Revisitar os legados do colonialismo para condenar o imperialismo ocidental tornou-se um passatempo da moda entre acadêmicos influentes. Muitos argumentam que o colonialismo ergueu obstáculos permanentes que impediram o progresso das ex-colônias. O colonialismo ocidental é tão demonizado que qualquer tentativa de apresentar uma visão equilibrada é considerada imprópria. O ensaio controverso de Bruce Gilley, “The Case for Colonialism” [O argumento a favor do colonialismo, em tradução livre], gerou uma tempestade de críticas que levou a revista Third World Quarterly a retratar o texto.
Gilley buscou demonstrar que, em vários casos, o colonialismo trouxe benefícios positivos, e chegou até a sugerir que alguns lugares prosperariam se fossem recolonizados. A recolonização de territórios independentes é carregada de tensões e parece impraticável, mas Gilley está correto ao apontar que o colonialismo gerou alguns resultados favoráveis. Mais recentemente, ele publicou o livro In Defense of German Colonialism [Em defesa do colonialismo alemão, em tradução livre], e seu aliado intelectual, Nigel Biggar, lançou Colonialism: A Moral Reckoning [Colonialismo: um acerto de contas moral, em tradução livre] para oferecer uma avaliação objetiva do Império Britânico.
Gilley e Biggar estão traçando um novo caminho para que críticos e defensores do imperialismo ocidental possam engajar em um debate orientado por evidências. Como o debate é altamente carregado de emoção, o público costuma receber platitudes vazias e anedotas em vez de dados empíricos. Acadêmicos politicamente corretos e seus seguidores podem considerar a ideia de dominação estrangeira perturbadora, mas isso é uma nota irrelevante. Por outro lado, libertários veem o colonialismo como uma violação da soberania, e essa premissa é correta para aqueles que se opõem ao domínio estrangeiro.
É inegável que países europeus foram responsáveis por atrocidades em antigas colônias; no entanto, isso não torna a versão europeia do colonialismo mais repugnante moralmente do que os colonialismos equivalentes islâmicos ou africanos. Com frequência, a história imperial de potências não europeias é omitida do debate. Assim, as pessoas são levadas a acreditar que o colonialismo foi estritamente um projeto ocidental. Portanto, como o colonialismo ocidental raramente é comparado a outras formas de colonialismo, não podemos afirmar que ele tenha sido excepcional em benevolência ou em crueldade.
No entanto, pesquisadores reuniram tanto relatos quanto dados empíricos que apontam resultados positivos do colonialismo ocidental. Durante muito tempo, no meio acadêmico, o consenso era de que, na média, o colonialismo ocidental havia sido um fenômeno favorável, mas essa orientação foi revertida pela política revolucionária das décadas de 1960 e 1970. Hoje, o colonialismo é responsabilizado por praticamente todos os males concebíveis no mundo em desenvolvimento, da pobreza à degradação ambiental.Criticar o colonialismo ocidental confere aos que o fazem um certo status moral, mas relatos e evidências empíricas contradizem seus argumentos. Deepak Lal inicia sua palestra em defesa dos impérios com uma carta de 1881, enviada por reis africanos ao primeiro-ministro britânico William Gladstone, solicitando o restabelecimento do domínio estrangeiro:
“Queremos estar sob o controle de Sua Majestade. Queremos que nosso país seja governado pelo Governo britânico. Estamos cansados de governar este país por conta própria; toda disputa leva à guerra e, frequentemente, a grande perda de vidas. (…) Estamos totalmente dispostos a abolir todos os nossos costumes pagãos. (…) Sem dúvida Deus o abençoará por trazer uma luz ao nosso país”.
Os europeus demonstraram maior capacidade de impor ordem nas sociedades coloniais ao suprimir a política tribal. Em Colonialism: A Moral Reckoning, Nigel Biggar afirma que, mesmo na Índia, populações locais convidaram os britânicos a governar porque seus adversários internos eram mais hostis. O mundo colonial era marcado por disputas tribais, e os governos locais não dispunham de autoridade para pacificar grupos em conflito. Como outsiders, os europeus podiam explorar déficits de confiança entre tribos para legitimar seu domínio e impor ordem.
No Journal of African Military History, Eginald P.A.N. Mihanjo e Oswald Masebo observam que a subjugação de chefes de guerra africanos pela Alemanha teve um efeito profundamente positivo sobre o bem-estar das populações locais na Tanzânia. O estabelecimento da ordem protegia os interesses comerciais e políticos dos europeus em suas colônias, mas a criação de sociedades mais pacíficas também trouxe grandes benefícios para os nativos, que eram as principais vítimas dos conflitos. Dizer isso é politicamente incorreto; no entanto, em diversas circunstâncias, os europeus foram mais benevolentes do que os governantes que depuseram.
Do outro lado do debate, repete-se que os países estão em pior situação por terem sido colonizados, mas isso não é confirmado pelos estudos. Pesquisadores argumentam que a hostilidade às intervenções coloniais está associada a níveis mais baixos de desenvolvimento. Uma pesquisa reunida por Elise Huillery concluiu que áreas prósperas na África Ocidental Francesa foram ultrapassadas por regiões que receberam novos colonos porque, ao resistirem ao colonialismo, limitaram o acesso a investimentos coloniais. Embora essas áreas não tenham se tornado mais pobres, perderam sua vantagem pré-colonial e ficaram privadas de investimentos em saúde, educação e infraestrutura.
De forma semelhante, uma análise conduzida por estudiosos africanos concorda com Huillery ao afirmar que a resistência africana ao colonialismo europeu gerou efeitos adversos. Em contraste, regiões mais receptivas à intervenção europeia se beneficiaram de melhores serviços públicos, educação de maior qualidade e sistemas de saúde superiores. Os resultados para a Ásia também seguem essa mesma linha, segundo um artigo de 2022 que aponta uma relação favorável entre assentamentos europeus e indicadores sociais na Indonésia. Fica evidente que algumas ex-colônias melhoraram suas condições ao importar capital humano e instituições europeias.
Com base nos dados, é evidente que o colonialismo produziu certas condições favoráveis. Assim, embora criticar o passado colonial europeu seja algo muito em voga e bem visto atualmente, é de fato verdade que muitos lugares estão em melhor situação justamente por terem sido colonizados pela Europa. Sem a colonização, esses países poderiam ter se desenvolvido por conta própria. Ainda assim, o colonialismo pode ter funcionado como um impulso inicial para algumas ex-colônias.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.
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