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Por que o intervencionismo estatal é inerentemente imoral
A liberdade de empreender e a redistribuição de riqueza são conceitos eticamente opostos

"Justiça social" e "distribuição justa de riqueza" são expressões que já se tornaram parte do vernáculo. Praticamente não há intelectuais, jornalistas e políticos que não pontifiquem, com desinibição e segurança, a respeito destas expressões, e quase sempre em tom de aprovação e louvor. 

Tais expressões, aliás, se tornaram o "fundamento ético" de todos os movimentos sociais (de natureza "socialista" ou "social-democrata").

Mas há um enorme problema: essas duas expressões têm sua origem — e são baseadas — em uma visão de mundo que vê a economia como sendo algo totalmente estático, em vez de dinâmico.

Mas a culpa não é exclusiva dessas pessoas. Elas estão apenas se baseando em um modelo econômico muito utilizado nas universidades, que sempre foi o dominante.

A origem do problema

Quando era universitário, minha primeira aula de economia foi com um professor que começou sua explanação com a seguinte e espantosa frase: "Suponhamos que todas as informações sejam conhecidas". E logo em seguida ele se pôs a encher o quadro-negro com funções, curvas e fórmulas. 

Esta é exatamente a hipótese sobre a qual se fundamentam os modelos econômicos convencionais: todas as informações já são conhecidas e nada se altera; tudo é estático. 

Obviamente, esta hipótese é radicalmente irreal. Ela vai contra a característica mais típica de uma economia de mercado: a informação nunca é conhecida por todos; ela está dispersa pela economia. 

A informação não é um dado constante que está ali para ser consultado a qualquer momento. O conhecimento a respeito dos dados surge continuamente em decorrência da atividade criativa dos indivíduos: novos fins são almejados, novos meios são criados e utilizados. 

Assim surge o empreendedor, que é aquele indivíduo que possui a capacidade de descobrir, criar, tomar conhecimento das oportunidades de lucro que surgem ao seu redor e, combinando recursos escassos (como mão de obra, terra e capital), atuar de modo a se aproveitar destas oportunidades.  

Com efeito, etimologicamente, a palavra 'empresário' evoca o descobridor, alguém que percebe algo e aproveita a oportunidade. Assim, a função empresarial é a mais essencial das capacidades do ser humano. Essa capacidade de criar e de descobrir coisas é o que, por natureza, mais nos distingue dos animais. 

Logo, qualquer teoria econômica construída a partir deste pressuposto irreal de que "todas as informações já estão dadas, são objetivas e já são conhecidas por todos" está fatalmente errada.

A consequência

Pior ainda: esta concepção estática inexoravelmente leva à suposição de que, em certo sentido, os recursos escassos da economia também já estão dados e são conhecidos por todos. 

A consequência inevitável deste raciocínio é que o problema econômico da distribuição dos recursos é considerado distinto e totalmente independente do problema de sua produção

Com efeito, se partirmos do princípio de que os recursos já estão dados e já são conhecidos, então o que resta a ser feito é definir como eles serão distribuídos entre os diferentes seres humanos, quem ficará com os meios de produção e quanto bens eles terão de produzir.

Tendo por base este arranjo, quaisquer considerações sobre "redistribuição" e "maximização de utilidade" se tornam totalmente independentes dos aspectos morais, de modo que moralidade, confisco, redistribuição e maximização de utilidade se tornam coisas que podem ser combinadas livremente, nas mais variadas proporções.

O mundo real

Felizmente, todo este arcabouço errôneo foi demolido pela nova concepção dinâmica dos processos de mercado e pela nova teoria econômica da função empresarial, ambas capitaneadas pela Escola Austríaca de Economia.

Para começar, as teorias da Escola Austríaca jamais partiram do princípio de que "todas as informações já estão dadas e são conhecidas por todos". Ela sempre considerou que o processo econômico é impulsionado por indivíduos empreendedores que continuamente incorrem em transações e descobrem novas informações. 

A informação com que lidam os indivíduos empreendedores no mercado não é objetiva; não é como a informação que se encontra impressa em um catálogo. A informação empreendedorial possui uma natureza radicalmente distinta; ela é uma informação subjetiva, e não objetiva. Ela é tácita, por assim dizer. 

Ela é do tipo "sabemos algo, temos a técnica, a prática e o conhecimento, mas não sabemos no que tudo isso consiste detalhadamente."  

Nós seres humanos somos dotados de uma inata capacidade criativa. Continuamente descobrimos coisas "novas", almejamos objetivos "novos", e escolhemos meios "novos" para alcançá-los. 

Todo ser humano possui uma inata capacidade criativa que lhe permite avaliar, estimar e descobrir as oportunidades de lucro que surgem ao seu redor, e agir em conformidade para aproveitá-las. 

O empreendedorismo, portanto, consiste na capacidade tipicamente humana de continuamente criar e descobrir novos fins e novos meios para se alcançar tais fins.

Por esta concepção, além de os recursos não estarem dados e nunca serem conhecidos por todos, tanto os fins quanto os meios para se alcançar estes fins são continuamente descobertos e criados por indivíduos empreendedores desejosos de alcançar novas realizações que eles julgam ter um maior valor. 

E se os meios, os fins e os recursos nunca são dados e conhecidos por todos, mas são continuamente criados em consequência da ação empreendedorial de seres humanos, então resta claro que o fundamental problema ético não mais é o de como distribuir equitativamente tudo aquilo "que já existe", mas sim o de como promover a criatividade e a coordenação empreendedorial.

A moral e a ética do empreendedorismo

Por isso, no campo da ética social, chega-se à conclusão de que, se o ser humano é um agente criativo, então é axiomático reconhecer o quão irrefutável é o princípio ético que diz que "todo ser humano tem o direito natural de manter para si os frutos da sua própria criatividade empresarial". 

Ou seja, a apropriação privada dos frutos da sua descoberta e da sua criação empreendedorial é um princípio autoevidente das leis naturais. E é assim porque, se um indivíduo empreendedor não pudesse manter para si os frutos daquilo que ele criou ou descobriu, ele simplesmente não teria incentivos para colocar em ação sua criativa perspicácia empresarial inerente à sua condição de ser humano. 

A sua capacidade de detectar oportunidades de lucro estaria completamente bloqueada, e seu incentivo para agir desapareceria. 

Este princípio é universal no sentido de que ele pode ser aplicado a todos os seres humanos em todas as circunstâncias concebíveis.

Considerando-se, portanto, a economia como um processo dinâmico do tipo empreendedorial, o princípio ético que deve regular as interações sociais deve se basear na consideração de que a sociedade mais justa será aquela que, de maneira mais enérgica, promova a liberdade e a criatividade empresarial de todos os seres humanos que a componham.

Para isso, é imprescindível que cada um deles possa ter de antemão a segurança de que poderá usufruir os resultados de sua criatividade empresarial (os quais, antes de serem descobertos ou criados por cada agente, simplesmente não existiam na sociedade), e de que não será expropriado total ou parcialmente por ninguém, muito menos pelo governo.

O caráter imoral do intervencionismo

Esta análise torna evidente o caráter imoral do intervencionismo, o qual deve ser entendido como "todo e qualquer sistema de agressão institucional e sistemática contra o livre exercício da função empresarial".

O intervencionismo se manifesta de várias maneiras e intensidades: vai desde a proibição direta de alguém empreender em alguma área, passando pela obrigatoriedade de alguém se submeter a todos os tipos de regulações, burocracias e impostos para empreender em uma determinada área, chegando até ao confisco de uma fatia da renda obtida com o seu trabalho.

Não importa quão supostamente nobres sejam os objetivos do intervencionismo: o fato é que intervenções coercitivas provocarão distúrbios nesse processo de cooperação social. 

A coerção consiste em utilizar a violência para obrigar alguém a fazer algo ou a deixar de fazer algo. Quando a coerção é aleatória, não sistemática, o mercado tem, na medida do possível, seus próprios mecanismos para definir direitos de propriedade e defender-se da criminalidade. Porém, se a coerção é sistemática e advém institucionalmente de um estado que detém todos os instrumentos do poder, a possibilidade de se defender destes instrumentos e evitá-los é muito reduzida. 

É neste ponto que o intervencionismo manifesta sua realidade em toda a sua crueza. A coerção ao indivíduo impede que ele desenvolva aquilo que lhe é intrínseco por natureza: sua inata capacidade de almejar novos fins e conceber novos meios para alcançar estes fins, sempre agindo em conformidade para lograr este objetivo. 

Na medida em que a coerção do estado impede a ação humana do tipo empreendedorial, sua capacidade criativa estará limitada e ele não descobrirá e nem surgirão as informações ou conhecimentos necessários para coordenar a sociedade.

(Exatamente por isso, o tipo mais extremo de intervencionismo, que é o socialismo, é também um erro intelectual, pois ele impossibilita os seres humanos de gerarem as informações de que o órgão planejador necessita para coordenar a sociedade por meio de suas ordens coercivas.)

Todo arranjo que se baseia no intervencionismo, no dirigismo, na regulamentação e na expropriação de riqueza — por mais supostamente humanitária que seja a redistribuição dessa riqueza expropriada — é intrinsecamente imoral, pois ele se resume a impedir pelo uso da força que os vários seres humanos incorram nas atividades empreendedoriais que mais lhe apetecem e que se apropriem dos resultados de sua própria criatividade empresarial. 

Desta forma, o intervencionismo e o redistributivismo podem ser vistos como sendo não apenas sistemas teoricamente errôneos e economicamente ineficientes, como também, e ao mesmo tempo, sistemas essencialmente imorais, pois vão contra a mais íntima natureza do ser humano, impedindo que este se realize e usufrua livremente os resultados de sua própria criatividade empreendedorial.

A caridade

Por fim, é válido ressaltar que o ímpeto humano à criatividade empresarial também se manifesta no âmbito da ajuda aos mais desvalidos e na busca sistemática por situações em que terceiros, por estarem em situação de privação, precisam de ajudas. 

No entanto, a coerciva intervenção estatal, por meio dos mecanismos típicos do chamado "estado de bem-estar social", neutraliza e, em grande medida, obstrui o esforço empreendedorial de se ajudar a um semelhante que está passando por dificuldades.  

Quando se é obrigado a pagar impostos para o governo para que ele forneça serviços assistencialistas para os necessitados, não apenas a capacidade das pessoas de continuar fazendo caridade é reduzida, como também elas inevitavelmente se sentem absolvidas da responsabilidade moral de ajudar os outros necessitados.

Além de os incentivos para o auxílio ao próximo serem tolhidos e a tarefa ser transferida para o aparato estatal, este, justamente por funcionar fora de um ambiente de eficiência dinâmica, simplesmente não tem como agir de maneira correta.

A consequência é que a solidariedade e a colaboração voluntária, que são ímpetos naturais do ser humano e que tanta importância possuem para a maioria dos seres humanos, acabam sendo reprimidas e absorvidas pela burocracia estatal, que nada tem de humana e solidária.



autor

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.


  • Carlos Damasceno  26/07/2018 16:19
    Jesús Huerta é um gigante nesta área. Seu livro sobre a função empresarial é o mais completo sobre o assunto. Nenhum outro pensador (atual ou do passado) expõe com tanta clareza e vigor os conceitos do dinamismo do mercado e da função dos empreendedores como descobridores de oportunidades, bem como as consequências de se obstruir essa atividade.

    Tragam este homem ao Brasil!
  • Ombud  26/07/2018 16:24
    Não dá. Ele não viaja de avião. Vá entender...
  • Pobre Paulista  26/07/2018 17:05
    Tragam de barco, oras ;-)
  • Richard Gladstone de Jouvenel  26/07/2018 19:02
    Não posso culpá-lo.

    Eu só viajo de urubu de ferro por necessidade, se o cronograma e o trecho permitirem, vai de buzum mesmo...
  • Coerente  26/07/2018 16:22
    Eu tenho uma dúvida. No caso das criptomoedas, o que garantiria que o estado não viria a intervir no futuro? Meu medo seria do estado perder cada vez mais o monopólio do câmbio e aí elaborar leis que tornem ilegal o comércio com criptomoedas ou então leis que taxem bastante qualquer compra realizada com as mesmas (sei que não é possível fiscalizar internamente as operações, porém o estado poderia fiscalizar a entrada e saída das mercadorias nos ambientes e através da contabilidade descobrir que operações foram realizadas com criptomoedas e aí punir a empresa por sonegação). Eu não consigo enxergar limites para essas bizarrices do estado. Alguém poderia me dar uma luz com essa dúvida?
  • Silvio  26/07/2018 16:31
    O problema nem é esse. É outro:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2793
  • Kira  26/07/2018 20:12
    O governo já pode rastrear as transações de compra e venda na "borda" das exchanges; mas nunca poderá saber quantas transações internas a rede criptografada, quantas unidades de bitcoin efetivamente você possui, quantos trades com outras criptografadas via p2p, ou qualquer outro meio de negociação via carteira carteira você fez. Isso é tão complexo e tantos milhares de pessoas mundo a fora fazendo que é impossível governos rastrearem efetivamente. quando você fizer o câmbio para real ou dólar, eles nunca poderão saber se aquela quantia corresponde efetivamente as unidades em bitcoin ou outras criptomoedas que você possui. Já existe taxação para bitcoin e provavelmente haverá sempre algum limite. E não a concorrência com criptomoedas do governo jamais será uma ameaça, não acredito nisso pois nenhum governo nunca criará uma autêntica blockchain que permita a sociedade ter uma moeda deflacionária e descentralizada, sem distorções ou extravio dos gestores públicos. É muita ingenuidade achar que governos vão fazer isso, darão um tiro no próprio pé? A perseguição de cada usuário sobre taxação segue a mesma lógica, são milhões de pessoas transacionando segundo a segundo e alterando seus saldos bancários o tempo todo, não tem como governos darem conta disso. criptomoedas e tokens são tecnologicamente soluções, há uma corrida de propaganda entre o estado e as tecnologias de criptomoedas, eu tenho o direito de comprar o que quiser com meu dinheiro, se o estado proibir a compra de criptomoedas já estaremos numa ditadura como china ou similar.
  • cmr  27/07/2018 17:01
    Os chineses são atualmente os maiores usuários de criptomoedas, e a maioria das mineradoras estão lá.
  • Demolidor  27/07/2018 18:30
    Eu diria para ter cuidado. Como os endereços de BTC são públicos, transferências a partir de exchanges podem ter o caminho facilmente identificado, a menos que se faça mixing.

    Neste sentido, moedas como Monero, Dash e Zcash garantem maior anonimato.
  • Humberto  26/07/2018 16:24
    "Felizmente, todo este arcabouço errôneo foi demolido pela nova concepção dinâmica dos processos de mercado e pela nova teoria econômica da função empresarial, ambas capitaneadas pela Escola Austríaca de Economia."

    Infelizmente, esse arcabouço errôneo - focado em "redistribuição de renda/riqueza" - continua pautando os arranjos político-econômicos em todo o planeta.

    Recentemente, Dani Rodrik, tido como uma grande "estrela" do pensamento econômico (junto com Thomas Piketty, para você ver o nível das estrelas), economista de Harvard, em entrevista à Exame, disse o seguinte: "precisamos de um novo New Deal: precisamos de mais ousadia para atacar a desigualdade social".
  • Emerson  26/07/2018 16:29
    Mais um artigo muito bem elaborado!

    Existem dois tipos básicos de "desconhecidos": o desconhecido cognoscível (que pode ser conhecido) e o desconhecido incognoscível (que não pode ser conhecido).

    A economia não pode ser planejada e controlada porque a maior parte da informação necessária não é simplesmente desconhecida, é incognoscível. Mais que isso, ela nem sequer existe, pois é insondavelmente criada a cada momento pelas interações entre as pessoas.

    Porém, mesmo que alguma forma de socialismo pudesse ser tão eficiente quanto o livre mercado genuíno (não este mercantilismo que chamam erroneamente de "capitalismo"), ainda assim ele seria um sistema imoral e anti-humano.
  • Senador  26/07/2018 19:08
    O verdadeiro problema do socialismo é o sistema de preços. A informação diversificada nunca foi o problema essencial.

    Se fosse assim, os governos socialistas produziriam "coisas básicas" (algo ainda mais fácil antes dos anos 2000) e haveria fartura para todos, mas tal cenário nunca aconteceu sob nenhuma economia socialista.
  • Fernando Lage  26/07/2018 16:34
    Bastante elucidativo e compreensível o artigo. Me fez até sonhar em voltar a empreender no Brasil....

    Mas já acordei.
  • João Ernesto  26/07/2018 16:37
    Como a escola austríaca explica a existência de monopólios em diversos setores da economia apesar de haver espaço para a livre concorrência? A título de exemplo cito dois setores de grande importância dominados por duopólios: aviões de grande porte e chips para computadores. A Intel x AMD e a Boing x Airbus seguem dando as cartas no mercado e não existe nenhuma ameaça no horizonte, exceto uma chinesa recem chegada que lançou um grande avião, diga-se de passagem uma típica estatal de regime comunista.
    Será que os postulados do livre mercado só funcionam nas feiras livres, no comércio varejista e serviços? Nos setores dominados pela alta tecnologia e muito intensivos de capital sempre veremos a concentração e os oligopólios?
  • Daniel  26/07/2018 16:51
    "Como a escola austríaca explica a existência de monopólios em diversos setores da economia apesar de haver espaço para a livre concorrência?"

    Não existe nenhum exemplo de monopólios em setores livres de regulamentação e de subsídios do estado. Todos os monopólios e oligopólios existem única e exclusivamente em setores regulados pelo estado, como os setores telefônico, aéreo, bancário, elétrico, petrolífero etc.
    Logo, vejamos a que exemplos você vai recorrer.

    "A título de exemplo cito dois setores de grande importância dominados por duopólios: aviões de grande porte e chips para computadores. A Intel x AMD e a Boing x Airbus seguem dando as cartas no mercado e não existe nenhuma ameaça no horizonte, exceto uma chinesa recem chegada que lançou um grande avião, diga-se de passagem uma típica estatal de regime comunista."

    Zoou, né?

    Airbus e Boeing não apenas recebem fartos subsídios dos governos europeus e americano, como ainda usufruem generosos contratos de fornecimento para com esses governos.
    1) A Boeing é uma quase estatal, pois o grosso de suas receitas advém de contratos com o governo americano, especialmente o Departamento de Defesa.

    www.boeing.com/company/key-orgs/government-operations/

    www.boeing.com/defense/

    en.wikipedia.org/wiki/Top_100_Contractors_of_the_U.S._federal_government

    2) Já a Airbus é pior ainda, pois além de ter governos como acionistas, ainda recebe subsídios e empréstimos subsidiados da União Europeia.

    en.wikipedia.org/wiki/Airbus#Subsidy_conflicts


    Ou seja, você fala de problemas causados exatamente pelo intervencionismo estatal e pelos privilégios concedidos pelo governo a essas empresas, mas afirma que tudo isso é culpa do livre mercado, que nem sequer existe no arranjo.

    Quanto à área de chips, nunca houve monopólio. Intel e AMD sempre tiveram concorrentes:

    Desde o 8080 (primeiro da série x86) havia os seguintes competidores (só para citar alguns):

    -Fujitsu
    -Harris/Intersil
    -OKI
    -Siemens AG
    -Texas Instruments
    -NEC
    -Mitsubishi

    Não é à toa que a simples ameaça de novos entrantes (lembre-se: a concorrência existe a partir do momento em que há liberdade de entrada e o estado nada proíbe) fez com que os preços desabassem. Veja esses links especializados:

    www.pcworld.com/article/2600307/amd-reminds-the-world-that-it-has-8-core-cpus-too.html

    adrenaline.uol.com.br/tecnologia/noticias/19880/intel-reduz-em-ate-25-precos-de-31-processadores.html

    www.hardware.com.br/comunidade/amd-queda/752034/


    Copio abaixo os comentários de algumas pessoas no fórum do último link:

    - "É o desespero, já que a AMD não tem nada que preste no segmento high-end e estão precisando concorrer utilizando o preço como estrategia novamente, sem contar que a Intel esta vendendo seus processadores a preços baixos, provavelmente pela primeira vez na historia."

    - "Os preços dos CPUs estão absurdamente baixos já que a Intel (mais rica e não depende somente do mercado de CPU) abaixou d+ seus preços comparando com outras épocas para sufocar a AMD. Nunca os Intel custaram tão pouco..."

    - "A queda de preços da AMD, beneficia e muito o consumidor final.Mas nem por isso torna o produto dela muito mais competitivo, infelizmente.Com os E4300 e Pentium E da Intel no mercado, a AMD perdeu boa chance de se recuperar, mesmo com quedas milagrosas de preços."

    Ou seja, a Intel se mantém como líder do mercado porque é a melhor, reconhecidamente. E quem diz isso são os consumidores, que continuam voluntariamente comprando seus produtos. A AMD simplesmente não faz produtos nesse setor que satisfaçam tanto os consumidores quanto os produtos da outra empresa.

    E ainda assim, a Intel não pode cobrar o que quer sempre, porque senão os consumidores acabam se contentando com uma versão inferior, mas bem mais barata dos seus produtos e ela perde lucro.

    De resto, qualquer pessoa é totalmente livre para comprar microchips e processadores de outras marcas. Por que não o fazem? É simples: porque voluntariamente preferem a Intel. Porque reconhecem a eficiência, a qualidade e o preço.
  • Demolidor  26/07/2018 17:11
    O cidadão também desconsidera que o mercado de PCs, hoje, está em declínio. Quem lidera a demanda por processadores, hoje, são os smartphones.

    Já ouviu falar de Samsung Exynos ou Qualcomm Snapdragon?

    Que tal dispositivos embarcados para IOT, que usam Arduino, Raspberry Pi, Beaglebone e outros?

    São mercados que ou já ultrapassaram o de PCs ou estão em crescimento muito acelerado e devem superar em breve.
  • Kira  27/07/2018 00:21
    Mercado de pcs em decínio? acho que não eim. Talvez o pc de varejo, porque a geração atual está bem mais esperta para lidar com computadores, crianças de 10 anos já sabem montar um peça por peça. Acho que o mercado de pcs tende a se diluir, onde cada vez mais, especialmente os jovem, tendem a comprar menos o pc pronto e mais montá-lo peça por peça, além de certas lojas que já tem tido uma cultura de vender computadores otimizados de auto desempenho.
  • Demolidor  27/07/2018 04:53
    Não ache. Verifique. Achar é coisa de esquerdista.

    Atingiu o pico em 2012. De lá para cá só caiu.

    The PC market experienced a 14th consecutive quarter of decline, dating back to the second quarter of 2012.

    www.computerdealernews.com/news/pc-market-continues-to-decline/59365

    IDC viu sinais de que a queda ia parar, mas continua.

    www.techspot.com/news/72730-gartner-pc-market-continues-decline-but-idc-reports.html
  • Homem Político  26/07/2018 16:50
    Neguinho aqui é libertário até a página 2.

    É libertário até o mendigo dormir na porta da tua loja ou até te darem o calote. Aí você vai correndo atrás do Estado malvadão guardião das regras do jogo pra botar os "imorais" no seu devido lugar.

    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/04/23/interna_cidadesdf,675616/pm-encontra-materiais-para-producao-de-dindim-no-banheiro-da-rodoviari.shtml

    E sabe o que é imoral mesmo ? É isso aqui ó:
    www.bbc.com/portuguese/internacional-44905496



    É engraçado ver esse site falando de moral, porque o capitalismo não tem NENHUM compromisso com a moral.

    Se você não tem nada a oferecer, se você não tem dinheiro, se você é louco ou doente(não é produtivo), você não vale de NADA pra esse sistema.


    Não seja um IDIOTA DA LIBERDADE.








  • Amante da Lógica  26/07/2018 17:11
    "Neguinho aqui é libertário até a página 2"

    Vejamos.

    "É libertário até o mendigo dormir na porta da tua loja"

    Não sei muito bem o que isso tem a ver com o tema, mas minha loja é minha propriedade privada. Nela só entra quem eu autorizo. Você por acaso deixa qualquer um entrar na sua casa?

    Se o mendigo se estabelece em minha porta e isso atrapalha meu direito de ir e vir em minha propriedade, então é óbvio que ele tem de ser fisicamente removido.

    Se um mendigo entra na sua casa e vai deitar na sua cama, você deita em cima dele?

    "ou até te darem o calote."

    Calote é quebra de contrato. Quem caloteou deve ser responsabilizado e ter seus bens arrestados. Isso é puramente libertário.

    Agora, se a questão é ter de recorrer à justiça estatal, ora, tal atividade foi monopolizada pelo estado. É proibido um concorrente privado entrar no mercado para competir com a justiça estatal.

    Sendo assim, por pura falta de opção (e por causa da proibição estatal), é óbvio que a única solução possível é recorrer à justiça estatal. Qual seria a alternativa?

    www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2018/04/23/interna_cidadesdf,675616/pm-encontra-materiais-para-producao-de-dindim-no-banheiro-da-rodoviari.shtml

    As causas disso são bem conhecidas:

    1) dado que operar de maneira "correta" no Brasil é extremamente caro (você tem de lidar com um emaranhado de papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, além de todas as propinas exigidas por fiscais — os quais, se não receberem o arrego, não liberam a documentação), e

    2) dado que é proibido o sujeito operar em espaço aberto sem pagar todas as extorsões acima (pois ele pode ir para a cadeia),

    3) só resta ao sujeito ir fabricar as coisas no banheiro.

    É óbvio que não estou defendendo isso. Estou, isso sim, dizendo que você tem de analisar aquilo que se vê e aquilo que não se vê. Você vê o cara fazendo dindim no banheiro. Mas não vê quem ou o quê o empurrou a isso. E adivinhe o que o empurrou para isso? Dica: leia o título deste artigo.

    "E sabe o que é imoral mesmo ? É isso aqui ó: www.bbc.com/portuguese/internacional-44905496"

    Notícia sobre a marca de roupas Burburry queimar roupas. Já é o sétimo que vem aqui postar a mesma notícia. É até bom, pois aí eu só tenho de copiar e colar a resposta.

    1) A mercadoria é propriedade privada da empresa. Ela faz o que quiser com ela.

    2) A entrada no mercado da moda é livre. Ele, inclusive, é o mais pirateado que existe. Já que você está dando a entender que atuar nesse ramo é sopa, entre nele, produza barato, tome clientela da Burberry, e ainda saia distribuindo roupa chique para os pobres. Em vez de ficar gemendo, faça você algo pelo social. Não seja um derrotado. Atue.

    3) Antigamente, criticavam o capitalismo pela escassez de produção. Agora, criticam pelo excesso. Gentileza entrarem num consenso e terem o mínimo de coerência.

    4) A única entidade que realmente se estrepou nisso tudo foi a Burberry. Ninguém mais foi prejudicado em nada. E dado que a empresa não usa recursos públicos, só quem atua nela é que foi realmente prejudicado. Exatamente como tem de ser no capitalismo: só se estrepam os envolvidos. Você está reclamando do quê? Aliás, irá derramar lágrimas pelos executivos que tiveram prejuízo?

    5) De resto, o que há de "imoral mesmo" em uma marca de luxo queimar suas próprias roupas chiques? Não é isso que manifestantes fazem em suas passeatas?

    "É engraçado ver esse site falando de moral, porque o capitalismo não tem NENHUM compromisso com a moral."

    Exatamente o contrário: trata-se do único arranjo econômico completamente moral.

    Por que o capitalismo de livre mercado é o único arranjo moral possível

    O único arranjo econômico que pune o egoísmo e a ganância, e estimula a preocupação com os outros

    Os pobres, o livre mercado, e a moralidade deste arranjo

    O estado provedor e a mentalidade assistencialista destroem a moral e tornam as pessoas egoístas

    A parábola dos talentos: a Bíblia, os empreendedores e a moralidade do lucro

    O papa errou sobre a economia de mercado: a mão invisível transforma ganância em benevolência

    "Se você não tem nada a oferecer, se você não tem dinheiro, se você é louco ou doente(não é produtivo), você não vale de NADA pra esse sistema."

    No livre mercado, dinheiro é simplesmente um certificado de desempenho. É a prova de que você criou valor para terceiros. Se você é um indivíduo que sabe criar valor para terceiros, você terá dinheiro e, logo, a liberdade de ter e consumir o que quiser.

    Por isso, no livre mercado, você tem a liberdade de trabalhar naquilo que quer e de consumir o que quiser (exceto aquilo que é proibido por políticos, o que nada tem a ver com capitalismo), desde que em troca crie valor para terceiros. Nada pode ser mais ético e moral do que isso.

    Já se você é um sujeito imprestável, incapaz de criar valor para ninguém, então de fato você não poderá nem ter e nem consumir o que quiser. E nada mais justo e moral do que isso: se você não presta pra nada nem pra ninguém, então você realmente não tem serventia nenhuma. Consequentemente, não há por que ter acesso irrestrito a bens e serviços que outras pessoas labutaram tanto para produzir.

    Querer ter acesso a bens e serviços sem ter desempenhado nada a ninguém significa simplesmente querer escravizar terceiros. Não houvesse dinheiro, a escravidão estaria generalizada.

    No entanto, tais pessoas que não sabem fazer nada não precisam atender ao desejo do mercado. Se elas encontrarem alguém voluntariamente disposto a lhes sustentar -- como você, estou certo --, elas não precisarão atender aos desejos de ninguém.

    "Não seja um IDIOTA DA LIBERDADE"

    Não seja o idiota que vira alvo do escárnio.
  • Raphael  26/07/2018 17:23
    Rapaz, é cada carcada que esquerdista toma aqui que até eu fico desnorteado só de ler as respostas. Imagina então os coitados? Já deve até ter tido caso de depressão.
  • Rodrigo D.  26/07/2018 17:45
    O pessoal cai de paraquedas aqui achando que é facebook.
    Tomam cada invertida.
  • Pobre Paulista  26/07/2018 18:52
    Pena que eles não voltam pra ver a resposta.
  • Richard Gladstone de Jouvenel  26/07/2018 19:11
    Não é que não volta pra ler...volta sim, o problema é que não tem como contra argumentar...

    Aí só sobra mesmo ficar quieto, de beicinho e pedir um lanchinho natureba e um suquinho pra mamãe via whatsapp do quarto enquanto a digna senhora tá na cozinha...
  • Lucas  26/07/2018 18:17
    Hélio Beltrão deve estar orgulhoso de você.
  • Kira  27/07/2018 00:28
    Vou copiar a minha resposta sobre esse assunto também

    Acha estranho que uma empresa privada tenha que lidar com déficits e autocorreções financeiras administrativas constantes? É exatamente por isso que o mercado privado funciona e o estado não. O mercado não é perfeito, é apenas a melhor forma possível de corrigir erros. Todo empreendimento é uma correção de erros administrativos que faliram empresas anteriores e hoje fazem crescer novas, mais baratas e melhor. É exatamente porque existem déficits e incorreções financeiras constantes que a centralização da economia é uma armadilha mortal, afinal esses erros pontuais são fruto da não onisciência dos administradores e de externalidades imprevistas, sempre sujeitas a preferência de consumo e efeitos diversos, empresas privadas sabem melhor lidar com isso e manter o fogo da produtividade, já o estado, não possui capacidade alocativa nenhuma além do que for mais conveniente para o gestor público e as decisões cegas que ele deve tomar sobre uma dinâmica de mercado que ele não conhece, e sobre a preferência de consumo que a lógica estatal nega constantemente em sua anatomia.
  • Demolidor  26/07/2018 17:13
    m.imgur.com/gallery/O4JXKkQ
  • Homem Atento  26/07/2018 20:30
    Vejamos então o compromisso com a moral do sistema socialista e o que ele tem a oferecer para os doentes e improdutivos:

    Na visão de Marx haviam raças e classes fracas demais que deveriam ser exterminadas. Essa é uma opinião que ele mesmo publicou em janeiro-fevereiro de 1849 em um artigo de Engels chamado "A Luta Húngara" no jornal de Marx o Neue Rheinische Zeitung.
    A teoria marxista da história exigia e demandava o genocídio por razões implícitas em sua afirmação de que o feudalismo já estava dando lugar ao capitalismo, que deve, por sua vez, ser substituído pelo socialismo. Raças inteiras seriam deixadas para trás depois de uma revolução proletária, remanescentes feudais em uma era socialista; e como não podiam avançar dois degraus de cada vez, precisariam ser mortos. Eles eram lixo racial, como Engels os chamava, e se encaixavam apenas na pilha de esterco da história.

    Se tem uma coisa que os socialistas prometem e sempre entregam são as execuções em massa. Nesse quesito não podem jamais serem acusados de quaisquer desvios ou deturpação.
  • cmr  27/07/2018 17:23
    Eu pensei que "dindim" fosse dinheiro. hahahahaha

    Aqui na minha região isso é chamado de "chup chup".
  • vinicius  26/07/2018 18:06
    Leandro, minha pergunta não se refere ao texto mais se você pode indicar uma crítica a metodologia do Prof. Garrisson obrigado.
  • Leandro  26/07/2018 18:46
    Sim, feita pelo Jorg Guido Hülsmann. Aqui:

    mises-media.s3.amazonaws.com/qjae4_3_4.pdf?file=1&type=document
  • Renan  26/07/2018 18:45
    O Sistema nordico não seria o ideal? Misturar a liberdade de mercado + bem estar social?
  • Humberto  26/07/2018 18:52
    Quer copiar a Dinamarca? Certifique-se de que sabe exatamente como ela funciona:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2211

    Quer copiar a Suécia? Certifique-se de que sabe exatamente como ela funciona:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2210

    Para ficarmos mais parecidos com estes dois países, teríamos de reduzir o tamanho do estado, mesmo porque tudo o que eles têm de social-democrata (saúde e educação públicos, mais assistencialismo) nós também temos.

    Por fim, este desafio:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2682
  • Paulo Samuel  26/07/2018 23:29
    O sucesso do Banco Central australiano, país há décadas sem recessão, mostra que a teoria austríaca é furada.
  • Nardi  27/07/2018 04:42
    É mesmo? Pois vejamos.

    A teoria austríaca diz que o que causa ciclos econômicos são as manipulações artificias dos juros feitas pelo Banco Central. Mais especificamente, reduções acentuadas dos juros seguidas de aumentos.

    O que houve na Australia? A última recessão foi no início da década de 1990, exatamante a última vez em que o BC australiano manipulou acentuadamente os juros.

    De 1993 até 2008, não houve nenhuma redução dos juros. Eles se mantiveram relativamente estáveis (aliás, até subiram um pouco). Foi só a partir da crise de 2008, começaram a cair lentamente.

    Pode conferir:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/australia-interest-rate@2x.png?s=rbatctr&v=201807030939v&d1=19180101&d2=20181231

    Se há uma coisa que a Austrália faz é justamente confirmar a Teoria Austríaca. Você acabou de cometer o clássico caso do tiro n'água. Tenta de novo.


    P.S.: em todo caso, eu ainda acho que o mais perfeito exemplo da teoria austríaca ainda é o Brasil.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2852
  • Neo-Reacionário  27/07/2018 14:16
    O capitalismo só funciona, porque ainda existe gente honesta. O capitalismo depende da honestidade. Não existe capitalismo sem respeito.

    Achar que não ter imposto vai resolver todos os poblemas é uma fantasia.

    Liberdade não adianta nada no meio de uma guerra, ou com uma maioria de pessoas desonestas.

    Com certeza o estado rouba mais do que evita roubos, mas ninguém sabe se a autodefesa ou justiça privada pode ser melhor do que essas porcarias do governo.

    Se as pessoas honestas não fazem nada contra os excessos do estado, depois não adianta reclamar.
  • Seguidor da Lógica  27/07/2018 14:46
    "O capitalismo só funciona, porque ainda existe gente honesta. O capitalismo depende da honestidade. Não existe capitalismo sem respeito."

    Inverteu causa e efeito. Ainda só há gente honesta porque há capitalismo. Acabe com o capitalismo e você acabará com todos os incentivos para a honestidade.

    No capitalismo, mesmo um escroque é obrigado a ser honesto, pois, se ele não for honesto, perderá clientela, perderá redes de relacionamento, ficará isolado sem emprego, ficará sem dinheiro e não mais conseguirá nem ter o que comer.

    Suponha que João seja um indivíduo completamente egoísta, individualista e obcecado em acumular riqueza. Ele só pensa em si próprio, venera o dinheiro e quer enriquecer rapidamente. Só que, em uma economia de mercado, na qual os direitos de propriedade de terceiros são respeitados, João só pode alcançar esse objetivo se ele induzir todos os outros indivíduos a voluntariamente cooperarem com ele.

    Ou seja, João terá de oferecer algo que seja do interesse desses outros indivíduos.

    Mais ainda: João só conseguirá isso se o que ele oferecer for melhor do que todas as alternativas existentes. João não pode coagir ninguém a consumir seus bens e serviços.

    Sendo assim, embora seja egoísta e não se importa em nada com os outros, João tem de agir de maneira a atender os interesses daqueles que estão ao seu redor. Só assim João poderá alcançar seus próprios interesses.

    Vale enfatizar: mesmo que João seja um "adorador do dinheiro" e esteja obcecado apenas em enriquecer, ele — para alcançar seus objetivos — terá inevitavelmente de beneficiar terceiros no mercado e tratá-los bem, fornecendo-lhes bens e serviços de qualidade, e esperando que essas pessoas, voluntariamente, consumam estes bens e serviços. E para que elas consumam estes bens e serviços fornecidos pelo egoísta João, estes têm de ser de qualidade. Acima de tudo, João tem de ser honesto e decente.

    Desta forma, o egoísmo e a "escrotidão" de João são domados e direcionados para a cooperação com terceiros, fornecendo-lhes mais opções de consumo e beneficiando-lhes como resultado desta interação.

    Acabe com o mercado e adote o socialismo, e aí sim você vai ver o que é "cada um por si". Dê um pulinho lá Venezuela e veja se há decência e honestidade por ali. Aquilo sim é uma selva.
  • Neo-Reacionário  27/07/2018 16:13
    Isso parece a discussão do ovo e da galinha, mas vamos lá..

    Sem honestidade a competição nem existiria. No primeiro roubo o mercado quebra e a confiança em produzir mais acaba.

    O socialismo é uma coisa desonesta..Por isso nunca deu certo. Se todo mundo rouba todo mundo, não tem como dar certo.

    A falta de competição é causada pela desonestidade. É só ver esse monte de gente desonesta buscando mamatas no governo. Ninguém vai tentar produzir nesses mercados desonestamente controlados pelo governo.

    Países com mais desonestidade são mais pobres. Não estou falando apenas de bandidos, mas também de pessoas que supostamente dizem que redistribuição de renda é uma coisa honesta. Tipo "roubo do bem".

    Claro que o capitalismo repele gente desonesta, mas ele nem existiria, se as pessoas quisessem se apropriar das coisas dos outros sem oferecer nada em troca.
  • BS  27/07/2018 15:30
    Texto irretocável!.
  • off topic  27/07/2018 18:46
    Teremos artigo sobre a nova "abertura comercial de cuba"?
  • Estado  29/07/2018 16:51
    Vamos lá. Declare todos os seus impostos, escravos. A sua obrigação é garantir a estabilidade do servidor público.

    oglobo.globo.com/economia/pf-apreende-373-mil-em-especie-na-casa-de-ex-conselheira-do-carf-auditora-da-receita-22923846
  • Emerson Luis  13/08/2018 10:20

    Os esquerdistas acreditam (ou fingem acreditar) que a riqueza cai do Céu em porções rigorosamente iguais para todos e que os "ricos" são ricos porque foram na frente e pegaram mais do que sua cota justa, cabendo então ao Estado fazer a "redistribuição de renda", com políticos e burocratas ficando com 90% de tudo...

    * * *


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