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O componente mais fantástico e surpreendente de uma economia de mercado: o sistema de preços
Por que um aumento da gasolina na década de 1970 levou a um maior consumo de chocolates?

Como os recursos são alocados? Como empreendedores sabem o que deve ser produzido e em qual quantidade? Como os consumidores fazem os empreendedores saber quais são suas demandas?

A resposta é uma só: por meio do sistema de preços.

Não sejamos comedidos com as palavras: se o sistema de preços houvesse sido meticulosamente inventado pelo homem, seria uma das mais genais criações da mente humana.

Não houvesse um sistema de preços, simplesmente ainda estaríamos vivendo em condições de subsistência, com um padrão de vida baixíssimo. Jamais teríamos vivenciado todos os avanços alimentares, tecnológicos, medicinais e de conforto que usufruímos hoje.

Entender o sistema de preços é entender como bilhões de indivíduos completamente estranhos uns aos outros, espalhados pelo globo, falando dezenas de idiomas diferentes, e cada um preocupado apenas com o bem-estar próprio e o de sua família, fazem escolhas e agem de uma maneira que torna completamente possível a nossa atual prosperidade — possibilitando desde a existência diária de todos os tipos de alimentos frescos nas gôndolas dos supermercados até a incrível oferta de todos os tipos de bens de consumo e de serviços à nossa disposição.

Os preços coordenam tudo

O sistema de preços, quando deixado a funcionar livremente, é um engenhoso método de comunicação e coordenação capaz de aprimorar substantivamente as condições de vida dos seres humanos.

Os preços livremente formados nos informam sobre a abundância ou escassez de cada bem ou serviço específico, e coordenam como cada bem e serviço será usado em um dado processo de produção. 

Para os consumidores, um aumento nos preços de um produto sugere que este se tornou mais escasso. Consequentemente, os consumidores irão reduzir o consumo deste produto em decorrência deste aumento do preço e procurar por substitutos mais baratos.

Para os produtores, os preços maiores deste produto informam que pode haver maiores oportunidades de lucro para entrar neste mercado específico. Estes novos concorrentes irão ou produzir mais deste produto, aumentando sua oferta, ou produzir bens alternativos para concorrer com o produto em questão.

Este é o processo de descoberta que define a essência do mercado. E é este processo, quando deixado a ocorrer livremente, que garante que os preços estejam sempre em níveis que tendam a equilibrar oferta e demanda.

Naquele que talvez seja o seu mais importante artigo — O Uso do Conhecimento na Sociedade —, o economista austríaco Friedrich Hayek explicou detalhadamente a importância dos preços: eles transmitem todas as informações detalhadas que diferentes pessoas ao redor do mundo possuem sobre aspectos específicos de vários mercados.

O mercado — ou seja, a interação voluntária e espontânea de bilhões de pessoas ao redor do globo — é incrivelmente eficiente em compilar e extrair informações oriundas de um vasto arranjo de fontes ao redor do globo. Assim, os preços livremente formados no mercado enviam sinais importantes tanto para os consumidores quanto para os produtores, gerando assim uma coordenação espontânea ao redor do globo.

Um carpinteiro no Canadá, por exemplo, não precisa saber que está havendo uma escassez de aço na China para perceber que seus materiais estão mais escassos e mais caros do que antes. O preço dos pregos e parafusos já lhe dirá tudo o que ele precisa saber.

Ou imagine um fabricante de rádio.  Para construir seu produto, ele pode utilizar uma miríade de materiais, desde um simples plástico até a nobre platina. Como a platina é um metal nobre e relativamente escasso, seu preço é alto. Esse preço alto está enviando um sinal inequívoco ao fabricante de rádio: se ele quer usar platina, então é bom que seja para um motivo muito urgente, pois ele estará retirando recursos de outras indústrias para as quais a platina é um dos poucos materiais que tornam seu processo de produção lucrativo. 

Esse alto preço da platina, que o fabricante de rádio certamente não pode pagar, é reflexo do fato de que a platina é necessitada com mais urgência em outros setores da economia, e a lucratividade que ela gera para esses setores permite que seus usuários elevem o preço da platina até o ponto em que passa a não ser vantajoso para o fabricante de rádio competir por esse recurso escasso.

É claro que o fabricante de rádio não necessariamente sabe por que o preço da platina é tão alto, ou quais são seus outros possíveis usos. Tudo o que ele sabe é que a platina é cara — e ele deve reajustar seu processo de produção de acordo com essa realidade. Ele terá, então, de utilizar um material como o plástico, cuja maior abundância ou menor urgência em outros setores torna seu uso mais viável e racional.

Milhões de decisões como essa são feitas diariamente, desde a fabricação de aviões até a produção de pães. As decisões são racionalizadas exatamente por causa do sistema de preços, e sem que os produtores envolvidos nesses processos tenham de saber por que exatamente as condições econômicas do momento fazem os preços serem como são. 

Esses exemplos nos mostram como o arranjo é intrincado e instável demais para ser "gerenciado" ou sofrer uma "sintonia fina". O sistema de preços aloca os recursos de forma que eles sejam utilizados da maneira mais racional possível, de modo a evitar desperdícios e más alocações. Qualquer controle de preços, por mais trivial que pareça, irá inevitavelmente perturbar e descoordenar todo esse complexo arranjo.

Conclusão lógica: qualquer intervenção no sistema de preços irá gerar irracionalidade na produção, desperdícios de recursos e escassez de bens. Qualquer intervenção no sistema de preços, inclusive no preço da mão-de-obra ou no preço do dinheiro (juros), também gerará efeitos disruptivos.

Para ilustrar todo o maravilhoso funcionamento do sistema de preços, a espetacular coordenação que ele gera e, acima de tudo, os resultados surpreendentes e inesperados causados por súbitas alterações nos preços de determinados produtos, não posso fazer mais do que recomendar efusivamente o vídeo abaixo (de menos de 5 minutos e com legendas em português).

Quem poderia imaginar que o aumento do preço do petróleo na década de 1970 levaria a um aumento do consumo de chocolates?

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Leia também:

Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade


20 votos

autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • Andre  04/05/2017 15:37
    No Chile, a produção de cobre concorre com a produção de uvas para obtenção de água, fora a água para consumo humano. E tudo isso no deserto mais seco do mundo. Esse arranjo resultou num dos metros cúbicos de água mais caros do planeta. A consequência? A atração de empresas dessanilizadoras de água do mar, para produzir água potável em busca de lucros altos:

    www.acciona.com/es/noticias/acciona-agua-construira-y-operara-una-desaladora-en-el-desierto-chileno-de-atacama/

    É só deixar o sistema de preços em paz que o mercado corrigirá qualquer escassez de oferta. Antofagasta é a cidade grande (acima de 300 mil hab) com maior renda per capita da América do Sul, US$60 mil dólares, renda per capita da Noruega.
  • marcela  04/05/2017 16:02
    Texto irrefutável!Mas o melhor de tudo é que a Venezuela prova empiricamente que tudo isso que foi escrito é verdade.A única guerra econômica que existe na Venezuela é a guerra do próprio governo chavista contra o setor privado.Nessa semana saiu até uma notícia de que o governo está obrigando os padeiros a usarem 90% do trigo para fazer pães e apenas os outros 10% para fazer bolos,tortas etc.O Maduro controla preços e decide o que será produzido no país,produzindo resultados catastróficos,e ainda tem a cara de pau de dizer que está sendo vítima de uma conspiração dos EUA.A Venezuela precisa urgentemente adotar o currency board,liberar os preços a abrir o setor de petróleo para investimento estrangeiros.É preciso também reverter as expropriações desastrosas feitas nos governos chavistas e fazer uma demissão em massa no setor público,afinal o país vizinho não precisa ter 100 generais e a PDVSA tem 3 vezes mais funcionários do que precisa.
  • Bernardo   04/05/2017 17:42
    Vídeo espetacular e muito didático. Excelente divulgação!
  • Conservador  04/05/2017 18:10
    Ótimo texto e vídeo.
  • Economista  04/05/2017 18:24
    Para mim, a existência de supermercados, mercadinhos, mercearias e qualquer lugar que venda comida está entre as coisas mais fantásticas já criadas. A existência de um Carrefour ou de um Pão de Açúcar, por exemplo, que atende a milhões de pessoas e jamais fica sem produtos é um verdadeiro milagre.

    P.S.: não é à toa que os produtos só somem quando há controle de preços
  • Bruno Torres  04/05/2017 18:50
    Concordo com você. E ainda assim essas maravilhas que são os supermercados são consideradas como coisas naturais e corriqueiras, como se fosse um dado da natureza. Até mesmo economistas, principalmente os de esquerda, pensam assim.
  • Reinaldo  04/05/2017 19:24
    A oferta diária de comida fresca em quase qualquer lugar da cidade deixaria qualquer pessoa da Idade Media, inclusive o rei de Roma, de queijo caído com a "mágica" que fazemos hoje
  • Aprendiz de Economia  04/05/2017 20:59
    Muito obrigado pela aula, e principalmente, pelo link do vídeo, que me levou ao site da mruniversity. Eles apresentam videos extremamente didáticos, eu aprendi d++++++

    O sistema de preços é tão sutil e eficiente, que faz do planejador central um burocrata arrogante; e a partir daí podemos entender como as ditaduras usam a desculpa do comunismo para se auto-proclamaram donos dos povos onde governam
  • kiko  04/05/2017 22:01
    infelizmente não tem como os preços serem livres totalmente pois sempre havera pessoas que irão tentar lucrar controlando ou especulando os preços
  • Rodrigo  04/05/2017 23:11
    "infelizmente não tem como os preços serem livres totalmente"

    Concordo. Havendo governo e políticos, sempre haverá tentativas de controlar preços para ganhar popularidade momentânea. Vide Sarney, Collor e Dilma.

    "pois sempre havera pessoas"

    Correção: sempre haverá políticos.

    "que irão tentar lucrar"

    Que irão se beneficiar eleitoralmente

    "controlando ou especulando os preços"

    Apenas controlando. Político não tem como "especular preços". Aliás, essa própria expressão é completamente sem sentido.
  • Thomas  04/05/2017 23:12
    Como é que é o negócio aí, Kiko? Como assim os preços não podem ser livres porque senão alguém irá "especulá-los"? Que diabo é isso?

    Especular, por definição, significa fazer algo esperando se beneficiar ou com o aumento ou com a queda dos preços de um bem no futuro. Se você acha que os preços dos imóveis irão subir no futuro, você compra hoje. Se você acha que irão cair, você vende hoje. Se todos fizerem isso, o máximo que irá acontecer é que a expectativa de algo que só iria acontecer no futuro é concretizada no presente.

    Diga, por favor, por que isso é ruim e como um gênio com você faria para impedir isso de maneira a não gerar efeitos colaterais.
  • Paulo Henrique  05/05/2017 03:58
    Especulação também é um belo exemplo de coordenação de preços, sem que nenhuma ordem central seja dada, pessoas começam a estocar (por exemplo, alimentos) em épocas de abundância para vende lo em época de maior escassez. Cria uma estocagem.
    Isso é tão importante que é possível provocar fome se você tentar abolir. O erro do OP é achar que especulação não faz parte de preços livre .. Alias, seria interessante um artigo falando da especulação como um papel de coordenação do mercado

  • MB  04/05/2017 23:08
    Mais uma prova de que o sistema de preços é genial, basta ver a troca de favores, ou seja, todo favor tem um custo mas sua alocação é ineficiente, devido a não haver um sistema de preços regulando-as. Quem presta um favor, logo que tem uma oportunidade quer ser restituído de forma desproporcional e sem razoabilidade. Se houvesse uma precificação dos favores s, tais trocas seriam ajustadas de forma proporcional e razoável diminuindo os conflitos e ressentimentos nestas trocas...
  • 4lex5andro  05/05/2017 17:17
    Depende do que se entende por troca de favores, se envolver representantes políticos e do Estado, certamente não vai ter precificação que corrija a alocação deficiente de recursos.
  • Ronaldo  04/05/2017 23:37
    https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=129049
    vamos votar sim
  • Veron  05/05/2017 00:22
    Olha o resultado. É por essas e outras que o Bostil sempre será um eterno país de terceiro mundo.
  • Típico Filósofo  05/05/2017 01:30
    Bravo, povo brasileiro!

    É uma lástima que nossa CLT seja tão adorada enquanto justamente os mais oprimidos que ela visa defender fogem dela. Eles caem na armadilha da informalidade onde a opressão é generalizada e 104% do salário deles não é democraticamente retirado pelo estado para defendê-los da sua exploração pelo patrão.
  • anônimo  05/05/2017 11:29
    Não é apenas 104% do salário.

    É a dor de cabeça de ter que ir até os órgãos competentes com a papelada necessária para se formalizar.
    São todos os passos de formalização, taxas de licenciamento, taxas de visita e inspeção, normas... que muitos não tem como seguir a risca.

    Na melhor das hipóteses: um autônomo vai gastar uns R$ 2.000 reais com papelada e regularização que pode demorar meses para sair. Na pior das hipóteses, ele vai precisar remodelar sua área de trabalho (gastando milhares de reais, mudar seu IPTU para comercial (pagando mais), além do transporte para ir até os órgãos e os dias de trabalho que ele efetivamente vai perder resolvendo isso.

    Na pior das hipóteses x2, dependendo de onde mora: a necessidade de molhar a mão do funcionário público responsável para liberar a licença mais rapidamente (coisa que ele já é pago para fazer).

    Muitos estão na informalidade porque seus pequenos negócios seriam inviáveis se fossem formalizados.
  • Felipe Lange S. B. S.  07/05/2017 14:39
    Isso mesmo Anônimo.

    Eu já pensei até em me cadastrar naquele MEI. Mas é simplesmente inviável. Eu mexo com venda de camarões ornamentais, bichinhos da laranja e minhocas, mas se todo mês eu ter que pagar aquelas taxas eu já declaro falência. Mesmo eu me cadastrando, vai ter alguma burocracia a mais que eu nem sei o que poderia ser. Continuo como informal mesmo. Muita canseira. Nem daria também para pagar toda essa canseirada... informais para mim são heróis. Que continuem assim, sem sustentar esses vermes.
  • anônimo  05/05/2017 01:26
    Já votei.
  • 4lex5andro  05/05/2017 17:22
    Mesmo votando pelo sim desse PL, não dá pra levar muita fé nessas consultas, pois não tem força em si para influenciar a tramitação das propostas.

    Como nos exemplos do estatuto do desarmamento e marco civil da internet.
  • Minarquista  05/05/2017 18:17
    Me recuso a votar sobre alterar - mesmo que para flexibilizar - a regulação do trabalho.

    A única postura possível é explicar incessantemente que nem o estado nem a maioria podem se intrometer numa relação pacífica entre duas pessoas. E isto não é uma opinião. É uma questão de lógica filosófica básica.

    E se está explicado pela lógica, não pode ser objeto de decisão democrática. Seria como votar quanto são 2 + 2. Não faz sentido algum.

    Ou seja: pela lógica a CLT é inválida.
  • Bob  05/05/2017 01:27
    Quantas pessoas lêm o Instituto Mises Brasil,em quantas pessoas são liberais/libertarias?Tipo,o canal de rafael hide/ideias radicas indica que pelos 200 mil pessoas lutam por um pais mais liberal.Desse modo,porque não nós organizamos nos projetos de propor leis para serem aprovadas no cogresso,é bem provavel que de 100 uma consiga,além disto só nescessario 20 mil assinaturas.O que acham?
    Obs:Desculpem pelos erros ortograficos estou digitando com pressa.
  • AndreyDKS  05/05/2017 12:25
    Acho que não precisamos de leis para serem aprovadas no Congresso, mas sim NÃO PRECISAMOS DE CONGRESSO ALGUM! DE GOVERNO ALGUM!

    Então prefiro brigar por um separatismo ancap do que ficar insistindo em algo impossível, que é fazer 90% do Brasil entender ancapismo/libertarianismo. Por mais esforços hercúleos que façamos não dá pra garantir que "a maioria vote no SIM", mas em contrapartida, PELO MENOS, temos de conseguir o nosso espaçõ, e dar espaço aos soças que querem fazer soçagem.
  • Minarquista  05/05/2017 18:27
    Olá Andrey

    Infelizmente o que é impossível é tudo ser privado. O anarcocapitalismo é uma utopia. Serve apenas como norte para os libertários: devemos nos aproximar de estado zero tanto quanto possível. Mas estado = zero é impossível. Ficar insistindo nisso leva ao descrédito dos libertários. Por isso, é importante propagarmos o estado mínimo, e não a utopia ancap.

    []s
  • LUIZ F MORAN  05/05/2017 14:01
    Quem acredita em controle de preços deve achar que o congelamento do "governo" sarney foi uma maravilha, e que os planificadores soviéticos eram seres superiores.
  • anonimo  05/05/2017 16:00
    Excelente Texto, mas uma dúvida pro Leandro:

    Neste vídeo ele explica perfeitamente o sistema de preços. Mas o petróleo na década de 70 não ficou exatamente "escasso". Foi o dólar que perdeu força, após ser desatrelado do ouro.

    Então esse "sinal" enviado pelo preço do petróleo foi errôneamente interpretado por todo o mundo?
  • Leandro  05/05/2017 20:57
    Você acabou de descobrir por que a moeda deve ser mantida completamente fora do âmbito de interferência do governo: a manipulação da moeda adultera os sinais enviados para os agentes de mercado, afeta os preços relativos e adultera toda a estrutura produtiva do mercado.

    Mas perceba o seguinte: no cenário em questão, não tinha como as pessoas agirem diferentemente. O dólar era a moeda de uso corrente e obrigatório; era em dólar que as pessoas tinham de fazer seus cálculos econômicos. E o dólar estava enviando sinais claros: mensurado em dólar, o petróleo estava ficando escasso; em relação ao dólar, havia muito menos petróleo do que dólar.

    Logo, era urgente que as pessoas em posse de dólares -- ou seja, o mundo -- imediatamente descobrissem alternativas. Caso contrário, muitos dólares seriam comprometidos apenas com petróleo, sobrando menos para todas as outras áreas.

    Não houve nada de errado nem com o mercado e nem com o sistema de preços. Ambos se adaptaram à nova realidade. O que estava totalmente fora do lugar era a moeda sob controle do governo.

    Como sempre ensinou a teoria austríaca, nenhuma manipulação monetária passa impune. E, por mais atrapalhada que esteja a moeda, jamais recorra a controle de preços. Deixe os preços livres, que o próprio mercado irá se acertar.
  • anonimo  06/05/2017 13:35
    Perfeito Leandro, obrigado pela resposta!

    Era exatamente o que eu estava ponderando! Poderíamos dizer que mesmo quando "aparentemente" o sistema de preços iria enviar um sinal "errado" (e de fato as pessoas interpretaram errado, como se o petróleo estivesse literalmente acabando) ainda assim o sistema de preços se adaptou e continuou funcionando perfeitamente. E as pessoas conseguiram ajustar-se à nova realidade mesmo sem verdadeiramente saber o que de fato aconteceu. Fantástico!

    Aproveitando o gancho sobre o tema da crise do petróleo de 1970 e Bretton Woods, há um artigo especificamente explicando isso aqui no instituto? Procurei mas não achei um que tratasse apenas disso. Já li muitas respostas suas a outras pessoas nos comentários de diversos posts, então creio que esse conhecimento está que nem o sistema de preços: "disperso" pelo site, rs.
    Gostaria de sugerir como pauta para um artigo seu essas explicações sobre a relação da queda de Bretton Woods e o preço do petróleo todos condensados em um único artigo. Inclusive vi em alguma resposta sua a um leitor (em um artigo que não lembro mais) que ele dizia trabalhar há 38 anos na indústria do petróleo e tentou refutar a explicação austríaca e você deu respostas sensacionais, comparando preço do ouro e outras commodities, etc.

    Como esse tema da crise do petróleo de 70 é tão absurdamente interpretado errado (e após ter aprendido aqui eu simplesmente fiquei espantado como a explicação errada ainda é a "verdade onipotente" para toda a sociedade) eu acharia fantástico se tivesse um artigo sobre isso. A única coisa que achei fora deste site sobre isso foi este artigo do independent: www.independent.org/pdf/tir/tir_09_4_2_hammes.pdf

    No mais, obrigado pela atenção e respostas!
  • Víctor  06/05/2017 04:49
    Não gostei dos exemplos do texto, por tratar de elementos dispensáveis, como a platina para a produção do rádio. Caso descobrisse que a platina servisse como um componente de um remédio extremamente eficaz para uma doença comum mas sem cura, mas o preço dela fosse elevado por um motivo banal, como para a produção de jóias, que inviabilizasse a produção deste remédio. Por quê não deveríamos intervir nessa situação?
  • Eduardo  06/05/2017 15:16
    "Caso descobrisse que a platina servisse como um componente de um remédio extremamente eficaz para uma doença comum mas sem cura, mas o preço dela fosse elevado por um motivo banal, como para a produção de jóias, que inviabilizasse a produção deste remédio."

    Inverteu tudo e cometeu erros básicos.

    As jóias que utilizam platina são caras exatamente porque o preço da platina é alto, pois a platina é usada nos compostos que são aplicados no tratamento de quimioterapia para certos tipos de câncer.

    Portanto, as jóias que usarem platina serão extremamente caras por causa deste sinal de mercado. "Ei, quer usar platina nas suas jóias? Beleza, mas vai ter de pagar caro por ela. A prioridade é usá-la no tratamento de câncer".

    A demanda por platina a ser usada em tratamentos de câncer ao redor do mundo é muito maior do que a demanda por jóias, as quais são utilizadas por uma quantia ínfima de pessoas.

    Portanto, o mercado está fazendo todo o serviço em garantir a alocação de platina exatamente para quem mais necessita.

    "Por quê não deveríamos intervir nessa situação?"

    Ou seja, um iluminado como você, muitíssimo preocupado com as pessoas sofrendo de câncer, resolve estipular um controle de preços para a platina (ao estilo Sarney).

    O que irá acontecer? O óbvio: quando o preço de algo está congelado, quem se apropria do maior volume deste bem são os mais endinheirados, que, exatamente por terem mais dinheiro, podem se apropriar da maior quantidade possível.

    Quando há congelamento de preços, quem mais se apropria da comida dos supermercados são os ricos, que, por terem mais dinheiro, podem comprar de uma só vez uma quantidade muito maior de comida que os pobres, que têm menos dinheiro. Até a comida acabar e os pobres ficarem sem nada.

    (Quando o preço está congelado, a oferta some, pois produzir deixa de ser lucrativo. Quem viveu no Brasil do Plano Cruzado nem precisa de teoria para saber disso. Logo, o bem simplesmente desaparece do mercado.)

    Com os preços da platina congelados, quem irá se apropriar do maior volume de platina até que ela suma do mercado? Exato, os mais endinheirados. E quem são os mais endinheirados? Aqueles que compram jóias!

    Parabéns. Você acabou de garantir ainda mais jóias para os endinheirados e menos tratamento para os cancerosos. Como se sente?


  • Víctor  10/05/2017 13:31
    Muito obrigado pela sua resposta, Eduardo, inclusive pelas ironias, rs. Tenho quase nenhum conhecimento sobre Escola Austríaca e desenvolvi um interesse recente, obviamente ainda vou cair em muitos lugares comuns. Mas sua explicação foi muito didática e explanou um ponto que eu não tinha entendido.
  • Emerson Luis  12/05/2017 11:05

    Agradeço profundamente se alguém legendar.

    * * *


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