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A riqueza e a pobreza ao longo da história

"Nós somos os 99%". Este slogan dos manifestantes do movimento Occupy Wall Street tem sido considerado a citação mais memorável do ano passado. Aqueles que se agrupam para se manifestar o fazem em oposição aos infames indivíduos membros do 1%.

Para estes manifestantes, ser membro do 1% significa ser o afortunado beneficiário de algum incentivo governamental, ou algum outro tipo de benefício corporativista. Mas para os socialistas igualitários do movimento, significa simplesmente ser muito rico. Eles dizem que o 1% mais rico do mundo está esbulhando uma fatia injusta de riqueza da sociedade, em prejuízo dos 99%.

Qualquer que seja sua opinião sobre a difícil situação atual dos 99%, ao longo de praticamente toda a história as coisas foram muito piores para a imensa maioria da população. Na era pré-capitalista, o típico membro dos 99%, desde que tivesse a sorte de sobreviver à infância, estaria condenado a uma vida de trabalho braçal extenuante e à pobreza, constantemente no limite da fome, da doença e da morte.

Os únicos indivíduos que não levavam esta vida miserável eram os pertencentes ao "1%" de então.  E esse 1% era virtualmente idêntico ao estado. Esse grupo era formado por reis franceses, lordes ingleses, senadores romanos, vizires egípcios e sacerdotes sumérios.  Os membros desta elite viviam em esplendor olímpico: servos a seu dispor, comida farta, habitações espaçosas, joias abundantes, e uma imensa quantidade de tempo ocioso.

É claro que esse estilo de vida se apoiava nos ombros das massas. Eram os 99% que produziam o pão que enchia a boca e o estômago dos abastados membros do 1%, que derrubavam árvores para erguer as mansões deles, e que extraíam da terra os metais e pedras preciosos que adornavam seus corpos.

Tudo o que os manifestantes dizem hoje sobre os 99% e o 1% estaria totalmente correto naquele tempo. A riqueza da sociedade era um bolo de tamanho fixo. Quanto maior a fatia abiscoitada pelo 1%, menos sobrava para os 99%. Cada pequeno luxo desfrutado pelo 1% era retirado de recursos que poderiam tornar menos miserável a vida de algum membro dos 99%.

Por que os antigos 99% aceitavam esse domínio do 1%?  Por que não se revoltavam e destronavam seus senhores?  Estariam eles simplesmente intimidados pelas armaduras e pelas espadas reluzentes?

Não.  Como assinalou David Hume, já que "aqueles que são governados" sempre superam vastamente em número "aqueles que governam", o poder de um regime nunca se sustenta somente na força bruta. Os muitos "governados" têm de acreditar que o poder dos poucos mandatários é bom para eles, de alguma forma.

Talvez os sacerdotes tenham convencido o povo que os deuses ficariam furiosos se os dirigentes fossem desobedecidos, ou que a chuva não viria e que as plantações não cresceriam.  Ou talvez o populacho acreditasse que os dirigentes sejam os responsáveis pela paz e pela ordem na sociedade.

Os 99% não apenas apoiavam o 1% dominante, como também os veneravam em grandiosos pedestais. Os 99% concediam o poder ao 1%.

Como Ludwig von Mises deixou claro, o poder real — que ele chamava de "força ideológica" — sempre depende da opinião pública. Se a opinião pública mudar a respeito de qualquer regime, os dias deste estão contados.

Mises foi ainda mais longe ao argumentar que a opinião pública determina não apenas quem está no comando, como também a característica geral da ordem legal — ou, como ele diz, ela determina "se existe liberdade ou servidão".

Em última análise, a única forma de tirania que pode durar é uma opinião pública tirânica.

A luta pela liberdade, no fim das contas, não se trata da resistência contra autocratas ou oligarcas, mas sim da resistência contra o despotismo da opinião pública.[1]

Se os 99% de qualquer país ou regime econômico são oprimidos, eles fundamentalmente são seus próprios opressores; são eles próprios que, em decorrência da própria e tirânica opinião pública, se subjugam e não apenas aceitam a opressão de seus opressores, como também a defendem.

Isso explica a situação política da velha ordem (de qualquer ordem, na verdade).  E quanto à situação econômica da antiguidade?  Por que o "bolo da riqueza" raramente crescia?

Era de se supor que, com o passar do tempo, as pessoas se tornariam mais eficientes na produção de bens, o que elevaria o nível de vida. Ainda assim, por séculos, a vida quase não melhorou.

As raízes desta estagnada situação econômica podem ser encontradas na ordem política descrita acima.

Repetindo: ao longo da maior parte da história da civilização, o 1% tomou para si uma grande parte do que era produzido pelos 99%.  E se algum indivíduo porventura conseguisse acumular riqueza suficiente ao ponto de ser notada, algum potentado a confiscaria também.  É por isso que tesouros enterrados eram práticas comuns onde quer que os soberanos se mostrassem particularmente ávidos.

Com tão violento e desenfreado confisco governamental, nunca havia incentivos para a acumulação de capital em grande escala. Sem essa acumulação de capital em grande escala, era impossível ter produção em massa. E sem a produção em massa, era impossível melhorias generalizadas nas vidas das massas.

E esse é basicamente o motivo pelo qual os 99% viveram vidas maltrapilhas por quase toda a história.

E então, nos séculos XVIII e XIX, aconteceu algo realmente revolucionário.  Um grupo de filósofos se dedicou a pensar com muito cuidado a respeito de coisas como propriedade, comércio, preços e produção. Estes filósofos foram chamados "economistas".

Ao analisar as leis econômicas que eles haviam descoberto, os economistas concluíram que a sociedade seria muito mais produtiva quanto mais respeitada fosse a propriedade privada. "Laissez faire et laissez passer", disseram os economistas.  Deixem as pessoas controlar suas propriedades o mais completamente possível, e todos serão mais prósperos.

Esses filósofos econômicos, pessoas como Richard Cantillon, Adam Smith e J. B. Say, eram teóricos.  Eles escreveram livros brilhantes, ainda que empolados, que mudaram as mentes dos comunicadores: indivíduos a quem F. A. Hayek chamou de "negociantes indiretos de ideias".

Dentre eles, havia comunicadores profissionais: escritores como Richard Cobden, e oradores como John Bright. Estes escritores e oradores escreveram panfletos e proferiram discursos que mudaram as mentes de muitos indivíduos reflexivos, ainda que menos eloquentes, a quem podemos chamar de comunicadores amadores. E esse estrato pensante, por sua vez, levou seus colegas não pensantes (os quais podemos chamar modernamente de "manada") a mudarem suas posições a respeito de questões públicas.

Por esse processo, a opinião pública mudou de direção, passando a acreditar que um governo deveria ser o mais limitado possível, e os direitos de propriedade, os mais sacrossantos possíveis.  Em suma, a opinião pública mudou e adotou uma doutrina chamada de "liberalismo".

Mais uma vez, o modo como uma sociedade é organizada depende da opinião pública. Assim como a opinião pública mudou, a política também mudou. O capital privado tornou-se mais seguro. Restrições ao comércio foram removidas. Barreiras aos negócios foram abolidas. A propriedade privada reinou suprema, como nunca antes.

E os resultados foram miraculosos. Como nunca antes na história, as energias produtivas da humanidade foram liberadas. Itens antes reservados para a elite do 1% logo foram produzidos em massa para os 99%. Amenidades que nem existiam antes foram desenvolvidas — primeiro, para pequenos mercados; após um tempo, para todas as massas.

A produção de simples necessidades disparou. As populações ao redor do mundo beneficiadas pelo liberalismo explodiram. Pessoas que viviam à margem, e que em outras circunstâncias morreriam, conseguiram subsistir.  E aqueles que em outras circunstâncias estariam condenados a passar toda a sua vida chafurdando em uma servidão vulgar tornaram-se capazes de levar uma vida de conforto e refinamento.

Nesta nova ordem, ainda havia os 99% e o 1%. Mas os 99% desse período viviam melhor que o 1% de épocas passadas.  E o principal meio para se ascender ao 1% era sendo um empreendedor capitalista de sucesso: se esforçar para servir aos 99% (a massa de consumidores) de uma maneira melhor e mais eficiente do que seus competidores.

Na velha ordem, a maioria dos candidatos a se tornar parte do 1% precisaria, para subir na vida, apenas usar suas habilidades e ambições políticas para ser conquistadores, governantes, administradores governamentais, e, nesses papéis, explorar as massas. Na nova ordem, sob o que Mises chamava de "soberania do consumidor" no mercado, as habilidades do 1% foram direcionadas para prover as massas de consumidores soberanos.

Os mestres tornaram-se servos. Servos abastados, mas ainda assim servos.

A revolução ideológica liberal engendrou uma revolução industrial. E o que Mises chamou de "Era do Liberalismo" durou de 1815 a 1914: um século de ouro no qual a humanidade teve pela primeira vez uma vaga ideia do que era realmente capaz.

Tragicamente, a Era do Liberalismo foi encerrada por uma contrarrevolução ideológica: uma onda de pensamento estatizante, responsável por todos os infortúnios do século XX, bem como pelas atuais crises econômicas e geopolíticas.

Agora, os 99%, dominados por ideias inconsistentes, estão novamente oprimindo a si mesmos. Graças ao estado calamitoso da opinião pública, as classes do 1% estão novamente sendo preenchidas, não por capitalistas empreendedores servindo aos 99%, mas sim pelo estado e seus apadrinhados, que exploram e empobrecem os 99%. E caso as soluções redistributivistas vociferadas pelos pretensos 99% sejam de fato implementadas, elas iriam apenas acelerar esta tendência.  Voltaríamos à era pré-capitalista.

Se nossa civilização for salva — isto é, se a maré da opinião pública virar algum dia —, será graças às sólidas ideias formuladas por teóricos como Mises e aos intelectuais que seguem sua tradição.  Mas isso só poderá ocorrer caso estas ideias sejam efetivamente disseminadas por uma nova geração de comunicadores.

É por isso que o Mises Institute, o Mises Brasil e todos os outros institutos voltados à disseminação de ideias libertárias são tão vitais. É por isso também que os comunicadores amadores desta geração — que espalham a mensagem da liberdade por meio de posts no Facebook, vídeos no YouTube e afins — são de enorme importância.

Como escreveu Mises,

O florescimento da sociedade humana depende de dois fatores: da capacidade intelectual de homens excepcionalmente dotados de conceber teorias sociais e econômicas sólidas e da habilidade destes ou de outros homens em tornar estas ideologias aceitáveis pela maioria.

Que as ideias sólidas vençam, e que a sociedade humana finalmente volte a florescer.



[1] Ludwig von Mises, Theory and History, capítulo 3.


Tradução de Rodrigo Makarios



autor

Daniel Sanchez
é o editor da Foudation For Economic Education. Seu escritos estão compilados em DanSanchez.me.

  • Alinson  17/07/2012 07:22
    Texto esplêndido.

    A manada é autoritária em demasia e seus argumentos são repletos de mentiras e falácias.
  • Tiago RC  17/07/2012 07:42
    Belo texto!
    Mas... tecnicamente, a revolução industrial precede o liberalismo, não? Ao menos na Inglaterra?
  • Rodrigo Mak  17/07/2012 08:14
    O Liberalismo Clássico começa ainda no século XVII, após a Guerra Civil inglesa, com os filósofos John Locke, Thomas Hobbes e outros.\r
    A Revolução Industrial se inicia na Inglaterra no século XVIII.
  • Vagner  17/07/2012 09:32
    " "Era do Liberalismo" durou de 1815 a 1914. " Junto com a revolução industrial... Não?
  • Miguel  11/07/2014 04:22
    Vagner,

    Não exatamente. Na verdade há variações geográficas e temporais que não permitem estabelecer um espaço de tempo exato em que "houve liberalismo".

    Na Europa ele aconteceu por algum tempo na Inglaterra, século XIX principalmente. Na França, por um curto período no século XVIII, e na Holanda também.

    No entanto, a partir da Crise da bolsa de Viena, em 1872/73, os governos (e as pessoas, infelizmente) passaram, de certa forma, a "temer" a relativa liberdade econômica. Aí começa uma série de mudanças políticas, entre as quais: uma nova ascenção do protecionismo econômico, por meio de subsídios e restrições tarifárias e não-tarifárias às importações; a volta das concessões estatais para monopolistas; o início do assistencialismo (por exemplo, foi nessa época que Bismarck cria a educação pública na Alemanha, se não me engano).

    Isso tudo sem falar em todas as tensões crescentes que levaram, finalmente, à I Guerra Mundial. A partir daí, durante todo o século XX, até hoje, o poder estatal só foi hipertrofiando-se, cada vez mais, até os dias de hoje.
  • Mary   17/07/2012 09:34
    O Liberalismo também corre o risco de se tornar autoritario já que raiz do problema é sempre a ganância
  • Leandro  17/07/2012 09:55
    Prezada Mary, como exatamente a ganância, em um arranjo de livre mercado e livre concorrência, pode levar ao autoritarismo? Como pode um dono de um restaurante ou qualquer outro empreendedor se tornar autoritário? Como é possível ser autoritário e ganancioso ao mesmo tempo? No livre mercado, quem é ganancioso tem de ser completamente submisso aos seus consumidores. Caso contrário, será devorado pela concorrência. Já o autoritarismo prospera justamente em ambientes estatistas, em que o estado blinda e protege as empresas incompetentes.

    Se você tem pavor ao autoritarismo, então você logicamente tem de defender o livre mercado e a livre concorrência. Exatamente como nós deste site.

    Abraços e volte sempre.
  • Rickd  18/07/2012 07:05
    Acho que entendi o que ela quis dizer, que o homem em essencia é corruptivel e mal. E por mais justas que se possa fazer todas as coisas, moldar sociedade e conceder liberdade, haverá sempre o elemento desestabilizador: a conduta humana.

  • Tiago Moraes  24/07/2012 16:09
    Mas é justamente pelo fato do indivíduo ter a tendência a ser corrupto que devemos buscar a Liberdade, é a ausência dela que transforma a corrupção e a maldade em armas.O indivíduo só é impelido a exercer a corrupção, quando o mesmo goza de algum tipo de poder institucionalizado perante a seus pares.
  • Fellipe  17/07/2012 10:01
    Mary,

    Bem-vinda ao site e também aos forums.

    Apesar de eu não ser do Mises Brasil, sou um leitor frequente e não pude deixar de notar que você vem fazendo comentários há algum tempo.

    Sugiro se aprofundar nos textos do site, que são mais do que esclarecedores, são libertadores.

    Com relação ao seu comentário acima, ele é totalmente desconexo, me explico: Como pode uma doutrina que prega ações voluntárias (libertarianismo, não é o mesmo que liberalismo) e condena qualquer tipo de coerção pode se tornar autoritária?

    Abs,
  • Mary  17/07/2012 09:53
    O que é a elite para escola austríaca? Para os austríacos que mudança causou o desmembramento do capital para classes mais baixas?
  • Leandro  17/07/2012 10:28
  • itamar Gines Pereira  17/07/2012 10:05
    Ótimo texto!\r
    \r
    Só fazendo um comentário, mas concordo em número e grau com os os amigos Libertários.\r
    A grande diferença entre os Liberais e os marxistas é que, diferente desses últimos, que tentaram impor um sistema de cima para baixo; os liberais, como os já citados acima, apenas relataram o que já havia se estabelecido em nossa sociedade, ou seja, as trocas voluntárias.
  • Mary  17/07/2012 10:29
    Caro Leandro,\r
    em um arranjo de livre mercado e livre concorrência causado por monopólios e oligopólios, sim o autoritarismo existe, e não é com o pequeno mercador que devemos nos preocupar e sim com grandes industriais que tem o poder de afetar a economia tanto como qualquer poder estatal. \r
    Beinjinhos =*
  • Leandro  17/07/2012 10:42
    Como é que é? Livre mercado e livre concorrência causados por monopólios e oligopólios? Que transubstanciação é esta? Quem gera monopólios e oligopólios é justamente o estado e seu aparato regulatório, que impede a livre entrada no mercado e estipula exatamente quem pode ficar e quanto este privilegiado deve ganhar. Não existe um só setor monopolista ou oligopolista que não esteja regulado pelo estado.

    Você está querendo combater um mal gerado pelo estado implorando por mais estado. Quão inteligente é isso?

    Lista de artigos:

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)


    E eu só vou devolver os beijinhos se você se mostrar boa aluna...
  • Danielbg  17/07/2012 10:42
    Texto excelente!

    Gostaria de aproveitar e, como neófito, tirar uma dúvida. Mesmo numa economia de livre mercado, como garantir que empresas, que no decorrer do tempo passaram a deter significativa parcela do mercado, não atrapalhem o livre mercado, oprimindo a concorrência?

    Obgdo!
  • Leandro  17/07/2012 11:05
    Danielbg, em um livre mercado -- isto é, em um mercado sem protecionismos, regulações, privilégios e subsídios --, só há uma maneira de uma empresa crescer: servindo de maneira exemplar aos seus consumidores. Mais ainda: os consumidores têm voluntariamente de dar seu dinheiro para esta empresa, consumindo continuamente seus produtos.

    A empresa que conseguir esta façanha, algo nunca constatado na história do mundo, o terá feito justamente porque se comprovou excepcional. Mais ainda: terá obtido esta façanha por pura vontade dos consumidores, que voluntariamente deram seu dinheiro para esta empresa.

    O que ocorrerá se ela crescer? Muito provavelmente, seus custos irão aumentar, ela ficará mais ineficiente e isto abrirá brechas para o surgimento de novos concorrentes, que não apenas poderão ser mais eficientes, como também estarão agora munidos de todas as manhas empreendedoriais que tornaram a primeira empresa bem-sucedida no mercado. Adicionalmente, esses novos concorrentes farão de tudo para evitar os mesmos erros de sua predecessora. O mercado, como um todo, fica continuamente mais eficiente e mais dinâmico.

    Recomendo estes artigos:

    Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Grande abraço!
  • Caneta de Prata  17/07/2012 11:31
    Conceitue "oprimir". Se ele "oprimir" a concorrência com produtos melhores a preços menores, que ótimo, que continue assim! Agora, achar que tal empresa iria aumentar substancialmente os preços após "esmagar" a concorrência e manter isso por tempo suficiente para recuperar o que gastou "esmgando" os outros é um grande salto de fé. Isso nunca aconteceu em um livre mercado. Se a Sadia subisse o preço da pizza congelada para $15 quando detinha soberania absoluta nesse mercado no dia seguinte as pizzas da vó nena (ou da perdigão na época, ou de novos entrantes) tomariam uma grande fatia do mercado. Agora, vamos fazer um exercício hipotético. Se ela abaixar o preço para R$3 para "falir" todos os concorrentes (e gastar muita grana no processo) ela JAMAIS irá conseguir recuperar esse "investimento" em um livre mercado. No instante SEGUINTE que eles subirem o preço para R$15 as máquinas paradas dos falidos (vendidos em leilão, parados em um galpão, direcionados para outra coisa, etc) ou novas máquinas começariam a cuspir pizzas a um preço menor. A única maneira disso não ocorrer são barreiras de entrada artificiais (governo). Mesmo barreiras de entrada não-estatais - como alta intensidade de capital ou difícil acesso a fornecedores - não tem como impedir novos entrantes caso a taxa de retorno daquele mercado esteja muito maior que a taxa média de todos mercados. Alta necessidade de capital, para citar um exemplo, é facilmente contornada através de captação de recursos. Se os ingleses na era das carroças conseguiam com relativa facilidade centenas ou milhares de acionistas para iniciar uma ferrovia privada entre duas cidades imagine hoje na era da informação!
  • Ismar  03/08/2013 20:48
    impressão minha ou vc está defendendo a intervenção estatal? Se não for, já peço desculpas antecipadas, mas é que me pareceu uma ideia bem keynesiana a sua.
  • Mary  17/07/2012 10:45
    a LIBERDADE proposta por essa escola de pensamento proporciona igualdade, ou é mais uma corrente "lobo vestido de cordeiro" ?
  • Leandro  17/07/2012 11:04
    Igualdade com liberdade? Como fazer esse milagre?

    Liberdade significa eu fazer o que eu quiser -- desde que sem agredir a vida, a liberdade e a propriedade de terceiros -- para melhorar minha vida. Igualdade significa você apontar uma arma para minha cabeça e tomar parte da minha renda honestamente adquirida para redistribuir para quem você quiser, dizendo que isso é justo.

    Não é preciso ter mais do que dois neurônios com sinapses normais para concluir que este último conceito está em total desacordo com o primeiro. Não há como a igualdade ser imposta sem matar a liberdade. É impossível haver liberdade em ambiente igualitário.

    Os seres humanos são inatamente distintos uns dos outros, em tudo, tanto em beleza, quanto em inteligência, quanto em capacidade de criar riqueza. Deixá-los iguais significa tolher os mais inventivos em prol dos mais indolentes.

    Deixar todo mundo igual é facílimo: basta confiscar a propriedade de todos e jogar todos na rua. Agora, fazer isso e ao mesmo tempo dizer que os espoliados se mantêm livres é um milagre, o qual nem mesmo os melhores oradores já foram capazes de provar ser possível.

    Continue estudando.

    Abraços!
  • Mary  17/07/2012 11:12
    Você está distorcendo a coisa, igualdade significa dar direitos e instrumentos para que todos possam ter as mesmas chances econômicas e intelectuais. Pelas suas palavras você mesmo diz que esse sistema proporciona desigualdade, não é a comnpetição que te faz melhor e sim a compreensão da essência do trabalho em si.
    não me mande Mais Abraços ;)
  • Juliano  17/07/2012 12:07
    Leandro, aí você está focando na igualdade de resultados. Nesse caso, não há o que discordar.\r
    \r
    Eu também abordaria a igualdade perante a lei, e aí não há nada comparável ao liberalismo. Modelos distributivistas vivem de forçar desigualdades perante a lei, da concessão de privilégios. O tal de "tratar de forma desigual os desiguais".\r
    \r
    O liberalismo prega a igualdade absoluta. Ninguém, independente de partido, profissão ou qualquer outra característica, teria o direito a um tratamento diferenciado. Se é pregada a propriedade privada, ninguém tem o direito de violá-la, nem representantes do Estado.\r
    \r
    Existe igualdade maior que essa?
  • Renato  17/07/2012 14:42
    Leandro\r
    \r
    Há uma maneira pela qual um pequeno grupo de grandes empresários pode promover o autoritarismo. Imagine um grupo de empresários que obteve poder e dinheiro (não importa como, podem ser empresários que se saíram bem por fornecer bens de boa qualidade e bom preço, podem ser empresários que obtiveram vantagens de amigos no governo, podem ser herdeiros). Eles concluem que, a partir de determinado instante, não será mais vantajoso para eles que o mercado livre (ou razoavelmente livre) continue prevalecendo. Afinal, num jogo de livre mercado, mesmo quem é rico e poderoso pode perder. Eles dizem "não importa que no passado, nós ou nossos pais tenhamos obtido sucesso no jogo do livre mercado, agora estamos no topo, e nada garante que continuaremos assim. Mas se usarmos nossa grana e influência para sabotar o sistema de livre mercado, e implantarmos um sistema semi-socialista, podemos mexer os pauzinhos para que nossos amigos no governo nos favoreçam, em detrimento dos outros".\r
    \r
    Alguém poderá argumentar que se eles fizerem isso, a quantidade total de riquezas geradas pela sociedade será, no futuro, menor do que seria sem essa ação deles. Portanto, poderá acontecer de caber a eles um total de riquezas menor. Entretanto, poderá ser que eles não se importem tanto assim com isso. Deixe-me explicar. Há no homem o impulso do ganho (ambição), mas há no homem o impulso da comparação (inveja), principalmente naqueles que se permitem sentimentos mais mesquinhos. Há pessoas que não se importam de terem menos do que poderiam ter, contanto que tenham mais que os demais. Por os outros para baixo de sua própria posição lhes parece "melhor" do que ganhar algo para sí. Bloquear o crescimento de outros pode lhes parecer mais compensador do que investir no seu próprio crescimento. Todos nós não conhecemos pessoas assim? Que preferem prejudicar sua própria felicidade para promover a infelicidade de outros? Não há pessoas que agem assim a respeito de tudo, dinheiro, posição, paixão?\r
    \r
    Não é precisamente isso que tem feito um certo grupo de financistas do topo da elite americana e européia? Não tem sido eles que mais fortemente tem promovido o socialismo e o estatismo? Não tem sido eles que tem buscado bloquear o desenvolvimento dos países mais pobres, promovendo a farsa do AGA? Não foram eles que financiaram o surgimento dos regimes coletivistas? Não tem sido eles que tem usado seu poder sobre a mídia, universidades, fundações, para promoverem políticas (e políticos) esquerdistas no mundo todo?
  • Leandro  17/07/2012 14:49
    Não entendi seu ponto, Renato. Tudo isso que você descreveu (e descreveu muito bem, aliás) é exatamente o que já ocorre hoje: grandes empresários utilizando o governo para obterem ganhos, benefícios e vantagens em detrimento da concorrência.

    Ora, é exatamente este tipo arranjo fascista que este site diariamente critica, ao ponto de chegar a ser repetitivo. Que bom que você finalmente percebeu a encrenca.

    Todos os exemplos que você deu -- todos, sem exceção -- se baseiam na utilização do poder estatal para a imposição de políticas e agendas. Nenhum deles seria possível sem o estado. Por isso somos radicais contra o estado. A simples existência de tal entidade já engendra estes tipos de privilégios a favor dos poderosos e contra os pouco influentes.

    Querem estado? Beleza. Só não reclamem das consequências. E principalmente: não coloquem a culpa das consequências ruins sobre arranjos que sequer existem, como o livre mercado.

    Abraços!
  • Mary  18/07/2012 13:15
    e qual a garantia de que no sistema de livre-mercado os privilégios não seriam concedidos ?
  • Juliano  18/07/2012 15:47
    Nenhuma... mas vc vai ter de conceder privilégios com o teu dinheiro, não com o dos outros, como é o caso do Estado.

    Se na tua empresa vc resolve contratar teu filho, é problema teu. Se ele for incompetente, a tua concorrência agradece.
  • Fernando Chiocca  18/07/2012 15:52
    A garantia é que num sistema de livre mercado não existem privilégios.
    Isso é exatamente o que significa livre-mercado; não haver nenhum privilegiado à custa de outros prejudicados.
    No livre mercado todos ganham.

    Antes de ficar postando comentários feito uma tresloucada, tente obter um mínimo de informação.

    Vá aprender o que é livre mercado antes.

  • Andre Cavalcante  17/07/2012 14:23
    Olá Leandro.

    Concordo com o Juliano. Isso que cê colocou entendo claramente como a igualdade que é "vendida" pelo poder constituído atual, mas de fato, está longe do que seja a verdadeira igualdade. A verdadeira igualdade é tratar a todos como iguais, não importa se preto, branco, capibaxaba ou gaúcho, homem, mulher ou qualquer outra coisa. Para os Cristãos do site: ver a todos como irmãos, pois todos somos filhos de Deus, criações suas.

    Abraços
  • Leandro  17/07/2012 14:43
    Prezados Andre e Juliano, mas contra para tipo de igualdade não há controvérsias. Isso nada mais é do que a igual aplicação das leis e da justiça.

    Mas não é sobre esta igualdade que os igualitaristas falam. Eles querem a "igualdade" da educação pública para todos, da saúde pública para todos e, principalmente, do mesmo ponto de partida para todos.

    A ideia é a de que um arranjo social só é realmente justo quando todos os indivíduos começam igualmente do mesmo ponto de partida. Se o ponto de partida é distinto, então o arranjo é injusto e o estado deve intervir para corrigir isso. Tal raciocínio está por trás da ideia de cotas raciais, bolsas assistencialistas e tudo mais.

    O problema, no entanto, é que é simplesmente impossível ter um idêntico ponto de partida para todos, mesmo em uma sociedade perfeitamente igualitária.

    Suponha o mais otimista dos cenários ('otimista' no sentido sonhado pelos igualitaristas): saúde pública de altíssima qualidade, educação gratuita perfeita, mesma renda per capita para cada família, moradias idênticas, saneamento perfeito e igual para todos, mesmos transportes, até mesmo camas e colchões iguais para todos. Ainda assim os pontos de partida seriam distintos. Por quê? Por fatores que absolutamente nenhuma entidade pode controlar.

    Por exemplo, algumas crianças nascem de famílias boas, estáveis, com pais amorosos, inteligentes e cuidadores. Já outras crianças nascem em famílias despedaçadas, com pais alcoólatras, desmazelados, descuidados, ausentes etc. As primeiras já nascem com mais vantagens que as últimas. Como controlar isso? O estado fará com que os pais desmazelados se tornem repentinamente amorosos e inteligentes?

    Adicionalmente, há o inevitável fato de que algumas crianças são mais inteligentes que outras, mais bem qualificadas, mais aptas a um trabalho mental mais rigoroso e exigente, têm mais facilidade para tarefas consideradas mais complexas etc. Isso, por si só, já é um ponto de partida desigual. Como o estado vai controlar isso?

    Por fim, há também o fato de que há várias pessoas nascidas em berço rico e completamente ignóbeis e pessoas nascidas em berço pobre e completamente preparadas e aptas. Estas conseguem subir na vida por meio de seu próprio esforço. É um início injusto? Aí é algo subjetivo. Muitos diriam que começos humildes ajudam muito mais a forjar o caráter do que começos nababescos, em que tudo é obtido facilmente, de mão beijada.

    Concluindo: é impossível fornecer um mesmo ponto de partida para todos. Há vários fatores externos simplesmente impossíveis de serem controlados. Esqueça essa bobagem; é uma utopia sonhada por indivíduos frustrados.

    Abraços!
  • Juliano  18/07/2012 06:03
    Oi Leandro,\r
    \r
    Eu entendi perfeitamente o teu ponto. Eu só quis ressaltar que libertários também defendem igualdade de condições, de uma forma bem mais radical que os coletivistas ou seguidores de Rawls.\r
    \r
    Implementar qualquer cesta de serviços (educação/saúde....) implica na existência de um gestor, em engenharia social, em planejamento centralizado, em violar direitos individuais para o "bem comum". Usam a desigualdade como instrumento para alcançar uma suposta "igualdade de condições".\r
    \r
    Abraços,\r
    Juliano
  • Renato  19/07/2012 15:04
    Leandro\r
    \r
    Não discordo. Apenas quis colocar que, na maioria das vezes, os ricos mais ricos não são favoráveis ao livre mercado.\r
    \r
    \r
    Mary\r
    \r
    Não há garantia nenhuma, tanto assim que, atualmente, a maioria dos países ditos "capitalistas" não são países de livre mercado, mas sim semi-mercantilistas. Assim como não há garantia nenhuma para as instituições republicanas, que estão, no mundo todo mas principalmente na América Latina, sendo demolidas.\r
    \r
    A única garantia real para qualquer tipo de liberdade é o interesse do povo em defende-la. Se as pessoas forem displicentes, perdema liberdade rapidamente.
  • anônimo  17/07/2012 12:12
    Vc ñ saber quem é Rodrigo, até me surpreendeu...todo o mundo conhece. Eu continue não conhecendo, faz bem. É um idiota. Eu queria ser como você, nem conhecer esse lixo.
    E é exatamente por saber de cor a programação que ultimamente ñ tenho olhado mais TV, e me preocupo com a degradação dos valores. Ainda bem que hj que eu tenho Internet e posso ver coisas bem mais instrutivas como este video do Thomas Woods (por falar nele, até tenho o livro dele "Como A Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental" no meu computador, muito bom este livro)...
  • jose carlos zanforlin  17/07/2012 12:29
    Prezado Leandro:\r
    \r
    Eu havia feito dois comentários/perguntas no artigo referente ao CADE/SADIA/PERDIGÃO, cuja gentil resposta de outro leitor não me satisfez. Refaço-as agora: (i) por diversas vezes li aqui que empresas menos eficientes, porém politicamente influentes, como que forçam criação de legislação dita antitruste. Pergunto: como isso é possível se políticos, corriqueiramente, buscam o que tem dinheiro para eleger-se? Normalmente não seriam os donos de empresas vitoriosas os que mais podem influenciar? Depois, (ii) constato (constatamos todos nós) que raras são as menções na imprensa sobre as idéias da Escola Austríaca. Claro que não seria o caso de "leis" que propiciassem igualdade editorial. Assim, é difícil conseguir-se maior veiculação do pensamento desta Escola. Aqui, contrariamente ao texto presente, os representantes da EAE são os 1%, com poucas chances de crescerem.\r
    \r
    Grato. \r
  • Leandro  17/07/2012 13:13
    Prezado Zanforlin, ao menos no Brasil, as empresas mais politicamente influentes são as mais ricas (e menos eficientes). E são as mais ricas justamente porque atuam com proteção/subsídios do governo (por isso são as menos eficientes).

    É um ciclo vicioso: as empresas enriquecem (mesmo oferecendo péssimos serviços) devido a favores estatais e, em troca, dão parte dos seus lucros para políticos, para os quais pedem mais proteção e favores. Empresas pequenas e médias, que realmente atuam no livre mercado, sem receber favores governamentais (ao contrário, sendo apenas espoliadas tributariamente pelo governo), não têm capital para influenciar políticos. Boa parte de seus lucros tem necessariamente de ser reinvestido na própria empresa, caso contrário elas não se mantêm no mercado.

    Logo, não tem a mínima chance de elas influenciarem políticos. (Ou você acha que o dono da padaria da sua esquina tem capital para ir a Brasília e pedir mais regulamentação para seu setor?)

    Percebeu a imoralidade deste sistema? É rico quem recebe privilégios estatais. E só tem privilégios estatais quem é rico.

    Quanto à imprensa mencionar a EA, confesso que, se isso começar a acontecer, ficarei imensamente preocupado. A imprensa, no que tange a assuntos econômicos, consegue a façanha de estar sempre incondicionalmente errada, em rigorosamente tudo. Pudera, só conhecem Keynes, Marx e a parte ruim da Escola de Chicago. Logo, dada sua propensão histórica a propagar lixos, se a mídia começasse a citar positivamente a EA, aí sim eu ficaria deveras preocupado.

    O processo é longo, não é algo que irá mudar rapidamente. Não se reverte subitamente um processo de emburrecimento maciço, o qual vem ocorrendo há mais de 70 anos.

    Grande abraço!
  • Frederico Álvares  17/07/2012 13:34
    Muito bom este texto, fico muito feliz de ser o único em minha Universidade a defender as ideias do Liberalismo clássico, tendo em vista que eu estudo em uma instituição pública federal atrasada e que defende os terroristas do MST. Sei da minha importância e dos demais que frequentam e realizam a divulgação dos artigos do Instituto Mises.
  • Itamar Gines Pereira  17/07/2012 13:48
    O que acontece com o Frederico, acredito ser o corriqueiro de várias pessoas que comentam nesse site. Também sou um dos únicos defensores dessas idéias libertárias na UEL , no Paraná. No meu curso, quem coaduna com essas idéias tem vida curta, infelizmente!\r
    Faço das palavras do Leandro as minhas, "O processo é longo, não é algo que irá mudar rapidamente".
  • Paulo Kelson  17/07/2012 14:23
    Foi através desse memorável site que abri meus olhos sobre o socialismo e abandonei o movimento igualitário que na verdade é tirânico e enganador.\r
    \r
    Parabéns ao Instituto Ludwing Von Mises que abriu a mente desse cidadão aqui de condição humilde que era a favor do igualitarismo.
  • Leandro  17/07/2012 14:50
    Obrigado pela gentileza do depoimento, Paulo. Este é o nosso combustível.

    Grande abraço!
  • Sergio Masa  17/07/2012 17:12
    Este mês tive um aumento em meu salário no valor de 60 reais. Explico: cancelei o sindicato!
    Estou até pensando em doar uma parte ao Mises como forma de agradecimento, e ainda vou ficar no lucro. :)
    Acho que farei melhor, comprarei alguns livros daqui para presentear amigos.
  • Antonio  17/07/2012 16:53
    Mto bom o artigo. Acho que o autor não é um comunicador amador!\r
    \r
    Tenho a felicidade de no meu ambiente de trabalho, ter mais da maioria que simpatiza com as ideias austríacas. No entanto, é um grupo seleto, que frequentou ótimas universidades. Os mais jovens têm uma resistência bem maior. O problema é que nem leem, pois se lessem, acho que mudariam um pouco de ponto de vista.\r
    \r
    Apesar do libertarianismo não defender a igualdade de resultados, ao perseguirmos a liberdade em primeiro lugar, acabamos por conseguir mais igualdade do que se alvejarmos esta prioritariamente. Isso é interessante de se analisar. Os EUA do séc. XIX, que eram bastante livres, era mto mais igual do que o país de hoje, não é mesmo?\r
    \r
    Best...
  • bernardo  17/07/2012 18:22
    Seria interessante um artigo sobre isso: g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2012/07/brasil-tem-maior-juro-do-cartao-entre-paises-da-america-latina-diz-proteste.html

    Seria muito legal uma comparação entre os países citados e tal.
  • Arion Dias  17/07/2012 19:22
    Leandro,
    sou leito frequente do site. Está de parabéns ao ter paciência de responder.
    Fico cada vez mais impressionado com a distorção que o discurso socialista consegue.
  • Cristiano  17/07/2012 19:55
    Que vennham os comunicadores. O conteudo teórico pode ser encontrado aqui no Instituto Mises. Que cada um, com seu talento, dissemine as ideias da forma que conseguir.
  • Fabio  17/07/2012 20:04
    Mary

    "Você está distorcendo a coisa"

    Quem confundiu coisas básicas como monopólio/oligopólio com livre mercado foi você.

    "igualdade significa dar direitos e instrumentos para que todos possam ter as mesmas chances econômicas e intelectuais."

    Novamente, isso é impossível sem matar a liberdade. Afinal, quando voce diz "dar direitos" voce está se referindo a confiscar propriedade dos outros e tratar pessoas diferentes umas das outras perante a lei.

    Por fim, direitos não são dados! Se o estado tem o poder de te dar direitos, então ele também tem o poder de tirá-los (lógica elementar). É isso que ocorre em regimes totalitários! Não é você que tem pavor disso? Direitos não emanam da sociedade, pois isso significa que você só pode existir por permissão de outros. Direitos são inerentes à condição humana. E como todos somos humanos, os direitos devem ser iguais para todos.

    Não vou te mandar abraços, já que você não gosta. Um aperto de mão pode?
  • Paulo Sergio  18/07/2012 04:00
    'Direitos são inerentes à condição humana.'

    Você podia pelo menos falar a história toda: direitos são inerentes à condição humana SEGUNDO os que acreditam em direito natural.
  • Fernando Chiocca  18/07/2012 11:44
    Você podia pelo menos falar a história toda: direitos são inerentes à condição humana SEGUNDO os que acreditam em direito natural.

    Você podia pelo menos falar a história toda: a lei da gravidade é inerente à condição humana SEGUNDO os que acreditam nas leis da física.


    Pior que tem imbecil que não entende que a natureza humana é inerente ao ser humano (pasmem!!)...
    Acham que um ser humano pode ter a natureza do titânio ou de uma água viva...
  • anônimo  18/07/2012 06:17
    Fábio.

    Concordo com você, a igualdade proposta por um estado sócio democrático, e que foi enfatizada pela Mary, é uma completa utopia. Para se atingir esse objetivo, é preciso tomar, com a utilização da força (violência), a propriedades de uns para dar a outros.

    Interessante, é que as ideias da Mary são amplamente difundidas em nossa sociedade. Provavelmente, muitos dos leitores do Mises tinham ideias similares a da Mary, antes de iniciarem as leituras no Mises ou em livros. Eu, particularmente, sabia que havia alguma coisa errada no estado, entretanto desconhecia a dimensão dos problemas.

    É engraçado, que pessoas como a Mary, eu no passado, reclamávamos do estado, entretanto na primeira oportunidade, requeríamos ao próprio estado para nos "ajudar". Entenda-se "ajudar", como a utilização da força para impor aos outros, minhas vontades.

    Talvez, o estado não seja tão ineficiente assim. Ele é extramente oportuno em confiscar a propriedade dos seus súditos e, principalmente, ditar a "força ideológica" na sociedade.
  • Juliano  18/07/2012 07:25
    Sempre que alguém vem com a batida idéia de que "basta votar nas pessoas certas" eu tenho vontade de pular de uma ponte :).\r
    \r
    O problema não é o Estado não funcionar como deveria. Ele já faz isso! Corrupção, gastos, alianças puramente políticas... isso é parte do Estado. Ele funciona e existe para isso. \r
    \r
    O Estado existe para proteger interesses, para desviar dinheiro de uns para os amigos do governo. Ele faz isso com muito eficiência.\r
    \r
    Como confiar em uma instituição que ganha mais dinheiro quando presta um serviço ruim? Como confiar em uma instituição que, quando quer, pára de prestar um serviço e proíbe outras pessoas de prestarem o mesmo serviço? Como confiar em uma instituição que você deve pagar, queira ou não? Onde os funcionários não podem ser demitidos de jeito nenhum? Onde reclamar de um atendimento pode ser considerado crime?\r
    \r
    Dá pra imaginar que isso traria algum bem para os consumidores desse serviço?\r
    \r
    Os "serviços" prestados pelo Estado são apenas desculpas para confisco de recursos. Nada além disso. Não existe nenhum interesse em prestá-los porque as instituições não foram criadas com esse objetivo.\r
    \r
    Pegando um exemplo bem atual. A UFPR está de greve há uns dois meses. Dividindo o orçamento anual pela quantidade de alunos, dá uma mensalidade média de R$ 2000 por aluno. Isso é apenas custo e não conta um zilhão de coisas que são assumidas pelo governo, como previdência, e não passa pelo orçamento da univerdade. Isso é 60% maior que a mensalidade média da PUC-PR, contando que TODOS os custos da PUC-PR devem estar contidos nesse valor. A estrutura da Federal está caindo aos pedaços desde sempre e o atendimento dispensa comentários. A solução de sempre: dar mais dinheiro pra eles.\r
    \r
    Dá pra imaginar um esquema mais destinado ao fracasso?\r
  • Eduardo  18/07/2012 09:10
    Juliano, excelente colocação.
    Como também já defendi a baboseira de "só colocar as pessoas certas", concordo com todos esses pontos.

    Cabe adicionar que as universidades públicas não estão só destinadas ao fracasso por funcionarem sob o sistema coercivo (mais dinheiro pra premiar o fracasso, impossibilidade de falência, e todos são obrigados a pagar queiram ou não), mas também por partirem da premissa de que um grupo de burocratas sabe qual é o jeito de educar a todas as pessoas com o sistema educacional que eles idealizaram.

    Eu acho a educação algo bastante particular. Várias pessoas tem necessidades diferentes, e apenas um monopólio (mesmo as instituições privadas estão com as mãos amarradas pra inovarem e sujeitas à regras dos burocratas) enfiado goela abaixo de todos com necessidades diferentes é uma forma prepóstera de dar educação.
    Um livre mercado de educação não só é desejável pela moralidade de um sistema auto-sustentável e não-coercivo e pela maior acessibilidade, mas pela necessidade de empreendedores testarem e encontrarem o melhor arranjo e variedade de técnicas educacionais pra servir melhor os consumidores desse serviço de ensino.

    Já esse ponto das escolas/universidades públicas custarem mais que as privadas (sobretudo quando se tomam as despesas indiretas que não são consideradas) é outro que deveria fazer as pessoas no mínimo questionarem essa política.
    Existem casos nos EUA do governo pagando anualmente 13,000 dólares por escolas públicas fracassadas, enquanto que escolas particulares 'de elite' eram mais baratas que isso.

    Frente a esse problema, me é incrível que as pessoas concluam que temos que melhorar as escolas públicas. O MÍNIMO que as pessoas deveriam concluir daí é "ora, então acabem com as escolas públicas e dê um cheque pras crianças usarem em escolas particulares que são mais baratas e melhores".
    Esse sistema ainda tem vários problemas por ainda ter o estado envolvido, mas é comprovadamente melhor que o sistema de escolas do governo.
    Até porque, se alguém concluir que um pobre precisa comer e que precisa de ajuda do estado, ele não defende uma fazenda e restaurante do governo pra dar comida, mas sim um cheque do estado pra que o pobre use com serviços privados competentes.

    Novamente, esses arranjos têm problemas e só servem pra arrumar as trapalhadas que as intervenções estatais causaram... mas creio que se as pessoas começassem a ver por esse lado, já seria um bom caminho andado em direção à privatização e desestatização de serviços essenciais.
  • Juliano  18/07/2012 10:05
    Concordo com tudo, com apenas uma observação.\r
    \r
    "Até porque, se alguém concluir que um pobre precisa comer e que precisa de ajuda do estado, ele não defende uma fazenda e restaurante do governo pra dar comida, mas sim um cheque do estado pra que o pobre use com serviços privados competentes."\r
    \r
    Faltou o AINDA não defende. É só uma questão de tempo pra que todos os serviços sejam estatizados. A idéia de coisas grátis é muito tentadora e politicamente vendável. A única coisa que joga contra é o colapso das instituições públicas com o tempo. Não tem um único país socialista que não tenha passado por problemas sérios de falta de comida.\r
    \r
    Qualquer setor pode reclamar: Alimentação é uma coisa muito importante para a sociedade e por isso o governo tem de garantir que todos comam. E se a pessoa não puder pagar? Você acha que pobre deve morrer de fome. Substitua alimentação por educação, saúde, estradas, moradia, segurança, entretenimento, internet e qualquer outra coisa e sempre o discurso vai encaixar. Atacar o controle estatal vira atacar a atividade em si. Fatalmente você ouve: vc é contra a educação? Então é melhor matar todos os pobres de uma vez. \r
    \r
    WTF????\r
    \r
    O ciclo é sempre de aumentar o tamanho e o controle do governo até que a economia entre em colapso. Os interesses conflitantes falam mais e o Estado se desmantela, até que começa a crescer novamente. Os EUA tiveram seu período de liberalismo por ser um país completamente novo, mas logo descambaram para um império absurdo. Tivemos algumas reformas liberalizantes na década de 90, mas foi o mínimo para o país evitar um colapso econômico. Nossas privatizações foram basicamente a divisão das empresas públicas entre os amigos do governo e alguns fundos de pensão públicos. Tudo com a garantia do governo de que os monopólios seriam mantidos.
  • Mary  18/07/2012 09:14
    "voce está se referindo a confiscar propriedade "\r
    Não, se a pessoa possuir uma rendar para possuir sua propriedade.\r
    e se referindo a propriedade intelectual, não há como confiscar.\r
    \r
    'Por fim, direitos não são dados!'\r
    Direito é um bem nato de cada ser humano.
  • Fellipe Aguiar  18/07/2012 16:46
    Mary,

    Confesso que estava achando engraçado, mas estou começando a não achar mais... vc está realmente querendo aprender ou só está trollando?
  • Gustavo Sauer  18/07/2012 05:07
    Impecável. Eu fico pasmo como alguns "intelectuais" conseguem ver o avanço do respeito a propriedade privada como uma forma de privilégio criado pelas elites para proteger os ricos e manter sua suposta espoliação do trabalho dos pobres. É apenas necessário conhecimento básico, elementar, da história economica da humanidade para perceber que respeito a propriedade foi o divisor de águas, o antes e depois que separou a miséria milenar do período inédito na história onde uma pessoa comum pode sonhar em aumentar seu conforto e padrão de vida para si e seus filhos.
  • Mary  18/07/2012 12:58
    eles apenas proporcionam alguns recursos para as massas, como acesso internet e objetos modernos de comunicação que equivalem aos instrumentos de trabalho rudimentares do passado.Somos vassalos na era da informção...
  • Fellipe  18/07/2012 06:41
    Muito bom o artigo, parabéns! Porém tenho algumas duvidas. Não teria a própria Revolução Industrial gerado também o acumulo de capital para os grandes empreendedores? Há também casos de abuso de patrões que empregavam mulheres e crianças além de turnos abusivos de trabalho, gerando muitos favoráveis a intervenções estatais e leis de controle do mercado como salario minimo e diminuição na jornada de trabalho (como o CLT no Brasil por exemplo). Eu gostaria de saber os fatos reais, pois sempre que estudo, as informações veem de textos ideológicos, tanto liberais quanto socialistas.
  • Leandro  18/07/2012 08:06
    Prezado Fellipe, dizer que a Revolução Industrial gerou a acumulação de capital é o equivalente a dizer que a produção de carros levou ao surgimento do aço e da borracha necessários para a sua fabricação. Ora, é exatamente o contrário: primeiro é necessário poupar e acumular capital. E então, só então, você pode produzir. A poupança e a acumulação geram o investimento, e não o contrário.

    Quanto à Revolução Industrial, há vários textos com os quais você pode se fartar, dentre os quais recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1056
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=561
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1170

    Abraços!
  • Fellipe  18/07/2012 14:15
    Muito obrigado pela resposta. Vou ler todos.
  • Fellipe  18/07/2012 16:36
    O mundo é muito pequeno, nunca imaginei encontrar alguém com o mesmo nome neste seleto fórum.

    Seja bem-vindo, xará.

    Fellipe Aguiar
  • Fellipe  19/07/2012 05:10
    Hahahahahahaha! Saudações Fellipe com dois L, porque um L é muito pouco para nós.
  • Yochanan Ben Efraym  18/07/2012 07:53
    Shalom Chaverim V'Chaverot / Paz Amigos e Amigas !!\r
    \r
    \r
    Eu fico maravilhado com os artigos de Instituto. Além de nos fazer pensar, nos tira as escamas dos olhos, para poder ver realmente o que se passa por detrás da cortina.\r
    \r
    \r
    Parabéns ao moderadores deste site. Ele é digno de ser propagado via facebook e etc.\r
    \r
    \r
    \r
    Elohim vos abençoe a todos.
  • Alexandre  18/07/2012 08:39
    O texto não faz sentido, uma vez que no passado os impostos eram infinitamente menores que os que pagamos atualmente. Na idade media por exemplo o que um campones tinha de pagar a seu Senhor feudal era infinitamente menos do que pagamos ao governo atualmente, em Roma haviam famosos tribunos da plebe que eram muito ricos .
    O texto parece coerente, mas não está de acordo com os dados historicos .
  • Leandro  18/07/2012 08:53
    Prezado Alexandre, impostos nem de longe representam o único e exclusivo fator impeditivo para a acumulação de riqueza. Vide por exemplo o Haiti, o Paraguai e a Bolívia, países pobres mas de baixa carga tributária. Pela sua lógica, era para eles serem bombantes.

    Muito mais influente na criação da riqueza de uma sociedade é a liberdade econômica -- no caso, a liberdade de se empreender sem amarras, e com garantias totais à propriedade privada. Tal garantia, como o texto explica em sua parte final (a qual, tudo indica, você não deve ter lido), surgiu apenas no século XVIII. Antes, ela era nula -- exceto para os regentes e demais membros da classe dominante.

    Você certamente não leu o texto até o final. Se leu, deveria estar distraído.

    Recomendo estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1126
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=971
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=978

    Grande abraço!
  • Ricardo Otávio Costa Santos  18/07/2012 12:54
    Leandro\r
    \r
    " Quanto à imprensa mencionar a EA, confesso que, se isso começar a acontecer, ficarei imensamente preocupado. "\r
    \r
    Essa tua postura é equivocada meu caro.\r
    \r
    É através da grande imprensa que a maioria do público busca informações para se posicionar a respeito das coisas.\r
    \r
    Concordo com boa parte do que é postado aqui, mas percebo que boa parte do ideário intervencionista é aceito como natural pela maioria da população.\r
    \r
    " Mais uma vez, o modo como uma sociedade é organizada depende da opinião pública. "\r
    \r
    Não basta estar certo, é preciso convencer a maioria das pessoas a respeito disso e nesse campo temos falhado.\r
    \r
    Vou dar um exemplo prático:\r
    \r
    O melhor documentário que vi sobre a crise americana foi " Inside Job ", narrado por Matt Damon e que contou com a participação de grandes figuras da política, finanças, etc.\r
    \r
    Resumidamente o ponto advogado pelo documentárioncio é que a falta de intervencionismo governamental foi a causa da crise... sobre a atuação dos Bancos Centrais, juros artificialmente baixos, gastos governamentais excessivos, sistemas de reservas fracionárias e seus efeitos absolutamente nada foi dito.\r
    \r
    Sabemos que essa explicação é errônea, mas o grande público, não.\r
    \r
    Entendeu meu ponto de vista ?
  • Leandro  18/07/2012 13:10
    Entendi perfeitamente seu ponto de vista, prezado Ricardo. E você, talvez sem perceber, simplesmente confirmou de forma avassaladora todo o meu ponto.

    Explicações simples e de fácil apelo popular sempre serão majoritariamente aceitas, ao passo que a verdade, sempre mais trabalhosa e complexa do que a mentira, tende a ficar relegada a alguns poucos bolsões de inteligência e cultura.

    Quanto mais seguidores uma ideia tem, maiores são as chances de ela estar errada. E a explicação é uma só: inteligência não brota do chão, não dá em árvore. As ideias corretas sempre são aquelas que exigem mais raciocínio, mais uso da razão e da lógica. Já as ideias erradas sempre são aquelas que possuem apelo simples, de fácil digestão. Quando uma ideia ou um pensamento é partilhado por milhões de pessoas, pode saber que ali não há massa crítica; pode saber que ali só pode ter bobagem. (Vide keynesianismo e marxismo).

    Se algum dia o IMB tiver, digamos, 1.000.000 de leitores, esteja certo de que vou me olhar no espelho e me perguntar: o que houve com minha inteligência? Por que comecei a escrever besteiras?

    Se algum dia a lógica e a sensatez econômica forem aceitas e seguidas pela esmagadora maioria da população, esteja certo de que atingimos o patamar supremo da evolução humana.


    Grande abraço!
  • Carlos Goes  18/07/2012 21:24
    Texto muito bom. Realista, objetivo e não-sectário! Sem essa de ficar chamando Smith, Locke, Mill e Friedman de socialistas.
  • Getulio Malveira  19/07/2012 07:11
    Carlos, creio que já li quase todos os artigos publicados aqui no IMB e não me recordo de nenhum em que esses pensadores tenham sido chamados de socialistas. Pelo contrário, você pode encontrar, quanto a Friedman, por exemplo, este texto do prof. Iorio que reconhece os méritos da Escola de Chicago:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1064

    O fato de que os autores austríacos, defendendo suas posições, apontarem equívocos nas teorias econômicas ou políticas de outros pensadores e escolas não representa nenhum sectarismo, mas o que há de mais comum na história do pensamento.
  • Deilton  07/08/2012 12:24
    "Na velha ordem, a maioria dos candidatos a se tornar parte do 1% precisaria, para subir na vida, apenas usar suas habilidades e ambições políticas para ser conquistadores, governantes, administradores governamentais, e, nesses papéis, explorar as massas. "

    Nada parecido com o Brasil.


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