Certa vez, quando me pus a contemplar o miraculoso processo de criação de um simples lápis de grafite, tive aquele lampejo: Aposto que não há uma só pessoa na terra que saiba como fazer uma coisa tão simples como um lápis.
Se isso pudesse ser demonstrado, tal fenômeno iria retratar vigorosamente o milagre que é o mercado, e ajudaria a deixar claro que todos os objetos fabricados são manifestações puras do processo de energia criativa, do processo de trocas gerido por essa energia criativa. Acima de tudo, deixaria claro que tais fenômenos são, na realidade, fenômenos espirituais. As lições de economia política que isso poderia ensinar seriam enormes!
A essa ideia seguiu-se um inesquecível dia em uma fábrica de lápis, começando na plataforma de desembarque da matéria prima, passando por cada uma das várias fases de transformações, e concluindo tudo em uma entrevista com o químico responsável.
Tivesse você visto o que eu vi, certamente também teria iniciado uma cordial amizade com esse incrível personagem: EU, O LÁPIS.
Sendo ele próprio um escritor, deixemos que EU, O LÁPIS fale por si só.
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Eu sou um lápis de grafite — daqueles lápis comuns de madeira, conhecidos de todas as crianças e adultos que sabem ler e escrever.
Escrever é minha vocação e minha profissão; é tudo o que eu faço.
Você pode se perguntar o que me leva a escrever uma genealogia. Bem, pra começar, minha história é interessante. E, depois, sou um mistério — mais do que uma árvore ou um pôr-do-sol ou até mesmo um relâmpago. Mas, infelizmente, não sou devidamente considerado por aqueles que me usam, que me veem como se eu fosse uma mera ocorrência natural, sem todo um histórico de experiências. Essa atitude desdenhosa relega-me ao nível da trivialidade. Esse é um tipo de erro lamentável no qual a humanidade não pode persistir por muito tempo sem riscos. Como o sábio G. K. Chesterton observou, “Nossa decadência vem da falta de maravilhamento, não da falta de maravilhas.”
Eu, o Lápis, apesar de parecer simples, mereço todo seu maravilhamento e espanto, como tentarei demonstrar. Na verdade, se você tentar me compreender — não, isso é pedir demais de alguém –, se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade está infelizmente perdendo. Tenho uma lição profunda a ensinar. E posso ensiná-la melhor do que um automóvel ou um avião ou uma máquina lava-louças porque… bem, porque eu sou aparentemente muito simples.
Simples? Sim. E mesmo assim, não há uma única pessoa na face da terra que consiga me produzir. Parece fantástico, não? Especialmente quando se sabe que, apenas nos EUA, existem em torno de um a um bilhão e meio da membros da minha espécie produzidos a cada ano.
Pegue-me e dê uma boa olhada. O que você vê? Não há muito o que contemplar: há um pouco de madeira, verniz, a marca impressa, a ponta de grafite, um pouco de metal e uma borracha.
Inúmeros antepassados
Assim como você não pode rastrear o passado de sua árvore genealógica até muito longe, também me é impossível nomear e explicar todos os meus antepassados. Mas eu gostaria de citar alguns deles para que você se impressione com a riqueza e complexidade do meu passado.
Minha árvore genealógica começa com aquilo que de fato é uma árvore de verdade, um cedro nascido da semente que cresce no nordeste da Califórnia e no estado do Oregon. Agora visualize todas as serras e caminhões e cordas e outros incontáveis instrumentos usados para cortar e carregar os troncos de cedro até a beira da ferrovia. Pense em todas as pessoas e suas inumeráveis capacidades que concorreram para minha fabricação: a escavação de minerais, a fabricação do aço e seu refinamento em serras, machados, motores: todo o trabalho que faz com que as plantas passem por vários estágios até se tornarem cordas fortes e pesadas; os campos de exploração de madeira com suas camas e refeitórios, a cozinha e a produção de toda a comida para os lenhadores. Milhares de pessoas têm participação em cada copo de café que os lenhadores bebem.
Os troncos são enviados para uma serraria em San Leandro, Califórnia. Você é capaz de imaginar todos os indivíduos que fizeram os vagões, os trilhos e as locomotivas, e que construíram e instalaram todos os sistemas de comunicação para tudo isso? Essas multidões estão entre os meus antepassados.
Considere o trabalho dessa serraria em San Leandro. Os troncos de cedro são cortados em pequenas tiras do comprimento de um lápis com menos de 7 milímetros de espessura. Essas tiras de madeira são queimadas no forno e em seguida são coloridas, pela mesma razão que as mulheres colocam maquiagem em seus rostos. As pessoas preferem que eu tenha uma aparência bonita, e não um branco pálido. As tiras são enceradas e levadas novamente ao forno. Quantas habilidades foram necessárias para a fabricação da tintura e dos fornos? E para prover o calor, a luz e a eletricidade, as correias e seus acoplamentos, os motores, e tudo o mais que uma serraria requer? Os faxineiros da serraria estão entre os meus antepassados? Sim, e também os homens que despejaram o concreto para a construção da represa da hidroelétrica que forneceu a energia da serraria!
E não se esqueça de todos os antepassados atuais e distantes que participaram do transporte dos sessenta vagões carregados dessas tiras de madeira através do país.
Uma vez na fábrica de lápis — US$ 27.700.000,00 (valores atualizados) em maquinário e construção, tudo capital acumulado pelos meus pais que pouparam e foram frugais –, uma máquina complexa faz oito entalhes em cada tira de madeira. Após isso, outra máquina deposita a ponta de grafite, aplica a cola e coloca outra tira em cima da tira anterior — um sanduíche de grafite, por assim dizer. Sete irmãos e eu somos mecanicamente esculpidos por meio desse processo de “ensanduichamento de madeira”.
Minha ponta de grafite também é complexa. O grafite vem de minas no Sri Lanka. Pense nos mineradores, naqueles que fabricam suas diversas ferramentas, nos fabricantes dos sacos de papel nos quais o grafite é enviado, naqueles que fazem os cordões que amarram os sacos, naqueles que os embarcam nos navios e naqueles que fabricam os navios. Até os zeladores das torres de farol auxiliaram no meu nascimento — além dos pilotos que conduzem os navios quando estes chegam aos portos, também conhecidos como práticos.
O grafite é misturado com argila vinda do Mississipi, em cujo processo de refinamento se usa hidróxido de amônio. Agentes umedecedores são então adicionados, como sebo sulfonado — gorduras animais reagidas quimicamente com ácido sulfúrico. Depois de passar por numerosas máquinas, a mistura finalmente surge na forma de filetes expelidos (processo conhecido como extrusão) — como se saíssem de um moedor de carne –, cortados no tamanho certo, secos e assados por várias horas a mais de 1.000 graus Celsius. Para alisar e aumentar sua resistência, as pontas são então tratadas com uma mistura quente que inclui cera candelilla do México, parafina e gorduras naturais hidrogenadas.
Minha madeira recebe seis camadas de verniz. Você sabe todos os ingredientes do verniz? Quem poderia imaginar que os cultivadores de mamona e os refinadores de óleo de mamona fazem parte? Mas fazem. Aliás, até os processos pelos quais o verniz adquire um belo tom de amarelo envolvem a perícia de mais pessoas do que qualquer um pode enumerar!
Observe minha marca. Ela é um filme formado pela aplicação de calor sobre carbono negro misturado com resinas. Como se faz resinas? E, por favor me diga, o que é carbono negro?
Meu pedaço de metal na ponta superior — o arco — é de latão. Pense em todas as pessoas que mineram zinco e cobre, e naquelas que possuem as habilidades para fazer brilhantes placas de latão com esses produtos da natureza. As pequenas manilhas no meu arco de metal são níquel preto. O que é níquel preto e como ele é aplicado? A história completa sobre o porquê do centro do meu arco de metal não possuir níquel preto levaria páginas para explicar.
Então há a minha gloriosa coroação, a borracha, a parte que o homem usa para apagar os erros que ele comete comigo. São os ingredientes abrasivos que apagam. Produtos feitos pela reação do óleo de semente de colza das colônias holandesas com cloreto sulfúrico. A borracha, contrária ao senso comum, é só para dar consistência. E então, também, há numerosos agentes vulcanizantes e aceleradores. A lixa vem da Itália; e o pigmento que colore a borracha é o sulfeto de cádmio.
Ninguém sabe
Alguém deseja contestar minha afirmação anterior de que não há sequer uma pessoa na face da terra que saiba como me fazer?
Realmente, milhões de seres humanos participaram da minha criação, e nenhum deles sabe mais do que alguns dos outros. Agora, você pode dizer que estou indo longe demais ao relacionar os colhedores de café no Brasil — e em outros lugares — à minha criação, e que essa é uma posição extremada. Mantenho minha posição. Não há uma única pessoa em todos esse milhões, incluindo o presidente da empresa frabricante do lápis, que contribuiu com mais do que uma mínima, ínfima porção de conhecimento. Do ponto de vista técnico e prático, única diferença entre o minerador da grafite e o lenhador no estado do Oregon é o tipo do conhecimento. Nem o minerador nem o lenhador podem ser dispensados, tampouco se pode dispensar o químico da fábrica ou o trabalhador da refinaria de petróleo — já que a parafina é um subproduto do petróleo.
Aqui vai um fato assombroso: nem o trabalhador da refinaria petróleo, nem o químico, nem o escavador do grafite ou da argila, nem os homens que fazem os navios ou trens ou caminhões, nem aquele que controla a máquina que arremata meu pedaço de metal, nem o presidente da empresa fazem seu trabalho particular porque eles me querem. Cada um me deseja menos, talvez, do que uma criança na primeira série. Sem dúvida, existem alguns nesta vasta multidão que nunca viram um lápis ou não sabem como utilizá-lo. Sua motivação é outra. É mais ou menos assim: Cada um desses milhões vê que ele pode, deste modo, trocar seu pequenino conhecimento por bens e serviços que deseja ou dos quais necessita. E eu posso estar ou não entre esses itens.
Sem uma mente superior planejadora
Há um fato ainda mais espantoso: a ausência de uma mente planejadora, de alguém ditando, ou direcionando forçosamente essas incontáveis ações que me permitem existir. Não há sinal da existência dessa pessoa. Em vez disso, vemos apenas o trabalho da mão invisível. Esse é o mistério a que me referi anteriormente.
Diz-se que “apenas Deus pode fazer uma árvore”. Por que concordamos com isso? Não é porque percebemos que nós mesmos não conseguimos fazer uma? Conseguimos realmente explicar uma árvore? Não, exceto em termos superficiais. Podemos dizer, por exemplo, que uma determinada configuração molecular se manifesta como uma árvore. Mas qual é o intelecto entre os homens que poderia sequer memorizar as constantes mudanças que acontecem na extensão da vida de uma árvore? Essa façanha é absolutamente impensável!
Eu, o Lápis, sou uma combinação complexa de milagres: árvore, zinco, cobre, grafite e muito mais. Mas, a esses milagres que se manifestam na natureza, um milagre ainda mais extraordinário foi adicionado: a disposição das energias criativas humanas — milhões de minúsculos conhecimentos configurando naturalmente e espontaneamente uma resposta à necessidade e ao desejo humano, sem precisar de qualquer mente superior! Se apenas Deus pode fazer uma árvore, também insisto que apenas Deus pode me fazer. Homens não conseguem dirigir esses milhões de conhecimentos para me trazer à “vida”, assim como não conseguem ajustar as moléculas para criar uma árvore.
O parágrafo anterior mostra o que procurei expressar quando disse “se você puder perceber a maravilha que eu simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade infelizmente está perdendo”. Se alguém atentar para o fato de que esses conhecimentos irão naturalmente, até mesmo automaticamente, arranjar-se em padrões produtivos e criativos em resposta às necessidades e demandas humanas — ou seja, na ausência de um governo ou qualquer outra mente superior coercitiva –, então este alguém possuirá um ingrediente absolutamente essencial para a liberdade — a fé nas pessoas livres. A liberdade é impossível sem essa fé.
Uma vez que o governo obteve o monopólio de uma atividade criativa como, por exemplo, a entrega de correspondências, a maioria dos indivíduos passou a acreditar que as cartas não poderiam ser entregues eficientemente pela ação livre dos homens. E aqui está a razão: cada um reconhece que ele próprio não sabe como fazer acontecer todas as circunstâncias para a entrega de correspondências. Essas suposições estão corretas. Nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para efetuar a entrega de correspondências para toda a nação, assim como nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para fazer um lápis. Agora, na ausência da fé em pessoas livres — sem a percepção de que milhões de pequeninos conhecimentos podem naturalmente e miraculosamente se formar e cooperarem para satisfazer suas necessidades — o indivíduo só pode concluir equivocadamente que a correspondência só pode ser entregue graças à “mente superior” do governo.
Fartura de testemunhos
Se eu, o Lápis, fosse o único item que pudesse oferecer testemunho sobre o que homens e mulheres podem realizar quando têm liberdade para empreender, então aqueles com pouca fé teriam um argumento justo. No entanto, há uma fartura de testemunhos: estão à nossa volta, ao nosso alcance. A entrega de correspondência é extremamente simples quando comparada com, por exemplo, a fabricação de um automóvel ou uma calculadora ou uma máquina agrícola ou dezenas de milhares de outras coisas.
Entrega? Aliás, onde os homens puderam se aventurar nessa área, eles conseguiram fazer a entrega da voz humana em menos de um segundo: entregam um evento visualmente e em movimento na casa de qualquer pessoa no momento em que está acontecendo; entregam 200 passageiros de uma cidade a outra em questão de horas; entregam gás de uma cidade à fornalha de alguém em outra cidade a preços inacreditavelmente baixos e sem subsídio; entregam um quilo de óleo do Golfo Pérsico no oeste americano — meia volta ao mundo — por menos do que o governo cobra para entregar uma carta de 50 gramas ao outro lado da rua!
A lição que eu tenho para ensinar é a seguinte: deixem que as energias criativas permaneçam desimpedidas. Simplesmente deixem que a sociedade se organize espontaneamente para que ela aja em harmonia com essa lição. Deixem que os aparatos legais da sociedade removam todos os obstáculos da melhor forma possível. Permitam que esses conhecimentos fluam livremente. Tenham fé que homens e mulheres irão responder à mão invisível. Essa fé será confirmada. Eu, o Lápis, aparentemente tão simples, ofereço o milagre da minha criação como um testemunho de que essa fé é real, tão real quanto o sol, a chuva, o cedro. Tão real quanto a Terra.
Como faz falta o Miltão \r
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A divisão do trabalho é uma das coisas mais fantásticas que o homem descobriu nos primórdios da era industrial.\r
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Maravilhoso o artigo, gostei mesmo. Parabéns!
RH. \r
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O que quis dizer é que, se quisermos, cada país que contribuir com algum elemento para riquezas inexploradas pode agregar uma espacialidade oposta, com conceitos matemáricos, chamada valor, a qual se torna padrão para qualquer outro objeto na produção.\r
\r
O mercado não faz nenhum milagre (mão invísivel) se não coordenar os principios da realidade num ponto oposto (meio da produção); e nem o lapis significa algo tão complexo que a economia não possa potencializar como capital – na passagem das perspecitivas da propriedade privada – criação do meio externo – independente do processo de endividamento do Estado. \r
\r
Ou seja: o problema é o país poderoso que que toma para si a existência da espacialidade externa(o valor) de todos os objetos, para submeter o mundo real à sua moeda.
como assim simples???????
Como o livre-mercado é lindo!
Legal, é uma adaptção de algo que havia sido colocadojá pelo Milton Friedman.
Explendido, ainda mais com a citação de G. K. Chesterton, eu imagino que esse texto exista há um certo tempo, agora não consigo imaginar como eu nunca o li em sala de aulas..
Obrigado!
Att
“Eu, Smartphone” é um vídeo baseado no ensaio “Eu, Lápis” escrito por Leonard Read, em 1958. “Eu Lápis” teve um impacto duradouro sobre a forma como pensamos sobre o processo de mercado. E porque o Institute for Faith, Work & Economics nos traz o exemplo de como como um smartphone é feito e por que é importante que você se importe? Porque Deus nos deu o processo de mercado como a ferramenta mais poderosa que temos em um mundo falido para servir uns aos outros, usando nossos dons.
Esse milagre do mercado é dado como um fenômeno simples e garantido por todos. Esse tipo de texto deveria estar presente em todas as aulas iniciais sobre o mercado. r
Mais uma vez o “mises” me surpreende com tão bons textos. Parabéns aos responsáveis.
Verdadeiras aulas de mercado, de civilidade, de consciência. Só lamento estarmos num país que caminha a passos largos na direção oposta.
Senhores,
Estava lendo a revista Piauí deste mês e me deparo com um artigo de André Lara Resende denominado “A propósito do Otimismo”. Basicamente ele comenta, elogia e depois ridiculariza um livro e um autor que, na minha opnião, baseiam-se na Escola Austríaca.
Estou comentando aqui por não saber de local melhor. Reproduzirei alguns trechos aqui e quem sabe alguém gostaria de pedir um direito de resposta à revista Piauí:
” Compreende-se que o livro tenha sido premiado com o Prêmio Hayek. Ridley parece realmente um liberal progressista, não um conservador sob o manto do liberalismo, como é mais comum nos dias de hoje. Sustenta que os empresários, apesar de proclamarem o contrário, são sempre contra o mercado competitivo. Em conluio com a burocracia, criam todo tipo de barreiras à competição, organizam-se em oligopólios, tornam-se ineficientes e sem criatividade. Ridley é contra as patentes e a propriedade intelectual – o que é raro. Para ser coerente com o seu liberalismo, deveria se manifestar também contra as restrições à imigração, à liberdade de ir e vir, de decidir onde viver, talvez uma das mais básicas das liberdades. Mas seria pedir demais, concedo.”
” Segundo Ridley, essas inovações são estimuladas pelo mercado, pela escassez que eleva os preços e estimula o desenvolvimento de alternativas e os ganhos de eficiência. O argumento, mais uma vez, não é original. O progresso tecnológico, a seu tempo, se encarregará de tudo resolver. Ridley incorre, entretanto, num erro primário, mas infelizmente frequente. Serve-se da tese do mercado, do sistema de preços como transmissor de informações, para desqualificar o argumento dos riscos ecológicos. A grande maioria dos danos ecológicos, como a destruição da fauna, a poluição do ar, dos rios e dos oceanos, é exemplo de bens públicos, nos quais não há custo para o indivíduo que deles desfruta, mas há um custo coletivo. Os bens públicos são o caso clássico da chamada falha de mercado. Bens cujo custo coletivo do consumo não é passível de ter preços determinados pelo mercado. Em relação à questão dos limites físicos do planeta, da destruição do meio ambiente provocada pela ação humana sobre a Terra, confiar no sistema de preços de mercado – uma máquina efetivamente extraordinária de resolver problemas, como sustenta Hayek – não faz sentido. Qualquer aluno do curso básico de microeconomia deveria saber disso.”
“Em relação à questão ecológica, mais do que qualquer outra, para que a tese otimista seja defensável, é preciso que ela seja reformulada, não dependa exclusivamente do mercado e do sistema de preços. Os estímulos do sistema de preços não são os únicos responsáveis pela engenhosidade e imaginação humanas. A tese do otimismo só é defensável se desvinculada da defesa ideológica do mercado mesmo quando o mercado é reconhecidamente incompetente.”
Essa são as partes mais polêmicas na minha opnião. O artigo inteiro está na revista deste mês.
Olá, eu sou novato em economia e não entendo muito do assunto, portanto gostaria que vocês me indicassem livros que expliquem o básico de economia, como inflação, deflação, o que forma os preços, etc, de preferencia livros neutros. Obrigado pela atenção.
O Miguel A. E. Corgosinho só pode estar usando o gerador de lero-lero para responder. Deve ser um Troll!
suicidiovirtual.net/dados/lerolero.html
Meu caro amigo Lápis, vc escreveu:
“Se apenas Deus pode fazer uma árvore, também insisto que apenas Deus pode me fazer. Homens não conseguem dirigir esses milhões de conhecimentos para me trazer à “vida”, assim como não conseguem ajustar as moléculas para criar uma árvore.”
Essa afirmação me soa verdadeira e cristalina. Entretanto, o “explorador tributário e seus asseclas” não precisam de tantos conhecimentos – nem de crer em Deus – para arrancar para seus cofres tudo o que julgam ter direito em todas as etapas necessárias para que vc seja feito.
Que se gastem milhares de vc e de seus irmãos, além de folhas de papel, a explicar a grandeza da criatividade humana, ainda assim o explorador e seus asseclas não terão olhos para ler nem ouvidos para escutar essas explicações, e continuarão sua sanha de arrancar à força a parcela a que pensam ter direito.
O artigo é quase uma história de Hans Christian Andersen ou uma fábula daquele francês, mas é improvável que atinja seu objetivo, pois o explorador e seus asseclas são inexoráveis, e surdos e não lêem…
@Renato,
Como havia respondido ao @Leandro, todos os países que ele citou como exemplo de economias que florejaram após terem sido colonizadas seguiram o modelo de colonização Inglês, enquanto que a maioria dos países latino americanos seguiram o modelo espanhol e o Brasil, o Português, ambos escravocratas, eu comentei ao @Leandro que os conhecimentos econômicos e culturais que o IMB tenta às duras penas mudar no Brasil por meio de um processo informativo e educacional com livros, palestras, e artigos… foram transmitidos naturalmente pela herança cultural e econômica que os países colonizados pela Inglaterra herdaram dela, isso não significa que eu esteja postulando qualquer tipo de compensação para o Brasil de Portugal, apenas estou constatando um fato, para que populações mudem o modo de pensar caracterizado pela frase que você mesmo citou: “Temos uma disposição estatista, aprendida desde cedo. Nós, os sul-americanos, desejamos a segurança da vida de escravos”, é necessário um esforço informativo e educacional maior para alcançar aquilo que países colonizados pelos Inglêses adquiriram naturalmente, e que os colocaram após se livrarem do jugo Inglês em uma posição melhor do que aqueles colonizados por Portugueses e Espanhóis. Isso explica apenas porque culturalmente nos inclinamos a pensarmos errado economicamente, e porque nesses países diferentemente daqueles que seguiram o modelo de colonização inglês, ascenderam tantos governos ditatoriais, sejam populistas ou militares.
Caro Eddie. Finalmente um site que defende as idéias liberais e o capitalismo publicou com bastante decência – espaço generoso , bela ilustração , depoimento do autor sobre o inside, etc, o que considero uma obra prima – muito criativa e primorosamente didática – sobre a divisão (internacional) do trabalho e o mercado: “Eu , O Lápis”, de Leonard Read, fundador do Foundation for Economic Education. Foi o L.v.Mises – Brasil. Considero também uma versão em vídeo e localizável no you tube , com o Milton Friedman, excelente, muito bem dirigido e muito bem interpretado não achando que as discordâncias teóricas que se tenha com eles (os Freedmans) desqualifique o belo e útílissimo trabalho pela causa da liberdade.
Ivan Lima
Bom dia! Sou iniciante na escola austríaca e entendi o texto como uma tentiva de explicar a existência da mão invisível no livre mercado.
Depois de uma reflexão correlacionei o fabricante do lápis ou criador da empresa com um governante ou presidente do país da mesma forma que correlacionei com numeros empreendedores. Veja, apesar do fábricante produzir lápis sem saber de todos os detalhes e processos de todos os componentes(a mão invisível), exitiu uma pessoa que montou o quebra-cabeças, que juntou as pessoas necessárias ou componentes para que o fim fosse atingido. Da mesma forma, o governo deveria funcionar.
A diferença básica que pude notar é a de que os empreendedores são mais restritos a uma área específica, já os governantes precisariam ser especialistas em tudo, o que é impossível. Qualquer presidente de empresa precisa conhecer a fundo o funcionamento do empreendimento para ter êxito.
Minha conclusão, talvez equivocada, é de que a mão invisível existe no livre mercado assim como no sistema atual, porém não consegue agir com eficiência com tatos regulamentações.
Desconstruindo a teoria do: Eu, Lápis.
Estou em processo de me tornar vegano. Pois tenho percebido como o homem tem explorado outros seres vivos, e tudo a sua volta, por causa do capitalismo. Em suma, o capital tornou o homem escravo de si mesmo.
Faço está introdução, para que você perceba a opressão que a arvore recebe, por culpa do homem. Todos os dias de manhã, após ler meus poemas para minhas plantas, eu gosto de fazer caminhadas pelo parque, as vezes eu converso com algumas arvores.
Em uma dessas conversas, caiu um galho em minha cabeça. Este foi o sinal que a arvore quis me enviar, alertando sobre a opressão do homem. O galho representa as milhares de arvores que são mortas em massa, para produzir lápis para seres humanos.
Eu tirei uma foto, comparando o galho (vida) com o Lápis (exploração do homem).
Foto: https://s13.postimg.org/6wp0ynzev/20161104_153957.jpg
Veja como o lápis não aparenta mais vida, o homem sem coração colocou cores e química no lápis que era um presente da natureza. Do outro lado esta o galho, com suas cores naturais, transbordando vida e cheiros.
Eu lápis é a exploração da arvore para fins humanos.
O ponto que não foi tocado no artigo acima é: vocês consultaram a arvore sobre esta questão? Veja como homem é sujo. Ele apenas vê a arvore como um item de consumo, que está ali apenas para seu consumismo soberbo.
Ei ser humano, não existe só você na terra. Existe bilhões de seres vivos, por que você se acha o dono de todos os outros? Quem te deu este direito? A sociedade precisa refletir sobre isso.
Melhor artigo que já li no Instituto Mises. “Eu, o Lápis”, demonstra claramente que a não poderosa do mercado é desnecessária. O livre mercado me parece a melhor opção para o desenvolvimento da Economia e da Humanidade.
Parabéns e continuem trazendo excelentes artigos para os leitores.
Perdão ia escrever “Estado” e saiu “mercado”. Precisamos pensar em como poderia funcionar uma sociedade SEM Estado nacional. Eu me pergunto se uma confederação de cidades-Estado poderia existir. No passado deu certo, como Atenas, Esperta etc. Hoje temos Cingapura, Hong Kong, Mônaco, Vaticano…talvez funcione, não sei.
Gostei da versão brasuca da relação eu, e o lápis.
Este é um artigo interessante ,lendo ele aprendemos que sempre precisamos de alguém, porém! nos dias de hoje, com o advento da China isso já não é mais possível, pois eles conseguem fabricar até mesmo a matéria-prima sem precisar que venham de lugares diferentes, fazendo assim, os preços caem e os produtos ficam mais acessíveis a todos.