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A Teoria Monetária Moderna foi aplicada na Argentina. Eis os resultados
Lições que não podem ser ignoradas

No mundo desenvolvido, é cada vez maior o apelo sedutor exercido pela Teoria Monetária Moderna (TMM).

Nos EUA, a ala mais à esquerda do Partido Democrata, capitaneada pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez (que é declaradamente socialista), passou a defendê-la vigorosamente. Websites progressistas como o Huffington Post estão na linha de frente da batalha. Na Europa, a teoria vai ganhando tração nas universidades.

A teoria, no entanto, é bastante confusa, pois nem mesmo seus defensores são capazes de resumi-la de maneira homogênea e coerente. Eles utilizam termos convencionais de maneiras nada convencionais, o que apenas cria ainda mais confusão. Para piorar, o que exatamente seria a TMM é algo que vai mudando continuamente ao longo do tempo, o que apenas adiciona frustração à confusão.

Ainda assim, é possível apontar qual seria o cerne da TMM.

1) A teoria afirma que nenhum governo que emite a própria moeda pode se tornar insolvente.

Consequentemente, não é problema o governo continuamente gastar mais do que arrecada — o que faz sua dívida aumentar continuamente —, pois o governo sempre pode "imprimir dinheiro" (ou, em termos técnicos, monetizar seus déficits) para bancar seus gastos crescentes.

2) A teoria monetária padrão afirma que tal política inflacionária causa aumento de preços. Já a TMM afirma que não, pois há "recursos ociosos".

3) Mesmo nas situações em que os defensores da TMM admitem que a impressão de dinheiro poderia gerar aumento de preços — por exemplo, quando a economia está em pleno emprego —, a solução apresentada para impedir este aumento de preços é aumentar impostos.

4) Para a TMM, impostos servem não para o governo arrecadar dinheiro para bancar seus gastos — a impressora de dinheiro é que faz isso —, mas sim para enxugar dinheiro da economia e, com isso, arrefecer a demanda e evitar uma subida nos preços.

Em suma: de acordo com a TMM, o governo deve imprimir dinheiro para bancar seus gastos e, caso isso pressione os preços para cima, ele deve retirar dinheiro do setor privado por meio de maiores impostos. Tal medida — afirmam os defensores da teoria — manteria os juros continuamente baixos, a dívida pública estaria para sempre sob controle, a economia cresceria continuamente, e não haveria inflação de preços.

Quem poderia ser contra?

Obviamente, como disse o economista Robert Murphy em artigo demolidor sobre a TMM: "De um lado, o governo imprime dinheiro e, consequentemente, obtém todos os bens, serviços e mão-de-obra que deseja; de outro, ele aumenta impostos para retirar esse mesmo dinheiro da economia, asfixiando ainda mais o setor privado e retirando seu poder de compra. A TMM, portanto, é um esquema vicioso inventado para que o governo sempre possa ganhar e para que setor privado sempre saia perdendo."

Com efeito, uma observação realista sobre como funciona a política permite a conclusão de que recorrer a aumento de impostos não irá resolver a inflação de preços, pois o governo continuará incorrendo em déficits orçamentários para bancar seus gastos crescentes. E estes déficits, obviamente, serão financiados com impressão de dinheiro.

Consequentemente, sob a TMM, o setor privado irá encolher progressivamente em relação ao setor estatal, pois tanto a inflação monetária quanto o subsequente aumento de impostos para contrabalançar o aumento de preços causado por esta inflação monetária irão retirar recursos do setor privado e direcioná-los para o estado

A experiência argentina

Mas vamos à prática.

Podem os governos incorrer em amplos déficits fiscais financiados pela impressão de dinheiro sem gerar significativa inflação de preços?

A experiência argentina coloca em xeque esta ideia.

Como mostrado na figura abaixo, a Argentina vem apresentando um crônico déficit fiscal durante os últimos 50 anos (com a exceção de alguns anos após a crise de 2001). A área vermelha mostra déficit fiscal consolidado (todos os níveis de governo) como porcentagem do PIB nominal. A linha azul (começando em 1993, pois não há dados anteriores) mostre apenas o déficit fiscal do governo federal, também como fatia do PIB nominal.

Quem está familiarizado como a história da Argentina sabe que todos estes déficits se degeneraram em numerosos problemas, como hiperinflação, calotes e crises cambiais.

Argentina Defaults.png

Vale ressaltar que todos os déficits acima — com a exceção dos da década de 1990, quando o país vivia sob um Currency Board heterodoxo — foram financiados com a criação de dinheiro pelo Banco Central argentino.

Quais foram alguns dos efeitos desta política de déficits fiscais constantes?

Houve ao menos quatro episódios de calote da dívida (os pontos amarelos no gráfico). Uma grave crise, conhecida como "Rodrigazo"— quando o dólar encareceu 160% em um só dia, em decorrência exatamente da expansão monetária —, contribuiu para o ambiente social que culminou com imposição de uma ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983.

Com a exceção da década de 1990, quando o país tinha um pseudo-currency board (e, consequentemente, havia restrições sobre sua capacidade de imprimir dinheiro), a Argentina vivenciou taxas de inflação extremamente altas durante todo o tempo. Como os gráficos têm que ser quebrados para dar conta da inflação exponencial, confira aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

Para culminar, a Argentina vivenciou uma hiperinflação (quando os preços sobem mais de 80% ao mês) no final da década de 1980 e início da década de 1990 (quando a inflação de preços chegou a módicos 20 mil por cento) e uma grande depressão em 2001. E, desde 2011, o país vivencia uma estagflação.

Sem nenhuma surpresa, a taxa de pobreza (as quais os déficits fiscais supostamente devem reduzir) não apenas permaneceu alta, como só fez crescer (tendo caído fortemente em meados da década de 1990, após a implantação do pseudo-currency board).

É difícil imaginar como um defensor da TMM explicaria favoravelmente a experiência da Argentina. O país sempre teve liberdade para emitir sua própria moeda (com a exceção de um curto período na década de 1990) e para emitir dívida em sua própria moeda.

No entanto, e de novo, qualquer indivíduo minimamente familiarizado com o funcionamento da política sabe que um país cujos políticos têm liberdade para monetizar os déficits do governo não poderá continuar emitindo dívida por muito tempo, pois ninguém irá querer comprar um título que será saldado, no futuro, com uma moeda sem valor nenhum. (Para outro exemplo prático, vide a Venezuela).

Em outras palavras, é difícil imaginar que um país seja capaz de emitir dívida em sua própria moeda por muito tempo se ele estiver incorrendo em déficits financiados pela impressão de dinheiro, como defendem os proponentes da TMM.

Sempre que apresentados a este argumento, os seguidores da TMM rebatem dizendo que, se a inflação começar a ficar fora de controle, o governo deve aplicar contra-medidas. Na prática, a TMM diz que ele deve aumentar impostos.

Meu lado cínico diria que isso já foi feito e fracassou miseravelmente: a Argentina possui hoje a maior carga tributária entre as 138 maiores economias do mundo. Ao mesmo tempo, a inflação de preços segue batendo recordes (50% no acumulado de 12 meses). 

Ou seja, o aumento dos impostos (que já estão em nível de recorde mundial) nada fez para conter a inflação de preços causada pela forte expansão monetária (a qual ocorre majoritariamente para financiar os déficits do governo).

Mas tal refutação prática ainda é o de menos. Ao sugerirem que os governos poderiam simplesmente adotar contra-medidas quando a inflação de preços acelerar, os proponentes da TMM demonstram ignorar completamente a questão dos incentivos econômicos e políticos: não há nada que obrigue os políticos a fazerem isso. Há apenas a esperança e o desejo de que irão fazer, mas nenhuma medida prática que os obrigue a tal. (E, mesmo que realmente fizessem, nada indica que tal medida seria efetiva).

Sendo assim, os proponentes da TMM confundem o possível com o provável; o desejo utópico com o mundo real.

Conclusão

A experiência prática argentina — houve criação de dinheiro para financiar déficit em conjunto com um grande aumento de impostos — nos fornece motivos para duvidar da relevância prática da Teoria Monetária Moderna.

Assim como os proponentes da TMM, os políticos argentinos sempre acreditaram que os déficits não importam, e que, consequentemente, as restrições orçamentárias não são realmente restritivas.

No final, ao subestimarem os custos dos déficits orçamentários e as consequências da monetização destes déficits, os proponentes da TMM permitem que políticos — mesmo aqueles eventualmente portadores das "mais nobres intenções" — implantem medidas que irão, no final, reduzir o padrão de vida dos mais pobres da sociedade.

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Leia também:

O tenebroso conto de fadas da Teoria Monetária Moderna - e de André Lara Resende

"Governos nunca quebram, pois podem imprimir dinheiro!", dizem. A Venezuela prova o contrário


27 votos

autor

Nicolás Cachanosky
é professor assistente de Economia na Metropolitan State University, em Denver.


  • Guilherme  01/04/2019 17:44
    Quem viveu sob o governo Sarney nem precisa de explicações teóricas para entender como essa tal TMM não só é uma palhaçada de péssimo gosto, como também é uma arma de destruição em massa.
  • Libertário Austríaco  01/04/2019 18:18
    "Palhaçada de péssimo gosto."

    Gostei da expressão. Muito certeira.
  • Jorge de Melo  05/04/2019 18:30
    Eu gostei mais do "arma de destruição em massa".
  • anônimo  01/04/2019 17:52
    A TMM prega que o Estado deve imprimir mais dinheiro e em contrapartida aumentar os impostos. Mas quais impostos serão aumentados? Eles parecem partir do princípio que o dinheiro é distribuído igualmente entre a população e que os impostos também são pagos de forma igual, sem gerar qualquer desequilíbrio. Isso só pode ser piada.
  • Leandro  01/04/2019 18:00
    Em termos puramente práticos, e imparciais, eis o que ocorreria:

    1) O governo imprime dinheiro para pagar funcionários públicos (além de políticos e deputados), empreiteiras contratadas para obras públicas e detentores dos títulos da dívida.

    2) Isso aumenta a oferta monetária e pressiona os preços para cima (os próprios seguidores da TMM reconhecem isso).

    3) Ato contínuo, o governo eleva impostos para retirar esse dinheiro de circulação.

    4) Quais impostos? Qualquer um, mas, de preferência, aqueles que são insonegáveis.

    5) Logo, os impostos que realmente aumentariam são CPMF (que seria recriada) e todo e qualquer imposto indireto.

    6) Na prática, portanto, a medida é triplamente cruel: beneficia diretamente o funcionalismo público e os "rentistas" e prejudica duplamente os pobres, que além de serem os mais afetados pelos impostos indiretos, serão também os mais afetados pelo aumento de preços (recorrer a aumento de impostos não irá resolver a inflação de preços, pois o governo continuará incorrendo em déficits orçamentários para bancar seus gastos crescentes. E estes déficits, obviamente, serão financiados com impressão de dinheiro.)


    Em certa medida, com a exceção da CPMF, tudo isso foi o que ocorreu na Argentina.
  • Caio  02/04/2019 19:12
    Perdoem a ignorância, mas a TMM não é o que "sempre" se praticou no Brasil ou é apenas parecida?

    Outra dúvida: Impostos indiretos são (ou incluem) os impostos sobre o consumo?
  • Bernardo  02/04/2019 19:36
    1) Correto. Até 1994. Mas, ó, shhh..., não conta para ninguém. Muito menos para os adoradores da TMM, que acham que inventaram algo originalíssimo.

    Ah, sim, não é à toa que o grande entusiasta brasileiro da estrovenga, André Lara Resende, é exatamente o "cérebro" por trás do Plano Cruzado, aquele plano genial que congelava preços e colocava o governo para imprimir ainda mais dinheiro.

    2) Sim.
  • Caio  02/04/2019 20:46
    Hahaha! Obrigado, Bernardo.
  • Caio  02/04/2019 20:49
    Ah, sim! E após '94? O que mudou?
  • Skeptic  04/04/2019 14:48
    Plano Real e tripé econômico... até a dona Dilma...
  • Skeptic  04/04/2019 14:48
    Basicamente, é um keynesianismo com políticas contra-cíclicas?
  • Alexandre  01/04/2019 17:55
    Ótimo artigo! É desses que eu gosto: os que misturam empiria com teoria, e se debruçam sobre resultados empíricos para ver se eles refutam ou confirmam teorias da moda.
  • Andarilho  01/04/2019 17:58
    Pra entender a Teoria Monetária Moderna você tem que entender o que é o DINHEIRO.
    Mas deixe-me dar uma breve parábola sobre dinheiro....

    Um turista dirige em uma pequena cidade a sua Ferrari e pára em uma pousada. Ele coloca uma nota de cem reais no balcão e diz para o dono da pousada: "Eu quero um quarto para essa noite, mas tenho que inspecionar primeiro para ver se ele atende aos meus padrões".

    "Claro", diz o dono da pousada, e dá-lhe uma chave, "está no quarto andar; vá dar uma olhada."

    O turista sobe as escadas. Enquanto isso, o dono da estalagem pega a nota de 100 reais e sai correndo para entregá-la a Matheus, um dono de mercearia a quem ele deve, para liberar sua conta antes travada. Matheus imediatamente leva a nota para Jacó, o fazendeiro que fornece suas provisões para a cozinha da pensão. Jacó leva o dinheiro para o mecânico Max, para pagar o conserto do trator. Max leva o dinheiro para Mariana, uma prostituta com quem ele faz alguns negócios. Mariana leva o dinheiro ao dono da pousada e a coloca no balcão para pagar pra ele...Naquele momento, o turista desce as escadas e diz: "Desculpe, este quarto não está do meu gosto", pega a nota de 100 reais e vai embora. Se você entende o que aconteceu, você entende o dinheiro.


  • Leandro  01/04/2019 18:15
    Eu já conhecia essa anedota. Ela é tão tosca e irreal, que achei que as pessoas já tinham ao menos tido a decência de estudá-la e não mais repeti-la para não passar vergonha. Vejo que não foi o caso.

    Para começar, vale ressaltar que o fator 'tempo' foi completamente abolido. Turista, hoteleiro, comerciante, fornecedor, mecânico e prostituta recebem o dinheiro quase que instantaneamente, pois, nesse ínterim, deu tempo de o viajante reservar e desistir da reserva do quarto de hotel. (Dica: se ele desistiu da reserva, ele nem precisou pagar. Logo, a anedota, logo de partido, já é completamente irreal).

    Mas isso é o de menos. A pergunta que realmente ninguém responde é: como é que todas essas pessoas se endividaram se não havia dinheiro? Quando uma dívida é feita, o credor repassa dinheiro para o tomador de empréstimo. O poder de compra do credor cai na mesma proporção em que aumenta o poder de compra do tomador de empréstimo.

    O que essa anedota faz, na prática, é mostrar que as pessoas, sem dinheiro nenhum, foram se endividando continuamente. E pior ainda: sem produzir nada em troca. Isso é totalmente irreal. Você não empresta dinheiro para quem nada produz. E quem nada produz não toma dinheiro emprestado.

    Aliás, no extremo, se todo mundo devesse a todo mundo exatamente $ 100 -- como é o caso na anedota -- ninguém precisaria de dinheiro nenhum circulando. Bastaria todos concordarem em anular suas dívidas mútuas. Observe que, na tosca anedota, o dinheiro simplesmente voltou para o viajante, que, do nada, "desistiu de reservar o quarto".

    Achava que as pessoas eram mais inteligentes que isso.
  • Vladimir  01/04/2019 18:23
    Além de tudo o que Leandro falou, vale acrescentar que a anedota não explica como a riqueza é criada. Não explica como aqueles bens e serviços surgiram. Nem tampouco explica para que as dívidas descritas foram criadas. Não mostra em que essas dívidas resultaram.

    Aliás, sendo mais chato, observe que nem mesmo o dinheiro foi criado. Ele já existia na economia. Ele apenas foi remanejado de um lugar para outro e utilizado para saldar dívidas, e não para financiar novas expansões.

    Em suma, qualquer que tenha sido o objetivo da anedota, ela nada comprovou.


    P.S.: como também enfatizado, o fator 'tempo', que é crucial em qualquer análise econômica, está completamente ausente da anedota. É como se tudo fosse totalmente instantâneo. Quem acredita nisso também acredita no mito da concorrência perfeita: se um estabelecimento no interior do Piauí reduzir seus preços agora, 10 segundos depois esta redução irá ocorrer também no Morumbi.
  • Neto  01/04/2019 18:27
    Haha é cada invertida que nêgo desavisado leva aqui neste site que dá até pena. Por isso que aqui é a melhor seção de comentários da internet brasileira. Alguns comentários chegam a ser até melhores que os artigos.
  • Andarilho  01/04/2019 18:36
    Pra responder sua pergunta é importante entender a distinção entre uma DÍVIDA/OBRIGAÇÃO.

    Tome: www.frontporchrepublic.com/2012/01/friends-and-strangers-a-meditation-on-money/



    John Médaille é ótimo pra refutar Mises.
  • Vladimir  01/04/2019 18:47
    Legal. Então me explica aí, com suas próprias palavras, qual a distinção entre dívida e obrigação. Aceito de tudo.

    P.S.: como exatamente um teólogo refuta teorias puramente econômicas?

    P.P.S.: qual a sua contra-refutação à refutação que lhe foi apresentada?
  • 4lex5andro  03/04/2019 14:28
    Foi descoberto então quem é o postador por trás do perfil ''capital imoral''.
  • Giovana  05/04/2019 16:13
    Ora, onde está a refutação? Li o texto inteiro e achei a conclusão do autor muito parecida com o que a teoria austríaca sempre nos adverte sobre os bancos... De verdade, onde está a refutação?? Vc conhece a teoria monetária austríaca??
  • Pobre Paulista  01/04/2019 18:30
    De novo isso? Pessoal não desiste hein!
  • Celso Gênova  02/04/2019 21:16
    Dono da pousada ficou com o mico,
  • Gustavo A.  04/04/2019 17:32
    Que bobagem...

    Primeiramente que, conforme dito, havia uma relação cíclica em que todos deviam R$100,00 para todos, isso é surreal.

    Em segundo momento, desconsiderando que foi uma apropriação indébita, o dono da pousado fez um empréstimo de R$ 100,00 a juros 0% (outra loucura) e ficou DEVENDO R$ 100,00. Se o dono da Ferrari fosse ficar com o quarto, o dono da pousado não apenas deixaria de lucrar, como teria prejuízo com a estadia, momento em que ele se tornaria credor de outra dívida...
  • Roberto  01/04/2019 18:33
    Não sei por que perdem tempo com isso. Taí uma "teoria" que já nasceu morta. Quando até Paul Krugman vem a público dizer que a TMM concede poderes excessivos ao estado e subestima alguns riscos em relação aos gastos do governo, então a coisa já era.

    Se até Krugman alerta que uma filosofia econômica subestima os perigos dos gastos governamentais, então não há nenhuma chance disso prosperar no mundo real. Ficará mesmo só na Venezuela e na Argentina.
  • anônimo  01/04/2019 19:43
    Se me permite discordar, enquanto existir curso de economia na Unicamp, não dá para afirmar que a TMM ficará restrita a países como Venezuela e Argentina.

    A mesma turma que nunca leu Keynes e se diz keynesiana, que nunca leu Picket e fala de boca cheia sobre necessidade de distribuição da riqueza é a que vai passar a defender a TMM no Brasil.

    Aliás, de certa forma, nossa experiência hiperinflacionária demonstra que eles sempre defenderam a teoria, antes mesmo de conhecê-la.

    A diferença que veremos a partir de agora é um suposto verniz de inovação acadêmica para o velhos planos heterodoxos , como o cruzado, o bresser, o verão, a nova matriz econômica e outras desgraças do gênero.
  • Guilherme - B.A.  01/04/2019 19:33
    Para complementar o artigo descrevo a crise social na Argentina decorrente de tamanha irresponsabilidade econômica:

    -Os pedintes nos transportes e os artistas de rua são tantos que é impossível andar ignorando-os sem se sentir o Tio Patinhas;

    -As placas de "aluga-se" e "vende-se" se proliferam nas ruas de comercio mais agitadas, após o anoitecer é possível ver os comerciantes que faliram tentando vender o que lhes resta de mercadoria em frente ao seu antigo comercio fechado;

    -Os pequenos comércios de frutas dos bairros mais abastados costumavam vender muitas frutas "exóticas" como mamão, pitaya e acerola para clientes exclusivos, agora são quase impossíveis de encontrar, quando têm é apenas 1 mamão ou 2 pitayas ou 1 bandeja de acerola para um único cliente que as encomendou;

    -As costumazes livrarias de B.A. agora já não podem mais viver de vender livros, vender pequenos snacks e doces para que seus possam gastar alguma coisa enquanto leem de graça;

    -Os restaurantes mais humildes atendem os clientes com luz apagada;

    -Famílias que até início de 2018 pertenciam a classe média agora estão sem condições para pagarem o gás, e com o inverno se aproximando os pais de família começam a pensar besteira para encontrar meios de aquecerem seus filhos;

    -Os comerciantes tentam trocar peso por dólares logo pela manhã, ultimamente a procura tem sido tão intensa que os cambistas não podem atendê-los.

    -Há um tarifazzo desordenado, um kiosko típico, pequeno comércio 24h com meia dúzia de lampadas e 1 geladeira pequena paga em media uma conta de luz equivalente a US$500, em meu monoambiente em zona nobre a conta atingiu equivalente a US$300 numa tentativa desesperada do governo arrancar os dólares da camada abastada.

  • Humberto  01/04/2019 19:53
    Obrigado pelo depoimento. Uma pena as coisas estarem assim.

    Aproveito para chamar a atenção para este ponto:

    "Os comerciantes tentam trocar peso por dólares logo pela manhã, ultimamente a procura tem sido tão intensa que os cambistas não podem atendê-los."

    Isso é o que inevitavelmente ocorre quando há uma oferta excessiva de uma moeda. E é exatamente isso o que a TMM defende. Aliás, o que a TMM defende já ocorre integralmente na Argentina.
  • Leandro  01/04/2019 19:57
    Vale repetir:

    A TMM não só é uma receita para uma inflação maciça, como também é garantia de depressão econômica e consumo de capital.

    No modelo atual, o dinheiro entra na economia via mercado de crédito (empréstimos bancários). Como empréstimos são demandados por investidores e empreendedores, isso gera uma expansão econômica inicial, a qual anos depois vira recessão.

    Já na TMM, o dinheiro não entra na economia via empréstimos, mas sim via gastos do Tesouro (como já ocorre na Argentina). Consequentemente, não ocorre esse boom econômico inicial, típico dos ciclos econômicos. No entanto, a TMM permite que o governo imediatamente aumente seus gastos com funcionalismo, com suas empresas favoritas, com todo o tipo de assistencialismo (de pobres a artistas e grandes empresários), com subsídios, e também com "investimentos em infraestrutura".

    Isso retira mão-de-obra e outros recursos setor privado, afetando investimentos produtivos na estrutura de produção. A poupança e os investimentos de longo prazo são desestimulados e o consumismo é impulsionado. Além de reduzir a poupança genuína, o processo de acumulação de capital é afetado.

    Mas piora.

    Quando a inflação de preços começa a incomodar (uma inevitabilidade gerada tanto pela maior quantidade de dinheiro na economia quanto pela redução da oferta de bens e serviços), o governo aumenta impostos para "retirar liquidez e poder de compra" do setor privado (isso também é feito na Argentina).

    Tal medida, obviamente, reduz ainda mais o estímulo à poupança privada e incentiva ainda mais o consumismo. Não há acumulação de capital, mas sim consumo de capital.

    Na melhor e mais benevolente das hipóteses, cria-se um cenário em que todos têm algum emprego ligado ao governo (em especial, há muito lucro para empreiteiras ligadas ao governo), e a economia não aparenta (ao menos em termos de PIB) estar em depressão econômica. Mas o padrão de vida cai progressivamente.

    O setor privado encolhe progressivamente em relação ao setor estatal, pois tanto a inflação monetária quanto o subsequente aumento de impostos para contrabalançar o aumento de preços causado pela inflação monetária retiram recursos do setor privado e os direcionam para o estado.

    E, obviamente, recorrer a aumento de impostos não resolve a inflação de preços, pois o governo continua incorrendo em déficits orçamentários para bancar seus gastos crescentes. E estes déficits, obviamente, são financiados com impressão de dinheiro.

    E aí tem-se ao pior dos mundos: maciça inflação de preços junto com uma depressão econômica.
  • Pensador Puritano  02/04/2019 10:56
    Penso que as pessoas nestes países só não morrem de fome e desnutrição por ter uma economia informal vigorosa.... o que gera esperança de dias melhores,onde Dias melhores são aqueles em que a opressão estatal diminuirá ou cessará,pois haja chicote em nossos lombos,bandido estacionário é coerção pura,Deus nos livre de vivenciar mais opressão da que estamos vivenciando no momento neste país,onde a discussão de reformas vira uma gritaria irritante dos críticos e nós defensores ficamos timidamente calados,pois a discussão ao invés de diminuir as dúvidas,gera bate-boca infrutífero e malandramente os inimigos da Liberdade tentam ganhar espaços perdidos por suas ideologias nefastas,enfim dá desânimo viver na américa lat(r)ina,região onde o lixo socialista ainda respira.TMM nome pomposo para esconder mais opressão do bandido estacionário.
  • Felipe Lange  02/04/2019 00:26
    Como assim pensar besteira?
  • Revoltado  02/04/2019 10:45
    Guilherme B.A,

    Desculpe minha ignorância, mas poderia explicar-nos mais detalhadamente este trecho abaixo?

    -Famílias que até início de 2018 pertenciam a classe média agora estão sem condições para pagarem o gás, e com o inverno se aproximando os pais de família começam a pensar besteira para encontrar meios de aquecerem seus filhos;

    No mais, como havia te escrito dias atrás, lamento profundamente que a Argentina que conheci visitando-a duas vezes assim esteja. Se houve um lugar que me traz ainda hoje bons "recuerdos", é o país do tango e do bife de chorizo.
  • Guilherme - B.A.  02/04/2019 13:26
    Revoltado, aqui em B.A. e toda a Argentina pampeana e patagônica o inverno rigoroso e úmido faz do preço do gás para calefação ser um componente muito sensível. O grosso da atual crise social começou em setembro de 2018 quando as temperaturas já são amenas e a população imaginou que até o início do inverno 2019 a crise já teria amainado ao menos para dar conta das tarifas, mas o que se vê é que será um inverno terrível, visto que poucas famílias da classe média não dolarizada ainda possuem os 2 membros produtivos, mamá y papá trabalhando e com a escalada da inflação está impossível viver com o salário de apenas 1 membro.

    No mais se você dispõe de dólares, ou mesmo reais brasileiros, B.A. ainda pode lhe proporcionar estilo, segurança, programas culturais e mobilidade que nenhuma grande cidade brasileira pode. Nas palavras dos porteños "Macrisis se nos mató y entregó el cuerpo a los turistas"
  • Tarabay  02/04/2019 19:31
    A Argentina precisa adotar o Bitcoin urgentemente.
  • Felipe Lange  01/04/2019 20:17
    Como explicar o superávit fiscal ocorrido entre 2002 e 2008? Um fato interessante é que perto de 2004, o governo reduziu drasticamente a dívida em relação ao PIB. E os gastos com relação ao PIB, entretanto, aumentaram no período. O que ocasionou o superávit e a redução da dívida?
  • Porteño  01/04/2019 20:32
    A redução da dívida se deu pelo calote da dívida externa, puro e simples. Isso ficou famoso à época.

    Com a dívida caloteada, o governo ficou com o dinheiro excedente às sua disposição, o que ajudou, no curto prazo, a ter superávits orçamentários.

    Simultaneamente, o boom das commodities (principalmente trigo e soja) impulsionou as exportações, e como o governo argentino tributava excessivamente as exportações (por meio das retenciones e das alíquotas de 35%), isso gerou uma chuva de dinheiro para o governo.

    Mas já passou.

    Aliás, vai ser interessante ver alguém defendendo calote com base no "êxito" da economia argentina pós-calote.
  • Ademir Azzi Junior  01/04/2019 21:23
    Meu Deus do céu, os economistas da UNICAMP chegaram aos Estados Unidos!

    Deve ter sido resultado da contribuição do Ciro Gomes para Harvard hehe
  • Eze  01/04/2019 21:25
    Interessante o artigo, seria bom importante acrescentar a criação do Banco Central e Popular da Argentina com o surgimento do Perón, fatos que coincidem com o início da decadência da Argentina.
  • Lucas-00  01/04/2019 23:42
    Um dos meus artigos favoritos ultimamente, extremamente esclarecedor e com muitos dados para confirmar tudo.

    Leandro, perdão caso já tenha explicado isso anteriormente, mas eu nunca consegui realmente entender.
    Na TACE, a entrada de dinheiro para que ocorra é por empréstimos. Porém outros tipos de entrada de dinheiro não poderiam acontecer também o ciclo econômico já que haveria mais dinheiro no mercado (exceto com as reservas que não entram no mercado, como as que o FED obrigam que os bancos tenham, por exemplo) e isso diminuiria a taxa de juros gerando um ciclo?
    Muito obrigado e caso está dúvida já esteja no site não é preciso me responder.
  • Ninguem Apenas  02/04/2019 10:37
    De fato, é isso mesmo, o ciclo econômico de Boom and Bust ocorre quando a entrada de dinheiro é via crédito. Neste cenário a porcentagem total de crédito comparada ao total de dinheiro na econômia, o volume disponível para empréstimos aumenta de forma comparativa. No entanto, como nenhum volume de injeção de crédtio é capaz de mudar a relação de poupança na sociedade, todo o efeito é temporário. Após o consumo do crédito recém criado, a relação de crédito em comparação a todo dinheiro na sociedade (que é determinada pela poupança) retorna ao normal e assim se conclui o ciclo de Boom and Bust.

    Se o dinheiro recém criado não for para o mercado de crédito mas para financiar os gastos do governo, ocorrerá um fenômeno de inflação simples, os preços aumentarão e a renda daqueles que foram os primeiros beneficiários dele (neste caso aqueles ligados ao governo), não ocorrerá um ciclo de Boom and Bust mas o padrão de vida decairá.

    Segue explicação do Leandro (acima nos comentários inclusive):

    "Já na TMM, o dinheiro não entra na economia via empréstimos, mas sim via gastos do Tesouro (como já ocorre na Argentina). Consequentemente, não ocorre esse boom econômico inicial, típico dos ciclos econômicos. No entanto, a TMM permite que o governo imediatamente aumente seus gastos com funcionalismo, com suas empresas favoritas, com todo o tipo de assistencialismo (de pobres a artistas e grandes empresários), com subsídios, e também com "investimentos em infraestrutura".

    Isso retira mão-de-obra e outros recursos setor privado, afetando investimentos produtivos na estrutura de produção. A poupança e os investimentos de longo prazo são desestimulados e o consumismo é impulsionado. Além de reduzir a poupança genuína, o processo de acumulação de capital é afetado."
  • Kami - O Economista Austríaco  04/04/2019 18:45
    A diferença é para onde o crédito é direcionado. Se for para os produtores, como normalmente ocorre com a entrada de crédito na economia via empréstimos bancários com juros artificialmente baixos, ocorre o ciclo econômico. Se for direto para os consumidores, ocorre inflação. Expansão de crédito pelo governo é ruim de qualquer maneira.

  • Hugo  02/04/2019 00:02
    Uma outra furada dessa teoria é achar que o governo não vai aumentar gastos quando aumentar impostos pra evitar esse aumento de demanda. Simplesmente qualquer perspectiva de aumento de receitas de impostos vai fazer os políticos salivarem e aumentar os gastos.
  • J. Pinto Fernandes  02/04/2019 00:49
    Essa ideia de utilizar a emissão de moeda (vulga "impressora") para financiar os gastos do governo foi a causa da hiperinflação do Brasil nos anos 80-90, não? Será que esses nouveaux-economistas não são capazes de fazer estudos de caso sobre as próprias teses?

    No final, se essas ideias forem aplicadas, o taxpayer americano vai acabar precisando de um Plano Real, transformando-se assim no Brasil que fala Inglês.
  • Anônimo  02/04/2019 01:57
    Off-topic

    O que os senhores acham da proposta de tributação de dividendos?

    Acredito que este assunto merece um artigo do instituto, para ir além do que se ver.
  • Vladimir  02/04/2019 12:50
    Este serve?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2982

    Dica: já tem tudo neste site. Basta você usar a ferramenta de busca.
  • Natalia  02/04/2019 02:01
    Um pouco OFF-TOPIC

    Dentro de uma universidade, em uma aula magna chamada "Mestrados em Educação e Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais" em SC, o palestrante defende com unhas e dentes mais impostos para sustentar serviços básicos, principalmente para a educação, baseado em uma pesquisa com muitos gráficos comparativos de épocas diferentes do Brasil e também comparando com o exterior, onde avaliava que países europeus têm mais gastos públicos, enquanto no nosso país o índice é muito pequeno, entre outros dados estranhos. Poderiam responder?

    Abaixo segue a transcrição resumida e as gravações fonográficas completas:
    Gravação 1
    Gravação 2

    "Vamos falar sobre políticas públicas, em especial, de um processo de avaliação. Eu dividi essa minha fala em quatro grandes pontos: economia política da avaliação, afinal de contas, estamos tratando disso e estamos aqui porque existem políticas públicas que existem por conta de uma decisão da sociedade há muito tempo nos países desenvolvidos, de estruturar o estado de bem-estar social e por isso a importância de políticas públicas no Brasil na avaliação dos últimos 30 anos."

    "E uma das formas de explicitar em forma quantitativa é através da carga fiscal, ou seja, de um indicador que reflete o somatório de tributos arrecadados pelo Estado para o seu financiamento sobre a produção econômica expressa através do PIB. Essa carga fiscal, com muitas imperfeições, mas que dimensiona o tamanho do Estado e dessas políticas, é muito oportuna porque existem muitas falácias, desinformação quanto a esse indicador[...] Se a gente pegar os 11 países mais desenvolvidos da organização de cooperação entre movimento econômico que reúne o Canadá, a Noruega, os EUA, a França, o Reino Unido etc, países referência do ponto de vista de imagem ou de projeto de país que queremos, veremos essa evolução. Em 1870 a carga fiscal era de 11%, ao longo do Entre Guerras 24%, vai aumentando, até que se estabiliza nos anos 90 por volta de 44%. Portanto gente, fundamental guardar isso pro debate que estamos enfrentando no Brasil: país desenvolvido tem carga fiscal de quase metade da sua riqueza, tem educação publica, saúde pública, assistência social, programa de intermediação e qualificação profissional, com exceção dos EUA, todos esses países citados têm esse financiamento pelo poder público. Essa é uma referencia importante se quisermos um país mais coeso, igualitário e pujante. inevitável que a gente siga o caminho que esses países trilharam ao longo do século XX, pois a carga fiscal brasileira é de 33% e portanto, muito abaixo daquilo que a mídia divulga. Por que houve essa estruturação de políticas públicas? Porque quanto mais o modelo democrático, o sufrágio universal, a democracia liberal se estruturou no mundo afora, no mundo desenvolvido europeu, mais gente pôde votar, participar e escolher qual modelo de Estado a sociedade queria. Os vários autores que se debruçaram em estudar políticas públicas vão ser unânimes em reconhecer isso. [...] Políticas que pudessem proteger contra o desemprego... assim como as próprias necessidades do capital, que sempre dependeu do Estado, seja pra poder fazer os investimentos em infraestrutura, seja pra recomprar aqueles setores estratégicos pra sociedade, mas que perdiam sua capacidade de investimento como foi o setor ferroviário inglês ao longo do século XX."

    "A experiência histórica dos países europeus levou a constituição de um Estado de bem-estar com características muito diferentes dos EUA. O prof, Jessé Souza, grande sociólogo que temos aqui no Brasil, imputa exatamente a essa natureza desse episódio como um aspecto muito diferencial na luta contra a desigualdade e no valor público dessa luta contra a pobreza nesses países. Naturalmente, os movimentos sociais e sindicais foram muito importantes e até a própria existência de um modelo concorrente, socialista ou socialismo real, também foi importante na própria domesticação do capitalismo liberal, que agora sem amarras e contrapontos, parece querer reviver aquilo que ensaiou no final do século XIX. O fato é que a história dos indicadores sociais refletem esse movimento, se a gente hoje tem esses indicadores sociais, ambientais, estatísticas identitárias para estimar quantos somos os deficientes, quais são as condições de vida dos quilombolas e indígenas e de demais grupos majoritários e minoritários, isso tem a ver com esse processo de expansão da política pública porque cada vez que ela vai encampando outras áreas setoriais precisa de informação para diagnósticos de público alvo..."

    "Eu lanço essa pergunta: será que teríamos conseguido esses avanços com relação à pobreza, na universidade, na saúde em tantas outras dimensões? Se nós não tivéssemos uma Constituição progressista em 1988? Que explicitou um conjunto de direitos de forma mais ampla, distribuindo responsabilidades pelas três esferas? Será que teríamos seguido esses avanços se não existissem mecanismos assegurados, uma série de estabilidade política desde o governo FHC, passando pelos governos Lula e Dilma e uma democratização das nossas instâncias [...]"

    "Estamos vivendo há 5 anos um combate não só ao Bolsa Família, às políticas públicas de um modo geral. A política pública foi vilanizada, tudo que é público é ineficiente, corrupto, mal intencionado. Precisamos prestar muito atenção à isso porque a informação estatística ela é a nossa forma de conseguir mostrar à população brasileira aquilo que os Fake News que circulam em determinadas redes sociais, nem os jornais e a mídia impressa mostram."
  • Vitor  03/04/2019 13:05
    Bobagem pura, uma confusão vulgar de causalidade. França e Dinamarca aguentam uma carga tributária altíssima pq seus cidadãos tem uma produtividade alta. E ainda sim sofrem muito (principalmente a França) com economias estagnadas. Dizer que o Brasil deva aumentar a carga tributárias em quase 30% (sair de 36 para 45% do PIB) é o mesmo que dizer que o país já é rico o suficiente e que agora não precisa aumentar a produtividade, basta repartir.

    Agora se ele alegou que o Brasil ainda seria capaz de crescer tendo uma carga tributária tão pesada, foi ainda mais estapafúrdio. Quem seria louco de investir em um ambiente de negócios tão sufocante?

    Próxima vez pergunte a ele "Se o senhor decidir ter os mesmos gastos e custo de vida que Paulo Lemann, também terá a mesma renda?". Porque é basicamente isso que ele sugeriu "vamos imitar gastos de países ricos que logo seremos ricos tb".
  • Natalia  03/04/2019 16:45
    Sim, eu estranhei os dados apresentados.
    Mas e quanto à exposição dele da importância do indicador social para levantamento de pesquisas? Como o censo, expectativa de vida, número de deficientes, etc? De que essas pesquisas somente foram possíveis por conta de políticas públicas?
  • Yuri  03/04/2019 17:23
    Estatísticas coletadas desta maneira são excelentes para o governo regular e centralizar ainda mais a economia. Não é à toa que os socialistas simplesmente as amam (como você própria testemunhou).

    Sei que isso é bem fora da caixa, mas apenas imagine se o governo não tivesse o poder de coletar nenhuma estatística: você acha que o controle dele sobre a economia seria maior ou menor? Os propensos planejadores econômicos teriam mais facilidade ou mais dificuldade para tentar dirigir a economia?

    Você provavelmente estranharia essa sugestão, pois a propensão natural do ser humano é mandar e dar ordens. E estatísticas facilitam argumentar em prol disso.

    Mas digo mais.

    Você acha que empresas privadas não fariam este serviço? Dica: nos EUA, uma empresa privada divulga mensalmente os dados do desemprego, três dias antes dos dados oficiais (da BLS). E adivinhe só: os resultados são praticamente idênticos.

    www.adpemploymentreport.com/

    Ou seja, uma empresa privada faz, com zero dinheiro de impostos, o mesmíssimo serviço que uma agência estatal repleta de barnabés devoradores de dinheiro público (640 milhões de dólares por ano).

    Aproveito a deixa para coloco aqui a sabedoria de Sir John Cowperthwaite, o homem que permitiu o milagre de Hong Kong:

    "Desde os dias de John Maynard Keynes, a ciência econômica vem sendo atormentada pela ideia de que a ação humana deve ser destilada em números, os quais se transformam em uma "pretensão ao conhecimento" para aspirantes a planejadores centrais. Nas várias faculdades de economia atuais é difícil saber quando acaba a matemática e quando começa o real conhecimento econômico.

    Para Cowperthwaite, no entanto, a compilação de estatísticas para planejamento econômico era um anátema. Ele simplesmente se recusou a coletá-las.

    Quando Milton Friedman lhe questionou, em 1963, a respeito da "escassez de estatísticas", Cowperthwaite respondeu: "Se eu deixá-los coletar estatísticas, irão querer utilizá-las para planejar a economia".

    Perguntado qual era a coisa mais premente que os países pobres deveriam fazer, Cowperthwaite respondeu: "Eles deveriam abolir seus institutos de estatísticas econômicas".

    Ele acreditava que, se estatísticas fossem coletadas em Hong Kong, elas estimulariam o governo britânico a implantar políticas supostamente corretivas, o que inevitavelmente afetaria a capacidade da economia de mercado funcionar corretamente. Isso gerou consternação no governo britânico. Uma delegação de burocratas foi enviada a Hong Kong para descobrir por que as estatísticas não estavam sendo coletadas. Cowperthwaite literalmente mandou-os de volta a Londres no primeiro avião."

    Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong - da pobreza à prosperidade

    E veja também:

    A estatística, o ponto fraco do governo
  • Gabriel  04/04/2019 16:01
    Uma outra forma de ver como essa implicação de causalidade (carga alta e desenvolvimento) é bem estúpida é verificar a carga tributária desses países quando eles possuíam renda per capita próxima da nossa.

    A Suécia, por exemplo, tinha em 1965 renda per capita de 18.100 dólares a preços constantes (quase o dobro da renda brasileira de hoje). Assim mesmo, a carga tributária dela nessa época era de 31%; ou seja, inferior à do Brasil atual. Não encontrei dados anteriores a 1965, mas é bastante provável que sua carga fosse muito menor (em torno dos 20% - 25%) quando a sua renda per capita era a mesma da do Brasil atual (11 mil dólares).

    Vemos aqui uma enorme informalidade quanto a empregos e também quanto a empresas. Isso não é à atoa. Isso é reflexo de uma carga tributária já absurda para um país de renda média-baixa.
  • Gustavo A.  04/04/2019 17:51
    E fora que eu duvido que tenha um país desenvolvido com obrigações acessórias ao tributo tão absurdas quanto as do Brasil. O empresário gasta mais de 2,000 horas por ano para pagar impostos, imaginem o custo disso?

    E o fisco fica sempre na tocaia, por qualquer erro a pessoa (física ou jurídica) acaba tendo que pagar além do principal, multa e juros. É um absurdo... Procurem as legislações do ICMS, uma pior que a outra.

  • anônimo  15/04/2019 17:16
    Olhar apenas para carga tributária é idiotice. Carga tributária é diferente de tributação.

    O Brasil cobra muito mais imposto de renda e imposto jurídico que os EUA e a a carga tributária é 1% menor.
  • Humberto  15/04/2019 17:34
    Anônimo, sua informação sobre carga tributária está errada. A carga tributária total dos EUA é de 26% do PIB.

    www.heritage.org/index/country/unitedstates

    A do Brasil é de 32,2% do PIB.

    www.heritage.org/index/country/brazil

    Mais cuidado ao sair divulgando informações.
  • Anna  02/04/2019 02:19
    Obrigada por postar mais um artigo explicando a desastrosa TMM, uma pergunta sem muito a ver com um assunto.
    Leandro, você tem algum canal no YT ou alguma conta no insta e etc? Queria te seguir. :)
  • Pensador Puritano  03/04/2019 11:54
    Leandro Roque podia mesmo abrir um canal no Youtube para tirar dúvidas pontuais dos assinantes,é verdade que é uma tarefa hercúlea,mas seria um banho de cultura econômica neste oásis de desinformação que vivenciamos nestes tempos de Marxismo cultural e idiotia esquerdista.
  • Estado o Defensor do Povo  04/04/2019 02:31
    Hm, não sei se tu atrás só do Leandro ou de mais fontes no geral, então vou te apresentar o canal Ideias Radicais do Raphael Lima no YT, ele tem muitos vídeos bons de economia.

    www.youtube.com/channel/UC-NwgkrLPYmzM-xoLr2GX-Q
  • João  04/04/2019 13:25
    Do Leandro tu vai achar palestras dele em conferências do próprio IMB.

    O sotaque mineiro não me agrada muito, isso uma visão pessoal, mas a genialidade dele faz valer a pena aguentar.

  • João  02/04/2019 03:13
    Sou leigo em economia, mas reparei que as bolsas de valores ao redor do mundo têm subido constantemente, com crises pontuais, a partir da década de 90.

    Tem alguma coisa que ver com a expansão monetária que vêem acontecendo em todos os países?
  • Pampa  02/04/2019 07:21
    A Argentina consegue a proeza de ter uma carga tributária maior do que Canadá e EUA.

    A Teoria Monetária Moderna está sendo aplicada na veia argentina antes de sequer pensarem em dar um nome pra ela.
  • anônimo  02/04/2019 15:53
    Para um país como a Argentina ter a carga tributária maior que países como EUA e Canadá, a tributação precisa ser bastante alta e bem insonegável. Exatamente como pede a TMM.
  • Lorivaldo  02/04/2019 08:03
    Depois que eu vi pessoas protestando contra a Amazon pela mesma dominar o mercado por conta de bons serviços a um preço acessível, perdi a fé na humanidade...
  • Andre Fernandes  02/04/2019 13:09
    Excelente artigo!

    Já li algumas vezes aqui no IMB que expectativas futuras são importantes com relação ao comportamento da inflação de um país. Que se um país possui um histórico de inflação alta e descontrole de gastos na esfera governamental, a população já entra em um ciclo de aumento de preços para se antecipar a uma nova desvalorização. Podem me confirmar se estou no caminho certo?

    Caso isso seja verdade, não serviria como mais um contra argumento a essa TMM? Mesmo que exista a possibilidade de aumento de impostos, se a população espera que o governo continue gastando além do que arrecada e desvalorizando a moeda via impressão, não faz sentido acreditar que a inflação continuará alta?

    Abs
  • Ludwig  02/04/2019 13:36
    Correto.

    Em um ambiente de alta inflação, chega-se a um ponto em que a população — exatamente por já estar vivenciando uma subida rápida e diária dos preços — passa a esperar que os preços futuros irão subir a taxas ainda mais aceleradas. Se a inflação do mês passado foi de 20%, ela espera que a deste mês será de 25%. E a do mês seguinte, de 30%. E assim por diante.

    Neste arranjo, a demanda por dinheiro — ou seja, o desejo das pessoas de portar dinheiro — vai caindo continuamente. Ninguém quer manter consigo algo que amanhã terá um poder de compra bem menor. Ato contínuo, as pessoas freneticamente tentam trocar todo e qualquer dinheiro por bens o mais rapidamente possível. Todos querem prontamente se livrar do dinheiro que recebem, trocando-o por produtos que ao menos tenham algum valor.

    Por outro lado, praticamente ninguém aceita abrir mão de bens — principalmente alimentos e outros produtos essenciais — em troca de uma moeda sem poder de compra nenhum.

    Ou seja, de um lado, as pessoas querem se livrar rapidamente do dinheiro em troca de bens. De outro, quem tem bens não quer receber esse dinheiro que não vale nada — a menos que cobre um enorme ágio por isso. Daí os preços sobem ainda mais.

    À medida que essas expectativas inflacionárias vão se estabelecendo entre as pessoas, o nível dos preços vai se tornando cada vez mais descolado da quantidade de dinheiro em circulação, de modo que os preços passam a disparar a taxas cada vez maiores, as quais excedem a taxa de expansão da oferta monetária.

    Aí é fim. A situação só é resolvida se a moeda for integralmente trocada ou pelo dólar ou por uma nova lastrada 100% em dólar (tipo Currency Board ou como foi feito pelo Plano Real).
  • Pobre Paulista  02/04/2019 13:55
    A simples interrupção da expansão monetária não seria suficiente para interromper a inflação inercial?
  • Ludwig  02/04/2019 14:36
    Seria ineficiente. E totalmente inconveniente.

    Se você realmente interromper a expansão monetária, os preços continuarão sendo reajustados para cima, normalmente. Por causa das expectativas. Isso ocorrerá até chegar ao ponto em que a oferta monetária (agora fixa) será "insuficiente" para dar conta dos preços. Os preços continuaram disparando a taxas cada vez maiores, as quais excedem infinitamente a taxa de expansão da oferta monetária (agora em zero).

    E aí chega-se a um resultado é paradoxal: ao mesmo tempo em que a economia já está inundada de dinheiro, surge uma escassez de dinheiro em circulação (porque os preços estão astronômicos), o que dificulta enormemente o pagamento de bens e serviços. Em termos mais coloquiais: não há dinheiro suficiente para saldar os preços praticados.

    E aí a economia desaba em uma depressão.

    Por outro lado, se você, em vez de congelar a oferta monetária, simplesmente trocar a moeda (ou implantar um Currency Board), você só obtém ganhos: a expectativa é rapidamente alterada, o processo é extremamente rápido, não gera recessão, não causa desemprego, não aumenta a pobreza e, principalmente, resolve todo o problema inflacionário em menos de um mês (vide Bulgária em julho de 1997; ou mesmo o Real em 1994, como todos os seus defeitos).

    Só há ganhos.

    De novo, o segredo todo está nas expectativas. Essas só são quebradas com a troca da moeda.

    Por exemplo, o que seria mais efetivo para a Argentina: adotar integralmente o dólar e fechar o Banco Central, ou manter todo o arranjo inalterado e apenas (prometer que irá) parar de imprimir dinheiro? Alguém realmente confia que políticos e burocratas irão de fato parar de imprimir dinheiro, mesmo vivenciando todas as consequências negativas (de curto prazo) que isso irá gerar? No primeiro agravamento da recessão, a impressão voltará com tudo.
  • Pobre Paulista  02/04/2019 16:01
    Não entendi:

    "os preços continuarão sendo reajustados para cima, normalmente. Por causa das expectativas. "

    OK, num primeiro momento, dado que ninguém sabe o quanto de moeda existe em circulação.

    "Isso ocorrerá até chegar ao ponto em que a oferta monetária (agora fixa) será "insuficiente" para dar conta dos preços. "

    Até aqui ok, mas...

    "Os preços continuaram disparando a taxas cada vez maiores, as quais excedem infinitamente a taxa de expansão da oferta monetária (agora em zero). "

    Mas eventualmente os preços podem subir a taxas cada vez menores, certo? NMHO esse é o cenário mais natural, aí os preços estabilizariam.

    O que impede isso de acontecer?

    A propósito, não foi basicamente esse o Plano Collor?
  • Ludwig  02/04/2019 16:20
    "Mas eventualmente os preços podem subir a taxas cada vez menores, certo? NMHO esse é o cenário mais natural, aí os preços estabilizariam."

    Sim, eventualmente isso irá acontecer. Mas quanto tempo demorará? Impossível prever. Mas com certeza não será em menos de um mês. Com efeito, acho até que passa de um ano.

    Vide o que aconteceu no Brasil. A partir de 2015, o M1 entrou em contração, algo que simplesmente nunca ocorreu antes na história do país. Mas os preços continuaram subindo até meados de 2017, quando eles finalmente estabilizaram.

    Em um cenário de hiperinflação, não é desarrazoado imaginar que levaria pelo menos dois anos. Nesse ínterim, haveria uma profunda recessão, elevado desemprego e muito sofrimento. E desnecessariamente*.

    Muito melhor seria adotar um Currency Board ou simplesmente dolarizar: a expectativa inflacionária é quebrada imediatamente, e sem as desnecessárias consequências negativas acima.

    "A propósito, não foi basicamente esse o Plano Collor?"

    Correto. Aproximadamente 90% da oferta monetária foi congelada. E o que aconteceu com os preços? No melhor momento, passaram a subir 10% ao mês. Invejável?


    * Vale ressaltar que recessões são inevitáveis apenas quando precedidas de um período de expansão do crédito, com vários investimentos de longo prazo insustentáveis. Hiperinflação causada por simples impressão de dinheiro não tem necessariamente de se degenerar em uma recessão. Os ciclos econômicos são causados por expansão do crédito para investimentos, e não por impressão monetária para financiar gastos do governo.
  • Ninguem Apenas  02/04/2019 16:35
    O Plano Collor confiscou a poupança reduzindo incríveis 80% de todo o dinheiro na economia, ao mesmo tempo o Collor continuou imprimindo moeda feito um louco. Não dá para dizer que foi a mesma coisa, mas se me permite discorrer, em um cenário com um Banco Central que causou uma hiperinflação, congelar a base monetária seria uma solução política horrível, primeiro que alguém realmente acreditaria que o governo iria congelar a base monetária e se abster daí em diante a nunca mais imprimir dinheiro?

    Eu por exemplo não pensaria "Ah, agora que o Sarney falou que o Banco Central não irá mais imprimir dinheiro não vou mais trocar esse pedaço de papel por dólar ou correr para trocá-las por alguma mercadoria". O cenário seria diferente se o Banco Central fosse abolido em seguida, pois aí sim as expectativas seriam alteradas.

    Foi mais ou menos o que aconteceu no governo Dilma, quando trocou a equipe econômica, mudou também as expectativas. Antes disso, dobrar a taxa de juros não adiantou de absolutamente nada em interromper o aumento de preços, e apenas agravou a crise.

    "Mas eventualmente os preços podem subir a taxas cada vez menores, certo?"

    Até é verdade, uma hora os preços vão desacelerar, mas demoraria um tempo considerável a mais que apenas adotar o Currency Board (que inverte as expectativas mais rápido), e neste meio tempo a economia sofreria um "pouco" mais.
  • Demolidor  02/04/2019 14:07
    MMT é tão científica quanto astrologia.

    Já está passando da hora de termos economistas realmente empíricos no 'mainstream'. Essa panfletagem ideológica pró-estado já nem disfarça mais o charlatanismo.
  • Paulin  02/04/2019 14:39
    Posso falar uma coisa que vocês talvez estejam ignorando:

    1.O que é o poder? O poder é capacidade de ação através de meios. Uma das características do poder é que ele pode submeter aqueles com menos poder a sua vontade.

    2. Para parar um poder maligno é necessário um poder do bem.

    3. Uma das características do mal é concentrar poder sempre cada vez em escala maior. Se nós seres humanos pudêssemos analisar a situação de um ponto de vista macro perceberíamos que essa é a tendencia e que culminará, por fim, em uma tentativa de centralização Global.

    4. Um poder do mal só pode ser parado por um poder do bem, mas o paradoxo disso é que o ser humano por estar corrompido pelo pecado empodera suas boas ações, mas também seus defeitos. Eu sei que existe aquela frase de que o poder corrompe, mas eu penso um pouco diferente: Eu não acho que o poder é intrinsecamente ruim, mas é ruim por que o ser humano é um ser corrompido. Quem diz que o poder centralizado não pode ser usada para coisas boas é uma toupeira completa.

    5. Dito tudo isso chegamos a uma conclusão: Se o verdadeiro mal(o anti-cristo) centralizar poderes ele, necessariamente, só pode ser parado por um ser puro, justo e incorruptível. Que meio que é narrativa Bíblica, também colocada de alguma forma nos livros de Tolkien, que era Católico. Só um ser puro pode ser possuidor do Anel de Poder, que nos livros é o Frodo, mas que na nossa realidade é Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o Rei Eterno, e os cristãos esperam o retorno do Rei.

    6. Eu tenho algum receio contra anarco-capitalistas por isso, muitos não entendem a teoria do poder. Muitos de vocês acham que o poder só pode ser centralizado nas mãos de Estados, mas essa não é a verdade. Por acaso vocês não ouviram que esse mundo jás sob o maligno? Também não lhes disseram que o preço da liberdade é a vigilância perpetua? Essa luta nunca vai acabar independente de qual seja a ordem entre as nações e terras. Isso não significa que vocês devam desistir da luta, pois o homem pode e deve buscar sua própria Justiça, mas tolo é aquele que acha que pode desprezar as experiencias do passado. "A mão queimada ensina melhor. Depois disso o conselho sobre o fogo chega ao coração." Na minha opinião tentativas de mudar ordem mundial de forma abrupta e revolucionaria sempre trazem mais mortes. Por que então alguns libertários dizem que querem salvar pessoas da tirania, mas ao mesmo tempo não se importam se isso irá lançá-las a morte, fome, sofrimento e guerras? Que tipo de salvação falsa é essa?


    Eu particularmente acredito que o sistema Monárquico é aquele que mais se aperfeiçoou com o tempo e mais pode passar por "testes de estresse", portanto, é o mais ideal para se fazer uma transição e descentralização de poder cada vez maiores e graduais. Para haver uma transição em que as pessoas não sejam jogadas a toda sorte de tentativas do mercado de ser adaptar é necessário um sistema de transição que seja estável e dentre os que temos hoje eu acredito que o sistema mais estável é a Monarquia.?
  • PESCADOR  02/04/2019 16:11
    Concordo com o sistema monárquico se eu for o Rei e você meu súdito. Só espero que você não se esqueça de se ajoelhar perante mim quando for pagar os tributos.
  • Flamengo  02/04/2019 15:02
    Faltou mencionar que o gasto que a Teoria Monetária Moderna (TMM) prega é o ótimo (investimentos que tenham retorno) e que a tributação que ela defende é a ótima (sistema tributário simples, neutro, transparente, com equidade horizontal e vertical e que deixe pouca margem para evasão. A tributação ótima deve levar em conta a equidade horizontal e vertical, o princípio da neutralidade, o princípio do benefício, a progressividade e a regressividade da tributação, o principio da capacidade contributiva e etc.).

    Nada disso foi adotado pela "experiência" prática Argentina.
  • Humberto  02/04/2019 16:08
    "o gasto que a Teoria Monetária Moderna (TMM) prega é o ótimo (investimentos que tenham retorno)"

    Ah, sim. Políticos vão imprimir dinheiro para fazer "gastos ótimos" e que tragam "grandes retornos".

    Afinal, fazer "gastos ótimos" e "investimentos que tragam grandes retornos" é exatamente a grande e inequívoca especialidade dos políticos, não? Eles estão na política exatamente por serem exímios investidores e responsáveis usuários do dinheiro público...

    Os seguidores da TMM conseguem ser ainda mais patéticos que os marxistas.

    "e que a tributação que ela defende é a ótima (sistema tributário simples, neutro, transparente, com equidade horizontal e vertical e que deixe pouca margem para evasão. A tributação ótima deve levar em conta a equidade horizontal e vertical, o princípio da neutralidade, o princípio do benefício, a progressividade e a regressividade da tributação, o principio da capacidade contributiva e etc.)."

    Isso é stand-up comedy?! Você deveria tentar. Tem futuro.

    Traduzindo tudo: a TMM irá funcionar satisfatoriamente apenas quando os políticos deixarem de ser políticos e se tornarem exímios gestores de fundos de investimentos -- e, pelo visto, quando temem forem exímios geometristas (político determinado "equidade horizontal e vertical" foi sensacional, devo admitir...)
  • AGB  03/04/2019 01:34
    Na Argentina existe um "impuesto sobre los débitos y créditos en las transacciones financieras" desde 2001 pelo menos. Também deveria ser "transitória". Ou seja, nossa velha e boa CPMF.
  • 4lex5andro  03/04/2019 14:32
    Do not surprises, ou seja, nada de novo no front.

    Que continente apaixonado pelo capital-socialismo essa América Latina, é algo a ser estudado.

    E isso que Argentina e Brasil, historicamente, são as maiores e mais desenvolvidas economias do continente.
  • Gunther Heinzel  03/04/2019 10:37
    A TMM conforme foi colocada nesse ótimo artigo condiz com o objetivo dos esquerdistas a moda gramsciana , uma forma de tolher o setor privado e aumentar influência e o poder do estada
  • Emerson Luis  03/04/2019 11:54

    É apenas a velha jogada de redefinir conceitos-chave e dar novos nomes para justificar teorias e práticas que sempre causaram problemas.

    Um dos resultados da implementação dessa "nova" teoria naturalmente será o aumento sistemático do Estado. Esse pessoal quer "tudo dentro do Estado, nada fora do Estado" e ainda dizem que os liberais e conservadores é que são "fascistas". Fascinante!

    * * *
  • anônimo  03/04/2019 14:17
    Texto do Alexandre Schwartsman sobre o assunto:
    maovisivel.blogspot.com/2019/04/muito-barulho-por-nada.html
  • void  03/04/2019 22:56
    Então é isto, se você quer ter nova moral, você pega a velha arbitrariedade política, contrata os mesmos velhos economistas de sempre, dá um nome novo às suas velhas maluquices, faz umas maquiagens novas e lucra.
  • %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o  04/04/2019 00:27
    @Assim como os proponentes da TMM, os políticos argentinos sempre acreditaram que os déficits não importam, e que, consequentemente, as restrições orçamentárias não são realmente restritivas.@

    EXATO! Temos o FMI para pedir dinheiro.
    E se ainda vai mal, pedimos um waiver.....

    www.pagina12.com.ar/185000-para-acceder-al-credito-hubo-que-pedir-perdon
    www.reuters.com/article/argentina-imf/update-3-argentina-seeks-imf-waiver-over-pending-data-for-third-review-idUSL1N21L0B4
  • %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o  08/04/2019 00:01
    Esta gente esta doida!

    www.pagina12.com.ar/185795-mauricio-es-macri-y-vidal-tambien

    Só dívida.

    Estão comprometendo as próximas gerações.


    **

    As políticas de Macri estão dando estes resultdos:

    www.pagina12.com.ar/185883-durisima-nota-de-la-bbc-sobre-argentina

    www.bbc.com/portuguese/internacional-47780629
  • %C3%83%C2%B3rf%C3%83%C2%A3o  18/04/2019 17:49
    Cínico, caradura!!

    O video que aparece nestas notas mostra a .... (deixo a continuação ao vosso criterio).

    www.pagina12.com.ar/188044-lo-que-busco-duran-barba-lo-que-salio

    www.pagina12.com.ar/188152-un-opinador-de-la-crisis-que-provoco

    e continuamos com o "controle de preços", esta vez vai dar certo!!

    www.youtube.com/watch?v=dylTLPieZ-M

    e os açougues, a vender osso e gordura:

    www.eldestapeweb.com/el-destape-radio/los-carniceros-desmienten-macri-no-podemos-tener-esos-precios-n58779



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