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Como mostra este fenômeno, a solução para a mobilidade urbana está na descentralização
E isso é só o começo

Diga-me se isso já aconteceu com você. Você está em seu carro em uma grande cidade, locomovendo-se a uma velocidade de cágado devido ao congestionamento. E então você vê um pedestre passando por você. O trânsito flui um pouco e você ultrapassa esse pedestre. Logo em seguida, o trânsito volta a parar e esse mesmo pedestre ultrapassa você. E assim vai. Passados uns 15 minutos, esse pedestre já está uma quadra à sua frente.

E aí você pensa: creio que estaria em melhor situação se estivesse a pé. Além de mais rápido e de não ter chateação para estacionar, não estaria gastando combustível.

Mas tem de haver uma alternativa melhor.

Os aplicativos de transporte — como Uber, Cabify, Lyft etc. — têm se mostrado uma sólida alternativa a dirigir o próprio carro. Eles acabaram com o monopólio dos táxis (protegido e impingido pelo estado) e isso foi maravilhoso. Eles se transformaram em uma indispensável fonte de renda para pessoas que até então estavam desempregadas ou que necessitavam de uma segunda renda, além de terem sido a salvação para várias pessoas que descobriram que ganhar dinheiro utilizando o próprio carro para rodar pela cidade é melhor do que ficar preso a uma mesa em um escritório.

No entanto, as grandes metrópoles estão agora lidando com a realidade de que esta solução ainda é imperfeita. Os aplicativos de transporte ainda utilizam carros. Ainda necessitam de ruas. No que tange à mobilidade urbana, há quem alegue que os aplicativos de carona podem piorar tudo.

Patinetes elétricos

Eis algo realmente incrível. Neste exato momento, nas ruas do centro de Atlanta, há várias patinetes elétricas estacionadas (ver foto acima), à espera do próximo cliente. Eu tenho um aplicativo em meu smartphone que me mostra exatamente onde elas estão. Posso sair do meu escritório e ir direto a uma delas. Ato contínuo, escaneio o QR code da patinete com meu smartphone. Ela destrava. Subo nela, pressiono a alavanca e vou-me embora, a 25 km/h.

Locomovo-me rapidamente pelas ruas (e calçadas), deixando todo tráfego para trás. Chego a um restaurante (ou a qualquer outro estabelecimento) e estaciono a patinete elétrica onde quiser, e a deixo ali. O próximo cliente vem, monta nela e faz o mesmo. E assim vai, durante todo o dia, e até mesmo toda a noite, ao redor de toda a cidade.

Essas maravilhosas patinetes elétricas custam US$ 1 por viagem, mais US$ 0,15 por milha (o equivalente a US$ 0,09 ou R$ 0,33 por quilômetro). Você também pode se inscrever para se tornar um carregador (fornecer energia elétrica para recarregar a bateria) e ganhar entre US$ 5 e US$ 20 por hora apenas para ligar a patinete a uma tomada.

E como elas não são roubadas? Simples. Se você montar em uma patinete e tentar se locomover sem ter sido autorizado pelo aplicativo, ela se trava automaticamente. Elas não vão para lugar nenhum sem que a empresa proprietária dela possa acompanhar.

Pessoalmente, considero todo esse arranjo sensacional. A empresa criadora da ideia, a Bird, já tomou várias cidades de surpresa, despejando centenas de patinetes elétricas ao redor delas. E já há outras duas empresas concorrentes (Spin e Lime) fazendo o mesmo. Elas operam em San Francisco, Nashville, Austin, Atlanta, Santa Monica, Silver Spring, Washington, D.C., St. Louis, Charlotte e outras. Essas três empresas estão concorrendo entre si para auferir aquilo que a literatura chama de "vantagem do pioneiro" (o primeiro a entrar em um mercado aufere as maiores taxas de lucro). Faz todo o sentido para elas simplesmente saírem espalhando suas patinetes pela cidade antes de implorarem a permissão das autoridades municipais.

E, é claro, assim como ocorreu com a Uber, já está havendo oposição. Pessoas estão reclamando que as patinetes estão andando rapidamente pelas calçadas, sendo que elas deveriam usas as ciclovias (quando estas existem). A própria novidade da coisa, bem como a emoção de se locomover em uma patinete elétrica, está fazendo com que alguns usuários sejam ostentadores em suas exibições de técnicas de condução, o que está irritando algumas pessoas. Mas, acima de tudo, os burocratas das administrações municipais estão muito zangados porque nenhum empreendedor veio rastejando até eles implorar por permissão para operar.

E, dado que nada afeta mais um burocrata do que ser ignorado (eles exigem ser vistos como soberanos que a tudo controlam), o contra-ataque já começou. A câmara municipal de Nashville, por exemplo, já emitiu uma ordem de cessação e desistência para a empresa Bird. "Nossos funcionários do Governo Metropolitano já observaram que as patinetes elétricas da Bird estão obstruindo as calçadas públicas", escreveu a procuradora da prefeitura em uma carta para o diretor de relações da Bird. Mas que terrível! Patinetes estacionadas nas calçadas!

Neste vídeo, um veículo de esquerda (que supostamente deveria ser a favor do empreendimento, pois é "ambientalmente correto") ataca as empresas que fornecem as patinetes, pois elas "operam sem pedir permissão para o governo".

Assim como os aplicativos de transporte em geral, é de se admirar a maneira como essas empresas estão agindo: elas estão perfeitamente cientes de que têm muito mais a perder ao não agirem (ou seja, ao não empreenderes) do que ao lidarem com vereadores vingativos e suas coortes burocráticas.

A Uber foi a pioneira em incomodar prefeituras com a tática de "fazer agora e lidar com a burocracia e com as permissões depois". O então CEO da Uber Travis Kalanick não apenas corajosamente forçou a entrada da empresa em vários mercados fechados e protegidos pelo estado — ao simplesmente sair operando sem pedir permissão para burocratas —, como também teve a coragem (e o sangue-frio) de gastar milhões de dólares com os trâmites judiciais necessários para legalizar a Uber em vários outros países. Várias outras empresas perceberam essa estratégia e fizeram o mesmo (muitas simplesmente pegando carona no sucesso da Uber, que foi quem desbravou tudo).

Apesar de todos os ataques coordenados e de todo o frenesi da mídia, a tática funcionou. Governos e seus burocratas sempre são muito mais lentos que empreendedores agindo no livre mercado. Se você quer ser um empreendedor de sucesso, você tem de agir com coragem e inovar a uma grande velocidade. Em alguns casos, isso significa abalar cartéis e oligopólios já entrincheirados e protegidos pelo estado.

Tudo isso é apenas parte da solução

É claro que patinetes elétricas, por si sós, não resolverão a complicada questão da mobilidade urbana. No entanto, tão logo você vivencia esse arranjo, torna-se incrivelmente óbvio que ele pode ser uma empolgante parte da solução para esse problema, o qual, há décadas, atormenta quem vive nas cidades grandes.

Permitir que pessoas se locomovam a distâncias relativamente grandes de forma barata e eficiente, e sem causar congestionamentos, sempre foi o objetivo de toda e qualquer política de mobilidade urbana. Uma solução já começa a surgir. Se os mais jovens se apegarem a ele (não imagino ver idosos utilizado o aparelho), uma parte substantiva da demanda pelo transporte público poderá ser reduzida.

Assim, o que é realmente fascinante é o método pelo qual a solução está sendo encontrada. Inúmeras tentativas já foram feitas em todas as cidades para tentar planejar a mobilidade urbana, sempre se utilizando uma abordagem "de cima para baixo": faixas exclusivas para ônibus e táxi, rodízio, pedágios, expansão do metrô, quantidade mínima de pessoas por carro, obrigatoriedade de se compartilhar o mesmo carro entre colegas de trabalho, mais ônibus etc. E o problema sempre persistiu.

E então veio a internet. E depois vieram os aplicativos. E então veio a possibilidade de utilizá-los para conseguir transporte por meio de novas empresas que ofereciam novas soluções. Depois vieram os próprios aplicativos de carona. E depois vieram os aplicativos de aluguel temporário de imóveis (como o AirBnB). E, agora, essas incríveis patinetes elétricas estão surgindo por todos os cantos das grandes cidades (graças ao comércio internacional; a empresa chinesa Ninebot é uma grande fornecedora do aparelho). E, como é típico do setor privado, as soluções são economicamente eficientes, pró-consumidor, eficazes e também divertidas.

Com efeito, mais uma vez estamos vivenciando aquela dicotomia semântica: ao passo que o setor privado oferece mais uma genuína solução pública, a típica solução do "setor público" sempre se resume apenas a alimentar os interesses eleitorais de indivíduos privados. Enquanto o mercado e a livre concorrência beneficiam o público, as soluções de governo beneficiam apenas os entes privados nelas envolvidos (políticos, burocratas e empresas licitadas).

Como Mises sempre explicou, as raízes das soluções de mercado estão na propriedade privada, e essa propriedade, em última instância, beneficia o público.

Conclusão

A ascensão das patinetes elétricas urbanas — permitida pelos aplicativos — é um fantástico exemplo de como o mercado gera soluções para problemas sempre tidos como incuráveis. Quanto mais as pessoas se adaptarem a essas fantásticas máquinas, mais leve será o tráfego, mais limpa será a cidade, e mais felizes (e mais saudáveis) serão as pessoas.

Observe que nenhum planejador central jamais teve essa ideia. Ela surgiu de empreendedores atuando no livre mercado em busca do lucro. Mais especificamente, essa ideia surgiu através de discretas formas de inovação (patinetes elétricas) que utilizam o melhor da tecnologia moderna (os aplicativos) e que foram combinadas para solucionar uma demanda específica (locomoção rápida e barata) para um problema específico (dificuldade de locomoção).

Agora, em minha patinete elétrica, deixo para trás não só o cara que está caminhando apressado, como também, e incrivelmente, até mesmo os motoristas que se rastejam em nossas congestionadas ruas.

Seja paciente. O mercado irá encontrar uma solução para os nossos problemas.

 

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autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Pobre Paulista  14/05/2018 16:03
    Por aqui os patinetes não iriam encarar os buracos na calçada.
  • Breno  14/05/2018 16:17
    Haha é verdade. Mas quem é o responsável pelas calçadas? Exato, o governo (prefeituras). Parece que, ao menos aqui no Brasil, enquanto o governo estiver no controle de algo, nada mais tem como funcionar minimamente bem.
  • Pobre Paulista  14/05/2018 16:25
    Ei, vamos fabricar uns patinetes off-road? Com amortecedores e pneus de lama. Acho que aí daria certo!
  • GABRIEL DA COSTA COELHO  15/05/2018 00:23
    rsrs. NO fim do texto pensei no patinete off-road e vi que um colega já havia sugerido. Brincadeiras à parte, imagino que a iniciativa poderia dar certo em algumas cidades do Brasil, poucas, mas há onde implantar. Assim como o problema que se têm em disponibilizar as bicicletas cidadãs/coletivas, já que na maior parte do Brasil não há ciclovias...
  • Jairdeladomelhorqptras  29/06/2018 01:27
    Só que aqui a criatividade é espantosa! Quanto tempo os traficantes e afins levarão para desbloquear os patinetes? Ou levar para casa?
    Será divertido ver traficantes de AR 15 no ombro andando por aí de patinetes. Moro no Rio. E para quem pensa que as favelas estão penduradas nos morros e o motorzinho elétrico não irá aguentar, sinto informar que a maioria das favelas que conheço são em áreas relativamente planas.
    Abraços
  • Vinicius Da Silva Neves Cordeiro  14/05/2018 18:07
    Na verdade, o responsável pelas calçadas na maioria dos municípios é o proprietário do imóvel a frente da calçada.
  • Wilson  14/05/2018 18:15
    Não. A calçada é apenas um passivo do proprietário, não é um ativo.

    A prova disso é que ele não pode modificá-la como quiser, mas terá de arcar com os custos de eventuais alterações determinadas pela prefeitura.

    Foi exatamente isso o que aconteceu no meu prédio. A prefeitura exigiu uma modificação na entrada da garagem (aumentar a canaleta para escorrer água da chuva) e espetou a conta em nós condôminos.

    Em suma: a calçada, na prática, é da prefeitura. Em alguns casos, ela deixa você modificá-la. Mas na esmagadora maioria das vezes, ela (a prefeitura) irá exigir alterações e você é que irá pagar.

    A calçada é só um passivo do proprietário, nunca é um ativo.
  • Paulo Henrique  14/05/2018 20:04
    Na verdade se não fosse uma lei estipulando o tipo de calçada, acho que nem teria uma!!!
    E se tivesse, seriam completamente fora do padrão. Quem poderia impingir a você ter uma calçada igual a do seu vizinho? E se o bairro fosse como um condomínio, qual seria a diferença dele para um estado, no fim das contas você seria obrigado a ter uma calçada que você não pode modificar futuramente apenas para não estragar o padrão do lugar.


    Nos EUA existe bairros que você tem de manter a grama cortada, sem muros, para manter o padrão e não desvalorizar as casas vizinhas (externalidade). Que diferença tem isso para uma prefeitura impingindo uma lei obrigando a todos padronizar sua calçada?

    ''Você escolheu morar naquele bairro''. Você diria. E eu digo, você escolheu morar nessa cidade; No Brasil,não há leis nacionais de calçadas. São municipais. E tem municípios menores que bairros de cidades grandes
  • Paulo  19/05/2018 16:37
    Faz o seguinte: Tira sua calçada e deixa ela feita de barro.
  • Paulo  19/05/2018 16:45
    O uso de patinete é algo totalmente egoísta e mesquinho. No RJ não funcionaria pq temos as malditas pedras portuguesas. Precisamos no Brasil, é de transporte de massa. Trem, metrô e catamarãs.
  • Infiliz  21/05/2018 18:34
    Isso é um contra-senso. Se mil pessoas se deslocarem a revelia dos automóveis e/ou transportes de massa, então são mil pessoas a MENOS chafurdando justamente as vias e os transportes de massa!
    Melhor para um, melhor para todos. "Save the cheerleader, save the world!"
  • Paulo  19/05/2018 16:35
    Exato. Tudo querem culpar o Estado.
  • Infiliz  14/05/2018 19:17
    A calçada é, na verdade, responsabilidade do proprietário do imóvel pela extensão do terreno. Aquela calçada na frente da tua casa ou edifício é responsabilidade, por lei, da tua casa ou condomínio. O que prefeituras fazem no entanto, é inventar modinhas e besteiras de tempos em tempos para que tu gaste adaptando o teu trecho de calçada às novas leis que vão surgindo.
    E sobre veículos elétricos como patinetes (sim, veículos :| pq para nossa legislação é um incrível veículo isso!), bikes, etc, basta ver as notícias como essa:
    www.clickcamboriu.com.br/blogs/olho-critico/2013/03/e-o-guinchamento-de-patinetes-eletricos-ja-comecou-92098.html
    Aqui TUDO é proibido... a única salvação é quando cai na graça do povo e muita gente simplesmente ignora a lei e vira lugar-comum, passando então a ser ignorada pelos agendas da lei também, por cultura/costume até que finalmente, quando damos sorte, a lei é revogada ou alterada. Isso aconteceu com telas nos automóveis, alguém lembra???

    Eu lembro mto bem! Eu tinha 18 pra 19 anos e começaram a surgir e se popularizar essas telinhas para instalar no carro no lugar do som original, um avô das centrais de mídia atuais. Só que na época não vinha de fábrica e logo foram proibidas com alguma desculpa esfarrapada (sempre uma bobagem como "é para sua segurança"). Um amigo meu mais riquinho foi o 1º da turma a botar um som que saía uma tela de 6" no painel, era uma beleza! Não deram 3 meses ele recebeu uma multa de mil reais (valor da época!) pra deixar de ser besta... eu lembro de pensar exatamente isso: o custo brasil e de querer ser inovador e moderno! É certo que isso vai ser popularizado mais dia, menos dia, então virá de fábrica e então ninguém vai levar multa... mas meu amigo levou. Hoje em dia ninguém sonha em defender que se retire as telas dos painéis dos carros! Seja para entretenimento, para o gps ou o celular do seu uber, ninguém imagina as companhias voltando atrás de fabricar carros com media center.
  • José Botas  18/05/2018 15:25
    O responsável pela conservação das calçadas é o proprietário do imóvel diante do qual está a calçada. Você critica tanto o Estado que fica a impressão de ter pesadelos com ele.
    Privatizar ou não privatizar, essa decisão deve ser tomada depois de respondida a pergunta: Conseguirá algum dia acontecer no Brasil uma privatização que seja aprovada pela população, real proprietária, que pulverize o capital, que seja pelo valor real do bem e portanto que seja honesta? Sem pagamento de propina?
  • Breno  18/05/2018 16:01
    A única maneira correta (moral e ética) de se privatizar é por meio deste modelo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2457

    O problema é que, exatamente por ser ética e moral, pouquíssimos a defendem.
  • Felipe Lange  14/05/2018 18:08
    Ou os assaltantes.
  • Trimalquio  14/05/2018 16:12
    Aqui no Brasil:

    1- As pessoas roubariam o patinete
    2-As ruas são estreitas e mal feitas e não tem espaço pra andar de patinete
    3- Vão querer criar legislação pra regular o patinete, pq vai ter caso de gente sendo atropelada por patinete(risos, não duvide do Brasil amigo).



    Mas eu particularmente achei a ideia sensacional, já comecei a imaginar aqui a cidade infestada de patinetes pra lá e pra cá.
    Isso vai fazer a passagem de onibus ficar mais barata, menos carro, a gasolina vai baixar tbm.
  • Humberto  14/05/2018 16:22
    1- Não tem como roubar. O patinete é elétrico. As rodas ficam travadas se o aplicativo não liberar.

    2- Embora isso seja uma generalização (mesmo porque você pode andar nas próprias ruas, assim com fazem as bicicletas), você tem um ponto. E de quem são as calçadas? Das prefeituras. Como disse o leitor acima, enquanto houver estado no controle de alguma coisa, nada vau funcionar a contento.

    3- Não duvido. Mas, sei lá. Se não proibiriam os aplicativos de transporte (o que foi uma gratíssima surpresa), o argumento para proibir os patinetes fica ainda mais fraco (e seria um arranjo benéfico para os mais pobres, algo para o qual políticos costumam ficar atentos).
  • SRV  14/05/2018 16:42
    Amigo Humberto,


    Aqui é Brasil, o desrespeito pela lei é imenso. Tenho certeza de que os patinetes seriam roubados de um jeito ou de outro, tipo colocar dentro de um carro e levar por aí. Em pouco tempo descobririam como contornar a tecnologia de bloqueio remoto e pronto.

    www.mtbbrasilia.com.br/2016/11/04/bicicletas-compartilhadas-do-bike-sampa-sao-alvo-de-onda-de-furtos
  • cmr  14/05/2018 16:54
    Ladrões roubam até carros com sistemas modernos de segurança, acha mesmo que não conseguiriam desabilitar o sistema de segurança de um patinete desses ?.
  • cmr  14/05/2018 16:55
    Agora a iniciativa privada terá que fazer uma pista para os patinetes, pois no meio dos pedestres acho que não vai dar muito certo...
  • Vanessa  14/05/2018 17:11
    Ainda será preciso muita pesquisa pra entender esse vira-latismo brasileiro. É impressionante como somos derrotistas. Sempre que surge algo diferente já vem um pra dizer "Ai, isso nunca funcionaria aqui no Brasil por causa do povo!"

    É sempre o povo.

    Felizmente, os empreendedores do resto do mundo não são assim, e confiam muito mais no Brasil do que os próprios brasileiros. No que dependesse dessa noss gente derrotista, jamais haveria Uber e Cabify, por exemplo. "Ai, não funcionaria no Brasil, pois os motoristas seriam assaltantes e estupradores! As corridas jamais seriam canceladas! E vários motoristas propositalmente deixariam a corrida rodando após o passageiro desembarcar, apenas pra ganhar mais!"

    E nada disso aconteceu.

    Nosso atraso começa em nossa mentalidade vitimista, derrotista e, acima de tudo, conformista.
  • Humberto  14/05/2018 17:19
    A Vanessa falou tudo (aliás, como é bom ver uma mulher inteligente por aqui). Destaco também o total provincianismo: o sujeito acha que só porque as calçadas do bairro em que ele mora são ruins e só porque a vizinhança dele tem muito ladrão, então as calçadas de absolutamente todas as cidades do Brasil também são igualmente ruins (ignorando também o fato de que patinetes, assim como bicicletas, podem andar pelas ruas) e todas as cidades são igualmente infestadas de ladrões.

    Parece aquele caipira que só conhece o local onde mora, daí jura que todo o resto do planeta é igual.
  • Trimalquio  14/05/2018 17:42
    Eu sei pq os libertários não gostam de ouvir algumas verdades sobre o povo brasileiro.

    É muito fácil bater no governo.
    Mas quando os problemas são as pessoas, é bem mais difícil resolver.
    Não tem livre mercado, não tem solução rápida.

    Mas enfim, liberdade significa responsabilidade. É muito fácil dar liberdade a um povo bem educado. Mas vai fazer isso com um povo mal educado pra vc ver...
    E os libertários não tem nenhuma solução pra isso. Por isso que quando soltamos algumas verdades sobre o povo brasileiros eles pensam que estamos sendo vira latas.

    Eu sei que é difícil...

  • Petrónio  14/05/2018 18:03
    "É muito fácil dar liberdade a um povo bem educado. Mas vai fazer isso com um povo mal educado pra vc ver..."

    Ah, entendi. Dado que "o povo" (esse coletivo abstrato e amorfo) é "mal educado", então a solução óbvia é dotar políticos e burocratas (que obviamente são superiores "ao povo") com plenos poderes coercitivos e regulatórios, os quais então serão usados para educar esse "povo".

    Dado que o seu Zé é ignorante, a solução é dotar Sarney com plenos poderes. Só assim o seu Zé deixará de ser um bárbaro e passará a ser um nobre. É bastante lógico.

    No Brasil, aliás, essa ideia -- que está em prática exatamente como você defende -- tem funcionado maravilhosamente bem.

    E ainda dizem que os libertários é que são utópicos e sonhadores...
  • Wagner  14/05/2018 18:04
    Existe coisa mais nojentamente elitista do que esquerdista dizendo que "o povo é ignorante" e que por isso precisamos de políticos para educar o povo? Isso causa mais engulhos que telefone de açougueiro.
  • Juliano  14/05/2018 18:07
    "É muito fácil dar liberdade a um povo bem educado. Mas vai fazer isso com um povo mal educado pra vc ver..."

    Claro. E exatamente por isso temos de eleger um grupo de pessoas de capacidade indiscutivelmente superior (como Sarney, Lula, Dilma, Collor, FHC, Renan Calheiros etc.) para que elas nos controlem e nos domestiquem.

    A lógica é: as pessoas são más e burras, por isso precisamos de um governo -- o qual será povoado apenas por anjos e santos, como demonstra a empiria -- para domar a maldade e a burrice das pessoas.

    Isso sim é arranjo inteligente!
  • SRV  14/05/2018 18:27
    Ora, não estamos falando em nenhum momento de "vira-latismo".

    Primeiramente, dei minha opinião sobre os futuros casos de roubos numa eventual adoção desse sistema de patinetes no Brasil com base no que já acontece com o mercado de aluguel de bicicletas.

    Há dois pontos nisso. Primeiramente, quem precisa avaliar se isso de fato vale a pena ou não é quem está colocando a grana, arriscando a pele.Eu posso falar que vai dar errado, qualquer outra pessoa pode falar que vai dar certo, mas quem precisa saber se é rentável ou não é quem for lá e colocar dinheiro, trabalho e investimento em cima buscando auferir lucros.

    Em segundo lugar, dizer que um modelo de negócios talvez não funcione não quer dizer que nada funcionaria. Há infinitas possibilidades e apenas os empresários e investidores, através do processo de descoberta das demandas de mercado, é que podem determinar quais modelos irão de fato funcionar.

    Agora, não adianta ter cegueira para a realidade. Por exemplo, diversas seguradoras reduziram suas operações no RJ por alto risco. Quando continuam operando, exigem um prêmio maior pela contratação do seguro. Isso não tem nada de "vira-latismo", nem estou afirmando que o povo é ruim e precisamos de governos iluminados. Também não disse que estrangeiros são melhores que brasileiros. Mas daí fechar os olhos para os custos impostos pela violência e insegurança, não dá.

    Eu, humildemente como libertário, sempre reforço a importância do trabalho deste instituito: mostrar que toda essa violência e insegurança é consequência dos arranjos governamentais que temos, e que precisamos de um trabalho de mudança cultural na população para que cada indivíduo entenda o valor da liberdade e ajude a acabar com o Leviatã estatal.
  • Trimalquio  14/05/2018 18:41
    Vocês tiraram conclusões que não fui eu quem disse.


    Eu não preciso repetir o que disse.

    Uma simples caixa de comentários demonstra como brasileiros são mal educados.

    E prova mais uma vez como estou certo. Quando o problema são as pessoas, libertários ficam desprevenidos, não sabem o que fazer.
  • Alex Quintino  16/05/2018 14:12
    O certo sim é que o problema são as pessoas. O brasileiro não entende o conceito coletividade e o estado, leviatã, onipresente, controlador de tudo e de todos, gerido por pessoas que não compreendem o conceito, imediatamente criariam regras, condicionantes, capacetes, sapatos especiais e taxas..estas que tornaria inviável o negócio das patinetes.
  • Felipe Lange  14/05/2018 18:10
    Fato.
  • Raquel  14/05/2018 19:13
    O Brasil não tem infra estrutura urbana para conseguirmos ter patinetes elétricas andando por ai.Fora a falta de educação do motorista brasileiro,o que já é algo mais que notório.A senhora acha que estamos onde,numa país civilizado chamado Holanda,Noruega ou Suíça?Acorda pra roça onde vivemos,sim o Brasil é uma ROÇA, anos luz atrás de qualquer país decente
  • Wilson  14/05/2018 20:13
    "O brasileiro não pode ter armas porque é violento!"
    "O brasileiro não pode ter patinetes elétricos porque os motoristas são mal educados!"
    "O brasileiro não pode dirigir porque é burro!"
    "O brasileiro não pode abrir um restaurante porque vai envenenar os clientes!"

    Não sei como ainda não proibiram carros e aviões de circular no Brasil. A julgar pela mentalidade coletivista e vira-latas de alguns aqui, eles até aplaudiriam tal proibição.
  • Insurgente  15/05/2018 12:57
    Não vão roubar, mas alguns munidos de uma inveja tamanha, vão quebrá-las.



  • Vitor  15/05/2018 13:14
    Por essa lógica, então, não era pra nenhum carro e nenhuma moto estacionados ficarem inteiros. "Munidos de uma inveja tamanha ", os pedestres iriam detonar todos.

    E, no entanto, não é bem isso o que acontece, né? Carros e motos vandalizados são uma minoria.

    Impressionante como alguns clichês sobrevivem até mesmo na mente de gente instruída e culta.
  • Insurgente  15/05/2018 19:12
    Isso é bobagem em relação ao artigo...

    Não há nada irreal em constatar que alguns, note, alguns indivíduos, chegarão a destruir o patrimônio alheio.

    E não é tão raro quanto você pensa a destruição de patrimônios em decorrência de vandalismo.

    Não foi usado nenhum termo que associasse a ação de destruir a todos os indivíduos, como você quis demonstrar.

    Abraço, amiguinho!

  • Emerson Luis  21/05/2018 11:17

    Vandalismo contra carros e motos comuns é relativamente raro, mas a novidade de patinetes de uma empresa de locação vai provocar o senso de "justiça social" e "igualitarismo" dos meliantes...

    * * *
  • Insurgente  15/05/2018 13:30
    Uma questão subjetiva, por vezes até não pensada em relação ao problema do trânsito referem-se aos horários de funcionamento das empresas e a localização onde estão implantadas. Este fato está relacionado a associabilidade de determinados ramos comerciais, onde estas encontram alternativas competitivas ao estarem próximas, favorecendo outros processos.

    Geralmente há horários parecidos para começar e terminar o expediente. Todos os empregados de diversas empresas e ramos seguem para a mesma direção afogando o trânsito de tal maneira que é preciso por vezes passar entre 1,5 a 3h pra chegar ao ou sair do local de trabalho, paralisando as vias da cidade nos horários de pico. Some-se a isso o fluxo de clientes e consumidores nesta mesmo ínterim.

  • Tannhauser  14/05/2018 18:30
    Já funciona com bicicletas.
  • Insurgente  15/05/2018 12:55
    Não duvide do Brasil!!!

    Aqui a passagem de ônibus pode até ficar mais cara! Alguém irá pedir - obrigar via lei- que se tenha um percentual de pessoas transitando nesses ônibus encardidos que temos hoje por aqui praticando preços altos para essa modalidade de transporte.

    Odeio ônibus!!!
  • Tannhauser  15/05/2018 13:51
    Você não odeia ônibus. Odeia transporte público (com razão).

    Ônibus privado semi-leito é uma maravilha.
  • Régis  14/05/2018 16:31
    Em cidades médias, com menos de 300 mil habitantes, essa solução é ideal. As distâncias não são grandes o bastante para exigir a compra de um carro e nem pequenas o bastante para se fazer tudo a pé. Normalmente só tem táxi e ônibus, e os engarrafamentos já são pesados dependendo do horário.

    Mas o melhor de tudo é q se trata de um empreendimento de capital inicial extremamente baixo. Qualquer um pode entrar nesse ramo. Você só precisa de patinetes e um QR Code.
  • Leigo  15/05/2018 12:17
    Tem a questão da internet móvel que não é tão boa em cidades pequenas.
  • Alcides  15/05/2018 12:56
    Moro em um cidade de 60 mil habitantes no interior de MG e a 4G aqui (da Vivo) é melhor que a de São Paulo capital (provavelmente porque há bem menos interferência eletromagnética). Isso de que a internet é ruim em cidade pequena é meio mito.
  • Leigo  11/07/2018 11:40
    Meio mito? Moro em uma capital, em algumas cidades no entorno, dependendo da localização, não pega sequer 3G. No lugar em que moro, em uma capital, a internet fixa não passa de 15mbps.
  • Visitem Foda-seoestado.com  14/05/2018 16:35
    Impressionante como só um pouco de liberdade faz um bem danado ao ser humano!

    Aqui no Bananil o Estado é um câncer que lentamente paralisa e mata toda e qualquer criatividade e iniciativa...
  • Pedro Bordin  14/05/2018 17:24
    Qual o link para o artigo em inglês?
  • Cristiane de Lira Silva  14/05/2018 18:07
    Mas é preciso pensar como resolver o problemão dos engarrafamentos em horário de pico. Pelo menos no Recife é um horror. Nessas horas tudo te abandona: taxi, Uber (fica caríssimo, nem vale a pena), ônibus,carro pessoal e até motocicleta (que também não anda muito). Tem que se acalmar e esperar muito pra chegar em qualquer destino. O patinete também seria uma ótima opção pra quem odeia dirigir.
  • Gustavo Arthuzo  14/05/2018 19:44

    Empecilhos que seriam encontrados no Brasil:

    Furto/roubo: apesar de ser difícil de roubar e de poder ter rastreamento com gps, os nóias não ligariam; iriam tentar trocar patinetes por pedras de crack;

    Acidentes: seja uma pessoa atropelada na calçada ou o próprio usuário atropelado por um carro, nosso Estadão interventor seria acionado, processos de indenização por danos morais e materiais contra as fabricantes irresponsáveis (possibilidade do DETRAN exigir carteira de motorista tipo Z – patinetes motorizados);

    Burocracia: tudo começaria no âmbito municipal; vereadores e prefeitos iriam DEFENDER a população contra os REBELDES que andariam de patinetes pelas ruas e calçadas, criando leis visando a proibição ou regulamentação de como deveriam ser usados os patinetes. Isso com certeza se estenderia para âmbito do estados e da federação.

    Burocracia2: alguma(s) grande(s) empresa(s), adepta do rent-seeking, tendo em vista que os municípios tentam proibir o uso do patinete, lutará no poder legislativo para que seja feita uma justa regulamentação do produto, visando o bem estar da população, que poderá usar seguramente o equipamento; será definido que os patinetes devem obedecer uma série de requisitos na fabricação e no uso (o que impedirá que pequenas empresas entrem na concorrência e ofereçam produtos nocivos ao povo).

    Além disso, as empresas de equipamentos de segurança, preocupadas com o risco físico dos usuários, exigirão regulamentações para que sejam utilizados equipamentos obrigatórios, como capacete, joelheira, cotoveleira, armadura, etc.

    Enfim, é brincadeira (ou não), mas nós sabemos, tudo que é novo ou moderno no Brasil sofre muito com a burocracia estatal, provavelmente não seria diferente com isso.
  • anônimo  15/05/2018 16:02
    Entre oligopólio público-privado e monopólio estatal, continua sendo melhor o primeiro caso.

    É só ver o que o Estado brasileiro fez com os aplicativos de transporte. Fez uma "aliança" com Uber e Cabify, fechando o mercado pra outros aplicativos entrarem (que já existem lá fora) sem antes se submeter a extensa burocracia que o Uber só se submeteu parcialmente após já estar consolidado em solo brasileiro. Mas ainda assim o Uber continua melhor que o Taxi.

    Mesma coisa com a internet e telefonia, o governo fechou o mercado e manteve apenas 4~5 operadoras servindo 200 milhões de habitantes. Nem as poderosas Vodafone e AT&T conseguiram entrar aqui na década passada (e não foi por falta de esforço com seus advogados e contadores). Mas ainda assim a internet e telefone atuais continuam sendo melhores do que sob a Telesp.

    Não é atoa que você consegue encontrar dezenas de exemplos de países com economias corporativistas (Brasil incluído), mas países socialistas quase nem existem mais.
  • Lel  14/05/2018 20:36
    Apenas uma breve observação.

    Muitas pessoas nos comentários falaram que o Brasil não possui infraestrutura para serem usados os patinetes. Mas por que então bicicletas (que são maiores) foram aprovadas para serem usadas pelas prefeituras de grandes cidades?

    É óbvio que a infraestrutura da maioria das cidades brasileiras são porcas e isso é inteiramente culpa do Estado (afinal nem concessão de ruas com movimento existe), mas achar que por isso não pode haver esse tipo de serviço no Brasil é bobagem, pois bicicletas são ainda maiores e foram permitidas (e encorajadas) pelas prefeituras.

    Essa discussão inevitavelmente mostra a ineficiência do Estado em serviços monopolistas que muitos não-estatistas também acham que precisam estar "indiscutivelmente" nas mãos do Estado.
  • anônimo  15/05/2018 17:33
    Sobre as bicicletas, nem para fazer uma reforminha urbana os burocratas fizeram. Simplesmente pintaram as ciclovias na rua e na calçada passando por cima de árvores e hidrantes, e pronto. Cabeças de minhoca.
  • Pablo  15/05/2018 20:37
    Na verdade isso foi bom, serve para mostrar qual a essência do Estado: ser um ralo ineficiente.
  • Realista  14/05/2018 22:05
    Praxeologia de Mises refutada, logo todo sua teoria(que se baseia a priori) vai por água abaixo:

    libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2014/06/21/contra-a-praxeologia-a-favor-da-ciencia/


    Como esse site adora censurar argumentos BONS, provavelmente esse não será aceito.

  • Pobre Paulista  15/05/2018 20:05
    Quanta groselha. Me dei ao trabalho de ler e me arrependi.

    O cara passa por Quine e por Popper para sustentar um argumento que nada tem a ver com o axioma da ação humana. No fim, ou autor quer apenas justificar que teorias devem vir apenas de suposições baseadas em evidências, mas não antes de estabelecer alguns dogmas para a ciência (imagino o próprio Quine se remoendo no túmulo).

    Sem dúvida o autor do texto não entendeu absolutamente nada sobre a praxiologia, que é uma teoria apriorística e auto-evidente. (Justamente por ser apriorística ela não pode ser baseada em observações do mundo real, deve se fundamentar apenas na lógica).

    A ciência serve tão somente para buscar explicações humanamente compreensíveis sobre o funcionamento do universo. Quando a ciência se propõe a buscar "verdades", ela se perde em seu propósito e se torna uma religião. Eis o dogma que o autor desse texto defende: A ciência não é um mecanismo para compreensão, e sim um caminho para a verdade.

    O autor ainda alega que "A praxeologia não comporta falseabilidade". Ora, é evidente que não comporta. O Axioma de Mises (note: não é uma teoria, é um axioma) é tão somente uma proposição humanamente compreensível (lógica, racional) sobre como os seres humanos (lógicos, racionais) se comportam. Ciência em sua essência. E curiosamente, é praticamente como um átomo de Quine: Humanos usando lógica e racionalidade para explicar que humanos usam lógica e racionalidade. Não se pode negar o axioma sem se contradizer e cair no paradoxo do mentiroso ("Essa sentença é falsa")

    Depois o fulano ainda foi se meter a falar de epistemologia, e deixou evidente que ele sequer sabe distinguir ciências humanas de ciências naturais. Deve ser Marxista.

    Por fim, pasmem, quis propor uma "praxiologia corrigida", com groselha vitaminada Milani.

    Esse fulano aí é tão ruim, mas tão ruim, que merece ganhar um doutorado em Filosofia pela USP.


  • ed  15/05/2018 02:12
    Para os que acham que a idéia não pode ser implementada no Brasil vale ressaltar que nós, como consumidores, não precisamos nos preocupar com isso.

    Esses problemas não são nossos mas dos empreendedores que irão implantar o sistema. São eles que irão se desdobrar para tentar fazer com que o sistema funcione bem e por um preço aceitável. Caso contrário, quebrarão.

  • Jairdeladomelhorqptras  29/06/2018 01:53
    Estão levando muito a sério. É só um exercício de imaginação de como seria...
  • Bruno Feliciano  15/05/2018 12:05
    Trânsito só existe por causa do estado, ruas e estradas estatais não são administradas de forma racional pois necessariamente é impossível, somente uma administração que vise o lucro e tema o prejuízo pode administrar algo racionalmente, isto é, via sistema de preços

    Quando se oferece um recurso importante de ''graça'', necessariamente haverá uma corrida pra se utilizar o máximo desse recurso, por isso há escassez no socialismo.

    Em estradas e ruas privadas, nos horários de pico os preços seriam mais altos e nos horários fora de pico os preços seriam mais baixos, isso equilibraria e forçaria as pessoas a sair nos horários fora de pico. Os preços naturalmente via incentivos de mercado e relação direta de oferta e demanda, equilibraria a relação e extinguiria a ''escassez de espaço'', mais espaço nas ruas e estradas se traduz em menores preços, menos espaço nas ruas e estradas se traduz em maiores preços.

    Por isso no mercado ha abundância e não escassez, porque quando um serviço se torna caro devido a escassez do recurso oferecido, há um incentivo para gerar ofertas nesse setor, uma vez que os preços estão altos e logo gerar oferta é altamente lucrativo, assim criando soluções e inovações que reduzem preços e facilitam nossa vida.
    Se o petróleo sobe, ha um incentivo pra varias empresas de venderem petróleo. O recurso esta escasso e por isso mais caro, ao mesmo tempo esta altamente lucrativo gerar oferta nesse setor, o que cria uma corrida por gerar oferta nesse setor, aumentando a competitividade e criando soluções para tornar esse recurso abundante, caso contrário a falência será inevitável no longo prazo.

    O mercado é um processo de equilíbrio lindo, até arrisco a dizer que é perfeito. Quando o estado intervém, ele distorce todos esses indicativos e causa desiquilíbrio no setor.


    Abraços
  • Richard Gladstone de Jouvenel  15/05/2018 13:31
    "Ainda será preciso muita pesquisa pra entender esse vira-latismo brasileiro."

    A Vanessa tem toda razão e estou com ela nessa. E estou com os colegas que disseram que fazer o troço funcionar é trabalho pra quem tiver a ideia. A nós como consumidores só nos resta aproveitar quando a coisa se tornar viável.

    Vamos estabelecer: nós (não vou cair na pilha de fazer de conta que não sou brasileiro), somos um povo empreendedor e criativo, basta que o Estado não se intrometa.

    Trabalho com gestão de projetos, então viajo muito o Patropi. Conheço essa terra de perto, e não do sossego do meu quarto, com a mamãe me trazendo sanduba e suquinho enquanto fico vomitando razão escondido atrás de uma tela. E o que vejo por aí são incríveis iniciativas vicejando a margem do Estado, e dando nó na burocracia quando ela toma ciência da coisa. Alguns exemplos dessas tentativas beiram o risível

    É extremamente comum acontecer aqui o caso do patinete elétrico: o empreendimento vem antes da legalização, porque o Estado em muita situações simplesmente não tem a menor ideia de como enquadrar o troço. O chato é que ele também é extremamente criativo nas exigências, principalmente em nível municipal.

    Eu sempre digo: soltem as amarras da burocracia, e vejam as ideias brotando.
  • Guilherme souza azevedo  16/05/2018 00:48
    Artigo de suma importância se por alguma ocasião for tema do enem.
  • Capital Imoral  22/05/2018 16:34
    Capitalismo, descentralização da mobilidade e a realidade

    Muitos neoliberais têm comemorado esta nova onda da descentralização da mobilidade urbana que está ocorrendo nos Estados Unidos. Isso me chama a atenção porque o principal agente de mudança não é o governo, mas empreendedores. Infelizmente, quando o tema se torna público, é preciso que os adultos (socialistas) tomem a palavra e possam iluminar o debate com a realidade antes que toda essa gritaria festiva possa iludir mais pessoas. Lamento ser o estraga prazeres, mas se a descentralização do transporte for capitalista então não vale a pena descentralizar. Que fiquemos estagnados. No artigo de hoje vamos entender o porquê.

    Quando começou a aparecer aplicativos como Uber, Capify, etc., eu realmente fiquei feliz porque acabou servindo como um complemento do transporte público que eu já utilizava e eu poderia abandonar meu carro definitivamente. Depois veio o sistema de bicicletas compartilhadas (bike sharing) e tornou ainda mais legal a nossa relação com a mobilidade urbana; quem mora perto da região do butantã sabe que o pessoal cool, do tipo viadão, adora andar nessas bikes e isso praticamente transformava a cidade em um lindo comercial da Apple. E agora, provavelmente, deve aparecer patinetes elétricos para que o povo hipster de São Paulo possa realmente sentir que está no Vale do Silício. Afinal. Mas, voltando ao assunto, você percebeu onde apareceu essas inovações tecnológicas? Sim, em lugares onde já há gente rica e entediada.

    Os pobres não têm acesso ao que há de melhor
    A verdade é que toda essa maravilha tecnológica não será acessível aos mais pobres e humildes. Eu estou falando de gente que não tem nem o que comer, que dirá um smartphone com acesso a internet. Jeffrey Tucker deve viver em um mundo no qual todo mundo anda de terno, paga de intelectual, e pode sair por aí brincando de patinete elétrico pois obviamente irá ganhar dinheiro escrevendo algum artigo sobre. O mundo real infelizmente é um pouco mais triste e desigual; vivemos em um mundo no qual haverá gente para literalmente desmontar o patinete em mil pedaços e depois revender por crack; um mundo no qual haverá neguinho alugando bicicleta para roubar iphone de playboy trouxa (tinha que roubar mesmo) no Rio de janeiro; um mundo no qual os próprios motoristas de Uber formam uma verdadeira milícia contra possíveis concorrentes (Entre eles concorrentes menos poluentes como Ecobikes e Patinetes). Sim, Jeffrey Tucker deveria ter nascido no Rio de janeiro para aprender como realmente funciona o mundo.


    Garota miserável tentar roubar uma bike sharing

    O problema da mobilidade urbana sendo resolvida pela iniciativa privada esconde o fato que a natureza do capitalismo está na desigualdade de oportunidades que o próprio ofertante e consumidor criam; em outras palavras, haverá gente linda com pele hidratada brincando de Patinete elétrico pela cidade enquanto outros estão literalmente congelando nas calçadas das grandes metrópoles. É justamente por isso que existe o governo: o governo é o bem-comum que se preocupa tanto com o rico quanto com o pobre; o governo é o PODER que regula a psicopatia do livre mercado. Isso porque eu nem falei sobre os incômodos sociais e ambientais que todo esse lixo espalhado pela cidade poderia trazer. Agora você entende o porquê de somente o estado poder fazer a descentralização correta do transporte? Empreendedor não se preocupe com gente, somente funcionários públicos se preocupam com pessoas de carne e osso.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.


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