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Entendendo a recessão mundial do início do século XXI

Artigo originalmente escrito em julho de 2002

 

O traço singular das crises econômicas desde o início do século XIX é a dificuldade de entrever com precisão a causa ou causas que as deflagram. No passado, as depressões podiam ser imputadas claramente a guerras, revoluções ou catástrofes naturais. A economia capitalista moderna é diferente. Quando tudo parece estar indo bem, inexplicavelmente emergem estranhas convulsões de seu bojo, que não podem ser explicadas por esse ou aquele evento específico. Como não poderia deixar de ser, os estudiosos do assunto aventaram ao longo do tempo inúmeras hipóteses para a compreensão das flutuações econômicas.

Todos conhecem ao menos vagamente a teoria marxista que atribui ao capitalismo contradições imanentes e inexoráveis cada vez mais graves e que, ao fim e ao cabo, levariam à sua superação pelo comunismo. A hipótese de Marx pertence ao gênero das teorias da superprodução, segundo as quais o capitalismo seria tão produtivo que haveria um encalhe de mercadorias em vista da incapacidade das massas para adquiri-las. A outra teoria mais conhecida é a de Keynes, que integra o grupo do subconsumo. Para o inglês, que divisava contradições internas no capitalismo muito parecidas com as de Marx, as crises são o reflexo da insuficiência de poder de compra por parte da população. Os seguidores de Marx e os discípulos de Keynes divergem entre si em detalhes, mas concordam no principal: a economia de mercado é intrinsecamente instável e perversa. É imperativo para a felicidade geral da humanidade que ela seja abolida tout court, conforme os marxistas, ou reformada e estritamente controlada pelo estado, segundo os keynesianos.

Marx e Keynes diziam que sob certas condições a escassez — a impossibilidade de ter tudo ao mesmo tempo — poderia ser suprimida e os povos ingressariam então no nirvana terrestre da abundância. Bastava superar a propriedade privada dos meios de produção, no caso do alemão, ou reduzir a zero a taxa de juros, conforme o britânico, para que esse feliz estado de coisas substituísse o desnecessário vale de lágrimas de dura labuta que aflige os homens desde a expulsão do paraíso.

Em outras palavras, os dois mais famosos e influentes economistas dos últimos cento e tantos anos acreditavam em Papai Noel e no coelhinho da páscoa. Que sejam justamente esses embusteiros os dois mais famosos e influentes economistas sintetiza muito bem a confusão moral e o descalabro intelectual vigente.

Marx e Keynes não foram homens de ciência, e sim expoentes do grupo mais nefasto de todos os tempos, o dos intelectuais socialistas militantes, que superaram com folga os estragos pretéritos de conquistadores sanguinários como Átila, Tamerlão ou Cortez. Suas teorias acerca dos ciclos são tão desonestas e erradas que já nasceram refutadas. Num debate célebre na época, início do século XIX, o economista francês Jean-Baptiste Say conseguira demonstrar os erros cabais de seu colega inglês Malthus, que formulara uma teoria das crises econômicas que depois viria a ser requentada e enfeitada por Marx e Keynes, cada um a seu modo.

De sorte que, para quem quer compreender o que está ocorrendo com a economia global no presente, deve em primeiro lugar descartar in limine as explicações dos economistas marxistas e keynesianos. No Brasil, terra em que 99% dos economistas têm Marx no coração e Keynes na cabeça, isso significa desprezar quase in totum as análises dos pseudo-especialistas. Tampouco há como levar a sério os palpiteiros baratos e propagandistas vulgares como Veríssimo, Sader e similares. Para entender o que está se passando é preciso recorrer às análises e pesquisas de estudiosos sérios.

Como os chamados monetaristas da Escola de Chicago. Para eles, em resumo, a estabilidade econômica depende da relação entre a quantidade total de dinheiro em circulação e a quantidade total de bens e serviços produzida. Enquanto houver equivalência entre ambas essas magnitudes, de modo que uma terceira magnitude, o nível geral de preços, permaneça estável, tudo irá bem. Os problemas decorrem da queda ou do aumento excessivo da oferta de moeda, gerando deflação ou inflação. Para os monetaristas, a razão principal da grande depressão dos anos 1930 teria sido o mau gerenciamento monetário do Banco Central americano, que permitiu uma queda abrupta da quantidade de dinheiro — deflação — e assistiu a uma quebradeira geral de bancos (cujos depósitos à vista — dinheiro — deixaram de existir) sem nada fazer.

A crítica que se faz aos monetaristas é que eles raciocinam em termos de agregados, ou seja, adotam uma teoria macroeconômica dos ciclos que acaba não diferindo muito da macroeconomia keynesiana, e padece de limitações semelhantes. Ademais, tanto na crise americana atual quanto na corrente estagnação japonesa, velha de dez anos, a teoria monetarista falhou na previsão das crises, pois o nível geral de preços em ambos os casos estava mais ou menos estável, e também na correção delas, pois não houve quebras bancárias e deflação e mesmo assim o problema continuou.

Em defesa dos economistas de Chicago, contudo, deve ser dito que eles ajudaram a humanidade derrotando os keynesianos numa grande batalha teórica nos anos 1960 e 1970 centrada nas origens e causas da galopante inflação de preços da época, bem como que eles em geral criticam ferozmente o intervencionismo econômico do protecionismo, monopólios, subsídios, déficits e controle de preços.

Mas a economia não trata de agregados imaginários, meros entes de razão, e sim de seres humanos, suas ações e escolhas num mundo de escassez, imperfeições e incerteza. Nesse plano mais concreto, chamado de microeconomia, alguns teóricos, como Joseph Schumpeter, foram pesquisar a dinâmica das crises econômicas. Esse grande economista partiu do modelo conhecido como equilíbrio geral walrasiano para concluir que a única variável capaz de perturbar esse equilíbrio e deflagrar as crises seria a inovação tecnológica. A teoria da destruição criativa, como ficou conhecida, é muito interessante, mas peca por assumir os postulados irrealistas e insatisfatórios do equilíbrio geral e por concentrar a inovação em determinados períodos, seguidos de calmarias técnicas, quando se sabe que no mundo real ela está ocorrendo o tempo inteiro.

A teoria articulada por Ludwig von Mises sobre antigos insights da escola monetária inglesa do século XIX e sobre as investigações acerca do capital e do juro feitar por Bohm-Bawerk e Wicksell, e depois desenvolvida por Friedrich Hayek e outros, evita as armadilhas da macroeconomia e da microeconomia walrasiana.  Mais ainda: fornece a mais completa ilustração das flutuações econômicas. Passemos a testá-la.

A ênfase é na moeda, como é o caso dos monetaristas, porém a abordagem é primariamente microeconômica, concentrando-se nos efeitos que o advento de moeda-crédito nova provoca nos agentes econômicos. Os economistas austríacos notaram que as crises revelam subitamente que a maior parte dos empresários e investidores erraram em suas estimativas do estado futuro do mercado, de modo que suas expectativas de lucratividade foram frustradas. O erro empresarial é normal (afinal, errar é humano) e acontece o tempo todo, pois o futuro é, por definição, incerto. Mas a singularidade das crises está na enorme quantidade de erros de avaliação simultâneos por parte de empresários experientes e especuladores astutos. Entender a causa desse conjunto de erros é a chave para decifrar o mistério das crises.

Em um mundo em que tudo é heterogêneo, só o dinheiro é homogêneo. A moeda tem a função vital de expressar as razões de troca entre as mais variadas coisas — os preços — numa única unidade de conta apta a permitir o cálculo econômico racional. Os preços monetários transmitem informações aos agentes econômicos sobre a escassez relativa dos fatores de produção e dos bens de consumo; e com base nessas informações, os agentes traçam seus planos e tomam suas decisões. Caso esse delicado mecanismo de transmissão de informações via preços seja danificado, os agentes estarão mais propensos a planejar de acordo com dados fictícios e ilusórios de realidade e, portanto, a tomar decisões erradas.

Para haver investimento, é preciso antes ter havido poupança, a diferença positiva entre o que as pessoas produzem e o que consomem. A poupança agregada reflete uma inclinação geral das pessoas de adiar o consumo no presente em troca de mais consumo no futuro. Se, ao contrário, ocorrer uma preferência generalizada pelo consumo no presente, a poupança agregada é reduzida ou até mesmo substituída pelo consumo do capital existente, o que resultará em consumo futuro declinante e queda do padrão de vida.

Em uma economia de mercado desenvolvida, a poupança chega às mãos dos investidores mediante complexos sistemas de intermediação, e o preço que equilibra a procura e a oferta de poupança existente é o juro. Esse preço é absolutamente fundamental para o cálculo econômico dos empresários, que não investirão em linhas de produção cuja rentabilidade seja menor do que os juros que terão que pagar sobre os recursos tomados. O juro sinaliza a escassez de poupança e informa que não dá para produzir tudo no momento, mas apenas os bens de consumo mais urgentemente desejados pelos consumidores.

Outra informação vital fornecida pela taxa de juros é sobre o tempo a ser consumido no projeto de investimento até que os bens de consumo estejam prontos para serem oferecidos no mercado. Um projeto que consome tempo demais para sua maturação corre o risco de morrer na praia por falta de recursos para mantê-lo, pois até que se comece a vender e lucrar há que pagar os salários dos empregados, os fornecedores de insumos etc.

Se, porém, os bancos decidem emprestar além das suas reservas, eles falsificam dinheiro (pois depósitos sujeitos a cheque criados ex nihilo são dinheiro em circulação), criam uma pseudopoupança e consequentemente a taxa de juros, reduzida artificialmente, deixa de ser um sinal confiável. Os empresários e investidores são induzidos a acreditar que há mais poupança real do que efetivamente existe. Todas as crises são precedidas de períodos de prosperidade febril caracterizada por amplos investimentos em bens de capital e de maturação lenta. Por outro lado, o dinheiro falso bombeado pelos bancos na economia termina por alimentar grandes movimentos especulativos nas bolsas de valores e em outros mercados (como o de imóveis). O estimulante dessa febre ilusória de otimismo eufórico é o crédito artificialmente barato provido pelo sistema financeiro sob o comando dos governos.

A distorção na cadeia produtiva que se segue decorre do fato de que a criação de dinheiro falso não implica que os fatores de produção e bens de consumo também possam se materializar magicamente. Eles continuam limitados e escassos como antes. E como há mais dinheiro comprando as mesmas coisas, os empresários passam a disputar ferozmente entre eles os fatores de produção, cujos preços sobem.

De outro ângulo, a remuneração desses fatores, como os salários dos empregados, começa a ser despendida em bens de consumo, cujos preços tendem a subir. A inflação monetária pode ser contrabalançada por um aumento da produtividade (queda dos preços de alguns bens de consumo pelo aumento da oferta), de modo que o nível geral de preços permaneça relativamente estável, como ocorreu nos anos 1920 e nos anos 1990 nos Estados Unidos. Entretanto, a expansão do crédito fatalmente distorce, além da poupança real, também a alocação de recursos. O aumento da demanda por bens de consumo força os empresários dos setores mais próximos do consumo final a competir com os setores mais distantes pelos fatores de produção. A farra do crédito barato, contudo, gera inflação e estende demais o endividamento dos agentes econômicos, de modo que, mais cedo ou mais tarde, o governo e os bancos são forçados a elevar os juros e restringir a oferta de crédito.

Chega de emprestar; a hora agora é de cobrar as dívidas. O aumento dos juros e dos preços dos fatores subitamente deixa nus com a mão no bolso os empresários do setor de bens de capital. Eles se dão conta de que suas previsões estavam erradas, que não conseguirão recuperar o que investiram.  E aí começa o salve-se quem puder do corte de custos e demissões. As crises sempre começam nos setores da estrutura de capital mais afastados do consumo final, como nas indústrias pesadas, e só mais tarde vão derrubando o resto.

A recessão, na ótica da teoria austríaca, é o acerto de contas inevitável com o complexo de decisões erradas tomadas no passado com base no falso sinal dos juros baixos. Os empresários têm que ajustar seus planos ao nível de poupança efetivamente existente. Muitos quebram e são excluídos do rol dos empreendedores. Os assalariados empregados nas indústrias insustentáveis perdem seus empregos e têm que procurar outros em setores mais sólidos. O desemprego sobe dramaticamente. Os investimentos em bens de capital e terra não conversíveis são sacrificados. Não há outro jeito.

Quanto menor for a intervenção externa nesse necessário processo de regeneração do organismo econômico, mais rápida será a sua recuperação. A tremenda crise mundial de 1921 foi superada em apenas um ano. Já a crise similar de 1929 se prolongou por mais de dez anos e a convulsão japonesa de 1992 se arrasta até hoje. Isso porque os governos resolveram intervir e só agravaram os problemas. Medidas protecionistas para "preservar empregos", gastos deficitários estatais para "gerar empregos", barateamento do dinheiro com juros zero ou até negativos ("reflação"), controle de preços, subsídios às indústrias periclitantes, seguro-desemprego para sustentar a "demanda efetiva" e medidas do gênero impedem a recuperação e prolongam a recessão, transmutada desnecessariamente em depressão.

A economia de mercado é construída por milhões de contratos entre sujeitos livres, ou seja, pela cooperação voluntária e mutuamente vantajosa para as partes segundo suas valorações pessoais e intransferíveis. A base desse sistema incrivelmente complexo é uma atmosfera geral de confiança (daí "crédito") em que os contratantes cumprirão as obrigações pactuadas. Ao contrário do que pregam os enfadonhos intelectuários socialistas, o capitalismo pressupõe uma moralidade social saudável. O elo que possibilita e liga economicamente todas essas relações privadas é o dinheiro. Ora, se o dinheiro é sujeito à manipulação fraudulenta pelos governos e bancos, violando a regra moral básica de não roubar, a imoralidade é infundida no próprio coração do sistema, corrompendo-o gravemente. A inflação é uma espécie de leucemia econômica, em que o sangue do corpo econômico é deliberadamente envenenado. É claro que mais cedo ou mais tarde os órgãos aparentemente saudáveis começarão a falhar e o paciente descobrirá de repente que está seriamente doente.

A propósito, é abordando o problema do ponto de vista ético que se constata mais facilmente o absurdo das propostas keynesianas para evitar ou curar as depressões. Para Keynes e seus sucessores, o estado se subtrai às regras morais válidas para as criaturas comuns, pois ele não só pode como deve gastar mais do que arrecada (onerando assim o patrimônio de terceiros contra a vontade deles) e falsificar dinheiro em bases permanentes. Essas falcatruas oficiais são conhecidas pelos eufemismos de "política monetária" e "política fiscal". Ora, o estado é uma abstração. O que ontologicamente existe são indivíduos investidos dos poderes de governo. Não pode ser fecundo um sistema social em que vige uma moral para uns e outra inteiramente contrária para outros. A tendência é a imoralidade dos que estão por cima contaminar todo o corpo social, o que de fato tem acontecido sistematicamente.

A inflação é como as drogas. O primeiro passo para curar um viciado em drogas é parar de tomar a substância. Depois virão os sintomas da crise de abstinência que o indivíduo terá que suportar até limpar seu organismo para poder então levar uma vida sã. A medicina keynesiana, todavia, recomenda atulhar o paciente com a mesma droga em que ele se viciou além de outras igualmente nocivas! Não admira que tantos "pacientes" sujeitos a essa terapia charlatanesca tenham chegado perto de bater as botas. O Brasil é um desses pacientes e os charlatães keynesianos fervilham em torno dos candidatos à presidência, os já famosos quatro cavaleiros do apocalipse.

A crise americana do início da década de 2000

Encerrado esse breve esboço teórico das crises econômicas, passemos agora a examinar a atual recessão à luz dessa teoria. Os anos 1990 foram tempos de grande prosperidade nos Estados Unidos, a mais forte economia do mundo. No comando estava o "senhor dos mercados", Alan Greenspan, chefe do Banco Central americano. É curioso que analistas sérios possam ter acreditado que a saúde econômica mundial dependesse da batuta de maestro de um único homem. Dá para crer que a inacreditavelmente intrincada complexidade da economia global pudesse ser conduzida intuitivamente por um super-homem, que quando sentia uma dorzinha ominosa nas articulações baixava os juros e quando ouvia uma misteriosa voz interior os aumentava? Pois é nisso que a mídia dominante quis que se acreditasse. A verdade é bem outra.

Greenspan pisou no acelerador da expansão monetária em meados dos anos 1990, aumentando a quantidade de dinheiro em 10% ao ano e depois em 15% ao ano. Por que fazer isso? Porque politicamente é interessante; os políticos têm horizonte de curto prazo e fazem qualquer negócio para que a economia cresça, mesmo que esse crescimento seja insustentável. Seus sucessores que se virem com a crise.

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Gráfico 1: crescimento nominal da quantidade de dinheiro na economia americana (1995-2000)

Essa orgia de dinheiro barato desencadeou os investimentos de longo prazo insustentáveis previstos na teoria austríaca dos ciclos, bem como jogou gasolina nas brasas da especulação desenfreada. As ações da Nasdaq foram à estratosfera, muito embora fosse público e notório que as novas empresas "pontocom" levariam anos, e até décadas, antes que começassem a operar no azul. Greenspan começou a falar em "exuberância irracional" na época, mas era ele quem estava abrindo as comportas da irracionalidade.

Como reza essa teoria, a expansão monetária não pode durar para sempre, sob pena de a inflação destruir a economia. Greenspan então falava em "pouso suave" do nível de atividade econômica, excessivamente aquecido, e aumentou a taxa de juros em 1999, reduzindo o crescimento monetário para menos de 8% anuais. A contração nos setores de bens de capital prevista pelos austríacos já tinha se iniciado quando o pouso suave virou uma aterrissagem forçada assustadora. A bolha da Nasdaq estourou, reduzindo a pó as economias de milhões de investidores. Quase seiscentas empresas "pontocom" faliram. A recessão chegou para valer no ano de 2001 e continua bastante séria até o momento. É claro que a crise nos Estados Unidos afeta o mundo inteiro.

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Gráfico 2: taxa anual de crescimento de quantidade de dinheiro na economia americana (1996-2000)

Outro ponto de comprovação da teoria austríaca é a corrente epidemia de fraudes contábeis em grandes empresas e bancos americanos. É óbvio que jamais aconteceu uma assembléia geral de grandes empresários para combinar uma maquiagem contábil generalizada. Essas coisas são feitas no maior segredo. Cada empresa tomou sozinha a decisão de mentir ao público. O fato de que tanta delas tenham feito a mesma coisa ao mesmo tempo reflete o desespero comum de cada um desses conglomerados diante do complexo de estimativas erradas induzidas pela política monetária traiçoeira de Greenspan.

Não se trata aqui de relativizar e desculpar os crimes cometidos por esse pessoal. Um erro não justifica o outro e a desonestidade deles tem de ser punida. Mas não se pode esperar que um sistema imoral gere moralidade. De maneira que a recente declaração de Greenspan contra a "ganância infecciosa" é farisaica e tem por meta tirar o dele da reta. E a grande imprensa mundial engoliu essa isca com a maior sofreguidão, pois, eterna cortesã do estado que é, não poderia admitir que o "senhor dos mercados" não passa de um super-trambiqueiro e fraudador emérito.

Por outro lado, a revelação das fraudes demonstra a superioridade da ordem de mercado, pois não se pode enganá-la por muito tempo. A triagem dos lucros e perdas é implacável, cedo ou tarde os prejuízos produzem seus efeitos. Já as maquiagens contábeis estatais são muito mais difíceis de detectar, muito mais vultosas e onerosas e no fim não dão em punição para os políticos e burocratas. Punição mesmo só para os contribuintes que pagam a conta.

O fato é que a crise está posta e seus desdobramentos para o bem ou para o mal dependerão das ações futuras do governo dos Estados Unidos. Seguir o caminho trilhado por Hoover e Roosevelt nos anos 1930 é receita segura para uma depressão de grandes proporções. Naquele tempo, o governo americano fez tudo o que se poderia imaginar de pior para abortar a recuperação. Instituiu altíssimas tarifas alfandegárias, arruinando o comércio internacional, duplicou os impostos, descarregou subsídios sobre setores ineficientes, desvalorizou o dólar, contraiu déficits fiscais enormes, inflacionou a moeda e interveio no mercado de trabalho. A recessão inicial então se eternizou como uma brutal depressão. Infelizmente, as autoridades americanas não aprenderam a lição do passado, pois estão seguindo trilha semelhante no presente.

Greenspan "reflacionou", voltando a bombear crédito em doses cavalares na economia americana com juros de quase zero. Não adiantou nada, é claro. Bush e o Congresso estão unidos na política de subsídios e no protecionismo, o que vai naturalmente gerar retaliações dos outros países e blocos comerciais. Uma guerra comercial agora seria um desastre, como foi nos anos 1930. Adotando as indefectíveis recomendações dos keynesianos, que nessas horas sempre retiram o velho pangaré da "política fiscal" de suas nauseabundas estrebarias, Bush elevou dramaticamente os gastos públicos americanos, o que gera déficit, que tem que ser financiado via inflação ou endividamento, e a dívida pública americana não é baixa. Estimulados pelo abundante crédito ao consumo e pela ideologia keynesiana da gastança como meio de encorajar a "demanda agregada", os americanos se endividaram muito e estão poupando pouquíssimo. Os investimentos estão muito dependentes de poupança externa, que está melindrada pela crise de credibilidade do mercado americano e ameaça fugir para pousos mais seguros. O déficit comercial está alto e aumentando. De resto, o belicismo do governo Bush pouco contribui para a estabilidade mundial. O cenário é lastimável e alimenta o pessimismo.

Para piorar, os políticos estão fazendo a costumeira demagogia lançando empresários fraudadores aos leões para encobrir sua própria culpa no cartório pela situação atual. Fala-se em regulamentações mais severas e draconianas, o que só pode entravar ainda mais um mercado que, ao contrário do que se pensa, já é excessivamente cerceado por copiosas leis e regulamentos. Tudo isso é fumaça. Fraudar a contabilidade sempre foi crime e já existem rígidos mecanismos de prevenção que falharam porque o banner_associacao2.jpgestado costuma falhar. É da natureza da burocracia ser ineficiente. Nem se fosse possível designar um policial para seguir como uma sombra todos os contadores do país daria jeito no problema, pois quem garante que os policiais não seriam por sua vez incompetentes ou sujeitos à corrupção? Teria que haver um fiscal do policial do contador, e depois um fiscal do fiscal do policial do contador e assim por diante.

Para não ficar somente na sinistrose, vale lembrar que aparentemente não há no horizonte próximo a ameaça de ideologias insensatas como o nazismo e o comunismo, que nos anos 1930 ainda tinham o frescor da novidade e não tinham sido testados e reprovados pela experiência histórica. A realidade ensinou duras lições aos políticos que se encantaram pelo marxismo e pelo keynesianismo, de modo que prevalece ainda um certo consenso de que a economia de mercado deve prevalecer, mesmo que pesadamente obstruída pelas "políticas públicas".

O que se pode assegurar é que os ciclos econômicos continuarão a se repetir enquanto existir a manipulação política da moeda, e não há sinal de que isso possa mudar no futuro previsível. A arquitetura monetária do capitalismo moderno é um castelo de cartas sujeito a desmoronar parcial ou totalmente a qualquer momento.

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autor

Alceu Garcia
é o pseudônimo de um cidadão que, cercado de esquerdistas por todos os lados, e já conhecendo o tratamento que eles dão a quem ouse contrariá-los no local de trabalho, tem bons motivos para desejar permanecer incógnito.


  • Um Filósofo do PSTU  04/04/2013 13:04
    Por favor, permitam-me mostrá-los a teoria marxista dos ciclos econômicos como uma forma alternativa de estudarmos o problema juntamente com a austríaca.

    As crises de superprodução

    O capitalismo é o único modo de produção em que existem crises geradas pela superprodução, ou seja, a produção de um excedente invendável. A crise não é gerada pela falta de produtos, mas pela sua grande oferta, que ultrapassa a demanda. Produz-se mais do que a capacidade das pessoas comprarem.
    Isso ocorre devido ao "caráter anárquico" da produção capitalista, ou seja, a produção atende unicamente ao objetivo de garantir lucro máximo aos capitalistas e não de atender às necessidades da população. Para enfrentar a concorrência, as empresas aumentam sua produtividade, ou seja, aumentam a quantidade de produtos produzidos em determinado período, para conseguir preços menores.

    Como isso ocorre? Para entender esse processo é preciso lembrar que, para Marx, o valor só é gerado através do trabalho humano na produção. Um trabalhador, durante seu tempo de serviço, agrega sua força de trabalho à mercadoria. O tempo gasto na produção da mercadoria é o que vai determinar o seu valor. No entanto, o trabalhador não recebe o valor de tudo o que produziu, mas apenas uma pequena parte na forma de um salário. O trabalho não-pago apropriado pelo capitalista vai constituir a chamada mais-valia: o lucro.
    O capitalista terá seu lucro concretizado após todo o ciclo de produção e venda da mercadoria. Primeiro, ele precisa de um capital. Marx dividia esse capital em capital constante e capital variável. Capital constante é o investimento que um industrial, por exemplo, vai fazer em maquinário e matéria-prima. Capital variável é o que é gasto com a força de trabalho, ou seja, com salários. A relação entre o capital constante e o capital variável constitui a chamada composição orgânica do capital.

    Para enfrentar a concorrência e aumentar a lucratividade, o capitalista amplia o investimento em máquinas e matérias-primas, No primeiro momento, isso pode elevar os lucros da empresa, por produzir mais barato que seus concorrentes. No entanto, isso significa a elevação dos custos com equipamentos e matérias-primas (ou seja, com capital constante) sobre a mesma quantidade de capital empregado no pagamento dos salários, o que leva ao aumento da composição orgânica do capital. Este provoca uma tendência à diminuição do lucro do capitalista. É a chamada queda da taxa média de lucro.
    A forma usada pelos capitalistas para tentar reverter essa tendência é através do aumento da extração da mais-valia, ou seja, através da redução dos salários dos trabalhadores. Consolida-se uma situação em que os gastos com a produção aumentam e os salários retrocedem.

    Os ciclos econômicos do capitalismo são regidos pela taxa de lucro das empresas. No período de ascenso do ciclo, as taxas de lucro estão crescendo. Quando as taxas de lucro caem, os burgueses param de investir e se precipita uma crise econômica.
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    Ou seja, os ciclos econômicos são propositais e originados puramente pelo caráter imediatista do lucro capitalista e a irresponsabilidade da produção no sistema. É mister reconhecermos a importância da mais-valia na composição da crise e todo o sofrimento que é por ela concedido a todos antes e depois da quebra.

    Fonte: www.pstu.org.br/jornal_materia.asp?id=7431&ida=20
  • Anarcofobico  04/04/2013 13:57
    Brilhante! Meus olhos se enchem de lágrimas nesse instante! Que texto mais bem fundamentado esse do PSTU, quanta coerência! Eles derrubaram por terra todos os argumentos capitalistas! Realmente, a grande produção e concorrência não vão abaixar o preço dos produtos, nem incentivar produtos melhores, certo? Por isso gera toda essa crise, supremo!! Vale dizer que o investimento em capital constante jamais vai exigir novas especializações! E os capitalistas ainda querem mandar os empregados embora, forçando-os a se especializarem em algum setor, obrigados a lutar por uma nova vaga de trabalho! O imperialismo é mto incoerente!
  • edison  04/04/2013 19:31
    Se o empresário capitalista se apropriasse do "vais-valia" inverso,ou seja, prejuízo, não haveria o aprendizado com o fracasso e consequente inovação em métodos de análise de mercado,marketing,etc, inerentes ao risco. O risco leva a inovação,responsável pela criação de inúmeros outros setôres que compensam emprêgos perdidos,puxando com isso o interêsse em especializações profissionais. O capitalista investirá em outro setor,criando novos emprêgos, e o próprio mercado se ajusta. No marxismo,o sistema burocrático pesado e lento,alheio ao risco, sempre encontrará algum bode expiatório para a própria ineficiência e consequente fracasso.
  • Gustavo  06/04/2013 01:01
    Prezado Filosofo do PSTU,
    Assim como Anarcofobico, meus olhos se enchem de lagrimas neste instante (de tristeza). Que texto bem dementado, quanta incoherencia!
    Agora, favor me explique:
    a) Por que sera que os cubanos (quando podem) fujem para Estados Unidos?
    b) Os norteamericanos sao loucos. Que alguem lhes avise para se mudarem para Venezuela ou Cuba. Ali nao existem ciclos economicos. E verdade. Sempre estao em crise.
    c) "Quando as taxas de lucro caem, os burgueses param de investir..." Se eles param de investir, comecam a perder market share. Outro vai pegar o seu lugar. O empresario nao pode ficar quieto.
    d) "..., o capitalista amplia o investimento em maquinas ...", ou seja vai existir OUTRA empresa fabricando! Se traslada a mao de obra de um lugar para outro.
  • D. Valente  04/04/2013 13:26
    Esse texto é antigo, mas muito bom.

    É incrível como as coisas são tão claras e lógicas quando se trata dos efeitos da política monetária e, mesmo assim, "especialistas" fazem questão de "não ver".

    A premissa é básica: variações na oferta monetária variam os PREÇOS RELATIVOS.



  • Pedro Ivo  18/04/2013 20:35
    Que o texto seja antigo o torna ainda melhor, pois mostra pré-ciência sobre os fatos.
  • Juliano  04/04/2013 13:30
    Excelente artigo, como de costume.
  • André Luiz S. C. Ramos  04/04/2013 13:42
    Alceu Garcia (cujo nome real eu já descobri),
    onde está você? Por que parou? Parou por quê?
    Seus textos são excelentes!
  • Jonatas Mand  04/04/2013 16:48
    Alceu Garcia é profeta! Ele seria o Leandro Roque? Li os textos do Alceu há muito tempo no site do Olavão. Clap Clap Clap para os três!
  • Daniel Marchi  04/04/2013 13:43
    Prezado Alceu Garcia

    Se chegar a ler esse comentário, quero dizer que aprendi e aprendo muito com seus textos. Meu muito obrigado. Por seu talento, seu silêncio, hoje, é um crime. Pelo progresso da EA no Brasil, volte à ativa.

    saudações.
  • felipe feijo  04/04/2013 14:00
    Ótimo artigo!! o que me deixa triste é que nao ensinam essas teorias nas salas de aulas de faculdades de economia. Existem diversas cadeiras para se estudar Keynes e Marx, e nenhuma para se estudar a escola austríaca.
    Se eu ler 3 artigos no mises brasil aprendo mais do que um ano na faculdade de economia. É lamentável.
  • Felipe Rosa  04/04/2013 14:55
    Eu só gostaria de saber do camarada do PSTU o que é feito com esse maquinário todo?? Com todo esse capital produzido em excesso?? Foi pro espaço?? Sumiu??

    Produção é riqueza!!! Se ela foi produzida então estamos em um patamar melhor que antes. Não existem crises GENERALIZADAS de superprodução. Existe realocamento de capital em períodos recessivos. O que causa esse realocamento é o que os marxistas não entendem e nem entenderão.

    Afinal vocês ainda acreditam que o que gera valor em algo é SOMENTE o trabalho. Aí fica dificil sequer iniciar um debate produtivo.

    Começa por Menger camarada aí depois só depois vai dar pra debater!!! Abraços
  • Betto Morais  04/04/2013 15:02
    Um texto excelente e bem argumentado, como também o comentário(texto) do "Um Filósofo do PSTU" sobre o mesmo assunto. São correntes de pensamento econômico diferentes, mas o interessante para mim é que os dois tem uma mesma visão das consequências do que foi feito e o que esta se fazendo no presente pelos governos/estados, é que iremos entrar em uma crise maior que estamos HOJE! no Brasil e no mundo.

    Não desejo debater as causas agora, se elas são sistêmicas ou se são de fundamentos errados do sistema. E sim saber se os "dois mestres" tem a mesma visão que haverá uma crise maior?
  • Anônimo  04/04/2013 15:15
    Uma dica: O Filósofo é um humorista. Se ele trouxe aquele texto, é porque julgou extremamente engraçado de tão absurdo.

    A explicação publicada no site do PSTU não faz o menor sentido. E outra: Salários nominais aumentam durante o período de expansão econômica graças ao repentino aumento na demanda advindo da expansão creditícia, o que joga grande parte do besteirol dele por água abaixo.

    (Detalhe: Na realidade, tal aumento da demanda por mão-de-obra não torna a população mais rica, pois sobem juntamente os custos de produção.)
  • Betto Morais  04/04/2013 15:49
    Obrigado pela dica! Mas a pergunta é: Haverá, ou tende, uma crise maior do que estamos tendo hoje? com os remédios aplicados: Expansão monetária e sua consequente inflação; politica fiscal de incentivos; deficit crescente; falta de poupança institucionalizada; etc.

  • Anônimo  04/04/2013 16:34
    Betto, imagine sempre o pior. Ele estará mais próximo do futuro.

    Aprenda tudo sobre o problema da expansão creditícia brasileira:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1489 (Mais recente)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387 (Um bom complemento técnico)
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1492 (Texto do Ulrich sobre como o cenário atual surgiu)
  • Lopes  04/04/2013 15:23
    Enquanto isso, BC do Japão vai injetar US$1,4 tri na economia...

    noticias.br.msn.com/economia/bc-do-jap%C3%A3o-vai-injetar-usdollar14-tri-na-economia-em-est%C3%ADmulo-in%C3%A9dito-1
  • Anônimo  04/04/2013 15:38
    Prevejo o seguinte: (Perdoem-se se errar)

    *Desvalorização em massa do iene em prol do Singapore Dollar. Se eu tivesse reservas em iene neste exato momento, estaria convertendo a maior quantidade de iene em ouro ou SD possível. (Evitaria o dólar e o yuan pois prevejo que esses sofrerão uma desvalorização competitiva, iniciando uma interessante guerra cambial no cenário do pacífico.)

    *Valorização dos títulos de dívida do Japão. Junto ao anúncio da expansão da base monetária japonesa, o Tesouro japonês lançou mais títulos no mercado. Se possível, comprá-los-ia pois prevejo que o aumento das exportações decorrente da desvalorização do iene irá gerar uma forte demanda por títulos de dívida japonesa por parte dos bancos centrais dos principais "clientes" das exportadoras japonesas.

    *Uma desvalorização competitiva do iene e do dólar como reação cambial contrária à notícia surpreendente do BC japonês.

    *Japoneses perderão poder de compra, verão aumento no custo de vida e haverá uma redução no volume de negócios sendo criados no Japão nos longo e médio prazos.

    *Gastos na compra de bens de capital serão diminuídos em prol da produção de bens, como especificados nas 4 proposições de John Stuart Mill.
    (Os gastos não tomam apenas um formato, dividem-se entre aqueles dedicados à diminuição dos custos de produção através de bens de consumo e aqueles voltados a produzir bens de consumo demandados. Tais possuem uma relação de inversão. Ocorrendo o aumento de um, há diminuição do outro).
  • Marc...  05/04/2013 18:58
    Leandro, o que você acha das conclusões do Anônimo sobre esse caso Japão?
  • Leandro  05/04/2013 19:08
    Muito boas as observações; concordo com todas.

    E fiz alguns acréscimos neste comentário:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=894&comments=true#ac44553
  • Aline  04/04/2013 16:06
    Saiu hoje que o Banco do Japão vai injetar 1,4 trilhão de dólares e quase duplicar a base monetária até 2014. O que vcs estão achando disso? rs
  • Luciano Labru  04/04/2013 16:32
    Um dos mais elucidativos artigos escritos para se entender pormenorizadamente uma crise relacionada a um ciclo economico desencadeado por expansao da oferta monetária.
    Parabens!
  • R. Domini  04/04/2013 16:50
    Creio ser meio off topic:
    Qual a posição da Escola Austríaca de Economia sobre o aumento da super população mundial? Não falo de vagas de empregos ou escassez de comida, como alardeiam os esquerdistas. Falo sobre o espaço físico na Terra, literalmente. Como seria o mundo com trilhões de pessoas, dado que em um mundo de livre mercado a tendência é sempre a melhoria da qualidade de vida?
  • Danielbg  04/04/2013 17:42
    Ao contrário do que muitos pensam, o crescimento da população tem aumentado a proporção de riquezas, não diminuído. Quando havia maior riqueza, quando havia pouca gente por aqui ou agora? Com o tempo vão surgindo novas tecnologias e meios inovadores de produção.





  • anônimo  04/04/2013 17:51
    O Jim Rogers diz que os fazendeiros vão ser os milionários no futuro.
  • Andre Cavalcante  04/04/2013 20:38
    Domini, é off, mas nem tanto.

    Se o mundo se direcionar para uma situação de mais mercado livre, muito provavelmente irá sim haver um crescente aumento da riqueza e do bem estar das pessoas. Mesmo sem muito mercado livre, é quase certo algum aumento na qualidade de vida das pessoas, mesmo que pequeno.

    No entanto, um mercado mais livre indica também um indivíduo mais responsável e, dentre outras coisas, nada de sair gastando recursos escassos à toa, como os governos costumam fazer ou as empresas privadas em situação de monopólio (concedido pelo estado, claro).

    Então, sob uma situação de livre mercado, a tendência é a estabilização da população quando os custos com a aquisição de recursos naturais começar a pressionar os preços de tudo (incluindo comida) acima da capacidade do sistema (Terra, no caso).

    Dentre os recursos naturais, o que parece menos abundante, mas é um dos mais, é justamente espaço. Apesar de todas as guerras territoriais, se colocássemos 7 bilhões de pessoas morando em casas tipo classe média americana (200m2 ~ 0,0002km2), em famílias relativamente pequenas (+- 4 pessoas), dá algo em torno 1.750 milhões de famílias que ocupariam 350.000 km2. O Mato Grosso do Sul, sozinho, tem 357.000 km2, ou seja, dá toda a população da Terra, morando como um americano médio e ainda sobra espaço. Claro que não estamos contabilizando espaço para plantações, lojas etc., mas mostra claramente que não há problema de espaço na Terra - na verdade o Brasil sozinho conseguiria ter uma população de alguns bilhões sem grandes problemas, inclusive para alimentá-la (e sem contar que poderíamos desenvolver tecnologia para morar nos oceanos, na superfície ou no fundo da plataforma continental, e seria bem razoável o desenvolvimento de tecnologia para morarmos em órbita, em caso de falta de espaço.

    Um bem que parece menos escasso mas, por causa de problemas na infraestrutura dos países, será uma fonte de problemas no futuro (se não deixarmos o mercado trabalhar para resolver os problemas) é a água. Olha isso: só o Rio Amazonas manda pro oceano 209.000 m3/s, enquanto o consumo global é (pior hipótese): consumo na Escócia (maior do mundo) = 400 litros/pessoa/dia * 7 bi (pessoas) = 2.8 bi m3 / dia = 32.407 m3/s, ou seja, dá e sobra (muito). Mas como levar essa água toda para quem precisa? Esse é o ponto. Se o mercado for deixado trabalhar ele vai dar um jeito e as pessoas terão água. Caso contrário, haverá crises e mais crises.

  • Arthur M M  04/04/2013 17:45
    Agora o bicho vai pegar !
    br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE93300G20130404
  • Pedro Borges Griese  04/04/2013 19:45
    Um artigo para levar no coração!
  • Dam Herzog  05/04/2013 04:01
    Estou IMB adict e cada dia mais gosto de ler os artigos.E um verdadeiro site do saber. O X da questão é comvencer a maioria das pessoas a acreditar que a liberdade +a propriedade privada+ o mercado livre e desimpedido = forte produção de riquezas, que diminuem a pobreza via mercado e não na base da fraternidade, mas do self interesse,que incentivam a inovação, aumentam a oferta de trabalho e promovem a alegria de viver. Alceu na minha opinião voce é o cara, e não algum barbudo incapaz de enfrentar o bafometro. Tire um tempo para escrever para nós; que tal se voce fosse o nosso condutor quais as medidas de curto prazo e as de longo prazo politicamente incorretas, mas necessarias e transformadoras para o nosso pais? Alceu aquele abraço. A você e aos seus, paz, saude e amor.
  • Pedro  05/04/2013 12:07
    "A tendência é a imoralidade dos que estão por cima contaminar todo o corpo social, o que de fato tem acontecido sistematicamente."

    Isso é de fato a grande tendencia, e dialeticamente até alguns criticos de tal tendencia nela se esfregam gostosamente.

    Sim, quando se afirma que não devemos nos conduzir pelo que é certo ou errado, mas sim pelo que se diz produzir o melhor resultado, o que parece ser mais benefico ou meramente nos apegamos em achismos interesseiros o resultado é a contaminação geral e o imperativo arbitrário fundamentado no achismo e no apoio comunitário. Bastando contar com apoio grupal para o individuo se permitir toda sorte de canalhices achistas.

    Ora, o dito consequencialismo liberalóide é exatamente isso. Me admira que os ditos consequencialistas se oponham moralmente a teorias alheias baseadas igualmente em alegado consequencialismo, desprezando assim qualquer reflexão moral e principalmente jogando a idéia de ética no lixo. Afinal em seus achismos se apoiam no assentimento de seus pares e não em reflexões da própria consciência em busca de um absoluto ético como uma idéia de justiça objetiva.
    O questionamento "isso é justo?" é algo que não se cultiva mais, preferindo-se "isso me pode ser conveniente?" ...este comportamento é comum até mesmo aqui neste site por parte de pretensos defensores da liberdade. ...Fazê oq????
  • Tory  05/04/2013 12:57
    Dialeticamente, ética, justo... sei não, acho que você enxerga o mundo com lentes vermelhas. Não dá pra dialogar, se for assim.
  • Pedro  05/04/2013 12:10
    Tinha que ser o brilhante Alceu a escrever. Aliás o Alceu tem feito falta na internet.

    Abs xará!
  • Lucas Mendes  05/04/2013 16:05
    Mestre Alceu Garcia. Este texto foi o início da mais espetacular discussão em teoria econômica e teoria dos ciclos econômicos que eu ja li e vi, à epoca com o professor Adriano Benayon. Graças a Deus tenho ela impressa e encadernada, na íntegra.
  • Arthur Dias  05/04/2013 16:18
    "Em um mundo em que tudo é heterogêneo, só o dinheiro é homogêneo. A moeda tem a função vital de expressar as razões de troca entre as mais variadas coisas — os preços — numa única unidade de conta apta a permitir o cálculo econômico racional. Os preços monetários transmitem informações aos agentes econômicos sobre a escassez relativa dos fatores de produção e dos bens de consumo; e com base nessas informações, os agentes traçam seus planos e tomam suas decisões. Caso esse delicado mecanismo de transmissão de informações via preços seja danificado, os agentes estarão mais propensos a planejar de acordo com dados fictícios e ilusórios de realidade e, portanto, a tomar decisões erradas."

    Este trecho me lembrou o genial discurso de Francisco D'Anconia no livro A Revolta de Atlas. Excelente texto!

    A tempo, vocês viram isso aqui?
    Só um idiota útil, ou mau caráter mesmo?
  • Bernardo  05/04/2013 17:12
    Já que tds os erros de 29 estão se repetindo, como e por que aquela crise chegou ao fim, apesar de os gastos estatais apenas aumentarem?
    Serão necessários outros 15 anos e mais alguns milhões de mortes numa guerrinha qualquer? Ou o Kim Jong Un é pequeno demais e precisaremos dele e de mais uns 25 anos?
    Só pra imaginarmos quando a atual chegará ao fim para podermos comprar ações da TecToy e da Gradiente com tranqüilidade...
    Abs amistosos.
  • Leandro  05/04/2013 17:23
    Ao contrário. A Grande Depressão só terminou quando os gastos foram cortados.

    Um governo em dieta - quando os gastos realmente foram cortados
  • Bernardo  05/04/2013 17:55
    Caraca, cada vez mais fã de vcs... Essa pra mim foi a prova maior da eficiência do liberalismo. Apesar de todos os dias vcs postarem artigos com os quais concordo inteiramente, ainda tinha receio de alguma coisa. Essa é a informação que tava faltando. Essa é a prova que precisa ser mais explorada!
    Pensava que os gastos só tivessem aumentado por causa de todo aquele papo escolar de welfare state como resposta aos "ganhos sociais" do mundo socialista... Na verdade houve o contrário (pelo menos nos EUA). Td se encaixou...
    Leandro, existe algum artigo sobre o caso de desenvolvimento norueguês, com liberdade econômica e um estado gigante? Ou alguma das minhas premissas está errada?
    Obrigadão de novo.
  • Leandro  05/04/2013 18:10
    A Noruega está em outra dimensão. O país tem o mesmo número de habitantes que Salvador, mas está literalmente boiando sobre petróleo e exportando bacalhau para todo o mundo. Em um arranjo como esse, o governo utiliza as fartas receitas de petróleo para prover assistencialismo para todo mundo, e ainda mantém um superávit orçamentário de incríveis 10% do PIB. Ela não é padrão de comparação para nada.

    Já os países escandinavos primeiro enriqueceram (o fato de não terem participado de nenhuma guerra ajudou bastante) e só depois adotaram um estado assistencialista. E com um detalhe inevitável: após essa adoção, a criação de riqueza estagnou (como foi relatado aqui e aqui).

    Outra coisa pouco mencionada é o alto nível de desregulamentação das economias escandinavas. Na Dinamarca, por exemplo, você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil); as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (7,9% no Brasil); o imposto de renda de pessoa jurídica é de 25% (34% no Brasil); o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições); os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para um cafezinho); e, horror dos horrores, o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. E tudo com o apoio dos sindicatos, pois eles sabem que tal política reduz o desemprego. Estrovengas como a CLT (inventada por Mussolini e rapidamente copiada por Getulio Vargas) nunca seriam levadas a sério por ali.

    Isso tudo fomenta a acumulação de capital, a qual tem de ser muito alta para alimentar todo o consumo de capital feito pelo governo. É sim possível uma sociedade ter uma alta carga tributária e continuar enriquecendo, mas sua população tem de ser altamente poupadora e incrivelmente produtiva, e a economia tem de ser altamente desregulamentada. Ele precisa acumular capital a uma taxa maior do que o consumo feito pelo governo. Caso a acumulação de capital consiga ser maior do que o consumo de capital feito pelo governo, a sociedade pode enriquecer.

    Não é necessário ter um QI elevado para constatar o que aconteceria caso o Brasil adotasse uma carga tributária escandinava (muito embora já estejamos muito perto).

    Impostos e estado pesado, por definição, não fomentam a acumulação de capital. Eles destroem.

    Grande abraço!
  • anônimo  05/04/2013 18:51
    Mas se é por causa do petróleo, pq os países membros da OPEP são pobres??
  • Leandro  05/04/2013 18:58
    Pobres?! Não há nada de pobre no Catar, nos Emirados Árabes, no Kuwait e na Arábia Saudita. Os três primeiros estão entre os dez países mais ricos do mundo em termos per capita. O que há nestes países é corrupção e privilégios para quem é ligado ao estado.

    Ademais, obviamente, não basta ter petróleo para ser rico. É necessário seguir os pré-requisitos listados acima. Quem não os segue, não enriquece. Não há milagres.
  • anônimo  05/04/2013 19:39
    Mas o Irã, Nigéria, Angola, Venezuela e Equador (outros membros da OPEP) são pobres...
  • Leandro  05/04/2013 19:55
    Sim, pois estes países violam os pré-requisitos acima citados (e eu enfatizei isso).

    A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Se um país não tiver nada disso, um abraço.
  • Bernardo  05/04/2013 19:13
    Valeu, Leandro.
    Voltando ao caso americano, é verdade que os gastos desabaram, mas isso foi após a guerra. Como vc mesmo mostrou, foram os gastos de defesa que despencaram, o que já era mais do que esperado. Desconsiderando as despesas com a guerra, parece que os gastos seguiram aumentando.
    Ou seja, esse nível de gastos (1946-1950) já vinha sendo praticado antes, mas a situação não melhorava. Aí, depois da guerra, os gastos voltaram a crescer no ritmo anterior, mas o boom econômico aconteceu. Voltei a ficar em dúvida... Acho que me precipitei ao creditar a melhora econômica à um nível de gastos públicos que já havia ocorrido antes.
    Será que a situação piorou tanto que uma melhora para um nível de gastos inferior ao da guerra, mas superior ao inicial, foi suficiente para tirar o país da crise, mesmo que com atraso? Nesse caso, os cortes que acabarão ocorrendo nos EUA em breve não poderiam representar algo parecido, mesmo que em menor escala?
    Agradeço toda a atenção.
  • Leandro  05/04/2013 19:30
    Não entendi muito bem o que você quis dizer. Gastos nominais sempre crescem. E por um simples motivo: a quantidade de dinheiro na economia está em contínuo crescimento. Da mesma forma que uma cédula de R$100 era artigo raro em 1998 e hoje é corriqueira, um gasto governamental que seria exorbitante 15 anos atrás hoje é tido como normal. Se a quantidade de dinheiro aumento, o gasto estatal também irá crescer sem que isso necessariamente gere mais carga tributária ou endividamento.

    Entendido isso, conheço apenas três situações em que os gastos nominais foram cortados: EUA durante a depressão de 1921-1922, EUA pós-Segunda Guerra e Alemanha pós-Segunda Guerra. Em 100% dos casos, a economia se expandiu.

    A explicação para isso está aqui (explicação mais aprofundada) e aqui (explicação mais simples).

    Dado que uma redução nominal é virtualmente impossível, deve-se lutar para ao menos um congelamento dos gastos ou, na pior das hipóteses, uma redução da taxa de crescimento dos gastos.

    Abraço!
  • Bernardo  05/04/2013 20:05
    Vou tentar ser mais claro, Leandro: em porcentagem do PIB, os gastos de 47 foram maiores do que os de 38, 39 e 40, anos anteriores à entrada dos EUA na guerra.
    Mas, se a crise só terminou após a guerra, por que a causa disso foi a redução do nível de gastos, se esse mesmo nível de gastos pós guerra já vinha sendo praticado?
    Aí entra a minha pergunta meio estranha do último post: quando td estava bem, até 29, o nível era cerca de 12%. Aí ele foi pra casa de 20% até a entrada na Guerra. Bateu 50%, mas a crise prosseguia (ou já tinha passado?) e, pós guerra, foi pra casa dos 22%.
    Ou seja, mesmo com a redução, ele era o mesmo de uma época em que a crise não havia passado (ou havia?), de 29 a 41.
    Portanto, foi o fato de cair de 50% para 22% que melhorou a situação (mesmo já tendo estado lá antes), ou foi o somatório de outros fatores, que não apenas a redução de gastos?
    Entendi que td seria melhor com uma resposta liberal como a de 21-22, mas tô só tentando entender como eles saíram da crise de 29, mesmo sem grande redução percentual de gastos públicos, ao menos comparando-se o pré e o pós guerra.
    PS: tenho que parar de entrar nesse site. Além de ficar dando trabalho para vcs, meu dia passou e eu só vi agora...
  • Leandro  05/04/2013 20:46
    Foi o somatório de outros fatores. (Atente que o país só saiu em definitivo da recessão lá pra 1949-1950; não foi em 1944).

    "Os gastos do governo federal caíram de US$ 106.9 bilhões em 1945 para US$ 44,8 bilhões em 1950. Os gastos com defesa sofreram o maior corte de todos, caindo de US$ 93,7 bilhões em 1945 para apenas US$ 24,2 bilhões em 1950. Em apenas 5 anos, os gastos do governo caíram (em porcentagem do PIB) de 45% em 1945 para apenas 15% em 1950, e o déficit orçamentário anual do governo federal caiu de US$ 53,7 bilhões em 1945 para apenas US$ 1,3 bilhão em 1950.

    Porém, o que aconteceu com a produção econômica e o desemprego? Não obstante as maciças transições econômicas por que passava a economia, que rearranjava sua estrutura até então voltada para o esforço de guerra para a produção doméstica, o PIB na verdade aumentou (confundindo todos os keynesianos) de US$ 223 bilhões em 1945 para US$ 244,2 bilhões em 1947 e então para US$ 293,8 bilhões em 1950. E mesmo com os milhões de soldados voltando para casa após a guerra, a taxa de desemprego ficou na média extremamente baixa de 4,5% entre 1945 e 1950. Desastre econômico? Dificilmente."
  • Bernardo  05/04/2013 22:02
    Então, não sendo apenas a diminuição de gastos públicos o fator responsável, será que podemos considerar o aumento da PEA com o retorno dos soldados, o aumento do consumo com o nascimento dos baby boomers e a conversão da estrutura bélica de capital para fins civis, criada graças aos investimentos públicos, como possíveis explicações?
    Não que os gastos públicos tenham salvado o dia, longe disso. Entendi que tudo teria sido mais rápido sem eles, mas será que, em função dos vastos investimentos na indústria pesada, as coisas não ficaram melhor no pós guerra?
  • Leandro  05/04/2013 22:19
    A questão dos baby boomers é um bom ponto. Aliás, fundamental.

    Quanto à indústria bélica, o que houve na verdade é que, no período 1939-1944, todas as indústrias americanas -- mais notavelmente a GM -- tiveram sua produção direcionada para o esforço de guerra. O governo americano não construiu nenhuma indústria voltada para a guerra; ele apenas utilizou as indústrias privadas que já existiam.

    Deixando a questão bélica de lado e analisando exclusivamente do ponto de vista econômico, essa canalização da capacidade industrial para suprir o esforço de guerra configurou um enorme desvio e desperdício de recursos escassos. Bens de capital e demais fatores de produção que poderiam estar sendo utilizados para fabricar alimentos, carros, geladeiras, televisões, telefones, ar-condicionado etc. foram utilizados para fabricar tanques, caças, submarinos, granadas, dinamites e demais itens que não trazem absolutamente nenhum aumento no bem-estar.

    Quando a guerra acabou, tais instalações industriais simplesmente voltaram ao seu funcionamento normal, voltando a produzir aquilo que a população demandava. Isso sim gerou crescimento econômico e aumento do bem-estar.
  • Pobre paulista  05/04/2013 17:43
    Tec Toy, Gradiente, Parmalat, Ecodiesel, Gafisa... Ja já coloca OGX nessa lista também!
  • Ronaldo Quinto  05/04/2013 20:04
    Parabéns, IMB!
    Excelente texto, como sempre.
    Tb foi muito interessante poder comparar a Teoria dos Ciclos da EA com a "lógica" do Marx que, a meu ver, não tem pé, nem cabeça!
  • Daniel Costa  06/04/2013 14:03
    Desculpem a ignorância amigos, mas não consigo 'visualizar' uma situação concreta onde se lê:O aumento da demanda por bens de consumo força os empresários dos setores mais próximos do consumo final a competir com os setores mais distantes pelos fatores de produção. Poderiam me dar um exemplo? Abraços.
  • Thales  06/04/2013 14:21
    Os empresários das indústrias de bens de consumo, para atender a este aumento da demanda, terão de contratar mais mão-de-obra e adquirir mais fatores de produção. Eles farão isso retirando mão-de-obra das indústrias de bens de capital.

    Isso, aliás, é algo que o Brasil está vivenciando agora. A mão-de-obra está saindo da indústria e indo para o setor de serviços e de comércio.
  • Morete  12/01/2016 17:10
    "Naquele tempo, o governo americano fez tudo o que se poderia imaginar de pior para abortar a recuperação. Instituiu altíssimas tarifas alfandegárias, arruinando o comércio internacional, duplicou os impostos, descarregou subsídios sobre setores ineficientes, desvalorizou o dólar, contraiu déficits fiscais enormes, inflacionou a moeda e interveio no mercado de trabalho. A recessão inicial então se eternizou como uma brutal depressão. Infelizmente, as autoridades americanas não aprenderam a lição do passado, pois estão seguindo trilha semelhante no presente."

    E hoje, em 2016, nossos iluminados governantes estão usando das mesmas ferramentas para resolver a crise que eles mesmos criaram...


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