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Os verdadeiros amigos e inimigos dos assalariados - um desafio intelectual para a esquerda

Muitas pessoas — a saber, social-democratas, moderados, socialistas, comunistas, sindicalistas e outros — creem que empreendedores e capitalistas são os inimigos, e que os sindicatos e as legislações trabalhistas, os amigos dos assalariados.  Trata-se de um erro enorme, com consequências devastadoras.  Um estudo integrado da Escola Austríaca com a Escola Clássica prova o exato oposto dessa crença.  Ele prova que empreendedores e capitalistas são os amigos, e os sindicatos e as legislações trabalhistas, os inimigos dos assalariados.

Eis a seguir, em sua essência mais resumida, a explicação.

Quanto maior o respeito pelos direitos de propriedade e pela liberdade econômica dos empreendedores e capitalistas, maior o grau de poupança no sistema econômico, e, consequentemente, maior a demanda por mão-de-obra em relação à demanda por bens de consumo, e, consequentemente, maiores serão os salários em relação aos lucros.  Ao mesmo tempo, quanto maior a demanda por bens de capital em relação à demanda por bens de consumo, maiores serão os incentivos para se desenvolver e introduzir produtos e métodos de produção mais aprimorados.

O resultado dessa combinação é uma contínua acumulação de capital e uma crescente produtividade da mão-de-obra.  O efeito do aumento progressivo da produtividade da mão-de-obra, no capitalismo, é um aumento progressivo da oferta de bens de consumo em relação à oferta de mão-de-obra, e, por conseguinte, uma redução progressiva nos preços dos bens de consumo em relação aos salários. (No cenário atual, em que há um constante aumento na quantidade de dinheiro, há também um crescente aumento na demanda monetária tanto por mão-de-obra quanto por bens de consumo.  No cômputo final, os salários aumentam mais rapidamente que os preços.  De um jeito ou de outro, o resultado é um aumento nos salários reais.)

O aumento nos salários reais, resultado da poupança e da inovação de empreendedores e capitalistas, significa uma crescente capacidade dos assalariados em trabalhar menos horas por mês e de prescindir do trabalho de suas crianças.  Mais ainda: tal postura dos empreendedores e capitalistas significa uma melhora crescente nas condições de trabalho, melhora essa que não é coberta pelo aumento da eficiência produtiva, significando um gasto a mais para os patrões.  Nesse sentido, a poupança e a inovação dos empreendedores e capitalistas são de fato as responsáveis por todas as melhoras nas condições dos assalariados — algo que é tipicamente, e de modo completamente errôneo, atribuído aos sindicatos e às legislações trabalhistas.

Os sindicatos nem mesmo sabem como elevar os salários reais.  Tudo que lhes interessa é elevar os salários nominais e proteger os empregos dos membros específicos de seu sindicato.  Dado que os sindicatos não controlam a quantidade de dinheiro ou o volume de gastos no sistema econômico, a única maneira como eles podem elevar os salários nominais de seus membros é reduzindo artificialmente a oferta de mão-de-obra em sua área de trabalho.  Porém, o efeito dessa medida é o de aumentar correspondentemente a oferta de mão-de-obra e reduzir os salários em outras áreas da economia.  Em outras palavras, o sucesso de um sindicato em específico é obtido à custa das perdas dos assalariados do resto do sistema econômico.  E as perdas necessariamente superam os ganhos, pois um aspecto essencial desse processo é que os trabalhadores serão forçados a aceitar empregos que requerem menos habilidades do que os empregos aos quais lhes foram negado acesso pelos sindicatos.

Se os sindicatos, ou a união entre sindicatos e leis de salário mínimo, obtiverem êxito em elevar os salários em todo o sistema econômico, o efeito será um correspondente aumento do desemprego no sistema econômico, bem como preços maiores em decorrência dos maiores custos da mão-de-obra e da reduzida produção.  Se os sindicatos obtiverem êxito em fazer com que o governo e seu banco central aumentem a quantidade de dinheiro no ritmo de suas demandas salariais, o desemprego pode ser evitado, mas o efeito ainda assim será o aumento nos preços em conjunto com os aumentos salariais, sem que haja aumento nos salários reais.  Ademais, como uma política inflacionária provoca uma redução no acúmulo de capital, ela faz com que haja uma redução — e, caso seja alta o bastante, uma reversão — do aumento da produtividade da mão-de-obra e dos salários reais.

Os esforços dos sindicatos para proteger os empregos de seus membros é uma política de combater ativamente o aumento nos salários reais dos trabalhadores de todo o resto do sistema econômico.  Como já deveria estar claro em decorrência de tudo que foi dito, a maneira como os salários reais aumentam não é fazendo com que o trabalhador comum ganhe mais dinheiro.  Ganhar mais dinheiro é meramente o resultado do aumento da quantidade de dinheiro, ou da redução da oferta de mão-de-obra disponível no mercado ao se forçar parte dos trabalhadores a ficar desempregada.

Os salários reais aumentam como resultado do acúmulo de capital e do aumento na produtividade da mão-de-obra, o que faz com que os preços caiam (ou cresçam menos) em relação aos salários.  Ao combater o aumento da produtividade da mão-de-obra, os sindicatos combatem ativamente o aumento nos salários reais.  Assim, por exemplo, quando os sindicatos dos tipógrafos se opõem à tipografia automatizada, e, como consequência, aos menores custos e menores preços resultantes do material impresso, eles estão na realidade combatendo o aumento nos salários reais dos trabalhadores de todo o sistema econômico, os quais poderiam agora obter material impresso por menos dinheiro e teriam correspondentemente mais dinheiro para gastar em outras coisas — coisas essas que os trabalhadores dispensados da tipografia mecânica poderiam ajudar a produzir. 

De maneira idêntica, o mesmo é válido sempre que qualquer sindicato se opõe a aperfeiçoamentos que poupam mão-de-obra: tanto o poder de compra dos assalariados de todo o sistema econômico quanto a oferta de bens disponíveis para eles comprarem são restringidos.

Sim, um sindicato pode agir assim por achar que seus trabalhadores terão dificuldades em encontrar novos empregos.  Porém, essas dificuldades seriam muito menores caso os salários nominais no sistema econômico fossem menores e, consequentemente, a quantidade de mão-de-obra demandada fosse maior.  E o que tornaria isso possível é a ausência de escalas salariais coercivamente impostas pelos sindicatos e a ausência de leis do salário mínimo.

Sim, há momentos em que os patrões de fato tratam seus empregados desrespeitosamente, chegando até a tratá-los como se fossem essencialmente algo sem valor.  Porém, o que provoca tais condições é um excesso de oferta de mão-de-obra disponível em relação à quantidade de mão-de-obra demandada.  Em tais condições, um empregador não precisa temer a perda de um empregado, pois este pode imediatamente ser substituído por outros desempregados.  Sendo assim, o empregado estará sempre disposto a tolerar abusos, simplesmente por medo de ser demitido e não ser capaz de encontrar outro emprego.

Porém, o que provoca essa situação é justamente o fato de os salários serem mantidos muito acima da relativa demanda por mão-de-obra.  Isso surge naturalmente em um ambiente em que há um sistema bancário de reservas fracionárias, cuja expansão do crédito é sempre seguida de uma contração financeira e os salários quase nunca caem até o nível requerido por essa contração econômica.  Se os salários pudessem cair livremente, a quantidade de mão-de-obra demandada aumentaria, igualando-se à oferta disponível.  Nesse ponto, a escassez de mão-de-obra seria sentida e o empregado deixaria de ser algo instantaneamente substituível por outros desempregados.  Ademais, ele estará em condições de encontrar outros empregos, e dessa forma não aceitará sofrer abusos.

A solução, novamente, é o livre mercado.  E, ironicamente, na medida em que os sindicatos e as leis do salário mínimo impedem o ajuste dos salários à demanda por mão-de-obra — e, por conseguinte, impedem o avanço natural do mercado a uma situação de pleno emprego —, ambos são responsáveis pelos maus tratos dos trabalhadores, algo de que seus defensores sempre reclamam.  (Situação idêntica acontece com usuários de serviços públicos monopolizados pelo governo, que sempre são tratados como objetos sem valor.  Como a demanda é sempre maior que a oferta, e qualquer "cliente" pode ser instantaneamente substituído por outro, os usuários têm de resignadamente tolerar abusos, pois não têm para onde mais ir.)

A redução nos salários necessária para eliminar o desemprego serve para aumentar a produção ao mesmo tempo em que reduz os custos de produção.  Serve, portanto, para reduzir os preços.  Também elimina o fardo de os trabalhadores terem de sustentar os desempregados.  Como resultado, é praticamente certo que tal medida resultará em um aumento do salário líquido real.  (Para entender melhor esse processo, clique aqui).

Há pessoas que são tão improdutivas, que produzem tão pouco por hora, que precisam trabalhar muitas horas para obter o mínimo necessário para suas necessidades, e às vezes precisam até mesmo utilizar a mão-de-obra de seus filhos como fonte de receita adicional.  Obrigar essas pessoas a trabalharem menos e a dispensar o trabalho de seus filhos seria tão benéfico quanto obrigar Robinson Crusoé a trabalhar menos ou a Família Robinson a trabalhar menos e dispensar o auxílio de seus filhos.  Crusoé e a família Robinson trabalhavam porque era disso que necessitavam para sobreviver.  Obrigar os pobres a trabalhar menos é obrigá-los a serem mais pobres do que podem para sobreviver.  Não é de nenhum consolo o fato de que aqueles que provocam um maior empobrecimento dos pobres são os mesmo que dizem possuir boas intenções e estarem apenas querendo ajudar.  Eles causam apenas sofrimento e precisam aprender a parar.

Como demonstrado, o que realmente reduziu os dias de trabalho e aboliu o trabalho infantil não foi a interferência destrutiva do estado, mas o dramático e progressivo aumento na produtividade da mão-de-obra criado por empreendedores e capitalistas.  Isso aumentou os salários reais e tornou possível que cada vez mais trabalhadores pudessem se dar ao luxo de aceitar os comparativamente menores salários de empregos que exigiam menos horas de trabalho, além de eliminar a necessidade de colocar suas crianças para trabalhar.

À medida que uma crescente proporção de assalariados passou a preferir menos horas de trabalho, o efeito foi o mesmo do de uma crescente proporção de trabalhadores passar a preferir um determinado arranjo de ocupações em relação a um outro arranjo qualquer, isto é, preferir uma redução nos salários em suas ocupações preferidas em relação aos salários maiores das ocupações não preferidas.  Assim, os salários de empregos com menos horas de trabalho sofrem um desconto em relação aos empregos que exigem mais horas de trabalho, os quais oferecem um ágio nos salários.  Isso faz com que seja lucrativo para os empregadores diminuir as horas de trabalho.  É assim que o livre mercado encurta as horas de trabalho.

Meu desafio para a esquerda: leiam e estudem essas ideias detalhadamente e em profundidade.  Corram o risco de abandonar as falácias que vocês atualmente consideram conhecimento e, em troca, ganhem a satisfação de ter um conhecimento real.  Parem de apoiar os inimigos do progresso econômico e os malefícios que eles trazem para os assalariados e deem seu apoio aos verdadeiros amigos do progresso econômico e dos assalariados.  A transformação de intelectuais esquerdistas em defensores do capitalismo iria, com efeito, ajudar enormemente a mudar a direção do mundo.  E, se eliminar a pobreza é o que vocês de fato querem, ajudem a mover o mundo em direção ao caminho para o qual vocês alegam querer que ele vá.



autor

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.

  • Fernando Ulrich  08/09/2010 16:16
    Muito bom artigo. Prático e de fácil utilização em debates do cotidiano contra as falácias socialistas.\r
    \r
    Com relação ao último parágrafo é uma pergunta que muitas vezes me faço, será que os esquerdistas, socialistas, e afins almejam de fato uma melhoria na qualidade de vida de toda a sociedade?\r
    \r
    Acho que uma grande parcela infelizmente não está genuinamente interessada nesse objetivo. Recalque e inveja acabam tendo um papel fortíssimo. \r
    \r
    A preocupação de muitos socialistas não é de "elevar a maré". O problema não é todos enriquecerem, o problema é que no sistema de livre mercado uns enriquecem mais que outros, ainda que de maneira perfeitamente lícita, e isso inquieta profundamente os invejosos.\r
    \r
    Segundo eles, é melhor sermos todos pobre e miseráveis, porém iguais.
  • Isaac Barcellos  21/07/2011 09:04
    Mises fala dessa inveja no livro A Mentalidade Anticapitalista.
  • Carlos Alexandre  08/09/2010 17:50
    PREZADO LEANDRO:\r
    \r
    Não consegui entender como pode ser mais lucrativo para o empregador diminuir a jornada de trabalho do empregado...poderia me explicar melhor?\r
    \r
    Abraços.
  • Leandro  08/09/2010 20:14
    Prezado Carlos,

    Vou lhe dar um exemplo real:

    Ainda nos primórdios da Revolução Industrial, a produtividade da mão-de-obra ainda era tão baixa, que muitas pessoas precisavam trabalhar 80 horas por semana para poder ganhar o bastante para sustentar a família.

    Duas gerações depois, a produtividade aumentou a tal ponto -- graças ao aprimoramento dos bens de capital introduzidos por empreendedores e capitalistas --, que esse trabalhador passou a ter duas opções: manter as 80 horas semanais, mas ganhando o dobro do que ganhava há duas gerações (por causa da maior produtividade), ou escolher empregos de 70 ou 60 horas semanais que agora pagavam quantias maiores do que pagavam os empregos de 80 horas de duas gerações anteriores.

    Embora os empregos de 80 horas por semana pagassem mais que os empregos de 70 ou 60 horas, estes últimos agora ofereciam o suficiente para a maioria das pessoas dispostas a aceitá-los.

    À medida que mais trabalhadores foram optando pelos salários relativamente menores pagos pelas jornadas mais curtas, a concorrência no mercado de trabalho levou a uma redução do número de horas da semana média de trabalho. Sempre que os empregadores tinham de concorrer entre si para conseguir mão-de-obra, a oferta de jornadas menores era um poderoso meio de recrutar mão-de-obra. E foi assim que as horas de trabalho foram sendo reduzidas, sem nenhum decreto governamental.

    Sendo assim, e respondendo diretamente à sua pergunta, o desejo dos trabalhadores por jornadas menores fez com que fosse mais econômico para os empregadores oferecer essas jornadas menores. Isso porque, na medida em que os trabalhadores foram optando por jornadas menores, eles ficaram mais dispostos a aceitar empregos cujos salários eram proporcionalmente menores do que a redução nas horas de trabalho.

    Exemplo: um trabalhador, ao preferir uma jornada de 60 horas ao invés de 80 horas (redução de 25%), aceitou fazê-lo por salários que eram mais do que 25% menores do que os salários pagos nas jornadas de 80 horas. Isso quer dizer que, em termos de custos unitários de produção, um empregador que oferecesse uma jornada menor iria correspondentemente ter custos unitários menores do que empregadores que exigissem jornadas maiores.

    Isso representou uma redução de custos maior do que a que ocorreria caso o trabalhador pudesse apenas aumentar sua produtividade com uma jornada menor, mas sem a correspondente redução salarial de 25%.

    E tudo isso, lembre-se, não é apenas teoria; são fatos reais.

    Grande abraço.
  • Francisco Alfaro  17/04/2012 08:20
    Mas Leandro, esses empregos que vc citou foram introduzidos pelos capitalistas como forma de atrair uma mercadoria escassa, o trabalho, ou não?
  • Leandro  17/04/2012 08:41
    Não entendi bem o que você quis dizer. Mas é fato que a mão-de-obra sempre será, por definição, um bem escasso. Há muito mais demanda por bens e serviços do que mão-de-obra e recursos para produzi-los.

    Não vivemos na abundância.  As coisas não existem fartamente à nossa disposição.  Todas elas precisam ser trabalhadas.  Sendo assim, sempre haverá, em todo e qualquer lugar, algum trabalho a ser feito.  Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço - nem que seja a limpeza de uma janela, a troca de uma lâmpada ou a limpeza de algum banheiro.

    Por isso o pleno emprego que haveria em um mercado genuinamente livre e não obstruído.
  • Francisco Alfaro  17/04/2012 08:46
    Quis dizer, que, dado que o trabalho é um recurso escasso e que os capitalistas devem competir por ele, o oferecimento de trabalhos de 60, 70 horas foi uma maneira de direcionar esse fator de produção às suas fábricas.
  • André Luis  08/09/2010 22:36
    Caro Leandro,outro artigo muito bom,porem,para a maioria das pessoas,de dificil compreensão.Eles preferem acreditar nas falacias dos esquerdistas que odeiam o capitalismo. Um abraço.
  • CR  09/09/2010 09:54
    Tenho a impressão que desde Lenin o termo socialismo vem sendo mal empregado, em conotação inversa do significado. Sociedade é soma de capital, não divisão. Não há sócio sem definição do capital; não há sociedade sem hierarquia, na medida da participação, do interesse de cada agente. O socialismo é a forma mais inteligente que o capitalismo pode criar. Como o capital emerge do trabalho, é óbvio que antes de repartir seu lucro mister trabalhar. O comunismo diverge frontalmente, porquanto divide o que tem, indiscriminadamente, sem a menor preocupação com nada, nem com ninguém. Como na U.R.S.S. Já o fascismo é a apropriação indébita da diretoria sobre o trabalho operário. Tal como acontece no Brasil.
  • Daniel Marchi  09/09/2010 12:13
    O comunismo (ou de maneira mais correta, o coletivismo), antes de tudo, é um "case" de sucesso em propaganda.

    Eles monopolizaram a virtude, a benevolência, o amor ao próximo, blá-blá-blá. A liberdade, a propriedade privada e as consequências lógicas derivadas desse binômio encontram têm dificuldade em romper essa barreira do "bem".

    As centenas de milhares de mortos, a pobreza, a censura apenas provam que a quantidade certa de "bondade" ainda não foi aplicada.

    abç e feliz 1984 a todos(as) !
  • Steve Ling  17/04/2012 06:40
    Eu trabalho na área de TI e muitos dos meus colegas reclamam que o sindicato da categoria não é atuante ao contrário do sindicato dos bancarios e metalurgicos. Então eu respondi: Por isso que estas categoriam foram as que mais encolheram nos ultimos 20 anos.
  • Rene  17/04/2012 08:47
    Também trabalho na área de TI. Mas o que mais me revolta não é o fato do sindicato não ser atuante, mas sim o fato do imposto sindical ser descontado do meu salário todo ano e não ver absolutamente nenhum benefício nisso. Mas o que eu mais gostaria não é que o sindicato trabalhasse mais, mas sim que eu não precisasse pagar para eles não fazerem nada.
  • Eduardo  17/04/2012 06:56
    O grande problema é que é muito mais fácil pra alguém que não tem tanto conhecimento acreditar que em falacias como "vamos aumentar o salario minimo para 2 mil reais para melhorar a vida de todos!"
    Uma coisa que as pessoas precisam começar a entender é isso, não adianta os salários aumentarem se os preços também aumentarem.
  • anônimo  17/04/2012 13:13
    Mas Leandro, o que garante que os empreendedores irão aumentar o salário dos trabalhadores só por que a produtividade aumentou? Existe a hipótese de ele ficar com essa margem extra como lucro, não?

    E por quê o salário mínimo impede que os salários aumentem?

    Concordo quanto a extinção dos sindicatos, só não consegui coompreender a explicação para as duas primeiras perguntas que fiz.
  • Leandro  17/04/2012 16:25
    Sobre a primeira pergunta, a resposta é a concorrência por mão-de-obra, prezado anônimo. Aliás, essa questão do salários é interessante porque, mesmo se os empreendedores fossem seres asquerosos e malvados, dispostos a pagar apenas centavos por mês aos seus empregados, eles não conseguiriam fazer isto. Temos um artigo completo exatamente sobre este assunto:

    A irrelevância da necessidade do trabalhador e da ganância do empregador na determinação do salário

    Sobre "o salário mínimo impedir os salários de aumentarem", não entendi. Isso não foi dito em lugar algum. O que o salário mínimo faz é impedir as pessoas menos produtivas, e que estão dispostas a trabalhar por pouco, a encontrar empregos.

    Abraços!
  • Gustavo Sauer  17/04/2012 21:00
    Eu acho que ninguém aqui advoga a extinção de sindicatos. O que é errado é o uso da agressão que é comum ver em sindicatos. Mas sindicalismo em si não é imoral de forma alguma.
  • Augusto  18/04/2012 02:31
    se voce se refere a agressao de ser uma instituicao quase-estatal com todo tipo de privilegio e isencoes, sim.\r
    \r
    mas o sindicato deveria ser apenas uma associacao civil como qualquer outra, sobrevivendo apenas se houvesse interesse e participacao de seus associados. Associados, diga-se para esclarecer, voluntarios.
  • William  17/04/2012 20:04
    Vejam esse artigo interessante e esclarecedor de Ron Paul que se encontra traduzido no Mises Portugal:
    mises.org.pt/posts/artigos/cinco-mitos-sobre-o-padrao-ouro-ron-paul-1981/

    Acho que seria interessante postá-lo aqui também
  • André Caniné  17/04/2012 20:21
    Um dos melhores artigos que já li em toda a minha vida. Deveria ser impresso e jogado em TODAS as universidades e faculdades do Brasil.
  • anônimo  18/04/2012 04:19
    Só uma dúvida. É algum crime aqui no Brasil eu criar moedas "comemorativas", tipo medalhas de ouro e com níveis de pureza variados, se é que me entendem, e usar estas "medalhas comemorativas" para efetuar escambo? ehehe
  • Luis Almeida  18/04/2012 04:25
    Sim, é crime. O Banco Central detém o monopólio da criação de moedas para transações econômicas. Você seria acusado de falsário (atividade esta que também é monopólio do estado), iria para a cadeia e seria estuprado.
  • José Roberto  18/04/2012 04:40
    No Brasil só é permitido comercializar usando Reais. O que você consegue fazer são moedas lastreadas em reais, como os tickets que você compra e troca por comidas e outras coisas em festas e shows.
  • André Poffo  18/04/2012 05:07
    Até onde eu sei crime não é. O que acontece é que a justiça - que é monopólio estatal - não garante contratos firmados em outra moeda.
  • Augusto  18/04/2012 15:07
    Nao, nao eh crime. O que voce esta fazendo nao sao moedas, sao objetos de decoracao em ouro. Eh como um ourives que faz um anel, um par de brincos ou uma medalhinha do santo de devocao.\r
    \r
    So nao sei se dizer se para negociar esses objetos voce precisa de alguma licenca especial.
  • anônimo  19/04/2012 21:36
    Não, não é. Mas vc não pode se negar a receber o pagamento de um dívida que fulano tem com vc caso ele queira fazê-lo usando reais.

    Além do que, os impostos devem ser pagos também com reais.

    Portanto, não há como escapar desse monopólio.

  • anônimo  20/04/2012 00:24
    Além disso, imagino que um comerciante aceitando tais medalhas como pagamento teria que recolher ICMS em dobro - quando vende o produto por medalhas, e quando converte as medalhas em reais para poder pagar outras despesas.
    Mas bom, não tenho certeza.
  • Guilherme Shibata  18/04/2012 12:38
    No Brasil os sindicatos são fortíssimos e políticos tem medo de mexer com eles e sempre cedem.

    Já li outros artigos dizendo que ministros de economia e outros presidentes aprovavam leis que reduziam bastante a força dos sindicatos, mas nada específico.

    Quais seriam algumas medidas específicas pra diminuir a força deles ao mesmo tempo que tal político sofreria pressão fortíssima ?
  • João MS  19/04/2012 10:48
    "Um estudo integrado da Escola Austríaca com a Escola Clássica prova o exato oposto dessa crença."

    Por favor, subsidie-nos com o paper.
  • Economista  19/04/2012 12:35
    "A redução nos salários necessária para eliminar o desemprego serve para aumentar a produção ao mesmo tempo em que reduz os custos de produção. Serve, portanto, para reduzir os preços."

    A Grécia reduziu os salários dos trabalhadores mas não eliminou o desemprego, ao contrário, aumentou.

    Se os salários são reduzidos, a demanda diminui, reduz os preços e consequentemente, as taxas de lucro também caem.
    Se ocorre o contrário, os salários dos trabalhadores aumentam, a demanda aumenta, a taxa de lucro aumenta e serão necessários mais empregados para aumentar a produção e a oferta.
  • Leandro  19/04/2012 12:57
    Brilhante. Mas por que parar nos salários? Por que não também imprimir dinheiro? É só imprimir dinheiro e aumentar os salários e tudo se resolve. Exatamente como fez o Zimbábue. Quando se imprime dinheiro e se aumenta os salários, há demanda e... bom, só demanda. A oferta não se altera. Aliás, se altera sim. Para menos. O que existia é imediatamente consumido, mas não há reposição. O que gera oferta é divisão do trabalho, acumulação de capital, poupança e investimento. Impressão de dinheiro e aumento de salários gera demanda, mas é incapaz de gerar oferta. No dia em que um alquimista descobrir como é que a impressão de dinheiro e aumento de salários faz com que mais bens surjam do nada, aí sim estará extinta a escassez no mundo.

    O que permite aumento salarial é a acumulação de capital. Se o mundo fosse tão bonito assim quanto você o visualiza, bastaria um decreto estipulando o salário mínimo para uns $100.000, por que não? Imagina, todo mundo ia ter um helicóptero. Em sonhos, né, porque não haveria ninguém para produzir.

    Quanto à Grécia, ignorância sua. Os sindicatos são poderosos e não houve redução de salários. No máximo, alguns cargos públicos perderam algumas mamatas. Ademais, não se permitiu que os preços fossem reajustados para baixo, algo imprescindível em uma recessão. De 2010 para cá, a inflação de preços média de 4%. Nem com mágica um mercado se reajusta assim com tanta intervenção.

    Vá trollar outros sites, principalmente aqueles governistas, que estão implorando por leitores.
  • anônimo  20/04/2012 16:17
    Veja Leandro:

    Edição do dia 09/02/2012

    10/02/2012 00h05 - Atualizado em 10/02/2012 00h29
    Grécia aceita pacote de contenção em troca de financiamento da dívida
    Devem ser demitidos 15 mil funcionários públicos em 2012 e 150 mil até 2015. O salário mínimo e parte das aposentadorias devem ser reduzidos.

    Marcos Uchôa

    A Grécia cedeu às pressões dos grandes países europeus e aceitou um violento pacote de contenção de gastos, em troca de financiamento da dívida. O pacote e o sacrifício dos gregos são considerados essenciais para salvar a zona do euro na Europa.

    Os ministros de Finanças da União Europeia se reuniram esta noite e vão examinar o acordo.
    Para receber mais 130 bilhões de euros, o governo grego e os três partidos que o apoiam tinham que aceitar medidas de ajuste da economia.

    Demitir 15 mil funcionários públicos em 2012 e 150 mil até 2015. Diminuir o salário mínimo em 22% e cortar também parte das aposentadorias. Se isso tudo já era suficientemente ruim, novos dados da economia trouxeram mais pessimismo.

    O desemprego agora atinge quase 21% dos gregos, e a produção industrial do país diminuiu 11,3% em dezembro. Sem crescimento, sem desenvolvimento e com nenhuma perspectiva de sair do buraco no horizonte, não é surpresa que nas ruas haja tanta gente protestando.

    Os próximos dois dias serão de greve e manifestações para pressionar o parlamento grego, que tem que ratificar o acordo no domingo.

    O apresentador de um dos programas de rádio mais populares da Grécia disse: "Nós estamos falidos, mas para não dizerem que nós estamos falidos, estão dando dinheiro em condições tão punitivas que nós agora vamos ficar ainda mais falidos."

    Claro, estão fazendo isso para salvar os bancos e outros países europeus, mas, desse jeito, como a Grécia vai sobreviver?, perguntou. "A Grécia está cortando tanto, e encolhendo tanto, que, sem crescimento, não se imagina como ela vai ter condições de pagar todos esses empréstimos no futuro".

    Veja, em vídeo, os comentários de Carlos Alberto Sardenberg.

    g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2012/02/grecia-aceita-pacote-de-contencao-em-troca-de-financiamento-da-divida.html
  • anônimo  19/04/2012 14:01
    "Como demonstrado, o que realmente reduziu os dias de trabalho e aboliu o trabalho infantil não foi a interferência destrutiva do estado, mas o dramático e progressivo aumento na produtividade da mão-de-obra criado por empreendedores e capitalistas. Isso aumentou os salários reais e tornou possível que cada vez mais trabalhadores pudessem se dar ao luxo de aceitar os comparativamente menores salários de empregos que exigiam menos horas de trabalho, além de eliminar a necessidade de colocar suas crianças para trabalhar."

    - A jornada de trabalho diminuiu por causa dos Mártires de Chicago:

    "Em 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América.

    Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket."

    pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador#Hist.C3.B3rico
  • Leandro  19/04/2012 14:18
    Claro, claro.

    Até 1886, quando até mesmo o motor à explosão já havia sido inventado (e, antes dele, a bateria elétrica, a embarcação a vapor, a iluminação de rua (a gás), a locomotiva a vapor, as industrializações utilizando como o ferro como matéria-prima e o motor a vapor como força-motriz, segadora mecânica, o telégrafo, o processo de produção de aço de alta resistência que permite sua produção em escala industrial, a abertura do Canal de Suez, o telefone, o fonógrafo, a iluminação elétrica e a radiotelegrafia), a jornada de trabalho era crescente, certo?

    Antes de 1886, a cada ano que passava, a jornada de trabalho aumentava, correto?

    Todas estas invenções mecânicas, elétricas e químicas, em vez de trazer mais conforto e exigir menos energia física, lograram apenas aumentar as horas necessárias de trabalho, né? Como a humanidade é burra. Em vez de procurar o próprio conforto, gerou apenas a própria submissão.

    Até que finalmente uma manifestação de iluminados em Chicago alterou tudo, inclusive as leis econômicas. O mundo, finalmente, ficou inteligente, principalmente no campo da ciência econômica.

    Tentou sacar pra cima da pessoa errada, anônimo. Volte para suas discussões de internet, provavelmente de Facebook. Lá a oposição é mais dócil.

    Boa sorte.
  • anônimo  19/04/2012 15:58
    Mas se foi por causa das invenções mecânicas, elétricas e químicas, por que tanta resistência dos capitalistas da época em reduzir a jornada dos seus empregados? A resistência foi tanta que até gerou estes mártires.
  • Tiago Moraes  21/04/2012 17:43
    Legal, então você realmente acredita que o fator fundamental para a redução da jornada de trabalho não foi o aumento da produtividade marginal do trabalho, permitida graças a acumulação de capital e ao desenvolvimento tecnológico e sim a um evento específico, em um ano específico e um canto específico do planeta...

    Até hoje, eu ainda custo a acreditar que esse pessoal seja tão idiota assim, ainda acho que eles apenas se passam como trolls se fingindo de dementes!
  • Saulo  20/04/2012 11:30
    Meeeeeeee. Que artigo. Ele passa por cima das ideias sindicalistas esquerdistas como um trator sem piedade!!!
  • Tiago  11/05/2012 13:13
    Parabéns pelo excelente artigo, respondeu muitos questionamentos que eu tinha a respeito destas questões.
  • Roberto  31/05/2012 11:23
    Estou tendo aula de história econômica e constantemente saem argumentos do tipo:
    "na condição de país atrasado, precisa que o governo crie indústria, como criou a vale, petrobras, eletropaulo...como a china criou várias, como o japão também e blá blá blá".
    Alguém aqui poderia me indicar livros e/ou artigos pra me inteirar no assunto( para eu poder dar com os dois pés na cara...kkk). É que sempre vem aquele argumento que decorrente da situação histórica do Brasil, o Estado teve que tomar para si a responsabilidade da industrialização e se usam deste argumento para legitimar a interferência estatal.
    Se alguém puder me ajudar nessa questão, fico grato!

  • Patrick de Lima Lopes  09/11/2012 10:23
    Por favor, leiam este artigo e opinem:
    www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=159736
    É uma defesa dos encargos sociais... Lá vamos nós...


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