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Karl Marx e a diferença entre comunismo e socialismo

Nota do Editor

Considerando-se que o tema nunca morre, e dado que a discussão recorrentemente volta à tona nas redes sociais, é sempre válido o esforço para esclarecer os conceitos.

_______________________________

No
dia 10 de setembro de 1990, o multimilionário escritor, economista e socialista
Robert Heilbroner publicou um artigo na revista The New Yorker intitulado “Após
o Comunismo
“.  A URSS já estava em avançado processo de
colapso.

Neste
artigo, Heilbroner recontou a história de como Ludwig von Mises, ainda em 1920,
havia provado que o
socialismo não poderia funcionar como sistema econômico.  Neste artigo, Heilbroner disse essas três
palavras: “Mises estava certo”.

Mas
aí vem a dúvida: qual a diferença entre comunismo e socialismo?  Mises havia concluído que o socialismo não
poderia funcionar, mas o que realmente entrou em colapso foi um sistema
rotulado comunismo.  Há alguma diferença?

História

Quando
Karl Marx e Friedrich Engels começaram a escrever conjuntamente, no ano de
1843, Marx era a figura dominante. 
Engels era um melhor escritor, e era ele quem sustentava Marx
financeiramente.

Marx
passou toda a sua carreira se opondo àquilo que ele chamou de “socialismo
utópico”.  Ele nunca interagiu com nenhum
grande economista ou teórico social. 
Você pode procurar, mas jamais encontrará qualquer refutação sistemática
feita por Marx a Adam Smith, por exemplo. 
Marx gastou suas energias criticando verbalmente vários autores de
esquerda, cujos escritos praticamente não tiveram nenhuma influência sobre a
Europa em geral.

Dado
que ele estava constantemente atacando autores socialistas, Marx criou uma
teoria própria sobre o comunismo.  Ele chamou
essa sua teoria sobre o comunismo de “socialismo científico”.  Marx argumentou que, inerente ao desenvolvimento
da história, há uma inevitável série de etapas. 
Isso significa que ele era um determinista econômico.  Ele acreditava que o modo de produção é
fundamental em uma sociedade e que o socialismo seria historicamente inevitável
porque haveria uma inevitável transformação do modo de produção da sociedade.

Todos
os aspectos culturais da sociedade, sua filosofia e sua literatura formariam,
segundo Marx, a superestrutura da sociedade. 
Já a subestrutura — ou seja, seus fundamentos — seria o modo de
produção.

Segundo
Marx, sua análise econômica revelava uma inevitável linearidade dos vários
modos de produção.  O comunismo primitivo levou ao feudalismo.  O feudalismo levou ao
capitalismo.  O capitalismo levará a uma
bem-sucedida revolução do proletariado. 
O proletariado irá impor o socialismo. 
E, do socialismo, surgirá o comunismo.

Esse
processo linear fecha o círculo.  Tudo
começou com o comunismo primitivo, e tudo levará ao comunismo supremo.  Com o comunismo supremo, toda a evolução
histórica estará completa. 


que Marx nunca explicou por que a evolução das etapas seria dessa maneira.  Ele nunca explicou por que não haveria outra
revolução após a chegada do comunismo supremo, a qual levaria a um modo de
produção maior que o comunismo.  Era mais
conveniente apenas finalizar esse processo linear no comunismo.

A
União Soviética jamais alegou ter chegado ao estágio comunista do modo de
produção.  Ela sempre se disse
socialista.  O nome do país era União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas.  Os
líderes supremos da União Soviética jamais alegaram que a URSS havia alcançado
a etapa final do modo de produção. 
Stalin promoveu o conceito de socialismo em apenas um país.  Ele diferia de Trotsky nesse quesito.  Trotsky queria uma revolução do proletariado
em nível global.  Stalin era mais
esperto.  Ele queria o poder e, sendo
assim, ele sabia que, antes de tudo, teria de consolidar o poder em um país. 

Logo,
Trotsky teve de fugir do país, e Stalin enviou o agente Ramón
Mercader
, do Comissariado do Povo para Assuntos Internos, para matá-lo na
Cidade do México.  O agente matou
Trotsky com um golpe de picareta em seu crânio. 
Foi um ato cheio de simbolismo.  A
picareta havia sido um dos ícones da história da Rússia.

O
socialismo é a propriedade estatal dos meios de produção.  Mas Marx profetizou que o estado
desapareceria sob o comunismo.  Pior: ele nunca
explicou como ou por que isso iria acontecer. 
Sua teoria era bizarra.  Ele dizia
que, para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo.  A ideia era que, quando tudo fosse do estado,
não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se
tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente
dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade —
e, assim, todos estariam livres do estado.

O
raciocínio é totalmente sem sentido.  Por
essa lógica, se o estado dominar completamente tudo o que pertence aos
indivíduos, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então os
indivíduos estarão completamente livres, pois não mais terão qualquer noção de
liberdade — afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que
o fará se sentir livre.

Igualmente,
Marx nunca mostrou como o sistema de produção poderia ser organizado nessa
etapa suprema do comunismo, na qual não haveria nem um livre mercado e nem um
planejamento centralizado pelo estado.  Ele
nunca forneceu qualquer detalhe sobre como seria uma sociedade comunista,
exceto em uma breve passagem que foi publicada em um livro escrito
conjuntamente com Engels e com o homem que os havia apresentado em 1843, Moses Hess.  O livro foi intitulado A Ideologia Alemã
(1845).  Só foi publicado em 1932.  Hess jamais ganhou créditos por sua
co-autoria, mas parte do manuscrito aparece em sua coletânea de escritos.

Eis
a descrição
do comunismo:

Assim que a distribuição do trabalho passa a
existir, cada homem tem um círculo de atividade determinado e exclusivo que lhe
é imposto e do qual não pode sair; será caçador, pescador, pastor ou um
crítico, e terá de continuar a sê-lo se não quiser perder os meios de
subsistência

Na sociedade comunista, porém, onde cada
indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma
esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que regula a produção geral e me
possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde,
pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu
bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.

Esta fixação da atividade social, esta
petrificação do nosso próprio trabalho num poder objetivo que nos domina e
escapa ao nosso controlo contrariando a nossa expectativa e destruindo os
nossos cálculos, é um dos fatores principais no desenvolvimento histórico até
aos nossos dias.

Não
obstante o fato de que há aproximadamente 70 volumes das obras de Marx e
Engels, essa é a passagem mais longa que descreve o funcionamento de uma
sociedade comunista e de como seria a vida sob esse arranjo.

Conclusão

Socialismo
foi o sistema que realmente foi colocado em prática.  Comunismo pleno nunca
existiu e não passa de uma utopia cujo funcionamento jamais foi explicitado em
trechos maiores do que um parágrafo.

Sem
uma economia monetária — ou seja, sem uma economia em que os cálculos de
lucros e prejuízos são possibilitados pelo dinheiro — é impossível haver uma
ampla divisão do trabalho. 

E
sem um livre mercado para todos os bens, mais especificamente para bens de
capital, é impossível haver um planejamento econômico racional.

A
propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a
existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas).  Se
não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno
mercado entre eles.  Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a
formação de preços legítimos.  Se não há preços, é impossível fazer qualquer
cálculo de preços.  E sem esse cálculo de preços, é impossível haver
qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia planejada
é, paradoxalmente, impossível de ser planejada. 

Sem
preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como
direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos
consumidores da maneira menos dispendiosa possível. 

Em
contraste, a propriedade privada sobre o capital em conjunto com a liberdade de
trocas resulta na formação de preços (bem como salários e juros), os quais
permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes.  Ao mesmo tempo, o julgamento empreendedorial
tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos
consumidores. 

O
arranjo socialista simplesmente impede que esse mecanismo ocorra.  Foi por isso que Mises argumentou, ainda em
1920, que qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade
econômica.

E
foi a isso que Heilbroner se referiu quando ele disse que “Mises estava certo”.

______________________________

Leia também:

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O socialismo inevitavelmente requer uma ditadura

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225 comentários em “Karl Marx e a diferença entre comunismo e socialismo”

  1. …um sistema onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra…

    Acho que já vi isso antes em algum lugar, mas não se chamava comunismo não, e tinha um tal sistema de preços regulando tudo 😀

    Em tempo,

    Quer dizer que antes de “Olavo estava certo”, Mises estava certo 😉

  2. “…Foi por isso que Mises argumentou, ainda em 1920, que qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica.”

    Mises realmente tinha um intelecto a frente do seu tempo, proferir tal frase em 1920. Impressionante como ele em poucas palavras descreveu tão bem a realidade do socialismo.

  3. Espero que não apareça nenhuma marxista aqui para ler meu comentário. Mas lá vai:
    Marx era uma besta. Na melhor das hipóteses era um falso profeta. Ou ainda, as duas coisas.
    Para mim nada do que ele escreveu presta, quando é que estes (pseudo)intelectuais da esquerda vão perceber isto?
    Alguém já ouviu falar de um conjunto de poemas satânicos de Marx intitulado de Oulanem?
    Mais bizarro do que o socialismo.

  4. É até difícil de acreditar que uma pessoa passe a vida inteira lutando para defender um ideal utópico como o comunismo, quando o principal autor dá uma descrição tão pobre do ideal que eles buscam. Pior ainda quando se considera que todas as tentativas de atingir este ideal deram tão errado, da mesma forma como são nítidos e bem documentados os benefícios da antítese do socialismo, que é o livre mercado. Chega a parecer sintoma de uma doença psiquiátrica, daquelas que merecem tratamento com medicamentos e acompanhamento médico durante toda a vida.

  5. Muito bom , meus professores esquerdistas da faculdade trabalharam esse texto sobre a definição do comunismo, agr entendi o pq, era a única 🙂

  6. Se o nazismo (nacional socialismo) foi danoso à humanidade e hoje está banido dos meios políticos mundiais, como explicar que o socialismo (tão horrível quanto) ainda consegue eleger deputados e deputadas nesse Brasil afora?

  7. Por que não haveria preços sobre uma fabrica comunal se essa fabrica respeitasse as demandas dos consumidores? Isso é, por que não haveria calculo de lucro e prejuízo nela se ela existisse sem ser sustentada por imposição?

    Propriedade dos meios de produção não exigem um patrão, isso é, as decisões podem ficar a cargo dos trabalhadores, por consenso, voto, etc.. e o que eles produzirem, fica a cargo da demanda do mercado e do preço. E as decisões internas de como atender essa demanda, fica por meio do debate, votos internos, de todos os trabalhadores. (ou a maior parte)..

    Um patrão nem sempre sabe qual a melhor forma de administrar a empresa( em muitos casos há funcionarios com mais visão de mercado que um patrão, mas não tem oportunidade de ajudar no crescimento dessa empresa e também não tem dinheiro para investir nessa oportunidade), dar poder de decisão ao trabalhador pode salva-lo de sua falência iminente, afinal, a informação dispersa que é usada como um problema do planejamento central é valida para uma empresa de grande porte, centralizar as decisões nas mãos de uma só pessoa leva a decisões ineficientes.

    fora que o patrão também é um custo para uma empresa, afinal, parte do dinheiro que ele recebe dessa empresa não necessariamente será gasto em investimento para essa empresa, mas sim para manter um luxo pessoal… Ele poderia gastar menos (por decisão dos trabalhadores), e assim restaria mais dinheiro para investir na empresa.

    Bem, há exemplos de empresas que funcionam sem patrões pelo mundo. E nenhuma delas está sendo sustentada por coerção.. E Elas seguem preços.

  8. Não concordo com a parte que fala que Marx não interagiu com economistas sérios. De fato não os refutou, mas há citações a Adam Smith em sua obra. A sua teoria de valor não deixa de se relacionar àquela proposta por Ricardo. É injusto apontar a falta de diálogo.

    A questão é que Marx não os considerava opositores. Pelo contrário, parecia ver sua obra como a evolução natural da ciência econômica. O liberalismo de Adam Smith seria apenas um degrau que a economia deveria passar antes de chegar ao socialismo. Daí a aparente falta de combatividade. Segundo o seu modelo, o próprio capitalismo deveria desaparecer sozinho. Seria incoerente se bater contra uma mera etapa para o advento do comunismo.

    Mas isso não atrapalha em nada o objetivo do texto. De fato, o comunismo é uma utopia tão mal desenvolvida e fora da realidade que o nome deixou de ser usado com o sentido original para passar a ser considerado um sinônimo de socialismo. Daí a confusão que causa hoje em dia.

  9. Luis Gustavo Schuck

    Sem conhecer muito o trabalho de Marx de fontes diretas estes dias fui atrás do manifesto. Li até a metade e parei por ali, por enquanto. Mas já foi suficiente para entender o recado. Sem querer diminuir as condições econômicas e sociais da época, mas os discurso exposto no texto é lamentável. Lamúrias e mimimi…

    Em uma parte se cita que a burguesia era a classe dominada na idade média e que esta através de sua capacidade intelectual/braçal acabou “tomando” os bens de capital. Aqui pra mim está o que estes dias li “a inveja disfarçada de altruísmo”. Quer dizer então que alguém que através de esforço e trabalho não pode possuir estes bens e obviamente uma vantagem em relação aos demais…

    Infelizmente este conceito se alastrou em nossa sociedade…

    Outro ponto interessante ronda a palavra revolucionário/revolução. Os indivíduos lutam contra o sistema em busca de se apoderar dele e expandi-lo. Mas e após, contra quem os revolucionários se voltarão? Não à toa Che foi embora de Cuba em busca de novos desafios…

    Até no comunismo estamos atrasados. Uns 100 anos…

  10. José Lamartine Neto

    Isto que está escrito no livro “A Ideologia Alemã (1845)”:

    “Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar da manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico.”

    Parece com a liberdade oferecida pelo mercado capitalista. A oferta de empregos e oportunidades aparecem a todo instante e a inovação estimulada por este mesmo mercado gerando novos campos de atuação.

    Obvio que em se tratando do pensamento dialético de esquerda serão capazes de dizer que foram eles que criaram. Fiquemos atentos a novilíngua.

  11. Para Karl Marx o fim da historia e o comunismo e para o Francis Fukuyma e o Estado minimo. Para o Anarcocapitalismo seria o fim do Estado ou isso e tudo baboseira historicista?

  12. “Só que Marx nunca explicou por que a evolução das etapas seria dessa maneira. Ele nunca explicou por que não haveria outra revolução após a chegada do comunismo supremo, a qual levaria a um modo de produção maior que o comunismo. Era mais conveniente apenas finalizar esse processo linear no comunismo.”

    Gostaria de fazer apenas um adendo a esse trecho do texto. Segundo Marx, a evolução seria dessa maneira por causa da luta de classes. Marx enxergava a luta de classes como o motor da história, o gerador de revoluções. Sendo assim, a história evoluiria através de rupturas. Plebeus X Patrícios, Senhores X Servos, e por fim, Burgueses X proletários. Por isso, segundo ele, a história terminaria com o comunismo, porque o elemento que supostamente moveria a história, a luta de classes, desapareceria, já que todos pertenceriam a mesma classe.

    Não sou marxista nem de esquerda. Só contribuindo aqui com o que sei do pensamento.

  13. Marcelo Simoes Nunes

    Há uma frase que diz que grandes homens, quando erram, cometem grandes erros. Dizer que Marx, Cristo, Darwin, Freud, ou Buda eram umas bestas, só mostra a imbecilidade de que diz isso. Marx de certo cometeu grandes erros e a tarefa de um anti marxista, por princípio, é demostrar quais são. Mas para fazer isso é preciso conhecer suficientemente o pensamento a se opor, sem menosprezar o adversário, principalmente quando este tem uma enorme reputação. É uma questão até de bom senso. Os autores do texto não fogem a um lugar comum que venho observando no site do Mises: desconhecimento do adversário. Aliás me parece que muitos não entendem nem mesmo o que Mises disse sobre o cálculo econômico no socialismo. Mises quis dizer (é como interpreto) que a economia socialista estaria em desvantagem com a economia capitalista pela falta do livre mercado, que regula preços e permite cálculos etc. Ele não disse que não haveria um sistema econômico no regime socialista ou que a economia não existiria nesse regime. De outra forma, como explicar que a URSS tenha sobrevivido de 1917 até 1989, por longos 72 anos. E que nesse tempo todo tenha se rivalizado com os EUA no campo militar. Diz-se que ela faliu, mas isso é mera força de expressão, porque o que de fato levou ao fim da URSS foram múltiplos fatores. A incapacidade de dar melhores condições econômicas para sua população pode ter sido a gota d’água, mas quem não se lembra do discurso de Khrushchov admitindo o extermínio em massa e coisas do tipo. E como explicar a economia chinesa, a que mais cresce e ameaça em alguns anos produzir o PIB número um do mundo. Pessoalmente acredito que a China tenha guinado para o nacional socialismo, menos ineficiente que o socialismo marxista leninista, mas, ainda que assim seja, continua sendo uma economia socialista. Se alguém achar que digo besteira, por favor, demostre onde errei. Mas voltando aos autores e ao marxismo, há várias inverdades ou imprecisões no que é dito. Primeiramente, há que se considerar que, depois de morto, qualquer autor não pode mais esclarecer o que disse. Então seus seguidores passam a criar correntes que buscam interpretar o que o autor queria dizer quanto a isso ou a aquilo. Assim podemos dizer, para começo de conversa que não há um marxismo, mas marxismos. Aí complicou, não é? Mas isso é a pura realidade. A ideia, por exemplo, de que Marx defendia um determinismo histórico mecanicista, é chamada de marxismo vulgar por correntes diversas e majoritárias do marxismo. Marx passou a vida tentando organizar o operariado para a sua sonhada revolução. Por quê despenderia tanto esforço se a economia iria caminhar para o socialismo de qualquer modo? A resposta deve ser que ele acreditava haver uma determinação, isto é, uma tendência baseada na existência de alguns pressupostos para que a revolução ocorresse. E alguém pode duvidar disso?
    Seria possível, por exemplo, sair de um sistema tribal, e constituir o capitalismo? É óbvio que não. Seria preciso acumular capital, haver divisão do trabalho, uma cultura pro capital, tecnologia etc. Acho ridículo tentar desconstruir o marxismo dizendo coisas como que ele era um chupim de Engels etc. Seria como tentar desconstruir Sócrates dizendo que ele não passava de um corruptor de menores, pois foi por essa acusação que ele teve de beber cicuta. Vamos nos ater ao que interessa de fato no marxismo. Não é verdade que ele não teve qualquer relacionamento com economistas de sua época. Marx se baseia em Ricardo em muito do que diz.Têm razão quando dizem que Marx pouco falou do futuro. Isso é fato e o texto listado de Ideologia Alemã é simplesmente ridículo. A descrição dos autores de sua idéias sobre socialismo/comunismo, deixam muito a desejar. Essa parte é interessante porque, me parece, diz respeito aos ancap. Antes dele, havia os tais socialistas utópicos. De modo geral eram anarquistas socialistas. Acreditavam que destruindo o governo e os proprietários eles criariam uma sociedade sem Estado e socialista. Marx e Engels argumentaram que não seria possível acabar com o Estado dessa maneira, porque os adversários contra atacariam. Afirmaram que seria necessário criar uma ditadura do proletariado, que possibilitaria aniquilar a burguesia e remover todas idéias que sustentavam o antigo sistema. Seria um processo. Esse processo se chamaria socialismo. Marx disse que o Estado surgiu juntamente com as classes sociais e que ele, o Estado, representava a classe dominante. Completado o processo do socialismo, a classe burguesa estaria extinta. Como ele associava o Estado a existência de classes sociais, achava ele que, uma vez extinta uma classe, somente restaria na humanidade os operários e, portanto, o Estado simplesmente desapareceria. E a essa sociedade ele chamou comunismo. Essa era a lógica de Marx. E Marx era um anarquista. Não como meio, mas como fim da sociedade utópica. Algumas conclusões importantes pode-se tirar desses dados. Primeiro, Marx errou ao prognosticar o fim do Estado. Seria porque o Estado não tem nada a haver com as classes sociais? Acredito que não. Ele errou porque o socialismo conseguiu produzir uma nova classe social no lugar da burguesia, a nomenclatura. Isso é o que eu penso. Acredito que o marxismo pode ser desconstruído de diversas maneiras. Uma delas seria apontar o profundo autoritarismo que subsiste em sua teoria. Autoritarismo que necessariamente levaria às atrocidades cometidas em todo sistema onde existiu o socialismo real. Outra maneira é apontar os erros de seus prognósticos e explicá-los, como tentei fazê-lo. Pode-se também tentar demonstrar que sua teoria econômica e falha etc. De qualquer modo, acredito que essas questões deveriam ser debatidas aqui sem cair para o lado do proselitismo político. Acho impossível, por exemplo, debater o fim do Estado, sem discutir a sua implicação em relação às classes sociais. Sem discutir a origem do Estado e das classes sociais. Vejo boa semelhança entre socialistas utópicos e anarco capitalistas, não no que propõem como ideal, mas nos meios a se chegar lá e talvez na impossibilidade mesma de sua realização. Mais que aceitar refletir sobre esse tema, acho mesmo que isso é mais do que uma obrigação.

  14. Esta confusão programática socialista torna-se ainda mais confusa quando confrontada com a prática política atual. Como exemplo, vou reproduzir trechos de um excelente artigo de Fernando Schuler sobre o aniversário de 35 anos do Partido dos Trabalhadores, disponível em:
    http://www.insper.edu.br/noticias/pt-o-partido-da-tradicao/

    Revolucionário sem revolução, socialista sem socialismo, o PT aprendeu, desde o início, a não levar muito a sério o que afirmava em seus documentos. As palavras estavam lá a "estatização dos bancos e da indústria farmacêutica", o "rompimento com o FM I". Ninguém sabia bem o que isso significava. Não tinha importância. Na Constituinte de 1987-1988, o PT defendeu posições como a concessão de estabilidade no emprego para todo mundo, no setor privado, aos 90 dias de trabalho. Até hoje, a lenda partidária é que propostas "progressistas" como essa foram barradas pela maioria "conservadora" que dominava a Constituinte.
    A ideologia cumpre, na história do PT, uma função ambivalente, O militante típico acredita que políticas de "austeridade" são coisas do capeta, amaldiçoa os bancos e o "neoliberalismo". Ao mesmo tempo, Joaquim Levy está lá, no comando do Ministério da Fazenda. Foi assim, em 2002, com a "Carta ao Povo Brasileiro" e a posterior nomeação de Henrique Meirelles para o Banco Central. Não há nada errado com isso. A ambivalência, a sabedoria em revisar, de quando em quando, algumas posições, pavimentou os grandes acertos do partido. O problema é a ambivalência moral. O engano sistemático, em que uma "ética da convicção" (para usar a expressão weberiana), fundada em um tipo de discurso, serve à militância, enquanto uma ética da responsabilidade, fundada na negação desse mesmo discurso, serve ao governo.
    Nos anos 1990, os ventos da modernização econômica e da reforma do Estado chegaram ao Brasil. O PT reagiu atirando. Foi contra o Plano Real e a privatização de empresas como Embraer, Vale e CSN. Penso no que teria ocorrido a todas essas empresas caso permanecessem, até hoje, nas mãos do governo. A rejeição à reforma do Estado, nos anos 1990, estabeleceu as bases para a dicotomia que marca, há mais de duas décadas, a política brasileira. De um lado, a aposta na impessoalidade do Estado, na autonomia das agências reguladoras, nos sistemas de parceria público-privada. A ênfase na eficiência e na contratualização da prestação de serviços públicos. Do outro, o dirigismo estatal, a política dos "campeões nacionais" e a defesa do modelo burocrático de gestão pública, da estabilidade rígida de emprego, das autarquias e repartições públicas prestadoras de serviços, da recusa da meritocracia no setor público.
    É interessante como um partido nascido "na sociedade" tenha se tornado, gradativamente, porta-voz de uma espécie de "ideologia do Estado". Talvez isso decorra da influência que as corporações do setor público sempre tiveram, em seu interior. Espécie de status que misturado ao vezo conservador da ideologia. Sua pedra de toque é a permanente confusão entre o "público" e o "estatal".
    O militante típico dessa visão entoa slogans a favor da "educação pública e gratuita". Quando você vai ver o que ele quer dizer, descobre que é só a defesa do modelo estatal de ensino e a agenda dos sindicatos de "trabalhadores da educação", no setor público. A mesmíssima agenda que colocou nossos alunos no 58 lugar na última edição Pisa, entre 65 países avaliados. No caso da saúde, o mesmo eufemismo. O militante defende a "saúde pública e gratuita", mas basta raspar um pouco da tinta ideológica para descobrir que ele fala do sistema tradicional de hospitais estatais. O modelo não funciona, as filas estão cheias, os indicadores de atendimento são pífios, mas não dá nada. A classe média se protege com planos privados de saúde e colégios particulares. Aos mais pobres, que não têm escolha, resta o Estado. O PT não é o único porta-voz da ideologia do Estado. É apenas o seu campeão. Ela pertence ao cerne da nossa cultura política. Forma uma ideologia própria, com justificações à "esquerda" e à "direita". Vai daí o casamento harmonioso entre a liderança petista e nossas velhas oligarquias regionais.
    Alberto Carlos Almeida, em seu livro A cabeça do brasileiro, mostrou a força do viés estatista e antiliberal em nossa cultura: 51% da população mostra-se favorável ao controle estatal dos bancos, 83% acham que o governo deve socorrer empresas em dificuldades e mais da metade acha que o governo deve controlar os preços de todos os produtos. Almeida conclui que o Brasil é "hierárquico, familista, patrimonialista e aprova tanto o jeitinho como um amplo leque de comportamentos similares". Não deveria surpreender a ninguém um discurso antiprivatizações continuar a render votos, ainda que contra toda evidência empírica. Tampouco que o partido consiga reeleger a presidente da Republica, mesmo com seus dois últimos presidentes e seu tesoureiro na cadeia, por corrupção. O PT navega a favor, não contra, a tradição brasileira.

  15. Amigos, uma luz, por favor.

    Diariamente me deparo com questões que fazem eu me perguntar como seria em uma sociedade anarco-capitalista. Creio que uma das maiores dificuldades deste exercício mental seja se desfazer de raciocínios que são consequência de séculos de estatismo e décadas de marxismo, maneiras de pensar “taken for granted” que não existiam antes do advento do estado moderno.

    Geralmente, quando não encontro uma solução, deixo-as de lado, ou por achar que em uma sociedade anarco-capitalista consolidada encontraríamos uma resposta, ou por achar irrelevante no final das contas. Mas sempre tento seguir a linha “o que seria moralmente correto?”.

    Hoje, meu pai, lendo a respeito do acidente aéreo da Germanwings, comentou que na Alemanha não se indeniza famílias de vítimas por perda ou danos morais (assim dizia a matéria). Ele não achou certo, achou que deveria haver indenização. Como este tipo de indenização é, no atual arranjo, uma imposição estatal por meio da coerção, imediatamente me opus.

    Argumentei que, quando se entra num avião, por mais confiança que se tenha no serviço ofertado, seria insanidade acreditar que seres humanos poderiam eliminar qualquer risco de acidente. Quando entro num avião, quero chegar vivo ao destino, mas tenho plena consciência que falhas podem acontecer e é um risco que assumo. Se há um acidente e eu morro, o dano está causado, não posso ser reparado. Qualquer tentativa de receber indenização por parte de parentes é querer criar prejudicados que não existem. É triste para os meus parentes, sim. Mas eu fiz minha escolha, eu entrei no avião, eu fui prejudicado e não há como reparar.

    Obviamente que empresas não querem que seus clientes morram, isso não seria bom. Qualquer empresa aérea faria de tudo para ofertar o vôo mais seguro. Mas acidentes acontecem, e se a empresa quisesse compensar parentes por vontade própria, legal.

    Meu pai não se convenceu, não conseguiu analisar a questão isento de emoções. Pra ele, a falta de indenização mostra uma face cruel do capitalismo (ele não é nem de longe anti-estado). Então perguntei: quem é mais insensível, a empresa que não indeniza parentes, ou parentes que tentam a todo custo monetarizar a morte de seus entes exigindo indenização?

    Mas até eu fiquei indeciso depois, sem saber o que seria realmente correto.
    O que pensam? Gostaria de algumas opiniões a respeito.

  16. @Douglas B. Rodrigues 31/03/2015 20:32:35

    Cara, você não prestou atenção em como defini soma zero, positiva e negativa? Não estou me referindo à riqueza produzida, estou me referindo à troca de trabalho.

    Cara… correndo o risco de ser condescendente demais – mas como nunca o vi antes por aqui… Eu vou ajudar, mas não devia:

    (1) A economia não pode ser um jogo de soma zero pq a inércia resultante nos impediria de sair da idade da pedra, ou nos jogaria constantemente para lá. A justificativa é simples: se ninguém se beneficiasse em absoluto, teríamos apenas algumas “bolhas” (para usar o termo da moda) de produtividade que seriam rapidamente esvaziadas uma vez que os benevolentes produtores que a inflaram ou morreram ou desistiram uma vez que viram que nunca daria em nada.

    (2) A economia pode ser um jogo de soma negativa toda vez que ela é distorcida a ponto de beneficiar os parasitas em detrimento dos produtores como regra geral e abrangente. Quando produtores percebem que o produto de seu trabalho é direcionado aos parasitas em maior quantidade e qualidade que a eles mesmos, o incentivo para tornar-se um parasita é muito grande. Quando a massa crítica de parasitas é atingida, o tecido social entra em colapso com uma espiral de soma negativa. Ou seja, nesse momento estamos destruindo valor de forma acelerada e transações comerciais deixam de ser feitas. Sociedades que entram nessa espiral, terminam reduzindo a complexidade e a especialização do trabalho e voltam ao trabalho de subsistência: você é obrigado a plantar suas batatas e a caçar sua carne ao invés de adquiri-las no supermercado.

    (3) A economia é um jogo de soma positiva na maioria do tempo, mesmo em países repletos de parasitas como o nosso. Isso é fácil de ser percebido: em toda transação sempre existem dois lados e se ela é voluntária, ambos os lados percebem valor nela. Ambos saem ganhando ou seja, temos uma soma positiva. Mantidas as condições para que trocas voluntárias e desimpedidas sobre quaisquer bens ocorram, os produtores têm incentivo a produzir e os parasitas acabam obrigados a tal: toda vez que um produtor transacionar com um parasita vai perceber de cara que está perdendo e a transação não ocorre… a única saída para o parasita é virar produtor (ou morrer). Isso favorece a especialização e a divisão de trabalho, o que gera uma nova onda positiva e assim numa espiral crescente.

    Observe que, independente de sua corrente filosófica, seu estilo de vida, seu carma, da posição da lua, seu signo, sua religião ou do seu mapa astral, o que escrevi acima é verdade. Não há espaço para interpretações alternativas. Qualquer maneira de descrever a economia que não contemple os pontos acima é pura falácia e é irreal. Pense nas leis da economia como Leis, com L maiúsculo. As Leis da economia são como a Lei da gravidade: elas existem, independente de opinião, quer gostemos ou não. Se existem transações verdadeiramente voluntárias, temos uma soma positiva (criação de valor, especialização do trabalho); se as transações são obrigadas a ocorrer e não ocorreriam em um ambiente voluntário, temos uma soma negativa (destruição de valor, trabalho de subsistência).

    Então veja, todas as suas divagações anteriores sobre soma positiva, negativa ou zero são interpretações sem o menor conhecimento de como as coisas funcionam. Espero ter colaborado para a iluminação de suas interpretações daqui para frente.

  17. É por isso que o capitalismo não pode vencer o comunismo (na mente dos comunistas): eles comparam uma situação imperfeita, mas que é o melhor que podemos produzir, com uma idealização futurista utópica. Nenhuma realidade jamais poderá superar uma utopia.

    E quando vem os maus resultados das tentativas de se implementar o socialismo, dizem que isso não invalida o marxismo porque aquela experiência não valeu realmente por motivos A, B, C… e até culpam o capitalismo.

    Mas é bom diferenciar as diferentes espécies de cobras venenosas para tomarmos o soro mais adequado.

    * * *

  18. Henrique Zucatelli

    Leandro, não lembro onde, nem quando, mas em um dos comentários talvez voce tenha elucidado a vontade verdadeira por trás da utopia de Marx, que onde voce disse mais ou menos assim: Se a humanidade alcançar um nível de automação industrial no qual não precisarmos mais trabalhar manualmente em nada, onde tudo, desde a fabricação dos produtos e serviços, até a criação a manutenção das próprias máquinas for totalmente automático, teremos todo o tempo livre para fazermos o que quisermos, não havendo quase necessidade de empregos. O mundo de escassez terá acabado.

    Bem voce terminou com um “impossível de acontecer”.

    Mas o cerne da questão está aí: acredito que no fundo o que Marx queria mesmo, mas não sabia explicar, era o fim do trabalho manual e a liberdade total do ser para ser livre. Naquela época era impossível vislumbrar qualquer tipo de automação, nem em sonhos mais geniais que Leonardo Da Vinci teve isso foi plenamente possível até o advento da informática.

    Sou empresário e formado em Mecatronica; automação é tudo para um cara como eu, não apenas por questões financeiras, mas por questões éticas. Robos e dispositivos não criam hernias, nem pegam cancer ao entrar em contato com produtos químicos, nem deixam filhos para criar se sofrerem um choque de 380 volts trifásico. No máximo trocamos o equipamento, e bola pra frente.

    Agora imagine uma sociedade recém saída do feudo, onde o trabalhador trocou a enxada pela caldeira, trabalhando em ambientes de até 60 graus por horas… minas de carvão, fábricas texteis, fundição, etc… tudo isso era degradante demais. E em alguns lugares do mundo como Bangladesh é até hoje. Trabalho manual já me enoja pelo simples fato de que destrói o humano do ser, e o reduz a um nível abaixo do animal de carga. Pensando nos custos então, aí sim que eu sinto que ainda há escravidão no mundo.

    Imagine voce descrever em pleno sec XIX uma vontade, um desejo nobre, sem ter os recursos necessários para que isso se torne realidade. Frustrante não é verdade? Foi isso que Marx sentiu provavelmente. Ele sabia o que queria, só não sabia como explicar. E aí que entra essa tentativa de juntar o estado.

    Óbvio que o tempo mostrou que o Estado jamais existirá para ajudar, e sim como um remendo, uma gambiarra que ainda perdura por simples conivencia da humanidade. O dia que a maioria abolir todo tipo de intervenção estatal e viver com suas capacidades, será o dia em que tudo será tão fácil de se obter e tão barato que vai ficar claro para quem quiser ver que o estado só existe para sugar, nunca para ajudar.

    E isso só será possível através de criações que facilitem cada vez mais a vida das pessoas. Há 20 anos para uma família ter conhecimentos gerais e passar aos filhos era de praxe comprar uma Enciclopédia Barsa, que custava em torno de R$ 3.000,00. Hoje com a Wikipedia, o custo é zero, bastando estar na frente de um computador ou aparelho com internet, não necessitando necessariamente ser seu. Vamos transferir isso para as listas telefonicas, o FAX, o telegrama, etc.

    Espero que tenha sido produtiva minha contribuição.

  19. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    Só três tipos de pessoas acreditam em socialismo, comunismo, etc: ingênuos, vagabundos ou desequilibrados mentais. Ou seja, o pior tipo de gente. Quando alguém começa a falar de algum desses assuntos, desconfie.

  20. Stalin foi o maior líder de todos os tempos?

    – Criação dos planos Quinquenais que transformou um país rural e miserável em um país altamente industrializado e moderno em pouquíssimo tempo (Não há nenhum outro país que teve um progresso tão rápido)

    – Estabelecimentos de educação superior e institutos de pesquisas científicas que transformaram a união soviética em um dos países mais inovadores capaz de competir militarmente com os EUA e sendo pioneiro da corrida espacial.

    – Pôs a mulher num pé de igualdade com o homem em todos os setores da vida política, social e econômica, e promoveu centenas de milhares de mulheres trabalhadoras a cargos de direção e postos públicos.

    – Destruiu a Alemanha de Hitler, salvando metade da Europa do nazismo.

    Para saber mais:

    https://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/16/stalin.htm

  21. Debilidades

    Olavo de Carvalho
    Diário do Comércio, 2 de junho de 2013

    Em artigo recente, expliquei que um dos mais velhos truques do movimento revolucionário é limpar-se na sua própria sujeira, cuja existência negava até a véspera.

    Desde a queda da URSS, a maneira mais usual de aplicar esse truque consiste em jurar que tudo aquilo que durante setenta anos todos os comunistas do mundo chamaram de comunismo não foi comunismo de maneira alguma: foi capitalismo.

    Mediante essa simples troca de palavras a ideia comunista sai limpa e inocente de todo o sangue que se derramou para realizá-la, e gentilmente solicita da plateia um novo crédito de confiança, isto é, mais sangue, jurando que desta vez vai ser um pouquinho só, um tiquinho de nada. Por exemplo, varrer Israel do mapa ou exterminar a raça branca.

    O apresentador dessa modesta sugestão não explica nunca como bilhões de pessoas inspiradas na teoria histórica mais científica de todos os tempos – insuperável, no dizer de Jean-Paul Sartre –, puderam se enganar tão profundamente quanto àquilo que elas mesmas estavam fazendo, nem como foi que ele próprio, subindo acima de Lenin, de Stálin, de Mao Dzedong e de tantos luminares do marxismo, foi o primeirão a enxergar a luz.

    Nem muito menos explica como é possível, de uma teoria que ensina a unidade substancial de ideia e prática, se pode obter uma separação tão radical dessas duas coisas que uma delas saia inteiramente limpa e a outra inteiramente suja.

    Mas esse pessoal é assim mesmo: quando chega na página seguinte, já esqueceu a anterior.

    Dois exemplos recentes vêm-nos da Sra. Lúcia Guimarães, que é talvez o caso mais típico de ignorância elegante no jornalismo brasileiro, e da srta. Yoani Sanchez, uma abnegada que procura salvar a imagem do comunismo cubano isolando-a de um breve erro de percurso de apenas meio século.

    O argumento das duas é substancialmente o mesmo: não se pode culpar o comunismo por nada do que aconteceu na URSS, na China, no Camboja ou em Cuba, porque o comunismo é a posse e domínio dos meios de produção pelos proletários, e não pelo Estado como se viu nesses lugares.

    Dona Lúcia chega a passar pito no dramaturgo David Mamet porque este diz que a doce promessa de Karl Marx, “De cada um conforme suas possibilidades a cada um conforme suas necessidades” não passa de uma expressão cifrada para justificar a espoliação de todos pelo Estado.

    Em todos os regimes comunistas foi isso o que se deu realmente, mas ainda assim Dona Lúcia assegura que Mamet “levaria nota baixa em marxismo, porque o espantalho invocado por Mamet estava pensando numa utopia do proletariado, não do Estado”.

    No mesmo sentido pronuncia-se Yoani Sanchez para jurar que em Cuba nunca houve comunismo, apenas capitalismo de Estado.

    Não é preciso observar que assim, com um estalar de dedos, a teoria que se apresentava como idêntica à sua encarnação histórica se torna uma ideia pura platônica, um ente metafísico separado, imune a toda contaminação deste baixo mundo.

    Eu não seria cruel de esperar dessas duas criaturas a compreensão dessa sutileza, mas elas poderiam ao menos ter lido um dos mais célebres parágrafos de Karl Marx, no Manifesto Comunista:

    “A última etapa da revolução proletária é a constituição do proletariado como classe dominante… O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado…”

    Aí não existe, no mais mínimo que seja, o antagonismo que aquelas duas inteligências iluminadas acreditaram enxergar entre o Estado e o proletariado: o Estado é o proletariado organizado, o proletariado organizado é o Estado. E o proletariado organizado não é outra coisa senão o Partido.

    A profecia da “autodissolução do Estado” na apoteose dos tempos é somente uma figura de linguagem, um jogo de palavras, uma pegadinha infernal. Marx explica que, como tudo pertencerá ao Estado, este já não existirá como entidade distinta, mas a própria sociedade será o Estado.

    É uma curiosa inversão da regra biológica de que quando o coelho come alface não é o coelho que vira alface, mas a alface que vira coelho. Se o Estado engole a sociedade, não é o Estado que desaparece: é a sociedade. Que a sociedade dominada, esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista, mas que o dominado está exausto e estupidificado demais para tomar consciência dela. É o totalitarismo perfeito em que, nas palavras de Antonio Gramsci, o poder do Partido-Estado já não é percebido como tal, mas se torna “uma autoridade onipresente e invisível como a de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

    Um exame atento dos textos de Karl Marx teria bastado, em plena metade do século 19, para perceber neles o Gulag, o Laogai e centenas de milhões de mortos, todo o terror e misérias dos regimes comunistas como consequências incontornáveis da própria lógica interna da teoria, caso tentasse sair do papel para encarnar-se na História.

    Marx, Engels e Lenin em pessoa reconheceram isso inúmeras vezes, enaltecendo o genocídio e a tirania como “parteiros da História”. Que, decorridos cento e sessenta e tantos anos, ainda haja tantas pessoas que insistam em explicar como fruto de desagradáveis coincidências aquilo que a própria teoria exige como condição sine qua non da sua realização é, decerto, uma das provas mais contundentes de uma debilidade intelectual que não deixa de refletir, talvez, alguma debilidade de caráter.

  22. Isso me fez pensar em algo. Vejo alguns esquerdistas retrucando a hipocrisia dos comunistas, de que eles tem retórica socializante, mas bens individuais (iphone, computador, carro), e eles dizem que não existe problema nisso, já que supostamente além de estes bens e tecnologias (no caso da internet e satélites que foram criados por agências militares estatais) um comunista poderia usufruir destes bens “capitalistas” pois eles são é contra a privação de outros terem um bem através de exploração. Fiquei pensando se alguém poderia me responder se está correto ou não meu pensamento: Se estes bens no exemplo da internet e satélites foram lançados por meio de mecanismos diferentes dos do mercado, não apenas tornaram-se possíveis de serem aperfeiçoados através da concorrência, como também só puderam ser utilizados pelo “povão” através do mecanismo do mercado. E outra, se os tais comunistas podem utilizar por exemplo um i-phone ou comer no Mc’Donals sem que haja uma contradição interna, teriam que responder a seguinte pergunta, como pode um comunista (que se pressupõe) ter consciência de classe, utilizar bens que foram produzidos em massa pela iniciativa privada (que supostamente explora o trabalhador), e além do mais, posuí-los e utiliza-los, até porque duvido muito que algum comunista queira compartilhar com a sociedade inteirinha seu celular, carro ou até mesmo casa.

  23. Gabriel Costa da Silva

    Um detalhe interessante é que as teorias de Marx são bem mais palatáveis do que as teorias de Mises. A ideia de um sistema igualitário como o comunismo, que para ser alcançado deveríamos passar por algumas etapas em prol de sua formação, passando pela luta de classes e controle dos meios de produção pelo proletariado, é absolutamente fantástica! Para um jovem sonhador, fã de Game of Trones e Star Wars, essas ideias parecem ser completamente fascinantes. Para um pobre trabalhador, que foi doutrinado a pensar que seu patrão é seu inimigo, essas ideias surgem para ele como se fosse uma redenção. É por isso que essas ideias “pegam”, é muito fácil iludir até uma nação inteira com essas falácias. No entanto, entender Mises é mais complicado para uma sociedade não acostumada a pensar.

  24. Carlos S Damasceno

    O incrível que a historia sempre se repete, e mesmo com um saldo grande de destruição e mortes, homens e mulheres são infectados por esse vírus desgraçado chamado “socialismo/comunismo”.

    Sob o falso lema de defender minorias, arrastam para só hordas de miseráveis intelectuais, que em busca de tudo, entregam suas liberdades e vidas ao próprio diabo!

  25. Uma imprecisão do artigo. Marx esquematizou a história por fases lineares, seriam por ordem: comunismo primitivo, ESCRAVISMO, feudalismo, capitalismo socialismo e comunismo.

  26. Quando li o Manifesto Comunista, me espantou o fato de que alguns dos planos para se implantar o comunismo estão na nossa constituição federal, como por exemplo: Expropriação da propriedade fundiária, Impostos Progressivos, Centralização do Crédito nas mãos do Estado, Centralização dos Meios de Transporte, Fábricas Nacionais, Educação pública e “gratuita”. Tenso. 🙁

  27. ” Lênin abraçava o mantra de Engels que defendia que a ditadura do proletariado deve ser o último Estado: ” o proletariado toma o poder do Estado e transforma os meios de produção […] em propriedade estatal. Mas, ao fazê-lo, dá cabo de si mesmo enquanto proletariado, põe fim a todas as diferenças de classe, aos antagonismos de classe, e põe fim inclusive ao Estado enquanto Estado […]. O Estado não é “abolido”, ele “murcha até sumir”.

    O Estado coercitivo – que para Marx e Lênin é o único tipo de Estado – desaparece, portanto, sobrando apenas uma sociedade inteiramente não-coercitiva.

    Segundo Marx, essa sociedade sem Estado “[pode] muito bem escrever em sua bandeira: feita por cada um, conforme suas habilidades, para cada um, conforme suas necessidades”. A sociedade então, existe sem um Estado, ninguém é dono de nada porque todos são donos de tudo, e tudo está bem, pela primeira vez na história da humanidade.

    Como sabemos, nada do que essa teoria contém se concretizou, o que se seguiu foi a substituição do antigo Regime Czarista (depois de um breve e provisório governo republicano de Kerensky) por um “novo Estado”, desta vez totalitário, e que, ao invés de “murchar”, MARCHOU sobre os cadáveres de seus opositores, a maioria de seu próprio povo, dando origem à União Soviética”.

    Benjamin Wiker

  28. Sou defensor ferrenho do livre mercado. Não compactuo nem com comunismo tampouco socialismo, mas uma coisa tenho que admiti: achei os poemas de Marx muito bacanas.

    Seria muito melhor para a sociedade se ele tivesse se limitado a escrever poesias, e tenho certeza que isso todos concordam.

  29. As vezes eu me pergunto: Advogado realmente cria riqueza?

    Porque, muitas vezes, ele é uma demanda artificial criada pelo estado, que consequentemente provoca investimentos erroneos.

    O que acham, os serviço que o advogado presta, cria riqueza ou não?

  30. Tava vendo o debate do calculo economico, principalmente os argumentos mais recentes, e vi que, apesar de ter achado diversas criticas(e efetivas refutações) feitas pelos austriacos aos autores socialistas, não consegui achar nenhuma menção direta à um sujeito chamado Ernest Mandel.

    Gostaria de receber as ideias de um ”adepto” da escola austriaca sobre a teoria alocativa dele:

    […] for what reason could not the congress of workers' councils of the leather industry decide by a majority vote (more likely by consensus, after some discussion) on the allocation of leather (whether the very small quantities in the example should be left to a factory council is another question), once consumer goals for products using leather had been decided by other bodies? Why couldn't it divide the total of – say – 50,000 tonnes of annual leather output among several plants (as in any multi-factory capitalist leather concern today), assigning to each unit its 'customers' (i.e. the destinations of the required quantities of leather)? Wouldn't the delegates of such a congress in fact be more likely to handle such allocations better than any technocrat or computer, because they know their industry better and can take into account a lot of imponderables which no market or central board will include in its calculations, or at best only accidentally?

  31. gostaria que os anarquistas me explicassem como seria resolvido o

    seguinte problema no mundo sem estado: joao tem muito dinheiro e

    resolveu comprar uma rua, nessa rua existem varias casas com pessoas

    que moram nela em um certo dia joao teve uma briga com carol e para se

    vingar resolveu simplesmente proibir que carol pise na sua rua, diante

    deste cenario pergunto como carol fara para entrar e sair da sua casa

    se ela esta proibida de usar a rua de joão??

  32. Amigos do IMB,pesquisem no google essa notícia que acabou de sair sobre a China:Salário médio da indústria da China supera o do Brasil e do México.

    Mais um mito cai por terra!Essa história de que o trabalhador chinês é escravo é balela!

    Outro mito muito repetido é o de que a China manipula a moeda,eu mesma acreditei nisso até começar a ler o IMB.

    Tem ainda o mito de que a China depende de exportação para viver.Pura falácia!A china depende de produção,e é o fato de querer consumir que leva o povo chines a querer produzir,nenhum chines produz por passatempo.Não resta dúvida de que a China poderia consumir sua produção ao invés de exporta-la.

    O salário médio chines é maior que o de toda a america latina com exceção do Chile,e ainda tem gente que diz que o povo chines é pobre e não tem dinheiro para consumir aquilo que produz.

  33. Eu sabia que Marx era um tremendo de um FDP, mas não conhecia o nível de retardo mental que ele tinha, não é a toa que tinha que ser sustentado por outras pessoas.

  34. Estamos a algumas décadas do fim do capitalismo. Os avanços tecnológicos estão crescendo em progressão geométrica enquanto que os desejos humanos crescem em progressão aritmética. O capitalismo está chegando no seu estágio final, a satisfação das necessidades humanas estão sendo atendidas de maneira cada vez mais imediata. Dessa forma, o incremento marginal de satisfação mínima inviabiliza a ação humana. Os preços tendem a zero, a propriedade privada torna-se desnecessária e a organização social comunista torna-se realidade. Todos estão certos, Mises Brasil e Karl Marx, quem está errado é o tempo.

  35. Josédival Néri da Camara

    O MUNDO E A METAMORFOSE – Zedival Poeta.

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2063

    Lombard Freitas, parabéns pela publicação dessa matéria. Quero refutar as ideias de Carl Marx, uma que, quem fala sobre ele, não conhece sua historia. Carl Marx nunca foi intelectual, nem capacitado para escrever o que publicou. Ele foi um curioso, preguiçoso, copiador do que via, visto que, de trabalhador mesmo, nunca teve nem uma virgula. Ao chegar na França, quando ela ardia com os ideais socialista, observou todo mecanismo da grande novidade que surgia na Europa após o momento que hoje chamamos de " primavera", ou seja, movimento de libertação. Carl Max, por consequências do envolvimento politico na Alemanha, e o fechamento do Jornal onde trabalhava, foi para Paris, e lá, capitou os ideais socialista, e de plano retorna a Alemanha, para se aliar ao seu carregador de cargas, Friedrich Engels. Foi uma espécie de casamento igual a FHC e Lula. Um era o intelectual e o outro era o burro do intelectual. Como já conhecemos essa parceria brasileira, (FHC e Lula), dispensa comentários. Ao retornar a Alemanha, deram inicio a principal obra de Mar; O CAPITAL. – Das teorias comunistas e socialista, muito já falei na rede e só um tosco, perde tempo discutindo teorias e ideologias, que nunca saíram do campo imaginário. O Comunismo nunca teve projeto econômico, social, nem planejamento. Ele aplicou sempre a mesma nota por onde passou. Acabou com a sociedade produtiva, saqueou os bens de quem tinha, e o país acabou na miséria. O socialismo, até que encontramos países onde ele funciona, e funciona muito bem, entretanto, sua existência como sistema de governo é igual ao comunismo. O socialismo só funciona como projeto social, como tivemos no Brasil de 64/85, temos na Suíça, na França, está sendo introduzido na Inglaterra e Holanda, já existe na Suécia. Nesses países o sistema de governo é outro e o socialismo é apenas projeto social. Ai sim, partindo dessa premissa, onde o sistema de governo é DEMOCRATA ou até REINADO, e a economia é capitalista, o socialismo como forma de distribuir parte da arrecadação, investindo na igualdade social, funciona muito bem. Já como sistema politico é o que estamos assistindo no Brasil. Resume-se apenas a uma corja de ladrões saqueando aquilo que seria o produto do investimento social, para equilibrar a sociedade, eliminando a miséria e com ela, a contravenção. Falar de Marx e suas teorias caducas e inaplicáveis, em tempos de METAMORFE, é o mesmo que, andar de trem bala, e voltar andar de carruagem. As teorias comunistas, foram uma ilusão de ótica. É TEMPO DE COLOCAR CONCRETO EM CIMA DESSAS ABERRAÇÕES. O mundo moderno quer liberdade, trabalho fácil, vida boa, conforto e os robôs trabalhando para o cidadão. Nunca mais, essas ideologias terão espaço como regime politico, em países aculturados. – Zedival Poeta

  36. O socialismo, mesmo não funcionando, até faz algum sentido. Agora o comunismo em sociedades com milhares de pessoas não faz o menor sentido. Pura utopia.

  37. Existe uma espécie de “apelido” pro Marx (de quem realmente o estuda) que é “Teórico do Capitalismo”. Acho que é difícil, dentro da direita, a palavra “auto-crítica”, mas Marx mesmo se considerava limitado pra dizer sobre um sistema comunista. Primeiro porque ele sabia que era algo ainda muito distante de seu tempo e, segundo, porque, exatamente por isso, ele não podia (nem queria) profetizar um sistema no qual estava tão longe de ser concretizado.

    O Capital foi sua obra mais conhecida, porque foi a sintetização mais bem elaborada de tudo o que ele quis dizer teoricamente. Quer dizer: “por que vou falar sobre um sistema utópico, distante historicamente e contrario ao que vivo, sendo que ainda não entendemos plenamente o nosso próprio sistema econômico?”. É como fazer uma projeçao das leis físicas que regem Marte sem entender quais são as da Terra.

    Por fim, Marx não considerava o Comunismo como o fim da História. Gostaria, inclusive, saber de onde vocês tiraram isso… Ele considerava que, ao chegar no comunismo, novas formas de vida social se desenvolveriam e novas ansiedades e necessidades surgiriam dentro da sociedade.

    Ah, e só uma pergunta que pode subsidiar a falta de teoria marxiana sobre o comunismo: Vocês já imaginaram um sistema social sem a necessidade da existência do dinheiro? Se, em 2017, a gente mal consegue imaginar algo assim, imagine no século XIX…

  38. Utopiasalienações

    Marx APATRIA – argumentava que os antagonismos no sistema capitalista, entre a burguesia e o proletariado, seriam consequência de uma guerra perpétua entre a primeira e as demais classes ao longo da história. Isto, associado à sociedade industrial e ao acúmulo de capital, geraria a sua classe antagônica, que resultaria na “conquista do poder político pela classe operária e, eventualmente, no estabelecimento de uma sociedade sem classes e apátrida — o comunismo — (heimatlo ou sem pátria)regida por uma livre associação de produtores. Marx ativamente argumentava que a classe trabalhadora deveria realizar uma ação revolucionária organizada para derrubar o capitalismo e provocar mudanças sócio-econômicas.

  39. Comunismo e Socialismo são parecidos, mas não sinônimos.

    Segundo os teóricos socialistas, para se chegar a uma sociedade comunista é preciso, antes, passar pela etapa do socialismo.

    Socialismo

    O Socialismo surgiu de uma crítica ao capitalismo e ao liberalismo feita por vários pensadores como Karl Marx, Proudhon, Engels, Saint-Simon, Robert Owen. A maioria defendia a abolição da propriedade privada como forma de construir uma sociedade justa e igualitária.

    Aos poucos essas ideias se transformariam em partidos políticos organizados. Alguns usavam métodos violentos para derrubar os regimes liberais dos países onde viviam.

    As divisões entre os socialistas já existiam no século XIX e se aprofundaram durante a Revolução Russa, em 1917. Enquanto Trotsky queria espalhar a revolução socialista por todo o mundo, Stálin queria que ela estivesse confinada na Rússia e nas suas repúblicas.

    Há muitas vertentes entre o socialismo como o bolchevique, maoista, trotkista, entre outras.

    Comunismo

    O Comunismo só estará implantando quando os meios de produção e a propriedade pertencerem ao Estado. Assim, este se identificará de tal modo com a sociedade que deixará de existir.

    Inclusive os indivíduos estarão extremamente adaptados ao compromisso de realizar o bem comum e a felicidade da comunidade que estarão livres. Não haverá classes sociais porque todos serão iguais e terão as mesmas oportunidades.

    O indivíduo não estará preso somente a uma profissão ou especialização: ao contrário, poderá exercer diversos ofícios.

    Em outras palavras, o comunismo seria uma utopia e o que teria sido posto em prática por distintos governos foi o socialismo.

    Século XX

    Contudo, durante o século XX comunistas e socialistas se diferenciavam, principalmente, pelos métodos de alcançar o poder.

    Os comunistas acreditavam que podiam implantar o sistema socialista através das armas;

    por sua parte, os socialistas se definiam como reformistas e queriam chegar ao poder através do voto, conservando a democracia liberal.

    No entanto, ambos tinha como inimigo comum o fascismo.

    Numa explicação bem resumida, daria para dizer que, segundo a teoria marxista (veja super.abril.com.br/mundo-estranho/qual-a-diferenca-entre-comunismo-e-socialismo-existiu-algum-pais-realmente-comunista/), o socialismo é uma etapa para se chegar ao comunismo. Este, por sua vez, seria um sistema de organização da sociedade que substituiria o capitalismo, implicando o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado.

    Qual a diferença entre socialismo e comunismo?

    O socialismo é um sistema econômico, enquanto o comunismo é um sistema econômico e político.

    No socialismo, os recursos da economia são geridos e controlados pelas próprias pessoas através de conselhos, enquanto no comunismo, a gestão e o controle estão nas mãos de um único partido autoritário.

    Os socialistas distribuem a riqueza com base nos esforços produtivos de cada indivíduo, enquanto os comunistas o fazem em função das necessidades de cada um.

    Os socialistas podem possuir propriedades pessoais, enquanto no comunismo todos os bens são coletivos.

    O socialismo permite que o capitalismo exista no meio de si, enquanto o comunismo procura livrar-se do capitalismo.

  40. Manoel Camilo Nieto Miguez

    Na verdade nunca houve nem mesmo um estado plenamente socialista, quem dira comunista … Tanto Stalin ( URSS ) quanto Mao ( China ) sabiam que uma economia planificada era inviavel !!! Sabiam que deveria ser pelo menos em parte liberal, para estabelecimento de precos e portanto sua viabilidade … Dessa forma boa parte dos meios de producao estavam nas maos de empresarios alinhados ao partido, razao pela qual surgiram milionarios da noite para o dia, quando esses mercados comecaram a se abrir para o ocidente. Portanto esses Estados se assemelhavam politico e economicamente a Estados fascistas, sob o “disfarce” de Estados socialistas !!!

  41. A diferença está só no nome, é a mesma merda…só quem ve diferença são os manipuladores desta ideologia….pois fazem merda e inventam um nome novo(só ver quantas diferentes conotações existem para mesma ideologia)…

  42. Antônio João da Silva

    A grande produção científica de Marx foi estudar a história da evolução e formação econômica das nações: Grundrisse, Das Kapital, Contribuição à Crítica da Economia Política, etc. Nada escreveu sobre comunismo e sobre o socialismo foram apenas panfletos para o debate político, não são textos com a mesma envergadura das investigações históricas e econômicas.

  43. Uma pergunta: o “ministério da economia soviética” seguia qual corrente econômica para “planejar a economia”?

    Como que eles faziam? Existem documentos?

    Vou chutar: eles eram keynesianistas.

  44. Excelente artigo.

    Relacionado ao assunto, estes dias me deparei com um canal do youtube chamado “Orientação Marxista”, cujo youtuber apresenta-se como um profundo conhecedor das idéias de Marx e constantemente “refuta” vídeos de alguns liberais e conservadores para seu pequeno rebanho de aproximadamente 20k seguidores.

    Assisti alguns de seus vídeos na esperança de tentar entender um pouco melhor quais são os conceitos nos quais ele se embasa para tentar defender as insanidades que prega e me deparei com uma afirmação que me deixou curioso.

    Em um de seus vídeos, ele afirma que existe um autor marxista chamado Isaak Rubin que, hipoteticamente, teria “refutado” Mises e Bawerk sobre a impossibilidade do cálculo econômico em um sistema socialista. Gostaria muito de saber se os membros deste instituto já ouviram falar de tal autor e de seus argumentos.

    Obrigado pelo ótimo trabalho.

  45. Esse Isaak Rubin foi um economista que dedicou-se a explicar as idéias de Marx melhor do que o próprio. Resultado: acabou executado por Stalin em 1937.

  46. Motorista do Sr. Mises

    Lendo as bobagens do pobre Marx eu às vezes acho q, nos seus pesadelos mais desvairados, a verdadeira revoluçao do proletariado seria a tomada dos bens de produçao do Estado pelo populacho e, por conseguinte, aniquilando o Estado para criar o primeiro anarcocapitalismo. Na segunda fase da revolução as tripas de Marx seriam divididas com os pombos. Algum socialista ja havia argumentado (se nao me engano o Trotsky) q os burraldinos proletários nao saberiam como fazer isso (se bem q com o fim do Estado essa tarefa seria até fácil, sem um leviatã enchendono saco) e precisariam da intelligentsia, os mesmos engenheiros sociais pedantes de sempre. Será q eu viajei na maionese ou será q como pesadelo antimarxista faz sentido?

  47. Guilherme Silveira A. Santos

    Há somente três escolas de pensamento econômico que defendem o liberalismo clássico, a saber: a escola austríaca ( Hayek), a escola de Chicago ( Milton Friedman, Gary Becker, Posner e outros monetaristas)e o Objetivismo ( Ayn Rand, Peikoff).

  48. Guilherme Silveira A. Santos

    Se a guerra fria terminasse em conflito bélico, nossa única esperança contra a União Soviética seriam as forças da USAF.

  49. Guilherme Silveira A. Santos

    Certamente o NORAD tinha uma estratégia militar, provavelmente sugerida por algum intelectual da RAND Corporation, para usar contra o comunismo, se fosse necessário.

  50. Guilherme Silveira A. Santos

    A esquerda tem rastros que ecoam desde o Transcendentalismo até o movimento em Berkeley em 1969, movimento este apoiado este apoiado pelo filósofo analítico John Searle.

  51. Já gastei muito tempo com essas discussões, mas no fundo, elas nunca irão acabar, e quer saber uma verdade? Elas não produzem efeito nenhum. O ser humano sempre foi dominado, os mais fortes ou que convencem mais dominam e os mais fracos, vulneráveis ou simplesmente passivos e preguiçoso obedecem. O homem sempre esteve sujeito a monarcas, faraós, czares, imperadores e atualmente aos políticos, que digam eles de esquerda ou direita, são todos iguais e visam somente alcançar seus próprios interesses. A humanidade nunca vai parar de brigar, conflitos nunca deixarão de existir, discordância nunca encerraram, pq no fundo, todos queremos q sua própria opinião ou visao de mundo seja aceita. Deixamos de ser controlados por uns e passamos a ser controlados por qm achamos que elegemos, esse é o maior engano da democracia, o povo achar que será ouvido no final. A nossa política atual é tão complicada, pq hj muitos dividem o poder, qdo na verdade, um só gostaria de mandar.

    A humanidade não cansa, jamais…

  52. Na verdade vemos que muitos milionários são socialistas. É cômodo ser socialista rico no capitalismo e até em regimes socialistas. Desde que vc esteja no grupo privilegiado dos burocratas do regime. O socialismo é na verdade uma burocracia, uma casta absolutista que por vergonha de usar a coroa manobra a riqueza do sistema financeiro com grandes ostentações de poder. São os novos donos da riqueza no mundo. Perversos como os ditadores romanos, sem moral e enlouquecidos pelo poder agem como Césares.

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