A entrevista a seguir foi concedida ao períodico Austrian Economics Newsletter, do Mises
Institute.
AEN:
O senhor faz uma espécie de
revisionismo histórico ao descrever a Espanha como sendo o local de nascimento da
Escola Austríaca de Economia.
de
Soto: Sim, mas é acurado. Concentrar-se somente em Viena é uma postura
muito tacanha. Há essa tendência de
crer, como todos os modernistas, que somente o novo tem valor e que estudar o
velho seria mera arqueologia. Porém, na
economia e na filosofia, é exatamente o contrário. A maioria das grandes e boas ideias já havia
sido concebida por alguma grande mente no passado, inclusive as mais
fundamentais ideias austríacas.
Uma das principais contribuições de Murray
Rothbard foi mostrar que a pré-história da Escola Austríaca pode ser encontrada
nas obras dos escolásticos espanhóis durante o “Siglo de Oro Español“, que foi desde o reinado de Carlos V no
século XVI até o barroco do século XVII.
Nos anos 1950, Friedrich Hayek conheceu o
grande intelectual italiano Bruno
Leoni, autor de Liberdade e Legislação,
e Leoni convenceu Hayek de que as origens intelectuais do liberalismo clássico
deveriam ser buscadas na Europa Mediterrânea e não na Escócia. No livro de Leoni, há uma citação de Cícero
na qual Cato diz que o direito romano é o conjunto de regras jurídicas mais
perfeito de todos porque ele não foi criado por uma só mente. Ele não foi construído do nada. Ele é resultado de um processo para o qual
várias mentes contribuíram com sua sabedoria.
Advogados e juízes não fazem as leis; eles as descobrem e podem apenas
aperfeiçoá-las muito lentamente.
Tenho uma carta de Hayek, datada de 7 de
janeiro de 1979, na qual ele diz que os princípios básicos da teoria da
concorrência de mercado já haviam sido delineados pelos escolásticos espanhóis
do século XVI, e que o liberalismo econômico não havia sido criado pelos
calvinistas, mas sim pelos jesuítas espanhóis.
AEN: Quem eram estes predecessores espanhóis da
Escola Austríaca?
de
Soto: A maioria deles
lecionava teologia e ética na Universidade de Salamanca, uma cidade medieval
localizada a 240 quilômetros a noroeste de Madri, perto da fronteira com
Portugal. Eles eram majoritariamente
dominicanos ou jesuítas, e sua visão econômica é extremamente semelhante àquela
que viria a ser enfatizada por Carl Menger mais de 300 anos depois.

de meus favoritos é Diego de Covarrubias y
Leyva, que apresentou a teoria do valor subjetivo. Ele escreveu que “o valor de um bem não
depende de sua natureza essencial, mas sim da estimação subjetiva dos homens,
mesmo que tal estimação seja insensata.”
Ele nasceu em 1512, foi bispo de Segovia e foi ministro do rei Filipe II de Espanha. Hoje, no museu do pintor espanhol El Greco,
na cidade de Toledo, há uma impressionante imagem pintada dele (foto à esquerda). Carl Menger menciona o tratado sobre depreciação
monetária escrito por Covarrubias em 1650.
Outro
importante salamanquense foi Luis Saravia de la Calle, o primeiro pensador a
demonstrar que são os preços que determinam os custos de produção, e não o
contrário. Ele escreveu que “aqueles que
mensuram o preço justo pelo trabalho, pelos custos e pelos riscos incorridos
pela pessoa que lidam com o mercado estão cometendo um grande erro. O preço justo não é encontrado pela contagem
dos custos, mas sim pela estimação comum de todos”. Ele foi também um ardoroso crítico do sistema
bancário de reservas fracionárias, argumentando que receber juros era
incompatível com a natureza de um depósito à vista (em conta-corrente), e que o
correto seria o pagamento de taxas para que o ouro permanecesse armazenado nos
bancos.
Os
salamanquenses se dispuseram a estudar o sistema bancário porque perceberam a
relação corrupta e promíscua entre os bancos e o governo, relação essa que
dependia fundamentalmente de uma proteção legal concedida à prática das
reservas fracionárias. Os salamanquenses
se opunham a todas as formas de inflação.
Por exemplo, havia Martín
Azpilcueta Navarro. Ele nasceu em
1493, viveu 94 anos, e é especialmente famoso por ter explicado a teoria
quantitativa da moeda em seu livro de 1556, Comentario resolutorio de
cambios (eu tenho a primeira
edição!), escrevendo que “a moeda vale mais onde e quando ela está em falta do
que onde e quando ela está em abundância.”
Navarro
era contrário à prática de reservas fracionárias e fez uma clara distinção
entre a atividade bancária voltada para empréstimos e a atividade bancária
voltada para depósitos. O banqueiro,
disse ele, deveria ser o “guardião, administrador, fiador” do dinheiro em sua
posse. Ele disse que não pode haver um
contrato válido entre um depositante e um banqueiro que permita a prática de
reservas fracionárias. Se tal contrato
fosse feito, ambos os lados seriam culpados de fraude.
Mais
favorável à prática de reservas fracionárias era Luis de Molina, que foi o
primeiro a argumentar que depósitos bancários deveriam ser considerados como parte
da oferta monetária. Porém, ele
confundiu depósitos com empréstimos, e não entendeu como as reservas
fracionárias são inerentemente desestabilizadoras. Portanto, Navarro e de la Calle foram os antecessores
da Escola
Monetária Britânica, extremamente receosos de qualquer atividade bancária
que mantivesse menos de 100% de reservas para depósitos à vista, ao passo que
Molina e Juan de Lugo foram os precursores da Escola Bancária
Britânica, mais tolerantes às reservas fracionárias.
AEN: Além das questões bancárias, a
posição política dos salamanquenses eram pró-mercado?
de Soto: Eles tendiam a defender
posições libertárias de maneira geral.
Por exemplo, Francisco de Victoria é amplamente visto como o fundador do
direito internacional. Ele reviveu a
ideia de que o direito natural é moralmente superior ao poder do estado. Depois, Juan de Mariana condenou toda e
qualquer desvalorização da moeda como sendo uma completa e absoluta usurpação,
e sugeriu que qualquer cidadão poderia assassinar um governante que impusesse
tributos sem o consentimento das pessoas.
O único quesito em
que Mariana errou foi em sua condenação das touradas, mas
como sou neto de um famoso toureiro, não sou imparcial.
AEN: O elo espanhol-austríaco vai além
de um mero acidente histórico?
de Soto: Lembre-se de que, no século
XVI, o Imperador
Carlos V, Rei da Espanha– também conhecido como Carlos de Habsburgo —
enviou seu irmão Fernando I para ser o Rei da “Áustria”, palavra que
etimologicamente significa “Parte Oriental do Império”, ou Österreich. Esse reino
abrangia a maior parte do continente europeu.
A única exceção era a França, então uma ilha isolada e cercada por
forças espanholas.
As
relações econômicas, políticas e culturais entre a Áustria e a Espanha continuaram
por vários séculos. Carl Menger
redescobriu e abraçou essa tradição continental católica do pensamento
escolástico espanhol, que na época já estava quase que completamente esquecida.
AEN: Bem, então o que aconteceu com
essa tradição, dado que ela teve de ser
redescoberta?
de Soto: Adam Smith e seus seguidores
vieram a dominar o pensamento econômico espanhol, pondo fim ao desenvolvimento
da escola subjetivista, a qual não apenas defendia o livre mercado de forma
consistente, como também dominava toda a sua teoria. A tradição foi mantida viva na França com os
escritos de Richard Cantillon, A.J. Turgot e Jean-Baptiste Say, e algum
conhecimento conseguiu penetrar a Inglaterra por meio dos escritos de teóricos
protestantes do direito natural, como Samuel Pufendorf e Hugo Grócio. Porém, na Espanha, vivenciamos os anos de
decadência dos séculos XVIII e XIX, com o fim dos Habsburgos e início dos
Bourbons da França.
O
estatismo de Filipe
IV de Espanha o levou a tentar organizar um vasto império centralizado em
Madri, um projeto inerentemente inviável.
Os escolásticos foram contra esse estatismo, é claro, mas foram
sumariamente desconsiderados e sua tradição foi perdida. Havia também o problema de que eles escreviam
em latim, o que gerou uma barreira linguística.
Adicionalmente, os britânicos criaram e difundiram a Lenda Negra, que durante
os dois séculos seguintes denegriu tudo o que era católico e espanhol. Ironicamente, a Reforma Protestante na
realidade atrasou a causa da economia de livre mercado. A Igreja há muito tempo vinha desempenhando o
papel vital de contrabalançar o poder do estado. Com o declínio da Igreja em decorrência da
Reforma, a sabedoria de seus mais brilhantes teóricos econômicos foi perdida, e o poder do estado e a influência de seus apologistas
cresceram.
AEN: Por que foi necessário um
austríaco para redescobrir a tradição econômica espanhola?
de Soto: Os livros dos escolásticos
foram publicados em Bruxelas e na Itália, e foram enviados à Espanha e a
Viena. Foi assim, portanto, que chegaram
à Áustria. Havia também uma tradição de
pensamento escolástico na Áustria, a qual, afinal, é 90% católica.
No
entanto, foi um escritor católico espanhol quem solucionou o “paradoxo do
valor”, 27 anos antes de Carl Menger.
Seu nome era Jaime Balmes. Ele
nasceu na Catalunha em 1810 e morreu em 1848.
Durante sua curta vida, ele se tornou o mais importante filósofo tomista
da Espanha. Em 1844, ele publicou um
artigo chamado “A Verdadeira Ideia do Valor; ou Pensamentos Sobre a Origem, a
Natureza e a Variedade dos Preços”.
Balmes
perguntava por que uma pedra preciosa valia mais que um pedaço de pão? E ele próprio respondeu que o valor de um bem
está em sua utilidade, de modo que “há uma necessária relação entre a escassez
ou abundância de um bem e o aumento ou a redução de seu valor.”
AEN: Falemos sobre questões um pouco
mais atuais. O senhor produziu um plano
para reformar o sistema previdenciário espanhol.
de Soto: Essa questão de pensões
garantidas para todos os idosos é um problema premente em todos os países
ocidentais, mas que só será sentido daqui a algumas décadas, quando então não
haverá mais solução. Em todos os países,
as obrigações assumidas pela Previdência são enormes, mas a demografia se
encarregou de fazer com que elas se tornassem essencialmente impagáveis, a
menos que os impostos sejam elevados a níveis intoleráveis. Antes de saber o que deve ser feito com estes
sistemas, é necessário entender suas inerentes contradições.
Primeiro,
os sistemas previdenciários alegam ser esquemas de poupança de dinheiro, mas a
realidade é que eles desestimulam a
poupança. Além de as “contribuições
compulsórias” incidirem justamente sobre o que seria a poupança dos indivíduos,
a previdência leva as pessoas a crerem que elas não precisam ser precavidas
quanto ao futuro, pois o estado cuidará delas.
Consequentemente, as pessoas passam a crer que é desnecessário
poupar. É empiricamente comprovável que
a expansão da seguridade social coincidiu com um enorme declínio na poupança
das pessoas. Claro. Poupança é sacrifício. Por que poupar se meu futuro “está garantido
pelo estado”? Esta queda na poupança
tende a elevar os juros e a consequentemente reduzir os níveis de investimento
de várias maneiras impossíveis de ser mensuradas.
Segundo,
não importa o que a lei diz sobre como empregados e empregadores compartilham o
fardo da contribuição previdenciária. Do
ponto de vista econômico, o trabalhador paga todo o imposto. Mises foi o primeiro a desenvolver esta constatação
em seu livro Socialism, no qual
ele disse que contribuições para a seguridade social sempre se dão em
detrimento dos salários.
Terceiro,
o sistema é baseado em uma generalizada e indiscriminada agressão institucional
contra os cidadãos. Logo, trata-se de um
ataque direto à liberdade. E isso, por
sua vez, inibe o desenvolvimento criativo da descoberta empreendedorial. Novas modalidades financeiras de poupança e o
uso eficiente da propriedade são tolhidos.
A resultante malversação de capital e mão-de-obra é incalculavelmente
alta.
Quarto,
o sistema não pode funcionar como seguro e assistencialismo ao mesmo tempo,
porque ambos os conceitos são incompatíveis.
Um seguro é baseado no princípio de que os benefícios se dão de acordo
com as contribuições. Já o
assistencialismo é baseado na necessidade.
Se os retornos passam a ser declinantes, que é o que ocorrerá, o
elemento “seguridade” do sistema passa a abortar o elemento
“assistencialista”. E vice-versa.
E
por que nós temos esses sistemas? Porque
burocratas acreditam que algumas pessoas supostamente não são capazes de cuidar
de si próprias. Mas isso é o mesmo que
dizer que, dado que um pequeno número de pessoas não consegue se alimentar,
todos os indivíduos de uma população devem ser forçados a comer em cantinas
estatais.
O
segredo para qualquer reforma previdenciária é que cada indivíduo deve ser o
responsável por sua poupança. O
indivíduo não pode ser forçado a participar de um programa compulsório. Aqueles que querem sair do sistema
previdenciário devem ter a liberdade para fazê-lo. Não pagarão contribuições e também não ganharão
nenhum benefício estatal. Esse deve ser
o objetivo de longo prazo, e é de se esperar que a maioria das pessoas faria
essa opção. No meu plano, nosso período
de transição permite uma redução de 50% na taxa de contribuição atual em troca
de se abrir mão de todas as reivindicações futuras. Adicionalmente, nenhum imposto jamais deve
ser aumentado para pagar por esse período de transição. O sistema previdenciário já está falido e é
urgente tratar desse assunto; adiar a solução irá apenas intensificar a tragédia
quando esta inevitavelmente chegar.
AEN: A educação estatal pode ser
benéfica? Há vantagens em se ter um
sistema de ensino comandado pelo estado?
de Soto: O estado opera à margem do
mercado, sem jamais ser guiado pelo sistema de lucros e prejuízos. E quando você não leva em conta o sistema de
lucros e prejuízos, é absolutamente impossível saber se o seu trabalho está
sendo bem feito.
Quando
a educação é financiada e controlada pelo estado, você tende a criar — para
utilizar um linguajar econômico — um ‘investimento errôneo’ ou um
‘investimento intelectual mal feito’. A
teoria do “capital humano”, do economista Gary Becker, insinua que quanto mais
se investe em educação e quanto mais a criança aprende na escola, mais valorosa
ela se torna para a sociedade. A
conclusão óbvia é que o governo deveria pagar pela escolarização e educação de
todos para tornar a sociedade mais rica.
Discordo
totalmente de Becker. Como o dinheiro
envolvido é o dinheiro de impostos, não há como calcular em termos econômicos
se a educação feita desta forma é um bom investimento ou não. Muito provavelmente não é. As pessoas gastam anos estudando coisas que
não terão utilidade nenhuma para elas.
Isso é um inacreditável desperdício de talento e de recursos. Mas é exatamente isso o que ocorre quando se
dá ao governo o controle das coisas, principalmente do currículo escolar.
A
teoria neoclássica costuma tratar o capital em termos generalistas. Nela, não há um investimento bom e um
investimento ruim de capital; é tudo apenas capital e tudo é homogêneo. Ocorre que, em vários casos, um investimento
errôneo em capital intelectual pode acabar trazendo consequências muito mais
nefastas para a sociedade do que uma simples malversação de recursos escassos
que foram investidos erroneamente em um projeto que se revelou insustentável.
AEN: O senhor vê alguma contradição no
meio liberal entre ideias teóricas radicais e propostas modestas de reforma?
de Soto: O maior perigo para a
estratégia libertária é cair na armadilha do pragmatismo político. É fácil se esquecer dos objetivos supremos em decorrência da suposta impossibilidade política de se alcançá-los no curto
prazo. Consequentemente, nossos
programas e objetivos se tornam obscuros e nossos intelectuais são cooptados
pelo governo.
A
maneira correta de impedir que isso aconteça é adotando uma estratégia dupla. Por um lado, temos de ser abertos e honestos
a respeito dos nossos objetivos, e temos de nos esforçar para educar o público,
explicando por que nosso objetivo final é o melhor para a sociedade. Por outro, devemos apoiar toda e qualquer
política de curto prazo que nos leve para mais perto dos nossos objetivos. Desta forma, quando nossos objetivos de curto
prazo forem alcançados, não haverá como retroceder. Poderemos seguir adiante com a total
convicção de que as pessoas compreenderão que é necessário continuar fazendo sempre
mais.
AEN: O senhor conheceu a Escola
Austríaca aos 16 anos descobrindo acidentalmente em uma biblioteca o livro Ação
Humana, de Ludwig von Mises. Parece
surpreendente que a ciência econômica já fosse tão intensamente atraente para o
senhor em uma idade tão prematura.
de Soto: Minha família é do ramo do
seguro de vida, que aliás é o único traço em comum que tenho com John Maynard Keynes,
que, na década de 1930, foi o presidente da National Mutual Life Assurance
Society de Londres. O ramo do
seguro de vida é um negócio bastante tradicional, tendo evoluído ao longo de
200 anos sem praticamente nenhuma intervenção estatal. Trabalhando com meu pai, tornei-me
naturalmente interessado em teoria monetária, finanças e instituições
econômicas. Queria ser um atuário. Eu era muito bom em matemática.
Porém,
ainda jovem comecei a me dar conta de que aquilo que funciona para as ciências
atuariais, que lida com probabilidades de vida e morte, não pode funcionar na
ciência econômica, porque não há constantes na ação humana. Há criatividade, mudanças, escolhas e
descobertas, mas não há parâmetros fixos que permitam a criação de funções
matemáticas.
Curvas
de oferta e demanda não podem refletir a realidade porque as informações
necessárias para construí-las só podem ser obtidas ao longo do tempo por meio
do processo empreendedorial. Essas
informações jamais aparecem ao mesmo tempo, como a matemática requer que
pressuponhamos.
AEN: Keynes aparentemente não chegou a
essas mesmas lições a respeito da ação humana ao trabalhar no ramo de seguros.
de Soto: O problema é que Keynes não
corrompeu apenas a ciência econômica.
Ele corrompeu também as práticas do ramo atuarial. Ele rompeu com as políticas tradicionais de
sua empresa e começou a valorar seus ativos ao seu valor atual de mercado em
vez de utilizar o conservador método do valor histórico. Quando você avalia ativos de acordo com seu
valor atual de mercado, o valor deles fica ao sabor dos ciclos econômicos. Se a economia estiver vivenciando uma fase de
crescimento em decorrência da expansão artificial do crédito, seus ativos
passam a valer mais. Consequentemente,
você passa a fazer investimentos mais ousados e errôneos. Quando vem a recessão, o valor de seus ativos
volta a cair, mas seus passivos permanecem inalterados ou podem até mesmo
subir. Resultado: você reduziu o capital
de sua empresa, podendo até mesmo tê-la levado à falência.
Quando
Keynes começou a fazer isso, ele imediatamente ganhou uma enorme vantagem
competitiva sobre seus concorrentes. Ele
passou a poder distribuir dividendos para seus clientes sem que houvesse obtido
nenhum ganho de capital. Enquanto a
bolsa de valores estava subindo, tudo era uma maravilha. Porém, quando a Grande Depressão chegou, sua
empresa quase foi à falência por causa desta sua inovação.
A
atual crise imobiliária e financeira decorre diretamente dessa corrupção nos
métodos de contabilidade das empresas e dos bancos.
AEN: O senhor deu ao Mises Institute uma
foto do Rei Juan Carlos segurando um livro de Mises. Ele é um misesiano?
de Soto: Não diria isso, mas ele gosta
do livre mercado e entende que temos opiniões radicais a respeito. Todos os anos, nós o convidamos para uma
feira que comemora o lançamento de novos livros liberais, e ele é gentil o
bastante para comparecer. Dado que ele
não estudou na Universidade de Chicago, ele é mais pró-austríaco do que seria
de se esperar. Nunca se sabe quais
indivíduos ou grupos serão atraídos pela Escola Austríaca.
AEN: Por exemplo, a influência dos
austríacos por meio dos salamanquenses sobre a moderna Igreja Católica.
de Soto: A Igreja Católica é como um
enorme transatlântico. Se você vira o
timão para a direita, a embarcação começa a se mover muito lentamente, mas chega uma
hora em que ela finalmente começa a mudar de direção.
Há
um poderoso grupo católico na Espanha chamado Opus Dei. Eles são muito próximos do Papa e são
extremamente pró-mercado. Alguém dentro
da ordem leu as obras de Hayek, viu que ele era extremamente pró-mercado e enviou
a mensagem para toda a organização: o Opus Dei tem de apoiar os austríacos.
Repentinamente,
todos os meus livros estavam sendo lidos por todos os membros da ordem, e eu
comecei a ministrar palestras para seus prelados e numerários. Recentemente, li uma tese de Ph.D
sobre Mises e Hayek escrita por um membro proeminente do Opus Dei.
As
opiniões da Igreja sobre questões econômicas devem ser ouvidas, mas não
impactam em questões relativas à fé. A
propósito, na parede do meu escritório, tenho uma bela foto de Hayek com João
Paulo II.
AEN: O senhor acha que economistas
deveriam levar a religião mais a sério do que costumam levar?
de Soto: Sem dúvida. A religião tem um papel importante na vida de
uma economia. A religião transmite de
geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que
são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e
respeito aos direitos naturais de cada indivíduo. Sem isso, uma sólida economia de mercado é
impossível. Se os contratos deixam de
ser respeitados, a sociedade se desintegra.
A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às
pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas
promessas e respeitar a propriedade de terceiros.
AEN: Algum economista já foi declarado
santo?
de Soto: Dois escolásticos. São Bernardino de Siena e seu grande pupilo,
Santo Antonino de Florença. Rezemos para
que não sejam os últimos.
AEN: Quais são os seus hobbies?
de Soto: Golfe e iatismo.
AEN: Quais são seus filmes e peças
teatrais favoritos?
de Soto: Jornada nas Estrelas e todos
de Shakespeare.
AEN: Qual a sua obra literária
favorita?
de Soto: Don Quixote de La
Mancha de Miguel de Cervantes.
AEN: Quais músicas o senhor mais
aprecia?
de Soto: Franz Peter Schubert e
Johannes Brahms.
AEN: O senhor consegue pensar em uma
obra de arte que simbolize ou retrate a ação humana?
de Soto: A losa roja (imagem ao lado)
Não deixe de ler os espetaculares artigos de Jesús Huerta de Soto aqui.

Excelente entrevista, pela erudição, fluencia das idéias e clareza de pensamento.\r
Pena que não temos acesso a esse brilhante pensador através da grande mídia.\r
Parabéns também pelo excelente trabalho do Mises Brasil.\r
Entrevista excelente!
Mais uma contribuição importantíssima da Santa Igreja Católica para humanidade.
Como católico fico muito feliz pela entrevista de um grande mestre. Interessante que hoje para pensar no futuro temos que voltar ao passado.
Ótima entrevista, particularmente interessante os comentários sobre os escolásticos e sobre a posição de certos grupos de influência na Igreja Católica em relação ao livre mercado atualmente. A posição de “contra-peso” da Igreja em relação ao Estado também é um assunto que rende uma bela discussão.
Martín Azpilcueta Navarro sugere que em um contrato entre um depositante e um banqueiro que permita a prática de reservas fracionárias ambos os lados seriam culpados de fraude.
Esta afirmação valeria mesmo para um sistema 100% lastreado em ouro? Não valeria o mesmo que o depositante fazer um empréstimo a um terceido, se no contrato só permitisse o repasse de uma vez o valor e o depositante determinasse o não saque do valor num determinado período?
Pessoal, nesses tempos de guerra entre israel e palestina, não seria interessante traduzir algum texto que fale sobre a postura libertária em relação a guerras? Eu particularmente gosto deste texto:
mises.org/daily/2310
Muito boa essa entrevista. Isso para aquele imbecis que ficam falando merda sobre a religião e a família tradicional. Aqueles que compactuam com o marxismo cultural para destruir as tradições, aqueles que acreditam nas calúnias do gramscismo sobre a Igreja. Aliás, para mais informações vejam:
Ninguém é obrigado a gostar da Igreja Católica, tampouco ninguém é obrigado a acreditar em Deus, mas por favor, não colaborem com a mentira. Queiram ou não, a Igreja teve um papel muito importante na construção desta civilização. Aliás, colaborem com a verdade. Divulguem estes videos do Thomas Woods!
Jornada nas Estrelas! Ae sim!
Mais uma contribuição importantíssima da Santa Igreja Católica para humanidade. [2]
Grande Mestre! o/
É aqui o plano de reforma da previdência de Huerta de Soto?
” A religião, e não o estado, é o meio essencial de se transmitir às pessoas um senso de obrigações morais, como a de que devemos manter nossas promessas e respeitar a propriedade de terceiros.”
Lembremos que a Igreja Católica na Europa é diferente da instituição existente na América Latina. Lá cumpriu um papel centralizador por séculos através de meios um tanto suspeitos, e aqui na América Latina igualmente pela força da espada, porém com menos concentração política do que na Europa.
A Igreja Católica não é o meio essencial para a transmissão do senso de obrigação moral, mas sim indivíduos.
A moral surge, no indivíduo, das excelências de seu sentir interno. Ao cultivar essas excelências e ser consciente que elas constituem uma força imponderável, reitora da conduta;(e esse cultivo prescinde da Igreja Católica). Assim poderá ser capaz de ser coerente a ponto de ensinar não só com palavras, mas também com o exemplo por ser consciente de seus pensamentos e atos. O mesmo vale para um pequeno conjunto destes, a família e amigos, que unidos por laços de afeto e fraternidade voluntariamente cultivados são os leais meios para tal fim, por serem nesses ambientes de confiança onde é possível que se ensine e transmita o caminho de aperfeiçoamentos individuais, em diversos campos da vida.
Ao tratar de temas como ética, moral e associar automaticamente à religião vejo ser um grave erro, a julgar pelo estado de inquietude, insatisfação, dúvida e desolação manifestado por muitos que estão imersos na “tradição”, que há séculos não supera seus conceitos, truncando grandes possibilidades humanas de evolução.
Apesar de ser ateu e discordar da Igreja em vários aspectos, reconheço a importância dela para a construção da sociedade ocidental.
Antes de conhecer Mises e Cia(Graças a um vídeo do Peter Schiff que surgiu aleatoriamente nas recomendações do Youtube), eu participava constantemente das comunidades ateias nas redes sociais, e por causa disso cada vez mais eu tendia pra esquerda(Principlamente por causa do blog cotista-socialista-gayzista Bule Voador). Depois de tomar a pílula vermelha e cair na real, consegui notar algo: muitos lá não são esquerdistas não por conhecer as ideias socialistas e compactuar com elas, mas por simples birra à Igreja, só pra fazer oposição. Tanto que na hora de “argumentar” contra o capitalismo, muitos utilizam a religião para fazer os ataques.
É uma pena este comportamento, muitas vezes eu prefiro esconder o fato de ser ateu por causa desses meus “companheiros”.
“Sem isso [a religião], uma sólida economia de mercado é impossível.”
Isso soa contraditório quando justaposto ao que disse o anarcocapitalista Leandro em um comentário no artigo ‘A Vidraça Quebrada’: “…é a liberdade econômica o que dá sustento e longevidade às tradições culturais e religiosas, principalmente a ética judaico-cristã. Estatize a economia, e a tradição e as liberdades individuais vão embora.
Então como foi que o cristianismo pôde surgir e se desenvolver no gigantesco Estado do império romano, uma era obviamente sem várias liberdades, incluindo a econômica?
Não sou católico, mas fiquei muito feliz em aprender aqui sobre a importância dos escolásticos para o desenvolvimento da economia.
É uma pena que os governantes espanhóis não tenham aproveitado muito desse conhecimento. uma espanha mais liberal teria sido maravilhosa. Talvez um dia isso ainda ocorra.
Ainda sou da opinião que a igreja nada mais é que uma forma de estado primitiva,invenção do homem.
Por que?
Para a igreja chegar a influir no governo e na vida das pessoas,a mesma teve que usar a força,violação e violência.
Como a igreja caiu,consequentemente o estado cresceu.
Para acabar com o estado,é só com a educação do povo e uma nova visão de mundo,que só acontece através de evolução natural segundo Darwin,a partir do momento que o estado sair de cena,dar uma grande guerra,ai sim as pessoas irão evoluir e consequentemente o estado ira cair.
Quem quiser saber os atos que devem ser evitados por um católico de verdade (que busca a santidade) deve ler o seguinte trecho do Catecismo referente ao exame de consciência, obrigatório antes do sacramento da Confissão: http://www.slideshare.net/OnOSJunior/10-mandamentos-e-pecados-relacionados.
É de se concluir necessariamente que, numa sociedade católica de verdade, o estado (esfera do município/condado/cidade/distrito, esfera do estado/província/cantão e esfera da união) seja menos perceptível (com percepção decrescente na ordem município/condado/cidade/distrito > estado/província/cantão > união), por várias razões: subsidiariedade e descentralização extremas (cada indivíduo tenta resolver o seu problema e, caso não consiga, recorre ao mais próximo), ausência de crimes e fraudes (pelo amor à propriedade de outrem), menores gastos estatais (pois o estado perde boa parte de suas funções atuais), maior produtividade no trabalho e polidez no atendimento aos consumidores (por amor à hierarquia, neste caso profissional, e por rejeição à preguiça), poupança (pelo desapego aos bens terrenos), empreendedorismo (pela preferência aos atos voluntários e pensamento de longo prazo), atos materiais de caridade (pelo amor ao próximo), menor transmissão de doenças (pela higiene e castidade) etc.
Isto é o que os teólogos chamam de Reinado Social de Jesus Cristo. É o oposto das mentiras propagadas pelos adeptos da marxista “teologia da libertação”. (Tal pseudoteologia é a Doutrina Católica invertida!!!)
Infelizmente, uma minoria ínfima dos católicos busca a santidade, e a consequência é sentida pela sociedade.
Que Cristo nos ajude a sermos santos, por intercessão da Mãe Santíssima dEle!
Sei que este nao é um site religioso. Mas é revoltante. Viram a última tentativa esquerdopata de abolir a tradição católica do celibato?
Leiam:
news.harvard.edu/gazette/story/2012/09/suggestion-of-a-married-jesus/
Vejam a eles não escondem que o objetivo desta fraude científica é romper com a tradição cristã do celibato clerical:
“King observou que os debates contemporâneos sobre celibato clerical, o papel das mulheres, sexualidade e casamento demonstra que estas questões estavam longe de ser resolvidas.
"A descoberta deste novo evangelho," diz King, "oferece uma ocasião para repensar o que pensávamos que sabíamos, perguntando qual o papel que afirma sobre o estado civil de Jesus desempenhou historicamente no início de controvérsias cristãs sobre o casamento, o celibato e a família. Tradição cristã preservada apenas aquelas vozes que diziam que Jesus nunca se casou. O Evangelho da Esposa de Jesus mostra agora que muitas cristãos pensavam o contrário."
Aí eu pergunto: e daí que muitos pseudo-cristãos pensavam o contrário? Cristo já previa a existência de falsos cristãos e falsos profetas. Haviam muitas heresias na época. E chamar um papiro do século IV de “Evangelho” é o cúmulo das distorções. Nem merece comentários.
Mesmo com todas as distorções, Karen King (a professora que divulgou a fraude), confessa:
"This new gospel doesn't prove that Jesus was married".
Luis Almeida, eu não adulterei frase alguma, a frase dele está lá, tanto que a reproduzi de modo idêntico no corpo do texto do meu comentário entre aspas, porém me referi à IC em meu argumento por ser facilmente perceptível a correlação direta entre o tema religião e a Igreja Católica na entrevista do Huerta de Soto. Eu não sei a qual preconceito anti-religião você se refere; no mínimo me refiro a um pós-conceito, pois chamo a atenção a uma inadequada identidade que muitos fazem quando o assunto é ética e moral com religião e em seguida com a própria Igreja Católica; A Igreja Católica e religiões em geral difundem uma proposta que não têm conseguido alcançar, que é a de orientar os homens a serem melhores (o que é diferente quando a pessoa se sente bem por fazer parte de um grupo – me refiro aqui ao aperfeiçoamento de modalidades e caráter mesmo e assim mudar para melhor, fruto de um ato consciente da própria vontade), não há um meio de aperfeiçoamento conscientemente realizável a ser feito, para tal inculcam temores de diversos tipos bem como punições quiméricas, sem contar com o temor à Deus para assim fazer valer seus preceitos tradicionais. Por mais que alguns se adaptem ao “modelo” vejo isto como algo um tanto opressor, e psiquicamente falando, como uma ameaça de sofrimento “a futuro” quando não cumprida determinada diretriz ou norma do código. O que aparentemente parece ser como voluntário observo ser mais um resultado de um processo (desde tenra idade) de fixação inconsciente de certas imagens rígidas – e, portanto, estáticas – ,relacionadas com a educação espiritual, sendo assim, quando um grande contingente de indivíduos não identificam outra opção de orientação, a aparência que dá é que se trata de um ato voluntário de suas vontades. Isso vale para as religiões em geral; e o que estou procurando colocar é que há prescindência de religiões ( incluindo Igreja Católica, lógico) para desenvolvimento de senso moral e sua consequente transmissão, tal como coloquei no comentário anterior.
Pedro Franca, eu não sou ateu, e ao mesmo tempo não tenho uma religião, não frequento cultos e não faço orações verbais em busca de redenção, pelo fato destes hábitos não fazerem parte de meu universo para construir convicções a respeito do que chamei a atenção: cultivo de senso moral e portanto sua transmissão a outra pessoa, para que este realize por si mesmo ao seu próprio modo também. E nem por isso cheguei a ter afinidade alguma com ideias de esquerda, nem na época de escola, tampouco em minha vida universitária apesar de parte dela ter em sido numa universidade federal no Rio de Janeiro (Uma mescla de comunismo-marxista, social-democracia e keynesianismo – Horrível!). Não há implicação alguma em não ser religioso e por isso ter de ser de esquerda. Mas há ateus que outrora foram comunistas de esquerda e ao conhecerem um pouco a filosofia libertária, amadurecem em muitos aspectos e tendem a se identificarem pelo viés anti-estado/governo da coisa. O elemento anárquico já estava presentes em suas mentes, mas o capitalista ausente de um órgão diretor observado antes como o governo, para estes, veio com o tempo.
Valeu!
Quando fazia o ensino básico sempre tive a idéia que quando atacavam a idade média era para criticar a Igreja Católica. Isso quando eu tinha 14 anos; o sentimento católica sempre falava alto. Hoje tenho mais certeza disso. Excelente entrevista, ainda existe pessoas que pensam fora do conceito já estabelecido, “o estado provedor”.
E essa entrevista mostra a grande contribuição da Igreja Católica, acaba com o conceito dos protestantes e calvinistas como os construtores do capitalismo moderno.
“Quando você avalia ativos de acordo com seu valor atual de mercado, o valor deles fica ao sabor dos ciclos econômicos. “
Gostaria de saber qual a recomendação das escola austriaca a respeito de como avaliar os ativos e como investir. Escola fundamentalista? Tem algum livro ou artigo?
Eu acho que atualmente o valor do ativo esta sendo mais seguro que a analise fundamentalista. Ex: Vale que vai pagar dividendos e a ação cai. Ou tem lucros expressivos e o valor da cota continua caindo.
“são posições totalmente complementares[ religião e libertarianimo].”
Não é o que parece quando se lê artigos deste site. O Mises Institute, majoriatariamente constituído por anarcocapitalistas (e muitos deles são ateus)parece reescrever o Evangelho: “Buscai em primeiro lugar o anarcocapitalismo e todas as outras cousas vos serão acrescentadas.”
De fato, a “religião” da atual sociedade é o estatismo. Isso qualquer um, quando sai do pensamento esquerdista vigente, percebe de cara. Todavia, não será lutando exclusivamente no front econômico que iremos reverter tal situação. A revolução gramsciana está aí à nossa porta, e o que se faz para rebatê-la? Ensinar aos cristãos e demais cidadãos que o mercado é a chave única do problema? O livre mercado é importante, mas não é tudo. Isso qualquer líder socialista sabe que, sem um mínimo de mercado, nenhum governo subsiste. A tirana China é o maior exemplo disso.
Essa parece uma guerra perdida, pelo andar da carruagem. É perda de tempo caçar baleia com alfinete.
O protestantismo veio para contrapor o catolicismo, não me admiraria como protestante que sou que dentre as coisas que a reforma negou, no meio delas também estivesse idéias positivas, até porque toda a sociedade era católica e aparecer uma pessoa ou grupo de pessoas com conhecimento e estudo que não fosse desse meio era algo raro na época.
Acho que sempre que falam bem da igreja católica, referente a isso, forçam a barra um pouco, já disse isso aqui antes, toda sociedade era católica, negar que coisas boas saiam dessa sociedade é um desrespeito ao intelecto humano, em suma todo o conhecimento ocidental bom ou mal saia ou da igreja católica ou de uma sociedade influenciada por ela seja positivamente ou negativamente.
Não estou negando o que ele disse, mas estou apenas colocando no contexto histórico, pois dizer que a Alemanha foi boa para o mundo na segunda guerra porque Eistein era alemão é um grande exagero(Entendam meu paralelo, não coloquei a igreja católica no mesmo nível, apenas exemplifiquei uma hipérbole exagerada de um tópico similar)
Pergunta quantos estudiosos e escolásticos católicos existiam nesse período? Qual a influência desses espanhóis no meio católico? Pela entrevista ele parece dizer que a culpa do pensamento ter desaparecido foi do protestantismo, aquele mesmo protestantismo que foi perseguido logo em seguida e só encontrou casa de fato na Inglaterra…
Leandro,
Eu também tinha a impressão que os Misesianos eram, em geral, ancap´s/minarquistas e ateus (não militantes). Foi uma grande surpresa pra mim ver, no seu comentário, que a maioria é cristã. Não sei o que exatamente leva a ter essa impressão, talvez o fato de eu ser ateu.
Digo isso apenas para mostrar que, talvez, o comentário do [email protected] não tenha sido desonesto, apenas se deixou levar pelas impressões.
Bom. o estado não é base moral para ninguém, muito pelo contrario.
Mas deveriamos mesmo escolher uma instituição religiosa/religião/crença/mitologia como base moral para algo?
O que dizer sobre a arte, a filosofia, a ciência…?
O Brasil está quase deixando de ser um estado laico de tantos ‘religiosos/pastores’ no poder . Não seria essa outra forma de governo/estado surgindo?
Infelizmente vou comentar sobre religião, que não é o ponto mais forte da entrevista, mas é o mais polêmico de todos.
Quando disse que “A religião tem um papel importante na vida de uma economia. A religião transmite de geração para geração certos padrões de comportamento e de tradições morais que são essenciais para que haja respeito às normas, separação dos poderes e respeito aos direitos naturais de cada indivíduo.”, ele está afirmando que os padrões de comportamento são essenciais para o respeito de normas, e que a religião é um meio de propagar essa conduta. Mas também não é a única. Uma pessoa não religiosa também é capaz de ‘respeitar o próximo’, como diz o lema, a diferença é que seus valores serão retirados de outra fonte, como a filosofia ou até mesmo a astrologia,por que não?
Me interessei bastante pela sua ideia em relação a aposentadoria. Alguém sabe como esse projeto é visto na Espanha e se é possível que ele se torne realidade?
O Olavo de Carvalho argumenta que o surgimento de uma sociedade livre, a começar pela liberdade de consciência, é fruto da crença no livre arbítrio e só poderia ter se desenvolvido a partir disso, – como de fato aconteceu no Ocidente.
Sou outro ateu que adora esse site. Mas acho um grave erro colocar a religião como monopolista da ética e moral. O próprio Rothbard num capítulo do Ética da Liberdade coloca os direitos naturais como algo racional e ‘científico’.
Enfim, posso até concordar que a igreja católica fez coisas boas, úteis, que professores marxistas e protestantes distorcem um pouco os fatos, mas não vou ver a igreja como uma maravilha na terra. Cometeu muitos erros também. E de forma alguma eu aceitaria as partes sobrenaturais sem bases empíricas, apenas baseadas na fé. Claro que crença é algo pessoal.
Gostei de ler no Ação Humana Mises dizendo como é impossível uma ação divina, no sentido praxeológico. Ele faz um argumento que se assemelha ao argumento da pedra pesada e depois diz que onipotência e onisciência não podem existir juntas.
Sou ateu e não gosto de religião nenhuma. A Igreja Católica fez mais coisas ruins do que boas ao longo de sua história. Fico feliz que os escolásticos tenham iniciado estudos importantes para o desenvolvimento do que hoje conhecemos como Escola Austríca. Pelo menos não estavam queimando pessoas na fogueira pelo simples motivo de discordarem da suposta santidade do Papa, de Jesus, da Igreja, de Deus ou qualquer outra coisa que os cristãos acreditem ser importante.
Fosse a Igreja Católica do nosso país, uma Igreja que respeitasse suas tradições eu mesmo como ateu teria muito mais respeito pela instituição. Infelizmente, desde os meus tempos de crisma eu já vinha percebendo que o “lugar” foi infestado por comunistas.
Mas a igreja católica não era contra o lucro e considerava a usura (cobrança de juros) pecado?
Não vejo, sinceramente, pertinência maior em se discutir religião, aqui, que discutir futebol… Cada um pense o que quiser da igreja católica. Seguir ou não seus valores (e o pior: quais são, de fato?) não tem a ver com ser libertário ou ancap. Vá à missa aos domingos e creia nas coisas ditas lá, pregue-as no seu cotidiano… É direito seu. Mas não tem relação com este contexto, por mais que queiram forçar isso. Depois nos confundem com “direitistas” ou “conservadores” e não sabem por quê.
Observação,ancaps podem ter a religião que quiser,mas querer impor para outros como faz Jesus Huerta De Soto sutilmente,ai não dá.Sou ancap e respeito a opção religiosa de cada um,cada um siga o que quiser,liberdade para todos em tudo,inclusive liberdade de culto.
Boa entrevista. Apesar de não ser católico, eu reconheço o legado da Igreja Católica tanto para a Ciência Econômica quanto para a Europa Ocidental. Poxa, o Brasil também surgiu de expedições de católicos.
Os escolásticos realmente eram muito cultos, pena que a Espanha ainda possua alguns traços de estatismo. Pelo menos eles usam uma moeda (ainda) forte.
Falando da Espanha, os textos do Juan Ramón Rallo e do Daniel Lacalle são também bastante bons.
Já pensaram se o ensino superior brasileiro passa a se encher de professores austríacos? Isso mudaria toda uma geração de pessoas. Nesse ponto, realmente o Olavo de Carvalho tem também razão. Precisamos de mais intelectuais, além de pessoas importantes como Roberto Campos e Paulo Francis.