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O argumento completo em defesa da liberdade
Se soubéssemos antecipadamente quais seriam seus resultados, não precisaríamos da liberdade

Nota do IMB

Hoje, dia 8 de maio, é aniversário de Friedrich August von Hayek. Fosse ele vivo, estaria completando 119 anos.

Alguns consideram que o melhor ensaio de Hayek seja O uso do conhecimento na sociedade, no qual ele explica detalhadamente a importância do sistema de preços: são os preços que transmitem todas as informações detalhadas que diferentes pessoas ao redor do mundo possuem sobre aspectos específicos de vários mercados.

Em termos puramente econômicos, realmente aquele é o melhor artigo. 

Entretanto, o texto abaixo, um excerto de seu gigantesco livro A Constituição da Liberdade, é definitivamente o seu mais impressionante.

Seu tamanho relativamente curto (para um ensaio) esconde sua grande profundidade e sua incrível sagacidade. Você pode lê-lo várias vezes — a cada releitura, descobrirá algo novo.

Hayek apresenta seu argumento contra os controles e as regulações estatais — e apresenta também sua constatação sobre como o conhecimento é disseminado e utilizado na sociedade — da forma mais completa e profunda possível. Ele apresenta argumentos que fazem você interromper sua leitura, pensar e repensar.

Por exemplo, ele argumenta que, se já soubéssemos antecipadamente todos os resultados que surgiriam em um ambiente de liberdade, não precisaríamos da liberdade: apenas implementaríamos diretamente todos esses resultados.

Ele também explica que todo o propósito da liberdade é exatamente o de descobrir, no futuro, tudo aquilo que ainda não sabemos no presente. Sendo assim, o argumento em prol da liberdade é, em última instância, baseado na humildade e no respeito pela sabedoria e pela experiência humana futura.

Eis um ensaio profundamente brilhante, o qual, sem exageros, fará diferença em como você encara o mundo e como você viverá o resto de sua vida.

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O argumento em prol da liberdade individual fundamenta-se, principalmente, no humilde reconhecimento de que somos ignorantes.  A realização dos nossos objetivos e do nosso bem-estar depende de uma série de fatores sobre os quais somos inevitavelmente ignorantes.

Se existissem indivíduos oniscientes, se pudéssemos conhecer não apenas tudo o que influi na realização dos nossos desejos atuais, mas também conhecer nossos desejos e necessidades futuras, não haveria muita razão para defendermos a liberdade.

Por outro lado, a liberdade do indivíduo tornaria, evidentemente, impossível uma previsão perfeita.

A liberdade é essencial para que o imprevisível exista; nós a desejamos porque aprendemos a esperar dela a oportunidade de realizar a maioria dos nossos objetivos. E, justamente porque o indivíduo sabe tão pouco e, mais ainda, como raramente podemos determinar quem de nós conhece mais, confiamos aos esforços independentes e competitivos de muitos a criação daquilo que desejaremos, quando tivermos a oportunidade de apreciá-lo.

Por mais humilhante que seja para o orgulho humano, devemos reconhecer que o progresso e até a preservação da civilização dependem de um máximo de oportunidades para que o imprevisível possa acontecer.  Estas casualidades ocorrem graças à combinação de conhecimentos e atitudes, aptidões e hábitos adquiridos pelos indivíduos, e também quando indivíduos treinados se defrontam com problemas específicos que estão preparados para solucionar.

Nosso inevitável desconhecimento de tantas coisas significa que teremos de lidar, em grande parte, com probabilidades e acasos. Naturalmente, tanto na vida social quanto na individual, os acidentes favoráveis não ocorrem simplesmente. Devemos estar preparados para quando acontecerem.

Mas, mesmo assim, ainda são acasos, e não se transformam em certezas. Envolvem riscos deliberadamente aceitos, possíveis reveses de indivíduos e grupos que têm tanto mérito quanto outros que prosperam, possibilidade de fracassos ou de recaídas, até para a maioria, e apenas uma probabilidade de ganhos líquidos no cômputo geral.

O máximo que podemos fazer é aumentar as possibilidades de que certa combinação de dons individuais e de circunstâncias leve à criação de algum novo instrumento ou ao aperfeiçoamento de um instrumento antigo e melhorar a perspectiva de que tais inovações se tornem rapidamente conhecidas por aqueles que podem beneficiar-se delas.

Seres imperfeitos

Todas as teorias políticas pressupõem, evidentemente, que a maioria dos indivíduos é muito ignorante. Aqueles que defendem a liberdade se diferem dos outros porque incluem na categoria de ignorantes eles próprios e também os mais sábios. Comparada com a totalidade do conhecimento que é continuamente utilizado no processo evolutivo de uma civilização dinâmica, a diferença que existe entre o conhecimento dos mais sábios e aquele que pode ser deliberadamente empregado pelos mais ignorantes é insignificante.

Embora não percebamos habitualmente, todas as instituições da liberdade constituem de adaptações a esta fundamental constatação da ignorância, adaptadas para lidar com possibilidades e probabilidades, mas não com a certeza. Não existe certeza na ação humana e é por esta razão que, para fazer o melhor uso do nosso conhecimento individual, devemos seguir as normas indicadas pela experiência como as mais adequadas de um modo geral, embora não saibamos quais serão as conseqüências de sua observância em casos específicos.

O homem aprende pela frustração de suas esperanças. É óbvio que não devemos aumentar a imprevisibilidade dos acontecimentos com a criação de tolas instituições humanas. Na medida do possível, deveríamos ter como objetivo a melhoria das instituições humanas, a fim de aumentar as possibilidades de previsão correta. Todavia, acima de tudo, deveríamos proporcionar o máximo de oportunidades para que indivíduos que não conhecemos aprendessem fatos que nós mesmos ainda desconhecemos e utilizassem este conhecimento em suas ações.

E é graças aos esforços harmônicos de muitas pessoas que se pode utilizar uma quantidade de conhecimento maior do que aquela que um indivíduo isolado pode acumular ou do que seria possível sintetizar intelectualmente. E graças a essa utilização do conhecimento disperso é que se tornam possíveis realizações superiores às que uma mente isolada poderia prever.

É justamente porque liberdade significa renúncia ao controle direto dos esforços individuais que uma sociedade livre pode fazer uso de um volume muito maior de conhecimentos do que aquele que a mente do mais sábio governante poderia abranger.

As chances de erro

A partir destas premissas básicas sobre as quais se fundamenta a justificativa da liberdade, segue-se que não poderemos alcançar suas metas se limitarmos o uso da liberdade apenas àquelas circunstâncias especiais nas quais sabemos que ela será benéfica. Não é liberdade aquela concedida somente quando seus efeitos benéficos são conhecidos de antemão.

Se soubéssemos de que forma a liberdade seria usada, não teríamos necessidade de justificá-la. Nunca conseguiremos os benefícios da liberdade, nunca alcançaremos os avanços imprevisíveis que ela possibilita, se ela não for também concedida nos casos em que sua utilização parecer indesejável.

Portanto, não se pode alegar como argumento contra a liberdade individual que as pessoas frequentemente abusam dessa liberdade.  Liberdade significa, necessariamente, que cada um acabará agindo de uma forma que poderá desagradar aos outros.

Nossa fé na liberdade não se baseia nos resultados previsíveis em determinadas circunstâncias, mas na convicção de que ela acabará liberando mais forças para o bem do que para o mal.

Segue-se, também, que a importância de termos liberdade de ação não está de modo algum relacionada com a perspectiva de nós, ou a maioria, estarmos, algum dia, em condições de utilizar tal possibilidade. Conceder apenas o grau de liberdade que todos têm a possibilidade de exercer significaria interpretar sua função de modo totalmente errado.

Por esse raciocínio errôneo, a liberdade utilizada apenas por um homem entre um milhão pode ser mais importante para a sociedade e mais benéfica para a maioria do que qualquer grau de liberdade que todos nós poderíamos desfrutar. Poder-se-ia dizer até que, quanto menor a oportunidade de se fazer uso da liberdade para determinado fim, mais preciosa ela será para a sociedade como um todo. Quanto menor a oportunidade, tanto mais grave será perdê-la quando surgir, pois a experiência que oferece será quase única.

Por outro lado, é provavelmente correto dizer que a maioria não se interessa diretamente senão por uma parcela mínima das coisas importantes que uma pessoa deveria ter liberdade de fazer. A liberdade é tão importante justamente porque não sabemos como os indivíduos a usarão. Se não fosse assim, também seria possível chegar aos resultados da liberdade se a maioria decidisse o que os indivíduos deveriam fazer. Mas a ação da maioria está necessariamente restrita ao que já foi testado e averiguado, a questões que já obtiveram o consenso no processo de análise que deve ser precedido por diferentes experiências e ações de indivíduos diferentes.

Liberdade para o desconhecido

Os benefícios que a liberdade me concede são, assim, em grande parte, o resultado do uso que outros fazem dela e, principalmente, dos usos dos quais eu nunca me poderia valer. Por isso, o mais importante para mim não é necessariamente a liberdade que eu próprio posso exercer. É muito mais importante que alguém possa experimentar tudo do que a possibilidade de todos fazerem as mesmas coisas.

Não é porque gostamos de poder fazer determinadas coisas, nem porque consideramos algum tipo de liberdade essencial à nossa felicidade, que temos direito à liberdade. O instinto que nos faz reagir contra qualquer restrição física, embora seja um aliado útil, nem sempre representa padrão seguro para justificar ou delimitar a liberdade. O importante não é o tipo de liberdade que eu próprio gostaria de exercer e sim o tipo de liberdade de que alguém pode necessitar para beneficiar a sociedade. Só poderemos assegurar essa liberdade a uma pessoa desconhecida se a conferirmos a todos.

Os benefícios da liberdade não são, portanto, limitados aos homens livres — ou, pelo menos, um homem não se beneficia apenas daqueles aspectos da liberdade dos quais ele próprio tira vantagem. Não há dúvida de que, ao longo da história, maiorias não-livres se beneficiaram com a existência de minorias livres, e as sociedades não-livres de hoje se beneficiam daquilo que podem obter e aprender de sociedades livres.

Evidentemente, os benefícios que obtemos com a liberdade de outros tornam-se maiores na medida em que cresce o número daqueles que podem exercer a liberdade.

A tese que justifica a liberdade para alguns aplica-se, portanto, à liberdade para todos. Mas é ainda melhor para todos que alguns sejam livres do que ninguém; e, também, bem melhor que muitos possam gozar de plena liberdade do que todos terem uma liberdade restrita.

O mais significativo é que a importância da liberdade de agir de determinada maneira nada tem com o número de pessoas que querem agir assim: a proporção poderia ser inversa. Uma consequência disto é que uma sociedade pode ser tolhida por controles, embora a grande maioria possa não se dar conta de que a sua liberdade foi restringida de forma considerável. Se agíssemos a partir do pressuposto de que só é importante o uso que a maioria venha a fazer da liberdade, estaríamos criando uma sociedade estagnada com todas as características da falta de liberdade.

A natureza das mudanças

As inovações imprevistas que aparecem constantemente ao longo do processo de adaptação consistirão, primeiramente, em novos arranjos ou modelos, em que se encontram coordenados os esforços de diferentes indivíduos, e em novas organizações para o uso de recursos, por natureza tão passageiras quanto as condições específicas que permitiram seu aparecimento.

Haverá, em segundo lugar, modificações de instrumentos e de instituições, adaptadas às novas circunstâncias. Algumas delas serão também meras adaptações temporárias às condições do momento, enquanto outras constituirão melhoramentos que, por aumentar a versatilidade dos instrumentos e hábitos existentes, serão mantidos.

Estes últimos representarão uma adaptação melhor, não apenas às circunstâncias específicas de tempo e espaço, mas a uma característica permanente do nosso meio. Nestas "formações" espontâneas está incorporada uma percepção das leis gerais que governam a natureza. Esta incorporação cumulativa da experiência em instrumentos e formas de ação permitirá uma evolução do conhecimento explícito, de normas genéricas expressas que podem ser transmitidas pela linguagem de uma pessoa a outra.

Este processo de surgimento do novo pode ser mais bem entendido na esfera intelectual quando seu resultado são idéias novas. Neste campo, a maioria de nós percebe pelo menos alguns estágios individuais do processo; sabe necessariamente o que está ocorrendo e, por esta razão, em geral, reconhece a necessidade de liberdade. A maioria dos cientistas compreende que não podemos planejar o avanço do conhecimento, que na busca rumo ao desconhecido — e é isso que constitui a pesquisa — dependemos, em grande parte, dos caprichos dos gênios e das circunstâncias, e que o avanço científico, assim como uma idéia nova que surge na mente de um indivíduo, será a consequência de uma combinação de conceitos, hábitos e circunstâncias que a sociedade proporciona a um indivíduo, resultando tanto de acasos felizes quanto de um esforço sistemático.

Como percebemos mais facilmente que nossos avanços na esfera intelectual muitas vezes são fruto do imprevisto e do não-planejado, somos levados a exagerar a importância da liberdade de pensamento e a ignorar a importância da liberdade de ação. Mas a liberdade de pesquisa e de opinião e a liberdade de expressão e discussão, cuja importância é plenamente compreendida, são significativas somente no último estágio do processo de descoberta de novas verdades.

Enaltecer o valor da liberdade intelectual, em detrimento do valor da liberdade de ação, equivaleria a tomar o topo de um edifício como o todo. Novas idéias devem ser discutidas, diferentes pontos ajustados, pois estas idéias e pontos de vista surgem dos esforços, em circunstâncias sempre novas, de indivíduos que se valem, em suas tarefas concretas, dos novos instrumentos e formas de ação que eles assimilaram.

A complexidade do progresso

O aspecto não intelectual deste processo — a formação do ambiente material modificado, no qual o novo emerge — exige, para a sua compreensão e apreciação, um esforço de imaginação bem maior do que os fatores destacados pela perspectiva intelectualista.

Embora às vezes possamos identificar os processos intelectuais que conduziram a uma idéia nova, provavelmente nunca poderíamos reconstituir a sequência e a combinação das contribuições que não levaram à aquisição do conhecimento explícito; provavelmente nunca poderíamos reconstituir os hábitos adequados e as aptidões que foram empregadas, os meios e as oportunidades utilizadas e o ambiente peculiar dos atores principais que permitiram aquele resultado.

As nossas tentativas de compreender essa parte do processo não podem ir além de mostrar, em modelos simplificados, as forças que nele operam e de indicar o princípio geral e não o caráter específico das influências que atuam no caso. Os homens sempre se preocupam apenas com o que sabem. Portanto, as características que, durante o processo, não são conhecidas ao nível da consciência costumam ser ignoradas e provavelmente nunca podem ser identificadas em detalhe.

Na realidade, estas características inconscientes, além de geralmente desprezadas, muitas vezes são consideradas um obstáculo e não uma contribuição ou uma condição essencial. Por não serem "racionais", no sentido de serem utilizadas em nosso raciocínio, frequentemente são consideradas irracionais, contrárias à ação inteligente.

Todavia, embora a maior parte dos elementos não-racionais que afetam nossa ação possa ser irracional neste sentido, a maioria dos "meros hábitos" e "instituições sem sentido", que usamos e pressupomos em nossas ações, representa condições essenciais para a realização de nossos objetivos, constituindo formas de adaptação da sociedade que já demonstraram sua eficácia e utilidade, que estão sendo constantemente aperfeiçoadas e das quais depende a dimensão daquilo que podemos realizar. Embora seja importante descobrir suas falhas, nem por um momento poderíamos ir em frente sem confiar nelas constantemente.

A maneira pela qual aprendemos a organizar nosso dia, a nos vestir, a comer, a arrumar nossas casas, a falar, a escrever e a utilizar outros incontáveis instrumentos e implementos da civilização, sem esquecer a experiência prática (o know-how) da produção e do comércio, dá-nos constantemente os fundamentos nos quais se devem basear nossas próprias contribuições ao processo de civilização.

E, no novo uso e aperfeiçoamento dos instrumentos que nos são oferecidos pela civilização, surgem as novas idéias que serão empregadas finalmente na esfera intelectual.  

Embora o uso consciente do pensamento abstrato, uma vez iniciado, tenha até certo ponto uma vida própria, não poderia perdurar e desenvolver-se por muito tempo sem os desafios constantes que se apresentam, pois os indivíduos são capazes de agir de uma maneira nova, de experimentar outras maneiras de fazer as coisas e de mudar toda a estrutura da civilização, na tentativa de se adaptar à mudança.

O processo intelectual é, com efeito, apenas um processo de elaboração, seleção e eliminação de idéias já formadas. E o fluxo de novas idéias nasce, em grande parte, da esfera na qual a ação, muitas vezes não racional, e acontecimentos materiais se influenciam reciprocamente.  Este fluxo estancaria se a liberdade fosse confinada à esfera intelectual.

A importância da liberdade, portanto, não depende do caráter elevado das atividades que ela torna possíveis. A liberdade de ação, mesmo nas coisas simples, é tão importante quanto a liberdade de pensamento. Tornou-se um senso comum desmerecer a liberdade de ação apelidando-a de "liberdade econômica".  Mas o conceito de liberdade de ação é muito mais amplo do que o de liberdade econômica (o qual ela engloba). 

E, o que é mais importante, é extremamente duvidoso que haja ações que possam ser consideradas meramente "econômicas" e que as restrições à liberdade possam ficar limitadas aos chamados aspectos "econômicos".

Considerações econômicas são apenas aquelas pelas quais conciliamos e ajustamos nossos diferentes objetivos, nenhum dos quais, em última análise, é econômico (exceto os do avarento ou do homem para o qual ganhar dinheiro se tornou um fim em si mesmo).

Os objetivos são abertos

O que dissemos até agora se aplica, em grande parte, não apenas ao uso dos meios para a realização dos objetivos individuais, mas também a estes mesmos objetivos.

Uma sociedade é livre, entre outras razões, porque as aspirações dos indivíduos não são limitadas, uma vez que o esforço consciente de alguns indivíduos pode gerar novos objetivos, que posteriormente serão adotados pela maioria. Devemos reconhecer que mesmo o que agora consideramos bom ou bonito pode mudar — se não de uma forma perceptível que nos permita adotar uma posição relativista, pelo menos no sentido de que, em muitos aspectos, não sabemos o que será bom ou bonito para outra geração.

Também não sabemos por que consideramos isto ou aquilo bom, nem quem está com a razão quando há divergência acerca do que é bom ou não. Não somente em termos do seu conhecimento, mas também em termos dos seus objetivos e valores, o homem é um produto da civilização; em última análise, é a importância destas aspirações individuais para a perpetuação do grupo ou da espécie que determinará se persistirão ou mudarão.

Evidentemente, é um erro acreditar que podemos tirar conclusões acerca da qualidade dos nossos valores apenas porque compreendemos que são produto da evolução. Mas dificilmente poderíamos duvidar que estes valores são criados e alterados pelas mesmas forças evolutivas que produziram nossa inteligência. Podemos apenas saber que a decisão final a respeito do que é bom ou ruim não caberá à sabedoria de indivíduos, mas à decadência dos grupos que adotaram idéias "erradas".

Medidas de sucesso

É na busca dos objetivos a que o homem se propõe em determinado momento que podemos comprovar se os instrumentos da civilização são adequados; os ineficazes serão abandonados e os eficientes mantidos. Mas não se trata apenas do fato de que, com a satisfação de necessidades antigas e com o aparecimento de novas oportunidades, surgem constantemente novas finalidades. O sucesso e a perpetuação deste ou daquele indivíduo ou grupo dependem tanto dos objetivos por eles perseguidos, dos valores que governam suas ações, como dos instrumentos e da capacidade de que dispõem.

A prosperidade ou extinção de um grupo dependerá tanto do código de ética ao qual obedece, ou dos ideais de beleza e felicidade a que se atém, como do grau em que aprendeu, ou não, a satisfazer suas necessidades materiais.

Em qualquer sociedade, certos grupos podem ascender ou declinar de acordo com as metas que perseguem e os padrões de conduta que observam. E as metas do grupo que teve êxito tenderão a ser adotadas pelos demais membros da sociedade.

Na melhor das hipóteses, podemos entender somente em parte a razão pela qual os valores que defendemos ou as normas éticas que observamos contribuem para a perpetuação da nossa sociedade. E nem podemos ter certeza de que, em condições de mudança constante, todas as normas que, comprovadamente, contribuem para a consecução de um determinado fim continuarão desempenhando esta função.

Embora se costume supor que todo padrão social estabelecido contribui, de certa forma, para preservar a civilização, o único meio de confirmá-lo será averiguar se, concorrendo com os padrões adotados por outros grupos ou indivíduos, ele continua a se mostrar adequado.

A concorrência permite alternativas

A concorrência, na qual se baseia o processo de seleção, deve ser entendida no seu mais amplo sentido. Ela implica não apenas a concorrência entre indivíduos como também a concorrência entre grupos organizados e não organizados. Encará-la como algo que se contrapõe a cooperação ou a organização seria interpretar incorretamente sua natureza.

O esforço para conseguir certos resultados mediante a cooperação e a organização é tão inerente à concorrência quanto os esforços individuais. A distinção relevante não está entre a ação individual e a ação de grupo mas, por um lado, entre as condições em que seja possível experimentar alternativas, baseadas em diferentes pontos de vista ou métodos, e, por outro lado, as condições nas quais um organismo detém o direito exclusivo e o poder de impedir que outros participem.

Somente quando tais direitos exclusivos são conferidos na pressuposição de que certos indivíduos ou grupos possuem conhecimento superior, o processo deixa de ser experimental e as convicções que prevalecem em dado momento podem tornar-se um obstáculo ao progresso do conhecimento.

Defender a liberdade não significa opor-se à organização — que constitui um dos meios mais poderosos que a razão humana pode empregar —, mas opor-se a toda organização exclusivista, privilegiada ou monopolística, ao emprego da coerção para impedir que outros tentem apresentar melhores soluções.

Toda organização baseia-se em certos conhecimentos; organização significa dedicação a um objetivo específico e a métodos específicos, mas até a organização destinada a aumentar o conhecimento só será eficiente na medida em que o conhecimento e as convicções nas quais seu plano se baseia forem verdadeiros.

E, se qualquer fato vier a contradizer as convicções nas quais está alicerçada a estrutura da organização, isto só se tornará evidente se ela fracassar e for suplantada por outro tipo de organização. A organização, por este motivo, poderá ser benéfica e eficiente enquanto for voluntária e se der em uma esfera livre, e terá de se ajustar a circunstâncias que não foram consideradas em sua concepção, ou então fracassar.

Transformar toda a sociedade em uma única organização, criada e dirigida conforme um único plano, equivaleria a extinguir as próprias forças que formaram as mentes humanas que a planejaram.

Vale a pena parar por um momento e analisar o que aconteceria se fosse empregado em todas as ações somente aquilo que o consenso geral considerasse o conhecimento mais avançado. Se fossem proibidas todas as tentativas que parecessem supérfluas à luz do conhecimento aceito pela maioria, e se se indagasse apenas a respeito das coisas consideradas significativas pela opinião dominante ou se realizassem apenas as experiências ditadas por esta opinião, a humanidade chegaria talvez a um ponto em que seu conhecimento permitiria prever as consequências de todas as ações comuns e evitar todas as desilusões ou fracassos.

Então, aparentemente, o homem teria sujeitado seu ambiente à sua razão, pois somente empreenderia aquelas tarefas cujos resultados fossem totalmente previsíveis. Poderíamos imaginar que a civilização teria deixado de evoluir, não por se terem esgotado as possibilidades de um crescimento futuro, mas porque o homem teria conseguido sujeitar tão completamente todas as suas ações e o meio ambiente imediato ao seu nível de conhecimento, que novos conhecimentos não teriam qualquer oportunidade de surgir.

O racionalista que deseja sujeitar tudo à razão humana encontra-se, assim, diante de um verdadeiro dilema. O uso da razão visa ao controle e à possibilidade de previsão. Mas o processo evolutivo da razão baseia-se na liberdade e na imprevisibilidade da ação humana.

Aqueles que exaltam os poderes da razão humana normalmente veem apenas um lado da interação do pensamento e da conduta, na qual a razão atua na prática e, ao mesmo tempo, é modificada por esta prática. Eles não percebem que, para haver progresso, o processo social que possibilita a evolução da razão deve permanecer livre do seu controle.

Congelando o processo

Resta pouca dúvida de que o homem deve parte de seus maiores sucessos ao fato de não ter sido capaz de controlar a vida social. Seu avanço contínuo provavelmente dependerá de sua renúncia deliberada aos controles que agora estão em seu poder.

No passado, as forças evolutivas espontâneas, embora muito limitadas pela coerção organizada do estado, ainda podiam afirmar-se contra este poder. Dados os meios tecnológicos de controle hoje à disposição do governo, talvez já não seja possível afirmar isso; de qualquer forma, em breve poderá tornar-se impossível.

Não estamos longe do momento em que as forças deliberadamente organizadas da sociedade poderão destruir as forças espontâneas que tornaram possível o progresso.


42 votos

autor

Friedrich A. Hayek
(1899-1992) foi um membro fundador do Mises Institute. Ele dividiu seu Prêmio Nobel de Economia, em 1974, com seu rival ideológico Gunnar Myrdal "pelos seus trabalhos pioneiros sobre a teoria da moeda e das flutuações econômicas e por suas análises perspicazes sobre a interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais". Seus livros estão disponíveis na loja virtual do Mises Institute.


  • Marcos  17/11/2015 15:24
    Artigo profundo e completo. E diria até irrefutável. Dos melhores deste site. Pena que será pouco lido, pois é um artigo mais filosófico.
  • Jéferson S.  11/05/2017 13:15
    Muito bom!!! Ler Hayek é uma coisa, compreender é outra bem diferente, acompanhar as linhas de raciocínio do homi me fadiga o cerébro... xD
  • Eduardo R., Rio  17/11/2015 18:18
    O livro The Constitution of Liberty, em português.
  • Adelson Paulo  17/11/2015 18:26
    "A Ética da Liberdade", de Murray Rothbard, foi um dos livros mais instigantes e interessantes que já li. Partindo de princípios básicos e estruturado na lógica, constrói-se todo um arcabouço ético e moral para nossas ações e decisões em sociedade. Em muitos momentos Rothbard é extremamente radical, mas de uma radicalidade que provoca e estimula nossa reflexão. E esta extrema radicalidade deságua em pacifismo e compreensão, e não em violência ou intolerância.
    Este artigo de Hayek reforça esta concepção libertária, agora em um plano mais político de ação.
    Parabéns ao Instituto Mises por fornecer tanta luz, em momentos de tanto obscurantismo.
  • Pedro  17/11/2015 19:32
    Excelente artigo do IMB.
  • Taxidermista  17/11/2015 20:20
    O economista da escola austríaca Steven Horwitz tem um ensaio em que ele aborda a perspectiva de Hayek relativamente ao liberalismo:

    www.gmu.edu/depts/rae/archives/VOL13_1_2000/horwitz.pdf


    E o mesmo Horwitz acaba de lançar um livro sobre as instituições sociais (especialmente a família) na perspectiva hayekiana:


    www.amazon.com/Hayeks-Modern-Family-Liberalism-Institutions/dp/1137448229/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1447791614&sr=1-1
  • Adelson Paulo  18/11/2015 14:21
    Prezado, seguindo sua dica li o artigo de Horwitz "From The Sensory Order to the Liberal Order: Hayek's Non-rationalist Liberalism". E deparei-me com uma nova descoberta: as incursões de Hayek na Psicologia! O artigo de Horwitz apresenta a abordagem de Hayek sobre a natureza da mente humana e suas implicações na economia e na sociedade, inclusive nos arcabouços jurídico e legal. Simplesmente fantástico!
    Me surpreendeu ainda mais as conexões com visões mais esotéricas sobre a natureza do conhecimento humano, em particular a obra fantástica e intrigante (e também polêmica) de Carlos Castaneda (o discípulo de Don Juan), depois abordada por Deepak Chopra.
    Estes caras eram mesmo gênios: Mises e Hayek!
  • Taxidermista  18/11/2015 14:43
    Caro Adelson Paulo:

    fiquei contente que você tenha lido o artigo indicado.

    De fato, meu caro, o livro "The Sensory Order" é uma contribuição de Hayek à psicologia (mais propriamente, à base filosófica da psicologia, porquanto ele delineia ali uma teoria da mente, como você bem observou).

    E veja que interessante: Thierry Aimar, economista francês especialista no pensamento austríaco, escreveu um livro em cujo Capítulo 4 ele coloca o "Sensory Order" num contexto mais amplo (analisando-o ao lado da praxeologia misesiana), afirmando que tal obra pode ser vista como o intento de Hayek para a teoria da "market formation".

    O livro citado é esse: https://books.google.co.in/books?id=GVQ2VJ5p_KYC&pg=PA260&lpg=PA260&dq=The+Economics+of+Ignorance+and+Coordination+elgar&source=bl&ots=AKy9yHOOC1&sig=KmMGiEwH3-dDf4zGEE5poE5DCfE&hl=pt-BR&sa=X&ved=0CCgQ6AEwAWoVChMIwfSIqJmayQIVRheQCh0nPgjW#v=onepage&q=The%20Economics%20of%20Ignorance%20and%20Coordination%20elgar&f=false


    Abraço fraternal!
  • Rodrigo Pereira Herrmann  17/11/2015 21:27
    Parece que o velho Hayek, com o passar da vida (ou desde sempre, não sei), foi abandonando o idealismo kantiano e a vaidade inflada do racionalismo iluminista. bom pra ele.

    ainda que a razão humana seja intrinsecamente limitada e precária, como ele reconhece, ainda assim ela é capaz de maravilhas, de coisas inesperadas, tanto mais encontre uma circunstância favorável. a liberdade é o reconhecimento de que há algo excepcional, inabarcável, inexpugnável na criatura humana, que lhe faz engenhosa e imprevisível (no sentido do bem, sobretudo. a razão não é auto-suficiente, mas também não se esgota nas coisas. não interessa defini-la (há uma aproximação com a concepção tomista? será?). basta perceber que essa força se desdobra com mais intensidade quando encontra campo livre.

    não obstante, o ser humano é um ser social inserido num contexto. a ordem política-cultural importa. ela se configura num esquema de possibilidades que traduz a melhor (mais adequada) compreensão da vida daquele grupo social, esquema que pode e deve evoluir/ampliar-se pelo esforço conjunto e livre da razão inspirada. novas intuições sugerem novos modos de vida que pedem, por sua vez, novas instituições. é a dialética da existência.

    bom, Hayek. muito bom.



  • José R.C.Monteiro  17/11/2015 22:22
    Saudações, interessante que no artigo F.Hayek usa as palavras: fé, esperança, humildade, etc., todas essas coisas giram em uma clave acima da racionalidade, algo parecido com a necessidade de espiritualidade, quiçá religiosidade.

    O senso de moralidade, diretamente atrelado à religiosidade, uma vez restituído volta o livre comércio à sua condição normal de sempre, ou seja, a liberdade, assim como fomos pensados por DEUS, a boa ideia que somos.

    Tenho comigo que o sistema econômico abstraído dos valores morais é antagonismo per se, quer dizer, o antagonismo gerado por uma impossibilidade.

    Pensando um pouco no maior exemplo mundial de capitalismo e livre comércio, os U.S.A., esse povo foi construído em base religiosa, foi nos Estados Unidos da América que nasceu o termo estado laico, imprescindível juridicamente à época.

    Acompanho os amigos, excelente texto.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  17/11/2015 22:35
    CHEGA DE IMPOSTO!
  • Bruno Pacheco  18/11/2015 01:36
    Lendo Hayek neste artigo , mais uma vez me deparo com uma conclusão que creio ser verdadeira, que Hayek ao menos em certa medida é um conservador, porém, como o termo é um pouco estranho tanto para ele quanto para Mises, creio que "tradicionalista" seria melhor.

    Já que neste artigo e em outros artigos ele nota que a formação das instituições sociais ao nosso redor é resultado não intencional (ordem espontânea), e que pelo teste do tempo, sobreviveram e merecem ser mantidos pois são uma garantia de ordem e liberdade.
  • Filipe Olegario  09/05/2017 23:11
    É interessante como Hayek aplica sistematicamente o método evolutivo na análise da formação das instituições. Perfeito. Apenas o prognóstico me parece inadequado, embora talvez não o fosse em sua época. O progresso tecnológico, ao invés de viabilizar a restrição total da liberdade, torna-se cada vez mais a estrutura de funcionamento do capitalismo, tornando-o mais robusto e resistente à ação coercitiva do governo.
  • Lulz  18/11/2015 03:29
    verdade sobre tragedia mariana, não as doacoes, sim a justiça.Multinacional tem que arcar com prejuizo, limpar o local e indenizar as vitimas.
    https://www.youtube.com/watch?v=zjqLpVUuVvA
  • Lulz  19/11/2015 01:33
    Desculpe link errado, aqui esta o link:
    https://www.youtube.com/watch?v=DR6Fw3rACuk
  • Arnaldo  09/05/2017 16:21
    não me importo
  • Igor Moreira Celestino  18/11/2015 19:34
    Obrigado por compartilhar essa pérola!
  • Guilherme  20/03/2016 18:51
    Um dos melhores artigos em defesa da liberdade que eu já vi. Praticamente irrefutável.
  • Emerson Luis  25/03/2016 11:50

    Embora preguem a igualdade, os socialistas partem do pressuposto oculto de que existem pessoas especiais que são sobrenaturalmente superiores aos seres humanos comuns (tanto em capacidade intelectual quanto em compreensão moral) e que essa elite deve dominar a maioria para o bem geral e o avanço da Marcha da História. Esses seres superiores que os socialistas acreditam existir seriam eles próprios.

    * * *
  • Erica  16/10/2016 22:20
    Parabéns pela divulgação em português do trecho do livro The Constitution of Liberty! Conhecer um pouco mais do contexto filosófico, histórico e social vivido pelo professor Hayek ilumina ainda mais minhas convicções e meu aprendizado sobre economia. Abraços!
  • Wanderson  09/05/2017 16:25
    O texto afirma que o povo é ignorante e que o mais sábio dos governantes não deveria governar, mas uma sabedoria difusa no meio social baseada na lógica de cada escolha. Obviamente, o libertarianismo confunde as escolhas mais lógicas com as melhores escolhas. Sem um padrão de moralidade, não há liberalismo que funcione. Infelizmente, os libertários insistem em substituir a base moral valorativa pela base lógico-econômica como sustentáculo da sociedade, o que pode levar o homem a fazer maus negócios, afinal, o bem é um valor moral e não lógico. Não é à toa que o relativismo moral leva, necessariamente, ao comunismo. Se todas as opiniões são iguais, somente o grupo mais coeso e mais forte se sustentará, e essa coesão terá bases imorais, necessariamente. Libertarianismo e comunismo é o caminho dos maus homens.
  • Emerson  09/05/2017 17:00
    "O texto afirma que o povo é ignorante"

    O artigo não fala absolutamente nada disso (e, se falasse, eu concordaria plenamente; mas não fala).

    Um sujeito que já começa mentindo e caluniando logo na primeira frase faz um grande favor ao resto de humanidade: ele rapidamente deixa explícito seu mau-caratismo, desobrigando a todos os sensatos de levá-lo a sério.

    "Sem um padrão de moralidade, não há liberalismo que funcione."

    Não apenas o texto não discorda disso, como este nem sequer é o tema. O tema é controle e dirigismo, e não ética e moralidade. Você, além de mentiroso e caluniador, é tambem analfabeto funcional.

    "Infelizmente, os libertários insistem em substituir a base moral valorativa pela base lógico-econômica como sustentáculo da sociedade, o que pode levar o homem a fazer maus negócios, afinal, o bem é um valor moral e não lógico."

    Opa, esse ponto foi abordado explicitamente no artigo. O fato de você estar repetindo exatamente o que foi abordado no artigo mostra que você nem sequer o leu. Deu manota. Ficou à descoberto.

    "Não é à toa que o relativismo moral leva, necessariamente, ao comunismo. Se todas as opiniões são iguais, somente o grupo mais coeso e mais forte se sustentará, e essa coesão terá bases imorais, necessariamente. Libertarianismo e comunismo é o caminho dos maus homens."

    Essa foi tão completamente deslocada ao tema do artigo, que não há outra hipótese senão a certeza de que você está sob o efeito de barbitúricos.
  • Wanderson  12/05/2017 16:05
    Trecho onde se afirma categoricamente que o fundamento da argmentação sobre a liberdade é a ignorância DO POVO:

    "O argumento em prol da liberdade individual fundamenta-se, principalmente, no humilde reconhecimento de que somos ignorantes. A realização dos nossos objetivos e do nosso bem-estar depende de uma série de fatores sobre os quais somos inevitavelmente ignorantes."
  • Eliseu  12/05/2017 23:44
    Procurei a imputação ao povo (3ª pessoa do singular) e não achei. Mostra de novo, por favor? Vi apenas assunção própria de culpa, na 1ª pessoas do plural.

    Falar na primeira pessoa do plural é exatamente o oposto de apontar o dedo e dizer que a "culpa é do povo''.

    É cada semi-analfa...
  • SRV  09/05/2017 20:35
    Wanderson,

    Como poderia faltar aos libertários o senso de moral se defendem a vida, a liberdade, a não-violência, a não-coerção, e respeito à propriedade?
  • Wanderson  12/05/2017 16:14
    De boas intenções, o inferno está cheio. O comunismo e o libertarianismo, também. Sequestra-se com boas intenções, libera-se a morte à míngua sob drogas com boas intenções. Os conservadores também tem boas intenções, mas com uma diferença, não se deixam guiar pelas intenções mas aprendem com os fatos a construir uma MORAL E UMA ESCALA DE VALORES totalmente ausentes, repito, totalmente ausentes, nos sistemas libertários e comunistas. A ausência de hierarquia é o que chamam de liberdade, tanto libertários quanto comunistas.
  • Ex-microempresario  13/05/2017 22:31
    Confesso que estou muito curioso, repito, muito curioso, para saber quais os valores que só os conservadores como o Wanderson tem, e em que hierarquia, repito, em que hierarquia eles se organizam.

    Confesso também que não entendo, repito, não entendo, a comparação entre hierarquia e liberdade.
  • LUIZ F MORAN  09/05/2017 19:14
    Pessoas que se sentem confortáveis sendo tuteladas pelo Estado jamais compreenderão este ensaio.

    Trata-se de uma OBRA PRIMA.
  • Adriano Winkler  09/05/2017 23:19
    Perfeito, bem elaborado e completo.
  • Anonimo  10/05/2017 20:03
    OFF TOPIC:
    Dada a natureza controversa do PIB(subtrair importações e considerar gastos governamentais como positivos), a diminuição do PIB australiano de 2013 pra cá pode na verdade significar algo bom? (Essa diminuição inclusive é usada por alguns sujeitos da CPL, como Rian Lobato, para argumentar sobre supostas falhas do liberalismo).
  • Bernardo  10/05/2017 21:34
    Isso que você falou é realmente sério?

    A Austrália cresce ininterruptamente há 25 anos. Atualmente, o crescimento do PIB reduziu de -- atenção -- 4% para 3%!

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/embed/?s=aunagdpy&v=201704031146u&d1=20070101&d2=20171231&h=300&w=600

    Se isso é "crise do liberalismo", então eu quero viver numa crise dessas para sempre.


    P.S.: ainda estou em dúvidas se esse seu relato é sério. Eu sei que a esquerda é burra, mas um relincho desses beira a ficção.
  • Anonimo  10/05/2017 23:03
    Sim, esse texto existe, no caso é : https://www.motorideologico.com/single-post/2016/12/24/Mas-e-a-Austr%C3%A1lia. O trecho sobre o PIB é : "O PIB australiano vem decaindo desde 2013, onde era, em dólares americanos, 1,5 trilhão, estando hoje abaixo de 1,34 trilhão[...]"
  • Chiarelli   11/05/2017 03:44
    Mama mia! Ou esse cara é incrivelmente burro ou ele é impressionantemente desonesto.

    O dólar americano se valorizou em relação a todas as moedas do mundo no período 2013-2016. Consequentemente, qualquer país que convertesse seu PIB para dólares veria uma queda no valor.

    Isso, repito, aconteceu com absolutamente todos os países. Não foi exclusividade da Austrália.

    Aliás, se o gênio aplicar esse mesmo critério ao PIB do Brasil durante o governo Dilma (quando o dólar explodiu em relação ao real), ele verá que o PIB brasileiro desabou. E aí, será que ele vai manter a mesma lógica e concluir que o intervencionismo keynesiano de Dilma foi um desastre)
  • Sultão  11/05/2017 02:01
    Meu sonho é crescimento de 3%. Meu país gasta mais que um saudita, importa menos que eremita e o PIB aqui é de -3%.

    Isso os Keynesianos não explicam.
  • Emerson Luis  12/05/2017 13:39

    Este artigo é o ensaio inteiro do Hayek ou é um resumo?

    (PS: Tomara que traduzam logo os livros de Hayek, Mises, etc.
    ainda não publicados em português!)

    * * *
  • Friedrich von Hayek  13/05/2017 01:51
    Esse artigo é um artigo do Hayek que foi retirado de seu livro The Constitution of Liberty. No livro mesmo, esse artigo não dá um capítulo. Mas o livro The Constitution of Liberty foi traduzido sim, sob o nome de Os Fundamentos da Liberdade. Aqui está o link em pdf: portalconservador.com/livros/Friedrich-Hayek-Os-Fundamentos-Da-Liberdade.pdf

    Há vários livros ou artigos do Hayek que ainda não foram traduzidos, bem como também há alguns livros do Mises que ainda não foram. Porém, quanto a Hayek, o problema é que não existem editores publicando e vendendo a maioria de seus livros, tais como o próprio Os Fundamentos da Liberdade.
  • diele  16/05/2017 19:12
    Ola, estou pesquisando assuntos referentes a violencia e como combate-la, e no momento preciso de informaçoes sobre a policia de modo geral, e nao achei conteudos a respeito de quem cuida dos proprios policiais, o apoio psicologico, treinamento por exemplo, e onde entra a contribuiçao dos municipios, quando começa a interferencia do Estado, no combate a violencia...o que mais achei, foi jornais criticando a policia e querendo a desmilitarizaçao dela...ficarei grata se puderem me responder. Obrigada pelo tempo.
  • anônimo  16/05/2017 22:10
    OFF

    e ai? privatizar a previdencia talvez nao seja uma boa ideia ne

    https://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2017/05/16/como-e-se-aposentar-no-chile-o-1-pais-a-privatizar-sua-previdencia.htm?cmpid=fb-uolnot
  • Salazar  17/05/2017 00:00
    Previdência chilena? Outro arranjo completamente estatista. O governo obriga o trabalhador a contribuir para um plano. O governo não dá a opção de o trabalhador manter seu salário integral e direcionar uma parte dele para onde ele quiser. O governo obriga o trabalhador a contribuir mensalmente para qualquer uma das empresas amigas do governo (um mercantilismo explícito).

    A partir do momento em que o estado garante uma clientela cativa para essas empresas, acabou a eficiência (e as taxas de administração serão altas). E é isso o que acontece lá. O ramo de previdência privada não possui uma "livre concorrência", todas cobram praticamente a mesma "taxa de administração", e além disto cobram uma "taxa de carregamento" muito elevada.

    Agora, apesar de tudo isso, um chileno que pagou a previdência ao menos consegue se aposentar. Diferentemente do que já está ocorrendo neste exato momento no Brasil (vide funcionários públicos estaduais do Rio).
  • anônimo  17/05/2017 01:06
    Beleza,

    Como organizar entao?

    pelo que entendi no chile eles sao obrigados a botar ao menos 10%, sendo q poderiam botar mais se quisessem, mas imagino que fique pelo minimo msm. e ai? o cara se aposenta recebendo o equivalente a 690 reais por mes?

    a solucao entao é liberar pra nao precisar destinar mais nada a previdencia, e quando os caras se aposentarem morrerem de fome?

    e cada um com seus problemas, é isso?
  • Marcus Aurelius  17/05/2017 03:34
    "Como organizar entao?"

    Como organizar a previdência de maneira centralizada? Impossível.

    Todo este site se resume basicamente a explicar por que soluções centralizadas são impossíveis e não têm como funcionar.

    Nenhuma previdência controlada pelo estado (como a chilena) e nenhuma reforma da Previdência (como a atual brasileira), de qualquer tipo que seja e por mais bem pensada que seja, irão funcionar a contento.

    Sabe por quê?

    Porque não existem soluções coletivas. Há apenas soluções individuais.

    Eu, por exemplo, tenho a solução para a minha Previdência. Não contribuo para INSS, tenho grande educação financeira, invisto mensalmente em papeis de renda fixa e estou feliz. Com 50 anos de idade já poderei me aposentar e viver de renda.

    Tenho a solução para a minha previdência, mas eu não tenho a solução para a previdência de todos. Por mais que eu queira genuinamente ajudar, sei que tem gente que não quer.

    Já conversei com várias pessoas sobre investimentos para a aposentadoria, e vi que a esmagadora maioria desconhece até mesmo coisas básicas, como juros compostos (ensinado no primeiro grau da escola). Não serei eu quem irá esquentar cabeça para ajudar essa gente.

    O que é meu já está resolvido. Tenho a solução para mim e para meus filhos. (E talvez netos). Mas não tenho a solução para meus vizinhos e nem para meus parentes. Nada posso fazer por eles.

    "e ai? o cara se aposenta recebendo o equivalente a 690 reais por mes?"

    Se ele não tiver educação financeira e não procurar sempre os melhores investimentos, tal valor será até muito.

    Na prática, você está querendo que analfabetos financeiros tenham uma vida financeira sossegada e confortável, garantida por políticos. Se você continuar movido por esta crença, esteja preparado: você vai se estrepar.

    Lamento, mas o que você quer é um delírio total. Querer que analfabetos financeiros tenham vida boa (garantida por políticos) é o equivalente a querer que iletrados se transformem em Shakespeare.

    "a solucao entao é liberar pra nao precisar destinar mais nada a previdencia, e quando os caras se aposentarem morrerem de fome? e cada um com seus problemas, é isso?"

    Recorrer ao coitadismo, ao vitimismo, e a afetações de indignação (só falta a mãozinha na cintura) não alterarão a realidade acima descrita. Ou você se educa para cuidar de si próprio no futuro (inclusive, e especialmente, em termos financeiros) ou os políticos foderão sua vida.

    Achar que político vai cuidar da sua vida financeira futura é o cúmulo da estupidez, da burrice e da ignorância.

    Pode espernear à vontade, mas essa é a realidade. E vale para todos.


    Em todo caso, aqui vai um artigo sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2589
  • Felippe Hermes  17/05/2017 00:24
    Eis a situação do Brasil:

    O 1% mais rico da previdência recebe 15% do total de recursos.

    Os 50% mais pobres recebem 13% do total de recursos pagos pela previdência.

    100% dos que compõe esta elite de 1% mais ricos são funcionários públicos, e não, não adianta se esconder debaixo da podridão da política brasileira. Não estamos falando apenas dos 10 mil magistrados e 2 mil políticos aposentados. Estamos falando de 310 mil pessoas.

    310 mil pessoas, todos funcionários públicos, recebem o mesmo da previdência que 15 milhões de pessoas.

    Se você não entendeu ainda o quão bizarro isso é, imagine que no Brasil, o sétimo país mais desigual do planeta, os 10% mais ricos detém 40,5% da renda.

    Em outras palavras: nossa previdência consegue ser mais desigual que nossa distribuição de renda.

    E não, isso nem de longe é o pior da história.

    O pior poderia ser saber que há pessoas que defendem a previdência como um mecanismo de distribuição de renda, mas também não...

    O pior é que eu tenho 100% de certeza que você, sim VOCÊ MESMO, tem um amiguinho que já compartilhou um gráfico feito por um sindicato de funcionários públicos para dizer que não há déficit e nem nada de errado na previdência brasileira (sim, estamos falando de você e do seu gráfico mentiroso ANFIP).

    Se você ainda assim não entendeu qual é o lance, eu explico: os mais pobres são uma desculpa utilizada para manter os privilégios de certos grupos. Nada de novo no front, exceto que os mais ricos nessa história estão conseguindo enganar você
  • Cristiano  15/05/2018 02:50
    Exatamente!!!!
  • Cristiano Firmino Rodrigues  10/05/2018 11:29
    O intelecto agradece...


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