Eugen von Böhm-Bawerk demonstrou ainda no século XIX os erros fundamentais da teoria do valor-trabalho de Marx. Sua crítica atingiu o coração da teoria da exploração e antecipou problemas que os marxistas jamais conseguiram resolver de forma satisfatória. É isso que Handre van Heerden explica neste tweet.
A teoria estava errada. Infelizmente, isso não foi suficiente para impedir que marxistas tentassem colocá-la em prática.
Segue a tradução do tweet:
Marx faleceu em 1883 com dois volumes de O Capital ainda por escrever e uma contradição fatal sem resposta. Eugen von Böhm-Bawerk percebeu isso.
Em 1884, ele publicou o primeiro volume de Capital e Juros, uma história de todas as teorias sobre juros já propostas, e tratou a teoria da exploração da mesma forma que um patologista trata um cadáver: metodicamente e sem sentimentalismo. Marx afirmava que somente o trabalho cria valor, que o capitalista embolsa a “mais-valia” ao pagar aos trabalhadores menos do que o valor de seu produto. Parece simples. Então, Böhm-Bawerk fez a pergunta que derruba toda a estrutura. Por que um trabalhador aceita 90 dólares hoje em vez de esperar um ano pelos 100 dólares que seu trabalho acabará rendendo no produto acabado?
Bens presentes valem mais do que bens futuros. Isso é juros. Não é roubo, não é um parasita tirando proveito, mas o preço do próprio tempo. O capitalista que adiantam salários hoje por uma produção que será vendida no ano que vem presta um serviço e ganha a margem por arcar com a espera e o risco. Böhm-Bawerk expôs isso em 1889 em A Teoria Positiva do Capital, e a narrativa da exploração não teve resposta.
Mas a verdadeira refutação veio em 1896. Engels finalmente conseguiu imprimir o Volume III de O Capital em 1894, e lá Marx admitiu discretamente que as mercadorias, na verdade, não são vendidas pelo seu valor-trabalho: elas são vendidas a “preços de produção” regidos por uma taxa média de lucro. Böhm-Bawerk atacou em Karl Marx e o Fim de Seu Sistema. O Volume I afirmava que o valor provém do trabalho. O Volume III afirmava que os preços se desviam sistematicamente do trabalho. Marx havia passado vinte anos construindo uma catedral sobre uma fundação que ele mesmo dinamitou nas últimas páginas. Não se pode afirmar que o trabalho determina o valor na segunda-feira e que a concorrência o anula na quinta-feira e chamar o resultado de ciência.
Um século de planejadores centrais ignorou isso e passou a matar de fome a Ucrânia, erguer o muro de Berlim e esvaziar as prateleiras de Caracas. A teoria estava morta em 1896, mas os mortos continuavam chegando mesmo assim, porque ninguém lê as notas de rodapé antes de pegar a arma.

