Não é raro pessoas contrárias à teoria anarcocapitalista – ou até mesmo ardorosas defensoras – mandarem-me e-mails perguntando praticamente a mesma questão: “Em um sistema ‘anarcocapitalista’ – isto é, em uma ordem de livre mercado puro – a sociedade não iria se degenerar em batalhas constantes entre líderes militares privados?”. Como não pude dar respostas adequadas e completas à época, espero que o seguinte artigo comprove o adágio de que o tardio é melhor do que o nunca.
COMPARANDO MAÇÃS E LARANJAS
Ao lidar com essa questão dos déspotas privados – seja na forma de polícia ou de forças armadas – é preciso garantir que as comparações sejam justas. Em nada adianta imaginar uma sociedade A, povoada de selvagens ignorantes e sádicos que vivem em anarquia, e compará-la a uma sociedade B, composta de cidadãos iluminados e cumpridores da lei, que vivem sob um governo limitado. O anarquista não vai negar que a vida será melhor na sociedade B. Mas o que o anarquista irá de fato afirmar é que, para qualquer população, a imposição de um governo coercivo irá piorar as coisas. A ausência do estado é uma condição necessária, mas não o suficiente, para se atingir uma sociedade livre.
Não importam quais sejam as condições culturais e as preferências populares de um país, não importa quão forte sejam as tendências para o totalitarismo e para o trabalho duro, e independente do fato de haver ou não justiça e de os contratos serem ou não respeitados, não há nada que o estado possa fazer para melhorar a situação. É verdade que uma sociedade pode ser pobre e belicista sem o estado. Ela pode ser brutal e miserável. Mas impor um estado sobre essa sociedade irá apenas exacerbar suas piores tendências ao mesmo tempo em que sobrepuja as melhores. O estado não oferece benefício algum a sociedade alguma, não importa suas condições culturais. E isso vale para qualquer lugar do mundo. O estado institucionaliza e fortifica as coisas ruins e obstaculiza o surgimento das boas. Este é, em resumo, o foco da doutrina libertária.
Colocando de outra forma: não basta dizer que uma sociedade sem governo e baseada na propriedade privada poderia se degenerar em guerras infindáveis, onde não haveria um grupo único poderoso o suficiente para domar todos os desafiantes, e daí então afirmar que, nesse cenário, seria impossível o estabelecimento da “ordem”. Afinal, há vários exemplos de comunidades que vivem sob um estado e que se degeneraram em guerras civis. O que houve mais recentemente na Colômbia e no Iraque não são demonstrações de anarquia que se transformou em caos, mas sim exemplos de sociedades governadas que mergulharam no caos.
Para que o argumento “os déspotas vão assumir o controle!” seja válido, o estatista teria de arfirmar que uma dada comunidade seria ordeira sob um governo e que essa mesma comunidade iria se esfarelar em guerras contínuas caso todos os serviços judiciais e de segurança se tornassem privados. O popular caso da Somália, portanto, não ajuda nenhum dos lados da discussão, pois não se tratava de uma sociedade ordeira mesmo sob um governo.[1] É verdade que os rothbardianos deveriam estar um pouco inquietos com o fato de que o respeito ao princípio da não agressão é aparentemente muito raro na Somália, o que impede o surgimento espontâneo de uma ordem de livre mercado. Porém, da mesma maneira, o estatista deveria se incomodar com o fato de que o respeito pela “lei” também era muito fraco, de modo que o governo original da Somália jamais foi capaz de manter a ordem.
Agora que já nos centramos na questão, creio que haja fortes razões para supor que uma guerra civil seria muito menos provável em uma região dominada por agências judiciais e de defesa privadas, do que por um estado monopolista. Agências privadas são donas dos ativos à sua disposição, ao passo que políticos (principalmente em democracias) meramente exercem controle temporário sobre o equipamento policial e militar do estado. Por exemplo, já se comprovou que Bill Clinton estava perfeitamente disposto a disparar dezenas de mísseis teleguiados quando o escândalo Monica Lewinsky começava a ganhar fôlego – tudo para distrair a atenção do público.
Da mesma, a Guerra Civil Americana – e seu 1 milhão de mortos, entre soldados e civis – não teria sido possível. Nos anos 1860, será que um combate em larga escala teria acontecido, pelo menos nessa magnitude, se, ao invés das duas facções controlando centenas de milhares de recrutas, todos os comandantes militares tivessem de contratar mercenários voluntários e pagar-lhes um salário de mercado pelos seus serviços?
O GOVERNO E SUA TEORIA DE CONTRATO
Até agora, posso imaginar o leitor endossando de modo geral a análise acima, porém ainda resistindo à minha conclusão. Ele pode estar pensando algo assim: “Em um estado natural, as pessoas inicialmente têm diferentes visões sobre justiça. Sob uma anarquia de mercado, diferentes consumidores iriam ser clientes de várias agências de defesa, e cada uma delas tentaria utilizar suas forças para implantar seus códigos de lei, tornando todo o sistema incompatível. É verdade que essas gangues profissionais, em geral, poderiam evitar conflitos entre si, por uma questão de prudência, mas o equilíbrio ainda assim seria precário”.
“Para evitar esse resultado”, meu crítico poderia elaborar, “os cidadãos colocariam de lado suas insignificantes diferenças e concordariam em apoiar uma única agência monopolista, que teria o poder de esmagar todos aqueles que desafiassem sua autoridade. Isso confessadamente geraria o novo problema de se controlar o leviatã que surgiria, mas ao menos resolveria o problema da infindável guerrilha doméstica.”
Há vários problemas com essa abordagem. Primeiro, ela assume que o perigo advindo de agências de defesa privadas seria pior do que a ameaça representada por um governo central tirânico. Segundo, há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado. As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali
Mas para os nossos propósitos, o problema mais interessante em relação e essa objeção é que, caso ela realmente fosse válida, seria desnecessário que os cidadãos formassem um governo. Se, por hipótese, a vasta maioria das pessoas – embora tenha diferentes conceitos de justiça – pudesse concordar que é errado utilizar de violência para resolver suas pendengas, então as forças de mercado inevitavelmente iriam impor a paz e a cooperação entre as agências privadas de polícia.
Sim, é totalmente verdadeiro que as pessoas possuem opiniões vastamente distintas em relação a questões legais de cunho particular. Algumas pessoas defendem a pena de morte e outras consideram que o aborto é assassinato. E não haveria consenso em relação a quantos culpados deveriam ser absolvidos para evitar que um réu inocente seja condenado. Entretanto, se a teoria de contrato do governo estiver correta, a vasta maioria dos indivíduos pode concordar em um ponto: eles deveriam resolver suas desavenças não através da força, mas, sim, através de um procedimento ordeiro (tal como ocorre durante eleições periódicas).
Mas se isso de fato descreve o comportamento de uma determinada população, então por que seria de se esperar que pessoas tão virtuosas iriam, como consumidores, prestigiar agências de defesa que rotineiramente utilizam sua força contra concorrentes mais fracos? Por que a esmagadora maioria desses consumidores sensatos não iria prestigiar as agências de defesa que tivessem acordos de arbitragem integrados e que submetessem suas disputas legítimas a arbitradores de boa reputação no mercado? Por que essa estrutura legal, privada e voluntária não iria funcionar como um mecanismo ordeiro capaz de resolver questões de “política pública”?
Novamente, a descrição acima não é aplicável para todas as sociedades da nossa história. Porém, de maneira similar, pessoas de tendência belicosa também seriam incapazes de manter uma sociedade ordeira sob um estado limitado.
O PROBLEMA DO CARONA?
Um sofisticado apologista do estado – principalmente um versado em economia ortodoxa – poderia reagir com outra justificativa: “A razão por que é necessário termos governo é que não podemos confiar que o mercado irá adequadamente financiar as forças policiais. Pode ser verdade que 95% dos indivíduos de uma sociedade teriam visões similares quanto a justiça, de modo que a paz seria obtida caso todos eles contribuíssem substancialmente para agências defesas dedicadas a executar essas mesmas visões“.
“Entretanto”, continuaria o apologista, “caso essas agências de polícia não tenham o direito de extrair contribuições de todos que endossam suas ações, então elas seriam incapazes de manter um efetivo substancial. O mercado falha especificamente por causa do problema do carona: quando uma empresa legítima suprime ou toma medidas duras contra uma empresa fraudulenta e perigosa, todas as pessoas de bem se beneficiam disso, mas em um livre mercado elas não seriam obrigadas a pagar por esse ‘bem público’. Consequentemente, em uma anarquia, agências desonestas financiadas por bandidos maléficos teriam uma dimensão e uma abrangência de operação muito mais ampla”.
De novo, há várias respostas possíveis a essa argumentação. Primeiro, tenhamos em mente que um amplo exército efetivo e permanente, pronto para esmagar uma minoria discordante, não é exatamente uma característica de governo unanimemente desejada.
Segundo, o alegado problema do carona não seria nem de longe tão desastroso como muitos economistas creem. Por exemplo, empresas de seguro iriam, em grande medida, “internalizar as externalidades”. Pode ser verdade que, se as agências policiais tivessem de pedir contribuições para os cidadãos particulares, um número “ineficiente” de assassinos seriam capturados. (Claro, todos se beneficiam ao saber que um assassino em série foi capturado, mas o fato de uma pessoa contribuir ou não para uma agência não será o fator diferencial entre a captura e a fuga).
Porém, a solução real se encontra naquilo que é o baluarte de um livre mercado: as seguradoras. Assim, as empresas de seguro que fornecessem apólices para milhares de pessoas em uma cidade grande estariam dispostas a contribuir com quantias substanciais para as agências policiais de modo a eliminar a ameaça de um serial killer. Afinal, se o assassino atacar novamente, uma dessas seguradoras teria de pagar centenas de milhares de dólares para o espólio da vítima. E esse mesmo raciocínio demonstra que o livre mercado poderia adequadamente financiar programas que visam “conter” as agências mal intencionadas.
Terceiro, se as pessoas realmente imaginarem um cenário assustador, verão o quão absurdo é a ideia de que isso será a norma. Imagine uma cidade agitada, como Nova York, que inicialmente seja um paraíso livre-mercadista. É realmente plausível imaginar que, com o tempo, gangues rivais iriam crescer substancialmente até chegarem ao ponto de dominar a cidade e aterrorizar todo o público?[2] Lembre-se: essas seriam organizações admitidamente criminosas; ao contrário da prefeitura de Nova York, não haveria apoio ideológico a essas gangues.
É preciso considerar que, em um ambiente sem governo, a maioria cumpridora das leis teria todos os tipos de mecanismos legais à sua disposição. Uma vez que juízes privados tenham sentenciado uma determinada agência criminosa, os bancos privados poderiam bloquear suas contas (no valor total das multas impostas pelos arbitradores). Além disso, as empresas de utilidade privada poderiam cortar a eletricidade, o telefone e a água dessa agência, de acordo com as cláusulas de seu contrato.
É claro que é teoricamente possível que uma agência bandida possa superar esses obstáculos, seja através da intimidação ou da mancomunação com juízes, e tomar o controle de vários bancos, companhias de eletricidade, supermercados, etc. Mas isso só seria possível através de um ataque militar em larga escala. A questão é que, começando uma anarquia hoje, esses pretensos tiranos teriam de começar do zero. Em contraste, mesmo sob um atual governo limitado, todo o aparato de destruição e escravização em massa já está ali, pronto para ser tomado pelo próximo eleito.
CONCLUSÃO
A objeção padrão de que a anarquia levaria a uma batalha sangrenta entre déspotas é infundada. Nas comunidades em que tal fenômeno porventura ocorresse, a adição de um estado não ajudaria
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[1] Tendo feito essa concessão, devo dizer que os anarcocapitalistas podem ver suas teorias sendo, de certa forma, confirmadas na Somália.
[2] Tenhamos também em mente que os grupos mafiosos que existem atualmente: (1) nem de longe extorquem tanto dinheiro ou matam tantas pessoas quanto qualquer governo em um dia típico de trabalho, e (2) só existem para fornecer bens e serviços que foram proibidos pelo governo (jogos, drogas, prostituição, agiotagem, etc.). É desse cenário de ilegalidade, onde os contratos são cumpridos à força, que derivam sua força e poder. Logo, a máfia dificilmente existiria em um mundo anarquista.
Muita especulação teórica, análises hipotéticas, assunções de premissas fantasiosas. Pouco senso de realidade. Murphy estudou muito, talvez demais. Apenas se esqueceu de conhecer melhor o ser humano. Ironicamente, lembra-me a ingenuidade dos marxistas clássicos e do sonho de atingir uma sociedade com comunismo.
É né xará.. o Murphy deve ser um cara que só estudou na vida, nunca nem saiu da biblioteca e não conhece o ser humano tão bem qto vc..\nUma pena que vc além de “conhecer melhor o ser humano” parece que não estudou muito, pois comparar os devaneios abilolados do marxismo com a analise científica praxeológica é coisa de quem não tem noção do que sejam essas coisas..
O Murphy deu bola fora nesta. Até porque ele faz um monte de “e se”. A única coisa que ele tem de argumento é que com governo é pior. Para mim não interessa quem é pior, interessa como a qualidade de vida de relacionamento humano (interpessoal) pode melhorada.\nA argumentação dele tem falhas terríveis de realidade.\n – Dizer que gangues em NY (exemplo dele) não teriam apoio ideológico é ridículo. As guangues existem por haver mútuo apoio entre participantes.\n – O último parágrafo antes da conclusão é falta de realidade bruta. 1º que está apenas considerando força militar, esqueceu da econômica. 2º, dizer que tiranos teriam que começar do zero. Com tanta arma a solta (inclusive nucleares) ele acha que tudo mundo vai começar do zero?\n\nNão acho que ele desconheça o ser humano. Acho que ele é desonesto na argumentação.
Hahhaha\nÉ Bruno, as gangues de NY tem muito apoio DE SUAS VÍTIMAS!!\nÉ incrivel que alguém tenha sido incappaz de perceber que é deste tipo de apoio–apoio que o Estado goza–que a teoria trata. mas não tão incrível em se tratando do Bruno.\nO resto do comentário dele deixa claro a incapacidade de compreensão que ele possui. Lamnetável.\n
Não sei se foi eu que não entendi mas me surgiu dúvidas ao ler o seguinte trecho:\r
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“Segundo, o alegado problema do carona não seria nem de longe tão desastroso como muitos economistas creem. Por exemplo, empresas de seguro iriam, em grande medida, ‘internalizar as externalidades’.” \r
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Apontamentos:\r
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1) Quem não pagasse nem a “polícia privada” nem as “seguradoras” continuaria pegando “carona” do mesmo jeito;\r
2) Surgirá entre os mais céticos a pergunta: quem não tem seguradora nem polícia, se fosse assassinado, ficaria por isso mesmo (sem ninguém para investigar o crime, muito menos para punir o assassino)? (Eu não vejo objeção a esta pergunta; em verdade, se com a presença do Estado é necessário pagar para ter esse “serviço público”, porque não teria que pagar sem um Estado? – Levanto a questão apenas para debate, para ouvir melhores exposições);\r
3) De fato, as seguradores tenderiam a “internalizar as externalidades”. Porém, o que coibiria o problema do “carona” em relação às próprias seguradoras (agências A, B, C financiam uma polícia privada, mas a D decide não mais ajudar/financiar)?\r
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Abraços
Minha ideia é diferente. Em uma sociedade anarquista, os “déspostas” assumiriam, sim, o controle. O resultado seria um ou mais Estados em regiões diferentes.
Salve!
Levando-se em conta que em todo lugar do mundo com a mínima possibilidade de acumulação de recursos surgiu um Estado, por que pensar que no mundo pós-implantação-do-anarquismo seria diferente? Pelo que podemos observar, o Estado surge “naturalmente”.
Sempre haverá alguém com mais poder do que outrem. A desigualdade de poder é como a desigualdade econômica: há sempre alguém mais esperto, mais rápido, mais inteligente, mais forte, mais rico. Se alguém é mais forte (pode inclusive ser força física) que eu, eu não vou ousar enfrentá-lo. Quando alguém se torna suficientemente poderoso para ter o respeito ou o temor de uma grande quantidade de pessoas, pronto, temos um rei. Não há nada que impeça isto numa sociedade anarquista e, levando-se em conta as diferenças “de poder” entre as pessoas, não há nada que nos garanta a manutenção desta anarquia.
Penso que em uma sociedade que conseguisse manter-se sem governo, mesmo tendo disputas entre seus membros, provavelmente não manteria-se anarquista após um momento de “extremos”: ataque estrangeiro, fome, epidemia, desastre natural, momentos em que uma comunidade não pode ficar dividida.
Vale!
Considero este um dos textos mais sofisticados do site porque aborda uma questão que pessoas de boa vontade podem pensar.\r
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Não há como em uma sociedade baseada unicamente na propriedade privada e trocas voluntárias se tornar tirânica porque não existiriam MEIOS FISICOS para isso ocorrer.\r
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Os meios físicos para se efetivar a tirania estão todos dentro do estado.\r
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“Em uma sociedade sem estado, os déspotas não assumiriam o controle?”\r
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Resposta: Os déspotas assimiriam o controle de uma sociedade sem estado criando um estado.\r
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Infelizmente eu percebo que no Brasil o debate de idéias é feito de forma desonesta e cretina. As causas são tratadas como consequências, as consequências são tratadas como causas.\r
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Responde-se questões que nunca forma levantadas, foge-se do tema, dentre outros.\r
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Bom texto do site.\r
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Abraços\r
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‘Para que o argumento “os déspotas vão assumir o controle!” seja válido, o estatista teria de arfirmar que uma dada comunidade seria ordeira sob um governo e que essa mesma comunidade iria se esfarelar em guerras contínuas sem’
E as favelas do rio de janeiro? Eram essa briga de gangues eterna antes do Brizola falar que a polícia não era pra entrar lá? E agora com as UPPS não melhorou tudo? Tanto que até os imóveis por perto estão se valorizando?
“…há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado. As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali em diante.”\r
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Vejamos, talvez ele esteja pensando em imigrantes que chegaram à América do Norte e foram estabelecendo suas plantações. Visto que tinham uma tecnologia superior à dos índios, estes os temiam. Mas mesmo esses colonizadores, que muitas vezes vinham apenas com suas famílias, geralmente faziam amizade e acordos com tribos indigenas, às quais ajudavam contra outras tribos invasoras, e das quais tinham apoio reciprocramente.\r
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Ocorre que essas tribos tinham seus governos (chefias monopolísticas). Esses colonizadores, embora muitas vezes fossem eles mesmos sem governo sobre sí, buscavam, conforme seus próprios interesses, acordos com grupos, e esses grupos (fossem vilas e cidades de brancos, fossem tribos de índios) tinham governo, que tinha o monopólio da chefia sobre a segurança (ainda que cada homem estavesse armado e também cuidasse de sua própria segurança). Portanto, o que geralmente acontecia é que os indivíduos e famílias que não estavam subordinados a algum governo, se garantiam em parte pela associação com grupos que tinham governo. A idéia de um passado idílico em que o governo não teve parte na segurança das pessoas é uma ficção, a não ser que se pense em pessoas ou famílias relativamente isoladas, que pouco contato tinham com terceiros e que, por alguma razão não precisassem do apoio de grupos para sua segurança. Os grupos sistematicamente tinham governos, que organizavam a segurança e a justiça.
Levando em consideração:
“…há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado. As pessoas que se estabeleciam em determinadas áreas e regiões jamais se preocupavam em definir quem elas iriam escolher para mandar em tudo dali em diante.”
“Lembre-se: essas seriam organizações admitidamente criminosas; ao contrário da prefeitura de Nova York, não haveria apoio ideológico a essas gangues.”
Essas partes não estão em contradição?
As gangues não tem apoio ideológico do mesmo modo que as tribos/comunidades que escravizaram as outras para a construção dos impérios e posteriormente estados, e isso não impediu a criação dos mesmo (como dito no primeiro trecho).
Se isso aconteceu amplamente na antiguidade porque não aconteceria denovo?
Em uma sociedade mais livre, haveria troca de informações que afetariam reputações (que seria algo valiosíssimo) e equilíbrios de força, produzindo assim mecanismos de autocorreção social.
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Eu acho que os anarquistas já escutaram isso mais de um milhão de vezes, mas eu não resisto a colocar mais uma vez aquela frase do Churchil: “A democracia é o pior sistema político que existe… fora todos os outros que são tentados de tempos em tempos”.
O que ele quiz dizer é que, ao contrário do que vocês afirmam, os gorvernos surgiram sim de forma espontânea em todos os lugares onde houveram grupos humanos. De índios aborígenes a esquimós sempre houve alguma forma de contrato social que dizia mais ou menos o seguinte “Siga as regras dos líderes e poderá aproveitar as vantagens de viver com a gente. Quebre as regras e será punido ou expulso”. E a vida era significantemente melhor numa sociedade sob condução de uma boa liderança do que no “estado de natureza”. O problema é que boas lideranças não duram para sempre. E foi isso que a democracia tenta resover.
Outra objeção ao anarco-capitalista: Da mesma forma que os comunistas afirmam que o verdadeiro comunismo nunca foi tentado, sem chegar nunca a um acordo de como ele deveria ser, os anarco-capitalistas afirmam que não sabem como a coisa vai funcionar exatamente, mas que é o único futuro de paz prolongada. (isso os comunistas também afirmam, né?). Mas assim como o comunismo erra ao não considerar aspectos fundamentais da psique humana (quem vai se esforçar para qualquer coisa em um lugar com o lema “de todos conforme sua possibilidade para todos conforme sua necessidade), também o fazem os anarco-capitalistas ao desconsiderar a não-uniformidade de características tais como honestidade e agressividade nas pessoas que terão de ser coagidos de alguma forma não-institucional a cumprirem contratos, não roubar, não matar, etc.
Com ou sem governo eles estão tentando assumir o controle. Só que no governo já se tem a estrutura de repressão prontinha para se tomar e o pessoal já está inclinado (até por bom senso) a aceitar tal governo e quem o controle. Já sem o governo não é simplesmente ir dizendo que é o novo estado e que todos devem se submeter a ele. As pessoas quererão e poderão se defender quanto a isto, será necessário uma aceitação pacifica. E não sei quantos poderão financiar uma guerra contra todos para poder então tomar as riquezas destas pessoas.
É preciso coragem.
Mentira. O próprio Mises e demais autores libertários reconhecem que não é possível viver sem um força coercitiva, que proteja os direitos de propriedade(adquiridos pelo trabalho ou livre iniciativa). O problema é como essa força está estruturada. Atualmente, é insustentável e só favorece os maiores e corruptos contra os pequenos.
Quer fazer um “test-drive” na prática sob o que existe de mais próximo ao anarcocapitalismo?
largue tudo e vá para o Rio de Janeiro. É só escolher qual “justiça” lhe agrada mais por lá.
Assim como o socialismo só existe enquanto ainda existir o capitalismo, o anarcocapitalismo só se sustentaria enquanto este existir dentro de um estado ou cercado por diferentes estados.
O mercado funciona como descrito na proposta apenas enquanto ainda existe interferência do estado.
Quando se retirar o estado do cenário, todas as corporações não necessitarão mais se preocupar com as pressões que o estado exercia sobre elas até então, e por isso a coisa toda iria se acomodar/funcionar de uma maneira diferente em um cenário totalmente diferente, sendo que este não mais permitiria o funcionamento correto do anarcocapitalismo como previsto em teoria, pois ele se baseia no que acontece hoje, ou seja, com a presença significativa do estado nos bastidores.
No anarcocapitalismo eu teria que viver restrito a minha rua, comprando até comida pela internet.
Pois se uma pessoa sair cedo de casa, passeando com seu cachorro, passar na padaria p/comprar pão e retornar, correria o risco de inconscientemente ser autuado por diversas infrações locais e passar a ser um procurado Top5 pelas seguranças particulares de regiões diferentes como por exemplo 2 esquinas, 4 ruas diferentes e uma passarela suspensa de pedestres… Mundo dos Sonhos!!!!
Boa tarde.
Gostaria de saber se há um site/caminho/endereço eletrônico para que se possa escutar todos os podcast de maneira sequencial e automática, exemplificando….toco o de numero 235, acabou este já começa a tocar o 234 e assim sucessivamente.
Cordialmente.
Tamanini
“Primeiro, ela assume que o perigo advindo de agências de defesa privadas seria pior do que a ameaça representada por um governo central tirânico.”….Se é pior ou melhor eu não sei, a questão ´é que sempre existirá a potencialidade (pode ser que haja fair play) de uma empresa provedora de segurança pública (a minha agência Pynkerton) lutar pelo monopólio (se imposto é roubo, esse monopólio do roubo é muito lucrativo) dos serviços e alcançar (seja por meio de fusões ou pela simples eliminação da concorrência) . Quando isso for feito, essa empresa poderá impor, por meio da violência (quer convencimento melhor?), as Leis ao seu bel prazer (a minha Pynkerton alcançará esse monopólio, devido a minha sagacidade e loucura, e exigirá da pobre população sacrifícios de virgens e outras coisas divertidas como proibir o porte e a posse de armas da população. Isso será facilmente alcançado graças aos frutos dos meus investimentos em tanques, os bombardeiros, os caças, os drones e o gás VX que serão usados alegremente contra a população revoltosa armada com rifles vagabundos e que investiram em coisas fúteis como computadores ou comida)…parece que é trocar seis por meia dúzia
“Segundo, há um fato bastante inconveniente: nunca houve na história a formação voluntária e espontânea de um estado”….Nunca houve mesmo, alguém pode me corrigir mas parece que o senso é de uma constante luta dos indivíduos contra o eterno Estado…O que acontece se o Estado for expressivamente tirânico? Ora, geralmente o povão vai se virar e tentará derrubar esse Estado. Mas até quando, taticamente, os 350 milhões (o povão) conseguirão derrubar os 2 milhões (que são as Forças Armadas desse Estado opressor)? As tecnologias militares respondem essa pergunta (um laser de mapeamento de superfície, ou LIDAR, consegue mapear uma área imensa em questão de segundos. O princípio é o mesmo: o laser emite um raio num ponto-alvo (que é o alvo) e esse raio é refletido e recaptado por um sensor que converte o tempo de emissão/captação em dados, tudo feito em milionésimos de segundo…Troca-se esse laser pacífico por um laser um pouquinho mais potente (capaz de destruir um crânio) e assim teremos o gatilho mais rápido do oeste (troca-se ponto alvo por humano-alvo)!!! 1 milhão de crânios destruídos em questão de segundos, e o melhor, sem a poluição radioativa das armas de destruição em massa convencionais (quero matar os outros, e não ir junto)….
Humor retardado a parte, admiro muito esse site e só estou tentando desfazer meus preconceitos