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Sobre impostos e impostômetro

Como já foi anunciado, o impostômetro este ano atingiu o
valor de 1
trilhão
de reais em uma data anterior à do ano passado.

Esse fenômeno surpreendeu muita gente.  Afinal, além da extinção da CPMF e da redução
das alíquotas de IPI, esse foi um ano de recessão – ao contrário do ano
passado, que foi de grande expansão econômica.

Assim, como pode o valor dos impostos recolhidos ter
aumentado, se houve desoneração e recessão?

Esse, aliás, é um fenômeno antigo e quase nunca citado pela mídia.  Por exemplo, de 2004 até o fim de 2008, a arrecadação
aumentou constantemente em relação ao PIB.  A oposição – o que inclui
alguns (poucos) setores da imprensa – fazia alarde: “Viram só?  O
governo está aumentando impostos!”.  Os políticos e jornalistas da
situação, que entendem tanto de economia quanto os da oposição, retrucavam:
“Ah, é? Citem um único imposto que subiu?”.  E aí o debate acabava. 

De fato, não houve aumento líquido de impostos nesse período.  Contudo, a arrecadação em relação ao PIB
cresceu continuamente.  Por quê?  Ora, porque o Banco Central expandiu
constantemente a base monetária e, consequentemente, os agregados M1, M2, M3 e
M4. 

Em um cenário de crescimento econômico, como o período 2004-2008, se você
imprimir dinheiro, o volume arrecadado inevitavelmente irá aumentar.  E
como a inflação de preços é sempre menor que a inflação monetária para um mesmo ano,
o resultado é que a arrecadação em termos reais (isto é, já descontada a
inflação de preços) será inevitavelmente crescente.  Isso explica o
aumento da carga tributária em termos do PIB nesse período, embora não tenha
havido aumento de impostos.

Já em um cenário de recessão ou de estagnação, como o atual, uma expansão da
oferta monetária (M1 e demais) faz com que o valor nominal arrecadado cresça,
embora o valor em termos do PIB possa cair (que é o que está acontecendo
atualmente no Brasil).

Assim, o fato de o impostômetro ter atingido o valor de 1 trilhão de reais
um dia mais cedo em relação ao ano passado, mesmo com um cenário econômico mais
impropício, é explicado principalmente pelo comportamento do Banco Central: no
período de um ano, de novembro de 2008 a novembro de 2009, o M1 aumentou 10%, o M2, 9%, o M3, 16%, e o M4, 15%.

O fato de a imprensa não ter feito essa interpretação (eu, pelo menos, não
vi), mostra bem o conhecimento que ela tem sobre teoria monetária.

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16 comentários em “Sobre impostos e impostômetro”

  1. Coexistem tres elementos que me induzem a supor uma estagflação:\n1) O real supervalorizado em relação as outras moedas.\n2) Os depósitos compulsórios, que impedem 30% da riqueza circular.\n3) As notas de cem reais, sumidas desde o fantástico golpe bancário de 1995 ainda não retornaram das Caymanns.

  2. Puts… a tal “bolha em gestação” não é mais uma mera hipótese então, podemos praticamente ter certeza?\n\nSugestão de artigo: comparar a progressão da base e dos agregados monetários brasileiros com os estrangeiros em períodos conhecidos por terem criado uma bolha lá fora, de acordo com a teoria austríaca.\nPor exemplo, estaria o BC da era Lula inflando mais, menos, ou equivalente ao Fed da era Clinton, que criou a bolha da internet?\nLembrando-se sempre que o real não é moeda internacional… corrijam-me se estiver incorreto, mas o fato do dólar ser moeda internacional alivia as coisas para eles não?\n\nAbraços, e parabéns pelos artigos, continuem com esse bom trabalho.

  3. Pessoal, estou tentando entender esse negócio chamado economia e eu ainda não consegui entender onde está o aumento da arrecadação por consequencia da impressão de dinheiro do Banco Central. Aliás, vale aqui uma pergunta, o que devo entender por impressão de dinheiro? O “criar dinheiro do nada” ou a impressão de notas físicas de dinheiro?
    Se alguém puder me explicar isso melhor serei grato!

  4. Leandro Coelho, impressão de dinheiro é exatamente isso: o Banco Central cria dinheiro do nada. Ele pode imprimir cédulas e cunhar moedas, ou ele pode eletronicamente adicionar valores nas contas que os bancos mantêm junto ao banco central.

    É imprescindível que você leia os dois artigos a seguir, para entender definitivamente essa questão (a meu ver, importantíssima):

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=311

    Já o aumento da arrecadação em consequência do aumento da oferta monetária (quantidade de dinheiro) é uma coisa óbvia: se há mais dinheiro circulando, haverá mais dinheiro sendo arrecadado pelo governo.

  5. Reportagem que atualiza e reforça o argumento desenvolvido neste post.

    Com economia aquecida, arrecadação federal cresce 18% e chega a R$ 63,4 bi

    O forte ritmo de crescimento da economia fez com que a arrecadação de tributos federais chegasse a R$ 63,4 bilhões no mês passado, um aumento real (acima da inflação) de 17,68% na comparação com o resultado de setembro de 2009.

    www1.folha.uol.com.br/mercado/816851-com-economia-aquecida-arrecadacao-federal-cresce-18-e-chega-a-r-634-bi.shtml

  6. Obrigado pela presteza, Daniel.

    Veja que interessante: de setembro de 2009 a setembro de 2010, os depósitos em conta-corrente cresceram nada menos que 19,15%. E a arrecadação cresceu 18%. Bem em linha.

  7. Rapaz, mas que disparate é esse? O convidado não perde a chance de chamar nosso presidente de autoritário, elogia a social-democracia e chama a China de capitalista no podcast do Instituto Mises??? Pobre austríaco… está se revirando no túmulo.

  8. Paulo Roberto de Almeida

    Caro Felipe, creio que você deveria examinar com atenção o caráter do atual presidente: um autoritário com alma de tirano (se é que ele tem alma); existe um livro do jornalista Maklouf sobre o autoritário capitão, e suas fraudes no Exército: ele deveria ter sido expulso sem concessões, e se fez um arranjo para não causar confusão, pois ele era um terrorista potencial. A social-democracia é um tipo de construção social, política e econômica que tem legitimidade histórica e eleitoral, e construiu brilhantes democracias na Europa. Não seja sectário e conheça melhor a trajetória das social-democracias europeias. Quanto à China, é um despotismo, ou uma autocracia, mas se trata de um pais MAIS CAPITALISTA do que o Brasil. Se você não conhece a China, leia mais sobre o país, e visite, de preferência com mais tempo do que simples turismo. Aprenda que o mundo não é o mundinho da Escola Austríaca apenas. Não seja sectário, e tenha sobretudo o espírito aberto.

  9. É, se o instituto Mises se prostrar à esquerdopatia como fez a melancia MBL, a defesa da liberdade na internet tenderá à perda de suas esperanças. Continuemos lutando.

  10. Cláudio César Alves Moreira

    Entendo que o socialismo é uma forma de comunismo disfarçada; onde o estado detém um domínio sobre o cidadão parcial; “mais leve”; sendo certo que a “regressão” para o autoritarismo estatal(comunismo) é simples e veloz.

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