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Para melhorar a caridade, retire o governo da função assistencialista
É do interesse de políticos e burocratas criar uma cultura de dependência

A maior forma de caridade, argumentou o filósofo judeu Maimônides, ainda no século XII, ocorre quando a ajuda dada permite ao ajudado se tornar auto-suficiente.

No entanto, os sistemas de caridade estatal vigentes ao redor do mundo — eufemisticamente chamados de 'sistemas de bem-estar social' — geraram o efeito oposto: eles na realidade criaram dependência.

Pior: os grandes beneficiados acabaram sendo os próprios políticos e burocratas que gerenciam o arranjo.

A burocracia estatal é a grande ganhadora

O governo utiliza a coerção para adquirir as receitas (impostos) que usa para financiar o assistencialismo. No entanto, como evidenciada pela comissão retida antes da redistribuição da riqueza, as burocracias estatais são as grandes beneficiadas pelos programas sociais.

E isso não ocorre apenas em países atrasados e corruptos, não. Pegue, por exemplo, o Canadá, que figura entre os 10 países menos corruptos do mundo. O número de burocratas contratados apenas para gerenciar os programas de redistribuição de renda aumentou incríveis 43% entre 2006 e 2012.

Isso comprova uma obviedade: é do interesse de políticos e burocratas criar (impor) uma cultura de dependência. Quanto mais assistencialismo, maiores os ganhos daqueles que o gerenciam.

Certamente, o padrão é ainda pior nos países mais pobres.

O dinheiro do assistencialismo, em grande parte, não vai para os pobres, mas sim para os próprios membros da burocracia que coordena todo o esquema. Vai também para os assistentes sociais, para os consultores, para as empreiteiras que constroem as moradias populares, para os burocratas que gerenciam os hospitais públicos, os restaurantes populares e os centros de redistribuição.

Consequentemente, os pobres são maldosa e intencionalmente transformados em uma subclasse perpétua, dependente do governo, para que alguns parasitas possam viver confortavelmente bem à custa de todo o resto da sociedade.

Logo, é urgente repensar a maneira como estamos atualmente delegando ao estado a tarefa de ajudar as pessoas.

Irei aqui sugerir algo que muitos poderão considerar perturbador e desconcertante: o bem-estar social e todas as variedades de assistencialismo seriam mais eficazes, mais variados, mais difundidos e mais baratos se não houvesse nenhum envolvimento estatal.

As pessoas instintivamente pensam que, sem um programa assistencialista gerido pelo estado, os pobres e os necessitados não seriam cuidados e, consequentemente, seriam deixados à míngua. Com esta perspectiva em mente, as pessoas consequentemente se tornam fervorosas em sua defesa de algum programa assistencialista estatal, ainda que possam porventura apresentar reservas à maneira como tal programa esteja sendo gerido pelo estado.  

Mas eis o fato: sugerir que o assistencialismo estatal não está funcionando e que ele deveria ser abolido não é a mesma coisa que sugerir que os pobres e necessitados não devem receber cuidados. Com efeito, é exatamente o oposto.

A assistência é algo complicado — e não é apenas o assistido o que importa

O fornecimento de serviços assistenciais é um processo delicado, complicado e imprevisível. Em algumas ocasiões, simplesmente dar dinheiro pode realmente levar o assistido ao caminho da auto-suficiência; em outras, não. Dar dinheiro pode gerar uma redução temporária de seu sofrimento, mas frequentemente gera uma maior dependência e uma menor auto-suficiência. 

Em determinadas ocasiões, uma abordagem estritamente local é tudo de que se necessita; em outras, uma abordagem mais prática passa a ser essencial; já em outras, é necessária uma abordagem puramente psicológica ou emocional; e há também ocasiões em que se deve buscar algo que seja mais específico às circunstancias particulares de cada indivíduo. Por fim, há também ocasiões em que todo o necessário é apenas dar o proverbial "tapinha nas costas". Diferentes circunstâncias requerem diferentes abordagens e diferentes formas de assistência.

No passado, era assim que era feito. E os resultados eram superiores.

O historiador David Beito, em seu livro "From Mutual Aid to the Welfare State: Fraternal Societies and Social Services, 1890-1967" (Da ajuda mútua ao estado assistencialista: sociedades fraternais e serviços sociais, 1890-1967), mostrou que, independentemente de suas origens, os membros de praticamente todos os grupos étnicos e nacionais criaram formidáveis redes de auxílios individuais e coletivos para ajudar a aliviar a pobreza. Essas redes de auxílios recíprocos tendiam a ser descentralizadas, espontâneas e informais. Era comum que os doadores e os recebedores fossem pessoas da mesma camada social. Os recebedores de hoje podiam se transformar nos doadores de amanhã.

Segundo Beito:

A ajuda recíproca era algo muito mais predominante do que a ajuda governamental e até mesmo do que as doações privadas. Sua expressão mais básica era a doação informal: os incontáveis e imemoriais atos de bondade entre vizinhos, colegas de trabalho, parentes e amigos. [...]

A ajuda mútua e os arranjos informais entre os vizinhos, criados pelos próprios pobres, ofuscavam completamente os esforços das agências governamentais voltadas ao "combate à pobreza".

Sobre isso, Edward T. Devine, um proeminente assistente social, escreveu um artigo para a revista "Survey" para alertar seus colegas contra a presunção e a mania de grandiosidade que eles próprios se atribuíam. Ele reiterou que milhões de pessoas pobres estavam se mostrando capazes de sobreviver e progredir sem recorrer à ajuda governamental.

Disse ele:

"Nós que estamos engajados nesse trabalho de gerar alívio aos pobres . . .  acabamos tendo impressões bastante distorcidas sobre a importância, na economia social, dos fundos que estamos distribuindo ou dos esquemas sociais que estamos promovendo . . . Mas a realidade mostra que não somos tão indispensáveis assim. . . . Se não houvesse recursos públicos em épocas de enormes aflições e angústias, e essas pessoas tivessem de recorrer às ajudas mútuas e voluntárias, bem como aos auxílios informais feitos por vizinhos, ainda assim a maioria destas aflições seriam debeladas."

A caridade privada era mais efetiva do que o assistencialismo estatal porque indivíduos contribuindo com seu próprio dinheiro são muito mais incentivados a identificar necessidades genuínas. Em nível local, é fácil monitorar os auxiliados para garantir que eles de fato estão genuinamente se esforçando para se tornarem independentes. Com efeito, no passado mais distante, grande parte da ajuda fornecida vinha daqueles que conheciam pessoalmente os recebedores do auxílio.

Em contraste, burocracias estatais centralizadas são impessoais por natureza. Elas lidam com milhões de indivíduos que estão na lista dos auxiliados, de modo que é impossível conhecer cada um pessoalmente. Acrescente a isso o fato de que elas estão distribuindo o dinheiro alheio, extraído coercivamente via impostos, e você concluirá que os incentivos para se determinar as genuínas necessidades desaparecem quase que por completo.

A consequência é que se torna muito mais fácil fraudar o sistema (no Brasil, ver aqui, aqui, aqui e aqui). Os indolentes e os espertalhões sabem como se aproveitar do moderno sistema de assistencialismo público, ao passo que esses mesmos não teriam qualquer chance no sistema privado de antigamente.

A destituição do filantropo

Tendo tudo isso em mente, a seguinte pergunta se torna inevitável: como pode alguém realmente pensar que é viável criar um programa de assistencialismo estatal que seja feito de cima para baixo, e imaginar que tal programa irá satisfazer todas essas necessidades distintas e variáveis, de maneira consistente?

E a coisa se complica ainda mais. Até agora, falamos apenas do assistido. Temos de falar também do doador, do "filantropo".  Ele também tem de ser considerado.

Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. 

No processo caritativo, o filantropo também tem suas necessidades. Em algumas ocasiões, ele quer anonimato; em outras, ele quer reconhecimento. Há ocasiões em que ele quer estar envolvido de alguma maneira com o assistido; e há ocasiões em que ele prefere não ter envolvimento nenhum.

No entanto, quando a caridade se torna um programa estatal compulsório, as necessidades do filantropo nem sequer são consideradas. Sua renda é confiscada via impostos e fim de papo. O filantropo não tem nenhuma voz ativa; ele simplesmente não pode especificar a maneira como o dinheiro que ele ganhou e que lhe foi tomado deve ser gasto. Para piorar, o filantropo é, na maioria das vezes, moralmente contra os programas que seus impostos financiam.

A tributação é um ato de doação forçada que destrói a satisfação altruísta que as pessoas normalmente sentem quando fazem doações voluntárias. Ajudar os outros e compartilhar com eles um pouco do que temos é parte de nossa humanidade. No entanto, em um mundo em que o governo se arvorou a responsabilidade de cuidar dos pobres e necessitados, essa compaixão foi removida. Como resultado, o estado hoje detém um quase-monopólio da compaixão.

Com efeito, a coisa é ainda mais bizarramente específica: a esquerda defensora de um estado assistencialista inchado e generoso detém hoje o monopólio da compaixão. Qualquer um que não concorde com o conceito de um estado assistencialista inchado e generoso é imediatamente tido como insensível e egoísta.

A solução: concorrência

Quando você é obrigado a pagar impostos para o governo para que ele forneça serviços assistencialistas (ou mesmo educação e saúde) para os necessitados, a sua capacidade de pagar por estes mesmos serviços para você e para sua família é reduzida, pois agora você tem menos dinheiro. Após uma parte da sua renda ser confiscada via impostos, torna-se mais difícil para você bancar a escola de seus filhos, seu plano de saúde e seu aluguel. E se torna ainda mais difícil você ser caridoso para com terceiros, o que significa que tal tarefa será delegada com ainda mais intensidade ao estado. 

Pior ainda: o próprio fato de você agora ter menos dinheiro significa que você provavelmente também dependerá do estado para determinados serviços. Isso faz com que a rede de dependência cresça cada vez mais.

Mais: se o estado está fornecendo auxílio para os necessitados com o seu dinheiro, então você inevitavelmente se sentirá absolvido da responsabilidade moral de ajudar os outros necessitados.

Simultaneamente, o assistencialismo estatal, além de ser inflexível, é caro. Como mostrado acima, as burocracias que administram os programas de redistribuição de renda sempre são ineficientes e dispendiosas, além de propensas à corrupção e ao rentismo.

Se você analisar o que ocorreu ao longo das últimas décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário — necessidades humanas essenciais que, em grande parte, não são fornecidas pelo estado —, verá que houve uma queda dramática nos preços (mensurados em termos de horas de trabalho necessárias para se adquirir a mesma quantidade de cada item) e uma sensível melhora na qualidade dos produtos. A concorrência reduziu os custos. No entanto, no campo assistencialista, não houve tal melhoria. Por que não? Porque, graças ao quase-monopólio estatal, não há concorrência nesta área.

A ideia de haver concorrência para serviços caritativos é ofensiva para muitas pessoas. Mas é necessário haver concorrência se a intenção for melhorar a qualidade e reduzir os custos.

O maior gasto em nossas vidas não é, como muitos acreditam, nossa casa ou a educação de nossos filhos. Nosso maior gasto é com o governo. E tal gasto não deve ser mensurado apenas em termos de carga tributária, mas também em termos de regulações, burocracias, infraestrutura decadente e serviços pelos quais temos de pagar em dobro, pois os que o estado fornece com nossos impostos são lastimáveis (como saúde, educação e segurança). 

Sendo assim, imagine um mundo com um estado mínimo. Repentinamente, este gasto desnecessário seria removido. Sem o custo do estado, teríamos agora mais capital para investir e gastar. As pessoas genuinamente estariam no poder. Nossa capacidade de ajudar os necessitados seria aumentada.

Nossa responsabilidade moral em ajudar os outros seria repentinamente restaurada. Mais ainda, seria aumentada. 

Simultaneamente, e graças à concorrência, a ajuda que queremos e podemos oferecer seria mais barata, mais variada e de melhor qualidade. Organizações estariam competindo entre si para oferecer mais ajuda a um preço menor. E mesmo organizações que visam estritamente ao lucro estariam propensas a fazer isso porque, no mínimo, seria bom para a imagem delas.

Qual seria o resultado? Auxílios caritativos a custos mais baixos, auxílios caritativos mais eficazes, auxílios caritativos mais variados, mais difundidos e mais flexíveis, que poderiam satisfazer necessidades específicas. Em suma, uma rede caritativa de maior qualidade e que estimulasse algum retorno dos auxiliados em termos de qualificações profissionais.

Conclusão

Podem os programas assistencialistas ser reformados de modo a igualar os incentivos possuídos por indivíduos privados? Não. A natureza superior dos incentivos privados advém do fato de que indivíduos estão utilizando seus próprios recursos — seu próprio dinheiro. Isso é impossível de ser copiado dentro da estrutura institucional coerciva do governo.

Você diz que, sem o estado assistencialista, os pobres e necessitados seriam deixados à míngua? Pois eu digo que eles serão tratados em um padrão muito mais elevado do que aquele vigente hoje. Afinal, já foi assim no passado.


autor

Dominic Frisby
é jornalista e autor do livro Life After the State


  • Edson  12/12/2017 15:31
    Há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos, serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

    O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.
  • Flavio  12/12/2017 15:35
    E ninguém irá falar, mesmo porque a esquerda defensora do assistencialismo é repleta de ateus.

    O que mais tem hoje são pessoas querendo que burocratas tomem o dinheiro de terceiros (mas não delas) para desobrigá-las da responsabilidade moral de cuidar dos desvalidos. Isso é típico dos imorais, dos preguiçosos e dos totalitários.
  • Gabriel  12/12/2017 15:39
    Por falar no estrago que o estado de bem-estar social fez aos hospitais sustentados por doações, eis um triste exemplo:

    Santa Casa de SP interrompe serviço de emergência por falta de recursos
  • Isaias  12/12/2017 15:41
    Eu sempre foi engajado em movimentos de filantropia e auxílio. Na década de 90, o dinheiro doado poderia ser descontado do imposto de renda. Mas no governo do PT isso mudou. Foi criado um fundo, gerido por representantes da sociedade e do governo. O desconto do imposto foi limitado as doações a esse fundo.

    Já fui representante de um conselho que tinha poder de gerir um desses fundos, no caso voltado para assistência a crianças. É uma piada de mau gosto. Existe tanta burocracia na gestão que algumas entidades nem recebem o dinheiro. Teve ano que o dinheiro ficou guardado no fundo, e, é claro, foi para o caixa do governo. Ficou lá alimentando o Leviatã.
  • anônimo  12/12/2017 15:42
    Há bons exemplos de caridade antes da presença do estado. Em SP o hospital Sta. Catarina foi fundado em 1906 e era muito bom ou a fundação Padre Chico para crianças cegas, de 1928, bem antes do governo pensar em fazer algo.
  • Emerson  12/12/2017 16:07
    Os esquerdistas reivindicam o monopólio da virtude: se alguém discorda da forma como eles procuram ajudar os pobres, acusam o sujeito de ser "contra os pobres" e ter uma série de defeitos de caráter.

    A ajuda aos pobres deveria vir primariamente da filantropia particular, de forma direta ou através de doações de recursos e trabalho para instituições autônomas, o que permitirá evitar muito melhor os desperdícios e desvios de verbas e personalizar o auxílio, tornando-o eficaz.
  • Ricardo  12/12/2017 16:16
    "Compaixão, assistência e caridade são atitudes humanas essenciais. Elas fazem parte da natureza humana. Assim como as pessoas precisam receber, elas também devem dar. Assim como as pessoas precisam ser ajudadas, elas também devem ajudar. "

    Balela neoliberal. O capitalismo é essencialmente atribuído a ética individualista, sendo assim quando as pessoas recebem, elas não sentem a necessidade de devolver, isso é pura demagogia.
  • Gustavo  13/12/2017 12:06
    Não sentem vontade de devolver para um burocrata corrupto e populista decidir o que fazer com MEU dinheiro.

    Aliás, quase não se pratica caridade não é mesmo?

    Procurei no google, "doações valor"

    Teleton 2016 atinge meta e registra R$ 27 milhões em doações - 06 ...
    tvefamosos.uol.com.br/.../2016/.../teleton-2016-atinge-meta-e-registra-r-27-mil...
    6 de nov de 2016 - Após 26 horas de maratona televisiva, o Teleton 2016 conseguiu atingir a meta de R$ 27 milhões estipulada para a edição deste ano. ... O objetivo do Teleton, no Brasil, é arrecadar fundos para Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), uma entidade privada, sem fins lucrativos, e que ...

    Isso é só um exemplo... Fora as doações que vão desde instituições pequenas aos mendigos que pedem comida de porta em porta. O ser humano é, sim, solidário.
  • WDA  13/12/2017 12:23
    Pura demagogia é o seu tosco discursinho antiliberal.

    Se você não sabe o capitalismo se baseia em trocas voluntárias. Em outras palavras, ele se baseia em um tipo de relação em que ambas as partes desejam transacionar. E elas só fazem isso quando a troca envolve algo que as beneficie de alguma modo. Portanto, o capitalismo baseia-se em um tipo de relação em que todas as partes envolvidas saem ganhando.

    O socialismo sim, aquele jogo de soma zero, é que é demagógico em suas promessas e nocivo em seus resultados.

    Ademais, um ser humano normal não quer apenas o seu próprio bem, porque ele sente empatia por terceiros e vê-los bem também é positivo para ele próprio. O bem dos outros lhe faz bem. Portanto, o que se perde ao doar ou fazer algo por terceiros é supercompensado pelo bem estar psicológico e moral que ele sente.

    Já você, como bom socialista que é, não deve sentir por terceiros a empatia que caracteriza o ser humano normal, daí não entender algo tão óbvio. Deve ser por isso que você projeta no capitalismo sua própria estupidez e perversidade, enxergando-o à sua imagem e semelhança.

    "...quando as pessoas recebem, elas não sentem a necessidade de devolver, isso é pura demagogia."

    Você deve ser dotado da típica mentalidade burocrata-psicopata, para desejar receber sem nada em troca oferecer.

  • Ismar Gavilan  12/12/2017 16:19
    Excelente texto. Mostrei pra um colega meu, keynesiano até a medula, creio que não leu todo, e me fez algumas perguntas. Como eu ainda não tenho a tarimba do pessoal daqui, vou copiar o que ele mandou e gostaria que alguém me ajudasse a montar uma resposta pra ele, pode ser? Aí vai:

    " Ok... Ismar Gavilán, bom texto! A ideia é muito boa mesmo... Mas, na hipótese de uma rede caritativa privada, não estatal, três perguntas: (1) qual seria a motivação, o retorno, para o grupo caritativo privado, considerando que vivemos num mundo capitalista? E deveria ser um bom retorno, visto que o autor julga que haveria até boa concorrência! (2) o Estado não existe justamente para promover o "bem comum" posto que certas atividades não são desenvolvidas por nenhum grupo visto que não dão retorno ?..."

    Bom, agradeceria as sugestões das pessoas daqui. Abraços
  • Felipe  12/12/2017 16:26
    "qual seria a motivação, o retorno, para o grupo caritativo privado, considerando que vivemos num mundo capitalista?"

    Como assim qual seria a motivação? Milhares de pessoas ainda doam para a caridade hoje (majoritariamente para financiar obras sociais das igrejas). Milionários fazem várias doações anônimas, e grandes empresas -- que querem ter uma boa reputação, o que é bom em termos de mercado -- fazem doações vultosas para as causas sociais em que acreditam.

    "o Estado não existe justamente para promover o "bem comum" posto que certas atividades não são desenvolvidas por nenhum grupo visto que não dão retorno?...""

    Milhares de pessoas ainda doam para a caridade hoje (majoritariamente para financiar obras sociais das igrejas). Qual o "retorno" delas?

    Milionários fazem várias doações anônimas (Schumacher, por exemplo, fazia várias, assim como vários atletas). Qual o retorno deles?

    Grandes empresas -- que querem ter uma boa reputação, o que é bom em termos de mercado -- fazem doações vultosas para as causas sociais em que acreditam. Vai dizer que não há um grande retorno em termos de imagem?
  • André  12/12/2017 16:28
    A chave, na verdade, é o termo "bem comum".

    O problema é que o governo se justifica exatamente com essa história de bem comum, uso comum, coisa pública, etc.

    Ora, friamente falando não existe "bem comum". Se reparar bem, um "bem" (ato de benevolência) é sempre direcionado a alguém. Por exemplo, o bolsa família é direcionado para gente das classes D e E. Qual o "bem comum", que justificam? Que o dinheiro dado a estas famílias fazem com que elas possam consumir o mínimo: além de não morrerem de fome, faz com que o consumo "agregado" aumente.

    Mas o que não se vê na história é que esses recursos são retirados coercivamente de outras pessoas, portanto essas outras deixam de consumir (talvez até mais, porque seria das classes A, B e C, notadamente de maior consumo), além de todo o dispêndio com a burocracia governamental que nada mas faz que torrar o dinheiro (isso sem falar na corrupção).

    Resumo da prosa: fazer a caridade, por definição, é algo privado, individual e para alguém, um indivíduo também. A gratificação recebida pela caridade é múltipla: reconhecimento de seus pares, associação de marca, ou simplesmente consciência cristã tranquila.

    A caridade, por definição, não é "bem comum", é algo de pessoa para pessoa, logo há um doador, uma pessoa e um beneficiado, uma pessoa. E isso sempre. Se as igrejas (todas elas de todas as religiões) passassem a realizar essa atividade de dar suporte a quem precisa (e muitas já o fazem em uma escala pequena, inclusive dando educação, saúde, moradia etc.), conseguiriam arrecadar muito mais que o governo e, como naturalmente gastam com parcimônia e gastam bem, seriam muito mais eficientes nisso.

    Quando o governo se adona da prática da caridade acontece duas coisas: deixa de ser caridade, porque retira a parte humana do doador e desumaniza também quem recebe, e passa-se a fazer simplesmente transferência de renda.

    Perceba que ninguém sabe "quem" está no bolsa família, mas apenas que o governo dá tantos milhões para o programa que atente a tantas famílias? Tudo vira números, portanto, desumaniza o ato. E, o pior, para que o governo faça isso, necessita coagir uns em detrimento de outros, portanto não há nenhum bem comum nisso tudo, há privilégios de uns e imposição para outros. Pior arranjo impossível!

    Também não há nada de bem comum em construir pontes, estradas etc. por meio do governo. Se tal ponte ou estrada fosse realmente necessária em uma determinada localidade, uma empresa privada, que vai atrás dos lucros, faria tal coisa e ganharia muito dinheiro e aquela comunidade seria atendida em sua necessidade. Veja que o recurso pode vir da comunidade ou de outros que podem se interessar por aquela comunidade. Se não há necessidade, a construção é meramente um gasto de dinheiro. Não há nada de comum neste arranjo. A construção vai beneficiar uns poucos em detrimento de todos os pagadores de impostos, quando feita pelo governo.
  • Gabriel  12/12/2017 16:28
    Foram muitas questões deixadas de lado na matéria. Por exemplo a inflação na qual corrói não só o salário do filantropo comunitário, mas também a própria utilização de recursos usado na caridade como alimentos, roupas e etc. Além da inflação monetária, ainda há a inflação de demanda focado no mercado imobiliário, falando especificamente do Brasil com os programas de MCMV, imóveis que antes custavam R$90 mil, hoje custam R$300 mil, surreal isso, como irão abrigar os sem-tetos com esse preço? Sendo que qualquer terreno pequeno não sai por menos de R$20 mil, onde eu moro não existe terreno menor do que R$35 mil. Faço parte de uma caridade de animais, fomos olhar um preço de um terreno e nos assustamos, é muito caro para abrigar os animais abandonados na rua, inclusive aqui há cavalos e bois, ou seja, precisaria ser um terreno bem amplo. Fomos na prefeitura e não conseguiu disponibilizar um terreno sequer, sendo que aqui há mais terrenos, principalmente no interior do município.

    Assim é difícil mesmo.
  • Leitor  12/12/2017 16:33
    Há dois artigos específicos sobre isso. Era só ter procurado:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2781

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2763
  • Cleiton  12/12/2017 16:34
    Eu mesmo já me vi quase deixando de ser caridoso por causa do estado. Certa vez me ligaram de uma creche que cuida de crianças com problemas mentais pedindo uma doação. Na hora me veio à mente o seguinte:

    "Ora, o estado já me rouba 40% do que ganho com o argumento de cuidar das pessoas, porque não vão pedir dinheiro para a prefeitura, o governo estadual o federal??" e quase desliguei o telefone na cara da moça. Mas felizmente me lembrei de muita coisa que aprende aqui no Mises e me tornei doador da creche. Todos mês colaboro com um pouco.

    Se nós passarmos a fazer caridade voluntariamente mesmo com o estado nos roubando NÓS VAMOS MOSTRAR A INUTILIDADE DO MESMO.
  • Eduardo  12/12/2017 16:37
    O estado jamais sairá desta área, e por um motivo extremamente simples: sem o assistencialismo, ele perde toda e qualquer justificativa popular para sua existência.

    É por isso que nos países ricos, o assistencialismo não para de crescer. Já tem "pobre" europeu ganhando 2 mil euros por mês.

  • Breno  12/12/2017 16:46
    Exato. Eu sempre defendi essa tese. Quando cair a máscara filantrópica do Estado será revelada a verdadeira natureza de quem usa a retórica de moralização do roubo.

    Despido de toda a sua aparência de benevolência, o Estado nada mais é do que a racionalização do esbulho.

    Eu ainda insisto que o socialismo foi uma estratégia estelionatária e bem sucedida de justificar a existência do Estado em tempos de explosão demográfica e democracia.
  • Narciso do Amaral  12/12/2017 16:49
    Excelente artigo

    Só algumas observações:

    Vamos ser mais realistas, é impossível a livre iniciativa "tomar" a responsabilidade do assistencialismo do Estado, e nem acho que deva, ambos podem coexistir, a briga deve ser para que o Estado seja mínimo, se torne cada vez menor, e quando prestar a assistência, não torne os assistidos "zumbis", é preciso criar independência, o velho jargão, dar um peixe pra matar a fome e ensinar a pescar..

    Quem normalmente faz isso são as instituições religiosas, a que eu participo presta um tipo de assistência emergencial e depois ensina as famílias a caminharem sozinhas, como deve ser, para que abra espaço para mais famílias em situações mais desesperadoras serem ajudadas, e depois tornarem - se independentes, e assim o ciclo continua..

    O grande problema é que as instituições que prestam essa assistência do ponto de vista liberal estão sofrendo fortes ataques por parte de alguns grupos para que também sejam tributadas,(sim, estou falando do grupo de ateus esquerdistas exigindo tributação mais pesada sobre instituições religiosas), o que dificultaria ainda mais essas instituições independentes de prestarem tal assistência

    E no final das contas acabamos fazendo "caridade obrigatória" (impostos) e voluntária, pois quem toma nossos recursos para fazer, não o faz como deveria..
  • anônimo  12/12/2017 20:10
    "Vamos ser mais realistas, é impossível a livre iniciativa 'tomar' a responsabilidade do assistencialismo do Estado, e nem acho que deva, ambos podem coexistir, a briga deve ser para que o Estado seja mínimo, se torne cada vez menor, e quando prestar a assistência, não torne os assistidos 'zumbis' é preciso criar independência, o velho jargão, dar um peixe pra matar a fome e ensinar a pescar.."

    Ambos (Estado e livre iniciativa) não podem coexistir:

    1) IMPORTO É ROUBO, NÃO É CARIDADE !
    2) O Estado destrói a propensão filantropa das pessoas.
    3) Nesse artigo diz: "sistemas de caridade estatal vigentes ao redor do mundo — eufemisticamente chamados de 'sistemas de bem-estar social' — geraram o efeito oposto: eles na realidade criaram dependência."

    "a briga deve ser para que o Estado seja mínimo"

    NÃO !

    - Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?
    - Sobre a impossibilidade do estado mínimo - uma abordagem sem juízo de valor
  • Demolidor  12/12/2017 21:27
    Sim! Vamos ser realistas! Vamos ver o que acontece no mundo real:

    www.administradores.com.br/mobile/artigos/entretenimento/nao-trabalhe-por-dinheiro-um-mendigo-ganha-mais-do-que-voce/86735/
  • Narciso do Amaral   13/12/2017 01:56
    Demolidor, Você ou alguém de sua família trabalha como pedinte no semáforo?
  • Demolidor  13/12/2017 12:53
    Boa pergunta. Hoje, felizmente, não. Mas já tive parentes que desceram a esse ponto e, segundo dizem, não foi tão ruim quanto pensavam.

    Minha família, quando chegou ao Brasil, passou fome, dependendo da caridade de estranhos, especialmente igrejas, para comer.

    Muitas décadas depois, tendo se fixado no norte do Paraná, passaram pela tragédia da grande geada de 1975. O pessoal se ajudava como podia.

    Mas isso não foi nada perto das grandes tragédias provocadas por planos econômicos do governo na década de 1980. Alguns parentes faliram de maneira terrível, e precisaram de ajuda da família. Na década de 1990, ocorreu o contrário. Meus pais estavam quebrados e cheguei a morar com um tio para aliviar despesas em casa.

    A família só se reergueu, como um todo, no final da década de 1990. Mas alguns precisaram de ajuda novamente em 2015 e 2016, por novos desastres "naturais" provocados novamente pelo governo.

    Então, meu caro, já estive na situação de depender de caridade e de provê-la. Tudo que de pior aconteceu conosco veio do governo, essa entidade que dá migalha com uma mão e retira um caminhão com outra.
  • Narciso do Amaral  13/12/2017 14:31
    Demolidor, então porque não faz um blog sobre como é ser pedinte no semáforo e faturar os R$8.000,00 livres por mês, garanto que tal ato de caridade será muito mais abrangente e eficaz em ajudar pessoas em situação difícil.
  • Demolidor  13/12/2017 14:43
    A ideia não é ruim. Ajudaria a comprovar que o governo não é necessário. Obrigado pela sugestão.
  • Carlos Henrique  12/12/2017 16:56
    Concordo que não faz sentido entregar o juízo de valor (determinar quem precisa e quem não precisa de ajuda) ao estado. Mas deixar a cargo do indivíduo também não irá funcionar. Vou dar um exemplo muito comum no nosso mundo: Você tá lá no trânsito, dentro do seu carro, e de repente aparece uma pessoa pedindo ajuda. Você não conhece essa pessoa, como você vai ter condições de fazer um julgamento correto?

    Não fica claro que até um indivíduo não tem condições de fazer um julgamento sobre o outro? Para ser justo, ou você ajuda todo mundo ou não ajuda ninguém pois se tentar fazer um julgamento, terá uma grande probabilidade praticar uma injustiça.
  • Professor  12/12/2017 17:09
    "Você tá lá no trânsito, dentro do seu carro, e de repente aparece uma pessoa pedindo ajuda. Você não conhece essa pessoa, como você vai ter condições de fazer um julgamento correto?"

    Isso vai de cada indivíduo. É o pressuposto mais básico da liberdade. Você tem a liberdade de errar e de acertar em seu juízo de valor (desde que não agrida ninguém).

    Se um indivíduo, frente à frente, olhando nos olhos, é incapaz de fazer um juízo correto sobre o pedinte, quais as chances de um burocrata em Brasília conseguir fazer isso?

    Outra coisa, e isso é mais importante: por que o pedinte, em vez de fazer abordagens no sinal, não simplesmente vai à igreja, paróquia ou instituição de caridade mais próximas em busca de ajuda?

    "Não fica claro que até um indivíduo não tem condições de fazer um julgamento sobre o outro?"

    Sempre e em toda e qualquer ocasião? Que generalização mais tosca.

    Se um indivíduo, presente na cena, não tem essa condição, então por que um burocrata confortável em Brasília teria?

    "Para ser justo, ou você ajuda todo mundo ou não ajuda ninguém pois se tentar fazer um julgamento, terá uma grande probabilidade praticar uma injustiça."

    Generalização ainda mais tosca. Qual é a "injustiça" em eu ajudar quem não precisava e não ajudar quem precisava? Isso pode ter vários nomes -- "distração", por exemplo --, mas não "injustiça". Seu vocábulo está deslocado da realidade.
  • Vladimir  12/12/2017 17:02
    Falta pouco para gastarmos mais com o governo do que com nós mesmos. Estamos trabalhando 5 meses e 3 dias por ano para pagar impostos. Mais 2 meses e nós iremos virar escravos constitucionalizados.
  • Maurício  12/12/2017 17:08
    Quando Johnny Depp esteve no Rio de Janeiro e zerou a fila de espera doando 220 aparelhos auditivos para crianças pobres ele foi duramente criticado e esculachado por grupos de esquerda no facebook. "Ele só quer aparecer na mídia" eles diziam.

    A verdade é que a esquerda possui verdadeira ojeriza à caridade privada, já que ela evidencia de forma cristalina toda a ineficiência e incapacidade do estado em atender as necessidades das pessoas.

    Na mente doentia de alguns socialistas é preferível ver alguém morrer na fila de espera de um hospital público do que algum rico aparecer e ajudar todo mundo, já que isso seria um claro sinal da superioridade da caridade privada sobre a "caridade" estatal.
  • Gustavo  12/12/2017 18:18
    Trabalhar por menos de salário mínimo e/ou sem "direitos" trabalhistas: escravidão, opressão, empresário malvadão...

    Famílias vivendo no sertão com bolsa família de 70 reais: avanço social, justiça social, #opovonopoder


    Seria cômico se não fosse trágico.
  • Luiz Moran  12/12/2017 19:59
    " cumpanheiros, agenti vâmu tirá os póbi da miséra, vâmu criá o fomi zeru...nunca antis na história destepaíz algum pulíticu feiz nada parecidu comqui o petê vai fazê.
    Us pograma du nossu governu vai ser tudo pros póbi, e o dadu concretu é qui agenti vâmu dá o bolça familha pra nunca mais niguém ficá de barriga vazia.
    A única coisa qui eu pésso é para voceis votá no petê, vai lá e digita o 13 qui dispois podim vim mi cobrá.
    Num é qui eu queru mi gambá, mais num tem no Basil ou no mundo uma peçoa mais onesta duqui eu".
  • anônimo  13/12/2017 10:26
    Hoje eu não ajudo mais ninguém. Eu cansei de enxugar gelo.

    A única ajuda financeira que eu estou doando, é para quem ataca a esquerda e os parasitas do governo.

  • Leigo  13/12/2017 10:43
    400 milionários pedem que Trump não reduza seus impostos

    "Em carta ao Congresso, os mais ricos alertam que a redução dos impostos só favorecerá a desigualdade"

    "Acreditamos firmemente que a forma de criar mais empregos de qualidade e fortalecer a economia não é reduzindo os impostos de quem tem mais, mas investindo no povo norte-americano"

    E quando os próprios ricos chegam a este ponto? Não seria mais fácil que os mesmos, agora com mais dinheiro no bolso, fizessem doações para diminuir a desigualdade? Agora que terão mais dinheiro, não poderão investir e fornecer mais empregos? A lógica keynesiana/esquerdista está no povo.
  • Luiz Moran  13/12/2017 16:40
    Reduzir impostos significa aumentar a concorrência oriunda de empresas emergentes, pequenas e médias, e é exatamente disso que os mega empresários não gostam.

    O efeito disto é exatamente o oposto do que eles alegam, ou seja, reduz a desigualdade entre as empresas como consequência da maior concorrência.

    Esses mega empresários fazem parte da elite mundial metacapitalista, onde ela própria alimenta a esquerda mundo a dentro e fomenta as regulações.
  • L Fernando  14/12/2017 00:13
    Exato
    Mas é só manter destes 400 que pedem isso.
    Reduza para os demais
    Quero ver se topam
  • Leo Ferreira Isidoro  13/12/2017 19:55
    O assistencialismo deve ser considerado uma doença, digo isso porque muitas pessoas, acabam sendo seduzidas pelos argumentos filantrópicos. Geralmente, os menos cultos, os que possuem menos instrução, se sentem representados pelas palavras de apoio, de incentivo que os socialistas usam em seus discursos. Não os culpo por isso, afinal muitos de nós defensores do libertarianismo, também já defendemos essa falsa filantropia, não por desonestidade, mas por pura falta de conhecimento. Contudo, nós podemos ver que os socialistas estão aos poucos atribuindo em seus discursos um viés liberal para atrair ainda mais indivíduos a sua causa, devemos ficar alerta a essa artimanha, pois sabemos que a única coisa que desejam é obter maioria para usar a democracia a seu favor!

  • Gabriel Vinícius   14/12/2017 02:05
    Pessoal, os Correios geram riqueza? Pergunto isso por ser uma empresa pública (a lógica é que tais empresas apenas destroem riqueza) e covrar pelos serviços postais...
    Sendo assim, quando você paga para enviar uma carta, malote ou cartão postal, ou uma encomenda qualquer, você gera um saldo para a empresa. Eu não sei como funciona a lógica dos Correios, mas suponhamos qe os funcionários de determinada agência em um município X sejam pagos com o dinheiro das encomendas recebidas... Se for assim eles produziriam riqueza tal como uma empresa privada?

    Ps: Perdoem a ignorância, mas mesmo lendo alguns artigos sobre privatizações de empresas e a desestatização dos Correios, não entendi o motivo de porque as empresas públicas não geram riqueza.
  • Juliano  14/12/2017 03:34
    Os Correios são deficitários. Nos últimos 5 anos, eles tiveram prejuízos em todos os anos.

    m.economia.estadao.com.br/noticias/geral,no-5-ano-de-prejuizo-correios-projetam-rombo-de-r-1-3-bi-em-2017,70001842017.amp

    Quando estatais têm prejuízos, o rombo é coberto com dinheiro de impostos. Dinheiro que poderia ser usado por empreendedores para investimentos em capital acaba sendo desviado para sustentar uma máquina deficitária.

    Pior: estatais, por operarem com dinheiro de impostos e saberem que sempre serão socorridas, não têm incentivo para ser eficientes. Assim, com dinheiro garantido, sem preocupação com eficiência e altos salários, elas acabam imobilizando capital e mão de obra que poderiam estar sendo utilizados em outros setores, onde iriam produzir riqueza e atender a genuína demanda dos consumidores.

    Tudo isso é pura destruição de riqueza.
  • Gabriel Vinícius  14/12/2017 16:04
    Conversei com o carteiro do bairro na semana passada e ele disse que não é bem assim. Ele disse que os Correios sempre giraram com lucro, mas desde exatos cinco anos, começou a girar somente no vermelho, ou seja, com déficit. Ele alegou que isso é devido à recessão, pois os lucros foram diminuindo até que a empresa entrou em déficit.

    A lógica dele sobre como os Correios geram riqueza é a seguinte: Eu pago X por uma encomenda. Esse dinheiro entra no caixa dos Correios e é usado para cobrir as despesas, incluindo funcionários, energia, computadores, veículos, enfim. Sendo assim, os Correios geram riqueza sim (pela lógica que ele me explicou).
  • Narcio   14/12/2017 16:47
    E você esperava o quê? Que ele falasse a verdade e criticasse o próprio meio de sustento?

    Aliás, empresa que detém um monopólio garantido pelo governo e ainda assim consegue a façanha de ter vários anos de prejuízo seguidos ... olha, tem que ser bom, viu?

    Se isso não é destruição de riqueza, então nem furacão e enchente são.
  • Leigo  14/12/2017 13:54
    Gabriel Vinícius, creio que o erro está aqui: "não entendi o motivo de porque as empresas públicas não geram riqueza". Em alguns casos elas geram riqueza, acontece que de forma desproporcional a que uma empresa privada poderia produzir, e é justamente essa lógica que a Escola Austríaca propõe demonstrar. Pense bem, a economia é a administração dos recursos escassos, o governo é o rei em gastar ineficientemente, talvez existam alguns países mais bem intencionados que ocorra um melhor gasto, ai você pensa, um desses países é o Canadá, pessoas bem instruídas e tudo mais... será? Dê uma olhada nisto aqui: www.mises.org.br/Article.aspx?id=2735

    Motivos que ajudam na ineficiência do governo:
    - Falta de concorrência.
    - Reservas de mercado.
    - BNDES...
    - www.mises.org.br/Article.aspx?id=1927

    Ai vai...
  • Gabriel Vinícius  14/12/2017 16:07
    Muito obrigado pela explanação e pelos artigos mencionados.

    Sobre eu não ter entendido o motivo de as empresas públicas não geraram riqueza, é o seguinte: eu entendo que quando uma empresa pública tem déficit, o rombo é coberto pelo Tesouro, o que de facto é destruição de riqueza. Mas e quando a lógica dos Correios é aplicada? Digo, quando a empresa pública trabalha com o dinheiro ganho na venda de sua mercadoria ou serviço (independente da qualidade do serviço fornecido)?
  • Narcio  14/12/2017 16:53
    "Digo, quando a empresa pública trabalha com o dinheiro ganho na venda de sua mercadoria ou serviço (independente da qualidade do serviço fornecido)?"

    Você próprio acabou de responder com sua observação entre parênteses.

    Se uma empresa ganha dinheiro mesmo prestando serviços porcos, então certamente é porque ela usufrui alguma reserva de mercado e não tem concorrência. Sendo assim, os consumidores estão sendo forçados adquirido os serviços dela. Não há alternativa.

    Você ser forçado a adquirir algo, por falta de opção, é um exemplo explícito de destruição de riqueza. Houvesse opção você simplesmente não daria seu dinheiro para aquela empresa.
  • OFF  14/12/2017 22:04
    [OFF]
    Eu estava vendo as pesquisas eleitorais, e ou Lula ou Bolsonaro são os mais prováveis para se elegerem. Mas o Lula provavelmente não vai conseguir concorrer em 2018, ficando apenas o Bolsonaro.

    Os admins do site não acham uma boa procurarem o Bolsonaro e dar umas aulas sobre livre mercado para ele antes das eleições? Ele pode ser nossa esperança para implementar boas políticas de livre mercado nos próximos anos no Brasil.
  • Juliana  15/12/2017 15:56
    Muito bom! E já que não é possível acabar com o assistencialismo de uma vez, seria muito bom que ele começasse pelo menos a ser programado para ter apenas um limitado período de duração. É no mínimo uma maneira mais suave de fazer com que as pessoas tomem consciência e se preparem seja para a caridade, seja para a autossuficiência.

    E em algum ponto, o artigo me trás à memória aquele episódio em que o Bill Gates criticou a taxação progressiva e global proposta pelo Piketty, e apontou vários erros na obra "O Capital no Século XXI". Corretamente ele citou como exemplo que a pobreza extrema diminuiu, que não existe essa aristocracia de famílias ricas que simplesmente se perpetua de geração em geração (como o livro dá entender), que quem reinveste seus ganhos contribui, que a caridade já é por si só uma forma de redistribuição, etc.

    E na prática, a resposta do Piketty foi basicamente dizer que apesar de o Bill Gates acreditar sinceramente ser capaz de contribuir para a redução da desigualdade, e talvez ser, ele como indivíduo não é mais eficiente que o governo.

    Ficou um pouco cômico ele dizer isso, porque se uma pessoa como Bill Gates — cuja isenção de impostos deveria ser defendida até pelo mais fervoroso adepto da redistribuição de renda – não é digno de consideração, quem será?
  • Emerson Luis  31/12/2017 22:14

    O assistencialismo estatal tira das pessoas tanto a capacidade de ajudar quanto o senso de responsabilidade. As regulamentações do Estado reduzem a quantidade de empregos e os salários; logo, a maioria dos brasileiros está desempregada ou recebendo um salário baixo, lutando para não se tornarem parte dos que necessitam do assistencialismo.

    E como recebemos 50% do que deveríamos e pagamos 50% mais por tudo que compramos por causa dos encargos, impostos, etc. que o governo cobra (diz ele) "para ajudar os pobres", muitos brasileiros não têm condições nem veem motivos para fazer caridade.

    Dois importantes geradores de bem-estar são a caridade (ajudar sem obrigação nem receber algo em troca) e a gratidão. O que devia ser uma fonte de prazer voluntário (a caridade) se torna uma coercitiva fonte de ressentimento.

    Além de ter estatizado a assistência social, o Estado transformou a caridade em "justiça social"; quem recebe tende a se tornar um ingrato que só reclama de não receber mais.

    * * *


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