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O grande problema do socialismo não é a falta de conhecimento, mas sim a incapacidade de calcular
Só uma economia de mercado permite a alocação eficiente de recursos, algo impossível no socialismo

Este ano é o 30º aniversário do segundo debate sobre o problema do cálculo econômico em uma economia socialista.

Este segundo debate começou com um artigo publicado por Israel Kirzner em 1988 no periódico Review of Austrian Economics, no qual ele analisava o debate original entre Mises, Hayek e os "socialistas de mercado" (como Oskar Lange, que acreditavam que o socialismo poderia funcionar caso os planejadores centrais "imitassem" o mercado em suas planilhas), com o intuito de apresentar algumas lições para os austríacos modernos. O artigo gerou várias respostas dos austríacos associados ao Mises Institute.

Eis a questão:

a) Mises dizia que o problema do socialismo é que a ausência de propriedade privada dos meios de produção impede o surgimento de preços de mercado, o que por sua vez torna impossível fazer cálculos econômicos sobre lucros e prejuízos, tornando toda a alocação de recursos escassos irracional e ineficiente.

b) Já Hayek dizia que o grande problema do socialismo é o fato de as informações estarem naturalmente dispersas por toda a sociedade, sendo impossível a um grupo de planejadores centrais apreender todas essas informações, utilizá-las corretamente e convertê-las em produção racional. Consequentemente, é impossível esse comitê central gerenciar a economia e fazê-la produzir de forma otimizada. Para Hayek, portanto, o problema do socialismo está enraizado na ignorância ou falta de conhecimento da autoridade central de planejamento.

Sendo assim, a pergunta é: seria útil distinguir a posição de Mises da de Hayek, ou seria melhor se referir a elas como a posição Mises-Hayek? A mim me parece claro — principalmente após minha última e cuidadosa releitura de Ação Humana (para escrever meu livro Escolha) — que Mises e seu "problema do cálculo econômico sob o socialismo" é bem diferente do "problema do conhecimento" hayekiano. Com efeito, a importância colocada por Mises na questão do cálculo econômico é devastadora para o argumento socialista.

Mises não estipula que haja conhecimento disperso

Deixe-me enfatizar: os famosos artigos de Hayek sobre "o problema do conhecimento" — principalmente o seu "O Uso do Conhecimento na Sociedade" — são obras-primas de leitura obrigatória.

Ainda assim, todos os problemas enfatizados por Hayek, como conhecimento disperso, conhecimento tácito e o fato de os preços serem um mecanismo eficiente para a transmissão de informações — nada disso representa a falha fundamental que Mises atribuiu ao socialismo.

Desde o início, quando Mises começou a destrinchar os problemas do socialismo, ele partiu do princípio, para o bem do debate, que o planejador central de um regime socialista era um ser não apenas totalmente bem intencionado, como também já usufruía todos os conhecimentos técnicos relevantes à sua disposição.

Apenas para deixar claro, no mundo real, esses problemas enfatizados por Hayek de fato existem e são incontornáveis: seria humanamente impossível que um ditador socialista conseguisse apreender todos os "fatos existentes e dispersos ao longo de toda a economia do país", e absorvê-los em sua mente de modo a tomar decisões boas e racionais.

No entanto, mesmo levando em conta esta impossibilidade prática, Mises, pelo bem do debate, pressupôs que o comitê central socialista seria formado por homens iluminados, oniscientes e perfeitamente capazes de apreender e reunir todo o conhecimento disperso na sociedade. E, ainda assim, afirmou Mises, esses planejadores socialistas estariam perdidos e tateando no escuro.

Mesmo sendo detentores de todo o conhecimento existente na sociedade, os planejadores socialistas simplesmente não teriam como avaliar se os recursos escassos — recursos naturais, bens de capital e mão-de-obra — à sua disposição estariam sendo empregados da melhor maneira possível. Os planejadores socialistas não teriam como mensurar a eficiência econômica de seu plano para os recursos da sociedade.

Eis, resumidamente, o argumento de Mises:

1) Sob o socialismo, os meios de produção (fábricas, máquinas, ferramentas e mão-de-obra) não possuem proprietários privados. Eles pertencem ao estado.

2) Se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles.

3) Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos para esses meios de produção (o que inclui os salários da mão-de-obra).

4) Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de custos. E sem cálculo de custos, é impossível haver qualquer racionalidade econômica na alocação, o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

5) Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de meios de produção para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

Dado que a própria essência do socialismo é a propriedade coletiva dos meios de produção, e dado que tal arranjo não permite o surgimento de preços de mercado, e dado que sem preços não há o mecanismo de lucros e prejuízos, que é o que traz racionalidade para qualquer processo produtivo, o comitê de planejamento central não seria capaz nem de planejar nem de tomar qualquer tipo de decisão econômica racional.

Suas decisões necessariamente teriam de ser completamente arbitrárias e caóticas.  Consequentemente, a existência de uma economia socialista planejada é literalmente "impossível".

Assim, parece óbvio que aquilo que Mises rotulou de "o problema do cálculo" não era, e nem poderia ser, "o problema do conhecimento" associado a Hayek. Apontar isso não significa, de modo algum, desmerecer a importância do problema do conhecimento; é simplesmente observar que ambos representam falhas distintas do socialismo.

A resposta inicial de Hayek para os "socialistas de mercado"

É possível obter outras evidências de que Mises e Hayek não estavam dizendo coisas idênticas quando nos lembramos da famosa reação de Hayek à "solução matemática" que alguns economistas propuseram em resposta a Mises.

Especificamente, H.D. Dickinson, em 1933, argumentou que Mises havia exagerado quando afirmou (originalmente em um artigo de 1920, em alemão) que seria impossível para os planejadores socialistas arranjarem racionalmente as questões econômicas. Treinado na tradição walrasiana do equilíbrio geral, Dickinson alegou que um planejador socialista só precisaria saber as relevantes funções matemáticas da produção, a oferta de recursos e as preferências dos consumidores para poder determinar um plano eficiente. Afinal, os economistas matemáticos já faziam isso: munidos apenas destas poucas informações, eles eram capazes de gerar um modelo matemático de "equilíbrio competitivo". Sendo assim, por que um planejador socialista não poderia, pelo menos em princípio, fazer a mesma coisa para o mundo real?

Em resposta, Hayek, em 1935, argumentou que tal solução matemática "não é uma impossibilidade no sentido de ser logicamente contraditória". Mas rejeitou essa tese como sendo uma resposta séria ao desafio de Mises porque

o que é relevante na prática, neste quesito, não é a estrutura formal do sistema, mas sim a natureza e a quantidade de informações concretas necessárias caso o objetivo seja obter uma solução numérica. E a magnitude da tarefa necessária para se obter esta solução numérica é humanamente impossível.

Creio que todos podemos concordar com Hayek quando ele diz que os socialistas que defendiam um sistema walrasiano de equações com o objetivo de "resolver" o problema econômico do socialismo estavam totalmente iludidos caso honestamente acreditassem que isso iria funcionar. Ainda assim, a reação de Hayek aboliu uma das condições que Mises havia estipulado.

Em seu ataque original, Mises não argumentou que os planejadores socialistas não seriam capazes de processar, em tempo real, informações dispersas. Não, Mises enfatizou repetidamente que haveria uma ausência categórica de apenas de um tipo especial de informação (se quisermos utilizar essa palavra), a qual só poderia ser produzida em meio a instituições de mercado.

Não é algo meramente pedante alguns austríacos atuais dizerem que Hayek suavizou a crítica que Mises havia feito. Em um famoso (e presunçoso) artigo de 1936, Oskar Lange primeiro faz uma homenagem em tom de zombaria a Mises — dizendo que os futuros planejadores socialistas deveriam erigir uma estátua a ele —, e então argumentou que Hayek havia diluído as afirmações arrojadas de Mises:

Assim, o professor Hayek e o professor Robbins [em sua ênfase na descomunal quantidade de equações que seriam necessárias para implantar uma solução matemática para a economia socialista] abandonaram o ponto essencial feito pelo professor Mises, e recuaram para uma linha de defesa secundária. Em princípio — admitem eles —, o problema é solucionável, e não se pode duvidar que um economia socialista pode resolvê-lo por meio de um simples método de tentativa e erro, assim como é feito em uma economia capitalista.

Não creio que Lange estivesse apenas fazendo um ataque rasteiro neste ponto. Creio que ele está corretamente apontando que a concessão feita por Hayek em relação à possibilidade lógica da "solução matemática" é algo que o próprio Mises jamais teria escrito. Com efeito, em seu livro de memórias Notes and Recollections, Mises se refere a esses economistas que tentavam criar soluções matemáticas para o socialismo. Diz ele: "Eles foram incapazes de ver o principal desafio de todos: como pode a ação econômica, que consiste em decisões de preferir e descartar — ou seja, de fazer valorações desiguais sobre as coisas —, ser transformada em valorações iguais e em equações?"

Algo completamente novo

Quando um economista acadêmico convencional — treinado no uso das funções de produção Cobb-Douglas e nas funções de utilidade Neumann-Morgenstern — se depara com esta frase de Mises, ele compreensivelmente revira os olhos e critica este "antiquado" pensador austríaco. "Ora, mas é claro que podemos usar equações para modelar a ação humana na economia!", diz o economista moderno. "De que outra maneira as pessoas em nossa economia moderna usam números? Se o consumidor médio é capaz de fazer tais juízos de valor, então o que impede que professores treinados e encastelados em suas Torres de Marfim ou mesmo planejadores centrais oniscientes façam o mesmo?".

E, ainda assim, esse é apenas o outro lado da moeda. Mises não apenas identificou a falha crucial do socialismo, como também explicou como uma economia de mercado resolve o problema. 

Mais especificamente, a instituição da propriedade privada e o uso de um meio comum de troca (dinheiro) permitem o surgimento de genuínos preços de mercado para todos os bens e serviços disponíveis. Consequentemente, empreendedores tornam-se capazes de fazer os cálculos monetários necessários e, com isso, incorrer em projetos que acreditam ser lucrativos e evitar aqueles em que acreditam que terão prejuízo.

É este processo de mercado que permite a um sistema capitalista alocar recursos eficientemente, ao passo que um sistema socialista, por não ter esse sistema de preços livremente formados (por causa da ausência de propriedade privada dos meios de produção), não consegue o mesmo — nem mesmo "em princípio".

Em minha opinião, foi Joe Salerno quem apresentou a melhor e mais sucinta explicação, em um artigo de 1994:

Vejo o ato de se fazer avaliações e estimativas como algo que não é nem conhecimento e nem aritmética, mas sim algo completamente novo, introduzido ao mundo somente quando os pré-requisitos institucionais de uma economia de mercado estão presentes.

Desta forma, o processo social de avaliação e estimativa transcende as operações — puramente individuais — de conhecimento e cálculo, ao mesmo tempo em que as complementa ao criar as indispensáveis condições para as escolhas racionais feitas por empreendedores e proprietários de recursos que operam dentro de um sistema de divisão do trabalho. [Negrito meu]

Deixe-me tentar colocar dessa maneira: quando usamos um termômetro para mensurar a temperatura dentro de um forno de uma padaria, o aparelho nos transmite informação. Há um verdadeiro e objetivo "fato da realidade", que é a energia cinética das moléculas de ar indo, voltando e colidindo entre si dentro do forno, e o termômetro é uma maneira imperfeita de nos transmitir esses dados de uma forma que nossa mente possa compreendê-los e incorporá-los em nossas decisões.

Mas a questão é que não há nenhuma dúvida de que o interior do forno realmente possui uma temperatura, independentemente de nós a mensurarmos ou não com um termômetro.

Em contraste, se perguntarmos "Qual é o valor econômico do forno?", aí já teremos uma pergunta fundamentalmente distinta. Este não é um fato objetivo incrustado e enraizado no arranjo das coisas. A pergunta leva em contra todas as preferências subjetivas de todas as pessoas do planeta, bem como suas expectativas quanto à possibilidade de transformar a matéria em formas distintas.

Trata-se, com efeito, de uma pergunta estonteante e desconcertante, a qual só pode ser respondida se você estiver atuando dentro de uma economia de mercado e for capaz de fazer estimativas sensatas e bem informadas sobre o quanto as pessoas estariam dispostas a pagar pelo forno.

Conclusão

Mises e Hayek foram ambos economistas brilhantes que fizeram numerosas e valiosas contribuições para a tradição austríaca. No entanto, não é correto se referir à "posição Mises-Hayek" no famoso debate sobre o cálculo econômico no socialismo, pois fazê-lo obscurece o entendimento misesiano do cálculo, o qual é necessariamente um cálculo monetário e não um problema de conhecimento.

Embora intelectuais e acadêmicos devam sempre exercitar a cortesia em suas avaliações, é necessário separar argumentos distintos que às vezes são agrupados como se fossem iguais.

 


autor

Robert P. Murphy

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.



  • Edson  22/03/2018 16:21
    Vale lembrar que nem Marx nem nenhum socialista jamais ofereceu alguma explicação sobre como o socialismo funcionaria tão logo o capitalismo desaparecesse. Não há um mísero livro demonstrando como seria o funcionamento de uma sociedade socialista. Há vários livros sobre o funcionamento de uma sociedade capitalista, mas nenhum sobre uma sociedade socialista.

    Marx, inclusive, chegou a rotular os socialistas (Saint-Simon e Fourier) que de fato tentaram descrever como seria uma sociedade socialista de "utópicos", de tanta bobagem que eles falaram ("os frangos voariam diretamente para as bocas das pessoas, já assados e quentinhos pela natureza").

    Sem o cálculo econômico para revelar quais atividades acrescentam valor para a sociedade (que dão lucro) e quais retiram valor (que dão prejuízos), torna-se uma ilusão supor que a eficiência iria simplesmente surgir do nada. Quaisquer outros argumentos para a organização da sociedade que não envolvam o cálculo econômico podem até ser feitos, mas o problema de como a eficiência econômica seria alcançada permanece sem resposta.
  • Kira  22/03/2018 17:59
    Esse povo não entende que dinheiro é um mediador de troca que representa o valor atribuído a bens e serviços, valores estes que são variáveis pois a utilidade e custo de alocação de tais categorias de bens são variáveis em função da escassez e utilidade que representa a cada um e em função disso, faz-se necessário quantificar o valor variável de cada um desses bens atravéz do sistema de preços. O sistema de preços é uma informação que reflete o custo da escassez de se produzir e o quanto o produto tem sido demandado (o valor dele para um dado grupo ou sociedade), em detrimento de outros bens que tem outros valores por outras externalidades de utilidade marginal. Se porco pra mim tem um valor diferente de galinha, o dinheiro que é usado como troca vai ter que atribuir uma quantificação diferente de porco para galinha que reflita toda a diferença e externalidade que é criar, transportar e ofertar porco em relação a galinhas. O sistema de preços é necessário também para controlar o excesso de demandagem, como os produtos são escassos e levam tempo a serem produzidos é necessário que o tempo de consumo seja regulado e ajustado por preços que levem os consumidores a equalizar, poupar e aguardar uma certa margem de tempo até comprar efetivamente o produto, é claro que esse tempo se reduz a medida que a produtividade aumenta em decorrencia da expansão do mercado.
  • Alfredo Gontijo  22/03/2018 16:42
    Na verdade, essa distinção entre problema do conhecimento e problema do cálculo é mais atual e importante do que parece. Está longe de ser algo trivial e de curiosidade meramente histórica.

    Com a crescente disponibilidade de compilação de grandes volumes de dados, cada vez mais empreendedores, economistas e outros líderes intelectuais estão recorrendo ao argumento de que usar esta crescente coletânea de dados e algoritmos pode sim resolver a questão do "problema do conhecimento" exposto por Hayek.

    Podem anotar: num futuro próximo, o charme socialista em conjunto com as facilidades tecnológicas farão as pessoas voltarem a acreditar que uma economia centralmente planejada (por políticos carismáticos) não só é perfeitamente possível, como ainda desejável e mais eficiente que a capitalista.
  • Professor  22/03/2018 16:52
    Aqueles que consideram que o problema do socialismo é meramente um problema de compilação de informação não entenderam nem o básico: o cerne do problema do socialismo está na ausência de preços em uma economia centralmente planejada (será que a Venezuela não ensinou nada?).

    A função dos preços em uma economia de mercado é única e insubstituível, pois são os preços monetários que fornecem a indispensável ferramenta para o cálculo econômico. Como disse Mises: "É impossível somar valores, avaliações e estimativas. É possível somar apenas preços expressados em termos de dinheiro, mas não é possível somar escalas de preferência".

    Tendo preços como um norte, empreendedores podem buscar lucros ao simplesmente examinar as diferenças entre os preços de mercado dos fatores de produção e os preços esperados dos produtos finais. E aí ele pode organizar a produção de acordo.

    Sendo assim, mesmo se ele possuir excelentes dados, sem esse mecanismo de preços de mercado, nem o cálculo econômico e nem a eficiente alocação de recursos são possíveis; a economia planejada, consequentemente, não é factível.

    Na ausência de preços competitivamente determinados para os fatores de produção, mesmo a posse de literalmente todo o conhecimento do mundo não seria capaz de fazer com que um indivíduo alocasse recursos produtivos de maneira economicamente racional dentro da divisão social do trabalho.

    E a simples coletânea de dados, por mais volumosos e completos que sejam, não tem como abolir essa realidade.
  • Kira  22/03/2018 18:11
    Essa multidão de dados além de ter que ser interpretada pelas limitações do pensamento humano, entramos aqui na questão que é a tentativa de positivar a economia e prever o futuro das preferências de consumidores, centralizar a economia é atrazá-la e estagná-la, o verdadeiro problema do socialismo são vários fatores, o central não é a informação, mas a irresolutível escassez. escassez nunca deixará de existir, infromação muda o tempo todo de acordo com a preferência de consumo, a ideia de um banco de informações é positivismo o cancer ideológico atual. é devido a escassez que os preços são necessários, que externalidades existem, e que eles devem ser ajustados, escassez é uma lei física na natureza, jamais será abolida, pode ser reduzida, mas sempre terá um custo, um preço pois o moto perpétuo é inalcansável.
  • Kira  22/03/2018 18:12
    Essa multidão de dados além de ter que ser interpretada pelas limitações do pensamento humano, entramos aqui na questão que é a tentativa de positivar a economia e prever o futuro das preferências de consumidores, centralizar a economia é atrazá-la e estagná-la, o verdadeiro problema do socialismo são vários fatores, o central não é a informação, mas a irresolutível escassez. escassez nunca deixará de existir, infromação muda o tempo todo de acordo com a preferência de consumo, a ideia de um banco de informações é positivismo o cancer ideológico atual. é devido a escassez que os preços são necessários, que externalidades existem, e que eles devem ser ajustados, escassez é uma lei física na natureza, jamais será abolida, pode ser reduzida, mas sempre terá um custo, um preço pois o moto perpétuo é inalcansável.
  • Kira  22/03/2018 18:53
    O problema do socialismo é a escassez. tudo emerge da escassez. A utilidade marginal e subjetiva surge como efeito da escassez. a escassez gera entropia, que por sua vez gera externalidades que gera custos variáveis que refletem estas externalidades. a escassez é tanto um fenômeno físico quanto psicológico. do ponto de vista de uma empresa que precisa comprar de um fornecedor a utilidade marginal que o produto de um fornecedor tem vai ter influência da escassez de fornecedores, dos custos envolvidos em toda a logística dos fornecedores e ferramentas para captar o recursos e criá-los, da utilidade marginal econômica física do administrador que deve escolher qual fornecedor fazer contrato, o quanto a empresa tem capacidade de custear qual fornecedor em função de seus processos produtivos e lucro interno, e psicologicamente falando a qualidade, qual fornecedor convence o suficiente o administrador da qualidade e eficiência do seu serviço ofertado? essa própria escolha já pressupõe que a qualidade subjetiva é escassa, nem todos os fornecedores oferecem serviços com as condições suficientes para satisfazer os interesses daquela empresa e administração, isso já nos leva novamente a escassez. Nem todo mundo agrada todo mundo, nem toda empresa agrada todo cliente, e todos tem custo e limitações para produzir que geram os tais custos e que refletem a escassez, que é uma lei física irremovível, apenas reduzida e barateada de acordo com a expansão da produtividade que significa expansão do mercado, mas nunca abolida.
  • Breno  22/03/2018 16:57
    Eu já vi Fernando Haddad e Barney Frank (congressista socialista americano) citando Hayek positivamente para justificar a criação de burocracias formadas por iluminados especializados em coletar informações específicas para a solução de um problema específico.

    Esse é o problema de dizer que o grande problema do socialismo é a incapacidade de absorver todas as informações específicas sobre um assunto.
  • Constatação  22/03/2018 17:21
    Ironia suprema: uma das coisas que faltava aos burocratas da antiga URSS eram computadores e sistemas, para gerenciar o próprio controle que pretendiam executar. Quer dizer, o regime não conseguiu enxergar a necessidade dos próprios dirigentes. É ou não é pra rir?
  • Pedro  22/03/2018 17:32
    Por outro lado, no Chile de Allende havia um projeto que tentaria implantar exatamente isso: uma economia centralmente planejada por um computador gigante. E tudo em decorrência da tese de que o problema do socialismo pode ser resolvido com a coleta gigantesca de informações.
  • Kira  22/03/2018 17:59
    A tentativa incansável de positivar a economia.
  • Blade Runner  22/03/2018 17:48
    Tem 3 coisas que podem derrubar o capitalismo:

    - Big Data
    - Robôs
    - Do it yourself


    Big Data seria o lugar onde os humanos condensam todas as informações. Todo tipo de informação é "COMPARTILHADA" com a comunidade. Assim como os softwares livres...exemplo aí do Blockchain, Linux etc


    Robôs ficariam com toda a parte pesada do trabalho. Robôs fariam desde comida até mesmo cirurgias.

    O que os humanos ficariam responsáveis seria em aperfeiçoar cada vez mais os algoritimos e dinfundir o conhecimento na rede.

    E o "Do it yourself" seria que cada pessoa tivesse seu robô. Não há necessidade de alguém prestar serviço pra você. Você aprende com o conhecimento da rede, do big data, você é responsável pelo seu robô. E o robô é seu escravo pra praticamente qualquer tipo de tarefa. O papel das pessoas seriam alimentar cada vez mais essa rede, aperfeiçoar o conhecimento e os algoritimos. Cada novo avanço contribuiria para a melhoria na vida de toda a comunidade.


    Nesse estágio o capitalismo desaparece.

    Desaparece a ideia de riqueza, dinheiro, lucro e qualquer outra coisa.

    MAS surge o problema de: Como as pessoas vão se organizar socialmente ?

    Ainda assim, a comunidade teria que se organizar(seria o Estado?) pra formar leis de convivência.

    Não precisa ir muito longe, já existem problemas em que a economia tem que lidar hoje em dia com o excesso e não com a escassez, como se estava acostumado a dizer.

    O problema central nisso tudo seria a questão da PROPRIEDADE e as regras de convivência.
    É fácil imaginar um mundo moderno sem capitalismo mas é mais difícil imaginar um mundo moderno sem um "Estado" ou um sistema com monopólio da força capaz de garantir direitos e propriedade para os indivíduos.


    Veja que até no céu existe um líder, mesmo com os anjos perfeitos ao redor(sem escassez), existe alguém que é mais forte e comanda aquilo. O que legitima nessa metáfora é que esse alguém criou todos os outros. Mas e como fazer isso com os humanos ?
    O aspecto político me parece muito mais complexo do que o econômico.



  • Luke  22/03/2018 18:06
    Pelo visto, você não entendeu absolutamente nada do que leu. Big Data não resolve o problema da alocação de recursos e nem o da produção, pois não resolve o problema da ausência de preços de mercado.

    Sem preços de mercado livremente formados, simplesmente não há como alocar recursos de maneira racional, sensata e eficiente.

    Dizer que o Big Data abole o capitalismo é absolutamente o mesmo que dizer que um comitê centralizado especializado pode substituir a economia de mercado, que era exatamente o argumento dos socialistas.

    Assim, você simplesmente voltou ao problema original do socialismo. Retornou à década de 1930. E o argumento de Mises, de 1920, segue inabalado. Recomendo mais leituras.
  • Blade Runner  22/03/2018 18:14
    Amigo, sua interpretação de texto é péssima.


    Não existe preço em um mundo que não existe comércio.

    O resto, eu sugiro que você leia o meu post mais vezes até conseguir assimilar corretamente. É desnecessário eu ter que escrevê-lo novamente.
  • Luke  22/03/2018 18:51
    Ah, sim. Não existe preço, não existe comércio, e ainda assim todo mundo continua vivendo normal e perfeitamente. Gênio!

    E eu perdendo tempo com isso...
  • Kira  22/03/2018 18:16
    Big data não vai a abolir a escassez, nem as externalidades advindas dela, nem a preferência variável dos consumidores, que inclusive indicam uma sociedade livre de coerção. ou você prefere viver na ilusão de uma ditadura que "consegue" em teoria, nunca prática, te entregar apenas o básico para sobreviver e ficar caladinho pianinho? isso seria uma sociedade pobre, todos iguais na pobreza e miséria, pois o big data não é capaz de resolver a escassez, a entropia, externalidades adivindas das proposições anteriores, e a preferência dos consumidores, marginal e subjetiva. concentração de dados não podem alterar as leis da física.
  • Kira  22/03/2018 18:27
    MAS, Surge um problema: quanto vai custar toda essa ficção científica que você proprôs? o custo para manutenção alocação e cubrir externalidades de todo o processo para fabricar todas essas máquinas e robôs, e o big data? e o custo de fabricação, externalidades escassez e alocação de toda a cadeia e fornecimento para construir as ferramentas necessárias a serem alocadas levando em conta todas as externalidades, escassez, e custo de alocação em função desses fatores para fabricar as máquinas que por sua vez exigem compensações e custo de alocação, escassez, e externalidades a serem compensadas para serem produzidas e alocadas? As máquinas surgem do céu? do nada? o moto perpétuo foi inventado? porque se não, a escassez por si só gerará externalidades como tempo de produção, custo de alocação, em toda a cadeia de maquinas e ferramentas para construir máquinas e ferramentas para construir ferramentas usadas para construir máquinas, e ferramentas usadas para captar recursos para construir ferramentas usadas para construir máquinas com todo um custo, externalidade e escassez envolvido. tudo isso exigirá inevitavelmene um sistema de preços que reflita o custo, demandagem, e utilidade variável que se ajuste a cada complexidade da cadeia de produção.
  • Desconhecido  22/03/2018 18:47
    Nem big data e nem robô acabarão com o capitalismo, pelo contrário, só auxiliarão no desenvolvimento desse sistema.

    Indo um pouco além do argumento da falta de preços:

    1° Dados são informações passadas e apenas isso, podem auxiliar um investimento, mas não podem fornecer uma inovação, papel esse do empreendedor.

    2° Robô são apenas automações, não confundam com o que você vê em filmes, robô só fazem aquilo que são programados. Com o avanço da programação poderão executar tarefas complexas que exigem a leitura de inúmeras variáveis, como conduzir 100% o seu carro ou limpar a sua casa, mas jamais serão capazes de criar o que não existe, o papel do empreendedor nunca será substituído.

    3° O governo pode fazer o papel empreendedor, mas limitado a poucas mentes, sem incentivos para melhorias e com interesses desconexo do consumidor. A economia de mercado fornece uma sociedade de mentes empreendedoras, com incentivos a melhorias e interesses alinhados ao consumidor.

    Por isso a sociedade de mercado sempre será melhor do que qualquer outra.
  • Leigo  23/03/2018 14:13
    O Blade Runner acha que os recursos são infinitos e que robôs vão construir robôs para sempre, produzirão tudo que precisamos com todos os recursos infinitos disponíveis no planeta, que todos terão condições de ter robôs, pois robôs produzirão robôs para todos (com recursos infinitos). Enfim qualquer leigo deve entender que o problema central da economia é a escassez, sempre haverá escassez, sempre haverá capitalismo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2045
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2603
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1649
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2405
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2638
    www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2545


    Nem a I.A. pode parar o capitalismo. Nada pode, é natural.
  • Desconhecido  23/03/2018 16:38
    Exato, o que o Blade Runner também não entende, além da escassez, é que mesmo se chegamos a um ponto dos robôs fazerem tudo, ele não poderiam substituir o homem no fornecimento de ideias.

    Uma sociedade de robôs seria uma sociedade estagnada.
  • Pobre Paulista  23/03/2018 12:08
    Maluco... DIY é a essência do capitalismo.
  • Fernando  23/03/2018 23:24
    Esse Blade Runner tá copiando a ideia da EBR (ou em inglês Resource Based Economy), daquele pessoal do Projeto Vênus.
    Já foi refutada no Mises versão US: mises.org/library/venus-needs-some-austrians
    É basicamente a velha ideia do planejamento central, com uma nova roupagem tecnológica que inclui robôs.
    É cada coitado que aparece aqui...
  • Mateus Menezes  28/03/2018 18:41
    O problema é que pelo fato dos robos serem escravos, o sindicato da classe iria fazer greves pelo trabalho escravo. Mesmo assim não funciona meu amigo.
  • Felipe Lange  22/03/2018 17:55
    Essa questão de conhecimento disperso na sociedade eu nunca entendi: o que seria exatamente um comitê de burocratas dotado de todo o conhecimento na sociedade? Qual conhecimento? De ontem? De agora? De amanhã?

    Eu preciso terminar de ler o livro Ação Humana...
  • Pobre Paulista  22/03/2018 18:20
    "De que outra maneira as pessoas em nossa economia moderna usam números? Se o consumidor médio é capaz de fazer tais juízos de valor, então o que impede que professores treinados e encastelados em suas Torres de Marfim ou mesmo planejadores centrais oniscientes façam o mesmo?"

    Cuidado aqui. Fazer juízo de valor não é errado. É crucial fazer juízo de valor em cada troca para que saibamos o que produzir. Os empreendedores devem fazer essa análise, continuamente, pois sem isso eles serão completamente incapazes de oferecer algo útil para as pessoas.

    A questão não é "fazer ou não fazer juízo de valor nas trocas voluntárias"; a questão é: Aquele que faz esse tipo de análise irá sofrer prejuízo sozinho caso esteja errado?

    Qualquer modelo político-econômico em que a resposta à essa pergunta seja "não" é uma forma de socialismo.
  • Bernardo  22/03/2018 18:53
    Você está ciente de que esta frase não representa o pensamento do autor do texto, mas sim uma paródia dos economistas acadêmicos tradicionais, certo?

    Veja o trecho:

    Quando um economista acadêmico convencional — treinado no uso das funções de produção Cobb-Douglas e nas funções de utilidade Neumann-Morgenstern — se depara com esta frase de Mises, ele compreensivelmente revira os olhos e critica este "antiquado" pensador austríaco. "Ora, mas é claro que podemos usar equações para modelar a ação humana na economia!", diz o economista moderno. "De que outra maneira as pessoas em nossa economia moderna usam números? Se o consumidor médio é capaz de fazer tais juízos de valor, então o que impede que professores treinados e encastelados em suas Torres de Marfim ou mesmo planejadores centrais oniscientes façam o mesmo?".
  • Pobre Paulista  22/03/2018 22:56
    Sim, mas ele dá a entender que a abordagem é por si própria errada, eu quis pontuar que só é errada se for feita em prejuízo de terceiros.
  • marcela  22/03/2018 19:01
    Outro que é totalmente incapaz de calcular é o Trump.Se ele liberasse os importados para entrarem livremente nos EUA a inflação ficaria baixa e o FED não subiria os juros.Porém ele optou pelo corte de impostos e aumento de gastos, além da guerra comercial,o que irá levar o FED a subir juros.Os bancos certamente irão aumentar suas reservas em excesso no FED o que irá contrair a base monetaria americana e fazer o governo Trump acabar em recessão,inflação e desemprego, igual apareceu no seriado Os Simpsons.
  • Demolidor  23/03/2018 18:49
    Pior ainda é a desculpa de propriedade intelectual. Como se isso fosse propriedade do estado americano, não das empresas supostamente lesadas.

    Se um produto viola propriedade intelectual, isso é algo para decidir nas cortes de justiça, para que o lesado seja devidamente ressarcido. Do jeito como está, parece um tampão para cobrir o rombo que as desonerações (boas) combinadas com aumentos de gastos (péssimos) vão deixar nas contas do estado.

    Quanto mais leio, mais acho Trump uma Dilma topetuda... ainda bem que parece que não sou o único aqui que vê que isso não vai acabar bem. Os dias de sacolagem em Miami parecem contados e isso deve afetar a segunda maior indústria exportadora dos EUA, o turismo.
  • Natalia Matiazzo  22/03/2018 23:26
    Olhem que absurdo isso aqui, uma criança sendo usada em vídeo para defender essa ideologia retrógrada, sem nem saber o que está lendo:
    www.youtube.com/watch?v=pTV8W0s4-cg
  • Cleiton Eastwood  23/03/2018 03:20
    Pra gerir a sociedade, a economia, basta seguir os dados - como mostra o Instituto Mercado Popular -, eles não têm ideologia, são apolíticos, são a pura ciência. Aqui é enviesamento.
  • Ninguem Apenas  23/03/2018 15:37
    Eu sou obrigado a discordar do Murphy nesse ponto.

    Hayek não afirmava que o socialismo era impossível simplesmente por um problema de informação assimétrica, ou melhor, incapacidade de agregar informações.

    E sim, caso o governo fosse onisciente e bem intencionado ele conseguiria alocar os recursos de forma eficiente.


    Onisciência = saber absoluto, pleno; conhecimento infinito sobre todas as coisas.


    Onisciência não é simplesmente ter todas as informações existentes hoje armazenadas (em um cérebro ou computador), mas todo conhecimento que um dia existiu, existe, que vai existir e inclusive aquele conhecimento que nunca existirá.
    Um conhecimento 100% infinito sobre absolutamente tudo.

    Algo do tipo só pode ser atribuído a um ser divido obviamente.


    É claro que alguém com tal poder saberia alocar os recursos de forma eficiente, pois isso é conhecimento (não informação) e tudo que é conhecimento ele sabe.
  • Hans  23/03/2018 16:01
    Não entendi onde está a sua discordância. Sua postagem e suas frases foram bastante confusas. Não dá pra entender se você está afirmando algo ou citando algo. E não dá pra entender se você está concordando ou discordando das frases citadas. E, acima de tudo, não dá nem pra entender se você está defendendo ou criticando Hayek.

    Hayek não falou de onisciência. E nem o autor do texto. Quem afirmou que mesmo um governo socialista formado por pessoas extremamente bem intencionadas e bem informadas não seria capaz de alocar recursos eficientemente foi Mises. E ele explicou por quê (sistema de preços e propriedade privada).

    Para Hayek, o problema do socialismo não está na ausência de propriedade e de preços racionais, mas sim na ausência de conhecimento. Para Hayek, a falha suprema do socialismo está no fato de que o conhecimento — em particular, "o conhecimento das circunstâncias específicas de cada momento e de cada lugar" — existe apenas de forma amplamente dispersa, dentro da mente de vários indivíduos distintos.

    Por conseguinte, na prática, seria impossível juntar e processar todo o conhecimento existente e colocá-lo dentro da mente de um único planejador central socialista. A solução de Hayek não é a propriedade privada, mas a descentralização do uso do conhecimento.

    Entretanto, esta uma tese meio furada. Se o problema do socialismo realmente está no uso centralizado do conhecimento, então torna-se difícil explicar por que existem famílias, clubes e empresas, e por que essas instituições não enfrentam os mesmos problemas do socialismo. Famílias e empresas também possuem um planejamento centralizado. O chefe da família e o proprietário da empresa também fazem planos que restringem o uso que outras pessoas podem fazer de seu conhecimento privado. E, ainda assim, até onde se sabe, famílias e empresas não passam pelos mesmos problemas do socialismo.

    Para Mises, essa observação não apresenta nenhum desafio: sob o socialismo, a propriedade privada está ausente; já as famílias e as empresas, ao contrário, se baseiam exatamente na instituição da propriedade privada.

    Mas a tese de Hayek fica ainda mais insustentável quando se observa que, no socialismo, o conhecimento descentralizado é tão utilizado quanto nas empresas privadas ou nas famílias. Um planejamento central existe tanto no socialismo quanto em uma empresa, e, dentro das limitações desse planejamento, os trabalhadores socialistas e os empregados das empresas utilizam seu próprio e descentralizado conhecimento das circunstâncias específicas de cada momento e de cada lugar para implementar e executar o plano determinado pelo chefe da organização.

    Para Mises, tudo isso é irrelevante. Para Hayek — se considerarmos sua estrutura analítica —, não existe diferença entre o socialismo e uma grande empresa privada. Ambos sofrem do mesmo problema de funcionamento. Logo, uma empresa privada possui o mesmo defeito do socialismo. Ou, colocando-se de outra forma, o socialismo não tem mais defeitos do que uma empresa privada.

    Evidentemente, a tese de Hayek em relação ao problema central do socialismo é absurda. O que distingue categoricamente o socialismo das empresas privadas e das famílias não é a existência de um conhecimento centralizado ou a ausência do uso do conhecimento descentralizado, mas sim a ausência de propriedade privada — e, por conseguinte, de preços.
  • Kira  24/03/2018 01:12
    "Para Hayek, o problema do socialismo não está na ausência de propriedade e de preços racionais, mas sim na ausência de conhecimento. Para Hayek, a falha suprema do socialismo está no fato de que o conhecimento — em particular, "o conhecimento das circunstâncias específicas de cada momento e de cada lugar" — existe apenas de forma amplamente dispersa, dentro da mente de vários indivíduos distintos. "

    E ainda sim, esse conhecimento disperso descrito por Hayek pode muito bem ser entendido como a própria lei de utilidade marginal. O conhecimento disperso refere-se exatamente a variável preferência do consumidor que do ponto de vista de uma empresa que vende um produto por exemplo, já pode ser visto como uma externalidade, além de diversas outras externalidades que não podem ser previstas por bola de cristal, tampouco acompanhadas por um governo central simultaneamente, inclusive tais externalidades só existe exatamente devido a escassez, porque há naturalmente falta, haverá externalidades, entropia, etc... e por efeito de tais externalidades haverá sempre aqui a lei de utilidade marginal em prática, a preferência do consumidor vai refletir o ajuste intuitivo a tais cadeias complexas de externalidades ao qual não há qualquer grupo de burocratas com onisciência para prever e ser assertivamente responsivo a tais, isto porque tais externalidades além de pertencerem as leis da física, escassez é uma lei física assim como a segunda lei da termodinâmica, estas externalidades são também psicológicas, orgânicas, culturais, , físicas e perceptuais, subjetivas de forma geral, sua utilidade será interpretada em resposta a variabilidades da escassez, conhecer tudo isso simultaneamente é impossível, por isso o conhecimento (lei de utilidade marginal) está disperso.
  • Karl Marx  23/03/2018 16:59
    Sim, sim, sim; a energia da Terra é que deve ser infinita para os grandes calculadores capitalistas explorarem; sim, sim, sim, somos nós quem não sabemos calcular.
  • Ninguem Apenas  23/03/2018 17:32
    Se não fui claro, vou tentar ser mais agora:

    Hayek não falou de onisciência. E nem o autor do texto.

    Então é melhor lê-lo novamente.

    "No entanto, mesmo levando em conta esta impossibilidade prática, Mises, pelo bem do debate, pressupôs que o comitê central socialista seria formado por homens iluminados, oniscientes e perfeitamente capazes de apreender e reunir todo o conhecimento disperso na sociedade."

    A minha crítica é principalmente que afirmar que a tese de Hayek se limita a dispersão de informação, ele tratou disso, mas não foi só.

    Cheguei a dizer:

    Hayek não afirmava que o socialismo era impossível simplesmente por um problema de informação assimétrica, ou melhor, incapacidade de agregar informações.

    e você disse:

    Para Hayek, o problema do socialismo não está na ausência de propriedade e de preços racionais, mas sim na ausência de conhecimento.

    Essa mutualidade jamais foi estabelecida por Hayek, para ele o conhecimento disperso está diretamente ligado a funcionamento da economia de mercado (que só pode existir por meio da propriedade privada), mas infelizmente não tenho tempo de discorrer sobre isso agora, talvez mais tarde.

    Por hora apenas ressaltar, que se o Governo tivesse onisciência ou conhecimento perfeito e de fato quisesse, seria capaz sim de alocar os recursos de forma eficiente.

    "Onisciência = saber absoluto, pleno; conhecimento infinito sobre todas as coisas.


    Onisciência não é simplesmente ter todas as informações existentes hoje armazenadas (em um cérebro ou computador), mas todo conhecimento que um dia existiu, existe, que vai existir e inclusive aquele conhecimento que nunca existirá.
    Um conhecimento 100% infinito sobre absolutamente tudo.

    Algo do tipo só pode ser atribuído a um ser divido obviamente."

    Ficou mais claro agora? se não, peço desculpas, mas vou tentar discorrer melhor em outro horário.
  • Hans  23/03/2018 20:18
    Mais atenção. O trecho que você destacou contendo o termo "onisciente" não se refere a uma ideia de Hayek. O termo onisciente não foi atribuído pelo autor a Hayek, mas sim a Mises, que partiu desse pressuposto extremamente generoso ("um governo formado por iluminados") para mostrar que nem mesmo um governo onisciente conseguiria planejar centralizadamente a economia. Se nem planejadores oniscientes conseguiriam fazer isso, tampouco o conseguiriam os governos meramente dotados de todas as informações dispersas pela sociedade.

    Mais atenção na próxima.

    "Hayek não afirmava que o socialismo era impossível simplesmente por um problema de informação assimétrica, ou melhor, incapacidade de agregar informações."

    Esta era exatamente a tese dele. Favor mostrar onde ele disse que o problema do socialismo era a incapacidade fazer cálculos econômicos.
  • Ninguem Apenas  23/03/2018 23:50
    O termo onisciente não foi atribuído pelo autor a Hayek, mas sim a Mises, que partiu desse pressuposto extremamente generoso

    Não acho que preciso repetir, mas independente dele ter falado da tese de Mises ou não, o que o autor afirmou é que "mesmo se partirmos desse pressuposto generoso (governo onisciente) o socialismo ainda assim não irá funcionar."

    E simplesmente está errado como mostrei anteriormente.

    Mas agora eu tenho tempo de discorrer sobre Hayek, então vamos lá:

    Entretanto, esta uma tese meio furada. Se o problema do socialismo realmente está no uso centralizado do conhecimento, então torna-se difícil explicar por que existem famílias, clubes e empresas, e por que essas instituições não enfrentam os mesmos problemas do socialismo.

    Bom, não sei em quem você está se baseando, mas nem mesmo Mises concorda com você:

    Olha a resposta de Mises:

    "Em geral, o homem que conhece sua própria mente está em posição de avaliar quaisquer bens de ordens mais baixas. E sob condições simples, é também possível que ele forme algum julgamento sobre a importância para ele de alguns bens de ordem mais alta. Mas nas situações em que o cenário é mais complexo e há mais interconexões que não são facilmente discerníveis, meios mais sutis devem ser utilizados para se obter uma avaliação correta dos meios de produção. Por exemplo, não seria difícil para um agricultor em isolamento econômico fazer uma distinção entre a expansão de seu pasto e a expansão de sua atividade de caça. Nesse caso, os processos de produção envolvidos são relativamente pequenos, e os custos e a renda inerentes a cada processo podem ser facilmente mensurados."

    Conseguiu entender agora?

    "Mas a tese de Hayek fica ainda mais insustentável quando se observa que, no socialismo, o conhecimento descentralizado é tão utilizado quanto nas empresas privadas ou nas famílias."[i/]

    [i]Esta era exatamente a tese dele.


    Primeiro de tudo, resumir toda a crítica de Hayek a impossibilidade do socialismo em um único artigo que ele escreveu é o mesmo que querer resumir toda a crítica de Mises só pelo primeiro capítulo de seu livro. A tese de Hayek foi desenvolvida em uma série de livros e artigos, como "O Caminho da Servidão", "A Arrogância Fatal", "A Pretensão do Conhecimento", "Evolução & Ordem Espontânea" e muitos outros.

    Outra coisa, você está confundindo informação com conhecimento, essas palavras não significam a mesma coisa, "dado", "informação" e "conhecimento" significam cada uma coisas diferentes.

    Em qualquer estudo de Inteligência de Negócios (Business Inteligence) esse é um dos primeiros assuntos a serem tratados, "dado" é algo bruto que não possui valor nenhum ou utilidade por si só, é totalmente bruto, "informação" é uma determinada associação dos dados que cria utilidade, ou seja, é possível de ser armazenada, transmitida e reunida. Já o "conhecimento" é simplesmente impossível de ser transmitido, reunido ou armazenado.

    Desculpa, mas não vou dar uma aula sobre o assunto, deixo o assunto para pesquisa caso surgir algum interesse seu.

    e por fim o próprio Hayek chegou a pontuar isso para os desavisados:

    "Nesse instante, devo brevemente observar que o tipo de conhecimento de que tenho tratado é de um tipo que, por sua própria natureza, não pode ser transposto para dados estatísticos e que, por isso, não pode ser colocado à disposição de uma autoridade central que delibere a partir de levantamentos estatísticos."

    Além disso também disse:

    Nunca produzimos um cristal ou um composto orgânico complexo colocando os átomos individuais em certas posições de modo que irão formar o retículo de um cristal
    ou um sistema baseado em anéis de benzeno que compõem um composto orgânico. Mas nós podemos criar as condições nas quais eles irão se arranjar dessa maneira.


    E só pra terminar com chave de ouro, o próprio Mises concordou com Hayek.

    "O fato de que o conhecimento existe de forma dispersa, incompleta e inconsistente, em muitas mentes individuais, foi apontado por Hayek e isto é muito importante. Hayek diz que, se estamos falando sobre o conhecimento de nossa era, estamos cometendo um erro se pensarmos que este conhecimento existe em todas as mentes, ou mesmo que sua totalidade existe na mente de um homem."

    Não acredito que eu precise pontuar mais nada, mas sinceramente, dizer que Hayek resumiu tudo como incapacidade prática de reunir dados dispersos é um simplismo exagerado, inclusive quando estamos tratado justamente de um autor tão inteligente.
  • gabriel batista  23/03/2018 19:42
    Boa tarde, OFF.

    Não sei se o senhores viram a noticia que a Taxa Selic baixou para 6,5%. Minha pergunta é a seguinte, isso pode ser um novo ciclo economizo?

    Visto que em 2004 quando houve a expansão nos governos petistas era mais de 10%.

    Estou equivocado ou não?

    obrigado
  • Leitor  23/03/2018 20:26
    Artigo completo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2852
  • news  23/03/2018 22:42
    g1.globo.com/economia/blog/joao-borges/post/quanto-custa-manter-a-inflacao-baixa.ghtml
  • Cristian William  24/03/2018 05:36
    Realmente é uma verdade, o socialismo faz tudo parecer um fácil, tudo com base num cheque em branco.
    Escrevi um livro, nele eu abordo bastante o quanto o Brasil é socialista, o quanto ele se atrasa devido a isso.
  • O Pragmático  24/03/2018 19:22
    Errado. Numa economia 100% estatizada, de fato, é impossível o cálculo econômico. Porém, nunca existiu uma economia 100% estatizada que tenha durado mais de uma semana. Nunca. O período de maior estatização da economia no mmundo foi na Era Stalin, na URSS, na qual 45% da economia era controlada diretamente por burocratas (só lembrando que Marx nunca propôs que BUROCRATAS controlassem a economia). E antes de Stalin, na Era Lênin, quando a URSS começou, a estatização era de 20%. Desafio os senhores acharem um único escrito de um economista socialista (qualquer um) cuja proposta seja a burocratização da oferta, da demanda, dos preços, dos salários, dos produtos...
  • Sergio  24/03/2018 20:17
    Certo, o argumento de Mises e Hayek são diferentes. No primeiro caso ele esclarece que a abolição da propriedade privada é insustentável. Já no segundo caso, o argumento de Hayek acena para a insustentabilidade de um governo. Com isso temos que ter um governo com atribuições mínimas, como gerir atividade de típicas de estado (representação diplomática, segurança da propriedade...), ou inexistente. Se o argumento de Mises demole o socialismo, o de Hayek coloca contra a parede a necessidade de um governo.
  • Laudelino A. de Oliveira Lima  25/03/2018 17:50
    Esse comentário é um alerta!
    Vejam:
    "Hayek dizia que o grande problema do socialismo é o fato de as informações estarem naturalmente dispersas por toda a sociedade, sendo impossível a um grupo de planejadores centrais apreender todas essas informações...".
    Sabemos disso, mas existe em andamento e por duas décadas um projeto no governo brasileiro para a realização dessa impossibilidade. Sim, os burocratas estão fazendo isso num projeto chamado SPED. O sacrifício imposto às empresas, contadores, equipes de tecnologia e consultorias é pantagruélico. E ninguém está falando disso.
    Ninguém está falando disso.
    Convido o MISES a estudar esse ponto. Vamos sair da teoria e atacar quem está tentando colocar isso em prática.
    A quantidade de absurdos é enorme.
    Entra em vigor esse ano a necessidade de informar todos os componentes da sua árvore de produto e com toda a especificidades de pesos, quantidades, mililitros e etc. Em paralelo, deverão enviar sistematicamente posições de estoque, consumo e aquisição de matéria prima.
    Informar consumo divergente da árvore ou consumo de estoque além do previsto, poderá gerar multas a título de "tentou me enganar".
    Retomo. Esse projeto está passando há duas décadas e ninguém está falando disso.
  • Constatação  26/03/2018 11:28
    Sem mencionar o e-social. Quando vi do que se trata, concluí que George Orwell foi o maior profeta depois de Jesus Cristo.
  • lvl  25/03/2018 20:28
    O argumento de Hayek é apenas uma constatação de um fato: é impossível um governo, por mais "onisciente" que seja, ter os burocratas e técnicos que tenham todo o conhecimento da população. Mesmo com supercomputadores e internet, ainda assim o conhecimento estaria disperso e não seria possível ser totalmente absorvido por iluminados do estado.

    Só que isso não é o erro central do socialismo. Até porque se esse fosse o erro central do socialismo, era só os burocratas aprenderem o "básico" para produzir coisas "essenciais" para a população não passar necessidades e, pelo menos, o socialismo ficaria de pé. Só que não foi isso o que aconteceu e nem que seria o esperado que acontecesse.
  • Português   06/12/2018 06:13
    Comentário extremamente pertinente.

    Se Hayek estivesse correto, países socialistas não teriam tido milhões de mortos por inanição. E nem existiria pobreza nesses países planejados centralmente.
  • anônimo  03/03/2019 23:12
    O argumento de Hayek é, inclusive, perigoso. Pois "justifica" um superestado cada vez mais onisciente.

    O problema do socialismo é demasiado simples: abolição do Mercado. Isso impossibilita a formação de preços e portanto todos os tabelamentos feitos são tiros no escuro. Um sistema assim não consegue se manter por muito tempo.
  • José R.C.Monteiro  27/03/2018 15:21
    Saudações, bobagem achar lógica em qualquer movimento socialista, pois nada se quer, apenas manter a movimentação, eternamente, ou seja, um futuro que não pode chegar, caso venha a chegar o tal futuro, nesse exato momento cessa o socialismo, e todos os seus produtos, fins, meios, etc. Custa-me acreditar que todos os comentadores, e até próprio articulista, não enxergar essa banalidade. O impossível é tão evidente que................
    Outra coisa, achar que todos idealistas do socialismo/comunismo/marxismo não sabiam perfeitamente isso, piada.
    A roda precisa apenas, e tão somente, rodar, quer dizer o futuro prometido precisa ficar quieto lá, bem longe, ou seja, no prometido, jamais alcançado.
  • Natalia Matiazzo  29/03/2018 04:53
    Poderiam dar uma olhada nessa? A figura a seguir é escritor e dito filósofo, Henry Bugalho, tem um vlog no youtube e agora deu pra comentar assuntos políticos no lugar de seu assunto de escrita criativa.

    Quer passar como moderado em seus questionamentos, mas sempre cutuca as pessoas não progressistas até nas miniaturas dos vídeos associando-as ao fascismo, intolerância, racismo e etc, que falta base teórica pros debates na internet, sendo que em muitos desses comentários também não há base alguma da parte dele, sendo meras opiniões. Enfim, não me agradou a figura, mas gostaria que dessem uma análise nos questionamentos que ele propõe. Aqui vai a transcrição de alguns pontos de um de seus vídeos:
    www.youtube.com/watch?v=vXagO4aVffA

    VERGONHA DE SER COMUNISTA ¦ VLOG DO ESCRITOR

    "Quase todos os grandes pensadores e artistas do século XX ou eram marxistas ou estavam com um pé na esquerda. Na França, o próprio Sartre que começou existencialista depois deu uma guinada pro marxismo, Escola de Frankfurt, Valter Benjamin, Adorno, artistas como o Neruda que era um comunista fervoroso, o Saramago... A listagem de intelectuais e artistas de esquerda é infinita, são muitos!

    (...)

    O que a gente precisa entender como houve uma crise na esquerda, começou a perder o espaço privilegiado que ela tinha de movimentação e transformações sociais, e passou a ser vista com maus olhos. Isso tem a ver muito com o auge do individualismo, do consumismo contemporâneo do Ocidente, quando a pessoa passa a se pensar como membro da sociedade, de um grupo maior, como indivíduo, como eu preciso satisfazer minhas próprias necessidades, meus próprios desejos. Então, há uma perda de espaço dessa mentalidade coletivista comunista de que tem que sacrificar o indivíduo em prol da coletividade. Ainda mais hoje que as novas gerações são muito mais individualizadas, muito mais autoconscientes do seu papel como indivíduos, então é tudo eu, o meu desejo, meu prazer, minha satisfação, que se foda o outro, não me importo com ele, não importa se tem um mendigo na porta de casa, se tem uma criança de rua na praia passando fome, não importa se tem gente morrendo de fome na África, não me importa se morreram 300.000 no tsunami na Ásia, o que importa sou eu e a minha satisfação, o meu bem-estar.

    Então, a ascensão da direita e seu retorno tem a ver com isso, esse desligamento do indivíduo com a sociedade. O problema dessa ascensão é que vem a tiracolo a extrema-direita e todos os extremos são horríveis e prejudiciais. Extrema direita vem com discurso fascista, geralmente xenófobo, racista, misógino, então a tiracolo do liberalismo, dessa defesa do livre mercado, livre defesa da liberdade de expressão, defesa de uma sociedade capitalista, vem junto um nacionalismo extremo que é o que se vê agora em vários países como o Reino Unido, teve o Brexit agora justamente baseado nesse tipo de discurso xenófobo, o Trump ganhou nos EUA, no Brasil agora uma ascensão da extrema direita também com o tal do Bolsonaro, do Marco Feliciano e outra figuras políticas ou religiosas vinculadas à mentalidade militarista. O que acontece é que se tem uma guinada para a extrema direita e isso é extremamente perigoso, tão perigoso quanto à extrema esquerda.

    A gente tá assistindo a um desenrolar de um retrocesso histórico muito grande que irá causar um grande sofrimento ainda na minha opinião. Vamos ver muita coisa horrível acontecer na Europa por causa dos refugiados muçulmanos que tão chegando, esse embate entre a noção de cultura europeia cristã contra eles, ou no Brasil também como uma contraposição ao lulismo que controlou o país por muitos anos, com isso surgindo uma corrente de direita bastante nociva, agressiva que se volta contra qualquer um que pensa diferente deles.

    É isso que eu identifico que acontece com o meu vídeo também, quando se fala que é necessário ler O Manifesto Comunista, quem é essa dessa nova direita burra acha que se está atacando o liberalismo, a democracia e o capitalismo, você não pode criticar o establishment, tem que ser a ovelha pastando tranquila aceitando tudo que enfiam no teu rabo.

    Então, pra resumir eu não sou comunista, mas eu reconheço que não se pode jogar fora o bebe com a água suja do banho, há muita coisa interessante vindo dos filósofos marxistas de esquerda, eles tiraram muitas reflexões cruciais no século passado e ainda hoje os grandes intelectuais são de esquerda, eles costumam ser os que têm melhor percepção da realidade. (...) O problema não é ser de direita ou esquerda, o problema são os extremos."

  • Emerson Luis  17/04/2018 15:15

    Considero Mises e Hayek como complementares, ainda que alguns digam que não são totalmente compatíveis.

    Para reconciliar quem os consideram compatíveis com quem os considerem incompatíveis, podemos dizer que Mises se referia a um comunismo total, enquanto Hayek se referia a formas de social-democracias (sistemas supostamente mistos).

    * * *
  • Rodrigo Sobota  09/03/2019 13:24
    "há muita coisa interessante vindo dos filósofos marxistas de esquerda, eles tiraram muitas reflexões cruciais no século passado e ainda hoje os grandes intelectuais são de esquerda"

    Só um cabeça oca pra falar uma coisa como essa. A era de ouro desses intelectuais foi certamente o século XX, mas apenas por um breve período. Por uma grandiosa parte do séculos XX e XIX, os maiores intelectuais sempre foram nacionalistas e conservadores de direita: cito aqui apenas alguns, como Ortega Y Gasset, Hayek, Roberto Campos, Nicolaz Gomez Davila, Ramiro de Maeztu, Oswald Spengler, Carl Schmitt, Martin Heidegger, etc... É o nosso amiguinho Bugalho que anda defasado mesmo.


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