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Como o governo brasileiro transformou uma recessão em uma profunda depressão

O
artigo a seguir é uma adaptação desta apresentação feita pelo autor na ocasião da V Conferência de Escola Austríaca,
ocorrida nos dias 12 e 13 de maio, em São Paulo. Daí seu tom mais coloquial.

 

A última conferência do Instituto Mises Brasil
ocorreu no dia 7 de setembro de 2014, há dois anos e oito meses.

Naquela ocasião, estávamos às vésperas de uma eleição
presidencial, e a economia já mostrava vários sinais de desarranjo.

Esta era a principal notícia da época, do final de
agosto de 2014:

1.png

O Brasil havia oficialmente acabado de entrar em
recessão. O primeiro trimestre de 2014 já havia tido PIB negativo. O segundo
também.

Dois trimestres seguidos de PIB negativo
configuravam recessão técnica.

Ou seja, nós estamos convivendo com este termo —
“recessão” — desde o início de 2014. É muito tempo.

Um fato que chamou muito a atenção à época era a
queda contínua e cada vez mais acentuada nos investimentos.

invest2014.jpg

 

Também muito comentada era a queda na produção
industrial.

prodindustrial2014.jpg

 

Eis uma pequena coletânea das notícias da época.

Pedidos
de falência cresceram 28,8% em julho

Inadimplência
das empresas tem maior alta para julho desde 2000

Bate
recorde o número de empresas inadimplentes, diz Serasa

Número
de inadimplentes chega a 57 milhões e bate recorde, diz Serasa

Produção
e vendas de veículos no Brasil têm o pior julho desde 2006, diz Anfavea

Retração
no varejo e na indústria faz com que a receita do setor de serviços tenha o
menor crescimento da história

Persiste
o desaquecimento do setor de construções

Futebol
brasileiro entra em recessão, segundo estudo de consultoria

Todas essas notícias, repito, de meados de 2014.

E quais foram as notícias de lá pra cá?

pib-2015.png

Economia encolhe 3,8% em 2015.

PIB206.png

Economia encolhe mais 3,6% em 2016.

Consequência?

doisanos.png 

Com esses dois anos seguidos de recessão, a economia
encolheu 7,2%. E voltou ao mesmo tamanho que tinha em 2010.

Regredimos sete anos em dois. Um bom Plano de Metas…

Temos hoje uma economia do mesmo tamanho da de 2010,
mas com uma população muito maior, pois a população cresce anualmente. (Hoje, a
população brasileira é 5,4%
maior do que era em 2010
).

Economia menor com uma população maior, a
consequência é inevitável:

desempregados.png

Recorde no número de desempregados: 14,2 milhões.

E estas são estatísticas oficiais do governo, o que
significa que esse número ainda é subestimado. O número real deve ser bem
maior.

Cinco
pontos

E então?

1) O que aconteceu de 2014, data da nossa última
conferência, até hoje?

2) Por que dois anos de depressão?

3) Por que o desemprego foi para dois dígitos? Hoje
ele é de 13,7%
.

4) Por que a inflação de preços esbarrou
em 11% em 2015
? E por que ela está em queda
acentuada
hoje?

5) Por que os governos estaduais entraram
em crise financeira
?

Estes são os pontos que pretendo cobrir nesta palestra.

O
que causou e o que intensificou a recessão

Em 2014, como mostrado acima, já estávamos em
recessão. As causas da recessão foram as políticas intervencionistas da Nova Matriz Econômica,
que foi o assunto daquela
minha palestra de 2014
.

Todas as políticas da Nova Matriz Econômica —
política fiscal expansionista, juros artificialmente baixos, crédito subsidiado
pelos bancos estatais, controle de preços, e aumento das tarifas de importação
para “estimular” a indústria nacional — já foram detalhadas em ordem
cronológica neste
artigo
, de modo que elas não serão novamente abordadas aqui. 

Meu principal objetivo é mostrar como foi que dois
itens específicos da Nova Matriz Econômica se combinaram, bagunçaram toda a
economia e, quando o governo foi tentar corrigi-los, a situação se agravou e
ele transformou uma recessão em depressão.

Ou seja, o objetivo é mostrar que, quando o governo
tentou corrigir uma lambança feita por ele próprio, essa tentativa de correção
acabou por intensificar ainda mais a recessão e gerar uma depressão.

Começo com este gráfico, já velho conhecido dos
nossos leitores, que é o gráfico da expansão do crédito até o final de 2014, ocasião
da nossa última conferência.

credito1.png

A linha azul mostra o total de crédito concedido
pelos bancos privados. (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC (que hoje é do
Bradesco), Citibank e vários outros pequenos). É o total de dinheiro que os
bancos privados estão concedendo a pessoas e empresas que pedem empréstimos.

A linha vermelha mostra o total de crédito concedido
pelos bancos estatais. (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES e
outros bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banco do Nordeste, Banco
da Amazônia, Banestes etc.)

Mais especificamente, a linha vermelha engloba BNDES emprestando para
as empreiteiras da Lava-Jato, para Eike Batista, para as empresas da J&F
etc; e Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil financiando imóvel, Minha Casa
Minha Vida, Pronatec, Fies, fazendo as pedaladas fiscais etc.

A soma das linhas azul e vermelha representa o total
de dinheiro que os bancos já jogaram na economia. Todo o processo de expansão
de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de
dinheiro na economia
.

De uma maneira bem sucinta, se a expansão do crédito
aumenta muito a ponto de ameaçar a inflação de preços, o Banco Central sobe a
taxa básica de juros — a SELIC –, a expansão do credito desacelera, e os
preços passam a subir menos.

De maneira bem resumida e grosseira, isso é o básico
de política monetária.

Só que, no Brasil, há uma jabuticaba. Os bancos
estatais são imunes à SELIC. Eles trabalham com uma modalidade de crédito
chamada “crédito
direcionado
“.

Isso significa que os bancos estatais são obrigados,
pelo governo, a direcionar empréstimos a juros bem abaixo da SELIC para alguns
setores escolhidos pelo governo — como o setor imobiliário, o setor rural, o
setor exportador, as empreiteiras e os barões do setor industrial.

Quem banca tudo isso somos nós, os pagadores de
impostos. O governo arrecada nosso dinheiro via impostos, repassa para os
bancos estatais, e estes então emprestam esse dinheiro — a juros abaixo da
SELIC — para empreiteiras, para compradores de imóveis, para o setor
industrial etc.

Ou seja, aquela linha vermelha não obedece a
variações na SELIC. (Veja aqui nesta tabela os
valores dos juros. Bem abaixo da SELIC.)

Repare também que, no período de 2008 a 2014, os
bancos estatais jogaram nada menos que um
trilhão e 300 bilhões
de reais na economia. Só os bancos estatais.

credito1.png

Por fim, vale notar dois fenômenos:

1) O crédito dos bancos estatais, linha vermelha,
começou a se acelerar a partir do final de 2008. Veja o crescimento
exponencial. Ali foi o início da Nova Matriz Econômica. O uso dos bancos
estatais é o principal pilar da “Nova Matriz Econômica”.

2) O crédito no Brasil foi efetivamente estatizado a
partir de 2013. O volume de crédito dos bancos estatais ultrapassou o dos
bancos privados em 2013.

Tendo entendido isso, vejamos agora as trapalhadas
feitas pelo governo.

As
lambanças

O governo Dilma adotou três medidas que permitiram que esse aumento acelerado do crédito
estatal pudesse se prolongar por muito tempo sem gerar um grande descontrole
dos preços. 

Foram três medidas que possibilitaram que essa
grande expansão do crédito não explodisse o IPCA.

1)
A primeira medida foi boa. Ainda em 2012, o governo reduziu
impostos e fez desonerações
.

reducaoimpostos1.png

Reduzir impostos não necessariamente gera uma
redução de preços, mas ajuda a evitar
aumentos
de preços. Se os empresários estão pagando menos imposto, sua
margem de lucro aumenta. E aí a necessidade de aumentar preço diminui.

2)
A segunda medida foi péssima. Também em 2012, o governo decidiu intervir no
sistema elétrico. Por decreto, ele revogou os
contratos das empresas de geração e transmissão de energia.

energia.png

O objetivo era fazer novos contratos impondo tarifas
menores. Com isso, os preços das tarifas caíram e, aí sim, jogaram para baixo o
IPCA. O IPCA começou a apresentar uma inflação de preços menor. (Isso será
mostrado mais abaixo).

3)
Já a terceira medida começou há mais tempo: a partir de 2011, o governo obrigou
a Petrobras a vender para as distribuidoras gasolina
e diesel abaixo do preço
 pelo qual foram importados. 

Eis uma notícia da época.

petro.png

Consequentemente, os preços da gasolina e do diesel,
que são um dos principais componentes dos índices de inflação, ficaram praticamente
congelados de 2011 a 2014.

Inflação
de preços artificialmente controlada

Essas três medidas seguraram artificialmente o IPCA.
E permitiram que a expansão do crédito continuasse por um período de tempo bem
prolongado. De novo, veja como o crédito estatal cresce exponencialmente até
2014.

credito1.png

E sem gerar uma inflação de preços excessivamente
alta.

No gráfico abaixo, a taxa de inflação dos preços livres
e dos preços controlados de 2004 até o final de 2014.

preços.png

Os preços livres, linha azul, são os preços
determinados livremente pelo mercado: alimentos; artigos de limpeza, higiene e
beleza; móveis; utensílios domésticos; equipamentos eletro-eletrônicos; produtos
de cama/mesa/banho; bebidas; roupas; cursos; produtos in natura; consertos
domésticos; conserto de carro; lavagem de carro; estacionamento; recreação e
cultura; dentistas e todos os tipos de serviços pessoais.

Já os preços controlados, linha vermelha, são os
preços administrados diretamente pelo governo: combustíveis, energia elétrica,
gás de bujão, pedágio, taxa de água e esgoto, planos de saúde, tarifas de
celular e de telefonia fixa, remédios e outros produtos farmacêuticos,
licenciamento etc.

Observe que, com aquelas medidas adotadas, o governo
consegue, a partir de 2011, derrubar a inflação dos preços controlados aos menores níveis em uma década.

Repare também que, em 2012, ele consegue reduzir a
inflação dos preços livres por causa daquela redução de impostos. É verdade que
os preços livres voltaram a subir em 2013, mas, em compensação, a inflação dos
preços controlados foi, naquele ano, a menor em mais de uma década.

Ou seja, o IPCA foi segurado.

Essa política de controle de preços permitiu que o
crédito estatal continuasse crescendo aceleradamente até o final de 2014. E
isso permitiu que a renda e o emprego continuassem aumentando — ainda que cada
vez menos.

E garantiu a reeleição (apertada) de Dilma Rousseff.

O
inevitável ajuste

Só que a economia não leva desaforos. Nenhum esquema
artificial pode se prolongar para sempre.

A economia sempre acaba se ajustando, por bem ou por
mal. E, quanto maiores e mais prolongados forem os desarranjos, mais brutal
será o reajuste. Sempre.

O que aconteceu imediatamente após a reeleição de
Dilma em outubro de 2014? Com o governo já reeleito, objetivo garantido, a
própria equipe econômica começou a fazer o inevitável: o ajuste.

E o governo tinha de fazer um ajuste porque tudo
estava desarrumado.

a)
Para começar, o governo tinha de aumentar aqueles impostos que ele diminuiu
porque ele estava fechando o ano com déficit primário, algo
que não acontecia desde a década de 1990
.

b)
Ele também tinha de aumentar o preço da gasolina porque a Petrobras estava
descapitalizada por causa dos preços congelados. Eis uma notícia do início de
2015.

petro1.png

O capital da Petrobras foi dizimado porque a
política era importar gasolina e diesel caros e revender barato.

(Como curiosidade, este valor de R$ 60 bilhões é
muito maior do que todos os desvios da corrupção na Petrobras, que são estimados
em R$ 40 bilhões
).

Até o próprio chefe reconheceu o erro.

petrolula.png

 

c)
Finalmente, o governo tinha de aumentar as tarifas de energia elétrica porque
as distribuidoras estavam indo à falência.

Só para relembrar, o governo havia revogado os contratos
das empresas de geração e transmissão de energia. Isso obrigou as
distribuidoras a recorrer ao mercado de curto prazo, onde a energia é bem mais
cara. Consequentemente, as distribuidoras tinham de comprar caro e revender
barato, porque o preço da revenda estava congelado pelo governo.

Consequentemente, elas ficaram
insolventes
. E o Tesouro, àquela época, já as estava socorrendo com o nosso
dinheiro.

distribuidoras.png

Mas de nada adiantou.

setoreletrico.png

Ou seja, estava tudo desarrumado e o governo tinha
de liberar os preços e fazer um ajuste.

A
explosão

Imediatamente após a reeleição de Dilma, o Banco
Central começou a subir a SELIC.

bceleva1.png

Óbvio. Ele sabia que os preços estavam prestes a ser
corrigidos.

E como foi essa correção dos preços? Uma
carnificina.

Abaixo, o gráfico da taxa de inflação dos preços
livre (azul) e controlados (vermelha).

preços2.png

Tão logo os preços foram liberados e corrigidos,
houve o inevitável: a correção dos preços represados virou uma explosão.

Observe o reajuste dos preços controlados. Na média,
eles chegam a aumentar 18% só em 2015.

Conta de luz chegou a subir
80%
em algumas cidades. Os combustíveis, entre
25 e 50%
, dependendo
da localidade
.

Quando os preços da gasolina, da energia elétrica e
do gás disparam, os custos operacionais da indústria, do comércio e dos
serviços aumentam. Consequentemente, todos tendem a repassar esse aumento para
os preços.

Veja no gráfico acima o comportamento dos preços
livres. Embora eles tenham subido menos que os preços controlados, ainda assim
apresentaram a maior taxa de aumento desde 2004. Quase 9%.

Também em 2015 houve uma forte desvalorização
cambial. O dólar pulou de 2,50 pra 4,20 em 2015. Isso pressionou ainda mais os
preços livres.

historical.png

O
Banco Central que ninguém levava a sério

Com essa disparada geral de preços, o Banco Central agiu
exatamente como determina o seu mandato: se os preços sobem, ele eleva a taxa
básica de juros. Ato contínuo, a instituição foi elevando a SELIC até chegar a
14,25%, em julho de 2015.

atacopom.png

E aí aconteceu a segunda lambança.

Sim, o Banco Central fez exatamente o que era
esperado dele. Era o que ele tinha de fazer.

O problema é que aquela diretoria específica do
Banco Central, sob o comando do senhor Alexandre Tombini,

Tombini foto marcelo camargo abr(1).jpg

não tinha mais nenhuma credibilidade perante os
formadores de preço.

Tombini6.png

Todos os agentes da economia já haviam percebido que
aquele Banco Central não tinha e nem nunca teve nenhum compromisso com uma
inflação de preços baixa.

Tombini3.png

Desde janeiro de 2011, quando Tombini foi empossado,
a meta de inflação de 4,50% nunca havia sido cumprida.

Todos os agentes econômicos formadores de preços já
haviam percebido que aquele Banco Central na verdade perseguia o teto da meta
(que é 6,50%) e nunca o centro da meta, e todos já haviam percebido que a
instituição não tinha nenhuma autonomia. Apenas seguia ordens políticas.

tombinidilma.jpeg

Consequentemente, com esse histórico, ninguém levou
a sério os aumentos da SELIC. Ninguém acreditou que “ah, agora o Banco Central
finalmente vai começar a combater a inflação!”.

No fundo, era tudo uma questão de “expectativas
deterioradas”: dado que as pessoas passaram os últimos 5 anos convivendo com
uma inflação
de preços constantemente acima da meta
, elas simplesmente incorporaram
aquilo como um dado da realidade, e passaram a agir como se a inflação de
preços fosse continuar permanentemente alta no futuro. Acrescente a isso a
disparada dos preços controlados, e você tem a tempestade perfeita.

Consequentemente, todos seguiram reajustando seus
preços normalmente, ignorando o aumento da SELIC. Dentistas, encanadores, advogados,
mecânicos, indústrias, comércio e serviços — todos incorporaram essa
expectativa de que a inflação de preços continuaria alta no futuro,
independentemente dos juros. Consequentemente, reajustaram seus preços
baseando-se nessas expectativas. 

Trata-se de um processo meramente defensivo, por
meio do qual as pessoas tentam preservar sua renda real.

Veja de novo o gráfico da taxa de inflação dos
preços livres.

preçoslivres.png

Maior crescimento em mais de uma década. Quase 9% ao
ano.

Esse é o problema quando se tem um Banco Central sem
credibilidade. Se ninguém mais acredita na seriedade de seus membros e em seus
métodos, todos seguem reajustando preços normalmente.

O
dinheiro sumiu

Mas aí aconteceu o inevitável.

Com a elevação da SELIC para 14,25% — o
maior nível desde 2006
–, com os preços em forte alta, com a elevação dos
impostos, com o acentuado desequilíbrio orçamentário do governo federal, e com
uma economia que já estava em recessão desde 2014 (e com claros sinais de
deterioração), os “donos do dinheiro” foram buscar abrigo em aplicações
financeiras.

Foi a chamada “fuga para a segurança”. Quem tinha
dinheiro decidiu protegê-lo da forma menos arriscada possível.

Os empreendedores, por exemplo, tiraram seu dinheiro
dos investimentos produtivos e foram para a renda fixa.

O gráfico a seguir mostra a evolução da quantidade
de dinheiro nas contas-correntes dos bancos. Essa modalidade é importante
porque mostra a quantidade de dinheiro prontamente disponível para empresas
consumirem e investirem. Como se trata de uma aplicação que não paga
juros, o dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo
continuamente transacionado na economia. 

cc.png

Dinheiro na conta-corrente, vale repetir para
ressaltar, é aquele dinheiro de liquidez imediata, que não recebe juros e que está
sendo diariamente transacionado na economia em montantes volumosos.

É o dinheiro realmente líquido.

No caso das empresas, dinheiro na conta-corrente é
aquele dinheiro que elas usam para consumir, investir, contratar mão-de-obra e
pagar salários. É o capital de giro.

Quando a quantidade deste dinheiro está crescendo,
isso significa que as empresas estão com mais capital de giro e com mais
dinheiro disponível para investir e ampliar sua capacidade produtiva. Significa
também que suas receitas nominais são crescentes. Já quando esse dinheiro
está diminuindo, isso significa que as empresas estão retirando dinheiro da
conta-corrente e aplicando em outras modalidades, como CDB, fundos de
investimento e títulos do Tesouro, para se aproveitar dos juros. Ou seja,
não estão dispostas a investir na economia. 

Com a SELIC a 14,25% e com os preços ainda subindo
aceleradamente, houve uma revoada. A queda na quantidade de dinheiro nas
contas-correntes foi absolutamente sem precedentes. Foi uma queda de 18% em um ano.

Desde a criação do real em 1994, nunca tinha
acontecido nem sequer queda, muito menos uma queda de 18%.

As pessoas e as empresas abriram mão da liquidez e
levaram o dinheiro para aplicações financeiras que estavam pagando juros altos
e que ao menos protegiam um pouco da inflação.

Para quais aplicações?

cewolf.png

A linha azul mostra as aplicações em fundos de investimento.
A linha vermelha mostra as aplicações em CDBs, LCIs, LCAs, debêntures e Letras
de Câmbio. E a linha verde mostra todos os títulos federais em posse de pessoas
e empresas.

As pessoas saíram da liquidez e foram com força pra
renda fixa. O movimento começou já em 2014, mas se intensificou em 2015.

Vale ressaltar que, embora nos outros anos também
tenha havido grande expansão dessas aplicações, elas ocorriam em simultâneo a um aumento nas
contas-correntes, o que significa que a quantidade de dinheiro aumentava como
um todo. Em 2015, não.

A quantidade de dinheiro líquido na economia desabou
em 2015. Uma queda na liquidez dessa magnitude nunca houve. O volume de
dinheiro líquido regrediu ao mesmo nível do início de 2010. Regredimos 7 anos.

cc.png

No caso de empreendedores, dinheiro que seria
direcionado para investimentos produtivos e para a contratação de mão-de-obra
foi simplesmente direcionado a aplicações financeiras. Óbvio. Quem não fizesse
isso teria seu poder de compra destruído pela inflação.

A própria caderneta de poupança também registrou
contração. Vinha crescendo forte, parou de crescer em 2015 e começou a
encolher.

poupanca.png

Ou seja, foi uma revoada geral. Todo mundo saiu da
liquidez e foi se proteger em aplicações financeiras de maior rentabilidade e
menor liquidez.

A
recessão virou depressão

Então, esse era o cenário em 2015:

a) menos dinheiro voltado para investimentos
produtivos, para a contratação de mão-de-obra, para salários e para consumo;

b) e preços ainda subindo forte, porque ninguém
levava o Banco Central a sério.

Vale repetir:
enquanto os preços subiam quase 11%, a quantidade de dinheiro líquido na economia encolhia 18%.

Menos dinheiro na economia e preços em alta.

Quais os resultados?

1)
Queda na renda real das pessoas.

renda2015.png

E bem forte.

quedarenda11.png

De mais de 7%.

2)
Queda forte nos investimentos.

Este gráfico mostra a Formação Bruta de Capital
Fixo. Começou a cair no final de 2013, e desabou com força em 2015.

fbcf.png

Queda de 18% apenas em 2015.

3)
E explosão do desemprego.

desemprego2015.png

4)
Acrescente a esta mistura o fato de que as pessoas estavam
endividadas
em níveis recordes em decorrência de toda a expansão do crédito
do período anterior.

endividamento.png

E tem-se um cenário de desespero geral. Preços em
alta, dinheiro literalmente encolhendo, desemprego explodindo e dívidas.

E então aconteceu o inevitável:

5)
Indústria com recorde de ociosidade.

industria.png

6)
Comércio encolhendo.

shoppings.png

shoppings2.png

Shoppings com metade das lojas fechadas e shoppings
recém-construídos às moscas.

7)
E até mesmo os restaurantes, um setor geralmente blindado contra crises sofreu.

restaurantes2.png

Junto com os bares.

restaurantes.png


Controle de preços + expansão do crédito
+ Banco Central sem credibilidade = tragédia

Essa foi a tragédia gerada pelo intervencionismo do
governo e por um Banco Central sem credibilidade.

Pra recapitular:

a) O governo controlou preços, mas continuou
injetando dinheiro na economia via crédito estatal. A demanda crescia, mas os
preços seguiam congelados.

b) Vários desajustes foram se acumulando.

c) Quando houve o ajuste, todos os preços
explodiram.

d) O Banco Central teve de subir a SELIC a um valor
muito alto para tentar conter essa inevitável explosão dos preços.

e) Mas os preços continuaram subindo mesmo assim, pois
ninguém levava aquele Banco Central a sério.

f) Só que os juros já estavam altos o bastante pra
reduzir a quantidade de liquidez na economia.

g) A quantidade de dinheiro líquido na economia
desabou, mas os preços continuaram subindo.

Vale repetir: Enquanto
os preços subiam 11%, a quantidade de dinheiro líquido na economia encolhia
18%.

Aquela sensação de falta de dinheiro e de queda na
qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais pobres, era real. Passou
a haver menos dinheiro para lidar com preços mais altos.

“O dinheiro tá curto!” era o que todos diziam. Eis a
explicação.

Crise
nos estados

Qual foi a outra consequência disso tudo? A crise
financeira dos estados.

criseestados.png

Durante a época da expansão do crédito, ou seja, até
2014, a renda das pessoas crescia, os investimentos aumentavam e,
principalmente, as receitas dos governos estaduais
se expandiam
.

Consequentemente, esses governos acreditaram que
suas receitas futuras também iriam aumentar para sempre. Afinal, se
aumentou continuamente no passado, vai continuar aumentando no futuro. Cabeça de
político.

E então eles expandiram
seus gastos
, incharam sua
folha de pagamento
, e deram aumentos salariais sucessivos
para o funcionalismo público.

estados.png

Mas aí aconteceu a recessão que virou depressão, houve
a redução da quantidade de dinheiro na economia, e inevitavelmente a
arrecadação dos governos desabou.

Governo só arrecada quando o dinheiro é
transacionado continuamente. Se a liquidez cai, a arrecadação também cai. Há
hoje menos dinheiro para os governos arrecadarem. Tanto é que seguidamente sai
notícia de que a arrecadação caiu em relação ao ano anterior.

arrecadacao.png

Vale enfatizar: o atual desarranjo das contas dos
governos é uma consequência direta dos
aumentos de gastos feitos no passado
.

Como há hoje menos dinheiro para os governos
arrecadarem, tais aumentos de gastos não mais têm como ser financiados.

E ainda mais importante: dado este comportamento do dinheiro, aumentar impostos não adianta, não.

cc.png

A única solução para os governos estaduais é cortar gastos. Não há mágica. Se não
cortar gastos a conta não vai fechar.

Troca
de governo

Entremos agora em 2016. Mais especificamente, em
maio de 2016.

O que houve naquele mês? Trocou-se o governo,
trocou-se a equipe econômica, e trocou-se a diretoria do Banco Central.

equipeeconomica.jpeg

Em
sentido horário: Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn, Maria
Silvia Bastos Marques e 
Mansueto de Almeida 

Com um Banco Central agora mais sério e com um
Ministro da Fazenda com bem mais credibilidade (e que montou uma equipe
exclusivamente técnica), a expectativa das pessoas quanto à inflação mudou. Os
formadores de preços mudaram de atitude.

Para começar, o dólar caiu de R$
4 pra R$ 3,15
.

Os preços livres, que até então vinham sendo
reajustado com intensidade, pararam de ser reajustados.

preçoslivres2.png

Hoje, a inflação dos preços livres é a menor desde o
início de 2006.

Sim, é claro que toda aquela contração monetária
ajudou, e muito, a conter o aumento dos preços. Mas a contração já existia
desde o início de 2015.

Foi
a troca da equipe econômica
o que acelerou o processo de
contenção de preços. Foi exatamente no meio do ano, tão logo houve a troca de
governo e de equipe econômica, que os preços passaram a se estabilizar.

Este é um caso de mudança positiva de expectativas
gerada por uma troca na equipe econômica.

O
efeito não-premeditado e a segunda depressão

Mas aí aconteceu outro efeito não-previsto.

Com essa queda acentuada da inflação de preços, os
juros reais dispararam. Por quê? Porque a SELIC continuou alta, mas a inflação
de preços desabou.

Este gráfico mostra a evolução dos juros reais
efetivamente praticados. Ou seja, é a taxa SELIC acumulada nos últimos 12 meses
dividida pelo IPCA acumulado também nos últimos 12 meses.

jurosreais.png

Observe que, no início de 2016, ainda com Tombini no
Banco Central e com a SELIC já em 14,25%, os juros reais estão em apenas 2%. Os
juros reais estavam baixos porque a inflação de preços estava alta.

Com a troca de governo e de equipe econômica, a
inflação de preços passa a desacelerar com força e, consequentemente, os juros
reais disparam.

Atualmente, eles estão em 9%.

Ou seja, quem aplicou em papeis atrelados à SELIC ou
ao CDI em maio de 2016 teve um rendimento bruto de 9% acima de inflação até
abril de 2017.

E o que é mais interessante: mesmo com as recentes
reduções na SELIC (que já caiu de 14,25% para 11,25%), os juros reais
continuaram aumentando. Porque a SELIC
caiu, mas a inflação de preços caiu muito mais.

(O gráfico acima, inclusive, mostra por que ainda há
muito espaço para grandes reduções na SELIC sem nenhum susto).

O problema disso tudo é que juros reais em ascensão
são grandes inibidores de investimentos produtivos. Afinal, se você consegue
ganhar 9% acima da inflação, e sem risco, por que você iria se aventurar no
setor produtivo? Por que você iria colocar seu capital em risco produzindo
coisas para as quais você não sabe se haverá demanda e contratando mão-de-obra
que pode lhe trazer dor de cabeça e processos trabalhistas?

Mais ainda: se você consegue 9% de ganho real sem
risco, e o cenário político está uma zorra, como foi em 2016, então não há dúvidas:
a opção racional é realmente tirar seu dinheiro do setor produtivo, ir pra
renda fixa, e esperar.

Consequência de tudo isso?

Voltemos ao gráfico da expansão do crédito, agora
atualizado para o fim de 2016.

credito2.png

Observe que, em 2016, tanto o crédito privado quanto
o crédito estatal estão em contração.

O crédito privado, que ficou estagnado em 2015, se
retraiu em 2016 porque a SELIC e os juros reais continuavam altos e por causa
do cenário político.

Já o crédito estatal — que não reage à SELIC —
encolheu por vários motivos. O BNDES, agora sob o comando de Maria Silvia
Bastos Marques (de
quem Joesley Batista reclamou
, o que é um ótimo sinal), suspendeu novos
empréstimos por causa da Lava-Jato. Já Caixa e Banco do Brasil estavam com os
balancetes em frangalhos por causa de pedaladas fiscais e dos vários calotes
que levaram.

O fato é que ambas as modalidades de crédito
entraram em contração. Isso foi um fenômeno inédito. Nunca tinha acontecido na
história do real.

As pessoas e as empresas não só não estavam pegando empréstimos como ainda estavam tentando quitar
os empréstimos pendentes.

Essa grande contração monetária (iniciada em 2015) e
do crédito (em 2016) gerou a atual queda (forte) da inflação de preços.

E gerou também o segundo ano da depressão econômica.

O que nos leva ao último ponto.

A
crise política

Eis o que realmente agravou tudo, aumentando as
incertezas e travando toda a economia: a crise política.

Estamos hoje vivendo uma grande crise política e uma
enorme incerteza jurídica. E, de novo, nada ilustra isso melhor do que esse
gráfico dos investimentos (formação bruta de capital fixo).

fbcf.png

Do terceiro trimestre de 2013 até o final de 2016,
os investimentos encolheram 30%.

Não há crescimento econômico sem investimentos. Não
há empregos sem investimentos.

E investimentos só ocorrem quando o ambiente
econômico e político do país é propício.

Mas se o próprio estado cria um ambiente de
incerteza econômica, política, institucional e jurídica, então os investimentos
não ocorrem. Quem seria louco para se arriscar?

E aí a economia só encolhe.

Conclusão

Tudo isso começou com um controle de preços em
conjunto com uma grande expansão do crédito dos bancos estatais.

Isso criou desarranjos que tiveram de ser
corrigidos. E, quando foram corrigidos, a situação se agravou. Para completar, veio
a crise política, que se intensificou agora em 2017, e acabou por enterrar de
vez as perspectivas de retomada da economia.

Que fique a lição: nenhuma intervenção do estado na
economia passa impune. A economia não é algo que possa ser dirigido desde cima
por iluminados bem-intencionados.

A economia é uma interação diária de milhões
indivíduos. Querer manipular essas interações com decretos e controles de
preços não tem como dar certo. Nunca deu certo em lugar nenhum do mundo.

E, no final, economia sempre se ajusta. A intensidade
do ajuste vai depender da intensidade da intervenção. O governo brincou de
microgerenciar a economia desde 2009, e de maneira cada vez mais intensa. As
consequências estão aí.

E, quando você considera que o grande chefe e
principal mentor de tudo isso tem reais chances de voltar ao poder em 2019, e
ele vai voltar espumando de raiva — já até avisou que vai “mandar prender” quem
falar mal dele –, bom, aí quem vai ser o louco de investir e gerar empregos
nesse país?

Até lá, vamos ficar em suspense, e em suspenso. 

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184 comentários em “Como o governo brasileiro transformou uma recessão em uma profunda depressão”

  1. O pior mesmo é quando olhamos para frente: não há nada e nem ninguém que indique uma mudança profunda baseada no liberalismo econômico e na livre iniciativa. E tão pouco vemos algo diferente da falácia socialista que insiste em aparecer na boca falante dos mentiros políticos.

  2. Engenheiro Falido

    Muito bom Leandro.

    Algumas dúvidas, se o governo se abdicar do controle bancário, o que poderemos esperar?

    E tem alguma regra que segure ou impulsione a expansão monetária? Pela empiria vemos que é a expansão exagerada que gera inflação.

    Quando um governo aumenta a SELIC com intuito de conter a inflação, aumenta os juros aos tomadores, mas também desestimula os investidores produtivos, que compram títulos do governo, seria uma faca de dois cumes?

  3. Bom dia!

    Excelente artigo. Tenho uma dúvida:

    De acordo com o gráfico da caderneta de poupança

    [que a legenda está: 1835 – Meios de pagamento amplos – Depósitos de Poupança (saldo em final de período) ]

    É correto afirmar que temos muito dinheiro guardado esperando um cenário político e econômico favorável para investir??

    E é correto afirmar que estamos poupando muito mais do que 15-20 anos??

  4. Há algumas questões que para mim fica complicado de resolver se não for por meio da intervenção estatal,por exemplo, o programa luz para todos,deu certo não deu? se fossemos tentar isso por meio de empresas privadas creio que não seria possível, pois que empresa de energia eletrica iria empreender em lugares sem muitas condições de retorno?

  5. Por que não depredaram o Instituto Mises Brasil?

    Poucos intelectuais perceberam – E fico feliz de estar entre eles -, mas o grande culpado pela crise econômica e social que nos encontramos atualmente, chama-se Instituto Mises.

    Como vocês bem sabem, está havendo uma verdadeira guerra em Brasília, pessoas estão sendo agredidas pela polícia controlada pelo Capital; Índios, homossexuais, mulheres, estão sendo violentados moralmente por senadores, juízes, Policiais federais, e todo pessoal sujo ideologicamente conhecida como direita xucra. Chegamos a um momento de baderna generalizada e o grande culpado de tudo isso é o Capital, o segundo grande culpado chama-se instituto Mises. Até porque, não haveria os campos de Auschwitz sem a ideologia neoliberal por traz. Todo ataque humano, procede de idéias ruins. Até quando, Hélio Beltrião?

    Para quem não sabe, o instituto Mises Brasil, começou suas operações mais ou menos no ano de 2008, e mesmo antes, à ideologia neoliberal já dominava parte da política do Brasil. A diferença do neoliberalismo anterior a 2008 e posterior a este mesmo ano, consiste no extremismo, inclusive até mesmo um jornalista da direita fascista cravou o termo "Direita xucra". Muitas pessoas morreram por causa desta ideologia nefasta, eu posso citar diversos exemplos, mas irei focar em um exemplo singular, que representar bem a maldade que é o neoliberalismo. O massacre do Carandiru – percebe-se – têm bases no individualismo sistemático cultural pregado pelo capitalismo de livre mercado; a falta de compaixão dos policiais para com às vítimas, a busca do lucro do traficante que vende drogas dentro do presídio, o preconceito da sociedade para com o uso do crack, entre diversas outras questões, têm causas primeiras nos ensinamentos de ludwig von mises.

    O que este instituto fez, foi trazer às idéias deste homem para dentro do País. Voltemos, portanto, a seguinte afirmação: Todo ataque humano, procede de idéias ruins. Até quando, Hélio Beltrião?; Lula, em depoimento a Sérgio Moro, acausa-o de ter destruído o país, de ter criado a maior taxa de desemprego, de ter criado instabilidade política e social. Ora, veja que Lula comprova as idéias ruins de ludwig von mises, pois, Sérgio moro seguiu tais idéias ao obedecer à lava Jato. Sendo que à lava jato destruiu o Brasil. Conclusão: Deveríamos ter colocado fogo no Instituto Mises Brasil e não no Ministério da Cultura.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  6. Andre Cavalcante

    A crise parece ser, no Brasil, sempre de origem e ordem política.

    A impressão que dá é que se o governo não se metesse na economia o Brasil seria uma potência!

    Abraços

  7. Nada como uma verdadeira análise econômica que só pode ser observada sob a perspectiva austríaca. Parabéns pelo artigo Leandro, mas eu sigo com uma dúvida.

    Essa contração monetária seria o que denominamos de deflação monetária?

  8. Ex-microempresario

    Pelo lado da economia, o Leandro explicou tudo. Me permito complementar pelo lado da produção:

    Nosso ensino de primeiro de grau é um depósito de crianças. Tudo que os pais querem é que a escola lhes forneça café, almoço e janta, uniforme, livro, caderno e lápis, e que fiquem lá o maior tempo possível, para não incomodar em casa.

    O segundo grau é basicamente um “cursinho pré-vestibular” que dura três anos.

    O terceiro grau, antigamente conhecido como “faculdade”, é um “cursinho para concurso público” que dura mais quatro ou cinco anos.

    Pouquíssimos jovens de hoje aprenderam a fazer alguma coisa de útil. Basicamente o interesse da maioria é passar em um concurso, já sabendo que após ser aprovado, jamais terá que ter responsabilidades ou produzir algo; basta seguir as regras, carimbar os papéis corretamente e jamais sair do roteiro.

    Fui empresário por vinte anos, e nunca deixei de me espantar com a quantidade cada vez menor de coisas que produzimos. Nos últimos anos, praticamente tudo que minha empresa comprava era importado, de torneiras a computadores, de chaves de fenda a caldeiras. Afinal, quem seria o maluco de querer montar uma indústria em um país de analfabetos funcionais ? Pode-se dizer, literalmente, que nossa indústria mudou-se para a China.

    Tenho sérias dúvidas sobre a possibilidade de uma “melhora” econômica significar um retorno a uma situação de produtividade. Me parece que tudo que temos a oferecer ao mundo é soja, milho, minério de ferro e carne de boi (esta, com a marca JBS). Basicamente, teremos que esperar que o dinheiro resultante destas atividades se espalhe pelo resto da sociedade.

  9. Parabéns pelo artigo Leandro,

    já usei artigos seus como referencia em trabalhos kk espero que não se importe! (com a devida autoria)

    Ainda por cima este está com uma qualidade acima do normal!

  10. Mais um excelente artigo de Leandro Roque! Parabéns por ajudar a passar o Brasil a limpo e contribuir para quem quer compreender melhor a realidade econômica de nosso país!

  11. Pobre Paulista,qual seria a solução então?

    Diogo, eu sei bem que as consequência não foram boas, por isso eu quero entender como proveríamos energia para lugares onde nenhuma empresa provavelmente iria empreender?

    André, (kit de geração de energia solar para residência não custaria mais que R$500) ok até aí tudo bem, será?parece mesmo que vocês não levam a sério as pessoas que vivem na estrema pobreza. E a implantação do sistema? o profissional? a manutenção? isso não sairia muito caro para famílias menos favorecidas? e a implantação de postes para se ter ruas iluminadas e mais seguras??????

  12. Excelente! Tenho lido vários artigos do site e os considero impecáveis.

    Entendo bem a necessidade das reformas (principalmente da previdência), visando reduzir os gastos do governo e melhorar as contas públicas, que afetam a economia. Contudo, gostaria de levantar a questão dos juros da dívida pública e esclarecer uma dúvida. Metade do orçamento da União atualmente vai para o pagamento de juros (aproximadamente 500 bilhões de reais por ano). Se esta dívida fosse reduzida pela metade, aliviando em 250 bilhões o orçamento anual, este valor poderia ser usado em investimentos em diversas áreas, e ainda gerar superávit. Minha dúvida é: seria bom para a economia se o Banco Central recomprasse os títulos da dívida pública, usando dinheiro das reservas cambiais ou mesmo da venda de ativos (privatização da Petrobras)? O governo poderia fazer isto atualmente? O que gera a necessidade de emissão de novos títulos da dívida, neste cenário em que a dívida já está bastante alta?

  13. Sempre que leio aqui sobre impressão desmedida de dinheiro, me pergunto se o uso de moeda atrelada ao ouro ( ou qualquer outra commodity) iria diminuir os problemas.

    Afinal de contas o governo iria perder o controle sobre o volume de dinheiro e teria que ser muito mais austero nas contas, para não provocar o caos.

  14. Espero que a fome, as mortes e todas as desgraças que estão ocorrendo, possam mudar alguma coisa.

    Por mais que esquerdismo seja um dano cerebral, quem sabe esses doentes aprendem alguma coisa.

    O principal ponto é a guerra ideológica, com as seguintes prioridades:

    – fim do imposto sindical

    – fim dos cursos universitários de filosofia, sociologia e todas essas porcarias de cursos de humanas

    – fim da prostituição no jornalismo

    – fim do fundo partidário

    – fim de verbas para ONGs e associações de direitos humanos

    Enfim, os velhos comunistas estão cometendo crimes há 50 anos. O principal ponto é acabar com a formação de novos comunistas e socialistas criminosos.

    Depois disso, podemos começar a falar em liberdade. São milhares de socialistas criminosos que estão destruindo tudo.

  15. Gostaria muito da opinião de vocês sobre uma coisa. Diante deste momento de crise e do histórico das empresas brasileiras onde poucos empreendedores sobrevivem a momentos como este, queria saber de vocês qual o melhor curso eu posso fazer para aprender a administrar minha empresa com segurança do que estou fazendo e capaz de mante-la saudável financeiramente. Já faço curso de Administração na Unisul e trabalho na empresa da família mas queria saber se há caminhos para melhorar e até expandir a empresa sem compromete-la a longo prazo ou devo desistir e fazer concurso público como todo mundo?

  16. Complicado, temos que aturar ainda esse pessoal da esquerda, defendendo os que nos derrubaram. Aí atras do seu notebook é fácil defender esses bandidos enquanto a grana somente entra na conta =/

  17. Olá Leandro!

    Com o comportamento atual da inflação é possível termos um IPCA até mesmo abaixo do piso da meta, já que os meios de pagamento, câmbio e crédito estão estáveis (ou mesmo caindo)?

  18. Rodrigo Alves de Paula

    Essa recessão se diferencia das demais que o Brasil sofreu por não ter ocorrido a convulsão social, com fome generalizada nas grandes cidades, saques aos supermercados por desempregados famintos, tentativas de suicídio, favelas se formando até debaixo dos viadutos e diáspora brasileira.

    Mas, uma coisa é certa: o Brasil não vai suportar mais um longo período de crise política. Isso somado à não-aprovação das reformas trabalhistas e previdenciárias poderão levar o Brasil ao cenário de absoluta dissolução do país tal como foi a URSS em 1991; os movimentos separatistas estão ganhando força silenciosamente e o aprofundamento da depressão fará com que esses movimentos ganhem corpo cada vez mais. O Brasil corre sério risco a médio prazo de entrar no clube dos países extintos, no qual já fazem parte a União Soviética, a Prússia, a Iugoslávia e a Austro-Hungria.

  19. Excelente artigo, novamente.

    Mas fiquei com uma dúvida. Inflação de preços (ou carestia, se preferir) não é consequência exclusiva do aumento de dinheiro na economia? Se for, me parece que o artigo dá importância exagerada a coisas como a credibilidade da equipe econômica.

    Talvez a credibilidade (ou falta de) da equipe possa servir como um catalizador, acelerando ou retardando algum processo, mas se a quantidade de dinheiro na economia está sendo restringida, me parece inevitável que a inflação de preços vai cair.

  20. Tenho uma dúvida: quais seriam as consequências se o governo brasileiro abolisse o real e passasse a utilizar o dólar americano como fez o Equador? É claro que isso não vai acontecer nunca, já que o governo não vai abrir mão do imposto inflacionário. Mas se isso ocorresse quais seriam as consequências para a população comum e a economia como o todo, principalmente os juros? Vi que o Equador tem um banco central mesmo usando o dólar americano. Como funciona a economia daquele país e qual a vantagem do resto dos países sul americanos que têm moeda própria?

  21. Muito bom artigo. Mais um show de argumentação embasada em dados.

    Leandro, se quiser complementar informação sobre a situação financeira ruim dos Estados e Municípios, você pode checar também o endividamento deles na série histórica do CADIP. Note que, em termos nominais, o valor praticamente dobrou de 2007 para cá.

    Infelizmente essa fonte, o CADIP, não inclui endividamento usando recursos tais como o fgts, mas os dados do mencionado fundo são públicos e tenho. Caso queira saber mais a respeito, entre em contato.

    Em suma, o PAC estimulou o endividamento estatal subnacional para construção de infraestrutura, e agora os Estados e Municipios, alem de estarem quebrados por causa da expansão da folha, estão muito mais envidados que 10 anos atrás. Só em um setor específico de infra, for exemplo, a divida saltou de 1,15 bi para cerca de 27,5 bi.

  22. Segundo o Portal Transparência do governo do Rio de Janeiro o déficit primário em 2016 foi de R$2,867 bilhões.

    A queda na arrecadação de participação do Governo do Rio de Janeiro na exploração do petróleo e royalties impactou diretamente o resultado fiscal do estado.

    Participação dos royalties na receita total do Estado do Rio de Janeiro – série histórica a partir de 2002

    EXERC….RECEITA TOTAL….ROYALTIES….%

    2002….R$25,7 bilhões……..R$1,8 bilhão…..7,15

    2003….R$29,9 bilhões……..R$3,5 bilhões…11,74

    2004….R$31,5 bilhões……..R$3,5 bilhões…11,15

    2005….R$32,7 bilhões……..R$4,3 bilhões…13,26

    2006….R$35,7 bilhões……..R$5,3 bilhões…14,94

    2007….R$36,5 bilhões……..R$4,4 bilhões…11,96

    2008….R$43,0 bilhões……..R$6,7 bilhões…15,62

    2009….R$44,8 bilhões……..R$4,9 bilhões…10,90

    2010….R$53,7 bilhões……..R$6,4 bilhões…11,94

    2011….R$57,5 bilhões……..R$6,9 bilhões…12,10

    2012….R$63,6 bilhões……..R$8,2 bilhões…12,95

    2013….R$76,6 bilhões……..R$8,2 bilhões…10,74

    2014….R$82,5 bilhões……..R$8,7 bilhões…10,55

    2015….R$79,1 bilhões……..R$5,3 bilhões…..6,70

    2016….R$68,3 bilhões……..R$3,5 bilhões…..5,13

    Fonte: Governo do Estado do Rio de Janeiro – Portal Transparência.

    Em decorrência da deterioração econômica vivenciada pelo país que atingiu, também, o Rio de Janeiro, as receitas totais que vinham em uma projeção ascendente, de 2014 para 2015 caíram de R$82,5 bilhões para R$79,1 bilhões, e de R$79,1 bilhões para R$68,3 bilhões de 2015 para 2016, como se vê na tabela acima na segunda coluna. Em dois anos uma queda de 17,21% nas receitas. Parte dessa queda nas receitas totais se deve a diminuição das transferências da União para o Rio, mas, também, e principalmente, à queda do preço do petróleo e do seu impacto na arrecadação dos royalties pelo estado. Conforme a tabela acima a arrecadação com royalty que vinha crescendo até 2014, de 2014 para 2015 caiu de R$8,7 bilhões para R$5,3 bilhões e de R$5,3 bilhões para R$3,5 bilhões de 2015 para 2016, como se vê na terceira coluna da tabela acima.

    A queda de R$14,2 bilhões na receita, ocorrida de 2014 para 2016, foi fulminante para o Estado do Rio, cujas despesas vinham subindo explosivamente, passando a superar, então, as receitas, fazendo o Estado incorrer em sucessivos déficits fiscais. O principal fator de descontrole fiscal foi o crescimento explosivo das despesas com a folha de pagamento, que de 2008 a 2016 cresceu 281% (ver tabela abaixo). Os reajustes do funcionalismo público do Estado, no período, foram em média de 50%. Mais que o dobro da média nacional de 21%. Esse fato, corroborado pela queda das receitas, conforme explanado acima, criou uma situação insustentável de desequilíbrio econômico-financeiro.

    Crescimento da despesa com pessoal e encargos sociais do Estado do Rio de Janeiro

    2008………..R$8,774 bilhões

    2009………..R$10,839 bilhões

    2010………..R$12,510 bilhões

    2011………..R$13,867 bilhões

    2012………..R$15,848 bilhões

    2013………..R$18,063 bilhões

    2014………..R$19,936 bilhões

    2015………..R$22,099 bilhões

    2016………..R$33,426 bilhões

    O crescimento explosivo da despesa pública de 2008 a 2016 está vinculado ao inchaço da despesa com a folha de pagamento (pessoal e encargos sociais) que mais do que dobrou, cresceu 281%!

    Não há outra alternativa que não passe por um choque de gestão fiscal baseado em corte de despesas correntes (como o congelamento dos salários do funcionalismo público combinado com um plano de demissão voluntária incentivada) e, ainda, com a suspensão do pagamento da dívida pública fundada do Estado com a União.

    O último balancete de disponibilidade financeira do Governo do Estado do Rio de Janeiro, referente ao mês de março/2017, demonstra que o governo encerrou setembro com um caixa de R$7,977 bilhões. Por outro lado as despesas com a folha de pagamento apropriadas até o mês de setembro foram de R$6,505 bilhões.

    Portanto o caixa do governo suporta o pagamento dos salários do funcionalismo público. A questão é que existem mais despesas de curto prazo que o governo tem o compromisso de pagar além da folha de pagamento como o que ocorre com seus fornecedores.

    Da análise do balancete – análise de liquidez imediata -, onde o quociente de liquidez imediata = Disponibilidades/Passivo Circulante, depreende-se que o governo tem disponível em caixa R$7,977 bilhões, mas o passivo circulante (exigibilidades de curto prazo) perfaz um total de R$33,968 bilhões. Assim o quociente de liquidez imediata é de R$7,977 bilhões / R$33,968 bilhões = 0,23. Ou seja, para cada um real de dívida de curto prazo o governo tem apenas vinte e três centavos disponíveis em caixa para pagar. Em outras palavras o governo do Rio de Janeiro não tem dinheiro em caixa pagar setenta e sete por cento das suas despesas de curto prazo, e por isso, tem de priorizar a folha de pagamento em detrimento de fornecedores, por exemplo. Uma situação é precaríssima e insustentável, já no horizonte de curto prazo.

    A análise do capital circulante líquido disponível do governo é a seguinte: Capital Circulante Líquido = Ativo Circulante – Passivo Circulante, ou, CCL = AC – PC. Logo, CCL = R$24,801 bilhões – R$33,968 bilhões = – R$9,167 bilhões. Ou seja, o ativo circulante é insuficiente para fazer frente às obrigações de curto prazo (passivo circulante) do governo. A insuficiência desses recursos econômico-financeiros, é chamado tecnicamente de passivo a descoberto. Em outro termo, diz-se que o Estado do Rio de Janeiro está quebrado.

    Como os recursos em caixa são insuficientes para fazer frente a todas as obrigações de curto prazo, tornar-se-á comum vermos nos jornais entidades específicas, pessoas físicas e jurídicas entrarem em ação de arresto de bens e valores do governo do Estado do Rio de Janeiro para garantir o seu pagamento.

    Variação de disponibilidade de caixa e equivalente de caixa do Governo do Estado do Rio de Janeiro em 2016/2017:

    Janeiro……….Informação não disponível

    Fevereiro……R$10,724 bilhões

    Março…………R$10,617 bilhões

    Abril……………R$8,406 bilhões

    Maio…………..R$7,631 bilhões

    Junho……..….R$7,515 bilhões

    Julho……..…..R$7,967 bilhões

    Agosto…..…..R$7,880 bilhões

    Setembro..…R$7,429 bilhões

    Outubro…….R$6,963 bilhões

    Novembro….R$6,344 bilhões

    Dezembro….R$6,048 bilhões

    .

    .

    Março/2017..R$7,977 bilhões

    Fonte: Balancete mensal de disponibilidade financeira (Portal Transparência do Estado do Rio de Janeiro)

    Pezão falou em securitização da dívida ativa. É uma solução de curto prazo, mas, não resolve o problema em definitivo, pois, além de serem limitados os recursos levantados com a securitização da dívida ativa e/ou dos royalties do petróleo, a medida adianta recebíveis que farão falta no futuro. Se o governo recebe adiantado de bancos privados valores a receber no futuro com os royalties do petróleo, lá na frente eles farão falta, pois, serão resgatados pelos bancos como forma de pagamento, fazendo falta ao estado no futuro. Ademais nenhuma dessas medidas paliativas freia o crescimento explosivo da despesa pública fluminense. Ou seja, ou Pezão congela os salários dos servidores públicos e aumenta suas alíquotas de contribuição previdenciária, com a ajuda da Alerj, ou o equilíbrio financeiro jamais será atingido, pois, o crescimento desenfreado da despesa pública se manterá incólume, em contraponto com a redução da receita pública, num quadro insustentável de desequilíbrio fiscal.

    A dívida ativa é uma reserva de recurso que pode ajudar, mas, também não resolve o problema. O estoque de dívida ativa que o Estado do Rio de Janeiro tem contra seus devedores é de R$58,69 bilhões. Porém, com efetiva possibilidade de recebimento apenas R$17,78 bilhões, como mostra a contabilidade governamental em sua demonstração reproduzida logo abaixo. Numa operação de securitização em que o estado vende a bancos privados o direito de receber a dívida ativa, esse valor com possibilidade de recebimento cairia ainda mais, dada a taxa de desconto que os bancos cobrariam. Portanto, a operação de securitização levantaria pouco recurso, o que ajudaria apenas no curto prazo. Para se ter uma ideia, só com a folha de pagamento o governo do Estado do Rio de Janeiro despende em torno de R$28,2 bilhões por ano.

    O estoque da dívida ativa do Estado do Rio de Janeiro é o seguinte:

    (+) Dívida ativa tributária de curto e longo prazo………..R$57,08 bilhões

    (+) Dívida ativa não tributária de curto e longo prazo…R$1,61 bilhão

    —————————————————————————————————–

    (=) Subtotal da dívida ativa……………………………………………R$58,69 bilhões

    (-) Ajuste para perdas (*)………………………………………………(R$40,91) bilhões

    ——————————————————————————————————-

    (=) Total da dívida ativa…………………………………………………R$17,78 bilhões

    (*) O ajuste para perdas de dívida ativa do Estado do Rio de Janeiro corresponde a 69,7% do total do estoque de dívida ativa e se refere à expectativa de frustração da cobrança dos devedores.

    Fonte: Contas de Gestão do Estado do Rio de Janeiro (Portal Transparência)

  23. Tenho uma dúvida e gostaria de uma orientação definitiva.

    Qual é, exatamente, o modelo matemático que o Banco Central Brasileiro está adotando para achar a taxa básica de juros (SELIC)?

    O padrão é o da neutralidade? Taxa básica de juros neutra?

    Lembrando que nos EUA, por exemplo, o padrão de determinação da taxa básica de juros durante os primeiros anos da era Greenspan (1987-1993) pode ser descrito por uma simples equação introduzida por John B. Taylor (1993), da Universidade de Stanford:

    r = p + 0,5 q + 0,5 ( p – 2 ) + 2

    onde r é a taxa básica de juros almejada, p é taxa de inflação (de preços) ocorrida no ano anterior, e q é o desvio percentual do produto atual em relação ao produto de pleno emprego.

    E aqui no Brasil? Estão adotando equações estabelecidas por um processo econométrico de análise de regressão múltipla?

    Qual é a mais adaptada, se for o caso?

    E nos EUA, na atualidade, qual é o padrão utilizado pelo FED?

    Desde já eu lhes agradeço.

    Como sempre, o artigo do sr. Leandro é de tirar o chapéu. Adoro esses artigos lastreados em dados reais e atuais da economia brasileira. Acho-os imbatíveis!

  24. Muito me preocupa o rumo que a economia brasileira tem tomado. Não cultivo o pessimismo mas admito que está difícil manter alguma ponta de esperança em meio a todo este caos. A atuação do governo tem enfrentado grande resistência, especialmente agora após os escândalos recentes. O Mercado Financeiro acaba criando um clima de aversão em relação ao nosso país, o que afugenta os Responder

  • Thiago Teixeira

    Excelente artigo.

    Bem, é triste constatar o quanto dependemos da política no Brasil. Muito triste mesmo.

    Mas há a possibilidade de ocorrer algo que reverta totalmente as expectativas economicas: a queda de Temer e a eleição indireta de Henrique Meireles como presidente. Seria um surpreendente ato de seriedade da classe política.

    Além disso, sobre o Lula, numa eleicao contra o Doria ele perde. E o Bolsonaro bateria tanto no esquerdismo que tiraria muitos votos do Lula.

    Só falta o Dória corrigir uns 3 ou 4 pontos nevrálgicos, que ele daria um bom presidente. O Constantino analisou uma entrevista dele, vale muito a pena ler. O pior ponto foi: o Dória gosta do BNDES…

    E se nada disso der certo, Lula ganhar em 2018, jogo a toalha: começo a organizar minha emigração.

  • Thiago Teixeira

    Ao menos um crédito temos que dar pro Lula, e só por isso já daria para concluir que Dilma conseguiu ser bem pior que ele: Lula sugeriu que Dilma colocasse o Meireles como Ministro da Fazenda, ducessivas vezes, especialmente após a eleicao de 2014.

    Sobre um comentario anterior, de que o artigo artribui excessivo crédito à confiança na equipe economica, lembremos que a formacao dos preços é subjetiva, e que a confiança é sempre um item valorizado pelos economistas Chicaguistas, que são os condutores mainstream da economia mundial.

  • Uma dúvida, novamente, sr. Leandro, desculpe-me o abuso, mas, se nos EUA o modelo de Taylor utiliza uma taxa inflacionária desejada de 2% ao ano, daí a equação intuitivamente, conter a soma dessa taxa (r = p + 0,5 q + 0,5 ( p – 2 ) + 2 ).

    No caso brasileiro, ela deveria ser substituída pelo centro da meta inflacionária perseguida pelo BACEN – neste caso 4,5% ? Ou pelo limite inferior da banda de controle, isto é, 2,5%.

    Neste caso, como a equação ficaria?

  • Calma, o sr. está nervoso. Chupe uma bala.

    A minha pergunta foi direcionada ao sr. Leandro. Quero apenas entender a lógica da fórmula de Taylor utilizada no caso específico do Brasil que mantém uma meta inflacionária de 4,5% e, logicamente superior à dos EUA que é de 2%.

    Quero saber se a tal fórmula sofre modificação por conta da alteração da meta inflacionária.

    Sobre a teoria da Escola Austríaca, não tenho qualquer dúvida: a solução definitiva para o Brasil seria a eliminação do BACEN e o estabelecimento de um Currency Board.

    Desde já agradecido.

  • Fernando Gesta Leal

    Muito bom Leandro.

    Mais um texto onde a objetividade , a argumentação lógica e a análise social, encaixam-se dentro de uma racionalidade cristalina.

  • Uma dúvida: sou simpático a ideia de uma abertura econômica, mas como o setor agrícola do Brasil iria se sustentar na concorrência com os subsídios da Europa e dos Eua?

  • Em 2016 o Tesouro Nacional emitiu R$721,7 bilhões em títulos e resgatou R$732,5 bilhões dos títulos anteriores, restando um resgate líquido de R$10,8 bilhões em títulos públicos, devidamente abatidos da dívida pública federal.

    Registro gráfico da emissão e resgate de títulos públicos federais feitos pelo Tesouro (2016):

    (+) Total de emissões………….R$721,7 bilhões

    (-) Total de resgates……………R$732,5 bilhões

    ———————————————————–——–

    (=) Resgate líquido……………..R$10,8 bilhões*

    (*) devidamente abatidos da dívida pública federal.

    Fonte: Tesouro Nacional

    Os juros incorridos no ano de 2016 foram de R$330,7 bilhões. Assim a dívida pública federal passou de R$2,793 trilhões em 2015 para R$3,113 trilhões em 2016; resultado da incorporação dos juros e abatimento do resgate líquido.

    Registro gráfico da gestão da dívida pública federal (2016):

    (=) Dív. púb. fed. em 2015…R$2.793 bilhões

    (+) Total de emissões………… R$721,7 bilhões

    (-) Total de resgates……………R$732,5 bilhões

    (+) Total de juros………………..R$330,7 bilhões

    ———————————————————–——–

    (=) Dív. púb. fed. em 2016…R$3,113 trilhões

    Fonte: Tesouro Nacional

    O custo da dívida pública (taxa implícita) em 2016 foi de 12,02% ao ano. Em 2015 o custo de manutenção da dívida pública tinha sido de 16,05% a.a. Caiu, portanto, mais de 4% de um ano para outro. O BACEN informou que a queda desse custo esteve fortemente atrelada à apreciação cambial do real frente ao dólar, com efeito sobre a estatística de custo da dívida pública federal externa. A redução da selic também foi um componente desse processo.

  • Bom dia, Leandro,

    Grato por mais este artigo, com infográficos mais atualizados.

    Gostaria muito que pudesse esclarecer (COM DETALHES) o que disseram neste artigo (www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/6646681/com-iminente-delacao-palocci-instituicoes-financeiras-apresentam-para-acordo-lava), pois gostaria muito de poder compreender melhor o seguinte trecho (EM DESTAQUE):

    “…Os nomes das empresas são guardados a sete chaves em meio ao enorme risco de que UM EVENTUAL VAZAMENTO ACARRETE CORRIDA BANCÁRIA. Os rumores nas mesas de operações de que instituições financeiras estariam negociando delações, antecipando possíveis revelações de delatores, ganharam força nas últimas semanas….”

    Grato, desde já.

  • Se o governo baixasse os juros hoje, o problema não seria resolvido na questão de desincentivar o dinheiro parado em renda fixa? Não seria a opção mais racional agora? Qual a justificativa para manter os juros nos patamares atuais?

  • Leandro, a austeridade fiscal adotada por Levy também teve algo a ver com a recessão? Se não teve foi algo benéfico? Mesmo que Levy tenha ficado menls de um ano.

  • “Com a troca de governo e de equipe econômica, a inflação de preços passa a desacelerar com força e, consequentemente, os juros reais disparam.

    Atualmente, eles estão em 9%.

    Ou seja, quem aplicou em papeis atrelados à SELIC ou ao CDI em maio de 2016 teve um rendimento bruto de 9% acima de inflação até abril de 2017.”

    Essa parte não está equivocada em um ponto? Me corrijam se eu estiver errado, mas os juros reais são os juros descontados a inflação. Mas o título indexado a SELIC (LFT) varia com juros nominais, e não reais, logo o título indexado a SELIC não teve o tal rendimento de 9%. Certo?

  • Caro Leandro Roque,

    Tem revista gringa (The Banker) espalhando por aí que o melhor presidente de Banco Central do mundo em 2017 foi o do BC brasileiro, Ilan Goldfajn. O motivo, dizem, foi que ele capitaneou a queda na inflação e na taxa de juros básica brasileiras.

    Pergunto se pretendes comentar algo a respeito, seja por aqui, seja por meio de artigo. Até onde sei, ele contribuiu, mas a depressão brasileira parece ter um fator de importância maior, principalmente na inflação baixa.

    Atenciosamente.

  • O problema do crédito oferecido pelos bancos estatais não é necessariamente seus empréstimos e sim o empréstimo subsidiado (com juros abaixo do mercado), correto?

  • Qual o efeito da queda das commodities da China, e da austeridade fiscal de Levy, sobre a queda da economia brasileira? Se não teve algum, ainda sim poderiam ter citado…

  • Saiu um relatório dizendo que a redução dos impostos citados no artigo não tiveram nenhum efeito. Poderiam me dizer o motivo? Teria algum efeito se o governo reduzisse a carga tributária sobre pessoa jurídica de uma forma arrojada como Trump fez? Digo de 34% para uns 25%.

  • Não entendi um ponto não tão relevante. Qual a diferença entre mercado de energia a de curto prazo em relação ao de longo prazo? E por que o de curto prazo é mais caro?

  • Vocês viram esse artigo do Krugman? Ele culpou o aperto monetário e austeridade (desde a era Joaquim Levy) pela crise no Brasil. Sei que isso ta ridículo, ele ignorou a política de preços, a baixa credibilidade do Bacen, as políticas inflacionistas da Dilma como aumento da oferta de crédito direcionado no mercado, juro baixo por decreto, etc.

    Mas poderiam dizer o erro crucial do artigo? O que ocorreria se o Bacen não tivesse feito um aperto monetário mandando os juros a 14,25%? O que ocorreria se o MF fizesse expansionismo fiscal em prol de agregação de demanda (ótica keynesiana)? Sobre o aperto monetário, sei que André Lara Rezende, qqque é um ortodoxxo, publicou um artigo dizendo que Tombini deveria ter reduzido os juros, e não ter mandado em 14,25%.

    http://www.nytimes.com/2018/11/09/opinion/what-the-hell-happened-to-brazil-wonkish.html?fbclid=IwAR0ZBmpdk9XpIDK14FN_eOrQshj7A852MXYVbvPhCxhKItag8X-2WTF5G0g#click=t.co/vdnYfjCTnb

  • Marcando esse belíssimo tópico.

    Um dos melhores da história do IMB e o melhor da web pra destrinchar a maior depressão econômica da história do Brasil (2014/2015/2016).

  • Dono de metalurgica

    A economia voltou a dar sinais de recessão, os pedidos sumiram, os calotes de clientes voltaram a subir e os que pagam ficam chorando mais prazo para pagar mesmo depois do negócio fechado. Crédito voltou a ficar mais difícil de conseguir e os funcionários ficam perguntando se serão demitidos.

  • Pessoal, se vcs olharem o link abaixo, verão que a dívida pública sob o PT não foi tanta assim, só começou a piorar depois de 2014, como explicar isso? Agora sob Bolsonaro está em nível recorde, sob Temer disparou.

    tradingeconomics.com/brazil/government-debt

  • No caso de um país com população pouco endividada, a redução da oferta monetária tbm gera um recessão? Ou teria como ocorrer uma deflação de preços sem q a qualidade de vida da população seja reduzida?

    Obrigado

  • Passaram-se três anos e o que impressiona é que o melhor crescimento que tivemos desde a recessão de 2014 foi no último trimestre de 2017, com 2,4% de crescimento anual. O crescimento em 2019 foi algo tão broxante que até em 2018, com greve de caminhoneiro e incerteza eleitoral, cresceu mais.

    Isso tudo apesar de o Temer ter feito algumas reforminhas, o tal do Joesley Day… eu acredito que se ele tivesse ganhado um mandato até 2022, tivesse passado uma reforma previdenciária com capitalização, além desses pequenos passos agora do Bolsonaro, mas com o Meirelles e Ilan no Ministério da Economia, dólar naquele mês de julho de 2019 teria sido ainda menor que R$ 3,71. O crescimento em 2019 seria maior que em 2017. E em 2017 até teve alguns meses de deflação. Merece até um artigo com algo como “O legado que o Temer deixou ao Brasil”.

    Ele praticamente teve apenas uns 2 anos para fazer alguma coisa e hoje é menos detestado que a Dilma.

  • Esses juros reais de 9 % dificilmente se repetirão no Brasil. Mais fácil o peso argentino voltar a ser moeda forte. Quem está com juros reais assim hoje é o Equador (se não me engano, 10 % por causa dos meses de deflação), que é um país extremamente instável e que faz o Brasil ter instituições suíças. Leandro, faça podcasts de novo, por favor. Que tal um artigo em 2022 para analisar o governo Bolsonaro, como você tanto fez com os governos petistas?

    Quais as principais consequências de quando o governo manipula os juros para cima, já que isso é também um controle de preços? O que lembro agora: recessão. Só que a recessão é a correção dos investimentos errôneos feitos durante um ciclo de expansão, dentro da teoria dos ciclos econômicos. Não sei como os supply-siders enxergam isso, mas banco central não combina com Escola Austríaca. É impossível o governo acertar a taxa de juros.

    No passado nos países ricos, os bancos centrais sempre acabavam dando uma pancada nos juros, como ocorreu na Alemanha, nos EUA, na Nova Zelândia, no Canadá, na Alemanha, etc. Recentemente ainda não precisaram fazer isso, pelo menos não naquela intensidade de outrora.

  • Feliz ano velho.

    E 2022 começa com dilemas semelhantes àqueles de 8 anos antes, mas com causas bem distintas.

    Que o Brasil se endireite – e desestatize – mais em outubro.

  • Leandro E cia, me esclareça sua contradição:
    ”O problema disso tudo é que juros reais em ascensão são grandes inibidores de investimentos produtivos. Afinal, se você consegue ganhar 9% acima da inflação, e sem risco, por que você iria se aventurar no setor produtivo? Por que você iria colocar seu capital em risco produzindo coisas para as quais você não sabe se haverá demanda e contratando mão-de-obra que pode lhe trazer dor de cabeça e processos trabalhistas?
    Ta em 2022 porque crescemos 3%?

  • Bárbara Maffessoni

    Nesse artigo fica claro o motivo de vários que se dizem anti-comunistas terem votado no molusco: A classe emergente caloteira e sem educação financeira alguma sentia falta do primeiro mandato do cachaceiro.
    O brasileiro médio sabe sim que socialismo não funciona, não sejamos tolos, esse pessoal vota em políticos estatistas de forma sabidamente consciente, pois se beneficia com as migalhas que esses políticos estatistas dão a eles (expansão de crédito, concursos públicos, perdão de dívidas, etc.)

  • Pelo AMOR DE DEUS IMB, voltem ao LAYOUT ANTIGO, nem consigo mais achar os comentários novos, só os antigos de anos e anos atrás. Esta uma porcaria isso, o melhor do instituto era os debates nos artigos, agora completamente extintos.

    Obrigado

  • Bárbara Maffesssoni

    Revoltado, como o site resolveu apresentar aqueles problemas novamente, respondo aqui mesmo:

    Essa é uma tecla que sempre irei bater, até queria continuar acreditando que é só ideologia e lavagem cerebral o nosso problema, mas isso é bobagem, em termos de Brasil, no máximo isso engana idoso que não sabe ler/escrever e filho aborrecente que os pais parideiros (de todas as classes) não querem cuidar (aliás, os hipócritas só se dizem orgulhosos de ser pai/mãe, mais ou menos quando o rebento tem uns 10 anos no máximo e ainda tem cara de bolacha, depois disso vira estorvo pra eles).

    Quando um cara ganha eleição prometendo coisas como carro novo, casa, picanha, cerveja e computador, é sinal que o problema dessa pessoa não é ideológico, mas sim de cultura, de caráter. Toda pessoa que conheço que votou no Lula, ridiculariza o comunismo e derivados, faz piadinhas como “Che Quer Vara”, “Coma Andante”, não sejamos ingênuos, eles sabem que isso não dá certo em lugar nenhum, votaram no pinguço simplesmente pelos bens materiais que prometeu e seria assim com qualquer outro político, não é necessário fazer ditadura, quando há uma população que te apoia no que você quiser. Só darmos uma volta nas nossas redondezas mesmo e iremos perceber o motivo de o Brasil não ser Suíça, Andorra, Nova Zelândia e derivados, aliás, esses bebuns de bodega de copo sujo, donos de mercadinho, piranhazinhas do cabelo falso, sabem pronunciar o nome desses países? É, acho que não.

  • Só relembrando esse post.

    [i]1) O crescimento econômico ocorreu devido a todas as reformas feitas do lado da oferta, e não devido a manipulações monetárias. Isso é inédito no Brasil. A oferta monetária, estável desde meados de 2021, permitiu que o cálculo econômico seja correto, sem estimular investimentos errôneos (exatamente como explicado em detalhes neste artigo: https://mises.org.br/article/3401/e-so-quando-se-entende-o-sistema-de-precos-que-se-percebe-a-importancia-de-uma-moeda-solida 2) Adicionalmente, a forte queda nos preços dos combustíveis e da energia elétrica representou uma substantiva [u]redução de custos[/u]. Oferta monetária estável com preços (custos) em queda é economicamente estimulante, e funciona melhor que expansão monetária (pois possibilita cálculos econômicos mais sólidos). Para enfatizar: a estabilização da oferta monetária foi seguida de uma queda nominal de preços. É como se os custos dos insumos tivessem voltado a 2018 (preços da gasolina e da energia elétrica). Se a oferta monetária se estabiliza (por causa do aumento dos juros), mas os preços caem, então não há aquele efeito recessivo do “dinheiro curto” (quando sua renda fica estagnada e os preços continuam subindo), o qual sempre precede as recessões. Recessões são causadas por esta “inelasticidade para baixo” dos custos. Oferta monetária parada e preços ainda altos. Porém, se os preços caem junto com a estabilização monetária, então o ajuste já foi feito. Este efeito não pode ser desconsiderado. 3) A taxa de juros acumulada em 12 meses entre outubro de 2021 e outubro de 2022 foi 10,90% brutos. O IPCA no mesmo período foi de 7,80%. Logo, um juro real de 2,87%. Isso ainda está longe de ser uma taxa restritiva — ao menos não para o histórico do Brasil. A rentabilidade média de uma empresa é muito maior do que isso. 4) O fenômeno atual vivenciado no Brasil — estabilidade da oferta monetária com queda de preços — é sui generis no arranjo de moeda fiduciária (acontecia apenas no padrão-ouro). Isso ajuda enormemente a evitar uma recessão. Caso uma recessão venha a ocorrer, ela ocorrerá por uma questão de choque de expectativas e por insegurança jurídica ou política, e não por questões monetárias e econômicas.[/i]

    O Brasil estava no caminho certo, esse era o ”problema”, mas agora o ”normal” da ‘governabilidade’ voltou.
    Pobre país.

    E nesse decênio de 2020/30 se vai a última janela demográfica onde se poderia prosseguir os ajustes já iniciados (ref. previdenciária e privatizações) ao lado de outros já propostos e que o congresso agora engavetou novamente (ref. tributária e adm.).
    Sem ”save game”.
    O Brasil se condenou a terminar seus dias como um país velho e pobre.

  • Finalmente o Mises Brasil assume que o Brasil vive não uma recessão econômica mas uma depressão econômica mesmo. Agora o que não entendo é porque o PT fez essa expansão de crédito irresponsável via bancos começando toda essa crise. Não faz nenhum sentido. Pobre é uma das palavras já autoexplicativas. Vai pagar como essa dívida se não tem dinheiro? O PT distorceu completamente o conceito de classe média no Brasil.O Pobre achou que era classe média só porque tinha livre acesso a crédito pra por exemplo financiar um carro. Não é alguém de classe média financiando um carro, é um pobre financiando um carro.E repito:vai pagar como?

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