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Não, o “trabalho duro” (sozinho) não garante a prosperidade e não retira ninguém da pobreza
Ao contrário: ele (sozinho) pode ser a garantia de pobreza perpétua

O trabalho é inegavelmente um fator determinante para o sucesso pessoal e para o desenvolvimento social. Entretanto, há um mantra socialmente aceito em relação ao trabalho que o trata com uma aura de misticismo.

É dito que o "trabalho duro" é o que conduz uma pessoa, bem como todo um país, ao sucesso e ao enriquecimento. A ideia é que você (bem como todo o país) só irá enriquecer e prosperar se "trabalhar duro", se "acordar cedo e trabalhar pesado o dia inteiro, sem preguiça" — ou qualquer coisa neste sentido.

Mas isso é conceitualmente incorreto. A ideia de trabalho duro como o único determinante para o desenvolvimento é incompleta. Trabalhar intensamente, por si só, não leva ao desenvolvimento econômico desejado por todos.

A relação é inversa

Para começar, quando se fala sobre "trabalho duro", é difícil encontrar a melhor maneira de explicá-lo: você toma por base a força ou a inteligência? Uma maneira fácil de tentar mensurar o trabalho é baseando-se nas horas de trabalho de cada trabalhador individual. O gráfico 1 abaixo mostra a média das horas trabalhadas por ano.

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Gráfico 1: média das horas anuais de trabalho por trabalhador - Fonte: OCDE. Dados de2017

Já o gráfico 2 mostra a média das horas de trabalho por semana em diferentes países da OCDE

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Gráfico 2: média das horas de trabalho semanais, por trabalhador, em diferentes países da OCDE

Já de imediato é possível constatar um padrão simples: países mais ricos trabalham menos horas. Trabalha-se muito menos na Alemanha, na Dinamarca do que na Costa Rica e no México.

Ou, para ser ainda mais direto, veja esta tabela (fonte) que mostra a quantidade anual de horas trabalhadas por país (com dados agora de 2014):

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Faria sentido, portanto, ainda acreditar que pessoas que trabalham mais horas são aquelas que vivem melhor? Os dados primários parecem indicar o contrário.

Ainda assim, essa ideia vai contra o senso comum. Em praticamente todas as sociedades e religiões, trabalho duro e esforço exaustivo são bem vistos. Mas se eles não determinam o desenvolvimento de um país, então o que determina? Por que os países mais ricos trabalham "menos duro" do que os mais pobres? Por que o esforço daqueles que trabalham mais não são recompensados com maior qualidade de vida?

Para começar a entender essas questões, é necessário adicionar variáveis à análise. E uma variável importante a ser analisada é como o número de horas trabalhadas mudou ao longo dos anos. O gráfico 3, abaixo, mostra o valor anual da média de horas trabalhadas para três diferentes gerações, com um espaço de aproximadamente 20 anos por observação.

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Gráfico 3: horas trabalhadas em diferentes períodos de tempo - Fonte: OCDE

Observe que, após a década de 1970, houve um pronunciado declínio no número de horas dedicadas ao trabalho nos países da OCDE. No caso do Japão, a redução foi de quase 30% em 40 anos.

Mas o passar do tempo, por si só, não explica tudo, obviamente. Portanto, é importante lembrar que todos os países da OCDE cresceram economicamente ao longo destes 40 anos. Logo, a relação resultante é entre desenvolvimento econômico ao longo do tempo e redução nas horas anuais de trabalho. Os países mais pobres continuam trabalhando mais horas.

Isso pode ser visto mais claramente no gráfico 4, o qual mostra a evolução das horas anuais de trabalho ao longo de 40 anos para três potências econômicas (EUA, Reino Unido e Japão). A tendência é claramente declinante ao longo dos anos.

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Gráfico 4: evolução das horas anuais de trabalho entre 1970 e 2017 para Japão (linha azul), Reino Unido (linha laranja) e Estados Unidos (linha cinza) - Fonte: OCDE

Analisando os dados para as horas anuais de trabalho, e comparando-os em relação ao PIB per capita, vemos que a relação anteriormente pressuposta é verdadeira: quanto maior o PIB per capita, menores as horas trabalhadas por ano.

Ou seja, a riqueza gera menos necessidade de trabalho.

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Gráfico 5: PIB per capita na eixo horizontal; horas anuais de trabalho no eixo vertical. Quanto maior o PIB per capita, menor as horas de trabalho por ano - Fonte: OCDE

Portanto, temos uma observação empírica: países mais ricos trabalham menos que países mais pobres. Quanto mais rico é um país, menores as suas horas de trabalho.

Isso leva à inevitável pergunta: por quê?

Trabalhar duro é diferente de trabalhar produtivamente

Em certo sentido, trabalhar mais horas pode produzir mais riqueza. Teoricamente, se tudo o que você tem é um machado e troncos de árvore, então trabalhar oito horas cortando madeira irá lhe render mais madeira do que em apenas quatro horas. Assim, neste caso hipotético, trabalhar mais significa mais produção.

O problema é que dificilmente você conseguirá manter essa rotina exaustiva por muito tempo e durante vários meses. Com efeito, tentar manter essa rotina não será muito inteligente. Haverá um momento em que suas condições físicas estarão debilitadas e sua produtividade inevitavelmente cairá.

Sendo assim, se você conseguir obter uma máquina que lhe permita cortar madeira de uma maneira mais rápida, você terá a mesma quantidade de madeira em apenas uma fração do tempo original.

Uma serra elétrica, por exemplo, tornará o seu trabalho muito mais produtivo do que um machado. Uma serra elétrica permite que, com menos horas de trabalho, você consiga a mesma quantidade de madeira que conseguiria com um machado e várias horas a mais de trabalho.

A serra elétrica é um bem de capital que aumenta sua produtividade, permitindo que você trabalhe menos e produza mais. Ao aumentar a quantidade de energia disponível, a serra elétrica permite que você, simultaneamente, reduza sua carga de trabalho muscular e obtenha mais cortes de madeira. A introdução da serra elétrica aumentou seu padrão de vida e ainda reduziu o seu "trabalho pesado".

E aí você começa a entender a diferença entre os trabalhadores em países ricos e os trabalhadores em países pobres.

A resposta rápida para a pergunta de por que trabalhadores em economias desenvolvidos trabalham menos que trabalhadores de economias ainda em desenvolvimento é porque a produtividade média dos trabalhadores das economias ricas é maior.

Ter mais acesso à tecnologia e a técnicas que tornam o trabalho mais eficiente gera menos horas de trabalho necessárias para alcançar o mesmo resultado — ou, talvez, um resultado até melhor.

O gráfico 6, abaixo, mostra a relação entre produtividade e média anual de horas de trabalho. A produtividade é mensurada dividindo-se o PIB por horas de trabalho.

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Gráfico 6: no eixo horizontal, a produtividade (PIB por hora de trabalho); no eixo vertical, horas de trabalho por trabalhadores - Fonte: University of Groningen, Our World in Data, Banco Mundial

Como se observa, há uma relação inversa entre produtividade e horas anuais de trabalho por trabalhador. Não é necessário trabalhar mais para produzir mais. Tudo o que é necessário para se produzir mais é, como explicado acima, capital. A produtividade do trabalhador é aumentada quando se utiliza mais tecnologia e melhores técnicas de produção.

Como se faz?

Os países desenvolvidos passaram séculos trabalhando e poupando com o objetivo de acumular o capital que eles atualmente possuem. O trabalho, por si só, não traz automaticamente o desenvolvimento econômico; entretanto, o trabalho torna possível a formação de capital por meio da poupança.

O capital advém da poupança, e poupar significa se abster do consumo. Uma sociedade que trabalha, produz e se abstém do consumo permite que os recursos criados e não consumidos sejam utilizados na construção de bens de capital que irão tornar o trabalho humano mais produtivo. Os recursos não-consumidos se tornam insumos para a construção de moradias, fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários, escritórios e imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos, universidades etc.

Inversamente, uma sociedade que consome 100% do que produz não possui um único bem de capital. Nesta sociedade não haveria moradias, fábricas, infraestruturas, meios de transporte, maquinários, escritórios e imóveis comerciais, laboratórios, cientistas, arquitetos, universidades etc. Todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados (trabalhando duro) produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que permite direcionar esforços para satisfazer não os desejos mais imediatos, mas sim as necessidades futuras. Com a poupança, são produzidos bens de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo que serão demandados no futuro.

Logo, ao fim e ao cabo, os componentes-chave para se ter trabalhadores mais produtivos é poupar e, consequentemente, utilizar essa poupança na construção de máquinas, ferramentas, instalações industriais e bens de capital em geral que poupem o trabalho físico. 

Os países ricos de hoje são aqueles que passaram as últimas décadas (e séculos) trabalhando, produzindo e poupando. Isso significa que várias gerações decidiram não consumir toda a sua produção presente, optando por poupar com o intuito de ter um futuro mais próspero. Essa poupança foi então investida por empreendedores e inovadores que souberam como criar valor. Finalmente, esse capital aumentou a produtividade das gerações seguintes, levando à qualidade de vida que hoje vemos nos países de primeiro mundo.

É por isso que os salários nestes países são maiores do que os países mais pobres, e é por isso que menos trabalho é exigido nestes países. Dado que o capital aprimorou a produtividade marginal da mão-de-obra — isto é, a contribuição adicional de cada trabalhador ao longo da cadeia produtiva —, seu salário aumenta porque seu desempenho é melhor.

Ludwig von Mises sintetizou perfeitamente o arranjo:

Com o auxílio de melhores ferramentas e máquinas, a quantidade dos produtos aumenta e sua qualidade melhora. Assim, o produtor consequentemente estará em posição de obter dos consumidores um valor maior do que aquele que seu empregado consumiu em uma hora de trabalho. Somente assim o produtor poderá — e, devido à concorrência com outros empregadores, será forçado a — pagar maiores salários pelo trabalho do seu empregado.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto dessa acumulação de capital. Assim como a serra elétrica aumenta a produção em relação a um serrote ou a um machado, e um trator multiplica enormemente a produção agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Um operário norte-americano ganha quatro vezes mais que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano não por "trabalhar mais duro" ou por ser mais inteligente, mas sim por utilizar quatro ou cem vezes mais capital (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

Em um país rico, a quantidade e a qualidade das máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres. A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica são os pilares da economia. Como consequência, a produtividade, a riqueza e o padrão de vida nestes países são muito mais altos. 

O objetivo é trabalhar menos e produzir mais

A ideia de que é necessário trabalhar duro para enriquecer seria verdadeira apenas se vivêssemos em um mundo completamente destituído de melhorias na produtividade. Neste caso, realmente, não haveria alternativa senão trabalhar mais.

Felizmente, não vivemos nesse mundo. E, no mundo em que de fato vivemos, o objetivo de alcançar um contínuo aumento no padrão de vida ao mesmo tempo em que se diminui as horas de trabalho é perfeitamente factível.

Afinal, foi exatamente a Revolução Industrial que permitiu que grande parte da humanidade se livrasse, pela primeira vez na história do mundo, do fardo diário de ter de trabalhar longas horas sem nenhuma perspectiva de alívio, tendo pouquíssimo tempo livre para a educação, o lazer e atividades caritativas.

Desde então, graças à expansão do capitalismo, a produtividade do trabalhador só fez aumentar nos séculos seguintes. Hoje, não é necessário trabalhar mais do que dois dias por semana para alcançar um padrão de vida maior do que aquele usufruído por nossos ancestrais que viveram no século XVIII. Não temos de trabalhar mais do que nossos tataravôs. Certamente trabalhamos menos horas do que eles — e por livre e espontânea vontade.

Os obstáculos

Entretanto, de nada adianta falar de tudo isso se ignorarmos o papel deletério das políticas governamentais, que afetam enormemente todo o processo de acumulação de capital.

O aparato regulatório que impede o surgimento de novas empresas e novas criações. A burocracia, a carga tributária e o complexo código tributário, que penalizam a inovação e a poupança. Tarifas de importação e uma moeda em contínua desvalorização, que impedem que empresas adquiram do exterior bens de capital bons e baratos que aumentariam sua produtividade.

As políticas fiscais e monetárias do governo, as quais, ao incentivarem o consumismo, o imediatismo e o endividamento da população para fins consumistas, fazem de tudo para desestimular a poupança. 

O problema da contínua inflação e da consequente destruição do poder de compra da moeda. Uma moeda que continuamente perde poder de compra afeta os investimentos de longo prazo (é impossível fazer investimentos produtivos se você não tem a mínima ideia do poder de compra futuro da moeda) e reduz os salários reais. Ao reduzir os salários reais, desestimula a poupança (com a renda disponível cada vez mais afetada, não há como poupar). Consequentemente, a pouca poupança disponível não é direcionada para investimentos produtivos, mas sim para o consumo imediato.

O resultado é uma economia voltada para o consumo e para o prazer imediato, e não para a poupança e para o investimento de longo prazo. E isso, por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia: em vez de se ter uma economia voltada para a produção de longo prazo, há uma economia voltada para o consumismo de curto prazo.

Em todos esses casos, avanços na produtividade são perdidos.

Por isso, para o desenvolvimento, é crucial haver um governo que ao menos não atrapalhe.

Conclusão

Se o objetivo é o crescimento econômico e o enriquecimento, então apenas "trabalhar duro" não terá efeito nenhum. O trabalho duro é importante, mas de nada adianta sem capital acumulado, que é o que irá realmente aumentar a produtividade do trabalho e gerar mais retornos com menos esforço. O capital, tanto físico quanto intelectual, é o que permite aos trabalhadores terem um maior padrão de vida, seja por meio de maiores salários, seja ao permitir menos horas para se completar um trabalho.

É por isso que a poupança e o investimento são os mais importantes fatores nas economias desenvolvidas. Acreditar que o trabalho duro, por si só, fará com que um país prospere é ignorar as premissas básicas da economia. O verdadeiro crescimento econômico advém da poupança e do investimento (em conjunto com uma moeda forte e uma economia genuinamente empreendedorial).

Por fim, eis a grande tragédia: a ideia de que a prosperidade está no trabalho duro — quando desacoplada do conhecimento econômico — pode condenar milhões a viverem eternamente na pobreza. Um bom exemplo é o Haiti: um país de pessoas laboriosas, mas que não consegue prosperar.

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Sociedades pobres e sociedades ricas - o que faz a diferença

35 votos

autor

Jorge Eduardo García
é economista e faz especialização em Finanças na Universidade Francisco Marroquín

  • Fabrício  14/01/2019 17:42
    Nos EUA eles dizem "Work smarter, not harder" (algo como "trabalhe mais espertamente, e não mais pesadamente").

    Um cara com uma restroescavedeira (com cabine fechada e ar condicionado) faz mais em quatro horas do que 20 pessoas com pás em uma semana. E estas últimas obviamente trabalharam muito mais pesado.

    No final, esse conceito de trabalho duro ou trabalhar mais horas nada mais é do que uma herança da teoria do valor-trabalho, que é aquela imbecilidade que diz que o valor das coisas é proporcional ao volume de horas trabalhadas para fabricá-la. Não interessa qual foi o seu esforço ou quantas horas você gastou na labuta. A única coisa que interessa é o resultado final.
  • Fernando  15/01/2019 10:42
    Acredito que o sentido de trabalhar duro para eles seja a dedicação e não o esforço físico extenuante, por exemplo, Jeff Bezzos trabalhou "duro" para prosperar a empresa e revolucionar o ramo do comércio, neste sentido o trabalho duro dele que é a dedicação, esforço de melhoria vingou e somos todos hoje gratos.
  • Guilherme  14/01/2019 17:47
    Isso é vem visível na roça dos sertões brasileiros. Lá as pessoas trabalham até 15 horas por dia. Acordam as 4 da manhã, saem pro trabalho externo, terminam quando o sol se põe, e aí dentro de casa tem mais trabalho. É a perfeita definição de trabalho duro.

    E estão na mesma há décadas. Melhoraram um pouco o padrão de vida (hoje têm mais bens do que tinham, sei lá, na década de 80), mas para os padrões urbanos ficaram na mesma.

    A tragédia é que elas não têm maquinários e bens de capital avançados, que são as únicas ferramentas que geram um aumento da produtividade. Sem produtividade, impossível trabalhar pouco e produzir muito. Impossível enriquecer.
  • Pensador capaz  14/01/2019 18:49
    Esta visão tua do campo já era,ou seja nem eles(Povo do campo) trabalham mais tanto assim,pois a maioria vive de aposentadoria rural,bolsa-família e os jovens migram para as cidades,esse Brasil rural posso dizer que não exista mais,a não ser em alguns bolsões de miséria do Nordeste devido a seca e exploração dos políticos populistas,enfim a coisa está mudada...
  • Talles  16/01/2019 12:33
    Desculpe, mas que experiências tens em relação a essa realidade do campo?
    Vivi no campo até os meus 18 anos (hoje sou advogado) e digo com toda certeza que quase ninguém recebe bolsa família ou qualquer outro tipo de bolsa e, além do mais, quando se aposentam continuam a trabalhar de sol a sol.

  • Constatação  14/01/2019 17:48
    Alguém já deve ter ouvido a expressão: "quem trabalha, não tem tempo para ganhar dinheiro".

    Eu ouvia isso de gente preguiçosa (e alguns realmente eram). Mas aí está a outra explicação.
  • Robert K.  14/01/2019 18:07
    É porque tais pessoas ignoram uma lição básica do enriquecimento pessoal: primeiro você trabalha para ganhar dinheiro; depois você coloca o dinheiro para trabalhar para você.

    Se você fica apenas no primeiro passo, jamais irá prosperar. Jamais irá se aposentar. Por melhor que seja seu emprego, se você ficar a vida inteira apenas trabalhando para ganhar dinheiro, morrerá pobre. Se você não colocar o dinheiro para trabalhar para você (investindo e auferindo renda passiva), jamais terá um padrão de vida alto. Pode até não passar necessidade, mas jamais terá luxos.
  • Dane-se o estado  14/01/2019 18:09
    O que sustenta a teoria de valor trabalho na cabeça de muitos sejam comunistas declarados ou não é basicamente o ego do sujeito. A teoria de valor trabalho é uma teoria que amacia o ego de indivíduos fracassados em termos de perspectiva e auto comparação com o resto do mundo, basicamente "se eu empenho muito esforço meu orgulho sobre o que fiz vai crescendo e por isso acredito que devo ter o melhor valor possível como recompensa." Toda a teoria Marxista inclusive é uma teoria que joga com os conflitos do ego e a revolta da queles que não podem ter o que são obcecados por ter. A inveja natural do ser humano e o desejo irracional de destruir aquilo e aqueles cujo sucesso evidenciam que o indivíduo invejoso não é capaz ou não é tão bom para ter o que quer e o que ver de valor sendo reconhecido nos outros. Destruir o que é incômodo é o impulso mais primitivo e básico de todo ser humano. É difícil para essas pessoas aceitarem que o valor de qualquer coisa que elas façam depende da perspectiva de terceiros e não do que elas acham. O mundo não é e nunca será espelho do que o indivíduo acha de si enquanto mérito.
  • Emmerson  14/01/2019 20:48
    Essa crença de que o que interessa é a quantidade de horas trabalhadas em conjunto com o esforço feito é tão arraigada nas pessoas, que se manifesta já na escola.

    Prova disso é que alguns indivíduos ficam irritados quando um colega (de escola, de faculdade ou de trabalho) consegue realizar certa atividade de forma mais simples e rápida, obtendo resultados tão bons ou melhores. Reagem como se ele estivesse trapaceando:

    "Todo mundo faz do mesmo jeito [mais difícil e menos produtivo], por que só você vai fazer diferente?"

    "Todo mundo gasta duas horas para fazer isso, por que só você vai fazer em meia hora?"


    Ou seja, em vez de tentar aprender com o colega e se tornarem mais produtivos, eles querem que o colega faça igual a eles e se torne menos produtivo.
  • Emerson Luis  28/01/2019 18:02

    Uau! Acredita que eu fiz um comentário essencialmente idêntico em outro artigo tempos atrás?

    * * *
  • Victor Oliveira  14/01/2019 18:14
    Parabéns pelo artigo, é uma lógica pouco óbvia do ponto de vista de quem vive hoje mas que faz muito sentido.

    Mas tenho receio pela ideologia da busca pelo maior lucro possível. Claro que o empresário quer lucro, ele investiu seu tempo e capital numa empresa para isso. Mas ele entende que quanto melhor a vida dos seus funcionários melhor será sua produtividade? Entende que com salários maiores, todos poderão comprar mais e mover mais a economia?

    Pode falar o que for, mas minha prática tanto na vida profissional quanto acadêmica me mostra o contrário. Se quiser dados é só comparar o nosso coeficiente Gini com o de qualquer país liberal, na verdade nem precisa ser um país liberal, para notar que somos um dos piores no mundo em distribuição de renda.
  • Renato  14/01/2019 18:23
    "Mas ele entende que quanto melhor a vida dos seus funcionários melhor será sua produtividade?"

    A "vida do funcionário" é algo que está totalmente fora da alçada de qualquer empreendedor. Eu, por exemplo, não tenho nenhum controle sobre a vida da minha faxineira. Se há problemas na casa dela, ou se há desavenças dela com o marido, nada posso fazer.

    Não entendi sua colocação, portanto.

    "Entende que com salários maiores, todos poderão comprar mais e mover mais a economia?"

    Colocação totalmente sem sentido. Você por acaso dá aumentos à sua faxineira pensando que, com esse salário, ela poderá comprar mais lingüiça no açougue da esquina?

    Ninguém pode pagar mais do que a produtividade de um empregado.

    "Pode falar o que for, mas minha prática tanto na vida profissional quanto acadêmica me mostra o contrário. Se quiser dados é só comparar o nosso coeficiente Gini com o de qualquer país liberal, na verdade nem precisa ser um país liberal, para notar que somos um dos piores no mundo em distribuição de renda."

    Pelo índice de GINI, os EUA são mais desiguais que o Senegal. O Canadá é mais desigual que o Afeganistão e que Bangladesh. A Nova Zelândia é mais desigual que o Timor Leste, a Austrália é mais desigual que o Cazaquistão, o Japão é mais desigual que o Nepal e a Etiópia. E o Afeganistão é das nações mais igualitárias do mundo.

    O Brasil, mesmo com sua altíssima carga tributária, segue sendo um dos países mais desiguais do mundo (outra ilustração da ineficiência de nosso estado em fazer aquilo a que ele se propõe), mas não é nem de longe o mais pobre. O pobre brasileiro, por pior que seja sua condição de vida, está melhor que o pobre indiano, apesar de viver numa nação muito mais desigual.

    O que você propõe como solução? Eu proponho menos impostos e mais liberdade econômica.
  • Dane-se o estado  14/01/2019 18:37
    "Índice Gini" "distribuição de renda"

    Bocejos...



  • Felipe dos Santos   14/01/2019 18:21
    Desculpem-me a ignorância, mas tenho algumas dúvidas:

    Tem aquela frase (que para mim, é uma máxima da economia) que é:"A economia não é conta de soma zero". Ou seja, para uma lado ganhar não necessariamente o outro precisa perder.

    O PIB mundial, sempre é passível de se expandir? Admitindo que a riqueza de um não causa a pobreza de outro, é possível todos serem ricos?

    Muito obrigado.
  • Juliano  14/01/2019 18:24
    Consumimos bens e serviços, e esses, para que cheguem até os indivíduos, precisam ser produzidos/processados. Logo, não é algo dado, não são produtos que aparecem magicamente em nossas prateleiras/armários, é necessário que alguém faça o trabalho de tirar do solo, converter em algum bem ou que alguém faça alguma coisa para outro alguém (no caso de serviço).

    Sim, o "PIB" (que não é a melhor maneira de mensurar a riqueza de uma região) é possível que aumente, só o fato de você produzir uma coisa a mais, o PIB aumenta. Se você vende 10 laranjas e, no momento posterior, vende 11 laranjas, o PIB aumentou. Ou até mesmo o caso de você continuar vendendo 10 laranjas por certo período faz com que o PIB aumente, já que ao vender 10 laranjas você está produzindo riqueza, e se continuar vendendo é porque continua produzindo riqueza.

    Sobre a questão da riqueza, o negócio de todos serem ricos é relativo, depende da comparação. Se você comparar os EUA de hoje com os EUA de 1980, vai perceber que a sociedade, em geral, é mais rica atualmente do que antes, pois os anos de produção de riquezas fez com que a população acumulasse capital, e com bem mais produtos disponíveis no mercado. Ou seja, com o passar dos anos os americanos ficam mais ricos, assim, claro, como outros países do mundo, que continuam a produzir.

    Mas, se você está falando de todos serem milionários ao mesmo tempo, não, não tem como, pois os indivíduos recebem de acordo com seu trabalho/função/influência, e nem todos tem o mesmo valor (em termos de trabalho) que um Bill Gates.
  • Emerson Luis  28/01/2019 23:40

    Pergunta:

    Os gastos do governo fazem parte integrante da fórmula do cálculo do PIB; então como se calcula o "PIB mundial" se não existe um governo mundial? Pela soma de todos os PIBs?

    * * *
  • Conservatário  14/01/2019 18:26
    Estou surpreso com o fato de que, de acordo com os gráficos anteriores, os trabalhadores japoneses fazem menos horas de expediente do que os italianos, já que no Japão o excesso de trabalho chega a ser considerado um problema de saúde pública. Existe até uma palavra em japonês "karoshi" que significa literalmente "morrer de trabalhar", por exaustão. Sempre achei que era exatamente por causa desse trabalho duro e da deflação que os japoneses conseguiam manter o padrão de vida, apesar da "economia zumbi" deles.
  • Takahashi  14/01/2019 18:38
    Isso dos japoneses foi um pequeno mito bastante inflado e difundido por brasileiros que foram pra lá trabalhar (e que por serem imigrantes têm seu "couro arrancado"). Sim, trabalha-se bastante no Japão, mas nada de muito diferente dos outros países ricos. A menos que você seja imigrante pouco qualificado e desesperado por uma renda. Aí você vai trabalhar adoidado - igual a um latino-americano nos EUA.
  • Jorge Gaspar  14/01/2019 18:58
    Os dados estão completamente aldrabados e assim é porque na Europa e mais meia dúzia de países desenvolvidos existe uma penalização enorme para as empresas que tenham trabalhadores a trabalhar horas acima do permitido por lei. Assim sendo nos dados das empresas estão valores irreais sobre o número de horas trabalhadas pelos funcionários.
    Arrisco me a dizer que em grande parte da Europa há trabalhadores que trabalham meia dúzia de horas por semana á custa de outros que trabalham de sol a sol. Nos dados finais aparece correctamente o número de horas trabalhadas pelos que menos fazem e quanto aos outros aparece apenas o máximo permitido por lei. Um dos países exemplo do post é um país em que existem inúmeros casos de quase escravatura no que diz respeito às horas de trabalho. E falo com conhecimento de causa sobre esse país. Gostava que o autor fizesse um gráfico que relacionasse o nível de estado social com as horas de trabalho. Acontece que em grande parte dos países ricos existe um grande estado social e controlo laboral por parte do estado. Não será por acaso que os USA que são o país mais rico do mundo, com os estados mais ricos per capita, mais desenvolvido não é um grande exemplo para a teoria do autor, que não deixa de estar correcta, mas está correcta utilizando dados absurdamente errados
  • Realista  14/01/2019 19:15
    Ou seja, segundo você próprio, o número de horas trabalhadas na Europa é ainda menor do que os dados mostram, o que simplesmente intensifica ainda mais tudo o que foi dito no artigo.

    P.S.: os dados são da OCDE. Se você tem os dados verdadeiros, gentileza compartilhá-los.
  • Demolidor  15/01/2019 07:27
    Muito do que se fala de países estrangeiros, no Brasil, é mito. Mas é uma via de mão dupla. É comum uma visão estereotipada de nós, lá fora, também. Quando se viaja, é fácil perceber isso.

    No Japão, não só não se trabalha muito hoje em dia, como o país também é um dos líderes mundiais em feriados (aliás, para que férias num país assim?). E olha que Coreia do Sul, outro país que povoa nossos mitos, não é muito diferente.

    harugakita.com.br/blog/feriados-e-festas-no-japao

    brasilescola.uol.com.br/curiosidades/paises-com-mais-feriados-no-mundo.htm

    Uma digressão, já que estamos falando de mitos. É comum, especialmente entre funças, a crítica ao brasileiro por ser um povo que só quer saber de ficar no bar, bebendo e assistindo futebol, quando não estão em casa vendo novela... isso enquanto tecem loas ao povo britânico, um pessoal que gosta de ir a pubs assistir à Premier League enquanto bebem boas "ales", ou ficam em casa assistindo a "Call the Midwife" ou "Doctor Who". Dizem também que os pés rapados que se arrebentam para comprar uma TV de LED ou um iPhone são consumistas, quando tais itens são de uso comum de britânicos.

    As horas do rush também costumam ser em horários diferentes dos brasileiros lá fora. É comum, em cidades americanas e canadenses, por exemplo, que o trânsito mais intenso seja por volta das 9 da manhã e das 4 da tarde.
  • Libertario de verdade  16/01/2019 00:10
    Bem lembrado Demolidor,e com um detalhe. O funca fala dos outros,porem,nada produz,e é por isso que todo servico publico,especialmente no Brasil é um lixo. E so ir em um detran,banco publico,hospital estatal,escola estatal e tudo que é estatal que sera facil constatar isso.
  • Libertario de verdade  16/01/2019 14:38
    Bem lembrado Demolidor,e com um detalhe. O funca fala dos outros,porem,nada produz,e é por isso que todo servico publico,especialmente no Brasil é um lixo. E so ir em um detran,banco publico,hospital estatal,escola estatal e tudo que é estatal que sera facil constatar isso.
  • Talles  14/01/2019 18:30
    Ao que me parece, dos artigos que já li no site, um dos que mais aproximam o leitor da realidade, pois traz conceitos simples e de fácil compreensão para desmistificar o velho ditado popular "trabalhe duro, acorde cedo, etc..."

    Na verdade, o grande problema dos teóricos econômicos, independentemente da vertente seguida, é que eles trazem conceitos por vezes utópicos para corroborar seus posicionamentos.
  • Gato de Madame  14/01/2019 19:04
    O capital advém da poupança, e poupar significa se abster do consumo

    O capital advém da poupança ? Será ?
    Na vida real, o capital de muitos vieram da expropriação mesmo. Ou por ser amigo do Rei(o Estado, sim amiguinho libertário, o Estado malvadão sempre foi íntimo do capitalismo e da burguesia).

    O por quê de existirem pequenas diferenças de capital pode ter muitas razões, os defensores aqui do Mises preferem falar unicamente das diferenças que são produto do mérito das pessoas, no caso de que tenham sido mais trabalhadoras ou mais engenhosas(a tal produtividade), porém não podemos nos esquecer do fato de que muitas vezes, e me atrevo a dizer que a maioria das vezes, essas diferenças são produto do azar, da especulação, do açambarcamento, do roubo, das guerras, de heranças...

    Mas suponhamos que essa questão da poupança tratada no artigo fosse verdade... É por isso que existe a macroeconomia.
    Se todas as famílias tomam a mesma decisão(poupar), cai a demanda agregada e a própria renda nacional, fazendo com que a poupança total não aumente. E isso é ruim para a economia de forma geral, pois o meu consumo é a renda de outra família e assim por diante.



    Um operário norte-americano ganha quatro vezes mais que o espanhol ou cem vezes mais que o indiano não por "trabalhar mais duro" ou por ser mais inteligente, mas sim por utilizar quatro ou cem vezes mais capital (máquinas, ferramentas, instalações industriais, meios de transporte etc.) que seu colega espanhol ou indiano, respectivamente.

    Um jogador de futebol ganha cem vezes mais jogando no Qatar do que no Brasil.
    Existe mais máquina no Qatar do que no Brasil ? Não...
    Existe mais ferramentas ? Não...
    O futebol no Qatar é mais popular do que no Brasil ? Também não...
    O futebol no Qatar é mais competitivo do que no Brasil ? Não...
    O futebol no Qatar é melhor do que o futebol praticado no Brasil ? Não...
    Enfim...

    É engraçado que de repente de forma mágica o jogador brasileiro foi para o Qatar e a sua "produtividade" aumentou absurdamente rsrsr... É a mesma coisa dos trabalhadores brasileiros que vão para os EUA. O cara vai limpar privada nos restaurantes de MIAMI e sua "produtividade" aumentou absurdamente rsrs. E ele USA AS MESMAS FERRAMENTAS rsrs


    Em um país rico, a quantidade e a qualidade das máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países pobres. A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade tecnológica são os pilares da economia. Como consequência, a produtividade, a riqueza e o padrão de vida nestes países são muito mais altos.


    A nível de máquina, ferramenta disponível e conhecimento eu vos pergunto : "o que tem em Portugal que não tem aqui no Brasil ?"

    Ah lá eles tem o Euro... aqui a gente infelizmente não tem essa moeda. Fora que nós temos uma população bem maior...


    Observação: Foi uma pena esse artigo não mencionar a CHINA.
  • Amante da Lógica  14/01/2019 19:35
    "Na vida real, o capital de muitos vieram da expropriação mesmo. Ou por ser amigo do Rei(o Estado, sim amiguinho libertário, o Estado malvadão sempre foi íntimo do capitalismo e da burguesia)."

    Interessante. Não sabia que ser amigo do Rei fazia magicamente surgirem maquinários, ferramentas, instalações e demais bens de capital modernos.

    Como é que funciona isso? Tipo assim, se eu virar amigação do Renan Calheiros, surgirão máquinas modernas para todos?

    Aliás, se o compadrio é o segredo para o surgimento de bens de capital, então, caralho, as economias da América Latina deveriam ser o ápice da pujança e da modernidade! Afinal, nós praticamente inventamos o clientelismo.

    É cada ignaro...

    "O por quê de existirem pequenas diferenças de capital pode ter muitas razões, os defensores aqui do Mises preferem falar unicamente das diferenças que são produto do mérito das pessoas, no caso de que tenham sido mais trabalhadoras ou mais engenhosas(a tal produtividade)"

    Isso é piada, né?

    Além de o artigo falar exatamente o contrário disso (o trabalho duro nada tem a ver com a prosperidade), há vários artigos neste site falando que "mérito" também nada tem a ver com riqueza. Exemplo:

    Não é a meritocracia; é o valor que se cria

    Por enquanto, é só vergonha que você está passando.

    "Se todas as famílias tomam a mesma decisão(poupar), cai a demanda agregada e a própria renda nacional, fazendo com que a poupança total não aumente. E isso é ruim para a economia de forma geral, pois o meu consumo é a renda de outra família e assim por diante."

    Teoria rasteira de oitava série. Ainda mais impressionante é ver nêgo repetindo estultícia com ares de originalidade (o que dá um grande dó).

    Sei que vou jogar pérolas aos porcos, mas vou deixar Eugen Böhm-Bawerk para você:

    Aquilo que todos conhecem como "poupança" tem, como consequência imediata, um lado negativo: o não-consumo de uma fatia de nossa renda. Ou, em termos aplicáveis à sociedade que utiliza o dinheiro, o não-gasto de uma porção do dinheiro recebido anualmente.

    Este aspecto negativo da poupança é o mais imediatamente evidente em nosso dia a dia e, com efeito, é o único que as pessoas imaginam existir. São muito poucas as pessoas que realmente param para pensar no destino subsequente das somas de dinheiro poupado; elas apenas imaginam que o dinheiro ficou parado dentro de uma conta bancária.

    Mas é exatamente aqui que começa a parte positiva do processo da poupança, o qual irá se completar muito longe do campo de visão do poupador — cujas ações, entretanto, foram as que deram o impulso a toda a atividade que virá a seguir.

    O banco irá recorrer a essa poupança de seus depositantes e irá emprestá-la para empreendedores de várias maneiras: empréstimos para a construção civil, empréstimos para a abertura de pontos comerciais, empréstimos para a ampliação de instalações industriais, empréstimos para a construção de fábricas, empréstimos para a contratação de mão-de-obra, empréstimos para capital de giro etc.

    Desta maneira, a poupança de uns foi direcionada para o financiamento de atividades produtivas, as quais, sem esta ajuda, não poderiam ter êxito. No mínimo, não alcançariam a mesma eficiência.

    [...]

    Nesta premissa — de que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo — está faltando uma única, porém muito importante, palavra: 'presente'.

    Para começar, o homem que poupa reduz a sua demanda por bens de consumo presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. A "abstinência" gerada pela poupança não é uma abstinência absoluta, ou seja, ela não gera uma renúncia definitiva a todo e qualquer bem de consumo. Ele continua consumindo bens básicos no presente. Mas abrirá mão do consumo, no presente, de bens mais luxuosos. Mas tal renúncia não é definitiva. Ela é apenas uma postergação.

    O motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros.

    Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.

    Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.


    "Um jogador de futebol ganha cem vezes mais jogando no Qatar do que no Brasil.
    Existe mais máquina no Qatar do que no Brasil ? Não...
    Existe mais ferramentas ? Não...
    O futebol no Qatar é mais popular do que no Brasil ? Também não...
    O futebol no Qatar é mais competitivo do que no Brasil ? Não...
    O futebol no Qatar é melhor do que o futebol praticado no Brasil ? Não...
    Enfim..."


    Enfim, você não faz a mais mínima ideia do que fala, ignorando completamente coisas básicas, como o fato de que a oferta de jogadores talentosos no Qatar é ínfima, o que faz com que qualquer demanda por jogadores bons leve a um aumento de salários. Comece a entender o básico sobre a mecânica do salário de jogadores de futebol:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2515

    "A nível de máquina, ferramenta disponível e conhecimento eu vos pergunto : "o que tem em Portugal que não tem aqui no Brasil ?" Ah lá eles tem o Euro... aqui a gente infelizmente não tem essa moeda. Fora que nós temos uma população bem maior..."

    Depende da região. Há locais no sul e sudeste do Brasil que são muito mais ricos que todas as regiões de Portugal (têm mais máquinas, ferramentas e cabeças pensantes). E há locais no norte e nordeste do Brasil que são extremamente mais pobres que Portugal. Onde há mais capital acumulado no Brasil: sul e sudeste, ou norte e nordeste?

    Você comete o erro básico de agregar em um só número coisas completamente diversas. Não existe um Brasil. Existem vários Brasis. Compare cada um entre si, e depois compare cada um com cada região de Portugal.

    "Observação: Foi uma pena esse artigo não mencionar a CHINA."

    Deve ser porque a China não faz parte da OCDE.

    É cada jumento...


    P.S.: você gemeu, contorceu, distorceu e eu não vi nenhuma tentativa de refutação. Devo continuar esperando?
  • Henrique  14/01/2019 20:32
    Pelo que acompanho, até os eleitores do Partido Republicano não votam mais no partido por causa da defesa do livre mercado. É muto difícil fazer essa ideologia decolar. No máximo vão conseguir emplacar um governo ou outro. O próximo governo que entrar vai ser socialista de novo
  • Meirelles  14/01/2019 20:40
    Correçãozinha na sua frase, que parece que você deixou escapar:

    Boa parte dos eleitores do Partido Republicano não vota mais no partido por causa do abandono deste da defesa do livre mercado (não há mais a defesa da responsabilidade fiscal e nem do livre comércio). Mas é muito difícil fazer essa ideologia (menos liberdade e mais estado) decolar. No máximo vão conseguir emplacar um governo ou outro. O próximo governo que entrar vai ser tão socialista quanto os últimos.

    Dados e fatos para você:

    Os gastos do governo federal americano cresceram mais sob George W. Bush e Reagan do que sob Obama e Clinton
  • Paulo Henrique  15/01/2019 01:26
    Se você espera políticos austeros, você não compreendeu a política ou não leu história da política. Políticos são forçados a ser austeros. Raramente surge um quadro em que eles resolvem colocar freios em si mesmos. Como a Estonia. Não pense que sem essas reformas institucionais a Estonia não estaria em uma trajetória de aumento da dívida com os políticos atuais. A natuteza deles não é muito diferente da natureza de um republicano ou democrata.
    Se você ainda tem alguma esperança que o estado pode ser austero, se preocupe mais com o político que propoe freios instituicionais do que com aquele que fala que vai enxugar gelo
  • Emmerson  14/01/2019 20:40
    Há algum tempo, quando eu ainda estava na faculdade, minha professora disse que o capitalismo obriga as pessoas a trabalhar 8h/dia, mesmo que não queiram.

    Perguntei a ela se, caso um empregado quisesse trabalhar 4h/dia com o correspondente ajuste salarial e seu empregador aceitasse, as leis trabalhistas permitiram.

    A resposta dela foi "NÃO", sem aparentemente perceber sua enorme contradição. E essas pessoas estão educando seus filhos.
  • Tia Creuza   14/01/2019 21:21
    O capetalismo, meu fio... ele obriga você a fazer tudo por dinheiro...

    ...tendo dinheiro aí ocê faz o que quer... aí se não tiver dinheiro suficiente, aí não faz o que quer...
    pois é pois é pois é


    É um sistema anti natural. Se soubessem como cobrar o ar que ocê respira, pode ter certeza que te cobrariam.

    E a tua pergunta, meu fio, não teve nenhuma resposta contraditória.

    Se tu souber de alguém que queira um funcionário trabalhando só 4h/dia , me avisa que eu largo a cátedra.
  • anonimo  15/01/2019 13:13
    Fui educado por pessoas quase assim, a pequenez da vida de meus pais era tamanha que se orgulhavam da quantidade de horas que trabalhavam por dia, raramente abaixo de 12h e das poucas férias que tiravam 1x a cada 3 anos em média, até os 25 anos achei normal, quando conheci e namorei brevemente uma garota que só vivia viajando e bancava tantas viagens consertando celulares, nas palavras dela: "um conserto de celular na cidade grande em dia de semana com outras opções custa X, aqui no litoral afastado, durante o feriado, sem outras opções pode custar 10X que o cliente paga e ainda diz que teve sorte, recomenda o serviço para outros e tenho que virar noites trabalhando, descanso e lazer é durante os 5 dias da semana".
    Para meu espanto a garota de apenas 20 anos fazia mais dinheiro que meus pais juntos e afirmou que jamais teve uma carteira assinada na vida, implorei para ela me ensinar como fazer aquilo, o namoro acabou mas o conhecimento ficou e consertar celulares em lugares turísticos remotos é o que faço da vida desde então.

    Quando conhecidos perguntam sobre mim para meus pais estes respondem que sou advogado, profissão que não exerço há 10 anos, e quando nos encontramos meu pai se divide entre a ironia "quantas pessoas você enganou no último feriado? Não dá pra trabalhar tão pouco e pagar as contas sem fazer coisa errada." Ou em conselhos antiquados como "Conversei com o fulano que disse que te coloca no escritório de advocacia dele, você precisa de um emprego de verdade, um que trabalhe bastante e seja respeitado." Triste. =(
  • Dane-se o estado  15/01/2019 16:04
    O que seus pais possuem é inveja, por não terem tido a mesma oportunidade! Pais não são santos, são humanos orgulhosos como quaisquer outro e podem ter os piores sentimentos subjacentes sobre seus filhos, inclusive inveja. Essa ideia de que a relação entre pais e filhos é algo isento é mais uma ilusão do conto de fadas de nárnia que as pessoas gostam de se apegar.
  • Andre  15/01/2019 18:22
    Seus pais são um lixo colega, como tantos outros que estão por aí que não ensinam seus filhos a encontrarem seu talento, desenvolverem uma profissão precocemente, aumentarem produtividade, assumirem riscos, enfrentarem pressão financeira, administrarem dinheiro, escolherem boas cias e tantas outras habilidades que definem sucesso e fracasso, e são lixo exatamente por se considerarem bons pais sem ensinar nada disso.
    Meus pais são iguais aos seus, 2 fracassados invejosos que desenvolveram poucas habilidades ao longo da vida e nem estas poucas me ensinaram, mesmo sendo de uma família de classe média, me pagavam escola e só, e aos 18 anos as humilhações começaram, meu pai dizia que com a idade dele já ganhava o suficiente para comprar carro, que viajava a trabalho com apenas 20 anos e que eu ganhava pouco porque era um péssimo funcionário.
    Igualmente a você minha vida também mudou por conta de minha companheira, de origem muito humilde não teve dinheiro para se educar adequadamente mas sua avó lhe ensinou habilidades básicas para ter algum sucesso, como preparar deliciosos bolos e salgados, como vendê-los adequadamente, como administrar o dinheiro do pequeno negócio e como cultivar bons relacionamentos com os clientes. Só então eu compreendi que para atingir o sucesso é necessário um conjunto de habilidades de que eu não dispunha, após esse choque de consciência adquiri o máximo dessas habilidades e hoje as coisas vão bem melhor, uma pena que a visão romantizada de seus pais desmorona e passa a olhá-los como uma pessoa qualquer, já minha esposa e sua avó são as pessoas mais unidas que já vi.

  • Emerson Luis  31/01/2019 09:00

    É verdade, eu estava lá.

    Era o meu curso.

    Era minha professora.

    Foi o meu comentário.

    Cara, você copia só os meus comentários ou copia também os de outros?

    * * *
  • Gustavo  14/01/2019 20:52
    Divisão de trabalho e tecnologia :)
  • Victor F  15/01/2019 12:07
    Uma dica: para que esses textos tenham um alcance maior, é bom enxugar um pouco texto a fim de remover redundâncias. Também, utilizem os dados de modo a ajudar na argumentação.

    Por exemplo, embora o 2o gráfico mostre exatamente os mesmos dados apresentados no 1o gráfico (após uma divisão por 52), o texto os apresenta como sendo complementares e, em seguida, repete novamente ao colocar a tabela com os mesmos dados.

    Não suficiente, coloca um terceiro gráfico pra falar a mesma coisa, só que dessa vez com dados mais antigos ainda, sem relevância nenhuma para o desenvolvimento do texto.

    Gosto do trabalho do Mises.org.br mas acho que fica feio postar artigos que parecem relatório de faculdade.
  • Leitor antigo (e avesso a mimimis)  15/01/2019 13:05
    Estranho, quando não há dados e tabelas, alguns leitores reclamam dizendo que "faltam fontes empíricas" para embasar um assunto. Aí, quando os há, reclamam também, mas agora por "excesso de fontes".

    Quando o artigo é curto e sucinto, nêgo reclama dizendo que o assunto deveria ser mais explorado. Quando o artigo é mais longo e profundo, nêgo reclama dizendo que deveria ser mais sucinto, pois ter preguiça de ler coisa grande.

    Dá pra ter um consenso mínimo?


    P.S.: seu problema, segundo entendi, está no fato de o artigo ter disponibilizado três gráficos em sequência. É isso? Relaxe. O terceiro gráfico está ali apenas para facilitar a vida dos leitores monoglotas. Não foi você quem disse que os artigos deveriam fazer de tudo para ter um alcance maior entre os leigos?

    P.S.2: o artigo está ótimo. Um assunto deste tipo tem sim de ser acompanhado do máximo de dados possíveis, exatamente para desarmar qualquer possível contra-ataque. Se o cara acha que esse tipo de assunto pode ser abordado simplesmente com palavras, então ele está vivendo um conto de fadas, acreditando em excesso na boa vontade dos outros.
  • Um liberal  15/01/2019 13:10
    É lamentável que não exista uma tradução em português dos livros de Bawerk. Apenas a teoria da exploração, que é um pedaço de um livro.
  • Ninguém Apenas  15/01/2019 15:18
    Mas existe sim uma tradução completa do livro, só não está no site do Instituto.
  • Stuart Mill  15/01/2019 17:58
    Excelente texto (e olha que sou um crítico frequente). Infelizmente, quando vemos reportagens que dizem que o trabalhador americano ou alemão é muito mais produtivo que o brasileiro, vemos muitos (jornalistas e empresários, inclusive) interpretando desse jeito: brasileiro é preguiçoso, pouco inteligente, etc. Quando, na verdade, o que acontece é que faltam recursos, tecnologia, investimento...
  • Ed  16/01/2019 20:47
    "O resultado é uma economia voltada para o consumo e para o prazer imediato, e não para a poupança e para o investimento de longo prazo. E isso, por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia: em vez de se ter uma economia voltada para a produção de longo prazo, há uma economia voltada para o consumismo de curto prazo"

    Estava indo bem até aí. Ora, a única finalidade do aumento de produtividade é conseguir mais capital para consumir mais. A produtividade pela produtividade não possui nenhuma finalidade em si mesma. Se eu junto meu dinheiro, é no intuito de investir em algo que me traga mais dinheiro e aumentar meu poder de consumo.
  • Kevin  16/01/2019 21:06
    "Estava indo bem até aí."

    Vejamos qual será a sua refutação ao que foi dito.

    "Ora, a única finalidade do aumento de produtividade é conseguir mais capital para consumir mais."

    Correto. Mas para conseguir mais capital para consumir mais, é necessário antes aumentar a produtividade. E aumento da produtividade só ocorre com investimento. E investimento só ocorre se houver poupança. E poupança só ocorre se houver abstenção do consumo.

    "A produtividade pela produtividade não possui nenhuma finalidade em si mesma. Se eu junto meu dinheiro, é no intuito de investir em algo que me traga mais dinheiro e aumentar meu poder de consumo."

    Imaterial. E respondido acima.

    Ou seja, você quis apontar erros, mas o erro estava em você, que simplesmente não levou a lógica do seu raciocínio até o final.

    Seja bem-vindo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2575
  • Leonardo Caetano  17/01/2019 09:36
    Autorizam divulgação dos artigos via Instagram?
  • Askeladden  19/01/2019 08:07
    É o capetalismo.
    Se a mão de obra é mais cara que comprar máquinas = ok vamos comprar, melhorar a produção e usar o menos possível de mão de obra.

    Mão de obra barata = contrata mais gente a máquina está muito cara.
  • Vitor  11/03/2019 16:47
    Não me diga. E quando você vai investir o SEU dinheiro, você prefere gastar mais e receber menos, ou o contrário? Então por que é que você defende que os empresários façam o que VOCÊ não faz? O nome disso é hipocrisia. Mais um que quer fazer caridade para os outros com o dinheiro alheio. E ainda vem me falar em "capetalismo". Ai, minha paciência...


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