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Nessa primeira década do século XXI, o pensamento liberal, tanto em seus aspectos teóricos quanto políticos, chegou a uma encruzilhada histórica. Embora a queda do Muro de Berlim e o fim do socialismo real em 1989 aparentassem ter anunciado “o fim da história” (para usar a infeliz e exagerada frase de Francis Fukuyama), hoje, e em muitos aspectos mais do que nunca, o estatismo prevalece ao redor do mundo, acompanhado pela desmoralização daqueles que amam a liberdade.
Assim, faz-se imperativo um “aggiornamento” do liberalismo. É hora de fazer uma revisão completa da doutrina liberal e de atualizá-la à luz dos últimos avanços ocorridos na ciência econômica, bem como da experiência que os últimos eventos históricos nos proporcionaram.
Essa revisão será iniciada com o reconhecimento de que os liberais clássicos fracassaram em suas tentativas de limitar o poder do estado e que, atualmente, a ciência econômica está em posição de poder explicar por que esse fracasso era inevitável desde o início. O passo seguinte será um enfoque na teoria dinâmica dos processos de cooperação social guiados pelo empreendedorismo – pois são eles que geram a ordem espontânea do mercado. Essa teoria pode ser expandida e transformada em uma análise completa e madura do sistema anarcocapitalista de cooperação social, o qual acaba se revelando o único sistema verdadeiramente viável e compatível com a natureza humana.
Nesse artigo analisaremos essas questões em detalhes, junto a uma série de outras considerações práticas relacionadas a estratégias científicas e políticas. Ademais, faremos uso dessa análise para corrigir alguns típicos equívocos e erros de interpretação.
O Erro Fatal do Liberalismo Clássico
O erro fatal dos liberais clássicos jaz na incapacidade de entender que o ideal por eles defendido é teoricamente impossível, uma vez que ele contém as sementes da sua própria destruição — afinal, sua teoria inclui a necessária existência de um estado (mesmo um mínimo), subentendido como o agente que detém o poder exclusivo da coerção institucional.
Assim, os liberais clássicos cometem o maior erro de sua abordagem: eles veem o liberalismo como um plano de ação política e um conjunto de princípios econômicos, cujo objetivo é limitar o poder do estado ao mesmo tempo em que aceitam sua existência e até a consideram necessária. Entretanto, hoje (na primeira década do século XXI) a ciência econômica já mostrou:
- que o estado é desnecessário;
- que o estatismo (mesmo que em sua forma mínima) é teoricamente impossível; e
- que, considerando-se a natureza humana, uma vez que exista um estado é impossível limitar seu poder.
Comentaremos separadamente sobre cada uma dessas questões.
O Estado como um Ente Desnecessário
De uma perspectiva científica, somente o errôneo paradigma do equilíbrio poderia encorajar a crença de que há uma categoria de “bens públicos” — como segurança e iluminação pública — cuja necessidade de oferta justifique, sem uma análise mais profunda, a existência de um ente que detenha o monopólio da coerção institucional (o estado) obrigando todos a financiar esses bens. Afinal, afirmam os liberais clássicos, tais “bens públicos” são de oferta conjunta e não possuem rivalidade de consumo — logo, sua oferta pelo mercado é impossível.
Não obstante, a concepção austríaca sobre a dinâmica da ordem espontânea criada pelo empreendedorismo desmonta toda essa teoria feita para justificar o estado: o surgimento (real ou aparente) de um “bem público” — isto é, oferta conjunta e não rivalidade de consumo — gera os incentivos necessários para que o ímpeto da criatividade empreendedorial encontre uma alternativa melhor via inovações legais e tecnológicas, bem como descobertas empreendedoriais, que torne possível superar qualquer problema que possa advir do fato de se tratar de um “bem público” (desde que o recurso não seja declarado “público” e o livre exercício empreendedorial seja permitido, junto com a concomitante apropriação privada dos frutos de cada ato criador e empreendedorial).
Por exemplo, no Reino Unido, o sistema de torres de farol para navegação marítima foi, durante muitos anos, administrado e financiado pela iniciativa privada; e os procedimentos privados (associações de marinheiros, taxas portuárias, vigilância social espontânea, etc.) ofereceram uma solução efetiva para esse “problema” que os livros-texto “estatistas” descrevem como sendo o mais típico exemplo de um “bem público”.
Da mesma forma, no Velho Oeste americano surgiu o problema de como definir e defender os direitos de propriedade em relação, por exemplo, às cabeças de gado em vastas extensões de terra. Varias inovações empreendedoriais — que resolviam os problemas à medida que eles iam surgindo — foram gradualmente introduzidas (marcação de gado a ferro quente, supervisão constante de cowboys armados e a cavalo, e, finalmente, a descoberta e a utilização do arame farpado, o qual, pela primeira vez, permitiu uma efetiva delineação de grandes extensões de terra a preços bem acessíveis).
Esse fluxo criativo de inovação empreendedorial teria sido totalmente bloqueado caso os recursos tivessem sido declarados “públicos” — proibidos de serem propriedade privada — e gerenciados burocraticamente por uma agência estatal. (Atualmente, por exemplo, a maioria das ruas e estradas não tem a chance de adotar inúmeras inovações empreendedoriais — coleta de pedágios por veículo e hora, gerenciamento privado da segurança e da poluição sonora, etc. –, não obstante o fato de a maioria dessas inovações não mais representar qualquer desafio tecnológico. Todavia, os bens em questão foram declarados “públicos”, o que impossibilita sua privatização e o criativo gerenciamento empreendedorial.)
Ademais, o motivo pelo qual a maioria das pessoas acredita que o estado é necessário é porque elas confundem sua existência (desnecessária) com a natureza essencial de muitos dos recursos e serviços que ele atualmente (e ineficientemente) fornece, e com o monopólio que ele exerce sobre estes (quase sempre sob a desculpa de sua natureza pública). As pessoas hoje veem as estradas, os hospitais, os correios, a segurança, o judiciário e a ordem pública sendo geridos pelo estado e, como estes são serviços altamente necessários, elas concluem sem qualquer análise mais profunda que o estado também o é.
Elas são incapazes de entender que os recursos supracitados podem ser produzidos em um padrão de qualidade muito superior — bem como mais eficientemente, mais economicamente, e em sintonia com as necessidades em constante alteração de cada indivíduo — por meio da ordem espontânea de mercado, da criatividade empreendedorial e da propriedade privada. Ademais, as pessoas cometem o erro de acreditar que o estado também é necessário para proteger os indefesos, os pobres e os destituídos (os “pequenos” acionistas, os consumidores médios, os trabalhadores, etc.), sem contudo perceber que tais medidas supostamente protetoras acabam por — como demonstra a teoria econômica — prejudicar exatamente aqueles que elas supostamente deveriam proteger. Caso isso fosse compreendido, uma das mais antiquadas e canhestras justificativas para a existência do estado seria extinta.
Rothbard afirmava que o arranjo de bens e serviços que o estado atualmente oferta pode ser dividido em dois subconjuntos: aqueles bens e serviços que devem ser eliminados e aqueles que devem ser privatizados. Claramente, os bens mencionados no parágrafo acima pertencem ao segundo grupo, e o desaparecimento do estado — longe de significar o desaparecimento de estradas, hospitais, escolas, correios, segurança, judiciário, ordem pública, etc. — significaria a oferta destes em maior abundância, com maior padrão de qualidade e a preços mais razoáveis (sempre em relação ao custo atual que os cidadãos pagam via impostos).
Além disso, deve ser mostrado que os episódios históricos de caos institucional e desordem pública ocorridos (por exemplo, várias ocorrências durante os anos anteriores a — e durante a — Guerra Civil Espanhola e a Segunda República Espanhola, ou atualmente em grandes áreas da Colômbia e do Iraque) advêm de um vácuo na oferta desses bens, uma situação criada pelos próprios estados, que não fazem com a mínima eficiência aquilo que em teoria deveriam fazer, de acordo com seus próprios defensores, e que tampouco deixam que o setor empreendedor privado o faça, uma vez que o estado prefere a desordem (a qual também serve para legitimar ainda mais fortemente sua presença coerciva) ao desmantelamento e à privatização de todas as suas estruturas.
É particularmente importante entender que a definição, aquisição, transmissão, troca e defesa dos direitos de propriedade- – as quais coordenam e conduzem o processo social — não requerem um aparato que detenha o monopólio da violência (o estado). Pelo contrário, o estado invariavelmente age atropelando inúmeros e legítimos títulos de propriedade — quando os defende, o faz muito ineficientemente — e corrompendo o comportamento (moral e legal) dos indivíduos em relação aos direitos de propriedade de terceiros.
O sistema jurídico é a manifestação evolucionária dos princípios gerais legais (especialmente no que tange a propriedade) que são compatíveis com a natureza humana. Portanto, o estado não determina a lei (democraticamente ou de qualquer outra forma). Ao contrário, a lei está contida na natureza humana, embora ela seja descoberta e consolidada de uma maneira evolucionária, em termos de jurisprudência e, principalmente, de doutrina.
(Consideramos a tradição jurídica romana, com sua natureza mais abstrata e doutrinal, como sendo muito superior ao direito consuetudinário anglo-saxão, o qual se originou de um apoio desproporcional do estado à prática dos julgamentos jurídicos. Esses julgamentos, por meio de seus veredictos vinculantes, introduzem no sistema jurídico todos os tipos de disfunções que surgem de circunstâncias específicas e interesses prevalecentes em cada caso.) A leis são evolucionárias e baseiam-se nos costumes — portanto, elas precedem e são independentes do estado, e não requerem, para sua definição e descoberta, qualquer agência que detenha um monopólio da coerção.
Não apenas o estado é desnecessário para definir as leis, como também é desnecessário para aplicá-las e defendê-las. Isso já deveria estar especialmente óbvio nos dias de hoje, quando o uso – mesmo, paradoxalmente, por várias agências governamentais, como os EUA no Iraque – de empresas de segurança privadas já se tornou bastante comum.
Esse artigo não é o local adequado para se apresentar um relato detalhado de como funcionaria a oferta privada daqueles bens que hoje são considerados “bens comuns” (embora a falta desse conhecimento apriorístico sobre como o mercado resolveria inúmeros problemas específicos é justamente o que alimenta a ingênua e simplória objeção daqueles que defendem o status quo sob o pretexto de que é “melhor o diabo que você conhece do que o diabo que você não conhece”). Com efeito, não há como saber hoje quais soluções empresariais um exército de indivíduos empreendedores aplicaria para problemas específicos — se eles tivessem permissão para tal. Não obstante, mesmo a mais cética das pessoas teria de admitir que “agora já sabemos” que o mercado, quando guiado por um empreendedorismo criativo, funciona — e funciona exatamente na medida em que o estado não intervém coercivamente nesse processo social.
Também é essencial reconhecer que as dificuldades e os conflitos surgem invariavelmente naquelas áreas em que a ordem livre e espontânea do mercado está obstruída. Logo, independentemente dos esforços feitos desde os tempos de Gustav de Molinari até o presente para imaginar como uma rede anarcocapitalista de agências de segurança e defesa privadas funcionaria, os teóricos defensores da liberdade jamais podem se esquecer de um simples detalhe: que o que nos impede de saber como será um futuro sem estado — que nada mais seria do que a natureza criativa do empreendedorismo em sua forma plena — é justamente aquilo que nos oferece a tranquilidade de saber que qualquer problema tenderá a ser superado, uma vez que as pessoas irão dedicar todo o seu esforço e criatividade tentando solucioná-lo.[1]
A ciência econômica nos ensinou não apenas que o mercado funciona, mas também que o estatismo é teoricamente impossível.
Por Que o Estatismo é Teoricamente Impossível
A teoria econômica austríaca sobre a impossibilidade do socialismo pode ser expandida[2] e transformada em uma teoria completa sobre a impossibilidade do estatismo, este entendido como a tentativa de se organizar qualquer esfera de vida da sociedade por meio de ordens coercivas que envolvem intervenção, regulamentação e controle, e que emanam daquele ente que detém o monopólio da agressão institucional (o estado).
É impossível que o estado alcance seus objetivos coordenadores em qualquer parte do processo de cooperação social em que pretenda intervir — especialmente nas esferas monetárias e bancárias,[3] na descoberta das leis, na aplicação de justiça e na ordem pública (entendida como prevenção, supressão e punição de atos criminais) — pelas quatro seguintes razões:
a. O estado precisaria de um enorme volume de informação, e essa informação é encontrada somente de forma muito dispersa e difusa nas mentes de milhões de pessoas que participam diariamente no processo social.
b. A informação de que o ente intervencionista precisa para que suas ordens possam exercer um efeito coordenador é predominantemente tácita e inexprimível por natureza, o que significa que ela não pode ser transmitida com claridade absoluta.
c. A informação que a sociedade utiliza não é “dada”; ela se altera constantemente como resultado da criatividade humana. Assim, não há obviamente qualquer possibilidade de se transmitir hoje as informações que serão criadas somente amanhã — informações essas que são exatamente as informações de que o órgão de intervenção estatal precisa para atingir seus objetivos amanhã.
d. Finalmente e acima de tudo: quando as ordens estatais são obedecidas e exercem o efeito desejado sobre a sociedade, sua natureza coercitiva está impedindo que haja a criação empreendedorial das próprias informações de que o estado interventor desesperadamente necessita para fazer com que suas ordens sejam coordenadoras (ao invés de desordenadoras).
Não apenas o estatismo é teoricamente impossível, como também produz toda uma série de efeitos periféricos distorcivos e altamente perniciosos: o estímulo à irresponsabilidade (como as autoridades não sabem o custo real de suas intervenções, elas agem irresponsavelmente); a destruição do meio ambiente quando este é declarado um bem público e sua privatização é proibida; a deturpação dos conceitos tradicionais de lei e justiça, os quais são substituídos por decretos estatais e pela justiça “social”;[4] e a corrupção do comportamento individual, que se torna cada vez mais agressivo e cada vez menos respeitoso à moralidade e às leis.
A análise acima também nos permite concluir que, se determinadas sociedades prosperam atualmente, isso não se dá por causa do estado, mas apesar dele.[5] Pois muitas pessoas ainda conservam a inércia do comportamento pautado pelas leis materiais; ainda continuam existindo áreas de grande liberdade relativa; e o estado tende a ser muito ineficiente ao impor seus decretos invariavelmente canhestros e cegos. Ademais, mesmo os aumentos mais ínfimos na liberdade geram notáveis impulsos de prosperidade, os quais ilustram o quão longe a sociedade poderia avançar caso não houvesse as obstruções do estatismo.
Finalmente, já comentamos sobre a falsa crença mantida por todos aqueles que identificam o estado com o fornecimento dos bens (“públicos”) que ele hoje fornece (deficientemente e a um grande custo) e que erroneamente concluem que o desaparecimento do estado necessariamente implicaria o desaparecimento de seus valiosos serviços. Essa conclusão não adveio do nada; ela surgiu em um ambiente de constante doutrinação política em todos os seus níveis (principalmente no sistema educacional, do qual estado algum ousa perder o controle, por motivos óbvios), um ambiente no qual os padrões do “politicamente correto” são ditatorialmente impostos e o status quo é explicado e respeitado por uma maioria complacente, que se recusa a enxergar o óbvio: que o estado nada mais é do que uma ilusão criada por uma minoria que quer viver à custa de todo o resto — sendo que esses outros, o ‘resto’, são primeiramente explorados, depois corrompidos, e só então pagos com recursos externos (impostos) para compensar todos os tipos de “favores” políticos prestados (pense nas políticas assistencialistas).
A Impossibilidade de se Limitar o Poder do Estado: Seu Caráter “Letal” em Combinação com a Natureza Humana
A partir do momento em que o estado passa a existir, torna-se impossível limitar a expansão de seu poder. Embora seja verdade que, como indica Hoppe, certas formas de governo (como uma monarquia absoluta, na qual o rei-proprietário irá, tudo o mais constante, ser mais cuidadoso no longo prazo para “não matar a galinha dos ovos de ouro”) tenderão a expandir seu poder e intervir um pouco menos do que outras (como a democracia, na qual não há incentivos reais para que o governante se preocupe com o que irá acontecer após as próximas eleições).
A análise histórica é irrefutável: o estado não parou de crescer.[6] E ele não parou de crescer porque a mistura entre natureza humana e estado, uma instituição que detém o monopólio da violência, é “explosiva”. O estado age como um ímã irresistivelmente poderoso que atrai e impulsiona as paixões, vícios e facetas mais perversas da natureza humana. Se, por um lado, as pessoas tentam evadir-se de seus decretos, por outro, elas fazem de tudo para se aproveitar de seu poder monopolista o máximo possível.
Ademais, particularmente em contextos democráticos, o efeito combinado da ação de grupos de interesse privilegiados, da miopia típica de todo e qualquer governo, da compra de votos, da natureza megalomaníaca dos políticos, e da irresponsabilidade e cegueira das burocracias, geram um coquetel perigosamente instável e explosivo. Essa mistura é continuamente agitada por crises sociais, econômicas e políticas — as quais, paradoxalmente, os próprios políticos e “líderes” de entidades sociais jamais deixam de usar como justificativa para subseqüentes doses de intervenção, sendo que estas novas doses acabam apenas criando novos problemas ao mesmo tempo em que exacerbam os atuais.
O estado se tornou o “ídolo” para o qual todos se voltam e idolatram. A estatolatria é sem dúvida alguma a mais séria e perigosa doença social do nosso tempo. Somos ensinados a crer que todos os problemas podem e devem ser detectados a tempo e solucionados pelo estado. Nosso destino jaz nas mãos do estado, e os políticos que o controlam devem satisfazer tudo que o nosso bem-estar demandar. Os seres humanos se revelam imaturos e rebeldes contra a sua própria natureza criativa (o que faz com que seu futuro seja inevitavelmente incerto).
Eles exigem uma bola de cristal que garanta não apenas que eles saibam o que irá acontecer no futuro, mas também que quaisquer problemas que porventura surjam serão resolvidos. Essa “infantilização” das massas é deliberadamente estimulada por políticos e líderes sociais, pois desta maneira eles publicamente justificam sua existência e garantem sua popularidade, predominância e capacidade de controle. Ademais, uma legião de intelectuais, professores e engenheiros sociais se soma a essa arrogante luxúria de poder.
Nem mesmo as mais respeitáveis igrejas e denominações religiosas foram capazes de diagnosticar acuradamente o problema: que a estatolatria atual é a principal ameaça aos seres humanos livres, morais e responsáveis; que o estado é um falso ídolo enormemente poderoso venerado por todos e que nunca irá permitir que ninguém esteja livre de seu controle e nem que tenha lealdades morais e religiosas fora de sua esfera de controle.
Com efeito, o estado conseguiu algo que parecia impossível a priori: como muita astúcia e metodismo, ele retirou dos cidadãos a percepção de que a verdadeira origem dos conflitos e malefícios sociais está na própria existência do governo, criando para tal vários bodes expiatórios (dizendo que a culpa é do “capitalismo”, da busca por lucros, da propriedade privada). Após acusar esses “culpados de sempre” por todos os problemas da sociedade, o estado torna-os alvo da ira popular e das mais severas e enfáticas condenações oriundas de líderes morais e religiosos — sendo que quase nenhum desses foi capaz de perceber a fraude e tampouco se atreveu a denunciar que, até o presente momento, a estatolatria representa a principal ameaça à religião, à moralidade e, consequentemente, à civilização humana.[7]

O Anarcocapitalismo como o Único Possível Sistema de Cooperação Social Verdadeiramente Compatível com a Natureza Humana
O estatismo é algo contrário à natureza humana, pois consiste no exercício sistemático e monopolístico da coerção. Em todas as áreas que tal coerção ocorre (incluindo-se aquelas que correspondem à definição da lei e à manutenção da ordem pública), há um bloqueio da criatividade e da coordenação empreendedorial, que são precisamente as mais típicas e essenciais manifestações da natureza humana.
Ademais, como já vimos, o estatismo estimula a irresponsabilidade e a corrupção moral, pois desvia a conduta humana para a utilização privilegiada dos recursos do poder, dentro de um contexto de ignorância indelével que torna impossível saber os custos de cada ação governamental. Os efeitos supracitados do estatismo aparecem sempre que um estado existe, mesmo que cada tentativa de limitar seu poder seja feita — objetivo este insustentável, que faz com que o liberalismo clássico seja uma utopia cientificamente inexequível.
É absolutamente necessário superar o “liberalismo utópico” de nossos antecessores, os liberais clássicos, que, por um lado, foram ingênuos ao imaginar que o estado poderia ser limitado, e, por outro, se mostraram incoerentes ao não expandirem as implicações de suas ideias até suas consequências lógicas.
Assim, hoje, com o século XXI já em andamento, nossa prioridade máxima deveria ser permitir que o liberalismo clássico (utópico e ingênuo) do século XIX seja suplantado por sua formulação mais nova, mais moderna e verdadeiramente científica, a qual poderíamos chamar de ‘capitalismo libertário’, ‘anarquismo da propriedade privada’, ou simplesmente de ‘anarcocapitalismo’. Pois não faz sentido que os liberais continuem dizendo as mesmas coisas que diziam há cento e cinqüenta anos quando se constata que, já adentrado o século XXI e mesmo com o Muro de Berlim tendo caído há vinte anos, os estados continuaram crescendo e usurpando as liberdades individuais em todas as áreas.
O anarcocapitalismo (ou “libertarianismo”) é a representação mais pura da ordem espontânea de mercado, na qual todos os serviços, inclusive aqueles de definição das leis, da justiça e da ordem pública, são fornecidos por meio de um processo exclusivamente voluntário de cooperação social, o qual se torna portanto o objeto central de investigação da moderna ciência econômica. Nesse sistema, nenhuma área está fechada para o ímpeto da criatividade humana e da coordenação empreendedorial, o que potencializa a eficiência e a justiça na solução dos problemas, e elimina todos os conflitos, ineficiências e desajustes que as entidades que detêm o monopólio da violência (os estados) invariavelmente causam pelo simples fato de existirem.
Ademais, o sistema proposto elimina os incentivos corruptores criados pelo estado e, em contraste, fomenta o comportamento humano mais moral e responsável possível, ao mesmo tempo em que impede o surgimento de qualquer agência monopolista (estado) que legitime o uso sistemático da violência e da exploração de determinados grupos sociais (aqueles que não têm escolha senão a obediência) por outros (aqueles que a todo o momento detêm o mais cerrado controle sobre os recursos do poder estatal).
O anarcocapitalismo é o único sistema que reconhece de modo completo a natureza livre e criativa dos seres humanos, bem como sua capacidade perpétua de internalizar padrões crescentes de comportamento moral em um ambiente que, por definição, ninguém pode se arrogar a si próprio o direito de exercer o monopólio da coerção sistemática sobre terceiros. Em suma: em um sistema anarcocapitalista, qualquer projeto empreendedorial pode ser tentado caso atraia um suficiente apoio voluntário — o que possibilita que muitas possíveis soluções criativas possam ser criadas em um ambiente de cooperação voluntária dinâmico e em constante mutação.
A substituição progressiva dos estados por uma rede dinâmica de agências privadas que, por um lado, patrocinem diferentes sistemas jurídicos e, por outro, forneçam todos os serviços de segurança, defesa e prevenção ao crime, constitui o mais importante item da agenda política e científica, bem como a mudança social mais momentosa a ocorrer no século XXI.
Conclusão: As Implicações Revolucionárias do Novo Paradigma
A revolução dos séculos XVIII e XIX liderada pelos liberais clássicos contra o ancien régime tem hoje sua continuidade natural na revolução anarcocapitalista do século XXI. Felizmente, fomos capazes de descobrir o porquê do fracasso do liberalismo utópico e a necessidade de sua substituição pelo liberalismo científico. Sabemos também que os antigos revolucionários foram ingênuos e erraram ao perseguir um ideal impossível de alcançar — ideal esse que, por todo o século XX, abriu as portas para as piores tiranias estatistas que a humanidade já vivenciou.
A mensagem do anarcocapitalismo é notoriamente revolucionária. É revolucionária em seu fim: o desmantelamento do estado e sua substituição por um processo competitivo de mercado constituído por uma rede de agências, associações e organizações privadas. Também é revolucionário em seus meios, principalmente nos aspectos científicos, sócio-econômicos e políticos.
a. Revolução Científica. Por um lado, a ciência econômica torna-se a teoria geral da ordem espontânea do mercado expandida para todos os aspectos sociais. Por outro lado, ela incorpora a análise da descoordenação social que o estatismo produz em qualquer área que ele influencie (inclusive direito, justiça e ordem pública). Ademais, o estudo dos diferentes métodos de se desmantelar o estado, dos processos de transição envolvidos e das formas e efeitos da privatização integral de todos os serviços que hoje são considerados “públicos” constitui um campo prioritário de pesquisa para a nossa disciplina.
b. Revolução Econômica e Social. Não podemos sequer imaginar os espetaculares feitos, avanços e descobertas que seriam possíveis em um ambiente empreendedorial completamente livre do estatismo. Mesmo hoje, não obstante todo o assédio governamental, uma civilização inimaginável até há pouco tempo já começou a se desenvolver em um mundo progressivamente globalizado. Trata-se de uma civilização cujo grau de complexidade é tão grande que a torna incontrolável pelo poder do estatismo. E tão logo ela se livre do fardo imposto por este, irá expandir sem limites. A força da criatividade da natureza humana é tamanha que ela inevitavelmente acaba transbordando pelas fendas mais estreitas existentes na carapaça estatal. Assim que as pessoas adquirirem maior consciência da natureza fundamentalmente perversa do estado que as restringe, e tão logo elas percebam as enormes oportunidades que lhes são roubadas diariamente pelo fato de o estado obstruir-lhes a força-motriz de sua criatividade empreendedorial, haverá uma multiplicação do clamor por reformas, seguida pelo desmantelamento do estado e o consequente progresso até um futuro que hoje nos é totalmente desconhecido, mas que inevitavelmente elevará a civilização humana a níveis que hoje são inimagináveis.
c. Revolução Política. A batalha política diária torna-se secundária àquela descrita nos itens a e b acima. É verdade que devemos sempre apoiar as alternativas menos intervencionistas, emulando claramente os esforços empreendidos pelos liberais clássicos para democraticamente limitar o estado. Entretanto, o anarcocapitalista não pode se contentar apenas com isso; ele pode e deve fazer muito mais. Ele sabe que o objetivo final é o desmantelamento total do estado, e isso impulsiona toda a sua imaginação, estimulando toda a sua ação política diária. Pequenos avanços na direção correta são certamente bem vindos, mas jamais devemos cair num pragmatismo que abra mão do objetivo supremo que é o fim do estado. Por razões pedagógicas e de influência popular, devemos sempre estar perseguindo esse objetivo de maneira sistemática e transparente.[10]
Por exemplo, é parte da agenda política anarcocapitalista fazer com que os estados sejam cada vez menores e tenham cada vez menos poderes. Por meio da descentralização regional e local em todas as áreas, da reintrodução do conceito de cidades-estados e da secessão,[11] o objetivo será obstruir a ditadura da maioria sobre a minoria e permitir que as pessoas possam cada vez mais “votar com seus pés”, ao invés de terem de utilizar urnas. Em suma, o objetivo é fazer com que as pessoas estejam aptas a colaborar umas com as outras em escala mundial e sem fronteiras, para lograr os mais variados fins sem levar em consideração a existência política de estados (por meio de organizações religiosas, clubes privados, redes de internet, etc.)[12]
Ademais, é válido relembrar que as revoluções políticas não precisam ser sangrentas. Isso é especialmente verdade quando elas resultam do necessário processo de educação e amadurecimento social, bem como do clamor popular e do desejo generalizado de se ver livre do engano, da mentira e da coerção que impedem as pessoas de realizar seus objetivos. Por exemplo, a queda do Muro de Berlim e a Revolução de Veludo na Tchecoslováquia, que puseram fim ao socialismo no Leste Europeu, foram ambas praticamente sem sangue. Enquanto se luta por esse importante objetivo final, temos de utilizar todos os meios pacíficos[13] e legais[14] que o atual sistema político permite.
Um estimulante futuro está em aberto, um no qual iremos continuamente descobrir novos caminhos que nos conduzirão — em consonância com os princípios fundamentais — ao ideal anarcocapitalista. Embora esse futuro possa hoje parecer distante, a qualquer momento podemos testemunhar passos gigantescos que surpreenderão até os mais otimistas. Quem foi capaz de prever com cinco anos de antecedência que em 1989 o Muro de Berlim iria cair, e com ele o comunismo no Leste Europeu? A história entrou em um processo acelerado de mudanças que, embora jamais venha a ser interrompido, começará um capítulo totalmente novo quando a humanidade, pela primeira vez na história moderna, conseguir se livrar de uma vez por todas do estado e reduzi-lo a nada mais que uma obscura relíquia histórica de trágicas memórias.
Apêndice Gráfico
O gráfico acima mostra os diferentes sistemas políticos e como eles naturalmente se desdobram e se transformam em outros. Eles estão agrupados de acordo com o grau em que favorecem o estatismo ou o antiestatismo, e defendem ou se opõem à propriedade privada.
Constata-se como o movimento revolucionário (utópico e errôneo) inicial dos liberais clássicos contra os antigos regimes cai no pragmatismo de aceitar o estado e abre as portas para os totalitarismos socialistas (comunismo e fascismo/nazismo). A queda do socialismo real introduz a social-democracia, que hoje impera em quase todo o mundo (pensamento único).
A segunda etapa, ainda pendente, da fracassada revolução liberal (fracasso que se deve à ingenuidade e aos erros dos liberais clássicos), consiste precisamente na evolução até o anarcocapitalismo.
Uma das consequências do fracasso da revolução liberal foi o surgimento do comunismo libertário, que foi unanimemente vilipendiado e combatido pelos defensores dos outros sistemas políticos (particularmente os mais à esquerda), exatamente por causa de seu caráter antiestatista. O comunismo libertário também é utópico, pois sua rejeição à propriedade privada incita o uso da violência sistemática contra ela, o que gera uma contradição lógica insuperável e bloqueia o processo empreendedor que impulsiona a única ordem anarquista cientificamente concebível: aquela constituída pelo mercado libertário capitalista.
N. do T.: para mais sobre o assunto, inclusive a provisão de justiça, segurança e defesa privada, clique aqui.
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Notas
[1] Israel M. Kirzner, Discovery and the Capitalist Process (Chicago and London: University of Chicago Press, 1985), p. 168.
[2] Jesús Huerta de Soto, Socialismo, Cálculo Económico, y Función Empresarial, 3rd ed. (Madrid: Unión Editorial, 2005), pp. 151-53.
[3] Jesús Huerta de Soto, Money, Bank Credit, and Economic Cycles, Melinda A. Stroup, trans. (Auburn, Ala.: Mises Institute, 2006) (publicado originalmente na Espanha em 1998 como Dinero, Crédito Bancario, y Ciclos Económicos, 3rd ed. (Madrid: Unión Editorial, 2006).
[4] F.A. Hayek, Law, Legislation, and Liberty: A New Statement of the Liberal Principles of Justice and Political Economy, 3 vols. (Chicago: University of Chicago Press, 1973-1979).
[5] Carlos Rodríguez Braun, A Pesar Del Gobierno: 100 Críticas al Intervencionismo con Nombres y Apellidos (Madrid: Unión Editorial, 1999).
[6] Hans-Hermann Hoppe, Democracy-The God that Failed: The Economics and Politics of Monarchy, Democracy, and Natural Order (New Brunswick, N.J.: Transaction Publishers, 2001).
[7] Talvez a mais recente e notável exceção apareça na brilhante obra do Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré. Que o estado e o poder político são materializações institucionais do anticristo é algo que torna-se óbvio para qualquer um com o mínimo conhecimento de história que leia as reflexões do Papa sobre a mais perigosa tentação que o demônio pode colocar em nosso caminho:
O tentador não é tão imaturo a ponto de nos sugerir diretamente que adoremos o demônio. Ele meramente sugere que optemos por uma decisão sensata, que escolhamos dar prioridade a um mundo planejado e inteiramente organizado, no qual Deus pode ter seu lugar apenas como um assunto privado, sem interferir em nossos propósitos essenciais. Soloviev, em sua ficção O Anticristo, atribui ao próprio um livro intitulado O caminho aberto para a paz e o bem-estar mundial. Esse livro acaba se tornando algo com uma nova Bíblia, cuja mensagem real é a veneração do bem-estar e do planejamento racional.
Joseph Ratzinger, Jesus of Nazareth, Adrian J. Walker, trans. (London: Bloomsbury, 2007), p. 41. Redford faz comentários similares, porém muito mais catégoricos. James Redford, “Jesus Is an Anarchist,” Anti-state.com (2001).
[8] Anthony de Jasay, Market Socialism: A Scrutiny: This Square Circle (Occasional paper 84) (London: Institute of Economic Affairs, 1990), p. 35.
[9] Jesús Huerta de Soto, “The Essence of the Austrian School,” palestra feita ao Bundesministerium für Wissenschart und Forchung, 26 de março de 2007, em Viena; publicada em Procesos de Mercado: Revista Europea de Economía Política 4, no. 1 (Spring 2007): 343-50, see esp. 347-48.
[10] Jesús Huerta de Soto, “El Economista Liberal y la Política,” in Manuel Fraga: Homenaje Académico, vol. 2 (Madrid: Fundación Cánovas del Castillo), pp. 763-88; reimpresso nas pp. 163-92 de Nuevos Estudios de Economía Política. Por exemplo, uma indicação da crescente importância do capitalismo libertário na atual agenda política foi o artigo “Libertarians Rising,” que apareceu na seção de Ensaios da revista Time em 2007. Michael Kinsley, “Libertarians Rising,” Time (October 29, 2007), p. 112.
[11] Jesús Huerta de Soto, “Teoría del Nacionalismo Liberal,” in Estudios de Economía Política, 2nd ed. (Madrid: Unión Editorial, 2004); idem, “El Desmantelamiento del Estado y la Democracia Directa.”
[12] Bruno S. Frey, “A Utopia? Government Without Territorial Monopoly,” The Independent Review 6, no. 1 (Summer 2001): 99-112.
[13] Jamais podemos nos esquecer das condições enumerados pelos escolásticos espanhóis da Era Dourada em relação aos estritos requisitos que um ato de violência precisa ter para ser “justo”:
1. todos os meios e procedimentos pacíficos possíveis precisam antes ter se esgotado;
2. o ato deve ser defensivo (uma resposta a atos concretos de violência) e nunca agressivo;
3. os meios utilizados devem ser proporcionais (por exemplo, o ideal de independência não vale a vida ou a liberdade de um só ser humano);
4. evitar, em todos os casos, que haja vítimas humanas;
5. deve haver chances razoáveis de êxito (caso contrário, seria um suicídio injustificável).
Sábios princípios aos quais eu acrescentaria que a participação e o financiamento devem ser inteiramente voluntários. Qualquer ato de violência que vá contra um desses princípios está automaticamente deslegitimado e se torna o pior inimigo do objetivo professado. Por fim, toda a teoria do padre Juan de Mariana sobre o tiranicídio também é relevante. Juan de Mariana, De Rege et Regis Institutione (Toledo: Pedro Rodríguez, 1599).
[14] Como indicava Rothbard, não é aconselhável violar as atuais leis (basicamente ordens administrativas), pois, na vasta maioria dos casos, os custos superam os benefícios.
Este artigo foi originalmente publicado em 19 de outubro de 2010

Muito apreciei esta primeira parte, e por isso precipito minha colaboração, sem aguardar o desfecho. \nO Liberalismo Clássico embora refutasse o determinismo newtoniano, não podia considerar seu substituto. Por isso deu apenas um passo, e aí ficou. Hoje temos outro horizonte. A disposição anárquica da arquitetura social tem tudo a ver com a mais moderna Física. Todavia, malgrado século, ainda se ensina que a Gravidade é produto de jogo de forças; e como tal, tem-se no Estado o ente primaz, por agregador. \nO êxito da verdade requer a completa extinção da base ocidental! O carma se deve a Platão: \nOutro exemplo de Ser Positivo é o ‘Deus Organizador’, em que a divindade (ou divindades) exerce o papel de controlador da oposição primordial entre Ordem e Caos. O Caos representa o Mal, a desordem, e é simbolizado em vários mitos por monstros como serpentes ou dragões, ou simplesmente deuses maléficos que lutam contra outros deuses em batalhas cósmicas relatadas muitas vezes em textos épicos.\nGLEISER, MARCELO, A Dança do Universo Dos Mitos de Criação ao Big-Bang: 31
To virando muito fã do Jesus…
Como esse artigo é a parte 1, deixo minha idéia para a parte 2 (que não sei se já foi escrita): que sejam abordados temas como a Justiça, força policial, Exército e outros correlacionados. Em outras oportunidades li que se aceitava uma força policial sob essa forma de governo, o que vejo como imprescindível, mas depois de ver iluminação e segurança tratados de forma equivalente, fiquei em dúvida.\n\nParabéns pelo trabalho de todos vocês.
To virando muito fã do Jesus…[2]
Top 3 dos artigos publicados aqui no IMB!
O Jesús Huerta é espetacular. Um grande inspirador das ideias liberais.
“…o estado nada mais é do que uma ilusão criada por uma minoria que quer viver à custa de todo o resto – sendo que esses outros, o ‘resto’, são primeiramente explorados, depois corrompidos, e só então pagos com recursos externos (impostos) para compensar todos os tipos de “favores” políticos prestados (pense nas políticas assistencialistas).”
Que espetáculo!
E o gráfico é maravilhoso também.
Muito bom esse texto, mal virou Anarco e o Jesus já está começando a “tocar o terror” nos pobres dos Liberais Clássicos. Esse é sem dúvida o melhor artigo que eu já li entre todos os artigos do IMB, fenomenal! Só Jesus Salva!\n
Melhor texto publicado no IMB!
é impressão ou a parte final do artigo em inglês não foi traduzida?\n\nme lembro que ele falava mais coisas…
Apenas um parágrafo meio ufanista e totalmente voltado para a Espanha, mas sem nenhuma informação relevante.
Eu vejo esse artigo de Huerta como uma tetativa de continuar a “historia” como vista pelos autores marxistas e ideologicos do seculo passado. O saber por simples deducao. Sua inferencia sobre a “natureza humana” eh totalmente desprovida de evidecias. Alguns pontos de sua doutrina podem ser validos, mas uma doutrina que nao eh baseada em evidencia, eh mero discurso ideologico, na verdade a continuacao do passado. Sem duvida sera popular na America Latina, onde temos uma enorma fascinacao pelo magico. Pena que magica nao funcione sempre como desejamos.
“mas uma doutrina que nao eh baseada em evidencia, eh mero discurso ideologico”
Prezado Ortigão: Ludwig von Mises, ainda em 1920, baseando-se puramente na teoria, e sem nenhuma empiria ou evidência, asseverou que o socialismo era impossível.
Ou seja, é bom ter mais calma com afirmações desse tipo que você fez. O “saber por simples dedução” e “desprovido de evidências” empíricas é perfeitamente possível.
Prezado Leandro,\nafirmações desse tipo que você fez “O “saber por simples dedução” e “desprovido de evidências” empíricas é perfeitamente possível.”\nisso eh EXATAMENTE o que eu afirmo ser FALSO. Nos vivemos em MUNDOS diferentes. No meu mundo a filosofia ja era. Eu sou totalmente a favor da Politica/ciencia sociais/Economia baseada em EVIDENCIAS. Hoje em dia, a gente nem precisa de hipotese, joga todos os dados em um arranjo massivamente paralelo e quantifica todas as possibilidades. A realidade eh muito mais interessante que a capacidade que nos temos de entende-la. A gente aprende observando, medindo e testando.
Pois é. E a empiria comprovou que o raciocínio econômico praxeológico e apriorístico estava certo. Parece que, afinal, você está certo. Ironicamente.
Quando Mieses divagou sobre a “natureza humana” MUITO POUCO sobre ela era sabido. Hoje, nos ainda nao conhecemos a “natureza humana” mas sabemos de quantos genes ele eh feita. Nos podemos em chips de 1 mega genes, medir a atividade de TODOS os genes humanos e suas variantes coisa de 30 vezes. Nos sabemos que a “natureza humana” eh bastante plastica, e os homens sao capazes de se adaptar, modificar e criar muitos ambientes. Inclusive a sociedade e o estado que vivemos. Ja os chimpanzes, diferentes somente 1% da gente, nao formaram estado nenhum.
Incrível como todos os artigos sobre anarcocaptalismo do IMB nunca conseguem ser convincentes para mim, de forma que não tenho opinião formada sobre o assunto. Eu acho que vocês forçaram a barra elogiando tanto esse texto, há questões cruciais que requerem análise muito mais profunda: como segurança privada e sistema judiciário.
Caro Marcelo, as questões da segurança privada e sistema judiciário são realmente importantes, mas não cruciais para uma sociedade livre. Por exemplo, se no seu “mundo ideal” eu não quiser financiar a segurança pública, o que você propõe fazer comigo?
Caro Hélio, eu tenho mais perguntas do que respostas, e também não faço idéia de qual é o “mundo ideal”, então não vou me precipitar em responder.
Estou de “cabeça aberta”, ainda sem opinião formada, não descarto ser convencido de que o anarcocaptalismo é viável.
Sendo direto, vou resumir alguns dos pontos de dúvida em uma única pergunta: no mundo anarcocaptalista, um indivíduo muito pobre, sem condição de pagar por segurança e sistema judiciário, teria acesso à polícia caso assaltado e a um julgamento caso injustiçado?
Se sim, de que forma isso se daria?
Caro Marcelo, respondo sua pergunta em seguida. Eu tinha feito uma pergunta a você:
Se eu não quiser financiar a sua segurança pública, o que você propõe fazer comigo?
Glória ao Jesus espanhol!!
Caro Helio, em uma sociedade em que a segurança é pública, financiarás através de imposto. Não o pagando, ficas sujeito às penas previstas em lei.
Esse é o arranjo atual.
Marcelo, minha pergunta não se refere à “uma sociedade em que a seguranca seja pública”. Minha pergunta retórica é o que você faria comigo na SUA sociedade proposta, caso eu não pague o SEU compulsório serviço de segurança pública. (ou interpretei erroneamente e você não propõe segurança pública no seu desenho de sociedade?)
Sim, interpretaste erroneamente. Não estou propondo nenhuma sociedade.
Não sei qual seria o modelo ideal para a segurança e para o sistema judiciário. Estou entre uma sociedade com estado mínimo e uma sem estado. No momento, desejo sanar algumas dúvidas em relação à proposta de sociedade sem estado.
Aguardo a resposta da minha pergunta.
Anarco-capitalismo é bobagem.
1)Sem o Estado há o feudalismo e a formação de tribos urbanas com toda a sua selvajaria. Voltaríamos ao Estado Hobbesiano de instabilidade, e a propriedade, sem um instituto jurídico legal que a proteja, estaria fragilizada.
2)O Estado surgiu dentro da próprio noção de ordem espontânea, previsto por Hayek. Assim como a linguagem, os centros de poderes (que depois virariam os Estados) se desenvolveram pela ação não planejada (ou seja, de forma apriorística) por ser criações sociais vantajosa. Mas vocês argumentam: “não existe ordem espontânea com o uso da força”. Mas quem disse que muitas vezes os governados não viram vantagem nesse tipo de associação? No início dos tempos era quase impossível tribos organizadas não terem legitimidade nos seus mandos internos, pois a oposição de algumas pessoas do grupo iriam automaticamente minar a eficácia de toda a autoridade. A ilegitimidade passa a ser regra nas grandes civilizações onde os focos de oposição eram mais desaglutinados, mas posteriormente, o Estado liberal surge para resgatar essa legitimidade.
3)Mesmo que os grupos de segurança privado possam coexistir entre si, quem garante que eles não poderão se tornar milícias e ao invés de seguirem o mercado, seguirem a força? Aqui no Rio, a classe média de Botafogo contratou alguns milicianos ilegais para tomarem conta de algumas ruas do bairro, e depois, esses milicianos estavam extorquindo a vida dos moradores. Se não fosse o Estado para se intrometer nesses lugares e acabar com a balbúrdia, como essa milícia poderia deixar de cometer abusos? Ao menos a segurança privada é limitada pelas leis do Estado.
A segurança não pode ser privatizada.
O Estado tem suas funções clássicas de segurança, justiça e diplomacia. Só isso. O Estado Mínimo é a única solução, anarco capitalismo é a volta à barbárie. Mas para funcionar o liberalismo, este deve ser constantemente vigiado pela população, por ONGs e por regras jurídicas sólidas e claras. É a população que faz a diferença!
Mises não era anarcocapitalista, não vejo sentido o anarcocapitalismo ser tão defendido no instituto dele pois os leigos podem ter uma noção errada de suas idéias.
Sugiro ao IMB traduzir e publicar o artigo apontado por Daniel M. na seção de comentários do artigo “O Estados dos 5 Macacos” (Ten Reasons Not to Abolish Slavery). A perspectiva trazida por mais de um século de história torna explícita a fé que algumas pessoas têm em certas “verdades absolutas” que supostamente nunca deveriam ser questionadas.
(…) bem como sua capacidade perpétua de internalizar padrões crescentes de comportamento moral (…)\r
\r
O trecho acima apresenta a grande dúvida que tenho em relação ao anarcocapitalismo. O ambiente, pode influenciar um comportamento de alguns para melhor, e acredito até que da grande maioria, mas sempre haverá os que são impermeáveis. Como se lidará com esses últimos?\r
No mais, acho o anarcocapitalismo fantástico e já havia ficado abismado ao pensar sobre as transformações que poderiam acontecer no mundo, caso fosse aceito.
Sou anarcocapitalista por definição.\r
Assim como alguém que defende o combate a violência sabe que dificilmente o ser humano deixará de cometer crimes, eu como ancap sei que dificilmente o estado deixará de existir. Porém tenho a consciencia limpa, não defendo essa agencia criminosa e tudo que significa menos poder pra ela tem meu apoio.
A ciência econômica nos ensinou não apenas que o mercado funciona, mas também que o estatismo é teoricamente impossível.
O mercado funciona a base de agressão (intervenção externa)
Se o Estado acabar, quem ficaria com a função de refém dos defits referentes aos investimentos externos e emissão de moeda?
O que falta é um meio exterior (governo mundial) que possa substituir o Estado imperialista pelo estado da produção, o qual pode emitir a moeda reflexiva da formação real do valor da propriedade privada, sem roubar o seu valor.
“A ciência econômica nos ensinou não apenas que o mercado funciona, mas também que o estatismo é […] possível.”\r
\r
Tivesse ficado por aqui.\r
\r
“O mercado funciona a base de agressão (intervenção externa)”\r
\r
LOLWAT\r
\r
“Se o Estado acabar, quem ficaria com a função de refém dos defits referentes aos investimentos externos e emissão de moeda?”\r
\r
Opa, realmente, aí você nos pegou. Este é um assunto nunca antes abordado, hein? he he he\r
\r
“O que falta é um meio exterior (governo mundial)”\r
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!!!\r
\r
“que possa substituir o Estado imperialista pelo estado da produção,”\r
\r
+10 LOLWAT\r
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“o qual pode emitir a moeda reflexiva da formação real do valor da propriedade privada, sem roubar o seu valor.”\r
\r
Moeda reflexiva?\r
Olha aí como ela reflete: http://www.mises.org.br/images/articles/2010/Junho/money-graphics-2006_973755a.jpg\r
\r
[Moderadores, por favor, apaguem a postagem anterior. :)]
“A ciência econômica nos ensinou não apenas que o mercado funciona, mas também que o estatismo é […] impossível.” ***
Tivesse ficado por aqui.
“O mercado funciona a base de agressão (intervenção externa)”
LOLWAT
“Se o Estado acabar, quem ficaria com a função de refém dos defits referentes aos investimentos externos e emissão de moeda?”
Opa, realmente, aí você nos pegou. Este é um assunto nunca antes abordado, hein? he he he
“O que falta é um meio exterior (governo mundial)”
!!!
“que possa substituir o Estado imperialista pelo estado da produção,”
+10 LOLWAT
“o qual pode emitir a moeda reflexiva da formação real do valor da propriedade privada, sem roubar o seu valor.”
Moeda reflexiva?
Olha aí como ela reflete: http://www.mises.org.br/images/articles/2010/Junho/money-graphics-2006_973755a.jpg
Esse texto é show!
Alguem pode me explicar como a social-democracia na Escandinávia fez grandes progressos sociais e econômicos? Alguem pode me explicar como a Somália, que tem um estado pífio e fraco, não consegue se desenvolver? O problema é a presença do estado ou uma serie de fatores socio-culturais e econômicos?
Caro Leandro, obrigado pela explicação. Pelo que entendi, a Escandinávia já era rica antes da social-democracia, e consegue se manter rica pela liberdade econômica que pratica em vários setores. Quanto a somália, com estado ou sem estado, é dificil resolver o problema.
Mcmoraes, valeu pela atenção também. O Leandro conseguiu responder a questão.
Não sou social-democráta e muito menos um defensor do estado. Apenas tento enxergar a coisa de várias formas, tentando falseá-la. Se não conseguir achar um erro, assumo como verdade provisória. Por enquanto, não to achando quase nada que justifique a presença do estado. Só não consegui entender a questão do monopólio da moeda e da força(polícia) se tornando privado. Além disso, como o livre mercado resolveria distorções socias como as favelas, a educação de má qualidade e a inexistência de mercados em regiões de baixíssimos indices sociais, como no nordeste e no norte do país.
“Nos podemos em chips de 1 mega genes, medir a atividade de TODOS os genes humanos e suas variantes coisa de 30 vezes. “\r
\r
Como “medir a atividade de genes” você está falando de proteomas ou transcriptomas ? Cada um deles dá resultados ligeiramente ( ou consideravelmente ) diferentes. E ambos são restritos a certos tecidos ( motivo abaixo ) e a certos momentos ( por exemplo, em stress hídrico, alimentar, sob efeito de uma substância X )\r
\r
De qualquer forma, a medição raramente se baseia em todos os genes ( biologia celular 101: nenhum tecido do corpo humano expressa todos os genes em um momento. E biologia celular 101: muitos genes se expressam gerando diversos transcritos diferentes ( alternative splicing ) que geram proteínas diferentes).\r
\r
“Nos sabemos que a “natureza humana” eh bastante plastica, e os homens sao capazes de se adaptar, modificar e criar muitos ambientes. Inclusive a sociedade e o estado que vivemos. “\r
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Isso era sabido *muito antes* do surgimento das técnicas de biologia molecular, muito antes do surgimento da genética comportamental, muito antes da genética e antes mesmo do surgimento do que se chama hoje de “ciência moderna”. Basta uma lida em “O Príncipe” de Maquiavel ou mesmo na própria Bíblia que você já terá uma lição de como isso é conhecido há muito tempo.
Tenho uma dúvida acerca do anarcocapitalismo.\r
Quem limitaria o poder dos grupos que acumularam uma enorme quantia de capital?
Yuji,
eu não sei responder à sua pergunta, mas ela me fez lembrar de um trecho de Rothbard:
Se o governo, e somente o governo, tivesse o monopólio da fabricação de sapatos e fosse o dono de todas as revendedoras [desde tempos imemoriais], como será que a maioria das pessoas iria reagir ao libertário que viesse advogar que o governo saísse do setor de calçados e o abrisse para empresas privadas? Sem dúvida nenhuma as pessoas iriam bradar: “Como assim? Você não quer que as pessoas, e principalmente os pobres, usem sapatos! E quem iria fornecer sapatos ao povo se o governo saísse do setor? Diga! Seja construtivo! É fácil ser negativo e desrespeitoso quando se trata do governo; mas diga-nos quem iria fornecer sapatos? Quais pessoas? Quantas lojas de sapato haveria em cada cidade? Em cada município? Como isso seria definido? Como as empresas de sapato seriam financiadas? Quantas marcas existiriam? Qual material elas iriam usar? Quanto tempo os sapatos durariam? Qual seria o arranjo de preços? Não seria necessário haver regulamentação da indústria de calçados para garantir que o produto seja confiável? E quem iria fornecer sapatos aos pobres? E se a pessoa não tiver o dinheiro necessário para comprar um par?
Talvez o que eu escreve aqui seja verborrágico e um pouco fora de tópico, mas acho que vale a pena postar aqui, já que se trata de novas formas de organização social além da democracia liberal x socialismo estatatizante. Julgo que entramos numa nova Era após 1989. Não temos mais uma bipolarização mundial e tanto o socialismo, como seu maior inimigo, o Estado do bem estar social, falharam em manter o crescimento ecônomico. Não temos mais uma sociedade de classes, já que a divisão do trabalho chegou a tal ponto que não mais podemos distinguir um produto como inteiramente brasileiro ou inteiramente argentino, já que sempre uma parte do capital ou, o que é a mesma coisa, uma parte do trabalho comprado com o capital, veio de outro lugar do mundo que não do pólo de fabricação do produto – couro da China, cola tailandesa, design americano, sapato fabricado no pólo industrial de Manaus etc – portanto não temos mais uma “exploração burguesa” do proletário brasileiro. É a hora da reforma da nossa atual sociedade; alguns países se mostraram pioneiros nesse sentido, caso do Chile, Índia e, talvez, Vietnã. Mas o Brasil continua atrasado, assim como a maioria do mundo. A maior parte da população (e, principalmente, os chamados intelectuais) não percebeu que a História, como a vimos no séc. XX, já terminou e falhou. E o que a História, senão uma roda que esmaga as mãos que tentam frea-lás? O mundo mudou e nós devemos mudar com ele. Vejo aqui muitas opiniões xiitas, tentando mostrar o governo como intrísecamente mau ou corrupto; embora eu acho que toda lei deve partir da premissa que os magistrados são corruptíveis, isso não quer dizer que são invariavelmente corruptos. A resposta que alguns dão para o xiitismo ideológico que vigora nas universidades, aquele xiitismo da chamada esquerda, é tão xiita; lembrem-se que o homem nunca está feliz nos extremos. Pode ser que o anarcocapitalismo seja a melhor saída, e não desconsidero isso como plausível, mas não podemos engessar nossa opinião. Não está claro para mim qual é o caminho ideal, mas devemos sempre tentar mudar as pequenas coisas – uma lei ficha limpa, publicar um livro que defenda o capitalismo, um debate que não envolva insultos ad hominem, defender as privatizações, que embora poucas, foram um passo, mesmo que seja de bebê, na direção certa. Perdoe-me por alguma redundância no texto, escrevi numa só tacada, enfim.
Sou novo no assunto, mas algumas coisas me perturbam. Principalmente o ideal de que o livre mercado criará as soluções para as áreas de atuação estatal (principalmente a justiça), que se parece muito com o determinismo utópico do estado comunista inevitável. A diferença parece estar somente na concepção dos agentes, ambos abstratos, a suposta lógica capitalista e a suposta lógica estatal. Ambos assumem a posição de serem essencialmente maus e de causarem de todo tipo de injustiça.
O sistema todo parece indemonstrável em seus detalhes, prognósticos e implicações práticas, mas como isso é um prerrogativa da própria economia de mercado reivindicada o salto de fé parece ser tão grande quanto de outras utopias. Parece que o polilogismo marxista aplicado as classes, assume uma outra forma, a de que a lógica do empreendedor é diferente e superior a lógica dos estatistas, a primeiro é justa a segundo é sempre perversa. De fato o polilogismo é uma mentira, o que existe é o problema ético do indivíduo (seja ele quem for), e acreditar que o libertarianismo representa a solução para esse problema também soa como algo muito religioso.
Considero ainda que o poder estatal coercitivo e violento poderia muito bem ser substituído por outros modelo de poder baseado nos próprios interesses de alguns indivíduos associados.
Levanto ainda uma hipótese: a formação de clãs ou grupos – não mais étnicos, mas éticos por exemplo, tentando não se submeter à ética consensual do mercado e sua volubilidade. Na melhor das hipóteses haveriam emulações de estados em formas de outras associações e organizações de indivíduos – igrejas, grupos, famílias e etc. Não há garantia de que essas novas formas de organizações agissem com outros indivíduos de forma violenta ou injusta.
As formas de coação, violência e espoliação de maneira geral são sempre cometidas por grupos que exercem alguma forma poder. A instituição estatal de fato torna esse tipo de coisa legalizada de muitas maneiras. Mas acreditar que a aniquilação do estado removeria por completo a possibilidade de outras formas de organização semelhantes, e mais ainda, traria soluções para tantos outros problemas que residem nos indivíduos, não parece muito sensato.
o primeiro parágrafo do Thyago e o post do Luiz Henrique sitnetizam minhas idéias a respeito do anarco-capitalismo!
em um ambiente anárquico a consequência inevitável é o feudalismo! O grande proprietário, no desejo de adquirir mais propriedade, irá suprimir proprietários menores colocando-os em uma posição servil!
Uma resposta que gostaria do autor do artigo:
O que impediria uma atividade mafiosa no anarco-capitalismo?
O que impediria um sujeito com grande quantidade de bens forme uma milícia armada e passe a obrigar os comerciantes de uma região da cidade a pagar parte de seus ganhos a ele sob ameaça de violência?
como esses comerciantes contratarão uma empresa privada para fornecer segurança contra o grupo mafioso se o próprio grupo os expropria de recursos?
O que garantiria DE FATO que as empresas de segurança privada super tecnológicas e desenvolvidas do anarcocapitalismo não substituíssem a opressão dos criminosos comuns pela própria opressão?
é obvio que com o passar do tempo haveria a associação de indivíduos e inegavelmente haveria a eleição de um líder que teria condições de repelir a opressão dos grupos privados, e isso invariavelmente retornaria a uma instituição estatal!
a outra opção seria o grande proprietário regionalizar seu domínio formando-se um Estado semelhante ao monárquico! É só questão de TEMPO!
Declarar o Estado impossível é negar a própria natureza grupal do ser humano!
Concordo que o Estado como temos hoje precisa ser revisto, reformas são absolutamente necessárias, gosto muito da teoria econômica austríaca e acredito no capitalismo! Mas a destruição das organizações estatais por completo gerariam um ambiente de instabilidade e insegurança que preveniria o próprio desenvolvimento!
o anarcocapitalismo e o comunismo partem de premissas opostas, mas ambas ERRADAS! ambas prevêem um ser humano que NÃO EXISTE, não existe a justiça implantada em cada indivíduo, a moral do ser humano não é expontânea, é uma tradição, uma cultura que, creio que até os anarcocapitalistas concordam, deve ser preservada e usada como base de julgamento! Em um ambiente anárquico a FALTA de moral prevalece, uma vez que o respeito à propriedade, por exemplo, é só um conceito! E SE um cara resolver falar que não existe isso de propriedade e que ele vai tomar o que ele bem entender… QUEM É QUE VAI FALAR PRA ESSE CARA QUE ISSO É ERRADO? O sistema privado de justiça? E se ele não respeitar? E se ele tiver mais força que a polícia privada? Nesse momento até os mais anarquistas desejariam que alguém, comprometido com um conjunto de regras e leis, tivesse monopolizado os sistemas de defesa… o único que se pode dizer assim, é o Estado, uma vez que ele só existe por meio da lei, e portanto, como criatura dela, é subjulgado e totalmente limitado à lei, não podendo (em tese) se desligar das regras escolhidas pela sociedade (na forma de representantes) e oprimir a sociedade!
O anarquismo é lindo em momentos de bonanza, mas nos momentos de crise busca-se a hierarquia, o subsidio da lei e a organização estatal! Infelizmente não somos todos justos e muito menos solidários!
ESTIMADOS E HONRADOS AMIGOS LIBERARIS\r
\r
DEVO DIZER QUE O ARGUMENTO DO PROFº JESUS JUERTA DE SOTO ME CAUSA UM POUCO DE DESCONFORTO,POIS NA VERDADE O LIBERALISMO CLÁSSICO NÃO FRACASSOU,NA VERDADE ELE NUNCA FOI COLOCADO EM PRÁTICA NO MUNDO,PRINCIPALMENTE NO BRASIL.\r
A ALTERNATIVA ANARCOCAPITALISTA É COMPLETAMENTE UTÓPICA!\r
O DIREITO ROMANO NÃO É SUPERIOR AO DIREITO CONSUETUDINÁRIO (THE COMMON LAW-INGLÊS).JESUS HUERTA COMETEU UN GRAVÍSSIMO DESLIZE.\r
AFIRMO QUE O LIBERALISMO CLÁSSICO AINDA TEM MUITA CHANCE DE SE ESTABELECER NO MUNDO,BASTA QUE OS LIBERAIS NÃO SE DISPERSEM OU SE DIVIDAM.\r
TEMOS QUE NOS MANTER UNIDOS NA LUTA PELO IDEAL LIBERAL.\r
ACHO A ATITUDE DE JESUS HUERTA DE SOTO COMPLETAMENTE IRRESPONSÁVEL,TALVÉZ O SEU MOVIMENTO TRATE-SE DE UMA CÉLULA ANTI-LIBERAL.\r
TODO CUIDADO É POUCO!\r
\r
ABS,\r
RENATO RAMOS\r
SAUDAÇÕES LIBERTÁRIAS!\r
Honorável Renato
Um ótimo exemplo de quando o Liberalismo Clássico foi testado é os EUA após independência. Muito dificilmente teremos reunídos novamente numa mesma época e lugar homens tão brilhantes quanto os founding fathers no comando da alvorada de um novo estado. O problema é exatamente este, eles pretediam a criação de um novo estado. Deu no que deu, o que era um estado mínimo, com uma constituição limitadora do poder do estado e protetora dos direitos individuais, hoje é um estado gigante, com um comunista sentado na Casa Branca.
O que eles falharam foi em perceber que ao conceder o poder de taxar e de ser o julgador finais de disputas (mesmo das disputas que ele seja uma das partes) a uma instituição, nada poderia parar seu crescimento. Em perceber que uma “constituição” é uma “constituição estatal”, ou seja dela para ela mesma. O resultado lógico não poderia deixar de ser diferente.
Pense nisso.
Abraços
Parabéns aos indivíduos que compõem o IMB, por já estarem fazendo uma verdadeira revolução em nome da liberdade individual!
Duas questões que fico remoendo, depois de ler as respostas deste artigo, assim como o próprio artigo:
1. Por que o anarco capitalismo nos levaria a um sistema feudal?
2. Por que um sistema feudal não é compatível dentro de um sistema anarco capitalista?
Visto que são perguntas opostas, espero apenas uma resposta. A palestra do David Friedman faz um pouco de sentido mas não totalmente. Pois ele ‘imagina’ muita coisa, é claro que é somente isso que podemos fazer, mas os argumentos dele não são totalmente convincentes como os do Rothbard. Se puderem indicar algum livro onde encontro algum argumento interessante a favor do anarco capitalismo respondendo estas perguntas, por favor o façam.
Poffo:
1. Por que o anarco capitalismo nos levaria a um sistema feudal?
– Na minha concepção, não levaria. O argumento que visa defender esta ideia parte do modo como era a divisão da terra. Os senhores feudais possuíam a terra e todos que desejassem sobreviver deveriam tornar-se servos deste. Ele permite que use a terra, mas pede algo em troca. É um escravismo com regalias. Para os críticos do ancap isso ocorrerá numa sociedade baseada na propriedade privada e sem limites.
Neste ponto entram argumentos como: O dono da rua não vai deixar vc sair de casa.
2. Por que um sistema feudal não é compatível dentro de um sistema anarco capitalista?
Se partirmos que uma sociedade ancap está baseada na liberdade, pode-se argumentar que uma pessoa poderia voluntariamente firmar um contrato de escravidão. O problema é que ao firmar tal contrato, o que se tornou escravo poderá reincidir o contrato? Já houve muita discussão a cerca deste assunto. Como defensor da liberdade irrestrita, não vejo como um sistema, com o feudal, fosse funcionar. O motivo é ele não possuir nem um pressuposto ético, nem um utilitário. É ineficiente além de imoral. Imoral por limitar liberdade e ineficiente pois não se baseia em trocas efetivamente voluntárias (a contradição do contrato de escravidão expressa anteriormente)
O Libertarianismo é a mesma coisa que Anarcocapitalismo? Senão, qual a diferença entre Liberalismo e Libertarianismo?
Fantástico!
Sempre mantive uma opinião político social confusa, mas sempre contrária a qualquer forma comunista.embora não paro de pensar por um dia no que seria uma sociedade totalmente correta. Sempre penso se o que eu estou fazendo é certo, correto, justo e honesto.
Descobri no chamado “Anarcocapitalismo” tudo aquilo que eu sempre pensei e acreditava ser uma ideia criada apenas por mim, mas fico muito feliz em saber que existem mais pessoas racionais.
Como diz o brilhante texto, o anarcocapitalismo e a unica forma de justiça humana.
Tudo que podia ser dito, creio que já foi no brilhante artigo, Só me resta dizer Parabéns e obrigado!
Procurando por Anarcocapitalismo no Google achei esse seu site.
Sou de uma startup brasileira chamada Meevsu – meevsu.com – e promovemos um debate (que vai ter sua segunda parte hoje com o título Anarcocapitalismo-ou-Minarquismo .
Acho que pode interessar a você e a seus leitores. Na segunda parte, que vai acontecer hoje, podem participar desde já deixando comentários e votando e no ao vivo ajudando ao lado que você acha o melhor.
Segue uma explicação do que é o Meevsu:
Meevsu é uma ferramenta online que possibilita criar concursos, confrontos e debates, um a um, e com o voto de uma audiência, que decide que é o melhor, quem tem razão ou qualquer outra coisa que precise de decisão. Os Debates ou confrontos acontecem ao vivo através da web por uma webcam.
O Estado – infelizmente – é uma organização transversal no tempo e no espaço, fruto também da ordem espontânea que nós os Liberais Clássicos defendemos. Os anarcocapitalistas não têm razão ao quererem aboli lo, pois para uma justiça corretiva ele será sempre necessário, ou cairemos no que Hobbes chamou de guerra de todos contra todos…Saudações
O estado não surgiu a partir de uma sociedade anarco-capitalista? Antes do estado surgir, o que precedia?
Agora, pensando na abolição total do estado: Como um assassino ou um estuprador seria punido? Pensando que esses já cometeram o crime, onde a vitima não teve possibilidade da legitima defesa. Como esses crimes seriam julgados? E se os criminosos não aceitassem a punição que foram-lhes dadas?
Mas se não houver banco privado, não haverá um estado gastador (se houver, terá impostos muito altos, já que não daria para injetar crédito na economia), isso não controlaria (pelo menos parcialmente) o tamanho do Estado?
O Estado é inevitável, conformem-se com isso. Algo com um estado sempre irá emergir, assim como a propriedade privada acaba emergindo necessariamente ainda que seja formalmente abolida. Tanto uma sociedade sem estado como uma sociedade sem propriedade são utopias.
Eu estou emocionado com esse artigo. O IMB se supera a cada artigo, mas o presente artigo é o que me deu um rumo na vida. Um rumo do que estudar, acreditar e agir. Muito obrigado a vocês por tornarem esse material acessível no Brasil.
Com a expressão “fim da história”, Francis Fukuyama quis dizer que uma sociedade liberal e tecnológica era o ápice do que o ser humano poderia fazer, que o liberalismo obteve uma vitória moral definitiva sobre o socialismo. Ele não quis dizer que os problemas acabariam, que não haveriam mais problemas nem mudanças, incluindo possíveis retrocessos.
O ser humano é imperfectível; ou seja, não pode alcançar a perfeição plena em nível individual nem coletivo, mas pode fazer o seu melhor possível. E isso inclui o liberalismo.
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“Em defesa da tradição liberal clássica (em resposta a um texto de Huerta de Soto)“, por Rui Albuquerque.
Este artigo é a piada de maior mau gosto que eu já vi. Como podem auto declarar-se “liberais” se pregam a total abolição do Estado?
O poder político é uma decorrência da força. O Estado só possui legitimidade para legislar e julgar as pessoas porque o faz coativamente. São os aparatos policial e militar que corporificam o poder estatal. O que muita gente aqui esquece é que essa concentração do uso legítimo da força decorreu de um longo e penoso processo histórico, desde tribos, clãs, feudos, províncias, etc. Esquecem que os negócios só funcionam num ambiente de paz e segurança. E onde cada grupo detém o poder das armas, cada um deles vai reivindicar para si o direito de legislar e aplicar a justiça, e os negócios não vão andar num ambiente de desconfiança entre esses grupos.
100% ESTADO = UTOPIA
000% ESTADO = UTOPIA
Q doidera, artista da globo libertário? Excelente, agora esse país vai pra frente.
Ótimo podcast. Muito bom saber que já temos artistas de sucesso defendendo a liberdade.
Parabéns ao Juliano pela coragem de levar a liberdade ao QG do socialismo brasileiro.
que podcast maravilhoso. Já tinha visto várias postagens relacionadas ao liberalismo no Instagram dele, mas nunca imaginei que ele fosse tão bem esclarecido sobre o assunto. Uma grata surpresa dentro da maior fábrica de progressistas do Brasil
Sensacional a entrevista, é uma surpresa enorme ter alguém do projacstão defendendo ideias da liberdade, é até surreal eu diria!
Aproveitando essa pegada artística, eu queria deixar uma sugestão de podcast. Convidem o Rodrigo Costa (Ex-Vocalista e Baixista do Forfun), um dos integrantes de uma das maiores bandas do Rock Nacional dos anos 2000 e 2010 que se encerrou há poucos anos exatamente porque o Rodrigo se descobriu um Liberal e não mais concordava com as letras de viés de esquerda que a banda e os outros integrantes pregavam. É um camarada excelente, boa praça, talentosíssimo e muito inteligente.
Segue o instagram dele:
http://www.instagram.com/rodcostamusic/
Bom os liberais classicos como John Locke,eram contra a monarquia absolutista,mas a democracia republicana se tornou algo ainda pior.
Então a privatização do governo,seria uma otima solução.Tendo em vista que hoje tem IA que poderiam muito bem cuidar de vários assuntos.