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João Mazzoni, Fellow do Mises Brasil, torna-se PhD em Empreendedorismo

Nós do Instituto Mises Brasil parabenizamos nosso Fellow, o professor João Fernando Mazzoni, pela defesa de sua tese de doutorado na Baylor University, realizada sob a orientação do professor Peter Klein.

A tese, intitulada Essays on Entrepreneurship and Strategy, é composta por três ensaios que investigam como mudanças no ambiente econômico, institucional e regulatório afetam a ação empreendedora e a adaptação das firmas. Vale destacar que o trabalho foi parcialmente financiado por uma bolsa do Institute for Humane Studies.

Nosso Fellow João Mazzoni já desempenha um papel fundamental no Mises Brasil, atuando docente na nossa Pós-Graduação em Escola Austríaca. Vê-lo concluir seu doutorado sob a orientação de um dos principais economistas da Escola Austríaca moderna é motivo de enorme orgulho para todos nós.

Para que nossos leitores possam conhecer melhor o trabalho, o próprio professor João Mazzoni compartilha abaixo uma explicação sobre sua tese:


Defendi a tese na Baylor, sob orientação de Peter Klein, intitulada Essays on Entrepreneurship and Strategy. São três ensaios que investigam, em diferentes níveis de análise, como mudanças no ambiente (choques econômicos, institucionais e regulatórios) afetam a ação empreendedora, a adaptação das organizações e as estratégias das firmas. O fio condutor é austríaco: parto da ideia de que mudanças exógenas não geram resultados empreendedores automaticamente, elas dependem do julgamento dos empreendedores e dos arranjos institucionais que filtram esses choques. Israel Kirzner, a abordagem do julgamento empreendedor (Foss & Klein) e a incerteza knightiana aparecem como pano de fundo dos três capítulos.

O primeiro ensaio é o que talvez tenha mais apelo para o público brasileiro: usei a descoberta do pré-sal como um experimento quase natural para testar empiricamente se grandes choques de recursos naturais geram empreendedorismo produtivo ou apenas inflam temporariamente a economia local. Com dados da RAIS em nível municipal, mostro que houve, sim, um aumento na criação de novas firmas nos municípios portuários expostos, mas a entrada se concentrou em serviços locais de baixa barreira, e não em setores ligados à cadeia do petróleo. Com o tempo, o efeito se dissipa. O resultado dialoga diretamente com a literatura da resource curse (a “maldição dos recursos naturais”) e sugere que quando o acesso às oportunidades centrais é centralizado, pense em Petrobras, exigências de conteúdo local, contratos de partilha, o choque escala atividade existente em vez de gerar transformação estrutural. É um caso bem concreto de como o desenho institucional pode neutralizar o efeito empreendedor de uma oportunidade econômica de proporções gigantescas. Vale mencionar que, até onde sei, é um dos primeiros trabalhos a usar microdados da RAIS para testar a resource curse em nível municipal com desenho causal.

O segundo ensaio é qualitativo: um estudo de caso longitudinal de uma incubadora de empresas americana, acompanhando como ela adaptou sua forma de operar diante de dois choques bem diferentes — a pandemia da COVID-19 e uma mudança regulatória nos EUA que passou a permitir que atletas universitários monetizassem sua imagem (algo que antes era proibido). Mostra como organizações intermediárias precisam aprender a perceber, captar e reorganizar recursos em resposta a choques de naturezas muito diferentes, e como esse aprendizado é cumulativo.

O terceiro é teórico e é onde a Escola Austríaca aparece de forma mais explícita: desenvolvo um framework que chamo de Entrepreneurial Dynamic Capabilities, reconceituando as chamadas “capacidades dinâmicas” das firmas a partir da abordagem do julgamento empreendedor sob incerteza knightiana. A ideia central é que a capacidade de uma firma de se adaptar não vem de rotinas mecânicas nem de cognição gerencial isolada, mas do exercício de julgamento sobre recursos heterogêneos — e que a governança interna da firma é o que permite (ou inibe) esse julgamento. É basicamente uma tentativa de unir Knight, Mises, Foss e Klein à literatura mainstream de estratégia. Esse capítulo conta com a colaboração de Luan Valério, doutorando na Baylor e fellow do Instituto Mises Brasil, que contribuiu para as discussões iniciais sobre o desenho da pesquisa. O capítulo está sendo preparado para submissão a periódicos da área

Por fim, vale registrar que a tese foi financiada em parte por uma bolsa do Institute for Humane Studies, o pessoal de lá literalmente mudou minha trajetória. Foi um e-mail do Nigel Ashford que indiretamente me empurrou para o PhD.


Parabenizamos novamente o professor João Mazzoni por essa conquista e desejamos pleno sucesso na continuidade de sua trajetória acadêmica e na divulgação das ideias austro-libertárias!

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