“Não podemos ter livre comércio porque não dá
para concorrer com a mão-de-obra escrava chinesa!”
“Precisamos de tarifas de importação porque nossos
trabalhadores e nosso mercado de trabalho têm de ser protegidos contra a
mão-de-obra escrava chinesa e seus produtos baratos!”
Há quantas décadas se ouve esta justificativa em
prol de medidas protecionistas?
De todas as críticas ao livre comércio, esta não
apenas é a mais ignara, como também é a menos defensável em termos puramente
empíricos.
Tudo
já começa com um erro básico de lógica
Permita-me sintetizar o raciocínio que está por trás
deste argumento. Quando ele é destituído de toda a indignação moral que finge afetar — a qual é completamente falsa –, eis as pressuposições
econômicas que sustentam a defesa de tarifas de importação contra a China:
Sabemos que o trabalho escravo é
altamente produtivo. A livre iniciativa não é capaz de competir com o trabalho
escravo. É impossível uma sociedade livre competir, de igual para igual, com
uma sociedade de escravos. O planejamento central feito por uma sociedade
de escravos é simplesmente produtivo e eficiente demais para ser superado.Nenhum trabalhador de uma nação
capitalista é capaz de defender a si próprio e o seu emprego utilizando sua própria
produtividade econômica. Ele necessita de funcionários públicos nas
fronteiras do país, com armas e distintivos, fiscalizando e proibindo a
importação de bens produzidos por escravos.Qualquer pessoa que argumente que o
sistema de livre mercado é muito produtivo e totalmente capaz de competir com o
trabalho escravo é um completo ignorante. Tal pessoa realmente não possui
ciência da enorme produtividade do trabalho escravo. Ela também é
igualmente ignorante quanto à patética produtividade do livre mercado.Sociedades baseadas no trabalho escravo
são altamente produtivas. Se você quiser que alguém se torne um exímio artesão,
ou um produtor altamente eficiente de bens e serviços especializados, ou um
excepcional projetista de produtos de tecnologia de ponta, não há maneira mais
eficiente de fazer isso do que forçá-lo a trabalhar sob a mira de uma arma,
ameaçando matá-lo de fome caso se recuse a trabalhar exaustivamente.A enorme produtividade do trabalho
escravo representa uma ameaça tão grande às pessoas de paz do resto do mundo,
que é imperativo fazer com que políticos enviem funcionários públicos com armas
e distintivos para proibir a importação de bens que foram produzidos por hordas
de trabalhadores escravos.Se isso não for feito, os trabalhadores
pateticamente ineficientes que vivem sob um regime capitalista verão seus
salários definharem em decorrência da incomparável superior produtividade do
trabalho escravo.
Este argumento soa ridículo? É claro que sim.
Tal argumento está simplesmente afirmando que o
trabalho escravo é produtivo e que o trabalho livre e altamente capitalizado é
improdutivo. Tão ilógico, irracional e absurdo é este argumento, que
ninguém tem a coragem de dizê-lo clara e abertamente.
A pessoa ou não entende as reais implicações de seu
argumento — que trabalhadores em sociedades livres têm de ser protegidos
contra bens produzidos por mão-de-obra escrava — ou ela realmente acredita que
sociedades escravagistas são enormemente produtivas, e que sociedades livres
simplesmente não são capazes de competir com elas.
Além de beirar o burlesco, o argumento também é
deliberadamente enganoso. A pessoa que recorre a este argumento jamais
fornece qualquer evidência estatística de que: 1) os produtos chineses são produzidos
por trabalhadores escravos; e 2) estes produtos produzidos por escravos estão
sendo avidamente comprados por consumidores que vivem em sociedades
livres.
A pessoa não é capaz de apontar quais produtos são
produzidos por mão-de-obra escrava. Tampouco ela é capaz de mostrar que
estes produtos dominam uma significativa fatia do mercado em sociedades de
livre mercado.
Na maioria dos casos, a pessoa não é nem capaz de
mencionar um único produto que tenha sido produzido por trabalho escravo e do
qual alguém já tenha ouvido falar. Considerando-se que a Iugoslávia era
uma sociedade comunista, e que portanto se baseava no trabalho coercivo, seu
mais famoso bem produzido se transformou em uma das maiores chacotas da
história da produção automobilística: o Yugo.
Matérias-primas
Em toda a história, os únicos casos de importações
oriundas de sociedades escravagistas que podem ser utilizados como exemplos de
bens que penetraram os mercados ocidentais são as matérias-primas,
especialmente o petróleo.
O valor destas exportações das sociedades
escravagistas se deve quase que inteiramente ao valor econômico imputado pelos
consumidores ocidentais a estas matérias-primas. O componente mão-de-obra
destas exportações é insignificante.
Trabalhadores coagidos são capazes de extrair
minerais e outras matérias-primas da terra. Trata-se de um trabalho
rudimentar e não sofisticado. A produção destas indústrias extrativas que
utilizam trabalho escravo seria muito maior caso os planejadores permitissem o
capitalismo de livre mercado; porém, o alto valor das matérias-prima
contrabalança o baixo valor e a baixa qualidade da mão-de-obra utilizada para
extraí-las.
Raramente ouvimos falar de alguma sociedade que
tenha imposto tarifas ou outras restrições sobre a importação de minerais
industriais ou de matérias-primas. (As tarifas americanas sobre o açúcar são
uma horrenda exceção). Nunca ouvimos falar de proibições ou mesmo pesadas restrições
à importação de petróleo estrangeiro. Portanto, o argumento de que os
trabalhadores ocidentais têm de ser protegidos contra o trabalho escravo
estrangeiro é um fato negado pela explícita e desimpedida importação de
minerais e de outras matérias-primas, os quais são utilizados por trabalhadores
destes países importadores para produzir bens valiosos.
Estes trabalhadores ocidentais se tornam os
beneficiários das matérias-primas e do petróleo importados. Logo, o único
possível exemplo da veracidade deste clichê protecionista nunca é de fato
confirmado na prática.
A China
Quase sempre, o defensor de tarifas sobre a
importação de bens produzidos por trabalho escravo irá utilizar o exemplo da
China. Este certamente é um dos argumentos mais ignaros e parvos da
história do pensamento econômico.
Durante o período em que a China estava sob o domínio do camarada Mao,
o país praticamente não fazia parte do comércio internacional. O país não
tinha produtos capazes de encontrar mercados no Ocidente. Os chineses mal
conseguiam se alimentar. Em algumas épocas, eles de fato não se
alimentavam. O país não tinha nada de valor para exportar. Não tinha
reservas internacionais. Não tinha algo que nem remotamente se
assemelhasse a uma produção industrial em larga escala. Era uma nação de
quarto mundo. A única coisa que o país conseguia produzir em larga escala
era armamento. Ele não exportava nada para o Ocidente.
Hoje, após um grande período de sucessivas liberalizações
econômicas, a China se tornou um grande concorrente nos mercados
ocidentais. Seus trabalhadores podem se mover e se mudar para onde
quiserem. Eles têm liberdade de decidir para onde querem ir e onde querem
trabalhar. Estamos testemunhando a maior migração da história da humanidade, da
pobreza rural para a vida urbana de classe média. Centenas de milhões de
pessoas saíram da zona rural e se mudaram para as grandes cidades. Isto
não é trabalho escravo; isto é trabalho livre.
Há muito poucas leis e restrições governamentais
sobre a contratação destes trabalhadores. Não há praticamente nenhum
sistema de seguridade social imposto pelo estado. O mercado de trabalho chinês
é mais livre do que vários mercados de trabalho do Ocidente, que são repletos
de leis trabalhistas, de regulamentações, de onerosos encargos sociais e
trabalhistas e de sindicatos que gozam do explícito apoio dos governos — o que
significa que eles não apenas têm o direito legal de conclamar greves e
interromper o funcionamento dos meios de produção das empresas, sem que os
donos nada possam fazer, como também podem determinar quais empregados podem e
quais não podem ser contratados pelas empresas. Apenas os trabalhadores
sindicalizados podem.
Alie tudo isso a uma crescente carga tributária, e
você terá os motivos por que as indústrias ocidentais estão tendo tantas
dificuldades para concorrer com os trabalhadores chineses.
Os trabalhadores chineses são livres para trocar de
emprego, e os empregadores chineses podem legalmente contratar quem eles
quiserem.
Não é à toa que os trabalhadores industriais
chineses já ganham
mais que seus semelhantes brasileiros, por exemplo.
Ironicamente, se o assunto é “escravidão”, então podemos
dizer que os trabalhadores do Ocidente estão mais próximos da escravidão do que
os trabalhadores chineses. Na Europa, por exemplo,
os trabalhadores que não são sindicalizados acabam sendo, na prática, forçados
a procurar apenas aqueles empregos menos desejados, pois os sindicatos, por
gozarem do apoio de seus governos, conseguem restringir o mercado de trabalho
apenas para seus membros, deixando de fora os não sindicalizados. Os
sindicatos utilizam o governo para enviar burocratas com armas e distintivos às
empresas com o intuito de proibir os empregadores de contratar trabalhadores
não-sindicalizados. Isto não é livre mercado; isto é um mercado manipulado
pelo estado.
Como
reagir
Sempre que você ouvir este argumento escravagista,
peça para o protecionista citar quais são as cinco nações que compõem o grosso
do comércio internacional de seu país.
Primeiro, ele não terá ideia de quais são as cinco
nações que majoritariamente comercializam com seu país. Segundo, assim que
você mostrar a ele quais são estas cinco nações, peça a ele para identificar
qual destas nações depende do trabalho escravo para produzir os bens e serviços
que ela exporta. Ele irá enrolar, e não dará nenhuma resposta conclusiva.
As nações que detêm um grande volume de comércio
internacional (exportação e importação) são aquelas que comercializam com
outras nações que possuem livre mobilidade de mão-de-obra, mercados de capitais
bastante desenvolvidos, sofisticadas instituições de pesquisa, e uma alta
produtividade decorrente do uso intensivo de capital. Nenhuma destas
características é encontrada em uma sociedade que faz uso de trabalho escravo.
Em suma, o argumento é ilógico e absurdo tanto em
termos de teoria econômica quanto em termos de fatos empíricos. Nenhuma
nação que utiliza trabalho escravo encontra mercados no Ocidente para seus
produtos manufaturados. Seus produtos são vagabundos e fajutos demais para
penetrar de maneira significativa nos mercados do Ocidente.
Conclusão
Da próxima vez que você ouvir alguém argumentando
que os trabalhadores do seu país têm de ser protegidos contra bens estrangeiros
chineses produzidos por “trabalho escravo”, mostre a ele que o motivo de os
trabalhadores ocidentais quererem proteção é porque são eles é que formam a mão-de-obra
escrava.
Eles sentem que está cada vez mais difícil competir
com trabalhadores que vivem em uma nação que permite a livre mobilidade de
mão-de-obra e os contratos voluntários entre empregados e empregadores.
A China é uma concorrente feroz e ardorosa não
porque é uma sociedade que possui trabalho escravo, mas sim porque está
concorrendo com trabalhadores que vivem em um regime cujos mercados de trabalho são
amplamente controlados por seus governos.
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Leia
também:
O livre comércio, mesmo
quando adotado unilateralmente, só traz ganhos
Você trabalha porque quer
adquirir bens e aumentar seu padrão de vida. O protecionismo impede isso
A “guerra comercial”, além
de ser uma contradição em termos, possui um histórico pavoroso
http://www.cartacapital.com.br/economia/quando-economistas-ortodoxos-se-inspiram-em-goebbels
É o que eu sempre falei. Dizer que não dá para concorrer com “trabalhadores semi-escravos” é uma das afirmações mais estapafúrdias que já vi. Desde quando “trabalhadores semi-escravos” conseguem produzir bens de qualidade ao ponto de quebrarem todas as indústrias de todos os países livres do mundo?
Esses chineses são realmente espetaculares. Trabalhando sob um chicote, conseguem produzir com mais competência e capricho do que trabalhadores que ganham altos salários no ABC.
Se isso realmente ocorrer, então, francamente, essa galera do ABC deveria sumir do mundo, nem que fosse de vergonha.
Se um semi-escravo fizesse constantemente um serviço melhor que o meu, eu morreria de vergonha, ficaria quietinho no meu canto (com medo de alguém me ver), e jamais teria a cara de fazer qualquer exigência.
Mas, obviamente, sabemos que nada há de escravidão no trabalho dos chineses, tanto é que eles já ganham salários maiores que os nossos. O que ninguém quer é competir com quem trabalha muito.
Alguém ai sabe o que é eurasianismo?
O mais legal desse argumento do "trabalho escravo" é que, se ele for realmente levado a sério, então EUA e Europa teriam de proibir a importação de todos os produtos brasileiros.
Afinal, dado que os trabalhadores brasileiros ganham muito menos que seus congêneres europeus e americanos, então nós somos "escravos" comparados a eles.
Logo, dado que somos escravos, temos uma "vantagem comparativa" (segundo a lógica perturbada dessa gente) em relação a eles, e nada mais sensato do que europeus e americanos protegerem seus trabalhadores contra nós e pararem de comprar tudo o que produzimos.
Pedi esse artigo pouco tempo atrás e tive o pedido atendido!
obs: Eu sei que não tenho esse grau de importância, mas obrigado mesmo assim!! rsrs
O mercado nacional deve ser protegido porque os escravos brasileiros que pagam 70% de impostos não podem competir com os produtos fabricados por trabalhadores livres.
É como eu estava discutindo esses dias: se a China tivesse diversos encargos trabalhistas, diversas leis como salario minimo, jornada de trabalho e etc, o que iria acontecer é muito simples: desemprego em massa desses chineses.
O chinês que hoje pode se alimentar e comprar algum bem não poderia nem mais fazer isso. O resultado disso seria uma grande miséria.
É como dizem: se a vida no campo fosse melhor que o “trabalho escravo” nas fábricas, então os chineses simplesmente não estariam na fábrica e continuariam no campo. Lógica básica.
Entro em contato direto com diversos fornecedores chineses. Eles trabalham das 9:00 às 18:00 com 1 hora de almoço. Essa ideia de que lá tem trabalho escravo é ultrapassada e uma tremenda desculpa esfarrapada. É coisa de gente que não quer concorrer com quem não tem medo do trabalho duro.
Vocês só pensam no lado econômico! E a estratégia geopolítica seus liberalóides?
Trump é que sabe das coisas!
E por aqui Bolsonaro vai fazer o mesmo.
Chorem liberais!
Mas os chineses trabalham em regime de semi-escravidão e por isso precisamos proteger nossa indústria da concorrência predatória.
Papo doutrinário, descolado da realidade. Queria ver se perdesse seu emprego ou tivesse que rebaixar seu salário se continuaria com essa retórica.
“A pessoa não é capaz de apontar quais produtos são produzidos por mão-de-obra escrava. Tampouco ela é capaz de mostrar que estes produtos dominam uma significativa fatia do mercado em sociedades de livre mercado.”
olhardigital.com.br/noticia/executivos-declaram-que-apple-sabe-do-trabalho-escravo-nas-fabricas-da-foxconn/23816
“Se você tira o protecionismo (propriedade intelectual) do mundo de uma hora para a outra, a China domina o mundo em três semanas” – Dando Boura.
Não apoio tarifas, regulamentos, etc… contra a China mas aquele que só fala no livre mercado/produtividade e não fala da mentalidade
imperialista do partido maoista que oprime seu povo e exporta sua ditadura para outros países ex: Venezuela, financiando a ditadura de Chaves/Maduro, financiando o Irã dos aiatolás, construindo ilhas militares e tentando impedir a livre navegação de outras nações, apoiando/financiando programas nucleares em ditaduras, está apenas olhando um aspecto de um problema complexo. A população chinesa é de 1,3 B.. 600 milhões ainda vivem em condições de subsistência na zona rural sonhando em se mudar para as cidades.. em toda fazenda, rua, escola, fábrica, existe um agente maoista espionando a população. Uma garota está presa pq jogou tinta em uma foto de Xi Jinping na semana passada! não é muito inteligente ter baixa produtividade ou protestar nessa realidade.
Evito ao máximo comprar produtos/marcas da China mesmo pagando mais caro, se milhões fizerem o mesmo enquanto tentam diminuir regulamentos que matam a produtividade em seus países, a China não terá tantos recursos para expandir os seus planos imperiais e oprimir o seu povo( talvez até gastem mais com o povo do que com armas para evitar revoltas), prefiro os EUA com seus valores constitucionais, mesmo com seus erros, liderando o mundo militar e culturalmente do que o Partido Maoista Chinês.
Pondé talvez exagere no CAPITALISMO SELVAGEM da CHINA mas numa coisa ele tem razão as empresas dos EUA ao transferirem sua produção para a China rebaixaram o salário médio do trabalhador americano e isso ajudou a eleger o TRUMP que prometeu trazer esses empregos de volta.E claro que ele não vai conseguir.
Desculpem colocar um link, mas alguem poderia comentar essa palhaçada do NYT sobre Portugal? Leandro?
www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/portugal-ousou-deixar-a-austeridade-e-tem-grande-renascimento.shtml
Keynes?
par comentarios dos colegas:
1. ao final do artigo, há um quadro comparativo entre india, china e EUA sobre a rigidez da legislaçao trabalhista:
en.wikipedia.org/wiki/Labour_in_India
2. legislação de salário minimo e outras coisas do tipo acabam alijando certos tipos de industria/serviços para fora de paises desenvolvidos, nao?
3. Especulo que se os EUA não tivesse politica de salario minimo e restrições imigratorias, milhoes de imigrantes estariam indo para lá fabricar muito do que passou a se fabricar na china, não?
4. tal como o comentario dos EUA acima, em um hipotetico pais em que nao houvesse legislacao trabalhista repressiva, altos encargos e impostos, restriçao imigratoria e impostos de importacao, em tese poderia existir uma industria que produzisse de alfinetes à super computadores, pois haveria trabalhadores para todos as faixas salariais, nao que o cidadao fosse ficar rico na industria de alfinete, mas ainda sim, se saiu do pais de origem para lá é porque a coisa está ainda mais feia no país de origem (exemplo: bolivianos da industria textil) e o salario teria de naturalmente (pelas leis de mercado) prover condiçoes minimas que permitissem o cidadao a viver naquele país, caso contrario, realmente a industria nao subsisitira naquele pais, nao?
Olá meus caros, tenho uma pergunta à fazer que é meio off topic:
O que seria um capitalismo “puro”, ou seja um capitalismo diferente do capitalismo de estado? Em quais lugares e períodos esse capitalismo puro foi aplicado? Grato desde já pela atenção…
Um trabalhador brasileiro de chão de fábrica custa 490 dólares/mês.
Se não houvesse CLT, com certeza o nordeste chegaria nos 200 dólares/mês.
Um empresário que está investindo em dólares, pode até não gastar muito com mão de obra, mas vai ser bombardeado com processos trabalhistas, processos ambientais, tributários, burocracia, etc. Sem contar custos de energia, telecomunicações, máquinas, etc.
O problema do Brasil é que tem muito malandro pra pouco otário.
Me meti em uma discussão sobre liberalismo x marxismo, alguém pode me ajudar a rebater este argumento logo abaixo?
“Liberalismo não é o oposto do comunismo, é apenas um paralelo. Ambas as ideologias são materialistas. Negam qualquer forma de transcendência do espaço tempo ou matéria. O próprio Marx desejava o liberalismo, pois é por ele que o comunismo deveria existir..”
-No início da década de 80, várias empresas passaram a transferir suas industrias para China/México/Vietnã/Índia etc…. países subdesenvolvidos com farta mão de obra barata, ausência de regulamentos e leis trabalhistas.
– As primeiras industrias fabricavam: brinquedos, roupas, sapatos, pratos… produtos simples que não exigiam tanta qualificação.
– Esse processo se intensificou na década de 90, já que mais empresas buscavam essas vantagens competitivas para fornecer produtos competitivos aos consumidores, empresas mais sofisticadas começavam a transferir suas industrias e contratar mão de obra qualificada (engenheiros,programadores,etc) principalmente na China/Índia. As empresas instaladas nesses países faziam forte Lobby em Washington para impedir taxas de importação, regulamentos, leis mais rígidas sobre imigração, etc…
– Milhões já tinham perdidos seus empregos nas industrias, não pela concorrência estrangeira, mas devido aos sindicatos e governos com suas taxas e regulamentos ex: Detroit. O governo dos EUA /FED, conseguiu adiar a revolta popular dos deploráveis com a criação de uma gigantesca bolha, financiada em grande parte com dinheiro da China via dívida. .. bolha esta que explodiu em 2008, destruindo emprego, poupança de milhões e concentrando renda.
– Obama, pouco fez para mudar essa realidade durante o seu governo, continuou privilegiando uma minoria com o dinheiro da maioria.
– No Brasil o mesmo aconteceu, em menor intensidade devido as taxas… A China, comprava soja, minério, carne e vendia uma grande quantidade de produtos industrializados, milhões perderam seus empregos nas industrias mas migraram para a área de serviços, em 2013 a conta chegou e o resultado são mais de 45 milhões de desempregados/subempregados ganhando menos que 900 reais ao Mês!
– Empresas e políticos/burocratas de Washington, devido a boa recepção de consumidores e acionistas na primeira década desse século intensificaram a estratégia de transferência de industrias para China/México/Vietnã/Índia etc e criações de bolhas. Atualmente essa realidade não é mais aceita por milhões resultando em Trump, Bernie Sanders, Guerra Comercial, etc.
Mas muito dos produtos chineses são de baixa qualidade, exceto de multinacionais que produzem lá, dominam a tecnologia e o modo de fazer. Uma curiosidade minha: existe alguma fabrica de lâmpadas, pilhas ou baterias aqui no Brasil? O Brasil tem capacidade de produzir tudo o que ele quiser e precisar se não fosse os enormes tributos sobre as empresas e as engessadas leis ambientais que não protegem o meio ambiente de fato.
O mais bizarro é constatar que em diversos aspectos China e outros países oficialmente comunistas têm mais liberdade econômica do que o Brasil. E os esquerdistas ainda afirmam que o problema do Brasil é excesso de capitalismo…
* * *
g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2017/04/multinacional-chinesa-e-autuada-por-trabalho-analogo-ao-escravo-em-mt.html
Na verdade o que configura escravidão é o fato de não poder sair do pais, ser tratado como propriedade do governo.
Então na China tem escravidão, assim como em Cuba na Coreia do Norte, Venezuela, enfim todos paises comunistas.
No Brasil, apesar dos salários serem baixos, somos livres, se quisermos sair para tentar ganhar mais , podemos
Pelo que eu entendi a china cobra pouco imposto da populaçao , mas da onde o governo tira dinheiro pra fazer tanta obra e armas de segurança ?
A que mais gosto disparado é a Austríaca, mas dou o benefício da dúvida para alguns argumentos dos pós-keynesianos, como por exemplo que a vantagem comparativa tem defeitos.
Os defeitos que os neo-keynesianos vêem na vantagem comparativa é resultado da imputação que fazem ao contrastar os dados observáveis – e que confirmam a lei de Ricardo – com o que a ela imputam. O que criticam são as consequências da operação natural da lei, não ela mesma. Mas, como confundem continente por conteúdo, em uma verdadeira metonímia mental, atribuem defeitos à lei. Fazer isso é confundir o dever ser com o ser. Em outras palavras, desgostar das consequências de sua operação, porque não causam o resultado que está de acordo com a visão de mundo neo-keynesiana, não a refuta, nem revela “defeitos” na operação da mesma. A vantagem competitiva explica um fenômeno econômico, ela não é um meio para nada além do que explica.
Assim como mercados não têm “falhas” – mas desde que você enxergue os mercados pelo que são, não pelo que você acha que eles deveriam ser.
E no meu caso eu sou contra o comércio com a China por entender como um crime contra a democracia[…]
Você então propõe uma situação em que o resto do mundo tem que sofrer uma escassez generalizada de produtos porque o país em que eles são produzidos opera, ativamente, para a destruição de um arranjo político que você elege como benéfico. Você não está sendo dogmático nesse ponto? Quantas pessoas terão que ser sacrificadas no altar democrático para que a sua visão de mundo se realize?
Caramba estou quase começando a acreditar que uma economia centralizada, com um governo que controla tudo e todos e que subsidia fortemente alguns setores da produção industrial. e ainda que lança mão da disponibilidade de mão de obra barata, causada pala quantidade de mão de obra disponível e não propriamente pela coerção,é o suprassumo da economia de mercado. Eu espera um artigo deste no ILISP não no instituto MIses!
China e Índia são um dos países mais populosos do mundo. Abrindo um pouco a economia, é claro que eles alavancam suas economias. Um governo pode oferecer uma certa liberdade econômica, mas nem por isso deixará de exercer seu controle social e político. Mas as questões são as seguintes: e os monopólios e cartéis? E os lobbies com políticos que favorecem os amigos do Partidão? Trabalhar 10, 12 horas por dia em funções repetitivas é saudável para aquela população ou regrediram na era industrial?
A China tem 1.3 bilhões de pessoas, claro que os salários iniciais seriam baixíssimos para o padrão dos países desenvolvidos do Ocidente… Mas com o desenvolvimento da economia chinesa, os salários se desenvolveram também. Atualmente o padrão de consumo chinês nas cidades aumenta a cada dia, natural que seja assim.
Para os protecionistas de plantão: como você acha que o padrão de consumo brasileiro aumentou sem a produtividade brasileira aumentar? CHINA. China entrou no jogo baixando os preços de produtos industrializados.
Este texto me inspirou e me deu grande alívio. Costumo ficar pessimista e angustiado com o Brasil, com a demora de Bolsonaro para liberar a economia, de vez em quando com discurso populista. Piorou hoje, fui tributado em uma importação dos EUA em 60%, e me senti impotente e humilhado. Mas lendo este texto percebi que o mundo está passando por uma seleção natural: percebo estar chegando o dia em que aquelas nações que praticam o liberalismo estarão tão distantes em prosperidade daquelas que praticam o socialismo, como o Brasil, que nem o mais hábil populista e nem o mais hipócrita poderá esconder a verdade, e até o mais ignorante poderá ver o fato, de que é a liberdade econômica que leva à prosperidade.
O artigo é excelente, não passa uma única semana que eu termine sem ouvir argumento semelhante, o principal argumento é que os produtos vendidos no Brás (bairro de São Paulo) são produzidos por hordas de escravos vindos da Bolívia. É claro que precisamos dizer que não estão totalmente errados, houveram casos reais de trabalho escravo, como apontado aqui.
O que resta a eles afirmar é que toda a produção destes bens vêm exatamente destas fábricas escravagistas. Não consigo acreditar, pois atenta contra a lógica. Até porque são casos muito isolados para conseguir produzir em larga escala.
Sobre a China, há duas coisas para ser destacada, a primeira é que existe sim o trabalho escravo no país, e que diferente do Brasil (onde ocorre totalmente nas sombras e fora da lei), lá o trabalho escravo é totalmente legal. O que não significa que empresários, capitalistas e etc estejam forçando os chineses a trabalhar sob a ponta do fuzil, não é do trabalhador industrial de Pequim que estou me referindo. Este obviamente não é um escravo.
No entanto, hoje, na região de Xinjiang, há alguns campos de concentração. Estimativas chegam a mais de 1 milhão de “habitantes” desses campos. São os Laogais modernos. Todo o trabalho feito dentro destes campos é trabalho escravo, na sua forma mais concreta.
O que resta é realmente alguém provar que os bens chineses que importamos tem sua origem nestes campos. Se isso fosse provado, teríamos de reconhecer que realmente estamos financiando indiretamente o trabalho escravo. No entanto, até onde todos temos conhecimento, o trabalho escravo é improdutivo demais para competir com o trabalho livre.
Para mim o melhor texto sobre o assunto foi escrito pelo Mises no livro Ação Humana, de título “O Trabalho dos animais e dos escravos”. Poderiam publicar um artigo com esse capítulo do livro. Talvez de forma resumida, cortando algumas partes, como fizeram com o texto da Revolução Industrial.
…..”Na Europa, por exemplo, os trabalhadores que não são sindicalizados acabam sendo, na prática, forçados a procurar apenas aqueles empregos menos desejados, pois os sindicatos, por gozarem do apoio de seus governos, conseguem restringir o mercado de trabalho apenas para seus membros, deixando de fora os não sindicalizados. Os sindicatos utilizam o governo para enviar burocratas com armas e distintivos às empresas com o intuito de proibir os empregadores de contratar trabalhadores não-sindicalizados. Isto não é livre mercado; isto é um mercado manipulado pelo estado.”
Não entendi esta crítica,pois na Europa existe leis trabalhistas draconianas,no entanto a taxa de desemprego por lá é baixa e o seguro-desemprego uma maravilha se não me engano na Dinamarca é de 30 meses,enfim lá tem todas estas regulamentações deletérias,mas a taxa ou linha da pobreza é baixa,como explicar isto para meus filhinhos não libertários? Ao contrário do Brasil com estas leis porcas e seguro-desemprego de miséria e de poucos meses.
Ginnani, 15/11/2019 09:51
Boa tarde.
O problema não é o presidente Bolsonaro e sim, o Congresso! Ele, Congresso, demora em mil discussões infrutíferas e não aprova rápido o que é preciso aprovar. Bolsonaro faz um bom governo, se ele fala coisas afoitas é pelo tempo que passou no Congresso como deputado ouvindo ofensas da esquerda o tempo todo ( é só olhar a mídia da época e de hoje. Ela segue criticando e chamando o Bolsonaro de “extrema-direita”).
As reformas são lentas mesmo. Paulo Guedes segue firme na nobre missão de liberar a economia ao máximo, a questão é o que escrevi acima: o Congresso barra tudo, tem os “aliados” que pulam fora do barco ( só apoiaram o Bolsonaro para se eleger), fica complicado.
Tenha calma e não deixe se enganar pela mídia de esquerda. Leia sites de política com viés conservador/liberal. Use o Gab e não outras redes sociais.
Mantenha o foco. Mesmo a reforma tributária, tão necessária e que o Paulo Guedes quer fazer, demorará por causa desse Congresso fruto da CF de 1988.
Abraços.
A real é que latinos não conseguem competir com asiáticos. Troque China por Japão e a lógica do texto continua a mesma.
Asiáticos parecem robôs, são extremamente disciplinados e gostam de trabalhar. Mesmo os que nasceram fora da Ásia são dessa forma.
Quando dizer “trabalho escravo” estão se referindo a isso.
Latinos, por outro lado, são mais acomodados e isso reflete nas relações de trabalho da America Latina, mais rígidas do que qualquer outro lugar no mundo.
1)Os pescadores estrangeiros com super barcos “roubam” todo pescado dos pescadores artenasanais nacionais.Os pescadores artesanais ficam sem emprego.
2)Este pescado “roubado” é vendido em países distantes e o povo brasileiro fica com escassez de pescado.
3)Apesar da grande demanda nacional por pescado, os estrangeiros não estão interessados em vender para nós pois a nossa moeda é bem mais fraca…..Um salário mínimo brasileiro não compra uma latinha de refrigerante estrangeira…
4)Então, o governo deve criar leis que protecionistas contra os estrangeiros porque eles causam desemprego e diminuem a variedade alimentar do brasileiro…ou fortalecer a moeda?…qual é o mais simples?
Substitua “pescado” por um bem de importância estratégica ou suponha que o pescado seja um bem de importância estratégica…Suponha que o Br iria parar caso houvesse escassez de pescado…Qual seria a melhor alternativa?
Algum artigo/opinião para refutar esta visão lugar-comum? Entendo pouco de economia mas estou interessado
Não seria a china um país que desafia o liberalismo econômico teórico? Manteve crescimento vertiginoso, salários no setor industrial superam o Brasileiro, infraestrutura chega a competir com países ricos e isso na ladeira dos rankings de liberdade econômica. Ou há algo errado nesses rankings.
Também superou os eua em números de patentes registradas ( o que indica inovação e não apenas empilhamento de tijolo)
Em ppp (pib por paridade de poder de compra, está em primeiro)
É fácil acabar com a concorrência chinesa é só obrigar o governo chinês a implantar a nossa CLT . Em um mês voltam à idade da pedra.
“a China se tornou um grande concorrente nos mercados ocidentais. Seus trabalhadores podem se mover e se mudar para onde quiserem. Eles têm liberdade de decidir para onde querem ir e onde querem trabalhar” esse site sempre defendeu isso dizendo que traria prosperidade, fica a pergunta se a china tem isso porque muitas pessoas que moram la continuam pobres e sendo obrigadas a trabalhar em condiçoes desumanas para sobreviver na china?
O Brasil não é competitivo por inúmeras travas de nosso governo, mas me parece um caminho ruim, usar a China como modelo.
No Brasil e na China há trabalho análogo ao escravo, mas há diferenças no modos em que cada cultura enxerga isso.
No Brasil vemos o trabalho como uma parte da vida, mas precisamos de tempo de lazer e convívio familiar, na China a visão é diferente, rotinas de trabalho de 12 horas sem horas extras são normais.
Na China rotinas de trabalho sem segurança a vida do empregado são aceitáveis! E segurança custa caro!
Não é uma questão simples e direta como o artigo propõe, e meias verdades são perigosas.
Olá, tudo bem? Gostaria de saber a opinião de vocês acerca deste vídeo. Entendi o que vocês disseram acima. Por outro lado, é importante lembrar que, infelizmente, a nossa indústria continua sendo sufocada por problemas acerca do que é comentado no vídeo: youtu.be/MqSldzvhFrs
Isso vindo de um empreendedor nacional e escritor que conhece a realidade de um mercado local. Quais medidas vocês sugerem? Qual a opinião acerca do que foi comentado aqui? Aguardo pela sua resposta. Abraços;)
Trabalho no segmento de moda, ler isso até me apavora como alguém pode achar a China um exemplo de competitividade.
O aliexpress consegue vender camisa a 5 dólares.
Como se paga uma cadeia de profissionais com esse valor por produto, até em grandes quantidades, NÃO DÁ.
Em que universo isso gera competitividade?
Tem mão de obra escrava sim, não é atoa que até empresas americanas migram parte das suas produções pra lá.
Meu caro! Primeiramente ninguém sabe realmente o que acontece internamente na China comunista. Vocês sabem o que o ditador chinês quer que vocês saibam. Só isso.
Outra coisa, China é capitalista na hora de se realiconar com os outros países, isso fez ela virar uma potência, mas internamente ela é comunista. Então não venha dizer que comunismo é bom. Se ela é potência hoje, é por que mantém relação capitalista com outros países e comunista com seu povo( que pode ser trabalho restrito escravos sim, pois não tem como saber pois é ditadura, só um tem poder máximo).
Se China comunista fosse boa, Hong-Kong (única cidade que tem democracia) não faria manifestações pra não se aderir a ela.
Por que puseram uma focinheira de pano na moça da foto ?
Na foto original essa moça estava com o rosto todo à mostra, sem usar focinheira.
Qual foi a razão para editar a foto ?
O insituto Mises está agora desinformando ou foi o pêtê que mandou editar a foto?.