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O comércio, a bênção da civilização

Como seria se tivéssemos o seguinte sistema econômico?

Este sistema inundaria o globo com bens gratuitos diuturnamente, não pedindo nada em troca e dando praticamente tudo para todos.  A maior parte de tudo aquilo que ele gerasse consistiria de bens gratuitos, e todos os seres humanos vivos teriam acesso a eles.

Qualquer indivíduo que acumulasse lucros privados o faria unicamente porque serviu com excelência aos outros seres humanos, e tal sistema inevitavelmente faria com que esta pessoa revelasse suas ideias e truques: todas as pessoas do planeta saberiam os motivos do sucesso de alguém.

Este sistema, desta forma, serviria a todas as raças e classes.  Ele serviria farta e servilmente ao homem comum e derrubaria as elites quando estas se tornassem soberbas e arrogantes.  Ele faria com que fosse benéfico e proveitoso para todos incluir cada vez mais pessoas em seu potencial produtivo e dar a todas elas uma participação nos resultados.

Tal sistema tem um nome.  Ele se chama livre mercado.  Embora ele tenha se tornado bem mais óbvio na atual era digital, o fato é que a proliferação de bens gratuitos sempre foi uma das principais características do capitalismo.  O problema é que as pessoas raramente pensam e falam sobre isso.

Com efeito, o livre mercado é a ideia mais mal compreendida e mal interpretada que existe, tanto por seus detratores como também, e com muita frequência, por seus proponentes.  Quanto ao clichê de se caracterizar o mercado como uma utopia para exploradores, magnatas e fraudadores, as pessoas que realmente pensam assim provavelmente nunca de fato tentaram ganhar dinheiro em um sistema competitivo.  Eles não sabem como isso é extremamente difícil.  Todo o processo é seriamente enviesado contra os ganhos privados.  E isso gera enormes custos ao público.

Eu até poderia aprofundar-me mais na teoria, porém, algumas vezes, exemplos pessoais ilustram mais eficientemente a ideia que se quer passar.  Apenas para esclarecer, nós não vivemos em livre mercado atualmente.  Ao contrário, o mais intrusivo e poderoso aparato de intervenção e coerção interfere continuamente e implacavelmente em nosso mercado.  Mas ainda há neste mundo alguns resquícios de mercado suficientes para nos dar uma ideia de como ele funciona, e de como seria o mundo caso ele pudesse operar livremente.  Algumas vezes, o mais simples exemplo já é o suficiente.

Assim, permita-me falar sobre uma barbearia que, por acaso, descobri ontem.  As pessoas que lá trabalham cortam o cabelo de seus clientes, obviamente.  Mas elas também disponibilizam mesas de pingue-pongue, alvos para arremesso de dardos, sinuca e cerveja grátis que você pode beber em um balcão.

Entrei no estabelecimento com um amigo e fiquei atônito ao ver a mesa de pingue-pongue.  Então perguntei: "Podemos jogar?"  Elas responderam: "Ora, é claro."  E então meu amigo e eu jogamos feito crianças desbravando um brinquedo novo. 

Finalmente, após um bom tempo, falei: "Com licença, eu gostaria de cortar o meu cabelo."  Ao mesmo tempo em que ficaram contentes com o meu pedido, eles se mostraram muito surpresos, pois imaginaram que eu fosse apenas mais uma pessoa que houvesse ido ali apenas para jogar pingue-pongue, algo já rotineiro naquele estabelecimento!  Eles já estavam perfeitamente contentes apenas em ter me deixado brincar de graça.

Após o corte de cabelo, fiquei por ali bebendo uma cerveja gratuita, ainda mesmerizado com aquele extraordinário empreendimento de risco.  Até que finalmente decidi perguntar se eles tinham uma página no Facebook.  "É claro", foi a resposta.  Tirei uma foto do local, postei na minha página do Facebook, "curti" a página deles e, em poucos minutos, pessoas de todo o mundo estavam comentando sobre este pequeno estabelecimento.  "Salon de barbier avec tables de pool et pingpong, dards et bière gratuite", disse um francês que compartilhou aquela foto que girou a rede.

barber.jpg


Agora, pense comigo: ao agir assim, eu fiz algum favor a este estabelecimento?  Seus proprietários provavelmente creem que sim.  Afinal, trata-se de um empreendimento recém-lançado.  Qualquer propaganda, estímulo, elogio ou promoção será certamente muito bem-vindo.  No entanto, veja o outro lado deste meu ato: sem querer, acabei imediatamente alertando absolutamente todos os outros potenciais concorrentes sobre esta grande ideia, algo que eles podem implantar já amanhã para atrair mais clientes.  Todas as barbearias da cidade podem agora "roubar" esta ideia.  Elas podem comprar uma mesa de pingue-pongue, arrumar um engradado de cerveja, pregar na parede um alvo de dardos e pronto: já estarão em pé de igualdade para concorrer com aquele estabelecimento que originalmente teve esta ideia.

Tenho certeza de que esta barbearia adoraria encontrar uma maneira de se tornar amplamente conhecida pelo maior número possível de clientes sem que, para isso, tivesse também de revelar seus truques para seus concorrentes.  Mas sabe de uma coisa?  Isto é absolutamente impossível.  Uma coisa vem inevitavelmente junto com a outra.  Informação é um bem não-escasso; uma vez revelada, ela pode ser consumida e utilizada por qualquer pessoa que se deparar com ela.

Sendo assim, o que ocorreu com a vantagem competitiva que este novo e esforçado estabelecimento até então desfrutava?  Ela está agora seriamente ameaçada.  Este estabelecimento certamente irá enfrentar uma feroz concorrência, inclusive de grandes redes que podem implantar estas sugestões em poucos dias e a custos muito baixos.  A característica que tornava este local bacana e divertido poderá agora ser copiada por absolutamente qualquer empreendedor da cidade.  Se isso acontecer, este novo estabelecimento irá enfrentar uma súbita pressão em suas receitas e registros contábeis.  Ele será forçado a pensar em outras inovações.

É claro que temos de admitir também que todas as outras barbearias podem ainda não estar muito certas sobre se esta combinação de salão, pingue-pongue, cerveja, sinuca e dardos é realmente o passaporte mágico para o sucesso.  Logo, em vez de copiar esta estratégia de imediato, elas podem preferir esperar um pouco para ver como a coisa vai funcionar para o adotante inicial da ideia.  Tudo pode ser um fracasso.  Mas pode também ser um assombro.  Se for um assombro, outros irão adotar a prática.  Mas há um problema: aquele que primeiro teve a ideia possui uma vantagem competitiva.  Ele já conseguiu uma clientela leal e uma base de apoiadores.

Bilhões de informações (bens gratuitos e não-escassos!) chegam a empreendedores diariamente, permitindo que eles copiem os sucessos (e fracassos) de outros.  Saber o que implementar e o que não implementar é parte essencial da função do empreendedor.  Pode, aliás, ser a parte mais difícil de seu trabalho.

Mas este é o meu ponto: é impossível ser bem-sucedido no mercado e não revelar a "receita secreta" para o sucesso.  Se você é bem-sucedido, todos os concorrentes acabarão sabendo qual foi a fórmula adotada e irão copiá-la.  Felizmente, não há patentes ou direitos autorais sobre coisas como colocar uma mesa de pingue-pongue em uma barbearia; logo, o governo não pode impedir que o conhecimento e a aprendizagem da concorrência ocorram.  E é assim que as coisas funcionariam em um mercado puramente livre, em todos os setores.  Ser bem sucedido significa fornecer coisas — fornecer bens e serviços para seus clientes (esta é a chave para a lucratividade) e, como consequência, revelar para todos os concorrentes o método que o tornou bem-sucedido (ou que resultou em seu fracasso).  O próprio ato de empreender — que sempre tende a ser uma tarefa livremente copiável — por si só já transforma seus métodos em objeto de estudo. 

A informação que você revela é o preço que você paga em sua busca pelo lucro.  E qualquer lucro que você obtiver sempre estará ameaçado por concorrentes que irão emular o seu sucesso.  Isto significa que você jamais pode se acomodar; você jamais pode se contentar com sua situação atual.  Você tem de estar sempre inovando e renovando, constantemente — e você tem de fazer isso sempre tentando ofertar ao público exatamente aquilo que ele quer, e da maneira mais eficiente possível.  É isso que dá ao mercado tamanho dinamismo, que o impulsiona e que explica seu espírito inovador e inventivo. 

São enormes as chances de você estar lendo este artigo em um foro totalmente gratuito.  Talvez você o tenha visto em um website pelo qual você não pagou para ler ou o viu sendo divulgado em alguma rede social pela qual você não paga para usar.  Estes são bens gratuitos, meios que os capitalistas utilizam para atrair o interesse das pessoas para os empreendimentos que eles estão fazendo.

Mas estes bens gratuitos são apenas a parte inicial de tudo que o mercado oferece.  O mais valioso bem gratuito que o mercado produz a cada minuto é o oceano de informação sobre sucessos e fracassos, sobre os que as pessoas querem e o que elas não querem, sobre o que funciona e o que não funciona.  Esta vasta reserva de informação está sendo divulgada globalmente, de modo contínuo, e funciona como se fosse um chuveiro jorrando bênçãos sobre a civilização.  As redes digitais elevaram a bênção a níveis que ninguém jamais imaginou serem possíveis de alcançar.

O exemplo da barbearia pode não parecer nada espetacular, mas se você o entender — se você realmente o entender, e conseguir ver toda a dinâmica que ele revela —, então você irá entender o mecanismo que retirou todo o mundo de seu estado primitivo e o elevou à gloriosa prosperidade que se difunde continuamente por todo o globo.  Isto nada mais é do que o mercado em ação — a rede de trocas, de cooperação, de serviços, de inovação, de emulação e de competição que faz com que o mundo gire, tudo a serviço do bem-estar humano.  Quanto mais mercado tivermos, mais progresso vivenciaremos.

Portanto, façamos a pergunta: por que tantas pessoas se dizem contrárias ao livre mercado?  Só pode ser porque elas não entendem como ele realmente funciona.  Gostaria muito de poder convidar essas pessoas a se juntarem a mim para uma cerveja e uma partida de pingue-pongue e então perguntar a elas como acham que foi possível criar este pequeno pedaço de céu aqui na terra.

 


autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Miguel  12/04/2012 08:13
    Dois cenários:\r
    \r
    1) Os concorrentes adotam a estratégia de disponibilizar distrações gratuitas aos clientes, pegando carona na idéia da barbearia (aliás, ótima idéia, eu iria nesse lugar mesmo que não tivesse cabelo). Clientes, concorrentes, todos ficam felizes, exceto o barbeiro que teve a idéia original, é claro, mas os negócios seguem bem e, depois de alguns meses, tomando uma cerveja no balcão de seu estabelecimento, ele perceberá que o assunto já estará esquecido. \r
    \r
    2) O Estado proíbe a disponibilização de bens "alheios" à atividade de cortar cabelos, pois o movimento da bolinha de pingue pongue ou o barulho das bolas de sinuca se chocando umas contra as outras podem atrapalhar a concentração do barbeiro, possibilitando a ocorrência de acidentes (barbeiros usam navalhas e tesouras afiadíssimas, e com a jugular não se brinca). Além disso, um cliente com cerveja na cabeça pode realizar movimentos bruscos que comprometam a qualidade do corte, comprometendo sua satisfação com o resultado estético final. Realmente, à primeira vista, a barbearia que o Tucker visitou parece uma excelente idéia, mas, graças ao Estado, seríamos salvos desta armadilha perigosa travestida de entretenimento gratuito.\r
    \r
    Façam suas apostas.
  • Pipe  12/04/2012 10:37
    Continuação do cenário 2:
    O Sindicato dos Profissionais da Estética - SINPES - pede a interdição do salão em questão e a regulamentação da profissão de cabeleireiro. O salão fecha e os donos são multados por colocarem a segurança dos clientes em risco. O CONFEST - Conselho Federal de Esteticistas - é criado. Os salões pequenos são fechados, e só sobram os maiores. O preço de um corte de cabelo sobe às alturas, passando a custar a partir de 150 reais, exceto em alguns salões clandestinos que se arriscam para atender aos mais pobres. Todo cabeleireiro precisa registrar em um sistema dos CRESTs - Conselhos Regionais de Esteticistas - todos os serviços realizados. Todos os equipamentos e produtos utilizados no salão precisam ser validados pelo CREST da região. Toda compra ou reforma no salão precisa de uma ART do CREST. As pessoas passam a fazer cursinhos de cabeleireiro na internet para poderem cortar o cabelo dos filhos e até dos familiares e amigos. O CREST, juntamente com a Polícia Federal, persegue e prende quem publica cursos clandestinos de cabeleireiro, além de tirar do ar sites de cursinhos de cabeleireiro. O CREST multa severamente quem compra um creme que não foi homologado pelo CONFEST mas já é usado no mundo inteiro. Por uma incrível coincidência, esse creme compete com outro, de qualidade inferior, que só é vendido no Brasil.
  • Victor  12/04/2012 12:59
    Seria cômica se não fosse trágica esta a realidade do nosso Brasil sil sil!

  • Tárik Morato Simão  12/04/2012 15:43
    Hahaha, comentários dignos da qualidade do texto. Ótima contextualização!
  • Augusto  12/04/2012 16:25
    Apenas para informacao, a profissao de cabelereiro eh regulamentada no Brasil: www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12592.htm
  • Isaias Lobao  02/01/2014 12:01
    Ah nem...
  • Marconi  12/04/2012 10:48
    Muito bom o artigo. Na verdade, no mundo atual está acontecendo extamente isso e as pessoas não estão percebendo direito.

    A China, oferecendo a oportunidade de altos lucros para as empresas, está "roubando" todo conhecimento acumulado por anos e anos de capitalismo e liberdade dos EUA. Uma nação que só sabia fazer quinquilharias hoje faz praticamente tudo. E todas essas fábricas, o modo de fazer, enfim, todo o conhecimento foi gerado pelo livre comercio, principalmente dos EUA, na busca do lucro (como mostra o artigo).

    Os "altos lucros" obtidos pelas empresas americanas na China são merreca se comparados ao que estão entregando aos chineses, ou seja, todo o conhecimento acumulado.

    E, como as fábricas estão lá, todo avanço de produtividade estará nas fábricas na China, a vista de todos os chineses que, em 5000 anos de história, têm um histórico de governo com respeito zero aos direitos humanos.

    É justamente nesse ponto em que tocou o artigo que se encontra o "sucesso" do "capitalismo estatal".




  • Absolut  12/04/2012 11:50
    A China não está "roubando" nada, pois não existe propriedade intelectual.
  • Fabio MS  12/04/2012 13:27
    caro Absolut,\r
    foi por isso (porque a China não está roubando nada) que o Marconi escreveu "roubando", assim, entre aspas.
  • Marconi  13/04/2012 09:06
    exatamente!
  • mauricio barbosa  12/04/2012 17:29
    Concorrência,substantivo feminino e tudo que é feminino eu admiro.Concorrer! Verbo que denota ação e toda ação humana quando é benéfica a todos deve ser estimulada, portanto sempre e sempre, livre-comércio,a benção da civilização.
  • Gredson  01/01/2014 15:13
    "é impossível ser bem-sucedido no mercado e não revelar a "receita secreta" para o sucesso. "
    -------------------------------------
    O que me diz da coca cola? pelo que eu sei a receita da bebida mais famosa do mundo,é é um segredo.Eu acredito que é justamente o gosto único da coca cola, que fez a marca ser bem sucedida.
  • Marcus  01/01/2014 16:10
    Não se está falando de uma mera composição química, cidadão, mas sim de uma estratégia empreendedorial de sucesso.
  • Gredson  01/01/2014 16:29
    Uma "mera" composição química no caso coca cola, ou um "simples" código de programação fechado, que fizeram empresas como Microsoft, apple serem únicas no mercado.

    e você vem me dizer, que isso não faz parte da estratégia de sucesso de uma empresa?
  • Marcus  01/01/2014 16:44
    Estou com enormes dificuldades para entender qual é o seu ponto. Noto apenas que, inadvertidamente ou não, você demonstrou ser completamente desnecessário alguém ter de recorrer ao governo para obter monopólios intelectuais (como patentes).
  • Gredson  01/01/2014 16:58
    Sim, é realmente desnecessário recorrer ao governo, quando uma empresa tem a capacidade de manter em segredo, os seus produtos que são o diferencial no mercado. como exemplo o caso da coca cola, apple, microsoft.

    mas o meu ponto é o seguinte, se essas empresas são capazes de manter em segredo, o que faz delas um sucesso, seja um código de programação ou uma formula, qual o sentido de dizer "é impossível ser bem-sucedido no mercado e não revelar a "receita secreta" para o sucesso. "

    Eu realmente não entendo.
  • Cassim  01/01/2014 18:03
    Trata-se de um segredo tão oculto que está exposto na parte de trás da latinha. Justamente onde ninguém jamais pensaria em procurar. Brilhantíssimos os empreendedores da Coca-Cola, não? Em nada deixam a desejar ao pirata Kidd, que dizia ter escondido seus tesouros para barganhar sua saída da prisão. Nem mesmo a ordem templária conceberia um plano tão genial para esconder seus depósitos contra o rei da França.
  • Paulo  01/01/2014 20:13
    Verdade ou mentira?
    revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI259565-15259,00.htmlerdade
  • Paulo  01/01/2014 21:45
    Corrigindo o link: Sobre fórmulas secretas!
    revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI259565-15259,00.html
  • anônimo  01/01/2014 21:04
    O verso tem apenas os ingredientes. É tão útil para alguém quanto dizer a um mestre de obras que ele não precisa de uma planta para construir uma casa, basta ele saber que a casa vai ter tijolos, telhas, cimento, canos, janelas. Sem a quantidade de cada ingrediente a ser utilizada, tal informação não vale nada.
  • Rogério  01/01/2014 22:36
    O anônimo e o Gredson estão com sérias dificuldades de entender o artigo. O texto não fala sobre ingredientes secretos e fórmulas químicas, mas sim sobre estratégias empreendedoriais, as quais, uma vez comprovadas seu sucesso, podem ser facilmente copiadas -- como, por exemplo, a abertura de um determinado tipo de restaurante em uma determinada localidade.
  • Gredson  01/01/2014 23:20
    Rogério, vamos supor que em determinado mercado, eu crie um produto de maneira unica. ao qual meus concorrentes, não vão conseguir copiar, pois apenas minha empresa sabe como fazer. qualquer tentativa de fazer uma copia, nunca irá ser 100% como a original, pois a original apenas minha empresa sabe fazer. ou seja, este produto para ser feito, depende do conhecimento do "segredo". é apenas uma suposição.


    eu tenho um produto único, quase impossível de ser copiado, pois está em segredo.
    Isso de fato não caracteriza uma estratégias empreendedorial?

    se a resposta for não, me explique o porque, está ação não se carateriza como uma estrategia empreendedorial.

    Obrigado.
  • Rogério  01/01/2014 23:51
    Gredson, você está falando única e exclusivamente sobre a fórmula de um produto. Mas isso não representa, nem de longe, a totalidade do processo empreendedorial. E a estratégia de marketing? E o processo de distribuição? E o mercado consumidor específico? E o público-alvo? E a estimativa dos custos? E a determinação dos preços? Para quem o produto se destina? Onde e como ele deve ser vendido? Tudo isso faz parte de uma estratégia que pode ser perfeitamente copiada (se der certo) ou evitada (se der errado).

    E é disso que o artigo fala.
  • Gredson  02/01/2014 00:22
    Obrigado pelo esclarecimento, Rogério. =)
  • Arthur  02/01/2014 03:38
    A "fórmula" de um produto especifico pode não representar a totalidade do processo empreendedor, mas com certeza ela está inserida nele.

    Eu concordo com o Gredson, achei muito exagerado falar que todas as estratégias de sucesso estão claras e visíveis para todos que olharem para empreendimentos que prosperaram. Não é tão simples assim conseguir as informações sobre custos, estratégia de marketing, distribuição e etc de qualquer empresa e copiar isso.

    O artigo não leva em conta a parte intangível de certas empresas. E isso é uma parte importante, não leva em conta por exemplo, o nome da empresa e todo a mística que certas marcas transmitem para o consumidor.

    Se fosse tão fácil assim copiar as receitas de sucesso, teriamos várias outras Cocas-Cola, Disneys e etc.
  • Ali Baba  03/01/2014 12:50
    @Gredson 01/01/2014 15:13:49

    "O que me diz da coca cola? pelo que eu sei a receita da bebida mais famosa do mundo,é é um segredo.Eu acredito que é justamente o gosto único da coca cola, que fez a marca ser bem sucedida."

    Eu sabia que eu já tinha comentado isso aqui... Do comentário original, devidamente editado: «A formula original da Coca-Cola foi publicada no livro "Por Deus, Pela Pátria e Pela Coca-Cola". Então por que o Gredson não lança a Gred-Cola? Muito simples, a Coca-Cola é mais do que uma fórmula. A Coca-Cola é uma cadeia de produção e distribuição, uma marca consagrada. Tudo isso, a Gred-Cola não é. Se mesmo assim a Gred-Cola fosse produzida, ela teria de trabalhar muito (provavelmente um tempo equivalente à Coca-Cola) para atingir a escala da primeira e ter a possibilidade de desbancá-la.»
  • Carlos Roberto  01/01/2014 16:49
    Em primeiro lugar, conheci a Escola Austríaca recentemente, nem mesmo sabia o que significava liberalismo econômico, ou o porque dos desenhos norte americanos que eu assistia quando criança faziam tanta apologia à suposta "liberdade". Como criança eu pensava, "grande coisa, a gente também é livre aqui no Brasil". Ledo engano meu, como percebi enquanto crescia e me inseria no mercado de trabalho.
    Encontrar o IMB foi como encontrar uma família perdida.

    Mas, de volta ao artigo:
    Sempre fiquei impressionado com os benefícios que a internet nos traz, as facilidades, os serviços gratuitos... enquanto que no mundo "real" somos tarifados por tudo, parece que a internet se esforça para oferecer serviços gratuitos. Como disse, antes de conhecer a EA, achava que o que ocorria na internet se dava graças a pessoas "excentricas", que por algum motivo pessoal disponibilizavam conteúdo inovador em troca de nada ou muito pouco. Hoje entendo perfeitamente que a internet é o maior bastião do liberalismo que já existiu, e que suas benesses não são frutos do acaso, nem nos foram dados como "favores" por pessoas maravilhosas e abnegadas.

    Só pra exemplificar alguns pontos de surpresa, que não precisam de nenhuma leitura ou erudição liberal para justificar mesmo ao mais inculto brasileiro, como a "desregulação" é benéfica para o povo:
    - e-mails e sites de busca só se tornaram gratuitos porque hoje são a nova plataforma de marketing da era digital.
    - youtube hoje permite artistas divulgarem seu material, não importa quão específico venha a ser seu público alvo, ou quanto dinheiro para capital inicial eles tenham. Desde Linsay Stirling, até MaluFenix https://www.youtube.com/watch?v=LQKspH34BkM
    - Kickstarter e outros métodos de croudfunding e croudsourcing.

    Ou seja, a Internet (com maiúscula mesmo) é uma celebração ao indivíduo. Sem planejamento central, sem barreiras nacionalistas, o conteúdo que você quer "vender" pode ser tão específico ou tão abrangente quanto você quiser.

  • Fabio  01/01/2014 18:27
    Só faltou o autor do artigo colocar o nome do estabelecimento e o link da pagina do facebook do mesmo.
    No mais,excelente artigo. Parabens
  • Procurando um artigo  01/01/2014 22:11
    Uma vez li um artigo aqui que dividia os países em níveis de liberdade e mostrava que a renda era maior nos países livres, mas não estou encontrando. Nesse artigo o Leandro respondeu a um comentário que os dados eram majoritariamente do Fraser Institute. Se alguém lembrar qual artigo é, cola o link aqui de resposta?
  • Uchoa  01/01/2014 22:37
  • Emerson Luis, um Psicologo  01/01/2014 23:23

    Interessante essa perspectiva!

    Em um sistema socialista, até pessoas boas são induzidas ou coagidas a participar de erros... de fato, tudo é um grande erro neste sistema. Em contraste, em um sistema de livre-mercado até pessoas egoístas precisam beneficiar outros se quiserem prosperar ou mesmo sobreviver economicamente.

    PS: Adam Smith escreveu [em inglês] "interesse próprio", não "interesse egoísta".

    * * *
  • Marcio L  02/01/2014 00:13
    Todos os trabalhadores deveriam saber que o a força revolucionária do livre mercado. Excelente artigo.
  • Bezerra  02/01/2014 13:15
    Muito bom artigo. Se o autor quisesse enfatizar mais o progresso sob o livre mercado, poderia lembrar que há duzentos anos o processo de produção era o mesmo de mil, dois mil, três mil anos atrás. Praticamente ainda viviamos sob os frutos da Revolução Agrícola ocorrida na Pré-História. O que abriu as portas para a Revolução Industrial foi a implantação das idéias dos economistas liberais, particularmente Adam Smith, no final do séc. XVIII, como já disse Mises.

    É uma tristeza as salas de aula do Brasil ver os professores pregando que alguns países são ricos por causa de sindicalismo, socialismo, intervencionismo ou revoluções. Aliás coisas que América Latina e África estão cheios, porém são os continentes mais pobres do mundo.


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