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Eis a lei econômica irrefutável que é o antídoto para as mais populares falácias econômicas
Não é exagero dizer que Jean-Baptiste Say e sua lei são os guardiões da continuidade da civilização

Por que duas pessoas decidem, livre e voluntariamente, transacionar entre si?

Simples: porque elas acreditam que irão melhorar sua situação após a troca. Elas não fariam a troca caso esperassem ficar em pior situação.

E no que consiste essa transação livre e voluntária entre duas pessoas? Consiste no oferecimento mútuo de bens e serviços.

E este é o ponto crucial para entender aquele princípio que foi rotulado de Lei de Say. E esta lei explica os principais fenômenos da economia.

Por que você trabalha?

Ver uma transação econômica entre duas pessoas como um oferecimento mútuo de ambos os lados mostra que o fenômeno da oferta e da demanda não é um problema sem solução, como a charada do ovo e da galinha.

O indivíduo produz aquilo que, em sua melhor estimativa, imagina que outras pessoas irão querer consumir. E ele faz isso na expectativa de que essas outras estão produzindo ou irão produzir aquilo que ele quer consumir.

Falando mais coloquialmente, as pessoas acordam cedo e vão produzir (trabalhar) para tentar atender às demandas de terceiros. Caso sejam bem-sucedidas em atender a demanda de terceiros, elas serão recompensadas (remuneradas) por isso. Essa remuneração irá agora lhes permitir demandar bens e serviços para satisfação própria.

As pessoas trabalham em troca de dinheiro não pelo dinheiro em si próprio. Como diz o ditado, você não pode "comer dinheiro". Você demanda dinheiro por causa dos bens e serviços que poderá obter com esse dinheiro.

Ou seja, ao produzir e ofertar para terceiros, e consequentemente ganhar dinheiro, você pode agora utilizar esse dinheiro para demandar bens e serviços para proveito próprio.

Obviamente, de nada adianta apenas produzir e ofertar para terceiros: esses terceiros têm de querer adquirir essa produção. Caso isso não ocorra — isto é, caso as pessoas não se interessem por adquirir a sua produção —, você não será recompensado por isso. E, logo, não terá como demandar bens e serviços.

A produção, portanto, sempre será um ato inerentemente especulativo.

Em pequenos arranjos sociais, essa especulação normalmente não é muito difícil. Duas pessoas náufragas em uma ilha tropical, por exemplo, podem discutir antecipadamente o que cada uma fará e oferecerá para a outra. Em arranjos sociais mais amplos, formado por milhões de indivíduos, essa especulação é bem mais difícil. É aí que entra em cena o sistema de preços livres e de transações monetárias: para ajudar as pessoas a descobrirem o que as outras querem por meio dos sinais enviados pelo sistema de preços — que expressam as preferências dos consumidores, e mostram quais bens e serviços estão mais escassos e quais estão mais abundantes —, os quais permitem a criação do mecanismo de lucros e prejuízos.

Mas a essência especulativa não se altera: as pessoas produzem aquilo que julgam que as outras querem, na expectativa de que essas outras irão, em troca, fornecer aquilo que as primeiras querem.

A Lei de Say, portanto, pode ser descrita da seguinte maneira: o valor dos bens e serviços que qualquer indivíduo pode comprar é igual ao valor de mercado daquilo que ele pode ofertar. Ou, em um sentido macroeconômico agregado, o valor dos bens e serviços que qualquer grupo de pessoas pode comprar no agregado é igual ao valor de mercado daquilo que elas podem ofertar no agregado.

A Lei de Say, portanto, simplesmente expressa a realidade de que nós produzimos para poder consumir.

Sempre verdadeira

A Lei de Say sempre será verdadeira e para sempre permanecerá irrefutável porque ela se refere ao conceito subjetivo da valoração.

A oferta colocada no mercado sempre fornecerá o meio com o qual o ofertante poderá comprar outros bens e serviços — mas somente na mesma extensão do valor subjetivo atribuído pelos consumidores a essa oferta.

De novo: de nada adianta você produzir e ofertar bens e serviços que ninguém quer, ou bens e serviços cujo valor subjetivo atribuído a eles pelos consumidores seja nulo ou extremamente baixo. Isso não lhe dará poder de compra para satisfazer suas demandas.

No entanto, e este é o principal ponto, mesmo que esta oferta fracasse em criar qualquer poder de compra para seu ofertante — por ter sido considerada completamente sem valor de mercado, como cavar buracos no meio do nada —, isso não revogaria em nada a Lei de Say; ao contrário: seria mais uma manifestação dela própria.

Tal fenômeno também distingue a Lei de Say da teoria do valor-trabalho de Marx: Say reconhece o fato crucial de que o ato de produção, por si só, é insuficiente para criar poder de compra; só cria poder de compra o ato de produzir algo que é valorado por terceiros, os quais também produziram algo de valor no mercado e que, por isso, têm poder de compra e podem adquirir o que você produziu.

Em suma, não é a produção ou o trabalho o que interessam, mas sim o que é produzido e para quem.

Podemos agora entender por que David Ricardo disse que: "Nunca há uma deficiência de demanda; são os homens que erram em sua produção".

Ricardo estava se referindo ao grande debate sobre "excesso de oferta", travado no século XIX entre ele e Thomas Malthus, sobre a causa e a cura das recessões econômicas. Malthus defendia a ideia que viria a se tornar a essência do keynesianismo e da corrente econômica convencional: excesso de poupança e poucos gastos, dizem eles, causam um excesso de bens não-consumidos, o que significa que houve excesso de produção. Produtores ficam com mercadorias encalhadas, suas receitas entram em declínio e eles acabam tendo de demitir empregados. Ocorre uma recessão. Malthus, e posteriormente (e com mais ênfase) Keynes, defendem que poupar menos e gastar mais é a solução para recessões.

Mas a validade da Lei de Say mostra que a visão malthusiana-keynesiana está errada. Dado que a demanda é determinada apenas pelos produtos e serviços ofertados no mercado, erros empreendedoriais em grande escala (os quais são revelados na recessão) têm necessariamente de ser o resultado de erros — também em grande escala — cometidos pelos empreendedores, os quais especularam, erroneamente, que o valor de mercado que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços seria maior do que realmente acabaram sendo.

Ou seja, empreendedores — por vários motivos — imaginaram que os consumidores atribuiriam a seus bens e serviços valores maiores do que aquele que de fato foi atribuído. Não houve um 'excesso de produção'; houve, isso sim, um erro de cálculo quanto ao futuro valor de mercado dessa produção.

Esse tipo de erro empreendedorial coletivo ocorre tipicamente quando o governo embarca em uma política de crédito farto e barato, o qual gera um aumento temporário da renda disponível das pessoas, que então passam a consumir mais. Ludibriados por esse consumo maior — o qual foi causado pelo mero endividamento barato e não por um aumento genuíno da produção e da renda —, empreendedores passam a crer que haverá maior renda disponível no futuro, de modo que seus bens e serviços serão mais demandados, o que significa que poderão cobrar preços maiores. Mas tão logo essa expansão do crédito é interrompida, todo o cenário de aumento da renda se revela fictício e artificial, mostrando que nunca houve realmente um aumento da renda da população. Houve apenas endividamento. Consequentemente, seus bens e serviços não poderão ser vendidos pelo maior preço antecipado pelos empreendedores.

[Veja como toda essa teoria de fato ocorreu na prática no Brasil da última década].

Logo, se empreendedores erraram em sua estimativa e em sua produção — por qualquer motivo —, então a correção deve necessariamente passar pelo rearranjo dos esforços produtivos, isto é, pelo redirecionamento da estrutura de produção da economia, de modo a estimar mais corretamente os desejos dos consumidores e a melhor servi-los.

Isso envolve, entre outras coisas, o deslocamento de trabalhadores de um setor para o outro (o que causa um alto desemprego temporal) e a suspensão (ou mesmo a abolição) de determinadas linhas de produção (o que causa o fechamento de empresas e fábricas).

Esse diagnóstico da recessão é bastante diferente do diagnóstico keynesiano, que enfatiza que houve uma redução da demanda em decorrência de misteriosas flutuações no "espírito animal" dos empresários, o qual deve ser retificado por meio de mais expansão do crédito, mais endividamento e mais gastos governamentais.

No diagnóstico da Lei de Say, o governo deve remover ao máximo os obstáculos burocráticos e regulatórios para que os empreendedores possam rapidamente corrigir seus erros e descobrir quais bens e serviços os consumidores realmente querem (e podem comprar). Dado que o mecanismo de preços é a principal fonte de informação dos empreendedores, uma flexibilidade nos preços de mercado é essencial para uma rápida recuperação.

Adicionalmente, uma vez que recursos escassos foram mal alocados em empreendimentos para os quais nunca houve real demanda — o que significa que capital está sendo imobilizado de maneira destrutiva —, é necessário haver ainda mais poupança (e não menos) para que tais ativos possam ser adquiridos por novos investidores e, consequentemente, para que trabalhadores e empreendedores possam ser contratados nesta nova linha de produção.

Se o governo, no entanto, impedir essa correção por meio de política que estimulem a demanda, isso irá apenas subsidiar estes bens que foram produzidos a um custo muito alto. Consequentemente, os erros empresariais serão protegidos e blindados das preferências do consumidor. Os consumidores perderão e os empreendedores ineficientes são premiados. E a economia continuará desalinhada, com a oferta não sendo aquela demandada pelos consumidores.

Ao final, a produção estará em descompasso com a demanda, os empreendedores ruins continuarão no mercado consumindo recursos escassos (e, com isso, prejudicando os mais competentes), os consumidores terão menos poder, e a economia será menos eficiente.

A falta de lógica das políticas de estímulo ao consumo

É quando se entende esta lei básica que se percebe a falta de lógica de políticas de estímulo ao consumo — seja para estimular a economia ou para "curar" recessões.

Por definição, nunca há um "problema de demanda". Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar. Por isso, a ideia de que é necessário "estimular a demanda" é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

O problema não é e nem nunca foi "estimular a demanda". O grande problema sempre foi criar a oferta. Mais ainda: criar a oferta que sacie a demanda dos consumidores.

E, como explica a Lei de Say, é exatamente esta oferta o que permitirá ao ofertante auferir a renda que irá possibilitar a sua demanda.

No final, eis o fato incontornável: não é possível aumentar o consumo sem antes haver um aumento da produção. E para que haja um aumento da produção é necessário, acima de tudo, um ambiente que seja propício à produção. Na economia real, se o governo quiser realmente estimular uma maior produção — o que permitiria mais consumo e também crescimento econômico —, ele deveria adotar medidas propícias a facilitar a produção: redução da burocracia, redução das regulamentações, redução das incertezas geradas pelo governo, redução dos impostos, redução dos gastos públicos e, principalmente, maior poupança.

Exatamente o contrário do que propõem vários políticos demagogos e demais "especialistas" no assunto.

Conclusão

Agora é possível entender como a rejeição da Lei de Say — a alegação da dupla Keynes-Malthus de que a demanda gera a oferta, e não a oferta possibilita a demanda — explica como os economistas convencionais atuais pensam sobre a economia, sobre as causas e a cura de recessões, e como eles justificam recorrer ao gerenciamento centralizado do estado para resolver o "problema".

Se o ato racional e prudente de poupar leva a consequências sociais destrutivas, como diz o keynesianismo, então torna-se fácil recorrer a um corpo burocrático chamado 'estado' para impor medidas coercitivas para retificar este erro de mercado.

Se aceitarmos a falácia de que são as ações individuais virtuosas (como a poupança e a frugalidade), e não a intervenção estatal, que geram resultados sociais caóticos, então todas as maneiras de planejamento central podem ser justificadas não apenas em nome do benefício público, mas também como sendo fundamentalmente essenciais.

É a validade da Lei de Say que permanece sendo a guardiã da liberdade econômica e da prosperidade. Sem ela, todas as falácias econômicas passam a justificar a força estatal, a qual é amplificada em nome da salvação pública. E essa medida, como bem atesta a história, é o caminho garantido para a ruína civilizacional.

A Lei de Say continua sendo a guardiã da liberdade econômica, da prosperidade e até mesmo da própria civilização.

41 votos

autor

Russell Lamberti
é co-fundador do Instituto Ludwig von Mises da África do Sul e estrategista-chefe da firma de investimentos ETM Analytics. É também co-autor do livro When Money Destroys Nations. Mora em Joanesburgo.


  • Carlos Lima  08/03/2019 07:40
    Excelente. Tudo muito óbvio, intuitivo, lógico. Eu havia acabado de reler o artigo de Per Bylund - A LEI DE SAY É IRREFUTÁVEL E, SOZINHA, DESTRÓI TODO O ARCABOUÇO KEYNESIANO (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2721) -, que por sinal recomendo, e esse novo post esclareceu mais ainda sobre a importância e a necessidade de se entender a lei dos mercados.
  • Érika D.  08/03/2019 11:18
    Esse instituto está precisando urgentemente de simplificar seu conteúdo para as massas. Recentemente conheci o Mises e desde então venho tentando ler todos os artigos, mas o tempo é o maior vilão. Eu não consigo debater e expressar para todos ao meu redor e muito menos responder a todos as perguntas que me fazem sobre a escola austríaca porque eu mesma não consigo me aprofundar e nem simplificar conteúdos tão complexos, especialmente porque nunca estudei economia na vida. Formei em Biologia e agora estou na faculdade de Direito, então vocês imaginam... Economia nunca será o forte do povão e nunca será motivo de debates calorosos num curso de pedagogia por exemplo. Eu acredito que está faltando ao Instituto Mises atingir a camada mais baixa da sociedade com conteúdos simplistas que explicam a realidade deles. Muita gente não sabe que pagam impostos quando comprar pão e leite! O Brasil está longe de entender sobre intervencionismo. Ficamos felizes a toa quando Guedes assumiu o ministério da economia porque ele não se comunica com o povão. É preciso lembrar que a escola austríaca só ficará conhecida se começarmos pelas ações (Mises) e que precisamos ser agitadores (Hayek). Mas não é sair pelas ruas gritando e sim explicando pra todos ao redor de forma simples e convincente. (A palavra "intervencionismo" não faz parte do vocabulário de muitos). Sugiro artigos feitos especialmente para leigos. Precisamos urgente de mais escola austríaca.
  • Estado o Defensor do Povo  08/03/2019 14:02
    Poisé moça eu concordo contigo, mas também você tem que ver que o povão no Brasil é muito pobre, para obedecermos as leis econômicas teríamos que revogar muitas leis e benefícios trabalhistas, e o cara que já tá pobre ficaria apavorado se tal coisa acontecesse, ele não se importa com leis e livros, pra ele isso tudo é balela e o que importa mesmo é ele ter o salário e emprego garantido pelo Estado, o que aconteceria é que veríamos vários líderes populistas afirmando que essas leis são só invencionice e desculpa pra perpetuarmos o poder do rico, e o pobre compraria esse discurso e votaria nele, infelizmente, o que me deixa triste mesmo é vermos os nossos líderes cagando e andando pra essas leis, eles sim são pessoas mais estudadas (ou pelo menos é o que se espera, tem uns vereadores de interior que são semi-analfabetos) e que têm a obrigação de saber essas coisas, a democracia é um lobo disfarçado de pastor, que diz que irá salvar o povo, mas na verdade só devora ele.
  • Erika D  08/03/2019 18:55
    Entendo perfeitamente a colocação de todos. Na verdade, eu estava a ponto de usar todo o conhecimento austríaco que eu adquiri no site do IMB só na minha vida mesmo, quando decidi postar aqui para "fazermos algo".

    Mas pelo o que eu entendi - e concordo- é dificil demais colocar qualquer coisa na cabeça das pessoas que não tenha a ver com azul/rosa, hinos e tiros.

    Porém, conforme disse o "anônimo" abaixo, o que eu venho fazendo e pretendo continuar fazendo é espalhar de pouco a pouco as ideias. E já estou fazendo isso nas apresentações da faculdade. Quinta feira agora irei apresentar um trabaho em grupo sobre agrotóxicos e serei a única do grupo e falar sobre escassez de alimentos e tecnologia dos agrotóxicos. Os outros vão falar que estamos todos morrendo intoxicados.
  • anônimo  08/03/2019 16:24
    Acredito que o papel que o Instituto Mises se propôs a desenvolver é o de fornecer noções básicas de economia para leigos nessa área mas com alto grau de instrução.

    Por isso os textos longos, minuciosos, cheios de citações e com referências para outros trabalhos.

    É uma forma de atingir um público específico que pode um dia influenciar e, quem sabe, transformar o pensamento acadêmico e o de alguns veículos de transmissão de conhecimento.

    Se essa missão vem sendo cumprida com excelência, não vejo porque mudarem.

    É fato que esse tipo de informação nunca chegará ao grande público, mas nada impede que outros indivíduos ou instituições se dediquem a preencher esse nicho, condensando esse conhecimento em frases de efeito, videos, artigos simplificados, etc.

    Contudo, para que surjam pessoas assim, é preciso que antes alguém lhes ensine o básico. Isso é o que o instituto Mises faz.

    Eu, por exemplo, aprendo diariamente com este site e pouco a pouco vou espalhando essas ideias entre conhecidos.
  • Erika D  08/03/2019 19:01
    Bom, respondi logo acima e citei suas ideias, mas acabei lembrando de outra coisa. Se não fosse meu professor de Economia Política do semestre passado eu não estaria aqui. Ele enviesou a aula dele por completo, mal falou sobre os "clássicos" da economia política e só falou do Mises, Hayek (claro, Keynes e Marx também pra não destoar muito). Mas esse professor claramente ignorou por completo o que deveria falar e deu uma enxurrada de liberalismo pra turma. Bom... só eu entendi ele e me impressionei, a turma inteira se ferrou nas provas e continuaram sem entender NADA. Falta de interesse mesmo. Mas aqui estou eu. Ele pelo menos fez a diferença em 1 pessoa. Acho que já foi de grande ajuda.
  • Pedro  08/03/2019 16:41
    Erika, há algum assunto que você gostaria de maiores explicações?
    Podemos postar outros artigos ou vídeos que facilite o entendimento.
    O Mises.com é apenas um de varias fontes de conhecimento da escola austríaca.
  • Erika D  08/03/2019 19:15
    É tanta coisa mas estou indo de pouco a pouco. Já devo ter lido uns 50 artigos aqui do IMB e nenhum livro. Mas vou para os livros em breve. Eu nunca vi nada de economia na VIDA, mas interessante que as leis (Say) e ciclos são fáceis de entender. O que é difícil de entender são outros assuntos como liberação das drogas, justiça privada. Talvez precise de tempo pra assimilar e aceitar.
  • Pedro Teixeira  11/03/2019 04:50
    Boa noite Érica, conheci escola austríaca por um amigo, desde de então me aprofundei e me apaixonei, comecei, por um livro introdutório do mises apenas 250 paginas, as 6 lições é muito bom pra começar, depois pulei para o ação humana, livro sensacional, são 1000 paginas, mas acredito que ele deva ser o livro de cabeceira para qualquer liberal. Para os assuntos do dia dia, contemporâneos, acompanho este site e o canal do Raphael, o ideias radicais, muito bom tb.
  • Pobre Paulista  08/03/2019 17:11
    Desculpe, mas não, não precisa. Pras massas já tá cheio de twitteiro que leem aqui, digerem tudo e fazem memes pro povão.
  • Carlos Lima  08/03/2019 17:19
    Não adianta explicar a teoria austríaca dos cíclos econômicos, ou assuntos correlatos, seja lá em qual nível for, tanto aos analfas quando aos mais letrados. O problema não é a dificuldade de compreensão ou a falha na comunicação. O problema tem a ver com psicologia comportamental: espírito de rebanho, conforto cognitivo, etc. Basta ver que mesmo apresentando provas matemáticas, por exemplo, com relação à tal reforma da Previdência, mesmo assim a galera insiste em continuar discutindo soluções para um problema insolúvel. Se as evidências, principalmente matemáticas, são rejeitadas, nada mais pode ser feito. Insistir é como malhar em ferro frio: absolutamente inútil. A conversão tem quer vir de dentro pra fora, jamais de fora pra dento. Comigo foi exatamente assim: fui dormir keynesiano e acordei austríaco. É triste, mas vamos ter que lidar com isso, infelizmente.
  • Erika D  08/03/2019 19:08
    Perfeito. Tem que vir de dentro pra fora mesmo.

    O que eu considero difícil também é quando eu explico que determinada coisa "não vai acontecer no liberalismo" e a pessoa diz: "Você é muito inocente! É claro que vai acontecer e vão lucrar e muito!" Isso acaba com meu dia.
  • fox  08/03/2019 21:56
    Eu concordo que é difícil propagar as ideias liberais, austríacas inclusive. Entretanto, vejo que o maior problema dos austríacos não é esse, mas a teimosia. Quero dizer que os austríacos em geral (enfatizo) são tão apegados às suas ideias como os próprios comunistas e os bolsominions.

    Viram o artigo de André Lara Resende de hoje no Valor (A crise da macroeconomia)? É bem interessante, e ele tem cacife para fazer essas críticas às ideias convencionais de economia.
  • Michael J.  09/03/2019 00:08
    "Entretanto, vejo que o maior problema dos austríacos não é esse, mas a teimosia. Quero dizer que os austríacos em geral (enfatizo) são tão apegados às suas ideias como os próprios comunistas e os bolsominions."

    Ser apegado ao certo e avesso ao errado agora é motivo de críticas? Interessante, não sabia disso. Tampouco sabia que esse relativismo moral já tinha chegado às ciências econômicas. Realmente, é uma praga.

    Já que você sabe tudo o que há de errado com a EA -- ao ponto de se sentir qualificado para sair distribuindo lições comportamentais (teimosia) --, por que não refuta suas idéias? Comece criando um blog para espalhar suas idéias a um mundo sedento por seu saber.

    "Viram o artigo de André Lara Resende de hoje no Valor (A crise da macroeconomia)? É bem interessante, e ele tem cacife para fazer essas críticas às ideias convencionais de economia."

    Sua lógica é totalmente desconexa. Permita-me tentar desenhar:

    1) Lara Resende nunca foi austríaco, mas sim um neoclássico tradicional.

    2) A Escola Austríaca (EA) sempre foi crítica da economia neoclássica.

    3) Logo, se Lara Resende está revendo suas idéias neoclássicas, então, no mínimo, ele dá razão à EA e suas críticas à economia neoclássica.

    4) Adicionalmente, isso comprova que Lara Resende simplesmente acreditava em uma teoria desconexa.

    5) Você citar um "neoclássico arrependido" como um exemplo de comportamento a ser seguido pelos adeptos da EA -- que são críticos da economia clássica -- é algo totalmente ilógica. Seria o equivalente a um eventual "austríaco arrependido" ser usado como exemplo a ser seguido por socialistas. Lógica zero.

    6) Mais especificamente sobre as idéias de Lara Resende, as quais, ao contrário do que você pensa, ele apresentou ainda em 2017, elas foram comentadas aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578#ac189558

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585#ac189559
  • Estado o Defensor do Povo  09/03/2019 01:41
    Não é bem assim amigo, não é questão de os austríacos se apegar às suas ideias, primeiro que você está fazendo o grave erro de coletivizar esse grupo, e não tem como defender isso, cada pessoa é uma pessoa e cada um pode defender com unhas e dentes suas ideias ou não, não ponha todos os austríacos no mesmo barco, e segundo, não é questão de se apegar as ideias, é questão de desenvolver modelos econômicos lógicos que parte de axiomas básicos, e os da escola austríaca que eu me lembro são de que, o ser humano tende a agir em benefício próprio, diminuindo um desconforto atual seu (QUERO VER VOCÊ REFUTAR ISSO), o ser humano prefere ser satisfeito mais cedo do que mais tarde (CARA BOA SORTE EM QUERER ARGUMENTAR CONTRA ISSO), e acho que tem um outro que eu não me lembro agora, mas seilá deve ser um axioma irrefutável também, aí a partir desses axiomas se deduz outras leis lógicas, Mises fez isso, Rothbard fez isso, Hayek fez isso, cada um deles deve ter deduzido algumas coisas erradas mas que os outros foram melhorando depois, e nós continuamos a melhorar até hoje, é assim que ciência funciona, não é diferente de matemática e física, essa tua afirmação de que os austríacos se apegam muito às suas ideias é a mesma coisa que dizer que um matemático se apega muito ao teorema de pitágoras, que ele está muito preso àquela ideia, o que você pode fazer é melhorar então a teoria econômica que já temos hoje, veja onde que Rothbard errou e melhore.
  • Metallion  08/03/2019 19:41
    Será que precisa mesmo de alguma simplificação? Compreensão demanda esforço. Simplificar no intuito de aumentar o alcance é sempre interessante, mas quanto de simplificação é possível? Você tem alguma idéia?

    A propósito, há uma série de cartoons do FEE que simplificam essas idéias, mas em inglês:

    fee.org/shows/video/common-sense-soapbox/

    Dois eu gostei muito:

    fee.org/shows/video/common-sense-soapbox/why-should-my-boss-get-all-the-profits (porque o empresário merece os lucros)

    fee.org/shows/video/common-sense-soapbox/the-living-wage-makes-it-harder-to-make-a-living (salário mínimo é um plano de destruição dos pobres e higiene social)
  • Anderson S  10/03/2019 16:52
    O problema é o quanto será simplificado. Este instituto traz conteúdos já muito simplificados. Veja só, o que foi abordado neste artigo poderia ser feito uma monografia, abriria espaço para muita elucidação, descrição e referenciação, entretanto, o conteúdo em forma de monografia seria acessível somente à acadêmia.

    Então, este instituto não poderia simplificar mais ainda. Entendes?
  • eugenio  09/03/2019 02:21
    Erika, compreendo e percebo também, o popular não "capíta",assim diz quando não capta,entende.

    O vocabulario tem que ser aquele que ele conhece no dia a dia, um vocabulario que ele domina,que ele usa no buteco para explicar futebol, e que eu chamaria de "BUTEQUÊS", portugues de buteco, ou "POPULÊS". Aplico esta tática,aprendi no balcão de loja, escuto umas falas da pessoa e formo um pequeno vocabulario que ela usa,e que permita exprimir a idéia desejada, mesmo sem estilo ;nada de " FI-lo PORQUE QUI-LO".

    Recomendo escutar o interlocutor, e escutando, formar um pequeno vocabulario para explicar o que se deseja, baseado na fala, e com as palavras usadas por ele; se obtem bom resultado pois ouvinte entenderá, dará atenção.Trabalho perdido seria usar vocabulario sofisticado,fora do padrão "populês".

    Cabe adaptar a fala ao ouvinte,a cada ouvinte as vezes um jeito e vocabulario diferentes. Politicos carismaticos e populares CALIBRAM os discursos para cada local,conforme a cultura local,termos regionais,folcloricos etc.

    Cabe ao "pregador" engenhar a fala a cada platéia.
  • bruno  11/03/2019 02:22
    Há algumas décadas, Ayn Rand apresentou um ponto de vista da liberdade por meio da literatura (A Revolta de Atlas).
    As ideias da liberdade precisam avançar para dentro da cultura: literatura, quadrinhos, quadros, músicas, etc.
    Abra seu instagram e procure por quadrinhos e tiras,... Encontrará na grande maioria desenhistas esquerdando o tempo todo.

    Se está difícil de achar cartunista ou artistas liberais,... pelo menos que os empresários FINANCIEM para que se produza mais liberdade de forma lúdica.

    Se não for de forma lúdica, não vai atingir o povo iletrado...
  • Gabriel  08/03/2019 12:27
    Não tem muito a ver com esse post, mas vocês acham que o recente corte de impostos do governo chinês terá capacidade de adiar o desmoronamento desse enorme castelo de cartas chamado China?
  • Eduardo  08/03/2019 15:23
    Pode postergar, mas dificilmente evitar.
  • anônimo  08/03/2019 16:28
    O principal problema da China é o crédito subsidiado principalmente para o mercado imobiliário.

    Cortar impostos irá aumentar a produtividade do setor privado, mas não irá resolver o problema. Só irá postergar (pouco) o inevitável colapso. Mas até lá muita coisa vai acontecer.
  • Matheus  08/03/2019 12:44
    Ótimo artigo! O Sr. Lamberti esclarece algo que por si só já é esclarecedor!
    É incrível como um único postulado pode descrever a ação econômica, e mesmo assim, certos professores, como a minha de macroeconomia (keynesiana até a alma, claro) afirmam que podem refutar completamente essa lei só olhando a crise de 29.
  • Mauricio Francisco Junqueira Jr.  08/03/2019 12:51
    Sem dúvida a demanda é latente. Necessitamos de alimentação, saúde, vestuário, habitação etc. Contudo, nem sempre há disponibilidade de recursos monetários suficientes para proporcionar as trocas. Diante dessa constatação, são requeridas atitudes para aumentar a renda, quer seja através da redução de tributos, quer seja através do direto aumento da renda/salários. Isso ocorre se houver disposição dos empresários em aumentar a produção, e para isso precisam ser estimulados pela perspectiva de consumo (para aumento renda/salário) e/ou por intervenção negativa do governo na economia, mediante redução de tributos e intervenção regulatória. Penso, pois, que não há problema de demanda, pois essa sempre existe, o que há é problema com a renda disponível para concretizar essa demanda. "Criar a oferta que sacie a demanda dos consumidores" é a chave, desde que sejam ofertados objetos demandados, em nível quantitativo adequado e preço compatível. Fora disso a demanda não se concretiza e a oferta fica estrangulada.
  • Régis  08/03/2019 14:27
    A sua constatação é correta, mas você deixou de fora uma questão-chave: as importações.

    São as importações que ajudam a saciar as demandas não atendidas pela produção interna. No entanto, é o governo quem dificulta/encarece/proíbe as importações.

    Se o governo liberasse as importações, esse problema que você citou seria enormemente mitigado.
  • Pobre Paulista  08/03/2019 13:08
    Como explicar a caridade (livre e espontânea) sob a ótica da lei de Say? Pois uma das partes está, necessariamente, abrindo mão de valor, estando portanto em situação pior do que antes, e não melhor...
  • William  08/03/2019 13:31
    Ora, essa é básica. Você faz um ato caritativo porque se sente bem ao fazê-lo. Ao ajudar um necessitado, sua paz de espírito aumenta, sua felicidade aumenta, seu bem-estar aumenta.

    Com efeito, é até possível argumentar que a caridade é um ato de egoísmo, pois você a pratica para se sentir bem consigo próprio.

    Logo, não só não há refutação nenhuma, como há uma confirmação: após o ato, o necessitado ficou em melhor situação (material/financeira) e você também (espiritual/emocional).

    Você não teria praticado a caridade voluntária se isso não fosse melhorar a sua situação (no caso, seu estado de espírito).
  • eugenio  09/03/2019 02:35
    clap,clap,clap...parabéns pela explicação, perfeita.
  • um dois  08/03/2019 14:10
    Se você está pagando um lugar no céu ao fazer a caridade estará em situação melhor, não pior.
  • Imperion  08/03/2019 15:37
    Caridaden= doar. Vc faz caridade , logo perde um bem seu. Vc faz porque pode e acha que o outro ta precisando muito e nao tem condições de participar de um sistema de troca. Vc apenas esta dividindo algo que vc produziu de.graca. isso nao altera a demanda. O que vc ia demandar , vc abriu mao para que outrem pudesse demandar no seu lugar.
    Vc nao tem condições de doar tudo o que tem, senao vc fica 100 por cento pobre. E a pessoa que receb fica bem mais rica, mas como ela so recebeu sem produzir nada, ela nao colabora com o sistema em nada , ela é neutra. Ela nao colabora com a produção de nada, portanto nao tem pesso em ajudar os outros com a sua produção , e assim colaborar a baixar os preços. Vc como doante apenas transferiu o wue vc produziu para quem nao produziu nada. Ela consome porque vc se abastraiu de consumir.
    Vc nao pode manter esse sistema pra sempre. Ela tem que dar um jeito de entrar na produção tambem e colaborar com a sociedade, o sitema de trocas livres.
  • Jenifer Viana  08/03/2019 16:15
    Penso que a caridade também é uma demanda humana, quando nos sentimos incomodados com situações de sofrimento de terceiros, seja uma situação de fome ou doença, somos automaticamente motivados a ajudar, mesmo não cedendo a essa vontade(demanda).
    Quanto à questão do valor, abrir mão de um pouco do seu dinheiro ou tempo gera satisfação no autor da ação, portanto ele estará em situação "melhor" que a anterior.
  • Pobre Paulista  08/03/2019 17:06
    Não estou tentando refutar nada, calma aí. Foi só uma questão que sempre tive, e agora achei oportuno colocar.

    Também acredito que a satisfação em ajudar tenha sim seu "valor" econômico, mas então por lógica temos que admitir que a parte doadora atribui "valor negativo" ao bem doado, correto? Pois ao doar algo de valor negativo ele aumenta seu "estoque de valor individual", por assim dizer. Faz sentido isso?
  • Jairdeladomelhorqptras  12/03/2019 16:18
    Caro "Pobre Paulista",
    Sem ironias e sincero vos digo: não entendi nada sobre o "valor negativo" do bem doado que voce se referiu.
    Mas lembrei-me de algo dito pelo meu falecido pai: "Doar a alguém algo que não te faz falta, não é doar. É livrar-se de algo inútil. É fazer do outro uma lixeira. A verdadeira doação é abrir mão de algo que te faz falta."
    Confesso que é mais fácil lembrar destas palavras do que praticar sua essência. E elas, com certeza, bloquearam a minha mente para entender algo sobre o "valor negativo" do bem doado que mencionastes.
    Abraços
  • Pobre Paulista  12/03/2019 23:54
    Pois eu concordo em gênero, número e grau com o seu pai!

    Mas meu ponto aqui não é estudar somente a motivação da doação, e sim como enxergar a transação toda sob a ótica da teoria marginalista. Acompanhe:

    1. Uma troca só ocorre se ela for gerar valor para ambas as partes - hipótese a ser defendida.

    2. Uma doação é uma troca de uma única via, e, a priori, gera valor pelo menos para a parte que recebeu algo (vamos considerar isso verdadeiro por hora).

    Como enxergar a "geração de valor" para aquele que doou? Vejo, ao menos, cenários possíveis que não violam a hipótese 1 (pode ser que existam mais), e um terceiro cenário que viola, mas que pode sugerir uma generalização da hipótese:

    Cenário 1: A "satisfação" da parte doadora é, por si própria, um valor gerado, conforme proposto nos comentários acima. Assim não violamos a hipótese;

    Cenário 2: A parte doadora atribuiu "valor negativo" ao objeto doado (era um fardo inútil, por assim dizer), e assim, ao doá-lo, se viu numa situação melhor, e portanto gerou valor a si próprio. Assim também não violamos a hipótese. É a primeira parte da frase do teu pai. Observação: Nunca vi nada sobre "valor negativo" nas teorias econômicas, falam no máximo em valor zero. Isso foi apenas uma ferramenta teórica que pensei aqui.

    Ou então:

    Cenário 3: Na verdade, a parte doadora efetivamente considera que "perdeu valor" na troca, como seu pai propõe na segunda parte da frase dele (e eu concordo com ele). Isso, porém, violaria a hipótese, que diz que a troca só ocorre se cada parte enxergar que a troca é benéfica a si própria.

    E é exatamente isso que me leva a supor a seguinte generalização: as trocas só ocorrem se ambas as partes acreditam que o saldo geral de valor gerado é positivo, ou seja, aquele que perdeu uma unidade de valor considera que a parte doada recebeu mais do que uma unidade de valor.

    Esse era meu questionamento. Não sei realmente como enxergar corretamente a caridade sob essa ótica. Não estou querendo refutar nenhuma teoria, muito pelo contrário: Estou tentando enxergá-la como válida em todos os contextos.

    Abraços!
  • João  13/03/2019 11:09
    Pobre Paulista,

    Algo que explica isso dentro da psicologia é a pirâmide de Maslow, que determina normalmente as necessidades de uma pessoa. Essa eu aprendi com o grande Cristiano Chiocca.

    É por essa necessidade do ser humano de prazer moral e pessoal que as caridades ocorrem.
  • Jairdeladomelhorqptras  14/03/2019 15:55
    Caro "Pobre Paulista",
    Fiquei feliz e esclarecido com tua resposta. Temi que voce pensasse que eu estava ironizando teu comentário sobre o "valor negativo" da doação. Minha dúvida era genuina.
    Agradeço voce ter disponibilizado tempo para me responder.
    Abraços
  • J. Lopez  08/03/2019 14:33
    A lei de Say representa simplesmente a realidade que produzimos para poder consumir.

    A oferta vem primeiro. A demanda é decorrente dela (o exato oposto do pensamento keynesiano).

    Exatamente como seria possível eu demandar algo sem antes ter produzido algo ou ofertado minha mão-de-obra? Somente sendo o beneficiário dos ganhos/poupança de outros, que já auferiram renda em decorrência de terem ofertado sua própria produção.

    A intervenção estatal sobre a moeda e o mercado de crédito complica a questão, pois a expansão monetária feita pelo estado (via Banco Central) passa ser vista como substituta da produção genuína que ocorre no mercado. Só que algo que representa uma produção futura -- o endividamento -- não é o mesmo que a própria produção. Quando o crédito passa a ser utilizado para representar "demanda", ele é apenas uma promessa de uma produção futura. Na prática, ele traz a demanda do futuro para o presente.

    A noção de que o governo pode "criar" demanda é falsa, uma vez que a demanda -- em virtude da Lei de Say -- não pode existir independentemente da oferta. Quer aumentar a demanda? Aumente a produção desejada pelos consumidores, e coloque à venda. No momento em que vender, será criada nova capacidade de demanda para o produtor/vendedor, permitindo que ele se torne um comprador/consumidor.

    Ao tributar e ao manter os preços artificialmente ou arbitrariamente elevados por meio de regulações -- especialmente encargos sociais e trabalhistas, e também tarifas de importações ou agências reguladoras que cartelizam o mercado --, o governo está restringindo a liberdade das pessoas de produzir, desta forma restringindo os indivíduos de gerar sua própria capacidade de demanda. Ao fazer uma expansão monetária e do crédito, o governo piora ainda mais a situação, pois está também diluindo o poder de compra daqueles que trabalham, produzem, vendem e ofertam.
  • anônimo  08/03/2019 15:36
    Uma dúvida: se o crédito criado do nada for emprestado para consumo, seja do governo ou dos consumidores, isso vai gerar certas consequências é claro, mas não vai gerar um ciclo econômico ao estilo "Boom and Bust ", certo? Tal ciclo econômico só ocorreria se o dinheiro criado do nada fosse emprestado para ser investido na produção e não em consumo.

    Faz sentido afirmar isso? obrigado.
  • Leandro  08/03/2019 15:46
    Sim e não.

    De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

    Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

    Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

    Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

    Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

    É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

    E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

    Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


    Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

    A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

    Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.
  • André  08/03/2019 15:39
    O artigo é excelente, mas vale ressaltar a questão da propriedade privada.

    A base de sustentação da riqueza é a propriedade privada. As pessoas precisam manter, cuidar e preservar seu próprio patrimônio, com a certeza de que isso vai lhes trazer benefícios.

    Quando o estado expropria o patrimônio das pessoas, elas entendem que trabalhar e produzir não vai lhes proporcionar benefícios. Isso também torna inviável qualquer forma produção de bens que precisam de mais investimentos.

    Outro problema é o estado proibindo trocas voluntárias. Cuba possui racionamento de batatas.

    O resultado é que menos pessoas irão produzir bens e serviços.

    Foi isso que implodiu o sistema socialista.

    A troca voluntária é o meio, enquanto a propriedade é o objetivo.
  • Ricardo  08/03/2019 15:42
    Say foi melhor que Bastiat? Gostaria de opiniões.
  • Intruso  08/03/2019 15:48
    Isso vai de cada um. Eu pessoalmente acho que sim.

    Bastiat foi mais um jornalista satirista (e genial) do que um economista desenvolvedor de teorias.

    Say, neste quesito, foi muito mais completo.

    Aliás, toda a teoria keynesiana, toda ela!, parte do pressuposto de que a Lei de Say está errada. Keynes construiu todo o seu arcabouço teórico tendo por base a crença de que Say estava errado.

    Sendo assim, a simples comprovação da veracidade da Lei de Say manda toda a teoria keynesiana para o saco. (Por isso os keynesianos gostam tanto de xingar Say. Não os culpo. Perceber que toda a sua teoria se sustenta no mentira não é realmente uma descoberta para os fortes).

    Igualmente, políticas que ignoram a Lei de Say (como as de Dilma) sempre geram desarranjos e colapsos econômicos.

    Say é imprescindível.
  • André Cardoso Bernardes  08/03/2019 16:54
    Boa tarde! Gostaria muito que a equipe do Mises Brasil preparasse um artigo com comentários ou críticas a respeito da opinião do economista André Lara Resende neste texto:

    mobile.valor.com.br/cultura/6149939/andre-lara-resende-escreve-sobre-crise-da-macroeconomia

    Ele me parece um tanto quanto impreciso nas premissas quanto ao poder efetivo do governo enquanto emissor de moeda, mas acho que seria bom uma explicação ou refutação completa da equipe Mises Brasil sobre essa tal de "nova macroeconomia", que me parece um misto do ultrapassadissimo keynesianismo com doses de "racionalização dos gastos públicos".

    A propósito, me parece que ele não acredita na insustentabilidade do modelo global de elevados déficits e endividamento.
  • Libertário Austríaco  08/03/2019 17:32
    Hark, I hear a fallacy
    Demand can't grow the economy
    We produce, so we can buy
    Demand's enabled by supply
    If our goal is more consumption
    First we must increase production
    Rising productivity
    Is the path to prosperity
    The Law of Markets tells us why
    Growth is driven by supply

    www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=7uKnd6IEiO0
  • John Lameida  09/03/2019 19:52
    Adorei essa musica e o vídeo.
  • Libertário Austríaco  10/03/2019 16:23
    Fico feliz por saber que você apreciou. Abraço!
  • economista  09/03/2019 16:46
    As fábricas até que produzem bastante. O problema é quando não consegue vender o estoque que é produzido. Produção é custo, e a fábrica só vai produzir se tiver demanda. Se não consegue vender, a fábrica fecha e deixa um monte de desempregados. Por isso as políticas keynesianas para estimular a demanda.
  • Guilherme  09/03/2019 17:08
    Já respondido no artigo e, de forma ainda mais completa, aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3002#ac231414

    De nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a investimentos errados. Isso só piorará a situação.

    Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.
  • economista  10/03/2019 00:44
    Não é erro de cálculo. Eu vou citar um exemplo. A Ford abre uma fábrica de carros no ABC. O governo paulista e o governo federal dão incentivos fiscais à Ford. Mas a Ford só vai manter a fábrica no ABC se houver DEMANDA por veículos. Muita gente deseja comprar carro no Brasil, mas não possui dinheiro para comprar carro. Então para manter os empregos na fábrica da Ford no ABC, o governo amplia os incentivos fiscais às montadoras. Mas só isso não bastar,o governo pode zerar os impostos à Ford, se não houver DEMANDA, a Ford fecha a fábrica no ABC. Então incentivos fiscais não sãop suficientes, então o governo estimula a demanda por automóveis.
  • Túlio  10/03/2019 14:05
    Errado. Se mesmo com tributação zero não há demanda, então não há o que ser feito. Está havendo renda insuficiente. Logo, para haver renda suficiente, é preciso fazer exatamente o que o texto diz.

    O governo tomar dinheiro de uns para repassar a outros achando que isso irá aumentar a renda de todos é a ideia mais asinina que um ser humano pode conceber.
  • Libertário Austríaco  10/03/2019 16:41
    Considero inútil argumentar com marxistas, keynesianos e monetaristas.

    Eles já possuem uma mentalidade estatizante ("o estado é a solução para todos os problemas, reais ou imaginários"), inflacionista ("emitir papel-moeda e dígitos eletrônicos cria e estimula a riqueza") e consumista ("o que gera prosperidade é o consumo, a demanda") profundamente arraigada.

    Eles simplesmente não possuem disposição para entender outras ideias e perspectivas. Eles simplesmente não estão dispostos a questionar a si próprios. Eles nem sequer aceitam que possam estar errados MESMO QUANDO OS FATOS DEMONSTRAM ISSO. A caótica situação atual da Venezuela (Chávez-Maduro) e a recente crise brasileira (Lula-Dilma), por exemplo, não modificaram o modo de "pensar" de marxistas, keynesianos e monetaristas.

    O jeito é argumentar com pessoas que ainda têm uma mente aberta.
  • anônimo  10/03/2019 21:21
    Monetaristas não se encaixam em nenhuma dessas três características. Aliás, o Brasil é um pouquinho melhor hoje graças às reformas deles nos anos 90.
  • Libertário Austríaco  11/03/2019 01:15
    Sim; os monetaristas, quando comparados com os marxistas e os keynesianos, propõem um grau menor de interferência estatal na economia.

    Mas defendem a intervenção do estado. Principalmente, como o próprio nome indica, na esfera monetária. Eles são inflacionistas, mas não possuem a mesma intensidade dos marxistas e dos keynesianos.
  • Chan  09/03/2019 21:51
    O que define uma propriedade privada? Se alguém quiser ser dono de uma árvore e suas maçãs, como ele legitima essa árvore como sua propriedade? Ele a compra de alguém? Ele apenas fala que é dele e deu? Ele tem o consenso da sociedade que diz que é dele? Como tu se torna dono de algo já pre existente na natureza e que independe do homem para existir como algo in natura??
  • Vladimir  10/03/2019 14:05
    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=973
  • True economist  10/03/2019 14:14
    O único detalhe que estes austríacos esquecem é do multiplicador bancário. O que coloca por baixo toda esta pseudociência de vocês.
  • Real Economist  10/03/2019 21:24
    Isso não pode ser sério. Dizer que este site -- que é o pioneiro no Brasil na critica ao sistema bancário de reservas fracionadas -- não fala sobre multiplicador monetário e bancário é o equivalente a dizer que Dráuzio Varella nunca fala sobre saúde.

    Eis apenas algumas amostras:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1030
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=705
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=293
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1558

    E sigo no aguardo das suas refutações ao artigo. Dispenso gemidos. Mas pode continuar gemendo também.
  • Pobre Paulista  11/03/2019 02:53
    Caiu no bait hein :-D
  • Mila  10/03/2019 17:07
    O que foi essa politica dos governos petistas do "MINHA CASA MINHA VIDA" e o estímulo esquizofrênico para compra de automóveis zero km?? Isso com o passar do tempo deixou muitos endividados, sem casa e sem carro.
  • Renato  10/03/2019 17:45
    Patrística para protestantes

    www.youtube.com/watch?v=K9ef6rV8KTM
  • Felipe Lange  10/03/2019 19:04
    Leandro, você sabe quais os melhores gráficos (e indicadores) e métodos para saber se determinado governo cortou despesas e a economia cresceu ou não? Eu conheço até alguns sites bons, mas são muitos dados diversos. Por exemplo de países como EUA e Brasil.

    Queria ver onde poderia obter informações acerca da regulação imobiliária aqui nos EUA, até também para fazer comparativos com relação ao Brasil.

    Grato pela atenção
  • Leandro  10/03/2019 21:23
    Quanto à primeira pergunta, só o Trading Economics, mesmo.

    Tem tudo ali, só que não está mastigado. Você próprio terá de fazer a correlação.

    Quanto à segunda, confesso que nunca procurei. Mas tenho certeza de que no Google você encontrará detalhes específicos para a sua cidade.

    Abraços!
  • Felipe Lange  10/03/2019 22:52
    Realmente o Trading Economics é muito bom, você sabe se aqui no Mises Brasil tem algum artigo explicando o que são M1, M2 e afins (eu cheguei a procurar antes, mas não encontrei)? Acho que hoje eu começo a tentar decodificar os demais dados.
  • Felipe Lange  10/03/2019 22:55
    Sobre o Brasil, pensei em tentar procurar através de edições antigas de jornal (como o Folha de SP), mas o problema é a interpretação dos fatos, porque a mídia tradicional não sabe Escola Austríaca e irá passar aquilo que o estado disse e então, por exemplo, se o governo fala que cortou despesas, pode ser que não seja de fato. Bom, eu vou tentar decodificar de fato, porque posso colocar também no meu blog (não sei se você leu os artigos que te mandei no e-mail, os quais eu traduzi; eu traduzi mais um falando sobre a saúde americana).

    De todo modo, obrigado.
  • Felipe Lange  12/03/2019 14:57
    Leandro, você acha que o cancelamento de alguns modelos da Ford aqui nos EUA pode ter alguma relação com as tarifas protecionistas do Trump? Ou você acha que isso é um erro da empresa, em ter desperdiçado tantos recursos, algo possivelmente histórico e cultural?

    Uma coisa que percebi nas marcas americanas aqui é que, historicamente, elas parecem não prezar pela eficiência e faziam vários modelos similares como se fossem distintos, para várias divisões. Para o mesmo carro, por exemplo na Ford, você tinha um Ford, um Mercury e um Lincoln, algo que eu nunca vi similar na Europa e na Ásia. A GM só aqui nos EUA teve divisões como Saturn, Pontiac, Oldsmobile, Hummer, Geo e afins. A Ford teve o Mercury até um tempo, depois ficou só com a Lincoln. A Chrysler tinha as divisões Eagle, Plymouth e, historicamente, teve mais algumas as quais não me lembro agora.

    O que você acha?
  • Leandro   12/03/2019 16:25
    Creio ser a segunda opção. Trata-se de uma tendência antiga e irreversível. Vale enfatizar também que, atualmente, apenas os americanos mais nostálgicos e nacionalistas compram Ford. Os carros japoneses e alemães são mais eficientes e, em vários casos, bem mais baratos.
  • Felipe Lange  14/03/2019 15:05
    De fato, as marcas americanas só fazem sucesso na linha de picapes, o que é um fato curioso. Está sendo um parto encontrar os dados da dívida bruta total com relação ao PIB (que suponho que é o dado que vocês utilizam), mesmo pelos sites do BC e Ipea. O que se vê é um monte de dado misturado... acho que farei um artigo de outro tema.

    Você recebeu o meu e-mail, no qual te mandei uns artigos traduzidos?
  • Leandro  14/03/2019 15:39
    Hoje é seu dia de sorte. Os hyperlinks para os valores da dívida estão aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=3003#ac231643
  • Felipe Lange  14/03/2019 20:25
    Poxa achei que era sobre os artigos que mandei... brincadeira, eu vou ver lá agora, obrigado.
  • Felipe Lange  14/03/2019 20:51
    Obrigado Leandro, acabei de ver, pena que não consta os anos que estou procurando, que vão de 1964 até 1985, porque eu estou elaborando um artigo expondo como estava e como ficaria a economia brasileira no regime militar. Procurei até por Wikipédia e alguns gráficos soltos, mas as fontes não são confiáveis o bastante e eles não falam de qual dívida eles estão falando.

    Me indicaram o Ipea, então eu fui procurar e está uma confusão total. Fui por aqui (não consta dívida bruta). Por aqui, nada também. Achei esse gráfico, mas tenho ceticismo com relação à confiabilidade.

    Não imaginei que seria tão difícil assim. Talvez isso explique a quase ausência de artigos sobre.
  • economista  11/03/2019 14:27
    Mas o que vcs propõem fazer no caso da Ford, que está fechando fábrica no ABC? Se a Ford fechar a fábrica no ABC, deixará milhares de desempregados. O que o Instituto Mises propõe para estas pessoas? Que outra coisa pode ser feita a não ser estimular a demanda por veículos para manter aqueles empregos?

    O pior é que a Lava Jato quer investigar até a redução da alíquota do IPI na era Lula....Isso beneficou muita gente. Muita gente tem carro graças à redução da alíquota do IPI.
  • Real Economist  11/03/2019 15:54
    Essa pergunta está mais para um leigo do que para um economista.

    Deixa eu tentar desenhar:

    1) A Ford está fechando uma fábrica de caminhões. Novidade nenhuma para quem acompanha os artigos deste site. O setor foi dizimado por uma intervenção estatal cujo objetivo era exatamente ajudar este setor (bem-vindo ao mundo real). Para ficar em apenas um, sugiro este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2939

    2) Além dos custos trabalhistas e sindicais altos, a demanda por caminhões estava baixa, em decorrência do excesso de caminhões na economia (vide artigo linkado acima). De novo: novidade nenhuma para quem acompanha os artigos deste Instituto a respeito do setor de caminhões.

    3) A solução, mais do que nunca, continua sendo esta apresentada neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2939

    4) A lambança intervencionista no mercado de caminhões foi tão feia que a Ford anunciou que está se retirando em definitivo do mercado de caminhões.

    correiobraziliense.vrum.com.br/app/noticia/noticias/702,19,706,19/2019/02/19/interna_noticias,52807/a-ford-anuncia-saida-no-segmento-de-caminhoes-na-america-do-sul.shtml

    5) Entendido tudo isso, algumas considerações adicionais:

    5a) se uma determinada empresa está em dificuldades, é porque os consumidores não mais querem voluntariamente adquirir seus produtos.

    5b) Se uma instalação industrial não mais está satisfazendo a demanda dos consumidores, então, no mínimo, ela tem de ser vendida para administradores mais capacitados. Cortes de custos são inevitáveis (a menos que você conheça alguma mágica que refuta a matemática, a contabilidade e a ciência econômica).

    6) Por último, o que você está fazendo para atenuar as dificuldades da Ford? Você está comprando os produtos da empresa? Você está agitando nas redes sociais para que as pessoas comprem os produtos da empresa? Se não estiver fazendo isso, você é um baita de um incoerente.
  • Bode  12/03/2019 01:16
    A moderna teoria monetária não coloca em xeque, ao menos em parte, a visão monetária dos austríacos?
  • Touro  12/03/2019 02:34
    Tipo?

    A MMT diz que imprimir dinheiro não gera inflação e que, consequentemente, é impossível um governo dar um calote em sua dívida, pois ele sempre pode imprimir dinheiro de maneira não-inflacionista. Além do óbvio atentado à empiria, a teoria é implacavelmente refutada pela Venezuela, que está logo ali. Maduro fez com que a MMT já nascesse morta. Caralho, o próprio governo Sarney já se encarregou de matar a MMT. Não é à toa que essa bizarrice só consegue adeptos em países desenvolvidos, que nunca vivenciaram uma hiperinflação.

    "Governos nunca quebram, pois podem imprimir dinheiro!", dizem. A Venezuela prova o contrário

    O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil

    A tragédia da inflação brasileira - e se tivéssemos ouvido Mises? (Parte 1)

    Exatamente como isso seria "colocar em xeque"?
  • Reginaldo  12/03/2019 02:36
    Essa tal Moderna Teoria Monetária é uma das maiores estultices que eu já li. Dentre várias boçalidades, os caras dizem -- e podem ler o artigo do André Lara Resende, pois lá ele próprio se encarrega de deixar isso bem claro -- que as pessoas só aceitam dinheiro porque "sabem que podem pagar impostos como esse dinheiro"!

    É sério, leiam o artigo do Lara Resende para verem que ele fala isso explicitamente.

    Segundo essa "teoria", as pessoas acordam cedo e vão trabalhar em troca de dinheiro apenas porque sabem que "poderão utilizar esse dinheiro para pagar impostos".

    Por essa lógica, então, a teoria simplesmente não consegue explicar a economia informal (que varia entre 40 e 50% do PIB brasileiro). Afinal, por que essa gente (que não paga impostos) aceita dinheiro? Um lavador de carro, um vendedor de bala no semáforo, um camelô, um morador de favela e toda a turma da 25 de março aceitam reais por quê? Porque irão pagar impostos com esse dinheiro? Um cara que mora na favela -- e que, logo, não paga nem IR, nem IPTU e nem IPVA -- aceita reais porque sabe que irá pagar impostos com esse dinheiro?!

    E isso é vendido como teoria séria?

    Juro que não entendo nêgo perder tempo com essa idiotice. Comparado à MMT, até mesmo o keynesianismo se torna um poço de sensatez.
  • Bob  12/03/2019 02:41
    A MMT é tão bizarra que até mesmo Paul Krugman (!) se sentiu compelido a vir a público alertar que a esquerda estava cometendo um erro ao abraçar esta teoria, pois, o própriosegundo Krugman, tal filosofia "ignora os perigos da gastança governamental".

    www.nytimes.com/2019/02/12/opinion/how-much-does-heterodoxy-help-progressives-wonkish.html

    Sério, quando até Paul Krugman se sente obrigado a vir a público dar um puxão de orelhas na esquerda falando que tal teoria "estimula gastos governamentais em níveis que podem ser perigosos", então dá pra ter uma pequena noção do que tal teoria realmente defende.

    Como isso "coloca em xeque" a teoria austríaca?
  • Luis Alfredo Sencovici  15/03/2019 15:28
    Estando aqui no site do Mises (tem outros também como, por exemplo, Academia Liberalismo Econômico), é igual a Matrix. O Mises e estes outros sites mostram a verdade, ou seja, é a pílula vermelha. Mas, na boa, a pílula azul é bem mais fácil e se sofre bem menos. O povão está aí. A verdade machuca, dói muito. Mas e agora? O que fazer para quem já tomou a pílula vermelha?
  • Emerson Luis  16/03/2019 13:12

    Normalmente, algumas pessoas acertam e outras erram em suas decisões. Além disso, os errantes cometem erros diferentes (até mesmo opostos) e em diversos graus.

    No fim das contas, os excessos positivos e negativos se anulam e surge um equilíbrio.

    Mas se muitas pessoas cometem um mesmo erro, em um mesmo sentido e grau, pode ter certeza de que elas foram influenciadas por algum fator ou agente.

    * * *


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