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Por que um esquerdista decente e coerente deveria odiar o socialismo
O socialismo sempre perseguiu as minorias e garantiu privilégios a uma pequena elite

Os 100 anos da Revolução Russa — a qual gerou 61 milhões de cadáveres — explicitaram um enorme contraste entre o silêncio dos russos e a celebração da esquerda brasileira. Houve político se licenciando do cargo para ir à Rússia festejar e se frustrando com a ausência de qualquer festividade.

A Câmara dos Deputados, inclusive, realizou uma sessão solene por causa da data.

O pouco caso da esquerda brasileira para com as vítimas do socialismo é um fenômeno curioso. É impossível encontrar alguém que se autodenomine mais interessado com o próximo do que um esquerdista. São "os inteligentinhos", como afirma o filósofo Luiz Felipe Pondé, detentores do monopólio das virtudes. Quem é esquerdista costuma justificar sua opção ideológica como sendo alguém que "se importa com as pessoas".

Peça mais detalhes de por que o sujeito está na esquerda e você provavelmente terá como resposta algo como: "Bem, eu não gosto da desigualdade que existe hoje. Eu me importo com o sofrimento das minorias e gostaria de mais liberdades individuais para mais pessoas".

Se você pegar alguém mais estudado, ele vai chamar isso de "se importar com os direitos humanos".

Todos estes quatro pontos — igualdade de tratamento, proteção das minorias, defesa das liberdades individuais e dos direitos humanos — não apenas são muito importantes, como também, por definição, implicam que a esquerda deve rejeitar por completo socialismo.

O socialismo gera tudo aquilo que a esquerda supostamente deveria abominar

Analisando as experiências socialistas, constata-se que não houve nada pior para a igualdade, para as minorias, para as liberdades individuais e para os direitos humanos do que os acontecimentos na União Soviética, na China, na Coreia do Norte, em Cuba, no Leste Europeu e em todas as outras experiências socialistas.

Nada no mundo gera mais desigualdade do que uma ditadura do proletariado.

Na China, enquanto as pessoas comiam casca de árvore para não morrer de fome, a alta burocracia chinesa vivia no luxo e Mao Tsé-Tung mantinha um harém. "Curiosamente", o mesmo acontece em 2017 na Coreia do Norte.

Já na Venezuela, enquanto a população come cachorros, revira latas de lixo em busca de comida e passa por um emagrecimento compulsório, membros do governo se fartam em festas luxuosas regadas a champanha e comida farta e chique.

Em Cuba, a família Castro e dirigentes do partido levam vidas luxuosas na mesma ilha em que o povo raciona comida há mais de 5 décadas, e cuja salário médio — atenção, salário médio e não salário mínimo — é de 22 dólares mensais.

Cuba também é um exemplo de quão terrível é ser uma minoria em um país socialista. Embora seja uma ilha majoritariamente negra, eles quase não aparecem na composição do governo cubano, além de serem minoria entre os professores universitários.

Ser gay na ilha comandada por Fidel Castro durante décadas significou ir para campos de concentração. Toda uma rede de campos de trabalho forçado ao longo de Cuba foi criada para torturar e reeducar gays e efeminados com o intuito de fazê-los renunciar às suas "perversões malévolas", as quais eram vista como o produto do capitalismo moralmente corrosivo.

Em 1965, Fidel Castro e Che Guevara criaram as Unidades Militares de Ajuda à Produção, que nada mais eram que acampamentos de trabalho agrícola em regime militar, com cercas de 4 metros de arame farpado, onde os homossexuais e outros "marginais" realizavam trabalho forçado nos canaviais, com jornadas de até 16 horas, em condições desumanas muito semelhantes aos campos de concentração nazistas. Inúmeros artistas e escritores homossexuais foram perseguidos: Virgílio Piñera, Lezama Lima, Gallagas, Anton Arrulat, Ana Maria Simo e Alien Ginsber foram os mais notórios.

Segundo o jornalista cubano Luis Ortega, que conheceu Che Guevara ainda em 1954 e que escreveu o livro "Yo Soy El Che!", o número de pessoas que Guevara pessoalmente mandou fuzilar foi de 1.892. Guevara pessoalmente executou vários homossexuais, os quais ele assumidamente detestava. 

Em 1971, homossexuais foram proibidos de ocupar cargos públicos; a sodomia constou no Código Penal Cubano até 1979, e beijos homossexuais eram punidos com cadeia por atentado ao pudor até 1997.

O mesmo aconteceu na União Soviética. Entre 1934 e 1992, mais de 50 mil homossexuais foram condenados com base no art. 121 do Código Penal Soviético, em que ser gay era crime punido com trabalhos forçados até 1992. Isso significa que a União Soviética tornou a homossexualidade uma prática ilegal por quase 60 anos, fazendo com que o atual regime de Putin, que proíbe marchas LGBT, seja um parque de diversões em comparação.

Já no que toca às liberdades individuais, os regimes socialistas se caracterizaram justamente por suprimi-las. Cuba, até hoje, é um dos poucos países do mundo que pune o tráfico de drogas com pena de morte. Se boa parte da esquerda mundial atualmente levanta a bandeira do fim da guerra às drogas, Mao Tsé-Tung se orgulhava de ter eliminado a venda de ópio matando todos os vendedores.

Na China, a liberdade individual se tornou controlada ao ponto de o governo decidir quantos filhos você pode ter e, até mesmo, em que local você deve morar, haja vista os passaportes internos que impedem a população chinesa de mudar de uma cidade para outra.

Ao passo que os direitos humanos foram conquistas liberais, os regimes socialistas configuraram quadros completos de controle e violação da dignidade humana. Há vítimas do socialismo que morreram pelo crime de cantar músicas "ocidentais" no Camboja. Na Rússia, o rock era considerado subversivo, fascista e tinha que ser contrabandeado. Diversos músicos cubanos foram censurados pelos irmãos Castro.

Já Mao Tsé-Tung famosamente se gaba de ter "enterrado vivos 46.000 intelectuais", o que significa que ele os enviou para campos de concentração, onde ficariam calados e morreriam de fome. Enquanto isso, o radical movimento comunista de Pol Pot (o Khmer Vermelho) executou intelectuais aos milhares, chegando ao ponto de ter como alvo qualquer pessoa que usasse óculos

Não obstante, a intelectualidade sempre foi a grande defensora do socialismo.

No socialismo, a arte e o pensamento não eram autênticos como devem ser, mas uma mera máquina de propaganda do poder.

Atualmente, todas as aulas lecionadas na Coreia do Norte são gravadas para controlar o que é transmitido aos alunos, havendo diversos temas proibidos, como falar da internet ou contar como é a vida fora da península. Não há liberdade individual sem liberdade educacional.

A própria apreciação do socialismo era forçada. Alexander Soljenítsin, que sobreviveu a um campo de concentração soviético, conta histórias escabrosas em sua obra-prima Arquipélago Gulag. Josef Stalin, muito além de conduzir as Grandes Purgas e ser o responsável pelo genocídio do Holodomor, criou os aplausos forçados. Seu nome era anunciado nos teatros, e as pessoas aplaudiam durante dezenas de minutos, pois ninguém queria ser o primeiro a deixar de aplaudi-lo e ser considerado um traidor (o que levaria ao seu assassinato). O socialismo chegou ao nível em que até as saudações eram controladas por um único homem.

Não há nada parecido com direitos humanos nos países socialistas. Além de todos os exemplos acima configurarem ataques diretos aos direitos humanos, vale também lembrar que princípios milenares, como o direito à ampla defesa e ao contraditório, ao devido processo legal, habeas corpus ou um mínimo de dignidade aos presos sempre foram apenas uma miragem nos regimes socialistas. Ser preso pela polícia de um país socialista significa ser condenado e trancafiado em uma masmorra — quando não em um campo de concentração, como ainda hoje milhares de pessoas estão presas na Coreia do Norte.

O socialismo não trouxe igualdade, não protegeu minorias, destruiu liberdades individuais e desprezou os direitos humanos. A despeito disso, a esquerda brasileira ainda idolatra a União Soviética, Cuba e defende a atual situação da Venezuela.

Até quando insistirão em defender o legado de um desastre que resultou em tudo aquilo que eles dizem repudiar?

Ou abandona ou assume logo

Rudolph Rummel, demógrafo perito em contabilizar todos os homicídios em massa causados por governos, estimou o total de vidas humanas dizimadas pelo socialismo do século XX em 61 milhões na União Soviética, 78 milhões na China, e aproximadamente 200 milhões ao redor do mundo. Todas essas vítimas pereceram de inanições causadas pelo estadocoletivizações forçadasrevoluções culturaisexpurgos e purificaçõescampanhas contra a renda não-merecida, e outros experimentos diabólicos envolvendo engenharia social.

Em termos de monstruosidade, esse terror simplesmente não encontra paralelos na história humana.

Ou a esquerda rejeita definitivamente o desastre socialista ou então assume de vez que não está interessada em ajudar ninguém, mas apenas em conseguir o poder e usufruir a "glória de mandar".

Stálin, Mao, Fidel, Pol-Pot, Chávez, Maduro, Kim e todos os outros líderes socialistas se mantiveram no poder não apesar de todo esse desastre, mas justamente devido a ele. Esse tipo de violação à dignidade e aos direitos humanos é a única forma de tanto poder concentrado ser mantido nas mãos de tão poucos.

Conclusão

É impossível haver socialismo sem tirania. A defesa do socialismo é, inescapavelmente, uma apologia da violência.

O historiador marxista Eric Hobsbawn chegou ao ponto de se referir aos milhões que perderam suas vidas para o socialismo como algo menor. "Não se faz omelete sem quebrar alguns ovos" sempre foi a máxima socialista para justificar seus fins. O problema é que as omeletes nunca apareceram.

Já Stálin sempre ressaltava: "a morte de um homem é algo trágico; já a morte milhões é apenas estatística".

Só que indivíduos não são nem ovos, tampouco números; indivíduos são indivíduos, e, apesar do discurso e do monopólio das virtudes, ao celebrar o socialismo, a esquerda demonstra não se preocupar verdadeiramente com eles.

 

Nota: Este texto foi uma parceria com Ivanildo Terceiro – Diretor de Comunicação do Students For Liberty Brasil e Leandro Roque, editor do site do Instituto Mises Brasil.

 


autor

Luan Sperandio
é graduando em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e faz MBA em Liderança e Desenvolvimento Humano na Fucape Business School. Atualmente, é vice-presidente da Federação Capixaba de Jovens Empreendedores, editor do Instituto Mercado Popular e colaborador do Ideias Radicais.


  • Mises Datado   05/12/2017 14:33
    Socialismo não é sinônimo de ditadura.


    Existe ditadura de direita também.

    IMB sempre mal intencionado e desinformando as pessoas.

    O que eu mais vejo é gente reclamando que o mundo ta mais "esquerdista", que a Europa é "esquerdista".

    Pq o IMB quando vai citar o socialismo não usa exemplo da Dinamarca ? Suécia ? Noruega ? Cite os locais com melhores aplicações de impostos, com Estado mais eficiente. Tenha a coragem...



  • Jece Valadão  05/12/2017 14:52
    Mas, meu doce, isso é o que mais é feito aqui (eu mesmo já li tanto artigo sobre a Escandinávia que já fiquei até enjoado).

    Em todo caso, seja bem-vindo:

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Dois desafios para os social-democratas defensores do intervencionismo estatal e de um estado grande

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"

    Segundo o site Doing Business, nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil, se você quiser importar pela internet, pagará no mínimo 60%);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 15% (no Brasil, chega a 34%);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho);

    6) o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Não há uma CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nos países nórdicos.

    O único quesito em que os nórdicos superam o Brasil em ruindade é no IRPF, cuja alíquota máxima lá é maior que a daqui (o que não significa muito, pois lá é cheio de dedutibilidades e tax-rebates, e os mais ricos sempre conseguem driblar as regulamentações e encontrar loopholes).

    Aliás, na classificação do Instituto Fraser, a Suécia e a Dinamarca possuem mais liberdade econômica que os EUA no que diz respeito à estrutura legal e aos direitos de propriedade; a moeda é mais sólida (temos menos inflação), o comércio internacional é mais livre e menos protecionista, e as regulamentações sobre as empresas e sobre o mercado de crédito são mais baixas. Não há uma aquela infinidade de leis que regulamentam profissões e licenças ocupacionais, as quais bloqueiam a concorrência em vários outros países.

    Se isso é socialismo, então eu sou socialistaço!


    De brinde para você:

    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas

    Saudações!
  • Eduardo  06/12/2017 22:51
    kkkkkkkk Mitou na resposta!!!
  • Gabriel  05/12/2017 14:54
    https://mises.org.br/Article.aspx?id=2161
    https://mises.org.br/Article.aspx?id=2210
    https://mises.org.br/Article.aspx?id=2211
    https://mises.org.br/Article.aspx?id=2406
    https://mises.org.br/Article.aspx?id=2548
  • João Paulo  05/12/2017 15:23
    Capital imoral mudou de nome? kkkkkkk
  • Gabriel  05/12/2017 15:47
    Duvido, o Capital Imoral é bem mais sofisticado.
  • Demolidor  05/12/2017 16:01
    Vira o disco. Que Escandinávia o quê? Esses resultados deles são superados, e com grande facilidade, por países que sequer cobram impostos.

    Vai aí um exemplo para causar uma torção dentro do seu cérebro: nos Emirados Árabes, os prisioneiros preferem ficar presos em Dubai do que ser deportados para seus países de origem:

    https://www.khaleejtimes.com/nation/general/90-of-indian-prisoners-prefer-to-stay-in-uae-jails

    Filipinos, bangladeshi e outros preferem viver onde não há leis trabalhistas nem salário mínimo do que em seus países socialistas.

    Por que vocês de esquerda só focam na exceção, naquilo que é ruim em cada lugar?
  • PepePoA  05/12/2017 18:10
    Esse é o gênio que na sessão de comentários de outro artigo disse que "o governo é fruto da LIVRE interação entre as pessoas", e agora, como um bom esquerdista adestrado no DCE de uma universidade federal, vem aqui afrontar os leitores com uma informação bombástica: países nórdicos são socialistas!!!

    Esse é tão persistente em passar vergonha que já tá ficando famoso.

    Saudades do Capital Imoral e Típico Filósofo!
  • Dalton C. Rocha  05/12/2017 19:43
    "Continuo detestando a racialização do Brasil, uma criação – eu vi – do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Nossa maior conquista – o conceito de povo brasileiro – desapareceu entre os bem-pensantes. Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso." E concluiu: "Quero que as raças se fodam." > https://istoe.com.br/racializacao-e-uma-histeria-que-tem-que-parar-diz-secretario-do-rio/
  • Tarantino  07/12/2017 01:52
    A única organização socialista imaginável deveria, em primeiro lugar, abolir o estado. Não há nada mais lógico e coerente.
  • Marcio Cruz  07/12/2017 23:39
    Não há nada mais contraditório que o Socialismo, matéria muito bem redigida, clara e objetiva. Em relação ao comunista que postou abaixo tomou uma sacudida ... passou tanta vergonha que se eu fosse ele nem apareceria mais
  • Aloisio Siscari  05/12/2017 14:35
    Brilhante texto. Pena que socialistas não conseguem lê-lo; se leem não entendem; se entendem dizem que não é com eles, é com o sistema.
  • Joao  05/12/2017 19:52
    O texto é realmente muito bom. Tão bom, que acredito ser possível mudar sim as convicções de alguns poucos socialistas bem intencionados.
    Na minha juventude, totalmente ignorante de economia e de história e com o cérebro lavado por professores marxistas, comecei a me fazer questionamentos parecidos com os do texto, ainda que em grau muito mais superficial.
    Pouco a pouco fui percebendo a inconsistência dos ideais socialistas, até desacreditá-los por completo.
    Quem me dera encontrar um texto assim naquela idade.
  • JOSE F F OLIVEIRA  05/12/2017 14:46
    Príncipes, governantes e generais nunca são espontaneamente liberais. Tornam-se liberais quando forçados pelos cidadãos.
    [Ludwig von Mises]

    ************************

    A humanidade precisa, antes de tudo, se libertar da submissão a slogans absurdos e voltar a confiar na sensatez da razão.
    [Ludwig von Mises]
  • Baroni  05/12/2017 15:10
    De acordo com recentes estudos o esquerdismo causa depressão e doença mental. rsrs.
    Matéria no link abaixo.

    www2.uol.com.br/sciam/noticias/cerebros_pro-sociais_sao_mais_propensos_a_depressao.html
  • Gabriel  05/12/2017 15:17
    Pra mim me parece que ser liberal é que causa depressão. Ser liberal no Brasil é foda.
  • Daniel  05/12/2017 18:01
    Melhor texto que li nos últimos 3 meses, pelo menos.
  • Gilson  05/12/2017 18:14
    Boa tarde Leandro, gostaria de dedicar um assunto em OFF com você.

    Estava no yt e vi uma discussão que o sujeito - Carlos - declara que a Dilma não poderia diminuir os juros por conta do déficit em conta corrente, que sem antes debelar essa conta, não poderia haver diminuição da taxa de juros. Depois ele disse que os juros subiu para não haver fuga de capitais, e que tudo o que importava, era o saldo das transações correntes da qual necessitava de capitais externos.

    Eu estava dando uma pesquisada nisso na internet e verifiquei que desde 2008, o Brasil vêm tendo déficit em transações correntes chegando a US$90 bi em 2014, mais o déficit estava aumentando desde 2011, exatamente quando Dilma começou abaixar os juros até o patamar de 7,25% em Outubro de 2012 até Abril de 2013. Em 2015 mesmo havendo saldo positivo da balança comercial e mesmo tendo investimento estrangeiro líquido de US$33 bi, ainda sim tivemos déficit em conta corrente, menor, porém ainda tivemos.

    Numa situação paralela, está a do governo Temer, ao invés do Temer atacar a questão dos juros como Dilma, ele aprovou o teto de gastos, sinalizando uma freada nos gastos públicos, aqueles gastos correntes que os esquerdas defendem vigorosamente como saúde, educação, previdência e etc, os chamados gastos correntes e como consequência dessa política de Temer, a inflação assim como os juros estão caindo a níveis abaixo de Dilma, e agora é que vem a cereja do bolo, está havendo diminuição desses índices mesmo tendo déficit em conta corrente, ou seja, o Temer já não dá uma resposta para o Carlos?

    Essa discussão teve início por conta dos juros sobre a dívida pública, já que de acordo com as planilhas do banco central 81,7% do déficit fiscal de janeiro à agosto desse ano foi gerado pela despesa com os juros. Segundo eles, o déficit primário é desviar a atenção da população, fazendo acreditar que o desequilíbrio das contas públicas tem como responsáveis os serviços públicos (saúde, educação, ciência & tecnologia, etc.) e os investimentos, em detrimento dos custos da dívida pública que é o grande responsável pelo desiquilíbrio, segundo a tese deles.
  • Leandro  05/12/2017 20:21

    A norma sempre foi o Brasil ter déficit na conta-corrente, pois a balança de serviços sempre - sempre! - é deficitária.

    Os poucos anos em que o Brasil tem superávit na conta-corrente se devem às volumosas receitas das exportações de commodities -- receitas essas geradas por um dólar fraco.

    Quanto mais fraco o dólar, mais caras as commodities, maiores as receitas de exportações.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190

    Logo, quando o dólar está fraco, as commodities (cotadas em dólar) encarecem, as receitas de exportações bombam, a balança comercial fica extremamente superavitária (muito maior que o déficit da conta de serviços) e, por conseguinte, a conta-corrente se torna superavitária.

    Consequentemente, subir juros em nada afeta a conta-corrente.

    "Depois ele disse que os juros subiu para não haver fuga de capitais, e que tudo o que importava, era o saldo das transações correntes da qual necessitava de capitais externos."

    Raciocínio sem nenhum sentido. O que estimula a vinda de capital estrangeiro é um ambiente de estabilidade institucional e previsibilidade econômica, e não meramente juros altos. Se juros altos determinassem fluxo de capital, então a Venezuela seria recordista em aporte de capital estrangeiro.

    Houve fuga de capitais durante o governo Dilma simplesmente porque o governo era uma porcaria homérica (até mesmo para os nossos padrões). Juros nenhum reverteriam aquilo.

    "Numa situação paralela, está a do governo Temer, ao invés do Temer atacar a questão dos juros como Dilma, ele aprovou o teto de gastos, sinalizando uma freada nos gastos públicos, [...] e como consequência dessa política de Temer, a inflação assim como os juros estão caindo a níveis abaixo de Dilma, e agora é que vem a cereja do bolo, está havendo diminuição desses índices mesmo tendo déficit em conta corrente, ou seja, o Temer já não dá uma resposta para o Carlos?"

    A questão é que a teoria do Carlos não faz sentido nenhum.

    "Segundo eles, o déficit primário é desviar a atenção da população, fazendo acreditar que o desequilíbrio das contas públicas tem como responsáveis os serviços públicos (saúde, educação, ciência & tecnologia, etc.) e os investimentos, em detrimento dos custos da dívida pública que é o grande responsável pelo desiquilíbrio, segundo a tese deles."

    O gozado é que quando o governo era do PT, eles só ressaltavam o superávit primário, ignorando completamente o déficit nominal. Os que apontavam a questão do déficit nominal -- como sempre fez este Instituto -- eram imediatamente tachados de reacionários anti-povo. Agora, "curiosamente", eles se lembram do nominal e convenientemente passam a criticar o primário.

    Quanto à dívida, a postura da esquerda é sensacional: eles criticam a dívida, mas defendem aumentos de gastos, exatamente o que causou a explosão da dívida.

    Afinal, o que gerou a dívida alta se não os gastos que a esquerda tanto defende? A dívida não surgiu do nada. Ela é a simples e inevitável consequência dos gastos. Foi exatamente para gastar mais que o governo se endividou.

    Defender mais gastos e xingar suas consequências (aumento da dívida) é coisa de quem não compreende nem mesmo o princípio mais elementar da matemática contábil.
  • Avelar   05/12/2017 23:18
    Leandro ou alguém mais que possa responder, porque um dólar desvalorizado causa o encarecimento da commodities?
  • Leandro  06/12/2017 00:09

    Commodities são precificadas em dólar. O dólar é a moeda mundial de troca. Se o dólar está fraco, são necessários mais dólares para comprar a mesma quantidade de commodities (petróleo, trigo, minério, soja etc.). Logo, com dólar fraco, o preço das commodities em dólar sobe.

    E vice-versa. Se o dólar está forte, são necessários menos dólares para comprar a mesma quantidade de commodities. Logo, com dólar forte, o preço das commodities em dólar cai.

    Para uma comprovação empírica da teoria, veja como o principal índice de commodity (o CRB) varia estritamente de acordo com a força do dólar. Pode conferir neste gráfico.

    Veja que, no final da década de 1970, com o dólar mundialmente fraco e todo o mundo em recessão, o índice CRB dispara. (Lembra da explosão do preço do petróleo? A fraqueza do dólar foi a real causa).

    Nas décadas de 1980 e 1990, com o dólar mundialmente forte, o índice CRB se mantém estável. (Petróleo e ouro caíram forte naquela década).

    A partir da década de 2000, com o dólar fraco, o CRB volta a disparar. Na segunda metade da década, ouro, petróleos e minério vão para os cornos da lua (óbvio, o dólar estava tão fraco, que chegou a custar apenas R$ 1,56).

    E, desde 2012, com o dólar se fortalecendo, o CRB volta a cair.

    A China pouco influi no preço das commodities. Quem determina é a força do dólar.


    Tudo isso foi explicado detalhadamente neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2190
  • Gilson  06/12/2017 01:27
    "Quanto à dívida, a postura da esquerda é sensacional: eles criticam a dívida, mas defendem aumentos de gastos, exatamente o que causou a explosão da dívida."

    Exato, mas na visão da esquerda, nada justifica a despesa com os juros da dívida e se pagássemos menos, poderíamos ter um superávit primário, sem entretanto reduzir verbas para educação, saúde... é nisso que eles acreditam.
    Hoje, os juros da dívida estão no patamar de 6,75% do PIB, isso representa R$430 bi. O déficit nominal é de R$588 bi, uma fatia de 9,22% do PIB. Segundo eles, se reduzir os juros, teríamos um superávit primário e um menor déficit nominal.
    Mesmo se os juros abocanhassem 1% do PIB, ainda teríamos déficit primário e nominal, ou seja, a dívida vai rolar de qualquer jeito mesmo se os juros consumir apenas 1% do PIB.
  • Nat  05/12/2017 18:18
    Mostre-me um esquerdista que eu mostrar-lhe-ei alguém que quer mandar em você e tirar o seu dinheiro.
    .
    .
    .
    .
    No final das contas, todo o socialista é alguém que quer mandar e vc. Não é alguém que se esforça
    na vida para viver trabalhado como um comum. É sempre alguém que quer um cargo na nomenklatura.
    Para tanto, precisa do discurso da igualdade (como auto-engano, às vezes), quando, na verdade, a
    desigualdade, por menos que gostemos dela, sempre vai existir, pois exite até entre filhos criados
    sob um mesmo teto. Pessoas são diferentes nas aspirações, talentos e esforços e se pode ter igualdade na
    miséria OU desigualdade com a base vivendo dignamente.
  • Luiz Moran  05/12/2017 18:41

    "Toda verdade passa por três estágios:
    No primeiro, ela é ridicularizada.
    No segundo, é rejeitada com violência.
    No terceiro é aceita como evidente por si própria".
    Arthur Schopenhauer.

    Entretanto... no caso dos esquerdistas só existem dois estágios: eles sempre ficam atolados no segundo.
  • Pobre Paulista  06/12/2017 11:31
    Esquerdista decente e coerente.

    Não entendi.
  • Striker  06/12/2017 12:08
    Como fazemos para arrumar um país com 30 milhões de pessoas recebendo bolsas, 40 milhões de trabalhadores que não pagam previdência, 6 milhões de funcionários públicos que não entregam serviços, milhares de aposentados com condições físicas para trabalhar, 20 milhões de alunos que não estudam, milhares de passageiros que não pagam passagem, etc.

    O Brasil é um país de bolsistas, assistidos, indenizados, etc.

    O povo prefere viver de esmola, do que trabalhar para ter uma condição bem melhor.
  • anônimo  06/12/2017 14:31
    "40 milhões de trabalhadores que não pagam previdência"

    Ótimo, "40 milhões de trabalhadores" que não estão em um esquema fraudulento de pirâmide.

    - A Previdência Social brasileira - um esquema fraudulento de pirâmide
    - A Previdência Social foi uma criação genial - para os políticos

    "6 milhões de funcionários públicos que não entregam serviços"

    Ué, funcionários públicos "entregam serviços" ?

    - Gastos estatais e empregos públicos podem ser produtivos?
    - Setor público mais produtivo do que o setor privado?

    "20 milhões de alunos que não estudam"

    Ótimo, "20 milhões de alunos" que não estão sendo doutrinados pela gangue.

    -Não se deixe educar pelo estado
    -Como a escola acaba com a criatividade e com o raciocínio próprio

    "30 milhões de pessoas recebendo bolsas"
    "milhares de aposentados com condições físicas para trabalhar"
    "milhares de passageiros que não pagam passagem"

    - Nove contradições de quem defende um estado provedor
    - Por que nenhuma política de estímulo governamental é capaz de estimular a economia

    "Como fazemos para arrumar um país..."?

    Acho que primeiro precisamos "arrumar" vôce.
  • Conservador  07/12/2017 02:10
    O maior problema dos liberais é ignorar completamente a filosofia grega, o direito romano e a cultura judaíco-cristã.

    Vocês ignoram as bases da civilização ocidental, achando que tudo será resolvido com mercantilismo, capitalismo, livre mercado, etc.

    Não haverá livre mercado sem a filosofia grega, as bases do direito romano e o respeito entre as pessoas de acordo com a cultura judaíco-cristã.

    Se você comparar o ocidente com civilizações orientais que tiveram algum sucesso, a maioria funciona baseada em imperialismo ou monarquia. Coisa que você vai achar muito pior do que uma sociedade com liberdade.
  • Andre  06/12/2017 15:33
    Não é possível arrumar o país, está perdido.
  • Lel  07/12/2017 07:37
    É extremamente difícil mesmo. Quem fizer isso vai ser um cara tão odiado quanto Hitler. E nem vai ser ele quem vai colher os frutos de suas políticas.

    Além de precisar ser extremamente autoritário e correr sérios riscos de Impeachment a qualquer momento, já que simples reformas como da Previdência ainda não passaram mesmo depois de 1 ano.

    Adotar uma genuína economia de livre mercado vai mexer diretamente com as verdadeiras elites brasileiras. Por isso creio que pelas vias constitucionais não será possível.
  • Fernando  06/12/2017 14:22
    O pior é que estamos recebendo redes de ensino socialista.

    Perto da minha casa tem uma escola do grupo Goethe, que foi a universidade alemã onde começou a escola de Frankfurt.

  • Tarantino  07/12/2017 01:47
    O que é o capitalismo?

    "É a exploração do homem pelo homem".

    E o que é o socialismo?

    "É exatamente o contrário".
  • Daniel  08/12/2017 14:56
    Você só pode falar em "exploração" quando existe ameaça.

    Os salários baixos que a Apple paga para os operários nos países asiáticos são um fenômeno triste, lamentável, imoral. Mas não configuram exploração, uma vez que ninguém aponta uma arma para eles, e os mesmos preferem essa opção a morrer de fome.

    Convenhamos, o idioma português é pobre nesse sentido. No inglês, existe uma palavra específica para a exploração coercitiva: "exploit", diferente de "explore", que significa usar, usufruir. Ou seja, no capitalismo existe "exploration", mas não "exploitation".

    Distorcer o significado das palavras é o primeiro passo da desonestidade intelectual.
  • anônimo  09/12/2017 01:21
    "Todo governo é inimigo de seu povo." ? Marco Túlio Cícero, filósofo Romano.

  • Plínio  10/12/2017 00:53
    Enquanto eu estava lendo o texto, foi citada a prática de "expurgos e purificação". No que consistia esta prática? No mais, um ótimo artigo.
  • ELTONIO SANTOS JUNIOR  15/02/2018 04:38
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=94

    "Primeiro ocorreram os expurgos — também conhecidos como "purificação" — para que o comunismo pudesse ser implantado. Havia rebeldes a serem mortos e terras a serem nacionalizadas. As igrejas tinham de ser destruídas. Os contra-revolucionários tinham de ser suprimidos. A violência começou no campo e depois se espalhou para as cidades."
  • Emerson Luis  31/12/2017 19:38

    "Por que um esquerdista decente e coerente deveria odiar o socialismo"

    É um tanto difícil alguém ter essas três características ao mesmo tempo...

    * * *
  • Estado o Defensor do Povo  12/05/2019 20:47
    É impossível, se ele é esquerdista, ou é decente, ou é coerente, e se ele for decente e coerente, não é esquerdista.
  • Endorff  06/01/2018 13:50
    Direita. esquerda. capitalismo. socialismo. sujo falando do mal lavado.. o problema jaz ainda na simples existência do bem e do mal..


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