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A crença na necessidade de um curso superior já se tornou religiosa
É improvável prosperar apenas seguindo regras acadêmicas - exceto se você quiser ser um acadêmico

Imagine uma pequena cidade. Pode ser um vilarejo.

Há uma crença dominante neste local: você tem de ir à igreja todo o domingo caso queira ter uma vida próspera.

E como essa crença é generalizada, aquelas pessoas que querem ser prósperas vão à igreja em grandes números. Já aquelas que não ligam muito para serem prósperas vão em menor número.

Dado que aquelas que ligam mais para a prosperidade vão mais à igreja do que aquelas que ligam menos, há o seguinte fenômeno: as estatísticas sobre o nível de prosperidade das pessoas deste local mostram que aquelas que vão regularmente à igreja são, em média, mais prósperas do que aquelas que não vão.

Tal fato daria ainda mais força à ideia de que prosperidade requer igreja. Ir à igreja seria considerada uma atividade imprescindível, jamais podendo ser questionada. Mesmo os céticos diriam coisas como "Não é a única ou a principal causa da prosperidade, mas em todo caso é melhor você ir à igreja apenas para se garantir e reduzir as chances de não ser bem-sucedido".

Este é o mundo em que vivemos hoje.

A igreja universitária

A crença religiosa que nos domina hoje é a crença de que pessoas ambiciosas que querem ser profissionalmente bem-sucedidas devem frequentar uma universidade. Caso contrário, serão perdedoras na vida. Na melhor das hipóteses, não serão capazes de realizar seu potencial.

Mas ninguém sabe o que realmente ocorre na universidade ou por que ela supostamente irá lhe tornar mais bem-sucedido. Na verdade, tudo funciona como um ciclo retro-alimentador: dado que é generalizada a crença de que um curso superior é crucial para pessoas ambiciosas, pessoas ambiciosas vão mais às universidades do que pessoas menos ambiciosas.

Consequentemente, quando as estatísticas de emprego e salário são analisadas, elas mostram que aquelas pessoas com curso superior se saem melhor, em média, do que aquelas sem curso superior. Óbvio. Afinal, por causa da crença, pessoas mais ambiciosas vão mais às universidades do que as menos ambiciosas.

Você pode contestar e dizer que o mercado não permitiria que tamanha ineficiência prosperasse. Mas o fato é que conhecemos vilarejos como o descrito acima. As crenças das pessoas moldam suas ações, e suas crenças nem sempre são aquelas que levam à prosperidade material. As pessoas, com enorme frequência, pioram sua situação material em decorrência de algumas de suas crenças — em alguns casos, até mesmo malucas superstições.

O benefício psicológico de se juntar à manada, de fazer parte da crença dominante, de usufruir todo o prestígio que isso gera, e de não se arriscar a ser visto como um agnóstico incentiva todos os tipos de atitudes e decisões que são deletérias aos reais objetivos e aspirações de um indivíduo.

Frequentar uma universidade é o ato religioso mais predominante da atualidade.

Por que as pessoas vão?

A maioria das pessoas ambiciosas vai a uma universidade. E o motivo por que fazem isso nada tem a ver com alguma ligação causal entre curso superior e a conquista de seus objetivos individuais (na maioria das vezes, elas nem sequer têm um objetivo, de modo que seria impossível a universidade ajudar a alcançá-lo).

O motivo por que a maioria das pessoas ambiciosas vai a uma universidade é este: elas acreditam que, se não forem, "deus" não irá amá-las.

E "deus", no caso, representa qualquer aspecto da narrativa cultural dominante que mais cause impacto. Prestígio. Amor dos pais. Aprovação da família. Ser normal.

Se tudo fosse uma questão de carreira profissional, não seriam necessários mais do que alguns minutos de sólida reflexão para constatar que um diploma é algo inócuo, pois empregadores específicos querem apenas que seus funcionários sejam capazes de criar valor específico, algo a ser efetuado de maneiras específicas. Um diploma universitário não garante nada disso. A busca por um diploma, além de ser um dos esforços mais fracos, é o mais baixo denominador comum para se alcançar objetivos. Pior ainda: é fácil de ser superado.

A universidade é uma meta que persiste entre os ambiciosos — daí as estatísticas — por causa de uma crença "religiosa" em sua necessidade. Mas ela simplesmente não é necessária.

Ok, sim, se você já souber, desde cedo, exatamente o que você quer ser profissionalmente, então ir a uma universidade específica pode lhe ajudar a alcançar seu objetivo mais diretamente. Porém, a maioria dos estudantes não sabe o que quer para suas carreiras. Isso é perfeitamente normal e até mesmo positivo na maioria dos casos. Sendo jovem, é quase impossível saber ao certo o que se quer sem antes gastar vários anos trabalhando e fazendo tentativas (e, talvez, nem assim).

Mas isso não significa que entrar em um caixote e ficar ali por cinco anos decorando apostilas, recebendo ordens e as executando mecanicamente com o objetivo de conseguir notas suficientes para não ser reprovado irá ajudar a responder seus questionamentos e dúvidas. Tampouco irá direcionar você mais claramente para seus objetivos específicos.

O caminho é outro: quanto mais cedo você aprender a lidar e a resolver problemas específicos de pessoas específicas, mais rápido você irá aprender a criar valor. Mais rapidamente você irá se estabelecer e fazer-se demandado, pois estará, por meio de seus serviços, criando valor específico de maneiras específicas. Consequentemente, mais cedo você será capaz de transformar essa sua habilidade específica em um conhecimento mais amplo daquilo que você quer. Você terá mais facilidade para transferir esse conhecimento prático para outras atividades e assim estreitar sua busca por uma carreira.

Esta é a maneira de realmente iniciar sua carreira profissional: descubra aquilo em que você é bom — o que inevitavelmente envolve resolver problemas e satisfazer demandas específicas —, concentre-se naquilo e crie valor em cima disso. Você não precisa da autorização e nem da aprovação de professores que vivem em um mundo próprio desconectado da realidade (mais sobre isso abaixo). Passar cinco anos em uma sala de aula repleta de outras cabeças confusas repetindo mecanicamente exercícios não irá ajudar em sua busca.

E por que, então, ainda é tentador ir a uma universidade?

Sejamos diretos: a universidade é uma completa perda de tempo e de dinheiro para pessoas ambiciosas.

Em seu íntimo, a maioria das pessoas que hoje frequenta uma universidade sabe disso. Mas elas estão em uma universidade porque têm medo de ser vistas como diferentes e de fazer algo específico. Elas temem se tornar, prematuramente, um indivíduo autônomo, sólido e concreto, pois isso exige responsabilidade e muito esforço.

A universidade é uma maneira socialmente aceitável de postergar a entrada no mundo adulto. É uma maneira de prolongar a adolescência e de postergar sua transformação em uma pessoa diferenciada ao mesmo tempo em que os pais continuam lhe bancando sem fazer qualquer julgamento moral.

Por isso a universidade continua atraente.

Mas tudo isso tem um custo. Cada minuto que você vive às expensas de terceiros, cada minuto que você posterga sua transformação em um indivíduo específico, e cada minuto que você gasta neste mar turvo de "opções" imaginárias, você está reduzindo o potencial daquilo em que você pode se transformar.

Quanto mais tempo você vive no limbo, menor será o seu teto quando sair desse mundo da fantasia e ascender ao mundo das idéias concretas.

Mas as notícias são boas

Não, essa não foi uma exposição desoladora, com o intuito de entristecer e deprimir. Ao contrário: o intuito foi libertar.

Utilizando agora uma analogia religiosa diferente, é como as 95 teses de Lutero. É a revelação de que mentiram para você. Você não precisa comprar indulgências para ter uma chance no céu. Você tem iniciativa própria e é capaz de determinar seu próprio destino sem ter de apelar a uma instituição burocrática e intumescida em busca de um selo de aprovação.

Todo o sistema acadêmico (e também escolar), de cima para baixo, foi desenhado por e para professores. Os métodos de ensino e as coisas ensinadas são majoritariamente válidos apenas para aquele ambiente. A maneira mais eficaz de aprendizado ocorre quando se tem a prática, quando se tem "a mão na massa", quando se está próximo das coisas reais e quando se está em uma estrutura de incentivos que recompense a criação de valor. Nada disso está presente no ambiente acadêmico. Tanto a escola quanto a universidade significam que você está gastando todo o seu tempo ao lado apenas de educadores (e nenhum minuto ao lado de alguma outra profissão do mundo real).

Mais ainda: significam que você está dentro de um sistema de incentivos que premia apenas as coisas que estes profissionais aprovam. Na prática, a escola e a universidade, em conjunto, são um programa de 20 anos para formar aprendizes de professores.

Não é nenhuma surpresa, portanto, que professores reajam estarrecidos a pessoas que criticam este sistema que se resume a salas de aula iluminadas por depressivas luzes fluorescentes (que lembram um ambiente de hospital) contendo um aglomerado de pessoas desapaixonadas que estão apenas atrás de credenciamento (vulgo "diplomas"). Professores adoram toda esta experiência porque foi neste ambiente que eles se formaram e aprenderam todas as coisas de que precisaram para ser bem-sucedidos em suas carreiras de acadêmicos e educadores. Tendo passado toda a vida ali, é realmente difícil entender e aceitar que há outras possibilidades de aprendizado no mundo.

Também não é nenhuma surpresa que tal arranjo seja um épico e colossal desperdício de tempo para aquelas pessoas que querem entrar em outras partes do vasto mercado de trabalho que não a vida acadêmica.

Portanto, se você não está atrás de uma carreira acadêmica e não quer ser apenas mais um figurante, abra a champanha e vá se ocupar de fazer coisas de verdade no mundo real. Não viva sua vida em busca de médias. Não faça parte da massa das estatísticas e dados agregados que refletem apenas as superstições da época.

Em vez disso, vá criar algo. Saia. Siga seu próprio caminho. Imagine e crie coisas que entusiasmem você. Tenha uma ocupação que não seja monótona. Viva uma vida que lhe dê prazer.

Não espere que o mundo mude, e nem muito menos implore por permissões de burocratas. Tente você mesmo mudar seu próprio mundo. O resto irá vir como consequência.

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46 votos

autor

Isaac Morehouse
é membro do Instituto de Estudos Humanos da George Mason University, fundador e CEO do Praxis, e membro da rede de professores da Foundation For Economic Education


  • Libertariozinho  06/08/2018 16:32
    Porém, nem todos têm a vontade de correr risco em empreendimentos, mesmo quando adeptos da Escola Austríaca, que é o meu caso.
    O que fazer então, se não uma faculdade?
    Tenho a ciência da tamanha arapuca que é isso tudo, e que não passa de uma reserva de mercado para esses professores, em sua maioria da rede pública. Mas não tenho outra alternativa em mente que me atraia...
  • Régis  06/08/2018 17:02
    Sim, eu te entendo. No Brasil a academia é um sistema de guildas que controla o acesso ao emprego e que quer monopolizar a distribuição do conhecimento. Felizmente está se tornando cada vez mais um fóssil por causa da tecnologia que está quebrando tudo isso e abrindo o mundo das idéias. Hoje é muito mais influente (e de forma positiva) ser um YouTuber do que ser um professor universitário.

    Vá estudar por conta própria coisas que lhe interessam. Domine um assunto. E aí então, só então, entre numa faculdade - caso realmente considere que ter um diploma é uma conquista brilhante (eu nem sei onde tá o meu).
  • anônimo  07/08/2018 02:45
    Não sabe onde tá, mas tem.
  • Felipe Lange  06/08/2018 21:01
    Estou passando pelo mesmo, Libertariozinho, e te entendo perfeitamente. Se der certo minha saída do Brasil, vou finalmente continuar minhas aventuras no empreendedorismo.
  • Dalton Catunda Rocha  06/08/2018 16:44
    Escola pública nunca prestou, nem prestará, no Brasil. Se algum governador ou prefeito deste país quiser mesmo, melhorar a educação, no seu estado ou município; então que faça isto:
    1- Privatize todas as escolas públicas.
    2- Dê o direito aos pais de escolherem em qual escola particular, eles querem matricular seus filhos, por meio de bolsas de estudo.
    O resto é só demagogia eleitoreira. Você acha que as escolas públicas funcionam gratuitamente? Enquanto nas escolas particulares, cerca de 70% dos funcionários são professores, nas escolas públicas esta percentagem não passa nem de 40%. O resto é burocracia; corrupta, incompetente e lenta. Sai mais barato e melhor, se usar dinheiro público, para pagar uma mensalidade numa escola particular, que jogar dinheiro fora em escolas ditas "públicas", mas de fato da CUT, da corrupção e da incompetência.
    Não concordas? Lembra do tempo (governo Sarney) em que telefonia era monopólio estatal no Brasil? Então,menos de 30% dos brasileiros tinham telefone fixo e um telefone fixo custava o preço de um carro usado, em bom estado. Hoje, 100% da telefonia do Brasil é particular. Graças a este fato, uma linha ou um chip de telefone celular custa o preço de uma boa pizza grande e, até um gari pode ter um telefone celular no bolso.

    Somente a privatização plena de todo o ensino básico e médio, junto com a privatização da esmagadora maioria do ensino superior, poderá nos dar a esperança de um futuro melhor, para o Brasil.

    Em resumo. Com escolas sob o controle de marxistas, estaremos fadados a vivermos num país pobre, falido, corrupto e endividado.

    Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais de 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A

    "Um estudante típico vai sair da escola com a cabeça cheia de minhocas, submetido a uma intensa pregação de anos e anos contra o lucro e o sistema capitalista. Aos 18 anos, vai cair na vida sem ter a menor noção de quanto deve poupar por mês para se aposentar, ou de quanto deve separar a partir dos 22 ou 23 anos para poder dar uma entrada para adquirir a casa própria aos 30 anos. Quando descobrir como o mundo funciona, já estará endividado e pendurado no cheque especial. Seria muito melhor se, em vez de ter aulas baseadas em um marxismo de quinta categoria, ele fosse preparado para a vida. " > Publicado na revista Veja (edição 2438), na página 65.

    *******************************************************
    Em 1964, menos de 20% dos brasileiros de 7 a 14 anos estudavam em escolas. A educação, mesmo básica, só existia para uma minoria de brasileiros. As ideias de Paulo Freire sempre foram largamente adotadas no Brasil; mesmo no Regime Militar. As ideias de Paulo Freire foram obrigatórias por lei, em todas as escolas de países "ALTAMENTE DESENVOLVIDOS" em educação, como por exemplo: Angola, Moçambique, Tanzânia, Burkina Fasso, etc. Como você acha que Paulo Freire viveu muitíssimo bem, na Europa e Chile de 1964 a 1979? Com o soprar do vento? Não. Os governos de Angola, Moçambique, Tanzânia, Somália, Burkina Fasso, Guiné, etc. o pagavam muito bem, pela assessoria de Paulo Freire, em assuntos educacionais. No Brasil de Sarney em diante, se tornou obrigatória para todas as escolas públicas, a imposição dos métodos de Paulo Freire para doutrinar os estudantes. Alguns resultados:
    1- O Brasil é o país com maior número de crimes no mundo.
    2- A taxa de crescimento do PIB brasileiro, que esteve em quase 7% ao ano de 1964 a 1985, declinou para menos de 2% ao ano de 1985 até hoje, em 2017.
    3- O PT foi eleito quatro vezes seguidas, para a presidência do Brasil.
    4- Viva Paulo Freire! Assim sendo, também digamos: Viva a corrupção,a criminalidade, a incompetência, o esquerdismo, a patifaria, a falsidade, a esquerda, a imbecilidade e a ignorância !
    ****************************************************
    "Qual o produto dessa fraude custeada pelos impostos que pagamos como contribuintes à rede pública ou como pais à rede privada de ensino? Se você pensa que seja preparar jovens para realizarem suas potencialidades e sua dignidade, cuidando bem de si mesmos e de suas famílias, numa integração produtiva e competente na vida social, enganou-se. Ou melhor, foi enganado. O objetivo é formar indivíduos com repulsa ao "sistema", a toda autoridade (inclusive à da própria família) e às "instituições opressoras impostas pelo maldito mercado". Se possível, recrutar e formar transgressores mediante anos de tolerância e irresponsabilidade legalmente protegida, prontos para fazer revolução com muita pedrada e nenhuma ternura.
    Se tudo der certo, o tipo se completa com um boné virado para trás, um baseado na mochila e uma camiseta do Che. A pergunta é: quem quer alguém assim na sua empresa ou local de trabalho? Em poucos meses, essa vítima de seus maus professores, pedagogos e autoridades educacionais terá feito a experiência prática do que lhe foi enfiado na cabeça. Ele estará convencido de que "o sistema" o rejeita de um modo que não aconteceria numa sociedade igualitária, socialista, onde todos, sem distinção de mérito ou talento, sentados no colo do Estado, fazem quase nada e ganham a mesma miséria." > www.puggina.org/artigo/puggina/a-miseria-da-educacao-e-a-educacao-da-miseria/3249
  • Felipe Lange  06/08/2018 21:11
    Gostei muito do trecho da Veja. A edição seria essa?
  • Dalton Catunda Rocha  07/08/2018 17:38
    É texto vindo da revista Veja (edição 2438), na página 65.
  • Heberth   06/08/2018 16:44
    Excelente artigo. Confesso que concordo com 98% do texto; exceto com "Todas as coisas aprendidas e todos os métodos de aprendizado não se aplicam em nenhum lugar da vida real exceto na profissão acadêmica". Generalizar dessa forma é ser muito ignorante.
  • William  06/08/2018 16:45
    Só há uma maneira de você realmente aprender as coisas: quando você realmente quer. E é esse desejo que impulsiona as pessoas para o conhecimento genuíno. A universidade não pode e nem tem como criar esse impulso.

    Uma universidade é apenas um enorme campo repleto de burocratas assalariados e estáveis (mesmo em uma universidade privada a demissão de professores por incompetência é baixa) e algumas bibliotecas (cada vez mais desnecessárias com a expansão da internet e a disponibilidade destes mesmos livros online).

    As matrículas e as aulas são apenas uma exigência para ter acesso a estes livros, e os professores estão ali apenas para "negociar" seu acesso ao diploma. Querer recorrer a este arranjo pensando que ele irá dar um impulso à sua vida profissional não faz sentido. Nunca entendi.

    P.S.: eu tenho curso superior, e eu fiz porque era uma "exigência familiar". Nada aprendi ali que mudasse a minha vida. Tudo o que sei de positivo hoje foi pesquisando e estudando autonomamente, sem ninguém mandar.
  • Marcelo  06/08/2018 16:59
    Uma instituição valiosa é aquela que realmente fornece um ambiente de aprendizado genuíno. É aquela que fornece recursos para a aquisição do conhecimento. Diplomas e Certificados são simplesmente endossos cujos valores são variáveis. Um endosso de uma universidade -- com raras exceções -- de fato está cada vez mais em queda.
  • anônimo  06/08/2018 17:03
    Sempre que falam de universitários e acadêmicos como detentores do monopólio do saber imediatamente penso naqueles caras do "Myth Busters" (Caçadores de Mitos). Nenhum deles seria considerado um "cientista de verdade" nos círculos acadêmicos, mas ambos já fizeram muito mais para educar as pessoas sobre ciência do que 99% dos "cientistas de verdade".
  • Skeptic  06/08/2018 21:08
    Lembrei que físicos detestavam esse programa. Pouco controle e quase nenhuma repetição de experimentos. Fazer ciência é muito mais complexo do que um programa de entretenimento. Concordo com o artigo no geral, mas para vários campos das ciências exatas e biológicas, isso é quase impossível.
  • Skeptic  06/08/2018 21:13
    Mas grande parte da culpa é do mercado de trabalho. Duas pessoas concorrendo pelo mesmo emprego, uma com ensino médio completo e a outra com um curso superior completo. Por mais porcaria que seja o curso e desnecessário para a função, aquele com curso superior estará na frente.
    É muito mais simples para o empregador usar esse dado como um meio para avaliar quem está mais preparado do que gastar tempo e dinheiro como uma avaliação própria.
    Talvez em países mais ricos e mais liberais as coisas sejam mais baseadas em produtividade. Mas no Brasil, diploma pesa.
  • Tarantino  07/08/2018 01:15
    Conheço um rapaz que manja muito de informática, e que dava aulas em uma conhecida instituição que forma tecnólogos. Porém, esse rapaz não possui curso superior.
    Ele ficou extremamente irritado quando a tal instituição resolveu contratar mais alguns professores de informática; o hilário, porém, é que nenhum dos tais "professores" contratados tinha experiência em informática, muitos mal sabiam usar 100% o Windows, mas ganhavam o dobro do que o rapaz porque tinha "diploma". E a maioria deles possuía diplomas em áreas totalmente distintas: farmácia, administração, etc. Resumindo, apesar de ser muitas vezes inútil, o diploma ainda é em muitos casos a chave que abre a porta para uma colocação.
    Ah,o rapaz acabou pedindo demissão, e hoje trabalha dando aulas por conta própria, inclusive para aqueles que são professores em seu antigo emprego.
  • Paulo Bat  08/08/2018 00:17
    Esta sua história está mal contada. Curso de informática, como curso em Windows, não se dá em faculdade, mas em cursos tipo Microlins.
    Parece que você nunca estudou numa faculdade e fica imaginando como seria.
  • Paulo Bat  08/08/2018 00:33
    Por que as pessoas vão a Universidade?

    Não tenho resposta generalista. Afinal, cada cabeça, uma sentença.

    Mas eu, decididamente, fui à faculdade não para "ter um diploma". Fui porque tinha grande interesse em conhecer a minha área de interesse e não conseguia conhecer fora da faculdade.

    Explico: apesar de meus pais sempre incentivarem a leitura e o conhecimento, a área de conhecimento de meu interesse era muito avançada. Desde pequeno tinha em casa livros, enciclopédias e apoio à pesquisa.

    Quando fui à escola foi uma festa. Pelo menos no primário. Muita descoberta. Depois, no ginásio, um baque. Equações de primeiro grau sem explicação de que para que serviam. Sobrevivi.

    Segundo grau ajudou a começar a entender um pouco a riqueza da ciência experimental.

    Daí a querer fazer uma faculdade na minha área de interesse, tecnologia, foi um pulo.

    E, com dois anos de faculdade, já estava trabalhando num laboratório que me ajudou a entender a teoria. Depois, um estágio numa empresa de engenharia complementou meu conhecimento.

    Hoje, 40 anos depois de formado, só tenho a dizer que amo minha profissão, criei minha família e trabalharei até os 100 anos se o papai do céu me permitir. E tenho muitas boas lembranças do tempo que passei na faculdade.

    Até hoje eu e meus ex-colegas de faculdade nos mantemos em contato. Só para quem teve a experiência consegue perceber a riqueza de se fazer uma faculdade.
  • Cristian  21/08/2018 14:27
    Paulo, você não entendeu a mensagem do texto.

    O texto aborda o fato de que faculdade se tornou um culto religioso ao invés de ser um estudo preparatório e especifico para exercitar uma profissão.
  • Pobre Mineiro  06/08/2018 17:06
    Eu sou formado em física pela Ufrj. Concordo com tudo que foi escrito nesse artigo.

    Curso superior, pelo menos no Brasil, é para formar professores universitários e outros funças.
    (para ser funça, muitos cargos fazem provas de títulos, obrigam ter graduação, pós graduação, etc...)

    Tenho um tio, que é engenheiro, ele diz que quase nada do que ele aprendeu na universidade serviu para alguma coisa.
    Ele diz ter apendido a engenharia mecânica, estudando sozinho e no "trecho" mesmo... A universidade foi só para ele conseguir o registro dele no CREA, instituição que ele demoniza.

    Minha irmã é médica; ela diz que tudo que ela usa, foi aprendido na tal "residência" e estudando sozinha depois.
  • David  06/08/2018 17:16
    Ao ler seu comentário, lembrei de um caso gozado: quando eu fazia economia, nossa turma perguntou para o professor de Macro (que era gente fina, ao contrário dos outros) qual o mercado de trabalho de um economista formado.

    Após enrolar e demonstrar um certo constrangimento, ele próprio confessou que decidiu fazer faculdade de economia já pensando em virar professor!

    Segundo ele, ser professor de economia era o único mercado garantido para um economista, pois todas as outras áreas em que economistas atuam podem ser perfeitamente preenchidas por outros profissionais com as mais diversas formações, como engenheiros, contadores, administradores, sociólogos etc.
  • Juan  06/08/2018 17:21
    A primeira coisa mais rara é você encontrar engenheiro que atua realmente como engenheiro.

    A segunda coisa mais rara é você encontrar engenheiro que diz que o que ele faz hoje ele aprendeu na universidade (a esmagadora maioria diria que não aprendeu bosta nenhuma na universidade, mas isso seria politicamente incorreto demais).

    A terceira coisa mais rara é você encontrar um engenheiro que confesse que só se submeteu a cinco anos de tortura para ter seu registro no CREA. (Seu tio merece os parabéns pela hombridade e pela sinceridade.)

    Quanto aos médicos, embora não seja a minha área, é algo lógico que eles só realmente podem aprender alguma coisa na prática da residência. Simplesmente não visualizo como alguém pode se tornar médico ao apenas ouvir um professor falando.
  • AGB  06/08/2018 22:11
    Sua irmã não está falando a verdade. Ela não aprendeu física, química, biologia, anatomia, histologia, farmacologia etc na "residência". Sem esses conhecimentos básicos, ela não teria como entender as doenças e seu tratamento. Portanto, a prática clínica que uma residência médica oferece seria inútil. Para exercer profissões de natureza técnica é imprescindível aprender seus fundamentos e os cursos superiores oferecem esse treinamento. Sem falar em medicina, alguém gostaria de voar com um piloto que não entende de meteorologia? Por outro lado, o autor tem razão quanto à escassa valia de muitas faculdades para a vida prática, especialmente se o indivíduo pretende ser empreendedor.
  • Marcos  07/08/2018 00:45
    "Sem falar em medicina, alguém gostaria de voar com um piloto que não entende de meteorologia?"

    Gozado. Durante toda a história da humanidade nunca houve curso superior para piloto de avião. Foi só na década de 2000 que faculdades caça-níqueis inventaram a tal "ciências aeronáuticas". Até então, era só clube do vôo.

    Pela sua lógica, dado que não havia curso superior para piloto de avião até o ano 2000, nenhuma aeronave jamais decolava e jamais pousava. E nenhum avião ficava muito tempo no ar. E todos os passageiros que entravam em um avião jamais saíram.

    É cada um...
  • AGB  06/08/2018 23:16
    No Rio Grande do Sul entre 1895 e 1930 os governantes eram adeptos da filosofia de Augusto Conte denominada positivismo. Essa corrente de pensamento propugnava ampla e total liberdade profissional e não considerava justo que se formassem corporações (ou guildas) para impedir o trabalho de qualquer cidadão. No RS um indivíduo podia oferecer seus serviços como médico, engenheiro, advogado (ou maquinista, lenhador, farmacêutico etc) se assim o desejasse. A insatisfação da sociedade provocou a elaboração de leis para regular essas atividades, exatamente como hoje em dia.
  • Daniel  07/08/2018 00:45
    "A insatisfação da sociedade provocou a elaboração de leis para regular essas atividades, exatamente como hoje em dia."

    Errado. A insatisfação das pessoas que exerciam essas profissões e que tinham de lidar com a contínua entrada de concorrentes -- o que pressionava para baixo os salários -- é que levou à formação de guildas.

    A regulamentação de profissões sempre foi um expediente criado pelos próprios profissionais da área para erigir barreiras artificiais e impedir a entrada de concorrentes. Nada a ver com as "demandas dos consumidores". Guildas servem tanto aos consumidores quanto tarifas protecionistas.

    De resto, como é que a população iria sair exigindo curso superior à época se tal coisa ainda era bastante rara?

    Gentileza contar a história correta.

    A questão da regulamentação de profissões
  • AGB  07/08/2018 03:15
    É claro que os aviões não caiam antes do ano 2000. Os pilotos adivinhavam como seriam as condições meteorológicas e isso lhes permitia navegar com absoluta segurança. Aliás, a criação de cursos de aeronáutica foi uma exigência do mercado, não uma imposição legislativa nem uma invenção do sindicato de aeroviários. Portanto, de acordo com a toria da EA.
  • AGB  07/08/2018 03:29
    Tem toda a razão quanto a conhecer melhor a história. Quando se implantaram as regulamentações profissionais, já havia escolas superiores no RS. Foi exatamente o repúdio da população que permitiu aos governantes aplicar limites à atividade dos elementos despreparados. Ou seja, o mercado que os expulsou.
  • Sabio  07/08/2018 04:27
    Quanta bobagem vc falou de medicina. Sou médico e a parte prática é fundamental e decisiva para se formar bons médicos. De 2 uma: ou é mentira q ela é médica ou ela se formou por uma péssima escola de medicina. Não pode haver bons médicos sem boas escolas presenciais de medicina com cursos extensos. Ou é isso ou vc vai ter um bando de picaretas e potenciais assassinos.
  • Felipe  07/08/2018 13:10
    Espera aí, "Sábio", você está dizendo que é impossível que uma pessoa que tenha se formado em medicina tenha, ao longo da vida, aprendido muito mais na prática e no estudo autônomo do que na faculdade?

    Você não pode estar sério.

    Se você é do tipo que acha que se aprende tudo na universidade e nada na vida real, e que não dá pra aprender nada sozinho por meio do estudo autônomo (pois só é possível aprender com professores que têm empregos estáveis), então eu quero total distância de você e de seus eventuais serviços.
  • Sabio  08/08/2018 03:38
    O que eu quis dizer é que a parte prática é fundamental na formação dos alunos de medicina e isso só pode ocorrer por meio de escolas de medicina em cursos presenciais. Não existe médico sem faculdade.
  • Luccas Falcão  23/09/2018 22:17
    Infelizmente, né. É triste admitir que não existe médico sem faculdade. Mais triste é admitir que a maior parte dos médicos ativos nesse país é facilmente comparada com açougueiros ou recepcionistas. Ou não é raro entrar em um consultório onde o médico já não saiba, milagrosamente, que medicamentos receitar? Ou não é claro o crescente número de processos judiciais decorrentes de erro médico?

    A verdade é essa: médico bom é aquele que estudou muito, mas muito, de forma AUTÔNOMA, com diploma ou não. Médico bom é aquele que leu muito e aproveitou a residência ao máximo.

    A realidade é essa: médicos que estudaram o bastante para atingir a nota mínima para aprovação. Médicos que quando saem da faculdade precisam fazer CURSINHO para ir bem no exame de residência!!! A mesma coisa acontece com advogados que precisam fazer CURSINHO para ir bem na exame da Ordem. Acontece também com quem precisa fazer CURSINHO para ir bem no Enem. E por aí vai...

    O que precisamos entender é que a faculdade é uma necessidade para inúmeras áreas. Entretanto, não adianta ter o diploma e não ter estudado o bastante para fazer valer a pena.
  • Vinícius  08/08/2018 12:56
    Não há mérito em demonizar o CREA. Qualquer engenheiro que se preze demoniza esta instituição, que cobra anuidades caríssimas e que não possui absolutamente NENHUMA serventia prática.

    Sou engenheiro químico, fui contratado para uma vaga que exigia Engenharia Química e menos de 10% do que uso no trabalho aprendi na escola, faculdade ou cursos extras.

    Ser auto-didata é uma qualidade ESSENCIAL atualmente. Sempre que alguém novo me pergunta sempre falo: se interesse por tecnologia, aprenda a programar, estude inglês e principalmente desenvolva a habilidade de aprender coisas novas sozinho.
  • Alfredo Gontijo  06/08/2018 17:09
    Tenho um diploma em economia por uma universidade pública (não falarei qual porque não interessa). Felizmente eu já era adulto e velho quando entrei, não estava procurando emprego (já era autônomo e relativamente bem sucedido) e por isso não tive de me inclinar para nenhum professor e nem esconder minhas idéias para conseguir melhores notas.

    Confesso que foi divertido fazer monografias defendendo o liberalismo econômico e o livre mercado e ver os professores (quase todos esquerdistas) fazendo cara de nojinho mas sem conseguir apresentar nenhum argumento para me reprovar. Aliás, quase sempre os coitadinhos tinham de rebolar muito para explicar os motivos de não me dar nota máxima em um trabalho. Dava pena. Mas era divertido.

    Em todo caso, escrever aquelas monografias acabou sendo uma das melhores maneiras para aprimorar meus pensamentos e aprender a organizar minhas idéias, principalmente sabendo que meus professores não ficariam nada contentes e iriam tentar desafiar minhas visões. Neste quesito, acabou sendo uma experiência positiva. Ao botar no papel suas idéias sabendo que elas desagradarão e serão contestadas, você realmente aprende mais.

    É claro que apenas isso não é argumento para perder 4 anos da vida numa faculdade, especialmente quando você ainda não está financeiramente encaminhado. Mas para mim foi bom.

    Até hoje poucas pessoas me perguntam onde formei porque sempre fui autônomo (e já tenho mais de 50 anos). Portanto, sei lá: entre em uma faculdade que você pode bancar (ou entre numa pública), faça um bom trabalho e viva uma vida com respeito próprio. Entrar em faculdade para dizer amém pra professor (em qualquer área) é o caminho garantido para a derrota.
  • Walter  06/08/2018 17:58
    Gostei do seu depoimento. Infelizmente eu não tive a mesma diversão no meu curso de administração. Eu não sei exatamente como se sente alguém que recebe um alvará de soltura após ter sido condenado a passar cinco longos anos submetido à reclusão em regime fechado, mas deve ser algo semelhante ao que senti quando abandonei as salas de aula de adestramento e reclusão do curso de bacharel em administração.

    Apenas sei que não sou anormal em não aceitar a submissão que queriam impingir a minha pessoa, taxando-me de indisciplinado e sem inteligência interpessoal por não compactuar com meus colegas caçadores de notas altas. Valeu, #tôfora...
  • Rene  06/08/2018 17:16
    Tem alguns pontos relativos à realidade brasileira que não são tratados no artigo. Por exemplo, existem várias profissões em que é obrigatório o acesso a uma Universidade para atuar nela. Podemos até conversar a respeito disso, se é correto ou não haver esta proibição, mas o fato é que, no mundo real em que vivemos, a proibição existe, e o governo tem o poder de colocar você na cadeia caso desobedeça.

    Uma coisa que eu observo também no Brasil é que a exigência de ensino superior está aumentando bastante, mesmo em profissões em que o ensino superior faz pouca diferença. Minha teoria é que o ensino no Brasil, de uma maneira geral, está indo de mal a pior. Apresentar um certificado de conclusão de ensino médio não significa absolutamente nada (Nem mesmo que a pessoa está alfabetizada). Um diploma universitário pode significar que o cidadão tenha um conjunto mínimo de habilidades que serão úteis no desenvolvimento do trabalho, principalmente se o empregador estiver contratando alguém com pouca ou nenhuma experiência (Ok, leis trabalhistas mais flexíveis poderiam permitir ao empregador arriscar mais na hora de contratar).

    No geral, o governo é quem cria artificialmente a demanda por universidades, e não interessa se você concorda ou não com este arranjo. Estas são as regras do jogo, e você tem que jogar por elas (Mesmo que o teu curso universitário seja apenas para conseguir o papel que garanta que ninguém irá te encher o saco)
  • Vinicius Costa  06/08/2018 17:41
    Sim, isso já foi abordado aqui:

    Quem quer pagar por um Conselho Profissional?

    A obrigatoriedade do diploma - ou, por que a liberdade assusta tanto?

    Desregulamentar profissões. Todas!

    Desregulamentação do mercado de trabalho: a liberdade garante a ética e a qualidade

    Eu até entendo os argumentos, mas vou fazer três considerações (a primeira e a segundo são as menos importantes):

    1) Essa exigência de diploma vale para medicina, advocacia, engenharia, arquitetura e algumas outras específicas. Ou seja, são profissões específicas, do tipo que o cara já sabe querer antes de entrar em uma universidade. Quem quer ser médico, engenheiro, advogado, arquiteto não é do tipo que primeiro faz uma universidade para só então decidir o que quer ser. Pelo que entendi, o artigo está voltado para aquelas pessoas que ainda não sabem ao certo o que querem, mas fazem um curso superior apenas porque acham que dá status e ajuda.

    2) O artigo é voltado para pessoas que querem criar e seguir um sonho, e não para pessoas que querem profissões já estabelecidas e que se resumem apenas a seguir um consenso dominante e a repetir mecanicamente conceitos já consagrados (engenharia, direito, medicina, contabilidade etc. são coisas que não dão espaço para muita inovação e em que você dificilmente será um autônomo. Será apenas um empregado).

    3) Em todo caso, isso ainda é o de menos. E agora vou dar uma opinião exclusivamente pessoal e polemica: na prática, essa exigência de diploma vale apenas para direito e, se muito, para medicina.

    Você de fato não pode advogar sem ter o selo da OAB, mas para todo o resto é sim possível exercer a profissão sem ter diploma. Você não precisa ter licença da guilda dos médicos para ter um canal no YouTube e influenciar pessoas falando sobre medicina (você não pode clinicar, é verdade, mas também não está de todo isolado do mercado).

    Você não precisa de um diploma de economia para trabalhar num fundo de investimento. Seu patrão pode pedir, é claro, mas ele não é obrigado a contratar apenas quem é diplomado (principalmente se ele foi algum parente ou conhecido).

    Você não precisa ter um diploma de engenharia para resolver vários problemas relacionados à área. Você não pode assinar projetos, é verdade, mas se for uma pessoa de comprovado conhecimento prático será muito valiosa no mercado (podendo ganhar até mais que engenheiros formados, e sem dúvida nenhuma sabendo muito mais prática do que eles).

    Jeito tem para tudo, mas obviamente dá trabalho (e isso tenda a desanimar as pessoas). Agora, se conformar e já sair dizendo que não tem jeito e que tem que cursar universidade porque "é a única saída", aí você só estará fornecendo ainda mais esse cartel. Conformar-se e dar ainda mais poder à máfia não é exatamente uma solução boa para as coisas.

    Minha opinião.
  • Felipe Lange  06/08/2018 21:26
    O curso superior no Brasil virou praticamente ensino médio, o sujeito chega no ensino superior e não sabe nem ler e escrever direito, dá para levar isso a sério?

    Como as regulações trabalhistas (junto com o a injustiça do trabalho) encarecem o custo de contratação, o empregador vai naturalmente exigir esses entulhos burocráticos para tentar se proteger. Em economias altamente reguladas como a brasileira, isso é notório. Na União Soviética, por exemplo, com certeza muitas pessoas tinham diploma, mas não eram produtivas e faziam porcarias. Em Cuba um médico formado prefere ser taxista. Em resumo, de forma grosseira, você precisa de formação em Física Quântica para arrumar um emprego de cavar buracos. E o pior de tudo isso é que o Brasil caiu na armadilha da renda média.

    Não sei se foi sua intenção mas não é demérito algum um médico ou afins ser um empregado, ele só tem uma importância distinta no mercado.

    Não é nem questão de legitimar as guildas essa constatação real. As guildas só serão destruídas de fato com avanços tecnológicos e, mais importante, com mudança de pensamento econômico da população.
  • Rene  07/08/2018 13:00
    Sabe, Vinícius. Eu concordo contigo. Sério mesmo. A questão é que não sou eu quem deve ser convencido disso. A mentalidade da importância do diploma impera no Brasil, e é alimentada pelos fatores que eu tratei aqui no comentário e outros que eu nem lembrei. Eu atuo no mercado de trabalho, e percebo claramente que, no dia a dia, a experiência, a capacidade de resolver problemas, a criatividade, a proatividade, e assim por diante, contam muito mais do que um diploma universitário. O meu ponto é que nem todo mundo possui a energia necessária para nadar contra a maré deste jeito (E eu admiro as pessoas que fazem isso). Já está no livro "A Arte da Guerra" de Sun Tzu: Você precisa conhecer o terreno, conhecer o inimigo, e conhecer a si mesmo. O nosso terreno de batalha é este Brasil: Com sua mentalidade estadista, pessoas que valorizam o diploma, ensino de base ruim, profissões regulamentadas e assim por diante. O estado é nosso inimigo, que cria as dificuldades, nos rouba quatro meses de renda por ano, e é muito mais forte que nós. Conseguir um diploma pode ajudar a melhorar as tuas chances nesta batalha? Não vejo problemas em a pessoa cursar o curso universitário por conta disso. Mas lógico, é preciso ter em mente que não é o diploma que vai fazer que ela seja bem sucedida, mas sim sua capacidade de criar valor.
  • Mico empreendedor  09/08/2018 20:43
    Discordo. Na prática, no Brasil, já há uma ampla necessidade de diploma para exercer toda uma miríade de trabalhos. O pior é que essa tendência segue em expansão.

    Teus itens 1 e 3 dão na mesma: hoje por força de lei ou sindicato ou Conselhos/Ordens, muitas profissões exigem diploma. Exemplo: eu fiz uma reforma no meu apto esses tempos e quando um vizinho quis me encher o saco meteu uma obrigação legal para que eu apresentasse alguma ART da reforma. Tá na lei, tive que fazer. Os peões semi-analfas que trabalharam por 35 dias lá ganharam 3mil pela mão-de-obra e eram 3 pessoas. Para satisfazer meu vizinho tive que catar um engenheiro que por menos de 30 minutos no apto para uma rápida olhada se certificando que os peões não estavam destruindo todo prédio e a emissão da ART, levou 500 reais e eu ainda paguei a taxa do CREA. O eng não conhecia os peões, não eram da mesma empresa ou coisa parecida e ele nunca mais pisou lá no apto. Hoje em dia eu quero refazer a elétrica do apto mas estou adiando por antecipar que um diabo dum vizinho irá me exigir um eng. elétrico pra isso, o que irá encarecer muito o orçamento do meu eletricista que obviamente não é formado e trabalha com isso há décadas, além do mais é só passar 3 fios de 2,5mm² nos dutos já existentes, não vou mexer em nada só trocar a fiação velha.
    Meu edíficio também teve que cortar uma árvore no jardim e que inferno foi isso! Um arigó cortaria por 500 reais em um dia e pronto, fim do problema. Mas claro que não, por conta da legislação em vigor, é obrigatório ter um laudo com emissão de ART de eng. agrônomo ou biólogo (ambos formados), que daí pode usar o arigó para executar realmente o serviço.
    Isso são pequenos casos, porém mostram bem como estamos e para onde iremos! Um cliente que é uma construtura estava me falando do estorvo que anda para eles dispor do lixo das obras pois até o lixo, o resto, o refugo! agora tem uma infernal burocracia e em todas etapas, pode saber, há obrigação de alguém formado em alguma coisa e autorizado/licenciado por alguma guilda da idade média. Até para receber lixo.

    2) Acredito que o texto vale para todos.
  • Guilherme  06/08/2018 17:47
    Hoje tem nêgo fazendo curso de administração porque acha que não conseguirá gerenciar uma lanchonete da família sem um diploma da FGV.
  • Paul Kersey  06/08/2018 17:49
    Dizer que tem de fazer uma faculdade porque o governo exige diploma para determinadas profissões é o equivalente a dizer que você tem de se submeter a toda a burocracia da Polícia Federal para ter uma arma porque é proibido ter uma arma sem a chancela de burocratas.

    Quem realmente quer algo não se submete a desmandos e a imposições totalitárias. Apenas vai e arruma (palavras de um cidadão autônomo e armado que nunca se submeteu a nada).
  • Jimmy  06/08/2018 18:05
    Descubra algo para o qual há demanda, que precisa ser feito e que você tenha prazer em fazer. Vá lá e faça. Não se curve para as exigências de burocratas.

    Quase todas essas profissões que exigem diplominhas estão condenadas pela automação que virá no futuro. Sobrarão muitas pessoas para poucas vagas. E nenhuma delas terá nenhuma vantagem sobre as outras, pois todas terão exatamente o mesmo ensino e estarão condicionadas a fazer exatamente a mesma coisa.
  • Vladimir  06/08/2018 18:48
    Como explicou Taylor Pearson em seu livro "O fim dos empregos (tradicionais)", o futuro não está reservado para esses empregos que dependem de diplomas. Esses estão a caminho da extinção pela tecnologia e pela automação. Neste mundo, ficar excessivamente focado em "conseguir um emprego" é a receita para a derrota.

    O sujeito cada vez mais terá de pensar em si próprio como uma empresa (ele utiliza a expressão americana "Me, Inc."), sempre pensando em oportunidades, projetos, contratos, freelancing, empreendedorismo, e principalmente em maneiras ágeis e inovadoras de criar valor.

    Tudo isso é o exato oposto de uma mentalidade voltada para o diploma.
  • Ranassamir Lobo  24/09/2018 00:28
    Não subestimem o impacto da automação: www.technologyreview.com/s/610005/every-study-we-could-find-on-what-automation-will-do-to-jobs-in-one-chart/
  • Jorge  06/08/2018 17:45
    Um texto muito interessante, com dados e argumentos que confirmam a ideia central deste artigo:
    www.kitces.com/blog/benefits-of-attending-college-signaling-theory-bryan-caplan-case-against-education/
  • anônimo  06/08/2018 17:55
    No mundo inteiro, a crença no mito da "imprescindibilidade de um curso universitário" está cada vez menor. Já no Brasil, cada vez maior.

    Estamos hoje onde os países ricos estavam na década de 1950.
  • Decio  06/08/2018 17:54
    No momento estou terminando o curso de engenharia de produção civil na Universidade Federal de Santa Catarina e sinto na pele o que é a qualidade do ensino deste modelo falido. Mesmo estando quase terminando a universidade, me sentiria totalmente despreparado para entrar no mercado de trabalho. A unica coisa que aprendi bem aqui foi me virar, me virar para aprender, me virar para correr atrás do que realmente importa, infelizmente muitos não podem correr atrás como pude.

    Mesmo não tendo me formado ainda, já embarquei na jornada do empreendedorismo, sempre quis ter algo que eu tenha criado e tive a sorte de encontrar bons amigos que pensam como eu e estão comigo nesta jornada. Remodelar este sistema falido para que as pessoas não tenham que passar pelo tormento que passei ao cumprir com o "dever" de estudar todos os dias é imprescindível inclusive para o próprio progresso.
  • Tobias  06/08/2018 18:00
    Bill Gates era obcecado com computadores. A cada chance que ele tinha ele ia mexer em computadores. Ele cabulava aula e ficava noites acordado se dedicando a essa sua devoção.

    Michael Jordan, após ser afastado do time quando criança, decidiu que nunca mais iria se sentir tão desprezado novamente. Passou a cabular aulas pra ficar treinando no ginásio, jogando dias e noites inteiros.

    Donald Trump passou toda a vida focado em negócios imobiliários. Mesmo quando ainda estava na faculdade pegou dinheiro emprestado do pai para comprar um condomínios de 1400 unidades. Graduou-se milionário e, uma década depois, já era bilionário.

    Steve Jobs tinha a criatividade como sua paixão. Na década de 1980 ele já visualizava um iPod, mas com a tecnologia então disponível, o negócio seria um trambolho enorme. Tão obcecado ele era que não descansou enquanto sua imaginação não ganhou vida EXATAMENTE no formato que ele imaginou.

    Mark Zuckerberg se dedicou incansavelmente à codificação e conversão de uma linguagem em código. Era o único do seu grupo a ser considerado um verdadeiro gênio. Construiu o Facebook.

    Nenhum desses perdeu tempo aprisionado em escolas sendo doutrinados e não aprendendo nada. Eles mostram que a única maneira de ser bem-sucedido na vida é ter um foco afiado e empurrar tudo o que secundário para o lado.
  • BS  06/08/2018 18:04
    A universidade é uma maneira socialmente aceitável de postergar a entrada no mundo adulto. É uma maneira de prolongar a adolescência e de postergar sua transformação em uma pessoa diferenciada ao mesmo tempo em que os pais continuam lhe bancando sem fazer qualquer julgamento moral..

    Cirúrgico, muito bom o Artigo, irretocável.
  • Vladimir  06/08/2018 18:25
    Isso pra mim sempre foi a coisa mais óbvia do mundo mas nunca via ninguém falando sobre isso. Antigamente, o sujeito fazia 18 anos e já era homem. Já tinha responsabilidades e deveres. E ganhava o próprio sustento.

    Hoje o cara completa 20 anos e aí sim ele começará a viver gostosamente: ele agora terá 4 anos de farra e descompromisso pela frente, será bancado pelos pais e toda essa vagabundagem será vista como normal e socialmente aceitável. "Ah, ele está muito concentrado nos estudos, por isso não deve trabalhar".

    Não é à toa que tá cheio de marmanjo de quase 30 anos que ainda faz faculdade (já trocou de curso umas três vezes). Isso é uma desculpa socialmente aceitável para não estar trabalhando e continuar sendo sustentado pelos pais.
  • Paulo   08/08/2018 12:28
    Nem fala! No meu curso havia muitos assim. Eram ''playboys'' ou ''patricinhas''- alguns até com mais de 30 anos- que só queriam saber de ''farrear'' em barzinho, churrasco e praia. A aula começava às 19:00 e eles saíam em meia hora direto para o bar, logo após assinarem a ata de presença.

    No dia-a-dia eu só via o povo de carro novo, celular bom, roupas de marca e quejandos. Tudo à custa dos pais. E detalhe: eles não tinham a menor vergonha de assumir tal condição.

  • Cristiane de Lira Silva  07/08/2018 23:41
    Exatamente o ponto que não faz muito sentido. Quantas pessoas não fazem universidade a noite enquanto trabalham de dia para sustentar a família? São adolescentes estes?
  • Skin in the game  06/08/2018 18:08
    Posso inferir que pelo menos um dos editores e colaboradores do site não foi pra faculdade?
  • Nassim  06/08/2018 18:24
    Ou então pode inferir que eles não fazem aquilo para o qual perderam tempo na faculdade -- e por isso sabem exatamente do que estão falando.

    O presidente do IMB é formado em engenharia elétrica (e nunca exerceu), o Leandro fez engenharia mecânica (mas pulou fora antes) e o Ulrich formou-se em Economia Austríaca sob Jesús Huerta da Soto na Espanha (ou seja, sabia exatamente o que queria e o que iria encontrar).

    Já Ubiratan e Barbieri formaram-se em economia e são professores universitários de economia, o que simplesmente comprova o que foi dito no artigo.

    Ou seja, ao menos com com estes cinco é Skin in the Game total.
  • Felipe Lange  06/08/2018 18:16
    Pior de tudo é no Brasil, onde empreender exige algo digno de semi-deus... o rapaz que escreveu esse artigo é dos EUA, um país que, se não é perfeito, é menos destrutivo para empreendedores.

    Eu tenho ainda esse sonho de empreender, mesmo eu estando dentro de um curso de uma matéria que eu gosto, a de Biologia. Triste que essa área é regulada. Minha mãe pode nem saber que eu tenho essa sede, senão ela só falta me mandar para a rua. E, pelo que passei nos últimos meses dentro do ensino superior, eu percebi o quão asqueroso é o paraíso burocrático no qual os professores vivem. E sabem o problema? Além de gostar de Biologia, gosto também de escrever artigos, principalmente de carros (e vídeos também), então acabo ficando ocasionalmente me sentindo perdido. Sem contar a guilda que exige diploma para tal área. E olhem que eu tentei empreender aqui no Brasil, mas se eu continuasse provavelmente já estaria com entulhos de multas ou até encarcerado.

    Gostei muito do artigo.
  • Paulo   06/08/2018 18:57
    Um título acadêmico não deixa de ser algo meritório. Claro, não é fácil se abster de várias coisas para ficar com "a cara enfiada em livros e aulas" por períodos que variam aí de três a seis anos. Isso quando a pessoa se dedica, é claro.

    Contudo, um diploma por si só não garante competência a ninguém. Aliás, Bill Gates e Mark Zuckerberg podem emitir ótimos pareceres sobre isso.

    Igualmente, cumpre observar que a maioria das pessoas muito bem sucedidas não trabalham na respectiva área de formação.

    Exemplo que aconteceu na minha família: uma prima sonhava em ser advogada. Cursou a faculdade com todo o afinco do mundo e antes mesmo de se formar logrou aprovação no temido exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

    Ocorre que, naquele ínterim de se inscrever na OAB, pegar a carteira e ingressar no ramo advocatício, ela se juntou a uma amiga e as duas, "de onda", começaram a fazer comidas (doces, bolos, salgados e coisas do gênero) para festas e eventos. Repito: tudo "de onda". Era só para juntar dinheiro e, consequentemente, aproveitar o carnaval que se aproximava.

    Porém a atividade deu tão certo, mas tão certo, que o povo começou a implorar para que as duas continuassem o trabalho. Elas mesmas dizem até hoje que nem sequer desconfiavam do sucesso que iriam fazer.

    Resultado: as duas ganharam e ainda ganham um bom dinheiro. Só sei que elas levam as comidas para as festas e eventos a bordo de uma Mitsubishi Pajero nova...

    E a minha prima, a advogada? Quis ou quer saber de Direito e de advocacia? De concursos (novo ópio do povão)? Nem sonhando! Soube até que ela cancelou a inscrição dela na guilda chamada OAB, mas isso eu vou confirmar.
  • Neto  06/08/2018 19:14
    De todas as pessoas bem-sucedidas que conheço pessoalmente, tanto em termos financeiros quanto em termos de satisfação pessoal, nenhuma (nenhuma!) trabalha na área em que formou. Aliás, algumas nem sequer têm curso superior. (Uma, inclusive, só tem o ensino fundamental).
  • Paulo   06/08/2018 21:56
    É por isso que eu não compreendo quando alguém "se descabela", "chora", entra em depressão ou até mesmo comete suicídio apenas por exercer uma atividade laborativa diferente da formação.

    Um conhecido meu é dono de um misto de bar/restaurante/casa de shows. O empreendimento dele ia muito bem, mas o cara cismou de fazer Direito. Uma vez ele veio todo triste e disse que fez uma faculdade que queria, que era o sonho dele etc. Mas que não poderia largar tudo e iniciar na advocacia em nome da estabilidade financeira alcançada pela atividade empresarial.

    Surpreso, eu respondi: "Rapaz, você tá triste por causa disso? Ser formado numa área e trabalhar em outra não é demérito pra ninguém, não. Aliás, olhe aí nos meios empresariais e artísticos e você vai concluir que os mais prósperos são aqueles cuja formação é totalmente diferente do ramo em que trabalham. E eles não tão nem um pouco preocupados com isso. Então, você vai esquentar a cabeça pra quê?"

    Ele parou, pensou... e me agradeceu. Aliás, até hoje ele fala "gostei da ideia que você me deu naquele dia".
  • Felipe Lange  06/08/2018 20:59
    Minha mãe fez licenciatura em Matemática na Unicamp (numa época onde era muito mais difícil) e acabou não servindo de nada, pelo menos não para mim, talvez para ela tenha servido, mesmo que hoje ela trabalhe em uma área totalmente diferente.
  • Paulo  07/08/2018 17:19
    Bom, a minha história é bem parecida com a da minha prima. A diferença é que eu estava mais velho e já trabalhava.

    Foi assim: em 2009, aos 29 anos, resolvi cursar uma faculdade. Ingressei no curso de Direito, cujo início foi em fevereiro de 2010, e o término, em dezembro de 2014. Era tudo apaixonante. Li muita coisa. As minhas notas sempre foram altas, até porque não me atinha apenas ao que os professores diziam e cobravam nas avaliações. Nunca fiz uma "V3" (terceira avaliação, que era aplicada quando a pontuação mínima não era atingida pelo acadêmico nas duas provas anteriores).

    Entretanto, em meados de 2012 comecei a frequentar o estágio obrigatório. No caso, na Defensoria Pública do RJ. Passei, então, a ver como era o Direito"na prática". Com efeito, fui assaltado pela decepção. O "Direito bonito" que estudara só existia nos livros e nas salas de aula, mesmo. Ou seja, à guisa do conto, "a carruagem virou abóbora" e "o príncipe virou sapo".

    Àquela altura do campeonato já era final de 2013. Como a faculdade terminaria em dezembro de 2014, decidi prosseguir assim mesmo.

    Dezembro de 2014: graduação conclusa. Não participei da festa de formatura e só colei grau. Nem as fotos da colação eu peguei. Aliás, nem o diploma eu peguei ainda.

    Resultado: hoje ainda estudo Direito por hobby e para evitar problemas. Contudo, em âmbito profissional não apresentou e talvez nunca apresente a menor serventia.

    PS: em que pese a questão profissional, ainda fui obrigado a lidar com todos os tipos de pessoas que se possa imaginar. E as boas foram em número muito aquém do esperado.
  • Nescau Cereal  06/08/2018 20:21
    Sim, o texto é muito convincente. Porém, tente, por exemplo, candidatar-se a uma vaga para auditor na Deloitte ou na KPMG sem um diploma de graduação ou mestrado em Economia, Finanças, Contabilidade ou Gestão. Ou para um fundo de investimento, uma consultoria de pesquisa econômica (como a Tendências em São Paulo), uma agência de risco, um banco de investimentos (como o BTG Pactual no Brasil) ou até um banco comercial regulado pela máfia estatal praticante de reservas fracionárias. O mais provável é que nem guardem o seu CV no RH (outra bosta que é muito influenciada pelas besteiras que ensinam nas universidades). Nem todos têm ambições ou perfil para serem empreendedores criativos. A maioria (mesmo aqueles que sabem bem com o que se identificam) não tem perfil pra isso.

    Sim, as universidades são um lixo. Os conteúdos então, nem se fala. Se você fizer faculdade ou mestrado de Economia vai se deparar com Economia Neoclássica (modelos gráficos e muita matemática inútil pra aplicações reais), Keynesianismo e Monetarismo. Em termos de aprendizado (conteúdos acadêmicos interessantes e minimamente úteis) o diploma vale o mesmo que bosta de vaca. Mas é só com o "diproma" que você consegue um raio de um emprego na área.
    O que pode ser discutido aqui é o que faz as empresas só quererem gente com "diproma". Depende da área? É regulação estatal? Depende do dono da empresa? A estupidez das pessoas de como sempre seguirem a manada e acreditarem que só com a faculdade é possível "subir na vida"? Etc, etc.
    Outra: se não fosse o MEC (em todos os países) regulando a educação as próprias universidades poderiam ser melhores e mais úteis para todas as áreas e para todos os perfis de alunos. E o ambiente acadêmico seria mais agradável e produtivo. Talvez até mais pessoas fossem querer segui-lo. E, afinal, é através desse maio que surgem pesquisas e descobertas científicas.


    "Em vez disso, vá criar algo. Saia. Siga seu próprio caminho. Imagine e crie coisas que entusiasmem você. Tenha uma ocupação que não seja monótona. Viva uma vida que lhe dê prazer.

    Não espere que o mundo mude e nem muito menos implore por permissões de burocratas. Tente você mesmo mudar seu próprio mundo. O resto irá vir como consequência."

    Sim, é muito bonito, mas nem todos têm esse perfil. Não é por que as universidades não prestam que essa saída vai funcionar pra todos.

    PS: NÃO sou professor. Estudo Economia fora do Brasil e também acho as universidades onde moro um lixo. Só quero o "diproma" pra poder ter a mínima chance de conseguir um emprego na área. Adoraria seguir carreira acadêmica se não fosse o lixo que é hoje. E mesmo que eu tentasse dificilmente conseguiria pois a área de Economia é dominada pela Economia Neoclássica e os carinhas lá mal conhecem Escola Austríaca e Praxologia. Por causa disso e de outros fatores tenho de procurar coisas com as quais não me identifico na mesma proporção.
  • Miscelânea  06/08/2018 21:22
    "tente, por exemplo, candidatar-se a uma vaga para auditor na Deloitte ou na KPMG sem um diploma de graduação ou mestrado em Economia, Finanças, Contabilidade ou Gestão. Ou para um fundo de investimento, uma consultoria de pesquisa econômica (como a Tendências em São Paulo), uma agência de risco, um banco de investimentos (como o BTG Pactual no Brasil) ou até um banco comercial regulado pela máfia estatal praticante de reservas fracionárias."

    Aí merece sofrer mesmo.

    O artigo é voltado para pessoas que querem criar e que querem seguir um sonho, e não para pessoas que querem apenas se estabelecer em profissões convencionais que se resumem apenas a seguir um consenso dominante e a repetir mecanicamente conceitos já consagrados.

    Nenhuma dessas profissões (aliás, ocupações) que você citou dão espaço para muita inovação. Nenhuma dessas permite que você seja autônomo e progrida. Você será apenas mais um empregado qualquer, batendo ponto e trabalhando o total de horas que seu patrão mandar. Sua maior motivação será encontrar uma brechinha para tentar levar seu patrão para a Justiça do Trabalho.

    Agora, se o máximo a que você aspira na vida é bater ponto e seguir ordens, então de fato você tem mais é que ficar se humilhando em faculdade em uma busca de um diploma mesmo.

    "Nem todos têm ambições ou perfil para serem empreendedores criativos. A maioria (mesmo aqueles que sabem bem com o que se identificam) não tem perfil pra isso."

    Exatamente o que disse o Flávio Augusto neste artigo. Por isso a maioria é infeliz e só faz resmungar. Em vez de correr atrás dos sonhos empreendendo naquilo que dá prazer, o sujeito vai perder quatro anos da vida dele se humilhando perante burocratas em busca de um diploma para, no final, tudo dando certo, ficar batendo ponto. Isso não é vida de vencedor.

    De resto, como disse outro leitor acima, quase todas essas profissões que exigem diplominhas estão condenadas pela automação que virá no futuro. Sobrarão muitas pessoas para poucas vagas. E nenhuma delas terá nenhuma vantagem sobre as outras, pois todas terão exatamente o mesmo ensino e estarão condicionadas a fazer exatamente a mesma coisa.

    No futuro próximo, dominado pela automação e pela tecnologia, o sujeito cada vez mais terá de pensar em si próprio como uma empresa, sempre pensando em oportunidades, projetos, contratos, freelancing, empreendedorismo, e principalmente em maneiras ágeis e inovadoras de criar valor. Tudo isso é o exato oposto de uma mentalidade voltada para o diploma.

    Quer ser feliz sem ter de pedir autorização do governo? Descubra algo para o qual há demanda, que precisa ser feito e que você tenha prazer em fazer. Vá lá e faça. Não se curve para as exigências de burocratas.

    Agora, se tudo o que você quer é um emprego convencional em uma área regulada pelo governo, sem correr riscos e se empreender, então de fato vá atrás de um diploma. Só não pode reclamar que sua vida é frustrante.

  • Lucas  06/08/2018 21:53
    Vejo isso na minha área(Tecnologia de Informação).A maior parte das vagas de emprego exigem graduação.Dependendo da vaga,até mesmo mestrado.

    Agora imaginem a área que mais cresce no mundo,a que mais inova,ser limitada a um curso superior.

    Ainda bem que podemos aprender tudo de tecnologia hoje na internet,via Udacity,EDX,Khan Academy,Coursera,entre outras.
  • ed  06/08/2018 22:51
    Também sou da área de TI e é incrível como os cursos superiores ficam defasados rapidamente.

    Sem contar que por meio do Youtube ou comprando curso baratos na Udemy você pode adquirir um conhecimento muito maior do que em qualquer faculdade por um custo irrisório.
  • Lucas  07/08/2018 00:55
    Bem lembrado da Udemy.Os cursos são bem baratos mesmo.

    Tem um cara quem colocou no Github um currículo de Ciência da Computação,dá para estudar tudo pela Coursera,Edx,Udacity e os MOOCs das principais universidades americanas.

    E pode se "especializar" por estes 3 sites também.
  • ed  06/08/2018 23:02
    No fim das contas tudo se resume a satisfazer os consumidores.

    Se você consegue, com as suas habilidades, fornecer produtos/serviços demandados por muita gente vai conseguir dinheiro, caso contrário terá dificuldades.

    É por isso que muita gente se estrepa com a cultura do diploma.

    O individuo passa anos em uma faculdade fazendo graduação, mestrado, doutorado produzindo artigos que em sua maioria são inúteis e quando completa o ciclo não consegue ganhar dinheiro, aí fica reclamando e se acha no direito de ser reconhecido só por que "se esforçou e se dedicou muito".

    Alguns conseguem uma vaguinha em uma universidade graças a demanda artificial gerada pelo governo mas a maioria dos doutores em cursos irrelevantes para o mercado vai ter que se estrepar.
  • reinaldo  07/08/2018 00:28
    Adorei o artigo.
    Eu mesmo perdi três anos de minha vida num curso de tecnólogo, para depois descobrir que ninguém dava bola (na época) para esta formação.
    Hoje aconselho minhas filhas a procurar graduação depois de ter certeza do que se quer. Enquanto isso vai tocando algo que goste de fazer e "dê a cara a tapa" no mercado.
    Hoje a universidade é vendida como objetivo de vida para os jovens, mas na verdade tem que ser encarada como uma ferramenta a ser usada para então alcançar o objetivo de vida.
  • Lucas  07/08/2018 00:46
    Desculpe a pergunta,mas qual curso você fez ?
  • reinaldo  07/08/2018 13:39
    Fiz Tecnólogo em Mecânica, Modalidade Processos Industriais.
    Terminei em 1995, mas na época (assim como hoje) venderam a idéia que as empresas se estapeariam para contratar tecnólogos formados.
    Como eu já trabalhava na área mecânica, não senti muita diferença entre o que eu já sabia de prática e o que aprendi no curso; e depois descobri que o mercado de trabalho para tecnologos (na época e na região onde morava) praticamente não existia. Ou as empresas queriam engenheiros ou técnicos mecânicos.
    tentei empreender por conta, mas gastei o capital que tinha na época em projetos furados e me conformei em ser funcionário até hoje.
    Penso em abrir um negócio no futuro, para minha aposentadoria, mas curiosamente imagino algo na área de bebidas artesanais. (algo que sempre gostei e deveria ter me dedicado antes).
  • Lucas  07/08/2018 14:56
    Entendi.

    Perguntei porque também faço um,ai já viu ne...

    Faço Análise de Sistemas.
  • eugenio  07/08/2018 04:48
    bom, muito bom, "todo conhecimento é uma ferramenta para transformar criar ou mexer no mundo", escolas boas e ruins, bons mestres e outros péssimos, há quem aprenda e quem não aprenda numa mesma escola com os mesmos mestres.
    não se pode afirmar que nada se aprende;um curso de pintura artistica, com a mesma professora a mesma aula,oos mesmos conhecimentos, alguns realizam obras belíssimas e outros horriveis e sem valor. Fiz muitos cursos, alkuns meras arapucas, outros excelentes, como tudo na vida.

    a vantagem dos cursos voce obtem um conjunto de conhecimentos especificos ,"ferramentas"sobre alguma atividade e ganha tempo,pois poderia levar anos para aprender na pratica o que ali esra comprando,e qualidade, evoluindo na execucão da atividade.

    O advento da internet mudou, em casa em qualquer lugar a qualquer hora, aprende-se qualquer coisa, tudo que se deseje, e ainda não alterou a escola, ninguem mais vai precisar se deslocar para assistir aulas os custos se reduzem e mais pessoas de menor recurso acessam, é uma mudanca gigantesca que ainda não aconteceu , mas a ficha esta caindo.já não é necessario gastar mais tempo com transporte do que no aprendizado. A informacão vem até voce
  • Pobre Paulista  07/08/2018 00:46
    Em algum ponto da história a universidade deixou de ser um centro de criação, preservação e propagação de conhecimento, e tornou-se uma "ferramenta de inclusão social". E com isso perdeu seu propósito. Hoje estão fadadas ao fracasso, o que é uma pena.

    Existem atribuições para as quais é evidente que é necessário uma formação científica, como por exemplo, medicina ou engenharia. Por outro lado, ninguém precisa ficar 5 anos numa faculdade de TI para aprender a fazer um website funcional.

    Bons tempos em que universidade era apenas um hobby de gente rica.
  • LIBERMAN  07/08/2018 00:57
    Estou nesse caso da igreja, desejo sair de uma faculdade cara porem meus pais acham isso absurdo...
  • Abner  07/08/2018 11:54
    Seus pais não estão nem aí para você, estão é preocupados com o status que formar um filho numa faculdade de primeira linha confere ao circulo de convívio deles.
    Lembro quando me formei, arrumei um estágio e na sequência apenas empregos com salários baixíssimos, mas meus pais não estavam nem aí para que eu aumentasse minha produtividade, falavam apenas para obedecer os chefes que tudo daria certo. Numa viagem com amigos me envolvi com uma garota que estava viajando sem parar havia 4 anos, bancava tudo consertando celular, pensei que era uns trocados mas me espantei quando ela me disse que conseguia facilmente R$3.000 por mês, comecei a ajudar, me ensinou alguns macetes do negocio e é o que faço da vida desde então. O relacionamento não durou, mas o aprendizado sim.
    Quando perguntam aos meus pais o que faço, estes respondem que sou advogado, profissão que não exerço faz 2 décadas.
  • Refugiado do esquerdismo  07/08/2018 16:38
    Penso exatamente o mesmo e passei por isso ja ate aprender a responder a altura. Sou de uma familia de 5 irmaos e o unico que naobse formou sou eu,e dos 4 formados so um atua na area de formacao,porem a matriz ficou anos insistindo em me puxar para baixo. Os pais,em especial os defensores de faculdade nao estao nem ai para a felicidade dos filhos. E tenho um conselho bonus para voce que passa por isso. Saia da casa d9s seus pais o mais rapido possiv3l,vai para o mundo,nem que voce tenha que morar em pensao,pois e valido aquele velho versiculo biblico. E melhor comer pao velho em paz do qu3 estar em uma mesa farta aborrecido.
  • Luiz Afonso  07/08/2018 12:45
    E eu garanto que aprendi mais sobre economia lendo os livros da escola austríaca do que estudando em uma faculdade que com certeza iria me doutrinar no Keynesianismo e no marxismo. Você acha que precisa frequentar uma Universidade para aprender sobre economia? Comprar livros, estudar por conta, a experiência pessoal, os experimentos práticos são muito mas importantes do que um diploma com toda a certeza. Aqui na minha empresa não temos nenhum engenheiro de materiais formado, mas temos pessoas que sabem tanto ou mais de engenharia de plástico porque trabalharam e aprenderam na prática lidando com os materiais feitos de polímeros.
  • geraldo  07/08/2018 12:57
    Estou fazendo faculdade e não há por parte de nenhuma faculdade falar com os alunos sobre empreender, é só aquele papo de depois de formar fazer concurso publico, eu particularmente não tenho isso em mente mas pretendo quando me formar em engenharia mecânica fazer tradução juramentada e dar inicio a validação do meu diploma em especial nos Estados Unidos da América e estou por decidir entre um mestrado ou doutorado por lá pois não vejo perspectiva de nenhuma melhora da economia ou mercado de trabalho no brasil.
  • Cristiane de Lira Silva  07/08/2018 16:31
    Que horror. Por aqui tem universidade que fala sobre empreender.
  • Refugiado do esquerdismo   07/08/2018 13:05
    Ótimo artigo, quem dera eu conhecesse a escola austríaca há 20 anos atrás, eu teria batido bem menos a cabeça na vida na area profissional. Hoje a internet disponibiliza facil a informação e muitos jovens não querem nem saber.

    Conheço uns 5 otarios que fizeram uniesquina para ter diploma e nunca usaram a faculdade. Uns tempos atrás conheci um jovem formado em tecnólogo no Brasil trabalhando no EUA na construção. Éramos 6 pessoas, eu com ensino médio, ele com o diploma e o patrão sem 5 serie e mais uns hispanos sem escolaridade nenhuma, todos debaixo do patrão com 5 serie que entende do serviço e ganha muito dinheiro.

    Ai conversa vai e vem e o formado me fala. "É, porque sou tecnologo, formado, etc etc e que por causa do governo corrupto eu estou sem trabalho, porque roubam e que o governo tem que dar emprego para os formados, o PT é bom e etc".

    Aí eu virei para ele e falei: "Meu amigo, me desculpa, mas você perdeu seu tempo, de que serve essa sua faculdade? O seu curso não tem demanda, ainda mais no Brasil, pois existem poucas empresas querendo investir no Brasil por causa dos programas do PT, o nosso pais é atrasado e não atrai investimento por causa de ideias atrasadas como a sua".

    E ele começou: "Não porque tenho direitos, me esforcei etc, minha mãe se formou, minha irmã etc".

    Aí perguntei se trabalhavam na área, ele gaguejou e disse que não. Aí falei: "Olhe para os lados, o único formado aqui é você, nós 2 somos os que tem mais estudo, e no final, estamos em situação igual, e eles como sabem trabalhar bem mais que nós, ganham muito mais que nós."

    Passou uns 2 dias o sujeito largou o trabalho e sumiu, nunca mais ouvi falar dele.
  • Raquel  07/08/2018 13:35
    Coitado do rapaz.Somos educados a pensar assim.Eu quebrei tanto a cabeça querendo fazer faculdade,me formei em administração recentemente,e trabalho numa área que nem sequer exige nível superior.Se eu tivesse descoberto isso quando mais nova,não teria sofrido tanto,por nada.
  • Rodolfo  07/08/2018 16:35
    Um caso legal de aprendizado fora da escola é o empresário Ivens Dias Branco, li a biografia dele, mesmo sem ter terminado o ensino médio, abandonou para trabalhar com o pai, foi considerado um engenheiro nato, aprendeu sendo curioso e fazendo.
  • John Maynard Keynes  07/08/2018 18:08
    Aqui no Brasil nas universidade (mais nas públicas) de que o conhecimento não pode servir ao "mercado", que é feio universidades públicas fazerem parcerias com empresas privadas. O resultado é que 99% das pesquisas científicas, teses de mestrado e doutorado produzidas no Brasil são inúteis. Meu amigo mesmo falou que a tese de doutorado dele seria lida por no máximo 5 pessoas... (no final, ele acabou desistindo do doutorado)
  • Mais Mises...  07/08/2018 18:47
    Sou farmacêutico e à época em que me formei, tinha uma cabeça absolutamente voltada ao emprego público. Quase tudo o que ouvíamos falar sobre indústria farmacêutica era com viés ruim. Nenhum professor (até onde soube) havia trabalhado em alguma empresa relevante, que dirá empreendido!
    Absolutamente nenhum professor ou disciplina versava sobre empreendedorismo.
    Fiz uma disciplina eletiva chamada Administração e Economia em Saúde. Eu e minha namorada (hoje esposa) nos matriculamos pensando, de forma pueril, que enfim teríamos conteúdo sobre empreendimentos, empresas, administração... como diz o nome da bodega. Pessoal... foram os dois professores mais marxistas que tive. O de Economia ao menos mostrou-nos algumas teorias econômicas (nem chegou perto da Escola Austríaca, diga-se), mas era avesso ao capitalismo (da boca pra fora), vestia-se sempre com a mesma indumentária, porém, morava de favor numa mansão de um artista plástico famoso lá da cidade.
    O outro, só falava de Jean Paul Sartre, libido, citava autores da Escola de Frankfurt, Construtivismo... Lembro disso hoje e fico aqui pensando: 'Só mesmo um estudante desmiolado, ligado à matrix do senso comum conseguia assistir àquelas aulas!'
  • Mais Mises...  07/08/2018 18:57
    Por fim, uma observação que tem sido muito comum é a constatação de que o curso superior, pra muitos, nada mais é do que o curso técnico de antes. Tenho muitos colegas e amigos farmacêuticos que estão entrando no mercado de trabalho como técnicos, justamente porque com o FIES, houve uma distorção enorme do mercado, inundado de farmacêuticos que não foram demandados. O resultado é que não há emprego pra todos em análises clínicas, por exemplo, e eles estão aceitando trabalhar como técnicos.
  • paulo  07/08/2018 20:18
    Tenho um amigo farmacêutico. Contávamos uma piada: Fulano, em qual cadeira você aprende a manipular a máquina da Cielo?
  • Mais Mises...  08/08/2018 19:21
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
  • Cristiane de Lira Silva  07/08/2018 23:31
    Ótimos conselhos para quem estiver interessado em muito muito muito dinheiro e não quiser carreira acadêmica. Mas um médico que deseja abrir um consultório para atender clientes não é um empreendedor? Se ele ao mesmo tempo quer empreender e ser médico o caminho é o curso de medicina, o que significa 6 anos (no mínimo) estudando. Não será um acadêmico, a menos que decida ser professor em uma faculdade de saúde.

    Ambição pode ser o desejo de obter poder, fama ou muito dinheiro. Parece que é desta ambição que vocês estão falando. É um poderoso motivador para algumas pessoas (e não é pecado). Mas também pode ser a determinação para alcançar um objetivo específico (incluie-se aí os objetivos acadêmicos ou qualquer outro objetivo). Neste sentido, há muitos ambiciosos no mundo. A manada dos ambiciosos é bem grande.

    Conheço algumas pessoas bem ambiciosas que gostam muito de dinheiro. Interessante é que elas não se dedicam a uma única coisa. Na minha área, por exemplo, os professores além de ensinar em universidades privadas também atendem em consultórios ou prestam outros serviços para empresas. Fora estes trabalhos, alguns são ainda funcionários públicos.
    Há também um outro professor universitário que conheço (não é da área de psicologia) e ele é dono de uma pequena indústria e vendedor desses produtos esquisitos (polivitamínicos, energéticos.). Um colega quando falou comigo sobre este professor o descreveu como alguém "extremamente capitalista".

    Uma pessoa pode escolher não seguir carreira acadêmica e ficar rica. Também pode ficar rica e ao mesmo tempo ter carreira acadêmica. Escolher a academia, ter um patrão ou ser empreendedor não tem nada a ver com ser adolescente ou adulto, né Mises!

    Aliás , Esse Isaac Morehouse é professor e membro do instituto de estudos humanos da Geoge Mason University ( vulgo Igreja LIBERAL do reino do Capital). Viu só? Até vocês são religiosos da religião liberal. Possuem até templos! E os membros são todos pós-graduados. Pensa que eu não pesquiso os detalhes dos textos que leio aqui?

    No texto anterior (do Flávio) eu pesquisei o blog geração de valor e tinha um empreendedor dando um sentido indivividual/liberal para o principio da utopia. Eu tinha outro que nem era comunista, mas também não era liberal ( sendo assim nem vou falar sobre isso pra que os liberais não tenham crise de ansiedade imaginando que o estado poderá estar envolvido). Vi alguma psicologia positiva lá também. Podem confiar nos conselhos. São científicos.

    Mises, desculpa pelo Igreja LIBERAL do reino do Capital. Perco o Mises, mas não perco a piada! Falando sério eu gostei da iniciativa de uma unidade versidade dedicada aos estudos e divulgação das ideias da liberdade. Mas é preciso discordar de alguns textos de vocês e seria muito chato vir aqui só pra dizer que o texto é excelente.
  • Sérgio Mardine Fraulob  08/08/2018 00:21
    Fiz engenharia elétrica numa boa faculdade, tive a sorte de entrar numa empresa grande e reconhecimento de minha competência e esforço. Outros, tão bons quanto eu, não tiveram a mesma sorte. A faculdade me ajudou muito, a pensar racionalmente, como um engenheiro típico. Posteriormente fui aprendendo sobre gerenciamento, pessoas e etc.
    Boas faculdades cobram você e te treinam para ficar com "uma boa cabeça". A educação superior é fundamental, sim, mesmo que você curse uma faculdade teoricamente "inútil" para o mundo prático, como filosofia.
    Pegue um índio criativo e empreendedor e o tire de dentro da selva para que crie um empreendimento e não vai dar em nada.
    Agora, o que temos hoje são falsas faculdades, especialmente particulares, que apenas fingem ensinar em troca de mensalidades baixas, com professores fracos e cobrança mínima. Na prática, vendem diplomas em massa. Não pode dar certo mesmo e é dinheiro muito expressivo jogado fora. O governo promove o desperdício de recursos financiando este tipo de "escola".
    Finalmente, aprender sozinho não é para a maioria das pessoas e muitas coisas você não descobriria sozinho ou levaria mais tempo para "matar as charadas". A maior parte das pessoas não é um Bill Gates, mas o que são podem, talvez devam, seguir o seu conselho!
  • Luiz Afonso  08/08/2018 11:39
    A religiosidade do diploma de faculdade é tão grande que existem pessoas, o meu caso é um, que exercem funções completamente diferente do diploma da faculdade e são conhecidas até hoje não pela profissão que exercem, mas sim pelo diploma que tiraram na faculdade. É como se fosse um carimbo estatal marcado para sempre em você igual a um gado. Você é chamado de advogado, mesmo que nunca tenha exercido tal profissão e não pela profissão que aprendeu na prática ,estudando e se aperfeiçoando.
  • Aluno Conservador que enfrentou a reitoria  08/08/2018 12:20
    O maior problema das universidade é que são totalmente direcionadas para a teoria.

    Quando o aluno entra no mercado, não conhece nem os fabricantes de produtos que atuam no mercado.

    As leis do mercado são totalmente desconhecidas pelos alunos, como se eles vivessem num laboratório dentro de uma bolha.

    O aluno sai da universidade totalmente alienado do mundo real.
  • Geraldo  09/08/2018 18:33
    Concordo com o que é dito no artigo. Só que notei que dois comentaristas mencionaram que a automação irá destruir empregos que requerem diploma, e o que eu tenho notado é que ela está destruindo os empregos que requerem pouco estudo, como caixa, faxineiro e frentista de posto de gasolina (nos EUA e na Europa, já não existem mais frentistas). Para os outros, está se exigindo um grau cada vez mais alto de especialização, o que requer um grande investimento em treinamento (não necessariamente um diploma universitário, embora eu pessoalmente acredite que ele ajuda no caso em que a pessoa sabe o que quer e que o estudo vai ajudá-la a criar valor. No meu caso, aprendi muita coisa útil na faculdade, e que eu uso bastante no meu trabalho).

    Acredito que, para a maioria das profissões (informática, por exemplo), não deve ser exigido diploma, mas, em algumas profissões que lidam diretamente com vidas humanas (medicina, por exemplo), o diploma deve continuar sendo exigido. Afinal, com ele temos alguma garantia de que o sujeito não é um completo ignorante na sua área. Ou vocês teriam coragem de serem operados no cérebro ou coração por um médico sem diploma?

    Vale lembrar que, para ser bem-sucedido como empreendedor, é necessário um talento nato, que a maioria das pessoas não possui. Para essa maioria o melhor mesmo é fazer uma boa faculdade, de preferência de alguma profissão que esteja em alta, para ter uma chance de conseguir um bom emprego.
  • Tulio  09/08/2018 18:49
    Em primeiro lugar, é bom deixar claro que pessoas diplomadas também cometem erros crassos, principalmente em medicina e engenharia.

    Em segundo, as pessoas que querem seguir essas áreas podem sim obter um diploma e utilizá-lo como diferencial no mercado. Mas nada impediria que os não diplomados também tentassem mostrar sua competência.

    Acha isso absurdo? Pois sugiro que pesquisa a história de história do negro (com nome de mulher) Viven Thomas que, sem fazer faculdade de medicina, foi essencial para a concepção da primeira operação cardíaca da história e mais tarde recebeu o título emérito de médico. Pelas regras de hoje, ele estaria na cadeia.

    A chave de tudo, mais uma vez, chama-se concorrência. É isso que determinaria a qualidade dos serviços. Ademais, as próprias entidades de classe poderiam — no interesse da defesa de sua própria imagem — criar registros com os nomes das pessoas de fato capacitadas para determinados serviços. Seria do interesse dela fazer com que os profissionais da sua área fossem os melhores. final, um profissional ruim mancharia toda a reputação da classe.

    Essa solução privada já existe hoje em várias áreas — a Microsoft solta certificados de qualificação de programação que o mercado exige; a SAP também. Da mesma forma, o CREA e seus concorrentes provavelmente teriam de instituir certificações para engenheiros, arquitetos etc. Na área médica, hospitais e empresas de seguro saúde também seriam forçadas pelo mercado a instituir suas certificações próprias.

    Sim, hoje existem os conselhos federais. Porém, estas são também entidades coercivas, pois utilizam o estado para impedir justamente os não diplomados de exercerem sua profissão.

    De resto, hospitais que contratassem incompetentes seriam incrivelmente imbecis, pois estariam destruindo sua reputação, sua credibilidade e, logo, sua lucratividade.

    Pessoas que agem em busca do lucro não tendem a fazer coisas estúpidas. Já aquelas que agem segundo meros critérios burocráticos, sim.

    Em um cenário de desregulamentação, a tendência seria justamente a imposição de critérios mais rigorosos para a contratação de médicos. Brasileiro se espanta com isso por causa de sua mentalidade inerentemente anticapitialista. Ele não entende que a busca pelo lucro leva à imposição de critérios mais rígidos, e não mais relapsos.
  • Geraldo  09/08/2018 20:27
    Tulio,

    Já ouvi falar no Vivien Thomas. Ele, de fato, fez muito pela medicina (cirurgia cardíaca) mesmo sem ter um diploma de médico. Realmente ele teve muita coragem em entrar nesse ramo sem um diploma (já naquela época, o pessoal olhava torto para ele, e ele só ganhou todo o reconhecimento merecido depois de morto).

    Quanto às certificações privadas, elas de fato seriam úteis para determinar quem é bom em sua área e quem não é, sem precisar de anos a fio sentado num banco de faculdade só para conseguir um diploma. Só que aí surge outro problema: uma certificação dessas seria baseada em quais critérios? Nos casos que mencionaste da Microsoft e da SAP, o cara simplesmente tem que fazer uma prova de múltipla escolha para obter a certificação. Tá certo que é uma prova difícil pra caramba (eu mesmo fiz uma prova para uma certificação da Microsoft e fui reprovado), mas mesmo assim é só uma prova. Como aplicar isso para medicina? Fazendo uma prova e depois colocando o candidato aprovado nessa prova para trabalhar em regime de residência, como os médicos recém-formados de hoje em dia, para obter experiência prática? Poderia funcionar... ou não.
  • Régis  09/08/2018 20:52
    "Só que aí surge outro problema: uma certificação dessas seria baseada em quais critérios? [...] Como aplicar isso para medicina?"

    É sempre interessante ver como o nível de exigência das pessoas em relação ao estado e às organizações por ele protegidas (como os Conselhos Profissionais) é baixíssimo e, ao mesmo tempo, altíssimo para qualquer coisa que não seja estatal.

    Eu ainda preciso entender essa mentalidade que automaticamente tende a ver burocratas como seres mais sábios, oniscientes e preocupados com o público. Deve ser alguma coisa atávica, não é possível.

    É igual o Rothbard falou:

    "Se o governo, e somente o governo, tivesse o monopólio da fabricação de sapatos e fosse o dono de todas as revendedoras, como será que a maioria das pessoas iria reagir a quem advogasse que o governo saísse do setor de calçados e o abrisse para empresas privadas?

    Sem dúvida nenhuma as pessoas iriam bradar: "Como assim? Você não quer que as pessoas, e principalmente os pobres, usem sapatos! E quem iria fornecer sapatos ao povo se o governo saísse do setor? Quais pessoas? Quantas lojas de sapato haveria em cada cidade? Em cada município? Como isso seria definido? Como as empresas de sapato seriam financiadas? Quantas marcas existiriam? Qual material elas iriam usar? Quanto tempo os sapatos durariam? Qual seria o arranjo de preços? Não seria necessário haver regulamentação da indústria de calçados para garantir que o produto seja confiável? E quem iria fornecer sapatos aos pobres? E se a pessoa não tiver o dinheiro necessário para comprar um par?""

    Troque a expressão "fabricação de sapatos" por qualquer outra e o raciocínio continua idêntico.

    Artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2909
  • Geraldo  09/08/2018 22:31
    Onde eu mencionei "estado" nos comentários que fiz neste artigo? Quando mencionei que o diploma deveria continuar sendo exigido em determinados ramos, eu quis dizer que as empresas deveriam continuar exigindo, mas não por imposição estatal.

    Inclusive, no segundo comentário eu sugeri uma alternativa à exigência de diploma para medicina, para que possamos discutir se é viável.
  • Jefferson  09/08/2018 19:33
    O ensino superior, para mim, não é nada mais do que um roubo no Brasil. De facto, quando você cursa um destes o que mais se observa é o excesso de matérias não correlatas com o curso. O indivíduo cursa engenharia e tem uma matéria sobre economia, nada haver. Você pode dizer " mas é bom um engenheiro eletricista saber sobre isto", e é para alguns. O que não quer dizer que seja necessário para todos. E mesmo se for isto é o tipo de coisa que o indivíduo tem que buscar por si mesmo. Isto se chama diferenciação. E é por isto que um curso superior lhe toma cinco anos de vida, um rio de dinheiro e você sai sem garantias nenhuma.
    Ainda sou defensor do estudo e sempre serei, mas observo que a industria do ensino vive muito bem sobre este mito. Um curso superior é muito bom mas, não obrigatório.
    Jobs nunca teve curso superior e Gates concluiu seu curso superior apenas após deixar seu legada na Microsoft concluído. Eu acho bons exemplos.
  • Geraldo  10/08/2018 18:11
    No curso superior que eu fiz (sou formado em Engenharia de Computação), a maior parte dos conteúdos tinha utilidade prática, só que também tinha algumas cadeiras que tinham pouca ou nenhuma utilidade - por exemplo: filosofia, cultura religiosa e fundamentos de economia (o que foi ensinado nessa última cadeira deveria ter sido ensinado no primeiro ou no segundo grau, não na faculdade, pois falava de juros compostos e tabela de amortização, assuntos que são úteis para todos, não apenas para quem faz faculdade).
  • DONIZETE DUARTE DA SILVA  10/08/2018 21:42
    Creio que em nosso país a campanha pela obrigatoriedade da passagem pelo ensino superior para "ser alguém", deve-se à necessidade de melhoria da eficácia da doutrinação de nossos jovens em esquerdismo radical. A reserva de mercado dos cursos de jornalismo é o exemplo mais evidente.
  • Ingo Louis Hermann  12/08/2018 13:01
    Com todo respeito ao articulista e aos que ratificaram a sua opinião, como leitor assíduo de Mises, profissional da iniciativa privada desde os 16 anos, empreendedor, professor universitário desde 2002 e doutorando de uma universidade pública federal, não posso concordar com praticamente nenhum dos pontos aqui levantados. Vou me ater apenas àqueles que me chamaram mais a atenção: 1) " o motivo por que fazem isso (frequentar uma instituição de ensino superior - IES) nada tem a ver com alguma ligação causal entre curso superior e a conquista de seus objetivos individuais (na maioria das vezes, elas nem sequer têm um objetivo, de modo que seria impossível a universidade ajudar a alcançá-lo)". Efetivamente, poucos são os indivíduos que chegam a uma universidade com a certeza do que querem da vida. Aconteceu comigo quando ingressei no curso de direito, mas na minha visão, trata-se de um processo de amadurecimento. Em geral, as pessoas na faixa dos 17 / 20 anos ainda não sabem o que querem. Porém, daí a afirmar que "seria impossível a universidade ajudar a alcançá-lo", me parece inadequado. Ao longo de 16 anos como docente, eu ajudei muitos jovens a encontrar o seu caminho, muitos desistiram do curso e acabaram se formando em outra área de conhecimento. Muitos se formaram e hoje são empreendedores. Invariavelmente, encontro-os nas redes sociais, agradecendo por terem tido a oportunidade de ser meus alunos. Na universidade em que atuo, eu coordeno um programa semestral, onde trazemos alunos de escolas públicas e privadas para visitar, conhecer, vivenciar a universidade. Muitos desses visitantes se tornaram alunos regulares ao longo dos últimos 4 anos, alguns já formados e atuando profissionalmente. Coordeno, também, outro programa, que permite que qualquer aluno do último ano do ensino médio, possa frequentar aulas gratuitamente, em qualquer curso ofertado pela universidade, uma espécie de test drive, para decidir sobre seu futuro curso. 2) "um diploma é algo inócuo, pois empregadores específicos querem apenas que seus funcionários sejam capazes de criar valor específico, algo a ser efetuado de maneiras específicas". Nesse trecho, lembrei-me do período fordista. O trabalho rotineiro das linhas de produção, ênfase do período industrial, dá lugar à criatividade e inovação. É verdade que algumas empresas, IES e indivíduos ainda pensam assim, mas certamente não se trata mais da realidade desse início do século XXI. Muitas universidades (onde eu leciono é um exemplo) já perceberam isso há mais de uma década e iniciaram mudanças profundas e consistentes no processo de formação. Um egresso de nível superior, será avaliado por novos critérios. Já não importa apenas a formação, os conteúdos que lhe foram ministrados, o grau de especialização, o quanto é inteligente. As empresas querem saber como esse candidato à vaga de trabalho, lida consigo mesmo e com os outros. Iniciativa e empatia, capacidade de adaptação e de persuasão, espírito de equipe e adaptabilidade às mudanças, entre outros, são parâmetros que passam a ser considerados. Hoje, IES oferecem a possibilidade do coo-working, o aprender fazendo, o trabalho de conclusão de curso pode ser apresentado na forma de plano de negócio dentro de um programa de start-ups da própria universidade, entre muitas outras possibilidades. Na Universidade e em um dos cursos em que leciono, as empresas nos procuram para trabalhos conjuntos, discutimos o itinerário formativo dos alunos, tornando-o mais aderente com as necessidades do trabalho e do mercado. Somos referência para muitas empresas que vem no nosso selo, diferencial competitivo e valor agregado. É o mercado que está dizendo isso, e o faz por escrito em e-mails e ofícios de agradecimento. 3) "O caminho é outro: quanto mais cedo você aprender a lidar e a resolver problemas específicos de pessoas específicas, mais rápido você irá aprender a criar valor. Mais rapidamente você irá se estabelecer e fazer-se demandado, pois estará, por meio de seus serviços, criando valor específico de maneiras específicas". Na minha visão, o tal valor específico tão apregoado pelo articulista, é capenga se não tiver como base as teorias. Eu trago estudos de caso para dentro da sala de aula em minhas disciplinas, mas exijo que meus alunos leiam sobre os temas propostos. Não há possibilidade de debate, de crescimento, de criação de valor específico, sem que se conheça a teoria. Sou conservador nos costumes e liberal na economia, mas nem por isso deixo de ler sobre Marx. Não é assim que se constrói senso crítico e se desenvolve competências. 4) "Um diploma universitário não garante nada disso. A busca por um diploma, além de ser um dos esforços mais fracos, é o mais baixo denominador comum para se alcançar objetivos. Pior ainda: é fácil de ser superado". Talvez, essa assertiva seja válida para a maioria das IES, mas não para todas. Ainda há universidades sérias e cursos igualmente sérios, inclusive nas IES públicas. Ainda há IES onde o saber é privilegiado no lugar da aprovação automática. Ainda há professores honestos e que efetivamente elevam seus alunos a outro patamar. Talvez, o que exista em grande quantidade e afirmo isso sem medo de errar, seja uma grande quantidade de indivíduos interessados apenas no diploma. Isso, explica em grande parte também, os baixos índices de competitividade no Brasil. Vou parar por aqui para não me estender. Raras vezes me decepcionei com o que lí aqui no Mises, faz parte.
  • mozart lisboa  16/08/2018 03:02
    Devem dar uma voltinha no setor público para entender que esta aldeia não tem o mesmo senso meritório, em namorar um título acadêmico. Ali, o mais importante é o "QI". A meritocracia passa longe. Pioir: pode ser desvantajoso ter muito títulos. Com efeito, é bom lembrar: " nos demais paises as pessoas sobem na vida mostando seus méritos: no Brasil escondendo o alheio."
  • Lucas  17/08/2018 14:28
    Vocês são a favor da privatização das universidades públicas do Brasil ?

    Digo de todas elas,inclusive IME e ITA.

    Queria saber a opinião do Leandro também,rsrs.

    Abração.
  • Magno  17/08/2018 14:39
    Qual o argumento para obrigar os desdentados a custear os estudos (e a farra) de ricos e classe média?

    Apresente um único argumento ético e moral em prol deste arranjo, e você ganha o debate.

    Em tempo: embora eu nada saiba sobre você, sei exatamante por que você seria contra. Eis o motivo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2488
  • Lucas  17/08/2018 14:47
    Calma cara,sou a favor da privatização de todas elas.

    Só fiz a pergunta para saber a opinião de vocês em relação ao assunto.

    Claro que acho que a esmagadora maioria do IMB é contra,mas gostaria de saber mais detalhadamente.

    Relaxa.

    Abração
  • Emerson Luis  23/08/2018 11:46

    Concordo em parte.

    Discordância 1: Dependendo de qual é o curso e de qual é a instituição, uma faculdade pode ser útil sim.

    Discordância 2: Os Conselhos Regionais têm reservas de mercado de suas áreas; para poder atuar em determinadas profissões e então poder prosperar, você TEM que fazer os cursos que eles exigem.

    Sim, é arbitrário. Mas não é mera superstição do aluno sem nenhuma base real.

    Discordância 3: A cultura brasileira é uma barreira adicional. Muitas empresas têm engenheiros, advogados e até pedagogos em cargos de chefia, mas jamais aceitariam um técnico nesses cargos porque "ele não é formado em Administração"; mas o engenheiro, o advogado e o pedagogo também não são! Os quatro são igualmente "leigos" em ADM.

    Para muitos brasileiros, você pode ser o maior dominador de um assunto do mundo, não adianta: sem curso superior consideram você um homem-macaco; mas vêem um paroleiro como um semideus só porque ele tem doutorado.

    * * *

  • Pérsio   20/11/2018 12:22
    Prezados,
    O tema é importante e oportuno. Contudo, seria injustiça jogar TODAS as instituições de ensino superior numa vala comum. Certamente, boa parte das universidades públicas do Brasil está "aparelhada" por esquerdista. Sei disso porque fiz Agronomia em universidade estadual. Contudo, muitas delas têm consultoria júnior. Programas de trainee. Programas de estágio no exterior e assim por diante. Penso que o aluno poderia ser responsável, pelo menos em duas siuacoes:
    1) na escolha CORRETA do lugar onde pretende estudar. Se escolheu errado, peça transferência.
    2) no decorrer do curso, NÃO ser acomodado, mas proativo. Aproveitar todas as oportunidades de aprender, especialmente na consultoria júnior e na parceria com o setor privado.
    Concordo com o fim da obrigatoriedade de diploma para Jornalismo, História,Filosofia e outros. Já não estou tão seguro quanto Medicina, Odontologia, Engenharia Civil, Química e outras áreas. Provavelmente, alguns setores poderiam ser beneficiados, e muito, com o FIM da obrigatoriedade dos diplomas. E outros não. Generalizar isso pode ser perigoso.


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