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É bizarro, mas faz sentido: na Europa, investidores estão pagando para emprestar dinheiro ao governo
O que eles estão temendo é que é o grande problema (atualizado)

Confira a tabela abaixo. A coluna yield mostra os juros anuais pagos pelos títulos públicos com prazo de 10 anos de duração.

yields.png

Juros (yield) pagos pelos títulos de 10 anos dos governos de cada país. Fonte: https://countryeconomy.com/bonds

Sim, você leu corretamente: hoje, um investidor tem de pagar para emprestar dinheiro por dez anos para os governos da Suíça, da Alemanha, da Dinamarca, da Holanda, do Japão, da Áustria, da Finlândia, da França e da Bélgica.

Quem emprestar dinheiro para estes governos receberá, daqui a 10 anos, um valor menor do que o emprestado.

A título de ilustração, quem emprestar hoje 1.000 francos suíços para o governo da Suíça receberá de volta, daqui a 10 anos, 938 francos suíços.

Quem emprestar 1.000 euros para o governo da Alemanha receberá de volta, daqui a 10 anos, 965 euros.

Quem emprestar para o governo da Suécia não pagará nada, mas também não receberá nada a mais após 10 anos.

Já quem emprestar para os governos de Espanha e Portugal receberá juros de 0,41% e 0,48% ao ano, respectivamente. Ou seja, se você emprestar 1.000 euros para o governo espanhol, receberá daqui a 10 anos a impressionante soma de 1.041,76 euros. E isso desconsiderando o imposto de renda.

Para prazos menores que 10 anos, o número de países com juros negativos em seus títulos públicos passa a incluir Suécia, Irlanda, Espanha (!), Portugal (!!) e Itália (!!!). Portugal e Espanha pagam juros negativos até os títulos de 5 anos de prazo. A Itália, até os de 1 ano. Confira tudo aqui.

O governo da Alemanha, por outro lado, paga juros negativos até os títulos de 15 anos de prazo.

Já o governo da Dinamarca está prestes a bater um recorde bizarro: falta 0,01 ponto percentual para ele se tornar o primeiro governo do mundo a usufruir juros negativos em todos os seus títulos públicos.

Com efeito, o volume de dinheiro aplicado em títulos públicos com juros negativos atingiu um recorde histórico: há simplesmente 12 trilhões de dólares aplicados nestes títulos, como mostra este gráfico do Financial Times.

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Evolução da quantidade de dinheiro (em dólares) aplicado em títulos públicos com rentabilidade negativa

A pergunta é inevitável: por que alguém aceitaria pagar para que o governo pegasse seu dinheiro emprestado? Tal prática não vai contra toda a lógica financeira e, até mesmo, da preferência temporal?

Comecemos pelo básico. 

Não há escapatória

É fato que tal idéia seria completamente inconcebível no mundo anterior à crise financeira de 2008. Mas aquele era outro mundo. Hoje, como consequência de todos os programas de afrouxamento quantitativo realizado pelo Banco Central Europeu, a prática de pagar para emprestar dinheiro ao governo já se tornou norma na Europa.

Pior: ela faz total sentido hoje. 

De início, muitas pessoas, normalmente leigas, se perguntam por que pagar para emprestar dinheiro ao governo (que é o que ocorre quando as taxas de juros são negativas) sendo que seria muito mais vantajoso simplesmente deixar o dinheiro parado. Afinal, no primeiro caso, você está perdendo um pouco do dinheiro; no segundo, você mantém a quantia original intacta.

Essa pergunta é típica de quem não conhece o atual sistema financeiro e monetário. A esmagadora maioria do dinheiro (mais de 85%) está na forma de dígitos eletrônicos; apenas uma quantia mínima (não mais do que 10%) está na forma de cédulas e moedas metálicas. 

Sendo assim, simplesmente não há como investidores e fundos de investimento que gerenciam bilhões de euros — ou até mesmo aqueles que gerenciam "apenas" milhões de euros — irem até o banco da esquina e sacarem tudo em espécie. Os bancos não restituem em espécie esses valores. Eles são legalmente isentos, pelo governo, de fazerem isso. O dinheiro eletrônico está "preso" no sistema financeiro e não há como esses dígitos serem convertidos integralmente em cédulas e moedas metálicas. Tudo o que os investidores podem fazer é transferir dígitos eletrônicos de um lugar para outro. E só. Não há como sair dos dígitos eletrônicos.

O Banco Central da Suíça, por exemplo, já anunciou que os bancos não mais têm de fornecer cédulas para nenhum fundo de investimento que queira sacar dinheiro. Uma empresa de seguros tentou fazer isso, mas o banco se recusou. O Banco Central da Suíça, portanto, fez uma declaração ao mundo: ele deixou claro que não há como fugir do dinheiro eletrônico digital.

Portanto, dado que não há como fugir desse arranjo monetário e bancário, a única maneira de grandes investidores e grandes fundos de investimento preservarem seu capital é investindo-o em ativos que é, ao menos em tese, são considerados seguros e até mesmo "livre de riscos". 

Ativos considerados seguros são os títulos da dívida dos governos de países desenvolvidos. Já os ativos considerados "livres de risco" são, principalmente, os títulos da dívida dos governos alemão, suíço, holandês, austríaco e nórdicos. Para estes últimos é direcionada a maior fatia do dinheiro dos grandes investidores e dos fundos de investimento europeus. O restante está indo para os títulos de mais curto prazo dos outros governos da Europa.

Adicionalmente, vale enfatizar que, em uma situação em que as taxas de juros estão em queda, é possível obter elevados ganhos de capital ao se comprar títulos de longo prazo: à medida que os juros vão caindo ainda mais, os preços de mercado desses títulos vão subindo

Ou seja, se você comprar um título por $ 100, e os juros caírem, você pode revender esse mesmo título por, digamos, $ 102. Isso é uma taxa de retorno muito positiva, e nada negativa.

O que vem por aí

Tendo entendido agora que fundos de investimento e hedge funds não têm como converter em papel-moeda todos os bilhões de euros sob sua administração — eles operam com dígitos eletrônicos e esses dígitos eletrônicos podem apenas ser transferidos de um lugar para outro —, fica mais fácil começar a entender o que se passa.

Mas por que então eles simplesmente não deixam esse dinheiro parado em alguma conta-corrente de algum banco? 

Em primeiro lugar, porque alguns bancos, obviamente, também já passaram a impor "juros negativos" — ou seja, passaram a cobrar juros de seus correntistas.

Na Alemanha, desde 2016, dois grandes bancos passaram a praticar taxas de juros negativas sobre depósitos acima de 100.000 euros. E não só de empresas, mas também de pessoas físicas. Na Suíça, alguns bancos também já estão fazendo o mesmo. Nada garante que a prática não irá se disseminar.

Mas isso ainda é o de menos. Ao menos por enquanto, a grande maioria dos bancos europeus ainda não adotou essa prática. Logo, a pergunta permanece: por que então os grandes investidores e fundos de investimento simplesmente não deixam esse dinheiro parado em alguma conta-corrente de algum banco? 

É aí que a encrenca se revela. A julgar pelas atitudes destes investidores, tudo indica que, no mínimo, eles não estão seguros nem quanto à solidez dos bancos europeus e nem quanto à situação da economia europeia.

Falando mais claramente, este fenômeno que está ocorrendo na Europa indica que:

1. Estes grandes investidores acreditam que uma crise econômica se aproxima, o que tende a afetar os bancos.

2-a. Como consequência, há uma grande desconfiança em relação ao sistema bancário europeu. Assim como ocorreu no Chipre, caso os bancos europeus quebrem não mais haverá pacotes de socorro com dinheiro público; os próprios correntistas é que terão de socorrer seus respectivos bancos.

2-b. As regras da União Europeia, desde janeiro de 2016, proíbem resgates bancários com dinheiro de impostos ("bail-outs"), permitindo somente os "bail-ins", que é quando o dinheiro dos correntistas do próprio banco é utilizado para recapitalizar o banco insolvente.

Em termos práticos, o dinheiro que está nas contas-correntes, nas contas-poupança ou em CDBs é confiscado e incorporado ao patrimônio líquido do banco, aumentando seu capital.  O dinheiro que até então era contabilizado como um passivo para o banco torna-se um patrimônio líquido do banco.

3. E dado que os títulos públicos alemães, suíços, dinamarqueses, holandeses e austríacos são vistos como mais seguros que quase todos os outros, é para eles que vai a maior fatia do dinheiro.

Em um cenário de grandes incertezas econômicas e de desconfiança em relação à solidez do sistema bancário, investidores racionais fazem exatamente o que já estão fazendo agora: eles direcionam seu capital para aqueles ativos mais seguros e mais líquidos que existem, mesmo que para isso tenham de pagar uma taxa (os juros negativos). 

E eles pagam alegremente essa taxa, desde que ela lhes garanta proteção.

Mais ainda: caso os juros caiam ainda mais — o que significa que o preço dos títulos está subindo — é possível auferir grandes lucros. E tudo indica que os juros seguirão caindo. Logo, é uma situação ótima do ponto de vista racional: você está em um porto seguro e ainda tem boas chances de lucrar.

Os grandes investidores já perceberam que os Bancos Centrais, principalmente o europeu, não só não deixarão as taxas de juros de longo prazo subir, como ainda estão trabalhando para reduzi-las. Os BCs estão recorrendo a todos os tipos de heterodoxias monetárias — desde a compra de títulos governamentais de longo prazo até a compra de todos os tipos de debêntures emitidos por empresas — para tentar manter baixas todas as taxas de juros de longo prazo. 

O Japão foi o primeiro a fazer isso. Começou ainda no início da década de 2000. Após 2008, o Fed fez o mesmo (mas interrompeu essa política em 2014). O Banco Central Europeu entrou na onda em 2010. O Banco Central da Suíça fez coro a partir do final de 2011.

E, dado que as taxas de longo prazo tendem a se manter em queda, faz total sentido para os grandes investidores europeus continuar comprando títulos públicos.

Logo, eles estão fazendo exatamente o que qualquer investidor racional faria em épocas de grande incerteza: estão tentando manter seu principal. 

Eles querem receber de volta o máximo possível do valor total de que eles inicialmente abriram mão. Para isso, aceitam pagar aos governos uma "taxa de custódia": afinal, é melhor aplicar em títulos públicos e, na pior das hipóteses, pagar uma taxa por isso do que aplicar em bancos e ver esses bancos quebrarem em uma nova recessão e eles serem obrigados a abrir mão do seu dinheiro para socorrer os bancos.

E há também um bônus: caso tudo "dê certo" — isto é, caso os juros destes títulos públicos continuem caindo —, ainda é possível auferir um bom lucro com a venda antecipada destes títulos.

Isso não ocorre nos EUA

Nos EUA, há um serviço privado que não existe na Europa. São as contas CDARS (Certificate of Deposit Account Registry Service).

Quando você coloca seu dinheiro em um CDARS, ele divide esse dinheiro em várias contas bancárias entre mais de 3 mil bancos diferentes. Cada conta bancária fica dentro do limite de US$ 250.000 garantido pelo FDIC (o FGC americano) em caso de quebra bancária.

Ou seja, por meio dos CDARS, os milionários e bilionários americanos podem dividir suas fortunas em mais de 3 mil bancos distintos, em montantes que não ultrapassam US$ 250.000 por banco, de modo que o montante total acaba contando com a cobertura da FDIC. Assim, eles têm a segurança de que serão totalmente restituídos em caso de quebras bancárias, não perdendo nem um centavo.

Na Europa, tal serviço não existe. Consequentemente, todos correm para os títulos dos governos, principalmente alemão, suíço e nórdico, o que os empurra para o negativo. Já nos EUA, não há esta urgência.

E este é um dos fatores por que os títulos públicos americanos nunca entraram no negativo (outro fator é o fato de que o Fed nunca embarcou na bizarrice de impor taxas de juros negativas sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos comerciais depositam nele, como faz o Banco Central Europeu).

Conclusão

As taxas de juros que os grandes investidores europeus estão pagando aos governos europeus em troca de seus títulos nada mais são do que um seguro contra uma recessão e contra uma eventual insolvência bancária durante esta recessão. Tal atitude faz sentido.

O fato de que milionários e bilionários estão pagando para emprestar dinheiro aos governos europeus indica que há um crescente temor de que haverá uma contração na economia européia. E eles imaginam que esta contração tende a ser aguda.

Títulos públicos de vários países (inclusive Portugal, Espanha e Itália) com juros negativos podem ser um indicativo de um amplo temor entre os grandes investidores de que está se avizinhando algo semelhante à crise de 2008-2009. 

"Melhor uma perda pequena e segura do que uma perda enorme e altamente provável" tornou-se o mantra entre os grandes investidores europeus.

Trata-se de uma reação perfeitamente sensata a um cenário pós-2008.

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Leia também:

A era da insanidade - um resumo das medidas surrealistas dos Bancos Centrais mundiais 

Os Bancos Centrais mundiais são hoje a principal fonte de risco e instabilidade à economia mundial



autor

Anthony P. Geller
é formado em economia pela Universidade de Illinois, possui mestrado pela Columbia University em Nova York e é Chartered Financial Analyst credenciado pelo CFA Institute.


  • Matheus  20/06/2019 05:11
    Pergunta de um leigo interessado: por que o valor do título da dívida sobe quando os juros caem. Alguém poderia me explicar a lógica disso?
  • Trader  20/06/2019 05:56
    Imagine que o Tesouro emitiu um título prefixado (LTN) cujo valor de face é R$ 1.000 e seu vencimento se dê em um ano. O preço de compra desse título vai ser definido pela oferta e demanda. Suponhamos que você tenha arrematado o título por R$ 800. Dali a um ano o Tesouro vai pagar-lhe R$ 1.000. Sendo assim, esse título está pagando juros de

    (1.000 - 870) / 870 = 15% ao ano

    Agora suponha, no dia seguinte, os juros desses títulos subiram para 20%.

    (1.000 - X) / X = 20% ao ano.

    Faça os cálculos e você verá que o novo valor do título no mercado será de R$ 833.

    Assim, um título que foi comprado por R$ 870, agora está sendo negociado a R$ 833.

    Se o preço de um título sobe, seus juros caem. Já se os juros sobem, o preço dos títulos cai.

    Ou então pense dessa forma: dado que o preço final do título é dado ($1.000), então quanto menor for o valor de compra dele, maiores terão de ser os juros para fazer com que este valor chegue a $ 1.000 na mesma data final.
  • Matheus  20/06/2019 06:07
    Obrigado. E no caso de juros negativos?
  • Trader  20/06/2019 06:19
    Mesma coisa.

    Você compra um título por $1.010 e o governo promete lhe pagar $ 1.000 no vencimento daqui a um ano. Isso dá uma taxa de -0,1% ao ano. (Arredondei o valor).

    Aí as taxas caem mais ainda, indo para -0,20%. Consequentemente, o preço subiu de $1.010 para $ 1.020 (arredondei o valor).

    Se você revender por $1.020 o título que você comprou por $1.010 você teve $ 10 de lucro.
  • Luis  21/06/2019 14:46
    Para nós, brasileiros, o seu exemplo poderia ser inserido no texto traduzido para demonstrar o real efeito dos juros negativos: compra-se o título caro e vende-se mais barato.
  • Alvaro  20/06/2019 05:17
    Realmente essa bolha dos títulos soberanos originada pelos "quantitative easing" é algo assustador, e na hora que ela estourar aí as coisas vão ficar bem complicadas.

    Mas a questão é: não há muito indício de que ela vai estourar. De um lado, o BCE já avisou que vai continuar seu programa de afrouxamento. De outro, não há nenhum indício de inflação na zona do euro, o que mostra que a demanda pela moeda segue forte. E isso permite mais afrouxamento.

    Enquanto esse arranjo benigno durar, segue o jogo.
  • Wesley  20/06/2019 05:19
    Excelente artigo!

    Minha pergunta é direcionada aos nossos títulos públicos:

    - É seguro investir no tesouro direto tendo em vista que o endividamento do país hoje é extremamente alavancado?

    Administro o dinheiro da minha família e aloco o capital de maneira eficiente criando um hegde natural, 30% RV, 30% RF(tesouro direto), 30% dolar e 10% ouro, o que me deixa sempre preocupado com relação ao futuro é calote . . .

    O que acham?
  • Auxiliar  20/06/2019 05:59
    Pode comprar sem medo.

    Juro que não entendo por que insistem nessa tese de calote da dívida interna.

    Para começar, isso seria uma incrível burrice: hoje, o governo só consegue se manter porque pega dinheiro emprestado. Tendo déficit primário, o governo não paga nem o funcionalismo público se não tomar dinheiro emprestado.

    Sendo assim, ele precisa se endividar simplesmente para continuar funcionando.

    Ao dar um calote, o governo estaria fechando justamente aquela fonte de financiamento que sempre lhe esteve disponível. Você não mata quem sempre lhe empresta dinheiro e permite fechar suas contas.

    Adicionalmente, vale ressaltar que nem a Venezuela deu calote. Aliás, nem mesmo a Argentina fez isso (ela deu o beiço nos estrangeiros, mas não nos nacionais).

    Sim, haverá calote, mas este não ocorrerá com os títulos públicos em mãos de cidadãos nacionais. O calote ocorrerá sobre aqueles grupos que têm menos poder político (aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo).

    Mas antes disso ainda haverá redução de repasses e cortes de verbas para saúde, educação e aposentadorias. Haverá vendas de ativo na bacia das almas. Haverá privatizações. Em última instância, o governo preferirá vender todas as suas estatais a calotear a dívida pública (e há muitas estatais a serem vendidas).

    A menos, é claro, que os governantes da vez sejam burros demais (ainda mais burros que os da Venezuela). Aí realmente tudo pode acontecer.
  • RICARDO  22/06/2019 03:12
    Se darmos de beiço nos estrangeiros, como ficariam os títulos da divida pública brasileira que estão alocados pelos fundos estrangeiros? Você saberia me dizer qual o percentual de títulos públicos que estão nas carteiras destes fundos?
  • Trader  22/06/2019 03:54
    Isso é imaterial, pois não é assim que funciona. A dívida externa possui títulos específicos. Não são os mesmos títulos que nós brasileiros possuímos. O calote teria de ser especificamente sobre esses títulos emitidos exclusivamente para estrangeiros, isto é, títulos em dólar.

    Os fundos estrangeiros possuem em sua carteira tanto os títulos da dívida interna (os mesmos que nós possuímos) e os títulos da dívida externa (emitidos exclusivamente para eles). Não tem como calotear apenas os títulos da dívida interna que também estão na carteira de fundos estrangeiros.

    Veja:

    oglobo.globo.com/economia/governo-anuncia-emissao-de-titulos-da-divida-externa-23539530
  • Trader  22/06/2019 03:59
  • Rentista puto  20/06/2019 05:23
    Só sei que aqui no Brasil a dupla Bolsonaro/Guedes está acabando com os rentistas e dificultando demais minha vida. Tenho saudades da Dilma. Na época dela, cheguei a pegar prefixado pagando 16,5% ao ano. Hoje, a bagaça tá pagando patéticos 7,42%.

    Isso é um acinte! Nesse ritmo, daqui a quatro anos vai ficar tudo negativo também.

    Esse governo tem de cair logo. Volta Dilma!
  • Carlos Alberto  20/06/2019 06:03
    Nem me fale!

    Em janeiro de 2016 comprei Tesouro IPCA a 7,82%. Hoje tá em 3,89%. Isso é patético.

    Também comprei Tesouro Prefixado 2023 a 16,11% em fevereiro. Hoje tá em 6,90%. Pouco acima do CDI

    Sim, meu rendimento foi brutal (quase pega o Bitcoin rsrsrs), mas agora acabou. Vou investir em que com a mesma segurança?

    Volta Dilma! ;)
  • Alan Clark  22/06/2019 21:11
    Tesouro Pré pagando 16,11%? Pesquisei em fevereiro e não chegava nem perto disso.
  • Carlos Alberto  22/06/2019 21:18
    Em janeiro e fevereiro de 2016, um prefixado com vencimento em 2023 (LTN 2023) chegou a pagar 16,59%. Eu comprei a 16,11% em fevereiro.

    Pode conferir.

    tdcharts.info/titulos (clique em LTN 2023 e veja as "taxas de compra")

    P.S.: é realmente irritante esta mania (que, aliás, é típica de brasileiro) de querer negar algo que o outro fez. Eu fiz algo, mas o sujeito quer negar isso.
  • J K  24/06/2019 00:55
    Fazendo a função de mediador sem ter procuração para isso, me pareceu que ele olhou fev/2019. A meu ver, não quis te desmentir
  • Thomas  26/06/2019 10:53
    Amigo,

    Seu pensamento não está correto.
    Vc tem q ver os juros reais. Na Época da Dilma a inflação era acima de 10%. Hj está em 4%.
  • Pobre Paulista  26/06/2019 13:12
    A taxa de juros apresentada no Tesouro IPCA+ (Antiga NTN-B) já é a real.
  • Pompador  01/07/2019 03:45
    Negativo. É preciso considerar tbm os efeitos do imposto de renda em cima desses juros. Doce ilusão achar que o IPCA+ lhe protege de qualquer coisa. www.youtube.com/watch?v=GXaZrC1hh80
  • Tiago  20/06/2019 05:27
    E a situação bancária brasileira também não é exatamente das melhores. Com a bancarrota da Odebrecht (e outras empreiteiras seguirão o mesmo caminho), será que os bancos estão preparados para os calotes que receberão?

    Eu não deixaria dinheiro em CDB. Ou você coloca num fundo de investimento do próprio banco (que tem administração separada e cujos ativos e passivos não são do banco) ou vai pro Tesouro Direto. Foi isso que eu fiz.
  • J.  20/06/2019 06:07
    O mais interessante é que o fato de títulos com rentabilidades negativas continuarem sendo atrativos (ainda mais assim, como se pudessem cair em uma espiral "deflacionária" infinita) não era bem o resultado esperado pelos governos e pelos bancos centrais.

    Parece que a intenção era justamente que acontecesse o contrário. Principalmente agora, devido às potenciais turbulências de um Brexit, quando todos estão procurando aplicações mais seguras. As taxas negativas deveriam ser quase que uma forma de punição, pelo fato de as pessoas serem tão temerosas e não se disporem a correr riscos.

    Mas isso de títulos de longo prazo serem negativos é só mais um fundamento que foi mandado para o espaço pela própria existência dos bancos centrais e regulações do mercado financeiro. Não encontrei nenhuma palavra no dicionário que descreva essa nova emoção.
  • Um Cão  20/06/2019 10:03
    Acredito que muitos destes investidores também possuem um portifólio incluindo metais preciosos. Deveriam alocar uma quantia maior em ouro do que em títulos, seja da Alemanha ou da Grécia. Zero hedge em ouro sempre.

    Acredito também que esta próxima crise será a maior da história, causada pelas dívidas governamentais, QE e impressão de dinheiro. Por que será né? Será por que as moedas possuem monopólio estatal?
  • Um Cão  20/06/2019 10:09
    Lembrando que o ouro está praticamente com o valor máximo pos 2011-2013, periodo quando o dolar estava fraco, más ainda está distante do valor de 2011, ou seja, ainda da tempo de se proteger:
    www.macrotrends.net/1333/historical-gold-prices-100-year-chart
  • Milton Friedman Cover's  20/06/2019 10:14
    Excelente artigo com roteiro verídico de filme de terror, que situação lastimável na Europa! Penso que o fato de ter sido criada a União Europeia, com parlamento único, etc., só trouxe prejuízos graves aos países europeus. E pensar como existem pessoas sonhando inocentemente que a União Europeia traria grande prosperidade a todos. Sim, livre comércio entre países é maravilhosamente óbvio e salutar, mas governo único, não. Aqui no Brasil é urgente criar uma república evidentemente federativa, com redução de políticos ao máximo, estados independentes como é nos EUA. Não entendi acima leitores afirmando ter saudades da ex alguma coisa. Deve ser ironia que eu não entendi. Abraços.
  • Sandbrand  20/06/2019 12:10
    "há simplesmente 12 trilhões de dólares aplicados nestes títulos,"...

    Pois é, esse dinheirão todo parado. Faltou mencionar no texto que nesses países desenvolvidos há inflação, ou seja, a perda do poder de compra desse dinheiro rói absurdo. Poderia ser investido em países como o Brasil, que tem uma imensa infraestrutura a ser e construída, saneamento básico, etc. Diziam que era só tirar o PT que o investimento estrangeiro chegaria. A verdade é que temos um país com a terceira pior distribuição de renda do mundo, e isso não foi coisa do PT, mas de uma elite financeira e política obtusa. Todo investimento necessita retorno, quando os investidores calculam o prazo de retorno e percebem que temos uma imensa parcela da população sem poder de compra e desempregada, fogem. Não adianta reformar o Estado, acabar com previdência, com leis trabalhistas, nada disso vai recuperar a economia em longo prazo. Somos um país que não deu e não vai dar certo. Percebi comentários acima sobre saudade da Dilma, por praticar juros que possibilitaram uma vida tranquila sem trabalhar. Esse capitalismo financeiro é a derrocada final dessa sociedade que acha que dinheiro nasce em árvore. Por isso os livros que ensinam: "deixe o dinheiro trabalhar por você" viraram os bestsellers dos últimos anos. Brasil, um país sem passado, presente e futuro!
  • Humberto  20/06/2019 16:40
    "Pois é, esse dinheirão todo parado."

    Parado?! Parado?!

    Cidadão, todo e qualquer dinheiro emprestado para o governo é imediatamente gasto. Governo nenhum deixa dinheiro parado. Governo se endivida exatamente para gastar. E, ao gastar, todo esse dinheiro volta para a economia.

    Sim, esses gastos do governo causarão estragos monumentais, mas se a sua preocupação é "dinheiro parado", pode ficar relaxado. Nem um único centavo desses trilhões ficou parado.

    "Faltou mencionar no texto que nesses países desenvolvidos há inflação, ou seja, a perda do poder de compra desse dinheiro rói absurdo."

    Você está querendo ensinar a este Instituto que há inflação? Qual a próxima? Vai tentar ensinar os pássaros a voar?

    "Poderia ser investido em países como o Brasil, que tem uma imensa infraestrutura a ser e construída, saneamento básico, etc."

    Não poderia. Por estes motivos aqui.

    "Diziam que era só tirar o PT que o investimento estrangeiro chegaria."

    Melhorou bastante depois que a Dilma saiu. O que essa dona fez com o país é digno de cadeia. Perto da destruição causada por ela, essa turma pega na lava-jato é tudo apenas trombadinha.

    "A verdade é que temos um país com a terceira pior distribuição de renda do mundo, e isso não foi coisa do PT, mas de uma elite financeira e política obtusa. Todo investimento necessita retorno, [...]"

    Blá blá blá. A distribuição de renda nos EUA também é reconhecidamente ruim, e no entanto o país é um chamariz de investimentos estrangeiros. Por outro lado, Afeganistão, Etiópia, Paquistão, Timor Leste, Bangladesh, Indonésia, Índia estão entre as nações com as mais igualitárias distribuições de renda do mundo, e simplesmente estão entre os mais pobres, com pouquíssimos investimentos estrangeiros.

    Aprenda o básico: o que atrai investimento estrangeiro não é a distância entre pobres e ricos, mas sim quão ricos são os pobres. Pobres em países altamente desiguais, mas com um bom poder aquisitivo, são melhores consumidores do que pobres em países altamente igualitários, mas sem nenhum poder de consumo.

    Por isso, temos de nos concentrar em reduzir a pobreza, e não em diminuir a riqueza.

    Isso é tão básico, que até uma criança de 7 anos entende isso sem problema. É necessário ser um ideólogo fanático por partidos políticos para não entender essa obviedade.

    "quando os investidores calculam o prazo de retorno e percebem que temos uma imensa parcela da população sem poder de compra e desempregada, fogem."

    Ah, agora já melhorou. Só que isso, meu caro, nada tem a ver com desigualdade, mas sim com a riqueza geral de todos. Por isso, o objetivo é criar riqueza para os pobres, e não empobrecer os ricos.

    Em qualquer discussão sobre desigualdade, estas são as quatro perguntas que têm de ser feitas

    Para superar a pobreza, é crucial premiar a criação de riqueza, e não puni-la

    A desigualdade é um indicador errado e enganoso - concentre-se na pobreza

    "Não adianta reformar o Estado, acabar com previdência, com leis trabalhistas, nada disso vai recuperar a economia em longo prazo."

    Claro que vai! Reformar o estado, a previdência e as leis trabalhistas é imprescindível para a criação de riqueza.

    O estado, em seu atual formato, está simplesmente destroçando a economia e acabando com a riqueza. Manter tudo como está, que é o que você defende, irá simplesmente exacerbar os mesmos problemas que você diz querer combater.

    Pare de viver numa realidade paralela, saia da adolescência e comece a encarar os problemas de frente.

    "Somos um país que não deu e não vai dar certo."

    Vira-lata.

    "Percebi comentários acima sobre saudade da Dilma, por praticar juros que possibilitaram uma vida tranquila sem trabalhar."

    E, pelo visto, faltaram-lhe os neurônios para perceber que eles eram claramente irônicos. Que dó...

    Vá se preparar melhor, cidadão.
  • Sandbrand  20/06/2019 18:24
    Pois é, você que está melhor preparado, conserta então. Só teorias, prezado cidadão culto, não resolve nada. Quero ver ir lá pra frente e comandar a turma da falsa democracia. Há uma coisa chamada egoísmo, palavra mestre do Sr. Adam Smith, essência de uma raça humana chamada sapiens. Homem culto nenhum e preparado de teorias, corrigirá isso chamado Brasil.
  • Renato Silva  03/07/2019 17:45
    Egoísmo não é exclusividade nossa, é? E sobre isso por aqui já teve um textão maneiríssimo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2777
  • Victor  20/06/2019 15:06
    Dinheiro é ouro, todo o resto é crédito.
  • Estado o Defensor do Povo  20/06/2019 15:10
    Pessoal, vocês já ouviram falar da Colônia Cecília? Acho que seria bom um artigo à respeito, visto que tem gente que tem dúvidas sobre.
  • Eduardo  20/06/2019 15:27
    E por que não investir no Brasil, com seus juros fartos?
  • Trader  20/06/2019 15:43
    Por vários motivos:

    1) Eles não são loucos.

    2) Proibições estatutárias dos fundos de investimento. Apenas uma porcentagem pode ser aplicada no exterior, e apenas uma porcentagem menor ainda pode ser aplicada em mercados de risco (como o Brasil).

    3) Depois que o Brasil perdeu o grau de investimento em 2015, vários fundos tornaram-se estatutariamente proibidos de investir aqui.

    4) A esmagadora maioria dos fundos é contratualmente obrigada a manter o capital em títulos de certos governos ou atrelados ao euro.

    5) Aplicar em títulos com juros negativos ainda assim pode ser lucrativo. Basta que os juros continuem caindo. Logo, ainda não há motivos para sair de lá.
  • Leandro  20/06/2019 15:52
    Além de tudo isso, há também as incertezas cambiais.

    Um exemplo básico, usando dólares.

    1) O cara traz US$ 100 dólares pra cá e converte para R$ 385 reais (taxa de câmbio de 3,85).

    2) Aplica esses R$ 385 em títulos do Tesouro que rendem a SELIC.

    3) Daqui a um ano, ele terá R$ 409 brutos (ganho de 6,40% ao ano).

    4) Com o IR de 17,50%, ele terá R$ 405.

    5) Um bom ganho, certo? Melhor do que os títulos públicos americanos e europeus.

    6) Mas agora vem a encrenca: ele tem de reconverter R$ 405 em dólares e ir embora. Afinal, nos EUA (e na Europa_, a moeda corrente não é o real.

    7) No entanto, nesse ínterim, o câmbio foi de R$ 3,85 para R$ 4,15, por causa de incertezas políticas.

    8) Ao converter os 405 reais em dólares a um câmbio de 4,15 ele terá US$ 97,60 – ou seja, menos do que tinha antes.

    9) Conclusão: ele perdeu dinheiro com a desvalorização cambial, não obstante ter ganhado um bom dinheiro com os juros.

    É por isso que este Instituto vem insistindo nesta questão do câmbio há anos. Enquanto o câmbio ficar à mercê da política, o fluxo de investimentos estrangeiros para cá (principalmente para investimentos produtivos) será muito aquém do potencial.

  • Eduardo  22/06/2019 13:55
    ... tenho certeza que esses fundo fariam hedge cambial.
  • Paulo  20/06/2019 20:17
    O mais bizarro é os Juros Brasileiros com esse cenário externo, só demonstra o quão calamitosa está nossa situação fiscal.

    E de certa forma, acaba por nos beneficiar, qualquer ajuste de juros para cima lá fora faria o Brasil entrar em recessão, eu suponho, haja visto o choque nos nossos titulos e uma possível fuga de capital(para o Dólar e o Ouro).

    Mas eu não aposto em uma normalização dos Juros, pelo menos não em um futuro próximo, vão rodar mais QE.. A economia Europeia vai ficar em ''modo zumbi''.. Com juros negativos, baixa expansão de crédito.. Aposto muito mais em uma depressão prolongada que um crash forte.
  • Bruno Feliciano  20/06/2019 20:54
    Qual a chance de ter uma fuga de capitais para o Brasil nos próximos 4 anos?
    Desenhando o seguinte cenário:

    1 - A próxima recessão do Ocidente chega, os bancos alemães não conseguem mais sustentar prejuízos, a economia americana entra em colapso, as bolhas financeiras explodem. Inverte a curva dos juros, o juros dos de curto prazo é maior do que os de longo, visto o desespero e a insegurança do futuro, tentando auferir o menor prejúizo no curto prazo, o mais rápido possível!

    2 - Posto esse cenário em tela, vemos que grandes magnatas gringos não tem mais pra onde fugir, no máximo como explicado no artigo de forma brilhante, estes correm para as ''colinas'' e garantem uma perda mínima deixando o dinheiro em títulos públicos. O problema é que com a economia em depressão e posteriormente em recessão, manter esses títulos públicos só vai piorar a situação do país, visto que nenhum investimento racional e produtivo esta sendo alocado, somente esta sendo alocado ao governo pagar suas contas diante a queda de receita, o problema é que isso não é infinito e uma hora colapsa. Uma hora o governo não tem mais de onde pegar emprestado, a arrecadação só cai, o interesse pelos títulos públicos desaba e agora quem é lúcido esta vendendo seus títulos na medida do possível.

    3- Ato continuo, feito uma reforma da previdência (perto de 1 tri e com capitalização), feito uma reforma tributária e trabalhista, junto com o pacto federativo reformado e uma mudança na segurança pública.
    Agora o único lugar com alguma segurança de prosperidade, é a America do Sul.
    Brasil, Paraguai e Chile é o único lugar do ocidente em que se tem algum otimismo no futuro.

    A probabilidade desse cenário, é significante o suficiente pra se chamar de ''real''?

    Se tudo der certo ao minimo planejado, acredito que os próximos 3 anos serão inéditos na economia mundial. Os mais emergentes e pobres do ocidente poderão enriquecer puxando todo o capital dos países já desenvolvidos.

    Até Paulo Guedes cantou essa bola

    ''O cenário externo esta nebuloso enquanto aqui esta ficando mais certo e positivo. Há uma enxurrada de investimento parado na porta, esperando a porta abrir'' (referência as reformas).

    Eai, qual seu palpite para os próximos 3 a 5 anos?




  • Vladimir  21/06/2019 01:18
    Bruno, o seu raciocínio até está certo e apresenta alguma plausibilidade, mas este cenário catastrófico que você desenhou não procede.

    Concordo com o leitor Paulo acima: a economia vai ficar em modo zumbi, com juros negativos e pouca expansão do crédito. Tipo Japão. Vai ser paradeza, e não um colapso forte.
  • Dedé  21/06/2019 12:01
    A América Latina é pobre em infra estrutura, pobre em capital humano, tem longo histórico de inflação e instabilidade política.

    Não há a menor chance de nenhum país desta região ser considerada o porto seguro do mundo. Pense aí no Brasil, com metade da população de analfabetos, 60 mil assassinatos por ano, sem ter uma universidade entre as melhores do mundo, as empresas mais "inovadoras" são os bancos que sempre estão criando novos produtos engana trouxas.

    Se fosse o Brasil a esperança de prosperidade no mundo, o mundo estaria ferrado.

    Não é a toa que os EUA são o porto seguro do mundo. Excelente infraestrutura, população rica e bem educada. Além de ser o centro da inovação e criação de valor mundial.

    A menos que tenhamos uma guerra nuclear, onde boa parte da infraestrutura e da população americana seja dizimados, os EUA ainda seguiram por muito tempo sendo o lugar pra onde fugir.

    A China tem muita lenha pra queimar se quiser um dia assumir o lugar dos EUA nesse quesito.
  • Felipe Lange  20/06/2019 21:28
    Pessoal, o que vocês acham desse artigo?

    Falando em juros, uma coisa que me chamou a atenção é que aqui nos EUA, os juros para se financiar carros são bem mais baixos do que no Brasil. Além do fator da credibilidade do governo americano (que resulta em juros menores, ou eu me confundi?), quais seriam os outros fatores?
  • Rafael  21/06/2019 01:03
    Juros para financiamento de carro aqui no Brasil também é bem barato.

    Nos EUA é ainda mais barato porque os juros americanos são muitos menores e também porque há muito mais concorrência no setor financeiro.
  • Buy Bitcoin  20/06/2019 21:56
    Tudo isso me deixa muito otimista e seguro de que criptomoedas são o futuro.
  • Alex Mattar  20/06/2019 22:03
    Só uma duvida: pq estes fundos não investem em ouro, bitcoins etc?
  • Luciano  21/06/2019 01:01
    Regulação. Aqui no Brasil é a mesma coisa. A CVM, a Susep e a Previc impõem em que um fundo pode e não pode investir.

    Exemplos.

    Investimento no exterior: fundos oferecidos no varejo só podem 20 por cento, mas se for previdência aberta, apenas 10 por cento.

    Fundos de pensão: pode até 10 por cento no exterior, desde que não respondam por mais de 15 por cento do patrimônio do fundo em que investem lá fora.
    As regras também variam para alavancagem, fatia máxima investida em ações e outros infinitos temas.

    Quanto a Bitcoin, isso possui altíssima volatilidade. Nenhum gestor de fundo é insano de colocar todo o dinheiro naquilo (lembrando que um fundo tem de lidar com saques diários).

    Quanto ao ouro, não rende juros e serve para se proteger contra inflação de preços, algo que não é problema na Europa.
  • Eduardo  21/06/2019 00:47
    Vocês saberiam dizer se o risco bancário de fora poderia contaminar os bancos daqui? Pergunto isso para saber se quem investe em CDBs de bancos menores têm que se preocupar.
  • Pobre Paulista  21/06/2019 01:14
    Por incrível que pareça, nosso sistema bancário é mais resiliente do que é em geral lá fora, isso porquê o BACEN é extremamente rigoroso nos limites de capital que impões às instituições financeiras em geral (muito provavelmente para proteger o cartel atual).

    Observe que os bancos aqui só quebram por conta de fraude contábil, e quase nunca por questões sistemáticas que afetaram seu capital (que foi o que causou a quebradeira lá fora, por exemplo o Lehman Brothers).

    Isto posto, é suficiente você observar o índice Basileia, o índice de imobilização e a razão de alavancagem de um banco para medir sua saúde global.

    Um bom lugar para achar esses dados é no site Banco Data: basta digitar o nome do banco e escolher o relatório "Conglomerado Prudencial". Se estes valores estiverem dentro do considerado seguro - o próprio site coloca os limites considerados seguros - pode ficar tranquilo quanto à riscos iminentes de quebra do banco. Claro que ele pode se deteriorar com o tempo, mas aí cabe a você diversificar seus investimentos em diversos bancos distintos.
  • Leitor Antigo  21/06/2019 01:23
    Pode ser, mas há outro fator ainda mais crucial.

    No Brasil, ao menos oficialmente, não é o governo quem garante o sistema bancário em caso de quebras, mas sim os recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que é uma instituição privada e mantida pelos próprios bancos.

    Já nos EUA, quem garante os bancos é o próprio governo federal, por meio da Federal Deposit Insurance Corporation, uma instituição estatal.

    Ou seja, no Brasil, os bancos sabem que, se forem imprudentes, é o próprio dinheiro deles que terá de ser usado para socorrê-los (o PROER da década de 1990 nada tinha a ver com o comportamento dos bancos, mas sim com a radical mudança do regime monetário, obra do próprio governo).

    Já nos EUA, os bancos sabem que, caso algo dê errado, o governo federal está pronto para socorrê-los, pois esta é exatamente sua auto-declarada função.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1696
  • Eduardo  21/06/2019 01:43
    Obrigado pela resposta. Eu sempre entro nesse site pra checar a saúde do banco.
  • Eduardo  21/06/2019 01:19
    Vocês saberiam dizer se o risco bancário de fora poderia contaminar os bancos daqui? Pergunto isso para saber se quem investe em CDBs de bancos menores têm que se preocupar.
  • myself  21/06/2019 01:54
    Com juros negativos na Europa, como não está havendo um surto de aumento de preços por lá?

    Alguém pode explicar o mecanismo que esta prevenindo o aumento de preços?
  • Leandro  21/06/2019 13:48
    Porque a expansão do crédito continua muito baixa.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/euro-area-loans-to-private-sector.png?s=emuevolvloatoprisec&v=201906011014a1&d1=20000621&d2=20190621

    Com baixa confiança na economia (a qual é acentuada ainda mais pelos juros baixos), empresas e pessoas não estão se endividando para investir e consumir. Logo, não está sendo injetada uma grande quantidade de dinheiro na economia.

    Tal fenômeno, aliás, já havia sido previsto por este Instituto.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2044
  • Carlos U Pozzobon  21/06/2019 03:50
    Gostaria de saber por que o Brasil NÃO pode se inserir em um processo de negativização da dívida publica com juros decrescentes. A única resposta que me deram é de que não haveria investimentos estrangeiros no Brasil caso os juros caíssem abaixo de um patamar de interesse. Bem...., mas então os investimentos estrangeiros são feitos para comprar títulos da dívida? Isto é investimento? Francamente, acho que quando se trata de Brasil a economia se torna outra ciência.
  • Marcos  21/06/2019 13:47
    Brasil com juros negativos? Em mesmo nível de Alemanha e Suíça? Tá muito fã de Bolsonaro, hein? Confiando muito na capacidade dele de continuar atraindo investidores da dívida pública mesmo tendo de pagar para isso.

    Se não há juros negativos nem mesmo nos EUA, que, em tese, possuem os títulos públicos mais confiáveis do mundo (nunca deram calote), por que o Brasil (que já deu inúmeras moratórias) conseguiria ter juros negativos e ainda assim atrair investidores para seus títulos?
  • Carlos Alberto  21/06/2019 13:47
    Se isso acontecesse, a taxa de câmbio dispararia e o país entraria em hiperinflação.

    Quando a Selic estava em 14,25% no governo Temer, o câmbio chegou a R$ 3,10, em uma época em que o dólar estava mundialmente muito mais forte.

    Hoje, a 6,50%, ele está em R$ 3,83, com um dólar mundialmente mais fraco.

    Se a Selic fosse negativa, o dólar iria para mais de R$ 10, e aí a economia estaria acabada.

  • Bruno  21/06/2019 23:59
    Não sou economista e apenas entusiasta. Sabemos que a redução da taxa de juros do título público interfere nos preços da economia interna. Em um país com um histórico de hiperinflação deve dispor de cautela em sua política econômica devendo ser sempre gradual e cautelosa. Quanto ao comentário, do risco do dólar disparar com juros negativos ou próximo disso no Brasil gostaria de maiores explicações. Ao meu ver, as nossas reservas internacionais são suficientes para conter subidas bruscas do dólar na situação hipotética de juros reais negativos (hoje por volta de 4%).

    Dito isso, porque o receio do dólar disparar na situação de juros reais negativos? Quero entender melhor como dá esse resultado.

    Até pensei numa possibilidade, como os juros dos títulos públicos permeiam os rendimentos de toda a economia incluindo as margens de lucro de todas as empresas, seja por elas disporem de rendimentos financeiros, seja pela concorrência de ativos, os ganhos são corroídos e numa economia de maior risco como a nossa, incluindo das instituições, os investidores externos não estariam propensos a incorrerem em riscos altos e retornos baixos, proporcionando em fugas de capitais.
  • RICARDO  22/06/2019 04:01
    Também observo, que é essa á lógica que permeia nossa economia, dependemos do capital estrangeiro e uma redução na taxa, induziria a saída do capital que esta aportado por aqui com vistas no retorno aferido pelas taxas de juros. Porem, no mesmo diapasão, uma reforma da previdência, sem cortes, garantiria uma melhor estabilidade uma vez que o capital que esta alocado em títulos públicos sentiria-se mais seguro em razão da projeção de redução dos gastos do governo, assim o capital poderá ficar internado ao passo de que á taxa de juros permaneceria nos níveis atuais ao lado da percepção que no longo prazo, já estaria equacionado os custos relativos ao juros pagos sobre os títulos que estão aportados nas carteiras dos fundos. A partir disso, iniciaria um processo onde reformas estruturais de ESTADO, é que dariam maior impulsão para economia, mas isso tudo ainda esta dependendo dos resultados da reforma. Caso ocorra cortes, e isso parece que já esta indiretamente ocorrendo, o governo terá que buscar equacionar na mesma proporção dos cortes, uma redução nas taxas visando assim atingir o patamar de redução de gastos que previamente estavam no projeto original, e isso pode ocorrer com á redução nos custos de carregamento da dívida reduzindo á taxa de juros. No tocante ao cambio, pode até ocorrer algum movimento de saída de capital, porem, as reservas podem serem utilizadas para dar liquidez e assim, manter a taxa de cambio também próxima dos níveis atuais. Indo um pouco mais além, em matéria de investimentos, vale destacar que hoje, existem fundos de investimentos no Brasil, com capital LÍQUIDO, de mais de 50Bi, atrelados á títulos públicos, onde os cotistas estão sendo taxados á 4% a.a (tx.adm). Nem seria necessário fazer muito calculo para concluir como andam alguns brasileiros, se parecem mais -folgados-e-sossegados que água de poço, até podem estarem ainda anestesiados pelo tempo em que recebiam 14% a.a, ou estão como os europeus, com dinheiro emprestado para o governo, com taxa negativa, porem, não saberia afirmar se no caso brasileiro, estão vendo o mesmo que os investidores alemães, segurança? As vezes seria interessante algum tipo de choque, pois, dinheiro que dorme e não circula, é como sangue na veia, se não rodar, da gangrena.! E TEM MUITOS NESTA SITUAÇÃO, MENOS OS BANQUEIROS.
  • Cássio Moura   21/06/2019 17:12
    Um artigo tão importante, mas deixaram as duas perguntas do final sem respostas. Por que essas pessoas resolveram emprestar dinheiro para governos tendo prejuízos ou sem rentabilidade, se poderiam emprestar para bancos ou a outros governos ao redor do mundo?.
  • Trader  21/06/2019 17:42
    E, pelo visto, você não leu direito, pois isso foi respondido. Vamos de novo:

    "Por que essas pessoas resolveram emprestar dinheiro para governos tendo prejuízos ou sem rentabilidade"

    Não estão tendo prejuízos. Aliás, estão tendo muita rentabilidade. Enquanto os juros continuarem caindo, elas terão lucros. Qualquer um que opera Tesouro Direto sabe disso. Juros em queda significam preços em alta.

    Quem investiu num titulo alemão em 2016 se deu bem e ganhou muito dinheiro.

    You Could Have Made a Fortune This Year Buying Government Bonds That Yield Almost Nothing

    "se poderiam emprestar para bancos"

    Bancos não só não pagam nada, como muitos já começaram a cobrar pelo "privilégio" de você emprestar dinheiro para eles. Isso está no artigo.

    Ademais, por que emprestar para bancos se você acha que eles se tornarão insolventes na próxima recessão?

    "ou a outros governos ao redor do mundo?"

    Em primeiro lugar, fundos de investimento operam sob regulações estritas. Eles não podem alocar 100% do seu capital no exterior. Apenas uma porcentagem pode ser aplicada no exterior, e apenas uma porcentagem menor ainda pode ser aplicada em mercados de risco (como o Brasil).

    Isso é o básico do básico.

    Aqui no Brasil, por exemplo, a CVM, a Susep e a Previc impõem em que um fundo pode e não pode investir.

    Fundos oferecidos no varejo só podem aplicar 20 por cento no exterior. Se for previdência aberta, apenas 10 por cento.

    Fundos de pensão podem até 10 por cento no exterior, desde que não respondam por mais de 15 por cento do patrimônio do fundo em que investem lá fora.

    As regras também variam para alavancagem, fatia máxima investida em ações e outros infinitos temas.

    Em segundo lugar, essas mesmas regulações exigem que, se for para ir para o exterior, só pode ser com governos com grau de investimento (investment grade). Isso exclui todos da América Latina e boa parte dos asiáticos. Logo, quais outros governos restam? Os da Europa estão nesta situação. O do Japão também. E o americano com certeza já recebeu todo o investimento permitido pelo regulamento.

    Depois que o Brasil perdeu o grau de investimento em 2015, vários fundos tornaram-se estatutariamente proibidos de investir aqui.

    Em terceiro, a esmagadora maioria dos fundos é contratualmente obrigada a manter o capital em títulos de certos governos ou atrelados ao euro.

    Por fim, tem isto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3028#ac235830
  • Jairdeladomelhorqptras  21/06/2019 20:41
    Pessoal,
    Mesmo o texto explicando a lógica do investimento em títulos do governo com ausência de juros e ainda perdendo um pouco (...sei, sei, o texto explicou que se venderem os títulos podem ganhar em vez de perder, ok!...), entretanto, fica a pergunta: que capitalismo é este que o capital investido tem juros (??) negativos?
    Não seria a morte do capitalismo?
    Abraços
  • Trader  21/06/2019 21:53
    Ora, é o capitalismo de estado, em que os Bancos Centrais (agências reguladoras que controlam o preço do dinheiro e do crédito) adulteraram completamente o principal preço da economia: a taxa de juros.

    Neste cenário de intervencionismo exacerbado, os agentes econômicos têm de se virar e se adaptar fazendo o que puderem para manter seu capital. E, no caso, eles estão fazendo exatamente o que devem. Qual seria a alternativa? O estado criou esse arranjo bizarro. Cabe aos outros se adaptarem a ele. Adapte-se ou perca tudo.
  • Jairdeladomelhorqptras  22/06/2019 00:31
    Caro Trade,
    Agradeço a tua ótima resposta!
    Se me permite, estenderia o que você na sua explanação definiu como "arranjo bizarro" para "capitalismo bizarro!".
    Abraços
  • Lucas-00  22/06/2019 12:10
    Olá Jairdeladomelhorqptras.
    Não se pode dizer que isso é um "capitalismo bizarro" porque isso não é capitalismo.
    Bancos centrais são fetiches socialistas. No capitalismo há a livre concorrência de moedas.
    Não confunda o sistema capitalista que é baseado em trocas voluntárias com o dinheiro. Dinheiro pode haver em outros sistemas que não sejam no capitalismo.
  • Rafael Guarda  21/06/2019 22:08
    Se os juros nesses países são negativos e continuam caindo, significa que existe grande atração por capital por esses governos, ou seja, tem mais pessoas e fundos emprestando dinheiro a esses governos. Como a gente sabe a grande parte dos países se endivida em geral para pagar os gastos correntes, cobrindo os déficits deles.
    Este efeito não poderia causar um grande aumento do endividamento e, mesmo pagando juros negativos, consequentemente riscos de liquidez dos países no longo prazo?
  • Questionador  22/06/2019 00:18
    Olá.
    Alguém poderia me dizer o motivo de o preço do Bitcoin ter aumentado bastante nos últimos dias e meses?
    Alguma teoria aí?
    Abraços.
  • Leitor Antigo  22/06/2019 02:43
  • Questionador  22/06/2019 18:02
    Obrigado!

    E eu também gostaria de saber a opinião de vocês sobre a suposta manipulação do criptomercado por "baleias" e por largas emissões de Tether.

    Além disso, a situação financeira dos estados do mundo inteiro está há muito tempo caótica. O artigo sugerido é de 2017. Então por que o criptomercado passou por um "bear market"? Para fazer frente às finanças estatais caóticas, a demanda por criptomoedas não deveria ter crescido?

  • Fabrício  22/06/2019 21:33
    Não houve bear market, houve apenas uma correção a um excesso ocorrido no final de 2017. Prova disso é que, ao longo de 2018, o menor valor do Bitcoin equivaleu ao preço dele em setembro de 2017. Isso não é bear market. Bear market é quando algo regressa aos valores de 10 anos atrás.
  • Questionador  23/06/2019 16:30
    Então você, Fabrício, considera que agora o criptomercado alcançará novas máximas?
  • Pobre Paulista  23/06/2019 00:01
    Todo mercado tem períodos de alta e de baixa. Nada mais natural do que isso.
  • Questionador  23/06/2019 17:24
    Sim, Pobre Paulista. Concordo.
    E qual é a sua opinião sobre a situação atual do criptomercado?
  • Pobre Paulista  23/06/2019 20:09
    Minha opinião em nada afeta o estado atual das criptomoedas ;-)

    Pessoalmente acho que o mercado ainda não assimilou como funciona isso. Acho que falta um "grande nome" para patrocinar a o negócio e deixar o usuário médio mais confortável com a ideia. Quem sabe agora com a libra, mas sei lá, não confio no Facebook.
  • Questionador  24/06/2019 16:28
    Também não confio no Fêicibúqui.

    Parece que a LibraCoin é apenas dinheiro fiduciário disfarçado de criptomoeda.

    Abraços.
  • Lucas-00  22/06/2019 21:17
    Apenas uma dúvida, mas o valor apresentado da dívida do EUA não perde para a inflação de 10 anos deles?
  • Eudes  22/06/2019 21:23
    Sim. Mas na esmagadora maioria dos países desenvolvidos, as taxas prefixadas perdem pra inflação. As pessoas compram na esperança de que irão lucrar nas eventuais quedas subsequentes.
  • Lucas-00  23/06/2019 01:21
    Então as taxas dos EUA tem um ganho real negativo.
    É que o artigo falou que não tinha taxas negativas por causa daquela segurança lá dos bancos, mas as taxas reais são negativas mesmo assim então.
  • ed  24/06/2019 13:43
    Alguém aqui investe em Nano? Moeda sem taxas e com transações instantâneas. Essa moeda é simplesmente superior ao BTC, pois resolve dois grande problemas desse. Sem dúvida vale um artigo inteiro sobre ela.
  • Iniciante em Criptomoedas  25/06/2019 13:09
    Fiquei pensando como isso pode influenciar as criptomoedas, se é que influencia, alguém poderia me explicar?
  • anônimo  25/06/2019 17:41
    Em crises e pré-crises, investidores fogem para alternativas. Uma delas são as criptomoedas.
  • Lucas-00  25/06/2019 19:09
    Você não pode dizer isso. Quando teve a última crise de 2008 ainda não existia nem o bitcoin.
    O fato é que vamos saber daqui algum tempo se as criptomoedas vão ou não se valorizar numa crise.
    O problema é que investidores vão para os lugares que tem as maiores liquidez possíveis, vulgo o dólar.
  • Questionador  25/06/2019 22:13
    Lucas Zero-Zero, alinho-me com o seu comentário.

    Vejamos os acontecimentos.
  • Bruno  26/07/2019 08:46
    Na última crise, era "óbvio" que todos correriam para o ouro... isso foi apenas por um momento, quando o ouro desabou de 1.900 pra 1000 usd/onça. Isso intriga os gold bugs até hoje...

    Ocorre que investidores alocados em ouro precisaram pagar dívidas imensas de outras cestas. Isso fez com que fatias de ouro fossem vendidas, derrubando o preço por problemas de liquidez desse mercado.

    Com o Bitcoin, uma reserva de valor ainda muito especulativa (não consolidada como o ouro) pode acontecer o msm. Por outro lado, o valor de mercado do bitcoin (0,2tri usd x 7tri do ouro) é tão pequeno que não parece haver grandes investidores para derrubar o preço.

    Acho que vamos descobrir o que prevalece apenas quando acontecer. Estou curiosíssimo.
  • TIAGO  27/06/2019 23:34
    O que o autor esqueceu de mencionar é o que vai acontecer qdo os juros seguirem uma tendência inversa, ou seja subir. Além da remuneração negativa em si, os fundos vão ter de arcar com a diferença de remuneração entre os títulos. Pra um bilionário tudo bem perder um bilhãozinco, mas como um fundo de pensão ou uma seguradora entuba um prejuízo desses. Vamos ter a maior quebradeira da história desse nosso planeta. Apertem os cintos. ..
  • Leitor Antigo  28/06/2019 00:05
    1) Nenhum BC vai deixar isso ocorrer (QE e "operação Twist" são pra isso).

    2) Não há nenhum indicativo inflacionário. Demografia e tecnologia estão se combinando para manter preços baixos. Logo, não há pressão para aumento de juros.

    3) Enquanto houver demanda por títulos públicos (economia fraca e BCs atuantes), os juros serão baixos.

    4) Doomsayers falam desse tal aumento de juros desde 2010. De lá pra cá, eles só desabaram.

    5) Veja a evolução dos juros de longo prazo de EUA, Europa e Japão desde 1980. A tendência de queda é praticamente linear. Nada indica uma ruptura.

    6) O Brasil também está nesta onda. Exceto uma nova catástrofe dilmista, não mais haverá uma Selic a dois dígitos aqui (o problema eram os bancos públicos, como este Instituto sempre alertou).

    7) Se você acredita que os juros vão subir, faça short.

    Como diria Nassim Taleb, "Don't tell me what you think, tell me what you have in your portfolio."
  • anônimo  28/06/2019 19:11
    O artigo, de forma muito clara e lógica, expõe a tese de que os juros negativos funcionariam como um "seguro" para os grandes investidores temerosos de uma grande crise.

    Ontem, o André Jakurski trouxe uma reflexão bastante interessante sobre o que os juros negativos representam, por sua vez, para o governo:

    "Os juros negativos são o quê? São uma forma de se expropriar os que têm recursos. Nada mais é que uma forma de expropriação lenta, gradual e quase indolor.

    E o que eu vejo? Ao longo do tempo, os claims vão aumentando, as dívidas são impagáveis, então vai tendo uma transferência dos que têm para os que não têm. Porque só taxar renda não vai ser suficiente, vai ter que taxar patrimônio. Todos que estão sentados aqui têm que pensar nisso, porque a caça ao seu dinheiro está em ação."

    fonte: braziljournal.com/nao-e-o-ativo-que-sobe-e-o-dinheiro-que-cai-jakurski-resenha-o-capitalismo



  • Menestrel da Podridão  24/07/2019 18:53
    Eu cansei de ser fantoche,
    Eu cansei de ser peão.
    Deus abençoe Satoshi
    E o bitcoin da salvação!

    twitter.com/dapodridao
  • Felipe Lange  24/07/2019 20:59
    Pessoal, tempos atrás vi um vídeo do Paulo Kogos sobre aviões. Ele disse que os assentos estão ficando cada vez menores. Acho isso sem lógica. No mercado de carros, por exemplo, os carros ficam cada vez maiores tanto por fora quanto por dentro, mesmo porque a altura média da população só vai crescendo. Um Cruze hoje tem um comprimento próximo ao de um Omega A. E o Cruze, se pegar a classificação do EPA, é compacto e o Omega, um full-size.

    Pensando no Brasil, lembrei de que li um artigo falando sobre o mercado de aviões, quando os preços eram tabelados, havia subsídios e eram estatais, os aviões eram mais luxuosos, e acessados apenas pelos mais endinheirados. Fora isso, pensei também na inflação monetária, que acaba com a contabilidade das empresas. Estou delirando? Se está de fato acontecendo, por que isso estaria atingindo os aviões?

    PS: Sentar num ônibus intermunicipal realmente é mais confortável do que num avião na classe econômica. Pelo menos na minha experiência.
  • NIII  24/07/2019 21:24
    Por que o Euro não DESPENCA?
  • Trader  24/07/2019 22:09
    Para uma moeda despencar, a demanda por ela tem de desabar. Ou seja, as pessoas que utilizam o euro teriam de repentinamente parar de querer utilizar o euro (como os venezuelanos fizeram com o bolívar).

    Pergunta: os europeus estão querendo parar de portar o euro? Não li nada a respeito. As transações internacionais efetuadas em euro estão sendo abolidas? Não li nada a respeito.

    Logo, se os europeus não estão pensando em abandonar o euro e se as transações internacionais faturadas em euro não deixaram de existir, então a demanda pelo euro continua firme.

    Logo, se a demanda pelo euro continua firme, por que o euro deveria desabar?


    P.S.: a expansão monetária, embora crescente, está aumentando a uma taxa menor do que a da década de 2000.
  • Trader  25/07/2019 13:48
    Atualização: as curvas de juros da Suíça agora são negativas para TODOS os títulos, até os de 50 ANOS!

    twitter.com/jsblokland/status/1154301582399496192
  • Matheus Santiago  25/07/2019 14:56
    O que eu não entendo é uma coisa, se na Europa os títulos públicos estão cobrando, enquanto que nos EUA estão tendo rentabilidade(mesmo que seja pequena) - porque os investidores não alocariam o dinheiro nos EUA e não na Europa? Isso eu não entendo.
  • Trader  25/07/2019 15:48
  • Rodolfo Andrello  25/07/2019 16:28
    Off. O stf determinou que a petro abasteça os navios iranianos que são de responsabilidade da empresa eleva química, que está sob embargo dos EUA. Alguém saberia apontar alguma consequência imediata desse fornecimento de combustíveis a uma empresa embargada?
  • Andre  25/07/2019 19:11
    Nenhuma, se envolver em problemas alheios é vira latice pura típica do Brasil.
  • Pobre Paulista  25/07/2019 19:20
    Essa é fácil: Os tripulantes vão conseguir voltar para casa deles.
  • Felipe Lange  26/07/2019 16:39
    Pessoal, o que vocês acham dessa histeria ambientalista, falando de que essa liberação de mais agrotóxicos no Brasil irá ser terrível, matar abelhas em massa e causar problemas severos na agricultura?
  • Yuri  26/07/2019 17:34
    País que mais usa defensivos agrícolas (vulgo agrotóxicos) no mundo: Japão.
    País com maior expectativa de vida no mundo: Japão.

    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2914
  • Anna  27/07/2019 23:54
    Cadê o leandro roque? tô sentindo falta dele aqui.
  • Renan  01/08/2019 14:43
    Muito bom o artigo. Só fiquei com uma dúvida ao lê-lo, agradeceria muito se alguém pudesse me ajudar a entender:

    Se o principal motivo do fluxo para títulos de dívida com juros negativos na Europa é a segurança, porque os investidores europeus não optam por migrar para títulos dos EUA? Lá o risco é ainda menor e os juros são positivos.
  • Trader  01/08/2019 15:17
    Eles já fazem isso, ué. Tanto é que o dólar vem se apreciando violentamente contra o euro. O euro já chegou a custar US$ 1,40. Hoje está em US$ 1,10.

    De resto, essa pergunta já foi respondida aqui mesmo nesta seção de comentários seis vezes.

    Fundos de investimento operam sob regulações estritas. Eles não podem alocar 100% do seu capital no exterior. Apenas uma porcentagem pode ser aplicada no exterior.

    (Aqui no Brasil, por exemplo, a CVM, a Susep e a Previc impõem em que um fundo pode e não pode investir. Fundos oferecidos no varejo só podem aplicar 20 por cento no exterior. Se for previdência aberta, apenas 10 por cento. Fundos de pensão podem até 10 por cento no exterior, desde que não respondam por mais de 15 por cento do patrimônio do fundo em que investem lá fora. As regras também variam para alavancagem, fatia máxima investida em ações e outros infinitos temas.)

    Ademais, a esmagadora maioria dos fundos é contratualmente obrigada a manter o capital em títulos de certos governos ou atrelados ao euro.
  • Vladimir  15/08/2019 03:18
  • Henrique Agostinho  19/08/2019 16:02
    Este artigo falha num factor essencial.

    Os investidores não pagam para emprestar aos governos porque não têm alternativa. ELES SÃO OBRIGADOS.

    Os bancos são obrigados pelo BCE a deter uma percentagem de elevada de obrigações governamentais. Não há obrigações suficientes para cobrir essas necessidades, então os bancos competem entre si, fazendo o juro descer até ao negativo (e mais além)

    De cada vez que o juro desce (seja o juro diretor do BCE, seja o juro das obrigações governamentais) ocorre um evento em cadeia em que outros juros (obrigações privadas) descem também. Com menos juros nessas obrigações privadas os balanços dos bancos tornam-se menos valiosos, e lá vão os bancos pegar mais dinheiro ao BCE para atingir seus racios de solvabilidade.

    O BCE empresta esse dinheiro em contrapartida de haver mais compra obrigatória de obrigações governamentais. Levando os bancos a lutarem mais agressivamente por obrigações, comprimindo de novo os juros reiniciando o ciclo.

    O resultado são juros negativos e uma economia estagnada, sem inflação, pois nenhum desse dinheiro vai para actividades produtivas, apenas se recicla entre BCE, Bancos e Governos.
  • Guilherme  19/08/2019 17:18
    "Este artigo falha num factor essencial"

    Vejamos.

    "Os investidores não pagam para emprestar aos governos porque não têm alternativa. ELES SÃO OBRIGADOS."

    Vejamos a sua definição de "investidores são obrigados" a emprestar para o governo. Estou curioso.

    "Os bancos são obrigados pelo BCE a deter uma percentagem de elevada de obrigações governamentais. Não há obrigações suficientes para cobrir essas necessidades, então os bancos competem entre si, fazendo o juro descer até ao negativo (e mais além)"

    Bancos são obrigados a comprar títulos do governo?! E está faltando títulos?! Coloca aí um link sobre isso, por favor. Procurei, e nada encontrei.

    De resto, praticamente não há compulsório na zona do euro (o compulsório é de 1%). Já os depósitos que os bancos voluntariamente deixam parados no BCE sofrem, aí sim, incidência de juros negativos (-0,4%).

    Ou seja, o juro negativo dos depósitos interbancários (citados no artigo) decorrem do fato do BCE impor juros negativos aos depósitos voluntariamente feitos pelos bancos no BCE.

    Não tem nada a ver com uma falsa obrigatoriedade de comprar títulos públicos.

    "De cada vez que o juro desce (seja o juro diretor do BCE, seja o juro das obrigações governamentais) ocorre um evento em cadeia em que outros juros (obrigações privadas) descem também."

    A última vez que os juros do BCE "desceram" foi no início de 2016. Pode conferir aqui. De lá para cá, eles estão estáveis.

    Logo, sua afirmação é um chute que não se verifica.

    "Com menos juros nessas obrigações privadas os balanços dos bancos tornam-se menos valiosos, e lá vão os bancos pegar mais dinheiro ao BCE para atingir seus racios de solvabilidade."

    A primeira parte da afirmação é falsa, pois decorre de uma premissa que, como demonstrado acima, não ocorre. Quanto aos bancos pegarem emprestado do BCE, isso sempre ocorreu, mas ocorre com mais intensidade em momentos em que eles estão concedendo muitos empréstimos, e precisam manter seus coeficientes de caixa. O exato oposto do que ocorre hoje.

    Ou seja, sua afirmação não procede.

    "O BCE empresta esse dinheiro em contrapartida de haver mais compra obrigatória de obrigações governamentais. Levando os bancos a lutarem mais agressivamente por obrigações, comprimindo de novo os juros reiniciando o ciclo."

    Outra afirmação falsa. Bancos, de novo, não são obrigados a comprar títulos do governo. Eles compram de livre e espontânea vontade. E, numa economia sem muita perspectiva de crescimento, eles fazem isso em grandes volumes, o que comprime os juros (exatamente como dito no artigo).

    "O resultado são juros negativos e uma economia estagnada, sem inflação, pois nenhum desse dinheiro vai para actividades produtivas, apenas se recicla entre BCE, Bancos e Governos."

    E fechou tudo com uma contradição monumental. Ora, se você próprio diz que os bancos são obrigados a comprar títulos do governo (o que não é verdade), então, por definição, esse dinheiro entra na economia. Todo o dinheiro que vai para o governo é imediatamente gasto. Logo, ele entra na economia. Não tem disso de dinheiro ficar se "reciclando" entre BCE, bancos e governo. A partir do momento em que o dinheiro vai para o governo, ele entra na economia, o que revoga o que você disse acima.

    Após tudo isso que você (confusamente) falou, sigo sem entender onde está o erro do artigo. Você apenas citou minúcias (a maioria deles tecnicamente erradas) do mercado interbancário. Isso não explica nada.
  • Emerson Luis  30/08/2019 18:09

    "Nos EUA, há um serviço privado que não existe na Europa. São as contas CDARS (Certificate of Deposit Account Registry Service)."

    Pergunta: Por que esse serviço não existe na Europa?

    [Não sei, mas aposto um bolívar venezuelano que existem barreiras estatais...]

    * * *


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