Gustavo Franco, um dos principais mentores do Plano Real
Quando Itamar Franco assumiu interinamente a Presidência da República no dia 29 de dezembro de 1992, imediatamente após a renúncia de Fernando Collor, a inflação acumulada em 12 meses estava em 1.119%. Em 1991, ela havia sido de 472%. Em 1990, de 1.621%.
Com o país mergulhado em uma crise política e com a economia em frangalhos, não havia a menor perspectiva entre a população de que houvesse qualquer arrefecimento na inflação de preços.
Também em decorrência da recessão, a arrecadação tributária não era suficiente para cobrir as despesas. Como consequência, o governo apenas ordenava ao Banco Central — que, na época, podia comprar títulos diretamente do Tesouro — que imprimisse o dinheiro necessário para fazer frente às despesas. O resultado era um moto-perpétuo inflacionário.
Eis o gráfico do singelo crescimento da base monetária — variável totalmente sob o controle do Banco Central — durante o governo Collor. (É preciso dividir o gráfico em dois, pois um aumento de 28.380% não cabe em apenas um só gráfico).
Gráfico 1: evolução da base monetária, março de 1990 a julho de 1991
Gráfico 2: evolução da base monetária, julho de 1991 a dezembro de 1992
Tal prática de imprimir dinheiro para fazer frente às despesas governamentais não cobertas por impostos já era tradicional na economia brasileira; porém, no início da década de 1990, ela havia chegado ao ápice. Em abril de 1990, por exemplo, a inflação acumulada em 12 meses foi de 6.821%, recorde até hoje absoluto em nossa história.
Após mais de uma década com inflação de preços anual acima dos 100% — a média de inflação de preços anual entre 1980 e 1992 foi de incríveis 694% –, uma solução definitiva era urgente.
O problema da hiperinflação
Além de toda a distribuição de renda às avessas que a inflação monetária gera — a qual foi a responsável pela explosão da disparidade de renda no Brasil na década de 1980 –, ela também provoca dois problemas adicionais que inviabilizam qualquer chance de crescimento econômico sustentável:
1) A inflação gera uma falsificação contábil que faz com que as empresas sobrestimem seus lucros e, consequentemente, incorram em um involuntário consumo do capital próprio. Isto ocorre porque, durante a hiperinflação, a depreciação dos bens de capital continua sendo computada em termos de seus custos históricos e não em termos de seus reais custos de reposição (necessariamente mais altos). Esta subestimação da depreciação gera uma superestimação dos lucros, o que consequentemente fará com que a empresa consuma um capital que não possui.
2) Adicionalmente, a hiperinflação impossibilita que os empreendedores sejam capazes de antecipar — mesmo que aproximadamente — quais serão os preços dos bens dali a alguns meses. Logo, qualquer investimento de longo prazo se torna inviável. Os empreendedores passam a se concentrar em projetos de curto prazo, projetos visando ao futuro mais imediato — por exemplo, no setor de serviços, nos setores de atacado e varejo, e até mesmo em empreendimentos que lidam com a especulação de vários tipos de commodities.
Assim, quando o processo de estimativa empreendedorial se torna incapaz de calcular com alguma exatidão quais recursos podem ser empregados lucrativamente em projetos de longo prazo, a estrutura de produção da economia é radicalmente “encurtada” e deixa de estar de acordo com as preferências dos consumidores, tanto presentes quanto futuras. O caos calculacional impera.
Esta situação gera um círculo vicioso. A hiperinflação contrai a estrutura de produção da economia, o que a deixa menos produtiva. Uma economia menos produtiva significa menos produtos no mercado em relação à demanda. Menos produtos no mercado em conjunto com um acentuado aumento da oferta monetária significam preços maiores. Esta contínua inflação monetária exacerba a hiperinflação de preços, a qual contrai ainda mais a estrutura de produção da economia, reiniciando o ciclo.
Daí a baixa qualidade de vida da maioria da população brasileira durante a década de 1980 e na primeira metade da de 1990.
O início
Estava claro, portanto, que esta situação não poderia perdurar. Os velhos paliativos de trocar o nome da moeda e cortar três zeros já haviam se comprovado um redundante fracasso. E não era necessário ser nenhum gênio monetário — tampouco seguidor da Escola Austríaca — para entender que uma hiperinflação contínua e crescente levaria à total destruição do sistema monetário, destruindo por completo a divisão do trabalho (a qual é possibilitada justamente pela existência do dinheiro) e retornando a economia ao estado do escambo.
Vários planos heterodoxos já haviam sido tentados desde meados da década de 1980: Plano Cruzado (I e II) em 1986; Plano Bresser em 1987; Plano Verão em 1988/1989; e Plano Collor (I e II) em 1990 e 1991, respectivamente. Todos envolviam congelamento de preços (alguns deles, cortes de zeros das moedas). O governo congelava os preços, mas continuava imprimindo dinheiro impavidamente, o que significa que os geniais burocratas restringiam a oferta mas estimulavam a demanda. Ao final de cada plano, a inflação de preços ressurgia com vigor redobrado. E ninguém entendia por quê.
Em maio de 1993, partindo para o tudo ou nada, Itamar Franco nomeou Fernando Henrique Cardoso — então Ministro das Relações Exteriores — para o Ministério da Fazenda. Naquele mês, a inflação de preços acumulada em 12 meses já estava em 1.348%.
Por gozar de grande prestígio e por ter reconhecida capacidade intelectual, a indicação de FHC foi recebida com entusiasmo. Vislumbrava-se pela primeira vez alguém com genuína capacidade de apresentar um plano econômico que ao menos reduzisse sensivelmente a inflação.
Embora sempre houvesse admitido não entender nada de economia, Fernando Henrique ao menos possuía bons contatos no mundo acadêmico, principalmente junto a um grupo de economistas da PUC do Rio de Janeiro. E foi a eles que FHC delegou a tarefa de debelar em definitivo a inflação.
A equipe de economistas encarregada desta espinhosa função era composta por Gustavo Franco, Pedro Malan, André Lara Resende, Persio Arida, Edmar Bacha e Winston Fritsch.
O Plano
Embora repleto de jargões técnicos à primeira vista indecifráveis, o Plano Real na verdade era como um livro de John Grisham: uma trama aparentemente complexa encobrindo um enredo totalmente simples. O objetivo da reforma monetária era lançar uma moeda cujo valor fosse, senão atrelado, pelo menos muito próximo ao dólar. Na prática, o objetivo era fazer uma dolarização da economia, mas sem que houvesse uma dolarização de fato, algo que ofenderia nossos brios nacionalistas.
Como iremos ver mais abaixo, fazer uma dolarização da economia — isto é, simplesmente passar a utilizar o dólar como a moeda oficial do país (exatamente como fez o Panamá) — teria sido algo mais eficaz, muito pouco custoso e, principalmente, mais propício à liberdade do fatigado e espoliado povo brasileiro. Porém, tanto por questões nacionalistas quanto por motivos estatais, preferiu-se o caminho mais complexo, que foi a criação e emissão de (mais uma) nova moeda. Afinal, utilizar uma moeda estrangeira significa que o governo não mais teria capacidade de imprimir dinheiro para financiar seus déficits, passando a depender exclusivamente de impostos e empréstimos para cobrir seus gastos. E, como sabemos, um governo só aceita vestir uma camisa-de-força se ela tiver um zíper na frente. Logo, a opção pela criação de (mais) uma moeda foi uma esperta manobra do governo para manter intacto seu poder de imprimir dinheiro, não obstante todos os estragos que já haviam sido causados em decorrência da hiperinflação por ele gerada.
O Plano Real dependia de cinco fatores essenciais:
1) Zerar o déficit público — justamente o fator que gerava a emissão de dinheiro. Para isso, haveria um aumento de cinco pontos percentuais em todos os impostos federais e privatizações de estatais, principalmente dos bancos estaduais;
2) Desindexar a economia — isto é, acabar com as correções automáticas de preços e salários, que eram reajustados automaticamente de acordo com a inflação passada (prática essa determinada por lei). Em termos técnicos, isso ficou conhecido como “acabar com a inércia inflacionária”;
3) Reindexar a economia de acordo com a taxa de câmbio — isto é, fazer com que preços e salários variassem de acordo com o dólar. Na prática, o dólar se tornava o novo indexador.
4) Abrir a economia por meio da redução das tarifas de importação — tudo era válido para combater qualquer escalada de preços (bons tempos);
5) Aumentar acentuadamente as reservas internacionais — isto é, o governo deveria comprar dólares continuamente, acumulando-os até o momento da introdução da nova moeda. Quanto mais dólares o governo tivesse em suas reservas, maior seria a confiança dos investidores internacionais na seriedade e na robustez do plano, e menores seriam as chances de um ataque especulativo e de uma fuga de capitais.
Uma vez cumpridas estas cinco medidas, a nova moeda nasceria com um valor praticamente igual ao dólar.
As etapas
No dia 1º de agosto de 1993, houve a primeira medida, embora de efeito apenas cosmético: mudou-se, mais uma vez, o nome da moeda, e cortou-se três zeros. A moeda deixava de se chamar Cruzeiro e passava a se chamar Cruzeiro Real. A inflação de preços continuava em forte ascensão: seria de 33% só no mês de agosto e de 1.730% no acumulado de 12 meses.
Esta ascensão inflacionária decorria do fato de que, além de imprimir dinheiro para saldar o seu déficit, o governo também imprimia para comprar dólares, algo que ele continuaria fazendo até o dia da introdução do real.
No dia 7 de dezembro de 1993, finalmente foi apresentado o plano de estabilização especificando os cinco itens elencados acima. Veja aqui um curto vídeo de uma reportagem do Jornal Nacional.
A mudança seguinte — e a mais importante — ocorreria só em 28 de fevereiro de 1994: a introdução da URV, Unidade Real de Valor. (A inflação de fevereiro foi de 40,3% e a acumulada em 12 meses já estava em 3.025%).
A URV foi apenas um nome técnico tupiniquim para se evitar a palavra ‘dolarização’. Na prática, a URV nada mais era do que a cotação do dólar do dia anterior. A taxa de câmbio do final de cada dia era estabelecida como sendo o valor da URV do dia seguinte. Este valor serviria de indexador para todos os valores da economia. Assim, os bens e serviços precificados em Cruzeiro Real deveriam ser divididos pela URV (taxa de câmbio determinada no dia anterior) para se encontrar os preços em Real.
Veja aqui um exemplo aleatório: no dia 28 de março de 1994, a URV foi determinada em CR$895,03. Isto significa que, no dia 29 de março, os preços em Cruzeiro Real deveriam ser divididos por 895,03 para se obter o preço em Real. Este processo era repetido diariamente. Dizia-se, assim, que a economia estava “urvizada“.
O objetivo desta indexação em URV era, paradoxalmente, o de desindexar toda a economia, apagando aquilo que era chamado de “memória inflacionária”. Todos os contratos e negociações salariais deveriam ser urvizados. A intenção era fazer com que, no dia da transição do Cruzeiro Real para o Real (a moeda só entraria em circulação no dia 1º de julho), os preços fossem exatamente aqueles do dia anterior, de modo a não gerar sobressaltos e nem confusão. Veja aqui uma curta reportagem do Jornal Nacional, ainda em junho, ensinando as pessoas a como fazer esta conta básica, já as preparando para o dia da transição.
Finalmente, no dia 29 de junho de 1994, uma quarta-feira, a taxa de câmbio encerrou o dia com o dólar valendo CR$2.750,00. Portanto, no dia 30 de junho, quinta-feira, todos os valores em Cruzeiro Real deveriam ser divididos por 2.750 para se obter os valores em Real. Todas as contas bancárias, todas as aplicações e investimentos foram automaticamente convertidos em Real. CR$2.750 foi, portanto, a paridade estabelecida entre o Cruzeiro Real e o Real. Morria o Cruzeiro Real e, na sexta-feira, dia 1º de julho, nascia o Real, valendo exatamente 1 dólar (pelo menos naquela sexta-feira). Toda a base monetária foi trocada de acordo com esta paridade de CR$2.750,00 para cada R$1,00. Quem estivesse em posse de cédulas de Cruzeiro Real deveria trocá-las nos bancos por cédulas e moedas de Real.
Em junho de 1994, a inflação de preços foi de 47,43% e a inflação acumulada em 12 meses foi de 4.922%.
Alguns gráficos
A seguir, veja o gráfico da variação da base monetária desde 1º de agosto de 1993, quando surgiu o Cruzeiro Real, até 30 de junho de 1994, quando ele morreu. Em menos de um ano de existência, ela aumentou 3.100%.
Gráfico 3: evolução da base monetária do Cruzeiro Real, de agosto de 1993 a junho de 1994
Este aumento foi majoritariamente para a compra de dólares para se acumular reservas internacionais. Veja abaixo a cotação diária do dólar para este mesmo período. Como era de se imaginar, observe a incrível desvalorização ocorrida no período, decorrente desta enorme impressão de dinheiro.
Gráfico 4: taxa de câmbio do Cruzeiro Real, de 1º agosto de 1993 a 29 de junho de 1994.
Agora, o gráfico da variação das reservas internacionais desde janeiro de 1980. Observe que elas começaram a crescer em definitivo a partir do final de 1991, sob a gestão de Marcílio Marques Moreira no Ministério da Fazenda, indicando que já havia um plano esboçado desde aquela data.
Gráfico 5: evolução das reservas internacionais, janeiro de 1980 a junho de 1994
E o gráfico da taxa de inflação acumulada em 12 meses desde 1987. A queda acentuada se deveu ao Plano Collor, que envolveu sequestro de poupança e congelamento de preços e salários. Porém, tão logo os ativos confiscados foram sendo desbloqueados, os preços voltaram a disparar.
Gráfico 6: IPCA acumulado em 12 meses, de janeiro de 1987 a junho de 1994
Transição sem susto
A transição do Cruzeiro Real para o Real, na sexta-feira, 1º de julho de 1994, foi sem susto e sem tumultos. Obviamente, em um país acostumado a confiscos, congelamentos e tabelamentos, houve quem remarcasse os preços de maneira mais “abusada”, justamente tentando se precaver contra estas possíveis surpresas, algo que obviamente irritou o governo. Porém, fora estes incidentes localizados, a transição se deu de maneira suave e tranquila. A inflação de preços, que havia sido de 47,43% em junho, passou para 6,84% em julho, 1,86% em agosto, 1,53% em setembro, 2,62% em outubro, 2,81% em novembro e 1,71% em dezembro.
Câmbio fixo?
Um dos maiores mitos que persistem até hoje é aquele que afirma que o Plano Real baseou-se um uma “âncora cambial” ou em um “câmbio fixo”. Isso é falso. O câmbio nunca foi fixo, sequer por um dia. Já no primeiro dia útil após a transição — segunda-feira, 4 de julho de 1994 — a taxa de câmbio passou a flutuar. A partir daí, seu valor foi sendo determinado ora pelo mercado ora pela pura intervenção do Banco Central. O BACEN se limitava a, diariamente, estabelecer um piso e um teto para a taxa de câmbio — algo tecnicamente chamado de ‘banda cambial’ –, mas estes valores aumentavam diariamente (ver gráfico 7). E assim permaneceu até o “fim” daquilo que se convencionou chamar de “primeira fase” do Plano Real, no dia 13 de janeiro de 1999.
Obviamente, houve períodos de intervenção intensa, principalmente no segundo semestre de 1998 e no início de 1999, quando o BACEN se esforçou — leia-se ‘vendeu reservas internacionais’ — para tentar manter um determinado valor para o câmbio (detalhes mais abaixo). Mas câmbio genuinamente fixo nunca houve. A seguir, um gráfico com as cotações diárias do câmbio, de 1º de julho de 1994 a 12 de janeiro de 1999.
Gráfico 7: taxa de câmbio diária, de 1º de julho de 1994 a 12 de janeiro de 1999
Por que o Real foi aceito
Adeptos da teoria austríaca sabem que uma moeda só é imediatamente aceita após o seu surgimento caso ela já possua um histórico como meio de troca. Se você criar uma moeda de papel hoje, do nada, é muito provável que ninguém irá aceitá-la. Da mesma forma, um país que troque o seu sistema monetário, introduzindo uma nova moeda, pode até ser capaz de fazer — por meio da força, da coerção e das leis de curso forçado — com que seus cidadãos a utilizem; porém, dificilmente conseguirá fazer com que investidores estrangeiros confiem nesta moeda. Tampouco os governos de outros países.
Por isso, caso o Brasil simplesmente trocasse o nome da sua moeda, é bastante provável que ela não fosse levada a sério pela comunidade internacional — principalmente levando-se em conta nosso histórico nada favorável de libertinagem monetária. Logo, apenas a criação de uma nova moeda não seria capaz de fazer com que, logo em seus primeiros meses, ela se apreciasse como o Real se apreciou, indo de uma taxa de câmbio de R$1/US$ para R$0,84/US$. Portanto, qual foi o segredo?
O segredo é aquilo que pode ser chamado de “qualidade da moeda”. A qualidade da moeda é determinada ou pelos ativos que a lastreiam ou pelos ativos pelos quais ela pode ser trocada sob demanda e sem restrição. No caso do Real, o segredo estava justamente no tamanho das reservas internacionais em dólares.
Ao final de julho de 1994, a quantidade de reais em poder do público e em contas-correntes (ou seja, o M1) era de R$10,687 bilhões. Já a quantidade de reservas internacionais era de US$43,09 bilhões.
Isso significa que mesmo se todos os reais em circulação na economia brasileira fossem convertidos em dólares, ainda sobrariam (muitos) dólares. Em outras palavras, na eventualidade de uma crise econômica mundial que assustasse os investidores estrangeiros e os levasse a retirar todos os seus investimentos do Brasil, eles não teriam por que se preocupar em não conseguir converter reais em dólares. Havia dólares sobrando. Foi justamente esta “qualidade do Real” — o fato de estar lastreado abundantemente em dólares — que garantiu a confiança dos investidores, levando à sua imediata apreciação logo após o seu surgimento.
E foi exatamente neste lastro em dólares que o Real manteve boa parte da sua credibilidade desde seu lançamento. Enquanto as reservas internacionais fossem maiores que o M1, os investidores estrangeiros estariam seguros de que não haveria perigo de não conseguirem converter reais em dólares. Mais ainda, eles estariam seguros de que o governo não recorreria — como já fizera várias vezes no passado — às maxidesvalorizarções cambiais para evitar que uma repentina fuga de dólares gerasse um total esgotamento das reservas internacionais.
As reservas em dólares foram toda a base do Plano Real. Daí a importância das compras de dólares iniciadas ainda no final de 1991.
Porém, manter estas reservas internacionais não era fácil, principalmente levando-se em conta que a balança comercial e de serviços (tecnicamente chamada de ‘Transações Correntes’) tornou-se negativa a partir de outubro de 1994 (e assim permaneceu até o fim da “primeira fase” do Plano Real). Dado que havia esta saída de dólares por meio deste déficit nas transações correntes, o país tinha de manter juros elevados para atrair capital externo (via investimentos em títulos do governo, no mercado financeiro e em investimentos diretos; em terminologia contábil, diz-se que esses dólares estão entrando na conta capital e financeira) para mais do que compensar esta saída de dólares.
E esta foi justamente a “mácula” da primeira fase do Plano Real: a necessidade de manter juros altos para atrair dólares e, com isso, manter a confiança da comunidade internacional no Plano. Não bastasse isso, o governo ainda apresentava um déficit orçamentário de aproximadamente 7% do PIB (não havia sequer superávit primário). Tamanha necessidade de financiamento contribuía ainda mais para a elevação dos juros.
Eis um gráfico das taxas de juros determinadas pelo Banco Central para garantir este influxo contínuo de dólares via conta capital.
Gráfico 8: taxa de juros do determinada pelo Banco Central, de 1º julho de 1994 a 31 de dezembro de 1998
Observe a disparada dos juros em outubro de 1997, em decorrência da crise asiática, que gerou uma fuga de capitais ao redor do mundo, e em meados de 1998, quando a primeira fase do Plano Real começou a desabar, pelos motivos que serão vistos logo abaixo.
A boa fase
Como explicado acima, a genuína âncora do Plano Real e da sua estabilidade era o volume de suas reservas internacionais. Enquanto o volume de dólares fosse maior do que o M1, toda e qualquer conversão de reais em dólares estava garantida, o que trazia tranquilidade aos investidores, que assim não precisavam se preocupar com desvalorizações cambiais repentinas para impedir o esgotamento das reservas internacionais.
Enquanto esta estabilidade fosse garantida, o real desfrutaria do status de moeda forte e segura. Justamente para garantir que o volume de reservas internacionais fosse maior que o M1, a expansão monetária era contida. Isso trouxe uma substancial redução na inflação de preços, que caiu de 916% em 1994 para 1,65% em 1998 (o menor valor em toda a história do real). Eis o gráfico da inflação de preços acumulada em 12 meses (a partir de julho de 1995, exatamente um ano após a introdução do real):
Gráfico 9: IPCA acumulado em 12 meses, de julho de 1995 a dezembro de 1998
Para ajudar neste controle da inflação de preços, a economia passou por um processo de modernização. Além da privatização de empresas estatais ineficientes, houve também a extremamente importante privatização de bancos estaduais, genuínas usinas de expansão monetária, pois eram utilizados por seus respectivos governos como fonte fácil e farta de financiamento. Estes bancos operavam praticamente sem lei e sob ordens de seus governos estaduais, criando meios de pagamento a rodo apenas para financiar seus descalabros. Os desvalidos de todo o resto do país pagavam a conta
Os melhores exemplos eram o Banespa e o BANERJ. A dupla Quércia-Brizola punha fogo nessas instituições, fazendo-as conceder empréstimos para apaniguados políticos, para estatais deficitárias e, principalmente, para seus vorazes governos estaduais, ao mesmo tempo em que esses próprios bancos incorriam em déficits vultosos. E quem socorria esses bancos era o Banco Central, que injetava dinheiro neles sempre que necessário, aumentando tanto a base monetária quanto o M1. Não à toa, a inflação só passou a ser menor após esses bancos terem sido tirados da órbita de seus governos estaduais.
Mas a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco Meridional, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste, o os bancos estaduais de Santa Catarina, Ceará, Goiás, Pará, Alagoas, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Acre e Maranhão não ficavam atrás. Todos aprontavam e recebiam vultosas injeções do Banco Central. Os bancos estaduais não tinham de prestar contas a ninguém. Sua gerência política fazia a farra com os recursos, o Banco Central imprimia o dinheiro para cobrir a farra e o resto da população sofria as consequências da libertinagem.
Toda esta depravação, felizmente, foi interrompida durante a segunda metade da década de 1990. Sem esta medida, dificilmente a inflação de preços cairia para menos de um dígito.
Por que o Plano Real acabou
As coisas vinham aparentemente bem até o segundo semestre de 1998, quando começaram a degringolar. E no dia 13 de janeiro de 1999, o Plano Real, ao menos como havia sido originalmente concebido, acabou.
Por quê?
O gráfico a seguir mostra a variação das reservas internacionais e a variação do M1, de julho de 1994 a janeiro de 1999.
Gráfico 10: reservas internacionais (linha azul, eixo da direita) vs. M1 (linha vermelha, eixo da esquerda)
Observe que, enquanto as reservas internacionais (linha azul) se mantiveram acima do M1 (linha vermelha), a situação se manteve relativamente tranquila.
Já no segundo semestre de 1997, as reservas caíram US$10 bilhões (de US$62,5 para US$52,5 bilhões) em decorrência da crise asiática. Consequentemente, o Banco Central deu uma pancada nos juros, elevando-os de 18,75% para 46%, como mostrado no gráfico 8. Isso não apenas estancou a fuga de capitais, como ainda foi eficaz em atrair um volume ainda maior de capital estrangeiro. Em abril de 1998, o país atingiria um volume até então recorde de reservas internacionais: US$74,656 bilhões, com um M1 na casa dos R$ 42 bilhões. O câmbio, como mostra o gráfico 7, estava por volta de R$ 1,13. Ou seja, mesmo se todo o M1 fosse convertido em dólares, ainda sobraria uma enormidade de reservas internacionais. Logo, o cenário parecia tranquilo.
Até que no dia 17 de agosto de 1998, a coisa voltou a degringolar. A Rússia entrou em crise financeira, e o governo russo anunciou uma forte desvalorização do rublo seguida de uma moratória. Adicionalmente, a retomada dos confrontos na Chechênia e o início de uma nova guerra entre os separatistas e o governo russo pioraram ainda mais o humor dos investidores estrangeiros, que ainda estavam abalados pela crise asiática. Houve uma maciça fuga para o dólar.
Em julho, as reservas internacionais do Brasil estavam em US$70,2 bilhões. Em novembro, elas já haviam despencado para US$41,2 bilhões. E no início de janeiro de 1999, continuaram caindo para US$36 bilhões. Simultaneamente, o M1 havia crescido de R$42 bilhões para R$49 bilhões.
Por que as reservas internacionais despencaram assim tão maciçamente? Porque o Banco Central queria impedir de qualquer maneira a inevitável apreciação do dólar, ainda que ela fosse apenas momentânea. A explicação é a seguinte:
A crise asiática no segundo semestre de 1997 havia gerado fortes desvalorizações no baht tailandês, no novo dólar taiwanês, na rúpia indonésia, no ringgit malaio, no won sul-coreano, no peso filipino e no dólar cingapuriano. O dólar de Hong Kong, que opera sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta.
Com a crise russa, um ano depois, Hong Kong voltou a ser atacada por especuladores. As autoridades monetárias do país venderam, em duas semanas, US$15 bilhões de suas reservas de US$96,5 bilhões. A âncora cambial se manteve. Com isso, o Brasil se tornou a bola da vez. Especuladores e investidores desconfiavam que o Banco Central não fosse capaz de manter sua política de venda de dólares a fim de manter o câmbio relativamente inalterado (na Ásia, apenas Hong Kong havia obtido sucesso). O crescente endividamento do governo prenunciava calotes. Temerosos quanto a este calote e quanto a uma iminente desvalorização do real, investidores estrangeiros começaram a tirar seus dólares do Brasil. Paralelamente, os especuladores também atacaram.
Durante todo este período de grande demanda por dólares, houve obviamente uma forte tendência de valorização da moeda americana, algo que, deixada à lei da oferta e da demanda, poderia mandar o câmbio para valores “indesejados” pelo governo. Ato contínuo, para evitar esta desvalorização do real, o Banco Central vendeu maciçamente os dólares de suas reservas internacionais, justamente para impedir essa valorização da moeda americana. US$34 bilhões foram queimados apenas para evitar que o câmbio se alterasse mais acentuadamente (algo nada bom às vésperas de uma eleição presidencial). Daí a redução de US$70,2 bilhões para US$36 bilhões de dólares nas reservas internacionais em menos de seis meses. E o gráfico 7 mostra que o Banco Central obteve êxito: até o final de 1998, a trajetória de valorização do dólar se manteve exatamente dentro da tendência histórica.
Porém, tal política obviamente era insustentável. Chegaria um momento em que as reservas internacionais estariam em um ponto crítico. Se a tendência se mantivesse, elas poderiam ser totalmente aniquiladas. Por outro lado, caso o BACEN nada tivesse feito, o dólar realmente se valorizaria acentuadamente. De novo, em época eleição presidencial, isto não seria tolerável.
Até que, no dia 13 de janeiro de 1999, com as reservas na metade de onde estavam em abril de 1998, o Banco Central simplesmente desistiu de vender dólares para segurar o câmbio. Simplesmente deixou que ele flutuasse.
Veja o completo histórico cambial do real.
Gráfico 11: taxa de câmbio diária, de 1º de julho de 1994 a 29 de junho de 2012
A segunda fase do real
O Plano Real original, portanto, acabou no dia 13 de janeiro de 1999. Dali em diante, foi adotado o famoso tripé macroeconômico que conhecemos: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário. Nenhum destes conceitos existia no Plano Real.
Ao menos em termos de inflação de preços, é muito difícil dizer que o atual arranjo, no qual o Banco Central tem total liberdade para imprimir dinheiro, seja superior ao arranjo anterior, no qual, embora também houvesse liberdade para se imprimir dinheiro, o BACEN ao menos tinha de se preocupar com as reservas internacionais e com a taxa de câmbio.
Veja a evolução da inflação de preços acumulada em 12 meses. Ao passo que havia uma nítida tendência de queda durante a primeira fase do real, a coisa desandou bastante na segunda fase.
Gráfico 12: IPCA acumulado em 12 meses, de janeiro de 1996 a maio de 2012
Durante o Plano Real, a menor taxa de inflação de preços obtida foi de 1,65%. Na segunda fase do real, foi de 3%.
Adicionalmente, o atual arranjo monetário é mais propício à formação de bolhas e ciclos econômicos, justamente pela maior liberdade do Banco Central em imprimir dinheiro e por ele poder manipular os juros sem, ao menos em teoria, ter de levar em conta qual será o efeito na taxa de câmbio.
O que poderia ter sido feito
O processo de transição para o real, com a implementação da URV, foi muito bem feito. Somente o fato de não ter havido congelamentos, confiscos e tabelamentos já torna o Plano Real merecedor de grandes elogios.
No entanto, o inevitável desejo de se criar uma nova moeda própria subtrai muito do brilhantismo do plano. Se, no dia 30 de junho de 1994, todas as cédulas de Cruzeiro Real, bem como todos os depósitos em conta-corrente, fossem simplesmente convertidos em dólar (e havia dólares de sobra para isso, como ilustrado no gráfico 10), de modo que a moeda americana se tornasse a moeda corrente do Brasil, a situação teria sido bastante diferente.
Para começar, não teria havido maiores confusões na precificação de bens, serviços e salários, pois os próprios valores destes nos EUA já nos serviriam de base. Adicionalmente, não haveria motivos para reclamações sobre taxas de câmbio sobrevalorizadas. Indústrias que quisessem exportar mais teriam apenas de reduzir seus preços. Não haveria alternativas artificiais. Não haveria como o governo selecionar vencedores e perdedores. Não haveria como o setor exportador fazer lobby para manipulações na taxa de câmbio.
Do ponto de vista da inflação de preços, também certamente estaríamos, até hoje, em melhor situação. A oferta monetária no Brasil — isto é, a oferta de dólares — iria variar de acordo com a demanda dos brasileiros por moeda. Não haveria uma política monetária doméstica: a oferta de dólares iria variar automaticamente de acordo com as variações no balanço de pagamentos (transações correntes mais conta capital e financeira). Se houvesse um aumento na demanda por dólares, isto faria com que empresas e famílias gastassem menos, o que reduziria a demanda por bens e serviços não monetários. Seus preços inevitavelmente cairiam, o que tornariam suas exportações mais atraentes no mercado internacional. Este aumento nas exportações geraria um superávit no balanço de pagamentos, trazendo mais dólares para o Brasil. Este aumento na oferta monetária faria com que os preços voltassem a subir, restaurando o equilíbrio inicial no balanço de pagamentos. E se houvesse uma redução na demanda por dólares, de modo que os brasileiros aumentassem seus gastos, os preços subiriam, as importações ficariam mais atraentes, dólares seriam enviados para fora, isto aumentaria a demanda por dólares e reduziria os gastos dos brasileiros, os preços voltariam a cair e o equilíbrio de antes seria restaurado. É justamente assim que uma economia funciona também sob um padrão-ouro.
Adicionalmente, houvéssemos nós adotado o dólar, que é a moeda internacional de troca, certamente teríamos atraído muito mais investimentos estrangeiros, os quais não precisariam se preocupar com desvalorizações cambiais. Consequentemente, os investidores não teriam de planejar fugas repentinas. Ataques especulativos como os de 1997 e 1998 não teriam ocorrido.
Outro fator importante é a taxa de juros: operando diretamente com dólares — e não com uma moeda dependente do dólar –, não haveria necessidade de se elevar artificialmente os juros apenas para se manter uma elevada reserva de dólares. Sem estes juros artificialmente elevados — que restringem os investimentos –, a economia poderia ter se desenvolvido muito mais.
Os gastos do governo também seriam bem mais contidos. Sem o poder de imprimir dinheiro para financiar seus gastos, o governo brasileiro só poderia se financiar via impostos e via empréstimos. O primeiro método é impopular, e possui um limite natural de crescimento. E caso recorresse majoritariamente ao segundo método, os juros se tornariam inviáveis, pois o governo simplesmente não teria como ficar pegando empréstimos ad eternum da população. Tal esquema de endividamento contínuo só funciona bem quando o governo detém a impressora de dinheiro, pois assim ele pode imprimir dinheiro não apenas para pagar parte do serviço de sua dívida, como também para manipular os juros da sua própria dívida. Sem essa impressora, o governo é forçado a se manter estritamente dentro de um orçamento. Com gastos governamentais contidos, a expansão do estado é restringida. A liberdade da população aumenta.
Sim, hoje sabemos que o dólar não mais é o que era na década de 1990. Porém, naquela época, só havia esta opção. Ademais, a adoção do dólar não implicaria a obrigatoriedade do seu uso; moedas paralelas deveriam também ser liberadas, sejam elas estatais (como euro, iene, franco suíço, iuane) ou privadas (que poderiam ser emitidas tendo como lastro metais preciosos, por exemplo). A conversão para outra moeda qualquer (tanto de outros países quanto privada) ou para um padrão-ouro seria muito mais fácil neste ambiente. O exemplo do Panamá, que utiliza o dólar como moeda corrente, que não possui Banco Central, e que por isso é o único país da América Latina que nunca passou por uma crise financeira, é uma boa mostra prática desta teoria.
Portanto, a criação do real, embora bem executada, foi uma pirotecnia desnecessária. No final, foi apenas um estratagema que permitiu ao estado manter — agora sem o descontentamento popular gerado pela hiperinflação — sua principal fonte de financiamento, aquela instituição que garante a ininterrupta expansão do seu tamanho e do seu poder: o Banco Central.
Perdemos, em 1994, uma ótima chance de termos nos tornado muito mais livres.
Eu queria perguntar sobre uma coisa diferente: A apropriação original, esse negócio de ‘misturar com trabalho’, não teve ninguém que se dedicasse a explicar detalhadamente o que é isso? Pq eu acho meio vago, por ex, n sei se vcs ouviram a notícia de que tem uns caras que vão mandar robôs e foguetes pra fazer mineração em asteróides.
Então, quem é o dono de um asteróide cheio de ouro?
Pq o cara pode até mandar seus robôs, mas não foi ele que descobriu o asteroide, nem que tava cheio de ouro, foram os astrônomos.Se esses astrônomos quisessem falar que são os donos do asteróide, eles poderiam?
Então pelo mesmo princípio alguém pode se dizer dono de planetas e estrelas a n sei quantos anos luz daqui?
Leandro, cá uma dúvida.
A Argentina realmente dolarizou a sua economia? Ao que parece isso não foi lá muito saudável para a economia hermana, ou isso é mais uma falácia da mídia?
Quais são efetivamente os prós e os contras de uma economia dolarizada?
Abraços
Parabéns Leandro !
Ótimo artigo.
Quando a maioria dos fatos narrados neste artigo ocorreram, eu não tinha idade suficiente para entender o que estava acontecendo. O Leandro consegue escrever um texto fácil e agradável de ler, sem que isso afete a profundidade e o conteúdo do mesmo sobre o tema tratado. Brilhante.\r
\r
A segunda fase do Plano Real favorece a formação de bolhas e ciclos econômicos. Veremos se a combinação entre o estouro da bolha e a crise internacional irá gerar uma terceira fase.
Parabéns, seus Artigos estão cada vez melhores! Não pensa em escrever um Livro Leandro?
Josiberto, de leve. Por enquanto, vamos poupar o mundo deste tormento. Grande abraço e obrigado.
Leandro e pessoal do IMB,
já pensaram em fazer um livro sobre a história do Brasil segundo a EA?
Ótimo trabalho e artigo.
Leandro,
Li agora de manhã uma notícia falando que a base monetária na eurozona subiu 3,2%.
Em seguida, outra notícia dizendo que a inflação na eurozona desacelerava para 2,7%.
Isso está correto? Como se da esse fenômeno?
Amplexos!
Leandro, esse é um dos capítulos do livro que eu te encomendei de história monetária do Brasil? 🙂
Já te falei isso, rapaz: você tem de escrever um livro austríaco de história econômica do Brasil. Você já está escrevendo melhor e mais profundamente que todos os outros economistas brasileiros.
Se quiser, a gente organiza uma vaquinha para financiar o trabalho…
Grande abraço!
Excelente artigo.
Parabéns
Caro Leandro,
No contexto da primeira fase do plano real, o processo de dolarização da economia, ao menos inicialmente, não geraria desindustrialização do país? Digo isso pois além das taxas de câmbio estarem favoráveis a importação, os juros elevados asfixiam o investimento nas empresas nacionais. Como resolver esse problema?
PS: O caso da Argentina, do 1:1, também não asfixiou a industria nacional?
A hiperinflação contrai a estrutura de produção da economia, o que a deixa menos produtiva.
O que significa contrair a estrutura de produção da economia e porque a hiperinflação faz isso?
Ótimo artigo Leandro!
Será que você teria um gráfico comparando a oferta de real desde essa “segunda etapa” até hoje, juntamente com a oferta de dólares ?
Pra ver em quanto cresceu/diminuiu a oferta de reais em relação ao dólar, em especial de 2008 pra cá.
flw
Quanto é hoje o M1 do Brasil?
Que beleza de artigo. Parabéns! É tão bom saber que há pessoas lúcidas nesse país, um sopro de esperança pela liberdade.
Parabéns Leandro. Abrace a ideia do livro.
Leandro,
Que aula fantástica!
Sou adepto de meus colegas acima. Precisamos de economistas assim, como você, em nossas escolas para ensinar de fato a verdadeira economia. Isto começará com um grande livro.
Eu temo, com o modelo de formação atual, nosso desastre econômico devido às defesas categóricas na academia de estruturas keynesianas em curto prazo compartilhada com o modelo de desenvolvimento baseado em teses ideológicas de partidos políticos.
Eu acredito que o modelo keynesiano sempre imperará porque nosso modelo político acaba se tornando imediatista, fazendo com que as políticas públicas não tenham densidade e sejam feitas apenas dos galhos e não da raiz. Por exemplo: cada novo governante prometerá elevar o programa bolsa família para marcar o nome na história e ser lembrado que quatro anos foram poucos para criarem "políticas" de desenvolvimento sócio-econômico.
Acho que é um tema interessante para você dissertar. Como o sonho de Keynes acontece no Brasil, em modelos de curto prazo estruturados pela estrutura político-partidária tupiniquim.
Grande abraço!
Sérgio Ricardo
Um dos melhores artigos do site! Parabéns!
Engraçado como antes o governo lutava por um real valorizado, ou é o contrário. Como que antes não havia preocupação com a exportação como há hoje?
Abraço!
Muito bom!
estava procurando material sobre o assunto essa semana mesmo.
Muito Obrigado
Que tal escrever ou publicar um texto sobre o 1° de Maio?
Eu acho que devíamos financiar o Leandro para ele fazer um livro sobre a história econômica do Brasil.
Parabéns Leandro.
Alguém viu o pronunciamento da Dilma hoje? Ela xingando os bancos privados, chamando-os de perversos, por manterem as taxas de juros altas, quanta hipocrisia…
Excelente artigo, um dos melhores do site.
Mas, o que é exatamente um ataque especulativo? Como ele acontece?
Abraço!
Leandro, tenho uma pergunta besta: no processo de aquisição de dólares, o governo se endividou mais?
Em tempo: esse texto já é um clássico do site.
Sobre o Fim do Plano Real, Dolarização possível e o exemplo do Panamá:
O que é o Panamá se não uma invenção dos EUA? Qual o PIB? Qual a densidade demográfica, Qual a diversificação de sua economia?
Não serve de exemplo. O Equador, que se gaba de de ser “bolivariano” sempre sofre com os refluxos do FED.
Bacana o artigo Leandro!
Você não acha que a dolarização e a manutenção do câmbio próximo a 1:1 não gerou algo semelhante a reversão do boom explicada pela TACE?
O governo brasileiro jogava os juros na lua artificialmente para atrair capital e obter reservas em dólar. Com o câmbio valorizado um nível de consumo insustentável era mantido ao mesmo tempo em que os estágios mais afastados do consumo eram trucidados pelo efeito dos juros altos. A estrutura temporal da produção fica desnecessariamente encurtada e focada no setor de serviços. Eu tentei elaborar isso em um dos anexos da minha monografia que vocês gentilmente publicaram no site.
Como você mesmo disse, em 1994 o país perdeu a grande chance de se libertar das amarras do estado e do controle estatal sobre a moeda. O caminho natural naquele momento provavelmente seria a dolarização e um sistema de moedas concorrenciais, e o mercado deveria ter sido deixado operar.
No mais, a teoria monetária Austríaca e o teorema da regressão de Mises foram ilustrados perfeitamente na economia brasileira: não há como criar um sistema monetário do nada e o novo sistema de preços que permite o cálculo econômico precisa ser atrelado a um já existente (no caso ao sistema em dólar).
Repito o coro: Leandro Roque deveria escrever “Uma História Monetária da Economia Brasileira”.
Prezado Leandro, uma pergunta para você.
Na déc. 1990 o estado de Minas Gerais, sob governo de Itamar Franco, decretou uma moratória. Se me recordo bem (eu era ainda verde na época) motivação foi tentar desmoralizar FHC. Mas o efeito foi ser o gatilho de uma destas crises que se deu entre 1997-99 (1997 – falência da Coréia do Sul; 1998 – moratória da Rússia; 1999 – crack da NASDAQ). Estou certo, ou me recordando mal? A moratória de Minas foi o 1º dominó de algum destes colapsos? Ela foi o 1º não-pagamento que engatilhou uma sequëncia de calotes?
Não entendo qual a vantagem de dolarizar a economia de um país (que não seja os EUA).
É para que o governo não tenha um banco central que possa imprimir dinhero e gerar inflação? Mas o país de origem do dolar – os EUA – tem um banco central, que pode a qualquer momento começar a imprimir dinheiro e gerar inflação.
Então se continua existindo um banco central capaz de imprimir dinheiro, não é melhor que este banco seja nacional e esteja envolvido com os interesses do nosso país ao invés de outro?
São Paulo, 2 de maio de 2012 – A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, agradeceu hoje os passos tomados por alguns países-membros para autorizar a instituição a utilizar seus lucros com a venda de ouro na concessão de empréstimos para países de baixa renda. De acordo com um plano anunciado em 2009, o FMI distribuirá parte de suas reservas de US$ 1,1 bilhão em ganhos com a venda de ouro entre 2009 e 2010. “Muitos de nossos membros de baixa renda enfrentaram a recente crise muito melhor que no passado, graças aos seus impressionantes esforços para fortalecer as economias e o combate à pobreza. Mesmo assim, em um tempo em que suas resistências e seus duros ganhos podem ser testados novamente pela volatilidade global, o aumento dos empréstimos de juros baixos será crucial para ajudar muitos deles a absorver outros choques e continuar com seus esforços para aprofundar e tornar o crescimento econômico mais sustentável”, disse Lagarde.
Comentários?
Aproveitando, existe alguma forma de calcular um “preço justo” para o ouro?
Amplexos!
Excelente texto, Leandro! Sólido, esclarecedor e acessível ao público leigo (como, aliás, costumam ser os textos dos seguidores da Escola Austríaca)!
Agora uma dúvida que me surgiu: a adoção de uma moeda estrangeira, no caso o dólar, realmente conteria, por si só, a expansão dos gastos do Estado? Na Grécia, quando o Euro foi adotado, o Estado simplesmente não continuou gastando até levar a economia ao colapso? (Só esclarecendo, não estou comparando o Euro com o dólar). No fim das contas, o melhor lastro não é sempre o ouro?
Grande abraço e parabéns pelo artigo!
Leandro, apenas complementando a pergunta anterior: uma dolarização da economia, embora saudável sob o ponto de vista de retirar do Estado o poder de fazer “política monetária”, não nos tornaria, por outro lado, reféns do intervencionismo de um outro banco central, no caso, o americano?
Abração!
Parabéns pelo texto!
Mas só um comentário…
Dolarizar? Padrão ouro neles!
Ouro = liberdade
Dólar = servidão (pra que servir a dois, não basta Brasília?)
Leandro, mais uma vez, muito bom.
Mas eu quero perguntar mais uma coisa: como funcionam as tais “Reservas Internacionais”? Onde elas ficam? É dolar de papel mesmo que fica armazenado no Banco Central? Como elas aumentam e como diminuem? Enfim, porque são tão importantes?
Ah, outra coisa, se ainda não está preparando, é uma boa oportunidade de vc escrever um artigo explicando as notícias da última semana na economia brasileira, que é a mudança na regra da poupança e a queda dos juros nos bancos públicos, que porque isso é ruim (porque eu sei que é ruim, já que esse povo não faz nada certo, hehehe).
Leandro.
Mesmo com o esse colchão que é a reserva de dólares, durante o governo FHC foram feitos 3 empréstimos junto ao FMI(que sempre foram motivo de discussões e acusações entre partidos), qual foi a importância desses empréstimos? Para que foram usados? E como ele foi feito(dinheiro vivo, títulos)?
Realmente tenho que concordar com os colegas visitantes do site. É mais do que bem vindo um livro sobre a história econômica brasileira aos olhos do liberalismo austríaco. Não somente escrito pelo Leandro mas por outros articulistas daqui tb. Seria uma verdadeira quebra do paradigma nacional-desenvolvimentista que impera nestas terras. Um projeto desse tipo com certeza terá meu apoio.
Tem como alguém do Mises.org colocar legenda nesse video?
Parece ser muito bom
http://www.youtube.com/watch?v=pSgAQ6Rmprc
Acho que o Instituto poderia começar a traduzir outros videos, para tornar a EA mais visivel pro povo brasileiro.
Sensacional esse artigo. Parabéns. Sempre procurei alguma reportagem ou livro que explicasse sobre o Plano Real de forma clara para leigos como eu e sem posição partidária.
Muito obrigado pelo seu texto, contribuiu muito para mim nos meus estudos econômicos.
Bom dia Leandro!
“Ao final de julho de 1994, a quantidade de reais em poder do público e em contas-correntes (ou seja, o M1) era de R$10,687 bilhões. Já a quantidade de reservas internacionais era de US$43,09 bilhões.”
Se isto era uma condição positiva para o Real pergunto:
Hoje, a relação entre o M1 e as reservas internacionais estão proximos daquele ano?
Se não estão o que dá credibilidade ao governo?
abs
Texto interessante, porém ao criticar a não dolarização em 1994 o autor parece se esquecer que o Dolar também vem de um banco central, e este banco tambem “imprime dinheiro” pra pagar a dívida publica. Iriamos trocar um BACEN por um FED; parar de financiar a divida brasileira com inflação, e passar a financiar a divida americana. Sim, a inflação seria solucionada, por hora, mas isso acarretaria outros problemas. Não estou simplesmente falando que o plano real foi melhor, mas apontando que a dolarização não é mil maravilhas também. A verdade é que com o conjunto Banco central – moeda única – curso forçado – Deficit publico, há poucas opções. A única solução verdadeira é a eliminação do deficit público.
Artigo bastante explicatvo, de forma suscinta mostra como foi debelada a famigerada inflação.Parabens ao autor do esclarecedor artigo.
Excelente artigo, porém vendo a atual situação na europa me surgiu a seguinte dúvida.
Se passassemos a utilizar o dolar como nossa moeda, não estariamos enfrentando problemas semelhantes ao que a grécia tem enfrentado ao usar a mesma moeda de um país tão mais competivo como a alemnha.
Caro Leandro e demais do mises, vocês poderiam tentar uma entrevista (ou um debate) saudável com o Gustavo Franco, sobre esse assunto. Seria muito legal um bate papo com ele sobre o real. Sem dúvida, se não foi o ideal, o real foi um avanço e tanto.
Qual opinião ele tinha? O real foi exatamente como ele queria ou ele cedeu em algum ponto? Funcionou pior, melhor ou exatamente como ele imaginava? FHC deu algum palpite ou não sabia nada mesmo de economia? Qual opinião dele sobre a opção de dolarizar a economia? Ele decidiu que não era uma boa ou isso não era negociável? Como era o cenário internacional de fluxo de capitais na época, na visão dele?
Leandro, não sei se você já leu, mas o senhor Guido Mantega deu uma opinião a respeito logo após a criação do Plano Real.
Acho que nada mais justo do que ver a opinião do nobre ministro sobre as “ilusões” que seria o real…
veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-pais-quer-saber/as-fantasias-do-real-por-guido-mantega/
Como a venda da moeda faz com que a moeda nacional fique valorizada?
Ela diminui de valor porque há maior oferta no mercado mundial depois da venda? A venda de dolares freia a valorização do dolar em relação a todos os países porque aumenta a oferta enquanto a demanda fica constante?
Mais: Se fosse abolido no Brasil o sistema de curso forçado, não haveria uma proliferação enorme de moedas? E isso não seria prejudicial para a economia por dificultar a troca no dia a dia?
Reservas internacionais de mais de 43Bilhões,dinheiro especulatório,é reserva?Se tinha tudo isto,qual o porquê de doarem a Vale do Rio Doce,por míseros 3Bilhões,quando uma empresa é e deve ser vendida,não somente pelo seu preço,mas pelo que ela pode dar de lucro? Por que o FMI,”mandava”tanto aqui,e hoje(2012),não acontece,será que é porque hoje temos reservas REAIS,e não Internacionais? Gostaria de saber estas respostas,obrigado.
Muito bom o artigo, mas só queria saber a fonte dos gráficos.
Preciso fazer um trabalho exatamente sobre plano real e gostaria de sugestões de onde procurar coisas como nível de inflação, base monetária, taxa de juros e etc.
Excelente artigo, Leandro!! Vai me ajudar bastante nos meus estudos de economia brasileira!! Muito obrigado!
Já tem tempo o artigo, estou meio atrasado, eu sei rsrsrs Mas fiquei com uma dúvida conceitual (não sou economista), mas tenho muito interesse e tenho estudado bastante para, em breve, fazer o exame da ANPEC… Pode explicar melhor o trecho abaixo do artigo!?
“Mais ainda, eles estariam seguros de que o governo não recorreria — como já fizera várias vezes no passado — às maxidesvalorizações cambiais para evitar que uma repentina fuga de dólares gerasse um total esgotamento das reservas internacionais.”
De que forma os estrangeiros teriam medo de uma desvalorização!? Seriam apenas os que injetaram “capital produtivo”!? Seria isso!? Fiquei meio confuso nessa parte…
Obrigado desde já e parabéns mais uma vez!!
Se com apenas 13 para 15 anos, teria direito de receber parte de herança, quando venderam a casa da minha avó-paterna, entre 1988 para 1990, já que o meu pai já era falecido, quanto de juro teria de cobrar 23 anos depois. Se a casa foi vendida por milhões de cruzados, mas com o Plano Collor, desvalorizou tudo? se tiver a resposta é só responder!
Analisando os dados econômicos do Brasil, verifiquei que o dinheiro circulante M1 no mês de julho/13 está em torno de 300 bilhões de reais (140 bilhões de dólares), com aumento de dinheiro circulante em torno de 20% em relação a julho de 2012, ou seja, papel moeda impresso aos borbotões, vide http://www.tradingeconomics.com/brazil/money-supply-m1. Esse incremento em um ano de 20% de moeda impressa, a meu ver, gera um descontrole de preços e consequentemente inflação. Em contrapartida, as reservas internacionais que vinham crescendo ano a ano, estacionaram em 370 bilhões de dólares desde 2012, levando as agências S&P e Fitch . Leandro, peço uma análise, por gentileza, a partir destes dados, da solidez do real frente da esta política expansionista, s.m.j., populista e perigosa.
Obrigado, Leandro pela pronta e sábia resposta. Cabe aqui, mais uma indagação, após as leituras recomendadas: se o M2, como índice mais verdadeiro do capital circulante no Brasil está hoje em torno de 1 trilhão e 800 bilhões de reais, ou seja, o equivalente a 800 bilhões de dólares, demonstra que hoje não temos lastro suficiente em reservas internacionais ( hoje em 370 bilhões de dólares) para um ataque especulativo contra nossa moeda. Isso também não demonstra um descontrole do governo quanto a alavancagem de dinheiro fácil da política expansionista? O governo não fica sem armas contra uma desvalorização motivada por agentes externos?
Abraços
Leandro,
seria possível informar o que ocorreu no período de outubro de 1992 a julho de 1993 com a economia brasileira?
Estive olhando os dados das séries temporais das reservas bancárias e base monetária no site do Banco Central e encontrei números altíssimos nesse período e logo após houve um forte decréscimo nos seus valores. Saberia dizer o que houve?
Em agosto de 1993, cortaram 3 zeros da moeda, que passou a se chamar Cruzeiro Real. Só isso.
Durante todo o período (antes e depois de agosto de 1993), a inflação monetária permaneceu incólume.
Olá Leandro!
Muito bacana a exposição sobre os fatos de nossa história recente (afinal quase 20 anos para a História é quase ontem), foi legal relembrar como foi difícil a luta para acabar com a inflação.
Meu questionamento é sobre a sua posição quanto à dolarização da economia brasileira. Não me parece adequado comparar um país-continente como o Brasil, com sua miríade de interesses econômicos, as vezes contraditórios, com o Panamá, cuja economia é fortemente lastreada no entreposto de mercadorias importadas (e muitas vezes menor que a brasileira).
Entendo que usar uma moeda estrangeira obrigue o governo a “andar na linha” mas, e se o emissor dessa moeda não o fizer, ficaremos totalmente à mercê da vontade do Federal Reserve System? E a nossa dívida pública atual, trocaremos toda por US$?
O que ocorre com o Euro parece ilustrar bem o que aconteceria de fato com o Brasil caso adotasse o dólar como moeda. Uma “unificação” monetária sem unificação de dívidas públicas fariam os dólares desaparecerem da economia brasileira e rumarem para os EUA no primeiro sinal de fumaça. E sem uma “Alemanha” para nos socorrer.
“20 anos do Plano Real“, por Gustavo H. B. Franco.
A década de 80/90 foram para mim duas décadas perdidas. Nos anos 90 tinha 3 fontes de rendas, 2 empregos formais e uma consultoria. De repente, não mais do que de repente, como um raio, perdi tudo.Tinha um emprego com carteira assinada, fui sumariamente demitido da empresa. Tinha um escritório de consultoria em geologia, fiquei endividado. A consultoria que fazia em geologia, os clientes sumiram.Como ter saudades dos anos 90. Foram muitas as versões do Plano Real. Alguns técnicos do governo afirmaram que a aplicação do Plano era necessária e urgente e não sabiam como seriam os seus efeitos na economia.Aplicaram o plano emergencial e no decorrer dos sintomas da crise foram sendo corrigidos. Outros técnicos afirmam que a “dose” foi muito alta para a economia que estava doente e os efeitos colaterais foram sentidos na sociedade.
Bom dia Leandro!
O que voce acha disto.
blog.kanitz.com.br/erros-do-plano-real/?utm_source=feedblitz&utm_medium=FeedBlitzEmail&utm_campaign=0&utm_content=550671
Existe alguma explicaçao durante o primeiro mandato de Lula, houve uma drastica caida no desemprego
Os graficos 6 e 7 sao antigos, o presodente lula se elegeu em 2000
Olá Leandro
Achei esse artigo e, felizmente, passarei a usá-lo como referência de boa análise sobre o Plano Real.
Grato
Leandro, agora que o Real aniversariou 20 anos, você fará alguma atualização neste artigo, ou acha que não há nenhuma novidade relevante ou informação nova digna de nota?
Felicidades para todos.
Leandro, é comum vermos a esquerda acusar o Gustavo Franco de ter queimado as reservas em dólar para manter uma falsa paridade entre o Real e o Dólar – http://www.brasil247.com/pt/247/economia/119415/De-Franco-que-queimou-reservas-a-Lula-cale-se!.htm
Qual é a história por trás disso? Em que momento do texto você trata deste ponto e qual seria a justificativa para fazer isso?
Olá Leandro, parabéns pelo artigo. Fiquei apenas sem entender como que os preços ficariam pareados aos norte americanos com uma dolarização com custos e cargas tributárias dispares ?
Obrigado
Alex
Olá Leandro!
Gostaria de saber sobre como funciona o mercado futuro do dólar,e como esse mercado pode influenciar na cotação do dólar à vista.
Qual é a relação entre a elevação da SELIC e a atração de capitais estrangeiros? Por que quando a taxa básica de juros dos EUA sobe, a tendencia é que ocorra fuga de capitais nos países subdesenvolvidos? A única resposta que consigo imaginar é que quando a SELIC sobe, a expansão monetária é desestimulada, consequentemente a oferta monetária (M1, M2, etc) tende a se manter estável ou diminuir, e isso estimula a apreciação do câmbio. E câmbio se valorizando continuamente é algo atrativo para os especuladores.
Olá Leandro!
Eu estava conversando com um economista sobre a primeira fase do Real,e ele mencionou uma maciça operação de swap cambial em 1998 para empresas endividadas em dólar,e que o governo despejou mais ou menos 300 bilhões em recursos públicos com rolagens de dívida,porém não encontro nada sobre isso.Achei o número muito absurdo,já que sempre ouvi que o tombo do câmbio em 1999 não jogou o Brasil numa crise profunda que nem o México,Ásia e Argentina justamente pela pouca dolarização da economia.Essa operação realmente existiu?
Leandro, você afirma no artigo que “E esta foi justamente a “mácula” da primeira fase do Plano Real: a necessidade de manter juros altos para atrair dólares e, com isso, manter a confiança da comunidade internacional no Plano.”
Minha dúvida é: caso o regime de câmbio fosse estritamente fixo, um Currency Board mesmo, os juros não seriam maiores ainda? Ao menos em um primeiro momento?
Obrigado
“O dólar de Hong Kong, que opera sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta.
Com a crise russa, um ano depois, Hong Kong voltou a ser atacada por especuladores. As autoridades monetárias do país venderam, em duas semanas, US$15 bilhões de suas reservas de US$96,5 bilhões. A âncora cambial se manteve. Com isso, o Brasil se tornou a bola da vez. Especuladores e investidores desconfiavam que o Banco Central não fosse capaz de manter sua política de venda de dólares a fim de manter o câmbio relativamente inalterado (na Ásia, apenas Hong Kong havia obtido sucesso).”
Como Hong Kong fez para se manter intacto à crise? Como eles mantiveram Currency Board mesmo sofrendo ataques especulativos?
Excelente artigo Leandro. Parabéns pela didática de seus textos.
Bom dia Leandro,
Como um melhor entendedor do assunto, o que acha que acontecera com o Brasil nestes próximos 4 anos
O Banco Central deixara o dolar disparar e acontecera novamente uma maior desvalorização de nossa moeda e podemos novamente passar pelo problema hiperinflacionario da época de 90…
gostaria de dividir isso com muita gente sabendo que economistas e inteligentes deste pais não deixarão que isso aconteça novamente.
Obrigada desde jà…Patricia dos Santos
Nesse artigo diz que o criadores do plano real foram os economistas da PUC, mas aqui:
politica.estadao.com.br/noticias/geral,itamar-diz-que-psdb-nao-e-o-pai-do-plano-real,396314
O plano é atribuído a outros. E eu sempre tive essa duvida, o Ciro Gomes participou ou não do plano??
“Ao final de julho de 1994, a quantidade de reais em poder do público e em contas-correntes (ou seja, o M1) era de R$10,687 bilhões. Já a quantidade de reservas internacionais era de US$43,09 bilhões. “
Como esta esta relacao atualmente Leandro
O plano Real é uma farsa. FHC é um prestidigitador. Acabou com a inflação simplesmente fazendo desaparecer a moeda nacional, que foi substituída, ou melhor, atrelada ao dólar. Mas o truque durou pouco; em janeiro de 1999 o Real perdeu, da noite para o dia, metade do seu valor, e FHC foi obrigado a abandonar sua política monetária, a qual chamava de “bandas cambiais”.O Banco Central é obrigado a manter em caixa bilhões de dólares em divisas, só para manter a cotação artificial, do contrário, um ataque especulativo reduziria todo esse dinheiro a seu real valor de papel e tinta.?
Bom dia Leandro,ainda há espaço para uma dolarização no atual momento? Isso é possível?
Leandro,Leandro porque um déficit no balanço de pagamentos não pode ser resolvido com a impressão de moeda local,isto é imprimir a moeda do país para comprar moeda estrangeira.Digo isso,pois o Brasil,nos anos 80,pelo que sei,tinha uma alta dívida externa e uma baixa dívida interna.
Leandro,não consegui compremder porque a inflação acumulada em 12 meses chegou ao valor máximo de 7000%,já que,pelo que sei, ela chegou ao valor máximo mensal de 82%.Poderia me explicar?
Leandro, parabéns pelo excelente texto!
Leandro, excelente artigo, tenho aprendido mais a cada dia nesse site.
Uma dúvida que eu tenho é a seguinte: atualmente temos metas de superavit primário, que entendo eu, é a economia do governo utilizada para pagar os juros da dívida interna, correto? Se existe essa economia, isso significa que não vivemos atualmente um momento de déficit primário? Ou seja, o governo, com suas metas (sei que no ano passado não conseguiram), tem arrecadado mais do que tem gasto? Se isso for assim, isso significa que não estão sendo emitidos novos títulos da vida e logo, nossa base monetária não está sendo aumentada pela criação de dinheiro do BACEN?
Agradeço antecipadamente pelas respostas.
Leandro em alguns artigos sobre o Real você disse que a reforma “estatutária” do BACEN que proibiu a participação do mesmo no mercado primário de títulos públicos aconteceu com a LRF,em 2000,mas como na primeira fase do Real o BACEN trabalhava com metas cambiais e tinha que manter um nível de expansão da BM mais modesto para garantir o câmbio na meta já não seria,na prática,uma abolição da monetização direta da dívida pública pelo BACEN (ainda mais se tratando do BR da época que rolava seu endividamento público em períodos curtos de tempo)?
PS: Li que a crise asiática de 1997 foi causada por um boom insustentável daqueles países que também adotavam câmbios atrelados,e se não for incômodo,poderia por favor escrever mais detalhes sobre o processo de “boom e burst” dos Tigres Asiáticos dos anos 90,que culminou na epidemia de crises dos emergentes entre 1997-98?
Obrigado!
Leandro eu estava vendo uma planilha completa da rentabilidade da poupança desde os anos 80,e notei que na primeira fase do Real a rentabilidade real da poupança foi fantástica,com ela superando sempre 10% ao ano entre 95 e 98. Não sei se é uma ideia muito fantasiosa,absurda ou até mesmo esquizofrênica,mas isso também não foi um fator importante pra reeleição folgada do FHC,já que a poupança sempre foi a aplicação financeira mais popular no BR?
Leandro, o que acha de um Banco Central que atue apenas comprando dólares (ou qualquer outra moeda ou commodity) por uma taxa fixa? Este BC não atuaria em nenhum outro mercado senão o cambial, ou seja, não injetaria dinheiro no mercado interbancário.
Peguemos como exemplo demonstrativo o BC do Brasil comprando (apenas comprando) um dólar por um real. Lógico que no inicio ninguém venderia 1 dólar por 1 real, mas com o passar do tempo, a taxa de câmbio real/dólar se igualaria à 1, pois haveria crescimento econômico acompanhado de deflação no Brasil, e, portanto, os efeitos da PPC no câmbio faria com que um dia o dólar chegasse no valor estipulado pelo BC.
Leandro, por favor, tenha a bondade de sanar a seguinte dúvida técnica:
Na primeira fase do Plano Real, quando os juros eram elevados para tornar os títulos públicos brasileiros atrativos aos investidores internacionais, por que, no longo prazo, o balanço de entrada/saída de dólares através da venda destes títulos era positivo?
Vou tentar explanar melhor esta dúvida, gentileza seguir a seguinte linha de raciocínio, considerando que neste período de tempo o BC brasileiro esteja mantendo 1 dólar valendo 1 real, e que o real esteja sobrevalorizado nesta cotação.
1) O Tesouro Nacional oferece um título cujo valor de face é 1000 reais por 500 reais, no mercado internacional.
2) Algum investidor estrangeiro troca 500 dólares por 500 reais para comprar este título. Consequentemente algum banco brasileiro ganha 500 reais em suas reservas, e o BC ganha 500 dólares em suas reservas internacionais. Isto ocorre porque o investidor vendeu 500 dólares por 500 reais em algum banco brasileiro, e este banco brasileiro vendeu estes 500 dólares por 500 reais ao BC, para poder fornecer os 500 reais necessários para a compra do título público ao investidor.
3) Como o real está sobrevalorizado e precisa continuar assim, o BC brasileiro vende estes 500 dólares no mercado de câmbio por 500 reais. Ocorre, então, uma diminuição de 500 dólares em suas reservas internacionais, e estes 500 reais que o BC ganhou são aniquilados.
4) O título vence e o investidor estrangeiro recebe do Tesouro Nacional 1000 reais.
5) O investidor estrangeiro solicita ao banco brasileiro a venda dos 1000 reais por 1000 dólares.
6) O banco brasileiro vende os 1000 reais por 1000 dólares ao BC, para poder pagar o investidor estrangeiro.
Então, no longo prazo, o BC ficou com 500 dólares a menos do que estava antes do Tesouro Nacional ter vendido o título para o BC ganhar dólares.
Como pode, então, as reservas internacionais obtidas através da venda de títulos públicos no mercado internacional serem duráveis no longo prazo, caso o BC não as gaste?
Abraço!
Leandro,esta é a primeira vez,2015,que os agregados monetários entraram em crescimento negativo(contração)?Se isso for verdade,Alexandre Tombini pode estar virando um Paul Volcker(rsrsrs)?
“Perdemos, em 1994, uma ótima chance de termos nos tornado muito mais livres.”
Desculpe me mas o que ocorreu em 94 para resultar em tal expressão?
Eu não me canso de repetir: esses textos deveriam ser obrigatórios!
Mas eu tenho uma leve crítica: o gráfico 10 me confunde, porque tem dois eixos y, cada um com sua escala e sua unidade. É só uma questão técnica, mas não ficaria mais claro comparar linhas em escalas e unidades equivalentes? Ou elas são equivalentes como estão?
Leandro,porque a taxa de poupança não foi alta durante a primeira fase do plano real(1994-1999),já que a Selic (e taxas de juro curto e longo prazo,cheque especial e afins) era alta?
Leandro, me tire algumas dúvidas. São dúvidas de um leigo.
1) É certo que a ancora da parte 1 do Plano Real eram as reservas em dólar, mas e quanto aos dólares no mercado? Digo, nas casas de cambio e tal. Havia alguma proporção entre os dólares e os reais no mercado? O governo sabia previamente a quantidade de real que iria criar, no dia 1º de julho, com base no que? nos dólares presentes no mercado ou somente nas reservas?
2) Houve algum de plano de combate a inflação com sucesso, que teve como uma das medidas o congelamento de preços? Se a resposta for não: De onde foi tirada, pelos nossos “brilhantes” economistas à época, a ideia de que o controle de preços daria resultado? Um grande abraço!
Os altos juros da primeira fase do Plano Real não foram uma mácula. Inclusive, nem eles foram capazes de dar à Base Monetária um crescimento de 2% a.a. digno de um Currency Board lastreado em ouro.
Em janeiro de 1995 a Base Monetária era de R$16.736,80 e em dezembro de 1998 era de R$39.184,38. Isso dá um crescimento de 234,12% em 4 anos.
cdn.tradingeconomics.com/charts/brazil-money-supply-m0.png?s=brazilmonsupm0&v=201510142106m&lang=all&d1=19980101&d2=19981231
O curioso é que mesmo a Base Monetária tendo crescido muito mais do que cresceria se um Currency Board lastreado em ouro tivesse sido adotado, a cotação do ouro na primeira fase do Plano Real se manteve relativamente constante.
Ou seja, o sistema de câmbio atrelado é o melhor sistema cambial que existe. Ele aufere ganhos reais de poder de compra à população. Pois, ao mesmo tempo que permite generosas expansões monetárias, mantêm o poder de compra dessa massa monetária que se expandiu.
Mas, obviamente, para que tal arranjo dure é necessária a completa autonomia do Banco Central. Mesmo que às vezes ocorram certas “pancadas” nos juros visando atrair dólares, tais pancadas ainda permitem um crescimento gigantesco da Base Monetária.
Leandro e demais, boa tarde.
Gostaria de tirar uma dúvida:
Quando da implantação do Real, se formos no site do BACEN para verificar a cotação de, por exemplo, a libra esterlina temos uma coluna com cotações do tipo “livre” e outra do tipo “flutuante”. Qual a diferença entre elas? Os valores são bem próximos, mas mesmo assim são divergentes.
Leandro, creio que não fui tão claro em minha indagação.
No site do Banco Central, do lado direito, aonde temos, em vermelho e nessa exata sequência, Taxa de Juros, Poupança, Inflação e Câmbio, ao clicar em mais moedas conseguimos ver cotações em determinados períodos.
Se selecionarmos a libra esterlina, por exemplo, e colocarmos 01/07/1994 a 31/07/1994 teremos dois “tipos” de cotações, a livre e a flutuante. São extremamente próximas, mas não iguais.
Particularmente não concordo com a tomada de moeda estrangeira como moeda corrente, e não é isso excesso de nacionalismo, Macroeconomia mesmo. Não estou aventando inteiramente a questão do lastro, mesmo porque nossa moeda, assim como o dólar, é fiduciária. É um raciocínio próprio, penso, em pouco tempo o excesso de liquidez de um ativo em espaço de tempo cada vez menor sem projetar volatilidade adequadamente irá se mostrar extremamente danoso. Muitas empresas estão a alquebrar por conta do excesso de alavancagem financeira para mostrar um caixa robusto, quando sua operacionalização não gera Capital circulante líquido para mostrar o caixa real.
Caro Leandro,
O governo realizou a impressão de dinheiro para financiar sua dívida e também para comprar dólares. O problema é que esse dinheiro não representa riqueza produzida ou extraída. Logo isso seria uma fraude monetária? E também não ficaria um débito a ser pago?
Ou seja, o problema não foram apenas os políticos que não quiseram abrir mão do poder de emitir dinheiro, mas também (talvez principalmente) os nacionalistas com seu orgulho de não aceitar a dolarização da economia.
Resultado: podíamos estar muito mais desenvolvidos agora em 2016, mas regredimos aos níveis de 1990. Pagamos muito caro por tentar burlar as leis da economia (e da Natureza em geral).
* * *
Caro Leandro,
Gostaria de saber mais sobre o tripé macroeconômico: câmbio flutuante, metas de inflação e superávit primário no plano real, quais as consequências para a economia por o atual governo ter abandonado esse tripé?
Leandro,
Procurei um artigo seu que contasse a história do plano real. Pois na dialetica aberta nos dias de hoje dita que estamos vivendo a pior crise de todos os tempos, logo, precisava de um texto confiável para explicar ao meu filho que hoje tem 20 anos e faz engenharia na USP, nem preciso escrever, melhor artigo que este não posso encontrar, obrigado.
Quero dar minha opinião sobre a situação passada e futura;
1- Naquela época o país estava em solvência, hoje temos reservãs m1 e dólar muito boas.
2 – Naquela época os investidores no mercado financeiro faziam o que quiriam era a “farra do boi”,embora a oposição estando ferozmente contra, Armindo Fraga colocou ordem na casa, deixando um sistema financeiro forte e confiável aos investidores estrangeiros.
3 – o legado deixado foi construído com muito sacrifício do povo naquela época.
4 – É profundamente triste ver esse legado desmoronar, ver um grupo de desesperados que mamam na teta do governo fazendo manifestação contra o novo governo, ele está aí por vontade da câmara e do senado que são legitimamente eleito pelo povo e com respaldo da lei maior, a constituição do Brasil.
Enfim como no passado torçamos e tenhamos esperança que nossos dirigente sejam iluminados e encontrem o caminho para devolver a dignidade de nosso povo.
Tenho uma dúvida sobre a questão dos ataques especulativos num regime de Currency Board:
O argumento é de que, como num CB “de verdade” o governo não possui mais poder sobre emissão de moeda, uma evasão descontrolada da moeda-âncora do país iria levar junto consigo a própria base monetária, havendo uma severa diminuição na quantidade de dinheiro na economia. Neste cenário não existe mais uma defasagem entre a quantidade de moeda local vs reservas estrangeiras.
Até aqui estou certo?
Então, o que realmente garante que num CB isso não ocorra (base monetária ir toda embora)? Já vi você Leandro, respondendo em outros comentários que nesse regime, esse tipo de fenômeno não acontece. Mas me parece faltar algo na sua explicação. Afinal o fato de a moeda do país estar ancorada à outra moeda estrangeira não cria um escudo mágico contra uma saída crítica de divisas.
Pegue o exemplo de Hong Kong. Eles tiveram de agir em 1997 correto? E se eles não tivessem feito nada, o que teria acontecido com a moeda por lá? Pelo que entendi da teoria, eles simplesmente ficariam sem moeda no país…
Bom dia Leandro.
Voltando a ler este esclarecedor artigo.
– quando que começou o processo de aumentar a reserva cambial?
– ainda no primeiro mandato de FHC o Real se degringolou. foi só por causa da crise externa ou teve fator interno que ajudou a degringolada?
Grato
Continuando:
Os mentores do Plano Real, conseguiram conseguiram um plano com 05pontos exenciais em apenas 01 ano?
Bom dia Leandro,
“Observe que elas começaram a crescer em definitivo a partir do final de 1991, sob a gestão de Marcílio Marques Moreira no Ministério da Fazenda”
Como conseguiram dinheiro para aumentar a reserva cambial?
Grato
Leandro, pode me passar o link das ferramentas que você usou para calcular inflação, base monetaria e etc?
Não precisa ser tudo pode ser só o que conseguir ae.
Ué, mas a esquerda vive se gabando que o Ciro foi um dos principais “economistas” do Plano Real, onde a participação dele foi efetiva?
O M1 sempre tem que ser inferior as reservas internacionais? Ou seria as reservas internacionais tem que ser maior do que a base monetária?
Se for assim, em um crescimento econômico de um país, a base monetária cresce, mas as reservas internacionais também?
Leandro,
O fato das moedas anteriores ao Real terem uma ”taxa de câmbio” fixa para a moeda velha influenciava para que ela já nascesse desvalorizada? Por exemplo, do Cruzeiro para o Cruzado a ”taxa de câmbio” era na razão 1000 para 1, no entanto, como o cruzeiro perdia seu valor rapidamente, isso já não fazia o Cruzado nascer desvalorizado?
O Real ao contrário das outras moedas, nasceu de uma conversão que era atualizada diariamente pela URV.
Abraços e parabéns pelo artigo.
Não consigo entender como um cara tão inteligente e culto quanto o Enéas não tenha obtido conhecimento decente sobre economia:
1 Existe alguma relação do Plano Real com Keynesianismo igual a Carta Capital diz?
2 A causa da queda na indústria e os constantes déficits na balança comercial, estavam mais relacionados a pancada de 40% nos juros (para conter a fuga de reservas internacionais por conta das crises) ou a valorização ferrenha do real?
Diz nesse texto que o Brasil imprimia moeda para comprar dólares.
A dúvida que surge é a seguinte: por que diabos alguém iria aceitar Reais, não passando de papel impresso objetivamente sem valor, como pagamento por dólares que, apesar de também ser papel impresso objetivamente sem valor devido a completa falta de lastro, ao menos tem um valor subjetivo maior?
Com o ouro é a mesma coisa. Vejo o Peter Schiff dizendo: compre ouro porque o dólar vai cair! Mas ele aceita dólares, que pra ele vale menos do que ouro, como pagamento pelo seu ouro.
Gostaria muito de entender esse raciocínio.
Obrigado.
Bom dia Leandro, espero poder tirar uma dúvida com você.
Recentemente estive lendo alguns artigos sobre a transição do plano real, além de ouvindo o podcast da FSP e resolvi dar uma pesquisada aqui no Mises pra enfim chegar no seu texto, mas ainda me resta uma questão:
Se o tesouro fosse realizar a troca de moeda corrente brasileira por dólar, por que raios alguém aceitaria abrir mão de seus dólares e receber moeda brasileira? Ou melhor explicando, por que alguém teria interesse em negociar sua moeda forte a troco de uma moeda fraca que também já estaria em vias de extinção?
Entendo que de modo que foi feito, o governo trocou moeda fiduciária antiga pela moeda fiduciária nova, mas realizou basicamente a troca com ele mesmo, a grosso modo, triturando x exemplares da moeda antiga em prol de y exemplares da nova, de modo que a troca não representava um decréscimo de riqueza, mas ele poderia fazer tal troca por que ele imprimia tanto uma cédula quanto outra.
Imagino que para substituir dinheiro babanil por dólares, o tesouro poderia substituir toda a moeda em circulação pelos dólares que possuía em reserva, ao menos era isso que parecia ser a sua proposta no texto. Contudo, fazendo este trade, o tesouro entregaria para a população moeda que efetivamente representava riqueza, ao passo que a população entregaria moeda com data de validade e que logo deixaria de representar riqueza… essa seria uma possibilidade factível?
Não me entenda mal, sou libertário e acho que se fazendo isso o estado quebraria, tanto melhor. Porém naépoca o FMI já andava arrepiado por supostamente o plano real ser uma proposta que não encontrava lastro nas teorias econômicas ortodoxas.
Então é factível pensar nessa solução sendo adotada por atores políticos que não visavam o fim do estado? Estou concebendo que ao abrir mão de tamanho montante de dólares em troca de nada (moeda fiduciária própria), a mera existência do estado poderia resultar comprometida.
Se em 1998 o BCB não quisesse queimar tantas reservas internacionais para manter a cotação cambial, o que poderia ter acontecido com a moeda nos próximos anos? Nessa época, não havia outra maneira de se encher de reservas internacionais além dos juros mais altos? Hoje em dia as reservas do Brasil são bastante altas.
As reservas internacionais bolivianas estão evaporando, e eu confesso que não sei até quando que o boliviano continuará nesse arranjo. Claro, lá os juros flutuam, mas é preocupante. Se o boliviano acabar virando flutuante, certamente vai ser um grande peso político em cima do Luis Arce. Somente um encarecimento das commodities em dólares poderia beneficiá-lo (acho difícil acontecer isso agora, pelo menos não naquele nível do Bush filho), já que as exportações do gás natural do país ajudam a compor as reservas. Se o preço do gás sobe, então são mais dólares.
Equador, que adotou o dólar como moeda corrente desde janeiro de 2000, está vivendo o seu décimo mês de deflação de preços (o índice está menor do que nos próprios Estados Unidos). Nesse mês de abril, o acumulado dos últimos doze meses ficou em – 1,47 %. Destaque para os alimentos, que também caíram mais forte de preço no mesmo mês, algo bastante incomum nos tempos atuais.
A preocupação maior do Lasso será a de adotar medidas de austeridade e entrar em reformas supply-side.
Décadas atrás, a população brasileira desbancarizada era bastante expressiva. Como explicar esse fenômeno? Como era ter de abrir e manter uma conta bancária nesse tempo? Por exemplo, na década de 1980, a classe média conseguia se proteger aplicando em overnight. O Tesouro Direto só surgiu no começo dos anos 2000. Como era o mercado financeiro brasileiro nessa época? Por exemplo, para investir em ouro, dólar e afins?
O irônico é que, apesar da gambiarra que foi a criação do real, foi isso que permitiu que a moeda tivesse alguma credibilidade tempos depois. No Brasil, o IPCA piorou depois do regime flutuante, com uma melhora só nos anos do Beviláqua e do Temer (e alguns meses de 2019). Qualquer país subdesenvolvido precisa começar ou com um arranjo assim, ou dolarização ou Currency Board.
No México foi diferente: enquanto o peso mexicano era atrelado, a inflação de preços estava algo alta, embora longe da hiperinflação de outrora. Depois daquela traumática inflação de 50 % com a Crise do México, o índice de preços do país, sob câmbio flutuante, melhorou. Por isso também que os juros lá são bem menores que os daqui. O Banxico pelo jeito leva mais a sério. A meta de inflação deles de 3 % (1 p.p. +-) existe desde 2003. A moeda deles é melhor que a nossa.
Brasil deve continuar na mediocridade de sempre.
Leandro, você que leu o livro do Guilherme Fiúza, chegou a assistir ao filme “Real: O Plano por Trás da História”? Eu terminei de assistir, achei legal até, mas por ser um tema como esse, poderia ter sido transformado em uma série.
Atenção que essa postagem pode conter revelação de enredo (“spoiler”)…
Óbvio que há elementos fictícios (e eu nem cheguei a ler o livro ”
3.000 Dias No Bunker”, o qual influenciou o filme), mas não duvido de que houve uma pressão enorme em cima do Gustavo Franco para ele desvalorizar a moeda (aí eu fiquei pensando “Era só eles terem dolarizado de vez a economia…”). Todos os presidentes de banco central sofrem pressão. Alguém acha que o Paul Volcker não foi detestado por ele ter levado os juros para 20 % e em ter sido um inflexível defensor de moeda forte? Ou o Henrique Meirelles?
Despertou-me a curiosidade o José Serra. Ele é pós-keynesiano, então foi sim crítico do Plano Real, até mesmo durante a sua candidatura em 2002 (e isso acabou arruinando o PSDB no Executivo e deixando os resquícios somente no estado de São Paulo).
Leandro, por que durante a primeira fase do Plano Real (o original), as variações do M1 eram tão bruscas? Pelo menos é o que notei neste gráfico. Isso pode explicar o motivo de o nosso arranjo atrelado ter durado tão pouco tempo, né? No último ano, em 1998, parece ter ficado melhor.
No meu palpite, o arranjo atrelado seria bom se eles monitorassem, à risca, indicadores como base monetária, taxa de câmbio e reservas internacionais. Seria bom se pelo menos, conforme naquela sua entrevista de 2012, o banco central permitisse um teto no crescimento da base monetária na mesma taxa em que novas reservas de ouro são descobertas.
Leandro, não sei se você já leu, mas há o livro “Coleção História Contada do Banco Central do Brasil”, com vários volumes, cada um com um ex-presidente do banco central (vamos ver se haverá com o Roberto Campos Neto, que eu estou curioso para saber) e, nesse que estou lendo, aborda o Gustavo Franco. Está disponível no próprio site do Banco Central, caso quiser ver. É uma pena que foi lançado só recentemente, pois você poderia checar essa fonte para ajudar nesse ótimo artigo que você fez sobre o Plano Real, de 2012.
Durante a entrevista onde ele fala de câmbio (na página 104), ele disse que ao contrário do que muita gente falou, o real não estava “sobrevalorizado” e sim o contrário (1995 a meados de 1998), pois ele disse que o banco central segurou a valorização do real, tamanha era a entrada de investimentos no país. Então estava fazendo praticamente igual ao Banco Nacional Suíço… segurando a tamanha valorização da moeda. Esse fenômeno tivemos também na presidência Meirelles no Banco Central do Brasil.
Na página 95 em diante, ele disse que, em meados de 1992-1994, o problema era uma excessiva entrada de divisas no país, o que segundo ele foi resolvido com “mecanismos inovadores sobre o fluxo cambial”, visando moderar a entrada de divisas (aqui ele deve estar falando no aumento de reservas internacionais). Uma das coisas que ele disse que cumpriu esse papel foi o IOF.
Ele falou que os problemas de acumular as reservas internacionais eram os seguintes:
– Gerava um custo fiscal e expansão da dívida governamental. As reservas rendiam os juros americanos (ele deve estar falando dos Treasuries) e a dívida em moeda local utilizada para comprar os dólares custava muito mais caro. Assim, o Banco Central era obrigado a comprar os dólares restantes e precisava esterilizar os meios de pagamento.
– Falou da taxa de câmbio real. Mencionando a inflação elevada em 1992 e 1993, a taxa cambial real ficava estável por desvalorizações diárias baseadas nas estimativas de inflação do dia, enquanto o banco central não parava de acumular divisas. Como você analisa a tal da taxa cambial real? Ela pode ser um indicador sobre o câmbio atrelado ou não faz sentido? Afinal, Mises disse que a taxa de câmbio entre duas moedas era determinada, no longo prazo, pelo poder de compra de cada uma das moedas. Segundo ele, essa entrada de dólares alta se deveu ao excesso de liquidez da economia americana (aqui eu acho que ele deve estar falando da política monetária mais frouxa e expansionista do Fed).
Na página 106, ele falou que os ataques especulativos vinham de operações de derivativos, algo que o próprio Gustavo Franco estava ciente, e disse que o banco central estava se defendendo desses ataques também dessa forma. Na página 109, ele falou uma das formas que o banco utilizou para lidar com os ataques especulativos, ante a Crise Asiática de 1997.
Franco também disse que o regime de câmbio atrelado em algum momento iria ser abandonado para o flutuante, falando que a questão do superávit primário era uma preocupação (já que o Brasil praticamente não teve isso no período do Plano Real). Na página 117, ele fala de uma reunião que houve relacionada ao LTCM, tendo o BCB e o Banxico como únicos bancos centrais emergentes a participar da conversa.
Na página 118, quando perguntado sobre o fim da âncora cambial, Gustavo respondeu que essa âncora não era mais necessária, porque a inflação de preços havia desabado. Ele menciona sobre a tal “banda diagonal endógena”, páginas depois, dizendo que o negócio foi desastroso, durando menos de um dia, que é quando o regime atrelado seria abandonado de vez, provocando um overshooting no real brasileiro. Mencionou também a prisão do Chico Lopes durante a sessão de perguntas (ele foi brevemente presidente do banco central, antes de o Armínio Fraga assumir).
Como você analisa essas afirmações dele? Fazem sentido?
Falando de câmbio atrelado, um dos países latino-americanos que ainda usa esse regime é a Nicarágua. A córdoba nicaraguense é atrelada o dólar americano e o banco central só controla a taxa de câmbio.
Só que, diferente da Bolívia, as reservas internacionais do país só aumentam (não sei ao certo a razão) e, segundo o banco central do país, as reservas cobrem 2,7 vezes a base monetária.
Acho que o Lula pode querer fazer igual ao Ortega: perseguir os adversários, mas manter a economia funcionando (alguém pode me corrigir, mas eu acho que o Ortega foi um dos menos rígidos em medidas restritivas durante a pandemia).
Todavia, Daniel Ortega e algumas pessoas próximas a ele sofreram sanções por causa da sua reeleição fraudada.
O Equador foi um dos poucos países do mundo onde os gastos do governo não atingiram recorde histórico durante a pandemia (eles até caíram em 2020, nos piores momentos).
Sem capacidade de fazer expansão monetária, hoje o governo do país depende de empréstimos, impostos e de ajuda do FMI. Mas a inflação de preços está entre as menores do mundo.
Para quem tiver curiosidade, essa postagem do QR Capital mostra a inflação de preços média por cada governo, desde 1994.
Todos esses governos não pegaram nem uma epidemia de trancamentos e farras fiscais e monetárias, nem uma guerra (a Guerra ao Terror afetou a oferta de commodities de outra forma, afinal o Iraque não é um grande exportador de alimentos). Sabendo disso, o governo Bolsonaro até que não está ruim com essa média.
Por isso, o Ilan Goldfajn me pareceu um dos melhores, apesar de ele ter errado feio na política monetária em 2018.
Roberto Campos Neto foi de pombalino para falcão monetário em menos de dois anos e isso está ajudando a controlar a carestia.
O que eu acho curioso é o motivo desse IPCA mais alto no governo do segundo mandato do FHC: além da questão cambial e do dólar forte, quais outros fatores pesaram contra o índice de preços? Política monetária muito frouxa?
Apesar da zona política em que está a Nicarágua, como explicar essa alta incrível nas reservas internacionais do banco central nicaraguense?
Lembrando que o arranjo cambial é bastante parecido ao que o Brasil teve em 1995-1999.
No fim de outubro último, o Banco Central do Egito desistiu de atrelar a moeda ao dólar e deixou a libra egípcia flutuar. Em nota à imprensa, disseram que era para garantir estabilidade macroeconômica e também disseram sobre o problema da fuga de capitais, que fez cair os níveis das reservas internacionais.
Apesar da queda, as reservas não estão em um patamar tão preocupante quanto, por exemplo, na Bolívia. Na Bolívia a situação está pior e eles ainda não saíram do arranjo do câmbio fixo. Todavia, o M1 no Egito tem subido muito.
Notório ver as reservas de ouro do país, que aumentaram bastante.
Eles falaram da fuga de capitais, mas vejam os dados do país: investimento estrangeiro direto e fluxos de capitais. Está tão ruim assim ou eles já se anteciparam para o problema, com medo de vir algo pior?
Leandro e Cia, não entendi essa parte
”Se houvesse um aumento na demanda por dólares, isto faria com que empresas e famílias gastassem menos, o que reduziria a demanda por bens e serviços não monetários. Seus preços inevitavelmente cairiam, o que tornariam suas exportações mais atraentes no mercado internacional. Este aumento nas exportações geraria um superávit no balanço de pagamentos, trazendo mais dólares para o Brasil. Este aumento na oferta monetária faria com que os preços voltassem a subir, restaurando o equilíbrio inicial no balanço de pagamentos. E se houvesse uma redução na demanda por dólares, de modo que os brasileiros aumentassem seus gastos, os preços subiriam, as importações ficariam mais atraentes, dólares seriam enviados para fora, isto aumentaria a demanda por dólares e reduziria os gastos dos brasileiros, os preços voltariam a cair e o equilíbrio de antes seria restaurado. É justamente assim que uma economia funciona também sob um padrão-ouro.”
Cenário acima de Dolar corrente na economia, Brasileiros em posse do Dolar.
Duvidas:
”E se houvesse uma redução na demanda por dólares, de modo que os brasileiros aumentassem seus gastos”
Qual a relação disso? Qual o nexo? Se o Brasil demanda menos dolar, significa que o Brasil esta transcionando menos Dolar, diminuindo seu consumo e aumentando a poupança. Como a sociedade demandaria MENOS Dolar ao passo que aumentaria seus gastos?
E porque os Preços Subiriam se houve redução na demanda do dolar, como bem disse no fim ”E se houvesse uma redução na demanda por dólares, de modo que os brasileiros aumentassem seus gastos, os preços subiriam”
E se os preços sobem, como importar fica mais atraente? Se os preços domésticos crescem mais que os preços la de fora, ai faz sentido. Mas preciso de um empurrão aqui.
Sei la, lendo o trecho que trouxe ai, me parece que exportar então é bom e importar é ruim, visto que aumenta as reservas internacionais, exportar mais que importar é o caminho seguindo tal linha. Mas os próprios austriacos detestam balança comercial e não acham problema um país mais importar do que exportar.
Obrigado e por mais artigos atualizados assim
No caso da Tailândia, o baht tailandês tem sofrido valorização ante o dólar neste ano. O banco central tem sido bastante gradual na taxa de juros, estando agora em apenas 1,25 %.
Apesar disso, a base monetária no país (M0) e a oferta monetária (M1) subiram em uma taxa menor do que em muitos países ao redor do mundo.