobrisse que mais da metade de sua renda provinha do governo). Durante muito tempo essa universidade vinha cambaleando no limiar da falência, até que então ela tentou corrigir essa situação “estatizando-se” através de uma fusão com a State University of New York, que naquela época fartava-se
Mas será que isso significa que, desde que não façam lobby para mais estatismo, todos os libertários podem alegremente trabalhar para o governo, abandonando assim a própria consciência? Certamente que não. E nesse ponto é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.
Tomemos um caso concreto e vejamos como nosso critério funciona. Um velho amigo meu, economista austríaco e anarco-libertário, aceitou um importante cargo de economista no Banco Central. Lícito ou ilícito? Moral ou imoral? Bem, quais são as funções do Banco Central? Ele tem o monopólio da falsificação do dinheiro[*]; ele é o criador do dinheiro do estado; ele carteliza, privilegia e salva os bancos que praticam reservas fracionárias (ver mais aqui e aqui); ele regula — ou tenta regular — o dinheiro e o crédito, o nível de preços e, conseqüentemente, toda a economia
Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se.
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[*]Para os austríacos, a idéia de haver um banco central imprimindo dinheiro do nada — sem qualquer lastro e com a conseqüente desvalorização da moeda — é o equivalente exato ao trabalho que faz um falsificador. [N. do T.]
O trabalho realizado pelo Inmetro, poderia se enquadrar na alternativa (a) “aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado”?\r
Oi Renê
De maneira alguma.
O Inmetro seria (b). Ele é um órgão compulsório, não requisitado e criminoso.
Se ele apenas sugerisse padrões, se enquadraria na (a), mas não é o caso.
Passei no concurso do Itamaraty e vou me mudar para Brasília semana que vem.
O que acham de um diplomata ancap? Muita traição e imoralidade?
Discordo desse artigo.
Existe uma diferença gritante entre um libertário como guarda num campo de concentração e um nazi-psicopata na mesma função.
Um nazi-psicopata não se importaria em momento algum de tentar trapacear no seu emprego: ele o faria com total precisão e qualidade. Agora, um libertário poderia muito bem afrouxar o tratamento dado aos prisioneiros, desviar comida e água e quiçá salvar alguém. Aliás, tenho um leve pressentimento que com certeza houveram guardas assim.
Claro que, nesse caso, ele provavelmente foi obrigado a exercer essa função, mas acho que meu ponto é válido.
Da mesma forma, um economista no Banco Central poderia pesar nas suas decisões/opiniões a favor de menos impressão de dinheiro, menor controle de preços, etc. Mesmo que de fato isso não ocorresse. Uma voz é melhor do que o silêncio da sanção moral.
Assim como um diplomata poderia evitar todo tipo de conflito e incentivar o livre comércio, um policial militar poderia fazer corpo mole com comércio de drogas, etc.
O “libertário” que não seguir o manual do que pode ou não é declarado apóstata e excomungado?
Olá, e um libertário que trabalha no Tribunal de Justiça? é hipócrita?
Fantástica entrevista, ambos estão de parabéns, muito me alegra a lucidez do Raduan, há esperança, luz no fim do túnel.
Parabéns! Excelente entrevista!
Muito bom o equilíbrio e bom senso demonstrado neste artigo!
“Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é:
(1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade;
(2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e
(3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se.”
* * *
Rothbard erro feio e se traiu nos seus próprios argumentos. Qualquer um que trabalhe para o estado está tornando-o maior, portanto toda argumentação dele cai por terra de acordo com seus próprios parâmetros. Acho que ele tentou fazer uma mea-culpa por já ter tido um vínculo, ainda que fraco, com o governo.
E é moral que um libertário seja um diplomata?
Aí é que está o problema. Concordo parcialmente com o texto.
Veja: dado que a Receita Federal junto com a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam órgãos de grande repercussão e de grande respeito no cenário público brasileiro, o autor exclui, pelo instituto da moral, uma grande oportunidade de termos liberais em órgãos como tais.
O que quero dizer é: ao afastar essa possibilidade, perdemos a oportunidade de diminuirmos a máquina estatal de dentro da própria máquina estatal. Se levarmos em consideração que a maioria de quem se encontra nas entidades estatais prega o estatismo, perdemos essa chance, afinal quem iria limitar seu próprio poder quando concorda com ele?
A promoção do interesse liberal nesses órgãos é de extrema importância, tanto é que conheço um professor (super defensor dos ideais pregados aqui) que exerce sua pressão política e moral como servidor público (da Receita Federal) para desburocratizar o sistema tributário e aliviar a carga em cima dos empresários. E ele já conseguiu vários feitos neste sentido.
Minha conclusão: quanto mais liberais em órgãos públicos, melhor é, afinal partiremos de dentro para fora no problema.
Por favor, deem o feedback!
Resumo da história: Rothbard, Hoppe e cia. se acham no direito de passar a vida inteira na folha de pagamento do Estado, desfrutando dos benefícios do assistencialismo, sem produzir um cadarço de sapato para o mercado; mas, nas horas vagas, escrevem livros maravilhosos condenando o parasitismo, exaltando a produtividade do mercado e imaginando um mundo abstrato onde “as coisas seriam diferentes” e o mercado daria o devido valor aos intelectuais anarquistas e eles não precisariam mais do welfare state para sobreviver; e chamam isso de vocação e bom senso.
Depois são os esquerdistas que têm o ego grande.
Paralaxe cognitiva pura.
Trabalhar como diplomata do governo, que ganha um alto salário e benefícios, é imoral para um libertário?
E a saúde pública? É imoral se tornar um médico empregado pelo Estado? Nos interiores dos estados do nordeste, é quase zero hospital.
Ola, estou num dilema tambem.
Começei a ler sobre libertarianismo ha um ano mais ou menos. Meu pai sempre foi comerciante e eu trabalhei com ele. Quando começei a prestar concurso publico e passar nos orgaos vi o quanto de ineficiencia e corporativismo estatal existe. É uma mentalidade egoista de “eu ganho dinheiro aqui e dane-se se prejudico os outros”, basicamente. Sempre me senti mal ao trabalhar em orgao publico, até minha demissão do ultimo orgao em 2012, por, entre outros motivos, não cumprir greve. Basicamente fiquei fora da iniciativa privada durante anos e agora estou num mato sem cachorro: pra me contratarem em minha formação na iniciativa privada o salario medio que conseguiria nao seria suficiente para auto-sustento. Portanto, me vejo obrigado a prestar concurso publico novamente pelo salario mais alto, numa concessionaria do estado, no caso a Artesp. Mas, mesmo considerando todos os conflitos morais e filosoficos pessoais que isso possa gerar, é uma escolha racional pelo momento, pois, moro com meus pais ainda (nao consegui me mudar devido tambem aquela demissao), tenho 33 anos, e nao tenho capital para criar um negocio (que seria o que eu gostaria realmente). Portanto, não dá também pra levar a ferro e fogo as coisas. A realidade e a necessidade é muito mais dura do que ideologias. Envolve uma serie de circunstancias.
Sou enfermeiro em hospital universitário; desde o inicio da faculdade, os incentivos para se tornar funcionário publico eram fortes; visto que na minha profissão, no setor privado, os salários são baixissimos e com jornada duplicada. Passei anos enfrentando isso até que passei no concurso. Meus colegas também sempre analisaram dessa forma.
Depois q entrei no meu novo emprego que conheci Mises e o site, nem lembro mais como foi que entrei em contato com as idéias libertárias; porém foi como tirar escamas dos meus olhos…
Desde então sofro com dilema moral de trabalhar dessa forma. Sou sincero em dizer que meu salaário atual é incomparavelmente maior q de meus colegas em instituições privadas, e com carga horária menor (mais justa inclusive). Para compensar, procuro atender meus pacientes da melhor forma possível (todos do SUS). Percebi desde o começo que os funcionários do hospital, não todos claro, mas alguma maioria, não trabalham para fazer jus ao emprego.
E ainda há o sindicado exercendo todo tipo de pressão para mais participação do estado, aumento salarial, etc.
É logico q nao vou largar meu emprego. Mas pelo menos procuro atender dignamente e com muito eficiencia os pctes.
Faz muito sentido o texto. Pois, se não houvesse mentes libertárias e liberais no próprio governo, como iríamos diminuí-lo? Mesmo que outros digam genericamente, que um libertário na máquina pública seja hipocrisia, se não for assim, só imagino formas violentas de acabar com o Estado (Guerrilhas, Atentados). Algo que é extremamente condenado pelo pensamento liberal.
E em relação às cotas em instituições de ensino superior estatais? Fiquei em dúvida agora.
E no caso de trabalhar como bombeiro? Seria antiético?
Primeiramente eu gostaria de informar que nesse ano de 2020 acabei me tornando libertário, visto que, todos os argumentos contrários ao ancapistão eram sempre ataques contra a lógica.
Mas queria contar um pouco da minha história.
Iniciei meus estudos na faculdade de Direito em 2018 e com objetivo claro de ser funcionário público. Após esses 2 anos e meio de faculdade e 3 anos de estudos para concurso me tornei libertário. Nesse tempo abdiquei muita coisa da minha vida, investi muito dinheiro nos estudos e abandonei uma faculdade de engenharia para poder estudar direito.
Estou sinceramente perdido porque minha profissão é extremamente estatal, meus pais estão sofrendo pra pagar minha faculdade a fim de eu ter uma vida melhor e largar meu curso é como dar um soco na cara deles. Sinceramente não tenho nenhuma perspectiva no mercado de trabalho, nenhum empregador me contraria (nesse atual cenário/momento que coemento) porque simplesmente me dediquei 100% a esse projeto de vida e de certa forma não tenho conhecimentos técnicos úteis a profissões (digamos) não estatais.
Se eu ocupasse um cargo público gostaria de pegar parte dessa remuneração, abrir empresas, investir no mercado e usar parte do meu conhecimento de Direito a fim de driblar a CLT, contratar mais pessoas e lutar contra o Estado tornando-o obsoleto.Não tenho o objetivo de passar o resto da minha vida mamando na teta estatal.
Bom se alguém puder me ajudar, dar opiniões e sugestões estou aberto à tais.
Se possível pessoal tentem manter a educação, pois todos gostamos de ser respeitados.
Acho que vocês estão sendo muito complacentes, claro que ser bombeiro publico é errado, o dinheiro veio do roubo é a mesma coisa que você comprar um celular roubado só porque não existe igual áquele no brasil, escolhe outra profissão sei la.